SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR DE SERRA TALHADA
– SESST FACULDADE DE INTEGRAÇÃO DO SERTÃO –
FIS COORDENAÇÃO DO CURSO DE BACHARELADO EM
DIREITO
JOSÉ MATHEUS FELIX MULATIM
MULTIPARENTALIDADE FAMILIAR: A CONSTRUÇÃO DA CULTURA DO
AFETO
Serra Talhada - PE
2022
JOSE MATHEUS FELIX MULATIM
MULTIPARENTALIDADE FAMILIAR: A CONSTRUÇÃO DA CULTURA DO
AFETO
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
apresentado ao curso de bacharelado
em Direito, da Faculdade de Integração
do Sertão – FIS pelo aluno Jose
matheus felix mulatim Batista como
requisito para a obtenção do título de
graduado em Direito sob a orientação
do Prof. Me. Osvaldo de Freitas
Teixeira.
Artigo pela banca examinador
ressalvas (Aprovado/Reprovado)
(com/sem)
Com nota ( ) Em
de
Banca Examinadora:
Examinador (a): Faculdade de Integração do Sertão – FIS
Examinador (a): Faculdade de Integração do Sertão – FIS
Orientador: Faculdade de Integração do Sertão – FIS
Faculdade de Integração do Sertão - FIS, Serra
Talhada - PE, Brasil Jose Matheus Felix Mulatim,
graduando em Direito pela Faculdade de Integração
do SertãoFIS.Email:
[email protected]Prof. a, professor da Faculdade de Integração do
Sertão- FIS.
“Através da proclamação dos
direitos do homem, fizemos emergir
os valores fundamentais da
civilização humana até o presente.
Isto é verdade. Mas os valores
últimos são antinômicos: e esse é o
problema.”
Norberto Bobbio
RESUMO
O presente estudo debruçará sobre a análise da multiparentalidade, Filiação e
sobre o princípio da afetividade que está inserida no contexto evolutivo da
família e consequentemente demostrar essa nova construção familiar que está
embasada primordialmente no afeto. Analisa-se, o contexto das formações
familiares, partindo da família como instituição até a família afetiva, esta última
examinada sob enfoque da CF/88. Com o reconhecimento da filiação
socioafetiva, baseada nos conceitos de estado de filiação e posse de estado de
filho, surge o impasse advindo das famílias recompostas. Logo, a
multiparentalidade vem como solução para o impasse entre
paternidade/maternidade socioafetiva e biológica, possibilitando o duplo
registro em prol do melhor interesse da criança por base os preceitos
constitucionais, principalmente a dignidade da pessoa humana e a igualdade
jurídica entre os filhos.
Palavras-chave: Direito de Família, Família, Filiação, Afeto, Multiparentalidade.
ABSTRACT:
The present study – under the analysis of multiparenthood, Filiation and on the
principle of affection that is inserted in the evolutionary context of the family and
consequently of the filiation with the new family construction based on affection.
The context of family formations is analysed, starting from the family as an
institution to the affective family, the latter examined under the CF/88 approach.
With the recognition of socio-affective affiliation, based on the concepts of
affiliation status and possession of a child status, the impasse arising from
recomposed families arises. Therefore, multi-parenting comes as a solution to
the impasse between socio-affective and biological paternity/maternity, enabling
double registration in favor of the best interest of the child based on
constitutional precepts, mainly the dignity of the human person and legal
equality between children.
Key words: Family Law, Family, Filiation, Affection, Multiparentality.
• INTRODUÇÃO:
Com a finalidade de adaptação da norma a realidade social o direito de
família se transforma constantemente. Sendo assim, uma dessas
transformações tem uma relação direta com a construção de um novo conceito
de família, que está embasado em um novo preceito fundamental que o define :
O afeto.
Consoante a isso, o Direito de Família tem a finalidade de compreender a
pluralidade familiar, uma vez que a superação do instituto família, que se
fundava em um caráter puramente genético, trás a necessidade de elementos
que sobrexcedem a consanguinidade: As relações afetivas. Logo, o conceito de
afetividade, deve ser compreendido como elemento principal que caracteriza o
Direito de Família atual. Juntamente com o princípio da dignidade humana, a
afetividade demanda uma adaptação do ordenamento jurídico a regular o
estabelecimento do estado de filiação.
Ademais, não se pode fechar os olhos para todas as mudanças sociais,
tecnológicas e científicas e principalmente pela quebra do conceito patriarcal
de família. Essas mudanças trouxe consigo a alteração nas relações familiares
de modo que a família passaram a não mais ser compreendida como um
conceito imutável ou rígido que detinha a tutela jurídica enquanto instituto,
tornando-se para os seus membros um meio de efetivar os seus anseios, seu
desenvolvimento e sua dignidade.
