01 Lingua Portuguesa
01 Lingua Portuguesa
Técnico Administrativo
LÍNGUA PORTUGUESA
Interpretação e Compreensão de texto. ...........................................................................................1
Organização estrutural dos textos. Marcas de textualidade: coesão, coerência e
intertextualidade. ..............................................................................................................................2
Modos de organização discursiva: descrição, narração, exposição, argumentação e injunção;
LÍNGUA PORTUGUESA
características específicas de cada modo. ......................................................................................6
Tipos textuais: informativo, publicitário, propagandístico, normativo, didático e divinatório;
características específicas de cada tipo............................................................................................7
Textos literários e não literários.......................................................................................................12
Tipologia da frase portuguesa. Estrutura da frase portuguesa: operações de deslocamento,
substituição, modificação e correção. Problemas estruturais das frases. Organização sintática
das frases: termos e orações. Ordem direta e inversa...................................................................13
Norma culta. ...................................................................................................................................18
Pontuação e sinais gráficos. ..........................................................................................................20
Tipos de discurso............................................................................................................................24
Registros de linguagem. .................................................................................................................28
Funções da linguagem....................................................................................................................30
Elementos dos atos de comunicação..............................................................................................32
Estrutura e formação de palavras. .................................................................................................33
Formas de abreviação.....................................................................................................................36
Classes de palavras; os aspectos morfológicos, sintáticos, semânticos e textuais de
substantivos,adjetivos, artigos, numerais, pronomes, verbos, advérbios, conjunções e
interjeições;.....................................................................................................................................38
os modalizadores. ..........................................................................................................................49
Semântica: sentido próprio e figurado; antônimos, sinônimos, parônimos e hiperônimos
Polissemia e ambiguidade. ............................................................................................................59
Os dicionários: tipos........................................................................................................................60
a organização de verbetes..............................................................................................................66
Vocabulário: neologismos, arcaísmos, estrangeirismos.................................................................80
latinismos........................................................................................................................................82
Ortografia........................................................................................................................................83
acentuação gráfica..........................................................................................................................84
crase................................................................................................................................................86
Exercícios........................................................................................................................................88
Gabarito.........................................................................................................................................104
DEFINIÇÃO GERAL
Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois sempre que compreendemos adequadamente
um texto e o objetivo de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é do que as conclusões
específicas. Exemplificando, sempre que nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação,
a resposta será localizada no próprio no texto, posteriormente, ocorre a interpretação, que é a leitura e a
conclusão fundamentada em nossos conhecimentos prévios.
Compreensão de Textos
Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do que está explícito no texto, ou seja, na
identificação da mensagem. É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso da capacidade de
entender, atinar, perceber, compreender. Compreender um texto é apreender de forma objetiva a mensagem
transmitida por ele. Portanto, a compreensão textual envolve a decodificação da mensagem que é feita pelo
leitor. Por exemplo, ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos a mensagem transmitida por
ela, assim como o seu propósito comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado evento.
Interpretação de Textos
É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os resultados aos quais chegamos por meio da
associação das ideias e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar é decodificar o sentido
de um texto por indução.
A interpretação de textos compreende a habilidade de se chegar a conclusões específicas após a leitura de
algum tipo de texto, seja ele escrito, oral ou visual.
Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado da leitura, integrando um conhecimento que foi
sendo assimilado ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, podendo ser diferente
entre leitores.
Exemplo de compreensão e interpretação de textos
Para compreender melhor a compreensão e interpretação de textos, analise a questão abaixo, que aborda
os dois conceitos em um texto misto (verbal e visual):
FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial > 2015
Português > Compreensão e interpretação de textos
A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social.
“A Constituição garante o direito à educação para todos e a inclusão surge para garantir esse direito também
aos alunos com deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou menos severas.”
A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta.
(A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de 1988.
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(B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos severas.
(C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes ou não.
(D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser incluídos socialmente.
(E) “Educação para todos” inclui também os deficientes.
Comentário da questão:
Em “A” – Errado: o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas com deficiência, ou seja, inclusão
de pessoas na sociedade.
Em “B” – Certo: o complemento “mais ou menos severas” se refere à “deficiências de toda ordem”, não às
leis.
Em “C” – Errado: o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/adição das pessoas portadoras de
deficiência ao direito à educação, além das que não apresentam essas condições.
Em “D” – Errado: além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o texto destaca que podem ser
“permanentes ou temporárias”.
Em “E” – Errado: este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes.
Resposta: Letra B.
— Definições e diferenciação
Coesão e coerência são dois conceitos distintos, tanto que um texto coeso pode ser incoerente, e vice-
versa. O que existe em comum entre os dois é o fato de constituírem mecanismos fundamentais para uma
produção textual satisfatória. Resumidamente, a coesão textual se volta para as questões gramaticais, isto é,
na articulação interna do texto. Já a coerência textual tem seu foco na articulação externa da mensagem.
— Coesão Textual
Consiste no efeito da ordenação e do emprego adequado das palavras que proporcionam a ligação entre
frases, períodos e parágrafos de um texto. A coesão auxilia na sua organização e se realiza por meio de
palavras denominadas conectivos.
As técnicas de coesão
A coesão pode ser obtida por meio de dois mecanismos principais, a anáfora e a catáfora. Por estarem
relacionados à mensagem expressa no texto, esses recursos classificam-se como endofóricas. Enquanto a
anáfora retoma um componente, a catáfora o antecipa, contribuindo com a ligação e a harmonia textual.
As regras de coesão
Para que se garanta a coerência textual, é necessário que as regras relacionadas abaixo sejam seguidas.
Referência
– Pessoal: emprego de pronomes pessoais e possessivos.
Exemplo:
«Ana e Sara foram promovidas. Elas serão gerentes de departamento.” Aqui, tem-se uma referência pessoal
anafórica (retoma termo já mencionado).
– Comparativa: emprego de comparações com base em semelhanças.
Exemplo:
“Mais um dia como os outros…”. Temos uma referência comparativa endofórica.
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– Demonstrativa: emprego de advérbios e pronomes demonstrativos.
Exemplo:
“Inclua todos os nomes na lista, menos este: Fred da Silva.” Temos uma referência demonstrativa catafórica.
– Substituição: consiste em substituir um elemento, quer seja nome, verbo ou frase, por outro, para que ele
não seja repetido.
Analise o exemplo:
“Iremos ao banco esta tarde, elas foram pela manhã.”
Perceba que a diferença entre a referência e a substituição é evidente principalmente no fato de que a
substituição adiciona ao texto uma informação nova. No exemplo usado para a referência, o pronome pessoal
retoma as pessoas “Ana e Sara”, sem acrescentar quaisquer informações ao texto.
– Elipse: trata-se da omissão de um componente textual – nominal, verbal ou frasal – por meio da figura
denominando eclipse.
Exemplo:
“Preciso falar com Ana. Você a viu?” Aqui, é o contexto que proporciona o entendimento da segunda oração,
pois o leitor fica ciente de que o locutor está procurando por Ana.
– Conjunção: é o termo que estabelece ligação entre as orações.
Exemplo:
“Embora eu não saiba os detalhes, sei que um acidente aconteceu.” Conjunção concessiva.
– Coesão lexical: consiste no emprego de palavras que fazem parte de um mesmo campo lexical ou que
carregam sentido aproximado. É o caso dos nomes genéricos, sinônimos, hiperônimos, entre outros.
Exemplo:
“Aquele hospital público vive lotado. A instituição não está dando conta da demanda populacional.”
— Coerência Textual
A Coerência é a relação de sentido entre as ideias de um texto que se origina da sua argumentação –
consequência decorrente dos saberes conhecimentos do emissor da mensagem. Um texto redundante e
contraditório, ou cujas ideias introduzidas não apresentam conclusão, é um texto incoerente. A falta de coerência
prejudica a fluência da leitura e a clareza do discurso. Isso quer dizer que a falta de coerência não consiste
apenas na ignorância por parte dos interlocutores com relação a um determinado assunto, mas da emissão de
ideias contrárias e do mal uso dos tempos verbais.
Observe os exemplos:
“A apresentação está finalizada, mas a estou concluindo até o momento.” Aqui, temos um processo verbal
acabado e um inacabado.
“Sou vegana e só como ovos com gema mole.” Os veganos não consomem produtos de origem animal.
Princípios Básicos da Coerência
– Relevância: as ideias têm que estar relacionadas.
– Não Contradição: as ideias não podem se contradizer.
– Não Tautologia: as ideias não podem ser redundantes.
Fatores de Coerência
– As inferências: se partimos do pressuposto que os interlocutores partilham do mesmo conhecimento, as
inferências podem simplificar as informações.
Exemplo:
“Sempre que for ligar os equipamentos, não se esqueça de que voltagem da lavadora é 220w”.
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Aqui, emissor e receptor compartilham do conhecimento de que existe um local adequado para ligar
determinado aparelho.
– O conhecimento de mundo: todos nós temos uma bagagem de saberes adquirida ao longo da vida
e que é arquivada na nossa memória. Esses conhecimentos podem ser os chamados scripts (roteiros, tal
como normas de etiqueta), planos (planejar algo com um objetivo, tal como jogar um jogo), esquemas (planos
de funcionamento, como a rotina diária: acordar, tomar café da manhã, sair para o trabalho/escola), frames
(rótulos), etc.
Exemplo:
“Coelhinho e ovos de chocolate! Vai ser um lindo Natal!”
O conhecimento cultural nos leva a identificar incoerência na frase, afinal, “coelho” e “ovos de chocolate” são
elementos, os chamados frames, que pertencem à comemoração de Páscoa, e nada têm a ver com o Natal.
Elementos da organização textual: segmentação, encadeamento e ordenação.
A segmentação é a divisão do texto em pequenas partes para melhorar a compreensão. A encadeamento
é a ligação dessas partes, criando uma lógica e coesão no texto. A ordenação é a disposição dessas partes
de forma a transmitir uma mensagem clara e coerente. Juntos, esses elementos ajudam a criar uma estrutura
eficiente para o texto.
intertextualidade.
— Definições gerais
Intertextualidade é, como o próprio nome sugere, uma relação entre textos que se exerce com a menção
parcial ou integral de elementos textuais (formais e/ou semânticos) que fazem referência a uma ou a mais
produções pré-existentes; é a inserção em um texto de trechos extraídos de outros textos. Esse diálogo entre
textos não se restringe a textos verbais (livros, poemas, poesias, etc.) e envolve, também composições de
natureza não verbal (pinturas, esculturas, etc.) ou mista (filmes, peças publicitárias, música, desenhos animados,
novelas, jogos digitais, etc.).
— Intertextualidade Explícita x Implícita
– Intertextualidade explícita: é a reprodução fiel e integral da passagem conveniente, manifestada aberta e
diretamente nas palavras do autor. Em caso de desconhecimento preciso sobre a obra que originou a referência,
o autor deve fazer uma prévia da existência do excerto em outro texto, deixando a hipertextualidade evidente.
As características da intertextualidade explícita são:
– Conexão direta com o texto anterior;
– Obviedade, de fácil identificação por parte do leitor, sem necessidade de esforço ou deduções;
– Não demanda que o leitor tenha conhecimento preliminar do conteúdo;
– Os elementos extraídos do outro texto estão claramente transcritos e referenciados.
– Intertextualidade explícita direta e indireta: em textos acadêmicos, como dissertações e monografias,
a intertextualidade explícita é recorrente, pois a pesquisa acadêmica consiste justamente na contribuição de
novas informações aos saberes já produzidos. Ela ocorre em forma de citação, que, por sua vez, pode ser direta,
com a transcrição integral (cópia) da passagem útil, ou indireta, que é uma clara exploração das informações,
mas sem transcrição, re-elaborada e explicada nas palavras do autor.
– Intertextualidade implícita: esse modo compreende os textos que, ao aproveitarem conceitos, dados e
informações presentes em produções prévias, não fazem a referência clara e não reproduzem integralmente
em sua estrutura as passagens envolvidas. Em outras palavras, faz-se a menção sem revelá-la ou anunciá-
la. De qualquer forma, para que se compreenda o significado da relação estabelecida, é indispensável que o
leitor seja capaz de reconhecer as marcas intertextuais e, em casos mais específicos, ter lido e compreendido
o primeiro material. As características da intertextualidade implícita são: conexão indireta com o texto fonte; o
leitor não a reconhece com facilidade; demanda conhecimento prévio do leitor; exigência de análise e deduções
por parte do leitor; os elementos do texto pré-existente não estão evidentes na nova estrutura.
— Tipos de Intertextualidade
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1 – Paródia: é o processo de intertextualidade que faz uso da crítica ou da ironia, com a finalidade de
subverter o sentido original do texto. A modificação ocorre apenas no conteúdo, enquanto a estrutura permanece
inalterada. É muito comum nas músicas, no cinema e em espetáculos de humor. Observe o exemplo da primeira
estrofe do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira:
TEXTO ORIGINAL
“Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei?”
PARÓDIA DE MILLÔR FERNANDES
“Que Manoel Bandeira me perdoe, mas vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do Rei
Não tenho nada que eu quero
Não tenho e nunca terei”
2 – Paráfrase: aqui, ocorre a reafirmação sentido do texto inicial, porém, a estrutura da nova produção nada
tem a ver com a primeira. É a reprodução de um texto com as palavras de quem escreve o novo texto, isto é,
os conceitos do primeiro texto são preservados, porém, são relatados de forma diferente. Exemplos: observe
as frases originais e suas respectivas paráfrases:
“Deus ajuda quem cedo madruga” – A professora ajuda quem muito estuda.
“To be or not to be, that is the question” – Tupi or not tupi, that is the question.
3 – Alusão: é a referência, em um novo texto, de uma dada obra, situação ou personagem já retratados em
textos anteriores, de forma simples, objetiva e sem quaisquer aprofundamentos. Veja o exemplo a seguir:
“Isso é presente de grego” – alusão à mitologia em que os troianos caem em armadilhada armada pelos
gregos durante a Guerra de Troia.
4 – Citação: trata-se da reescrita literal de um texto, isto é, consiste em extrair o trecho útil de um texto e
copiá-lo em outro. A citação está sempre presente em trabalhos científicos, como artigos, dissertações e teses.
Para que não configure plágio (uma falta grave no meio acadêmico e, inclusive, sujeita a processo judicial), a
citação exige a indicação do autor original e inserção entre aspas. Exemplo:
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”
(Lavoisier, Antoine-Laurent, 1773).
5 – Crossover: com denominação em inglês que significa “cruzamento”, esse tipo de intertextualidade tem
sido muito explorado nas mídias visuais e audiovisuais, como televisão, séries e cinema. Basicamente, é a
inserção de um personagem próprio de um universo fictício em um mundo de ficção diferente. Freddy & Jason”
é um grande crossover do gênero de horror no cinema.
Exemplo:
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Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br
6) Epígrafe: é a transição de uma pequena passagem do texto de origem na abertura do texto corrente. Em
geral, a epígrafe está localizada no início da página, à direita e em itálico. Mesmo sendo uma passagem “solta”,
esse tipo de intertextualidade está sempre relacionado ao teor do novo texto.
Exemplo:
“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu,
mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre
aquilo que todo mundo vê.”
Arthur Schopenhaus
Definições e diferenciação: tipos textuais e gêneros textuais são dois conceitos distintos, cada qual com sua
própria linguagem e estrutura. Os tipos textuais gêneros se classificam em razão da estrutura linguística, enquanto
os gêneros textuais têm sua classificação baseada na forma de comunicação. Assim, os gêneros são variedades
existente no interior dos modelos pré-estabelecidos dos tipos textuais. A definição de um gênero textual é feita a
partir dos conteúdos temáticos que apresentam sua estrutura específica. Logo, para cada tipo de texto, existem
gêneros característicos.
Como se classificam os tipos e os gêneros textuais
As classificações conforme o gênero podem sofrer mudanças e são amplamente flexíveis. Os principais
gêneros são: romance, conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de medicamento, cardápio de restaurante, lista de
compras, receita de bolo, etc. Quanto aos tipos, as classificações são fixas, e definem e distinguem o texto com
base na estrutura e nos aspectos linguísticos. Os tipos textuais são: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo
e injuntivo. Resumindo, os gêneros textuais são a parte concreta, enquanto as tipologias integram o campo das
formas, da teoria. Acompanhe abaixo os principais gêneros textuais inseridos e como eles se inserem em cada
tipo textual:
Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho. Esses
textos se caracterizam pela apresentação das ações de personagens em um tempo e espaço determinado. Os
principais gêneros textuais que pertencem ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas e
fábulas.
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Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem lugares ou seres ou relatam acontecimentos.
Em geral, esse tipo de texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, em termos de gêneros,
abrange diários, classificados, cardápios de restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc.
Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmitir ideias utilizando recursos de definição,
comparação, descrição, conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, jornais, resumos
escolares, entre outros, fazem parte dos textos expositivos.
Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o objetivo de apresentar um assunto recorrendo a
argumentações, isto é, caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é composta por introdução,
desenvolvimento e conclusão. Os textos argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e abaixo-
assinado.
Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade de orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma
que o emissor procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de verbos no modo imperativo é
sua característica principal. Pertencem a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, manuais de
instruções, entre outros.
Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir o leitor em relação ao procedimento. Esses
textos, de certa forma, impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele siga o que diz o texto. Os
gêneros que pertencem a esse tipo de texto são: leis, cláusulas contratuais, edital de concursos públicos.
Texto Informativo
Sua função é ensinar e informar, esclarecendo dúvidas sobre um tema e transmitindo conhecimentos. Este
tipo de texto é comum em jornais, livros didáticos, revistas, etc.
As características do texto informativo são:
- Escrito em 3ª pessoa, em prosa.
- Apresenta informações objetivas e reais a respeito de um tema.
- É um texto que evita ser ambíguo, não fazendo uso de figuras de linguagem, utilizando a linguagem deno-
tativa.
- A opinião pessoal do autor não se reflete no texto.
- Há a citação de fontes, que garantem a credibilidade, e o texto apresenta caráter utilitário e prático.
O conteúdo deste tipo de texto é mais importante que sua estrutura. O objetivo do texto é a transmissão de
conhecimento sobre determinado tema, por isso o texto informativo pode apresentar diversos recursos, como
gráficos, ilustrações, tabelas, etc.
Texto Didático
Esse tipo de texto possui objetivos pedagógicos e está disposto de uma forma a que qualquer leitor tenha a
mesma conclusão. Sua construção dá-se de maneira conceitual, visando a necessidade de compreensão do
assunto exposto por parte do interlocutor.
A linguagem de um texto didático não é figurativa, mas sim própria, utilizando os termos de maneira exata.
A apresentação das informações pode considerar, ou não, os conhecimentos prévios do leitor. Trata-se de um
tipo textual muito utilizado em artigos científicos e livros didáticos.
Algumas características desse tipo de texto são: impessoalidade, objetividade, coesão, abordagem que per-
mite uma interpretação única e específica.
Gêneros Textuais e Gêneros Literários
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se referem a qualquer tipo de texto, enquanto os gêne-
ros literários se referem apenas aos textos literários.
