dANEXO AO DECRETO MUNICIPAL No XXX/2020
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA
SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE
INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE CURITIBA
PLANO MUNICIPAL DE MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS
CLIMÁTICAS
PlanClima
Município de Curitiba
DEZEMBRO 2020
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA
SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE
INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE CURITIBA
PLANO MUNICIPAL DE MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO ÀS
MUDANÇAS CLIMÁTICAS | PlanClima
Dezembro - 2020
REALIZAÇÃO
Prefeito | Rafael Greca
Secretária Municipal de Meio Ambiente | Marilza Dias
Presidente Interino do Instituto de Pesquisa
e Planejamento Urbano de Curitiba | Luiz Fernando de Souza Jamur
COORDENAÇÃO
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA
Josiana Saquelli Koch | Secretaria Municipal do Meio Ambiente
Gisele Medeiros | Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba
ASSISTÊNCIA TÉCNICA
C40 CITIES CLIMATE LEADERSHIP GROUP
Felipe Ehmke | Assessor de Cidade
EQUIPE TÉCNICA
GRUPO DE TRABALHO PARA ELABORAÇÃO DO PLANO:
SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE | SMMA
SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO, FINANÇAS E ORÇAMENTO | SMF
SECRETARIA MUNICIPAL DE OBRAS PÚBLICAS | SMOP
SECRETARIA MUNICIPAL DA DEFESA SOCIAL E TRÂNSITO | SMDT
SECRETARIA MUNICIPAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR ENUTRICIONAL | SMSAN
PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO | PGM
INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE CURITIBA | IPPUC
AGÊNCIA CURITIBA DE DESENVOLVIMENTO S.A. |AGÊNCIA CURITIBA S.A.
ASSESSORIA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS | ARIN
URBANIZAÇÃO DE CURITIBA S.A. | URBS S.A.
COMPANHIA PARANAENSE DE ENERGIA | COPEL
COMPANHIA DE SANEAMENTO DO PARANÁ | SANEPAR
Adilson Marin Lopes | SMMA
Adriana Garcia Matias | IPPUC
Alessandra Maria de Albuquerque Reis | AGÊNCIA CURITIBA S.A.
Ana Cristina Wollmann Zornig Jayme | IPPUC
Alyson Prado Wolf | URBS S.A.
Chris de Almeida Guimarães da Costa | PGM
Cintia Estefania Fernandes | PGM
Dâmaris da Silva Seraphim | SMMA
Eliane de Fatima Elias | SMF
Evelin da Silva Prates | SMSAN
Felipe Thiago de Jesus | SMSAN
Gisele Rosário Medeiros | IPPUC
Giovani Marcel Teixeira | COPEL
Guilherme Antonio Franco Zuchetti | ARIN
Ismael Bagatin França | URBS S.A.
Josiana Saquelli Koch | SMMA
Karin Nohara Carstens Gomes | IPPUC
Leny Mary Goes Toniolo | SMMA
Luana Sloboda | IPPUC
Luis Alberto Lopez Miguez | SMMA
Marina Teixeira | SMSAN
Nátalie Henke Gruber Marochi | SMMA
Nelson de Lima Ribeiro | SMDT
Roberta Miguel Kiska Filippini | SANEPAR
Rosane Amélia Santos Popp | IPPUC
Sérgio Rui Matheus Rizzardo | IPPUC
Silvia Maria Bramucci da Rocha | SMSAN
Teresa Cristina Ritzmann Torres | IPPUC
Viviane Bauer dos Santos | SMOP
COLABORADORES
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA:
Alexandre Schlegel | IPPUC
Bruna Griguol | IPPUC
Cléver Ubiratan Teixeira de Almeida | IPPUC
Cristina Carazzai | UTAG
Denise Mitiko Murata | SMMA
Edival Vilar de Araujo Junior | IPPUC
Érika Haruno Hayashida | IPPUC
Evandro Razotto |SMMA
Flávia Veronesi Deboni | SMMA
Ivelyse Rocha de França | IPPUC
João Batista dos Santos | SMDT
Kelly Vasco | IPPUC
Lisiane Soldateli Vidotto | IPPUC
Louise Filus Vicente I CONRESOL
Maykel Fogaça de Oliveira | IPPUC
Márcia Carvilhe | IPPUC
Márcia Krama | IPPUC
MárcioTeixeira | IPPUC
Maria Cristina Trovão Santana | IPPUC
Maria Inês Cavichiolli | IPPUC
Mariana Delattre Wollmann | IPPUC
Marília Tavares | IPPUC
Marlise Eggers Jorge | IPPUC
Mônica Máximo da Silva | IPPUC
Oscar Schmeiske | IPPUC
Olga Mara Prestes | IPPUC
Rodrigo Alípio | SMDT
Rosamaria Milleo Costa I CONRESOL
Thays Padilha | SMSAN
FÓRUM CURITIBA SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS:
Ibson Gabriel Martins de Campos | SMMA
Juliana Baladelli Ribeiro | Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
Juliane Freitas | Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
Nicholas Kaminski | Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação
Ambiental - SPVS
Pedro Augusto Breda Fontão | Universidade Federal do Paraná - UFPR
Rafael Meirelles Sezerban | Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação
Ambiental - SPVS
Tamara Simone Van Kaick | Universidade Tecnológica do Paraná - UTFPR
Tatiana Gadda | Universidade Tecnológica do Paraná - UTFPR
Wilson Flávio Feltrim Roseghini | Universidade Federal do Paraná - UFPR
GLOBAL SHAPERS:
Thaynara Furtado | Curitiba Hub
SUPORTE TÉCNICO CONSULTORES
iCare & Consult
ICLEI
WayCarbon
PROJETO GRÁFICO, ARTE E DIAGRAMAÇÃO
INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE CURITIBA
Cesar Cubas
Guilherme Zamoner
Maurício Arenhart
SISTEMATIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES
Giulia de Miranda de Amorim Maia | Assessoria de Relatoria
AGRADECIMENTOS
Alexandre Matschinske | IMAP Argemiro Teixeira | iCare&Consult Barbara Porto |
WayCarbon Bruna Dias | WayCarbon Charlotte Breen | C40 Danilo Vassari |
WayCarbon Fernanda Barbosa | C40 Igor Albuquerque | ICLEI Ilan Cuperstein| C40
Iris Coluna | ICLEI Jennifer Van Dijk Castañeda | C40 Larissa Lima | ICLEI Letícia
Gavioli | WayCarbon Maria Luiza Arazaki | IPPUC Matheus Fernandes | WayCarbon
Melina Amoni | WayCarbon Omar Saracho | C40 Pedro Ribeiro | C40 Rodolpho Zanin
Feijó | ARIN Chantal Oudkerk Pool | C40 Sarah Irffi | WayCarbon Simone Cristina
Lubel | IMAP Tanya Muller Garcia | C40 Tiago Cisalpino | WayCarbon Victor
Gonçalves | iCare&Consult
MENSAGEM DO PREFEITO
Diante dos desafios que estes tempos de mudanças climáticas têm nos colocado, ousamos
dizer que não tememos o futuro e este Primeiro Plano Municipal de Adaptação e Mitigação
às Mudanças Climáticas, fruto da adesão de Curitiba à Meta 2020 do Grupo C40 de Grandes
Cidades para Liderança do Clima, é um exemplo.
Ao integrar uma agenda de governo comprometida com a resiliência da cidade, este plano é
parte de um processo que já vem sendo desenvolvido, posto que reafirma a nossa
responsabilidade com a comunidade curitibana em promover as medidas estratégicas
necessárias em nível local, contribuindo em escala global.
Ao mesmo tempo em que concentram a maior quantidade de emissões de gases de efeito
estufa, consumo de energia e produção de resíduos, sentindo os efeitos das mudanças
climáticas, as cidades são também as protagonistas do processo de mudança. É aqui que
geramos conhecimento, implementamos as ações e determinamos a pauta de novos
comportamentos capazes de reduzir as vulnerabilidades e nos tornar mais solidários.
O nosso pacto de conciliação entre o saber ancestral, que reconhece a natureza como fonte
de conhecimento e as oportunidades que a tecnologia contemporânea pode nos oferecer se
traduz nas 20 ações prioritárias definidas neste Plano, como a regulamentação para
edificações adaptadas às ameaças climáticas e o incentivo à eficiência energética e ao uso
de energia de fontes renováveis.
Estas energias sustentáveis também vão alimentar o setor de transporte, o principal
contribuinte da emissão dos Gases de Efeito Estufa. É premente a necessidade de transição
no modelo energético adotado atualmente. Para tanto, as ações do Plano enfatizam a
emergência da descarbonização na mobilidade da cidade. E aqui ratificamos a nossa vontade
política como indutora e facilitadora deste processo de adoção de novas dinâmicas capazes
de reduzir estes impactos ambientais.
É necessário reconhecer as possibilidades em cada canto da cidade, mesmo em áreas
consolidadas, como os parques, ampliando as áreas verdes para aumentar a fixação de
carbono e a adaptação baseada em ecossistemas.
Mas, é preciso ir além dos limites da cidade. As propostas deste Plano vão nos permitir, em
curto, médio e longo prazo, aprimorar e expandir as políticas até então adotadas, como a
Segurança Alimentar e Segurança Hídrica, com visão ampliada de Curitiba e Região
Metropolitana. Certamente as nossas iniciativas serão mais assertivas quanto mais
informações climáticas, como previsto no Plano, forem agregadas para monitorar e avaliar os
resultados.
Neste contexto de ações voltadas à sustentabilidade, o PlanClima traduz o nosso empenho
em consolidar uma política climática, ao sistematizar as ações necessárias alinhadas com os
objetivos e metas nacionais e internacionais, implementando ações transformadoras e
inclusivas para entregar uma cidade neutra em emissões e resiliente ao clima até 2050,
consistente com os objetivos do Acordo de Paris e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento
Sustentável.
Mas esta transformação requer uma ação coletiva. E seremos bem-sucedidos quando as
medidas elencadas neste Plano passarem a fazer parte da agenda de todos os cidadãos que
acreditam no potencial humano de se reinventar face às adversidades. Porque se há uma
energia que suplanta todas as alternativas que possamos adotar é a energia do povo
curitibano.
Rafael Greca de Macedo
MENSAGEM DA SECRETÁRIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE E DO
PRESIDENTE DO INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO DE
CURITIBA
O processo de urbanização produz alterações no meio ambiente resultando em maior
exposição da sociedade aos riscos e vulnerabilidades ambientais e socioeconômicas
decorrentes da mudança do clima. Os seus efeitos têm se demonstrado na qualidade das
águas, do ar, na ocorrência de enchentes, alagamentos e ondas de calor, impactando na
qualidade de vida das populações.
Curitiba vem aprimorando seu planejamento urbano e fortalecendo sua política ambiental a
partir da década de 1960, quando passou a adotar uma abordagem que integra os conceitos
de conservação ambiental e de desenvolvimento urbano, o que tem permitido responder de
forma mais efetiva aos efeitos das mudanças climáticas.
Contudo, é necessário aumentar o seu protagonismo no contexto do esforço global para
enfrentar as mudanças climáticas integrando no planejamento municipal ações
transformadoras que garantam a descarbonização, a adaptação e o aumento da resiliência
dos sistemas urbanos, ambientais, econômicos e sociais da cidade.
A consecução dos objetivos e metas do PlanClima dependem do planejamento municipal
voltado à ação climática, mas somente alcançaremos os resultados esperados com a
participação e engajamento de todos os setores da sociedade, assegurando que as próximas
gerações tenham condições adequadas de vida a longo prazo.
Marilza do Carmo Oliveira Dias
Luiz Fernando de Souza Jamur
APRESENTAÇÃO
O presente documento apresenta o Plano Municipal de
Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas de Curitiba
(PlanClima), que tem como objetivo orientar a ação
municipal, os setores produtivos e a sociedade para o
enfrentamento dos efeitos que poderão advir da alteração
climática. O PlanClima alinha-se à Agenda 2030 da
Organização das Nações Unidas (ONU), por meio dos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); ao Quadro
de Planejamento da Ação Climática da Rede C40 de
Cidades; e à meta estabelecida no Acordo de Paris de conter
o aumento da temperatura média global no limite dos 2°C, em
comparação aos níveis pré-industriais, mas envidando
esforços para que o aquecimento estabilize-se em torno de
1,5°C. Para isso, será necessário alcançar a neutralidade das
emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2050 e tornar
a cidade mais resiliente.
SUMÁRIO
1 | MUDANÇA DO CLIMA E O PLANO MUNICIPAL DE MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO ÀS
MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA ........................................................................ 15
2 | PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANO ............................................................... 19
2.1 | ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PARA ELABORAÇÃO DO PLANCLIMA ........... 21
3 | CARACTERIZAÇÃO DE CURITIBA E REGIÃO ........................................................... 24
4 | CURITIBA E O PLANEJAMENTO URBANO ................................................................ 27
4.1 | PROCESSO DE PLANEJAMENTO URBANO ......................................................... 27
4.2 | SISTEMA DE PLANEJAMENTO MUNICIPAL ......................................................... 31
5 | TRAJETÓRIA DE AÇÕES DE CURITIBA NO ENFRENTAMENTO DAS MUDANÇAS
CLIMÁTICAS ...................................................................................................................... 33
6 | ELEMENTOS DO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANCLIMA ......................... 39
6.1 | INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA ............................ 40
6.1.1 | Perfil das emissões de GEE em Curitiba ....................................................... 41
6.2 INVENTÁRIO DE ESTOQUES DE CARBONO DAS ÁREAS NATURAIS E ÁREAS
VERDES (INVENTÁRIO DE SUMIDOUROS) ................................................................. 46
6.2.1 | Avaliação e Quantificação do Potencial de Absorção de Carbono por
Florestas Nativas em Curitiba ................................................................................... 46
6.3 | CENÁRIOS DE REDUÇÃO DE EMISSÕES DE GEE.............................................. 48
6.3.1 Trajetórias de emissões futuras de GEE e Emissões Residuais em Curitiba
.................................................................................................................................... 49
6.3.2 Premissas de implementação de estratégias, medidas e ações de mitigação
.................................................................................................................................... 55
Setor Energia ............................................................................................................. 56
Setor Transporte ........................................................................................................ 58
Setor Resíduos........................................................................................................... 60
6.4 | AVALIAÇÃO DE DEMANDAS PARA A AÇÃO CLIMÁTICA INCLUSIVA ................. 61
6.5 | AVALIAÇÃO DE RISCOS CLIMÁTICOS ................................................................. 65
6.6 ENGAJAMENTO, PARTICIPAÇÃO E COLABORAÇÃO ........................................... 71
7 | SETORES ESTRATÉGICOS ......................................................................................... 74
7.1 | SETOR ESTRATÉGICO QUALIDADE AMBIENTAL E URBANA ............................ 76
7.2 | SETOR ESTRATÉGICO EFICIÊNCIA ENERGÉTICA ............................................. 78
7.3 | SETOR ESTRATÉGICO RESÍDUOS SÓLIDOS E EFLUENTES ............................. 80
7.4 | SETOR ESTRATÉGICO MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL ......................... 81
7.5 | SETOR ESTRATÉGICO HIPERVISOR URBANO E INOVAÇÃO ............................ 83
8 | VISÃO E METAS 2050................................................................................................... 85
9 | AÇÕES PRIORIZADAS NO PLANCLIMA ..................................................................... 88
10 | GOVERNANÇA DO PLANCLIMA ............................................................................... 96
10.1 | ESTRUTURA DE GOVERNANÇA NO ÂMBITO DO PODER PÚBLICO MUNICIPAL
........................................................................................................................................ 98
10.2 | GOVERNANÇA COM A SOCIEDADE ................................................................... 98
10.3 | INFORMAÇÃO, EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÃO ..................... 99
11 | MONITORAMENTO, AVALIAÇÃO, REPORTE E REVISÃO..................................... 101
12 | PRAZOS, CUSTOS E FINANCIAMENTO CLIMÁTICO ............................................. 103
13 | CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 104
14 | GLOSSÁRIO ............................................................................................................. 110
15 | REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 116
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Objetivos do Acordo de Paris e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) ................................................................................................................................. 17
Figura 2: Principais etapas do processo de Planejamento de Ação Climática ..................... 20
Figura 3: Organograma da estrutura de governança sobre a qual foi elaborado o PlanClima
........................................................................................................................................... 22
Figura 4: Localização de Curitiba e da Região Metropolitana de Curitiba............................ 25
Figura 5: Esquema com proceso de aperfeiçoamento conforme Plano Diretor. .................. 27
Figura 6: Ambiente dos compromissos e interações com o Sistema de Planejamento
Municipal............................................................................................................................. 29
Figura 7: Estruturação Urbana – Visão Futura do Plano Diretor de 2015 ............................ 31
Figura 8: Esquema do Sistema de Planejamento Municipal do Plano Diretor de 2015........ 32
Figura 9: Ações relacionadas ao enfrentamento à mudança climática adotadas pelo
município ............................................................................................................................ 38
Figura 10: Componentes-chave do Quadro de Planejamento de Ação Climática................ 39
Figura 11: Estudos e documentos que antecederam a elaboração do PlanClima ............... 40
Figura 12: Aspectos vinculados as emissões de gases de efeito estufa ............................. 41
Figura 13: Perfil de Emissões de GEE do 1o, 2o e 3o Inventários de GEE de Curitiba ......... 42
Figura 14: Porcentagem das emissões de GEE por Setor para o ano de 2016 ................... 43
Figura 15: Distribuição das emissões de GEE em Curitiba separada por Escopos ............. 44
Figura 16: Distribuição das emissões de GEE em Curitiba por Subsetores (em tCO2e) ..... 45
Figura 17: Ações vinculadas ao planejamento da ação climática ........................................ 46
Figura 18: Aspectos contemplados na construção de cenários de emissões ...................... 48
Figura 19: Trajetória das emissões de GEE de Curitiba para os CenáriosTendencial,
Planejado, Ambicioso e Estendido ...................................................................................... 51
Figura 20: Perfil das emissões residuais de Curitiba para o ano de 2050 ........................... 54
Figura 21: Distribuição da matriz energética modelada para o Cenário Estendido de redução
de emissões........................................................................................................................ 56
Figura 22: Perfil de deslocamento considerado para o ano-base de 2016 e os anos de 2030
e 2050 simulado para o Cenário Estendido......................................................................... 58
Figura 23: Mudança no combustível e tecnologia dos veículos de passageiros para o ano-
base de 2016 e os anos de 2030 e 2050 simulado para o Cenário Estendido. ................... 60
Figura 24: Aspectos contemplados para avaliação de demandas ....................................... 62
Figura 25: Ações decorrentes da avaliação de riscos climáticos. ........................................ 65
Figura 26: Representação do Risco a partir das variáveis de Vulnerabilidade, Ameaça e
Exposição ........................................................................................................................... 68
Figura 27: Mapas de Risco de Inundação e de Alagamento em Curitiba em 2050.............. 69
Figura 28: Mapas de Risco às Ondas de Calor e de Deslizamento em Curitiba em 2050 ... 70
Figura 29: Ações decorrentes do envolvimento da sociedade............................................. 71
Figura 30: Setores Estratégicos do PlanClima .................................................................... 75
Figura 31: Esquema dos Setores Estratégicos, Temas e Ações Prioritárias ....................... 75
Figura 32: Visão geral do processo de priorização de ações .............................................. 88
Figura 33 : Modelo de Governança PlanClima .................................................................... 99
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Indicadores Socioeconômicos ............................................................................ 26
Quadro 2: Indicadores de Intensidade ................................................................................ 44
Quadro 3: Identificação e definição de barreiras para a redução de emissões .................... 53
Quadro 4: Principais premissas adotadas para modelagem dos Cenários .......................... 55
Quadro 5: Ações Priorizadas do PlanClima ........................................................................ 94
LISTA DE ABREVIATURAS
AbE - Adaptação baseada em Ecossistemas
ABRAPCH - Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas
AFD - Agência Francesa de Desenvolvimento
AR – Assessment Report
ASAP – Action Selection and Prioritisation
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica
APA - Área de Proteção Ambiental
APP - Área de Preservação Permanente
BAU - Business as Usual
BCBU - Bosque de Conservação da Biodiversidade Urbana
CGH - Central Geradora Hidrelétrica
CONCITIBA - Conselho da Cidade de Curitiba
CONRESOL - Consórcio Intermunicipal para Gestão Integrada de Resíduos Sólidos
Urbanos
GEE - Gases de Efeito Estufa
GPC - Global Protocol for Community-Scale
GWP - Global Warming Potential
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change
ICLEI - Local Governments for Sustainability
NUC - Núcleo Urbano Central
ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
ONU - Organização das Nações Unidas
PIB - Produto Interno Bruto
PMCADS - Plano Municipal de Controle Ambiental e Desenvolvimento Sustentável
POD - Pesquisa Origem-Destino
RIT - Rede Integrada de Transporte
RNPPNM - Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal
SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental
UNEP - United Nations Environment Programme
UNFCCC - United Nations Framework Convention on Climate Change
WRI - World Resources Institute
1 | MUDANÇA DO CLIMA E O PLANO MUNICIPAL DE MITIGAÇÃO E
ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA
Em outubro de 2018, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC
– Intergovernmental Panel on Climate Change), uma iniciativa da Organização das
Nações Unidas (ONU) que reúne cientistas de todo o mundo para avaliar pesquisas
relacionadas ao clima no planeta, publicou um relatório especial constatando que a
meta do Acordo de Paris ratificado 20161, limitando em 2°C o aquecimento global
neste século, é insuficiente para garantir sociedades sustentáveis e equitativas.
Segundo os cientistas, o aumento da temperatura média do planeta não deve
ultrapassar 1,5°C, em relação à época pré-industrial. O documento alertou também
que as iniciativas voluntárias em curso são incapazes de conter o aquecimento dentro
desse limite. Ou seja, para o aumento da temperatura permanecer nesse patamar, os
cientistas dizem ser necessário um comprometimento sem precedentes de todas as
nações, além de uma mudança rápida nos sistemas de produção e de consumo.2
A década encerrada em 2019 registrou um calor global excepcional. As temperaturas
médias para os períodos de cinco anos (2015-2019) e de dez anos (2010-2019) são
as mais altas já computadas. As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na
atmosfera atingiram um nível recorde de 407,8 partes por milhão em 2018 e
continuaram a subir em 2019. O CO2 dura na atmosfera por séculos e nos oceanos
por mais tempo, aumentando assim o aquecimento global e provocando mudanças
climáticas3.