Com o advento da Constituição Federal de 1.988 houve o surgimento de
importantes normas que forma de suma importância para a nova estrutura
social e familiar, trazendo uma base de princípios como : Dignidade da pessoa
Humana, Igualdade entre Cônjuges e Companheiros, Igualdade entre os filhos,
Proteção Integral, Solidariedade Familiar, pluralismo das entidades familiares e
a própria Afetividade.
Ademais, com relação a previsão expressa do art. 226 da CF/88 das
espécies de famílias, os conceitos ali podem ser entendidos como meros
exemplificativos e não taxativos com fundamento na liberdade das formações
familiares, entre as quais destacam-se: matrimonial, união estável, homo
afetiva, mono parental, Ana parental, recompostas e paralelas.
O conceito de filiação é de suma importância para a disciplina ,visto que,
é possível perceber o reconhecimento da filiação sócio afetiva pela doutrina e
jurisprudência, dessa maneira o Art. 1.596 versa que: “Os filhos, havidos ou
não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e
qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à
filiação”. Portanto, a filiação pode ser classificada quanto ao estado civil dos
pais ,matrimonial ou não matrimonial e quanto ao vínculo, que pode ser natural
ou civil. Portanto, o termo filiação é um fenômeno cultural, complexo e esta
diretamente relacionado a três preceitos que é o biológico, sócio afetivo e
jurídico.
Dessa forma, pode uma criança possuir dois pais ou duas mães no
mesmo acento familiar e conseguirem coexistir no mesmo espaço, forma-se
assim , a multiparentalidade.
Nesse contexto, o presente trabalho tem a finalidade, sobretudo, de
mostrar o novo conceito de estrutura de família e do caráter multifacetado da
filiação, uma discussão acerca do reconhecimento da multiparentalidade
entendida como forma de filiação contemporânea e buscar esse novo conceito
que serve como ponto principal de busca: O afeto.
Ao voltar ao passado sobre a história da evolução da família. Segundo a
autora Maria Berenice Dias (2007) destaca que a convivência com um parceiro
é um acontecimento social e natural da sociedade, em que os indivíduos
constituem uma união em virtude de uma relação química biológica,
consequentemente formando um agrupamento informal que acontece de forma
espontânea na sociedade: a família.
Dessa maneira, na cidade de Roma, é fácil perceber a hegemonia de
uma família sobre os comandos da figura masculina. A visão da mulher era
idealizada em um papel de total submissão do pater, abrindo mão de seus
costumes e credos, e tratada como patrimônio da autoridade marital. Segundo
Michele Amaral e Thanabi Calderán.
No Direito Romano, a família era uma entidade que se
organizava em torno da figura masculina muito diferente
da contemporaneidade. Em Roma, reinava o autoritarismo
e a falta de direitos aos componentes da família,
principalmente no que diz respeito aos filhos e à mulher.
Existia uma concentração de poder e quem o detinha era
a figura do pater (CALDERAN e DILL, 2011.p12).
Ainda na Roma, segundo Mariana Nogueira, houve o surgimento do
casamento conhecido como sine manu em que, trouxe consigo um avanço,
pois passou a proteger a autonomia da mulher. Indo mais adiante na linha do
tempo, os filhos e a esposa ganharam mais autonomia no império de
Constantino, no século IV com a instauração da concepção cristã, que versa
precisamente, questões de ordem moral.
Para os canônicos o casamento era considerado uma coisa divina, e
imutável, pois advinha do próprio Deus. Análogo a isso, na Idade Média, a
família era também regida pelas regras do Direito canônico. É fácil de perceber
a influencia romana na evolução da família, todavia, foi na Inglaterra, mais
precisamente na revolução industrial, que ocorreu a desconstrução do perfil
patriarcal e a implementação da mulher no mercado de trabalho.
Portanto, o que consideramos hoje como família brasileira, sofreu
influências tanto pelos romanos, quanto pelos germânicos, e só passou a
instituir um conceito próprio de acordo com a evolução social e cultural da
sociedade. Portanto, conforme Mariana Nogueira :
Não há na história dos povos antigos e na Antiguidade
Oriental como na Antiguidade Clássica o surgimento de
uma sociedade organizada sem que se vislumbre uma
base ou seus fundamentos na família ou organização
familiar. O modelo de família brasileiro encontra sua
origem na família romana (NOGUEIRA.2013,p1).
Por fim, no passar do tempo houve muitas alterações no que se diz
respeito ao conceito de família, entretanto, sua principal evolução, se deu com
constituição de 1988, que demonstrou a função social da família no direito
brasileiro. O reconhecimento de novas entidades familiares e o rompimento do
conceito patriarcal e tradicional de família. Dessa maneira, observou que CF/88
trouxe consigo uma nova visão do tema, dando prioridade dignidade da pessoa
humana, a liberdade, a igualdade e o pluralismo das entidades familiares,
reconhecendo novas manifestações de famílias e vedando qualquer ato de
discriminação.