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Os gêneros literários são divisões feitas segundo características formais comuns em obras literárias, agru-
pando-as conforme critérios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros.
- Gênero lírico;
- Gênero épico ou narrativo;
- Gênero dramático.
Gênero Lírico
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à do
autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os
verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem.
Elegia
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do texto. O
emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um bom
exemplo é a peça Roan e Yufa, de William Shakespeare.
Epitalâmia
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um bom
exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino)
É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à
mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acompanhamento musical.
Idílio (ou écloga)
Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá
ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado
da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio
com diálogos (muito rara).
Sátira
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem um forte
sarcasmo, pode abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assuntos políticos, ou pessoas de
relevância social.
Acalanto
Canção de ninar.
Acróstico
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase. Ex.:
Amigos são
Muitas vezes os
Irmãos que escolhemos.
Zelosos, eles nos
Ajudam e
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e
Eterna
https://www.todamateria.com.br/acrostico/
Balada
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e
refrão vocal que se destinam à dança.
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Canção (ou Cantiga, Trova)
Poema oral com acompanhamento musical.
Gazal (ou Gazel)
Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio.
Soneto
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e dois tercetos.
Vilancete
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.
Gênero Épico ou Narrativo
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático.
Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do gênero literário
narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes: o romance, a novela,
o conto, a crônica, a fábula.
Épico (ou Epopeia)
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem aventu-
ras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exaltação, isto é, de valoriza-
ção de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero.
Ensaio
É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e
filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado.
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico,
político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou
provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, de John Locke.
Gênero Dramático
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador contando a
história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis das personagens
nas cenas.
Tragédia
É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a
tragédia era “uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada,
com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror”. Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Farsa
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos como o absurdo, as incongruên-
cias, os equívocos, a caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o engano.
Comédia
É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega está
ligada às festas populares.
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Tragicomédia
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real
com o imaginário.
Poesia de cordel
Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diver-
sos da sociedade e da realidade vivida por este povo.
Textos publicitários
“Os textos publicitários são aqueles que têm o objetivo de anunciar alguma coisa, fazer com que uma infor-
mação torne-se pública, desde uma campanha de vacinação até os anúncios de produtos e/ou prestação de
serviços. Podemos encontrar os textos publicitários circulando em diversos suportes de comunicação, como os
midiáticos (televisão, internet e rádio) e jornalísticos (jornais, revistas), e espalhados pelas vias urbanas (outdo-
ors, pontos de ônibus, postes de iluminação pública etc.).
Linguagem
Podemos dizer que a linguagem, sobretudo no que se refere à sua função e ao tipo, é a característica mais
relevante dos textos publicitários, já que se trata do principal recurso que o autor da peça (texto) publicitária tem
para que os efeitos de sentido gerados sejam aqueles desejados pelo autor para alcançar os leitores.
Quanto à função da linguagem dos textos publicitários, ela pode ser abordada de várias formas: linguagem
referencial (quando o texto tem o objetivo de divulgar uma informação real), linguagem emotiva (quando o texto
pretende alcançar seu objetivo por meio da emotividade dos leitores) e linguagem apelativa ou conativa (quan-
do o texto tem o objetivo de convencer alguém a fazer ou comprar alguma coisa, é conhecida como retórica).
Com relação ao tipo de linguagem, os textos publicitários podem ser criados a partir das linguagens verbal
(oral ou escrita), não verbal (imagens, fotografias, desenhos) e mista (verbal e não verbal).
É relevante ressaltarmos também que a linguagem dos textos publicitários é pensada no sentido de atingir
um grande número de interlocutores, ou seja, as massas, e, por essa razão, deve ser de fácil compreensão,
objetiva, simples e acessível a interlocutores de todos as classes e faixas etárias.
Criatividade
De maneira geral, para conseguir causar efeitos de sentido e seduzir, chamar a atenção dos interlocutores,
os autores das peças publicitárias fazem trocadilhos e trabalham as linguagens verbal e não verbal de maneira
criativa.
Objetividade
Geralmente, os textos publicitários têm extensão bem reduzida, já que circulam em suportes cujo espaço
também é reduzido e o valor de cada anúncio depende de seu tamanho. A seção dos classificados de jornal,
que é um exemplo de texto publicitário, é um bom exemplar para que possamos observar essa característica.
Outro exemplo que ilustra a objetividade dos textos publicitários é a criação de slogan (uma frase curta e de
fácil memorização) ou manchetes, os quais resumem em um único enunciado as informações e os objetivos
do texto.
Exemplos de slogan:
- “Cheetos, é impossível comer um só. (Elma Chips)
- Vem pra Caixa você também. Vem! (Caixa Econômica Federal)
- A rádio que toca notícias, só notícias. (Rádio CBN)
Publicidade e o público
Em virtude de seu caráter persuasivo e pelo fato de alcançar as grandes massas, o texto publicitário exerce
grande influência e poder sobre o público. Esse texto promove o compartilhamento de ideias, produtos e servi-
ços e, de certa forma, orientações ideológicas.
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Devido ao seu papel importante na nossa cultura, existe uma autorregulamentação para a divulgação/publi-
cação de textos publicitários, a qual define limites de atuação e aprovação (ou não) quanto à veiculação de al-
guns anúncios. Essa autorregulamentação é necessária porque, conforme o Código de Defesa do Consumidor
(CDC), os textos publicitários respondem pela qualidade dos produtos e serviços que estão sendo oferecidos,
portanto, não devem realizar propaganda enganosa, que é crime.
Ainda de acordo com o CDC, propaganda enganosa significa qualquer modalidade de informação falsa,
capaz de induzir o consumidor ao erro no que diz respeito à natureza, característica, qualidade, quantidade,
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
Estrutura do texto publicitário
O texto publicitário é composto, muitas vezes, por imagem, título, texto, assinatura e slogan. A assinatura
é o nome do produto/serviço e do anunciante. Slogan, como já dissemos, é um enunciado conciso e de fácil
associação ao produto e lembrança do leitor. O título/headline é um enunciado breve com o objetivo de captar a
atenção do leitor, incitando sua curiosidade. O texto deve incitar no consumidor o interesse, o desejo por aquilo
que está sendo oferecido/anunciado.
A extensão do texto publicitário depende da intencionalidade discursiva do autor/anunciante e do espaço
disponível/sugerido pelo suporte de circulação no qual o texto será veiculado: jornal, revista, outdoors, jingles
em rádio (aliado à musicalidade), redes sociais, sites etc.
Vertentes do texto publicitário
Existem duas vertentes filosóficas do texto publicitário, ambas com origens filosóficas: a apolínea e a dioni-
síaca.
Apolínea
A vertente apolínea visa ao desenvolvimento de textos que remetem à individualização, ou seja, descreven-
do e/ou narrando, como ocorre com as artes plásticas, fotografia e narração de histórias.
Dionísica
A vertente dionisíaca busca despertar sentimentos diversos em seus leitores/interlocutores para que assim
possa criar empatia, contradição, terror, carinho etc. Geralmente, para causar esses efeitos, a música, a dra-
matização e a expressividade corporal são utilizadas.
Características do texto propagandístico
Os textos propagandísticos/publicitários, como o próprio nome já diz, têm como objetivo principal a propa-
ganda. Através desta, anuncia-se um determinado produto, ideia, benefício, movimento social, partido, entre
outros. Como seu objetivo é convencer, é natural que a função apelativa da linguagem se destaque neste gê-
nero textual.
Sendo o objetivo persuadir o receptor, o texto publicitário, a fim de chamar a atenção, apresenta um pro-
duto ou serviço ao consumidor, promove sua venda ou garante a boa imagem da marca explicando por que
o produto é bom e, ao mesmo tempo, estimulando a possuí-lo e depois comprar. No entanto, isso não é feito
aleatoriamente.
Toda propaganda tem um público-alvo, sempre voltado para uma pessoa ou coletividade, com base em da-
dos como idade, condição socioeconômica, escolaridade, costumes e hábitos de consumo.
Para atingir o seu propósito, os textos publicitários costumam utilizar verbos no modo imperativo e contam
com outras estratégias argumentativas. A boa propaganda trabalha com uma linguagem sugestiva por meio
da ambiguidade, da ironia, do jogo de palavras e de subentendidos, ou seja, vários formatos conotativos que
fazem com que o público perceba a sutileza da inteligência dos textos.
Estrutura do texto propagandístico
Título: É composto de pequenas frases atrativas, com o objetivo de chamar a atenção do leitor.
Imagem: Apresentam uma imagem, cuidadosamente trabalhada e selecionada, que vai muito além do mero
papel de ilustração. Nesse gênero textual, a imagem tem um papel persuasivo importante e dialoga com a parte
escrita.
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Corpo do texto: Nele, o anunciante desenvolve melhor sua ideia, demonstrando um pouco mais as quali-
dades e vantagens do produto. Normalmente, o vocabulário é adequado ao público para o qual é destinado,
contendo frases também atraentes.
Identificação do produto ou marca: A maioria dos anunciantes desenvolve um slogan para que o consu-
midor identifique a marca. Certamente você conhece inúmeros exemplos, como músicas que ficam na cabeça.
Gênero normativo
Os textos normativos são considerados como textos regulatórios capazes de sistematizar leis e códigos que
asseguram nossos direitos e deveres. Esta modalidade textual também regula as normas funcionais de uma
determinada comunidade, instituição, igreja, escola, empresas privadas ou instituições públicas. Atualmente
viver em sociedade significa seguir regras e respeitar normas, não é verdade? Regras de como conviver com
outras pessoas. Regras para se ter segurança no trânsito. Respeitar normas de boa convivência no trabalho ou
na escola. Formais ou informais. No entanto, muitas vezes para que uma regra seja respeitada é necessário um
registro, desta forma protocolos, portarias e editais são claros exemplos de textos normativos.
Os textos normativos e legais devem ser claros, de modo a não causar problemas de compreensão para o
público a quem ele se destina. Deve ser objetivo e centra-se na regulamentação do que está em questão, po-
dendo ser relações de convivência, trabalho e comércio.
Em nosso cotidiano, temos inúmeros exemplos de textos normativos, dentre eles ressaltamos:
● Um contrato de trabalho ou compra e venda
● O código de defesa do consumidor
● As leis de trânsito
● A Constituição Federal
● A Declaração Universal dos Direitos Humanos
● Diário Oficial
● ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente
● Estatuto do idoso
Os textos normativos são fundamentais para relações humanas e acima de tudo são considerados como
gêneros que asseguram nossos direitos e deveres.
Texto divinatório
Função - prever.
Modelos - horóscopo, oráculos.
Fontes: brasilescola.uol.com.br
descomplica.com.br
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A literatura apresenta-se como o instrumento artístico de análise de mundo e de compreensão do homem.
Cada época conceituou a literatura e suas funções de acordo com a realidade, o contexto histórico e cultural e,
os anseios dos indivíduos daquele momento.
Ficcionalidade: os textos baseiam-se no real, transfigurando-o, recriando-o.
Aspecto subjetivo: o texto apresenta o olhar pessoal do artista, suas experiências e emoções.
Ênfase na função poética da linguagem: o texto literário manipula a palavra, revestindo-a de caráter ar-
tístico.
Plurissignificação: as palavras, no texto literário, assumem vários significados.
Principais características do texto não literário
Apresenta peculiaridades em relação a linguagem literária, entre elas o emprego de uma linguagem conven-
cional e denotativa.
Ela tem como função informar de maneira clara e sucinta, desconsiderando aspectos estilísticos próprios da
linguagem literária.
Os diversos textos podem ser classificados de acordo com a linguagem utilizada. A linguagem de um texto
está condicionada à sua funcionalidade. Quando pensamos nos diversos tipos e gêneros textuais, devemos
pensar também na linguagem adequada a ser adotada em cada um deles. Para isso existem a linguagem lite-
rária e a linguagem não literária.
Diferente do que ocorre com os textos literários, nos quais há uma preocupação com o objeto linguístico
e também com o estilo, os textos não literários apresentam características bem delimitadas para que possam
cumprir sua principal missão, que é, na maioria das vezes, a de informar. Quando pensamos em informação,
alguns elementos devem ser elencados, como a objetividade, a transparência e o compromisso com uma lin-
guagem não literária, afastando assim possíveis equívocos na interpretação de um texto.
Definição: sintaxe é a área da Gramática que se dedica ao estudo da ordenação das palavras em uma frase,
das frases em um discurso e também da coerência (relação lógica) que estabelecem entre si. Sempre que
uma frase é construída, é fundamental que ela contenha algum sentido para que possa ser compreendida pelo
receptor. Por fazer a mediação da combinação entre palavras e orações, a sintaxe é essencial para que essa
compreensão se efetive. Para que se possa compreender a análise sintática, é importante retomarmos alguns
conceitos, como o de frase, oração e período. Vejamos:
Frase
Trata-se de um enunciado que carrega um sentido completo que possui sentido integral, podendo ser
constituída por somente uma ou várias palavras podendo conter verbo (frase verbal) ou não (frase nominal).
Uma frase pode exprimir ideias, sentimentos, apelos ou ordens. Exemplos: “Saia!”, “O presidente vai fazer seu
discurso.”, “Atenção!”, “Que horror!”.
A ordem das palavras: associada à pontuação apropriada, a disposição das palavras na frase também
é fundamental para a compreensão da informação escrita, e deve seguir os padrões da Língua Portuguesa.
Observe que a frase “A professora já vai falar.” Pode ser modificada para, por exemplo, “Já vai falar a professora.”
, sem que haja prejuízo de sentido. No entanto, a construção “Falar a já professora vai.” , apesar da combinação
das palavras, não poderá ser compreendida pelo interlocutor.
Oração
É uma unidade sintática que se estrutura em redor de um verbo ou de uma locução verbal. Uma frase pode
ser uma oração, desde que tenha um verbo e um predicado; quanto ao sujeito, nem sempre consta em uma
oração, assim como o sentido completo. O importante é que seja compreensível pelo receptor da mensagem.
Analise, abaixo, uma frase que é oração com uma que não é.
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1 – Silêncio!”: É uma frase, mas não uma oração, pois não contém verbo.
2 – “Eu quero silêncio.”: A presença do verbo classifica a frase como oração.
Unidade sintática (ou termo sintático): a sintaxe de uma oração é formada por cada um dos termos, que,
por sua vez, estabelecem relação entre si para dar atribuir sentido à frase. No exemplo supracitado, a palavra
“quero” deve unir-se às palavras “Eu” e “silêncio” para que o receptor compreenda a mensagem. Dessa forma,
cada palavra desta oração recebe o nome de termo ou unidade sintática, desempenhando, cada qual, uma
função sintática diferente.
Classificação das orações: as orações podem ser simples ou compostas. As orações simples apresentam
apenas uma frase; as compostas apresentam duas ou mais frases na mesma oração. Analise os exemplos
abaixo e perceba que a oração composta tem duas frases, e cada uma tem seu próprio sentido.
– Oração simples: “Eu quero silêncio.”
– Oração composta: “Eu quero silêncio para poder ouvir o noticiário”.
Período
É a construção composta por uma ou mais orações, sempre com sentido completo. Assim como as orações,
o período também pode ser simples ou composto, que se diferenciam em razão do número de orações que
apresenta: o período simples contém apenas uma oração, e o composto mais de uma. Lembrando que a oração
é uma frase que contém um verbo. Assim, para não ter dúvidas quanto à classificação, basta contar quantos
verbos existentes na frase.
– Período simples: “Resolvo esse problema até amanhã.” - apresenta apenas um verbo.
– Período composto: Resolvo esse problema até amanhã ou ficarei preocupada.” - contém dois verbos.
— Análise Sintática
É o nome que se dá ao processo que serve para esmiuçar a estrutura de um período e das orações que
compõem um período.
Termos da oração: é o nome dado às palavras que atribuem sentido a uma frase verbal. A reunião desses
elementos forma o que chamamos de estrutura de um período. Os termos essenciais se subdividem em:
essenciais, integrantes e acessórios. Acompanhe a seguir as especificidades de cada tipo.
1 – Termos Essenciais (ou fundamentais) da oração
Sujeito e Predicado: enquanto um é o ser sobre quem/o qual se declara algo, o outro é o que se declara
sobre o sujeito e, por isso, sempre apresenta um verbo ou uma locução verbal, como nos respectivos exemplos
a seguir:
Exemplo: em “Fred fez um lindo discurso.”, o sujeito é “Fred”, que “fez um lindo discurso” (é o restante da
oração, a declaração sobre o sujeito).
Nem sempre o sujeito está no início da oração (sujeito direto), podendo apresentar-se também no meio da
fase ou mesmo após o predicado (sujeito inverso). Veja um exemplo para cada um dos respectivos casos:
“Fred fez um lindo discurso.”
“Um lindo discurso Fred fez.”
“Fez um lindo discurso, Fred.”
– Sujeito determinado: é aquele identificável facilmente pela concordância verbal.
– Sujeito determinado simples: possui apenas um núcleo ligado ao verbo. Ex.: “Júlia passou no teste”.
– Sujeito determinado composto: possui dois ou mais núcleos. Ex.: “Júlia e Felipe passaram no teste.”
– Sujeito determinado implícito: não aparece facilmente na oração, mas a frase é dotada de entendimento.
Ex.: “Passamos no teste.” Aqui, o termo “nós” não está explícito na oração, mas a concordância do verbo o
destaca de forma indireta.
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– Sujeito indeterminado: é o que não está visível na oração e, diferente do caso anterior, não há concordância
verbal para determiná-lo.
Esse sujeito pode aparecer com:
– Verbo na 3a pessoa do plural. Ex.: “Reformaram a casa velha”.
– Verbo na 3a pessoa do singular + pronome “se”: “Contrata-se padeiro.”».
– Verbo no infinitivo impessoal: “Vai ser mais fácil se você estiver lá.”
– Orações sem sujeito: são compostas somente por predicado, e sua mensagem está centralizada no
verbo, que é impessoal. Essas orações podem ter verbos que constituam fenômenos da natureza, ou os verbos
ser, estar, haver e fazer quando indicativos de fenômeno meteorológico ou tempo. Observe os exemplos:
“Choveu muito ontem”.
“Era uma hora e quinze”.
– Predicados Verbais: resultam da relação entre sujeito e verbo, ou entre verbo e complementos. Os
verbos, por sua vez, também recebem sua classificação, conforme abaixo:
– Verbo transitivo: é o verbo que transita, isto é, que vai adiante para passar a informação adequada. Em
outras palavras, é o verbo que exige complemento para ser entendido. Para produzir essa compreensão, esse
trânsito do verbo, o complemento pode ser direto ou indireto. No primeiro caso, a ligação direta entre verbo e
complemento. Ex.: “Quero comprar roupas.”. No segundo, verbo e complemento são unidos por preposição.
Ex.: “Preciso de dinheiro.”
– Verbo intransitivo: não requer complemento, é provido de sentido completo. São exemplos: morrer, acordar,
nascer, nadar, cair, mergulhar, correr.
