ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2023-2025
As partes, de um lado SINDICATO PROF EMP HOTEIS BARES REST
SIMILARES A REIS, entidade sindical, estabelecido à Rua da Conceição, nº 220,
Sala 201, Centro de Angra dos Reis/RJ, CEP 23.900-437, inscrito no CNPJ sob o
nº. 30.326.896/0001-64, neste ato representado pelo seu Presidente, Sr.
IVANILDO GERONIMO RIBEIRO, qualificar e SINDICATO DE HOTEIS,
RESTAURANTES E BARES DE ANGRA DOS REIS, entidade sindical,
estabelecido à Rua Coronel Carvalho, 275, Centro de Angra dos Reis/RJ, CEP
23.900-437, inscrito no CNPJ n. 21.121.862/0001-42, neste ato representado pelo
seu Presidente, Sr. HERVAL MIGUEL, qualificar;
e de outro CAC BAR E RESTAURANTE LTDA, inscrita no CNPJ nº
42.382.224/0001-55, localizada no Rodovia Gov. Mario Covas, KM 512, Loja
24, Condomínio FRADE, no bairro do Frade, na cidade de Angra dos Reis, no
estado do Rio de Janeiro, endereço eletrônico de e-mail
[email protected],
representada pelo seu sócio Carlos Augusto Carvalho, qualificar.
DOS CONSIDERANDOS
a)
b) Considerando que é costume tradicional a cobrança e pagamento de
gorjetas pelos clientes aos empregados dos estabelecimentos integrantes
da categoria abrangida pelo presente instrumento coletivo;
c) Considerando as mudanças trazidas pela Lei nº 13.467, de 13 de julho de
2017, denominada Reforma Trabalhista;
d) Considerando que o princípio da prevalência do negociado pelo legislado,
oriundo dessa mesma reforma trabalhista, permite que as convenções e
acordos coletivos de trabalho prevaleçam sobre a lei quando, “entre outros”
direitos, dispuserem sobre a matéria prevista no novo artigo 611-A da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT);
e) Considerando que a “remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas
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percebidas pelos empregados” está dentro do rol exemplificativo de direitos
que poderão ser negociados e, quando assim for, terão prevalência sobre a
lei, como se extrai do artigo 611-A, IX da Consolidação das Leis do
Trabalho;
f) Considerando que nenhuma das cláusulas constantes do presente
instrumento coletivo encontra óbice no rol taxativo de matérias que não
poderão ser objeto de negociação, previsto no novo artigo 611-B da CLT,
com redação que lhe deu a Lei Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017;
g)
Fica estabelecido o presente ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, nos termos
dos arts. 1º, IV, 6º, caput, 7º, caput, IV,, XI, 8º, III e VI, e 170, caput, todos da
Constituição Federal, bem como dos arts. 611, caput, 611 A, XV e 613, IV, todos
da CLT e demais disposições legais aplicáveis, cujas cláusulas e condições
reciprocamente obrigam-se a cumprir e fazer respeitar as seguintes cláusulas:
CLÁUSULA 1ª. DA VIGÊNCIA E ABRANGÊNCIA
As partes fixam a vigência do presente ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, no
período de 01 de janeiro de 2023 a 30 de janeiro de 2025.
Parágrafo 1º. Considerando-se a manutenção da data base pelos SINDICATOS o
presente acordo coletivo produzirá efeitos desde 01/01/2023.
A presente Convenção O presente Acordo CoIetiva CoIetivo de Trabalho
abrangerá a categoria de Empregados em hotéis, restaurantes e Similares com
abrangência em Angra dos Reis /RJ.
CLÁUSULA 2ª TAXA DE SERVIÇO – GORJETA
O presente acordo coletivo é celebrado sob a proteção do art. 611-A, da
CLT, pelo princípio da prevalência do negociado sobre o legislado, que
garante cumprimento ao disposto no art. 7º, XXVI, da CF e sob o princípio
da autonomia privada coletiva dos sindicatos (art. 8º, §3º, da CLT), sendo-
lhes licito firmar concessões mutuas quando estas visam a melhoria da
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condição social do trabalhador, a fiscalização do cumprimento dos
regramentos trabalhistas e o aumento do emprego mediante a
recuperação econômico-financeira da empresa, objetivos deste acordo
coletivo.
Para tanto, a empresa concederá aos empregados o seguinte incentivo:
Repasse das taxas de GORJETAS em folha salarial aos empregados, nos
termos do presente acordo coletivo.