Os padrões de urbanização e o estilo de vida urbano aparecem como elementos
centrais da mudança climática por suas relações diretas com as emissões de gases
de efeito estufa (GEE): são como “motores” do desenvolvimento econômico em razão
das altas demandas por produtos industrializados, alimentos e infraestrutura4.
1
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2
[Link]
3
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and-high-impact-weather
4
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15
Essas mesmas áreas urbanas que aceleram as emissões podem ser gravemente
afetadas pelos impactos da mudança do clima, especialmente os efeitos do aumento
da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos. O processo de
urbanização por si só produz alterações no meio ambiente que tendem a acentuar
esses impactos. Ondas de frio e de calor, alteração na intensidade e no regime de
chuvas, ventos fortes e granizo costumam trazer consequências como alagamentos,
enchentes, inundações, deslizamentos, períodos de estiagem, desconforto térmico,
queda de árvores, dentre inúmeros outros eventos.
De forma isolada ou em conjunto, esses efeitos podem afetar o bem-estar, aumentar
a procura pelo sistema de saúde, provocar perdas humanas, materiais e econômicas,
além de pôr em risco a segurança hídrica e alimentar. Os impactos são ainda mais
severos para as populações menos favorecidas, com maior exposição aos riscos e
maiores vulnerabilidades ambientais e socioeconômicas. Além disso, há riscos
também à biodiversidade dos ecossistemas.
Em Curitiba não é diferente. A temperatura da cidade já está, em média, 1,2 ºC mais
alta do que seis décadas atrás. Observa-se alteração no regime de chuvas, sendo
mais comum a ocorrência de temporais fortes e intensos, bem como períodos de
estiagem. Em ambos os casos a população é impactada, ora por transtornos
decorrentes de enchentes e alagamentos, ora por escassez de água ou desconforto
térmico.
Os desafios impostos pelas mudanças climáticas requerem investimentos e
demandam novas formas de planejamento e atuação. Contudo, oferecem também
oportunidades que, se planejadas e implementadas de forma fundamentada,
consistente, articulada e participativa, resultarão em benefícios para todos. A
intensificação dos eventos climáticos apresenta-se como um novo desafio à gestão
urbana, que deve identificar, desenvolver e a implementar respostas efetivas para
aprimorar a capacidade de mitigação e de adaptação das cidades e reduzir riscos e
vulnerabilidades ambientais e socioeconômicas relacionados ao tema.
16
As cidades são, portanto, protagonistas nas respostas locais à crise climática. Fica
evidente a necessidade de alinhar e coordenar os esforços das cidades com as
demais esferas de governo, setor privado e sociedade no enfrentamento desse
desafio.
Na medida em que o tema ganha relevância no mundo, Curitiba busca também evoluir
em suas ações de enfrentamento dos desafios, razão pela qual lança este Plano
Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas (PlanClima). Alinhada
ao Acordo de Paris, a finalidade da iniciativa é somar esforços para conter o aumento
das temperaturas médias e melhorar a capacidade de adaptação da cidade.
Curitiba incorporou em 2017 as estratégias da Agenda 2030 da ONU e seus Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e também aderiu ao Pacto Global, iniciativa
das Nações Unidas para fomentar o engajamento das empresas em políticas de
responsabilidade social e sustentabilidade. Assim, as ações do PlanClima, além de
atenderem diretamente ao ODS 13 - Ação Contra a Mudança Global do Clima,
também apresentam forte interação com os demais objetivos, contribuindo para o
alcance das 169 metas propostas. O compromisso da cidade com esses acordos
internacionais é fundamental para o estabelecimento de uma política municipal de
sustentabilidade de longo prazo e o PlanClima o reafirma. A Figura 1 resume os
objetivos do Acordo de Paris e dos ODS.
Figura 1: Objetivos do Acordo de Paris e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
17
O PlanClima busca promover estratégias, articulação e integração de ações
multissetoriais e transversais, almejando reduzir as emissões de GEE (mitigação) e
aumentar a capacidade de adaptação da cidade aos riscos climáticos, tornando-a
mais resiliente. Traz também um foco de atenção para os grupos mais vulneráveis
aos riscos climáticos, visando a sua inclusão nesse planejamento, e propõe uma
estrutura de governança que promova o envolvimento e a participação do poder
público, dos setores produtivos e da sociedade.
18
2 | PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANO
Em maio de 2018, foi assinada a Carta de Compromisso da Cidade de Curitiba com
o relatório Deadline 2020 – Meta 20205 do Grupo C40 de Grandes Cidades para
Liderança do Clima, referente ao Planejamento de Ação Climática (PAC), para dar
suporte à elaboração do PlanClima.
Ao assumir esse compromisso, a cidade teve acesso ao Quadro de Planejamento de
Ação Climática, que contém os componentes essenciais para a elaboração de um
plano de ação climática consistente com os objetivos do Acordo de Paris, além de um
conjunto de recursos incluindo orientação técnica, capacitação, ferramentas e
compartilhamento de conhecimento por meio de um extensivo Programa de
Assistência Técnica.
A partir do compromisso assumido pela cidade com a Meta 2020, deu-se início ao
processo de elaboração do PlanClima, que incluiu as seguintes providências:
desenvolvimento da base técnica e de documentos de referência; definição de
estratégias; priorização de ações com a participação de diversos atores; e elaboração
de minuta preliminar. A minuta do Plano e os documentos de referência foram
submetidos à revisão da Rede C40, para verificação do atendimento aos critérios
essenciais do Quadro de Planejamento de Ação Climática. A complementação das
recomendações apontadas na carta de aprovação será incorporada em 2021. A
Figura 2 apresenta as principais etapas de elaboração do PlanClima.
5
O relatório “Deadline 2020”, publicado pelo C40 e Arup no mesmo ano, mostra que o mundo está se
aproximando rapidamente do limite admissível de emissões de carbono (conhecido como “orçamento
de carbono”) para que o aumento da temperatura global seja mantido dentro do limite de 1,5 graus
Celsius. Setenta por cento das cidades da C40 já estão experimentando os efeitos da mudança
climática. Eventos como seca, inundações, tempestades, insegurança alimentar, migração climática e
difusão de doenças contagiosas têm registrado projeção de aumento em frequência e severidade no
correr dos anos.
19
Figura 2: Principais etapas do processo de Planejamento de Ação Climática
O Quadro de Planejamento de Ação Climática determina também que o processo de
elaboração do Plano envolva a comunidade, avaliando os benefícios sociais,
econômicos e ambientais esperados e promovendo a distribuição equitativa desses
benefícios - com atenção especial para a população mais vulnerável ao risco
climático. Ou seja, é critério essencial a consulta aos principais atores e partes
interessadas (agentes do governo, empresários e sociedade civil), sobretudo as
comunidades diretamente afetadas pela mudança climática.
O PlanClima foi elaborado por servidores da Prefeitura Municipal de Curitiba, com a
participação de representantes da Copel, da Sanepar e a colaboração da sociedade
civil, por meio de representantes do Fórum Curitiba sobre Mudanças Climáticas e do
Global Shapers. Além disso, contou com o apoio técnico do assessor de cidade do
Grupo C40, responsável por gerenciar a contratação de consultorias para a produção
de alguns dos documentos de referência e pelo suporte no engajamento de atores.
Durante o processo de elaboração do Plano, observou-se os princípios da construção
de uma gestão democrática e participativa - o PlanClima foi apresentado e debatido
no Conselho da Cidade de Curitiba – CONCITIBA, no Conselho Municipal do Meio
Ambiente – CMMA e no Fórum Curitiba sobre Mudanças Climáticas, sendo a sua
minuta encaminhada aos Conselheiros e Membros para o envio de contribuições.
Após esse processo, o PlanClima tornou-se apto para aprovação, tendo início a sua
implementação.
20
2.1 | ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PARA ELABORAÇÃO DO PLANCLIMA
Em setembro de 2018, após a adesão da cidade à Meta 2020, foi criado o Grupo de
Trabalho - GT Clima para a elaboração do PlanClima. A instituição do GT Clima se
deu por meio de um decreto municipal que o caracterizou como uma instância
colegiada, coordenada conjuntamente pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e
pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba.
A estrutura de composição do GT Clima retrata a interdisciplinaridade nas questões
climáticas: congrega representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente;
Planejamento, Finanças e Orçamento; Obras Públicas; Defesa Social e Trânsito; e
Segurança Alimentar e Nutricional; além do Instituto de Pesquisa e Planejamento
Urbano de Curitiba; da Urbanização de Curitiba S.A.; da Agência Curitiba de
Desenvolvimento S.A.; da Procuradoria Geral; da Assessoria de Relações
Internacionais; da COPEL; e da SANEPAR.
A atuação de instâncias colegiadas, como o CONCITIBA, o Conselho Municipal do
Meio Ambiente, o Comitê Gestor de Cidades Resilientes e o Fórum Curitiba sobre
Mudanças Climáticas, apreciando e referendando o PlanClima, é essencial para o
envolvimento dos diversos atores. Por exemplo, na apropriação do assunto por
servidores e funcionários de instituições relacionadas e no alinhamento das ações
transversais com a sociedade.
A Figura 3 apresenta um organograma da estrutura de governança sobre a qual foi
elaborado o PlanClima.
21
Figura 3: Organograma da estrutura de governança sobre a qual foi elaborado o PlanClima.
As etapas iniciais de Diagnóstico Técnico e Identificação de Estratégias foram
elaboradas pelo GT Clima e por consultores, no âmbito do Programa de Assistência
Técnica do Grupo C40. O GT Clima realizou reuniões mensais durante o ano de 2019
e reuniões quinzenais até maio de 2020.
Foram realizados também treinamentos específicos, um deles, em 2018, em Quito
(Equador), onde ocorreu a 1a Academia Regional de Planejamento de Ação Climática
das cidades C40 da América Latina. Participaram do treinamento um técnico da
cidade de Curitiba e um assessor da cidade do Grupo C40.
Em 2019, foi realizada a capacitação de técnicos da Prefeitura que possibilitou a
elaboração do Inventário de Emissões de GEE Ano-base 2016 de Curitiba, com o
suporte técnico da assessoria da cidade no Grupo C40.
Outro evento importante, desta vez voltado à capacitação em adaptação, foi
promovido em 2019 pela Academia de Adaptação, em Rotterdam, na Holanda.
Participaram dele, sete servidores da Prefeitura Municipal, bem como o assessor
técnico do Grupo C40. Ainda em 2019, duas representantes da Prefeitura estiveram
no C40 World Mayors Summit, encontro mundial ocorrido em Copenhague, na
Dinamarca, onde prefeitos, representantes de empresas e lideranças da sociedade
apresentaram ações e soluções climáticas fortemente comprometidas com o
22
desenvolvimento de baixo carbono para a construção de cidades mais resilientes e
inclusivas.
Em fevereiro de 2020, antes de a pandemia de Covid-19 se alastrar no Brasil, a cidade
de Salvador sediou a 2a Academia Regional de Planejamento de Ação Climática das
Cidades C40 da América Latina. Os objetivos do evento foram apoiar a construção
do Plano de Ação Climática e gerar capacidades, apresentar metodologias e
promover intercâmbio de experiências sobre o planejamento de ação climática.
Participaram do encontro representantes de Curitiba, Buenos Aires, Guadalajara,
Lima, Medellín, Cidade do México, Quito, Rio de Janeiro, São Paulo e Santiago.
Além dos membros do GT Clima, um grupo maior de colaboradores da Prefeitura
participou da etapa de priorização de ações, como os integrantes do Fórum Curitiba
sobre Mudanças Climáticas e os do Global Shapers. Foi uma construção coletiva,
com apresentação e discussão de resultados que permitiram uma análise
transparente e objetiva das ações que a cidade desejou priorizar em seu plano de
ação climática. O processo foi desenvolvido sob a orientação de consultoria técnica
do Programa de Assistência Técnica do Grupo C40. Essa etapa durou
aproximadamente quatro meses, com a realização de reuniões semanais. Em razão
da pandemia, todas as reuniões ocorreram de forma virtual, respeitando as medidas
de prevenção à disseminação do coronavírus.
A metodologia utilizada para a priorização de ações levou em consideração, além dos
benefícios primários de mitigação e adaptação, os cobenefícios em outras áreas
setoriais, os critérios de financiamento e a governabilidade.
A finalização do processo de priorização de ações possibilitou a elaboração da minuta
do PlanClima, que foi submetida à avaliação do Grupo C40 e à apreciação do
CONCITIBA6, completando assim, a última etapa necessária a tornar o Plano, apto à
sua formalização por parte da PMC.
6O CONCITIBA, no contexto da gestão democrática da cidade, é o órgão colegiado municipal de
política urbana, que tem por atribuição atuar na formulação, elaboração e acompanhamento da Política
Urbana Municipal, segundo diretrizes do Estatuto da Cidade e do Plano Diretor.
23
3 | CARACTERIZAÇÃO DE CURITIBA E REGIÃO
Curitiba, capital do Estado do Paraná, situa-se no primeiro planalto paranaense, a
aproximadamente 935 metros de altitude em relação ao nível do oceano, ocupando
uma superfície de 435,06 km² (IBGE, 2017) urbanizada, com 635.631 domicílios
ocupados (IBGE, 2017) e densidade demográfica de 4.027,04 hab/km² (IBGE, 2017).
Sua população estimada é de 1.917.185 habitantes (IBGE; IPPUC, 2018), distribuídos
em 75 bairros. É a cidade polo do conjunto de 29 municípios que formam a Região
Metropolitana de Curitiba (RMC) em uma área de 15.622,34 km2e população de
3.615.027 habitantes (IBGE; IPPUC, 2018).
Com clima temperado, o município está localizado no bioma Mata Atlântica e conta
com 58 m² de maciços florestais por habitante (CURITIBA, 2019), número quase
quatro vezes superior aos15 m²/habitante preconizados pela Sociedade Brasileira de
Arborização Urbana (SBAU,1996). Esse índice de arborização por habitantes de
Curitiba é reflexo das 1.217 Unidades de Conservação Municipais (SMMA, 2020),
distribuídas em 27 parques, 16 bosques, 1 jardim botânico, 8 Bosques de
Conservação da Biodiversidade Urbana (BCBU), 33 Reservas Particulares do
Patrimônio Natural Municipal (RPPNM), 1.127 praças, jardinetes / eixos, largos e
jardins ambientais, 2 Áreas de Proteção Ambiental (APA), 1 Refúgio de Vida Silvestre
e 2 Estações Ecológicas.
O processo de urbanização de Curitiba foi reflexo da situação socioeconômica, com
as migrações de caráter rural-urbano do Paraná sendo absorvidas pelas regiões norte
e oeste de Curitiba. A cidade teve seu crescimento direcionado segundo parâmetros
urbanísticos específicos, estabelecidos a partir do Plano Diretor de 1966, que
contemplou a promoção social, a habitação, o trabalho, o transporte, a circulação e o
meio ambiente. O Plano estabeleceu o descongestionamento do centro, com a
valorização do setor histórico, a priorização do pedestre e do transporte público, além
de definir a distribuição dos equipamentos de educação, saúde, recreação e lazer
para toda a cidade e propiciar suporte econômico para o desenvolvimento do
município, a partir da implantação da Cidade Industrial de Curitiba – CIC. A Figura 4
apresenta a localização de Curitiba.
24
Figura 4: Localização de Curitiba e da Região Metropolitana de Curitiba
O Estado do Paraná e especificamente a cidade de Curitiba há décadas estão entre
as regiões mais desenvolvidas do Brasil, segundo indicadores de qualidade de vida e
de desenvolvimento econômico. Ocupa o 4o lugar entre as capitais brasileiras com
melhores índices de desenvolvimento humano (IDH-M - 2010 - 0,823) e o 5o com
maior renda per capita do planalto paranaense.
O PIB em elevação com políticas para plantas de baixo impacto ambiental, tendo sua
terça parte representada pelo setor secundário e o restante por uma sofisticada oferta
de comércio e serviços, em que se destacam serviços de ponta nos ramos
institucionais, culturais, de educação e de saúde.
A cidade de Curitiba expande esta dinâmica aos municípios vizinhos, especialmente
nos bairros limítrofes. O perfil das atividades econômicas do Município de Curitiba
indica que 12,10% das atividades são do ramo da indústria, 30,43% no ramo de
comércio e 57,15% no ramo de serviços e 0,32% no setor primário. O número de
25
estabelecimentos no município é de 155.296 mil de acordo com dados de 2018.
(FMTE/DES/CGET/RAIS). O Quadro 1 apresenta um resumo dos principais
indicadores socioeconômicos do Município.
Quadro 1: Indicadores Socioeconômicos
INDICADOR VALORES / CURITIBA FONTE
PIB R$ 84.702 bilhões IBGE/2019
GINI 0,56 IBGE/Censo Demográfico 2010
IBGE, Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) 2018 (data
População ocupada [2018] 53,7 % de referência: 31/12/2018), IBGE, Estimativa da população
2018 (data de referência: 1/7/2018)
Rendimento médio per capita Curitiba R$1.246 IBGE/Censo Demográfico 2010
Percentual da população com rendimento nominal
26,9 % IBGE/ Censo Demográfico 2010
mensal per capita de até 1/2 salário mínimo [2010]
Proporção da população extremamente pobre 0,48% IBGE/Censo Demográfico 2010
8,31 óbitos por mil nascidos vivos Mortalidade Infantil: Ministério da Saúde, Departamento de
Mortalidade Infantil [2017]
Informática do Sistema Único de Saúde - DATASUS 2017
Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade [2010] 97,6 % IBGE/ Censo Demográfico 2010
Taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais
97,90% IBGE/Censo Demográfico 2010
de idade em Curitiba era de 97,9%,
Percentual de domicílios particulares permanentes
99,08% IBGE/Censo Demográfico 2010
atendidos por rede de água
Percentual de domicílios particulares permanentes
92,30% IBGE/Censo Demográfico 2010
atendidos por rede de esgoto
26
4 | CURITIBA E O PLANEJAMENTO URBANO
4.1 | PROCESSO DE PLANEJAMENTO URBANO
Curitiba tem, historicamente, privilegiado ações de planejamento urbano que
incorporam a dimensão ambiental, principalmente por meio da observância de
critérios de conservação de recursos estratégicos, como água, solo, cobertura vegetal
e qualidade do ar. São medidas que promovem saúde e conforto ambiental para a
população.
Com relação à ocupação urbana, a atual conformação da cidade é orientada por
diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor de 1966 e seu contínuo processo de
aperfeiçoamento. O Plano teve como principal premissa mudar a tipologia de
crescimento da cidade, de radial para um modelo linear de expansão urbana,
adotando como estratégia a integração dos aspectos de uso do solo, sistema viário,
transporte público e desenvolvimento econômico, social e ambiental na definição das
políticas locais.
Figura 5: Esquema com processo de aperfeiçoamento conforme Plano Diretor
Esse modelo, caracterizado pela implantação dos Eixos Estruturais e pelo uso do
transporte público como o principal indutor do crescimento urbano, é marca da cidade
até os dias atuais. A abordagem adota parâmetros de uso e ocupação do solo que
estimulam maiores densidades e usos mistos. O resultado é uma cidade mais
compacta, que oferece à população fácil acesso a uma diversidade de atividades,
comércios, serviços e espaços públicos, favorecendo a interação social, o
desenvolvimento econômico e a mobilidade urbana.
27
Com essas diretrizes, a cidade trilhou um caminho mais sustentável. Tornou-se
pioneira no Brasil, por exemplo, na utilização da estratégia atualmente denominada
de Desenvolvimento Urbano Orientado pelo Transporte Sustentável (DOTS)7. Na
área de conservação ambiental, vem implementando uma política de proteção da
vegetação e fauna principalmente em áreas lindeiras aos rios. Com isso, protege os
mananciais e ao mesmo tempo garante a manutenção do sistema natural de
drenagem das águas pluviais para evitar as enchentes.
A política de implantação de parques a partir da década de 1970 também ajudou a
proteger os rios e a preservar os fundos de vale. Em 20 anos (entre 1972 e 1992),
multiplicaram-se por cem as áreas verdes da cidade, passando de 0,5 m2 para 50 m2
de área verde por habitante (PMC, 1992), até chegar aos atuais 58m2 de área verde
por habitante.
Esses aspectos, inicialmente entendidos como diretrizes para a proteção ambiental
no município, constituem atualmente um conjunto de ações que fortalecem a
resiliência urbana, tão importante ao enfrentamento das mudanças climáticas. Um
modelo de desenvolvimento urbano orientado pelo incentivo ao uso do transporte
coletivo e por parâmetros urbanísticos de adensamento favorece a redução das
emissões de GEE.O Plano Diretor de 1966 passou por duas revisões, uma em 2004
e outra em 2015. A revisão de 2004 se deu principalmente em razão da necessidade
de sua adequação ao Estatuto da Cidade, Lei Federal n o 10.257/2001. Nesta
adequação foram contempladas questões prioritárias como: o desenvolvimento
sustentável, o reconhecimento da função social da cidade e da propriedade urbana,
e a gestão democrática na administração da cidade. Dentro do seu escopo, o Plano
Diretor de 2004 também promoveu a integração das políticas setoriais com as
questões de desenvolvimento urbano que estruturam as diversas áreas de atuação
da gestão municipal, como mobilidade e transporte, habitação, educação, saúde e
desenvolvimento social, econômico e ambiental.
7De acordo com a WRI Brasil, “a estratégia DOTS busca aproximar áreas de moradia e oportunidades
de emprego por meio de incentivo ao uso misto do solo próximo aos corredores de transporte coletivo”
(Disponível em:
<[Link]
sustentavel-dots> Acesso em: 27/09/2020).
28
A revisão do Plano Diretor de 2015 reforçou e ampliou a continuidade do processo de
planejamento. Por exemplo, estendeu as diretrizes de desenvolvimento sustentável
de Curitiba à Região Metropolitana, alinhando-se a compromissos internacionais,
nacionais e estaduais. A Figura 6 demonstra a transversalidade dos aspectos
ambientais no processo de conformação da política urbana do município – que é,
aliás, um dos princípios orientadores do Plano Diretor de 2015.
