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Entrevistamento Interventivo - Karl Tomm

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Entrevistamento Interventivo: Parte Ill. Pretendendo fazer questées lineares, circulares, estratégicas ou reflexivas ? KARL TOMM, M.D. Cada questo felta por um terapeuta pode ser vista como portando alguma intengdo e surgi do de certas suposicdes. Muttas questbes buscant ortentar 0 terapewta sobre a sltuacdo e as experi éncias do cliente; outras destinam-se a provocar mudangas terapéuticas. Algumas questées so baseadas em suposicdes lineares sobre os fend~ menos que estdo sendo observados; outras sao baseadas em suposicoes circulares. As diferencas entre estas questOes ndo sdo triviats, Blas tendem 4 ter efettos diferentes, Este artigo explora estes aspectos e oferece um esquema para distinguir 4 grupos principais de questoes. O esquema pode ser usado por terapeutas para gutar sua decisao sobre qual tipo de questdo fazer, e por pesquisa~ dores para estudar diferentes estilos de se fazer entrevista. stats Se ested sinc ‘ces, Entretanto, elas no sto conversa® ges comuns. Conversagdes terapéuticas s20 or- | ganizadas pelo desejo de aliviar o sofrimento ¢ produzir cura, Ocorrem entre terapeutas e dlicn tes dentro do contexto de mituo acordo em que © terapeuta ira contribuir intencionalmente em’ diregao de mudangas construtivas nas experién- ‘gias © comportamentos problemsticos dos clien- es, Embora outras conversagdes possam ter ¢- feitos terapéuticos (por exemplo, entre membros a familia, amigos, colegas de trabalho e mesmo estranhos), nio podem ser consideradas “terapia” @ menos que haja algum acordo de que um dos. Participantes se responsabilize por guiar a con- Fam. Proc. 27:1-55, 1988 a perspectiva de um observador, as psi- | it versaglo para que seja terapéutica para 0 outro. Portanto, um terapeuta sempre assume um pa J especial na conversigdo para a cura. Este Pepel encerra a obrigagio de tazer ajuda 203 problemas pessoais ¢ dificuldades interpessoais do outso 'A posigio do terapeuta em uma conver saglo terapéutica nlo apenas implica em respon ‘sabilidades especiais; ela também lhe confere privilégios especiais. Um exemplo destes wltimos € que 0 terapeuta tem o legitimo dircito de per- guntar sobre experiéncias privadas e pessoais dos clientes. Fazer ito pode frequentemente expor vulnerabilidades dos clientes. Conscquentemente, © potencial para mals trauma existe lado a lado com o de cicatriZapio. £ 0 modo como uma in- quirigao € mancjada que faz. a diferenca. Alguns tipos de conversa tendem a ser mais terapéuticos do que outros. Um dos fatores que contribui pa fa estas variagdes 6 a natureza das perguntas feitas. Durante uma conversaclo cujo objetivo @ ser curativa o terapeuta geralmente contribui com afirmacdes ¢ perguntas. Estas sao falas de tipos diferentes. Geralmente, as afirmagdes fa- lam de posigées ou pontos de vista, enquanto as perguntas despertam-nas, Em outras palavras, perguntas tendem a pedir respostas € as afir- mag6es tendem a fornecé-las. Entretanto, 20 mesmo tempo, estas caracteristicas no 0 ¢x- clusivas; hi considerdvel superposicio entre perguntas e afirmagies. As vezes, perguntas podem ser feitas sobre a forma de afirmagdes. *Vocé deve ter tido algum motivo para vir ver- 1c"; “A maioria das pessoas vem porque algo as est perturbando muito profundamente”. Alternativamente, as afimagoes podem ser feitas na forma de perguntas: “Nao € interes- sante que voc® atrasou-se novamente?”; "Por ‘que vocé nio saiu mais cedo, se voce sabia que 0 transito estava tao pesado” * 5B Xidides do que ¢ sugerido ou implicto (do que € dito ov per {oniado polo teapetsa) poder ser Waris depois pelo cite firvls de reo deborah o1 i co Apesar desta_superposis20y a rede zofvel esperar que a forma ling! ae minante das contribuigdes do terapeuta 1687 um importante efeito na natureza ¢ diregl0 conversacio. Parece haver algumas vantagens para um terapeuta em fazer principalmente pergun- tas, especialmente no comego ¢ no meio de uma entrevista, Forgosamente, fazer isto tende @ garantir uma conversagao centrada no cliente. As percepgdes, experiéncias, reagdes, preocu- Pages, metas, planos etc, do cliente so repe- Uidamente colocadas em primeito plano. Se 0 terapeuta responde as respostas do cliente com mais perguntas, as experiéncias e dedugdcs do terapeuta permanecem em um papel de supor- te enquanto a