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Antropologia Cultural

Sobre a Antropologia e os principais conceitos introdutórios.

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DeltoCarapetoIII
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CAPITULO I POSTULADOS ANTROPOLOGICOS - ALGUMAS PREMISSAS! - 1. Prejuizos ideolégicos . N&o podemos iniciar 0 estudo antropolégico com ideias ja formula- das, preconceitos sobre toda a matéria ou algumas das suas partes ou sobre o campo da sua ac¢do, ou prejuizos sobre um determinado povo ou cultura. Nesta matéria devemos evitar todo tipo de pré-juizo ideologico ede valor. - A antropologia foi acusada por politicos, por homens religiosos e por outros estudiosos nos mais diversos ramos da ciéncia de estar subme- tida a determinados interesses. Qual é a resposta que podemos dar a toda esta série de acusagées? A antropologia cultural, como ciéncia esta ao nivel das outras ciéncias e ramos do saber humano, ¢ enquanto © antropdlogo for fiel ao método cientifico proprio, 0 seu modo de proceder é correcto. Se a antropologia foi bem ou mal aplicada por terceiros (politicos - colonialistas - espansionistas - contrarevolucionarios, e até missionarios, etc.), isso nada the tira ou the acrescenta em quanto ciéncia. 1Cfr. PELTO, P.J., Iniciacdo aos Estudos da Antropologia, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1984, trad do inglés, The study of Anthropology, 1965. . Também podemos afirmar que, apesar de todas as teorias existentes € originadas nos tempos passados, ndo ha provas indiscutiveis das diferengas significativas em capacidade ou inteligéncia entre os princi- pais grupos raciais do mundo. Os individuos que s4o produto racial ou mestigagem sao fre- quentemente superiores aos pais, contrariando crengas ainda generali- zadas. . Nao se descobriram biolégicas humanas que n4o tinham sido afecta- das pela experiéncia de vida e condigdes de ambiente. Todas as diferengas significativas no comportamento entre as populagdes humanas (inclusive manifestagdo de atitudes, inteligéncia e outras caracteristicas psicoldgicas), so compreensiveis como padres culturais aprendidos e nao como caracteristicas herdadas biologica- mente. 3. Etnocentrismo a. Definicdo: pér a prépria cultura no centro da explicagdo ou da descrigao da cultura de outro povo ou grupo ét- nico. b. Negativamente: trata-se, na sua parte negativa, de uma projecgdo deformante do préprio tipo de sociedade. O etnocentrismo constitui um grave obstaculo a antropo- logia. Correspende as tendéncias espontaneas de todo 16 © individuo. A nossa heranga social influencia forte- mente a forma pela qual vemos e classificamos toda a experiéncia. Nao € sendo uma forma alargada de ego- centrismo (4 semelhanga do que em psicologia se mos- tra corresponder a uma fase de desenvolvimento da crianga). c. Positivamente: todo individuo pertence a um grupo humano, a uma cultura concreta. Ele nada numa cultura como um peixe na agua, até ao ponto de nao estar con- sciente. Ninguém pode renunciar a propria cultura nem desprezar ou ignorar os valores da sua cultura. d. Fundamento: baseia-se numa valorizagdo abusiva da pr6- pria cultura ou de certos valores. Mas as culturas séo todas igualmente nobres! e. Consequéncia: o etnocentrismo traduz-se no plano cientifico por uma verdadeira falsificagéo dos dados que pode ir até cegueira intelectual; portanto ignorar ou nao po- der ver a realidade, contendo graves erros: etnocentrismo de classes, etnocentrismo profissional, racial, religioso, etc... CONCLUSAO 1. E um risco normal, constante, que todos temos, pois ninguém pode renunciar a sua propria cultura; 2. pelo que devemos estar constantemente atentos a vigiar-nos (vigilancia epistemolégica permanente)?, de tal maneira que possamos fazer um estudo antropoldgico cientificamente sério. 