Índice
Introdução .................................................................................................................................................... 2
Objectivos Gerais ......................................................................................................................................... 2
Objectivos Específicos ................................................................................................................................. 2
Metodologia ................................................................................................................................................. 2
Definição ...................................................................................................................................................... 3
História da contabilidade em Moçambique .................................................................................................. 3
Normalização contabilística em Moçambique .............................................................................................. 3
Objectivos de Normalização contabilística................................................................................................... 5
Vantagens da Normalização contabilística ................................................................................................... 5
Desvantagens da Normalização Contabilísticas ........................................................................................... 6
A adopção de Normas Internacionais para Relato Financeiro ...................................................................... 6
Desafios Atuais e Futuros ............................................................................................................................ 7
Conclusão ..................................................................................................................................................... 9
Referência bibliográfica ............................................................................................................................. 10
Introdução
No presente trabalho Contabilidade Financeira, pretende-se falar da normalização contabilística
em Moçambique e sua evolução histórica, onde Segundo NOBRE apud RODRIGUES e
FERREIRA (2004:133) “ a normalização contabilística é um processo de aumento de
comparabilidade das práticas contabilísticas estabelecendo-se ao seu grau de variação”. Mais
adiante, apresentar - se - á outros pormenores ligados a matéria em alusão, bem como confronto
dos conteúdos advindos de vários autores que abordam o mesmo tema. Desta feita, o trabalho
apresenta as seguintes linhas orientadoras:
Objectivos Gerais
Analisar a evolução histórica da normalização contábil em Moçambique, destacando seu
impacto na transparência financeira, atração de investimentos estrangeiros e
desenvolvimento econômico do país.
Objectivos Específicos
Investigar as práticas contábeis durante o período colonial e seu impacto nas normas
contábeis do país após a independência em 1975;
Identificar e discutir os benefícios da adoção das IFRS para a transparência financeira em
Moçambique;
Explorar as mudanças trazidas pela Lei das Sociedades Comerciais de 2004 em relação aos
requisitos contábeis e de divulgação.
Metodologia
Para a realização do trabalho, utilizar-se-á diversos métodos com o principal intuito de alcançar os
objectivos esperados. Co-relação ao método de abordagem, para a concretização do trabalho,
recorrer-se-á fundamentalmente à duas tipologias metodológicas nomeadamente: o método de
pesquisa bibliográfica, este método torna-se importante porque permite recolher informações com
base em fontes já existentes ou elaboradas, especificamente como: livros, brochuras, artigos, sites
e revistas. E o método analítico que consistirá na análise e confrontação de dados obtidos em
diversas fontes.
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Definição
Normalização Contabilístico
Segundo BORGES e FERRAO (1999:14) definem a normalização como “um processo dinâmico
que visa a adequação da realidade contabilística face as mutações do meio envolvente económico-
financeiro que rodeia as unidades económicas”
Para NOBRE apud RODRIGUES e FERREIRA (2004:133) “ a normalização contabilística é um
processo de aumento de comparabilidade das práticas contabilísticas estabelecendo-se ao seu grau
de variação”.
História da contabilidade em Moçambique
Segundo o Professor António Lopes de Sá (1996) (Citado por Cravo), a escrituração contabilística
nasceu com a conta, no paleolítico superior, há mais de 20. 000 anos, mesmo antes de o homem
saber escrever e calcular. Podemos considerar tal período como a pré-história da contabilidade,
caracterizada pela prática transmitida e pela ausência de livros. No geral todos os povos
contribuíram para o desenvolvimento desta disciplina. No entanto é dos sumérios e babilónios que
se obtém a mais antiga documentação: contas com débitos e créditos abertas a animais, ficheiros,
inventários e balanços. Acredita-se que foi destes povos a intuição a partida dobrada, e tudo aponta
que o conceito de débito e crédito existe há mais de 5. 000 anos.
Entre o século XI e o século XV existe um grande crescimento do comércio na Europa e é nessa
fase que supõe tenha sido consolidada a partida dobrada, a qual se admite ter surgido na Itália entre
1. 250 e 1.280 da nossa era. Tradicionalmente tem sido aceite que a grande difusão da partida
dobrada foi efectuada a partir da publicação da obra de FRA LUCA PACIOLI, “Summa
Arithemetica, Geometria, Proporcioni et.