2. A PESPECTIVA DE UM NOVO CONCEITO DE FAMÍLIA E AFETO.
É importante salientar que não existe uma conceituação formal de
família , visto que, o código civil e constituição se preocuparam apenas com
sua estrutura , e não precisamente em um conceito. Para Maria Berenice Dias
(2013) a família é fruto de uma construção cultural, e comenta o fato que lei
não consegue alcançar o que realmente acontece nas transformações da
sociedade.
Na Constituição Federal em seu art. 226 são destacadas como
entidades familiares as seguintes modelos: casamento, união estável e família
mono parental. Todavia, mesmo a CF trazendo um rol exemplificativo do que
se entende como família. Segundo o autor Paulo Lobo (2015) menciona que
existem várias outras novas entidades que devem ser observadas entidades
essas pautadas no princípio da afetividade, nos vínculos contínuos e
ostensivos. Como se não bastasse à autora Giselda Hironaka destaca que:
Não há rol taxativo pelo qual seja possível
designar todas as estruturas familiares temos
observado que a nossa legislação tem-se
mostrado incapaz de acompanhar a evolução,
a velocidade e a complexidade dos mais
diversos modelos de núcleo familiares que se
apresentam como verdadeiras entidades
familiares, embora o não reconhecimento
legal. ( HIRONAKA, 2015, p. 57):
Dessa maneira a interpretação da Constituição não deve ser literal, ,tal
interpretação deve ser capaz de acompanhar as mudanças e fatos sociais
logo, CF/88 é inclusiva, e deve ocorrer uma interpretação harmônica com seus
princípios, como: a igualdade e dignidade da pessoa humana. De acordo com o
assunto supracitado há diversos outros núcleos familiares que não são
recepcionados pela CF/88, mas que devem protegidos sob manto
Constitucional.
Assim, todos os tipos de modelos previsto na Constituição, como já
falado, são exemplificativos (LÔBO, 2007). A carta magna, não traz nenhuma
exclusão de modelos de família, todavia, as Constituições passadas admitiam
apenas famílias constituídas pelo casamento. Dessa forma, é preciso colocar
em destaque o princípio que está mais presente na construção desses novos
núcleos familiares que é o principio da afetividade que são pautados no afeto e
na convivência contínua, independente de qualquer vinculo sexual, pois o afeto
será uma pedra de toque do direito das famílias.
Dessa maneira, com relação ao principio da afetividade, podemos dizer
que o consideramos de verdade genética ou biológica nem sempre é
adequada, pois a verdade absoluta da origem genética não é o bastante para
ser usado com parâmetro de filiação, especialmente quando esta já tiver sido
relacionada a uma convivência continua com pais sócio afetivos. Ainda assim,
mesmo com toda a certeza cientifica da origem familiar biológica não é o
bastante para clarear a relação entre pais e filho, pois a imputação da
paternidade biológica não substitui a convivência, a construção permanente
dos laços afetivos
Sendo assim, segundo o artigo 1593 do Código Civil: “O parentesco é
natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem” (CC, on
line). Como se não bastasse, segundo o enunciado 102 do CJF A expressão
"melhores condições" no exercício da guarda, na hipótese do art. 1.584,
significa atender ao melhor interesse da criança.
É indubitável que o se entende como afetividade demanda uma
uniformidade do Direito de família a regular o estado de filiação. Portanto,
segundo Paulo Lobo:
O art. 1.593 do Código Civil enuncia regra geral que
contempla o princípio da afetividade, ao estabelecer que
“o parentesco é natural ou civil, conforme resulte de
consanguinidade ou outra origem”. Essa regra impede
que o Poder Judiciário apenas considere como verdade
real a biológica. Assim, os laços de parentesco na família
(incluindo a filiação), sejam eles consanguíneos ou de
outra origem, têm a mesma dignidade e são regidos pelo
princípio da afetividade. Antecipando a dimensão
compreensiva do art.1.593, aludiu-se: “O que merece ser
ressaltado, enfim, é o afeto sincero destes homens pelos
filhos de suas mulheres, independentemente de estarem
a eles ligados por qualquer liame de parentesco
[biológico] ou de saberem que, ali, a descendência se
identifica apenas pela linha feminina”, permitindo a
emersão de vínculo parental próprio.( LÔBO,2010.p27).
Portanto o conceito de família, vem criando uma nova visão que está
relacionado as relações afetivas. Essa nova visão estar ligado à afetividade,
que é constituído por elementos centrais do que se entende por entidade
familiar. Sendo assim, o princípio da afetividade está diretamente relacionado a
convivência familiar, o que implicaria falar que o fato social do afeto
caracterizaria as relações familiares e os laços afetivos seriam mais análogos
ao conceito de família.