Parágrafo 1º. As partes e a assembleia de empregados autorizam a
assinatura do presente acordo coletivo e concordam e autorizam que o
benefício concedido proporciona a melhoria da condição social dos
trabalhadores (CF, art. 7º, caput), e como tal justificam a adoção das
condições de trabalho ora acordadas, visando a manutenção de tais
benefícios.
O valor da taxa de serviço ou gorjeta será de no mínimo 10%, calculado sobre o
total bruto das despesas feitas pelos clientes do estabelecimento, sendo que a
importância respectiva deverá constar destacada e devidamente identificada nas
pré-contas entregues aos clientes e nos cupons fiscais correspondentes.
Parágrafo 1º. Apesar da nomenclatura do regime (“taxas de serviço ou gorjetas
compulsórias”), fica desde já certo e ajustado que os clientes que não desejarem
pagar o valor discriminado nas pré-contas não serão constrangidos a fazê-lo.
Parágrafo 2º. Caso o cliente conceda um valor superior ou inferior a 10% a título
de gorjetas, deverá ser anotado no respectivo cupom fiscal ou na pré-conta
entregue aos clientes o valor efetivamente concedido sob a rubrica GORJETA
CONCEDIDA.
Parágrafo 3º. Os valores das gorjetas efetivamente concedidas serão recolhidos
ao caixa juntamente com o total da despesa efetuada pelo cliente.
Parágrafo 4º. Nos termos do §4º, da Lei 13.419/2017 e art. 457, da CLT, a gorjeta
não constitui receita própria da empresa.
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Parágrafo 5º. As gorjetas serão incorporadas na remuneração do empregado e
não no salário, de modo que sua integração dar-se-á na base de cálculo somente
das férias acrescidas do terço, 13º salário, FGTS e contribuições previdenciárias,
nos termos da Súmula 354 do TST.
Parágrafo 6º. Não compondo as gorjetas o salário do empregado, e sim a
remuneração, as gorjetas não poderão repercutir no cálculo das horas extras, do
aviso prévio, do adicional noturno, do DSR ou qualquer outra verba calculada
sobre o salário do empregado.
Parágrafo 7º. Na forma da legislação aplicável, os valores das gorjetas recebidos
pelos empregados estarão sujeitos à retenção de Imposto de Renda pela Fonte
pagadora, bem como do INSS (parte do empregado).
CLÁUSULA 3ª. DISTRIBUIÇÃO E RETENÇÃO
A distribuição das gorjetas efetivamente concedidas deverá observar as seguintes
condições:
Estando a empresa enquadrada no Presumido, o montante mensal arrecadado a
título de gorjetas efetivamente concedidas será distribuído da seguinte forma:
a - 67% (sessenta e sete por cento) para os empregados participantes do rateio,
figurando as importâncias correspondentes nos holerites, sendo que sua
distribuição não exime o pagamento do salário fixo pactuado e devido aos
empregados, observados os parâmetros ajustados neste acordo coletivo; e
b - 33% (trinta e três por cento) ficarão retidos pela empresa, que serão
destinados à cobertura dos encargos sociais e previdenciários incidentes sobre os
valores devidos em folha de pagamento.
III - Apurado o montante a ser arrecadado a título de gorjetas e repiques
contabilizados no período correspondente, este deverá ser dividido conforme
tabela de pontuação.
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IV - A partir da adoção da sistemática de cobrança de gorjetas, estas serão pagas
juntamente com os salários, observadas as deduções e retenções acima
previstas. As gorjetas serão incluídas e devidamente destacadas nos holerites
dos empregados abrangidos pelo presente acordo, além dos valores das bases
de cálculo do FGTS e do INSS.
V - Com a implantação da sistemática, aos empregados não mais se aplicarão as
antigas tabelas de estimativa de gorjetas previstas nas convenções coletivas
anteriores. Desse modo, não deverá haver nos holerites dos empregados
qualquer menção à estimativa de gorjetas.
