0% acharam este documento útil (0 voto)
125 visualizações18 páginas

Fé e Razão - Os Pensadores

Enviado por

Marcus garcia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
125 visualizações18 páginas

Fé e Razão - Os Pensadores

Enviado por

Marcus garcia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL

CURSO DE DIREITO – CPTL

ANA CLARA SUARES ROCHA MARTINS PEREIRA


BEATRIZ CAMARGO GONÇALVES
BEATRIZ WANDERLEY DUENHAS
FERNANDA DOMINGUES BARBOSA
GABRIELA BERNARDO BARBOSA
JÚLIA LIMA RAFFA
LÁIZA DE FÁTIMA MARQUES EMENEGILDO
MARCELLA SANCHES GAVIOLI
MARCUS VINÍCIUS SAMPAIO GARCIA

SEMINÁRIO II - Fé e razão.

TRÊS LAGOAS, MS
2023
SANTO AGOSTINHO (354 – 430)

Sobre o livro ‘’Confissões’’:

● Início do cristianismo. Foi bispo de Hipona.


● Autobiografia, filosofia e teologia.
● Foco no caminho até sua conversão ao cristianismo, ‘’o que é a memória’’,
importância da memória e da oração para retornar à Deus.
● Filosofar sobre a natureza do tempo. Deus seria repouso e homem deveria buscá-
lo (o repouso). O livro é voltado à Deus. Confessa seus pecados (luxúria, roubo,
orgulho) e presta conta de suas ações.
● Filho de uma católica (Santo Mônica) e de um pagão (maniqueísmo). Pergunta-se
como existe o mal, se tudo é Deus e Deus é bom, como permite o mal. Estudou
retórica. Reflete sobre a perda.
● Teve relacionamento e filhos com uma mulher.
● Afasta-se do maniqueísmo e converte-se ao cristianismo.
● Memória como um receptáculo, experiências e aprendizados.
● O que seria tempo? Qual sua natureza, foi criado por Deus?
● Santo Agostinho afirma que Gênesis foi escrito por Moisés, mas critica Moisés.
● Aderiu à fé católica depois de ter percebido claramente, o quanto era razoável o
passo que se propunha dar.

RAZÃO E FÉ:

‘’Eu creio para compreender e compreendo para crer melhor’’, tentativa de explicar
a relação entre duas dimensões, fé e razão.
Justificar a fé por meio de bases filosóficas, para chegar a fé de cristo aos pagãos e
outros povos.
A razão é dom de Deus e tem uma ligação direta com a fé, de duas maneiras: antes
da fé (examina o conteúdo da fé, a maneira com que age, examina o que pode ou não pode
ser campo de fé, razão não julga mas coloca uma lupa sobre o fato para perceber se é
enquadrado no campo da fé ou não, se devemos crer nele ou não) e depois da fé (tentativa
de entender o que a fé já propôs, já viveu por vias teológicas e tentar dar uma chancela
filosófica, tentar entender a fé após já ter sido vivida).
A fé se torna uma ação inteligente e racional, você a sente pois entende. Todos nós
temos uma luz interior, que não é luz e nem fé, e sim uma inspiração divina para o bem
pensar, a voz do próprio cristo, transcende a razão (razão + fé).
Autoridade (campo da fé, precisamos ouvir outras pessoas e ensinamentos de
Deus) e autonomia (razão age por si mesmo mas orientada pela luz interior).
Crer em Deus é entender e aderir suas verdades, ter fé é mais subjetivo.
Filosofia patrística: expansão do cristianismo na Europa, Agostinho de Hipona é o
principal, criação da filosofia cristã.
Santo Agostinho quando jovem buscou a verdade, teve influências do maniqueísmo,
ceticismo e neoplatonismo. Encontra a verdade em Deus, Deus como supremo bem, o mal
seria o afastamento de Deus.
‘’Tu nos fizeste para ti e nosso coração não descansará enquanto não repousar em
ti’’.
Filosofia, razão e fé devem ser complementares, é necessário para alcançar a
salvação e a verdade. A fé antecede a razão o ser humano tem vislumbres das verdades
divinas, porém a razão depois da fé vai encontrar maneiras de esclarecer para o ser
humano as verdades que eram apenas intuídas. Há uma precedência da fé ante a razão,
mas a razão esclarece o que Deus mandou através da iluminação para o homem.
O mundo sensível é imperfeito, apenas o mundo dos céus é perfeito e eterno. A
alma é imortal.
A verdade é alcançada com a fé.
Razão usada para compreender a natureza de Deus e do mundo.
A relação entre fé e razão constitui na busca da felicidade ou da sabedoria.
Alcançada a fé, a razão é chamada a explicar o conteúdo da mesma fé. A fé
desempenha um papel propedêutico e indireto, pois simplesmente dispõe o espírito a
procurar e a entender aquilo em que acredita, de forma natural, sobrenatural e mística.
Razão filosófica era insubstituível, tanto na preparação do ato da fé como no
conhecimento das verdades reveladas. A razão conduz à compreensão e ao conhecimento
daquilo em que se acredita.
A fé é um conhecimento, porém muito imperfeito.

