Estudos Epidemiológicos
Desenhos de Pesquisa em Epidemiologia
1 Definição da questão de pesquisa;
2 Definição das variáveis do estudo;
3 Construção do instrumento de coleta de dados;
4 Estabelecimento do delineamento;
5 Definição da população-alvo e amostragem;
6 Coleta e análise de dados.
Incidência X Prevalência
A ciência epidemiológica apropriou-se de ambos os conceitos, dando-lhes feição nova sob a forma dos
termos incidência e prevalência.
Incidência: traduz a ideia de com que intensidade a morbidade incide sobre uma população num
intervalo de tempo.
Prevalência: é termo descritivo da força com que subsistem casos das doenças nas comunidades.
Operacionalmente, o coeficiente de incidência é definido como a razão entre o número de casos novos
de uma doença que incidem numa comunidade num intervalo de tempo determinado e o número de
habitantes de uma população expostos durante o mesmo período, multiplicado o resultado por potência
de 10, que é base referencial da população.
Como conceito derivado, prevalência denota uma propriedade dos acontecimentos, fazendo com que
estes se destaquem da circunstância.
Assim, em saúde pública, prevalência é termo descritivo da força com que subsistem as doenças nas
comunidades. As medidas mais simples para prevalência são as contagens absolutas e frequências
absolutas do total de casos da doença segundo as variáveis independentes entre os doentes
Operacionalmente, o coeficiente de prevalência pode ser calculado pela divisão entre o número de casos
conhecidos de uma dada doença e o número de indivíduos da população, multiplicando o resultado
pela base referencial da população que é potência de 10, usualmente 1.000, 10.000 ou 100.000,
conforme seja o número de indivíduos da população observado durante o período:
1. (Residência/ENARE-EBSERH/2021) No que diz respeito à epidemiologia, assinale a alternativa
correta em relação ao termo Incidência.
a) Corresponde ao número de casos existentes (novos e velhos) de uma doença em um período.
b) Estima a probabilidade de a população estar doente no período do tempo em que o estudo está sendo
realizado.
c) É usado principalmente em estudos que visam determinar a carga de doenças crônicas em uma
população e suas implicações para os serviços de saúde.
d) Não considera o período em que os indivíduos estão livres da doença, ou seja, em risco de
desenvolvê-la.
e) É a principal medida para doenças ou condições agudas, mas pode, também, ser utilizado para
condições crônicas. É mais útil em estudos de causalidade.
2. (Residência/SES-GO/2020) A investigação epidemiológica de campo, envolvendo casos, surtos,
epidemias ou outras formas de emergência em saúde é uma atividade obrigatória de todo sistema local
de vigilância em saúde, cuja execução primária é de responsabilidade de cada respectiva unidade
técnica que, nesse contexto, pode ser apoiada pelos demais setores relacionados e níveis de gestão do
Sistema Único de Saúde (SUS). Essa investigação deve
a) ser iniciada a partir de uma hipótese clara e de estudos que descrevam e formulem hipóteses a serem
testadas.
b) ocorrer separadamente das demais ações de vigilância, de promoção e de assistência para a
prevenção e controle de doenças, visto que é uma ação essencialmente técnica.
c) definir e adotar medidas de prevenção e controle somente após a conclusão desse processo, pois
durante sua vigência os resultados podem gerar erros.
d) garantir a obtenção, por meio de fontes primárias ou secundárias, das informações necessárias
referentes a diferentes contextos.
Tipos de Estudos Epidemiológicos
São utilizados com o intuito de melhor conhecer a saúde da população, os fatores que a determinam, a
evolução do processo da doença e o impacto das ações propostas para alterar o seu curso. E com isso,
são classificados da seguinte forma (PEREIRA, 2018):
1 Quanto ao propósito geral do estudo (descritivos ou analíticos);
2 Quanto a unidade em estudo (um indivíduo ou grupos);
3 Quanto a intervenção do investigador (estudos de observação ou de intervenção);
Quanto a direção temporal das observações (prospectivos, retrospectivos, transversais e
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longitudinais);
Estudos Epidemiológicos (PEREIRA, 2018)
Relato de Casos Estudo de incidência
Descritivos
Série de Casos Estudo de Prevalência
Ensaio clínico randomizado Coorte
Analíticos
Caso-controle Transversal
Estatísticas
Ecológicos
Comunitárias ou de agregados
Estudos Descritivos X Analíticos
DESCRITIVOS (PEREIRA, 2018) ANALÍTICOS (PEREIRA, 2018)
Tem o objetivo de informar sobre a distribuição São aqueles delineados para examinar a
de um evento, na população, em termos existência de associação entre uma exposição e
quantitativos. uma doença ou condição relacionada à saúde.