2 Cfr. a obra de FAVROT, C.H., A Sociologia, Pub. Dom Quixote, Lisboa, 1980. 17 4, Relativismo cultural ‘Ao falarmos de relativismo referimo-nos 4 opiniéo que de- fende a incomunicabilidade entre as culturas. Para os seus defensores nao é possivel nenhum tipo de comunicagao ou de entendimento entre as culturas. As particularidades das culturas seriam tio profundas ¢ diversas que estariam em contradigéo permanente. Um relativismo como o indicado, que poderiamos chama-lo epistemolégico, prejudica ja inicialmente toda a possibilidade de entendimento cultural. Destas paginas rejeitamo-lo, pois aceitando-o, a antropologia tonar-se-ia uma divagagao sem rumo ¢ seriamos obriga- dos a negar qualquer universal cultural ¢ todos os processos acultura- tivos que a histéria apresenta como dinamica cultural constante. O seu presuposto seria a [Link]ética de toda a cultura, o que é negado pela historia ¢ pela observagao directa dos processos culturais, isto é, as mudangas que se operam nas culturas pela interferéncia de factores extermos. 6 Mas isto nAo significa que ignoremos a diversidade e conse- quente relatividade das culturas. O relativismo cultural relativo implica o reconhecimento da diversidade cultural de cada povo, com ‘os seus valores e demais caracteristicas, e a abertura as outras cultu- Tas como componente estrutural e factor dindmico de crescimento; mega, ao mesmo tempo, a superioridade de qualquer cultura sobre outra ¢ todo tipo de incomunicabilidade entre cultura fechada sobre si propria morre. 2a aoaiee! ; Como afirma ALDO NATALE TERRIN: "Trata-se da dis- ting&io que se deve manter entre um transcendental que ndo ¢ relativis- tico ¢ um mundo categorial que leva impresso o sinal do relativo, do perfectivel, do incompleto"? , : 3 AN. TERRIN, "Antropologia culturale ¢ humus religiosus", em G. BOF (@ cura di), Antropologia culturale e antropologia teologica, EDB, Bologna, 1994, p.100. . 18 Nogao ‘onismo a identificagao do denomi- nador is bai: idamente para comum mais baixo de uma cultura usando-o seguidament explicar a mesma cultura. Trata-se de uma explicagao simplista de fenomenos culturais complexos, que nao tem na devida conta 0 conjunto da realidade em que esto mergulhadas as culturas. Consequéncias negativas as ee Uma tal abordagem reduz a longa historia eo patrimonio cultural de um povo a alguns tracos negativos, que logicamente nunca faltam nas sociedades. Ignora-se praticamente a realidade cultural no seu conjunto e na sua profundidade, ficando apenas uma imagem desfigurada e falsa da mesma. Causas Nao se pode reduzir uma cultura a um dos seus tragos cultu- rais mais negativos, esquecendo deliberadamente, por cego etnocentrismo ou por ignorancia, toda a sua complexidade. Também nao podemos basear-nos em experiécias isoladas, em dados fora do seu contexto cultural ou em factos aneddticos que facilmente criam uma imagem falsa do povo em questao. Concluséo De cada cultura é necessario ter um conhecimento adequado que compreenda tanto os elementos positivos como os negativos. Entendemos aqui por reduci 6. Tendéncia a negar as diferencas Uma outra atitude negativa, que tem o seu fundamento no etnocentrismo, é a tendéncia a negar as diferengas culturais que encon- tramos nos outros povos. Nega-se todo valor a tudo o que se apresenta culturalmente diferente a propria cultura Os problemas humanos mais profundos s4o essencialmente semelhantes em todas as sociedades: a luta pela subsisténcia, a pro- cura da alimentagdo, o dominio do meio ambiente, a defesa dos ani- mais ¢ das incleméncias do