O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
2. O flysch do Baixo Alentejo no contexto da
Zona Sul Portuguesa
2.1 Características gerais da Península Ibérica e da Zona
Sul Portuguesa
A Zona Sul Portuguesa situa-se na parte meridional do Maciço Ibérico,
sendo considerada o representante mais ocidental da cadeia varisca europeia.
Neste maciço é possível distinguir de E (Este) e NE (Norte-Este) para W
(Oeste) e SW (Sul-Oeste) as seguintes unidades e subunidades (fig. 1) (Ribeiro
et al., 1996; Ribeiro 2006):
Terreno Ibérico (TI): Zona Cantábrica (ZC), Zona Astur-Ocidental
Leonesa (ZAOL), Zona Centro-Ibérica (ZCI), Zona de Ossa-Morena (ZOM)
Terreno Sul-Português (TSP ou ZSP)
Terrenos Exóticos, carregados sobre os anteriores:
A NW: Terreno Continental Alóctone (TCA), Terreno Ofiolítico do NW
Ibérico (TON)
A SW: Terrenos Ofiolíticos do SW Ibérico (TOS), Terreno Finisterra (TF)
a W do Terreno Ibérico e do Sul Português.
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Fig. 1: Unidades variscas na Península Ibérica (adap. de Ribeiro, 2006).
A Zona Sul Portuguesa (ZSP) e a Zona Cantábrica (ZC) são Zonas
Externas do Maciço Ibérico, as outras são Zonas Internas. As primeiras
apresentam o predomínio de formações do Paleozóico superior, têm uma
deformação pouco intensa típica de andar estrutural mais superficial e mais
tardia, o magmatismo e o metamorfismo sinorogénicos são menos acentuados
(Ribeiro et al., 1979).
Do ponto de vista estratigráfico a ZSP caracteriza-se por sequências
terrígenas de idade pós Devónico médio a que se sobrepõem a SW séries
condensadas de material fino de idade predominante Devónico superior a
Carbónico médio (Fameniano-Namuriano). Sobre estas séries condensadas
depositaram-se sedimentos do tipo flysch do Carbónico superior (Namuriano
superior-Vestefaliano, Ribeiro et al., 1983). Do ponto de vista geométrico, as
estruturas principais variscas descrevem um arco, variando de uma direcção
NW-SE na costa Atlântica a E-W junto à fronteira com Espanha. A vergência
das estruturas é para SW (Ribeiro, 2006).
2.1 Litoestratigrafia da Zona Sul Portuguesa
Do ponto de vista estrutural, a ZSP corresponde a uma faixa arqueada
de carreamentos e dobras (Ribeiro et al., 1979, 1983; Ribeiro & Silva, 1983;
Silva et al., 1990).
Embora a orientação geral das estruturas seja compatível entre os
sectores internos e externos, existem aspectos estruturais em que é possível
evidenciar um claro contraste entre ambos os sectores (Dias & Basile, in
press.):
- predominância da ocorrência de níveis estruturais mais profundos
nos sectores internos, o que é expectável tendo em consideração
que a propagação da deformação avança em direcção aos sectores
externos (Carvalho et al., 1971);
- contraste entre o estilo de cavalgamentos, que são mais frequentes,
sin-sedimentares e associados ao dobramento nos sectores
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
internos, tornando-se pouco inclinados e muito ligados ao
dobramento nos sectores externos;
- dobramento paralelo ao eixo cinemático a no sector interno, ao
eixo cinemático b naquele externo;
- transecção anti-horária frequente nas dobras do sector interno e
ausente no sector externo.
Podem-se identificar quatro domínios principais:
1. Pulo do Lobo
2. Faixa Piritosa
3. Grupo do Flysch do Baixo Alentejo
4. Sector Sudoeste
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Fig. 2: Mapa Geológico esquemático da Zona Sul Portuguesa, com indicação dos
principais jazigos (in: Oliveira et al., 2006).
