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Experimento de Perrin: Número de Avogadro

Este documento descreve o experimento clássico de Jean Perrin para determinar o número de Avogadro através da sedimentação de partículas em suspensão sob a ação da gravidade. O experimento mede a distribuição da densidade de partículas ao longo de um tubo vertical para determinar a massa molecular e, conhecendo a massa de cada partícula, calcular diretamente o número de Avogadro. O experimento é simples e pode ser facilmente reproduzido em laboratório para ensinar conceitos fundamentais da atomística.

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Experimento de Perrin: Número de Avogadro

Este documento descreve o experimento clássico de Jean Perrin para determinar o número de Avogadro através da sedimentação de partículas em suspensão sob a ação da gravidade. O experimento mede a distribuição da densidade de partículas ao longo de um tubo vertical para determinar a massa molecular e, conhecendo a massa de cada partícula, calcular diretamente o número de Avogadro. O experimento é simples e pode ser facilmente reproduzido em laboratório para ensinar conceitos fundamentais da atomística.

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Pre-print de artigo publicado na Rev. Brasileira de Ensino de Física, vol. 21, nº 3, pp.447 (1999).

Determinando o Número de Avogadro pelo método de J. Perrin

A. Bebeachibuli, L. H. Libardi, V. S. Bagnato,


Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo

Resumo: Neste trabalho repetimos o famoso experimento para a determinação do número de


Avogadro usando uma suspensão de partículas sólidas. O experimento é simples e pode ser
repetido como parte do Laboratório de Física Moderna.

Abstract: We present the experiment to determine the Avogadro's number from a suspension of
solid particles under the action of gravitational field. The experiment is easy and can be
reproduced as a pratice laboratory in undergraduate course.

I- Introdução com uma tese em raios


catódicos e raios Röntgen e
Um dos maiores avanços científicos da foi designado, no mesmo
ciência moderna foi a atomística. Saber que tudo ano, para um lectorado em
é constituído de átomos foi o passo fundamental química física na Sorbonne
para o grande avanço técnico-científico que hoje (Universidade de Paris).
vivemos. O desenvolvimento da atomística não Tornou-se Professor local
foi fácil em vista da tecnologia da época. Saber em 1910.
somente que tudo era constituído de átomos, não O trabalho pelo qual
era suficiente, era preciso determinar o tamanho ele é melhor conhecido é o
atômico, isto é, o fator de escala que conecta o estudo de colóides e, em particular, o
mundo atômico ao mundo macroscópico que nos movimento de Browniano. Seus resultados neste
rodeia. Importantes leis da química e da teoria campo puderam confirmar os estudos teóricos de
dos gases estabeleceram o chamado peso molar Einstein nos quais foi mostrado que partículas
ou MOL, e a determinação do número de átomos coloidais deveriam obedecer as leis dos gases e
(ou moléculas) contidas no mol, constitui o fator consequentemente usar estas propriedades para
de escala procurado. Este número é o "número obter o número de Avogadro N0.
de Avogadro (N0). Vários métodos foram usados O valor medido por ele concordou
na determinação de N0, em especial, um deles é excelentemente com outros valores obtidos por
interessante pela sua simplicidade e facilidade métodos completamente diferentes (seu estudo
de ser implementado em qualquer curso de física se trata da sedimentação em equilíbrio de
elementar. suspensões que contêm partículas microscópicas
de tamanho uniforme). As medidas de Perrin
foram fundamentais para a evolução da
II- Uma Breve Nota sobre J. Perrin [1] atomística e sua realização foi recompensada
com o Prêmio Nobel em 1926.
Jean Baptiste Perrin nasceu em Lille, no Manteve doutorados honorários em
dia 30 de Setembro de 1870. várias Universidades. Em 1923 ele foi eleito
Foi educado na "École Normal Superiore" , para a Academia Francesa de Ciências.
começando como assistente em física no Perrin foi também um oficial no corpo de
período de 1894-1897 quando começou suas exército de engenharia durante a Primeira
pesquisas com raios catódicos e raios-X. Ele Guerra. Quando os alemães invadiram seu país
recebeu o grau de "docteur ès sciences" em 1897 em 1940, ele fugiu para os EUA onde morreu
Pre-print de artigo publicado na Rev. Brasileira de Ensino de Física, vol. 21, nº 3, pp.447 (1999).