Princípios,
Objetivos e
Diretrizes das
políticas públicas
Sistema de
Gestão e
Monitoramento
Figura 6: Ambiente dos compromissos e interações com o Sistema de Planejamento Municipal
Entre os principais conceitos da revisão do Plano Diretor, destacam-se:
- Visão de Futuro: estruturação urbana orientada pela qualificação de áreas já ocupadas e
redefinição de compartimentos urbanos, buscando o equilíbrio entre o ambiente natural e o
construído; integração entre o transporte coletivo, uso e ocupação do solo e sistema viário;
aprimoramento do sistema integrado de transporte com a criação de eixos que, em conjunto
com os existentes, propiciem novas conexões e alternativas de deslocamentos, além de definir
compartimentos urbanos; pluralidade de funções e atividades nos compartimentos urbanos; e
integração metropolitana com a definição de eixos de transporte;
- Organização do Espaço Urbano: está orientada por macrozoneamento, observado o
adensamento populacional com vistas à qualificação urbana e ambiental. São utilizados
29
instrumentos como Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios, Plano de
Desenvolvimento Regional, Redesenvolvimento Urbano, e Estudo de Impacto de Vizinhança;
- Cidade Mais Compacta: estímulo à moradia mais próxima do trabalho, do comércio, dos
serviços e do lazer, reduzindo deslocamentos indesejáveis, e propiciando o surgimento de
novas centralidades;
- Melhoria da Qualidade de Vida: propiciar uma cidade mais acessível do ponto de vista social,
econômico e ambiental;
- Preparação da Cidade para as Mudanças Climáticas: melhoria da drenagem do solo,
atenuação dos problemas ocasionados por chuvas intensas, conforto ambiental e plano de
mitigação e adaptação à mudança do clima;
- Preparação da Cidade para as Novas Tecnologias: sensoriamento eletrônico da cidade,
carro autônomo, drones (VANTS), mobilidade por aplicativos e realidade aumentada, entre
outros;
- Desenvolvimento Econômico: estímulo à economia de baixo carbono, economia do
conhecimento, economia criativa, economia verde e incentivo à geração de produtos e serviços
de alto valor agregado. Promover o desenho da cidade de forma a favorecer o
desenvolvimento econômico;
- Cidade Mais Humana e Participativa: humanização; direito dos cidadãos à paisagem e à
identidade da cidade; estímulo e favorecimento do conceito de vizinhança; gestão democrática,
entre outros;
- Multimodalidade: incentivo à multimodalidade do transporte, além da implantação de cinco
novos eixos de transporte coletivo no sentido leste-oeste, conformando uma malha e
ampliando as conexões; a política de mobilidade urbana prevê a integração dos vários modais
de transporte, o incentivo à ciclomobilidade e aos deslocamentos a pé;
- Segurança Cidadã: estímulo, por meio de construção interinstitucional, governamental e
social, de uma cultura de prevenção à violência como pressuposto para a segurança pública
em âmbito municipal; integração com organismos estaduais e federais para o enfrentamento
da criminalidade; e
- Metropolização: articulação de estratégias de desenvolvimento da cidade no contexto
regional, promovendo, no âmbito da competência municipal, a governança interfederativa
entre os municípios da Região Metropolitana de Curitiba e autorizando operações urbanas
consorciadas.
Considerando os conceitos do Plano Diretor, conforme descrito anteriormente,
verifica-se um pleno alinhamento com as ações necessárias para o enfrentamento da
mudança climática. A Figura 7 apresenta a estruturação urbana que reflete a adoção
30
desses conceitos, demonstrando sua visão de futuro, compatível com horizonte de
2050 previsto no PlanClima.
Figura 7: Estruturação Urbana – Visão Futura do Plano Diretor de 2015
4.2 | SISTEMA DE PLANEJAMENTO MUNICIPAL
O Plano Diretor de Curitiba estabelece o Sistema de Planejamento Municipal,
caracterizado pelo desenvolvimento de um processo dinâmico e contínuo, que articula
as políticas públicas com os diversos interesses da sociedade e promove
instrumentos para a gestão e o monitoramento do desenvolvimento urbano.
O Sistema de Planejamento Municipal se efetiva por meio dos instrumentos previstos
no seu Plano Diretor ordenados segundo três categorias distintas: (i) instrumentos de
políticas públicas setoriais; (ii) instrumentos de aplicação territorial; e (iii) instrumentos
urbanísticos.
31
Figura 8: Esquema do Sistema de Planejamento Municipal do Plano Diretor de 2015
O PlanClima caracteriza-se como um Plano Estratégico dentro da hierarquia do
Sistema de Planejamento Municipal. O Plano Diretor define como planos estratégicos
aqueles que contemplam ações e projetos específicos, dentro de uma determinada
área de atuação, mas cuja abrangência envolve todo o território.
A estrutura do Sistema de Planejamento Municipal, aliada à integração do
desenvolvimento econômico, social e do meio ambiente, caracteriza-se como um
diferencial da cidade em relação ao ordenamento da sua ocupação urbana. A
estratégia fortalece a atuação municipal em relação aos aspectos de mitigação,
adaptação e resiliência frente aos desafios climáticos da atualidade.
Outro aspecto importante do Sistema de Planejamento Municipal é o seu processo
de monitoramento, que se efetiva por meio do Sistema de Monitoramento e Controle
do Plano Diretor. O sistema usa indicadores que relacionam e analisam as
informações municipais para, depois, cruzar os resultados alcançados aos objetivos
do Plano Diretor. Além de fortalecer a transparência das informações e o controle
social quanto às ações municipais, esse modelo de monitoramento tem extrema
relevância no processo de implementação do PlanClima.
32
5 | TRAJETÓRIA DE AÇÕES DE CURITIBA NO ENFRENTAMENTO DAS
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Curitiba vem progressivamente fortalecendo sua política ambiental e avançando no
estabelecimento de iniciativas para o enfrentamento das mudanças climáticas em
nível local.
Inicialmente, a abordagem ambiental municipal embasava-se na questão ecológica e
na sustentabilidade, incluindo a proteção e conservação de áreas verdes, a
implementação de parques, o incentivo à reciclagem de resíduos, entre várias outras
ações. O contexto das mudanças climáticas no município surgiu com a preparação
de ações para a sua participação na Rio 92, a Conferência das Nações Unidas sobre
o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de
1992, que iniciou o debate sobre o desenvolvimento sustentável, um conceito
relativamente novo à época.
Curitiba recebeu delegados no Fórum Mundial de Cidades, evento que antecedeu a
Rio 92, a fim de formular alternativas para algumas questões postas na época. Por
exemplo, a necessidade de redescobrir as cidades como agentes transformadores,
especialmente pelo efeito multiplicador de suas ações locais na região em que se
insere, e no país a que pertence. Tratava-se da premissa da ação local como garantia
da sobrevivência global.
Mais tarde, em 2006, Curitiba sediou a 8a Conferência das Partes da Convenção
sobre Diversidade Biológica (COP8) e a 3a Reunião das Partes do Protocolo de
Cartagena sobre Biossegurança (MOP3), promovidas pela ONU e pelo governo
brasileiro. Nesses encontros foram debatidos temas como proteção aos
conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade e acesso aos benefícios
decorrentes do uso de recursos genéticos8. (Fonte: Estudo de Vulnerabilidade projeto
bairro Novo Caximba, 2019).
8Fonte: Estudo de Vulnerabilidade projeto bairro Novo Caximba, 2019
33
Em 2008, Curitiba elaborou seu primeiro Plano Setorial de Meio Ambiente,
denominado Plano Municipal de Controle Ambiental e Desenvolvimento Sustentável
(PMCADS), em atendimento às diretrizes e instrumentos de política urbana trazidos
pelo Estatuto da Cidade. Esse Plano inovou ao situar histórica e espacialmente o
conceito de “sociedade sustentável” - aquela que determina o seu modo de
organização, produção e consumo a partir da sua história, sua cultura e seus recursos
naturais, estimulando e fortalecendo uma consciência crítica sobre as questões
ambientais, para o equilíbrio do desenvolvimento da cidade com a conservação
ambiental.
Mas foi em 2009 que Curitiba passou a desenvolver uma série de estratégias e ações
para atuar de forma mais incisiva sobre a questão climática no município. Nesse ano
foi criado o Fórum Curitiba sobre Mudanças Climáticas, instituído por decreto
municipal, com o objetivo de debater e propor medidas de mitigação e adaptação às
mudanças climáticas para a cidade. O Fórum, vigente até os dias atuais, é presidido
pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) e conta com a participação de
outros órgãos municipais, universidades e entidades da sociedade civil.
A criação do fórum acompanhou o estabelecimento da Estratégia para a Mudança
do Clima de Curitiba, prevendo ações de médio e longo prazo para fundamentação
técnica e científica da proposição do Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às
Mudanças Climáticas. As etapas definidas pelo Fórum foram as seguintes:
1. Elaboração de Inventário das Fontes de Absorção (sumidouros) do município
(estoque de carbono nas áreas verdes);
2. Elaboração de Inventário das Fontes de Emissão de Gases de Efeito Estufa
do município;
3. Elaboração de Estudo de Vulnerabilidades Ambiental e Socioeconômica; e
4. Elaboração do Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças
Climáticas.
Dando sequência às etapas definidas pelo Fórum, em 2018, por meio Ofício no
115/2018-EM, de 14/05/2018, foi assinada a Carta de Compromisso da Cidade de
34
Curitiba com a Meta 2020 do Grupo C40 de Planejamento de Ação Climática (PAC),
como objetivo dar suporte e apoiar a cidade no desenvolvimento de um plano de ação
climática até o final de 2020.
Nos últimos dois anos, durante o processo de elaboração do PlanClima, ciente da
necessidade de combater a mudança do clima e de buscar inovação, a cidade deu
ênfase a ações alinhadas com o enfrentamento das alterações climáticas. Entre as
iniciativas já implementadas na cidade, destacam-se o programa de desenvolvimento
de hortas urbanas, como a Fazenda Urbana; o incentivo à inovação e à economia
criativa, como o Vale do Pinhão - um ecossistema de inovação; e a grade de educação
ambiental dentro do programa Linhas do Conhecimento.
Ações que contemplam a utilização de energias renováveis também receberam
atenção especial. Um exemplo do comprometimento da cidade com esse tema, é o
investimento em tecnologias voltadas à eficiência energética, por meio do Programa
Curitiba Mais Energia, que prevê maior aproveitamento da energia solar na cidade9.
Curitiba participa também do Programa C40 Cities Finance Facility (CFF), operado
pela Agência Alemã de Cooperação Internacional - GIZ (Deutsche Gesellschaft Für
Internationale Zusammenarbeit) e pelo Grupo C40, com recursos internacionais dos
governos alemão e britânico e de um fundo estadunidense. A parceria, firmada em
fevereiro de 2019, concentra-se nas seguintes ações: estudo de viabilidade para a
implantação de cinco usinas fotovoltaicas; avaliação da legislação e normas
aplicáveis; seleção de tecnologias; especificações técnicas para aquisição,
implantação, manutenção e operação; desenvolvimento de modelos de negócios;
análise de potenciais fontes de financiamento; e ampla capacitação de técnicos da
Prefeitura. O projeto contempla unidades de geração fotovoltaica na Estação
Rodoferroviária da cidade, nos terminais Boqueirão, Santa Cândida e Pinheirinho e
na área do antigo aterro sanitário de Curitiba. O programa está em andamento e deve
ser concluído até o final de 2020.
9Curitiba,
Prefeitura Municipal, 2020. Programa Curitiba Mais Energia (Disponível
em:<[Link]
de-energia-de-predios-municipais/55081>
35
Essa não foi a única ação voltada ao aproveitamento de energia solar. Em junho de
2019, o projeto de eficiência energética no Palácio 29 de Março, sede administrativa
da Prefeitura, implementado com recursos do Programa de Eficiência Energética da
Copel e da ANEEL, providenciou a instalação de 439 módulos fotovoltaicos no telhado
e substituiu cerca de 5 mil lâmpadas por modelos mais eficientes. Outra iniciativa foi
a construção, em outubro de 2019, da Central Geradora Hidrelétrica (CGH) Nicolau
Klüppel, no Parque Barigui, uma doação da Associação Brasileira de Pequenas
Centrais Hidrelétricas (ABRAPCH), com potencial para gerar metade da energia
consumida no Parque Barigui.
Além dessas ações, outros projetos e participações do município envolvendo
mudança climática merecem destaque:
- 2010: O Programa Biocidade - Sistema de Gestão Municipal Sustentável trabalhou com o
propósito de restaurar e conservar a biodiversidade local, de combatera mudança climática e
promover a sustentabilidade ambiental, social e econômica da cidade.
- 2011: Primeira participação de Curitiba na Rede C40, em encontro realizado em São Paulo,
entre os dias 31 de maio e 02 junho. O objetivo do encontro foi apoiar a promoção do
desenvolvimento urbano inclusivo de baixa emissão de carbono em economias em
desenvolvimento.
- 2013: Curitiba foi selecionada para participar do projeto Promovendo Estratégias de
Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono em Economias Emergentes (UrbanLEDS),
resultado de uma parceria do ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade, ONU – HABITAT
e Comissão Europeia (PMC; ICLEI; 2016), o que possibilitou a elaboração do 2º e do 3º
Inventários de GEE da cidade. No mesmo ano, Curitiba recebeu da ONU o certificado Cidade
Resiliente.
- 2015: Curitiba sediou o Seminário de Cidades Resilientes Comunidade e Clima (SECIRE), de
14 a 16 de outubro, ocasião em que firmou a Carta Curitiba sobre o Enfrentamento às
Mudanças Climáticas. O documento apresentou a visão dos participantes sobre o tema, as
propostas ao governo brasileiro para a participação do Brasil na COP-21 (Paris) e sugeriu
ações aos governos locais. Ainda em 2015, Curitiba participou da COP 21.
- 2016: Em junho foi formado um novo Compacto de Prefeitos para o Clima e Energia. A adesão
de Curitiba e de outras 32 cidades configurou o Ato de Prefeitos pelo Clima e Energia, realizado
36
durante a programação da 72a Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos, no SEBRAE
Recife.
- 2017: Foi instituído o Comitê Gestor do programa “Construindo Cidades Resilientes”, por meio
do Decreto Municipal nº 798/2017. No mesmo ano, Curitiba participou na COP 22, em Bonn,
na Alemanha.
- 2018 – 2020: Período em que o Projeto Curitiba Mais Energia participou do Programa CFF -
C40 Cities Finace Facility, que visa proporcionar assistência técnica para a estruturação de
projetos de usinas fotovoltaicas no aterro sanitário, na rodoviária e em três terminais de ônibus
da cidade.
- 2018: A Associação Nacional de Coberturas Verdes de Portugal (ANCV) realizou um workshop
sobre telhados verdes, em abril, voltado à capacitação de servidores da PMC.
- 2019: A Rede C40 promoveu, em maio, a capacitação de sete técnicos da PMC na Academia
de Adaptação de Rotterdam como parte das ações para elaboração do PlanClima, e, em junho,
a capacitação de servidores da prefeitura em elaboração de inventários de GEE.
- 2020: A Fazenda Urbana do Cajuru, pioneira no país em prática agrícola sustentável nas
cidades, ocupará uma área de 4,4 mil metros quadrados, para atividades ligadas à educação
social, cidadã e alimentar.
As ações relacionadas ao enfrentamento à mudança climática adotadas pelo
município são sintetizadas na Figura 9.
37
Figura 9: Trajetória das ações para enfrentamentos das mudanças climáticas
Importante destacar que a mudança climática, além de se configurar como tema
transversal às diversas políticas setoriais da cidade, tem se tornado dimensão-chave
para a aprovação de programas e projetos junto a agentes de financiamento
internacionais e nacionais. É o caso do Projeto Gestão de Risco Climático Bairro
Novo do Caximba, de adaptação à mudança climática, para uma área de ocupação
irregular na região sul da cidade. O projeto, desenvolvido em 2019, é emblemático
por ter sido o primeiro financiamento de intervenção com chancela de enfrentamento
à mudança climática com recursos providos pela Agência Francesa de
Desenvolvimento (AFD). O desenvolvimento deste projeto foi embasado na cocriação
com a comunidade, o que proporcionou engajamento e apropriação, além dos
espaços projetados considerarem a promoção intergeracional e a coexistência de
gênero, acessibilidade universal e a melhoria da educação e orientação profissional.
38
6 | ELEMENTOS DO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANCLIMA
A estruturação do PlanClima foi estabelecida com base no Quadro de Planejamento
de Ação Climática, desenvolvida pelo Grupo C40, e contempla quatro componentes-
chave a serem trabalhados pelas cidades:
(i) neutralidade em carbono;
(ii) resiliência para os riscos climáticos;
(iii) governança climática e colaboração; e
(iv) ação climática inclusiva.
A neutralidade em carbono refere-se às ações de mitigação, ou seja, ações voltadas
à redução das emissões de GEE. A resiliência aos riscos climáticos refere-se às
ações de adaptação local aos efeitos das mudanças climáticas. A governança e
colaboração referem-se às estruturas institucionais e não institucionais e aos
parceiros que permitem a efetiva construção e implementação do plano de ação
climática. A ação climática inclusiva refere-se aos benefícios sociais, ambientais e
econômicos esperados e à distribuição equitativa desses benefícios à população. A
Figura 10 ilustra os componentes-chave do Quadro de Planejamento de Ação
Climática.
Figura 10: Componentes-chave do Quadro de Planejamento de Ação Climática
39
O planejamento de ação climática está baseado em evidências técnicas e
processuais obtidas por meio de estudos, avaliações e ações. A partir desse material
foi possível estabelecer uma linha de base que, por sua vez, permitiu elaborar um
diagnóstico para a definição das ações necessárias ao alcance dos objetivos e metas
esperados.
Assim, antecederam a elaboração do PlanClima os seguintes estudos e documentos:
Inventários de Emissões de GEE, Inventários de Sumidouros, Cenários de Reduções
de Emissões de GEE, Avaliação de Demandas para a Ação Climática Inclusiva,
Avaliação de Riscos Climáticos, e Ações de Engajamento, Participação e
Colaboração.
Figura 11: Estudos e documentos que integram o PlanClima
A seguir, apresenta-se um breve resumo de cada um dos estudos, documentos e
ações que forneceram insumos para a elaboração do PlanClima.
6.1 | INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA
Considerada uma ferramenta estratégica para o monitoramento das emissões de
GEE, os Inventários de Emissões permitem identificar e quantificar o perfil das
emissões de determinada localidade. Além de proporcionarem o conhecimento da
realidade das emissões de uma cidade, contribuem também para os seguintes
aspectos:
40
ESTABELECIMENTO DO ANO BASE PARA A TRAJETÓRIA DE EMISSÕES
CENÁRIO BAU
CENÁRIO DE AÇÕES PLANEJADAS
CENÁRIO AMBICIOSO E ESTENDIDO DE AÇÕES DE MITIGAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS POTENCIAIS DE ATUAÇÃO
VISUALIZAÇÃO DE TENDÊNCIAS PARA O PLANEJAMENTO DE AÇÕES E
POLÍTICAS PÚBLICAS
MONITORAMENTO DAS EMISSÕES
Figura 12: Aspectos vinculados as emissões de gases de efeito estufa
6.1.1 | Perfil das emissões de GEE em Curitiba
Curitiba iniciou a contabilização de suas emissões de GEE em 2011 e, desde então,
elaborou quatro Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa:
- 1o Inventário: Ano-base 2008 / Realização 2011;
- 2o Inventário: Ano-base 2012 / Realização 2015;
- 3o Inventário: Ano-base 2013 / Realização 2015;
- 4o Inventário: Ano-base 2016 / Realização 2019.
Os inventários aplicaram diferentes metodologias, de acordo com os instrumentos
disponíveis em cada momento. O 1o Inventário utilizou a metodologia do IPCC
(versões de 1996 e 2006) e o Guia de Boas Práticas 2000 (IPCC). O 2o e o 3o,
seguiram a metodologia do Protocolo Global para Inventário de Comunidades e
Cidades - Global Protocol for Community Scale Greenhouse Gas Emission
Inventories (GPC) (PMC; ICLEI; 2016). O 4o Inventário, que serviu de linha de base
41
para a construção dos cenários de redução das emissões para o PlanClima, manteve
a metodologia do GPC.
As diferenças nas abordagens metodológicas implicam uma limitação no exercício
comparativo dos inventários. Contudo, observando-se todos eles, constata-se que as
maiores contribuições da cidade estão vinculadas ao Setor Transporte. A Figura 13
demonstra o perfil de emissões de GEE dos três primeiros inventários.
Figura 13: Perfil de Emissões de GEE do 1o, 2o e 3o Inventários de GEE de Curitiba10
O 4o Inventário de GEE seguiu o nível de abordagem BÁSICO, com o cálculo das
emissões dos seguintes setores: (i) Energia Estacionária - emissões advindas do
consumo de energia elétrica pelas edificações; e o consumo de combustíveis fósseis
para aquecimento e cocção, geração de energia elétrica (geradores) em edifícios
residenciais, comerciais e institucionais, indústrias, iluminação pública e propriedades
rurais, (ii) Transporte e (iii) Resíduos Sólidos.
10Observar que os dados apresentados referentes ao 3 o Inventário de Emissões de GEE não estão
atualizados de acordo com a última atualização dos requisitos do Pacto Global de Prefeitos em 2016.
42
O total de emissões reportado no 4o Inventário somou o montante de 3.505.046
toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) distribuídos percentualmente
conforme demonstrado na Figura 14:
Figura 14: Porcentagem das emissões de GEE por Setor para o ano de 2016
O perfil das emissões aponta que o Setor Transporte representa a maior contribuição
sobre o total, correspondendo a 66,6%, seguido do Setor Energia Estacionária com
22,6% e, por último, o Setor Resíduos com 10,8% das emissões.