Seu foco é estudar a relação entre “Causa” e o
Ex.: Os padrões de crescimento e “Efeito” e vice-versa.
desenvolvimento de crianças normais ou
daquelas acometidas por uma determinada Ex.: Causa – obesidade; Efeito – diabetes
doença. mellitus. Causa – fumo; Efeito – câncer de
pulmão.
Estudos Ecológicos
São estudos que abordam áreas geográficas ou blocos de população bem delimitados, analisando
comparativamente variáveis globais, quase sempre por meio da correlação entre indicadores de
condições de vida e indicadores de situação de saúde (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2017).
Ex.: uma pesquisa comparativa da situação de saúde em uma amostra de fábricas; ou um estudo que
avalia o perfil epidemiológico das prisões em uma região (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2017).
Estudos de Intervenção
Estudos de intervenção ou ensaios comunitários fazem parte do grande grupo de estudos
experimentais, que incluem ensaios clínicos e experimentos laboratoriais.
Destaque para os Ensaios Comunitários Controlados Randomizados (ECCR) que, cada vez mais, têm
sido aplicados em pesquisas de avaliação tecnológica de intervenção orientadas à promoção e proteção
da saúde das populações e são considerados "padrão-ouro" para a avaliação de tratamentos.
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2017)
Uma intervenção deve ser objeto de estudos preliminares que forneçam fortes evidências de que haverá
efeitos positivos sobre a saúde:
A intervenção possa reduzir a chance de adoecimento pela causa que é capaz de prevenir (tenha alta
eficácia ou efetividade) e que não gere efeitos adversos importantes ou que, quando estes ocorram,
sejam bastante inferiores aos benefícios (tenha segurança).
No campo da Saúde Coletiva, esse desenho tem sido amplamente usado para avaliar
eficácia/efetividade de vacinas e outras intervenções antes que venham a ser recomendadas para
ampla utilização em populações.
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2017)
3. (Residência/SES-PE/2021) Quando a randomização dos participantes de um estudo epidemiológico é
utilizada para a alocação desses em cada um dos grupos sob investigação, diz-se que o estudo é do
seguinte tipo:
a) Caso Controle.
b) Coorte.
c) Intervenção.
d) Correlação Ecológica.
e) Série de Casos.
Ensaio Clínico Controlado
O ensaio clínico controlado é randomizado quando a
intervenção é alocada de maneira aleatória entre os
sujeitos da pesquisa.
Os pacientes que serão estudados são selecionados de
uma população com a mesma condição de interesse,
aplicando critérios de inclusão e exclusão para entrarem
no estudo.
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2017)
Os pacientes selecionados são, então, divididos em dois
grupos (ou mais), usando o processo de randomização.
Assim, cada paciente apresenta chance igual de receber
ou não a intervenção, possibilitando que fatores
relacionados com o prognóstico da doença, conhecidos ou
não conhecidos, se distribuam mais igualmente entre os
grupos de comparação.
Um grupo, chamado grupo experimental, é exposto à
intervenção; o outro grupo, chamado grupo de controle
(ou de comparação), não recebe a intervenção em estudo,
mas pode receber um tratamento placebo ou um
tratamento já padronizado para a doença.
Estudos de Coorte
Em epidemiologia, uma coorte se refere a um grupo de indivíduos, pertencentes a uma mesma
população, que é acompanhado durante certo período com vistas a estudar a ocorrência de um ou mais
desfechos (GREENBERG et al., 2005).
É justamente esse período de acompanhamento que diferencia esse desenho dos estudos transversais e
de caso-controle, caracterizando-o como um estudo longitudinal.
Além dessa diferença, estudos de coorte partem da observação de dois grupos, inicialmente isentos do
desfecho, extraídos de uma mesma população, diferindo apenas na exposição a um fator de risco de
interesse. Esses grupos são acompanhados ao longo do tempo e posteriormente avaliados quanto à
ocorrência do desfecho.
Desse modo, estudos de coorte apresentam e se baseiam na análise de dados de incidência. Dois tipos
básicos de estudos de coorte podem ser levados a cabo: prospectivos e retrospectivos. Coortes
prospectivas seguem o sentido temporal usual, ou seja, iniciam o acompanhamento dos sujeitos no
presente e os seguem para a avaliação do desfecho no futuro.
Desenho esquemático de um estudo de coorte prospectiva.
Desenho esquemático de um estudo de coorte retrospectiva.
Estudos Caso-controle
Estudos de caso-controle se baseiam na comparação de um grupo que apresenta o desfecho (caso) de
interesse com outro grupo que não o apresenta (controle) (JEKEL et al., 2006).