tempo, o combate contra a doenga, a transmissao da vida, as relagdes de amizade, os lagos familiares, as 20 Uso de termos indevidos Devemos evitar 0 uso de termos indevidos ou superados pelo estado actual das ciéncias: povos pré-ldgicos, ilégicos, homem primi- tivo, homem civilizado, mentalidade pré-légica, religiéo primitiva, animismo, grandes religides, religiéo, magia, matriarcado, sociedades arcaicas, etc. Todo sistema cultural humano é légico e coerente dentro de seus proprios termos, segundo as suposi¢des ¢ conhecimentos basicos 4 disposigado da comunidade. Em base aos estudos antropologicos (baseados em trabalhos de campo), podemos afirmar hoje que nado ha povos de mentalidade pré-logica, isto é, povos com incapacidade "infantil" de tirar conclu- sGes adequadas da experiéncia. As diferengas de reflexado entre o assim chamado "homem primitivo" e 0 "homem moderno" parecem estar nas suposigdes fundamentais sobre o mundo ¢ as coisas que neles existem, condicionadas pelas diferengas de informagéo que cada um tem. Exemplos: o "homem moderno" sabe que 0 sol..., etc. o "homem primitivo" tem apenas os seus olhos... o "homem moderno" conhece cientificamente as doengas... o “homem primitivo", nunca viu um virus... 21 Jo en- do século XIX e alguns deste século, nao en uma palavra para traduzir Os antropologos Jes julgavam necessarios contrando mos povos que estudavam "feligiao" nem os elementos que @ g Beane ane de uma religiio (que eles conheciam na sua pee) falta de templos, de sacerdotes, de dogmas, de tempos liturgicos, d livros sagrados e de fundadores... concluiam que nesses povos nao existia a religio, ou ent@o que existiam apenas certas formas embrio- nais de religiao: animismo, magia, totemismo, feiteicismo, politeismo, etc. Eles projectavam a imagem de religiao das suas areas cultu- rais. Estes observadores nao viam justamente: . julgaram segundo os seus pontos de vista ou princi- pios; . 0 observador projecta a sua sociedade e destroi a que esta a estudar por ignorancia; sem ser iniciado nos seus valores e significados, nao se compreende o segredo interior dum povo, duma determinada cultura; . € necessario para conhecer partir dos donos da cul- tura, €, neste caso do sobrenatural, é impre- scindivel a experiéncia "indigena", é funda- mental, Que resposta se pode dar? Que termos devemos usar? Existe "religiao". Nao existe a palavra abstracta porque a reli- ‘giao nas sociedades de pequena escala niio so uma realidade a parte. Ha uma relagdo vital que todo engloba. E nfio ha distingao entre sa- grado ¢ profano. Tudo esta intimamente unido, Além disso. Existe a palavra DEUS, nas varia linguas, isto é, um termo que sé é aplicado a um ser sobrenatural, superior a todos os 22, ‘animismo", etc. usados para explicar o fendmeno religioso ¢ a sua origem no sAo mais validos. Foram rejeitados na reunido de cicntistas africanos em Abidjan, em 1961, e foi pedido nessa altura que se usasse a expresso RELIGIAO TRADICIONAL AFRICANA (ou no plural)S . 9. Universais culturais HA um grande numero de universais culturais comuns a todos os grupos culturais: a linguagem, a existéncia de um sistema de paren- tesco, a regulamentag’o do comportamento sexual, 0 uso do fogo, as crengas num mundo sobrenatural, a musica e outras artes, 0 dominio do meio ambiente, cozinhar os alimentos, etc. Todos os seres humanos, em toda a parte, procuram comer € beber o suficiente, abrigar-se do perigo, do desconforto fisico, conse- guir reagdes favoraveis dos seus colegas, ser tratados quando se en- contram doentes, protegidos quando ameagados, encontrar explicagées satisfatorias para os fendmenos do mundo observado. 