– Verbo de ligação: servem para expressar características de estado ao sujeito, sendo eles: estado
permanente (“Pedro é alto.”), estado de transição (“Pedro está acamado.”), estado de mutação (“Pedro esteve
enfermo.”), estado de continuidade (“Pedro continua esbelto.”) e estado aparente (“Pedro parece nervoso.”).
– Predicados nominais: são aqueles que têm um nome (substantivo ou adjetivo) como cujo núcleo
significativo da oração. Ademais, ele se caracteriza pela indicação de estado ou qualidade, e é composto por
um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito.
– Predicativo do sujeito: é um termo que atribui características ao sujeito por meio de um verbo. Exemplo:
em “Marta é inteligente.”, o adjetivo é o predicativo do sujeito “Marta”, ou seja, é sua característica de estado
ou qualidade. Isso é comprovado pelo “ser” (é), que é o verbo de ligação entre Marta e sua característica atual.
Esse elemento não precisa ser, obrigatoriamente, um adjetivo, mas pode ser uma locução adjetiva, ou mesmo
um substantivo ou palavra substantivada.
– Predicado Verbo-Nominal: esse tipo deve apresentar sempre um predicativo do sujeito associado a uma
ação do sujeito acrescida de uma qualidade sua. Exemplo: “As meninas saíram mais cedo da aula. Por isso,
estavam contentes.
O sujeito “As meninas” possui como predicado o verbo “sair” e também o adjetivo “contentes”. Logo, “estavam
contentes” é o predicativo do sujeito e o verbo de ligação é “estar”.
2 – Termos integrantes da oração
Basicamente, são os termos que completam os verbos de uma oração, atribuindo sentindo a ela. Eles
podem ser complementos verbais, complementos nominais ou mesmo agentes da passiva.
– Complementos Verbais: como sugere o nome, esses termos completam o sentido de verbos, e se
classificam da seguinte forma:
– Objeto direto: completa verbos transitivos diretos, não exigindo preposição.
– Objeto indireto: complementam verbos transitivos indiretos, isto é, aqueles que dependem de preposição
para que seu sentido seja compreendido.
Quanto ao objeto direto, podemos ter:
– Um pronome substantivo: “A equipe que corrigiu as provas.”
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– Um pronome oblíquo direto: “Questionei-a sobre o acontecido.”
– Um substantivo ou expressão substantivada: “Ele consertou os aparelhos.»
– Complementos Nominais: esses termos completam o sentido de uma palavra, mas não são verbos; são
nomes (substantivos, adjetivos ou advérbios), sempre seguidos por preposição. Observe os exemplos:
– “Maria estava satisfeita com seus resultados.” – observe que “satisfeita” é adjetivo, e “com seus resultados”
é complemento nominal.
– “O entregador atravessou rapidamente pela viela. – “rapidamente” é advérbio de modo.
– “Eu tenho medo do cachorro.” – Nesse caso, “medo” é um substantivo.
– Agentes da Passiva: são os termos de uma oração que praticam a ação expressa pelo verbo, quando
este está na voz passiva. Assim, estão normalmente acompanhados pelas preposições de e por. Observe os
exemplos do item anterior modificados para a voz passiva:
– “Os resultados foram motivo de satisfação de Maria.”
– “O cachorro foi alvo do meu medo.”
– “A viela foi atravessada rapidamente pelo entregador.”
3 – Termos acessórios da oração
Diversamente dos termos essenciais e integrantes, os termos acessórios não são fundamentais o sentido da
oração, mas servem para complementar a informação, exprimindo circunstância, determinando o substantivo
ou caracterizando o sujeito. Confira abaixo quais são eles:
– Adjunto adverbial: são os termos que modificam o sentido do verbo, do adjetivo ou do advérbio. Analise
os exemplos:
“Dormimos muito.”
O termo acessório “muito” classifica o verbo “dormir”.
“Ele ficou pouco animado com a notícia.”
O termo acessório “pouco” classifica o adjetivo “animado”
“Maria escreve bastante bem.”
O termo acessório “bastante” modifica o advérbio “bem”.
Os adjuntos adverbiais podem ser:
– Advérbios: pouco, bastante, muito, ali, rapidamente longe, etc.
– Locuções adverbiais: o tempo todo, às vezes, à beira-mar, etc.
– Orações: «Quando a mercadoria chegar, avise.” (advérbio de tempo).
– Adjunto adnominal: é o termo que especifica o substantivo, com função de adjetivo. Em razão disso, pode
ser representado por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, numerais adjetivos ou pronomes adjetivos. Analise
o exemplo:
“O jovem apaixonado presenteou um lindo buquê à sua colega de escola.”
– Sujeito: “jovem apaixonado”
– Núcleo do predicado verbal: “presenteou”
– Objeto direto do verbo entregar: “um lindo buquê”
– Objeto indireto: “à amiga de classe” – Adjuntos adnominais: no sujeito, temos o artigo “o” e “apaixonado”,
pois caracterizam o “jovem”, núcleo do sujeito; o numeral “um” e o adjetivo “lindo” fazem referência a “buquê”
(substantivo); o artigo “à” (contração da preposição + artigo feminino) e a locução “de trabalho” são os adjuntos
adnominais de “colega”.
– Aposto: é o termo que se relaciona com o sujeito para caracterizá-lo, contribuindo para a complementação
uma informação já completa. Observe os exemplos:
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“Michael Jackson, o rei do pop, faleceu há uma década.”
“Brasília, capital do Brasil, foi construída na década de 1950.”
– Vocativo: esse termo não apresenta relação sintática nem com sujeito nem com predicado, tendo sua
função no chamamento ou na interpelação de um ouvinte, e se relaciona com a 2a pessoa do discurso. Os
vocativos são o receptor da mensagem, ou seja, a quem ela é dirigida. Podem ser acompanhados de interjeições
de apelo. Observe:
“Ei, moça! Seu documento está pronto!”
“Senhor, tenha misericórdia de nós!”
“Vista o casaco, filha!”
— Estudo da relação entre as orações
Os períodos compostos são formados por várias orações. As orações estabelecem entre si relações de
coordenação ou de subordinação.
– Período composto por coordenação: é formado por orações independentes. Apesar de estarem unidas
por conjunções ou vírgulas, as orações coordenadas podem ser entendidas individualmente porque apresentam
sentidos completos. Acompanhe a seguir a classificação das orações coordenadas:
– Oração coordenada aditiva: “Assei os salgados e preparei os doces.”
– Oração coordenada adversativa: “Assei os salgados, mas não preparei os doces.”
– Oração coordenada alternativa: “Ou asso os salgados ou preparo os doces.”
– Oração coordenada conclusiva: “Marta estudou bastante, logo, passou no exame.”
– Oração coordenada explicativa: “Marta passou no exame porque estudou bastante.”
– Período composto por subordinação: são constituídos por orações dependentes uma da outra. Como
as orações subordinadas apresentam sentidos incompletos, não podem ser entendidas de forma separada. As
orações subordinadas são divididas em substantivas, adverbiais e adjetivas. Veja os exemplos:
– Oração subordinada substantiva subjetiva: “Ficou provado que o suspeito era realmente o culpado.”
– Oração subordinada substantiva objetiva direta: “Eu não queria que isso acontecesse.”
– Oração subordinada substantiva objetiva indireta: “É obrigatório de que todos os estudantes sejam
assíduos.”
– Oração subordinada substantiva completiva nominal: “Tenho expectativa de que os planos serão melhores
em breve!”
– Oração subordinada substantiva predicativa: “O que importa é que meus pais são saudáveis.”
– Oração subordinada substantiva apositiva: “Apenas saiba disto: que tudo esteja organizado quando eu
voltar!”
– Oração subordinada adverbial causal: “Não posso me demorar porque tenho hora marcada na psicóloga.”
– Oração subordinada adverbial consecutiva: “Ficamos tão felizes que pulamos de alegria.”
– Oração subordinada adverbial final: “Eles ficaram vigiando para que nós chegássemos a casa em
segurança.”
– Oração subordinada adverbial temporal: “Assim que eu cheguei, eles iniciaram o trabalho.”
– Oração subordinada adverbial condicional: “Se você vier logo, espero por você.»
– Oração subordinada adverbial concessiva: “Ainda que estivesse cansado, concluiu a maratona.”
– Oração subordinada adverbial comparativa: “Marta sentia como se ainda vivesse no interior.”
– Oração subordinada adverbial conformativa: “Conforme combinamos anteriormente, entregarei o produto
até amanhã.”
– Oração subordinada adverbial proporcional: “Quanto mais me exercito, mais tenho disposição.”
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– Oração subordinada adjetiva explicativa: “Meu filho, que passou no concurso, mudou-se para o interior.”
– Oração subordinada adjetiva restritiva: “A aluna que esteve enferma conseguiu ser aprovada nas provas.”
Norma culta.
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pela coordenação, que ressalta o caráter oral e popular da língua. A linguagem popular está presente nas
conversas familiares ou entre amigos, anedotas, irradiação de esportes, programas de TV e auditório, novelas,
na expressão dos esta dos emocionais etc.
Dúvidas mais comuns da norma culta
Perca ou perda
Isto é uma perda de tempo ou uma perca de tempo? Tomara que ele não perca o ônibus ou não perda o
ônibus? Quais são as frases corretas com perda e perca? Certo: Isto é uma perda de tempo.
Embaixo ou em baixo
O gato está embaixo da mesa ou em baixo da mesa? Continuarei falando em baixo tom de voz ou embaixo
tom de voz? Quais são as frases corretas com embaixo e em baixo? Certo: O gato está embaixo da cama
Ver ou vir
A dúvida no uso de ver e vir ocorre nas seguintes construções: Se eu ver ou se eu vir? Quando eu ver ou
quando eu vir? Qual das frases com ver ou vir está correta? Se eu vir você lá fora, você vai ficar de castigo!
Onde ou aonde
Os advérbios onde e aonde indicam lugar: Onde você está? Aonde você vai? Qual é a diferença entre onde
e aonde? Onde indica permanência. É sinônimo de em que lugar. Onde, Em que lugar Fica?
Como escrever o dinheiro por extenso?
Os valores monetários, regra geral, devem ser escritos com algarismos: R$ 1,00 ou R$ 1 R$ 15,00 ou R$ 15
R$ 100,00 ou R$ 100 R$ 1400,00 ou R$ 1400.
Obrigado ou obrigada
Segundo a gramática tradicional e a norma culta, o homem ao agradecer deve dizer obrigado. A mulher ao
agradecer deve dizer obrigada.
Mal ou mau
Como essas duas palavras são, maioritariamente, pronunciadas da mesma forma, são facilmente confundi-
das pelos falantes. Qual a diferença entre mal e mau? Mal é um advérbio, antônimo de bem. Mau é o adjetivo
contrário de bom.
“Vir”, “Ver” e “Vier”
A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas situações, como por exemplo no futuro do
subjuntivo. O correto é, por exemplo, “quando você o vir”, e não “quando você o ver”.
Já no caso do verbo “ir”, a conjugação correta deste tempo verbal é “quando eu vier”, e não “quando eu vir”.
“Ao invés de” ou “em vez de”
“Ao invés de” significa “ao contrário” e deve ser usado apenas para expressar oposição.
Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.
Já “em vez de” tem um significado mais abrangente e é usado principalmente como a expressão “no lugar
de”. Mas ele também pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas recomendam usar “em vez
de” caso esteja na dúvida.
Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bicicleta.
“Para mim” ou “para eu”
Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase com um verbo, deve usar “para eu”.
Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para eu curtir as fotos dele.
“Tem” ou “têm”
Tanto “tem” como “têm” fazem parte da conjugação do verbo “ter” no presente. Mas o primeiro é usado no
singular, e o segundo no plural.
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Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de mudança.
“Há muitos anos”, “muitos anos atrás” ou “há muitos anos atrás”
Usar “Há” e “atrás” na mesma frase é uma redundância, já que ambas indicam passado. O correto é usar
um ou outro.
Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O romance começou muito tempo atrás.
Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, está incorreta.
— Visão Geral
O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais gráficos que, em um período sintático, têm a função
primordial de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas e, ocasionalmente, manifestar as
propriedades da fala (prosódias) em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os gestos e as
expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a compreensão da frase.
O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades:
– Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos tipos textuais;
– Garantir os efeitos de sentido dos enunciados;
– Demarcar das unidades de um texto;
– Sinalizar os limites das estruturas sintáticas.
— Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um enunciado
Vírgula
De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado para indicar que os termos por ela isolados,
embora compartilhem da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, se, ao contrário,
houver relação sintática entre os termos, estes não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao
mesmo tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em outras, ela é vetada. Confira os casos
em que a vírgula deve ser empregada:
• No interior da sentença
1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição:
ENUMERAÇÃO
Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e
chocolate.
Paguei as contas de água, luz, telefone e gás.
REPETIÇÃO
Os arranjos estão lindos, lindos!
Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada.
2 – Isolar o vocativo
“Crianças, venham almoçar!”
“Quando será a prova, professora?”
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3 – Separar apostos
“O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.”
4 – Isolar expressões explicativas:
“As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi responsabilizado.”
5 – Separar conjunções intercaladas
“Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.”
6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado:
“Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos funcionários do setor.”
“Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.”
7 – Separar o complemento pleonástico antecipado:
“Estas alegações, não as considero legítimas.”
8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas por conjunções)
“Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.”
9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas:
“São Paulo, 16 de outubro de 2022”.
10 – Marcar a omissão de um termo:
“Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo “fazer”).
• Entre as sentenças
1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas
“Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.”
2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações iniciadas
pela conjunção “e”:
“Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos ajudasse.”
3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a principal:
“Quando será publicado, ainda não foi divulgado.”
4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvidas ou reduzidas, especialmente as que
antecedem a oração principal:
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3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas apresentam sujeitos distintos, por exemplo:
“A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.”
O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito e predicado, verbo e objeto, nome de
adjunto adnominal, nome e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração substantiva e oração
subordinada (desde que a substantivo não seja apositiva nem se apresente inversamente).
Ponto
1 – Para indicar final de frase declarativa:
“O almoço está pronto e será servido.”
2 – Abrevia palavras:
– “p.” (página)
– “V. Sra.” (Vossa Senhoria)
– “Dr.” (Doutor)
3 – Para separar períodos:
“O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.”
Ponto e Vírgula
1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha
utilizado a vírgula:
“Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; nossa amiga, de praticar esportes.”
2 – Para separar os itens de uma sequência de itens:
“Os planetas que compõem o Sistema Solar são:
Mercúrio;
Vênus;
Terra;
Marte;
Júpiter;
Saturno;
Urano;
Netuno.”
Dois Pontos
1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam
e/ou resumem ideias anteriores.
“Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.”
“Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela grande ofensa.”
2 – Para introduzirem citação direta:
“Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma’.”
3 – Para iniciar fala de personagens:
“Ele gritava repetidamente:
– Sou inocente!”
Reticências
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1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta sintaticamente:
“Quem sabe um dia...”
2 – Para indicar hesitação ou dúvida:
“Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar ainda.”
3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o objetivo de prolongar o raciocínio:
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília -
José de Alencar).
4 – Suprimem palavras em uma transcrição:
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner).
Ponto de Interrogação
1 – Para perguntas diretas:
“Quando você pode comparecer?”
2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para destacar o enunciado:
“Não brinca, é sério?!”
Ponto de Exclamação
1 – Após interjeição:
“Nossa Que legal!”
2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva
“Infelizmente!”
3 – Após vocativo
“Ana, boa tarde!”
4 – Para fechar de frases imperativas:
“Entre já!”
Parênteses
a) Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases intercaladas de valor explicativo, podendo
substituir o travessão ou a vírgula:
“Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sempre)
quem seria promovido.”
Travessão
1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto:
“O rapaz perguntou ao padre:
— Amar demais é pecado?”
2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos:
“— Vou partir em breve.
— Vá com Deus!”
3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários:
“Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.”
4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas:
“Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.”
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Aspas
1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, como termos populares, gírias, neologismos,
estrangeirismos, arcaísmos, palavrões, e neologismos.
“Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.”
“A reunião será feita ‘online’.”
2 – Para indicar uma citação direta:
“A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de Assis)
Tipos de discurso
Discurso direto
É a fala da personagem reproduzida fielmente pelo narrador, ou seja, reproduzida nos termos em que foi
expressa.
— Bonito papel! Quase três da madrugada e os senhores completamente bêbados, não é?
Foi aí que um dos bêbados pediu:
— Sem bronca, minha senhora. Veja logo qual de nós quatro é o seu marido que os outros querem ir para
casa.
(Stanislaw Ponte Preta)
Observe que, no exemplo dado, a fala da personagem é introduzida por um travessão, que deve estar ali-
nhado dentro do parágrafo.
O narrador, ao reproduzir diretamente a fala das personagens, conserva características do linguajar de cada
uma, como termos de gíria, vícios de linguagem, palavrões, expressões regionais ou cacoetes pessoais.
O discurso direto geralmente apresenta verbos de elocução (ou declarativos ou dicendi) que indicam quem
está emitindo a mensagem.
Os verbos declarativos ou de elocução mais comuns são:
acrescentar
afirmar
concordar
consentir
contestar
continuar
declamar
determinar
dizer
esclarecer
exclamar
explicar
gritar
indagar
insistir
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interrogar
interromper
intervir
mandar
ordenar, pedir
perguntar
prosseguir
protestar
reclamar
repetir
replicar
responder
retrucar
solicitar
Os verbos declarativos podem, além de introduzir a fala, indicar atitudes, estados interiores ou situações
emocionais das personagens como, por exemplo, os verbos protestar, gritar, ordenar e outros. Esse efeito pode
ser também obtido com o uso de adjetivos ou advérbios aliados aos verbos de elocução: falou calmamente,
gritou histérica, respondeu irritada, explicou docemente.
Exemplo:
— O amor, prosseguiu sonhadora, é a grande realização de nossas vidas.
Ao utilizar o discurso direto – diálogos (com ou sem travessão) entre as personagens –, você deve optar por
um dos três estilos a seguir:
Estilo 1:
João perguntou:
— Que tal o carro?
Estilo 2:
João perguntou: “Que tal o carro?” (As aspas são optativas)
Antônio respondeu: “horroroso” (As aspas são optativas)
Estilo 3:
Verbos de elocução no meio da fala:
— Estou vendo, disse efusivamente João, que você adorou o carro.
— Você, retrucou Antônio, está completamente enganado.
Verbos de elocução no fim da fala:
— Estou vendo que você adorou o carro — disse efusivamente João.
— Você está completamente enganado — retrucou Antônio.
Os trechos que apresentam verbos de elocução podem vir com travessões ou com vírgulas. Observe os
seguintes exemplos:
— Não posso, disse ela daí a alguns instantes, não deixo meu filho. (Machado de Assis)
— Não vá sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria, disse ele, escarrachando-se diante de mim. (Ma-
chado de Assis)
— Vale cinquenta, ponderei; Sabina sabe que custou cinquenta e oito. (Machado de Assis)
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— Ainda não, respondi secamente. (Machado de Assis)
Verbos de elocução depois de orações interrogativas e exclamativas:
— Nunca me viu? perguntou Virgília vendo que a encarava com insistência. (Machado de Assis)
— Para quê? interrompeu Sabina. (Machado de Assis)
— Isso nunca; não faço esmolas! disse ele. (Machado de Assis)
Observe que os verbos de elocução aparecem em letras minúsculas depois dos pontos de exclamação e
interrogação.