De acordo com a metodologia GPC, também é necessário reportar as emissões com
relação aos Escopos. O Escopo 1, que corresponde às emissões geradas dentro dos
limites da cidade, contabilizou o total de 3.045.254 toneladas de CO₂e. O Escopo 2,
representado pelas emissões indiretas provenientes da geração da energia elétrica e
térmica consumida dentro dos limites municipais, totalizou 368.882 toneladas de
CO₂e. O Escopo 3, referente às emissões de resíduos gerados na cidade e tratados
fora dela, somou 90.910 toneladas de CO₂e. A Figura 15 retrata a distribuição das
emissões entre os escopos:
43
Figura 15: Distribuição das emissões de GEE em Curitiba separada por Escopos
Considerando os limites reportados nesse inventário de emissões de GEE, é possível
estabelecer indicadores de intensidade. Esses indicadores podem ser computados
em relação à população estimada, à atividade econômica - em função do Produto
Interno Bruto (PIB) - e à área do município (km2). O Quadro 1 apresenta os resultados
dessa análise:
Quadro 2: Indicadores de Intensidade
A Figura 16 complementa os resultados das emissões nos Subsetores, em toneladas
de CO₂e.
44
Figura 16: Distribuição das emissões de GEE em Curitiba por Subsetores (em tCO2e)
O fato de as emissões do Setor Transporte não estarem desagregadas em função da
abordagem metodológica adotada impossibilita visualizar a contribuição dos
Subsetores. Ainda assim, é possível afirmar que boa parte das emissões deste setor
provém do transporte rodoviário11. As edificações residenciais aparecem como o
segundo Subsetor que mais contribui para as emissões totais da cidade, seguidas
das emissões provenientes do tratamento de efluentes e das edificações comerciais
e industriais. As emissões biogênicas –correspondem à queima de biocombustíveis e
ao metano evitado pela queima ou aproveitamento energético, lançado na atmosfera
em forma de CO2 - calculadas para o município de Curitiba somaram 750.288
toneladas de CO₂e, em 2016. Essas emissões são provenientes do Setor Energia e
do Setor Transporte.
11De acordo com a Pesquisa Origem-Destino (POD), 45,8% das viagens de passageiros são realizadas
por automóveis particulares, 25,2% por transporte coletivo, 2,7% por motocicleta e 2% por táxi. Isso
sugere que cerca de 75% de todas as viagens realizadas na cidade utilizam a queima de combustíveis
fósseis para seu deslocamento. Pesquisa realizada pelo IPPUC, concluída em 2017, faz uma
radiografia dos fluxos urbanos entre os bairros da cidade e destes em relação aos 16 municípios
metropolitanos com os quais as relações cotidianas são mais intensas. A POD visitou 60 mil domicílios
para alcançar o total de 15,8 mil famílias (45 mil pessoas) entrevistadas que responderam ao
questionário completo.
45
6.2 INVENTÁRIO DE ESTOQUES DE CARBONO DAS ÁREAS NATURAIS E
ÁREAS VERDES (INVENTÁRIO DE SUMIDOUROS)
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC -
United Nations Framework Convention on ClimateChange) define remoções de
dióxido de carbono como o processo de remoção do CO2 atmosférico e sua
incorporação em biomassa (UNFCCC, 2020).
Levando em conta as estratégias não apenas de redução das emissões, mas de
captura e fixação do carbono atmosférico, as informações contidas nos Inventários
de Sumidouros contribuem significativamente no planejamento da ação climática
permitindo:
Figura 17: Ações vinculadas ao planejamento da ação climática
6.2.1 | Avaliação e Quantificação do Potencial de Absorção de Carbono por
Florestas Nativas em Curitiba
Curitiba possui maciços com remanescentes de floresta com araucárias (Floresta
Ombrófila Mista) em diferentes estágios de conservação. Além de sua enorme
contribuição para a manutenção da biodiversidade e melhoria da qualidade de vida
dos moradores, essa vegetação também auxilia na mitigação da mudança climática.
Para estimar a quantidade de carbono absorvida e armazenada na vegetação nativa,
Curitiba implementou de forma pioneira o “Programa de Avaliação e Quantificação do
46
Potencial de Absorção de Carbono por Florestas Nativas”, em parceria com a
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).
Foram feitas três mensurações, em 2009, 2011 e 2019 (PMC; ICLEI; 2016), avaliando
39 parcelas em 15 Unidades de Conservação Municipais. Em 2009 verificou-se um
total médio de 168,25 toneladas de carbono por hectare (tC/ha) fixados na vegetação.
Em 2011, houve um acréscimo para 174,10 tC/ha (SPVS; PMC, 2009 e Ribeiro et.
al., 2013). Estudos realizados em 2019 apontaram uma diminuição para 141,25 tC/ha,
fato que demonstra a necessidade de ações constantes por parte das Unidades de
Conservação do município, como manejo de espécies exóticas, monitoramento e
fiscalização.
Em 2020, o estudo ampliou sua abrangência, inserindo também as Reservas
Particulares do Patrimônio Natural Municipal - RPPNM (categoria de unidade de
conservação privada) e o grande número de remanescentes florestais com potencial
de conservação no município. Verificou-se que essas áreas apresentam um potencial
de estoque médio de 147,59 tC/ha, ou seja, 6,34 toneladas superior às áreas naturais
públicas. As reservas particulares estão sob um manejo que potencializa o acúmulo
e a manutenção de carbono fixado, o que as tornam grandes aliadas na mitigação e
adaptação à mudança do clima.
Ficou demonstrado que as áreas naturais de Curitiba retêm quantidades significativas
de carbono, além dos demais serviços ecossistêmicos que oferecem à sociedade.
Esse resultado reforça os esforços de manutenção das Unidades de Conservação
públicas e justifica a criação de incentivos à preservação das áreas verdes em lotes
particulares. Quando localizadas em pontos estratégicos, como Áreas de
Preservação Permanente (APPs), o benefício vem duplicado - além de armazenar
carbono, as florestas também absorvem as águas de chuvas extremas.
Pelo serviço que prestam, essas reservas são relevantes na estratégia de Adaptação
baseada em Ecossistemas (AbE), que busca reduzir a vulnerabilidade humana à
mudança do clima por meio da gestão e utilização da biodiversidade e de serviços
ecossistêmicos na adaptação das cidades. A AbEé uma das premissas inovadoras
47
no radar dos gestores para a tomada de decisão de investimentos. Sua utilização é
uma das diretrizes do Plano Nacional de Adaptação (Brasil, 2015), e também do Plano
Diretor de Curitiba (artigo 66), segundo os quais, além de ser uma importante
estratégia de adaptação à mudança do clima, traz cobenefícios de preservação da
biodiversidade.
6.3 | CENÁRIOS DE REDUÇÃO DE EMISSÕES DE GEE
Faz parte de um Inventário de Emissões de GEE, o processo de planejamento da
ação climática de mitigação, que se dá por meio da construção de cenários: um
primeiro cenário mostra o perfil das emissões caso nada seja feito para reduzi-las;
outro, inclui a implementação das ações que estão planejadas; e um terceiro, trabalha
com ações de mitigação mais ambiciosas que o previsto. Essa etapa de construção
de cenários de emissões contribui com os seguintes aspectos dentro do planejamento
da ação climática:
IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES
PROSPECÇÃO DE AÇÕES ESTRATÉGICAS
ANÁLISE DE IMPACTOS E PRIORIDADES
ESTABELECIMENTO DE REFERÊNCIA DAS CAPACIDADES INSTALADAS E A
SEREM DESENVOLVIDAS
DIMENSIONAMENTO DOS DESAFIOS
REFERENCIAL DO VOLUME DE INVESTIMENTOS NECESSÁRIOS
CONSTRUÇÃO DE METAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS
IDENTIFICAÇÃO DA NECESSIDADE DE UMA ESTRUTURA DE GOVERNANÇA
Figura 18: Aspectos contemplados na construção de cenários de emissões
48
6.3.1 Trajetórias de emissões futuras de GEE e Emissões Residuais em
Curitiba
O Inventário de Emissões de GEE permite realizar a projeção de emissões futuras
considerando as características das emissões da linha de base, isto é, um cenário de
referência sobre o qual não incide nenhum esforço adicional de mitigação por parte
da cidade ou de outros intervenientes. A partir dessa linha de base, o impacto das
ações de redução de emissões pode ser medido.
A cidade construiu cenários que consideram a implementação de medidas de redução
das emissões de GEE para 2050, com uma meta intermediária para 2030.
Os cenários de redução de emissões para o planejamento de ações climáticas são
frequentemente desenvolvidos com base em modelos de mudança de tecnologia que
exigem premissas de implementação - parâmetros de alteração das estratégias de
redução, por exemplo, pela mudança de fonte de energia utilizada para o transporte.
Com isso, é possível calcular o potencial de redução de emissões e a extensão do
impacto de uma determinada estratégia na comunidade.
Os cenários de emissões são, portanto, elaborados com base em evidências, ou seja,
consideram as características das estratégias, medidas e ações propostas e o seu
potencial de redução de emissão de GEE.
A construção de cenários para o PlanClima, facilitada pelo uso da ferramenta
Pathways, permitiu visualizar a projeção das emissões nos setores Transporte,
Energia e Resíduos, aplicando diferentes premissas de ações em cada cenário de
redução de emissões. As premissas dos cenários foram definidas com o apoio de
suporte técnico de consultoria especializada na condução de oficinas com atores de
diferentes áreas setoriais e, posteriormente, passaram pela validação da equipe de
elaboração do Plano.
Foram criados quatro cenários:
(i) Cenário Tendencial (sem mitigação) – É aquele que mantém o status quo,
também chamado de business as usual (BAU) das emissões. Este cenário considera
49
as projeções de mudanças populacionais, econômicas e de intensidade energética
setorial segundo as tendências das emissões identificadas na linha de base;
(ii) Cenário Planejado - Inclui ações existentes ou planejadas, regionais e nacionais
(por exemplo, políticas, projetos etc.), com vistas à redução das emissões de GEE da
comunidade nos próximos anos. O cenário também pode incluir tendências de
mercado não orientadas por políticas públicas se houver forte evidência de que
prevalecerão;
(iii) Cenário Ambicioso - Inclui estratégias e ações ambiciosas, mas
consensualmente alcançáveis. Este cenário pode expandir-se a partir das ações
existentes e das planejadas, e também identificar novas estratégias e ações que
reduzam fontes adicionais de emissões de GEE; e
(iv) Cenário Estendido - Identifica estratégias-chave para redução das emissões
além das previstas no Cenário Ambicioso, mas com barreiras a serem superadas. Por
exemplo, mudanças de paradigmas, processos, comportamentos ou tecnologias que
inovem as formas de atuação tradicionais.
A Figura 19 apresenta as trajetórias das emissões de Curitiba modeladas para os
cenários acima descritos. Cada um desses cenários está associado à uma projeção
de quantidade de emissão de GEE, demonstrando, assim, o potencial de redução de
cada cenário comparado às emissões do ano-base de 2016.
50
Figura 19: Trajetória das emissões de GEE de Curitiba para os Cenários
Tendencial, Planejado, Ambicioso e Estendido
A linha superior do gráfico na cor vermelha representa o Cenário Tendencial (sem
mitigação) e mostra a trajetória ascendente de emissões decorrente do crescimento
populacional e econômico, sem considerar nenhuma ação climática de redução.
Nessa modelagem estima-se que, em 2030, o total de emissões seja 4.834.507 tCO2e
e, em 2050, alcance 6.855.886 tCO2e. As projeções mostram que as emissões quase
dobrarão até 2050, em comparação com 2016.
A porção verde do gráfico mostra o potencial de redução de emissões do Cenário
Planejado, onde aparecem as emissões projetadas a partir das ações que a cidade
já desenvolve. Nesse cenário, estima-se que em 2030 o total de emissões seja
de4.179.073 tCO2e e, em 2050, de 4.872.442 tCO2e. Mesmo com as tendências de
troca de combustível e aumento de eficiência, juntamente com as demais ações
promovidas pela cidade, ocorre um aumento das emissões tanto em 2030 (19,2%),
como em 2050 (39,0%). Porém, esse aumento é em relação ao ano-base (2016).
Quando essas emissões são comparadas às projeções futuras do Cenário
Tendencial, ocorre redução. Ainda assim, o cenário de ações planejadas não é
suficiente para endereçar os objetivos e metas da cidade em relação à mitigação de
GEE, que somente passa a ser mais viável nos Cenários Ambicioso e Estendido.
51
O potencial de redução das emissões do Cenário Ambicioso, representado no
gráfico pela porção azul, considera medidas sobre as quais o município possui
governabilidade e que foram consensualmente pactuadas entre os atores
participantes do processo de elaboração do desenvolvimento desse módulo. Nesse
cenário, estima-se que em 2030 o total de emissões chegue a 3.707.762 tCO2e e, em
2050, a 2.030.665 tCO2e.
O Cenário Ambicioso apresenta um aumento de 5,8% das emissões em 2030 e uma
redução de 42,1% em 2050, em relação às emissões de 2016. Destaque-se a
contribuição do Setor Transporte a partir da mudança de combustível, de modal
individual para transporte público ou mobilidade ativa (a pé e de bicicleta). Contudo,
como pode ser observado na figura acima, o Cenário Ambicioso não atinge os níveis
de redução de emissões consistentes com a Trajetória Alvo, de neutralidade de
carbono em 2050, conforme os objetivos estabelecidos no compromisso com a Meta
2020.
Diante dessa perspectiva, foi desenvolvido o Cenário Estendido de redução de
emissões - representado no gráfico pela porção amarela - para o qual identificaram-
se estratégias-chave capazes reduzir as emissões, desde que superadas as barreiras
à sua implementação. Nesse cenário estima-se que em 2030 o total de emissões seja
de 2.002.891 tCO2e e, em 2050, de 768.982 tCO2e.
O desenvolvimento do Cenário Estendido exigiu uma revisão dos perfis de emissões
que permaneceram após a conclusão do Cenário Ambicioso. Em cada estratégia-
chave (aquelas com grande potencial de redução de emissões), identificaram-se
barreiras que atualmente a tornam inviável12. Uma análise identificou os principais
motivos pelos quais a cidade percebe barreiras à implementação de determinadas
estratégias, medidas e ou ações.
O Quadro 2 apresenta os principais tipos de barreiras para as estratégias de redução
de emissões no contexto do Cenário Estendido.
12Entenda-se por barreira uma dificuldade, problema, regra ou situação que impede alguém de fazer
algo ou que torna uma ação impossível.
52
Quadro 3: Identificação e definição de barreiras para a redução de emissões
Tipo de barreira Definição
Incluem a falta de poderes legais para implementar determinada estratégia
ou ação, situações em que as responsabilidades legais são divididas entre
Legal e agências ou níveis de governo, limitando a capacidade da autoridade
Institucional municipal de implementar a estratégia ou ação. Por exemplo, quando leis ou
regulamentos de outros níveis de governo (ou sua ausência) impedem ou
limitam a implementação.
Podem incluir recursos financeiros insuficientes ou regras que restringem os
gastos em estratégias específicas, limitações sobre a flexibilidade com que
Financeira e as receitas podem ser usadas para financiar ações, bem como incentivos
econômica que afetam a economia de uma estratégia (por exemplo, subsídios a
combustíveis fósseis).
Podem incluir a falta de aceitação política ou pública ou restrições impostas
por pressão de grupos ou questões culturais, como resistência ao
Política e social cumprimento de normas ou regulamentações, as quais influenciam na
implementação de ações.
Incluem limitações práticas na implementação de ações, como obstáculos
Implicações
associados à geografia física da cidade ou ao desenvolvimento tecnológico e
práticas e
disponibilidade tecnológica.
tecnológicas
O Cenário Estendido, apesar de apresentar barreiras à sua efetiva implementação, é
o cenário mais próximo do alcance da neutralidade, atingindo um potencial de
redução de 42,9% das emissões em 2030 e de 78,1% em 2050, em relação às
emissões de 2016. Já em comparação às emissões do Cenário Tendencial para o
ano de 2050, o Cenário Estendido atinge um potencial de redução de 88,8%.
A adoção de medidas modeladas para o Cenário Estendido resulta em 11,9% de
emissões residuais em 2050, em relação às emissões de 2016. Emissões residuais
são emissões remanescentes após adotadas todas as oportunidades técnicas e
economicamente viáveis de redução de GEE em todos os Escopos e Setores. A
Figura 20 apresenta o perfil das emissões residuais no Cenário Estendido.
53
Figura 20: Perfil das emissões residuais de Curitiba para o ano de 2050
As emissões residuais resultam principalmente do transporte rodoviário -
representado pelos deslocamentos de veículos de passageiros (individuais e
coletivos) e de carga - seguido do consumo de energia pelas indústrias. À exceção
do transporte coletivo, essas são áreas sobre as quais a Prefeitura tem uma
governabilidade limitada.
Deliberar sobre tais questões muitas vezes envolve a esfera federal de governo. É
ocaso, por exemplo, da transição energética de veículos individuais de combustíveis
fósseis para o uso de energias renováveis. A transição para processos produtivos de
baixo carbono perpassa também por decisões do setor privado.
Uma estratégia possível para lidar com as emissões residuais é investir no incremento
dos estoques naturais de carbono da cidade. Além das áreas verdes serem
essenciais à manutenção da qualidade da vida urbana, regulação do microclima,
qualidade do ar e água, têm também a função de contribuir na absorção e estoque do
dióxido de carbono.
Os estudos realizados em Curitiba para a avaliação da quantidade estocada nas
áreas verdes da cidade foram iniciativas pioneiras e há intenção de dar continuidade
54
a esse trabalho. O monitoramento do estoque contido nas 15 Unidades de
Conservação municipais amostradas demonstrou, em 2019, que as áreas naturais
destes locais possuem capacidade de estocar 141,25 toneladas de carbono por
hectare.
6.3.2 Premissas de implementação de estratégias, medidas e ações de
mitigação
Na elaboração das modelagens de redução de emissões na ferramenta Pathways
foram adotadas premissas que, de acordo com cada um dos cenários (Planejado,
Ambicioso e Estendido), apresentam diferentes níveis de aumento de ambição com
relação às estratégias, medidas e ou ações delineadas, resultando em diferentes
potenciais de redução de emissões de GEE. No Quadro 3, destacam-se as principais
premissas consideradas para os Setores Energia, Transporte e Resíduos.
Quadro 4: Principais premissas adotadas para modelagem dos Cenários
55
Considerando que o objetivo principal do PlanClima com relação à mitigação é o de
alcançar a neutralidade de carbono em 2050, a seguir são apresentadas as principais
estratégias, medidas e ou ações utilizadas para a modelagem do Cenário Estendido,
que apresenta o potencial de máxima redução de emissões.
Setor Energia
As emissões têm uma forte relação com o fator de emissão13 da matriz energética
brasileira, que é considerada hidrotérmica, mas com cerca de 80% da produção de
energia advinda de fontes renováveis.
Para o Setor Energia, as medidas utilizadas na modelagem são voltadas ao aumento
da participação das fontes de energia renovável na matriz energética brasileira, à
geração distribuída de energia solar e ao aumento da eficiência das edificações e
equipamentos. A Figura 21 apresenta a distribuição da matriz energética brasileira
modelada para o ano de 2050 no Cenário Estendido de redução de emissões.
Figura 21: Distribuição da matriz energética modelada para o Cenário Estendido de redução de
emissões
13Fator de emissão é uma medida de massa de emissões de GEE relativa à unidade de uma atividade.
Por exemplo, estimar as emissões de CO2 a partir do consumo de eletricidade envolve a multiplicação
de dados de kilowatt-hora (kWh) de eletricidade consumida pelo fator de emissão (kgCO 2/kWh) para
eletricidade, o qual depende do tipo de tecnologia utilizada para gerar energia elétrica (Fonte: GPC,
2014). Disponível em:
<[Link] Acesso em: 16/10/2020.
56
Na modelagem desse cenário, as fontes de energia predominantes são: as grandes
hidrelétricas, a energia eólica e solar (fotovoltaica e concentrada14), representando
aproximadamente 85%; seguido do gás natural, biomassa e pequenas centrais
hidrelétricas, representando cerca de 15%.
No caso da geração distribuída, foi utilizada como referência metodológica para o
estabelecimento do potencial de redução de emissões a disponibilidade de radiação
solar do município, calculada com base na projeção do potencial solar dos telhados
do Google Environmental Insights Explorer (Google EIE).
O Google EIE calcula que 84% dos telhados da cidade de Curitiba são adequados à
instalação de sistemas de geração distribuída por energia solar. Contudo, esse valor
resulta em uma geração de energia elétrica por módulos fotovoltaicos maior do que o
consumo de energia elétrica na rede de distribuição da cidade.
Esse fato é considerado uma condicionante pela ferramenta Pathways no cálculo de
redução de emissões de GEE, pois não leva em conta a auto geração de eletricidade
desconectada da rede de distribuição. Sendo assim, a fim de equiparar a geração
com o consumo, foi utilizado o percentual de 39% das edificações com telhados
aproveitando o potencial de radiação solar para geração distribuída de energia
elétrica.
Com relação à eficientização energética das edificações residenciais, comerciais e
institucionais, a modelagem aplica principalmente medidas como a troca de
combustíveis fósseis por fontes de energia mais limpas, ou mais eficientes, e a
melhoria da tecnologia para os seguintes processos e equipamentos:
- Aquecimento ou resfriamento de ambientes;
- Cocção;
- Aquecimento de água;
14Também conhecida como energia heliotérmica ou energia termossolar, “a energia solar concentrada
é produzida com a ajuda de diversos espelhos que direcionam a energia do sol em um ponto para
aquecer a água, que será transformada em vapor. Este vapor irá girar uma turbina, gerando
eletricidade”. (Fonte: EPE, Empresa de pesquisa Energética, 2020). Disponível em:
<[Link] Acesso em: 16/10/2020.
57
- Iluminação; e
- Envelopamento de edificações.
Para a descarbonização das indústrias, na modelagem do Cenário Estendido,
estabeleceram-se premissas de troca da matriz energética e aumento de eficiência.
Setor Transporte
No Setor Transporte, as medidas adotadas para a modelagem do Cenário Estendido
propõem uma reestruturação disruptiva do atual sistema e serviços de mobilidade em
Curitiba, aplicando uma série de conceitos e princípios de um sistema de mobilidade
de baixo carbono.
Além do aumento da eficiência dos veículos, seja pela melhoria dos motores ou
combustíveis, seja pela mudança de tecnologia dos veículos, foram consideradas
mudanças no perfil de deslocamento da cidade, conforme demonstrado na Figura 22.
