INTELIGÊNCIA FLUIDA E OS NÍVEIS DE RACIOCÍNIO NA ÁREA DE
TECNOLOGIA
Alessandra Herranz Gazquez1, Regiane da Silva Macuch2
Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde, Campus Maringá/PR, Universidade Cesumar – UNICESUMAR.
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Orientadora, Doutora Programa de Pós-graduação em Promoção da Saúde, Campus Maringá/PR, Universidade Cesumar –
UNICESUMAR. Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação – ICETI.
[email protected] RESUMO
A inteligência fluida refere-se à capacidade para buscar soluções em problemas rotineiros utilizando o
raciocínio. Assim, este estudo investigou o nível de quatro raciocínios associados a inteligência fluida:
raciocínio verbal, raciocínio abstrato, raciocínio espacial e raciocínio numérico para compreender qual destes
raciocínios apresenta maior pontuação entre profissionais da área de tecnologia e entender qual é o nível
geral de inteligência fluida associada a esses profissionais. Participaram deste estudo 1700 pessoas entre 18
e 55 anos formados ou em formação nos cursos de tecnologia de ambos os sexos, candidatos a vagas de
emprego em empresas de tecnologia no estado do Paraná. Utilizou-se para investigar o nível da inteligência
fluida, o teste de raciocínio diferencial BPR-5 utilizada para avaliar o funcionamento geral. Os resultados,
evidenciam que a área de tecnologia é ocupada por profissionais com altos níveis na inteligência fluida e
desenvolvimento acima da média nos raciocínios pesquisados.
PALAVRAS-CHAVE: Inteligência Fluida; Tecnologia; Teste de Inteligência.
1 INTRODUÇÃO
Em toda a história da Psicologia, um dos assuntos mais estudados é a inteligência
também um dos mais polêmicos, uma vez que não há uma teoria consensual sobre ela. A
controvérsia se a inteligência deveria ser definida por um fator geral ou por um conjunto de
fatores com relativa independência entre si despontou a elaboração de modelos
explicativos da estrutura fatorial da inteligência. Primi (2000), autor de uma das baterias de
provas de raciocínio mais conhecidas, a BPR-5, define inteligência como a capacidade para
aprender. Ela também é definida por Nickerson, Perkins e Smith (1994) e por Gião (2019)
como a capacidade para pensar e resolver problemas.
Resolver problemas, pensar, aprender ou ser inteligente é um dos constructos
psicológicos mais valorizados socialmente, e, que assumiu valor fundamental ao longo dos
tempos. Na Psicologia escolar, uma das questões mais importantes refere-se ao
entendimento da relação entre inteligência e aprendizagem, o conhecimento sobre esses
dois conceitos em profundidade também se torna um ativo importante para as empresas e
a sociedade. (BASAÑEZ, 2014; RAMÍRES-BENÍTEZ; TORRES-DIAS; AMOR-DIAZ, 2016;
SALDANHA-SILVA; MANSUR-ALVES, 2017, DAUDT, 2019).
Dentre as inteligências, a chamada inteligência fluida (Gf) é altamente relacionada
ao desempenho acadêmico (PEÇANHA et al., 2019; JÚNIOR; NASCIMENTO; ROAZZI,
2019; GOMES, 2010; PRIMI, 2000). A inteligência fluida pode ser definida como a
capacidade de raciocinar (estabelecer relações e generalizações) sobre problemas novos
para os quais não se tem um repertório previamente aprendido, tendo por base uma série
de processos de raciocínio indutivo e dedutivo.
Para Primi e Almeida (2000), todos os subtestes da BPR-5 associam-se em maior
ou menor grau à inteligência fluida, habilidade semelhante ao fator g de Spearman (1927)
que é o precursor da teoria da inteligência geral ou fator “g”. Desse modo, toda a atividade
intelectual se exprime em um fator geral (g). O fator “g” pode ser definido como a
capacidade básica do indivíduo estabelecer relações ou a capacidade para pensar
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abstratamente, é portanto, um constructo psicométrico e psicológico que descreve um
conjunto de fenômenos abstratos que estão associados aos resultados do funcionamento
mental humano, mas que podem ser observados por meio de testes específicos (PRIMI
2000; PAULINO, 2009; GIÂO, 2019).
A utilização de testes psicológicos para a avaliação da inteligência, é um tema
relevante no contexto educacional dada sua estreita relação com o êxito acadêmico. De
fato, a inteligência é a variável psicológica que mais explica o rendimento escolar em todas
as idades, o que a torna fator determinante para a aquisição das habilidades acadêmicas.