Normalização contabilística em Moçambique
A normalização contabilística em Moçambique refere-se ao processo de estabelecer regras,
princípios e padrões contábeis para garantir a consistência, transparência e comparabilidade das
demostrações financeiras das empresas e entidades no país. A evolução histórica desse processo
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envolveu a harmonização das práticas contábeis locais com as normas internacionais, buscando
alinhar-se com as melhores práticas globais.
A normalização contabilística em Moçambique e sua evolução histórica pode ser dividida em
quatro fases principais:
Período colonial até a independência (1975): Nesta fase, a contabilidade em Moçambique seguia
o modelo português, baseado no Plano Oficial de Contabilidade (POC) de 1973. O POC era um
sistema de contabilidade patrimonial, que privilegiava os aspetos fiscais e legais da informação
contabilística. As entidades eram obrigadas a seguir o POC e a apresentar as suas demonstrações
financeiras de acordo com os modelos definidos pelo Estado.
Período pós-independência (1975-1984): Nesta fase, a contabilidade em Moçambique sofreu uma
profunda transformação, devido às mudanças políticas, económicas e sociais que ocorreram após
a independência. O Estado nacionalizou as principais empresas e instituiu um sistema de economia
planificada. A contabilidade passou a ser um instrumento de controlo e gestão do Estado, que
definia os planos, os preços e os custos das entidades. A contabilidade deixou de ser patrimonial e
passou a ser económica, baseada no conceito de fundo social. As entidades eram obrigadas a seguir
o Sistema de Contabilidade do Estado (SCE) e a apresentar as suas demonstrações financeiras de
acordo com os modelos definidos pelo Estado.
Período do fim das nacionalizações à introdução da economia de mercado (1984-1992): Nesta
fase, a contabilidade em Moçambique iniciou um processo de reforma, devido à crise económica e
social que o país enfrentava e à necessidade de se adaptar às exigências dos organismos
internacionais. O Estado iniciou um processo de desestatização das empresas e de liberalização da
economia. A contabilidade voltou a ser patrimonial, baseada no conceito de capital próprio. As
entidades passaram a ter maior autonomia na gestão dos seus recursos e na elaboração das suas
demonstrações financeiras. O Estado aprovou o primeiro Plano Geral de Contabilidade (PGC) de
Moçambique independente em 1984, que era uma adaptação do POC português de 1973.
Período da harmonização internacional da contabilidade (1992-atualidade): Nesta fase, a
contabilidade em Moçambique entrou numa nova etapa de reforma, devido à globalização dos
mercados e à necessidade de se harmonizar com as normas internacionais de contabilidade. O
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Estado aderiu à Organização para a Harmonização da Contabilidade em África (OHADA) em 1997
e à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) em 1999. A contabilidade
passou a ser orientada para os utilizadores externos, baseada no conceito de valor justo. As
entidades passaram a ter maior responsabilidade na elaboração e na divulgação das suas
demonstrações financeiras. O Estado revogou o PGC de 1984 e adotou o Sistema de Normalização
Contabilística (SNC) em 2010, que é uma adaptação das Normas Internacionais de Relato
Financeiro (IFRS).
O novo PGC foi aprovado pela Resolução n.º 25/2014 e entrou em vigor em 2015. O PGC mantém
a estrutura do anterior, mas introduz algumas alterações e melhorias, tais como:
A inclusão de novas normas contabilísticas específicas para determinados setores de
atividade;
A introdução do conceito de justo valor como base de mensuração; a obrigatoriedade de
apresentação das demonstrações financeiras consolidadas; e
A exigência de divulgação de informações adicionais sobre as políticas contabilísticas
adotadas, os riscos financeiros e os eventos subsequentes.
Objectivos de Normalização contabilística
Segundo BORGES e FERRAO (1999:15); CHOI et al (1999:249) e RODRIGUES e PEREIRA
(2004:132), o principal objectivo da normalização contabilística é a procura de comparabilidade
da informação.