Figura 22: Perfil de deslocamento considerado para o ano-base de 2016
e os anos de 2030 e 2050 simulado para o Cenário Estendido
A mudança no perfil de deslocamentos modelada para 2050, apresenta um aumento
de aproximadamente 85% dos deslocamentos feitos pelo transporte coletivo e por
58
mobilidade ativa (a pé e bicicleta). Além disso, prevê a implementação de um sistema
de transporte de alta capacidade já em 2030, representando cerca de 12% dos
deslocamentos neste mesmo ano e aproximadamente 30% dos deslocamentos em
2050.
Verifica-se também um aumento do modo táxi, incluindo nesta categoria a
contribuição do crescimento das viagens realizadas em transporte por aplicativo,
assim como um aumento leve da parcela dos deslocamentos feitos por motocicletas,
em função do aumento dos serviços de entrega.
Delineia-se ainda uma diminuição dos deslocamentos feitos de ônibus padrão,
miniônibus e micro-ônibus, partindo do pressuposto de que se busca a otimização do
sistema de transporte. Desse modo é possível conectar os deslocamentos da primeira
e última milha ao sistema troncal da cidade (BRT e Sistema de Transporte de Alta
Capacidade15), visando eliminar possíveis sobreposições de linhas convencionais e
alimentadoras.
Na modelagem, estimou-se ainda uma diminuição dos deslocamentos feitos por
automóveis de cerca de 38% em 2030 e de 85% em 2050, em relação ao perfil de
deslocamentos desse modal no ano-base. Para isso, considera-se a criação de uma
alta atratividade do sistema de transporte coletivo e a efetivação de políticas e
iniciativas de desincentivo ao uso do veículo individual.
Para descarbonizar o Setor Transporte, uma das estratégias mais importantes é a
redução do uso de combustíveis fósseis. Por exemplo, a Figura 23 demonstra a
mudança no combustível e tecnologia dos automóveis individuais, com aumento na
participação dos veículos elétricos e movidos a hidrogênio, redução na participação
de veículos a gasolina e eliminação dos veículos movidos a diesel.
15
Entende-se por Sistema de Transporte de Alta Capacidade sistemas com capacidade superior a do
BRT.
59
Figura 23: Mudança no combustível e tecnologia dos veículos de passageiros
para o ano-base de 2016 e os anos de 2030 e 2050 simulado para o Cenário Estendido
Setor Resíduos
No Setor Resíduos, as medidas modeladas no Cenário Estendido referem-se à
redução da parcela orgânica dos aterros sanitários, ao aumento da eficiência da
coleta e aproveitamento do biogás de aterro e ao aumento das taxas de reciclagem
dos resíduos. A modelagem abordou também a implementação de medidas voltadas
à redução de emissões referentes ao tratamento de efluentes, considerando maior
eficiência energética no seu processo.
Para se encarregar da gestão dos resíduos sólidos, foi criado em 2001 o Consórcio
Intermunicipal para a Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos (CONRESOL)16. Nesse
contexto, o Cenário Estendido delineou estratégias, medidas e ações a partir das
metas estabelecidas no Edital de Concorrência e a partir do Estudo de Viabilidade
Técnica e Econômica Financeira.
16A área de abrangência do CONRESOL corresponde à área territorial dos municípios que o integram,
atualmente 23 (vinte e três) municípios, totalizando 10.389,52 km², abrangendo uma população de
3.075.954 habitantes (IBGE 2010). Vale destacar que se encontra em andamento um processo de
concorrência pública para Concessão do Sistema Integrado e Descentralizado de Tratamento de
Resíduos e Disposição Final de Rejeitos.
60
Assim, a modelagem do Cenário Estendido estimou que em 2030 a disposição final
de rejeitos e resíduos em aterro sanitário é de 25% e, em 2050, de 5%. Considerou
ainda o aproveitamento da parcela orgânica presente no resíduo sólido urbano de
cerca de 32% por compostagem e 63% por digestão anaeróbia em 2050.
Sobre a redução de emissões referentes ao tratamento de efluentes, a modelagem
usou medidas abordadas na dissertação de mestrado de Filippini (2018) para analisar
o potencial de mitigação das emissões de GEE provenientes do tratamento de
efluentes até o ano de 2030, no Estado do Paraná. Foram elaboradas projeções com
base nas metas dos Planos Municipais de Saneamento Básico para expansão dos
serviços e o crescimento populacional. A modelagem foi desenhada durante reuniões
com a equipe técnica da Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR).
Atualmente, o município de Curitiba possui cinco estações de tratamento de efluentes
(ETEs), operadas pela SANEPAR, que atendem também outros municípios da região
metropolitana. Apenas uma dessas estações realiza tratamento por lodo ativado.
Dessa forma, a modelagem do Cenário Estendido considerou que em 2050 todo o
efluente gerado no município será tratado em sistemas de lodo ativado, resultando
em um percentual de redução de 73% sobre o total de emissões de GEE em 2016.
6.4 | AVALIAÇÃO DE DEMANDAS PARA A AÇÃO CLIMÁTICA INCLUSIVA
As ações voltadas ao enfrentamento da mudança do clima são primariamente
projetadas para reduzir emissões de GEE e adaptar o ambiente urbano aos riscos
climáticos. Contudo, frequentemente promovem outros benefícios que podem ter
relação com saúde, qualidade do ar, empregos, equidade, entre outros. Isso reforça
o fato de que as ações devem ser projetadas de maneira inclusiva, buscando alcançar
uma distribuição justa e equitativa dos benefícios do planejamento da ação climática.
Esse é, aliás, o objetivo do estudo “A Avaliação de Demandas para a Ação Climática
Inclusiva”, realizado em 2020, pela consultoria WayCarbon, por meio de assistência
técnica prestada pelo Grupo C40 à Cidade de Curitiba no âmbito do Programa de
Planejamento de Ação Climática.
61
A avaliação de demandas para esse objetivo abrange os seguintes aspectos:
IDENTIFICAÇÃO DA REDE DE PROTEÇÃO DA CIDADE
AVALIAÇÃO DAS DEMANDAS COMPARANDO COM A AVALIAÇÃO DOS
RISCOS CLIMÁTICOS PERMITE CONHECER OS PONTOS FORTES E AS
MELHORIAS NECESSÁRIAS
MAPEAMENTO DA ESTRUTURA DA GOVERNANÇA PARA AÇÕES
INCLUSIVAS
IDENTIFICAÇÃO DE DIMENSÕES-CHAVES PARA INCLUSÃO
IDENTIFICAÇÃO E SELEÇÃO DE INDICADORES PARA INCLUSÃO
IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES DE ENGAJAMENTO
AVALIAÇÃO DOS BENEFÍCIOS SOCIAIS, AMBIENTAIS E ECONÔMICOS DAS
AÇÕES DE MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO
Figura 24: Aspectos contemplados para avaliação de demandas
No âmbito do estudo, entende-se por Ação Climática Inclusiva a adoção de ações que
visam a mitigação e o aumento da resiliência das comunidades, em especial as mais
vulneráveis às mudanças climáticas, e que eventualmente resultem em benefícios
sociais e econômicos para essas comunidades.
Na avaliação, foram identificados os principais aspectos de inclusão e demandas
enfrentados na cidade, as regiões mais vulneráveis, as ações existentes e planejadas,
e os atores que têm os recursos políticos e econômicos necessários para influenciar
políticas climáticas inclusivas.
A identificação dos grupos vulneráveis foi conduzida de acordo com as seguintes
definições:
- Inclusão Social: direitos, participação e acesso para populações tipicamente
marginalizadas;
- Inclusão Econômica: equidade de oportunidades na distribuição de benefícios,
incluindo empregos, riqueza etc.; e
- Inclusão Espacial: acesso à terra, infraestrutura, transporte, habitação etc.
62
Ou seja, a avaliação considerou que os grupos vulneráveis são aqueles que carecem
de ações para sua inclusão, segundo as definições acima.
Nas regiões da cidade com os grupos mais vulneráveis nos âmbitos social, econômico
e espacial, a avaliação aponta que há uma correlação entre a expansão das áreas
urbanas e o estado de vulnerabilidade em que se encontram. Assim, as regiões
periféricas são, em geral, as mais vulneráveis. De acordo com a avaliação, merecem
atenção as Regionais Administrativas do Tatuquara, Bairro Novo, CIC e Santa
Felicidade (ocupações irregulares).
A análise da incorporação das dimensões social, econômica e espacial identificou nos
quase 50 documentos oficiais analisados uma tendência em abordar temas mais
relacionados à inclusão social, embora boa parte deles englobe também os aspectos
espacial e econômico.
Identificou-se que os principais indicadores da cidade, avaliados nos diferentes planos
em vigência, refletem os resultados das medidas propostas e sinalizam aos gestores
as áreas mais importantes para intervenção, bem como os grupos mais vulneráveis.
Foi elaborada uma Matriz SWOT - sintetiza os pontos fortes e fracos, de acordo com
os sete domínios apresentados no documento Needs Assessment Module do Grupo
C40 (C40, 2019), e os indicadores a eles relacionados –que possibilitou o
delineamento de estratégias mais assertivas. De acordo com essa matriz, verificou-
se que alguns domínios estão mais consolidados, tanto no monitoramento por
indicadores como em seus resultados, e também no volume de planos/estudos
relacionados. São os casos dos domínios de Prosperidade Econômica e Serviços
Públicos Essenciais. Outros domínios, como Sociedade Civil e Instituições e
Governança, demandam mais indicadores para um monitoramento sistematizado das
áreas.
Dessa forma, tornou-se possível a proposição de indicadores que permitem monitorar
aspectos de inclusão para além dos domínios de interesse da ação pública. A
avaliação sugeriu 28 indicadores prioritários para a ação inclusiva no âmbito do
planejamento da ação climática em Curitiba.
63
A avaliação realizou também uma análise político-econômica em que foram
identificados os atores relevantes na construção de políticas municipais inclusivas que
deveriam ser sondados para integrar o PlanClima. Este aspecto é de grande
importância para as ações de governança, participação e engajamento. Na
elaboração desse trabalho constatou-se ainda que os diferentes mecanismos
institucionais de participação social (consulta pública, debates, discussões em
conselhos/fóruns e órgãos colegiados) se fizeram presentes, reforçando a percepção
de que o processo de tomada de decisão valoriza a construção coletiva com e para a
sociedade, em especial os grupos mais vulneráveis.
A análise político-econômica facilitou a compreensão do processo de elaboração de
políticas municipais inclusivas. Observou-se que Curitiba dispõe de uma estrutura de
governança - composta por instâncias municipais, da sociedade civil e do terceiro
setor - que possibilita a implementação, o acompanhamento, o comprometimento e o
engajamento dos envolvidos ao longo do tempo.
A avaliação concluiu que o desafio da ação climática inclusiva está, portanto, em
garantir que os grupos e comunidades vulneráveis desenvolvam capacidades para
responder aos eventos extremos. A resiliência climática deve ser uma capacidade
amplamente compartilhada e um investimento coletivo no desenvolvimento humano,
de modo a evitar que apenas indivíduos com melhores condições (renda,
infraestrutura, educação etc.) sejam beneficiados. Nesse contexto, o PlanClima não
deve exacerbar as vulnerabilidades observadas na cidade, mas minimizá-las por meio
do delineamento de ações de mitigação e adaptação inclusivas.
64
6.5 | AVALIAÇÃO DE RISCOS CLIMÁTICOS
Estudos e pesquisas científicas vêm comprovando que a mudança climática pode
ocasionar danos ambientais e socioeconômicos significativos, causados pela maior
frequência e intensidade de eventos extremos na forma de chuvas fortes,
tempestades, ondas de calor, secas etc., resultando em prejuízos ambientais e
socioeconômicos. Conhecer os riscos climáticos e seus possíveis impactos contribui
para o desenvolvimento de políticas e priorização de ações que minimizem seus
efeitos no futuro. Além disso, a avaliação de riscos climáticos permite a:
IDENTIFICAÇÃO DE INDICADORES DE SENSIBILIDADE E CAPACIDADE ADAPTATIVA
ANÁLISE DA CAPACIDADE DOS SISTEMAS URBANOS E NATURAIS EM LIDAR COM
AS AMEAÇAS CLIMÁTICAS
IDENTIFICAÇÃO DAS AMEAÇAS CLIMÁTICAS (ALAGAMENTOS, INUNDAÇÃO,
DESLIZAMENTO E ILHAS DE CALOR)
AVALIAÇÃO DO GRAU DE EXPOSIÇÃO DE PESSOAS, ESTRUTURAS, ATIVOS SOCIAIS,
ECONÔMICOS E AMBIENTAIS
MAPEAMENTO DOS RISCOS
CONSTRUÇÃO DE AÇÕES DE GOVERNANÇA CLIMÁTICA PARA A CIDADE
IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES E SINERGIAS PARA AÇÕES DE MITIGAÇÃO E
ADAPTAÇÃO
IDENTIFICAÇÃO DAS VULNERABILIDADES SOCIOECONÔMICAS E AMBIENTAIS
Figura 25: Resultados esperados a partir da avaliação de riscos climáticos
Para que seja possível avaliar os riscos climáticos, é necessário realizar a
caracterização do clima atual e futuro avaliando dados meteorológicos históricos
reproduzidos por modelos climáticos. Os cenários futuros são descritos segundo os
prognósticos derivados de modelos quantitativos que simulam a dinâmica climática.
Esses cenários de emissões de GEE são publicados em Relatórios de Avaliação (AR
– Assessment Report) pelo IPCC. Até o momento, o IPCC publicou cinco Relatórios
65
de Avaliação17. Dessa forma, é possível estimar o clima futuro, considerando
diferentes cenários de emissões de GEE.
Curitiba apresenta dois estudos nesse sentido, a Avaliação de Vulnerabilidade
Ambiental e Socioeconômica para o Município de Curitiba e a Avaliação de Riscos
Climáticos da Cidade de Curitiba.
Em 2014, foi concluída a Avaliação de Vulnerabilidade Ambiental e
Socioeconômica para o Município de Curitiba, pela SNC-Lavalin Projetos LTDA18,
em parceria com o IPPUC. O estudo desenvolveu uma Matriz de Análise de Risco em
relação às vulnerabilidades para a mudança climática e orientou ações preventivas
em políticas públicas direcionadas a minimizar esses riscos e os seus potenciais
impactos em três sistemas avaliados: ambientes construído, social e ambiental. Para
a elaboração da Matriz de Risco, foi considerada a probabilidade da ocorrência de
eventos decorrentes da mudança climática nesses ambientes – se rara, pouco
provável, possível, provável ou quase certa – e a severidade/gravidade desses
impactos – se insignificante, baixa, média, alta ou extrema.
Foram avaliados e mapeados diversos fenômenos, tais como potencial de erosão,
aumento da impermeabilização nas bacias e sub-bacias modeladas, evolução do
escoamento superficial das águas pluviais decorrente dessa impermeabilização, e
identificação das áreas sujeitas a inundações. O estudo permitiu a identificação
objetiva dos setores mais vulneráveis do município e a localização das infraestruturas
e populações expostas aos riscos ambientais.
O estudo apontou ainda que a maior vulnerabilidade ambiental no cenário da
mudança climática está relacionada à probabilidade de maior frequência e
intensidade de fenômenos climáticos extremos, a exemplo das alterações do regime
17 Relatórios de Avaliação do IPCC: 1990 – First Assessment Report (FAR): 1995 -Second Assessment
Report (SAR); 2001 – Third Assessment Report (TAR); 2007 – Fourth Assessment Report (AR4); 2014
– Fifth Assessment Report (AR5).
18 A Avaliação de Vulnerabilidade Ambiental e Socioeconômica para o Município de Curitiba foi um dos
projetos promovidos pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) dentro do Programa
Transporte Sustentável e Qualidade do Ar – Sustainable Transportand Air Quality (STAQ), financiado
com recursos do Global Environment Facility (GEF), através de doação do Banco Mundial. Neste caso,
o projeto foi desenvolvido para o Município de Curitiba, em parceria com o Instituto de Pesquisa e
Planejamento Urbano de Curitiba - IPPUC.
66
de chuvas, estando o município mais vulnerável às inundações. Com relação à
dimensão socioeconômica, o estudo apontou que a vulnerabilidade incide sobre:
infraestrutura residencial, sistemas de abastecimento de água, sistemas de coleta de
águas residuais, fornecimento de eletricidade, sistemas de abastecimento e serviços
municipais relacionados a emergências, qualidade de vida, solo, fauna e flora.
A Avaliação de Vulnerabilidade Ambiental e Socioeconômica foi baseada na
metodologia prevista no quarto relatório de avaliação do IPCC, AR4, de 2007. Além
dos cenários de clima, este estudo simulou os cenários de precipitação em modelos
hidrológicos. Esses modelos são utilizados para simular os processos de
transformação de precipitação em escoamento superficial, permitindo estimar os
impactos sobre o regime de vazões na região de estudo.
Em 2020, como parte do Programa de Assistência Técnica do Grupo C40, foi
elaborado pela iCare & Consult a Avaliação de Risco Climático da Cidade de
Curitiba. O objetivo desse estudo foi ampliar o conhecimento sobre os riscos
presentes e futuros das mudanças climáticas na cidade de Curitiba, reportando
elementos suficientes para apoiar o desenvolvimento de ações para aumento de
resiliência da cidade por meio do PlanClima.
A primeira fase do estudo incluiu a avaliação histórica das tendências climáticas da
cidade, abrangendo o horizonte temporal da base disponível (1960-2019) e a projeção
das variáveis climáticas até 2100. As análises climáticas futuras consideraram um
cenário de aumento crítico das emissões de GEE estimado pelo Representative
Concentration Pathway (RCP), no quinto relatório de avaliação do IPCC, o AR5,
lançado em 2014 (RCP 8.5)19.
Na segunda fase, o estudo buscou identificar as principais ameaças climáticas
registradas na cidade, com base em dados de ocorrência de eventos extremos entre
19Conhecido pela sigla RCP 8.5 (Representative Concentration Pathway, trajetória representativa de
concentrações), esse cenário prevê uma concentração média de dióxido de carbono correspondente
a um forçamento radiativo de 8,5 watts por metro quadrado em todo o planeta, o que levaria a um
aumento na temperatura média global de cerca de 5oC até 2100, parâmetro desenvolvido na quinta
fase do Coupled Model Intercomparison Project (CMIP5) e publicado no AR5 – Quinto Relatório de
Avaliação do IPCC (2014).
67
2012 e 2020. A partir de uma análise probabilística desses dados -incluindo as
avaliações históricas e futuras das variáveis climáticas, além da disponibilidade de
dados que pudessem ser espacialmente explícitos - fez-se uma priorização das
principais ameaças climáticas: alagamento, inundação, deslizamento e
suscetibilidade às ondas de calor.
A terceira fase da avaliação consistiu em uma análise de risco, composta pela análise
da exposição, da vulnerabilidade e das ameaças climáticas. Na análise da exposição,
foi realizada a modelagem do uso do solo (pinçando as infraestruturas críticas da
cidade) como forma de simular a expansão urbana para o horizonte temporal de 2100.
Também foi levado em conta a população da cidade, o carregamento viário e os
estabelecimentos ativos por setor de atividade econômica. A avaliação da
vulnerabilidade foi feita por meio de indicadores de sensibilidade, que explicitam as
iniquidades socioeconômicas existentes na cidade, e indicadores relacionados à sua
capacidade adaptativa. A quarta e última fase avaliou o nível de resiliência da cidade
de maneira geral, como forma de identificar as lacunas que impactam na adaptação
da cidade à mudança climática.
A Figura 26 ilustra a Representação do Risco baseada nas variáveis de
Vulnerabilidade, Ameaça e Exposição da abordagem realizada na Avaliação de
Riscos Climáticos.
Figura 26: Representação do Risco a partir das
variáveis de Vulnerabilidade, Ameaça e Exposição
68
O estudo espacializa os riscos climáticos em mapas, facilitando a sua compreensão.
Contudo, há de se ressaltar o conceito de risco para que os resultados sejam
corretamente interpretados. O risco é definido como a materialidade da ocorrência de
eventos ou tendências perigosas (ameaças). Ou seja, uma região com alta
probabilidade de ocorrência de uma ameaça (deslizamento, inundação, alagamento
ou ondas de calor), à qual está vulnerável e se encontra exposta (possui muitos ativos
materiais e pessoas), deve ter um alto grau de risco associado. Por outro lado, uma
região com alto grau de ameaça, mas sem ativos ou com uma população não tão
sensível, tem um grau de risco comparativamente mais baixo. O risco, portanto,
resulta da interação entre a vulnerabilidade, a exposição e a ameaça. As Figuras 27
e 28 apresentam os Riscos de Inundação, Alagamento, Ondas de Calor e
Deslizamento em 2050.
Figura 27: Mapas de Risco de Inundação e de Alagamento em Curitiba em 2050
69
Figura 28: Mapas de Risco às Ondas de Calor e de Deslizamento em Curitiba em 2050
Como resultados dessa Avaliação destacam-se:
- tendência futura de aumento na temperatura média de Curitiba;
- não existe uma tendência específica para aumento ou redução do volume
anual de chuva ao longo das próximas décadas, mas os dados indicam que a
cidade poderá ter alguns anos com chuva muito acima da média, com diversos
dias consecutivos de precipitação;
- há uma forte tendência de estiagem;
- máxima precipitação em um dia, uma vez que, em quase todos os anos, a
cidade deverá ter ao menos um episódio de chuva muito forte; e
- no computo geral, há maior probabilidade de ocorrência de eventos extremos
de tempestades no futuro, com potencial para provocar enchentes e
alagamentos; por outro lado, dias consecutivos sem chuva também serão
frequentes e a cidade poderá observar longos períodos de estiagem, com
reflexos no abastecimento de água.
70
6.6 ENGAJAMENTO, PARTICIPAÇÃO E COLABORAÇÃO
O PlanClima, instrumento estratégico da política urbana municipal que deve nortear
os agentes públicos, privados e a população em relação ao enfrentamento da
mudança climática, consiste em um pacto sociopolítico na direção de uma cidade
mais sustentável, neutra em carbono, adaptada aos impactos do aquecimento global,
resiliente, participativa, inclusiva, inovadora e que ofereça qualidade de vida aos
habitantes, com atenção especial às comunidades e grupos mais vulneráveis e
diretamente impactados pela mudança do clima.
