16º ENCONTRO
A. Planejamento das atividades de
leitura do texto
Professor(a),
Como bem sabemos a leitura é um processo de interação entre o leitor e o
texto. É, portanto, um processo que deve ser construído. Mas essa construção
deve ser feita pelo aluno. Para isso, você deve se colocar como um guia, um
mediador e não como um detentor do saber.
Neste ENCONTRO, iniciaremos nossas atividades com um planejamento
da leitura fazendo algumas propostas para desenvolver a leitura do texto
“Entrevista com Ana Maria Machado”.
Se possível, leve para a sala de aula livros da escritora Ana Maria Machado
e leia alguns trechos dos livros para os alunos. Converse com os alunos sobre
as leituras: se gostaram do texto, se os textos são divertidos, se os textos são
criativos. Mostre também vídeos sobre a autora:
youtu.be/YPPEoA2mYYI
youtu.be/r3okGuRQ8Zo
Antes de pedir que façam a primeira leitura, coloque apenas o título no
quadro e comece a averiguar o que os alunos já sabem sobre o assunto.
Vocês sabem quem é Ana Maria Machado?
Por que fizeram uma entrevista com ela?
Já leram algum texto escrito por ela?
Nesse momento, você pode fazer antecipações com os alunos.
Vocês acham que Ana Maria Machado vai falar sobre o quê?
Será que ele vai falar sobre suas personagens?
Agora, mostre o texto aos alunos e procure articular essas informações com
outras, como:
Quem concedeu essa entrevista?
Onde essa entrevista foi publicada?
Esta entrevista está escrita em prosa ou em verso?
Essa é a hora da primeira leitura do texto, que pode ser silenciosa. Leitura
feita, vamos levar os alunos a buscar o sentido das palavras que constam do
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Glossário. Caso haja muitas dúvidas ou divergências entre eles, convide-os a
consultar o dicionário.
Ao término dessa atividade, peça aos alunos que falem sobre as impressões
do que leram (livremente) para que você tenha uma ideia do perfil de cada
aluno/leitor. Em seguida, você pode fazer um exercício de compreensão do
texto, uma exploração topográfica, isto é, um exame parágrafo a parágrafo,
linha a linha, enfim, de tudo o que compõe visualmente o texto, com as
seguintes perguntas:
O que a entrevistada queria ser quando era criança?
De onde Ana Maria Machado tira as ideias para seus livros?
A quem a autora compara seus livros?
Em vez de dar mensagem, o que ela acha que o escritor deve
fazer?
Depois dessa primeira leitura, você pode ler o texto em voz alta, ou fazer
uma leitura compartilhada e, em seguida, pode levá-los a fazer algumas
inferências, ou seja, a construir novos sentidos para o texto. É o plano da
interpretação do texto, em que se usam estratégias que caracterizam o
comportamento reflexivo, de nível consciente do leitor.
Vocês acham que a vocação de Ana
Maria Machado para escritora surgiu de
repente? Por quê?
Em relação aos meios de comunicação como
vocês explicam a evolução da escritora?
Até que ponto a e autora é comprometida
com seus leitores?
Você pode aproveitar a leitura para relacionar o texto à época atual.
Vocês sabem como está a escritora atualmente? Qual foi o seu
último lançamento? Ela continua publicando, escrevendo?
Vocês conhecem outros escritores infantis famosos?
Outras estratégias de leitura podem ser adotadas. Estas representam apenas
algumas sugestões. Passemos, então, às atividades complementares que
deverão ser realizadas após a leitura do texto.
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16º ENCONTRO
Entrevista com Ana Maria
Machado
1. Quando você era criança, já sonhava em ser escritora?
Não. Sonhava em ser artista de cinema, mas achava que ia mesmo era ser
professora. Estudei para isso. E fui professora por um bom tempo. Só depois é que
descobri que era escritora. Mas sempre gostei de escrever. Fazia diário, escrevia
muitas cartas, fazia parte da equipe do jornalzinho da escola, essas coisas…
2. De onde você tira as ideias para os seus livros?
Da cabeça, como todo mundo. O importante não é isso, é como elas entram
na cabeça. Acho que um livro começa muito antes da hora em que a gente senta
para escrever. É um jeito de prestar atenção no mundo, em todas as coisas, nas
pessoas, e ficar pensando sobre tudo…
3. Qual o ponto de partida para o que você escreve?
Do meu ponto de vista, eu escrevo sempre a partir de duas coisas: o que eu
lembro e o que eu invento. Memória e imaginação são as duas grandes fontes do
que eu faço.