3. MULTIPARENTALIDADE E FILIAÇÃO: DICOTOMIA ENTRE O
BIOLÓGICO VERSUS SOCIOAFETIVO
Primeiramente é de suma importância entender o conceito de filiação. O
termo filiação deriva do latim filiatio, que significa laço de parentesco dos filhos
com os pais, dependência, enlace. Sendo assim, o Art. 1.596 versa que: “Os
filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão os
mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação”. Dessa maneira, a filiação pode ser
classificada em dois pontos: 1 – Quanto ao estado civil dos pais ( matrimonial ,
art 1597 ) ou não matrimonial; 2 – Quanto ao vínculo, que pode ser natural ou
civil ( por adoção ou inseminação hieróloga). Dessas maneira, é fácil perceber
que o termo filiação é um fenômeno cultural, complexo e esta diretamente
relacionado ao vinculo biológico, sócio afetivo e jurídico.
De acordo com o ponto de vista da legislação mais precisamente no
O art. 1.601 do Código Civil, a filiação é biológica e não biológica. Por que
de acordo com Paulo Lobo” Há uma construção histórico-cultural ,
resultante da convivência familiar e da afetividade, o direito a considera
como um fenômeno sócio afetivo, incluindo a de origem biológica, que
antes detinha a exclusividade. No Brasil, a filiação é conceito único, não se
admitindo adjetivações ou discriminações”. (LOBO, 2013.p27)
Logo, é possível perceber a possibilidade de uma criança possuir
dois pais e/ou duas mães, totalizando três ou quatro pessoas no assento do
nascimento da pessoa natural. Dessa forma, para melhor fundamentar o
artigo 1609 do Código Civil versa que : “O reconhecimento dos filhos
havidos fora do casamento é irrevogável [...]”
De acordo com assunto supracitado, o conceito de filiação também
encontra parâmetro no Art. 1593. Em que destaca que: “O parentesco é natural
ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem” e essa origem
está embasada na afetividade.
Como se não bastasse o mesmo acompanha vários princípios
essenciais que são: Proteção estatal da Família ( art. 226 ,caput, CF ); Maior
interesse da criança ( art. 227, caput, CF); igualdade dos filhos ( art. 227,&6,CF
e art. 1596 CC ); Liberdade do planejamento familiar ( art. 227,&7,CF)
Já que tratamos da filiação, é preciso colocar em destaque sobre a
dicotomias entre o biológico e o sócio afetivo. Segundo o autor Christiano
Cassettari da ênfase que acordo com a jurisprudência em casos de
negatória de paternidade, a mesma deve ser aplicado a ponderação, com a
finalidade de duas espécies conseguirem coexistir no mesmo espaço,
formando assim, a multiparentalidade.
O caso foi assim decidido pelo Tribunal de Minas Gerais:
Apelação cível. Ação declaratória. Maternidade sócio
afetiva. Prevalência sobre a biológica.
Reconhecimento. Recurso não provido. 1. O art. 1.593
do Código Civil de 2002 dispõe que o parentesco é
natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade
ou outra origem. Assim, há reconhecimento legal de
outras espécies de parentesco civil, além da adoção,
tais como a paternidade sócio afetiva. 2. A parental
idade sócio afetiva envolve o aspecto sentimental
criado entre parentes não biológicos, pelo ato de
convivência, de vontade e de amor e prepondera em
relação à biológica. 3. Comprovado o vínculo afetivo
durante mais de trinta anos entre a tia já falecida e os
sobrinhos órfãos, a maternidade socioafetiva deve ser
reconhecida. 4. Apelação conhecida e não provida,
mantida a sentença que acolheu a pretensão inicial
(TJMG; Apelação Cível 1.0024.07.803827-0/001; Rel.
Des. Caetano Levi Lopes; 2a Câmara Cível; public.
9.7.2010).
•
Logo,há em nossa jurisprudência alguns indícios de que isso pode
ocorrer, como no interessante julgado do RE898.060 , que deixou isso bem
claro, conforme a seguir
Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a
Presidência da Senhora Ministra Cármen Lúcia, na
conformidade da ata de julgamento e das notas
taquigráficas, por maioria e nos termos do voto do
Relator, apreciando o tema 622 da repercussão geral,
em negar provimento ao recurso extraordinário,
vencidos, em parte, os Ministros Edson Fachin e Teori
Zavascki. Prosseguindo, por maioria e nos termos do
voto do Relator, fixou tese nos seguintes termos: “A
paternidade socioafetiva, declarada ou não em
registro público, não impede o reconhecimento do
vínculo de filiação concomitante baseado na origem
biológica, com os efeitos jurídicos próprios”, vencidos,
em parte, os Ministros Dias Toffoli e Marco Aurélio.