Na fase de elaboração do PlanClima, esses esforços estiveram voltados a partes
interessadas internas e externas, a exemplo das secretarias e órgãos municipais,
órgãos estaduais, instituições, empresas e sociedade civil.
Esse envolvimento é necessário para garantir que haja ampla compreensão,
participação e apoio, permitindo ainda a:
IDENTIFIÇÃO DA PERCEPÇÃO / CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO À
MUDANÇA DO CLIMA E OS IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES
IDENTIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE, COMPORTAMENTO / ENGAJAMENTO DA
POPULAÇÃO EM RELAÇÃO A ATITUDES QUE CONTRIBUAM PARA O
ENFRENTAMENTO DA MUDANÇA DO CLIMA
IDENTIFICAÇÃO DA DISPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO PARA AÇÃO EM FAVOR DE
DIMINUIR OS EFEITOS DA MUDANÇA DO CLIMA
PRIORIZAÇÃO PARA A AÇÃO PÚBLICA COM O OLHAR DA POPULAÇÃO
AVALIAÇÃO QUALITATIVA POR LOCAL DE RESIDÊNCIA, IDADE, ESCOLARIDADE E
GÊNERO
VALIDAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE CONSENSO ENTRE OS ATORES ENVOLVIDOS
(CONSELHOS, FÓRUNS, CONSULTAS E AUDIÊNCIAS PÚBLICAS)
Figura 29: Resultados decorrentes do engajamento,
participação, colaboração da sociedade
Para atingir tais objetivos, buscou-se a participação dos que vivem e trabalham na
cidade, agregando diferentes perspectivas, opiniões, preocupações e experiências.
71
Consultar as partes interessadas garante a inclusão de representantes dos vários
setores na elaboração do Plano, e seu amplo apoio e adesão na construção de
compromissos necessários à implementação das ações.
O PlanClima é o resultado de um processo de dois anos, construído a muitas mãos,
por um Grupo de Trabalho formado por representantes de 12 instituições, e que
contou com o apoio do Grupo C40, dentro do Programa de Assistência Técnica de
Planejamento Climático de consultores especialistas.
Além da equipe técnica, o processo de priorização de ações recebeu a colaboração
de integrantes do Fórum Curitiba sobre Mudanças Climáticas e do Global Shapers.
Realizou-se uma Consulta Pública Online20, lançada em 05 de junho de 2020, Dia
Mundial do Meio Ambiente, com duração de um mês, por meio da Plataforma
Conecta, a mesma utilizada pelo Fala Curitiba para priorizar ações envolvendo o
orçamento municipal. Das 664 respostas da população a um questionário com 12
perguntas, obteve-se conhecimento referente aos seguintes aspectos:
- percepção da população em relação à mudança do clima e aos impactos
ambientais decorrentes;
- responsabilidade, comportamento e engajamento da população em relação a
atitudes que contribuam para o enfrentamento da mudança do clima;
- disposição da população em atuar para diminuir os efeitos da mudança do
clima; e
- identificação de oportunidades para priorização de ações públicas.
A consulta permitiu a avaliação qualitativa do perfil da população em relação ao tema
mudança do clima de acordo com gênero, idade, grau de instrução e bairro de
residência. Os resultados embasaram o processo de elaboração do PlanClima,
orientando o delineamento de ações.
20A sistematização da Consulta Pública Online apresentando os principais resultados encontra-se
disponível no documento Relatório da Consulta Online.
72
Em continuidade ao processo de engajamento, participação e gestão democrática, a
minuta do PlanClima foi encaminhada ao CONCITIBA, ao Conselho Municipal do
Meio Ambiente e ao Fórum Municipal sobre Mudanças Climáticas para a sua posterior
formalização por parte da PMC.
A eficácia e o alcance de programas, planos, projetos e ações podem e devem ser
incrementados por meio de um amplo conjunto de ações que envolvem engajamento,
participação, colaboração e consulta à sociedade.
73
7 | SETORES ESTRATÉGICOS
O PlanClima é o instrumento de planejamento urbano que indica o caminho a ser
percorrido pelo poder público e sociedade para a construção de uma cidade resiliente
e neutra em carbono.
Alcançar esses objetivos exige a implementação de ações transformadoras para
reduzir as emissões de transporte, melhorar a eficiência energética das edificações,
aumentar a oferta de energia limpa e renovável e mudar padrões de consumo. Ao
mesmo tempo deve-se fortalecer a capacidade de lidar com os impactos das
mudanças climáticas por meio da adaptação.
Além de considerar os componentes-chave do Quadro de Planejamento da Ação
Climática do Grupo C40 - neutralidade em carbono; resiliência para os riscos
climáticos; governança climática e colaboração; e ação climática inclusiva - o
PlanClima estrutura suas ações em Setores Estratégicos que enfatizam áreas de
interesse de atuação.
Assim, considerando o diagnóstico elaborado a partir dos estudos e documentos que
construíram a linha de base21 para a elaboração do PlanClima, foram definidos cinco
Setores Estratégicos para sua estruturação:
(i) Qualidade Ambiental e Urbana;
(ii) Eficiência Energética;
(iii) Resíduos Sólidos e Efluentes;
(iv) Mobilidade Urbana Sustentável;
(v) Hipervisor Urbano e Inovação.
Outro aspecto importante em relação ao PlanClima são os processos de governança
e monitoramento. Eles reforçam a dinâmica intensa de interação que deve existir
entre esses Setores Estratégicos, conforme ilustrado na Figura 30.
21Inventário de GEE (Ano-Base 2016); Inventário de Sumidouros (2019); Cenários de Ações
Planejadas e Disruptivas para 2030 e 2050 (2019); Avaliação de Demandas para a Ação Climática
Inclusiva (2019); Avaliação de Risco Climático (2020); e Engajamento, Participação e Consultas
Públicas (2019 e 2020).
74
Figura 30: Setores Estratégicos do PlanClima
Cada Setor Estratégico contempla temas, o que facilita a organização das ações
prioritárias do PlanClima e seu futuro detalhamento durante o processo de
implementação, conforme pode ser observado na Figura 31.
Figura 31: Esquema dos Setores Estratégicos, Temas e Ações Prioritárias
A seguir, apresenta-se uma descrição de cada um dos Setores Estratégicos.
75
7.1 | SETOR ESTRATÉGICO QUALIDADE AMBIENTAL E URBANA
Manutenção dos serviços ecossistêmicos e promoção de serviços
ambientais no meio urbano, distribuindo equitativamente a riqueza inclusiva da
cidade
O planejamento urbano, com foco na qualidade ambiental, urbana e social de uma
cidade é fundamental à redução dos riscos sociais decorrentes da mudança do clima.
Os impactos causados pelas atividades desenvolvidas na cidade refletem diretamente
na qualidade ambiental e devem ser adequados para que a interferência seja
minimizada.
A diminuição da qualidade ambiental das cidades afeta diretamente a provisão de
serviços ecossistêmicos, que promovem bem-estar e melhor qualidade de vida à
população. O conceito de serviços ecossistêmicos está embasado na ideia de que o
meio ambiente provê benefícios à sociedade de diferentes formas (diretas ou
indiretas). Esses benefícios podem ser agrupados em quatro categorias de serviços:
(i) de provisionamento – incluem alimentos, água, e matérias primas, como
madeiras e fibras; (ii) regulatórios – regulam o clima, controlam enchentes, erosão e
doenças, além de estarem relacionados aos resíduos e à qualidade da água; (iii)
culturais – proporcionam benefícios recreativos, estéticos, espirituais e educativos;
e (iv) de suporte –formação de solo, produção primária, fotossíntese e ciclagem de
nutrientes (MEA, 2005; PANASOLO et al., 2019).
Assim, os projetos e ações que prezam pela utilização de infraestrutura natural e de
Soluções Baseadas na Natureza geram uma importante contribuição à
biodiversidade, mantendo os serviços ecossistêmicos e promovendo os serviços
ambientais.
Curitiba ao longo de seu processo de planejamento vem implantando medidas para a
melhoria da qualidade urbana e ambiental da cidade. A importância que a
administração municipal confere às políticas ambientais é demonstrada pela
consistência de leis e decretos municipais que tratam do tema. Eles envolvem a
76
conservação de maciços florestais e fundos de vale; mantêm parâmetros
urbanísticos, promovendo maior conforto urbano, como o afastamento entre as
edificações, a permeabilidade do solo, entre outros. Das ações que contribuem para
um melhor equilíbrio das relações da cidade com seu meio ambiente destacam-se os
projetos Jardins de Mel, Caminhos de Pólen, Plantio de 100 Mil Árvores e os
Programas Hortas Urbanas e Fazenda Urbana de Curitiba22.
Os exemplos acima ilustram a preocupação da cidade com a qualidade ambiental e
urbana refletida na adoção de políticas que buscam a utilização máxima dos
benefícios ecológicos, econômicos e sociais dos ativos ambientais do município.
São ações com essa conotação envolvem o Setor Estratégico Qualidade Ambiental e
Urbana. Por exemplo, a proteção e conservação ambiental, a melhoria da
biodiversidade, o aumento da capacidade de adaptação relacionada à drenagem e
ao escoamento das águas superficiais, a resiliência das edificações e das ocupações
urbanas, e a segurança alimentar e nutricional.
22Os programas e projetos voltados à segurança alimentar e nutricional têm um importante papel na
geração e valorização dos serviços ecossistêmicos. Inovadores, fomentam a provisão de alimentos
saudáveis e seguros, bem como contribuem para a diminuição dos desertos alimentares por incentivar
o cultivo de hortaliças e o plantio de árvores formando os Caminhos de Pólen. Além disso, esses
projetos valorizam o caráter educacional, recreativo e cultural, pois resgatam e estimulam o
reconhecimento de outros valores para além dos econômicos e produtivos, bem como o convívio e
interação social.
77
7.2 | SETOR ESTRATÉGICO EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
Incentivo à energia renovável e eficientização das edificações
A maneira como a sociedade se relaciona com os recursos naturais é de extrema
importância para a qualidade de vida atual e das futuras gerações. Com relação ao
uso de energia, a humanidade encontra-se em um estágio de utilização dos recursos
naturais nos maiores patamares já registrados. A utilização desses recursos está
diretamente relacionada aos padrões de consumo e aos modelos de desenvolvimento
socioeconômico. As formas de geração, transmissão e utilização da energia precisam
ser discutidas e revistas a fim de que se possa garantir a sustentabilidade em âmbito
mundial.
Considerando ainda que a produção de parte dessa crescente demanda de energia
gera uma emissão de GEE muito além dos limites aceitáveis, é de extrema relevância
que sejam repensadas formas de atuação tanto do setor público como do setor
privado e da sociedade em geral.
Assim, o Setor Estratégico Eficiência Energética abrange três temas principais: (i)
Consumo Consciente da Energia, (ii) Eficiência Energética e (iii) Geração de Energias
Renováveis.
O consumo consciente da energia requer a sensibilização da sociedade para uma
mudança de comportamento voltada ao uso responsável da energia. Essa
sensibilização pode ser realizada por meio de campanhas publicitárias, programas
educacionais nas escolas e cursos de capacitação. Deve buscar-se também um
alinhamento com setores de comércio e indústria, essenciais na redução do consumo
de energia na cidade. Entende-se que vários atores trabalhando com esse mesmo
propósito têm mais probabilidades de tornar o uso consciente da energia uma
realidade para os curitibanos.
A eficiência energética em edificações e equipamentos contribui de forma
significativa para a redução das emissões de GEE. Nesse sentido, convém
78
estabelecer ações tanto para os setores público e privado como para a sociedade em
geral.
No poder público municipal, as ações devem envolver um processo de modernização
das instalações geridas pela Prefeitura, realizando trocas graduais das tecnologias
hoje empregadas. Cabe citar a substituição das lâmpadas de vapor de sódio por LED
na iluminação pública, bem como a substituição de lâmpadas e equipamentos com
menor consumo energético nos próprios municipais - escolas, unidades de saúde,
áreas de lazer, entre outros.
Outras estratégias que podem ser adotadas pelo setor privado e pela sociedade em
geral são a utilização de lâmpadas e equipamentos mais eficientes e a substituição
de energia de fontes não renováveis por fontes renováveis. Assim, a busca pela
eficiência energética de edificações, tanto nas novas construções como nas
existentes, por meio de readequação (retrofit) de instalações, equipamentos e
padrões construtivos é uma das ênfases do PlanClima.
A Geração de Energias Renováveis, no contexto do PlanClima, refere-se a
investimentos públicos e privados voltados à geração de energias renováveis. As
fontes renováveis são caracterizadas pela utilização de recursos naturais na geração
de energia que sejam reabastecíveis: luz solar, ventos (eólica), água (hídrica), marés
(maremotriz), calor da terra (geotérmica) e biomassa como combustível.
Curitiba vem investindo em geração de energias renováveis por três modais: (i)
hidrelétrico (no Parque Barigui), (ii) solar (Usina Solar da Caximba e instalações de
módulos fotovoltaicos em equipamentos públicos) e (iii) geração de energia por fontes
de biomassa. A utilização dessas fontes contribui na transição para um consumo da
energia de baixo carbono.
Tais práticas por parte do poder público podem estimular a sociedade a optar por
fontes alternativas de geração de energia limpa em suas residências. Outra forma de
fomento é o incentivo às universidades e aos cursos de formação técnica, bem como
ao setor construção civil, para que se tornem parceiros no desenvolvimento de
79
empreendimentos sustentáveis que contribuam para a redução de emissões de GEE
na cidade.
7.3 | SETOR ESTRATÉGICO RESÍDUOS SÓLIDOS E EFLUENTES
Gestão dos resíduos sólidos e líquidos da cidade, incentivando a
produção e o consumo conscientes, melhoria contínua na coleta, tratamento e
disposição final de resíduos gerados
O Setor Estratégico está alinhado aos objetivos da Política Nacional de Resíduos que
preconiza a não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos
sólidos, bem como a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Desta
forma, O PlanClima propõe, em linhas gerais, ações de educação ambiental, de
fortalecimento da reciclagem e de incentivo ao aproveitamento da parcela orgânica.
O Setor Estratégico envolve, assim, políticas, programas, projetos, ações, iniciativas,
capacitação e legislação relacionados com gestão de resíduos sólidos, coleta e
tratamento de esgoto, promoção da economia circular e da produção e consumo
conscientes.
Para o tema Tratamento de Efluentes, o Setor Estratégico também está em
consonância com os conceitos de produção mais limpa, com eficiência ambiental e
energética, sugerindo o uso do biogás nas indústrias e a substituição por tecnologias
de baixo carbono.
Atualmente, o sistema produtivo funciona de forma linear: exploração de matérias-
primas, produção de bens e descarte. O esgotamento de recursos naturais e o
acúmulo de resíduos que decorrem de seus beneficiamentos gera grande
preocupação. A sociedade necessita rever seus padrões de produção, consumo e
descarte, pois é necessário controlar estoques finitos de recursos naturais e equilibrá-
los com os recursos renováveis.
Surge assim a economia circular, um modelo de produção que elimina o conceito de
lixo ao propor que os recursos extraídos da natureza e transformados em bens de
80
consumo sejam mantidos em circulação por meio de cadeias produtivas integradas,
reduzindo a dependência de novos insumos e ao mesmo tempo eliminando o
desperdício.
O setor público tem papel fundamental na promoção do conceito da economia
circular. Entre as atribuições ao seu alcance estão: a criação de leis; a construção de
planos municipais (como o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e o 2o
Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional); o estabelecimento de
parcerias (como o termo de entendimento firmado entre instituições de ensino
brasileiras e suecas em 2017); e a execução de ações de soluções práticas (como a
promoção da agricultura urbana na cidade, incentivando a população a produzir o
próprio alimento, e o fomento à aquisição da produção local, incentivando a cadeia
curta de alimentos). Todas essas ações - evitar o desperdício, fazer a destinação
correta dos resíduos sólidos, saber aproveitar os resíduos orgânicos e consumir
localmente - refletem os princípios da sustentabilidade e são a base da economia
circular.
7.4 | SETOR ESTRATÉGICO MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL
Promoção dos serviços de mobilidade urbana de Curitiba com maior
atratividade ao transporte público, eficiência energética, e redução da
circulação de veículos individuais
No atual cenário de desenvolvimento social e econômico do país -que induz a um
aumento expressivo da motorização individual (automóveis e motocicletas) e da frota
de veículos dedicados ao transporte de cargas - a mobilidade urbana caracteriza-se
como um desafio tanto para as políticas ambientais quanto para as urbanas.
A mobilidade tem relação direta com diversos aspectos relevantes no processo de
planejamento das cidades. Envolve a questão do uso e ocupação do solo urbano, o
perfil socioeconômico da população, aspectos culturais e segurança pública, entre
outros. A conjuntura econômica também é fundamental neste tema, não apenas pelos
investimentos em serviços e infraestrutura, mas também pelas oportunidades
81
referentes às alternativas tecnológicas e perfis das profissões que passam a surgir no
mercado de trabalho.
Assim, a Mobilidade Urbana Sustentável requer uma combinação inteligente entre
diversos fatores, para que se consiga promover as transformações necessárias ao
um desenvolvimento de baixo carbono.
Em Curitiba, o Setor Estratégico Mobilidade Urbana Sustentável possui papel central
no PlanClima devido ao Setor Transporte concentrar a maior porcentagem das
emissões de GEE da cidade. De acordo com o Inventário de Emissões de GEE Ano-
base 2016, o setor é responsável por 66,6% das emissões de CO2 no município. Esse
perfil de emissão tem relação direta com o padrão de qualidade do ar e de qualidade
de vida da população, sendo, portanto, uma área estratégica que exige ações efetivas
de redução das emissões.
A abordagem do modelo de planejamento urbano de Curitiba, integrando transporte,
uso do solo e sistema viário, e sua interação com o desenvolvimento ambiental, social
e econômico, gerou ativos importantes na cidade para a promoção de um
desenvolvimento equilibrado. Entretanto, atualmente é necessário vislumbrar
caminhos que permitam enfrentar os novos desafios que se impõem. Há de se ter um
pensamento disruptivo, aproveitando as competências e experiências acumuladas
em inovação, planejamento e sustentabilidade, e passar a estruturar alternativas para
a lógica atual de deslocamentos na cidade.
Ao mesmo tempo em que demanda um esforço da sociedade no sentido de mitigar
as suas emissões em transporte, esse Setor Estratégico tem também ao seu alcance
diversas oportunidades de atuação. Amais importante delas é basear a oferta de
serviços de mobilidade urbana da cidade em um transporte coletivo movido a
tecnologias mais limpas, ou de baixa emissão. Outras ações são o incentivo à
mobilidade ativa e a implementação de políticas e estratégias para reduzir a
circulação de veículos individuais.
Ao redesenhar a lógica de Serviços de Mobilidade Urbana de Curitiba, com o intuito
de dar ao sistema de transporte maior atratividade e eficiência energética, espera-se
82
um impacto na redução da circulação de veículos individuais e das emissões de gases
de efeito estufa.
Baseadas nesses pilares, as ações priorizadas nesse Setor Estratégico para o
PlanClima visam incentivar a eletrificação da frota de veículos de passageiros;
promover a renovação da frota de ônibus de transporte público coletivo, com atenção
em eletrificação, melhor conforto térmico, acessibilidade plena e menor poluição
ambiental; desenvolver estudos de integração das ações em transporte público com
objetivos de mitigação e adaptação; implementar áreas de baixo carbono ou carbono
neutro para mobilidade; incentivar a ampliação da participação do transporte público
coletivo e do modo de deslocamento não motorizado na divisão modal; revisar e
promover a regulamentação dos diversos modais ou tipos de transporte, de forma a
fortalecer sua integração no sistema de mobilidade urbana; fortalecer o
Desenvolvimento Orientado pelo Transporte por meio da adoção de parâmetros
urbanísticos; incentivar a criação e ampliação de zonas de uso misto; fortalecer os
deslocamentos por bicicleta e a pé, com a melhoria da infraestrutura cicloviária e de
pedestres; promover a implementação de mecanismos fiscais e outros que incentivem
a mobilidade de baixo carbono; ampliar as faixas exclusivas do transporte público
coletivo; e fortalecer a estrutura técnica e operacional para planejamento e operação
da Rede Integrada de Transporte (RIT).
7.5 | SETOR ESTRATÉGICO HIPERVISOR URBANO E INOVAÇÃO
Estabelecimento de uma cultura de gestão de dados para gerir serviços
em tempo real, planejamento políticas de longo prazo e incentivo à inovação
Esse Setor Estratégico está estruturado para colocar o uso de dados e a inovação na
base do desenvolvimento de soluções para a cidade. A política de inovação de
Curitiba foi estabelecida através da Lei no 15.324/2018, que fornece as diretrizes ao
desenvolvimento da inovação no município, em prol do dinamismo socioeconômico e
do desenvolvimento sustentável da cidade de forma integrada à região metropolitana.
83
Uma cultura de gestão de dados para administrar serviços em tempo real e subsidiar
o planejamento de políticas, somada ao monitoramento das ações pelo Hipervisor
Urbano, auxilia no desenvolvimento das ações priorizadas no PlanClima.
A captação e a análise de dados confiáveis e diversificados formam a base para que
os agentes públicos possam desenvolver estudos, programas e políticas. Dados são
fundamentais na construção de modelos viáveis que tenham impacto no
desenvolvimento das ações de combate à mudança climática23. A base de dados e a
análise das informações coletadas também são importantes no monitoramento dos
impactos das ações estabelecidas.
Com os dados disponibilizados de forma estruturada em um modelo de Hipervisor
Urbano, é possível planejar e mensurar as ações, identificar padrões dentro da cidade
ou de uma comunidade e realizar a interação digital dos atores e das informações.
Com esse processo de inovação, a coleta, o uso e a análise dos dados poderão ser
feitos de forma prática e acessível, e em diferentes escalas dentro da cidade. A
inovação é um propulsor do desenvolvimento de ações e iniciativas para a obtenção
dos objetivos traçados dentro do PlanClima, e é também um fator de engajamento de
diferentes setores da sociedade - empresas, universidades, startups e comunidades.
23“Dados confiáveis desagregados, de qualidade, acessíveis e atualizados serão necessários para
ajudar na aferição do progresso e garantir que ninguém seja deixado para trás. Esses dados são
essenciais ao processo decisório. AGENDA 2030 PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
(Acompanhamento e revisão item 48.)”.
