Análise Hidrogeoquímica em Balama
Análise Hidrogeoquímica em Balama
FACULDADE DE ENGENHARIA
Autora:
FACULDADE DE ENGENHARIA
Autora:
Supervisor: Co-Supervisor:
“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que
Arthur Schopenhauer
iii
PÁGINA DE ACEITAÇÃO
Presidente do Júri
Secretário
Vogal
Pemba, / /2020
iv
DECLARAÇÃO DE HONRA
Eu, Yedaldete Mela Catarina Samuel Cuambe, declaro por minha honra que este trabalho de
culminação de curso nunca foi apresentado, parcial ou integralmente, em nenhuma instituição
para obtenção de qualquer grau académico e que consiste no resultado do meu trabalho
pessoal, estando indicadas no texto e nas referências bibliográficas as fontes utilizadas.
v
AGRADECIMENTOS
À Deus, que me permitiu abraçar essa missão. A Ele toda a Gloria, pois com Ele eu tenho tudo
o que preciso! Obrigada meu Deus, pelas bênçãos sem fim e pela alegria de viver em Tua
presença.
Aos meus pais Samuel e Odete Cuambe, que não mediram esforços para fazer o possível e o
impossível para que eu chegasse até aqui, me dando todo o apoio, paciência, compreensão e
incentivo necessários. Pai e mãe, obrigada por me acompanharem em cada passo dessa
jornada, a vocês minha eterna gratidão e amor.
Aos meus irmãos, Cornélio, Láundia e Clédio por terem sempre me apoiado, incentivado e
acreditado em mim durante a minha formação e durante todos os anos da minha existência, me
passando todos os ensinamentos que eu precisava com paciência e amor.
Aos meus supervisores, docente Isac Abdulgani Burgraff e Claudino Chaquisse pela sabedoria
e pelos conhecimentos compartilhados como docentes e supervisores, e pela paciência e
dedicação ofertadas a mim durante a orientação do trabalho.
Ao dr. Muchanga pela contribuição no desenvolvimento das análises químicas das amostras.
Aos meus colegas Niquina e João pela ajuda na elaboração dos mapas deste trabalho.
vi
DEDICATÓRIA
Aos meus queridos pais, Samuel e Odete, que me incentivaram e me deram todo o suporte
necessário, desde a nascença até a conclusão deste curso.
vii
LISTA DE ABREVIATURAS
BR – Boletim da República
Eto – Evapotranspiração
H1 – Hipotese 1
H2 – Hipotese 2
H3 – Hipotese 3
km – Quilometro
m – metro
Ma – Milhões de anos
mm- milímetro
OD – Oxigénio Dissolvido
pH – potencial hidrogeniónico
S – Sul
viii
LISTA DE SÍMBOLOS
ºC - Graus célsius
𝐂𝐚𝟐+ - Cálcio
𝐅− −Fluoretos
𝐇𝐂𝐎𝟑− – Bicarbonato
𝐌𝐠𝟐+- Magnésio
𝐍𝐇𝟒+ −Amoníaco
𝐒𝐎𝟒−𝟐 −Sulfato
ix
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1. Pontos de amostragem ............................................................................................... 33
Tabela 2: Identificação dos furos .............................................................................................. 35
Tabela 3: Parâmetros físico-químicos e microbiológicos da água dos furos analisados .............. 36
Tabela 4. Parâmetros físico-químicos e microbiológicos da água destinada ao consumo
humano e seus riscos a saúde pública ........................................................................................ IV
x
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1. Caracterização da área de estudo............................................................................. 4
Figura 2 – Litologias da área de estudo .................................................................................. 9
Figura 3 – Mapa hidrológico da área de estudo. ....................................................................11
Figura 4 – O átomo de oxigênio consegue atrair mais os elétrons que o átomo de hidrogênio.
............................................................................................................................................. 13
Figura 5 – A região negativa da molécula de água atrai a região positiva de outra molécula de
água que está por perto, formando o que chamamos de pontes de hidrogênio. ........................13
Figura 6 − Ascensão da água num tubo capilar, com formação do menisco côncavo. ............16
Figura 7 – Distribuição da água no planeta. ..........................................................................18
Figura 8 – Ciclo da água .......................................................................................................19
Figura 9 – Tipos de aquíferos quanto à porosidade ................................................................21
Figura 10 – Tipos de aquíferos quanto à pressão. ..................................................................23
Figura 11 – Localização geográfica dos pontos de amostragem.............................................32
Figura 12 – Amostras de água etiquetadas no local da colecta. ..............................................32
Figura 13 – valores de pH das amostras ................................................................................38
Figura 14 – Valores de condutividade eléctrica .....................................................................39
Figura 15 – Valores de Nitratos ............................................................................................41
Figura 16: Valores de Cloretos .............................................................................................42
Figura 17: Valores de Alcalinidade Total..............................................................................43
Figura 18: Valores de Dureza total, Cálcio e Magnésio. ........................................................44
Figura 19: Valores de Sulfato. ..............................................................................................45
Figura 20: coleta de amostra de água (esquerda), ilustração do saneamento do meio (direita).. I
Figura 21: Lovebond usado para análises da colorimetria – nitratos, nitritos e amónia
(esquerda) e espetrofotómetro usado para analisar sulfatos e ferro total (direita). ................... I
Figura 22: Banho-Maria para incubação de amostras a 44º C na pesquisa de coliformes fecais
(esquerda) e incubador a 37º C para incubação de amostras na pesquisa de coliformes totais
(direita). ................................................................................................................................. II
Figura 23: pH metro (esquerda) e Burretas (direita) ............................................................... II
xi
RESUMO
A água subterrânea é considerada uma fonte imprescindível para o consumo humano, sendo
também importante o seu uso nas actividades de mineração. Furos de água vêm sendo feitos
no distrito de Balama com vista a satisfazer essas duas necessidades. Na área de estudo foram
observadas várias atividades realizadas pela população e construções que podem influenciar
na qualidade da água por se encontrarem muito próximas dos furos de água. Nesse sentido, foi
necessário realizar um estudo hidrogeoquímico, afim de avaliar a qualidade da água dos furos
feitos neste distrito, em particular no Posto Administrativo de Balama. Para o alcance do
objectivo, realizou-se um trabalho de campo e laboratorial, no qual foram analisados os
parâmetros físico-químicos de 5 amostras de água. Usou-se o Regulamento Sobre a Qualidade
da Água para o Consumo Humano do Boletim da República para analisar os limites
admissíveis para cada parâmetro. Os resultados mostraram que as amostras 2, 3 e 4
apresentam valores dentro dos parâmetros estabelecidos, enquanto que, as amostras 1 e 5 não
observam padrões de potabilidade no que diz respeito a: dureza total, cálcio, sulfatos,
conductividade eléctrica, alcalinidade, sabor, nitratos e cloretos; sendo assim, impróprias tanto
para o consumo humano (hidratação), como a nível industrial pela possibilidade de provocar
incrustação e corrosão nos equipamentos na área da indústria mineira. Com base nos
resultados recomenda-se que haja implementação de um sistema sanitário que garanta a
minimização da contaminação das águas subterrâneas através de despejos domésticos;
sensibilização através de educação sanitária e ambiental da população; monitoramento
periódico da qualidade da água e ainda realização de reparos contínuos nos sistemas de
abastecimento da água e nos equipamentos usados na mineração.
xii
ABSTRACT
Groundwater is considered an indispensable source for human consumption, and its use in
mining activities is also important. Water holes have been drilled in Balama district for these
two needs. In the water hole work area, several activities performed by the population and
constructions that can influence water quality were found to be very close to the water holes.
In this regard, it is necessary to evaluate the water quality of the holes drilled in this district
and monitor it to check for changes in their quality. A survey consisted of assessing the quality
of open water liquids at the Balama Administrative Post with a view to determining the
qualitative physicochemical parameters of liquid water and monitoring their quality. To
achieve the objective, carried out a field and laboratory work, the physicochemical parameters
of 5 quantities of water were not analyzed. Use the Bulletin of the Republic Consumer Water
Quality Regulation to analyze the permissible limits for each parameter. The results shown on
the display showing some adjustments for adjustments, a change in water may be due to the
dissolution of salt damage from the rocks that make up the aquifer and domestic discharges.