em 7 de abril de 1942. Depois da Guerra, em Um gás ideal na presença de um campo


1948, seus restos mortais foram transferidos à gravitacional distribui-se obedecendo a
sua pátria pelo couraçado Jeanne d'Arc, e foi conhecida fórmula barométrica[2,3], segundo o
enterrado no Panthéon. qual a densidade de moléculas decresce com a
altitude segundo a lei experimental
III- O Experimento de Perrin [1] Mgz
n( z )  n0 exp(  )
RT
A medida do número de Avogadro onde n(z) é a densidade a uma posição z, n0 a
consiste em contar, direta ou indiretamente, o densidade na superfície, M o mol ou massa
número de constituintes num MOL. Os átomos molecular das partículas e g a aceleração da
(ou moléculas) são extremamente pequenos para gravidade. Se medirmos a distribuição da
serem contados diretamente. Perrin procurou um densidade de um gás no campo gravitacional
sistema físico onde as partículas fossem podemos determinar o valor de seu MOL (M).
pequenas o suficiente para se comportarem Se conhecermos a massa de cada partícula (m)
como um gás mas grandes o suficientes para do sistema, podemos deter o valor do número de
serem contadas. Da sua vasta experiência, como Avogadro através de:
o estudo do movimento Browniano, Perrin notou MOL
que o movimento aleatório das partículas N0 
m
assemelhava-se muito com o movimento de
Perrin utilizou uma suspensão de finas partículas
moléculas com tanto sucesso tratados pela teoria
na presença do campo gravitacional. Medindo-se
cinética dos gases.
a densidade destas partículas como função da
A idéia de Perrin foi considerar uma
altura determina-se o MOL, e conhecendo-se m,
suspensão constituída de partículas pequenas o
obtém-se N0. A figura 1 mostra o aspecto geral
suficiente para se comportarem como moléculas
da distribuição do gás e seu equivalente na
de um gás (devido ao seu movimento aleatório),
suspensão de partículas.
mas grandes o suficiente para terem sua massa
individual medida, comportariam-se como um
IV- Materiais e Procedimento
sistema gasoso.
Experimental

Para o experimento, é necessário o


seguinte material:

- tubo de vidro de 1,40 m x 6,3 cm (com um


extremo fechado).
- lâmpada incandescente ( 7,0 W )
- fotocélula
- multímetro
- alumina em pó de pouca dispersão.
- água destilada
- suporte para o tubo e o detetor

Figura 1: Comparação da distribuição das partículas Na figura 2, temos a montagem


suspensas num líquido com um sistema gasoso na experimental básica:
presença do campo gravitacional.
Pre-print de artigo publicado na Rev. Brasileira de Ensino de Física, vol. 21, nº 3, pp.447 (1999).

para medir a potência na fotocélula. A idéia


geral do experimento consiste em medir ao
longo do tubo a intensidade da luz que o
atravessou. Dessa forma conseguimos
determinar a variação na densidade de
partículas com a altura. A intensidade de luz
diminui a medida que o número de partículas
aumenta e esta diminuição é proporcional à
densidade de partículas em cada posição.
Para medir o diâmetro médio das
partículas, observamos ao microscópio o pó de
alumina e seu tamanho médio é determinado
com o auxílio de uma escala milimetrada.
Usamos o aumento de 500 vezes e o
tamanho médio do diâmetro obtido a partir de
várias partículas observadas foi:
Dm = (5.45  2 ) x 10-6 m
A massa da alumina pode ser determinada a
partir de sua densidade conhecida que é 3.987
g/cm3. Portanto a massa
m = (3.38  3) x 10-13 Kg
Para medida do perfil de intensidade começamos
incidindo a luz branca no tubo contendo água
Figura 2: Montagem experimental básica. destilada, medindo a voltagem na fotocélula a
cada 2 centímetros do tubo, obtendo assim o
"zero" da medida. Desta forma, as imperfeições
e eventuais sujeiras no tubo poderão ser
eliminadas na medida final.
Seguimos com a preparação da suspensão
de alumina em água destilada com uma
concentração de 1,22 g/l. Adicionamos a solução
no tubo e esperamos a decantação da alumina
durante 1 hora e meia. Obtemos assim uma
distribuição das partículas no tubo visível a olho
nu.
Medimos novamente a voltagem na
Figura 3: Montagem mostrando a abertura sobre o detetor
fotocélula nos mesmos pontos onde medimos o
zero.
Num suporte prendemos um tubo de
A partir da corrente e voltagem obtida,
vidro 1,40m x 6,3cm onde foi adicionado uma
pudemos calcular a potência da luz que chegou
mistura de água destilada e alumina. Deve-se
até a fotocélula. Determinando a potência
usar alumina de polimento, para que a
perdida devido a presença das partículas em
dispersão seja pequena e o tamanho médio das
função da altura. Este resultado está mostrado na
partículas não varie muito. Uma lâmpada
figura 4.
incandescente e uma fotocélula foram presas
em uma base móvel. Foi conectada na
fotocélula um amperímetro e um voltímetro
Pre-print de artigo publicado na Rev. Brasileira de Ensino de Física, vol. 21, nº 3, pp.447 (1999).

