Universidade Federal do Paraná
Setor de Tecnologia
Departamento de Hidráulica e Saneamento
Filtração
Prof. Ramiro Gonçalves Etchepare
E-mail: [Link]@[Link]
FLUXOGRAMA DO TRATAMENTO
CONVENCIONAL DE ÁGUA
Sedimentação ou
Manancial Coagulação Floculação Flotação
Agente
oxidante
Correção de pH Fluoretação Desinfecção Filtração
Alcalinizante
Água Tratada
Histórico
▪ 1804 – John Gibb (Paisley-Escócia) construiu um filtro lento de
areia
▪ 1852 – Inglaterra obrigou a filtração de água de rios para
consumo humano
▪ 1892 – Surto de Cólera (margens rio Elba)
▪ Hamburgo (sem filtros) – registro de 8000 mortes
▪ Altona (com filtros) – sem registros de mortes
Filtração
Conceito
•Passagem da água por um meio poroso
•Separação de sólidos do líquido
Finalidade
•Remoção de sólidos suspensos
•Precipitados químicos
•Micro-organismos (filtração lenta)
Filtração
Tipo de Filtração
Filtração em Membrana Filtração em Meio Granular
•Osmose reversa •Filtros lentos (1-7,5 m³/m²d)
•Nanofiltração •Filtração rápida (120-480 m³/m²d)
•Ultrafiltração
•Microfiltração
Filtração Mecanismos de Transporte e Aderência
• Virus: 0,01 - 0,025 mm
• Bacterias: 0,2 - 1 mm
• Cryptosporidium: 3 - 5 mm
• Giardia: 6 - 10 mm
Forças Eletrostáticas
Forças de Van Der Waals
Adsorção Mútua
Reações de Hidratação
É imperativo que as partículas a serem filtradas tenham sido desestabilizadas
previamente na etapa química
Filtração
Filtração Convencional
Relação com o Tratamento Filtração Direta
Filtração em Linha
Filtração Convencional
Manancial Coagulação Floculação Sedimentação
Água final Filtração
Filtração
Relação com o Tratamento
Filtração Direta
Manancial Coagulação Floculação Sedimentação
Água final Filtração
Turbidez - 20 UNT
Cor aparente - 20 UC
Densidade algal – 1000 UPA/mL
Filtração
Relação com o Tratamento
Filtração em Linha
Manancial Coagulação Floculação Sedimentação
Água final Filtração
Turbidez - 5 UNT
Cor aparente - 10 UC
Densidade algal – 500 UPA/mL
Filtração
▪ Filtro de Fluxo Descendente
Sentido de Escoamento
▪ Filtro de Fluxo Ascendente
Filtração Descendente
Filtração Ascendente
Filtração
Sentido de Escoamento: Filtração Descendente
Filtração
Descendente
Água
Lavagem
Filtração
Controle Hidráulico
Q
Taxa de filtração q=
A filtração
Taxa ou Velocidade de Filtração
h =lentos: 2 a 6 m3/[Link]
Filtros
h
Filtros rápidos: 120 a 360 m3/[Link]
Filtros rápidos de alta taxa: > 450 m3/[Link]
Antracito
NBR 12216
Filtros lentos: máxima de 6 m3/m2 x dia
Filtros rápidos:
Areia a) para filtro de camada simples, 180 m3/[Link]
b) para filtro de camada dupla, 360 m3/[Link]
CLASSIFICAÇÃO DO PROCESSO DE FILTRAÇÃO
Com relação ao meio filtrante
Antracito ou
CAG
Antracito ou
Areia, Antracito CAG
ou CAG
Areia
Areia Granada
Camada simples Dupla camada Tripla camada
Filtração
Material do Leito Filtrante
• Coef. de esfericidade é a área superficial de uma esfera perfeita
de igual volume da partícula, dividido pela área superficial da
partícula
• Porosidade é igual ao volume de vazios do material filtrante
dividido pelo volume total do material filtrante
Filtração
Material do Leito Filtrante
Filtração
Material do Leito Filtrante
• Tamanho Efetivo (d10)
• Coeficiente de Uniformidade (C.U.= d60/d10) – representa
uma méia da curva granulométrica do material
Filtração
Disposição do Material no Leito Filtrante
Antracito
Areia Antracito
ou Antracito
Areia
Areia Granada
Meio Simples Meio Duplo Múltiplas Camadas
Camada Simples Camada Dupla
Meio Simples – 120 a 240 m3/[Link]
Meio Duplo e Multiplas Camadas - 240 a 480 m3/[Link]
Filtração
Sistema de drenagem
▪ Fundo Leopold
antracito
Camada suporte
carvão
areia
pedregulho
Leito
Suporte
fundo falso em PVC
CAMADA SUPORTE - GRANULOMETRIA E ALTURA
• O diâmetro do menor grão da camada inferior do meio suporte
deve ser cerca de 2 a 3 vezes o diâmetro do orifício do sistema de
drenagem
• O diâmetro do menor grão da camada superior do meio suporte
deve ser cerca de 4 a 4,5 vezes o valor do diâmetro efetivo do
material filtrante
• Entre as camadas que compõem o meio suporte, a relação entre
o diâmetro do maior grão e o diâmetro do menor grão da camada
adjacente deve ser igual a 4
• A espessura mínima de cada camada componente do meio
suporte deve ser igual a 7,5 cm ou três vezes o diâmetro máximo
do grão.
