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Avaliação Neuropsicológica com Figuras de Rey

O documento discute o teste Figuras Complexas de Rey, que avalia funções cognitivas como percepção visual e memória. O teste envolve a cópia e reprodução de memória de uma figura complexa em diferentes momentos. Existe uma correção padronizada considerando precisão e localização dos elementos da figura. Achados mostram que o planejamento e memória são preditores do desempenho e são sensíveis a condições clínicas e lesões cerebrais.

Enviado por

Débora Lopes
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Tópicos abordados

  • Teste Figuras Complexas de Rey,
  • Avaliação neuropsicológica,
  • Memória visual,
  • Cópia da figura,
  • Recordação imediata,
  • Correção e pontuação,
  • Sistema qualitativo de avaliaç…,
  • Propriedades psicométricas,
  • Desempenho em idosos,
  • Escolaridade e desempenho
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Avaliação Neuropsicológica com Figuras de Rey

O documento discute o teste Figuras Complexas de Rey, que avalia funções cognitivas como percepção visual e memória. O teste envolve a cópia e reprodução de memória de uma figura complexa em diferentes momentos. Existe uma correção padronizada considerando precisão e localização dos elementos da figura. Achados mostram que o planejamento e memória são preditores do desempenho e são sensíveis a condições clínicas e lesões cerebrais.

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Tópicos abordados

  • Teste Figuras Complexas de Rey,
  • Avaliação neuropsicológica,
  • Memória visual,
  • Cópia da figura,
  • Recordação imediata,
  • Correção e pontuação,
  • Sistema qualitativo de avaliaç…,
  • Propriedades psicométricas,
  • Desempenho em idosos,
  • Escolaridade e desempenho

Figuras Complexas de

Rey
Profa. Dra. Camila Campanhã
Prof. Ms. João Vitor Guedes
O Que é o teste Figuras Complexas de
1
Rey?
Constructos teóricos e funções cogitivas que avalia

2
Histórico do Teste

◦ A Figura Complexa de Rey foi desenvolvida por André Rey, em


1941, com o objetivo de investigar a percepção e a memória
visuais em pacientes com lesão cerebral.

◦ A padronização e o sistema de pontuação desse instrumento


foram desenvolvidos por Osterrieth, em 1944 (Lezak, Howieson,
Bigler, & Tranel, 2012).

◦ Trata-se de uma das mais tradicionais tarefas utilizadas no


contexto da avaliação neuropsicológica.
3
Histórico do Teste

◦ A Figura Complexa de Rey é composta por 18 elementos que


apresentam as seguintes propriedades: ausência de significação
evidente, realização gráfica fácil e um conjunto suficientemente
complicado para solicitar uma atividade perceptiva analítica e
organizada (Strauss, Sherman, & Spreen, 2006).

◦ Há diversas versões de aplicação da tarefa. Inicialmente, é realizada a


cópia da figura, que pode ser seguida por uma recordação imediata e
uma recordação tardia (Strauss et al., 2006). A versão com normas para
a população brasileira consiste em cópia seguida por recordação
imediata (Oliveira & Rigoni, 2010).

4
Adminstração do Figuras Complexas de
2
Rey
Como aplica na população Brasileira

5
Aplicação

◦ Para a aplicação da Figura Complexa de Rey, é necessário o


cartão estímulo com o desenho da figura, folha de papel em
branco sem pautas e seis lápis de cores diferentes.

◦ A figura é apresentada horizontalmente, não sendo


permitida sua rotação. Além disso, também não é
permitido o uso de borracha.

6
Instruções

◦ O sujeito é instruído a copiar a Figura Complexa de Rey da melhor


maneira possível, sendo ressaltada a necessidade de prestar atenção às
proporções e de não esquecer nada.

◦ O cronômetro deve ser ligado assim que a cópia é iniciada, e não há


tempo limite. Toda vez em que uma seção do desenho for completada,
o examinador entrega ao sujeito um lápis de cor diferente.

◦ O objetivo dessa troca de lápis é observar a sucessão dos elementos


copiados e avaliar a capacidade de planejamento do examinando.

(ÁVILA, 2018) 7
Instruções

◦ Após uma pausa de, no máximo, três minutos, passa-se para a


reprodução de memória da figura. Pede-se ao examinando para
desenhar de memória tudo o que se lembrar dela.