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2.2.1 Domínio Pulo do Lobo
Este domínio encontra-se entre o Complexo Ofiolítico de Beja-
Acebuches (COBA), que é considerada a última unidade da Zona de Ossa-
Morena (ZOM), e a Faixa Piritosa. É uma estrutura em antiforma composta
por várias formações detríticas. A parte central da estrutura é ocupada pela
Formação do Pulo do Lobo que compreende filitos e quartzitos muito
deformados e anfibolitos com assinatura geoquímica do tipo MORB (Munhá,
1983). No flanco norte da estrutura foram descritas três unidades
litostratigráficas que constituem o Grupo de Ferreira-Ficalho (GFF): da base
para o topo, reconhecem-se:
- a Formação de Ribeira de Limas com xistos negros, grauvaques e
quartzovaques em continuidade estratigráfica com a Formação
Pulo do Lobo;
- a Formação de Santa Iria, composta por xistos argilosos e
grauvaques constituindo uma sequência do tipo flysch;
- a Formação da Horta da Torre com xistos negros, siltitos,
quartzovaques e quartzitos com bioturbação (Carvalho et al.,
1976; Giese et al., 1888; Oliveira et al., 1986; Oliveira, 1990;
Silva, 1998).
No bordo sul da antiforma aflora a sucessão detrítica do Grupo do
Chança (GC) que compreende:
- a Formação da Atalaia, composta por filitos e quartzitos com três
fases de deformação semelhantes às que afectam a Formação do
Pulo do Lobo;
- a Formação de Gafo, composta por xistos e grauvaques em fácies
flysch, e intercalações de rochas vulcânicas félsicas e máficas;
- a Formação da Represa constituída por xistos, siltitos, grauvaques
e quartzitos finamente bandados, a que se associam raros tufitos
e xistos tipo borra de vinho, a que foi atribuída a idade da base do
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Frasniano superior (Cunha & Oliveira, 1989; Pfefferkorn, 1986;
Oliveira, 1990; Silva et al., 1990; Silva, 1989, 1998).
2.2.2 Faixa Piritosa
É constituída por duas formações principais, o Grupo Filito –
Quarzítico (GFQ) e o Complexo Vulcano – Sedimentar (CVS). Em termos
regionais, a Faixa Piritosa pode dividir-se em dois ramos principais (Oliveira,
1990): um ramo Sul, com estruturas anticlinais enraizadas onde a sucessão
estratigráfica GFQ/CVS se mantém, em termos gerais e um ramo Norte onde
o par GFQ/CVS aparece sistematicamente sobreposto por escamas tectónicas
envolvendo quartzitos e xistos do GFQ e vulcanitos finos do CVS. No GFQ
predominam os xistos escuros contendo bancadas de quartzitos com
espessura e comprimento variáveis, intercalações de nódulos e bancadas
lenticulares de carbonatos, que forneceram conodontes do Fameniano no
topo da unidade (Boogaard, 1981), quartzovaques, siltitos e, mais raramente,
calcários, com espessuras variáveis de centímetros a metros. No conjunto é
uma sequência terrígena.
O CVS apresenta características heterogéneas. O substrato detrítico
tem características sedimentológicas que sugerem a sua deposição numa
extensa plataforma siliciclástica (Oliveira, 1990). O CVS evidencia variações
laterais de fácies e de espessura próprias de regiões vulcânicas com
vulcanismo muito activo. O vulcanismo ácido, com riólitos e riodacitos, é
claramente dominante, em termos volumétricos, sobre o vulcanismo básico
e, mais raramente, intermédio. A maioria da actividade vulcânica terá
ocorrido durante o Fameniano superior e o Estruniano (Oliveira, 1990; Barrie
et al., 2002). Além de rochas vulcânicas ácidas e básicas neste complexo
encontram-se outras litologias como jaspes, chertes, xistos negros, tufitos,
xistos argilosos, siltitos, quartzitos e quartzovaques.