BOÉCIO (480-525)

● Boécio acreditava que a cultura latina do seu tempo estava em crise, então buscou
na preservação e difusão da cultura grega, a solução para essa fase difícil que
passava o conhecimento romano.

● Para fazer com que os latinos conhecessem a cultura grega, ele planejou traduzir
para o latim as obras de Aristóteles e Platão, mas conseguiu traduzir somente alguns
livros.

● Para o filósofo, os seres universais como O Belo, O Homem e O Universo, existem


somente enquanto ideias em nosso intelecto. Eles são portanto imateriais, pois são
abstrações que nós criamos para entender a realidade.

● No mundo material, O Belo existe somente como atributo de coisas singulares e é


através dessas coisas singulares que podemos abstrair, formar uma ideia do Belo
Universal.
BOÉCIO SOBRE FÉ E RAZÃO

● Sendo a filosofia o amor à sabedoria e causa suficiente de si mesma, ela é também


a busca pelo conhecimento de Deus, pois ele é a sabedoria absoluta. E é nessa
sabedoria absoluta que devemos buscar a felicidade e não nas coisas terrenas.

● Deus é a felicidade e o máximo bem. O Uno, Deus e o Bem, são para Boécio a
mesma coisa.

● Para responder a pergunta da origem do mal, já que o mundo é dirigido por Deus,
Boécio utiliza a providência divina e diz que está fora do nosso entendimento
percebermos todos os desígnios de Deus.

● Todas as coisas são feitas para atingir o bem, e não o mal. O mal é um erro de análise
feito por pessoas de pouco conhecimento. Elas buscam o bem, mas por um cálculo
falho, por um exame imperfeito causado pela falta de conhecimento, elas fazem o
mal.

● Para Boécio, Deus realmente sabe tudo o que vai acontecer, mas não existe a
necessidade de que tudo o que ela sabe que possa acontecer aconteça realmente.
Para Deus, não existe passado ou futuro, mas um constante presente e um
conhecimento completo de tudo que aconteceu ou pode acontecer.

● Para o filósofo, o homem é um animal bípede e racional, pode se tornar cristão


exatamente porque pensa e tem fé.
SÃO TOMÁS DE AQUINO (1225 – 1274)

- Frade, teólogo e santo da Igreja Católica


- Um dos principais expoentes do pensamento escolástico:
● Filosofia cristã produzida na Idade Média.
● Principal objetivo → compreender a verdade já existente, não criavam
nada.
● A filosofia era considerada escrava da fé.
● Universidades europeias financiadas pela Igreja Católica, tentativa da
Igreja em conseguir o maior número de fiéis → expansão islamismo e
necessidade de novos clérigos.
● Igreja domina a difusão do conhecimento com as universidades.
● Aproximação entre a fé e a razão.
- Razão pelo conhecimento na concepção da fé.