Vantagens da Normalização contabilística
Segundo LAINEZ e CALLAO apud RODRIGUES e PERREIRA (2004:138-139) o processo de
normalização traz as seguintes vantagens:
Diminuição do custo de elaboração e apresentação da informação para as empresas
multinacionais. Estas seriam dispensadas da obrigação de cumprir diferentes normas
nacionais quando procuram financiamento em mercados estrangeiros, e por outro lado “a
preparação das demonstrações financeiras consolidadas de filiais localizadas em distintos
países seria enormemente facilitadas” (Choi et al, 1999:248);
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Facilidade de analise, interpretação e compreensão da informação elaborada em diferentes
países, pelo que consequentemente seria facilitada a tomada de decisões dos investidores,
financiadores e outros investidores;
Eliminação de uma das principais barreiras à livre circulação de capitais a nível
internacional;
Simplificação do trabalho das multinacionais de auditoria, por poderem aplicar uns
princípios equivalentes em todos os países, do mesmo modo as autoridades fiscais poderiam
medir o lucro empresarial sobre o qual tributam as empresas estrangeiras de acordo com
umas normas uniformes de reconhecimento de proveitos e custos.
Desvantagens da Normalização Contabilísticas
A normalização contabilística tem o poder de ser excessivo. A normalização parece
vantajosa até ao ponto em que possa ser aplicada na empresa, sendo desvantajosa quando
não se adapta as características e necessidades reais das unidades económicas nos aspectos
que se proponha uniformizar (BORGES, 2007:123);
O processo de harmonização acarreta custos maiores que os benefícios;
Alguns autores consideram que o processo de harmonização é apenas um processo político
que simplesmente trata de harmonizar os interesses das partes afectadas;
Predominância de modelos contabilísticos anglo-saxónicos.
A adopção de Normas Internacionais para Relato Financeiro
Nos anos 2000, houve uma mudança significativa em direção à adoção das Normas Internacionais
de Relato Financeiro (IFRS) em Moçambique. Esta foi uma etapa importante para a normalização
contábil do país, pois as IFRS são amplamente reconhecidas internacionalmente e facilitam a
comparabilidade das demonstrações financeiras.tratando-se de um país com a economia em
crescimento decorrente da entrada de investimentos directos estrangeiros não estaria fora dos
efeitos de globalização contabilística. O exemplo disso, nota-se a presença a partir da metade da
década noventa de grandes empresas estrangeiras no ramo de contabilidade e Auditoria que de
certo modo contribuíram com as novas técnicas de elaboração das demonstrações financeiras como
o caso da KPMG, Ernest & Young, Deloitte e PricewaterhouseCoopers que entraram no mercado
moçambicano como culminar da presença das primeiras multinacionais Coca-cola, Mozal, etc. A
adopção do novo Plano Geral de Contabilidade - Normas Internacionais para Relato Financeiro
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(PGC-NIRF) tem por objectivo, de um lado acomodar a necessidade da comparabilidade e
transparência das demonstrações financeiras das grandes e médias empresas nacionais com as
estrangeiras, por outro permitir o relato uniformizado das demonstrações financeiras das
multinacionais em relação à informação contabilística dos países de origem.
Desafios Atuais e Futuros
Apesar do progresso significativo, Moçambique enfrentou desafios econômicos nos últimos anos,
incluindo crises financeiras e dívida pública elevada. Esses desafios destacaram a importância da
qualidade das informações financeiras para a tomada de decisões econômicas sólidas. Além disso,
destacam a necessidade contínua de aprimoramento e adaptação das normas contábeis para
enfrentar os desafios em constante evolução.
Desafios Actuais
Adoção e Implementação das IFRS (Normas Internacionais de Relato Financeiro):
Moçambique tem feito esforços para alinhar suas normas contábeis com as IFRS, mas a
implementação completa pode ser desafiadora, especialmente para pequenas e médias empresas.
Garantir que todas as entidades estejam em conformidade é um desafio atual.
Qualificação e Treinamento: A escassez de profissionais de contabilidade qualificados em
Moçambique é um desafio. A formação contínua e a certificação de contadores são necessárias
para elevar o padrão da contabilidade no país.
Controle de Qualidade: Garantir a qualidade das auditorias e das demonstrações financeiras é
crucial. A falta de supervisão e regulamentação eficazes pode levar a práticas inadequadas.