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Fig. 3 - Colunas estratigráficas sintéticas mais representativas da Faixa Piritosa (in:
Oliveira et al., 2006).
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2.2.3 Grupo Flysch do Baixo Alentejo (GFBA)
O Grupo Flysch do Baixo Alentejo constitui uma sucessão de sedimentos
turbidíticos profundos, com espessura superior a 5 km, que foram divididos
em três unidades litostratigráficas, designadamente as formações de Mértola,
Mira e Brejeira (Oliveira et al., 1979; Oliveira, 1983).
A Formação de Mértola, a mais antiga do GFBA, é constituída por
bancadas de grauvaque, que alternam com xistos argilosos e siltitos, bem
como níveis de conglomerados e níveis pelíticos. Os grauvaques apresentam
estruturas sedimentares características dos turbiditos, nomeadamente as
clássicas divisões de Bouma (1962) e de Mutti & Ricci Lucchi (1975). Muitas
das bancadas de grauvaques são ricas em clastos de argila arrancados ao
substrato sedimentar e fragmentos de vulcanitos. Os conglomerados também
contêm calhaus e blocos com as mesmas litologias e são mais comuns próximo
dos contactos com as rochas da Faixa Piritosa. A composição dos clastos e
calhaus dos grauvaques e conglomerados sugere proveniência da própria Faixa
Piritosa, não se excluindo que em parte possam também ter provindo da Zona
de Ossa-Morena. A cartografia geológica de pormenor desta unidade (Oliveira,
1988; Oliveira & Silva, 1990; Oliveira & Silva, 2007) pôs em evidência níveis
predominantemente xistentos, com espessuras que variam de 20 a 100
metros, os quais separam sequências ricas em bancadas de grauvaques, com
espessuras que atingem várias centenas de metros. Estas sequências são
atribuídas a lobos sedimentares e as xistentas a depósitos interlobos. Esta
unidade forneceu fósseis de amonóides do Viseano superior (Korn, 1997);
associações de esporos confirmam esta idade.
A passagem da Formação de Mértola para a Formação de Mira faz-se
por uma banda constituída predominantemente por xistos argilosos e siltitos
finamente estratificados, com espessura da ordem dos 50 a 100 metros, onde
ocorrem amonóides do Viseano superior mais alto (Oliveira et al., 1979; Korn,
1997). Próximo do contacto entre Mértola e Mira os turbiditos apresentam
características mais grosseiras do que no contacto inferior Mira/Brejeira. Esta
distribuição indica que a unidade se tenha depositado em zonas externas e
infra-basinais da área de sedimentação e portanto das fontes alimentadoras
colocadas a N e E (Oliveira, 1984). Os turbiditos da Formação de Mira são, de
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
um modo geral, finamente estratificados podendo contudo ocorrer sucessões
mais ricas em bancadas de grauvaque e raros conglomerados.
A Formação da Brejeira está representada a W do contacto com a
Formação de Mira por uma sucessão de quartzitos impuros, quartzovaques e
xistos argilosos intercalados, que ocupa uma faixa com largura de 5 a 10 km.
Seguem-se turbiditos clássicos que se estendem até ao contacto com a orla
Meso – Cenozóica do Algarve. De um modo geral, tanto as litologias mais
maturas da base da unidade, como os grauvaques sobrejacentes são pobres
em fragmentos vulcânicos, o que é reflexo da maior distância às fontes
vulcânicas situadas a norte. A unidade forneceu escassos fósseis de
amonóides que indicam o Bashkiriano médio a superior e o Moscoviano
inferior. Os estudos palinológicos da Formação da Brejeira permitiram
identificar associações de palinomorfos complexas (Pereira, 1999), com
esporos de idade Namuriano a NE, que indicam Vestefaliano quando se
caminha para S.