conversagao se desenvolve. Assim, quando se prefere fazer perguntas em vez de afirmagécs, 0 “trabalho” da sessfo natu- ralmente € centrado no cliente ¢ nao no tera- peuta. Outra vantagem é que perguntas consti tuem um convite muito mais forte para que os clientes participem da conversagao do que as afirmagdes. A forma gramatical de uma senten- ¢a que coloca uma pergunta traz a expectativa social de uma resposta, A cadéneia, tonalidade ¢ subsequente pausa do discurso do terapeuta aumenta a expeciativa por uma_resposta. Quando o terapeuta também conduz um claro compromisso de prestar atencao ¢ ouvir as respostas do cliente, a expectativa é ainda mais fortalecida. Assim, através do questionamento, 0s clientes sao ativamente induzidos ao didlogo com 0 terapeuta. Na verdade, mesmo pacientes mudos ou reservados, acham. dificil escapar entrando em um processo de conversacio silenciosa quando perguntas sao dirigidas a cles. Uma vantagem a mais para os terapeutas em fazer principalmente perguntas, evitando fazer muitas colocagées, € que os clientes sio assim estimulados a pensar em seus proprios problemas. Isto favorece a autonomia do cli- ente © permite um maior senso de realizagio ‘i da familia quando mu- 2 var completamente nele. Para ae ae My ccisa fazer colocacdes se iso 0 ino 9 em tempo © ‘separar ou perma: isso, a expectativa social ’ sentidas como uma imposigao. _Certas jente invasivas wversa¢o cont ae, Shears ane dons anlitcrapeuticas. Por Outro 1200, 3 endo © dificuldades podem ser resolvi i cereeieg enmre perguntas ¢ colocacdes como vores emitidas pelo terapeuta, tende a yarlar em diferentes escolas de terapia. Por cxemplo, a abordagem sistémica de Milao de- pende fortemente em fazer perguntas, enquan- fo as abordagens estrutural e estratégica depen- dem em fazer afirmag6es. Entre as varidveis que influenciam 6 balango entre perguntas ¢ afirma- des em uma sessio particular est4o a orienta~ $20 teérica € 0 estilo pessoal do terapeuta, os tipos de problemas, crencas, expectativas ¢ ¢s- tilos de interagio apresentadas pelos clientes © padrao idiossincrasico de interagho que se desenvolve entre eles. Pelo que sei, os efeitos deste balanco no foram ainda sisteméticamen- te explorados nia pesquisa sobre terapia de ca- sal e familiar, nem tem sido examinado o efeito de deliberadamente alterar a proporcao entre perguntas ¢ afirmagdes durante o curso da entrevista Apesar de este artigo focar-se predomi nantemente em perguntas ¢ nas difcrencas en- tre elas, nao se pretende pressupor que um te- rapeuta deva apenas fazer perguntas, Quando 08 clientes estio simplesmente desprovidos de informagio bisica ou nao tém recursos de cof nhecimento para responder coerentemente, é apropriado que os terapeutas providenciem|\ para cles, Adicionalmente, colocagdes “se... entao” que clarificam o proceso mental podem contibuir enormemente para a infor- magdo ¢ compreensio dos eventos relevantes por uma familia, Por exemplo, se os pais insis- ‘em exigir explicagdes de uma crianca cles ‘estar ensinando a crianga a mentir. A ‘pode aprender a inventar qualquer tipo posta que possa satisfazer a exigéncia (02) 2 dos pais por uma resposta imediata, Além dis 0, afirmagées irdnicas ¢ improvaveis por um terapcuta s4o as vezes 08 meios mais eficientes para despertar questdes nas mentes dos clientes © para realgar sua capacidade em fazer descober- tas pertinentes por si préprios. INTENGOES DO TERAPEUTA E SUPOSIGOES Assume-se que cada pergunta inclui algu- ma intengdo. Conscientemente ou nio, o tera- peuta tem alguma finalidade em perguntar. Esta intengao ou propésito surge da postura concel- tual estrategizacio (ver 4) que guia as decisdes do terapeuta durante todos os momentos da conversacio. A intenglo mais comum atrés das pergunias feitas por um terapeuta € descobrir algo sobre os clientes ou sua situasa0. Com 0 uso de perguntas 0 terapeuta convida os clien- tes a compartilhar seus problemas, experién- clas, esperangas, expectativas etc. A intengio imediata em perguntar € desenvolver a compre- ensdo do terapeula. A finalidade das perguntas € obter respostas dos clientes que capacitario 0 terapeuta 2 ter uma lingua em comum com os dlientes, a tirar distingdes relevantes sobre suas experiéncias, ¢ a gerar éxplicagdes dinicamente Steis 2 respeito de seus problemas. As questdes sio escolhidas para apoiar a atividade do tera- Peuta nas posturas conceituais de circularidade ¢ hipotetizagao (veja 4). E esperado que mem- bros da familia respondam de [Link] a compreensio que jf tenham. No se espera deles que mudem com o resultado dessas per- guntas. Em outras palavras, durante este ques- tionamento o foco para pretendidas mudancas € 0 terapetta, nao 0 cliente ou a familia. A meta nestes momentos da entrevista € que 0 terapeuta fique orientado sobre a situac20 pro- blemitica ‘© as experiéncias idiossincrasicas do clicnte © membros da familia. A proporgao que © terapeuta constréi impressbes ¢ imagens das respostas yerbais ¢ nio verbais da familia, ou- tras perguntas sZo feitas, para preencher lacunas, Glarificar ambiguidades, ¢ resolver inconsisténcias que nascem na mente do terapeuta. Desta for- ma, no inicio da entrevista o terapeuta faz pre- dominantemente perguntas de'orlentacdo *. 4, POF outro lado, durante a avaliagio da situago dos pacientes frequentemente surgem Sass fas quais intervencdes parecem parti- cularmente oportunas. © terapeuta reconhece ([Link] momento" ou “uma abertura” na con- ‘S40 para influenciar as percepcdes ou as 3 crengas da familia. Em outras palavras, a situa- ac € condutiva a uma agio ern que o terapeu ta pode capacitar membros da familia a mudar seus conceitos, e consequentemente seu com: portamento, © terapeuta pode alterar o padrao de fazer perguntas e fazer algumas afirmagées, Se, todavia, o terapeuta decide continuar 0 questionamento pesquisa, ele pode aproveitar essas oportunidades introduzindo intervengdes terapéuticas sob a forma de perguntas. Na verdade, por varios motivos 0 terapeuta pode preferir’ usar perguntas para influcnciar 0 dliente, em vez de fazer afirmagées. O terapeuta entio formula perguntas {nfluen- cladoras, 0 tipo de pergunta que € capaz de desencadear mudanga terapéutica. Neste caso, © foco primirio para mudanga € 0 cliente ou familia, nao o terapeuta. Isto nao significa que ‘0 terapeuta esteja fechado a futura mudanga em sua compreensio como resultado das respostas, do cliente a essas perguntas. Ao conitrario, 0 terapeuta sempre permanece aberto a mudar apés uma pergunta influenciadora; de outra maneira, a pergunta seria puramente retérica Todavia, esta mudanca € secundaria com respeito & inten¢4o predominante do terapeuta ‘em formular ésta pergunta particular. Assim, uma dimensio bisica para se di- ferenciar as perguntas é olhar o foco que se pre- tende mudar embutido na pergunta, Em um cx- tremo esté uma intengio predominantemente ori- entadora, para mudanca em si proprio, e no outro ‘extremo est4 uma fntencdo predominantemente influenctadora, para mudanga nos outros. Perguntas orientadoras objetivam convidar uma resposta para alterar as percepgdes do préprio terapeuta, enquanto perguntas’ influenciadoras ‘objetivam desfechar uma resposta que pode alterar as percepgdes ¢ compreensio da familia. Qualquer pergunta pode, é claro, incluir inten- gécs mistas. Esta distingdo entre perguntas ori- entadoras ¢ influenciadoras constitui um conv te para que os terapeutas tomem-se mais cuida- dosos na estratégia de o que perguntar. in uma anterior G), ev me refer a essas perguo tas como 75" porque elas coavidam os clientes 4 des. ‘reves ova situagdo € ‘Todavia, 0 adtivo “descrit- Yo" pode pressupor que es membros da femfia fornecam des. ‘erodes de eventos e expertacias iso pode ser enganoso. Fu ‘grt peo *e eto" pore io € mis peso ¢ coe reale com uma explicepio ja de segunde ower que ‘corre durante urna earevista, As rexpoctas da fara simples meate orealam 0 lerapenta em suas apbes subsequentes; AS fesposs ndo sto necessariabente tomadas como afirmagdes a tespeito de ura realidade objetiva 7103 3 principal pars iferenclar as perguntas tem a ver com, varia Ga asus sobre a natureza de ene ioe mentais e 0 processo ferapéutico. Parece ta zoavel supor que uma rede de suposices ¢ pressuposigdes acerca do que esté sendo per- puntado existe na mente do terapeuta como um alicerce para a pergunta. Geralmente, essas sU- posigdes © esses pressupostos subjacentes ten- dem’ permanecer nfo conscientes durante @ condugo de uma entrevista. Eles podem, toda- via, ser azidos & consciéncia ¢ deliberadamen- te ser modificados em uma direcio ov outra. Em outras palavras, esses pressupostos podem ser tramados ao longo'de um continuo. Em um extremo desse continuo podem estar suposi- ‘ges predomin: vlemente lineares ou supostyoes de causa-e-

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