The parameters that present values above the allowable limit are: total quantity, calcium,
sulfates, electrical conductivity, alkalinity, taste, nitrates and chlorides. Because water from
boreholes with these values is unfit for human consumption (hydration), and even an industrial
level can cause scale and corrosion of equipment in the mining industry. Based on the
recommended results, there are investments in awareness campaigns through health and
environmental education, as these are important to ensure the quality of life of the population.
Periodic analyzes of water quality are also performed throughout the study area in order to
monitor water quality and to perform continuous repairs to systems and equipment used in
mineral processing.
xiii
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS .............................................................................................................. vi
1.5.1. Geral……………………………………………………………………………….. 3
xiv
3.6. Impurezas da água .......................................................................................................23
ANEXOS .............................................................................................................................. I
xv
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO
1.1. Contextualização
A água subterrânea é considerada uma fonte imprescindível para o consumo humano, sendo
também importante o seu uso nas actividades de mineração. Furos de água vêm sendo feitos
no distrito de Balama com vista a satisfazer essas duas necessidades. De acordo com o
Ministério de Administracao Estatal (2014), o distrito tem registado uma crescente busca no
sector de mineração, fazendo-se necessária a abertura de furos de água para atender as
necessidades da indústria mineira por lá existente vocacionada na exploração e processamento
da grafite; e também para atender as necessidades de consumo da população local.
A Terra tem 1,5 bilhão de quilômetros cúbicos de água, que cobrem três quartos de sua
superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados. Mas apenas uma pequena parte, 9 mil
quilômetros cúbicos, está disponível para consumo, irrigação agrícola e uso industrial. No que
se refere à distribuição da água, 97% encontra-se nos oceanos, 2% está em forma de gelo e o
1% restante é a água doce dos rios, lagos, águas subterrâneas, humidade atmosférica e do solo.
(Funasa, 2014)
Em áreas com precárias condições de saneamento básico, a água é responsável por um grande
número de doenças de veiculação hídrica. Segundo a Funasa (2014), as fontes de
contaminação antropogénica em águas subterrâneas são em geral directamente associadas a
despejos domésticos, industriais e de aterros de lixo que contaminam os lençóis freáticos com
microrganismos patogénicos.
Quanto a fonte natural, a geologia local pode ter alguma influência na alteração da água pela
dissolução de sais provenientes das rochas que compõem o aquífero.
Neste trabalho, fez-se um estudo hidrogeoquímico dos furos feitos no Posto Administrativo de
Balama (Cabo Delgado), para avaliar a qualidade da água para o consumo humano e para a
uso na indústria mineira.
1
1.2. Problematização
A água é um elemento essencial à vida. A sua qualidade e oferta condicionam a saúde e o
bem-estar das populações. A qualidade da água para consumo humano deve ser considerada,
portanto, como factor essencial no desenvolvimento das ações dos Serviços de Abastecimento
de Água, quer públicos ou privados, de maneira que a água distribuída ao usuário tenha todas
as características de qualidade determinadas pela legislação vigente (Funasa, 2014).
No distrito de Balama vem sendo abertos furos de água que visam abastecer a indústria
mineira dedicada a exploração e processamento da grafite, bem como ao consumo da
população, e não se tem feito uma avaliação periódica da qualidade da água, desde a abertura
desses furos. Na área do entorno dos furos de água foram observadas várias atividades
realizadas pela população (agricultura e a pecuária) e construções (casas, escolas, latrinas, etc.)
que podem influenciar na qualidade da água por se encontrarem muito próximas dos furos de
água, não tendo um raio de pelo menos 25m aconselhado pelo método de Krijgsman e Lobo
Ferreira para o calculo do raio de protecção do poço, descrito por Barbosa, L. (2007).
Os impactos ambientais, sociais e econômicos da degradação da qualidade das águas se
traduzem, entre outros, na perda da biodiversidade, no aumento de doenças de veiculação
hídrica, no aumento do custo de tratamento das águas destinadas ao abastecimento doméstico
e ao uso industrial e na perda de produtividade tanto industrial como agropecuária.
Face aos problemas acima mencionados, neste trabalho pretendeu-se responder a seguinte
pergunta de partida: até que ponto as actividades domesticas, agrícolas, industriais e a
geologia da área de estudo estão a influenciar na qualidade da água?
1.3. Justificativa
O distrito de Balama tem vindo a registrar uma crescente actividade no sector mineiro. E para
a realização destas actividades o uso da água é de extrema importância. O distrito não
apresenta uma rede de abastecimento de água convencional e seguro, e os poços artesanais são
a principal fonte de água para o consumo da população. Sendo assim, se faz necessária a
existência de furos de água seguros que sejam capazes de abastecer a população e de atender
as necessidades da indústria mineira por lá existente. Nesse sentido, justifica-se a necessidade
de realizar um estudo hidrogeoquímico com vista a perceber os factores tanto antrópicos como
naturais que possibilitam a alteração da qualidade da água.
2
1.4. Hipóteses
H1: A água dos furos é imprópria para o consumo humano;
1.5. Objectivos
1.5.1. Geral
Avaliar a qualidade da água subterrânea dos furos abertos para o consumo da
população no Distrito de Balama – Posto Administrativo de Balama.
1.5.2. Específicos
Determinar os parâmetros físico-químicos qualitativos da água dos furos;
Correlacionar os resultados da análise com os tipos de aquíferos da região de estudo;
Propor mecanismos viáveis que assegurem a qualidade da água caso necessário.
3
CAPITULO 2: CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O distrito de Balama, está localizado a sul da Província de Cabo Delgado, confinando a Norte
com o distrito de Montepuez, a Sul com a Província do Niassa, através do Rio Ruassa, a Este
com o distrito de Namuno e a Oeste com o distrito de Montepuez. (Ministério de
Administração Estatal, 2014)
A área de estudo localiza-se a Este do distrito de Balama, entre os paralelos 38º33’36’’E e
38º40’48’’E e meridianos 13º24’00” e 13º19’12’’; fazendo limite a Este com o distrito de
Montepuez conforme ilustrado na figura 1.
4
2.1.1. Densidade populacional
De acordo com o Ministério de Administração Estatal (2014), a superfície do distrito é de
5.518 km2 e a sua população está estimada em 138 mil habitantes à data de 1/7/2012. Com
uma densidade populacional aproximada de 24,9 hab/km², prevê-se que o distrito em 2020
venha a atingir os 149 mil habitantes.
Uma parte considerável do interior é de altitudes compreendidas entre os 200 e 500 metros, de
relevo ondulado, interrompido de frequentemente pelas formações rochosas dos “inselbergs”.
Fisiograficamente a área é constituída por uma zona planáltica baixa que, gradualmente passa
para um relevo mais dissecado com encostas mais declivosas intermedias, da zona
subplanaltica de transição para a zona litoral. (Ministério de Administração Estatal, 2014)
O escoamento superficial é lento e difuso para além de poder ainda beneficiar da contribuição
do fluxo de água subterrânea, principalmente nas zonas cujos depósitos apresentam textura
grosseira e arenosa. Estas unidades de terreno são ainda características das áreas mais planas
ao longo dos divisores de água dos rios.