Discurso indireto
No discurso indireto, o narrador exprime indiretamente a fala da personagem. O narrador funciona como
testemunha auditiva e passa para o leitor o que ouviu da personagem. Na transcrição, o verbo aparece na ter-
ceira pessoa, sendo imprescindível a presença de verbos dicendi (dizer, responder, retrucar, replicar, perguntar,
pedir, exclamar, contestar, concordar, ordenar, gritar, indagar, declamar, afirmar, mandar etc.), seguidos dos
conectivos que (dicendi afirmativo) ou se (dicendi interrogativo) para introduzir a fala da personagem na voz do
narrador.
A certo ponto da conversação, Glória me disse que desejava muito conhecer Carlota e perguntou por que
não a levei comigo.
(Ciro dos Anjos)
Fui ter com ela, e perguntei se a mãe havia dito alguma coisa; respondeu-me que não.
(Machado de Assis)
Discurso indireto livre
Resultante da mistura dos discursos direto e indireto, existe uma terceira modalidade de técnica narrativa,
o chamado discurso indireto livre, processo de grande efeito estilístico. Por meio dele, o narrador pode, não
apenas reproduzir indiretamente falas das personagens, mas também o que elas não falam, mas pensam,
sonham, desejam etc. Neste caso, discurso indireto livre corresponde ao monólogo interior das personagens,
mas expresso pelo narrador.
As orações do discurso indireto livre são, em regra, independentes, sem verbos dicendi, sem pontuação que
marque a passagem da fala do narrador para a da personagem, mas com transposições do tempo do verbo
(pretérito imperfeito) e dos pronomes (terceira pessoa). O foco narrativo deve ser de terceira pessoa. Esse dis-
curso é muito empregado na narrativa moderna, pela fluência e ritmo que confere ao texto.
Fabiano ouviu o relatório desconexo do bêbado, caiu numa indecisão dolorosa. Ele também dizia palavras
sem sentido, conversa à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era bruto, sim senhor,
nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então mete- se um homem
na cadeia por que ele não sabe falar direito?
(Graciliano Ramos)
Observe que se o trecho “Era bruto, sim” estivesse um discurso direto, apresentaria a seguinte formulação:
Sou bruto, sim; em discurso indireto: Ele admitiu que era bruto; em discurso indireto livre: Era bruto, sim.
Para produzir discurso indireto livre que exprima o mundo interior da personagem (seus pensamentos, de-
sejos, sonhos, fantasias etc.), o narrador precisa ser onisciente. Observe que os pensamentos da personagem
aparecem, no trecho transcrito, principalmente nas orações interrogativas, entremeadas com o discurso do
narrador.
Transposição de discurso
Na narração, para reconstituir a fala da personagem, utiliza-se a estrutura de um discurso direto ou de um
discurso indireto. O domínio dessas estruturas é importante tanto para se empregar corretamente os tipos de
discurso na redação.
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Os sinais de pontuação (aspas, travessão, dois-pontos) e outros recursos como grifo ou itálico, presentes no
discurso direto, não aparecem no discurso indireto, a não ser que se queira insistir na atribuição do enunciado
à personagem, não ao narrador. Tal insistência, porém, é desnecessária e excessiva, pois, se o texto for bem
construído, a identificação do discurso indireto livre não oferece dificuldade.
Discurso Direto
• Presente
A enfermeira afirmou:
– É uma menina.
• Pretérito perfeito
– Já esperei demais, retrucou com indignação.
• Futuro do presente
Pedrinho gritou:
– Não sairei do carro.
• Imperativo
Olhou-a e disse secamente:
– Deixe-me em paz.
Outras alterações
• Primeira ou segunda pessoa
Maria disse:
– Não quero sair com Roberto hoje.
• Vocativo
– Você quer café, João?, perguntou a prima.
• Objeto indireto na oração principal
A prima perguntou a João se ele queria café.
• Forma interrogativa ou imperativa
Abriu o estojo, contou os lápis e depois per-
guntou ansiosa:
– E o amarelo?
• Advérbios de lugar e de tempo
aqui, daqui, agora, hoje, ontem, amanhã
• Pronomes demonstrativos e possessivos
essa(s), esta(s)
esse(s), este(s)
isso, isto
meu, minha
teu, tua
nosso, nossa
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Discurso Indireto
• Pretérito imperfeito
A enfermeira afirmou que era uma menina.
• Futuro do pretérito
Pedrinho gritou que não sairia do carro.
• Pretérito mais-que-perfeito
Retrucou com indignação que já esperara (ou
tinha esperado) demais.
• Pretérito imperfeito do subjuntivo
Olhou-a e disse secamente que o deixasse em
paz.
Outras alterações
• Terceira pessoa
Maria disse que não queria sair com Roberto
naquele dia.
• Objeto indireto na oração principal
A prima perguntou a João se ele queria café.
• Forma declarativa
Abriu o estojo, contou os lápis e depois per-
guntou ansiosa pelo amarelo.
lá, dali, de lá, naquele momento, naquele dia,
no dia anterior, na véspera, no dia seguinte, aque-
la(s), aquele(s), aquilo, seu, sua (dele, dela), seu,
sua (deles, delas)
Registros de linguagem.
Definição de linguagem
Linguagem é qualquer meio sistemático de comunicar ideias ou sentimentos através de signos convencio-
nais, sonoros, gráficos, gestuais etc. A linguagem é individual e flexível e varia dependendo da idade, cultura,
posição social, profissão etc. A maneira de articular as palavras, organizá-las na frase, no texto, determina
nossa linguagem, nosso estilo (forma de expressão pessoal).
As inovações linguísticas, criadas pelo falante, provocam, com o decorrer do tempo, mudanças na estrutura
da língua, que só as incorpora muito lentamente, depois de aceitas por todo o grupo social. Muitas novidades
criadas na linguagem não vingam na língua e caem em desuso.
Língua escrita e língua falada
A língua escrita não é a simples reprodução gráfica da língua falada, por que os sinais gráficos não conse-
guem registrar grande parte dos elementos da fala, como o timbre da voz, a entonação, e ainda os gestos e a
expressão facial. Na realidade a língua falada é mais descontraída, espontânea e informal, porque se manifesta
na conversação diária, na sensibilidade e na liberdade de expressão do falante. Nessas situações informais,
muitas regras determinadas pela língua padrão são quebradas em nome da naturalidade, da liberdade de ex-
pressão e da sensibilidade estilística do falante.
Linguagem popular e linguagem culta
Podem valer-se tanto da linguagem popular quanto da linguagem culta. Obviamente a linguagem popular é
mais usada na fala, nas expressões orais cotidianas. Porém, nada impede que ela esteja presente em poesias
(o Movimento Modernista Brasileiro procurou valorizar a linguagem popular), contos, crônicas e romances em
que o diálogo é usado para representar a língua falada.
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Linguagem Popular ou Coloquial
Usada espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se quase sempre rebelde à norma gramatical e é
carregada de vícios de linguagem (solecismo – erros de regência e concordância; barbarismo – erros de pro-
núncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia; pleonasmo), expressões vulgares, gírias e preferência pela
coordenação, que ressalta o caráter oral e popular da língua. A linguagem popular está presente nas conversas
familiares ou entre amigos, anedotas, irradiação de esportes, programas de TV e auditório, novelas, na expres-
são dos esta dos emocionais etc.
A Linguagem Culta ou Padrão
É a ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências em que se apresenta com terminologia especial.
É usada pelas pessoas instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela obediência às normas
gramaticais. Mais comumente usada na linguagem escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. É mais
artificial, mais estável, menos sujeita a variações. Está presente nas aulas, conferências, sermões, discursos
políticos, comunicações científicas, noticiários de TV, programas culturais etc.
Gíria
A gíria relaciona-se ao cotidiano de certos grupos sociais como arma de defesa contra as classes dominan-
tes. Esses grupos utilizam a gíria como meio de expressão do cotidiano, para que as mensagens sejam deco-
dificadas apenas por eles mesmos.
Assim a gíria é criada por determinados grupos que divulgam o palavreado para outros grupos até chegar à
mídia. Os meios de comunicação de massa, como a televisão e o rádio, propagam os novos vocábulos, às ve-
zes, também inventam alguns. A gíria pode acabar incorporada pela língua oficial, permanecer no vocabulário
de pequenos grupos ou cair em desuso.
Ex.: “chutar o pau da barraca”, “viajar na maionese”, “galera”, “mina”, “tipo assim”.
Linguagem vulgar
Existe uma linguagem vulgar relacionada aos que têm pouco ou nenhum contato com centros civilizados. Na
linguagem vulgar há estruturas com “nóis vai, lá”, “eu di um beijo”, “Ponhei sal na comida”.
Linguagem regional
Regionalismos são variações geográficas do uso da língua padrão, quanto às construções gramaticais e em-
pregos de certas palavras e expressões. Há, no Brasil, por exemplo, os falares amazônico, nordestino, baiano,
fluminense, mineiro, sulino.
Os níveis de linguagem e de fala são determinados pelos fatores a seguir:
O interlocutor:
Os interlocutores (emissor e receptor) são parceiros na comunicação, por isso, esse é um dos fatores deter-
minantes para a adequação linguística. O objetivo de toda comunicação é a busca pelo sentido, ou seja, precisa
haver entendimento entre os interlocutores, caso contrário, não é possível dizer que houve comunicação. Por
isso, considerar o interlocutor é fundamental. Por exemplo, um professor não pode usar a mesma linguagem
com um aluno na faculdade e na alfabetização, logo, escolher a linguagem pensando em quem será o seu par-
ceiro é um fator de adequação linguística.
Ambiente:
A linguagem também é definida a partir do ambiente, por isso, é importante prestar atenção para não come-
ter inadequações. É impossível usar o mesmo tipo de linguagem entre amigos e em um ambiente corporativo
(de trabalho); em um velório e em um campo de futebol; ou, ainda, na igreja e em uma festa.
Assunto:
Semelhante à escolha da linguagem, está a escolha do assunto. É preciso adequar a linguagem ao que será
dito, logo, não se convida para um chá de bebê da mesma maneira que se convida para uma missa de 7º dia.
É preciso ter bom senso no momento da escolha da linguagem, que deve ser usada de acordo com o assunto.
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Relação falante-ouvinte:
A presença ou ausência de intimidade entre os interlocutores é outro fator utilizado para a adequação linguís-
tica. Portanto, ao pedir uma informação a um estranho, é adequado que se utilize uma linguagem mais formal,
enquanto para parabenizar a um amigo, a informalidade é o ideal.
Intencionalidade (efeito pretendido):
Nenhum texto (oral ou escrito) é despretensioso, ou seja, sem pretensão, sem objetivo, todos são carre-
gados de intenções. E para cada intenção existe uma forma de linguagem que será compatível, por isso, as
declarações de amor são feitas diferentes de uma solicitação de emprego. Há maneiras distintas para criticar,
elogiar ou ironizar. É importante fazer essas considerações.
Funções da linguagem.
Funções da linguagem são recursos da comunicação que, de acordo com o objetivo do emissor, dão ênfase
à mensagem transmitida, em função do contexto em que o ato comunicativo ocorre.
São seis as funções da linguagem, que se encontram diretamente relacionadas com os elementos da co-
municação.
Função Referencial
A função referencial tem como objetivo principal informar, referenciar algo. Esse tipo de texto, que é voltado
para o contexto da comunicação, é escrito na terceira pessoa do singular ou do plural, o que enfatiza sua im-
pessoalidade.
Para exemplificar a linguagem referencial, podemos citar os materiais didáticos, textos jornalísticos e cientí-
ficos. Todos eles, por meio de uma linguagem denotativa, informam a respeito de algo, sem envolver aspectos
subjetivos ou emotivos à linguagem.
Exemplo de uma notícia:
O resultado do terceiro levantamento feito pela Aliança Global para Atividade Física de Crianças — entidade
internacional dedicada ao estímulo da adoção de hábitos saudáveis pelos jovens — foi decepcionante. Realiza-
do em 49 países de seis continentes com o objetivo de aferir o quanto crianças e adolescentes estão fazendo
exercícios físicos, o estudo mostrou que elas estão muito sedentárias. Em 75% das nações participantes, o
nível de atividade física praticado por essa faixa etária está muito abaixo do recomendado para garantir um
crescimento saudável e um envelhecimento de qualidade — com bom condicionamento físico, músculos e es-
queletos fortes e funções cognitivas preservadas. De “A” a “F”, a maioria dos países tirou nota “D”.
Função Emotiva
Caracterizada pela subjetividade com o objetivo de emocionar. É centrada no emissor, ou seja, quem envia
a mensagem. A mensagem não precisa ser clara ou de fácil entendimento.
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Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom de voz que empregamos, etc., transmitimos uma ima-
gem nossa, não raro inconscientemente.
Emprega-se a expressão função emotiva para designar a utilização da linguagem para a manifestação do
enunciador, isto é, daquele que fala.
Exemplo: Nós te amamos!
Função Conativa
A função conativa ou apelativa é caracterizada por uma linguagem persuasiva com a finalidade de convencer
o leitor. Por isso, o grande foco é no receptor da mensagem.
Trata-se de uma função muito utilizada nas propagandas, publicidades e discursos políticos, a fim de influen-
ciar o receptor por meio da mensagem transmitida.
Esse tipo de texto costuma se apresentar na segunda ou na terceira pessoa com a presença de verbos no
imperativo e o uso do vocativo.
Não se interfere no comportamento das pessoas apenas com a ordem, o pedido, a súplica. Há textos que
nos influenciam de maneira bastante sutil, com tentações e seduções, como os anúncios publicitários que nos
dizem como seremos bem-sucedidos, atraentes e charmosos se usarmos determinadas marcas, se consumir-
mos certos produtos.
Com essa função, a linguagem modela tanto bons cidadãos, que colocam o respeito ao outro acima de tudo,
quanto espertalhões, que só pensam em levar vantagem, e indivíduos atemorizados, que se deixam conduzir
sem questionar.
Exemplos: Só amanhã, não perca!
Vote em mim!
Função Poética
Esta função é característica das obras literárias que possui como marca a utilização do sentido conotativo
das palavras.
Nela, o emissor preocupa-se de que maneira a mensagem será transmitida por meio da escolha das pala-
vras, das expressões, das figuras de linguagem. Por isso, aqui o principal elemento comunicativo é a mensa-
gem.
A função poética não pertence somente aos textos literários. Podemos encontrar a função poética também
na publicidade ou nas expressões cotidianas em que há o uso frequente de metáforas (provérbios, anedotas,
trocadilhos, músicas).
Exemplo:
“Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...”
(Cecília Meireles)
Função Fática
A função fática tem como principal objetivo estabelecer um canal de comunicação entre o emissor e o re-
ceptor, quer para iniciar a transmissão da mensagem, quer para assegurar a sua continuação. A ênfase dada
ao canal comunicativo.
Esse tipo de função é muito utilizado nos diálogos, por exemplo, nas expressões de cumprimento, sauda-
ções, discursos ao telefone, etc.
Exemplo:
-- Calor, não é!?
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-- Sim! Li na previsão que iria chover.
-- Pois é...
Função Metalinguística
É caracterizada pelo uso da metalinguagem, ou seja, a linguagem que se refere a ela mesma. Dessa forma,
o emissor explica um código utilizando o próprio código.
Nessa categoria, os textos metalinguísticos que merecem destaque são as gramáticas e os dicionários.
Um texto que descreva sobre a linguagem textual ou um documentário cinematográfico que fala sobre a
linguagem do cinema são alguns exemplos.
Exemplo:
Amizade s.f.: 1. sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades. “sentia-se feliz
com a amizade do seu mestre”
2. POR METONÍMIA: quem é amigo, companheiro, camarada. “é uma de suas amizades fiéis”
Dentro do processo de comunicação existem alguns fatores que são imprescindíveis de serem citados como
elementos da comunicação, que são:
Emissor: é a pessoa, ou qualquer ser capaz de produzir e transmitir uma mensagem.
Receptor: é a pessoa, ou qualquer ser capaz de receber e interpretar essa mensagem transmitida.
Codificar: é transformar, num código conhecido, a intenção da comunicação ou elaborar um sistema de
signos, ou seja, é interpretar a mensagem transmitida para a sua correta compreensão.
Descodificar: Decifrar a mensagem, operação que depende do repertório (conjunto estruturado de informa-
ção) de cada pessoa.
Mensagem: trata-se do conteúdo que será transmitido, as informações que serão transmitidas ao receptor,
ou seja, é qualquer coisa que o emissor envie com a finalidade de passar informações.
Código: é o modo como a mensagem é transmitida (escrita, fala, gestos, etc.)
Canal: é a fonte de transmissão da mensagem, ou o meio de comunicação utilizado (revista, livro, jornal,
rádio, TV, ar, etc.)
Contexto: é a situação que estão envolvidos o emissor e receptor.
Ruído: são os elementos que interferem na compreensão da mensagem que está sendo transmitida, podem
ser ocasionados pelo ambiente interno ou externo. Podem ser tanto os barulhos de uma maneira geral, uma
palavra escrita incorretamente, uma dor de cabeça por parte do emissor como do receptor, uma distração, um
problema pessoal, gírias, neologismos, estrangeirismos, etc., podem interferir no perfeito entendimento da co-
municação.
Linguagem verbal: as dificuldades de comunicação ocorrem quando as palavras têm graus distintos de
abstração e variedade de sentido. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas nas pessoas (no
repertório de cada um e que lhe permite decifrar e interpretar as palavras).
Linguagem não-verbal: as pessoas não se comunicam apenas por palavras, os movimentos faciais e
corporais, os gestos, os olhares, e a entonação são também importantes (são os elementos não verbais da
comunicação).
Retroalimentação ou Feedback: é o processo onde ocorre a confirmação do entendimento ou compreen-
são do que foi transmitido na comunicação.
Macromodelo do Processo de Comunicação
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Fonte: Kotler e Keller, 2012.
Em resumo, a comunicação é um processo pelo qual a informação é codificada e transmitida por um emis-
sor a um receptor por meio de um canal, ela é, portanto, um processo pelo qual nós atribuímos e transmitimos
significado a uma tentativa de criar entendimento compartilhado.
As palavras podem ser subdivididas em estruturas significativas menores - os morfemas, também chamados
de elementos mórficos:
– radical e raiz;
– vogal temática;
– tema;
– desinências;
– afixos;
– vogais e consoantes de ligação.
Radical: Elemento que contém a base de significação do vocábulo.
Exemplos
VENDer, PARTir, ALUNo, MAR.
Desinências: Elementos que indicam as flexões dos vocábulos.
Dividem-se em:
Nominais
Indicam flexões de gênero e número nos substantivos.
Exemplos
pequenO, pequenA, alunO, aluna.
pequenoS, pequenaS, alunoS, alunas.
Verbais
Indicam flexões de modo, tempo, pessoa e número nos verbos
Exemplos
vendêSSEmos, entregáRAmos. (modo e tempo)
vendesteS, entregásseIS. (pessoa e número)
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Indica, nos verbos, a conjugação a que pertencem.