CLÁUSULA 4ª. DISTRIBUIÇÃO E DEMAIS CONDIÇÕES
Além do disposto na cláusula anterior, a EMPRESA, para o cálculo do quantum a
ser repassado, deverá observar também:
a) O empregado admitido após o primeiro dia útil do período de cálculo não
será excluído do rateio, devendo receber sua parte proporcionalmente aos dias
trabalhados no período de cálculo;
b) O empregado que faltar ao trabalho, com ou sem justificativa legal, não terá
direito aos valores correspondes ao dia da falta, devendo ser subtraído do total
a receber o valor equivalente ao (s) dia (s) de ausência, revertendo à quantia
respectiva para os demais empregados participantes; e
c) O empregado desligado antes do término do período de apuração das
gorjetas e repiques contabilizados arrecadados, qualquer que seja o motivo da
rescisão, não será excluído do rateio, devendo receber sua parte
proporcionalmente aos dias trabalhados no período de cálculo.
A taxa de serviço será rateada entre os trabalhadores, respeitando os uso e
costumes vigentes na empresa, seguindo a tabela de pontos aprovadas em
Assembleia.
Tabela de Pontuação:
Gerentes -10 pontos
Maitre e chefes - 7 pontos
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Garçons - 5 pontos
Sub chefes – 4 pontos
Cozinheiro/ sushiman – 3 pontos
Cumins – 2,5 pontos
Auxiliares – 1 ponto
CLÁUSULA 5ª. REPIQUE
Quando o repique for pago em dinheiro, cheque ou cartão de crédito/débito –
havendo, portanto, contabilização, este será recolhido ao caixa e distribuído aos
empregados em holerites, como se gorjeta compulsória fosse, após as deduções
legalmente permitidas, entre o próprio empregado que as recebeu e os demais
empregados participantes deste Acordo.
CLÁUSULA 6ª. COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO
A fiscalização e acompanhamento do repasse e integração das gorjetas e dos
repiques contabilizados pela empresa, bem como o regular cumprimento das
demais regras pactuadas neste Instrumento, serão procedidos diretamente pela
comissão eleita dentre os empregados da empresa.
Parágrafo 1º. Qualquer empregado poderá ser representante dos empregados,
excetuando-se aqueles:
a) Contratados por prazo determinado;
b) Com contrato suspenso;
c) Que estejam em período de aviso prévio, trabalhado ou indenizado.
Parágrafo 2º. Para que possam exercer a fiscalização da arrecadação, repasse e
integração das gorjetas – com total liberdade e independência, além de preservar
a transparência na distribuição dos valores, nesta data fica constituída a
Comissão de Acompanhamento e Fiscalização Local composta por dois
empregados, indicados entre seus pares conforme tabela de pontuação anexa,
que terão mandato de dois anos.
Parágrafo 3º. Cumprirá à comissão a fiscalização do recebimento e o rateio das
gorjetas, devendo a empresa, para tanto, apresentar-lhes, antes do rateio,
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relatório do total da receita obtida no mês a título de gorjetas.
Parágrafo 4º. Os representantes eleitos pelos trabalhadores não gozarão de
qualquer estabilidade no emprego.
Parágrafo 5º. Será assegurado à Comissão, a qualquer tempo, o acesso à
documentação hábil a demonstrar o total da receita obtida com gorjetas no
período de arrecadação e a respectiva planilha de distribuição, devendo dirimir e
buscar solucionar interna e diretamente com a empresa dúvidas e eventuais
deformidades. Dependendo da gravidade do caso, a Comissão deverá comunicar
imediatamente ao Sindicato para que este tome ciência da questão mais
rapidamente e possa atuar em prol do cumprimento das regras ora pactuadas.
CLÁUSULA 7ª. INTERVALO DILATADO
A empresa poderá conceder intervalo intrajornada superior ao limite de duas
horas previsto no art. 71, da CLT, podendo este ser de até 4 (quatro)
horas, sem aplicação da Súmula nº 118 do Colendo TST, desde que,
obrigatoriamente, seja concedido ao empregado que pratique tal intervalo,
além do incentivo de Assistência médica aos empregados que o pratique.
Parágrafo 1º. Os valores pagos na forma desta cláusula não possuirão caráter
salarial, não sendo incorporados à remuneração para fins de encargos
sociais e trabalhistas.
CLÁUSULA 8 ª. PLANO DE SAÚDE
O plano de saúde será pago pela emprega aos funcionários que fizer o
intervalo dilatado, conforme Cláusula 7º e regras para os demais
empregadores.
Parágrafo 1º. Os valores relativos ao plano de saúde, quando suportados pela
empresa, não comporão os salários dos empregados e, portanto, conforme
estabelecido na legislação vigente, não sofrerão incidência de qualquer
encargo social ou trabalhista.