A fisiografia é dominada pela alternância de interflúvios e os vales dos rios que, devido à sua
largura, profundidade e posição (em relação aos rios), poderão alternar os dambos – formas
especiais dos vales. (Ministério de Administração Estatal, 2014)
5
Os topos e encostas superiores dos interflúvios são dominados por complexos de solos
vermelhos e alaranjados e amarelos. A maioria dos solos apresenta texturas media a pesada,
sendo profundos, bem a moderadamente bem drenados. Nas encostas intermedias dos
interflúvios os solos variam de cor, desde solos com cores pardo-acastanhada a castanho-
amareladas, moderadamente bem drenados, com textura argilosa. (Ministério de
Administração Estatal, 2014)
6
2.2. Enquadramento Geológico
2.2.1. Geologia Regional
Dada a enorme extensão do país, as diferenças geológicas são muito grandes entre o norte, o
centro e o sul do país. (Vasconcelos & Jamal, 2010)
As unidades lito estratigráficas que jazem sob o território de Moçambique, podem ser
convenientemente subdivididos entre o embasamento cristalino de idade Arcaica-Cambriana e
a cobertura Fanerozóica (GTK, 2006). Assim, o norte é fundamentalmente proterozoico
(embasamento cristalino) e o sul inteiramente fanerozóico, com a região centro albergando
terrenos arcaicos, proterozóicos e fanerozoicos (Vasconcelos & Jamal, 2010).
De acordo com o GTK (2006), a região de estudo pertence ao terreno do Gondwana Leste que
compreende o Cráton Congo/Tanzania ou África Central e várias unidades tectono - ou lito
estratigráficas em cinturões dobrados.
Fazem parte do Gondwana Leste os grupos: Geci, Txitonga, Ocua, Angonia, os complexos:
Montepuez, Lalamo, M’Sawize, Muaquia, Xixano, Meluco, Nairoto, Marrupa, Unango,
Nampula, Ponta Messuli, Mugeba e o supergrupo Lúrio. (GTK, 2006)
7
2.2.2. Geologia local
De acordo com o Norconsult (2007), a área de estudo pertence aos complexos Montepuez e
Xixano.
Complexo Montepuez
O Complexo Montepuez forma uma unidade em forma de cunha de para e ortognaisses
fortemente deformados no flanco norte da Faixa de Lúrio. Inclui parte dos grupos Montepuez
e Chiúre. É litologicamente semelhante aos Complexos Lalamo e Xixano adjacentes, embora
os Complexos Montepuez e Lalamo sejam frequentemente separados por uma unidade
gnáissica félsica atribuída ao Complexo Nairoto (GTK, 2006).
Compreende ortognaisses que variam de composição granítica a anfibolítica, e paragnaisses
compreendendo principalmente quartzito, meta-arcose e mármore (Boyd & Thomas, 2010).
O contacto das rochas experimentou de uma maneira geral um metamorfismo de grau
anfibolítico. Um leucossoma dum paragnaisse da parte ocidental deste complexo foi datado de
942±14 Milhões de anos (Ma) com um remetamorfismo de 599±10 Ma. A datação
quimioestratigráfica dos mármores deste Complexo sugere que foram depositados entre 1100
e 1050 Ma (GTK, 2006).
Complexo de Xixano
A sua forma radiométrica muito e bem distinta facilitou o reconhecimento deste Complexo
como uma nova unidade tectono-estratigráfica. Estende-se desde a fronteira com a Tanzânia, a
leste do Rio Lugenda, até à faixa do Lúrio, e inclui dois outliers (corpos isolados cercados por
rochas mais antigas) dentro do Complexo de Marrupa, nas folhas 1437 (Malema) e 1337
(Marrupa), sendo um deles um grande corpo com orientação norte-sul perto de Nipepe e o
outro, uma massa isolada para oeste, na área do Monte Macicoro. (GTK, 2006).
Existe ainda o registo duma terceira massa pequena em Tele, folha 1338 (Namuno). A maior
parte deste complexo é constituída por rochas metasupracrustais, envolvendo
predominantemente rochas máficas ígneas e granulíticas, que formam o núcleo de um
sinforme regional com orientação nor-nordeste – sul-sudoeste. Os paragnaisses incluem vários
tipos de mica-gnaisses e xistos, gnaisse feldspático, metagrés, quartzito e mármore. Ocorrem
ainda ortognaisses félsicos juntamente com os paragnaisses, principalmente na parte norte e
8
leste deste complexo. O grau metamórfico do Complexo de Xixano é predominantemente de
fácies anfibolitico, embora haja também rochas de fácies granulito dentro das lentes
tectónicas. O contacto com o subjacente Complexo de Marrupa a oeste, apresenta-se como
uma importante zona de cisalhamento que sofreu subsequentemente uma dobra contra a faixa
do Lúrio a sul. A zona de cisalhamento que forma o contacto com o Complexo de Montepuez
a leste também apresenta grandes dobras. Uma importante zona de cisalhamento separa
também o Complexo de Xixano do Complexo de Nairoto, a leste. (GTK, 2006).
A rocha datada como a mais antiga no Complexo de Xixano é um metariolito ligeiramente
deformado (vide folha 1338 Namuno), o que fornece uma idade exacta de extrusão de 818±10
Ma. Obteve-se idade semelhante, 799±44 Ma, a partir de um gnaisse granítico situado mais a
nordeste do complexo. A idade de intrusão de um gnaisse enderbítico de uma lente tectónica
da parte nordeste da folha 1238 (Xixano) é de 742±16 Ma e a idade do metamorfismo de
fácies granulito registada por um granulito bandeado, situado na parte norte da folha 1338
(Namuno) é de 735±4 Ma. (GTK, 2006)
9
Na figura 3, estão ilustradas as rochas que compõem a área de estudo, sendo o gnaisse quartzo
feldspático (P3MPqf) pertencente ao complexo Montepuez e as restantes pertencentes ao
complexo Xixano; sendo elas: gnaisse anfibolítico (P3Xag), gnaisse granítico a granodiorítico
(P3Xgd), gnaisemicaceo com quartzo e xisto localmente com grafite (P3Xqn), granito
porfírico do Monte Maco (P3MC), meta-arenito (P3Xss), meta-riolito (P3Xrh), mármore
(P3Xma) e rochas charmoquíticas (P3Xch).
Modelo do rifte continental (Condie, 1981, citado por Afonso R. (1998)) – este modelo diz
que os ‘Greenstone belts’ teriam sido gerados nos primitivos riftes continentais e/ou nos
aulacogenos instalados sobre uma delgada litosfera do Arcaico, de natureza gnáissica de alto
grau de metamorfismo. Através daqueles riftes deu-se a extrusão das rochas com filiação
komatitica-toleitica. A componente do tectonismo vertical elevou os blocos da crusta siálica
primitiva marginal, daquelas depressões tectónicas de que resultaram os primitivos
sedimentos. Estes, associados aos sedimentos químicos marinhos, depositaram-se sobre as
rochas vulcânicas acima referidas. Este conjunto Vulcano-sedimentar foi submetido em
seguida a subsidência, metamorfismo, dobramento, plutonismo e diapirismo, tendo como
consequência a consolidação e a estabilização do Cratão do Zimbabwe.
Os grupos supracrustais dos quais as rochas da região de estudo fazem parte, teriam sido
gerados de acordo com Afonso R. (1998), no ambiente caracterizado por arcos insulares
externos e interno, separados por uma bacia marginal. Os metapelitos seriam provenientes da
parte inferior da bacia marinha e os metapsamitos da plataforma continental e dos taludes
continentais, rochas estas arrastadas da litosfera inferior e instaladas ao longo dos planos de
cavalgamento como escamas de rochas deformadas. A estas rochas estão associadas rochas
metamórficas de alta pressão e de alta temperatura como é o caso dos gnaisses granulíticos e
dos charnoquíticos – encontrados na região de estudo, típicas de um ambiente da tectónica
10
transpressiva. As rochas magmáticas teriam resultado da fusão da crusta oceânica ao longo do
plano do Benioff. Os arcos externos podem incluir um fragmento da crusta antiga arrancada do
continente como acontece no arco insular do Japão (Afonso, R. 1998).
11
CAPÍTULO 3: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.1. A água
De acordo com Funasa (2014), água é o nome comum que se aplica ao estado líquido do
composto de hidrogênio e oxigênio. A estrutura química de uma molécula de água é formada
por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio: 𝐻20.
Constata-se, assim, que a água além de ser formada pelos elementos hidrogénio e oxigénio na
proporção de dois para um, também pode dissolver uma ampla variedade de substâncias, as
quais conferem à água suas características peculiares. Além disso, as substâncias dissolvidas e
as partículas presentes no seio da massa líquida são transportadas pelos cursos de água,
mudando continuamente de posição e estabelecendo um caráter fortemente dinâmico para a
questão da qualidade da água (Funasa, 2014).