Exemplos
1ª conjugação: – A – cantAr
2ª conjugação: – E – fazEr
3ª conjugação: – I – sumIr
Observação
Nos substantivos ocorre vogal temática quando ela não indica oposição masculino/feminino.
Exemplos
livrO, dentE, paletó.
Tema: União do radical e a vogal temática.
Exemplos
CANTAr, CORREr, CONSUMIr.
Vogal e consoante de ligação: São os elementos que se interpõem aos vocábulos por necessidade de
eufonia.
Exemplos
chaLeira, cafeZal.
Afixos
Os afixos são elementos que se acrescentam antes ou depois do radical de uma palavra para a formação de
outra palavra. Dividem-se em:
Prefixo: Partícula que se coloca antes do radical.
Exemplos
DISpor, EMpobrecer, DESorganizar.
Visão geral: a formação de palavras que integram o léxico da língua baseia-se em dois principais processos
morfológicos (combinação de morfemas): a derivação e a composição.
Derivação: é a formação de uma nova palavra (palavra derivada) com base em uma outra que já existe na
língua (palavra primitiva ou radical).
1 – Prefixal por prefixação: um prefixo ou mais são adicionados à palavra primitiva.
PALAVRA PALAVRA
PREFIXO
PRIMITIVA DERIVADA
inf fiel infiel
sobre carga sobrecarga
PALAVRA PALAVRA
SUFIXO
PRIMITIVA DERIVADA
gol leiro goleiro
feliz mente felizmente
3 – Prefixal e sufixal: nesse tipo, a presença do prefixo ou do sufixo à palavra primitiva já é o suficiente para
formação de uma nova palavra.
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PALAVRA PALAVRA
PREFIXO SUFIXO
PRIMITIVA DERIVADA
inf feliz – Infeliz
– feliz mente Felizmente
des igual – desigual
– igual dade igualdade
4 – Parassintética: também consiste na adição de prefixo e sufixo à palavra primitiva, porém, diferentemente
do tipo anterior, para existência da nova palavra, ambos os acréscimos são obrigatórios. Esse processo parte
de substantivos e adjetivos para originar um verbo.
PALAVRA PALAVRA
PREFIXO SUFIXO
PRIMITIVA DERIVADA
em pobre cer empobrecer
em trist ecer estristecer
5 – Regressiva: é a remoção da parte final de uma palavra primitiva para, dessa forma, obter uma palavra
derivada. Esse origina substantivos a partir de formas verbais que expressam uma ação. Essas novas palavras
recebem o nome de deverbais. Tal composição ocorre a partir da substituição da terminação verbal formada
pela vogal temática + desinência de infinitivo (“–ar” ou “–er”) por uma das vogais temáticas nominais (-a, -e,-o).”
VOGAL
VERBO RADICAL DESINÊNCIA SUBSTANTIVO
TEMÁTICA
debater debat er e debate
sustentar sustent ar o sustento
vender vend er a venda
6 – Imprópria (ou conversão): é o processo que resulta na mudança da classe gramatical de uma palavra
primitiva, mas não modifica sua forma. Exemplo: a palavra jantar pode ser um verbo na frase “Convidaram-me
para jantar”, mas também pode ser um substantivo na frase “O jantar estava maravilhoso”.
Composição: é o processo de formação de palavra a partir da junção de dois ou mais radicais. A composição
pode se realizar por justaposição ou por aglutinação.
– Justaposição: na junção, não há modificação dos radicais. Exemplo: passa + tempo - passatempo; gira
+ sol = girassol.
– Aglutinação: existe alteração dos radicais na sua junção. Exemplo: em + boa + hora = embora; desta +
arte = destarte.
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Formas de abreviação.
Abreviatura
Existem algumas regras para abreviar as palavras, porém a maioria das abreviaturas que ganham o gosto do
público são aquelas que, mesmo sem seguir as regras preditas pela gramática, são usuais, práticas. Vejamos
algumas regras para se fazer uma abreviatura da maneira correta (prevista na gramática).
Quando usar:
Quando há necessidade de redução de espaço em títulos, legendas, tabelas, gráficos, infográficos, credita-
gem de TV e crawl.
Mesmo assim, é necessário ter cuidado para que o uso de abreviaturas não prejudique a compreensão.
Regra Geral: primeira sílaba da palavra + a primeira letra da sílaba seguinte + ponto abreviativo. Exemplos:
adj. (adjetivo), num. (numeral).
Outras Regras:
As abreviaturas devem ser acentuadas quando o acento gráfico ocorrer antes do ponto abreviativo.
Exemplos:
– técnicas → téc.
– páginas → pág.
– século → séc.
Nunca se deve cortar a palavra numa vogal, sempre na consoante. Caso a primeira letra da segunda sílaba
seja vogal, escreve-se até a consoante.
Se a palavra tiver acento na primeira sílaba, ele é conservado.
núm. (número)
lóg. (lógica)
Caso a segunda sílaba se inicie por duas consoantes, utiliza-se as duas na abreviatura.
Constr. (construção)
Secr. (secretário)
O ponto abreviativo também serve como ponto final, sendo assim, se a abreviatura estiver no final da frase,
não há necessidade de se utilizar outro ponto. Ex: Comprei frutas, verduras, legumes, etc.
Alguns gramáticos não admitem que as flexões sejam marcadas na abreviatura.
Profª (professora)
Págs. (páginas)
Algumas palavras, mesmo não seguindo as regras descritas acima, são aceitas pela gramática normativa,
é o caso de:
a.C. ou A.C. (antes de Cristo)
ap. ou apto. (apartamento)
bel. (bacharel)
cel. (coronel)
Cia. (Companhia)
cx. (caixa)
D. (Dom, Dona)
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Ilmo. (Ilustríssimo)
Ltda. (Limitada)
p. ou pág. (página) e pp. Págs. (páginas)
pg. (pago)
vv. (versos, versículos)
Mesmo sabendo que estas siglas são permitidas e reconhecidas pela gramática, ao escrevermos textos ofi-
ciais, artigos, trabalhos, redações, não devemos utilizá-las abusivamente, pois acabará atrapalhando a clareza
da comunicação. Em textos informais, no entanto, não há nenhuma restrição, a abreviatura pode ser utilizada
quando quisermos.
Símbolos
O desenvolvimento científico e tecnológico exigiu medições cada vez mais precisas e diversificadas. Por
essa razão, o Sistema Métrico Decimal acabou sendo substituído pelo Sistema Internacional de Unidades - SI,
adotado também no Brasil a partir de 1962.
As unidades SI podem ser escritas por seus nomes ou representadas por meio de SÍMBOLOS, um sinal
convencional e invariável utilizado para facilitar e universalizar a escrita e a leitura das unidades SI.
Lembre-se de que os símbolos que representam as unidades SI não são abreviaturas; por isso mesmo não
são seguidos de ponto, não têm plural nem podem ser grafados como expoentes.
Abreviaturas e símbolos mais usados
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jan., Com todas as letras em
fev. caixa alta, use sem ponto:
mar., JAN, FEV, OUT
abr.
mai.,
jun.
jul.,
ago.
set.,
out.
nov.,
dez.
pág. página Mantém-se o acento
Plural: págs.
S.A. sociedade Plural: S.As.
anônima
TV Tevê também pode ser usado.
Para emissoras, use apenas TV.
Não use tv ou Tv
Sigla
As siglas são a junção das letras iniciais de um termo composto por mais de uma palavra:
P.S. (pós escrito = escrito depois)
S.A. (Sociedade Anônima)
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
Se a sigla tiver até três letras, ou se todas as letras forem pronunciadas individualmente, todas ficam mai-
úsculas.
MEC, USP, PM, INSS.
Porém, se a sigla tiver a partir de quatro letras, e nem todas forem pronunciadas separadamente, apenas a
primeira letra será maiúscula, e as demais minúsculas:
Embrapa, Detran, Unesco.
— Definição
Classes gramaticais são grupos de palavras que organizam o estudo da gramática. Isto é, cada palavra
existente na língua portuguesa condiz com uma classe gramatical, na qual ela é inserida em razão de sua
função. Confira abaixo as diversas funcionalidades de cada classe gramatical.
— Artigo
É a classe gramatical que, em geral, precede um substantivo, podendo flexionar em número e em gênero.
A classificação dos artigos
Artigos definidos: servem para especificar um substantivo ou para referirem-se a um ser específico por já
ter sido mencionado ou por ser conhecido mutuamente pelos interlocutores. Eles podem flexionar em número
(singular e plural) e gênero (masculino e feminino).
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Artigos indefinidos: indicam uma generalização ou a ocorrência inicial do representante de uma dada
espécie, cujo conhecimento não é compartilhado entre os interlocutores, por se tratar da primeira vez em que
aparece no discurso. Podem variar em número e gênero.
Observe:
NÚMERO/
EXEMPLOS
GÊNERO
Preciso de um pedreiro.
Singular Um Uma Vi uma moça em frente à
casa.
Localizei uns documentos
antigos.
Plural Umas Umas
Joguei fora umas coisas
velhas.
PREPOSIÇÃO
de em a per/por
ARTIGOS- masculi- singular o do no ao pelo
DEFINIDOS no plural os dos nos aos pelos
feminino singular a da na à pela
plural as das nas às pelas
ARTIGOS masculi- singular um dum num
INDEFINI- no plural uns duns nuns
DOS
feminino singular uma duma numa
plural umas dumas numas
— Substantivo
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Essa classe atribui nome aos seres em geral (pessoas, animais, qualidades, sentimentos, seres mitológicos
e espirituais). Os substantivos se subdividem em:
Próprios ou Comuns: são próprios os substantivos que nomeiam algo específico, como nomes de pessoas
(Pedro, Paula) ou lugares (São Paulo, Brasil). São comuns os que nomeiam algo na sua generalidade (garoto,
caneta, cachorro).
Primitivos ou derivados: se não for formado por outra palavra, é substantivo primitivo (carro, planeta); se
formado por outra palavra, é substantivo derivado (carruagem, planetário).
Concretos ou abstratos: os substantivos que nomeiam seres reais ou imaginativos, são concretos (cavalo,
unicórnio); os que nomeiam sentimentos, qualidades, ações ou estados são abstratos.
Substantivos coletivos: são os que nomeiam os seres pertencentes ao mesmo grupo. Exemplos: manada
(rebanho de gado), constelação (aglomerado de estrelas), matilha (grupo de cães).
— Adjetivo
É a classe de palavras que se associa ao substantivo para alterar o seu significado, atribuindo-lhe caracterização
conforme uma qualidade, um estado e uma natureza, bem como uma quantidade ou extensão à palavra, locução,
oração, pronome, enfim, ao que quer que seja nomeado.
Os tipos de adjetivos
Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular);
apresenta mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão).
Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos
originados de verbo, substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo morte →
adjetivo mortal; adjetivo lamentar → adjetivo lamentável).
Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro,
mineiro, latino).
O gênero dos adjetivos
Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam seu termo. Exemplo: “Fred
é um amigo leal.” / “Ana é uma amiga leal.”
Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Menino
travesso.” / “Menina travessa”.
O número dos adjetivos
Por concordarem com o número do substantivo a que se referem, os adjetivos podem estar no singular ou
no plural. Assim, a sua composição acompanha os substantivos. Exemplos: pessoa instruída → pessoas instruídas;
campo formoso → campos formosos.
O grau dos adjetivos
Quanto ao grau, os adjetivos se classificam em comparativo (compara qualidades) e superlativo (intensifica
qualidades).
Comparativo de igualdade: “O novo emprego é tão bom quanto o anterior.”
Comparativo de superioridade: “Maria é mais prestativa do que Luciana.”
Comparativo de inferioridade: “O gerente está menos atento do que a equipe.”
Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, podendo ser:
– Analítico - “A modelo é extremamente bonita.”
– Sintético - “Pedro é uma pessoa boníssima.”
Superlativo relativo: refere-se a um grupo, podendo ser de:
– Superioridade - “Ela é a professora mais querida da escola.”
– Inferioridade - “Ele era o menos disposto do grupo.”
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Pronome adjetivo
Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos
quais se referem. Assim, esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os
substantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o
substantivo comum professora).
Locução adjetiva
Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único
adjetivo. Basicamente, consiste na união preposição + substantivo ou advérbio.
Exemplos:
– Criaturas da noite (criaturas noturnas).
– Paixão sem freio (paixão desenfreada).
– Associação de comércios (associação comercial).
— Verbo
É a classe de palavras que indica ação, ocorrência, desejo, fenômeno da natureza e estado. Os verbos se
subdividem em:
Verbos regulares: são os verbos que, ao serem conjugados, não têm seu radical modificado e preservam
a mesma desinência do verbo paradigma, isto é, terminado em “-ar” (primeira conjugação), “-er” (segunda
conjugação) ou “-ir” (terceira conjugação). Observe o exemplo do verbo “nutrir”:
– Radical: nutr (a parte principal da palavra, onde reside seu significado).
– Desinência: “-ir”, no caso, pois é a terminação da palavra e, tratando-se dos verbos, indica pessoa (1a,
2 , 3a), número (singular ou plural), modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo) e tempo (pretérito, presente ou
a
futuro). Perceba que a conjugação desse no presente do indicativo: o radical não sofre quaisquer alterações,
tampouco a desinência. Portanto, o verbo nutrir é regular: Eu nutro; tu nutre; ele/ela nutre; nós nutrimos; vós
nutris; eles/elas nutrem.
– Verbos irregulares: os verbos irregulares, ao contrário dos regulares, têm seu radical modificado quando
conjugados e /ou têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma. Exemplo: analise o verbo
dizer conjugado no pretérito perfeito do indicativo: Eu disse; tu dissestes; ele/ela disse; nós dissemos; vós
dissestes; eles/elas disseram. Nesse caso, o verbo da segunda conjugação (-er) tem seu radical, diz, alterado,
além de apresentar duas desinências distintas do verbo paradigma”. Se o verbo dizer fosse regular, sua
conjugação no pretérito perfeito do indicativo seria: dizi, dizeste, dizeu, dizemos, dizestes, dizeram.
— Pronome
O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala),
a posse de um objeto e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os
pronomes podem suplantar o substantivo ou acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome
substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos,
interrogativos, indefinidos e relativos.
Pronomes pessoais
Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em pronomes
do caso reto (desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemento),
sendo que, para cada caso reto, existe um correspondente oblíquo.
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Vós Vos, convosco.
Se, os, as, lhes, si,
Eles consigo.
Observe os exemplos:
– Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria.
– Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que?
O forno.
Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas
a função de objeto direto.
Pronomes possessivos
Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso.
PESSOA DO
PRONOME
DISCURSO
1a pessoa – Eu Meu, minha, meus, minhas
2a pessoa – Tu Teu, tua, teus, tuas
3a pessoa– Seu, sua, seus, suas
Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós).
Pronomes de tratamento
Tratam-se termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o
pronome você. Eles têm a função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de
comunicação). São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome
de tratamento específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do
pronome na segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser
usados em 3a pessoa.
Pronomes demonstrativos
Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo ao espaço e à pessoa do discurso –
nesse último caso, o pronome determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em
gênero e número.
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PESSOA DO
PRONOMES POSIÇÃO
DISCURSO
Os seres ou objetos estão próximos da pessoa
1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. que fala.
Os seres ou objetos estão próximos da pessoa
2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso. com quem se fala.
Aquele, aquela, aqueles,
3a pessoa Com quem se fala.
aquelas, aquilo.
Observe os exemplos:
“Esta caneta é sua?”
“Esse restaurante é bom e barato.”
Pronomes Indefinidos
Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do
discurso. Os pronomes indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis
(não flexionam). Analise os exemplos abaixo:
– Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefinida
ou não especificada).
– Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de
modo vago, pois não se sabe de qual convidado se trata.
– Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase
“criança”, sem especificá-lo.
– Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem
especificar de quais lojas se trata.
Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos:
Pronomes relativos
Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, sendo
importante, portanto, para prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o
qual, cujo, quanto) ou invariáveis (que, quem, onde).
Observe os exemplos:
– Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos
(“pessoas” e “história”) e se relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”).
– Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o
substantivo dito anteriormente (“problemas”).
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Pronomes interrogativos
Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e
indiretas. Exemplos:
“Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta)
“Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta)
— Advérbio
É a classe de palavras invariável que atua junto aos verbos, aos adjetivos e mesmo aos advérbios, com o
objetivo de modificar ou intensificar seu sentido, ao adicionar-lhes uma nova circunstância. De modo geral, os
advérbios exprimem circunstâncias de tempo, modo, lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, aprovação,
afirmação, negação, dúvida, entre outras noções. Confira na tabela:
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— Conjunção
As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado
ou oração e, com isso, estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados.
Em função dessa relação entre os termos conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectivamente
e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras palavras, as conjunções são um vínculo
entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado uma maior mais clareza e precisão ao enunciado.
Conjunções coordenativas: observe o exemplo:
“Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e
chamaram o socorro.”
No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações
em um mesmo período: além de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há
relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, para fazerem sentido, elas não têm necessidade uma
da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as relaciona, como coordenativa.
Conjunções subordinativas: analise este segundo caso:
“Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.”
Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além disso,
notamos que o sentido da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada na primeira.
Assim, a primeira oração recebe o nome de oração principal, enquanto a segunda, de oração subordinada.
Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa.
Classificação das conjunções
Além da classificação que se baseia no grau de dependência entre os termos conectados (coordenação e
subordinação), as conjunções possuem subdivisões.
Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco
subclassificações, em função o sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco:
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Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a
conjunção subordinativa pode ser de dois subtipos:
1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto
indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se.
Exemplos:
«É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.”
“Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.”
2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância
adverbial relacionada à oração principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo:
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— Numeral
É a classe de palavra variável que exprime um número determinado ou a colocação de alguma coisa dentro
de uma sequência. Os numerais podem ser: cardinais (um, dois, três), ordinais (primeiro, segundo, terceiro),
fracionários (meio, terço, quarto) e multiplicativos (dobro, triplo, quádruplo). Antes de nos aprofundarmos em
cada caso, vejamos o emprego dos numerais, que tem três principais finalidades:
1 – Indicar leis e decretos: nesses casos, emprega-se o numeral ordinal somente até o número nono; após,
devem ser utilizados os numerais cardinais. Exemplos: Parágrafo 9° (parágrafo nono); Parágrafo 10 (Parágrafo
10).
2 – Indicar os dias do mês: nessas situações, empregam-se os numerais cardinais, sendo que a única
exceção é a indicação do primeiro dia do mês, para a qual deve-se utilizar o numeral ordinal. Exemplos:
dezesseis de outubro; primeiro de agosto.
3 – Indicar capítulos, séculos, capítulos, reis e papas: após o substantivo emprega-se o numeral ordinal
até o décimo; após o décimo utiliza-se o numeral cardinal. Exemplos: capítulo X (décimo); século IV (quarto);
Henrique VIII (oitavo), Bento XVI (dezesseis).
Os tipos de numerais
Cardinais: são os números em sua forma fundamental e exprimem quantidades.