( RECURSO EXTRAORDINÁRIO 898.060 SANTA
CATARINA, MIN. LUIZ FUX Inteiro Teor do Acórdão -
online)
Como já é sabida a responsabilidade da paternidade/maternidade
biológica advém da prévia relação sexual, porquanto a afetiva é uma
construção de forma gradativa com o cuidado, o carinho e o exercício da
autoridade parental. Sendo assim o Direito, deve transmutar-se para que
seja possível acomodar de modo complementar o vínculo biológico e
afetivo. Com a possibilidade de concomitância entre a
paternidade/maternidade biológica e afetiva, invocando-se os princípios
constitucionais e visando o melhor interesse da criança e do adolescente
art. 227 da CF).
Dessa maneira, a multiparentalidade está ligado também a sócio
afetividade .Sendo assim ,no tema em tela, o Tribunal entendeu que a
coexistência de uma multiparentalidade uma biológica e uma sócio afetiva,
Isso nos faz retomar ao Art. 1593. Em que destaca que: “O parentesco é
natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem”, que
versa sobre esse parentesco de outra origem é a afetividade. Dessa
maneira, tal conceito deve ser utilizado como fundamento para o
reconhecimento da multiparentalidade.
• 3.1 MULTIPARENTALIDADE E SEUS ASPECTOS JURÍDICOS:
ALIMENTOS, HERANÇA.
Logo, quando falamos de herança e alimentos é importante colocar
em destaque os seguintes princípios como: Princípio da proteção da
dignidade humana( Art. 1º, Inciso III )solidariedade família(art. 229 CF/88);
Igualdade entre os filhos(CF/88 1.596 ECA, Art.20: ); Igualdade entre
cônjuges e companheiro(art. 1.511 do Código Civil) e dentre outros.
Todavia, o que recebe mais destaque aqui é o principio da
solidariedade familiar. No direito de família, o princípio da solidariedade
familiar está baseado também na Constituição Federal em seu artigo 229,
que aborda a reciprocidade de cuidados entre pais e filhos. Quando
falamos em solidariedades é importante entender que é dever do Estado e
da sociedade de cuidar dos idosos; e artigo 227, que impõe que é dever da
família, não apenas dos pais, da sociedade e do Estado, assegurar os
direitos das crianças e dos adolescentes com prioridade absoluta.
Logo, é importante salientar que quando falamos de alimentos o artigo
1694 do Código Civil (2002,online) fala que: “Podem os parentes, os cônjuges
ou companheiros pedir uns aos outros alimentos de que necessitem para viver
de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às
necessidades de sua educação”. Juntamente com o artigo 22 do Estatuto da
Criança e do Adolescente, que compete aos pais o dever de sustento, guarda e
educação dos filhos menores, cabendo-lhes, ainda, no interesse destes, a
obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. Portanto, é
através desses fundamentos jurídicos que se observa a responsabilidade
direita dos cônjuges com seus filhos.
Dessa maneira, como já é sabido pela lei a obrigatoriedade de
assistência aos menores por parte dos seus gestores, como ficaria o filho sócio
afetivo?
Entende-se segundo o autor Chistiano Cassettari:
Os filhos sócio afetivos deverão ter todos os seus
direitos assistidos, assim como os filhos biológicos,
em razão do principio da igualdade e da isonomia,
consagrado como uma garantia fundamental,
insculpida no caput do art. 5º da Constituição Federal.(
CASSETARI,2015.p72)
Partindo desse pressuposto o art. 1.694 do Código Civil é bem
genérico ao determinar que possam os parentes pleitear uns aos outros
alimentos. Já se tem várias decisões que reconhecem a prestação de
alimentos para relações sócio afetivas. e para exemplificar citamos decisão
do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul nesse sentido, do ano de
2002:
Agravo de instrumento. Ação de alimentos.
Intempestividade. Requisito do art. 526 do CPC.
Negativa da paternidade. Intempestividade. O agravo
interposto no décimo dia do prazo não é intempestivo.