- Interpretação e conhecimento são a síntese entre a razão e a fé. Visa


que qualquer ser humano e não apenas um cristão poderia ter acesso a
grandes verdades por meio da razão (dom dado por Deus).
- Ética e moralidade. Princípios baseados na divindade da fé.
- Alma separada do corpo.
- Natureza criada e sustentada por Deus.
- Filosofia aristotélica adaptando para um contexto da teologia cristã.
- Acredita que o universo funciona a partir de determinadas leis. Diferencia
a lei natural (secular) da lei divina (religiosa).
- Para ele, a ideia Aristotélica do universo não ter um início definido não
impede que o mesmo tenha sido feito por Deus.
- Teoria das 4 causas “cristianizadas”:
● Material – necessário = Deus
● Formal – modelo = Deus
● Motriz – ação = Deus
● Final – resultado = Deus
- Teoria das 5 vias:
1. O primeiro motor que se move sem ser movido: Deus
2. As causas da existência: Deus é a primeira
3. Ser necessário, sendo a causa e a própria existência: Deus
4. Ser máximo e perfeito: Deus
5. Ser inteligente que ordena e controla todas as coisas: Deus
6. Segundo Tomás de Aquino a filosofia deve servir a fé.
- Sua teoria:
1. Motor invisível
2. Causa primeira
3. Necessário e contingente
4. Grau de perfeição
5. Finalidade do ser

SUMA TEOLÓGICA

- Uma das bases da dogmática do catolicismo e considerada uma das


principais obras filosóficas da escolástica.
- Escrita entre os anos de 1265 a 1273, a obra trata da natureza de Deus,
das questões morais e da natureza de Jesus.

● Questão 1: Do que é e do que ele abrange a doutrina sagrada – Art.


1
- É desnecessária outra doutrina além das disciplinas filosóficas, pois não
se deve esforçar o homem por alcançar objetos que ultrapassem a razão.
Além disso, não há outra doutrina senão do ser, pois nada se sabe, senão
o verdadeiro, que no ser se converte. Ora de todas as partes do ser trata
a filosofia, inclusive de Deus; por onde um ramo filosófico se chama
teologia.
- Porém, toda a Escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, para
repreender, mas ela não pertence às disciplinas filosóficas, adquiridas pela
razão humana.
- SOLUÇÃO: Para a salvação do homem, é necessária uma doutrina
conforme à revelação divina, além das filosóficas, pesquisadas pela razão
humana. Porque, primeiramente, o homem é por Deus ordenado a um fim
que lhe excede a compreensão racional. = Fé e razão
- Mas também naquilo que de Deus pode ser investigado pela razão
humana, foi necessário ser o homem instruído pela revelação divina.
Porque a verdade sobre Deus, exarada pela razão, chegaria aos homens
por meio de poucos, depois de longo tempo e de mistura com muitos erros;
se bem do conhecer essa verdade depende toda a salvação humana, que
em Deus consiste. Donde foi necessária uma doutrina sagrada e revelada,
além das filosóficas, racionalmente adquiridas. Embora se não possa
inquirir pela razão o que sobrepuja a ciência humana, pode-se entretanto
recebê-lo por fé divinamente revelada.
- Nada impede que os mesmos assuntos, tratados nas disciplinas
filosóficas, enquanto cognoscíveis pela razão natural, também sejam
objeto de outra ciência, enquanto conhecidos pela revelação divina. Donde
a teologia, atinente à sagrada doutrina, difere genericamente daquela
teologia que faz parte da filosofia.

● Questão 2: Deus existe? – Art. 2


- O principal objetivo da doutrina sagrada é transmitir conhecimento de
Deus, não somente enquanto existente em si, mas ainda como princípio e
fim dos seres, e especialmente da criatura racional.
- A existência de Deus e outras noções semelhantes que, pela razão
natural, podem ser conhecidas de Deus, não são artigos de fé, mas
preâmbulos a eles; pois, como a fé pressupõe o conhecimento natural, a
graça pressupõe a natureza, e a perfeição, o perfectível. Nada, entretanto,
impede ser aquilo, que em si é demonstrável e cognoscível, aceito como
crível por alguém que não compreende a demonstração.
- Para provar a existência de alguma coisa, é necessário tomar como termo
médio o que significa o nome e não o que a coisa é. Ora, os nomes a Deus
se impõem pelos efeitos, como depois se mostrará; donde, demonstrando
a existência de Deus, pelo efeito, podemos tomar como termo médio a
significação do nome de Deus.
- Pelos seus efeitos, pode ser demonstrada a existência de Deus, embora
por eles não possamos perfeitamente conhecê-lo na sua essência. A
existência de Deus é demonstrável pelos efeitos que conhecemos.