Exemplos: um dois, dezesseis, trinta, duzentos, mil.
– Alguns deles flexionam em gênero (um/uma, dois/duas, quinhentos/quinhentas).
– Alguns números cardinais variam em número, como é o caso: milhão/milhões, bilhão/bilhões, trilhão/
trilhões, e assim por diante.
– Apalavra ambos(as) é considerada um numeral cardinal, pois significa os dois/as duas. Exemplo: Antônio
e Pedro fizeram o teste, mas os dois/ambos foram reprovados.
Ordinais: indicam ordem de uma sequência (primeiro, segundo, décimo, centésimo, milésimo…), isto é,
apresentam a ordem de sucessão e uma série, seja ela de seres, de coisas ou de objetos.
– Os numerais ordinais variam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos:
primeiro/primeira, primeiros/primeiras, décimo/décimos, décima/décimas, trigésimo/trigésimos, trigésima/
trigésimas.
– Alguns numerais ordinais possuem o valor de adjetivo. Exemplo: A carne de segunda está na promoção.
Fracionários: servem para indicar a proporções numéricas reduzidas, ou seja, para representar uma parte
de um todo. Exemplos: meio ou metade (½), um quarto (um quarto (¼), três quartos (¾), 1/12 avos.
– Os números fracionários flexionam-se em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural).
Exemplos: meio copo de leite, meia colher de açúcar; dois quartos do salário-mínimo.
Multiplicativos: esses numerais estabelecem relação entre um grupo, seja de coisas ou objetos ou coisas,
ao atribuir-lhes uma característica que determina o aumento por meio dos múltiplos. Exemplos: dobro, triplo,
undécuplo, doze vezes, cêntuplo.
– Em geral, os multiplicativos são invariáveis, exceto quando atuam como adjetivo, pois, nesse caso, passam
a flexionar número e gênero (masculino e feminino). Exemplos: dose dupla de elogios, duplos sentidos.
Coletivos: correspondem aos substantivos que exprimem quantidades precisas, como dezena (10 unidades)
ou dúzia (12 unidades).
– Os numerais coletivos sofrem a flexão de número: unidade/unidades, dúzia/dúzias, dezena/dezenas,
centena/centenas.
— Preposição
Essa classe de palavras cujo objetivo é marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos,
adjetivos, verbos e advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades
linguísticas dentro do enunciado, as preposições não possuem significado próprio se isoladas no discurso. Em
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razão disso, as preposições são consideradas classe gramatical dependente, ou seja, sua função gramatical
(organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e sentido,
esteja presente, possui um valor menor.
Classificação das preposições
Preposições essenciais: são aquelas que só aparecem na língua propriamente como preposições, sem
outra função. São elas: a, antes, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por (ou per, em
dadas variantes geográficas ou históricas), sem, sob, sobre, trás.
Exemplo 1 – ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em ambas as sentenças, a preposição de manteve-
se sempre sendo preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades linguísticas diferentes,
garantindo-lhes classificações distintas conforme o contexto.
Exemplo 2 – “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei o quadro com textura.” Perceba que nas
duas fases, a mesma preposição tem significados distintos: na primeira, indica recurso/instrumento; na segunda,
exprime companhia. Por isso, afirma-se que a preposição tem valor semântico, mesmo que secundário ao valor
estrutural (gramática).
Classificação das preposições
Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não apresentam função de preposição, porém, a
depender do contexto, podem assumir essa atribuição. São elas: afora, como, conforme, durante, exceto, feito,
fora, mediante, salvo, segundo, visto, entre outras.
Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do suspeito apresentaram contradições.” A palavra
“segundo”, que, normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao ser inserida nesse contexto,
passou a ser uma preposição acidental, por tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”.
Locuções prepositivas
Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e emprego de uma preposição. As principais locuções
prepositivas são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da preposição de, a ou com. Confira
algumas das principais locuções prepositivas.
— Interjeição
É a palavra invariável ou sintagma que compõem frases que manifestam por parte do emissor do enunciado
uma surpresa, uma hesitação, um susto, uma emoção, um apelo, uma ordem, etc., por parte do emissor do
enunciado. São as chamadas unidades autônomas, que usufruem de independência em relação aos demais
elementos do enunciado. As interjeições podem ser empregadas também para chamar exigir algo ou para
chamar a atenção do interlocutor e são unidades cuja forma pode sofrer variações como:
– Locuções interjetivas: são formadas por grupos e palavras que, associadas, assumem o valor de interjeição.
Exemplos: “Ai de mim!”, “Minha nossa!” Cruz credo!”.
– Palavras da língua: “Eita!” “Nossa!”
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– Sons vocálicos: “Hum?!”, “Ué!”, “Ih…!»
Os tipos de interjeição
De acordo com as reações que expressam, as interjeições podem ser de:
os modalizadores.
O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informação a alguém. Quem comunica pretende criar
uma imagem positiva de si mesmo (por exemplo, a de um sujeito educado, ou inteligente, ou culto), quer ser
aceito, deseja que o que diz seja admitido como verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de convencer, ou seja,
tem o desejo de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele propõe.
Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo texto contém um componente argumentativo.
A argumentação é o conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir a pessoa a quem a
comunicação se destina. Está presente em todo tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos
de vista defendidos.
As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas uma prova de verdade ou uma razão indiscutível
para comprovar a veracidade de um fato. O argumento é mais que isso: como se disse acima, é um recurso
de linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro
o que está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio da retórica, arte de persuadir as pessoas
mediante o uso de recursos de linguagem.
Para compreender claramente o que é um argumento, é bom voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do
século IV a.C., numa obra intitulada “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de escolher entre duas
ou mais coisas”.
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma desvantajosa, como a saúde e a doença, não
precisamos argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher entre duas coisas igualmente
vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável.
O argumento pode então ser definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais desejável que outra.
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Isso significa que ele atua no domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer que, entre duas
teses, uma é mais provável que a outra, mais possível que a outra, mais desejável que a outra, é preferível à
outra.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir como
verdadeiro o que o enunciador está propondo.
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. O primeiro opera no domínio do necessário, ou
seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das premissas propostas, que se deduz
obrigatoriamente dos postulados admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões não dependem de crenças, de
uma maneira de ver o mundo, mas apenas do encadeamento de premissas e conclusões.
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento:
A é igual a B.
A é igual a C.
Então: C é igual a B.
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, que C é igual a A.
Outro exemplo:
Todo ruminante é um mamífero.
A vaca é um ruminante.
Logo, a vaca é um mamífero.
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão também será verdadeira.
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele, a conclusão não é necessária, não é obrigatória.
Por isso, deve-se mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais plausível. Se o Banco do Brasil
fizer uma propaganda dizendo-se mais confiável do que os concorrentes porque existe desde a chegada da
família real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendo-nos que um banco com quase dois séculos de existência é
sólido e, por isso, confiável. Embora não haja relação necessária entre a solidez de uma instituição bancária e
sua antiguidade, esta tem peso argumentativo na afirmação da confiabilidade de um banco. Portanto é provável
que se creia que um banco mais antigo seja mais confiável do que outro fundado há dois ou três anos.
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase impossível, tantas são as formas de que nos
valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante entender bem como eles
funcionam.
Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso acrescentar mais uma: o convencimento do
interlocutor, o auditório, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais fácil quanto mais os argumentos
estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas, seus valores. Não se pode convencer um auditório
pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele abomina. Será mais fácil convencê-lo valorizando
coisas que ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem com frequência associada ao
futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos Estados Unidos, essa associação certamente não surtiria efeito, porque
lá o futebol não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo de um argumento está
vinculado ao que é valorizado ou desvalorizado numa dada cultura.
Tipos de Argumento
Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese do
enunciador é um argumento. Exemplo:
Argumento de Autoridade
É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em certo
domínio do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse recurso produz dois efeitos
distintos: revela o conhecimento do produtor do texto a respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a
garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do texto um amontoado de citações. A citação precisa
ser pertinente e verdadeira. Exemplo:
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
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Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para ele, uma coisa vem antes da outra: sem
imaginação, não há conhecimento. Nunca o inverso.
Alex José Periscinoto.
In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2
A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Para levar o
auditório a aderir a ela, o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo. Se um físico de renome
mundial disse isso, então as pessoas devem acreditar que é verdade.
Argumento de Quantidade
É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número de pessoas, o que existe em maior número,
o que tem maior duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento desse tipo de argumento é
que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do argumento de quantidade.
Argumento do Consenso
É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se em afirmações que, numa determinada
época, são aceitas como verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que o objetivo do texto
seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de que o consenso, mesmo que equivocado, corresponde ao
indiscutível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que não desfruta dele. Em nossa época, são
consensuais, por exemplo, as afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que as condições
de vida são piores nos países subdesenvolvidos. Ao confiar no consenso, porém, corre-se o risco de passar dos
argumentos válidos para os lugares comuns, os preconceitos e as frases carentes de qualquer base científica.
Argumento de Existência
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar aquilo que comprovadamente existe do que
aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o argumento de existência
no provérbio “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.
Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais (fotos, estatísticas, depoimentos, gravações,
etc.) ou provas concretas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica. Durante a invasão do Iraque,
por exemplo, os jornais diziam que o exército americano era muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa
afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia ser vista como propagandística. No entanto,
quando documentada pela comparação do número de canhões, de carros de combate, de navios, etc., ganhava
credibilidade.
Argumento quase lógico
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e efeito, analogia, implicação, identidade,
etc. Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógicos, eles não
pretendem estabelecer relações necessárias entre os elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis,
plausíveis. Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “então A é igual a C”, estabelece-se uma
relação de identidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” não se institui
uma identidade lógica, mas uma identidade provável.
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente aceito do que um texto incoerente. Vários são
os defeitos que concorrem para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir do tema proposto, cair em
contradição, tirar conclusões que não se fundamentam nos dados apresentados, ilustrar afirmações gerais com
fatos inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações indevidas.
Argumento do Atributo
É aquele que considera melhor o que tem propriedades típicas daquilo que é mais valorizado socialmente,
por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que é mais grosseiro,
etc.
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, celebridades recomendando prédios residenciais,
produtos de beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o consumidor tende a associar o produto
anunciado com atributos da celebridade.
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Uma variante do argumento de atributo é o argumento da competência linguística. A utilização da variante
culta e formal da língua que o produtor do texto conhece a norma linguística socialmente mais valorizada e, por
conseguinte, deve produzir um texto em que se pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo de dizer
dá confiabilidade ao que se diz.
Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de uma personalidade pública. Ele poderia
fazê-lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais adequada para a persuasão
do que a segunda, pois esta produziria certa estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico:
- Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em conta o caráter invasivo de alguns exames, a
equipe médica houve por bem determinar o internamento do governador pelo período de três dias, a partir de
hoje, 4 de fevereiro de 2001.
- Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque alguns deles são barrapesada, a gente botou o
governador no hospital por três dias.
Como dissemos antes, todo texto tem uma função argumentativa, porque ninguém fala para não ser levado
a sério, para ser ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de comunicação deseja-se influenciar alguém.
Por mais neutro que pretenda ser, um texto tem sempre uma orientação argumentativa.
A orientação argumentativa é uma certa direção que o falante traça para seu texto. Por exemplo, um jornalista,
ao falar de um homem público, pode ter a intenção de criticá-lo, de ridicularizá-lo ou, ao contrário, de mostrar
sua grandeza.
O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto dando destaque a uns fatos e não a outros,
omitindo certos episódios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras e não outras, etc. Veja:
“O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras trocavam abraços afetuosos.”
O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras e sogras não se toleram. Não fosse assim, não
teria escolhido esse fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até, que serve para incluir no
argumento alguma coisa inesperada.
Além dos defeitos de argumentação mencionados quando tratamos de alguns tipos de argumentação, vamos
citar outros:
- Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão amplo, que serve de argumento para um ponto de
vista e seu contrário. São noções confusas, como paz, que, paradoxalmente, pode ser usada pelo agressor e
pelo agredido. Essas palavras podem ter valor positivo (paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carregadas
de valor negativo (autoritarismo, degradação do meio ambiente, injustiça, corrupção).
- Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por um único contra exemplo. Quando se diz
“Todos os políticos são ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir o argumento.
- Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do contexto adequado, sem o significado apropriado,
vulgarizando-as e atribuindo-lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por exemplo, da frase “O
imperialismo de certas indústrias não permite que outras crescam”, em que o termo imperialismo é descabido,
uma vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir outros à sua dependência política e
econômica”.
A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situação concreta do texto, que leva em conta os
componentes envolvidos na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação, o assunto, etc).
Convém ainda alertar que não se convence ninguém com manifestações de sinceridade do autor (como eu,
que não costumo mentir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas feitas (como estou certo,
creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente, afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de prometer, em seu
texto, sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve construir um texto que revele isso. Em
outros termos, essas qualidades não se prometem, manifestam-se na ação.
A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer verdadeiro aquilo que se diz num texto e,
com isso, levar a pessoa a que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz.
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Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um ponto de vista, acompanhado de certa
fundamentação, que inclui a argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir. Argumentar é o
processo pelo qual se estabelecem relações para chegar à conclusão, com base em premissas. Persuadir é
um processo de convencimento, por meio da argumentação, no qual procura-se convencer os outros, de modo
a influenciar seu pensamento e seu comportamento.
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão válida, expõem-se com clareza os fundamentos de
uma ideia ou proposição, e o interlocutor pode questionar cada passo do raciocínio empregado na argumentação.
A persuasão não válida apoia-se em argumentos subjetivos, apelos subliminares, chantagens sentimentais,
com o emprego de “apelações”, como a inflexão de voz, a mímica e até o choro.
Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades, expositiva e argumentativa. Esta, exige
argumentação, razões a favor e contra uma ideia, ao passo que a outra é informativa, apresenta dados sem a
intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos dados levantados, a maneira de expô-los no texto já revelam
uma “tomada de posição”, a adoção de um ponto de vista na dissertação, ainda que sem a apresentação explícita
de argumentos. Desse ponto de vista, a dissertação pode ser definida como discussão, debate, questionamento,
o que implica a liberdade de pensamento, a possibilidade de discordar ou concordar parcialmente. A liberdade
de questionar é fundamental, mas não é suficiente para organizar um texto dissertativo. É necessária também
a exposição dos fundamentos, os motivos, os porquês da defesa de um ponto de vista.
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude argumentativa. A argumentação está presente em
qualquer tipo de discurso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia.
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições, é necessária a capacidade de conhecer outros
pontos de vista e seus respectivos argumentos. Uma discussão impõe, muitas vezes, a análise de argumentos
opostos, antagônicos. Como sempre, essa capacidade aprende-se com a prática. Um bom exercício para
aprender a argumentar e contra-argumentar consiste em desenvolver as seguintes habilidades:
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor que
adote a posição totalmente contrária;
- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os argumentos que essa pessoa imaginária
possivelmente apresentaria contra a argumentação proposta;
- refutação: argumentos e razões contra a argumentação oposta.
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, argumentar consiste em estabelecer relações para
tirar conclusões válidas, como se procede no método dialético. O método dialético não envolve apenas questões
ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-se de um método de investigação da realidade pelo estudo de
sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em questão e da mudança dialética que ocorre na
natureza e na sociedade.
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou o método de raciocínio silogístico, baseado na
dedução, que parte do simples para o complexo. Para ele, verdade e evidência são a mesma coisa, e pelo
raciocínio torna-se possível chegar a conclusões verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado em partes,
começando-se pelas proposições mais simples até alcançar, por meio de deduções, a conclusão final. Para a
linha de raciocínio cartesiana, é fundamental determinar o problema, dividi-lo em partes, ordenar os conceitos,
simplificando-os, enumerar todos os seus elementos e determinar o lugar de cada um no conjunto da dedução.
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a argumentação dos trabalhos acadêmicos.
Descartes propôs quatro regras básicas que constituem um conjunto de reflexos vitais, uma série de movimentos
sucessivos e contínuos do espírito em busca da verdade:
- evidência;
- divisão ou análise;
- ordem ou dedução;
- enumeração.
A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a incompreensão. Qualquer erro na
enumeração pode quebrar o encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
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A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado nas
regras cartesianas, que contém três proposições: duas premissas, maior e menor, e a conclusão. As três
proposições são encadeadas de tal forma, que a conclusão é deduzida da maior por intermédio da menor. A
premissa maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não caracteriza a universalidade.
Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silogística), que parte do geral para o particular, e
a indução, que vai do particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é o silogismo. A dedução
é o caminho das consequências, baseia-se em uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva
à conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de verdades universais, pode-se chegar
à previsão ou determinação de fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa para o efeito.
Exemplo:
Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
Fulano é homem (premissa menor = particular)
Logo, Fulano é mortal (conclusão)
A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseiase em uma conexão ascendente, do particular
para o geral. Nesse caso, as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, parte de fatos particulares
conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Exemplo:
O calor dilata o ferro (particular)
O calor dilata o bronze (particular)
O calor dilata o cobre (particular)
O ferro, o bronze, o cobre são metais
Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido e verdadeiro; a conclusão será verdadeira
se as duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos, pode-se partir de
premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Uma definição
inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são algumas causas do sofisma. O
sofisma pressupõe má fé, intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o sofisma não tem essas
intenções propositais, costuma-se chamar esse processo de argumentação de paralogismo. Encontra-se um
exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo:
- Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
- Lógico, concordo.
- Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
- Claro que não!
- Então você possui um brilhante de 40 quilates...
Exemplos de sofismas:
Dedução
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
Fulano tem um diploma (particular)
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa)
Indução
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral – conclusão falsa)
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Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão pode ser falsa. Nem todas as pessoas que têm
diploma são professores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Comete-se erro quando
se faz generalizações apressadas ou infundadas. A “simples inspeção” é a ausência de análise ou análise
superficial dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, baseados nos sentimentos não ditados pela razão.
Tem-se, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamentais, que contribuem para a descoberta ou
comprovação da verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além desses, existem outros métodos
particulares de algumas ciências, que adaptam os processos de dedução e indução à natureza de uma realidade
particular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu método próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc.
A análise, a síntese, a classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos, porque pela organização
e ordenação das ideias visam sistematizar a pesquisa.
Análise e síntese são dois processos opostos, mas interligados; a análise parte do todo para as partes, a
síntese, das partes para o todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma depende da outra.
A análise decompõe o todo em partes, enquanto a síntese recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-
se, porém, que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém reunisse todas as peças de um
relógio, não significa que reconstruiu o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria todo
se as partes estivessem organizadas, devidamente combinadas, seguida uma ordem de relações necessárias,
funcionais, então, o relógio estaria reconstruído.
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por meio da integração das partes, reunidas e
relacionadas num conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, que é a decomposição.
A análise, no entanto, exige uma decomposição organizada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As
operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim relacionadas:
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir.
Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a respeito do tema proposto, de seu
desdobramento e da criação de abordagens possíveis. A síntese também é importante na escolha dos elementos
que farão parte do texto.