Desse modo, o conceito de inteligência esteve e ainda está fortemente relacionado ao
desenvolvimento das competências acadêmicas, o que proporcionou o desenvolvimento de
variados testes psicométricos (DAUDT, 2019; RAMÍRES-BENÍTEZ, TORRES-DIAS, 2016).
O psicólogo Alfred Binet, um dos precursores da criação de testes de inteligência no
final do século XIX, desenvolveu um instrumento contendo exercícios e tarefas que
exploravam habilidades como raciocínio e resolução de problemas com o intuito de medir
a inteligência de crianças. Nessa época já se sabia que a inteligência é um conceito amplo
que não pode ser limitada às capacidades perceptomotoras das crianças, ou seja, a um
traço herdado, definido geneticamente e essencialmente inalterável pela prática ou
experiência (PAULINO, 2009).
A partir do século XIX inúmeros testes de inteligência foram criados e, ao longo do
tempo, foram submetidos a revisões e validações. Incontáveis avaliações são realizadas
anualmente para ajudar jovens a escolher sua área de formação. A escolha por uma
profissão é relacionada as habilidades pessoais, Primi et al. (2002), propõe que as pessoas
preferem mais certas atividades a outras influenciados pelas características culturais e
individuais relacionadas às escolhas, e essas são congruentes com as características
pessoais.
A ideia que grupos profissionais distintos possuem perfis de personalidade
diferenciados é antiga na Psicologia. O processo de construção de identidade está
relacionado ao interesse por uma ocupação, esse interesse faz com que as pessoas
procurem conviver com pessoas parecidas no que diz respeito às competências e à visão
de mundo. Os interesses são a expressão da personalidade no contexto do trabalho
(NORONHA; BARROS; NUNES, 2019). Gião (2019), relata que a capacidade cognitiva, a
aptidão matemática e a aptidão verbal, influenciam na escolha da área de formação o que
aproxima profissionais com aptidões semelhantes.
Neste sentido, buscou-se, por meio deste estudo, explorar os perfis de inteligência
fluida e os raciocínios mais desenvolvidos em profissionais que atuam na área de tecnologia
na cidade de Maringá.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
Para este estudo, a amostra foi composta de 1700 avaliações de profissionais de
ambos os sexos com idade entre 18 e 55 anos formados ou em formação em cursos da
área de tecnologia entre 2010 e 2021. Essas informações são provenientes de um banco
de dados da empresa ATTOS Psicologia e Consultoria que aplica a avaliação de potencial
e avaliação dos fatoriais de personalidade com a finalidade de identificar perfis alinhados
com os perfis que as empresas necessitam para efetivar novas contratações profissionais.
Os dados foram analisados sem identificação, ou seja, cada laudo recebeu uma numeração
para controle e sigilo dos avaliados.
Nas avaliações aplicou-se a BPR-5 para identificar o nível da inteligência fluida em
cada sujeito avaliado. A escala vai do nível inferior, médio inferior, médio, médio superior e
superior. A Bateria de provas de raciocínio (BPR-5) deriva do teste de raciocínio diferencial
(TRD) criado por Meuris (1969) e validado por Almeida (1986) em Portugal para avaliação
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das capacidades cognitivas. A bateria de provas de raciocínio diferencial foi adaptada no
Brasil e publicada na IV Conferência Internacional de Avaliação Psicológica por Primi e
Almeida (2000).
A BPR-5 é um instrumento multidimensional de avaliação das habilidades cognitivas
que oferece estimativas do funcionamento cognitivo geral e das forças e fraquezas em cinco
áreas formadas por cinco subtestes de raciocínio: verbal, abstrato, mecânico, espacial e
numérico. Neste estudo o Raciocínio Mecânico não foi utilizado por não constar no banco
de dados consultado.
O Raciocínio Verbal (RV) indica a extensão do vocabulário e a capacidade de
estabelecer relações abstratas entre conceitos verbais. O Raciocínio Abstrato (RA) é a
capacidade de estabelecer relações abstratas em situações novas para as quais se possui
pouco conhecimento previamente aprendido. Já o Raciocínio Espacial (RE) refere-se a
capacidade de visualização, isto é, de formar representações mentais visuais e manipulá-
las transformando-as em novas representações. Por fim, o Raciocínio Numérico (RN) é a
capacidade de raciocinar indutiva e dedutivamente com símbolos numéricos em problemas
quantitativos e o conhecimento de operações aritméticas básicas.