Na molécula de água, o oxigénio consegue atrair mais os electrões para perto de si que o
hidrogênio. Com isso, essa molécula acaba ficando com uma região negativa, que vem dos
electrões (perto do átomo de oxigênio) e uma região positiva (perto dos átomos de
hidrogênio). (Funasa, 2014)
12
Figura 4 – O átomo de oxigênio consegue atrair mais os elétrons que o átomo de hidrogênio.
Isso faz com que a região da molécula de água onde ele está fique negativa. Fonte:
http://felix.ib.usp.br/bib131/texto3/molecula.html acessado as 9h em 18 de Outubro, 2018.
Isso faz com que as moléculas de água atuem como ímãs, atraindo-se umas às outras: a carga
negativa do átomo de oxigênio atrai a carga positiva do átomo de hidrogênio de outra
molécula de água vizinha e vice-versa. Essa atração é chamada de “ponte” de hidrogênio.
Cada molécula de água pode formar pontes de hidrogênio com até quatro outras moléculas de
água vizinhas. (Funasa, 2014)
Figura 5 – A região negativa da molécula de água atrai a região positiva de outra molécula
de água que está por perto, formando o que chamamos de pontes de hidrogênio. Fonte:
13
http://www.mundoeducacao.com.br/quimica/ligacoes-hidrogenio.htm acessado as 10h em 18
de Outubro, 2018.
A água é encontrada na Terra nos três estados físicos: líquido, sólido e gasoso.
Conforme Sutcliffe (1980) a terra apresenta cerca de 70% de sua superfície coberta pela
água no estado líquido e sólido. A forma gasosa é constituinte da atmosfera, estando
presente em toda parte. O estado físico que a água se encontra é determinado
principalmente pela temperatura, que varia de uma região para outra. Basicamente, o que
determina a temperatura de uma região é a quantidade de energia que ela recebe do sol.
Segundo Reichardt (1985), na passagem do estado solido para o liquido e gasoso, as pontes de
hidrogênio são rompidas, ao passo que, na passagem do estado gasoso para o liquido e solido,
elas são reestabelecidas. Assim, na fusão de 1g de gelo, 80 cal precisam ser fornecidas (calor
latente de fusão) e na solidificação de 1g de água, a mesma quantidade de energia é por ela
liberada.
Klar (1988) cita que o calor latente pode ser de fusão, vaporização ou de sublimação. O calor
latente de fusão refere-se à quantidade de energia necessária para alterar a substancia do
estado solido para o liquido; embora a temperatura permaneça a mesma, há consumo de
energia. O calor latente de vaporização consiste na quantidade de energia necessária para
alterar a substancia do estado liquido para o de vapor ou gás, numa determinada temperatura.
A agua pode também passar diretamente do estado solido para o gasoso (ou vice-versa) e o
fenômeno denomina-se sublimação. O calor latente de sublimação nesse caso é igual à soma
dos calores latentes de fusão e vaporização.
O ponto de fusão da agua sob pressão atmosférica normal é 0 ºC, ao passo que o ponto de
ebulição é 100 ºC. Nesse intervalo de temperatura a água se encontra no estado liquido e seu
calor especifico é 1,0 cal 𝑔−1 ºC−1. (Richardt, 1985)
14
3.2.3. Densidade da água
A maioria dos líquidos se contrai com o esfriamento, alcançando a máxima densidade (peso
especifico) no ponto de congelação, mas a agua é incomum por ter uma densidade máxima a 4
ºC. Por esta razão a agua raramente se congela até a solidez no mar ou em lagos profundos,
mesmo no ártico. Quando a temperatura da agua de maior profundidade cai abaixo de 4 ºC, a
agua sobe devido à diminuição de sua densidade e forma-se gelo na superfície. Isto isola a
agua que ficou mais abaixo e impede que ela se resfrie até o ponto de congelação. (Sutcliffe,
1980)
Libardi (1995) define tensão superficial de um líquido como o trabalho por unidade de área
gasto para distender sua superfície. Moléculas no interior do líquido são atraídas em todas as
direções por forças iguais, enquanto moléculas de superfície são atraídas para dentro da fase
líquida, mais densa, com forças maiores do que as forças com que são atraídas para a fase
gasosa, menos densa. Essas forças não balanceadas fazem as moléculas da superfície tenderem
para o interior do líquido, isto é, delas resulta a tendência da superfície se contrair.
3.2.5. Capilaridade
15
sólida, os quais são muito mais acentuados nos tubos capilares, originando os chamados
fenômenos capilares (Libardi, 1995).
A água sobe em um tubo de vidro, de 0,03 mm de diâmetro, por capilaridade, até uma altura
de aproximadamente 120 cm. A subida capilar cessa, quando o peso da coluna de água se
equilibra com as forças de tensão superficial e adesão. A água se move extensamente
por capilaridade nos espaços estreitos, entre as partículas de solo, e nas paredes das
células vegetais. Forças intermoleculares conferem à água elevada tensão quando ela
está confinada em um tubo estreito e, assim, uma coluna de água pode ser elevada por
uma força aplicada na parte superior. Acredita-se que isso seja importante na ascensão da
seiva, pelo xilema, através dos caules (Sutcliffe, 1980).
Figura 6 − Ascensão da água num tubo capilar, com formação do menisco côncavo. Fonte:
Klar, 1984
16
eletrostáticas com outras moléculas polares e essas ocorrem em grande quantidade na
natureza, inclusive nas plantas (Klar, 1984).
3.2.6. Viscosidade
Apesar de sua alta força de tensão, a água tem viscosidade relativamente baixa,
podendo suas moléculas deslizarem com relativa facilidade, e, em conseqüência disto, a
água flui facilmente através de finos capilares, especialmente a temperaturas elevadas.
Elevando-se a temperatura da água, de 5 oC para 35 oC, sua viscosidade diminui em
aproximadamente 50% (Sutcliffe, 1980).
A água está na origem da vida. É o elemento mais abundante do planeta e, ao mesmo tempo
uma riqueza verdadeiramente insubstituível. (Livro Branco)
No que se refere à distribuição da água, 97% se encontra nos oceanos, 2% está em forma de
gelo e o 1% restante é a água doce dos rios, lagos, águas subterrâneas, umidade atmosférica e
do solo. (Funasa, 2014)
17
Figura 7 – Distribuição da água no planeta. Fonte:
http://www.suportegeografico77.blogspot.com/2018/03/a-agua-no-mundo.htm. Acessado as
10h20 em 18 de Outubro, 2018.
A Terra tem 1,5 bilhão de quilômetros cúbicos de água, que cobrem três quartos de sua
superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados. Mas apenas uma pequena parte, 9 mil
quilômetros cúbicos, está disponível para consumo, irrigação agrícola e uso industrial. A água
é um dos recursos naturais que no passado recente se imaginava praticamente ilimitados.
Como resultado das melhorias dos padrões de vida em todo o mundo, o consumo de água vem
aumentando rapidamente. Atualmente, é 50% maior que no ano de 1950. O crescimento da
demanda vem sendo atendido com a construção de barragens e desvios de rios, mas essas
alternativas estão bem próximas do esgotamento. A urbanização é fator de interferência, pois
afeta o armazenamento, a trajetória e a qualidade das águas. (Funasa, 2014)
A qualidade da água para consumo humano deve ser considerada, portanto, como fator
essencial no desenvolvimento das ações dos Serviços de Abastecimento de Água, quer
públicos ou privados, de maneira que a água distribuída ao usuário tenha todas as
características de qualidade determinadas pela legislação vigente. (Funasa, 2014)
18
3.4. Ciclo hidrológico
Movida pela ação da energia solar, ela evapora-se dos oceanos, lagos e rios, precipita-se na
forma de chuva, neve e gelo, corre pela superfície, infiltra-se no subsolo, escoa pelos cursos de
água superficiais e pelos aquíferos e retorna lentamente aos mares. Também é absorvida pelas
plantas que a transpiram para a atmosfera (evapotranspiração), da qual torna a precipitar-se, e
assim sucessivamente (Vargas, 1999).