84
8 | VISÃO E METAS 2050
A visão do PlanClima de Curitiba no horizonte de 2050 é:
“Tornar-se até 2050 uma cidade neutra em emissões, resiliente frente aos
riscos climáticos, inclusiva e vibrante, com engajamento e responsabilidade
compartilhada entre toda a sociedade”.
Alcançar a Visão 2050 exigirá o desenvolvimento e a implementação de ações
robustas e disruptivas, que na atualidade ainda enfrentam barreiras legais e
institucionais, financeiras e econômicas, políticas e sociais, além de limitações
práticas e tecnológicas.
Ou seja, serão necessários esforços para explorar soluções tecnológicas, fomentar
a inovação, incentivar mudanças de comportamentos e buscar o engajamento da
sociedade.
Dessa forma, o PlanClima e os Setores Estratégicos de cada área definiram medidas
a serem implementadas a médio e longo prazo (2030 e 2050), conforme descrito no
item 6.3 CENÁRIOS DE REDUÇÃO DE EMISSÕES DE GEE, bem como um conjunto
de ações prioritárias. Esse conjunto de medidas permite delinear as metas de
mitigação e adaptação e indicar o caminho a ser percorrido pela sociedade para que
em 2050 sejam atingidos os objetivos pretendidos em relação ao enfrentamento da
mudança do clima em Curitiba.
Contudo, essas metas, em especial as de mitigação, estão diretamente relacionadas
às medidas utilizadas na simulação do Cenário Estendido, ou seja, com barreiras à
sua implementação. Em um horizonte de 30 anos até 2050, a superação dessas
barreiras, por exemplo com o surgimento de novas soluções tecnológicas, vai
possibilitar ajustes na modelagem dos cenários. Será possível aprimorar a definição
85
das metas nas revisões sistemáticas do PlanClima, reduzindo as incertezas e
limitações que envolvem o processo de modelagem de cenários.
Em relação às metas de adaptação climática, será imprescindível que a cidade tenha,
até 2030, implementado uma série de ações como a revisão do plano de
macrodrenagem, incorporando critérios de soluções baseadas na natureza, avançar
no mapeamento de áreas prioritárias para a permeabilização do solo urbano e ampliar
o sistema de alerta monitoramento e resposta da cidade, consolidando a trajetória em
direção à resiliência da cidade.
Vale destacar ainda, que o cumprimento dessas metas está alinhado aos princípios
de desenvolvimento sustentável econômico, social e ambiental da Agenda 2030 da
ONU (ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Sendo assim, se esperam
o cumprimento de metas relacionadas aos cobenefícios gerados pelas ações
priorizadas, principalmente pela geração de empregos, melhoria da prestação de
serviços essenciais à população, diminuição dos riscos de doenças decorrentes dos
efeitos da mudança do clima, fortalecimento da governança local e participação da
sociedade civil na implementação e monitoramento do plano, e melhorias
relacionadas à ao meio ambiente natural, como enriquecimento da biodiversidade e
melhoria da qualidade ambiental da cidade.
A seguir é apresentado um resumo das metas de Mitigação e Adaptação de caráter
quantitativo e qualitativo, respectivamente, e de longo prazo, para alcançar a Visão
2050 da cidade.
86
MITIGAÇÃO
ADAPTAÇÃO
87
9 | AÇÕES PRIORIZADAS NO PLANCLIMA
O processo de seleção e priorização chegou a uma lista final de ações tanto de
mitigação quanto de adaptação que reflete as prioridades da cidade para alcançar a
neutralidade de suas emissões até 2050 - se adaptar aos efeitos da mudança do clima
nos próximos anos e gerar outros benefícios.
A priorização de ações foi um rico trabalho realizado em grupo, envolvendo
integrantes do Grupo de Trabalho GT Clima e a participação estendida de outros
servidores da PMC, do CONRESOL, de membros do Fórum de Mudanças Climáticas
e do Global Shapers.
O processo durou aproximadamente quatro meses. A Figura 32 mostra as etapas do
processo de priorização de ações.
Figura 32: Visão geral do processo de priorização de ações
Durante o processo, coube à cidade identificar ações com potencial para reduzir as
emissões de GEE e atuar sobre a redução dos riscos climáticos.
Partiu-se de um conjunto de aproximadamente 120 ações que tiveram origem, parte
nas oficinas e discussões para a elaboração dos documentos que formaram a linha
de base do PlanClima, parte em ações já previstas no planejamento setorial da
cidade. Houve ainda uma busca ativa em bancos de ações, como o do Grupo C40.
Os trabalhos foram desenvolvidos sob a orientação metodológica de uma consultoria
contratada pelo Grupo C40 e envolveram a utilização da ferramenta ASAP (Action
Selection and Priorisation), desenvolvida pelo Grupo C40. O uso dessa ferramenta
auxiliou a cidade no processo de priorização, ao propor uma estrutura de avaliação
88
de multicritérios, incluindo benefícios primários (mitigação e adaptação), cobenefícios
e viabilidade. Para a análise dos potenciais de redução de emissão das ações de
mitigação, foi considerado o cenário ambicioso, conforme descrito no item 6.3
CENÁRIOS DE REDUÇÃO DE EMISSÕES DE GEE. Essa etapa resultou em uma
lista com aproximadamente 60 ações.
A partir dessa lista, ações semelhantes foram agrupadas e ampliou-se a discussão
em um nível mais detalhado, de forma a acordar as principais prioridades da cidade
(maiores reduções de GEE e de risco climático). Desse processo, chegou-se a lista
final contendo 18 ações de mitigação e de adaptação, 1 ação de monitoramento e 1
ação de governança, totalizando 20 ações prioritárias. O detalhamento metodológico
do processo de seleção e priorização de ações encontra-se descrito no documento
complementar Processo de Seleção e priorização de Ações - ASAP – Action
Selection and Prioritisation.
As ações priorizadas estão descritas a seguir. Vale destacar que essas ações são de
amplo espectro, portanto, no processo de implementação do PlanClima serão
detalhadas, aglutinando um conjunto de subações. Na sequência o Quadro 4
apresenta as ações priorizadas relacionando-as aos aspectos de mitigação e
adaptação, aos setores estratégicos, aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,
os quais representam os cobenefícios esperados, bem como os prazos de
implementação, que foram estimados em função da prioridade e capacidade da
cidade.
Lista de Ações
Ação 1
Implementar ações de recuperação, manutenção, conservação, preservação e
ampliação das áreas verdes da cidade, visando o aumento do estoque de
carbono e a adaptação baseada em ecossistemas.
Ação de: Adaptação e Mitigação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana
89
Ação 2
Realizar intervenções em áreas de interesse a fim de promover a
permeabilidade, melhora das condições de drenagem, sombreamento e
refrescamento natural.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana
Ação 3
Implementar projetos de infraestrutura relacionados ao manejo das águas
pluviais baseados nos conceitos de Drenagem Urbana Sustentável e Soluções
Baseadas na Natureza.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana
Ação 4
Realizar ações que promovam a segurança hídrica na cidade.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana
Ação 5
Estabelecer e regulamentar requisitos para edificações adaptadas às ameaças
climáticas.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana, Eficiência Energética e Resíduos Sólidos e
Efluentes
Ação 6
Aprimorar e expandir as políticas de Segurança Alimentar com visão ampliada
de Curitiba e RMC, promover agricultura urbana e familiar de base ecológica,
fortalecer redes de cadeia curta e consumo consciente para conservação e
promoção da biodiversidade.
Ação de: Adaptação e Mitigação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana e Resíduos Sólidos e Efluentes
90
Ação 7
Incentivar a eficiência energética e o uso de energia de fontes renováveis.
Ação de: Mitigação
Setores Estratégicos: Eficiência Energética
Ação 8
Implantar medidas para a redução de Gases de Efeito Estufa em Estações de
Tratamento de Efluentes.
Ação de: Mitigação
Setores Estratégicos: Resíduos Sólidos e Efluentes e Eficiência Energética
Ação 9
Aumentar o aproveitamento das parcelas dos resíduos sólidos urbanos,
destinando somente o rejeito aos aterros sanitários.
Ação de: Mitigação
Setores Estratégicos: Resíduos Sólidos e Efluentes e Qualidade Ambiental e Urbana
Ação 10
Ampliar medidas de baixo carbono no planejamento e operação da mobilidade.
Ação de: Mitigação
Setores Estratégicos: Mobilidade Urbana Sustentável
Ação 11
Promover a mobilidade ativa, fortalecendo os deslocamentos por bicicleta e a
pé, por meio da melhoria, ampliação e integração dos serviços e da
infraestrutura cicloviária e de pedestres dentro do sistema de mobilidade da
cidade.
Ação de: Mitigação
Setores Estratégicos: Mobilidade Urbana Sustentável
Ação 12
Promover a renovação da frota do transporte público coletivo, visando a
descarbonização, melhor conforto térmico, acessibilidade plena e menor
poluição ambiental.
Ação de: Mitigação e Adaptação
Setores Estratégicos: Mobilidade Urbana Sustentável
91
Ação 13
Aprimoramento do monitoramento da qualidade do ar e adoção de ações para
diminuição de poluentes atmosféricos.
Ação de: Mitigação e Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana
Ação 14
Intensificar o monitoramento de doenças e vetores com relação direta com a
mudança do clima.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana e Hipervisor Urbano e Inovação
Ação 15
Promover ações de controle e monitoramento de uso e ocupação do solo
voltadas às mudanças do clima.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana e Hipervisor Urbano e Inovação
Ação 16
Aprimorar o sistema de alerta, monitoramento e resposta a eventos extremos
na cidade.
Ação de: Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental e Urbana e Hipervisor Urbano e Inovação
Ação 17
Desenvolver estratégias de economia circular no município.
Ação de: Mitigação e Adaptação
Setores Estratégicos: Qualidade Ambiental, Resíduos Sólidos e Efluentes, Mobilidade Urbana
Sustentável e Urbana e Hipervisor Urbano e Inovação
Ação 18
Promover campanhas de educação ambiental e mudança de comportamento
voltadas à mitigação e adaptação à mudança do clima.
Ação de: Mitigação e Adaptação
Setores Estratégicos: Hipervisor Urbano e Inovação
92
Ação 19
Desenvolver e implementar um sistema ‘Hipervisor Urbano’ ou núcleo de Data
Science para reunir dados de bancos de dados para monitorar, avaliar e
atualizar informações climáticas.
Ação de: Monitoramento
Setores Estratégicos: Hipervisor Urbano e Inovação
Ação 20
Instituir estrutura de Governança para implementação e gestão do PlanClima.
Ação de: Governança
93
Quadro 5: Ações Priorizadas do PlanClima
94
95
10 | GOVERNANÇA DO PLANCLIMA
A gestão do enfrentamento da mudança do clima envolve vários aspectos no contexto
das cidades (água, energia, biodiversidade, resíduos etc.) e ao mesmo tempo tem
repercussões físicas no território, bem como sociais e econômicas.
Cada cidade, de acordo com as características próprias, precisa elaborar seus planos
voltados às realidades locais. No entanto, cidades também fazem parte de um
contexto global, no qual pactos para o bem comum são firmados. O PlanClima, assim
como os demais planos da cidade, deve contemplar os diversos compromissos e
adesões firmados nacional e internacionalmente, além de estar intrinsecamente
alinhado às orientações dos demais planos, por exemplo os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Plano Diretor.
Por se tratar de um tema amplo, que envolve diversas áreas de conhecimento e
atuação, o PlanClima não deve ficar sob a responsabilidade de uma única autoridade
municipal. Requer planejamento, desenvolvimento e implementação prática de uma
variedade grande de ações específicas setoriais, como a articulação entre diversos
departamentos, secretarias e órgãos da Prefeitura Municipal, para que os resultados
sejam abrangentes e o conjunto se sobreponha à soma das ações individuais.
Como a produção e a distribuição de água e energia são responsabilidades de
empresas vinculadas ao poder estadual – Estado do Paraná, a interface colaborativa
com outros níveis do poder público também é muito relevante.
Além disso, a cidade de Curitiba está inserida no espaço urbano de uma região
metropolitana, de modo que é necessária a integração com os demais 28 municípios
integrantes da RMC, mais especialmente e de maneira mais próxima, com os 13 que
96
configuram o Núcleo Urbano Central (NUC)24, cujas dependências diárias são mais
intensas.
Por outro lado, uma quantidade expressiva de ações voltadas ao enfrentamento das
mudanças climáticas, depende não apenas do poder público, mas também da atitude
e ação do setor privado e da população. Por isso, a importância da disponibilidade de
informações, da educação de qualidade, da comunicação, e dos processos de
engajamento e participação -inclusive no processo de tomada de decisão para a
aplicação dos recursos públicos disponíveis ou na discussão orçamentária do
município e engajamento em consultas públicas.
Assim, o esforço pode e deve ser da sociedade como um todo - poder público,
academia, empresas, organizações não governamentais, cidadãos e cidadãs. Um
processo de governança precisa envolver todas as partes interessadas e ter uma
estrutura clara para abranger os objetivos desejados. No entanto, não deve ser um
processo rígido e estanque, mas flexível e com possibilidades de adequação e
melhoria.
São partes importantes dessa estrutura: (i) banco de informações específico contendo
as informações relevantes à mudança do clima, com ênfase na coleta de informações
junto às áreas precárias e aos locais onde vive a população mais fragilizada; (ii)
articulação dos diversos atores envolvidos, sendo necessário estratégias de
comunicação e participação; (iii) desenvolvimento de ações específicas; (iv) avaliação
e monitoramento dos resultados.
24
Municípios que compõem o Núcleo Urbano Central (NUC) da RMC: Almirante Tamandaré, Araucária,
Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Curitiba, Fazenda Rio Grande,
Itaperuçu, Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais. Fonte:
COMEC, 2020 (Disponível em:
<[Link] Acesso em:
23/09/2020).
97
10.1 | ESTRUTURA DE GOVERNANÇA NO ÂMBITO DO PODER PÚBLICO
MUNICIPAL
Consiste em uma estrutura institucional de governança interna na PMC para proceder
a gestão da implementação do PlanClima, com característica intersetorial e os
seguintes objetivos:
- detalhamento das ações priorizadas no PlanClima;
- gerenciamento das ações;
- acompanhamento da implementação das ações;
- avaliação e monitoramento das ações e resultados;
- organização de um banco de dados específico sobre o tema;
- articulação com os demais municípios da RMC e outras instâncias e órgãos de
governo; e
- fortalecimento da transparência e controle social do PlanClima.
A estrutura de governança a ser estabelecida pode ser em forma de Unidade de
Implementação do Plano, Comitê de Implementação e Monitoramento, Grupo de
Gestão do Plano ou Grupo de Trabalho. Também podem ser implementadas
instâncias institucionais no âmbito das secretarias e órgãos com responsabilidades
vinculadas às questões de desenvolvimento sustentável e mudança do clima.
Como o PlanClima tem como característica a intersetorialidade, compete à estrutura
de governança do poder público municipal fazer a articulação institucional para a
implementação das ações nas diversas áreas setoriais, bem como tratar das
vinculações orçamentárias e evitar a duplicidade de atuação.
10.2 | GOVERNANÇA COM A SOCIEDADE
Como a efetivação do PlanClima depende do envolvimento de diversos atores
externos ao poder público, se faz necessário o mapeamento e o conhecimento dos
diversos agentes da sociedade com interesse e potencial de atuação na temática da
mudança do clima. A partir do mapeamento são organizadas as formas de interação
para a complementaridade de ações, fortalecendo a implementação do PlanClima.
98
No levantamento realizado para elaborar a Avaliação de Demandas para a Ação
Climática Inclusiva foi possível identificar diversos atores capazes de contribuir para
esse processo. A Figura 33 ilustra de forma esquemática uma estrutura de
governança representando a interação entre esses diversos atores, podendo ser
gradativamente aprimorada a partir de um conhecimento mais aprofundado.
Ações de Mudança do Clima
(Ações de Adaptação e Mitigação, Potencialização de Ações
de Informação, Educação e Comunicação) de Sucesso
Ações de Articulação e Participação
Empresas
Terceiro Setor, Movimentos Comunitários e
Adesão/Compromissos Sociedade Redes
Internacionais, Nacionais ,
Estaduais e Locais Sociedade Civil
Organizada
áreas frágeis /precárias
Poder Púbico
Ações especificas em
Poder Púbico Academia
Entidades
PMCPMC
Públicas CONCITIBA
Não
municipais
Outros Comitês e Conselhos
Consultas e FÓRUM CURITIBA DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Audiências Públicas Comunidades
População
frágeis
Agentes de
Financiamento/Investimento
Figura 33: Modelo de Governança PlanClima
10.3 | INFORMAÇÃO, EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÃO
Outros aspectos importantes referentes à governança referem-se aos processos que
envolvem procedimentos de informação, educação, comunicação e participação.
Com relação à Informação, entende-se que é de caráter essencial disponibilizar
informações gerais sobre mudanças climáticas, bem como sobre o desenvolvimento
e implementação das ações do PlanClima, possibilitando o seu monitoramento e
controle social.
99
Com relação à Educação, entende-se que quanto maior o conhecimento da
sociedade sobre as questões afetas à mudança do clima, maior poderá ser seu
engajamento para o alcance dos objetivos e metas do PlanClima. Nesse sentido, a
Educação voltada à mudança do clima deve estar direcionada aos diversos setores
da sociedade, envolvendo escolas, indústrias, organizações governamentais e não
governamentais, entre outros.
Com relação à Comunicação, os fatores essenciais são clareza, objetividade e
linguagem adequada aos públicos a que se destina.
Também é necessária a definição dos meios de comunicação a serem utilizados -
jornal, rádio, televisão, sites, entre outros, conforme o tipo de comunicação necessária
no momento e característica do público alvo.
Com relação à Participação, é crucial o envolvimento e a cooperação da sociedade
(empresas, universidades, organizações não governamentais, cidadãs e cidadãos),
não somente na elaboração do Plano, mas também na implementação das ações
para o atingimento dos seus objetivos e metas.
Em resumo, a governança do PlanClima se constitui do conjunto de ações de
articulação interna, na estrutura organizacional da Prefeitura, e externa, com outros
órgãos da esfera pública e agentes da sociedade, somado às ações de informação,
educação, comunicação e participação.
100
11 | MONITORAMENTO, AVALIAÇÃO, REPORTE E REVISÃO
O efetivo cumprimento de objetivos e metas estabelecidos em políticas, programas,
projetos e ações depende de um conjunto de fatores. Destacam-se o compromisso
das partes interessadas na implementação, a capacidade técnica e institucional, o
engajamento de setores estratégicos e a designação de recursos financeiros.
Contudo, para garantir que as ações priorizadas estão sendo devidamente realizadas,
é necessário estabelecer um processo de monitoramento, avaliação, reporte e
revisão.
O compromisso de longo prazo de Curitiba, de implementação do PlanClima, deve
ser demonstrado por meio de um processo que contemple indicadores-chave de
desempenho, monitoramento contínuo, avaliação de impacto e relatórios de
acompanhamento de progresso. Isso dará transparência ao processo, inspirando
confiança no governo municipal e no seu compromisso de tornar a cidade neutra em
emissões e resiliente ao clima até 2050.
A difusão do conhecimento sobre a atuação climática municipal é outra ação
importante. Essa apropriação do saber resulta em um melhor controle social, ou um
processo coletivo de monitoramento que, consequentemente, culminará no
aperfeiçoamento de políticas públicas municipais voltadas ao enfrentamento da
mudança do clima.
Nesse contexto, deve definir-se um conjunto mínimo de ações que possibilite o
acompanhamento gerencial do processo de implementação do PlanClima. Em
Curitiba, o Sistema de Planejamento Municipal, estabelecido no seu Plano Diretor, já
conta com o Sistema de Monitoramento e Controle, que permite acompanhar e avaliar
os resultados da implementação da política urbana municipal, bem como os Planos
Setoriais. O PlanClima, como um Plano Estratégico, faz parte do Sistema de
Planejamento Municipal e sob essa perspectiva também deve ser monitorado e
avaliado em seus resultados.
101
Essas medidas somam-se ao reporte que já é realizado pelo município no âmbito da
plataforma CDP Disclosure Insight Action25.
Assim, alinhado aos protocolos de reporte existentes e aos procedimentos definidos
no Plano Diretor em relação ao monitoramento e controle, o acompanhamento
gerencial da implementação do PlanClima tem como diretrizes: (i) acompanhar o
desempenho alcançado a partir da implantação das ações priorizadas no Plano; (ii)
fornecer informações necessárias às revisões do Plano e possíveis adaptações; (iii)
promover a publicidade das informações monitoradas, permitindo maior controle
social e participação efetiva da sociedade na gestão democrática da cidade; e (iv)
estabelecer parcerias com a sociedade civil organizada, universidades e demais
entidades públicas e privadas, visando o acesso às informações necessárias ao
monitoramento do Plano.
O PlanClima tem os seguintes compromissos com o monitoramento:
- realizar a atualização dos Inventários de Emissões de GEE a cada dois anos,
de acordo com o previsto no documento complementar Plano de Gestão de
Inventários; e
- realizar a revisão completa do Plano a cada 5 anos.
25OCDP opera um sistema de divulgação global que permite que empresas, cidades, estados e regiões
meçam e gerenciem seus impactos ambientais, além de possuir a coleção mais abrangente de dados
ambientais auto divulgados do mundo.
102
12 | PRAZOS, CUSTOS E FINANCIAMENTO CLIMÁTICO
O PlanClima tem um horizonte de implantação com marcos para os anos de 2030 e
2050.
Para que as ações possam ser realizadas nos prazos estabelecidos, considerando
seus custos estimados, é necessário indicar potenciais fontes de financiamento no
processo de detalhamento das ações. Além da destinação de recursos do orçamento
municipal, algumas ações de caráter mais robusto demandam parcerias com
finalidade de captação.
O financiamento de ações com recursos do orçamento municipal requer uma
articulação entre as diversas áreas setoriais para otimizar as iniciativas municipais ao
contexto de enfrentamento das mudanças climáticas.
103
13 | CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas de Curitiba foi
desenvolvido para firmar o compromisso da cidade com a visão de se tornar uma
cidade neutra em carbono, adaptada às mudanças climáticas e resiliente até 2050,
alinhando-se às metas internacionais para o enfrentamento do aquecimento global.