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser formal ou informal. A análise formal pode ser científica ou
experimental; é característica das ciências matemáticas, físico-naturais e experimentais. A análise informal é
racional ou total, consiste em “discernir” por vários atos distintos da atenção os elementos constitutivos de um
todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece as necessárias relações de dependência
e hierarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se confundir uma com a
outra, contudo são procedimentos diversos: análise é decomposição e classificação é hierarquisação.
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos por suas diferenças e semelhanças; fora
das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou menos arbitrário,
em que os caracteres comuns e diferenciadores são empregados de modo mais ou menos convencional. A
classificação, no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e espécies, é um exemplo
de classificação natural, pelas características comuns e diferenciadoras. A classificação dos variados itens
integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial.
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão, canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal,
pintassilgo, queijo, relógio, sabiá, torradeira.
Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.
Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética e pelas afinidades comuns entre eles.
Estabelecer critérios de classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é uma habilidade
indispensável para elaborar o desenvolvimento de uma redação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato
mais importante para o menos importante, ou decrescente, primeiro o menos importante e, no final, o impacto
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do mais importante; é indispensável que haja uma lógica na classificação. A elaboração do plano compreende a
classificação das partes e subdivisões, ou seja, os elementos do plano devem obedecer a uma hierarquização.
(Garcia, 1973, p. 302304.)
Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na introdução, os termos e conceitos sejam
definidos, pois, para expressar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e racionalmente as
posições assumidas e os argumentos que as justificam. É muito importante deixar claro o campo da discussão
e a posição adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os pontos de vista sobre ele.
A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem e consiste na enumeração das qualidades
próprias de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a espécie a que pertence,
demonstra: a característica que o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie.
Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição é um dos mais importantes, sobretudo no
âmbito das ciências. A definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às palavras seu sentido usual
ou consensual, enquanto a conotativa ou metafórica emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica
tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos:
- o termo a ser definido;
- o gênero ou espécie;
- a diferença específica.
O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma espécie. Exemplo:
Na frase: O homem é um animal racional classifica-se:
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Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica, que foram abordados anteriormente,
auxiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode reconhecer-se
facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes, as premissas e as conclusões organizam-se de
modo livre, misturando-se na estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a reconhecer os elementos
que constituem um argumento: premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais elementos são
verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se o argumento está expresso corretamente; se há coerência e
adequação entre seus elementos, ou se há contradição. Para isso é que se aprende os processos de raciocínio
por dedução e por indução. Admitindo-se que raciocinar é relacionar, conclui-se que o argumento é um tipo
específico de relação entre as premissas e a conclusão.
Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos argumentativos mais empregados para
comprovar uma afirmação: exemplificação, explicitação, enumeração, comparação.
Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio de exemplos, hierarquizar afirmações. São
expressões comuns nesse tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de maior relevância que.
Empregam-se também dados estatísticos, acompanhados de expressões: considerando os dados; conforme os
dados apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela apresentação de causas e consequências, usando-
se comumente as expressões: porque, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, por causa de, em virtude
de, em vista de, por motivo de.
Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é explicar ou esclarecer os pontos de vista apresentados.
Pode-se alcançar esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpretação. Na explicitação por
definição, empregamse expressões como: quer dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista,
ou melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: conforme, segundo, na opinião de, no parecer de,
consoante as ideias de, no entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela interpretação,
em que são comuns as seguintes expressões: parece, assim, desse ponto de vista.
Enumeração: Faz-se pela apresentação de uma sequência de elementos que comprovam uma opinião,
tais como a enumeração de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são frequentes as
expressões: primeiro, segundo, por último, antes, depois, ainda, em seguida, então, presentemente, antigamente,
depois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente, respectivamente. Na enumeração de fatos
em uma sequência de espaço, empregam-se as seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí, além, adiante, perto
de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no interior, nas grandes cidades, no sul, no leste...
Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras de se estabelecer a comparação, com a finalidade
de comprovar uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma forma, tal como, tanto
quanto, assim como, igualmente. Para estabelecer contraste, empregam-se as expressões: mais que, menos
que, melhor que, pior que.
Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar o poder de persuasão de um texto dissertativo
encontram-se:
Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade reconhecida em certa área do conhecimento
dá apoio a uma afirmação. Dessa maneira, procura-se trazer para o enunciado a credibilidade da autoridade
citada. Lembre-se que as citações literais no corpo de um texto constituem argumentos de autoridade. Ao
fazer uma citação, o enunciador situa os enunciados nela contidos na linha de raciocínio que ele considera
mais adequada para explicar ou justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento tem mais caráter
confirmatório que comprobatório.
Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam explicação ou comprovação, pois seu conteúdo é
aceito como válido por consenso, pelo menos em determinado espaço sociocultural. Nesse caso, incluem-se
- A declaração que expressa uma verdade universal (o homem, mortal, aspira à imortalidade);
- A declaração que é evidente por si mesma (caso dos postulados e axiomas);
- Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem
razões que a própria razão desconhece); implica apreciação de ordem estética (gosto não se discute); diz
respeito a fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que parece absurdo).
Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de um fato ou afirmação pode ser comprovada por
meio de dados concretos, estatísticos ou documentais.
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Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação se realiza por meio de argumentos racionais,
baseados na lógica: causa/efeito; consequência/causa; condição/ocorrência.
Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações, julgamento, pronunciamentos, apreciações
que expressam opiniões pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprovada, e só os fatos provam.
Em resumo toda afirmação ou juízo que expresse uma opinião pessoal só terá validade se fundamentada na
evidência dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade dos argumentos, porém, pode ser contestada
por meio da contra-argumentação ou refutação. São vários os processos de contra-argumentação:
Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstrando o absurdo da consequência. Exemplo
clássico é a contraargumentação do cordeiro, na conhecida fábula “O lobo e o cordeiro”;
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses para eliminá-las, apresentando-se, então,
aquela que se julga verdadeira;
Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à opinião pessoal subjetiva do enunciador, restringindo-
se a universalidade da afirmação;
Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consiste em refutar um argumento empregando os
testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação apresentada;
Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em desautorizar dados reais, demonstrando que
o enunciador baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. Por exemplo,
se na argumentação afirmou-se, por meio de dados estatísticos, que “o controle demográfico produz o
desenvolvimento”, afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois baseia-se em uma relação de causa-feito
difícil de ser comprovada. Para contraargumentar, propõese uma relação inversa: “o desenvolvimento é que
gera o controle demográfico”.
Apresentam-se aqui sugestões, um dos roteiros possíveis para desenvolver um tema, que podem ser
analisadas e adaptadas ao desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e, em seguida, sugerem-se
os procedimentos que devem ser adotados para a elaboração de um Plano de Redação.
Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução tecnológica
- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder a interrogação (assumir um ponto de vista);
dar o porquê da resposta, justificar, criando um argumento básico;
- Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e construir uma contra-argumentação; pensar
a forma de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la (rever tipos de
argumentação);
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias que estejam direta ou indiretamente ligadas
ao tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e consequência);
- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o argumento básico;
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que poderão ser aproveitadas no texto; essas
ideias transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do argumento básico;
- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma sequência na apresentação das ideias
selecionadas, obedecendo às partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou menos a seguinte:
Introdução
- função social da ciência e da tecnologia;
- definições de ciência e tecnologia;
- indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico.
Desenvolvimento
- apresentação de aspectos positivos e negativos do desenvolvimento tecnológico;
- como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as condições de vida no mundo atual;
- a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tecnologicamente desenvolvida e a dependência tecnológica
dos países subdesenvolvidos;
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1776113 E-book gerado especialmente para ALINE PATRICIA REUSCH
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social;
- comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do passado; apontar semelhanças e diferenças;
- analisar as condições atuais de vida nos grandes centros urbanos;
- como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar mais a sociedade.
Conclusão
- a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/consequências maléficas;
- síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos apresentados.
Visão Geral: o significado das palavras é objeto de estudo da semântica, a área da gramática que se dedica
ao sentido das palavras e também às relações de sentido estabelecidas entre elas.
Denotação e conotação
Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das palavras, enquanto a conotação diz respeito ao
sentido figurado das palavras. Exemplos:
“O gato é um animal doméstico.”
“Meu vizinho é um gato.”
No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro sentido, indicando uma espécie real de
animal. Na segunda frase, a palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho, uma forma de dizer que
ele é tão bonito quanto o bichano.
Hiperonímia e hiponímia
Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo, palavra superior com um sentido mais abrangente,
engloba um hipônimo, palavra inferior com sentido mais restrito.
Exemplos:
– Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia.
– Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho.
Polissemia e monossemia
A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra apresentar uma multiplicidade de significados, de
acordo com o contexto em que ocorre. A monossemia indica que determinadas palavras apresentam apenas
um significado. Exemplos:
– “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode por um idioma ou um órgão do corpo, dependendo do
contexto em que é inserida.
–Apalavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não tem outro significado, por isso é uma palavra monossêmica.
Sinonímia e antonímia
A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem semelhantes em significado. Já antonímia se refere
aos significados opostos. Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras expressam proximidade e
contrariedade.
Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido = veloz.
Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; pontual x atrasado.
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Homonímia e paronímia
A homonímia diz respeito à propriedade das palavras apresentarem: semelhanças sonoras e gráficas,
mas distinção de sentido (palavras homônimas), semelhanças homófonas, mas distinção gráfica e de sentido
(palavras homófonas) semelhanças gráficas, mas distinção sonora e de sentido (palavras homógrafas). A
paronímia se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de forma parecida, mas que apresentam
significados diferentes. Veja os exemplos:
– Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar); morro (monte) e morro (verbo
morrer).
– Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar (definir o preço); arrochar (apertar com força)
e arroxar (tornar roxo).
– Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro
(pranto) e choro (verbo chorar) .
– Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho) e
cumprimento (saudação).
Ambiguidade
Observe a propaganda abaixo:
https://redacaonocafe.wordpress.com/2012/05/22/ambiguidade-na-propaganda/
Perceba que há uma duplicidade de sentido nesta construção. Podemos interpretar que os móveis não du-
rarão no estoque da loja, por estarem com preço baixo; ou que por estarem muito barato, não têm qualidade
e, por isso, terão vida útil curta.
Essa duplicidade acontece por causa da ambiguidade, que é justamente a duplicidade de sentidos que
podem haver em uma palavra, frase ou textos inteiros.
Os dicionários: tipos
O dicionário é um livro que possui a explicação dos significados das palavras. As palavras são apresentadas
em ordem alfabética. Alguns dicionários são ilustrados para facilitar a assimilação dos significados das palavras.
Principais tipos de dicionários
Existem também os dicionários de tradução de línguas, ou seja, aqueles destinados a mostrar os significa-
dos ou sinônimos das palavras em outra língua. Exemplo: Dicionário de português-inglês, português-italiano,
português-espanhol.
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Existem também os dicionários de termos técnicos, usados em áreas específicas do conhecimento. Num di-
cionário de medicina, por exemplo, são explicados os termos relacionados à área médica. Desta forma, existem
os dicionários de eletrônica, mecânica, Biologia, informática, mitologia, etc.
Importância do uso
O uso de dicionário é muito importante para os estudantes e profissionais de todas as áreas. Como é im-
possível conhecer o significado de todas as palavras, o ideal é consultar o dicionário para ganhar vocabulário.
Dicionários modernos
Com o avanço da informática e da internet, temos atualmente os chamados dicionários eletrônicos (em
CD-ROMs) e os dicionários on-line (encontrados na Internet) ou em formato de aplicativos para smartphones.
Exemplos dos principais dicionários da Língua Portuguesa (editados no Brasil):
- Dicionário Aurélio
- Dicionário Houaiss
- Dicionário Michaelis
- Dicionário da Academia Brasileira de Letras
- Dicionário Aulete da Língua Portuguesa
- Dicionário Soares Amora da Língua Portuguesa
Organização do dicionário
1. Entrada
A entrada do verbete está em azul e, logo abaixo, há a indicação da divisão silábica.
abécédaire
a.bé.cé.daire
[ɑbesedɛʀ]
nm
abecedário.
abanador
a.ba.na.dor
[abanad′or]
sm
éventoir.
As remissões, introduzidas pela abreviatura V (ver / voir), indicam uma forma vocabular mais usual.
ascaris
as.ca.ris
[askaʀis]
V ascaride.
desatencioso
de.sa.ten.ci.o.so
[dezatẽsj′ozu]
V desatento.
Os verbos essencialmente pronominais encontram-se na entrada principal da seguinte maneira:
blottir (se)
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blot.tir (se)
[blɔtiʀ]
vpr
enroscar-se, aconchegar-se.
ajoelhar-se
a.jo.e.lhar-se
[aʒoeλ′arsi]
vpr
s’agenouiller.
2. Transcrição fonética
A pronúncia figurada é representada entre colchetes. Veja explicações detalhadas na seção “Transcrição
fonética” em “Como consultar”.
abeille
a.beille
[abɛj]
nf
ZOOL abelha.
abaixar
a.bai.xar
[abajʃ′ar]
vt+vpr
baisser.
3. Classe gramatical
É indicada por uma abreviatura. Entenda o que significa cada abreviatura deste dicionário na seção “Abre-
viaturas” em “Como consultar”.
abolition
a.bo.li.tion
[abɔlisjɔ̃]
nf
abolição.
abatido
a.ba.ti.do
[abat′idu]
adj
abattu.
alimentar
a.li.men.tar
[alimẽt′ar]
vt+vpr
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nourrir.
adj
alimentaire.
4. Área de conhecimento
É indicada por uma abreviatura. Entenda o que significa cada abreviatura deste dicionário na seção “Abre-
viaturas” em “Como consultar”.
abdomen
ab.do.men
[abdɔmɛn]
nm
ANAT abdome, barriga.
abacate
a.ba.ca.te
[abak′ati]
sm
BOT avocat.
5. Tradução
Os diferentes sentidos de uma mesma palavra estão separados por algarismos em negrito. Os sinônimos
reunidos num algarismo são separados por vírgulas.
administrer
ad.mi.nis.trer
[administʀe]
vt
1 administrar, gerir.
2 dar uma medicação.
3 aplicar um castigo.
alimento
a.li.men.to
[alim′ẽtu]
sm
1 nourriture.
2 denrée.
3 nourriture, victuaille, aliment.
pl
4 alimentos vivres.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Veja nota em vivre.
A tradução, na medida do possível, fornece os sinônimos na outra língua e, quando estes não existem, de-
fine ou explica o termo.
docteur
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doc.teur
[dɔktœʀ]
nm
1 doutor, médico.
2 doutor, pessoa que possui o maior grau universitário numa faculdade.
6. Exemplificação
Frases elucidativas usadas para esclarecer definições ou acepções, são apresentadas em itálico.
amorce
a.morce
[amɔʀs]
nf
1 isca.
2 início, começo, esboço: cette rencontre pourrait être l’amorce d’une négociation véritable / este encontro
poderia ser o início de uma verdadeira negociação.
agitado
a.gi.ta.do
[aʒit′adu]
adj
agité: o doente passou uma noite agitada / le malade a passé une nuit agitée.
7. Formas irregulares
No final dos verbetes em português, numa seção denominada “Informações complementares”, registram-se
plurais irregulares e plurais de substantivos compostos com hífen, além dos femininos e masculinos irregulares.
açafrão
a.ça.frão
[asafr′ãw]
sm
BOT safran.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL açafrões.
micro-organismo
mi.cro-or.ga.nis.mo
[mikroorgan′ismu]
sm
micro-organisme.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL micro-organismos.
No final dos verbetes em francês, numa seção denominada “Informações complementares”, são indicadas
as terminação do feminino e do plural, quando irregulares.
abattu
a.bat.tu
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[abaty]
adj
1 abatido.
2 triste, decaído.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
-ue
abdominal
ab.do.mi.nal
[abdɔminal]
adj
abdominal.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
-aux, -ale
8. Expressões
No final do verbete, numa seção denominada “Expressões” são apresentadas expressões usuais em ordem
alfabética.
accord
ac.cord
[akɔʀ]
nm
1 acordo, assentimento, concordância, pacto, trato.
2 MUS acorde.
EXPRESSÕES
d’accord de acordo, sim, o.k.
donner son accord dar autorização, permissão.
mettre d’accord conciliar.
tomber d’accord concordar, chegar a um acordo.
acaso
a.ca.so
[ak′azu]
sm
hasard
EXPRESSÕES
por acaso par hasard.
Fonte: michaelis.uol.com.br
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a organização de verbetes
Organização do verbete
A cabeça de verbete, também conhecida como entrada de verbete, constitui-se de uma palavra simples, uma
palavra composta por hífen, uma locução, uma sigla, um símbolo ou uma abreviatura. Ela está destacada na
cor azul.
daltonismo
dal·to·nis·mo
sm
MED Incapacidade congênita para distinguir certas cores, principalmente o vermelho e o verde, que geral-
mente afeta indivíduos do sexo masculino.
ETIMOLOGIA
der do np Dalton+ismo, como fr daltonisme.
pão-durismo
pão-du·ris·mo
sm
COLOQ Qualidade ou característica do que é pão-duro ou sovina; avareza, sovinice.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: pão-durismos.
ETIMOLOGIA
der de pão-duro+ismo.
piña colada
[ˈpiña koˈlada]
loc subst
Coquetel preparado com rum, leite de coco, suco de abacaxi e gelo.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: piña coladas.
ETIMOLOGIA
esp.
OAB
Sigla de Ordem dos Advogados do Brasil.
°C
FÍS, METEOR Símbolo de grau Celsius.
d.C.
Abreviatura de depois de Cristo.
Logo após a cabeça de verbete, há a indicação da divisão silábica assinalada por um ponto, com a separa-
ção das vogais dos ditongos (crescentes e decrescentes).
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dedicatória
de·di·ca·tó·ri·a
sf
Palavras afetuosas, escritas principalmente em livros, fotos, CDs ou outro objeto artístico, dedicadas a al-
guém; dedicação.
ETIMOLOGIA
fem de dedicatório, como fr dédicatoire.
As siglas aparecem com letras maiúsculas, mas aquelas que foram cristalizadas apenas com a inicial mai-
úscula estão no dicionário respeitando essa forma; já os símbolos científicos aparecem com inicial maiúscula
ou minúscula.
ONU
Sigla de Organização das Nações Unidas.
Unesco
Sigla do inglês United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Os substantivos que denominam seres sagrados (Buda, Deus etc.), seres mitológicos (Diana, Zeus etc.),
astros (Marte, Terra etc.), festas religiosas (Natal, Páscoa etc.) e pontos cardeais que indicam regiões são gra-
fados com inicial minúscula e com a informação “[com inicial maiúscula]”.
buda
bu·da
sm
FILOS, REL
1 [com inicial maiúscula ] Título dado pelos seguidores do budismo a quem alcançou um nível superior de
entendimento e chegou à plenitude da condição humana por meio da libertação dos desejos e da dissolução
da ilusão produzida por estes. O título se refere especialmente a Siddharta Gautama (563-483 a.C.), o maior de
todos os budas e o real fundador do budismo: “E, por fim, cansados, sentaram-se num banco de pedra próximo
a uma imagem de Buda e foram invadidos pela paz” (CV2).