Requisito do art. 526 do CPC. Segundo a nova
redação do art. 526, a parte agravada, além de alegar,
deverá provar que o primeiro grau não foi comunicado
do recurso. Negativa da paternidade. A obrigação
alimentar se fundamenta no parentesco, que é
comprovado pela certidão de nascimento. O agravante
alega não ser o pai biológico do menor. Enquanto não
comprovar, não se pode afastar seu dever de
sustento. A rigor, mesmo esta prova não será
suficiente, pois a paternidade socioafetiva também
pode dar ensejo a obrigação alimentícia. Rejeitaram
as preliminares e, no mérito, negaram provimento (6
fls.) (Agravo de Instrumento 70004965356; Oitava
Câmara Cível; Tribunal de Justiça do RS; Rel. Rui
Portanova; j. 31.10.2002)
Já como citado acima, os pais sócio afetivos devem ter não apenas
os direitos, mas também os deveres que os da parentalidade biológica, haja
vista que essa regra deriva do art. 229 da Constituição Federal: “Os pais
têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores
têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou
enfermidade”. Isso encontra fundamento jurídico nas palavras do autor
Chistiano Cassettari que fala que :
Agora, no que tange aos alimentos prestados pelo pai
ou mãe sócio afetivos, se o valor pago pelo pai
biológico for insuficiente para as necessidades do
alimentado, poder-se-ia propor uma ação de alimentos
contra o pai ou mãe sócio afetivos para que esses
complementem a pensão de que aquele necessita,
como ocorre, por exemplo, no caso dos avós terem
que complementar a pensão paga pelos seus filhos,
se a mesma não satisfizer as necessidades de quem
os pleiteia.(CASSETTARI,2015,P120)
Por fim , para melhor fundamentar essa questão, segundo o
Enunciado 341 do CJF – Art. 1.696. Para os fins do art. 1.696, versa que :
A relação sócio afetiva pode ser elemento gerador de
obrigação alimentar”. isso acontece com fulcro no art.
227, § 6º, CF/88 que estabeleceu o direito de
igualdade entre filhos: “Os filhos, havidos ou não da
relação do casamento, ou por adoção, terão os
mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer
designações discriminatórias relativas à
filiação( BRASIL,1988,art 1696.CJF)
Um possibilidade de apagar as dúvidas a respeito das questões
sucessórias em relação a multiparentalidade seria igualar a parentalidade
biológica à afetiva. A questão da sucessão traz à tona as relações
patrimoniais, e não há positivação no Código Civil qualquer previsão de
enteados/enteadas no rol de herdeiros muito menos parentes advindos da
relação afetiva.
Sendo assim, os direitos sucessórios se dão em consonância, nos
artigos 1.829 a 1.847 do Código Civil, estabelecendo-se linhas sucessórias
conforme o número de genitores, concorrendo a criança ou adolescente
com seus irmãos com referência aos pais biológicos.
Dessa forma, é importante salientar que a multiparentalidade
sempre deve-se levar em conta os princípios constitucionais, especialmente
a dignidade da pessoa humana, o da igualdade jurídica entre todos os
filhos expressa no texto constitucional, não há que se fazer prevalecer
qualquer tese de descabimento de direito sucessório quando se tratar de
filiação ou paternidade/maternidade sócio afetiva, devendo, neste sentido,
concorrer a criança e o adolescente também com referência aos pais
afetivos
Nesse sentido o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, proferiu
decisão no sentido de reconhecer o direito sucessório decorrente da
parentalidade sócio afetiva; vejamos:
Direito processual civil – Direito de família – Ação de
investigação de maternidade, cumulada com
retificação de registro e declaração de direitos
hereditários – Impossibilidade jurídica do pedido – Art.
267, inc. VI, do Código de Processo Civil – Extinção
do processo sem resolução do mérito. Dá-se a
impossibilidade jurídica do pedido, quando o
ordenamento jurídico abstratamente vedar a tutela
jurisdicional pretendida, tanto em relação ao pedido
mediato quanto à causa de pedir. Direito Civil –
Apelação – Maternidade Afetiva – atos inequívocos de
reconhecimento mútuo – testamento – depoimento de
outros filhos – parentesco reconhecido – recurso
desprovido. A partir do momento em que se admite no
Direito Pátrio a figura do parentesco socioafetivo, não
há como negar, no caso em exame, que a relação
ocorrida durante quase dezenove anos entre a autora
e a alegada mãe afetiva se revestiu de contornos
nítidos de parentesco, maior, mesmo, do que o
sanguíneo, o que se confirma pelo conteúdo dos
depoimentos dos filhos da alegada mãe afetiva, e do
testamento público que esta lavrou, três anos antes de
sua morte, reconhecendo a autora como sua filha
adotiva (TJMG; Ap. Cível 1.0024.03.186.459-8/001; 4ª
C.C.; Rel. Des. Moreira Diniz; publicado em
23.3.2007).
Portanto , a relação de sucessão deve atender as relações
principiológicas da constituição e respeitar a dignidade da pessoa (art. 1º,
III, da Constituição Federal de 1988). Sendo assim ensina Euclides de
Oliveira que , nesse contexto, a atribuição de bens da herança aos
sucessores deve ser pautada de acordo com esse critério de valorização do
ser humano, de modo a que o patrimônio outorgado lhe transmita uma
existência mais justa e digna dentro do contexto social.
