DOMÍNIO 1 - GEOLOGIA E MÉTODOS
1.2 Ciclo das rochas
A.E. -
- Explicar o ciclo litológico com base nos processos de génese e características dos vários tipos de
rochas, selecionando exemplos que possam ser observados em amostras de mão no laboratório
e/ou no campo.
Rochas e minerais
Rochas magmáticas
Rochas metamórficas
Ciclo litológico ou ciclo das rochas
As rochas constituem importantes arquivos, nos quais se encontram registadas as
modificações geológicas, geográficas e biológicas que ocorreram ao longo da história da
Terra.
Uma rocha é, normalmente, uma associação natural de minerais, agregados ou
desagregados. Existem, ainda que mais raramente, rochas monominerálicas, isto é
constituídas por um único mineral.
De acordo com a sua origem, definem-se três grandes grupos de rochas:
Rochas magmáticas/ígneas: resultam da consolidação direta do magma à
superfície (rochas ígneas vulcânicas) ou em profundidade (rochas ígneas
plutónicas).
Rochas sedimentares: formam-se à superfície ou próximo desta, a partir de
deposições de sedimentos oriundos de rochas pré-existentes ou provenientes da
atividade dos seres vivos que, posteriormente, sofrem alterações físicas e químicas
sendo compactados e ligados entre si.
Rochas metamórficas: formam-se a partir de rochas pré existentes, que sofrem
transformações mineralógicas e estruturais, devido à ação de pressões e/ou
temperaturas elevadas, ou à ação de fluidos de circulação, mas mantêm o estado
sólido ao longo de todas as transformações.
Rochas sedimentares
As rochas sedimentares, como foi referido, resultam da deposição de
fragmentos/sedimentos oriundos de rochas pré-existentes ou de materiais provenientes
da atividade dos seres vivos.
Tipos de rochas sedimentares:
1. Sedimentares detríticas;
2. Sedimentares quimiogénicas;
3. Sedimentares biogénicas;
Exemplos: carvão; arenito; areia; conglomerado; brecha; argilito; calcário; argila
Embora cubram uma grande parte da superfície terrestre (75% da área dos continentes),
constituem apenas 5% do volume da crosta terrestre.
O processo de formação de rochas sedimentares envolve duas etapas fundamentais:
Sedimentogénese: esta etapa engloba um conjunto de processos físicos e químicos
nos quais são elaborados os materiais que vão integrar as rochas sedimentares
(meteorização e erosão), o seu transporte e a sua deposição (sedimentação).
o Meteorização: processo físico e químico que promove alterações físicas e
químicas nas rochas pré existentes, que se encontram à superfície do
planeta, através da ação de agentes erosivos como a água, a temperatura, o
vento, a ação dos seres vivos, etc.;
o Erosão: processo de remoção dos materiais previamente alterados das
rochas, por ação de agentes erosivos (água, vento, seres vivos, gravidade);
o Transporte: os materiais erodidos (detritos/clastos), de dimensões variadas,
são transportados, por ação do vento, da água, da gravidade, de seres vivos,
por distâncias mais ou menos longas até se depositarem;
o Sedimentação: deposição dos materiais transportados que agora se
designam sedimentos. Em condições propícias a deposição regular, em
estratos, é feita de acordo com a densidade dos sedimentos. Nos estratos
inferiores depositam-se os sedimentos mais densos e pesados e nos estratos
superiores os menos densos e menos pesados. Estes estratos, caso não se
verifiquem perturbações formam camadas horizontais não deformadas.
Cada estrato corresponde à deposição que ocorreu num local, num
determinado intervalo de tempo, em que os materiais disponíveis e as
condições de deposição se mantiveram inalterados.
Diagénese: etapa que engloba um conjunto de processos físicos e químicos que
atuam após a sedimentação e que promovem a evolução dos sedimentos para
rochas sedimentares coerentes. No decurso da diagénese os sedimentos sofrem
compactação, desidratação e cimentação, ficando ligados entre si.
Nas rochas sedimentares é possível encontrar fósseis de seres vivos, pois as condições de
formação destas rochas são compatíveis com os processos de fossilização.
Rochas magmáticas
Estes dois tipos de rochas correspondem a 95% do volume da crosta terrestre e, embora
normalmente não apresentem fósseis, pois as suas condições de formação destroem os
vestígios dos seres vivos, o seu estudo permite perceber em que condições se formaram
e, portanto, inferir sobre as condições que existiam no planeta aquando da sua génese.
Rochas magmáticas/ígneas: uma vez que estas resultam do arrefecimento e da
consolidação de magmas e atendendo a que os magmas são misturas complexas de
minerais fundidos, cristais em suspensão, e gases que podem apresentar diferentes
composições químicas, poderão originar também diferentes tipos de rochas magmáticas.
Rochas ígneas plutónicas ou intrusivas: resultam do arrefecimento e consolidação
do magma em profundidade. Desta forma o arrefecimento é lento, havendo tempo
para que se formem cristais bem definidos nas rochas. Apresentam portanto uma
textura granulocítica (cristais visíveis a olho nu). Ex: granito.
Rochas ígneas vulcânicas ou extrusivas: resultam do arrefecimento e consolidação
do magma à superfície. Desta forma o arrefecimento é rápido, não havendo tempo
para que se formem cristais bem definidos nas rochas. Apresentam portanto uma
textura amorfa (cristais não visíveis a olho nu). Ex: basalto.
Rochas metamórficas
Estas rochas têm origem em rochas preexistentes (sedimentares ou magmáticas). Uma
vez que a Terra é um planeta ativo e dinâmico, as rochas podem ser deslocadas para
zonas com diferentes condições das condições que estiveram na sua génese. Desta forma
podem experimentar maiores pressões ou maiores temperaturas, assim como
depararem-se com um ambiente químico diferente, que vai promover transformações
minerais, químicas e estruturais, ainda que não alterem o seu estado físico (permanecem
no estado sólido). Os principais fatores de metamorfismo são: a temperatura, a pressão,
os fluidos de circulação e o tempo de duração do processo. Ex. Gnaisse
Ciclo das rochas
O ciclo das rochas, ou ciclo litológico, demonstra as relações que existem entre os três
grandes grupos de rochas, pois os fenómenos que levam à formação de rochas
sedimentares, magmáticas e metamórficas estão intimamente ligados entre si, uma vez
que qualquer tipo de rocha tem a possibilidade de se transformar noutro tipo de rocha.
Pela interpretação do ciclo litológico percebemos que qualquer rocha que aflore à
superfície vai sofrer meteorização e erosão pela ação de agentes erosivos. Os detritos daí
resultantes serão transportados até bacias de sedimentação onde sofrem deposição,
passando a designar-se sedimentos. A sedimentogénese é seguida da diagénese,
formando-se rochas sedimentares. Se as condições de diagénese forem superadas, isto é,
se as pressões e temperaturas ultrapassarem determinados limites, as rochas sofrerão
ação de fenómenos de metamorfismo transformando-se em rochas metamórficas. Por
sua vez, se as condições de pressão e temperatura se elevarem além das fronteiras do
metamorfismo, as rochas podem fundir (alteram o seu estado físico de sólido para
líquido), originando magma. Este, ao arrefecer e solidificar originará novas rochas
magmáticas.