Como a constituição dos grupos é fundamentada na ocorrência do desfecho, diz-se que estudos de
caso-controle são retrospectivos, pois, a partir dessa caracterização, busca-se identificar diferenças
existentes entre esses grupos, as quais possam explicar tal ocorrência.
Esse tipo de estudo pode ser utilizado quando o fenômeno de interesse é raro ou de longa duração
(crônico). Em geral, o tamanho amostral tende a ser menor e, consequentemente, exige menos tempo e
apresenta baixo custo. Assim, como os estudos transversais, os estudos de caso-controle são bons para
gerar hipóteses para serem verificadas com desenhos mais complexos.
Em resumo, a estrutura do estudo de caso-controle baseia-se na extração de duas amostras de duas
populações distintas em relação à ocorrência do desfecho e na análise retrospectiva da ocorrência de
supostos fatores de risco.
Desenho esquemático de um estudo de caso-controle.
Estudos descritivos
Estudos descritivos - do tipo populacional, individual (relato de caso e série de casos) ou transversal.
O relato de caso é o tipo mais básico de estudo descritivo individual, consistindo numa descrição
detalhada de aspectos novos relacionados com uma doença num único paciente.
O relato de caso pode ser expandido em uma série de casos, quando características de uma doença são
descritas em mais de um paciente.
O estudo transversal (cross-sectional) coleta informações acerca do fator de estudo (exposição e não
exposição) e do desfecho/doença (doença e não doença) num grupo de indivíduos no mesmo ponto do
tempo. Esse momento de tempo pode ser um ponto fixo durante o curso de eventos (por exemplo,
momento da entrada do indivíduo no primeiro emprego) ou um período especificado do estudo (1 mês, 1
ano).
Assim, os estudos transversais produzem informações acerca da frequência (prevalência) tanto de uma
doença na população e dos fatores de risco em determinado tempo como também podem encontrar
associações.
Revisão Sistemática
Uma revisão sistemática (RS), assim como outros tipos de estudo de revisão, é uma forma de pesquisa
que utiliza como fonte de dados a literatura sobre determinado tema (SACKETT, 2002; HAYNES et al.,
2006; FLETCHER & FLETCHER, 2014).
Esse tipo de investigação disponibiliza um resumo das evidências relacionadas com uma estratégia de
intervenção específica, mediante a aplicação de métodos explícitos e sistematizados de busca,
apreciação crítica e síntese da informação selecionada. As revisões sistemáticas são particularmente
úteis para integrar as informações de estudos primários sobre tratamento, bem como identificar temas
que ainda necessitam de investigações futuras (por falta de evidências).
Embora as RS sejam realizadas, principalmente, para questões sobre intervenção e utilizando-se dos
ensaios clínicos randomizados, os mesmos princípios metodológicos são usados para se fazer RS sobre
questões de risco, diagnóstico ou prognóstico.
4. (Residência/UFRN/2021) A lista abaixo apresenta delineamentos de estudos epidemiológicos que
produzem diferentes níveis de evidências científicas.
A. Ensaios clínicos randomizados e controlados de pequena amostra.
B. Estudo de série de casos e opiniões de especialistas.
C. Revisões sistemáticas de ensaios clínicos controlados randomizados.
D. Estudos de coorte.
E. Estudo de caso-controle.
F. Ensaios clínicos randomizados e controlados de grande amostra.
A sequência decrescente dos níveis de evidência científica dos delineamentos listados é
a) B, C, A, F, D, E. b) C, F, A, D, E, B. c) A, F, B, C, E, D. d) D, A, B, E, F, C.
5. (Residência/ENARE-EBSERH/2021) Em decorrência da Covid-19, há, no Brasil, diversas vacinas em
fase de testes. Recentemente, mais um ensaio clínico foi aprovado: é um estudo de fase III,
randomizado, duplo cego, controlado por placebo, para avaliar a eficácia e a segurança dessa vacina na
prevenção da Covid-19 mediada por Sars-CoV-2. Nesse contexto, na epidemiologia experimental, um
ensaio clínico randomizado se refere, basicamente,
a) a permitir que a natureza determine o seu curso: o investigador mede, mas não intervém.
b) à associação entre a exposição a determinada causa (ou fator de risco) e a ocorrência da doença.
c) a indivíduos selecionados, aleatoriamente alocados para grupos de intervenção e controle, e os
resultados são avaliados comparando-se os desfechos entre esses grupos.
d) a medidas de exposição e efeito que são realizadas ao mesmo tempo, sendo ideais para avaliar
medidas de associação.
e) a unidades de análise compostas por grupos de pessoas ao invés de indivíduos.