◦ O sujeito não deve ser avisado previamente de que deverá


desenhar a figura de memória. Deixa-se à disposição os lápis
coloridos, e o examinando fica livre para desenhar com o lápis que
desejar.

◦ Não há tempo limite para a execução, mas o tempo que foi


utilizado para fazer o desenho é registrado.
(ÁVILA, 2018) 8
Correção e Pontuação do Figuras
3
Complexas de Rey
Como corrogir e pontuar o teste

9
Correção e Pontuação

◦ Existem diferentes sistemas para avaliar a cópia e a recordação. O sistema


qualitativo avalia a qualidade da cópia da figura, como, por exemplo, seu
planejamento e sua organização durante a realização da tarefa, enquanto
o sistema quantitativo fornece critérios para examinar a precisão da cópia
e da evocação (Strauss et al., 2006).

◦ Inicialmente, avalia-se o tipo de estratégia adotada pelo examinando


durante a cópia. Existem sistemas para a classificação do tipo de
planejamento e organização adotado durante a cópia da figura. No
manual da Figura Complexa de Rey, elaborado por Oliveira e Rigoni
(2010), estão disponíveis os critérios qualitativos de classificação
produzidos por Osterrieth para os diferentes níveis de planejamento,
assim como uma tabela com os tipos de cópia mais frequentes em cada
faixa etária. (ÁVILA, 2018) 10
Correção e Pontuação

◦ Posteriormente, realiza-se a análise quantitativa.

◦ Os 18 elementos da figura são pontuados considerando a


localização e a precisão, podendo ser pontuados como 0, 0,5, 1 ou
2.

◦ Um elemento é pontuado com 2 quando é desenhado


precisamente e está bem localizado.

◦ A cópia e a evocação são pontuadas seguindo os mesmos critérios


de precisão. (ÁVILA, 2018) 11
Propriedades Psicométricas

◦ Oliveira e Rigoni (2010) realizaram um estudo psicométrico da


Figura Complexa de Rey para a população brasileira.

◦ A amostra normativa abrange uma ampla faixa etária, com


idades variando de 5 a 88 anos. Esse estudo apresenta
parâmetro normativo para avaliar a precisão e o tempo gasto na
cópia e recordação da figura.

(ÁVILA, 2018) 12
Achados Neuropsicológicos no Figuras
4
Complexas de Rey

13
Achados Neuropsicológicos

◦ A Figura Complexa de Rey fornece informações sobre uma


variedade de processos cognitivos, como o planejamento, as
habilidades visioconstrutivas e a memória episódica visual
(Strauss et al., 2006).

◦ A influência do planejamento, uma função executiva


hierarquicamente superior, na realização da Figura Complexa de
Rey é descrita de modo extenso na literatura.

◦ O tipo de planejamento adotado durante a realização da figura é


preditor da acurácia tanto na cópia quanto na recordação (Strauss
et al., 2006). (ÁVILA, 2018) 14
Achados Neuropsicológicos
◦ Sujeitos que adotam um planejamento mais eficiente, iniciando a cópia
pelos elementos estruturais, tendem a apresentar uma recordação mais
acurada da figura do que aqueles que iniciam a cópia pelos detalhes (Lezak
et al., 2012).

◦ Ávila e colaboradores (2015) identificaram que a relação entre o


planejamento e a cópia da Figura Complexa de Rey é parcialmente
mediada pela flexibilidade cognitiva e pelo controle inibitório, resultado
que evidencia a importância dos diferentes componentes das funções
executivas em tarefas de figura complexa.

◦ A importância do envolvimento do lobo frontal, região altamente


relacionada às funções executivas, na realização desse tipo de tarefa é
relatado de modo extenso na literatura. (ÁVILA, 2018) 15
Achados Neuropsicológicos

◦ O efeito da idade na Figura Complexa de Rey está reportado por


diversos estudos. O desempenho na tarefa tende a ser crescente até a
adolescência e a declinar gradualmente com o avanço da idade
(Gallagher & Burke, 2007; Strauss et al., 2006).

◦ Os idosos geralmente apresentam menor precisão na cópia da figura e


recordam uma menor quantidade de elementos do que os mais jovens
(Gallagher & Burke, 2007).