A potência resultante é a diferença entre a Isto está mostrado na figura 5.


potência medida com o valor do "zero" obtido
inicialmente usando água pura.

Potência x Altura
ln ( N / N0 ) x z
8.0
Potência [Unidades arbit.]

1.90E+013

6.0

ln ( N / N0 )
4.0 1.80E+013

12
ln ( N / N0 ) / z = (-1.15 ± 0,54) x 10
2.0
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2 1.4 1.70E+013
Altura [m] 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2 1.4
Altura [m]

Figura 4: Potência na fotocélula x altura do tubo.


Figura 5: Número de partículas em função da altura.

A potência medida na fotocélula é


Lembrando o número de partículas em
proporcional a intensidade de luz que emerge da
cada fatia localizada a posição z é:
solução (I). M P N 0 gz

Essa intensidade é proporcional à densidade N P  N P 0e RT
de partículas pela relação:
onde:
I  I 0 e nx MP = massa molecular da alumina
onde: g = aceleração da gravidade
 = secção de choque R = constante universal dos gases
n = densidade de partículas T = temperatura em Kelvin
x = caminho ótico dentro da solução Obtemos então:
N
Assim é possível determinar o número de ln P
N P0 1
partículas por:  (1.15  0.54) x1012
z m
I I
ln ln Por fim, para determinarmos o número
I0 I0 N de Avogadro, usamos:
n  P
x rP x V
2
1.15 x1012 RT
NP = número de partículas
N0   (8.36  0.9) x10 23 mol 1
MPg
V = secção volumétrica de medida pelo detetor
rP = raio da partícula N0 = (8.36 0.9)x1023mol-1

Que é um valor bem próximo do valor


especificado na literatura [4] :
Por fim, determinamos o número de Avogadro N0 = 6.022 137 x 1023 mol-1.
construindo o gráfico de:
N Lembrando que não levamos em conta forças
ln P versus a posição ( z ) variadas existentes na suspensão o desvio de
N P0
Pre-print de artigo publicado na Rev. Brasileira de Ensino de Física, vol. 21, nº 3, pp.447 (1999).

~30% com relação ao valor considerado na


literatura chega mesmo a ser surpreendente.

V- Conclusão

O número de Avogadro tem uma


importância fundamental na ciência pois une o
mundo microscópico ao macroscópico.
Como recomendação final a aqueles que
farão este experimento lembramos que a
utilização de água destilada fez com que as
partículas de alumina ficassem mais
impregnadas na parede do tubo. Recomendamos
o uso de água comum filtrada. O
posicionamento da fotocélula deve ser o mesmo
na medida do "zero" e da suspensão. A luz
ambiente não deve incidir no sensor.
A granulação da alumina deve ser
uniforme, pois o tamanho médio das partículas é
fundamental no cálculo de N0.
A medida ao longo do tubo com a
suspensão, deve ser rápida pois a decantação
varia muito com o tempo.

Referências:

1. From Nobel Lectures Physics 1922-1941.


2. Apostila de Física moderna elementar.
Introdução à atomística. Cap. III por V. S.
Bagnato e L.G. Marcassa, 1999 - IFSC
3. Qualquer livro básico de química.

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