Quase toda a água subterrânea existente na Terra tem origem no ciclo hidrológico, isto é, no
sistema pelo qual a natureza faz a água circular do oceano para a atmosfera e dai pra os
continentes, de onde retorna, superficial e subterraneamente, no solo e subsolo. Pela acção da
gravidade, bem como pelo tipo e densidade da cobertura vegetal, e na atmosfera e superfícies
liquidas (rios, lagos, mares e oceanos) pelos elementos e factores climáticos; como por
exemplo, a temperatura do ar, ventos, humidade relativa do ar (função do deficit de pressão do
vapor) e insolação (função da radiação solar), que são os responsáveis pelo processo de
19
circulação da água dos oceanos para a atmosfera, em uma dada latitude terrestre (Feitosa &
Filho, 2000).
As aguas subterrâneas são aguas armazenadas nas rochas e/ou depósitos sedimentares que se
acumulam ao longo de milhares de anos e se encontram, sob condições naturais, numa
situação de equilíbrio governada por um mecanismo de recarga. Manoel filho (2000), citado
por Barbosa L. (2007).
Zona saturada: situa-se abaixo da superfície freática. Nela todos os vazios existentes no
terreno são preenchidos pela água. A superfície freática é o lugar geométrico dos pontos em
que a água se encontra submetida á pressão atmosférica. (Feitosa & Filho, 2000)
Zona não Saturada (zona de aeração): fica situada entre a superfície freática e a superfície
do terreno. Os poros são parcialmente preenchidos por gases (ar e vapor de água). (Feitosa &
Filho, 2000)
Segundo Feitosa & Filho (2000), embora toda a água situada abaixo da superfície da Terra
seja evidentemente subterrânea, na hidrogeologia a denominação água subterrânea é
atribuída apenas à água que circula na zona saturada, isto é, na zona situada abaixo da
superfície freática.
20
Denomina-se aquífero a uma formação geológica que contém água e permite que quantidades
significativas dessa água se movimentem no seu interior em condições naturais. As formações
permeáveis, como as areias e os arenitos, são exemplos de aquíferos. (Feitosa & Filho, 2000)
3.5.2. Aquífero
Aquífero é um reservatório subterrâneo de água, caracterizado por camadas ou formações
geológicas suficientemente permeáveis, constituído de rochas sedimentares ou rochas maciças
compactas, capazes de armazenar e transmitir água (Bastos, 2013). As formações geológicas
podem também ser classificadas quanto ao seu conteúdo em água e à sua capacidade de a
transmitir, além de aquíferos, existem aquitardo, aquicludo e aquífugo. Um aquitardo é uma
formação geológica impermeável que contém água, mas cuja transmissão é
extraordinariamente lenta. Por sua vez, um aquicludo é uma camada de solo impermeável que
não deixa passar a água, embora possa contê-la, como acontece nos sedimentos com poros não
ligados ou sedimentos com poros muito pequenos. Constituem exemplos de aquicludo estratos
de argila compacta, rochas ígneas e metamórficas não fracturadas. E um aquífugo é uma
formação geológica que não contém água e não pode transmitir, como por exemplo uma rocha
granítica não alterada e rochas metamórficas com poucas fracturas (Bastos, 2013).
3.5.2.1. Tipos de aquíferos
De acordo com Souza (2006), a litologia do aquífero, ou seja, a sua constituição geológica
(porosidade/permeabilidade intergranular ou de fissuras) é que irá determinar a velocidade da
água em seu meio, a qualidade da água e a sua quantidade como reservatório, como mostra a
Figura 8.
21
Tipos de aquíferos quanto à porosidade
Aquífero poroso ou sedimentar ocorre nas chamadas rochas sedimentares e constitui o mais
importante aquífero pelo grande volume de água que armazena e por sua ocorrência em
grandes áreas (Rosc, 2013). Uma particularidade desse tipo de aquífero é a sua porosidade
quase sempre homogeneamente distribuída, permitindo que a água flua para qualquer
direcção, em função tão-somente dos diferenciais de pressão hidrostática ali existente. Essa
propriedade é conhecida como isotropia.
As rochas sedimentares (rochas moles) têm alta porosidade ao contrário das rochas cristalinas
(rochas duras), mas nem todas possuem alta permeabilidade. As argilas têm poros tão
pequenos que não deixam passar água, sendo por isso consideradas praticamente
impermeáveis. Outras rochas sedimentares como os arenitos e areias inconsolidadas possuem
tanto porosidade quanto permeabilidade elevadas. Já nas rochas cristalinas, a permeabilidade
será proporcional ao número de fracturas e interconexão entre elas (Capucci et al, 2001).
Para existir água subterrânea, a água meteórica terá de conseguir atravessar e circular através
das formações geológicas que têm de ser porosas e permeáveis. As rochas ígneas e
metamórficas não alteradas são fracos aquíferos, em virtude de apresentarem baixa
permeabilidade e porosidade (Aboo, 2013).
23
3.6. Impurezas da água
Segundo MISAU (1995) não existe água pura no estado natural.
A água das chuvas ao se precipitar no solo transporta já consigo grandes quantidades de gás
carbónico motivado pela poluição existente no ar.
As águas subterrâneas também são afectadas pela poluição ambiental, principalmente pelos
efeitos dos compostos químicos lançados no solo e muitas vezes directamente nos lençóis de
água que são utilizados na agricultura e na indústria.
Para caracterizar uma água, são determinados diversos parâmetros, os quais representam as
suas características físicas, químicas e biológicas. Esses parâmetros são indicadores da
qualidade da água e constituem impurezas quando alcançam valores superiores aos
estabelecidos para determinado uso. Os principais indicadores da qualidade da água são
discutidos a seguir, separados sob os aspectos físicos, químicos e biológicos. (Feitosa & Filho,
2000)
25
3.8.2. Parâmetros Químicos
pH: representa o equilíbrio entre íons H+ e íons OH; varia de 7 a 14; indica se uma
água é ácida (pH inferior a 7), neutra (pH igual a 7) ou alcalina (pH maior do que 7); o
pH da água depende de sua origem e características naturais, mas pode ser alterado
pela introdução de resíduos; pH baixo torna a água corrosiva; águas com pH elevado
tendem a formar incrustações nas tubulações; a vida aquática depende do pH, sendo
recomendável a faixa de 6 a 9. (Ministério da Saúde, 2006).
Alcalinidade: causada por sais alcalinos, principalmente de sódio e cálcio; mede a
capacidade da água de neutralizar os ácidos; em teores elevados, pode proporcionar
sabor desagradável à água, tem influência nos processos de tratamento da água.
(Ministério da Saúde, 2006).
Dureza: resulta da presença, principalmente, de sais alcalinos terrosos (cálcio e
magnésio), ou de outros metais bivalentes, em menor intensidade, em teores elevados;
causa sabor dessagradável e efeitos laxativos; reduz a formação da espuma do sabão,
aumentando o seu consumo; provoca incrustações nas tubulações e caldeiras.
(Ministério da Saúde, 2006).
De acordo com o Ministério da Saúde (2006), a dureza das águas naturais varia
consideravelmente de lugar para lugar, sendo em geral a dureza das águas superficiais menor
do que a das águas subterrâneas. A dureza de uma água reflecte a natureza das formações
geológicas com as quais ela esteve em contacto.
26
concentrações, conferem sabor salgado à água ou propriedades laxativas. (Ministério
da Saúde, 2006).
Ferro e Manganês: podem originar-se da dissolução de compostos do solo ou de
despejos industriais; causam coloração avermelhada à água, no caso do ferro, ou
marrom, no caso do manganês, manchando roupas e outros produtos industrializados;
conferem sabor metálico à água; as águas ferruginosas favorecem o desenvolvimento
do ferro e bactérias, que causam maus odores e coloração à água e obstruem as
canalizações (Ministério da Saúde, 2006).