◦ A escolaridade - Indivíduos com baixa escolaridade apresentam


desempenho inferior ao daqueles com alta escolaridade (Lezak et al.,
2012).
(ÁVILA, 2018) 16
Achados Neuropsicológicos

◦ A Figura Complexa de Rey é sensível a diversas condições clínicas


que afetam o cérebro.

◦ Sujeitos com histórico de traumatismo craniano, com lesões no


lobo temporal medial, com demência de Alzheimer, depressão
maior, quadro epiléptico, entre outras condições, tendem a
apresentar desempenho inferior ao de indivíduos saudáveis
(Strauss et al., 2006).

◦ O tipo de dificuldade apresentada durante a realização da tarefa


varia de acordo com a região cerebral lesionada.
(ÁVILA, 2018) 17
Achados Neuropsicológicos

◦ Pacientes com lesão frontal tendem a apresentar


dificuldade em programar a estratégia para realizar a cópia
da figura, enquanto indivíduos com lesão parieto-occipital
costumam demonstrar dificuldade na organização espacial
da figura (Lezak et al., 2012).

(ÁVILA, 2018) 18
Estratégias de evocação tardia na
Figura Complexa de Rey por
crianças
Eduarda Peçanha, Helenice Charchat Fichman, Rosinda Oliveira & Jane Correa, 2019

19
Estratégias de Reprodução

◦ Este sistema as reproduções recebem classificações que variam


do tipo I ao tipo VII, sendo este último o menos elaborado.

◦ O critério principal é a estrutura de início do desenho e a


configuração geral do resultado da reprodução.

◦ Na estratégia tipo I (Construção a partir da armação), o desenho


é começado pelo retângulo central.

20
Estratégias de Reprodução

◦ No tipo II (Detalhes incluídos na armação), o sujeito faz um detalhe


da figura e em seguida faz o retângulo central.

◦ Na estratégia tipo III (Contorno geral) o sujeito inicia o desenho


pelo contorno da figura.

◦ Nessas três estratégias o elemento desenhado primeiro serve de


base para o restante da figura.

◦ No tipo IV (justaposição), os detalhes da figura são acoplados uns


aos outros, sem que nenhum elemento serva como base.
21
Estratégias de Reprodução

◦ No tipo VI (redução a um esquema familiar) a produção é associada a uma


figura co nhecida pelo sujeito, se parecendo pouco com o modelo.

◦ Na reprodução tipo VII (Garatuja) o sujeito faz alguns rabiscos que não se
parecem com o modelo.

◦ Silva, Peçanha, Charchat - Fichman, Oliveira e Correa (2016) argumentaram


que os crit érios utilizados por Osterrieth (1944) para análise da cópia não
foram capazes de mostrar a variabilidade existente nas estratégias
utilizadas por uma amostrta de crianças de 9 e 13 anos, que em sua
maioria iniciava o desenh pelo retângulo grande central ou pelo
contronointegral da figura.
22
1 Objetivos do Estudo

23
Objetivos do Estudo

◦ Descrever e analisar as estratégias para evocação tardia da ROCF


(Figuras Complexas de Rey), revisando o sistema classificatório
prposto por Osterrieth apresentado em manual brasileiro.

◦ Busca-se investigar a existência de heterogeneidade nos


métodos de reprodução da figura por criancas, em cada uma das
estratégias de Osterrieth (1944), na fase de evocação.

24
2 Método

25
Método

◦ Participantes
◦ Foram analisados 207 protocolos de evocação tardia (20 min
após a cópia) ROCF de crianças de ambos os sexos, idade entre
7-13 anos.

◦ Foram incluídos apenas resultados de escolares, sem queixa de


dificuldade de aprendizagem, sem reprovações escolares e que
não receberam nenhum diagnóstico de doenças
neuropsiquiátricas.

◦ Todos os protocolos foram avaliados de forma cega para idade


e sexo 26
◦ Foram examinados duas dimensões: a sequência em que os
elementos da figura eram desenhados e a integridade dos
elementos geométricos maiores que compõem a figura
(retângulo, diagnonais, mediatrizes e contorno geral – este
último no caso da estratégia III).

◦ Estratégia II apenas diverge da I, porque o desenho é iniciado


por um detalhe externo (seguido imediatamente do retângulo)
e, assim, estas duas estratégias foram tratadas em conjunto.