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LIVRO DO
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4. Que mensagem você gostaria de mandar para seus leitores?
Antigamente eu dizia que quem tem que mandar mensagem é telegrafista.
Hoje diria que é a Internet. Um escritor não tem que se preocupar com mensagens.
Tem que contar uma boa história, de uma maneira interessante, com surpresas
de linguagem, e criar um livro que divirta, faça pensar e fique na lembrança do
leitor de alguma maneira, dando vontade de reler ou relembrar de vez em quando.
5. Dos livros que você escreveu, qual você gosta mais?
Taí uma coisa que não existe. Acho que livro é que nem filho, a gente gosta
de todos igualmente com muita intensidade, mesmo sabendo que cada um tem
características diferentes do outro.
6. Alguma história que você escreveu já aconteceu de verdade?
Quase todas. Mas sempre muito misturadas com outras que não aconteceram.
Disponível em <http://www.anamariamachado.com/perguntas-e-respostas.> Acesso em 05/12/2012. Fragmento.
Glossário
Para ajudá-lo a compreender o texto, procure inferir o sentido das
palavras abaixo:
memória (l. 13): lembrança.
imaginação (l. 13): faculdade de criar a partir da combinação de ideias;
criatividade.
telegrafista (l. 16): pessoa que, nas agências telegráficas, transmite ou recebe
telegramas.
internet (l. 17): rede mundial de computadores.
B. Planejamento das atividades
complementares
1 Desenvolvendo habilidades de leitura
1. A finalidade desse texto é
A) apresentar as dificuldades da leitura.
B) debater sobre a escolha da profissão.
C) informar sobre o trabalho da escritora.
D) mostrar os benefícios da leitura.
D9 – Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.
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LIVRO DO
ALUNO
16º ENCONTRO
2. Nesse texto, em “a gente gosta de todos igualmente” (l. 22-23), a palavra
destacada indica
A) dúvida.
B) intensidade.
C) modo.
D) tempo.
D12 – Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por
conjunções, advérbios, etc.
3. De acordo com o texto, quando criança, Ana Maria Machado sonhava em
ser
A) artista.
B) professora.
C) escritora.
D) telegrafista.
D1 – Localizar informações explícitas em um texto.
4. Nesse texto, em “Taí uma coisa que não existe” (l. 22), a palavra destacada
mostra que Ana Maria Machado usa a linguagem
A) coloquial.
B) culta.
C) regional.
D) técnica.
D10 – Identificar marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor
de um texto.
5. Sobre as ideias para a criação de uma história, há uma opinião da
entrevistada em
A) “fazia parte da equipe do jornalzinho da escola”. (l. 5)
B) “Só depois é que descobri que era escritora”. (l. 3-4)
C) “O importante não é isso, é como elas entram na cabeça”. (l. 7-8)
D) “Mas sempre muito misturadas com outras que não aconteceram”. (l. 26)
D11 – Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.
6. Com base nesse texto, pode-se dizer que a escritora se considera
A) divertida.
B) interessante.
C) inventiva.
D) preocupada.
D4 – Inferir uma informação implícita em um texto.
2 Compreendendo o texto
7. O que a entrevistada sonhava ser quando era criança?
Sonhava ser artista de cinema.
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LIVRO DO
ALUNO
8. De onde Ana Maria Machado tira as ideias para seus livros?
Do costume de observar e refletir sobre o mundo, as coisas e as pessoas.
9. A quem a autora compara seus livros?
A autora acha que cada livro é como se fosse um filho.
10. Em vez de dar mensagem, o que ela acha que o escritor deve fazer?
Tem que contar uma boa história, de maneira interessante.
3 Interpretando o texto
11. Você acha que a vocação de Ana Maria Machado para escritora surgiu de
repente? Por quê?
Não, porque apesar dessa inclinação estar presente desde a infância, levou
bastante tempo para desenvolvê-la a ponto de virar uma profissão.
12. A que meio de comunicação a escritora atribui a obrigação de mandar
mensagem ao leitor?
Antigamente, o telegrafista, hoje a Internet.