● Questão 6: Da bondade de Deus – Art. 1


- Ser bom convém a Deus de modo excelente. Pois uma coisa é boa na
medida em que é desejável. Por outro lado, todo ser deseja a perfeição
própria; e a perfeição e a forma do efeito é uma certa semelhança do
agente, porque todo agente produz um ato que lhe é semelhante. Por
onde, o agente, em si mesmo, é desejável e assume o caráter de bem;
pois dele é desejada a participação, por semelhança. Ora, como Deus é a
causa eficiente primeira de todos os seres, é claro que lhe convém a
característica de bom e desejável. E, por isso, Dionísio atribui o bem a
Deus, como causa eficiente primeira, dizendo que Deus é chamado bom
como sendo o princípio porque todas as coisas subsistem.
- Todos os seres, desejando as próprias perfeições, desejam a Deus
mesmo, por serem elas umas semelhanças do ser divino, conforme resulta
claro do que já dissemos. E assim, das criaturas que desejam a Deus,
umas — as racionais — o conhecem em si mesmo; outras, porém,
conhecem certas participações de sua bondade de que também é
susceptível o conhecimento sensível; outras, por fim, têm um apetite
natural, sem conhecimento, inclinadas que são para seus fins por um ser
superior dotado de conhecimento.

NICOLAU DE CUSA (1401 - 1464)


● foi um filósofo, matemático, teólogo e bispo alemão do séc XV
● deixou uma grande contribuição para a filosofia medieval e a teologia
cristã, além de influências na matemática e astronomia
● suas ideias se baseiam na relação entre fé e razão, deixando
contribuições como a “douta ignorância" e sua ênfase no papel da razão
complementada pela fé na investigação de mistérios divinos.

FÉ E RAZÃO:
● a razão é itil para a compreensão do mundo natural e para a
investigação intelectual, mas não é suficiente para ter um entendimento
completo do divino
- a razão possui limitações e é incapaz de alcançar um conhecimento
completo e definitivo, mas serve para ajudar a revelar a verdade e
corrigir as falsas opiniões

● a fé permite uma conexão direta com Deus e a compreensão de


verdades espirituais que estão além da capacidade de entendimento da
razão

● a fé pode compreender um conhecimento mais profundo e abrangente


portanto, Nicolau defendia que a fé e a razão são mutuamente
complementares sendo um necessário para a compreensão do outro

A Douta Ignorância
● trata-se de uma forma de reconhecimento da limitação do
conhecimento humano e um convite à humildade intelectual

● a compreensão de Deus é além da capacidade da razão humana,


portanto o homem deve reconhecer a sua própria ignorância diante do
divino

● ao admitir a ignorância, o homem passa a olhar para a verdade com


uma mente aberta e receptiva
- é uma ignorância consciente e crítica
- permite uma abertura para a compreensão de verdades que vão além do
conhecimento racional → aponta para um
estado de sabedoria mais profundo e
qualitativo

● a douta ignorância não é uma fraqueza intelectual, mas a disposição


necessária para lidar com a complexidade e a grandeza de Deus

● a humildade intelectual diante de Deus é uma virtude que permite que a


razão humana se torne mais sensível e capaz de compreender a verdade
divina.

BLAZE PASCAL (1623 – 1662)

- Encontra instrumentos na razão e em um desejo de felicidade para mostrar que


a religião é “amável”.
- A religião não é contrária à razão e pode ser “venerável, porque conheceu bem
o homem, amável, porque lhe promete o verdadeiro bem.”
- Para Pascal, as coisas finitas são nada perto do infinito. Essa é a diferença
entre a finitude do nosso espírito e as coisas mundanas perante a infinidade de
Deus.
- Podemos ter a ideia de infinito bem formada, como dizemos que os números
são infinitos, por exemplo, mas não sabemos se é ímpar ou par. Esse é o
argumento de Pascal, que a razão não é capaz de determinar a natureza do
infinito matemático lidando apenas com números finitos, o que não representa a
impossibilidade da infinidade.
- Semelhança entre esse problema de definição da natureza do infinito e a
análise da existência divina, uma vez que podemos reconhecer que há um Deus
sem se saber o que é.
- Pascal faz a crítica autores que pretendem provar racionalmente a existência
divina, uma vez que podemos reconhecer que há um Deus sem se saber o que
é. A razão nada nos diz sobre a existência de Deus.
- Todo incrédulo compreende pelo menos duas coisas: que sua razão busca o
verdadeiro e que sua vontade busca a felicidade.
- Aquele que deseja o bem e a verdade contra o erro e a miséria corre o risco de
não obtê-los, usando sua razão e a sua vontade em vão.
- Razão nada nos garante na certeza da existência ou inexistência de Deus, mas
nos garante que do ponto de vista prático que comportamento é aquele mais
interessante para a existência humana.
- A valorização exagerada dos prazeres humanos não permite que o incrédulo
utilize seu julgamento racionalmente.
- Deve-se diminuir essas paixões, pois as provas racionais nada ajudam (então
deve ser a partir de uma vida cristã). Quanto mais liberto de paixões, maior a
racionalidade.
- A razão só é capaz de nos levar ao ponto de saber eliminar aquilo que nos
impede de conhecer a Deus.
- A razão demonstra nossa própria condição miserável.
- Usa a probabilidade como forma de tomar decisões humanas.