• Espessura da camada suporte normalmente varia entre 25 – 50
cm
• Características da camada suporte do tipo
reversa – quando o sistema de lavagem é
feito com ar e água
Camada Granulometria Altura
Camada 1 12,7 mm a 19,0 mm 5,0 cm (Topo)
Camada 2 6,4 mm a 12,7 mm 5,0 cm
Camada 3 3,2 mm a 6,4 mm 5,0 cm
Camada 4 1,6 mm a 3,2 mm 5,0 cm
Camada 5 3,2 mm a 6,4 mm 5,0 cm
Camada 6 6,4 mm a 12,7 mm 5,0 cm
Camada 7 12,7 mm a 19,0 mm 5,0 cm (Fundo)
Total 35 cm
Filtração
Exemplo – ETA Iguaçú – Curitiba /PR
• Carvão possui altura de 45 cm
• Areia possui altura de 40 cm
• Camada suporte possui altura de 25 cm
• Total de 1,10 metros
• A coluna de água pode chegar a 1,00 m de altura sobre o
filtro
Filtração
Parâmetros de projeto:
Cálculo aproximado do número de filtros
• Pela fórmula empírica proposta por Kawamura (2000):
N f = 1,2 Q
Sendo:
Q = vazão em mgd
1 mgd = 3.785 m3/d
• Em função do número dos decantadores, das condições de
operação da ETA e da experiência do projetista, definir o
número de filtros
Filtração
Parâmetros de projeto:
NBR 12.216/1992
Filtros lentos: A camada filtrante deve ser constituída de areia, com
as seguintes características:
a) espessura mínima de 0,90 m;
b) tamanho efetivo de 0,25 a 0,35 mm;
c) coeficiente de uniformidade menor que 3.
Camada suporte com espessura mínima de 20 cm acima do leito de drenagem
Filtros rápidos (camada dupla)
a) areia: b) antracito:
- espessura mínima da camada = 25 cm - espessura mínima da camada, 45 cm
- tamanho efetivo, de 0,40 mm a 0,45 mm - tamanho efetivo, de 0,8 mm a 1,0 mm
- coeficiente de uniformidade, de 1,4 a 1,6 - coeficiente de uniformidade, inferior ou
igual a 1,4
Exemplo de pré-dimensionamento
Dimensione as unidades de filtração rápida do tipo fluxo
descendente (áreas, dimensões e taxa de filtração) de uma
ETA, sabendo que a vazão de projeto é 500 L/s e que a
mesma possui 2 decantadores. Dados: largura decantador =
8m.
Cálculo da área total de filtração
Q Q
TAXA = Atf =
ATf TAXA
0,5 𝑚3 . 𝑠 −1 86400 𝑠
𝐴𝑡𝑓 = . = 144 𝑚 2
300 𝑚3 . 𝑚2 . ℎ−1 1𝑑
Cálculo do número de filtros:
Fórmula empírica proposta por Kawamura
N = 1,2 Q 0,5
N=número de filtros
Q=vazão em mgd (1 mgd = 3.785 m3/dia)
0,5 𝑚3 . 𝑠 −1 . 86400𝑠 1
𝑄= . 𝑚𝑔𝑑
1𝑑 3785
𝑄 = 11,413 𝑚𝑔𝑑
𝑛 = 1,2 11,413 = 4,05 𝑓𝑖𝑙𝑡𝑟𝑜𝑠 = 4 filtros (adotado)
Área individual dos filtros:
144
𝐴𝑖 = = 36 𝑚2
4
Dimensões de cada filtro:
• Cada filtro será composto por canal lateral
de coleta de água de lavagem, com largura
igual a 1,0 m, para permitir a instalação de
comporta de saída de água de lavagem.