Transparência e Governança Corporativa: Alguns setores e empresas podem enfrentar desafios
em termos de transparência e governança corporativa. Garantir que as informações financeiras
sejam divulgadas de maneira transparente e confiável é fundamental para atrair investidores.
Educação Financeira: A compreensão das demonstrações financeiras e dos princípios contábeis
não é universal. Promover a educação financeira é necessário para que os stakeholders, incluindo
investidores e empreendedores, possam tomar decisões informadas.
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Desafios Futuros:
Adaptação às Mudanças Globais: O ambiente contábil está em constante evolução. Moçambique
terá que se adaptar a novas normas e regulamentações contábeis internacionais à medida que estas
mudarem.
Tecnologia e Automação: A automação e a tecnologia estão transformando a contabilidade. A
introdução de novas ferramentas e sistemas pode ser uma oportunidade, mas também um desafio
em termos de atualização e treinamento.
Complexidade Financeira: À medida que a economia de Moçambique cresce, a complexidade
das transações financeiras também pode aumentar. Isso exige uma abordagem mais sofisticada na
contabilidade e na auditoria.
Pressões Econômicas: A economia moçambicana pode enfrentar pressões, como flutuações
cambiais e desafios macroeconômicos. Isso pode afetar a contabilidade e exigir adaptações nas
práticas contábeis.
Ética e Integridade: O país deve manter altos padrões éticos na contabilidade e na auditoria para
evitar problemas como fraudes financeiras e má conduta profissional.
Internacionalização de Empresas: À medida que mais empresas moçambicanas buscam
oportunidades internacionais, a conformidade com padrões contábeis globais se torna essencial
para garantir a transparência e a credibilidade nos mercados internacionais.
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Conclusão
Terminado o trabalho, importa referir que foi mais uma pesquisa pertinente que auxiliou e
contribuiu para uma aprendizagem significativa. Durante o desenvolvimento deste trabalho
compreendeu-se segundo BORGES e FERRAO (1999:14) definem a normalização como “um
processo dinâmico que visa a adequação da realidade contabilística face as mutações do meio
envolvente económico-financeiro que rodeia as unidades económicas”
Para NOBRE apud RODRIGUES e FERREIRA (2004:133) “ a normalização contabilística é um
processo de aumento de comparabilidade das práticas contabilísticas estabelecendo-se ao seu grau
de variação”.
E, por sua vez, A evolução da normalização contábil em Moçambique representa um compromisso
com a transparência financeira e a conformidade com padrões internacionais. A adoção das IFRS
e a promulgação da Lei das Sociedades Comerciais contribuíram para melhorar a qualidade das
informações financeiras e atrair investimentos estrangeiros.
Este trabalho analisa a evolução histórica da normalização contábil em Moçambique, destacando
os principais marcos e desafios enfrentados pelo país na adoção de padrões internacionais de
contabilidade. Exploramos como o processo de normalização contábil contribui para a
transparência financeira, atrai investimentos estrangeiros e promove o desenvolvimento econômico
em Moçambique.
No entanto, os desafios econômicos recentes enfatizam a importância contínua da conformidade e
da adaptação às mudanças globais. À medida que Moçambique avança, a normalização contábil
continuará a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento econômico sustentável do
país.
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Referência bibliográfica
BORGES, António; FERRAO, Martins. A Contabilidade e a Prestação de contas- uma
abordagem integrada dos aspectos contabilísticos fiscais e das sociedades, 7ª ed. Lisboa; Rei
dos livros, 1999. P14-19
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Setembro de 2023
CHOI, Frederick D.S et al, international Accounting. Mexico: International edition, 1999. P249-
257
Rodrigues, L Lima & Pereira, A. Alexandra (2004). Manual de Contabilidade
Internacional – A diversidade Contabilística e o Processo de Harmonização
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Choi, Frederich, et al (2002). International Accounting. 4th edition, peintice Hall, USA.
Ernest Young (2009). Plano Geral de Contabilidade -Normas Internacionais de Relato
Financeiro. Imprensa Nacional de Moçambique, Maputo.
FEREIRA, Rogério Fernandes, Normalização Contabilística. Coimbra: Livraria Arnado, Ida,
1984. P25-30
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