KIERKEGAARD (1813 – 1855)

● TEM COMO OBJETIVO, TENTAR SUBLINHAR O FALIMENTO DA


RAZÃO AO TENTAR DEFINIR LOGICAMENTE A FÉ;
-> aborda a fé como um verdadeiro salto no absurdo, não sendo possível
compreender, somente admirar.

1. O ABRAÃO DE KIEKEGAARD
● Usou como exemplo a história de Abraão;
● Abraão acreditou no absurdo, sofreu com isso, mas não se lamentou, pois
tinha certeza que era escolhido por Deus;
-> ´´ [...] vamos imaginar que Isaac tivesse sido em verdade sacrificado.
Abraão creu, não que um dia fosse feliz no céu, porém, que seria repleto de
alegrias aqui na terra. Deus poderia dar-lhe novamente Isaac, chamar outra vez
a existência o filho sacrificado. Creu pelo absurdo, porque todo cálculo humano
estava, desde há muito tempo, abandonado.´´
- Se caso Abraão tivesse hesitado no momento do sacrifício de seu filho, ele
não teria fé;
-> ´´De outra maneira, ele teria talvez amado a Deus, porém não seria
um homem de fé - pois amar a Deus sem a fé é refletir-se no próprio Deus. ´´
- A última etapa de que ele se afasta, é a resignação infinita;

2. A RESIGNAÇÃO INFINITA
- p/ Kierkegaard, Abraão transformou a melancolia da existência em
resignação infinita;
- é o movimento para o infinito, estágio que precede a fé;
- no instante que o homem se resigna, está convencido da impossibilidade
de que aquilo se realize, sendo assim, acredita que alcançará através do
absurdo, em razão da fé.
- a resignação infinita nos faz confrontar o Sentido Puro, tornando o sentido
vazio após renunciar a todo Sentido finitamente humanamente determinado
-> ´´quando um homem se convence da impossibilidade no ponto de
vista finito, há, porém, no ponto de vista infinito, a possibilidade que reside no
âmago da resignação´´
- a suposição da fé necessita, antes, do reconhecimento sincero da total
impossibilidade.
- fé significa recebimento e não renúncia, a renúncia se dá pela resignação,
portanto, e a fé pressupõe a resignação infinita, mas que essa não implica a fé.

3. ESFERA MORAL X PARADOXO DA FÉ: A ANGÚSTIA


- a moralidade p/ Kierkegaard, é aquilo que se aplica a todos. O indivíduo,
a partir do momento que faz parte desse geral, deve privar-se de sua
individualidade a fim de atingir a generalidade. Quando um indivíduo tenta
sobrepor sua individualidade diante do geral, comete uma falta moral;
- a fé se torna um paradoxo, já que o indivíduo se coloca acima do geral;
-> ´´ No caso de Abraão, ele recebe uma ordem divina para que
sacrifique o seu filho Isaac. Ao considerar o fato pela esfera moral, dirá que
Abraão deveria amar Isaac. No entanto, Abraão ultrapassa e vai além da ética.
Sua ação se baseia em outra coisa que não é a ética e nem a legitimação do
coletivo social. Sua base é a fé.
- Abraão age totalmente como indivíduo, pois para ele a moral pode ser um
obstáculo para concretização da vontade de Deus, já que ele sabe que o
sacrifício de Isaac é algo que vai contra a moral, e justamente por isso ele se
angústia;
- pela esfera moral, o ato de Abraão o torna um assassino;
- portanto, pode-se entender porque a fé torna o ato de Abraão tão difícil, pois
ela confronta com a moral, esse confronto gera a angústia.
- Kierkegaard enfatiza o caminho traçado por Abraão e não o resultado
alcançado, pois nesse caminho, revelou a sua fé, angústia e sofrimento.

