6.
Os viajantes e o urso
Dois homens viajavam juntos quando, de repente, surgiu um urso de dentro da
floresta e parou diante deles, urrando.
Um dos homens tratou de subir na árvore mais próxima e agarrar-se aos ramos.
O outro, vendo que não tinha tempo para esconder-se, deitou-se no chão,
esticado, fingindo de morto, porque ouvira dizer que os ursos não tocam em
homens mortos.
O urso aproximou-se, cheirou o homem deitado, e voltou de novo para a
floresta.
Quando a fera desapareceu, o homem da árvore desceu apressadamente e disse
ao companheiro:
— Vi o urso a dizer alguma coisa no teu ouvido. Que foi que ele disse?
Disse que eu nunca viajasse com um medroso.
A história dos viajantes e do urso fala de dois amigos que tiveram dois
comportamentos completamente diferentes diante da situação de perigo:
um subiu às pressas na árvore e o outro se fingiu de morto. Embora fossem
amigos e viajassem juntos, na hora do aperto cada um correu para um
lado.
Apesar do final feliz - de os dois terem se salvado -, a história registra a lição
de que é na hora do perigo que conhecemos os verdadeiros amigos.
7. O leão e o javali
Num dia muito quente, um leão e um javali chegaram juntos a um poço.
Estavam com muita sede e começaram a discutir para ver quem beberia
primeiro.
Nenhum cedia a vez ao outro. Já iam atracar-se para brigar, quando o leão
olhou para cima e viu vários urubus voando.
— Olhe lá! — disse o leão. — Aqueles urubus estão com fome e esperam para ver
qual de nós dois será derrotado.
— Então, é melhor fazermos as pazes — respondeu o javali. — Prefiro ser seu
amigo a ser comida de urubus.
Quantas vezes já não ouvimos casos de inimigos que afinal viraram amigos
por causa de um inimigo em comum? Esse é o resumo da história do leão e
javali, inimigos naturais que iam acabar tirando a vida um do outro numa
briga boba, para ver quem beberia a água do poço primeiro.
Quando viram o futuro negro - os urubus que sobrevoavam a região -
acharam melhor fazer as pazes do que correrem o risco de virarem carniça
e serem devorados pelos urubus.
Espertos, o leão e o javali acabaram salvando a própria pele.
A historinha breve nos ensina que, diante de um perigo maior, é melhor
esquecer as pequenas rivalidades.
8. A cigarra e as formigas
Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho para secar
suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãos tinham ficado
completamente molhados. De repente, apareceu uma cigarra:
— Por favor, formiguinhas, me dêem um pouco de trigo! Estou com uma fome
danada, acho que vou morrer.
As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra os princípios delas, e
perguntaram:
— Mas por quê? O que você fez durante o verão? Por acaso não se lembrou de
guardar comida para o inverno?
— Para falar a verdade, não tive tempo — respondeu a cigarra. — Passei o verão
cantando!
— Bom. Se você passou o verão cantando, que tal passar o inverno dançando? —
disseram as formigas, e voltaram para o trabalho dando risada.
A cigarra e as formigas é das histórias infantis mais tradicionais do mundo
ocidental. A breve fábula nos ensina a sermos precavidos, a pensarmos no
futuro.
Com as formigas aprendemos que é preciso planejar e se prevenir para os
dias mais complicados que poderão surgir.
A cigarra, irresponsável, só pensou no próprio bem-estar aproveitando o
verão e não se planejou para os dias de inverno. Com fome, precisou pedir
ajuda para as formigas, que souberam ser maduras e trabalhadoras, mas
não foram solidárias porque escolheram não partilhar o trigo.
9. O lobo e o burro
Um burro estava comendo quando viu um lobo escondido espiando tudo que ele
fazia. Percebendo que estava em perigo, o burro imaginou um plano para salvar
a sua pele.
Fingiu que era aleijado e saiu mancando com a maior dificuldade. Quando o
lobo apareceu, o burro todo choroso contou que tinha pisado num espinho
pontudo.
— Ai, ai, ai! Por favor, tire o espinho de minha pata! Se você não tirar, ele vai
espetar sua garganta quando você me engolir.
O lobo não queria se engasgar na hora de comer seu almoço, por isso quando o
burro levantou a pata ele começou a procurar o espinho com todo cuidado.
Nesse momento o burro deu o maior coice de sua vida e acabou com a alegria do
lobo.
Enquanto o lobo se levantava todo dolorido, o burro galopava satisfeito para
longe dali.
Em O lobo e o burro lemos a esperteza do burro que, sabendo da sua
fraqueza diante do lobo, usou da sabedoria para conseguir salvar a
própria pele.
Malandro, o burro - que não era nada ignorante - arranjou uma desculpa
convincente para o lobo se colocar numa posição vulnerável.
Quando percebeu que poderia vencer o lobo com um coice, o burro não
pestanejou e se livrou da situação de risco em que se encontrava.
A breve historinha nos ensina que, por um lado, podemos vencer situações
adversas com perspicácia e, por outro lado, que devemos desconfiar
sempre de favores inesperados.