27
Resultados

28
Resultados

◦ Foram identificados 4
métodos diferentes de
realização:

29
30
31
32
33
34
Conclusão

◦ A heterogeneidade observada, neste etudo, para as estratégias do


sistema Osterrieth (1944) indica uma limitação importante deste
sistema de pontuação.

◦ Nas estratégias I e II foram identificados quatro métodos: Armação


Estruturada (contorno preservado e boa estruturação interna),
Fragmentação Parcial (contorno preservado e estruturação interna
parcialmente fragmentada), Armação Fragmentada (contorno
preservado e desestruturação interna) e Armação alterada
(contorno alterado e desestruturação interna).

35
◦ Na estratégia tipo III, foram identificadas as subcategorias Contorno
Estruturado (contorno preservado e boa estruturação interna),
Fragmentação Interna (contorno preservado e desestruturação
interna) e Contorno alterado (contorno alterado e desestruturação
interna).

◦ Na estratégia tipo IV, além de Fragmentação, foram identificados


três métodos de organização para o desenho da figura:
Agrupamentos Ordenados, Contorno Geral Incompleto e Pequenos
agrupamentos.

◦ Estes três métodos da estratégia IV foram os mesmos identificados


por Silva et al (2016) para a fase de cópia.
36
Conclusão

◦ A ROCF é um teste cuja aplicação é relativamente simples e de


baixo custo. Além disso, oferece ampla gama de informações
sobre capacidade de processamento visuoespacial, funções
executivas e memória, além das interações entre estas funções,
dispondo, ainda, de grande número de evidências de validade em
diferentes faixas etárias.

◦ Os sistemas de pontuação qualitativa enriquecem o teste, na


medida em que formalizam observações qualitativas
fundamentais no contexto clínico, por exemplo.

37

Common questions

Com tecnologia de IA

The frontal lobe plays a critical role in performing the Rey Complex Figure test due to its involvement in executive functions. These functions include planning, cognitive flexibility, and control, which are essential for organizing and accurately reproducing the figure. Lesions in this region often result in difficulties in strategy formation, impacting performance noticeably .

The Rey Complex Figure test assesses a variety of cognitive functions including visuospatial abilities, planning, visuoconstructive skills, episodic visual memory, and executive functions such as cognitive flexibility and inhibitory control. It is used to evaluate the perception and memory in patients with brain lesions .

The Rey Complex Figure test's complexity demands perceptual, spatial, and memory skills, challenging participants to employ analytical and organized perceptual activities. This design allows the assessment of various cognitive processes simultaneously, reflecting real-life problem-solving scenarios that require interactions of multiple cognitive domains .

The use of colored pencils in sequence helps track the order in which elements are copied, providing insight into the participant's planning and organizational strategies. This sequential change is crucial for evaluating the systematic approach and reveals the subject's cognitive processes in tackling complex tasks .

The qualitative scoring system evaluates the quality of the figure copy, focusing on factors such as organization and planning. The quantitative scoring system assesses the precision and location of the copied elements, assigning scores ranging from 0 to 2. Both systems provide insights into the individual's cognitive strategies and accuracy .

Clinical conditions such as traumatic brain injury, Alzheimer's disease, major depression, and epilepsy can negatively affect performance, with variations based on the specific brain areas impacted. For example, frontal lesions result in strategy formation issues, while parieto-occipital lesions affect spatial organization .

For Brazilian populations, psychometric studies have provided normative data across ages 5 to 88, evaluating parameters like accuracy and time for copying and recalling the figure, supporting its validity across a broad age range .

Performance on the Rey Complex Figure test increases during adolescence, peaks, and then declines with age. Elderly individuals typically show reduced accuracy in copies and recall. Educational level also affects performance; individuals with higher education generally perform better than those with lower educational backgrounds .

Children use various strategies classified from type I to VII, with type I involving starting with a central rectangle and type VII including non-representative scribbling. Strategies I and II often involve structural elements as starting points, while others like type VI and VII result in less organized recalls .

In the Brazilian context, the test is administered by having individuals copy a complex figure presented horizontally without rotation. It involves using different colored pencils to mark the sequence of elements drawn, allowing assessment of planning ability. After a brief pause, subjects are asked to recall and draw the figure from memory, while time spent on each task is recorded .

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