A assinatura da Carta de Compromisso da cidade de Curitiba com a Meta 2020 do
Grupo C40 de Grandes Cidades para Liderança do Clima acelerou o desenvolvimento
da ação climática, que está prevista no Plano Diretor de Curitiba desde 2015.
A partir dessa assinatura, teve início o processo de elaboração do PlanClima. O
primeiro passo foi realizar um diagnóstico que permitisse um maior conhecimento
sobre os aspectos que a cidade deve enfrentar para alcançar os objetivos do
PlanClima.
Com base no diagnóstico, priorizaram-se as ações necessárias ao enfrentamento da
mudança do clima no município. Um conjunto de 18 ações endereçam aspectos de
mitigação e adaptação, mais uma ação referente a monitoramento e outra voltada à
governança climática, totalizando 20 ações prioritárias. Essas ações foram
organizadas a partir do estabelecimento de Setores Estratégicos que enfatizam
áreas de interesse da atuação municipal: Qualidade Ambiental e Urbana; Eficiência
Energética; Resíduos Sólidos e Efluentes; Mobilidade Urbana Sustentável; e
Hipervisor Urbano e Inovação.
Entre os elementos do diagnóstico, o Inventário de Emissões de GEE Ano-base
2016merece destaque. Além de permitir conhecer o perfil atualizado das emissões da
cidade, também estabelecea linha de base sobre a qual podem ser comparados os
cenários de emissões ambicioso e estendido com os cenários tendencial e planejado.
O Inventário de Emissões de GEE Ano-base 2016 indica que as emissões
provenientes do Setor Transporte representam o maior desafio da cidade no
componente de mitigação, seguido do Setor Energia e do Setor Resíduos. Com base
nesse perfil, foi possível priorizar ações de mitigação voltadas aos três setores de
acordo com o seu potencial de redução, bem como os cobenefícios e critérios de
financiamento.
104
No Setor Transporte, foram priorizadas três ações com alto potencial de redução de
emissões: ampliar as medidas de baixo carbono no planejamento e operação da
mobilidade, em especial a transição energética dos modais de transporte; promover
a mobilidade ativa (deslocamentos a pé e bicicleta); e fazer a renovação da frota de
transporte público com ênfase na sua descarbonização (Ações 10, 11 e 12). Tais
ações requerem um esforço municipal em termos de planejamento e financiamento,
bem como um engajamento da sociedade em campanhas pelo uso de modais de
transporte menos emissores.
Com relação ao Setor Energia, foi priorizada uma ação voltada ao incentivo da
eficiência energética e ao uso de energia de fontes renováveis. A ação tem um caráter
bastante abrangente que engloba desdobramentos relacionados ao consumo
consciente da energia, à eficiência energética de equipamentos e edificações, bem
como à geração de energias renováveis (Ação 7).
No Setor Resíduos, 2 ações foram priorizadas, uma voltada à implementação de
medidas para a redução de GEE em Estações de Tratamento de Efluentes; outra ao
aumento do aproveitamento das parcelas dos resíduos sólidos urbanos (Ações 8 e
9).
Outro elemento importante na fase de avaliação diagnóstica foi a Avaliação de
Riscos Climáticos. A caracterização do clima atual e a projeção dos cenários futuros
considerando as mudanças climáticas identificaram, de forma espacializada, os
principais riscos da cidade - alagamento, inundação, deslizamento e suscetibilidade
a ondas de calor.
A avaliação confirmou a tendência futura de aumento de temperatura média da
cidade. Apontou uma maior probabilidade de ocorrência de eventos extremos de
tempestades no futuro, com potencial para provocar enchentes e alagamentos.
Também mostrou que longos períodos de estiagem serão mais frequentes, com
reflexos sobre o abastecimento da cidade - o já ocorreu ao longo de 2020. Essa
avaliação reportou elementos suficientes para apoiar a priorização de seis ações
voltadas ao aumento de resiliência da cidade: políticas ambientais de conservação e
ampliação das áreas verdes visando o aumento do estoque de carbono (mitigação),
e integração de conceitos como Adaptação baseada em Ecossistema (AbE) e
105
Serviços Ecossistêmicos (adaptação); permeabilidade e melhoria das condições de
drenagem, sombreamento e refrescamento natural distribuídos por toda a cidade;
projetos de manejo de águas pluviais baseados em conceitos de drenagem urbana
sustentável e Soluções baseadas na Natureza (SbN); segurança hídrica; critérios
para edificações adaptadas às ameaças climáticas; segurança alimentar e
nutricional (Ações 1, 2, 3, 4, 5 e 6).
Os processos de Avaliação de Demandas para a Ação Climática Inclusiva e de
Engajamento, Participação e Colaboração forneceram importantes insumos para o
estabelecimento de seis ações: aprimoramento do monitoramento da qualidade do
ar e de diminuição de poluentes atmosféricos; intensificação do monitoramento de
doenças e vetores relacionados à mudança do clima; promoção de controle e
monitoramento do uso e ocupação do solo; aprimoramento do sistema de alerta;
monitoramento e resposta a eventos extremos na cidade; desenvolvimento de
estratégias de economia circular; e educação ambiental voltada à mitigação e
adaptação à mudança do clima. (Ações 13, 14, 15,16, 17 e 18).
Entendendo que o monitoramento e a governança são elementos essenciais para a
efetiva implementação do PlanClima, foi priorizada uma ação voltada à
implementação de um sistema Hipervisor Urbano, que reúne dados para monitorar,
avaliar e atualizar informações climáticas; e mais uma ação voltada à instituição da
estrutura de governança para a implementação e gestão do PlanClima (Ações 19 e
20).
A elaboração de Cenários de Emissões de GEE, que também fez parte da
elaboração do diagnóstico para a priorização de ações do PlanClima, mostrou que as
medidas previstas nos Cenários Tendencial e Planejado não conseguem reduzir as
emissões da cidade nos horizontes de 2030 e 2050. Mesmo as medidas do Cenário
Ambicioso, que têm potencial de redução de 23,3% das emissões em 2030 e de
42,1% em 2050, em relação às emissões do cenário tendencial, ainda ficam distantes
do alcance da Trajetória-Alvo, cuja meta é a neutralidade de emissões.
As medidas para o Cenário Estendido, que enfrentam barreiras processuais ou
técnicas, têm potencial de redução de 42,9% das emissões em 2030 e de 78,1% em
2050, em relação às emissões de 2016. Embora esteja mais próximo ao atingimento
106
da neutralidade de carbono, este cenário não apresenta uma trajetória que permita o
cumprimento do objetivo da neutralidade de carbono – o resultado ainda apresenta
emissões residuais que se devem ao Setor Transporte, seguido pelo consumo de
energia na indústria.
Emissões residuais são aquelas remanescentes após todas as oportunidades
técnicas e economicamente viáveis serem implementadas. Para eliminá-las são
demandadas estratégias de engajamento e articulação com atores que tenham
governabilidade sobre os aspectos a serem implementados e, também, investimentos
no incremento dos estoques naturais de carbono da cidade.
Evidencia-se, assim, que o esforço da cidade e da sociedade curitibana para o
alcance da neutralidade de carbono em 2050 é um desafio importante a ser
endereçado por meio de ações robustas. Por exemplo, romper com modelos
tradicionais de planejamento, gestão, processos produtivos e comportamentos
individuais.
A instituição de um processo de monitoramento, avaliação, reporte e revisão do
PlanClima e faz essencial para vislumbrar caminhos que permitam enfrentar os
desafios impostos. Nesse processo, o aproveitamento das competências e
experiências acumuladas vão possibilitar a identificação dos ajustes necessários no
decorrer da sua implementação.
Somando-se a isso, o processo de monitoramento, avaliação, reporte e revisão deve
estar ancorado em uma estrutura de governança climática capaz de executar o plano
de forma articulada, fortalecendo os aspectos de Informação, Educação,
Comunicação e Participação.
Apesar de todos os esforços, o alcance dos objetivos e metas do Plano exigirá ações
disruptivas, que na atualidade ainda demandam o enfrentamento de barreiras à sua
implementação.
Nesse percurso, será necessário o desenvolvimento de novas tecnologias e muita
inovação para implementar projetos que contribuam com a diminuição de emissões e
promovam a adaptação à mudança climática, tornando a cidade mais resiliente. Além
disso, espera-se a integração de ações entre os diversos atores (público e privado,
107
universidades, comunidades, cidadãs e cidadãos) em apoio ao desenvolvimento das
ações do PlanClima.
Durante o processo de planejamento de ação climática, o mundo entrou em uma crise
sanitária com a pandemia do novo coronavírus. As medidas de prevenção ao contágio
– o isolamento e o distanciamento social - impactaram a sociedade, mas deixaram
uma lição importante, a de que é possível mudar padrões de comportamento e
consumo, bem como implementar ações disruptivas em prol de um objetivo maior.
Portanto, o PlanClima, ao mesmo tempo em que demanda um esforço robusto da
sociedade no sentido de mitigar as suas emissões e adaptar-se à mudança climática,
também traz diversas oportunidades de atuação. Possibilita novas formas mais
sustentáveis de se relacionar com o ambiente urbano, que podem resultar em uma
melhor qualidade de vida para todos.
Cabe ainda destacar, que o processo de elaboração do PlanClima demandou da
cidade e dos colaboradores o investimento em construção de conhecimento e
desenvolvimento de capacidades para o tema mudança climática. Isso somente foi
possível em razão do intenso processo de engajamento e participação, que gerou
uma forte sinergia voltada ao delineamento das ações priorizadas.
Muitos desafios e barreiras tiveram de ser superadas no processo, resultando na
certeza de que é possível a efetiva implementação do PlanClima e o alcance da visão:
“Tornar-se até 2050 uma cidade neutra em emissões, resiliente frente aos riscos
climáticos, inclusiva e vibrante, com engajamento e responsabilidade
compartilhada entre toda a sociedade”.
As cidades constituem um organismo em permanente construção e, a cada dia, novas
questões se fazem presentes na pauta dos gestores públicos e perante a própria
comunidade.
Recentemente foram lançados os projetos Gestão do Risco Climático Bairro Novo do
Caximba, Curitiba Mais Energia e Fazenda Urbana, que endereçam e incentivam,
respectivamente, a adaptação às mudanças climáticas para populações vulneráveis,
a geração de energia renovável, e a adoção de hábitos saudáveis de alimentação e
manejo da produção alimentar. Esses projetos representam exemplos de ações
108
disruptivas que devem ser multiplicadas para o enfrentamento das mudanças
climáticas. São alternativas de uma ocupação urbana inteligente, que traz o olhar da
preservação dos recursos naturais.
Para concluir, o PlanClima é um documento estratégico dentro da política urbana
municipal que demonstra como a cidade de Curitiba vai poder alcançar os objetivos e
metas para o ano de 2050, alinhada aos ODS e ao Acordo de Paris. O PlanClima
configura-se como uma janela de oportunidade para a cidade assumir uma posição
de inovação, liderança e protagonismo em relação ao enfrentamento à mudança do
clima.
109
14 | GLOSSÁRIO
Ação climática inclusiva: É um pilar fundamental para a ação climática das cidades,
sobretudo em países em desenvolvimento, porque pressupõe a inclusão social,
econômica e espacial dos grupos mais vulneráveis. O contexto socioeconômico está
intimamente ligado à capacidade de resposta de determinados grupos sociais.
Portanto, a redução das desigualdades e o combate à pobreza também são um
desafio climático. (C40, 2020).
Acordo de Paris: Compromisso mundial para manter o aumento da temperatura
média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e empreender
esforços para limitar esse aumento a 1,5° C, reconhecendo que isso reduziria
consideravelmente os riscos e os impactos climáticos. Para além desse compromisso,
o Acordo de Paris objetiva aumentar a capacidade de adaptação aos impactos da
mudança climática e tornar os fluxos financeiros compatíveis com o desenvolvimento
resiliente ao clima e às baixas emissões de GEE. (BARBIERI, 2020).
Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE): São as medidas de adaptação que
têm por fundamento os ecossistemas e o uso da biodiversidade por meio de serviços
ecossistêmicos. Está centrada no auxílio à adaptação das pessoas aos efeitos das
mudanças climáticas, visando a redução da vulnerabilidade das populações. (MMA,
2018).
Adaptação: Processo de adaptação ao clima e aos seus efeitos reais ou esperados.
Em sistemas humanos, a adaptação procura diminuir ou evitar danos, e mesmo
explorar oportunidades benéficas. Em alguns sistemas naturais, a intervenção
humana facilita a adaptação ao clima esperado e a seus efeitos.
Ameaças climáticas: Ocorrência potencial de um evento natural ou fisicamente
induzido pelo ser humano; impacto físico, ou tendência a este, que pode causar perda
de vidas, ferimentos ou outros problemas de saúde. Também pode causar perdas ou
danos de propriedade, infraestrutura, meios de subsistência, prestação de serviços,
110
ecossistemas e recursos ambientais. Por exemplo, aumento da temperatura,
diminuição/aumento da precipitação, inundações, deslizamentos de terra, ondas de
calor, secas, aumento do nível do mar etc. Neste relatório, o termo “ameaça”
geralmente se refere a eventos relacionados ao clima, impactos físicos ou tendência
a estes.
Baixo carbono: É um conceito relacionado à economia porque se trata da busca por
novas tecnologias e desenvolvimento de processos produtivos que resultem em
menor impacto para o clima do planeta. Procura ainda alternativas energéticas mais
eficientes combinadas com a redução de emissões de gases de efeito estufa. (FGV,
2012).
Capacidade adaptativa: É o conjunto de habilidades, atributos e recursos
disponíveis de um determinado grupo ou de um indivíduo posto à serviço do
enfrentamento dos impactos negativos decorrentes da mudança climática, de forma
a reduzir esses impactos, mitigar os danos ou explorar oportunidades. (AdaptaCLIMA,
MMA, 2020.)
Cobenefícios: São os benefícios que vão além da redução das emissões de GEE e
que contribuem para a promoção do desenvolvimento sustentável. São exemplos de
cobenefícios: incremento da economia local, criação de emprego e renda, diminuição
da pobreza e melhoria da qualidade do ar. (Paiva et al, 2015).
Compostagem: É uma técnica que permite a transformação de materiais orgânicos
em adubo. Funciona como uma reciclagem de resíduos orgânicos por meio da
aceleração da decomposição desse material tendo por resultado um composto
orgânico para ser reutilizado em jardins, hortas e pomares. O processo biológico
decorrente da compostagem permite o retorno dos nutrientes orgânicos ao ciclo
natural. (MMA, 2020).
Deslizamentos: É o termo genérico para designar a descida do solo, de rochas e de
material orgânico quando submetidos à ação da gravidade. São também chamados
de movimento de massa e ruptura de talude. (Highlandet. Al. 2008).
111
Diretriz: Em sentido estrito, diretriz é a linha básica que determina um traçado. No
âmbito da Ação Climática é utilizado no sentido figurado. São as linhas que conduzem
o traçado das ações e estratégias para se alcançar os objetivos da entrega da ação
climática.
Energia renovável: São as fontes de energia não fósseis como as decorrentes do
petróleo. São exemplos de energia renovável: solar, eólica e biomassa. (IPEA, 2011).
Escassez hídrica: A escassez hídrica é a falta de acesso a fontes adequadas de
água potável para atender necessidades diversas como dessedentação, irrigação,
processos industriais, entre outras. (Jacobi et al. 2016).
Exposição: Presença de pessoas, meios de subsistência, espécies ou ecossistemas,
funções ecossistêmicas, serviços e recursos, infraestrutura ou recursos econômicos,
sociais ou culturais em locais e configurações que podem ser afetadas adversamente.
Gases de efeito estufa: São os gases liberados pela queima de combustíveis fósseis
usados nos automóveis, nas indústrias e nas usinas termelétricas. Incluem o dióxido
de carbono, o metano e o óxido nitroso. Gases de efeito estufa também são
provenientes de queimadas, desmatamento, decomposição do lixo etc. O aumento
na emissão destes gases está associado ao aumento na temperatura do planeta e à
mudança climática. (INPE, 2017).
Impactos: Efeitos sobre os sistemas naturais e humanos. Neste relatório, o termo
impacto é utilizado principalmente para se referir aos efeitos sobre os sistemas
naturais e humanos dos eventos climáticos e meteorológicos extremos e das
mudanças climáticas. Impactos geralmente são os efeitos sobre a vida, meios de vida,
saúde, ecossistemas, economias, sociedades, culturas, serviços e infraestrutura,
resultantes da interação entre os eventos climáticos perigosos e a vulnerabilidade de
uma sociedade ou um sistema exposto a certo perigo. Impactos também se referem
a consequências e resultados.
112
Indicador: Parâmetro utilizado para quantificar informações sobre um
sistema/processo e monitorar a sua evolução no tempo relativo a uma linha de base
(baseline). Os indicadores são também utilizados para comparar performances de
diferentes áreas de estudo (estados, comunidades etc.). Os indicadores podem ser
simples - quando descrevem somente uma variável, como a temperatura -, ou
compostos (chamados também de índices) - quando resumem múltiplas informações,
como o PIB, o índice de desenvolvimento tecnológico ou o índice de vulnerabilidade.
Meta de redução: É o grau de atingimento dos níveis de redução de emissões de
gases de efeito estufa que os países signatários de acordos e protocolos
internacionais devem alcançar em relação às linhas de base de emissão. (Tilio Neto,
2010).
MITIGAÇÃO: intervenção humana para reduzir as fontes e melhorar os reservatórios
de gases de efeito estufa.
Mobilidade ativa: É a mobilidade não motorizada, que depende tão somente de força
humana para transporte próprio ou de bens, ainda que auxiliado por algum
equipamento (patins, patinete, skate...). São exemplos de mobilidade ativa: a
caminhada e a bicicleta. (Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana,
2007).
Mudança do clima: As alterações climáticas referem-se a uma mudança no estado
do clima identificada – em testes estatísticos – por alterações na média e/ou na
variação das suas propriedades e que persistem durante um longo período. A
mudança climática pode ocorrer tanto por meio de processos internos naturais ou
forças externas, como modulações dos ciclos solares, erupções vulcânicas e
mudanças antropogênicas persistentes na composição da atmosfera ou no uso da
terra. A Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em seu artigo 1 o,
define a mudança climática como “uma mudança do clima que é atribuída direta ou
indiretamente à atividade humana, que altera a composição da atmosfera terrestre e
que vai além da variabilidade climática natural observada ao longo de períodos
comparáveis”. A UNFCCC faz, assim, uma distinção entre as mudanças climáticas
113
atribuídas às atividades humanas que alteram a composição atmosférica e a
variabilidade do clima atribuída a causas naturais.
Neutralidade de emissões: É a eliminação total dos combustíveis fósseis e outras
emissões de CO₂ em setores como transportes, geração de energia e indústria. As
emissões residuais devem ser compensadas por meio de mecanismos de captura de
carbono, por exemplo, plantio de árvores. (IPCC, 2014).
Ondas de calor: São períodos prolongados com temperaturas extremas prejudiciais
à saúde humana e que impactam atividades econômicas, como o setor agropecuário,
e ainda provocam o aumento da demanda por energia elétrica. (Bitencourt et al.,
2016).
Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCom): É a uma aliança de
cidades e governos locais de todo o mundo, voluntariamente comprometidos, que tem
por compromisso o enfrentamento dos desafios climáticos como a mitigação,
adaptação e acesso à energia segura, sustentável e acessível para todos. (GCoM,
2020).
Plano de ação climática: É um documento que define ações alinhadas com os
objetivos do Acordo de Paris. O Plano deve ser integrado, inclusivo e endereçado às
necessidades de redução dos gases de efeito estufa e à adaptação aos impactos da
mudança climática. Deve entregar à população amplos benefícios sociais, ambientais
e econômicos. (C40, 2020).
Poluição atmosférica: É qualquer matéria que torna o ar impróprio ou nocivo à saúde
da população, da fauna e da flora. Impacta a qualidade de vida, aumentando a
ocorrência de doenças respiratórias. (MMA, s/d).
Qualidade do ar: É o produto resultante de um conjunto de fatores relacionados à
quantidade de gases lançados na atmosfera combinado com a topografia e as
condições meteorológicas das cidades. Essas condições físicas e meteorológicas
114
influenciam na dispersão ou não dos poluentes na atmosfera implicando uma melhor
ou pior qualidade do ar. A gestão e o monitoramento da qualidade do ar são
importantes para o desenvolvimento de políticas públicas de sustentabilidade e de
saúde pública.
Resiliência: Capacidade dos sistemas sociais, econômicos e ambientais de lidar com
um evento, tendência ou distúrbio perigoso, de responder ou se reorganizar de modo
a manter a sua função essencial, identidade e estrutura.
Risco: Consequência potencial em uma situação em que algo de valor está em jogo
e cujo resultado é incerto, reconhecendo a diversidade de valores. O risco é muitas
vezes representado como a probabilidade de ocorrência de eventos perigosos.
Resulta da interação entre vulnerabilidade, exposição e ameaças. Neste relatório, o
termo risco é usado principalmente para referir-se aos riscos oriundos dos impactos
relacionados à mudança climática.
Soluções baseadas na Natureza (SbN): São as ações destinadas a proteger e
restaurar ambientes naturais ou ecossistemas modificados para solucionar desafios
urbanos e ambientais. Essas ações se utilizam ou simulam processos naturais de
forma a resguardar simultaneamente a biodiversidade e o bem estar humano. As SbN
são determinadas pelas características naturais e culturais locais e pensadas em
escala de paisagem, podendo ser aplicadas de maneira isolada ou integrada com
soluções tecnológicas e de engenharia. (IUCN, 2020; Glossário ICLEI, s/d).
Sumidouro de carbono: É uma ação, processo ou mecanismo que sequestra os
gases de efeito estufa da atmosfera (o gás carbônico, mais especificamente) em
maior quantidade do que emite, armazenando-os por um período, contribuindo assim
para a mitigação do aquecimento global. São exemplos de sumidouros de carbono: o
solo, as florestas e os oceanos. (FAO, 2020) (MMA, 2016).
Vulnerabilidade: Propensão ou pré-disposição a ser adversamente afetado. Engloba
uma variedade de conceitos e elementos, incluindo sensibilidade ou susceptibilidade
a danos e falta de capacidade para lidar e se adaptar.
115
15 | REFERÊNCIAS
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