13. Os livros da escritora são baseados em fatos reais? Justifique sua resposta.
Quase todos. Mas sempre muito misturados com outros que não são.
4 Pensando sobre o texto
14. Para Ana Maria Machado, qual deve ser a preocupação de um escritor em
relação a seus leitores?
Que os leitores tenham vontade de reler seus livros ou de relembrá-los de
vez em quando.
15. Por que a autora não indicou o livro de que mais gosta?
Porque, segundo ela, um escritor gosta dos seus livros igualmente.
16. Você acha que Ana Maria Machado tem razão quando diz “Um escritor
não tem que se preocupar com mensagens”? Comente.
(Resposta pessoal)
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LIVRO DO
ALUNO
16º ENCONTRO
5 Explorando a gramática no texto
A gente ou nós? Quando usar?
Estas duas formas - a gente e nós - estão corretas e existem na língua
portuguesa. “Nós” é um pronome pessoal reto que indica um grupo e “a gente”
é uma locução pronominal com valor semântico de nós.
Assim, nós e a gente podem ser utilizados como sinônimos, tendo apenas
atenção para a distinta conjugação do verbo. O correto é conjugar o verbo na
primeira pessoa do plural com o pronome “nós” e na terceira pessoa do singular
com a expressão “a gente”.
Com nós, o verbo fica conjugado na 1.ª pessoa do plural:
Nós andamos. Nós cantaremos.
Com a gente, o verbo fica conjugado na 3.ª pessoa do singular:
A gente anda. A gente canta.
Em “... a gente gosta de todos igualmente com muita intensidade” (l. 28-
29), a expressão destacada é muito usada em contextos de comunicação mais
informal.
17. Substitua a expressão destacada no trecho acima pelo pronome pessoal
reto de primeira pessoa do plural. Faça as adaptações necessárias.
Nós gostamos de todos igualmente com muita intensidade.
Acentuação gráfica – Paroxítonos
Em português, acentuam-se com agudo ou circunflexo, se a sílaba for
aberta ou fechada, os vocábulos paroxítonos terminados em ditongos orais.
páscoa régua amêndoa
18. Das frases abaixo, qual a que empregou uma palavra paroxítona pelo
motivo acima?
a) Ela pegou um táxi para ir ao cinema.
b) Comprei um vestido muito bonito.
c) Antônio leu dois livros dessa autora.
a( ) b( ) c(X)
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LIVRO DO
ALUNO
Desenvolvendo a escrita
6 Atividade para casa
www.pexels.com
Você já conversou com um escritor? Conhece alguém que gosta de
escrever? Elabore uma entrevista com cinco perguntas e entreviste uma
pessoa que escreve textos literários.
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ALUNO
7 Conhecendo o gênero textual
Entrevista
É um dos gêneros textuais com função geralmente informativa
veiculado, sobretudo, pelos meios de comunicação: jornais, revistas,
internet, televisão, rádio, dentre outros. Há diversos tipos de entrevistas
dependendo da intenção pretendida: a entrevista jornalística, entrevista
de emprego, entrevista psicológica, a entrevista social, dentre outras.
Elas podem fazer parte de outros textos jornalísticos, por exemplo, a
notícia e a reportagem. Trata-se de um texto marcado pela oralidade
produzido pela interação entre duas pessoas, ou seja, o entrevistador,
responsável por fazer perguntas, e o entrevistado (ou entrevistados),
quem responde às perguntas.
8 Conhecendo o autor
Ana Maria Machado
Nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de dezembro de 1941. É uma jornalista,
professora, pintora e escritora brasileira. Formada em Letras pela Universidade
do Brasil, Ana Maria Machado lecionou na Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).
Como jornalista, trabalhou por mais de dez anos na Rádio Jornal do Brasil.
Foi uma das fundadoras, em 1980, da primeira livraria infantil no Brasil, a
Malasartes (no Rio de Janeiro), que existe até hoje. Publicou mais de quarenta
livros, e em 1981 recebeu o Prêmio Casa de Las Américas com o livro De Olho
nas penas.
Sugestões de leitura
1. O Menino e o 2. Alguns Medos e
Maestro, Seus Segredos,
O A
Ana Maria Machado, Ana Maria Machado,
Mercuryo Jovem, Global, 2009.
2006.
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LIVRO DO
ALUNO