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Parágrafo 2º. O plano de saúde referido neste acordo coletivo deverá
atender as normas previstas na Lei 9686/98, no padrão enfermaria, podendo
o empregado, contudo, optar por planos de saúde de padrão superior,
hipótese na qual se faculta à empresa proceder ao desconto da diferença
do custo entre o padrão optado pelo empregado e o padrão enfermaria.
Parágrafo 3º. Ao empregado será facultada a inclusão de seus
dependentes (cônjuge e filhos menores de 18 anos) no plano de saúde,
contratado pela empresa, hipótese na qual está providenciará a inclusão e
estará autorizada a descontar integralmente do salário do empregado o
valor das mensalidades relativas aos dependentes incluídos.
CLÁUSULA 9ª. INTERVALO INTRAJORNADA REDUZIDO
A empresa poderá reduzir os intervalos para refeição até 30 minutos, como prevê
o art. 611 - A, III, da CLT, com a respectiva antecipação do término da jornada do
empregado. Assim, os intervalos para as jornadas superiores a 6 (seis) horas
diárias não poderão ser inferiores a 30 minutos, sendo certo que o empregado,
em tal condição, terá o direito de sair meia hora mais cedo.
CLÁUSULA 10ª. CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL
A Assembleia Geral deliberou pela fixação da contribuição assistencial da
ordem de 1% do salário, inclusive 13° salário, limitados ao mínimo de R$
33,00 (trinta e trinta e três reais) e o máximo de R$ 70,00 (setenta reais),
ficando assegurado ao trabalhador que contribuir com o valor - teto o
direito de sindicalizar-se sem ter que pagar a mensalidade associativa,
bastando, para tanto, apresentar-se na Secretaria Geral da entidade,
munido da CTPS e do último recibo de pagamento para comprovar o
recolhimento do valor-teto ora estabelecido.
O recolhimento pela empresa será feito até o dia dez de cada mês,
mediante boleto bancário disponibilizado pelo sindicato profissional (enviado
por e-mail), sob pena de a primeira ter de pagar ao segundo o montante
que tenha deixado de recolher, além de multa, por descumprimento desta
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cláusula no importe de 12% do valor devido, acrescido de juros de 1% ao
mês, sem prejuízo da correção monetária do valor devido, na forma da lei,
observado o limite previsto no Código Civil.
Parágrafo 1º. Em razão do decidido na assembleia acima referida o desconto das
contribuições somente não pode ser feito sobre os salários dos não associados se
opuseram na forma e prazo prevista na Convenção Coletiva de Trabalho.
CLÁUSULA 11ª. MENSALIDADES ASSOCIATIVAS
Obriga-se a empresa a descontar, em folha de pagamento, as mensalidades
associativas de seus empregados, mediante prévia comunicação do sindicato
suscitante, o qual remeterá às mesmas relações de seus associados que
tenham autorizado o desconto em folha.
CLÁUSULA 12ª. EFEITOS
O presente acordo tem efeitos jurídicos e legais em relação a todos os
empregados, registrados até a data de início de vigência desta avença, bem como
aos admitidos a partir de então, por força do princípio da adesão.
Parágrafo único. Este acordo coletivo de trabalho reflete a decisão coletiva do
grupo de empregados para o período de vigência do presente instrumento, sendo,
portanto, aplicável a todos eles nos termos dos arts. 612 e seguintes, da CLT.
Não obstante, fica expressamente preservado o direito individual dos
empregados, inclusive, os desligados do quadro de funcionários da empresa,
para, querendo, se socorrerem a qualquer tempo do Poder Judiciário para
vindicar quaisquer direitos que entendam fazer jus, mediante ações individuais e
com fulcro no art. 5º, XXXV, da Constituição.
CLÁUSULA 13ª. PRORROGAÇÃO, REVISÃO E DENÚNCIA
O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação, total ou parcial,
do presente Acordo Coletivo observará o disposto nos arts. 615 e ss., da CLT.
CLÁUSULA 14ª. FECHAMENTO DO ACORDO
E por estarem em pIeno acordo, assinam as partes interessadas, devidamente
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autorizadas para um ser efeito.
Angra dos Reis, 4 de agosto de 2023.
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SINDICATO PROF EMP HOTEIS BARES REST SIMILARES A REIS
IVANILDO GERONIMO RIBEIRO
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SINDICATO DE HOTEIS, RESTAURANTES E BARES DE ANGRA DOS REIS
HERVAL MIGUEL
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CAC BAR E RESTAURANTE LTDA
CARLOS AUGUSTO CARVALHO
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