4. RECONHECIMENTO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL DA
MULTIPARENTALIDADE À LUZ DA AFETIVIDADE E DA DIGNIDADE
É indubitável que tanto a doutrina quanto a jurisprudência, conforme
se explicitou de acordo com algumas decisões já citadas acima, vem
reconhecendo a multiparentalidade com diversos fundamentos como o art
1593 do Código Civil, por exemplo. Sendo assim, a primeira decisão a
reconhecer a multiparentalidade foi da 1ª Câmara de Direito Privado do
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ-SP a qual versou sobre a
inclusão da madrasta no registro civil sem exclusão da mãe biológica já
falecida na oportunidade
MATERNIDADE SOCIOAFETIVA Preservação da
Maternidade Biológica Respeito à memória da mãe
biológica, falecida em decorrência do parto, e de sua
família - Enteado criado como filho desde dois anos de
idade Filiação socioafetiva que tem amparo no art.
1.593 do Código Civil e decorre da posse do estado
de filho, fruto de longa e estável convivência, aliado ao
afeto e considerações mútuos, e sua manifestação
pública, de forma a não deixar dúvida, a quem não
conhece, de que se trata de parentes - A formação da
família moderna não-consanguínea tem sua base na
afetividade e nos princípios da dignidade da pessoa
humana e da solidariedade Recurso provido (TJ-SP -
APL: XXXXX20118260286 SP XXXXX-
26.2011.8.26.0286, Relator: Alcides Leopoldo e Silva
Júnior, Data de Julgamento: 14/08/2012, 1ª Câmara
de Direito Privado, Data de Publicação: 14/08/2012)
O julgado referido é do ano 2012 , em que os tribunais julgadores
priorizavam a formação contemporânea da família, com fundamento
principal na afetividade à luz da Constituição de 1988.
Ademais, no Tribunal de Justiça de São Paulo, aconteceu a
autorização de um padrasto poder adotar uma criança de 21 anos,
permitindo que o nome do mesmo passasse a ser positivado no Registro
de nascimento, tanto o nome do pai biológico como do pai sócio afetivo.
O Desembargador Moreira Viegas, argumentou que o pai biológico
não exercia suas funções paternas indo em desacordo total com o que está
no Código Civil, em seu artigo 1.634, impõe como deveres conjugais, o
sustento, criação, guarda, companhia e educação dos filhos. Todavia,
mesmo o pai sócio afetivo estando adotando a criança, o pai biológico não
perde o direito como pai, uma vez ,que a lei não cria impedimento ao
reconhecimento de dupla paternidade/maternidade.
Com relação ao Tribunal de justiça de Roraima TJ-RR, a juíza
convocada Elaine Cristina Bianchi houve por bem reconhecer a hipótese de
multiparentalidade.
DIREITO CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. APELAÇÃO.
AÇÃO DE ANULAÇÃO DE REGISTRO DE
NASCIMENTO. EXAME DE DNA. PAI BIOLÓGICO
QUE VINDICA ANULAÇÃO DO REGISTRO DO PAI
REGISTRAL. EXCLUSÃO DO NOME DO PAI
REGISTRAL. INOVAÇÃO RECURSAL. INCLUSÃO
DO PAI BIOLÓGICO SEM PREJUÍZO DO PAI
REGISTRAL. INTERESSE MAIOR DA CRIANÇA.
FAMÍLIA MULTIPARENTAL. POSSIBILIDADE.
RECURSO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA. 1.
1. Resguardando o melhor interesse da criança, bem
como a existência de paternidade biológica do
requerente, sem desconsiderar que também há
paternidade sócio afetiva do pai registral, ambas
propiciadoras de um ambiente em que a menor pode
livremente desenvolver sua personalidade, reconheço
a paternidade biológica, sem, contudo, desfazer o
vínculo jurídico oriundo da paternidade sócio afetiva.
4. Recurso provido na parte em que foi conhecido
para reformar a sentença.
No caso em tela a criança não foi registrada pelo pai biológico,
todavia pelo pai sócio afeitivo na época do nascimento da criança Com a
dissolução do casamento , o pai biológico pretende inserir seu nome no
registro da criança o seu nome ante comprovação por meio de exame de
DNA, e também com a comprovação de laços afetivos bem como de laços
de afeto que nutre com a criança. Ocorre que, o pai registral também
mantém com a criança liame afetivo, não obstante a separação. A juíza,
então, com fundamento no princípio do melhor interesse da criança e da
solidariedade decidiu que ambos os pais deveriam constar no registro de
nascimento, uma vez que a criança a apenas se beneficiaria do afeto dos
dois e ao final,
Para melhor entendimento do tema, podemos atestar o reconhecimento
da paternidade tanto na esfera judicial quanto extrajudicial. Segundo
Provimento Nº 83 de 14/08/2019 quanto ao que concerne a questão
extrajudicial o mesmo terá que atender os seguintes requisitos obrigatórios
para o reconhecimento de tal filiação sócio afetiva que são; Existência do
vínculo sócio afetivo da filiação; Inexistência de discussão judicial; Idade do (a)
Requerente; Inexistência de Vínculo de Ascendentes ou Irmãos; Diferença de
Idade; Consentimento e Local do Pedido.