10. FungGes latentes A analise das fungdes do comportamento cultural deve levar em conta as crengas explicitas e as intengdes em causa; mas devem também ser analisadas as consequéncias no observadas ¢ néo-inten- cionais de determinados actos ¢ crengas, que so chamadas "fungdes latentes" Ee . 5 COLLOQUE SUE LES RELIGIONS IN ABIDJAN, 5-12. AVRIL, 1961, Présence Africaine, Paris, 1962, p. 97. 23 1A antropologia ¢ sua divisiio® . Etimologia: do grego "anthropos" = homem; "logia" = estudo, ciéncia. Definigao: o estudo do homem e de suas actividades e com- portamento. Objecto material: 0 estudo do homem. Mas é necessario ter em conta que ha mais outras ciéncias que também se ocupam do homem. De facto é assim com a genética € a psicologia, entre outras. Objecto formal: a antropologia trata do homem e do seu com- portamento como um todo. A antropologia leva em © Indico a seguir as obras fundamentais que sigo mais de perto neste estudo: Melville HERSKOVITS, Man and his Works, Alfred A. Knopf, New York, 1948 (1* ed.), trad. portuguesa, Antropologia Cultural, Mestre Jou, Sao Paulo, 1963, 2 tomos em trés volumes; Ralph LINTON, The Study of Man: An Introduction, New York, 1936, ‘Traducao portuguesa, OQ Homem, uma Introducao a Antropologia, Martins Fontes, Sao Paulo, 1987 (12° ed.); BERNARDI Bernardo, Uomo, Cultura, Societa, Franco Angeli, Milano, 1974, trad. portuguesa, Introducao aos Estudos Etno-antropol6gicos, Ediges 70, Lisboa, 1982; Luis Gonzaga de MELLO, Antropologia Cultural, Vozes, Petrépololis, 1986, (3° ed.). Outras obras estao indicadas na bibliografia geral e sarao indicadas oportunamente nas notas de pé de pagina. 25 conta todos os aspectos da existéncia humana, biolé- gica e cultural, passada e presente, combinando esses diversos materiais, numa abordagem integrada do problema da existéncia humana’ . F Esta disciplina ¢ paradoxal. E uma das disciplinas mais espe- cializadas e ao mesmo tempo uma das mais generalizadas: ; - especializada: enquanto trata apenas de assuntos relaciona- dos com o homem enquanto ser cultural e a sua expe- riéncia; - generalizada, considera uma variedade incrivel de aspectos da realidade humana que envolve temas relacionados com os diversos campos da ciéncia, como, por exem- plo, a biologia, a psicologia, a sociologia, a historia, e ‘outros ramos do saber humano. Ninguém se dedica hoje ao vasto campo da antropologia geral nem tenta domina-lo completamente. O proprio tempo encarregou-se de promover a divisdo desta disciplina. Vive-se hoje a época das especializagées, tanto nas ciéncias como nas outras actividades huma- nas. Assim também acontece no vasto campo da antropologia. Impée- se a especializagao. A especializagao decorre da propria necessidade de maior experiéncia sob um determinado argumento. Restringe-se 0 objecto do estudo para que a sua compreensdio se torne mais profunda. Por isso hoje temos nfo apenas a antropologia cm geral, mas csta dividida em varios campos. 7 HERSKOVITS, M., Antropologia Cultural, Tomo I, p. 18. O mesmo autor, no prologo desta mesma 6bra, na p. 11, afirma que "como disciplina cientifica, a antropologia acumulou uma impressionante soma de materiais chegando a conclusdes substanciais sobre a natureza, Processos, ¢ funcionamento dos grupos humanos e seus modos de existéncia". E Bernardo BERNARDI escreve: " A Antropologia cultural indaga o significado e as estruturas da vida do homem como expressao da sua actividade mental, E este... tipo de pesquisa que nos interessa: actua numa multiplicidade de ramos que formam as especializagies da antropologia cultural", B. BERNARDI, op. cit., p.19. O termo ANTROPOLOGIA indica coisas diferentes conforme os paises em questao: - na Europa continental, indica o estudo fisico do homem, o que