FRIEDRICH NIETZSCHE (1844 – 1900)


● Poeta e filósofo alemão contemporâneo
● Primeiros indícios do surgimento da filosofia contemporânea.
● Nietzsche dedicou-se a estudar a moral judaico-cristã e operou uma
espécie de comparação das sociedades antes e depois do cristianismo,
tendo classificado este como o fator central do enfraquecimento do ser
humano.

FILOSOFIA

● Para Nietzsche a vida era feita por altos e baixos. Havia dois espíritos
que guiavam a vida e os seres humanos. Apolíneo e Dionisíaco,
representados pelos deuses Apolo e Dionisio.

APOLÍNEO DIONISÍACO
Deus da luz e da ordem Deus do vinho e da alegria
Razão, equilíbrio e moderação Sentidos, paixões, prazer

Para que a civilização vivesse em harmonia era preciso haver o equilíbrio


entre essas duas forças.
● Sócrates rompeu essa filosofia, priorizando somente aquilo que é
racional, lógico e científico. Tendo a vida guiada somente pela razão.
● Nietzsche acredita ser impossível viver a vida inteiramente de maneira
racional, e que a partir do momento que Sócrates prioriza somente a
razão a civilização se afasta da verdadeira essência do ser humano.
Que são as paixões e as vivências que passam a ser enxergadas como
algo negativo

FÉ E RAZÃO

● Ápice da decadência humana ocorreu por conta do cristianismo, que em


muitos aspectos foi influenciada pela filosofia socrática e platônica.

CRISTIANISMO
● Desprezou a busca pelo prazer, pois prega que o ser humano deveria
negar a si mesmo para alcançar a salvação e consequentemente rejeitar
os prazeres mundanos, levar uma vida regrada por mansidão,
subordinação, sacrifício e sofrimento.
● Segundo Nietzsche a cultura cristã fez com que as pessoas vivessem
com a moral de escravos, com comportamento submisso. Aceitando
valores dominantes da civilização sem questioná-los.
● Valorizava a imagem de Jesus Cristo, se referia a Ele como ser humano
excepcional.
● Conclui que a filosofia socrática/platônica e o cristianismo promoveram
uma inversão de valores. Relacionando como moral dos fortes e moral
dos fracos.

MORAL DOS FORTES MORAL DOS FRACOS


Bravura, coragem e nobreza. Piedade, submissão
Valorização da vida terrena Desvalorização da vida terrena

Essa inversão de valores colocariam as pessoas no mesmo patamar,


sendo que características de escravos começaram a ser exaltadas como
virtude. Onde a fraqueza humana era vista como qualidade representava a pior
decadência possível da civilização. A partir disso, veio a ideia:
“Deus está morto e fomos nós que o matamos”
Para o filósofo a moral dos fracos não foi inventada por Deus, mas sim imposta
pelos mais fracos, para que suas fraquezas passassem a ser vistas como
coisas boas.
● Construir novos valores (trans valorização dos valores), baseado na
moral dos fortes.
● Além homem, super-homem: se libertar do sobrenatural e encontrar
sentido na vida aqui na Terra, superando seus limites e buscando
afirmação na vida, questionando valores que lhe são impostos pois
entende que não existem verdades eternas e universais.

VONTADE DE PODER OU VONTADE DE POTÊNCIA

● Vontade de viver
● Vontade de viver forte: pessoas com caráter ativo. São aqueles que
conseguem dizer grande sim a vida e viver de forma intensa sem se
importar com convenções sociais. Afirmação de si mesmo.
● Vontade de viver fraca: pessoas com caráter reativo. Indivíduo não é
capaz de afirmar a si mesmo a não ser pela negação do outro. Vai de
acordo com convenções sociais.
● Teoria que fez Nietzche discordar de Schopenhauer. Ambos
acreditavam que grande parte da vida era feita de sofrimento, mas
Schopenhauer acreditava que deveríamos suprimir as vontades
mundanas, para não nos tornarmos reféns delas. Contrariamente, a
teoria de Nietzche que acreditava que deveríamos usufruir da vida, tanto
as coisas boas quanto as coisas ruins.