Ademais, O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao analisar a questão
da via extrajudicial de reconhecimento de paternidade dos avós, o Plenário do
CNJ decidiu, por maioria absoluta dos votos, a impossibilidade de ascendentes
biológicos – avôs e avós – reconhecerem extrajudicialmente a paternidade ou a
maternidade afetiva de netos.
Tal problemática encontra fundamentos na lei n. 63/2017 e o
n. 83/2019, que atualizou o anterior com fulcro principal em:
O Provimento estabelece que os ascendentes não
possam, pela via extrajudicial, realizar o reconhecimento
voluntário da paternidade ou da maternidade socioafetiva
dos seus descendentes, uma vez que já existe vínculo
preexistente entre eles.(CNJ, Provimento n 83/2019.).
O texto só é permitido à inclusão de um ascendente sócio afetivo, seja
do for paterno/materno. Logo, outro ascendente sócio afetivo que tenha a
pretensão de obter seu nome no registro, deverá recorrer a via jurisdicional.
Ante o assunto supracitado, é possível perceber os avanços no
reconhecimento da multiparentalidade. Em face da realidade fática que vem se
delineando, o Poder jurisdicional não tem achado outra forma a não ser a
aplicação da multiparentalidade com a finalidade de obedecer o principio da
dignidade da pessoa humana e o interesse da criança e do adolescente que
merece a devida proteção do Direito.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.
O aludido trabalho tem como principal foco analisar a
multiparentalidade familiar com relação a cultura do afeto, bem como a
admissibilidade de seu reconhecimento no nosso ordenamento jurídico.
Primeiramente, foi feita uma pesquisa baseada acerca da evolução da
família, relatando como a cultura e a religião era a determinante e como a
família era embasada na figura do pater, sendo ele o comandante maior,
exercendo sobre os filhos seu poder absoluto e comandando todos os seus
direitos.
Com o advento da Constituição de 1988, ocorreu um enorme
avanço, desligando a figura do pater como figura central da família e
passando a declarar a igualdade entre os cônjuges, companheiros e os
filhos. Logo, após houve o advento da filiação sócio afetiva, com
fundamentos nos julgamentos dos nossos tribunais as decisões passaram
a ser fundamento no afeto e no que é considerado o melhor para a criança
previsto no art. 227 da CF e no artigo 3°.
Com o surgimento da filiação soci afetiva, trouxe consigo o conceito
conhecido como multiparentalidade, que é foco principal do tema em tela.
Dessa maneira, com o surgimento da multiparentalidade a figura do pai
biológico teve que dar espaço a do pai sócio afetivo, desde que ele cumpra
com todos os deveres paternos estabelecidos para com a criança e
proporcionando a ela os seus devidos direitos, bem como o direito a
alimentos, de visitas e o de sucessão assim como a do pai biológico.
Sendo assim, as consequências jurídicas com relação ao
reconhecimento da multiparentalidade nos arranjos familiares atuais é a de
que os filhos reconhecidos por uma relação de afeto devem ter no caso
concreto os mesmos direitos dos filhos biológicos, como o direito a
existência, a guarda dos filhos biológicos ou não biológicos, pensão
alimentícia, nome de família e a sucessão.
Ainda assim, a relação igualitária entre filhos devem existir em todo
tempo, sendo vedado qualquer tipo de discriminação quanto à natureza
dessa filiação. Portanto, o estudo, é notório com os julgamentos dos nosso
tribunais e o progresso do reconhecimento da multiparentalidade nada mais
é do que a admissão de dois ou mais pais no registro civil da criança,
mudando o até então todo o conceito de família e não existindo nenhuma
complicação ao que se refere os direitos dos pais biológicos.
Dessa maneira, novas relações familiares devem ser entendidas
não apenas com relação aos laços biológico, mas também como a
afetividade, ou seja, dando fundamento ao conceito coloquial de “ pai é
quem cria” reconhecendo que o pai ou mãe de uma criança também é
aquele que constitui os vínculos afetivos em uma criação.
Por fim, o presente estudo encerra-se, entendendo ser importante e
interessante a discussão levantada, que se mostrou relevante à eficiência e
permissibilidade da construção da cultura do afeto e a multiparentalidade
nos conceito familiares atuais.
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