corresponde a Antropologia Fisica; e para a An- tropologia Cultural usa-se ETNOLOGIA, pelo que ha a tendéncia de considera-los sinénimos; - na Inglaterra, usa-se ANTROPOLOGIA SOCIAL como sinonimo de Antropologia Cultural; - nos Estados Unidos de América, usa-se ANTROPOLOGIA CULTURAL, que se divide em Etnologia e Etno- grafia. Toda esta imprecisao nos termos deve-se ao facto de se tratar de disciplinas relativamente novas. E no nosso caso especifico esta em curso um processo de sistematiza¢do e reformulagao da materia. A divisio e os quadros que apresenta Augusto MESQUITELA LIMA s4o bastante esclarecedores e ajudam a compreensao da metéria® . Uma possivel divisio: - SER INDIVIDUAL | ANTROPOLOGIA FISICA O HOMEM - SER SOCIAL ANTROPOLOGIA SOCIAL - SER CULTURAL _| ANTROPOLOGIA CULTURAL Existem outras divisdes, segundo os varios autores, que sub- linham um ou outro aspecto da antropologia? . 8 MESQUITELA LIMA, A., MARTINEZ, B., LOPES, J., Introducio & Antropologia Cultural, Presenca, Lisboa, 1991 (9' ed.), pp. 25 € 45. 9 MAIR, Lucy, An Introduction to Social Anthropology, Oxford University Press, Oxford, 1965, Tradugao portuguesa, Introdugio a Antropologia Social, Zahar, Rio de Janeiro, 1969 (1° ed.), 1984 (6* ed.) p. 14. 27 a. O principio holistico (Principio integral, global, relacional) > Holismo = do grego, total, completo. A antropologia examina qualquer tematica na dptica da glo- balidade humana. Olha para a humanidade como um todo. Por isso ¢ considerada como a ciéncia coordenadora do ser humano. Enquanto as outras ciéncias estudam o homem desde o ponto de vista particular, a antropologia olha mais longe da compreensdo de um so ponto de vista. Exemplo (Fabula indiana); quatro cegos, que sem conhecer 0 elefante, cada um toca uma parte diferente do animal e tira conclusdes também diferentes. Todos os aspectos tém de ser postos em relagdo entre si € vistos em uma unica organica. Exemplo: 0 arquitecto de uma casa, que tem em conta todos os aspectos da obra. Em resumo: - todas ¢ cada uma das caracteristicas do homem interessam a antropologia; —/ - interessam os elementos comuns ¢ as diferengas do ser humano; <_, i ~ interessam os seres humanos de todo o tempoe *_/ lugar; - 0 contetido da pesquisa antropolégica ¢ o grupo hu- mano € nao o individuo; - coordenar e integrar as diversas vis6es cientificas do que significa o ser humano:11 11 HIEBERT,P.G., Cultural anthropology, Baker Book, Gand Rapid, 1983, (2? ed.), p. 24. 30 a ae B. Principio histérico a) Sincrénico (todo o que aconteceu num determinado tempo) © b) Diacrénico (todo 0 que aconteceu sucessivamente, antes ¢ depois). @_~ Com este principio a antropologia visa colectar o maximo das informagées sobre os contactos entre os povos. Os povos caminham, pelo que as culturas tem um ontem e um hoje... No século passado aplicaram-se a antropologia as teorias da evolugao unilinear, pensando que todos os povos em toda a parte passavam através das mesmas etapas. A historia conjuntural hoje ¢ abandonada. E a evolugao unili- near se pode demostrar falsa simplesmente com os conhecimentos antropologicos actuais. As populagées da terra nao s4o simples arqui- vos de um passado mais ou menos remoto, mas agentes vivos de processos dinamicos extrememente complexos. 12 Os funcionalistas acham que é possivel estudar uma popu- lag&o sem conhecimento da sua histéria, dos seus contactos culturais anteriores. Nés rejeitamos tal interpretagdo. Lo C. Principio comparativo “~~ A metodologia antropologica é¢ essencialmente comparativa. Alguns autores chegam a afirmar que é este 0 unico método verdadei- 12 BERNARDI, B., Introducdo, op. cit., pp. 122-123. 31

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