• Cada decantador apresenta uma largura
individual de 8 m e, admitindo-se que a
cada um esteja associado 2 filtros, tem-se
que:
Dimensões de cada filtro:
Como Bd = 8 m e adotando b´= 1 m
𝐵𝑑 8
𝐵𝑖 = − 𝑏´ = − 1 = 3 𝑚
2 2
𝐴𝑖 = 𝐵𝑖. 𝐿𝑖 → 36 𝑚2 = 3 𝑚. 𝐿𝑖 → 𝐿𝑖 = 12 𝑚
Definição das características do leito filtrante
NBR 12216
• A NBR 12.216/1992 indica que é recomendado a realização de testes em filtro
piloto para a determinação da altura das camadas filtrantes.
• Em caso da impossibilidade da realização deste teste é recomendado que, para
filtros de camada dupla composto por carvão e areia, a espessura mínima da
camada de areia e antracito seja de 25 cm e 45 cm, respectivamente.
Definição das características do leito filtrante
NBR 12216
Tabela 1: Característica do material filtrante
Altura Diâmetro [Link] Massa Porosidade Coef.
Material (m) efetivo específica Esfericidade
(mm) (kg/m3)
Areia 0,3 0,45 1,5 2.750 0,45 0,80
Antracito 0,5 1,0 1,4 1.600 0,55 0,55
Definição da camada suporte
Dado que a lavagem do material filtrante será efetuado com ar e água:
• Será adotado o bloco Leopold como sistema de drenagem. A
camada suporte recomendada é do tipo reversa, com as
seguintes características:
Tabela 2. Composição da camada suporte sugerida para o filtro
Camada Granulometria Altura
Camada 1 12,7 mm a 19,0 mm 5,0 cm (fundo)
Camada 2 6,4 mm a 12,7 mm 5,0 cm
Camada 3 3,2 mm a 6,4 mm 5,0 cm
Camada 4 1,6 mm a 3,2 mm 5,0 cm
Camada 5 3,2 mm a 6,4 mm 5,0 cm
Camada 6 6,4 mm a 12,7 mm 5,0 cm
Camada 7 12,7 mm a 19,0 mm 5,0 cm (topo)
Total 35 cm
Cálculo da vazão de água de lavagem
NBR = v min = 60 cm/min
Será adotada uma velocidade de ascensão da água de lavagem
igual a 1,3 cm/s
𝑄´ = 𝑣. 𝐴𝑖 = 1,3 𝑥 10−2 𝑚. 𝑠 −1 . 36𝑚2 = 0,468 𝑚3 𝑠 −1
Reservatório de água de lavagem
Adotando o tempo de lavagem em contracorrente de 10 min
(adotar entre 8 e 12 min em sistemas com lavagem com ar)
60 𝑠
𝑉 = 𝑄´. 𝑡 = 𝑄´. 10 𝑚𝑖𝑛 = 0,468 𝑚3 𝑠 −1 . . 10 min = 280,8 𝑚3
1 𝑚𝑖𝑛
Adotando por segurança: Vx2
𝑉 = 562 𝑚3
Filtração
Leito
Filtrante
Leito
Suporte
Sistema
Drenagem
Filtração Rápida
Filtração Rápida
Sistema de Coleta de Água de
Lavagem
Sistema de Coleta de Água
de Lavagem
Sistema de Filtração: Tubulações, Válvulas e Comportas
Saída água lavagem
Filtros Rápidos
Filtros Rápidos
Injeção de ar no filtro,
início lavagem
ETA Santa Maria
LAY-OUT DE ETAs
ASSOCIAÇÃO FLOCULADORES E
DECANTADORES
F1 F2 F8
CASA DE
QUÍMICA
Canal de água coagulada
LAY-OUT DE ETAs
ASSOCIAÇÃO FLOCULADORES E
DECANTADORES
F5 F6
F1 F2
Canal de água coagulada
CASA DE
QUÍMICA
Referências bibliográficas de apoio
• ABNT, NBR. 12216 – Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento
público. Rio de Janeiro: ABNT, 1992.
• HOWE, Kerry J. et al. Princípios do Tratamento de Água. São Paulo: Cengage, 2016.
624 p
• LIBÂNIO, Marcelo. Fundamentos de qualidade e tratamento de água. Átomo, 2008.
• RICHTER, Carlos A. Água: métodos e tecnologia de tratamento. Edgard Blucher,
2009.
• Piveli, R.P; Ferreira Filho, S.S. Filtração. Escola Politécnica da USP – Departamento de
Engenharia Hidráulica e Sanitária PHD 2411 – Saneamento I
• Ferreira Filho, S. et al. Tratamento de água –concepção, projeto e operação de
estações de tratamento. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017
• ABNT, NBR. 12216 – Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento
público. Rio de Janeiro: ABNT, 1992.