O rigor científico da BPR-5 é garantido pelo Sistema de Avaliação de Testes
Psicológicos (SATEPSI) que valida a qualidade técnico-científica de instrumentos
psicológicos reconhecidos pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). A aplicação do
instrumento foi conduzida de acordo com as recomendações técnicas especificadas no
manual de aplicação (PASQUALI; PRIMI, 2000).
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
As definições de carreira estão entre as decisões mais impactantes que um individuo
vivencia em sua vida, afinal, poderá ser sua atividade e função exercidas por longos anos.
Para direcionar as escolhas, a inteligência, que é um constructo significativo utilizado no
contexto da orientação vocacional, frequentemente é avaliada. Para tal, são aplicados
testes de personalidade e inteligência que associam capacidades e potencialidades
pessoais necessárias para executar as atividades exigidas pela área de atuação almejada.
Após os estudos iniciais sobre a inteligência relacionados com um fator geral, foram
iniciados outros estudos sobre determinado número de aptidões que explicam o
desempenho do individuo. Gião (2019), relata que os testes concebidos para medir a
inteligência fluida possibilitam a compreensão ampla do funcionamento intelectual
facilitando a seleção de candidatos à vagas de emprego com elevada capacidade e
conhecimento. As capacidades são associadas as habilidades, por exemplo, indivíduos
com aptidão verbal elevada são menos propensos a escolher carreiras na área de Ciências,
Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Para identificar qual é o nível da inteligência fluida na área de informática, analisou-
se quatro tipos de raciocínios: verbal, abstrato, espacial e numérico.
O raciocínio verbal se refere a extensão e profundidade do conhecimento verbal e a
capacidade de estabelecer relações abstratas entre conceitos verbais, ou seja, a
capacidade de raciocinar utilizando conceitos previamente aprendidos (ALMEIDA; PRIMI,
2000). Conforme referenciado por Almeida e Primi (2000), este é o raciocínio com menor
representatividade no nível superior da escala da BPR-5 para as áreas das ciências
tecnológicas, corroborando com este estudo conforme a Tabela 1.
Tabela 1: Raciocínio Verbal (RV)
Níveis Participantes %
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1.Inferior 107 6
2.Média Baixa 204 12
3.Média 909 53
4.Média Alta 354 21
5.Superior 126 8
Total Geral 1700 100
Fonte: Dados da pesquisa
Nesta amostra, o raciocínio verbal nos níveis médio alto e superior está persente em
29% dos avaliados, apenas 8% representam o nível superior, a mais baixa pontuação dos
quatro tipos de raciocínios avaliados. O nível inferior e médio inferior corresponde a 18%
da amostra e no nível médio foram 53%.
Godoy et al. (2008) e Gião (2019), descrevem a correlação discordante entre
raciocínio verbal e interesses por atividades de cálculo. Ou seja, pessoas que apresentam
níveis mais altos no raciocínio verbal tendem a apresentar menor interesse por tarefas que
envolvem o trabalho com símbolos numéricos e atividades que envolvem mais organização
e repetição.
Entretanto, Primi et al. (2002), reconhece que em uma sociedade moderna na qual
a comunicação é uma das principais formas de expressão, o raciocínio verbal é uma
habilidade essencial para o desempenho profissional, principalmente nos cargos de
comando e liderança. Portanto, o raciocínio verbal é crucial para o desempenho do traço
de personalidade dominância, que corresponde a capacidade de comandar e liderar. Essa
capacidade é menos expressiva entre profissionais da área de tecnologia ainda que, o
mercado de trabalho ofereça um número significativo de vagas que são ofertadas para
profissionais com habilidades para liderar e comandar times de trabalho. Porém ao ser este
raciocínio identificado como um dos mais baixos há indicação de treinamentos nesta área.
Os resultados desta pesquisa se alinham com a literatura ao apresentar o raciocínio
verbal com menores pontuações. No nível baixo estão 311 pessoas da amostra. Já no
raciocínio abstrato 216 avaliados encontram-se no nível baixo conforme apresentado na
Tabela 2.
Tabela 2: Raciocínio Abstrato (RA)
Níveis Quantidade %
1.Inferior 94 6
2.Média Baixa 122 7
3.Média 973 57
4.Média Alta 284 17
5.Superior 227 13
Total Geral 1700 100
Fonte: Dados da pesquisa
O raciocínio abstrato se refere a capacidade de estabelecer relações de abstratas
em situações novas para as quais se possui pouco conhecimento previamente aprendido.
Nesta amostra o número de avaliados com baixos escores no raciocínio abstrato foi de 216
pessoas, no nível médio 973 e nos escores altos encontrou-se 511 pessoas.