6. (Residência/UFF/2021) Identifique, dentre as opções a seguir, o estudo que parte da causa em busca
dos efeitos, estudo no qual um grupo de indivíduos que seja identificado para coleta de informação
sobre a exposição de interesse será acompanhado, ao longo do tempo, para se identificar se os
integrantes desse grupo apresentam ou não determinada doença e se a exposição prévia guarda relação
com a ocorrência dessa doença.
a) Estudo de coorte.
b) Estudo de caso controle.
c) Estudo transversal.
d) Ensaio clínico.
7. (Residência/UFRN/2021) Um grupo de indivíduos selecionados para coleta de informação sobre a
exposição de interesse será acompanhado, ao longo do tempo, para identificar se seus integrantes
apresentam ou não determinada doença e se a exposição prévia guarda relação com a ocorrência dessa
doença. Esse desenho de estudo, que parte da causa em busca dos efeitos, é conhecido como
a) grupo controle.
b) coorte.
c) experimental.
d) ensaio clínico randomizado.
8. (Residência/UFAL/2021) Dadas as afirmativas relativas ao delineamento de pesquisa e à dimensão
temporal:
I. Os estudos transversais envolvem a coleta de dados em um ponto do tempo.
II. A principal vantagem dos delineamentos transversais é que são econômicos e fáceis de controlar.
III. Os estudos longitudinais são projetos de pesquisa destinados a coletar dados durante um período
extenso.
IV. O principal valor dos delineamentos longitudinais é sua capacidade de demonstrar as mudanças ao
longo do tempo.
Verifica-se que está(ão) correta(s)
a) II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) I e IV, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
9. (Residência/UFAL/2021) Dadas as afirmativas relativas à validade interna de uma investigação:
I. A ocorrência de eventos concorrentes com a variável independente as quais podem afetar a variável
dependente é uma ameaça à validade interna da pesquisa.
II. A ameaça da seleção à validade interna engloba as parcialidades resultantes das diferenças entre
grupos. Quando as pessoas não são designadas aleatoriamente aos grupos, existe sempre a
possibilidade de que os grupos não sejam equivalentes.
III. A ameaça da desistência surge do desgaste diferente dos grupos. A perda de sujeitos durante o
estudo pode diferir entre os grupos. Por exemplo, quando o grupo controle reluta em completar o
questionário pós-teste.
Verifica-se que está(ão) correta(s):
a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III.
10. (Residência/UFRN/2020) Um pesquisador resolveu investigar se havia relação entre o uso da
Caderneta de Saúde da Criança por profissionais da atenção básica e a taxa de internação de crianças
no hospital. Para tanto, ele planejou acompanhar por dois anos o trabalho dos profissionais de duas
equipes de saúde da família com perfil de demanda e com processos de trabalho muito semelhantes. A
diferença entre elas era que uma equipe usava a Caderneta no atendimento às crianças e a outra não
usava. Ao fim do estudo, pensou-se em comparar a taxa de internação entre os dois grupos. Esse
pesquisador, portanto, planejou o desenvolvimento de um estudo
a) seccional.
b) retrospectivo.
c) de intervenção.
d) longitudinal.
11. (Residência/UFAL/2021) São atividades de Vigilância em Saúde o registro de doenças e agravos de
notificação, a gestão do programa de imunização, o monitoramento dos sistemas de informação e o
controle dos riscos sanitários. A respeito do tema, dadas as afirmativas:
I. O sistema de notificação compulsória constitui modelo historicamente estático e consolidado,
considerando que a ciência não costuma produzir dados atualizados sobre essas questões.
II. A notificação compulsória de doenças e agravos deve ocorrer pelos profissionais de saúde e ser
direcionada às autoridades sanitárias com a finalidade de subsidiar estratégias e políticas para o
controle dessas doenças e agravos.
III. Em caso de suspeita associada a efeito adverso de um medicamento, por meio de notificação
espontânea ou um relato de caso, é necessário fazer avaliação descritiva considerando fatores
demográficos, tempo de exposição ao medicamento, duração do efeito, comorbidades, reexposição ao
medicamento e clara ausência de causas alternativas.
IV. O sarampo pode ser considerado com uma doença reemergente no Brasil, pois foram registrados
novos casos da doença nos últimos dois anos.
Verifica-se que estão corretas apenas:
a) I e II. b) II e IV. c) III e IV. d) I, II e III. e) I, III e IV.
GABARITO
1. E
2. D
3. C
4. B
5. C
6. A
7. B
8. E
9. E
10. D
11. B