Fósforo: encontra-se na água nas formas de orto-fosfato, polifosfato e fósforo
orgânico; é essencial para o crescimento de algas, mas, em excesso, causa a
eutrofização; suas principais fontes são: dissolução de compostos do solo;
decomposição da matéria orgânica, esgotos domésticos e industriais; fertilizantes;
detergentes; excrementos de animais (Ministério da Saúde, 2006).
Fluoretos: os fluoretos têm acção benéfica de prevenção da cárie dentária; em
concentrações mais elevadas, podem provocar alterações da estrutura óssea ou a
fluorose dentária (manchas escuras nos dentes). (Ministério da Saúde, 2006).
Oxigénio Dissolvido (OD): é indispensável aos organismos aeróbios; a água, em
condições normais, contém oxigénio dissolvido, cujo teor de saturação depende da
altitude e da temperatura; águas com baixos teores de oxigénio dissolvido indicam que
receberam matéria orgânica; a decomposição da matéria orgânica por bactérias
aeróbias é, geralmente, acompanhada pelo consumo e redução do oxigénio dissolvido
da água; dependendo da capacidade de autodepuração do manancial, o teor de oxigénio
dissolvido pode alcançar valores muito baixos, ou zero, extinguindo-se os organismos
aquáticos aeróbios. (Mendes & Oliveira, 2004)
O teor em oxigénio dissolvido de uma água varia consoante a origem destas. Assim,
enquanto as águas superficiais não poluídas podem conter quantidades apreciáveis de
oxigénio, muitas vezes em condições de sobre saturação, as águas subterrâneas
profundas só contêm geralmente alguns mg/L. (Mendes & Oliveira, 2004)
27
O nitrato é a principal forma de nitrogénio associada a contaminação da água.
Segundo Bower (1978), o nitrato ocorre em geral em pequeno teor. É muito móvel e
pode ser removido das camadas superiores do solo para a água.
O nitrato representa o estágio final da oxidação da matéria orgânica e teores acima de
5mg/l podem ser indicativos de contaminação da água subterrânea por actividade
humana (esgotos, fossas sépticas, depósitos de lixo, cemitérios, adubos nitrogenados,
resíduos de animais, etc.). (Feitosa & Filho, 2000)
28
c) Eutrofização é a fertilização excessiva da água por recebimento de nutrientes (nitrogênio,
fósforo), causando o crescimento descontrolado (excessivo) de algas e plantas aquáticas;
d) Acidificação é abaixamento de pH, como decorrência da chuva ácida (chuva com elevada
concentração de íons H+, pela presença de substâncias químicas como dióxido de enxofre,
óxidos de nitrogênio, amônia e dióxido de carbono), que contribui para a degradação da
vegetação e da vida aquática.
Pode-se descrever o fenômeno das chuvas ácidas associando ao ciclo hidrológico da seguinte
forma: as indústrias químicas e as centrais térmicas jogam na atmosfera produtos
contaminadores, como os gases dióxido de enxofre e monóxido de nitrogênio, os quais, com a
ajuda do ozônio das camadas baixas da atmosfera, oxidam-se e, com a humidade da chuva,
convertem-se em ácidos que se espalham pela terra, águas, árvores e plantações. (Funasa,
2014)
Deste modo, o homem pode apresentar sérios problemas neurológicos após anos de ingestão
de água de chuva não tratada ou através do peixe contaminado por metais pesados. A
solubilidade de metais potencialmente tóxicos como o alumínio, manganês e cádmio são
dependentes do pH e aumentam rapidamente com a diminuição do pH da solução do solo.
(Funasa, 2014)
29
decomposição do folhedo, e interagindo sinergisticamente com os ácidos para aumentar o
prejuízo às plantas e aos ecossistemas aquáticos. Outro efeito líquido sobre a vegetação é a
redução no seu crescimento ou, no pior caso, a morte. Devido não só à lixiviação dos
nutrientes, como o magnésio e o potássio pelo percolado ácido, mas também por causas
secundárias, afetando a planta enfraquecida. (Funasa, 2014)
30
CAPÍTULO 4: METODOLOGIA
Para atingir os objectivos propostos, foram utilizados os seguintes processos metodológicos:
revisão bibliográfica, trabalho de campo, análise laboratorial e compilação do trabalho.
Amostragem
As amostras foram colectadas dentro da área onde foram abertos os furos de água em 2016,
nas localidades de Mualia, Pirira, Maputo e na Sede de Balama; localizadas próximas a área
de exploração e processamento da grafite.
A amostragem foi feita no intervalo das 9h às 14h, do dia 9 de Agosto de 2018 na vila de
Balama, em cinco pontos pré-estabelecidos.
31
Figura 11 – Localização geográfica dos pontos de amostragem. Fonte: adaptado do Diva-
GIS, 2019
Como recipiente para a colecta de amostras foram usadas 10 garrafas plásticas de 1.5 litros,
totalizando 15 litros de amostra. Para a preparação do recipiente primeiramente foi efectuada a
lavagem com água corrente para que não haja nenhum tipo de contaminação da amostra
colectada com alguma substância contida nas garrafas.
32
Pontos de amostragem
Os pontos de colecta de amostras são caracterizados de acordo com a tabela a seguir:
33
A análise de dados consistiu na verificação dos parâmetros físico-químicos da água de
cada amostra e os seus limites admissíveis. Foram usados para a classificação da água,
o Boletim da República do Regulamento Sobre a Qualidade da Água para o Consumo
Humano. Os resultados foram apresentados por meio de gráficos, colocando em
evidência os pontos positivos e negativos das amostragens feitas.
A elaboração de mapas foi realizada com a ferramenta ArcMap do ArcGis. Os mapas
elaborados foram de localização geográfica, os geológicos e hidrológicos da área de
estudo.
A elaboração do relatório final consistiu na compilação dos dados e produção do
relatório de acordo com os objectivos propostos.
Os principais métodos de avaliação hidroquímica podem ser divididos em dois grandes grupos:
métodos estatísticos, que podem ser univariados ou multivariados; e métodos gráficos, também
denominados de diagramas de concentrações de íons (Alberto, M. et al. 2005).
O trabalho usou o método estatístico baseado na análise exploratória e descritiva univariada -
o estudo das relações estatísticas existentes entre os constituintes dissolvidos nas águas e os
parâmetros envolvidos. Estas relações podem ser avaliadas isoladamente por meio de métodos
estatísticos descritivos, onde são analisados o comportamento e a distribuição de determinada
variável dentro de um conjunto de amostras (Alberto, M. et al. 2005).
34
CAPITULO 5: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Pontos de colecta
Furo – 1 Furo – 2 Furo – 3 Furo – 4 Furo – 5
Localização Maputo Mualia Pirira Sede de Pirira
(localidade) Balama
Elevação 501m 516m 539m 611m 521m
Coordenada 0464418 0463473 0459530 0453909 0463380
X
Coordenada 8525126 8524610 8526046 8524312 8524767
Y
Observação Furo com Furo com Poço sem Localizado Furo com
proteção proteção protecção na sede de proteção
externa. Falta externa. Com externa. Com Balama – externa,
de residências e profundidade EPC de porém aberto
saneamento. casa de de cerca de Balama. Furo na parte de
Localizado banho a 2m, muita com cima.
35
na EPC de menos de vegetação em protecção Apresenta
Maputo, com 7m. volta e um externa e falta de
residências pequeno rio. condições saneamento e
no entorno. básicas de tem
saneamento. residências
ao redor.