Para autores como Daudt (2015), a aversão às disciplinas de matemática, física e
química pode estar relacionada com as dificuldades com o raciocínio abstrato pois exigem
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capacidade de abstração. A abstração requisitada nas ciências pode ser desenvolvida pelo
jogo de xadrez, por exemplo, pois a partida desenvolve-se na mente do jogador (DAUDT,
2019). Os resultados obtidos neste estudo indicam altos escores no raciocínio abstrato e
que a abstração é um dos raciocínios mais requisitados para as profissões que se pautam
nas ciências exatas.
O raciocínio espacial também é um raciocínio encontrado com altos escores na área
de tecnologia como apresentado na Tabela 3.
Tabela 3: Raciocínio Espacial (RE)
Níveis Quantidade %
1.Inferior 91 5
2.Média Baixa 242 14
3.Média 885 52
4.Média Alta 316 19
5.Superior 166 10
Total Geral 1700 100
Fonte: Dados da pesquisa
O raciocínio espacial refere-se à capacidade de visualização, ou seja, do sujeito
formar representações mentais visuais e manipulá-las transformando-as em novas
representações. Este tipo de raciocínio, por recomendação do MEC, é uma habilidade que
deve ser desenvolvida na educação básica (MEC, 2006) pois é utilizada para a resolução
de problemas práticos, para gerar imagem mental, avaliar as transformações e armazenar
as modificações produzidas.
Nesta amostra, 29% dos avaliados apresentam nível de raciocínio espacial médio
alto ou alto e 19% nível inferior ou médio baixo. No nível médio se concentra 52% da
amostra. Assim, 89% dos avaliados se encontram na média esperada para o nível de
escolaridade exigido enquanto 19% apresentam desempenho abaixo do esperado.
Pesquisas como de Silva, Joly e Prieto (2011) concluíram que as habilidades espaciais são
habilidades preditivas para o sucesso em profissões ligadas às áreas do Ensino Superior
como engenharias, aeronáutica, profissões técnicas e problemas matemáticos Os dados
da maioria dos profissionais da área de tecnologia que compõem esta amostra, 81% estão
adequados para o desempenho da profissão que exercem no dia a dia.
Vale destacar que Primi et al. (2002), investigaram que os interesses sociais e
funções que envolvem habilidades sociais de interação e relacionamento interpessoal,
tendem a associar-se negativamente com as habilidades de raciocínio abstrato e espacial.
Geralmente as pessoas com altos escores em RA tendem a ser mais introvertidas
principalmente se esse resultado for muito acima da média, ou seja, menos propensas as
funções de comando e liderança.
Os interesses em ciências exatas e engenharias tendem a estar positivamente
correlacionados com as habilidades viso-espacial e matemática. Por sua vez, matemática
correlaciona-se positivamente com inteligência geral (PRIMI et al., 2002) o que corrobora
com os resultados deste estudo pois foram obtidos os maiores escores como apresentado
na Tabela 4.
Tabela 4: Raciocínio Numérico (RN)
Níveis Quantidade %
1.Inferior 44 3
2.Média Baixa 240 14
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3.Média 870 51
4.Média Alta 310 18
5.Superior 236 14
Total Geral 1700 100
Fonte: Dados da pesquisa
O raciocínio numérico é a capacidade de raciocinar indutiva e dedutivamente com
símbolos numéricos em problemas quantitativos e conhecimento de operações aritméticas.
A maioria das pontuações de nível superior desta amostra foi encontrada no raciocínio
numérico, indicando que os profissionais da área de informática apresentam altas
habilidades neste domínio.
Dos avaliados, 32% apresentam nível médio alto ou superior para RN, mas ao
somar-se os três níveis mais altos, o resultado sobe para 83% da amostra e somente 17%
apresentam nível inferior ou médio baixo para raciocínio numérico. Este mesmo tipo de
resultado é relatado em estudos como de Primi (2002) e de Gião (2019) que encontraram
a habilidade matemática ligada as carreiras de tecnologias.
Para Primi et al. (2002), o RN se correlaciona com pessoas autossuficientes, e
independentes que tendem a não buscar apoio do grupo quando tomam decisões. A prova
RN é a que melhor se relaciona com o desempenho escolar, para Gião (2019), indivíduos
interessados e que valorizam matemática são mais propensos a carreiras STEM1.
O escore geral de inteligência fluida obtido a partir dos quatro raciocínios avaliados
neste estudo está representado na Tabela 5.