A formação da Brejeira foi subdividida em três membros da base para
o topo:
- Membro da Pedra dos Caneiros com bancadas de grauvaques e
quartzovaques decimétricas e centimétricas na base e turbidíticas
no topo;
- Membro da Pedra de Agulha com bancadas de grauvaques
decimétricas e centimétricas separadas por finos horizontes
pelíticos na base. A parte superior não aflora;
- Membro da Pedra da Carraça feito por uma sequência turbidítica
em que é possível individualizar bancadas de grauvaques
decimétricas e centimétricas.
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Fig. 4 - Colunas estratigráficas seleccionadas estudadas na Formação da Brejeira (in:
Oliveira et al., 2006).
.
2.2.4 Sector Sudoeste
O substrato detrítico deste sector constitui a Formação de Tercenas,
que é litologicamente semelhante e com a mesma idade da que ocorre na
Faixa Piritosa (Grupo Filito - Quartzítico). A formação é constituída por dois
corpos arenosos com espessura de 15-20 metros, separados por fácies
heterolíticas de arenito/pelitos com uma espessura de cerca 40 metros
(Oliveira, 1986). Distinguem-se dois membros:
- o Membro de Monte Novo, que constitui o conjunto arenoso
superior;
- o Membro de Barranco Velho com fácies heterolíticas e arenitos
intercalados no conjunto inferior.
Sobre a Formação de Tercenas depositou-se uma sucessão argilo–
carbonatada que constitui o Grupo da Carrapateira, composto pelas
formações:
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
- Bordalete, de idade tournaisiana, constituída por pelitos, siltitos,
xistos negros carbonosos, nódulos de pirite e lentículas siliciosas
(Oliveira, 1984);
- Murração, formado por pelitos e calcários dolomitizados (Oliveira,
1988), de idade viseana superior;
- Quebradas com pelitos cinzentos intercalados por calcários
bioclásticos dolomitizados aos quais se sobrepõem pelitos negros
piritosos e carbonosos com nódulos fosfatados de idade namuriana
(Oliveira et al., 1985; Pereira, 1999).
Fig. 5 - Mapa Geológico simplificado dos Anticlinais de Aljezur e Bordeira, Sector
Sudoeste de Portugal (adap. de Oliveira et al., 1984).
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
2.3 Metamorfismo da Zona Sul Portuguesa
A ZSP em geral tem um grau metamórfico baixo que intensifica-se
para Norte, com a zona da clorite associada
à fácies de Xistos Verdes na Formação do Pulo do Lobo, as fácies de Prenite-
Pumpeleite/Xistos Verdes na Faixa Piritosa e as fácies Zeolítica no extremo
SW. De uma forma semelhante ao grau metamórfico, também a deformação
é maior nas zonas internas e diminui progressivamente no sentido SW
(Oliveira et al., 1990; Ribeiro et al., 1990).
2.4 Evolução estrutural da Zona Sul Portuguesa
A ZSP é uma faixa de carreamentos que afecta sequências posteriores
ao Devónico médio (Ribeiro & Silva, 1983), sendo essencialmente o resultado
do processo de inversão tectónica que esteve activo a partir do Viseano
superior (Oliveira, 1990; Silva et al., 1990). Formações anteriores a esta
idade faltam no núcleo dos anticlinais da Faixa Piritosa e do Sudoeste
Portugal. Estes dados, conjuntamente com dados de perfil sísmicos
profundos (Ribeiro et al., 1983) levaram a propor a existência de um
descolamento principal na base do complexo da ZSP, por baixo da qual se
situa um soco não deformado a que se sobrepõem uma sequência do tipo
thin-skinned com os cavalgamentos relacionados a gerarem-se
essencialmente segundo uma sequência de propagação frontal (piggy back)
para SW (Silva, 1989; Silva et al., 1990) (fig. 6).
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Fig 6: Estrutura profunda da Zona Sul Portuguesa com uma deformação de tipo thin-
skinned a sobrepor-se a um descolamento principal indicado na figura como d-d
(adap. de Ribeiro et al., 1983).