ETERNO RETORNO
● Teoria que a vida é uma sucessão interminável de acontecimentos bons
e ruins que se repetem. Que despertava o desespero e a aceitação
● Aceitação era a plenitude da vida, AMOR FATI
Amor ao próprio destino, aceitar a vida e o destino mesmo com seus aspectos
cruéis. Aceitação que só um espírito superior é capaz

NILISMO

● Vida não possui nenhum sentido ou finalidade, não há verdades


absolutas.
● Não existe nenhuma fundamentação metafísica ou sobrenatural para a
existência humana.
● Associado a destruição de todos os princípios, morais, religiosos, sociais
e políticos.
Associado a liberdade, quando as pessoas se livram de dogmas elas passam a
ter autonomia da própria vida, sem influência dos outros

Étienne Gilson (1884 – 1978)


Étienne Gilson foi um dos autores mais destacados da filosofia neoescolástica,
especialista nos textos de São Tomás de Aquino. Seu trabalho se sobressai tanto
no campo da filosofia quanto no campo da teologia, porque se move nas duas
áreas. Caracterizou-se por sua defesa da real existência da Filosofia Cristã, onde
demostra que a razão e a fé se conciliam na produção de conhecimento para o
mundo.
O filósofo desenvolveu o “método realista”, e consistia-se em que o conhecer
não possuí prioridade sobre o ser, ele (conhecer) deixa-se condicionar, de modo
consciente e inteligente, por parte do ser real, logo, possuí influência sobre o
conhecimento.
Gilson inclinava-se para uma teoria de que para a filosofia poder ser utilizada
pela teologia ela deveria permanecer racional, e a teologia, para utiliza-la, deve
continuar sendo ela mesma. “[...] através da filosofia a teologia se torna ciência
especulativa da fé” (BELLO, 1993, p 257).
“Em que relação estão as verdades sobre Deus, sobre a sua existência e sobre
seus atributos, contidas na revelação, e as verdades sobre Deus adquiridas
através de demonstração filosófica?” Tomás de Aquino afirma que, é impossível
saber e crer a mesma coisa, simultaneamente e do mesmo ponto de vista. O que
eu sei e o que eu creio nunca possuem uma mesma visão.
Em suas novas reflexões, após muitos criticarem sua posição, Gilson chegou à
conclusão de que a filosofia é cristã na medida em que o cristianismo a torna
possível. A palavra divina está acima de todas as noções filosóficas, e assim
permanece, por este motivo essas noções não podem e nem são deduzidas por
ela.
O termo imutável, para o filósofo, é fonte de progresso, não impedimento, nas
descobertas científicas, morais, econômicas, políticas e artísticas.

JEAN-PAUL SARTRE (1905 – 1980)

- filósofo existencialista e ateísta→ não há Deus, não somos criados por


Deus; existência precede a essência; nossas escolhas fazem nossa
essência, não existe a ideia de natureza humana;
- homem projeto em eterna construção “o homem nada mais é do que
aquilo que ele faz e é esse o primeiro princípio do existencialismo” → nada
justifica a necessidade da nossa existência= propósito único;
- nossas condutas que nos caracteriza enquanto indivíduos, ninguém está
fadado a ser mal ou bom, fracassado ou bem sucedido→ não tem
ninguém para culpar o rumo das nossas vidas, nem consequências das
nossas ações;
- liberdade (total)= fardo do qual o homem não pode escapar,
escolhas→ações→consequências; responsabilidade total;
- “o inferno são os outros" → quando vemos nossas ações pelo olhar alheio,
tomamos consciência dos efeitos das nossas escolhas;
- Em si: (Existência) Não tem potencialidades, nem consciência de si ou do
mundo. Ele apenas é.
- Para si: (Essência) Consciência humana, por possuir conhecimento a seu
próprio respeito e a respeito do mundo.
- Nega qualquer teoria sobre a natureza humana e até mesmo a crença em
Deus, pois o homem existe para si, não sendo criado por nenhuma
existência preexistente.
- Somos seres obrigados a determinar um propósito para nossas vidas e
muitas vezes esse propósito atribuímos a Deus.
- Não há natureza humana fixa, universal, porque não existe um Deus que
possa estabelecer tal natureza.

Jean-Paul Sartre foi um filósofo francês do século XX que desempenhou


um papel significativo no desenvolvimento do existencialismo. Sua visão sobre
a relação entre fé e razão difere da perspectiva tradicional e se concentra na
ideia de que a existência humana precede a essência. Em sua argumentação,
Sartre defende que a fé religiosa é incompatível com a razão e a liberdade
humana.