Tabela 5: Escore Geral (Inteligência Fluida)
Níveis Quantidade %
1.Inferior 76 4
2.Média Baixa 250 15
3.Média 885 52
4.Média Alta 350 21
5.Superior 139 8
Total Geral 1700 100
Fonte: Dados da pesquisa
Os avaliados que se encontram na média ou acima da média representam 81% da
amostra, ou seja, de 1700 laudos avaliados, 1374 alcançaram níveis altos, isso significa
que a maioria dos sujeitos avaliados nos processos realizados ao longo de 10 anos (2010-
2021) apresentaram habilidades necessárias para executar atividades relacionadas a área
de informática/tecnologia. Somente 326 pessoas ficaram abaixo da média o que pode
significar alguma possível dificuldade para desempenhar as atividades exigidas pela área
com rapidez e qualidade.
Em estudos realizados com estudantes brasileiros do segundo grau, Primi (2000),
encontrou uma baixa pontuação geral nos raciocínios numérico e espacial. Nesta amostra,
o resultado da inteligência fluida geral apresentou-se mais alta nos níveis médio e acima
1STEM: sigla que em inglês para Science, Technology, Engineering e Mathematics e representa um sistema
de aprendizado ciêntífico que agrupa as disciplinas educacionais de ciência, tecnologia, engenharia e
matemática
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de médio o que indica que os profissionais formados ou em formação na área de tecnologia
no estado do Paraná apresentaram nível de inteligência fluida acima da média para o nível
de escolaridade em que se encontravam.
Estar na média ou acima da média possibilita a execução das atividades a
desenvolver com habilidade e destreza. Primi et al., (2002) consideram que, quando o
individuo está inserido em um ambiente adequado aos seus interesses e características de
personalidade, será reforçado e, consequentemente obterá satisfação pessoal, pois se
possuir as habilidades necessárias às tarefas a ele incumbidas, se adaptará a situação com
mais facilidade.
Os diferentes raciocínios que fazem parte da inteligência fluida apresentam altas
médias, isso indica que a amostra é composta por profissionais, em sua maioria,
capacitados para exercer as atividades associadas as carreiras de tecnologia. Mão de obra
de qualidade uma vez que o Paraná é segundo maior polo de tecnologia do país em
faturamento. E Maringá foi o município que mais realizou contratações em 2020. Segundo
a Fundação Araucária (2020), o estado está à frente de estados com tradição no setor de
tecnologia como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
4 CONCLUSÃO
Neste estudo, verificou-se que existem diferenças nos níveis encontrados entre os
raciocínios da inteligência fluida. Os raciocínios numérico, abstrato e espacial apresentaram
escores mais altos, porém todos os quatro raciocínios apresentam escores significativos na
média ou acima da média. Portanto, pode-se afirmar, considerando as médias gerais, que
as avaliações de potencial analisadas apresentam que os sujeitos desta amostra têm
desempenho adequado para o nível de escolaridade que se encontravam. Também há
relação nos resultados entre Raciocínio Abstrato, Espacial e Numérico corroborando com
a literatura sobre a relação positiva e estatisticamente significativa entre raciocínio espacial
e matemática associado a preferências pelas áreas de exatas e tecnologias.
A relação entre habilidades pessoais e interesses para a escolha de uma ocupação
ou profissão foi evidenciada por meio das altas habilidades em Raciocínio Numérico e
Abstrato e uma menor pontuação no raciocínio verbal. Em geral, isto se aplica pelo fato das
pessoas procurarem carreiras onde possam dar continuidade ao desenvolvimento de suas
potencialidades, indivíduos com habilidades em matemática, por exemplo, tendem a
procurar por carreiras na área das ciência exatas.
Assim e tendo em consideração os resultados obtidos neste estudo é possível
destacar que a habilidade nos raciocínios e a inteligência fluida direcionam e influenciam
os indivíduos nas escolhas por profissões, como no caso desta amostra analisada na área
de tecnologia.
Considerando que a inteligência é formada por um conjunto de habilidades básicas,
sugere-se que outros estudos que envolvam esta temática possam ser realizados em outras
áreas profissionais. Por fim, destaca-se a importância da elaboração de programas e
treinamento que objetivem o desenvolvimento das habilidades do raciocínio verbal em
estudantes e/ou profissionais que queiram seguir profissões nas áreas de exatas e
tecnologia uma vez que, o raciocínio verbal é apontado como uma das competências
cruciais para o desempenho do traço de personalidade dominância que corresponde a
capacidade de dominar e liderar.
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