Os autores que efectuaram estudos na ZSP individualizaram fases de
deformação diferentes. A tabela I resume as fases de deformação, com a
respectiva nomenclatura, evidenciadas em trabalhos anteriores.
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Tabela I: Correlação das fases de deformação e respectiva nomenclatura propostas
para a ZSP por diversos autores.
Os efeitos da tectónica varisca no domínio da ZSP são visíveis em três
fases principais de deformação (Ribeiro, 1983). Durante a primeira fase de
deformação (F1) originaram-se as dobras principais com eixos orientados NW-
SE e planos axiais inclinados para NE; a clivagem xistenta é de plano axial nos
sectores mais a SW e tende a transectar as dobras nos sectores mais a NE. A
segunda fase F2 redobrou as estruturas anteriores com compressão moderada,
gerando dobras com eixo NW-SE e planos axiais subverticais; a clivagem de
crenulação S2 desenvolveu-se só em áreas muito restritas. A terceira fase F 3 é
responsável, entre outras estruturas pela geração do antiforma da Bordeira
com clivagem S3 de crenulação com uma direcção NNE-SSW restrita à área do
antiforma.
A deformação varisca na Zona Sul Portuguesa é evidenciada pela
elevada diversidade das estruturas aflorantes. Como evidenciado em trabalhos
anteriores em sectores mais internos da Zona Sul Portuguesa (Silva et al.,
1990), a deformação é de tipo progressivo com dobramentos sobrepostos de
fases diferentes nomeadas F1a e F1b que originam uma clivagem de tipo
incipiente (fig. 7).
Fig. 7: Deformação progressiva com dobramentos sobrepostos nos sectores mais
interno da ZSP (adap. de Silva et al., 1990).
Dias e Caroça em trabalhos diferentes entre o 2000 e o 2002
investigaram os sectores mais externos da ZSP onde ainda era evidente a
sobreposição dos dobramentos de fases diferentes, aqui nomeadas D 1a e D1b,
com desenvolvimento de clivagem apenas local (fig. 8).
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
Fig. 8: Sobreposição dos dobramentos nos sectores mais externos da ZSP (adap. de
Caroça & Dias, 2000).
Também em Almograve, que é o sector analisado neste trabalho,
encontramos deformação progressiva com sobreposição de dobramentos em
fases.
Convém, referir que o conceito de fases de deformação tem sido
utilizado na literatura geológica para permitir a compreensão da evolução
estrutural de unidades e formações muito complexas (Ramsay 1967, Hobbes et
al., 1976, Ramsay & Hubert, 1987). No entanto, por vezes é difícil aplicar o
conceito de fase de deformação, porque nem sempre as estruturas observadas
e cartografadas podem ser associadas ao evento que as produziu. No conceito
de fase de deformação há alguns problemas de difícil resolução (Passchier &
Trouw, 1998):
- As relações de sobreposição (overprinting) poderão ser geradas
apenas numa fase de deformação, situação que leva
normalmente a nomenclaturas do tipo D1a, D1b, etc.
- Fases de deformação diferentes nem sempre produzem
sobreposição de estruturas;
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O flysch do Baixo Alentejo no contexto da Zona Sul Portuguesa
- Só a idade relativa das fases de deformação pode ser
estabelecida;
-As fases de deformação podem ser diacrónicas.
Muitas vezes o significado local de uma fase não é equivalente quando
comparado com o evento regional.
Neste trabalho, as diferentes fases de deformação foram identificadas
com base em critérios de sobreposição de estruturas observadas em
afloramento. As estruturas identificadas que permitiram a definição a nível
local podem ser diferentes das que permitiram a identificação e definição da
deformação regional. Todas as fases de deformação reconhecidas foram
hierarquizadas em eventos variscos precoces e eventos variscos tardios.
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