Fonte: autora (2019)
36
ml
Coliformes <1 <1 <1 <1 <1 ≤10
fecais N° de
colonias/100
ml
Amoníaco <0.04 <0.04 <0.04 <0.04 <0.04 1.5
mg/l 𝑵𝑯𝟒+
Nitritos mg/l <0.03 <0.03 <0.03 <0.03 1.1 3
𝑵𝑶𝟐−
Nitratos mg/l 35.2 <0.5 0.2 44 66 50
𝑵𝑶𝟑−
Cloretos mg/l 116.9 81.5 81.5 74.4 361 250
𝑪𝒍−
Alcalinidade 0 0 0 0 0
fenolftalaina
mg/l 𝑪𝒂𝑪𝑶𝟑
Alcalinidade 252 164 30 158 280
total mg/l
𝑪𝒂𝑪𝑶𝟑
Bicarbonato 307.4 200 36.6 192.7 341.6
mg/l 𝑯𝑪𝑶−𝟐
Dureza total 200 78 42 62 338 500
mg/l 𝑪𝒂𝑪𝑶𝟑
Cálcio mg/l 44.8 20 8 23.2 80.1 50
𝑪𝒂𝟐+
Magnésio mg/l 21.4 19.9 5.3 0.9 33.6 50
𝑴𝒈𝟐+
Sulfato mg/l 11.4 6.8 2.8 8.5 285.6 250
𝑺𝑶𝟒−𝟐
Fluoretos mg/l 1.2 1.2 1.2 1.2 1.2 1.5
37
𝑭−
Ferro total <0.2 <0.2 <0.2 <0.2 <0.2 0.3
mg/l 𝑭𝒆𝟑+
Fonte: autora (2019)
Alguns parâmetros estão dentro dos limites admissíveis estabelecidos pelo Regulamento Sobre
a Qualidade da Água para o Consumo Humano do Boletim da República. No entanto, outros
parâmetros apresentam valores acima do limite admissível como: dureza total, cálcio, sulfatos,
conductividade eléctrica, alcalinidade, sabor, nitratos e cloretos.
Estes parâmetros podem ser influenciados pela composição das rochas, assim como pelas
actividades realizadas próximas dos furos.
pH
Todas as amostras de água se encontram dentro dos limites admissíveis de pH para o consumo
humano de acordo com o Regulamento Sobre a Qualidade da Agua para o Consumo Humano
de Moçambique (6,5 – 8,5). A média do pH das amostras é de 7.5, colocando esse parâmetro
dentro do limite admissível.
A figura a seguir ilustra o gráfico do pH.
Grafico de pH
8
7.5
pH
7.4 7.4
7.2
38
Condutividade eléctrica
Neste parâmetro, as amostras dos Furos 1, 2, 3 e 4 apresentam valores baixos
comparativamente ao limite admissível. No entanto a amostra do Furo 5 apresenta um valor
acima do limite admissível para este parâmetro (2000 μs/cm), como mostra a Figura 11.
A condutividade eléctrica está relacionada com a presença de iões dissolvidos na água. Quanto
maior for a quantidade de iões dissolvidos, maior será a condutividade eléctrica da água
(Ministério da Saúde, 2006). Isso mostra que a amostra do Furo 5 possui uma grande
quantidade de iões dissolvidos na água, fazendo com que o seu valor para este parâmetro seja
alto.
2565
Turvação
Para a turvação, todas as amostras se encontram dentro dos padrões aceitáveis (5 NTU). De
acordo com o Ministério da Saúde (2006), a turvação indica a presença de matéria em
suspensão na água, como argila, silte, substâncias orgânicas finamente divididas, organismos
microscópicos e outras partículas. A água dos furos analisados não contem matérias em
suspensão.
39
Sólidos totais dissolvidos
Para este parâmetro a água de todas as amostras apresenta valores muito baixos
comparativamente ao limite admissível para os sólidos totais dissolvidos (1000 mg/L).
Sabor e cor
Para ser considerada própria para o consumo quanto ao sabor e a cor a água deve ser insípida e
incolor. Quanto ao sabor, a água das primeiras quatro amostras (furos 1, 2, 3 e 4) é insipida,
enquanto a água da quinta amostra (Furo 5) é salubre. Este sabor característico pode ter
relação com causas naturais (algas; vegetação em decomposição; bactérias; fungos; compostos
orgânicos, tais como gás sulfídrico, sulfatos e cloretos) e artificiais (esgotos domésticos e
industriais). A amostra também apresenta valores altos nos sulfatos e cloretos.
Amoníaco
Os valores de amoníaco nas amostras se encontram abaixo do limite admissível (1,5 mg/l).
Nitritos e Nitratos
Para os Nitritos, todos os valores estão dentro dos padrões admissíveis (3 mg/l). No entanto
para os Nitratos, a amostra do Furo 5 apresenta valores acima do padrão para este parâmetro
(66 mg/l). As restantes amostras estão abaixo do limite máximo admissível para o nitrato que é
de 50 mg/l. De acordo com a Feitosa & Filho (2000), o nitrato é a principal forma de
nitrogénio associada a contaminação da água. O nitrato representa o estágio final da oxidação
da matéria orgânica e teores acima de 5mg/l podem ser indicativos de contaminação da água
subterrânea por actividade humana (esgotos, fossas sépticas, depósitos de lixo, cemitérios,
adubos nitrogenados, resíduos de animais, etc.).
40
A amostra em que se encontra valores altos de Nitrato provém de um furo semiaberto na parte
de cima e sem condições de saneamento. Por causa da falta de saneamento e da abertura do
furo o que pode estar a contaminar o furo são os despejos domésticos.
Gráfico de Nitratos
70 66
60
50 44
40 35.2
30
20
10
0 0.2
0
Nitratos
Cloretos
As amostras 1, 2, 3 e 4 apresentam valores abaixo do limite para este parâmetro (250 mg/l).
No entanto a amostra 5 apresenta um valor acima do limite admissível para os cloretos: 365
mg/l. Os cloretos, geralmente, provêm da dissolução de minerais ou da intrusão de águas do
mar (F Ministério da Saúde, 2006). Neste caso, se pode descartar a intrusão salina porque a
área de estudo se encontra longe das águas do mar. Podem, também, advir dos esgotos
domésticos ou industriais; em altas concentrações, conferem sabor salgado – facto encontrado
na mostra do furo 5.
41
Gráfico de Cloretos
400 361
350
300
250
200
150 116.9
100 81.5 81.5 74.4
50
0
Cloretos
42
Gráfico de alcalinidade total
300 280
252
250
200
164 158
150
100
50 30
0
alcalinidade total
Bicarbonato
Quanto a este parâmetro, a água das amostras colectadas não apresentam valores capazes de
tornar a água impropria para o consumo humano.
Os valores de cálcio para as amostras dos Furo 1, 2, 3 e 4 estão abaixo do limite máximo. A
amostra do Furo 5 apresenta um valor acima do limite máximo admissível (80,1 de 50 mg/l) e
a amostra do Furo 1 um valor próximo do limite máximo admissível (44, 8 mg/l). Para o
magnésio todos os valores se encontram abaixo do limite máximo estabelecido.
43
Pode-se dizer que os valores de dureza total e cálcio refletem a formação geológica
constituinte da área de estudo, sendo o mármore a provável rocha responsável pelos valores
altos para estes dois parâmetros, uma vez que a rocha é constituída por carbonato de cálcio e é
uma litologia predominante nesta área.
350 338
300
250
200
200
150
100 78 80.1
62
42 44.8
50 23.2 33.6
20 21.4 19.9
8 5.3 0.9
0
Dureza Total Calcio Magnesio
Figura 18: Valores de Dureza total, Cálcio e Magnésio. Fonte: autora (2019)
Sulfato
Somente a amostra do Furo 5 apresenta um valor acima do limite máximo para este parâmetro.
As restantes amostras se encontram dentro dos padrões (abaixo de 250 mg/l).
44
Grafico de Sulfato
300
250 285.6
200
Sulfato
150
100
50
11.4 6.8 2.8 8.5
0
Sulfato
Para estes dois parâmetros, todas as amostras apresentam valores dentro do limite máximo
admissível.
A qualidade da água dos furos pode afectar os equipamentos usados no processamento mineral
e a saúde da população. Tendo a água das amostras 1 e 5 altos valores nos parâmetros de
dureza total e cálcio, ela pode ocasionar incrustações nas tubulações das máquinas usadas no
processamento da grafite.