Para Sartre, a existência precede a essência, o que significa que os seres


humanos são lançados no mundo antes de qualquer definição ou propósito fixo.
Ele rejeita a noção de um ser divino ou um plano divino que possa fornecer um
significado absoluto para a vida. Em vez disso, Sartre acredita que os indivíduos
são livres para criar seu próprio significado através de suas escolhas e ações.

Sartre critica a noção de fé religiosa, argumentando que ela requer a


aceitação de crenças sem evidências racionais. Para ele, a fé é baseada em uma
ilusão, uma tentativa de escapar da angústia e da responsabilidade da liberdade
humana. Ele argumenta que a crença em Deus é uma fuga da responsabilidade
individual e uma negação da liberdade de escolha.

Além disso, Sartre acredita que a fé religiosa limita a liberdade e a


autenticidade humanas. Ele alega que a fé estabelece uma autoridade externa,
tornando as pessoas subservientes a uma entidade superior. Em contraste,
Sartre enfatiza a importância da liberdade individual e da responsabilidade por
nossas próprias escolhas.

Sartre argumenta que a razão e a ciência são os meios mais confiáveis


para entender o mundo e encontrar significado em nossas vidas. Ele acredita
que a razão é a ferramenta fundamental para explorar e compreender a
realidade, e que a busca por conhecimento e compreensão deve ser baseada
em evidências e argumentos lógicos.
No entanto, é importante ressaltar que Sartre não nega a possibilidade de
existência de uma divindade. Ele simplesmente acredita que, mesmo se Deus
existisse, a fé religiosa não seria uma base confiável para a compreensão do
mundo e da existência humana. Sua argumentação busca enfatizar a
importância da liberdade e da responsabilidade individual na criação de
significado e propósito em nossas vidas.

Em resumo, Jean-Paul Sartre argumenta que a fé religiosa é incompatível


com a razão e a liberdade humana. Ele defende a importância da liberdade
individual e da responsabilidade por nossas escolhas, rejeitando a ideia de um
plano divino ou uma autoridade superior. Sartre enfatiza a busca pela
compreensão racional do mundo e a criação de significado através de nossas
próprias ações e escolhas.

Referências
• São Tomás de Aquino
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. v. I, parte I. 2ª ed. São Paulo: Edições
Loyola, 2001.
GARDEIL, H.D. Iniciação à Filosofia de S. Tomás de Aquino
• Étienne Gilson
GILSON, Étienne. Evolução da cidade de Deus. 1965. Tradução de TORRES,
João Camilo de Oliveira.
BELLO, Angela Alles. PENZO, Giorgio. GIBELLINI, Rosino. Deus na filosofia
no século XX. 1998.
• Santo Agostinho
AGOSTINHO, Santo. Confissões. 1ª ed. Editora Principis, 2019.
FREITAS, Manuel da Costa. Razão e fé na filosofia de Santo Agostinho.
2012
• Jean Paul Sartre
SUPERLEITURAS. Jean-Paul Sartre. YouTube, 28 de maio de 2020.
Disponível em: <[Link] Acesso em 25 de maio de
2023.
SCHIO, Willie. Jean-Paul Sartre. Slide de aula, 2020.
• Blaise Pascal
RENNO, Pedro. Blaise Pascal e a razão finita, Youtube, 2020.
Monergismo. Pensamentos, Blaise Pascal, Artigo
• Solen Kierkegaard
HOSTE, Vinicius Xavier. Fé e razão no pensamento de Kierkegaard, 2015
• Severino Boécio
FRAZÃO, Dilva. Biografia de Boécio, filósofo e político italiano, 2018.
MARCONATTO, Arildo Luiz. Boécio (480-525) em Só Filosofia, 2008-2023.
• Nicolau de Cusa
KONDER, Leandro. Nicolau de Cusa (1401-1464), 2002.
LYRA, Sonia Regina. Nicolau de Cusa: visão de Deus e teoria do
conhecimento, 2010.
• Friedrich Nietzsche
CONCEITO ILUSTRADO. Friedrich Wilhelm Nietzsche. Youtube, 26 de maio de
2022. Disponível em: <[Link] Acesso em 28 de maio
de 2023.

Você também pode gostar