A incrustação é um processo que pode ocasionar falhas nas tubulações. Ocorre devido ao
acumulo de partículas sólidas (produtos de corrosão, microorganismos, partículas inorgânicas
e macromoléculas) do fluido em escoamento nas paredes do tubo, provocando a redução da
secção do duto e provocando uma grande perda de carga, alem de proporcionar um aumento
45
da pressão na tubulação e em todo sistema. E isso pode causar problemas como: menor vazão
da água devido a redução do diâmetro do tubo; acumulo de ferrugem nos tubos que pode
provocar corrosão; reparos contínuos nos sistemas e em equipamentos comerciais e
industriais; falhas em equipamentos e máquinas; alto custo de produção devido à manutenção
de equipamentos e consequente queda na productividade da empresa. (Cunha, at al, 2018)
De acordo com Andrade, Leite & Bacellar (2009), em todos os cenários geológicos, as reações
rocha-solo-água afectam a composição química das águas. Dessa forma, rochas e solos de
natureza distinta regulam os parâmetros físico-químicos, bem como a concentração dos
diversos elementos químicos dos cursos de água localizados em diferentes litologias.
A composição química das águas do Posto Administrativo de Balama está de facto, fortemente
relacionada com o meio litológico no qual elas circulam. Os dados analíticos apresentam uma
correlação entre as composições químicas da água e das características geológicas da área de
estudo. A principal fonte da dureza da água apresentada nos Furos 1 e 5 pode ser explicada
através do mármore, rocha metamórfica originada do calcário (CaCO3), que constitui uma das
litologias predominantes na área de estudo. Os altos valores de alcalinidade se deve a
existência de sais como o cálcio em concentrações acima do padrão estabelecido. De acordo
co Feitosa e Filho (2000), o cálcio é o elemento mais abundante existente na maioria das águas
e rochas do planeta Terra. Os sais de calcio possuem moderada a elevada solubilidade, sendo
muito comum precipitar como o carbonato de cálcio (CaCO3). Ocorre principalmente nos
minerais calcita, aragonita e dolomita, em rochas calcárias, sendo o plagioclásio e a apatita as
maiores fontes de cálcio das rochas ígneas para as águas subterrâneas, etc. A alta
conductividade eléctrica da amostra 5 indica a ocorrência da dissolução dos sais presentes nas
rochas, conferindo à água a presença de iões oriundos da litologia local.
46
5.5. Validação das Hipóteses
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CAPITULO 6: CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES
6.1. CONCLUSÃO
Os resultados das análises nos mostram grande presença dos iões: carbonato de cálcio e cálcio,
o que se relaciona com a litologia da área de estudo que é caracterizada pela presença de
rochas calcárias, sendo os aquíferos da região de estudo predominantemente cársticos e
fracturados.
A partir das análises feitas, observou-se que muitos valores da amostra do furo 5 encontravam-
se acima dos parâmetros admissíveis pelo Boletim de Qualidade da Água de Moçambique e
nalguns parâmetros, os valores da amostra do furo 1 se encontravam próximos do limite
admissível, sendo que este furo localizado próximo ao furo 5.
Para estes furos de água verificou-se valores altos nos seguintes parâmetros: dureza total,
cálcio, sulfatos, conductividade eléctrica, alcalinidade, sabor, nitratos e cloretos. Isto classifica
a água com esses valores como sendo imprópria para o consumo humano e, para o caso da
água dura, pode provocar incrustações. Este facto aponta para a necessidade de se melhorar
urgentemente a qualidade dessas águas. O investimento em campanhas de conscientização e
sensibilização através de educação sanitária e ambiental é importante para assegurar a
qualidade de vida da população.
48
6.2. RECOMENDAÇÕES
Na pesquisa realizada, são deixadas algumas recomendações para garantir a melhoria da
qualidade da água e para os trabalhos que serão desenvolvidos futuramente:
Realização de análises periódicas da qualidade da água em toda área de estudo, com
vista a monitorar a qualidade da mesma.
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CAPITULO 7: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Aboo, V. C. (2013). Consumo de Águas Minerais Naturais e de Nascente - Causas e
Impacte para o Meio Ambiente: Estudo de Caso da Cidade de Nampula, Mestrado em
Ciências e Tecnologia do Ambiente, Departamento de Geociências, Ambiente e
Ordenamento do Território, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Andrade. L., N., Leite. M., G., P. & Bacellar. A., P. (2009) Influência geológica em
assinaturas químicas das águas e solos do Parque Estadual do Itacolomi, Minas
Gerais. Rem: Revista Escola de Minas
52
APÊNDICES
Apêndice A: fotos do campo.
Figura 21: Lovebond usado para análises da colorimetria – nitratos, nitritos e amónia
(esquerda) e espetrofotómetro usado para analisar sulfatos e ferro total (direita). Fonte:
autora (2018).
I
Figura 22: Banho-Maria para incubação de amostras a 44º C na pesquisa de coliformes
fecais (esquerda) e incubador a 37º C para incubação de amostras na pesquisa de coliformes
totais (direita). Fonte: autora (2018).
II
Tabela 4. Parâmetros físico-químicos e microbiológicos da água destinada ao consumo humano e seus
riscos a saúde pública.
Parâmetro Limite admissível Unidades Riscos para a saúde pública
Amoníaco 1,5 mg/l Sabor e cheiro desagradável
Alumínio 0,2 mg/l Afecta o sistema locomotor e causa
anemia
Arsénio 0,01 mg/l Cancro da pele
Antimónio 0,005 mg/l Cancro no sangue
Bário 0,7 mg/l Vasoconstrição e doenças
cardiovasculares
Boro 0,3 mg/l Gastroenterites e eritremas
Cádmio 0,003 mg/l Vasoconstrição urinária
Cálcio 50 mg/l Aumenta a dureza da água
Chumbo 0,01 mg/l Intoxicação aguda
Cianeto 0,07 mg/l Bócio e paralisia
Cloretos 250 mg/l Sabor desagradável e corrosão
Cloro residual 0,2 – 0,5 mg/l Sabor e cheiro desagradável
Cobre 1,0 mg/l Irritação intestinal
Crómio 0,05 mg/l Gastroenterites, hemorragias e
convulsões
Dureza total 500 mg/l Depósitos, corrosão e espuma
Fósforo 0,1 mg/l Aumenta a proliferação dos
microrganismos
Ferro total 0,3 mg/l Necrose hemorrágica
Fluoreto 1,5 mg/l Afecta o tecido esquelético
Matéria orgânica 2,5 mg/l Aumenta a proliferação dos
microrganismos
Magnésio 50 mg/l Sabor desagradável
Manganês 0,1 mg/l Anemia, afecta o sistema nervoso
Mercúrio 0,001 mg/l Distúrbios renais e neurológicos
III
Molibdénio 0,07 mg/l Distúrbios urinários
Nitrito 3,0 mg/l Reduz o oxigénio no sangue
Nitrato 50 mg/l Reduz o oxigénio no sangue
Níquel 0,02 mg/l Eczemas e intoxicação
Sódio 200 mg/l Sabor desagradável
Sulfato 250 mg/l Sabor e corrosão
Selénio 0,01 mg/l Doenças cardiovasculares
Sólidos totais 1000 mg/l Sabor desagradável
dissolvidos
Zinco 3,0 mg/l Aparência e sabor desagradável
Pesticidas totais 0,0005 mg/l Intoxicação e distúrbios de varia
ordem
Hidrocarbonetos 0,0001 mg/l Sabor desagradável, intoxicação e
aromáticos distúrbios de varia ordem
policlínicos
Cor 15 TCU Aparência
Cheiro Inodoro Sabor
Condutividade 50-2000 μhmo/cm
eléctrica
Ph 6,5-8,5 Sabor, corrosão, irritação da pele
Sabor Insípido
Sólidos totais 1000 mg/l Sabor, corrosão
Turvação 5 NTU Aparência, dificulta a desinfecção
Coliformes fecais Ausente NC/100 Doenças gastrointestinais
ml
Fonte: BR (2004).
IV
ANEXOS