2 Representação de Siddharta Gautama, geralmente em forma de estátua ou estatueta: Suspende o buda
de porcelana e o coloca com cuidado sobre a cômoda.
ETIMOLOGIA
sânscr Buddha.
natal
na·tal
adj m+f
1 Relativo ao nascimento; natalício.
2 Em que ocorre o nascimento; natalício.
sm
1 Dia do nascimento; natalício.
2 REL [com inicial maiúscula ] O dia de nascimento de Jesus Cristo, comemorado em 25 de dezembro.
3 MÚS Cântico medieval executado por ocasião das festas natalinas.
ETIMOLOGIA
lat natalis.
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As palavras homógrafas que possuem etimologias próprias são registradas como entradas diferentes, com
número sobrescrito, ou alceado.
cabana 1
ca·ba·na
sf
Pequena habitação rústica, geralmente construída de madeira e coberta de colmo; barraca, choupana.
ETIMOLOGIA
lat capannam, como esp cabaña.
cabana 2
ca·ba·na
sf
AERON Conjunto de cabos usado como contravento em asas de avião.
ETIMOLOGIA
ingl cabane
As formas do feminino só apresentam entradas autônomas quando há acepções diferentes daquela da mera
indicação de gênero.
nora 1
no·ra
sf
A mulher do filho em relação aos pais dele.
ETIMOLOGIA
lat vulg *nuram.
nora 2
no·ra
sf
Engenho de tirar água de poços, cisternas etc.; sarilho.
ETIMOLOGIA
ár nāᶜūrah, como esp noria.
Os verbetes que se referem a marcas registradas são indicados por meio do símbolo ®, grafado logo após
a cabeça de verbete.
teflon®
te·flon
sm
[com inicial maiúscula ] Marca registrada do produto comercial feito com politetrafluoretileno.
ETIMOLOGIA
marca Teflon.
As palavras estrangeiras que integram este dicionário são grafadas em itálico e não trazem divisão silábica.
A transcrição fonética, logo após a cabeça de verbete, sempre entre colchetes, indica a pronúncia da palavra
na língua de origem.
NOTA: Entenda todos os símbolos fonéticos utilizados neste dicionário na seção “Transcrição fonética” em
“Como consultar”.
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mailing
[ˈmeɪlɪŋ]
sm
Relação de mensagens eletrônicas recebidas por meio de rede de computadores.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: mailings.
ETIMOLOGIA
ingl.
Os estrangeirismos que no idioma original são grafados com inicial maiúscula, como, por exemplo, os subs-
tantivos da língua alemã, são registrados neste dicionário com inicial minúscula pois assim são usados na
língua portuguesa.
blitz
[bliːtz]
sf
1 HIST, MIL Ataque aéreo relâmpago e inesperado.
2 Batida policial inesperada, com grande número de policiais armados: “Foi então que vimos a blitz: dois
carros da polícia com aquelas luzes giratórias acionadas, os cones estreitando a pista, alguns carros e motos
parados no acostamento e vários policiais em volta deles” (LA3).
3 Mobilização de improviso, de caráter fiscalizador, a fim de combater qualquer tipo de infração: “– Se algum
vidro for quebrado, se alguma parede for derrubada, se alguém se machucar, se a polícia der uma blitz e apre-
ender drogas ou drogados” (TB1).
4 FUT Ataque em massa; sucessão de ataques.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: blitze.
ETIMOLOGIA
alem Blitz.
A rubrica, sempre destacada no verbete e geralmente abreviada, refere-se às categorias gramaticais (subs-
tantivo, adjetivo, pronome etc.), às áreas de conhecimento (botânica, medicina etc.), aos regionalismos (Nor-
deste, Sul etc.) e aos níveis de linguagem (coloquialismo, vulgarismo, gíria etc.).
NOTA: Entenda o que significa cada abreviatura na seção “Abreviaturas” em “Como consultar”.
chapadeiro
cha·pa·dei·ro
sm
1 Habitante das chapadas; caipira, matuto.
2 Terreno irregular e árido de certas chapadas.
3 REG (MG) Vvaqueiro, acepção 1.
4 REG (MG) Nome de uma raça bovina.
ETIMOLOGIA
der de chapada+eiro.
rabanete
ra·ba·ne·te
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sm
BOT
1 Planta herbácea ( Raphanus sativus), da família das crucíferas, de folhas denteadas, flores com veias
amarelas e violeta e raiz branca ou vermelha; nabo-japonês, rábano, rábão.
2 A raiz carnosa dessa planta, de sabor picante, geralmente usada em saladas.
ETIMOLOGIA
der de rábano+ete.
fanchona
fan·cho·na
sf
PEJ, GÍR Mulher de aspecto e maneiras viris; virago.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: fanchonaça.
ETIMOLOGIA
fem de fanchão.
Registra-se, logo após a cabeça de verbete, a categoria gramatical.
eclampsia
e·clamp·si·a
sf
MED Afecção que ocorre em geral no final do período de gravidez, caracterizada por convulsões associadas
à hipertensão.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: eclampse, eclâmpsia.
EXPRESSÕES
Eclampsia puerperal: convulsões e coma associados com hipertensão, edema ou proteinúria que podem
ocorrer em paciente após o parto.
ETIMOLOGIA
der do gr éklampsis+ia1, como fr éclampsie.
ilegal
i·le·gal
adj m+f
Que contraria os preceitos ou as determinações da lei; sem legitimidade jurídica; ilícito.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
ANTÔN: legal.
ETIMOLOGIA
voc comp do lat in2-+legal, como fr illégal.
barbear
bar·be·ar
vtd e vpr
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1 Fazer ou aparar as barbas de: Barbeou o pai doente, pouco antes de sua morte. “[…] não pudera barbear-
-se sequer, dizia enquanto ela retirava o chapéu guardando cuidadosamente os grampos” (CL).
vtd
2 ART GRÁF Cortar as barbas de livro, papel etc.; aparar.
vtd e vint
3 Passar com uma embarcação muito próximo de outra ou do cais; fazer a barba.
ETIMOLOGIA
der de barba+ear, como esp.
cromado
cro·ma·do
adj
1 Que tem cromo.
2 Revestido de cromo.
sm
Parte ou acessório cromado de um veículo automotor.
ETIMOLOGIA
der de cromo+ado, como fr chromé.
Os substantivos de gênero oscilante apresentam duplo registro, separados por barra (sm/sf).
personagem
per·so·na·gem
sm/sf
1 Pessoa que desfruta de atenção por suas qualidades, habilidades ou comportamento singular e diferen-
ciado.
2 Cada um dos papéis que um ator ou atriz representa baseado em figuras humanas imaginadas por um au-
tor: Ele já desempenhou várias personagens: um criminoso sádico, um herói trágico, um bancário metódico etc.
3 POR EXT Figura humana criada por um autor de obra de ficção: “A peça vivia esse ponto de crise, que
um poeta chamou de tensão dionisíaca. Eis o que acontecera no palco: o personagem central, que passara,
até então, por paralítico, ergue-se da cadeira de rodas. “‘– Não sou paralítico, nunca fui paralítico’, é ele próprio
quem o diz” (NR).
4 Figura humana representada em diversas expressões artísticas.
5 POR EXT O homem definido por seu papel social.
ETIMOLOGIA
fr personnage.
A rubrica referente à área de conhecimento, geralmente abreviada, é indicada antes das definições quando
se aplica a todas elas.
labaça 1
la·ba·ça
sf
BOT
1 Arbusto ( Rumex conglomeratus) da família das poligonáceas, nativo do sul da Europa e do leste da Ásia;
alabaça.
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2 Erva ( Rumex obtusifolius) da família das poligonáceas, oriunda da Europa, muito usada por suas proprie-
dades medicinais; labaça-obtusa, labaçol.
ETIMOLOGIA
lat lapathia.
emoticon
[ɪˈməʊtɪkən]
sm
INTERNET Representação pictórica da expressão facial de uma pessoa, indicando estados emocionais
(alegria, tristeza, espanto, zanga etc.), que é utilizada nos bate-papos e mensagens.
ETIMOLOGIA
ingl.
Quando ocorre mudança de área de conhecimento, a rubrica é indicada antes de cada acepção.
cravo 1
cra·vo
sm
1 BOT Flor do craveiro1, acepção 1.
2 BOT Vcraveiro 1, acepção 1.
3 BOT Botão da flor do craveiro-da-índia, que é usado no mundo todo como condimento e tem também usos
medicinais e farmacêuticos, entre outros; africana, cravinho, cravo-aromático, cravo-cabecinha, cravo-da-índia,
cravo-da-terra-de-minas, cravo-da-terra-de-são-paulo, cravo-de-cabeça, cravo-de-cabecinha, cravo-giroflê, gi-
rofle, giroflê.
4 Prego quadrangular que se usa em ferraduras.
5 Prego com que os pés e as mãos dos suplicados eram fixados à cruz e ao ecúleo.
6 MED Calo profundo e doloroso que se localiza na planta do pé e tem forma semelhante a um cone.
7 MED Afecção do folículo sebáceo, causada pelo acúmulo de resíduos epiteliais; comedão.
8 Pessoa incômoda ou nociva; chato, importuno, inconveniente.
9 Mau negócio; embuste, fraude, trapaça.
10 VET Tumor duro no casco das cavalgaduras.
11 Afecção do folículo pilossebáceo; ponto negro.
EXPRESSÕES
Dar uma no cravo e outra na ferradura, COLOQ: a) dar um golpe certo e outro errado; b) apoiar duas coisas
que encerram contradição, em geral por maldade ou dissimulação.
ETIMOLOGIA
lat clavum, como esp clavo.
A mesma definição pode conter mais de uma rubrica referente à área de conhecimento.
crioidrato
cri·o·i·dra·to
sm
FÍS, QUÍM Eutético constituído por água e um sal.
ETIMOLOGIA
voc comp do gr krýos+hidrato, como ingl cryohydrate.
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Há referência às vozes dos animais, no final do verbete, indicando-se os verbos e os substantivos que se
relacionam a elas.
canário
ca·ná·ri·o
adj sm
Vcanarino.
sm
1 ZOOL Pássaro canoro pequeno da família dos fringilídeos ( Serinus canaria), de plumagem geralmente
amarela e canto melodioso, originário das ilhas Canárias, da Madeira e dos Açores.
2 POR EXT Pessoa que canta bem.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VOZ (acepção 1): canta, dobra, modula, trila, trina.
EXPRESSÕES
Canário de uma muda só, COLOQ: pessoa que anda todo o tempo com uma só roupa.
Canário sem muda, COLOQ: Vcanário de uma muda só.
ETIMOLOGIA
de Canárias, np, como esp canario.
Todos os comentários gramaticais são sempre mencionados entre colchetes.
certamente
cer·ta·men·te
adv
1 Com certeza, sem dúvida [usado como modificador de frase, indica grande probabilidade e pequeno grau
de incerteza ] : “Tão determinado que, se alguém o olhasse mais atento, certamente perceberia alguma forma
mais precisa nos movimentos” (CFA).
2 Com certeza, é claro, sim [usado como resposta afirmativa a uma solicitação ] : “[…] não é assim? … –
Certamente, respondeu a mocinha, sem perturbar-se” (JMM).
ETIMOLOGIA
voc comp do fem de certo+mente.
A transitividade dos verbos é indicada em todas as acepções, antes dos números que as registram, já que
os verbos podem exigir um ou mais complementos no sintagma verbal, a fim de formar um sentido completo.
excetuar
ex·ce·tu·ar
vtd
1 Fazer exceção de; pôr fora: Conhecia quase todos na festa, excetuando um ou outro convidado.
vtdi e vpr
2 Deixar(-se) de fora: Não excetuou nenhum parente de sua lista de convidados. Conseguiu excetuar-se da
lista dos mais bagunceiros da turma.
vtd
3 JUR Impugnar uma demanda por meio de exceção.
vint
4 JUR Propor uma exceção.
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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: exceptuar.
ANTÔN (acepção 1): incluir.
ETIMOLOGIA
der do lat exceptus+ar1.
Quando o verbo é essencialmente pronominal, usa-se a partícula se na cabeça de verbete.
queixar-se
quei·xar-se
vpr
1 Manifestar lamúrias ou lamentações diante da dor física ou da mágoa; gemer, lastimar-se, reclamar: No
enterro do marido, a viúva queixava-se aos prantos.
vpr
2 Manifestar desgosto ou desprazer; lamentar-se: “A cada dia, a Igreja, contudo, se queixa de que há menos
vocações sacerdotais” (Z1).
vpr
3 Mostrar-se magoado ou ofendido: Queixa-se diante de tantas injustiças.
vpr
4 Denunciar algo de que foi vítima: “Se você quiser, vá queixar-se à polícia… Está no seu direito! Eu me
explicarei em juízo!” (AA1).
vpr
5 Descrever estado físico ou moral: Ele se queixa de dores crônicas no peito.
ETIMOLOGIA
lat vulg *quassiare, como esp quejar.
Os verbos irregulares, defectivos ou impessoais trazem essa informação entre colchetes, no final do verbete.
cerzir
cer·zir
vtd e vint
1 Costurar ou remendar tecido rasgado ou esgarçado, com pontos miúdos, a fim de reconstituir sua trama
original, sem deixar defeito: “Na barcaça […], apenas duas ou três mulheres catando sururu, dois ou três pes-
cadores cerzindo redes” (JU). “Foi pouco fogo. O buraco é pequeno, dá para cerzir invisível” (TM1).
vtd e vtdi
2 Juntar, reunir ou incorporar alguma coisa a outra: A atitude do político perante as câmeras cerziu os piores
comentários. O autor cerziu o romance com textos picantes. [Verbo irregular. ]
ETIMOLOGIA
lat sarcire.
carpir
car·pir
vtd
1 ANT Arrancar (fios de barba ou de cabelo) em sinal de dor ou de sentimento.
vtd
2 Arrancar (erva daninha ou mato); capinar.
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vtd
3 Expressar-se por meio de lamento; chorar, lamentar.
vtd e vpr
4 Lastimar(-se), prantear(-se).
vtd e vint
5 Expressar sons tristes e comoventes; sussurrar como que chorando.
vpr
6 Exprimir-se em tom de lamento; lamentar-se, prantear-se. [Verbo defectivo. ]
ETIMOLOGIA
lat carpĕre.
garoar
ga·ro·ar
vint Cair garoa, chuviscar: Ontem, garoou à noitinha. [Verbo impessoal.]
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: garuar.
ETIMOLOGIA
der de garoa1+ar1.
Quando uma unidade lexical tem sua definição em outro verbete, por ser sinônimo ou não ser o termo pre-
ferencial, a remissão é indicada pela letra V (veja) seguida do verbete a consultar. Se a remissão refere-se a
determinada acepção, esta também é indicada.
guri
gu·ri
sm
1 REG (RS) Vmenino, acepção 1.
2 BOT Vguriri.
3 ZOOL Denominação comum aos peixes teleósteos siluriformes, da família dos ariídeos, encontrados em
águas marinhas, com o corpo revestido de escamas grossas, que formam uma couraça, dotados de grandes
barbilhões; uri.
ETIMOLOGIA
tupi wyrí, como esp.
No final do verbete, numa seção denominada “Informações complementares”, registram-se os sinônimos, os
antônimos, as variantes, os plurais, os femininos, os aumentativos e os diminutivos irregulares e os superlativos
absolutos sintéticos. Às vezes essas formas (antônimo, sinônimo, plural etc.) podem referir-se apenas a uma
acepção. Nesse caso, essa acepção é indicada.
molambento
mo·lam·ben·to
adj
Que está em farrapos; roto e sujo.
adj sm
Que ou aquele que se veste com farrapos.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
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SIN: maltrapilho, molambudo, mulambudo.
VAR: mulambento.
ETIMOLOGIA
der de molambo+ento.
anorexia
a·no·re·xi·a
(cs)
sf
MED Falta ou perda de apetite.
EXPRESSÕES
Anorexia nervosa, MED, PSICOL: distúrbio nervoso grave, caracterizado pelo medo obsessivo de engordar,
fazendo com que a pessoa pare de se alimentar, fique desnutrida e tenha sua vida ameaçada. Acomete espe-
cialmente mulheres, em geral entre 16 e 25 anos, e provoca menstruação irregular, queda de peso repentina,
palidez, atrofia dos músculos, recusa do organismo em ingerir alimentos, insônia, diminuição ou ausência da li-
bido etc. O tratamento inclui a administração de antidepressivo, psicoterapia individual e reeducação alimentar.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
ANTÔN: orexia.
ETIMOLOGIA
gr anoreksía.
plástico-bolha
plás·ti·co-bo·lha
sm
Material plástico, produzido em polietileno de baixa densidade, com bolhas de ar prensadas, utilizado na
embalagem de produtos diversos, proporcionando-lhes proteção. É também usado no revestimento de pisos,
antes da colocação de carpetes de madeira e afins, conferindo-lhes isolação acústica.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
PL: plásticos-bolhas e plásticos-bolha.
ETIMOLOGIA
voc comp.
barão
ba·rão
sm
1 Título nobiliárquico imediatamente inferior ao de visconde: “Lia-se no Jornal do Comércio que Sua Exce-
lência fora agraciado pelo governo português com o título de Barão do Freixal […]” (AA1).
2 ANT Senhor feudal, subordinado ao rei.
3 ANT Homem ilustre por seus feitos e por sua riqueza.
4 BOT Variedade de algodoeiro.
5 Homem de muito poder: É o barão da pequena cidade.
6 COLOQ Pessoa muito rica: Os barões vivem enclausurados em suas mansões.
7 Homem que se destaca em determinado ramo de negócios: “Os últimos brilhos do poente já iam e, a pe-
dido do barão do café, fogueiras e tochas não deveriam ser acesas” (TM1).
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8 OBSOL Cédula antiga de mil cruzeiros.
9 ETNOL Entidade sobrenatural do boi de mamão.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
FEM: baronesa.
ETIMOLOGIA
lat baronem.
animal
a·ni·mal
sm
1 BIOL Ser vivo multicelular, dotado de movimento, de crescimento limitado, com capacidade de responder
a estímulos.
2 Ser animal destituído de razão; animal irracional.
3 COLOQ Pessoa insensível ou cruel.
4 COLOQ Pessoa muito grosseira ou ignorante.
5 Animal cavalar, especialmente o macho.
6 FIG A natureza animal; animalidade.
adj m+f
1 Relativo ou pertencente aos animais.
2 Próprio de animal.
3 Extraído ou obtido de animal.
4 FIG Que se entrega aos prazeres do sexo; lascivo, libidinoso.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
AUM (sm): animalaço, animalzão.
DIM: animalzinho, animalejo, animálculo.
EXPRESSÕES
Animal inferior, ZOOL: animal invertebrado.
Animal irracional: qualquer animal, exceto o homem.
Animal sem fogo, REG (CE): cavalo ainda não marcado ou ferrado.
Animal sem rabo, COLOQ: pessoa grosseira, mal-educada.
Animal superior: animal vertebrado.
ETIMOLOGIA
lat anĭmal.
ágil
á·gil
adj m+f
1 Que se movimenta com rapidez ou agilidade: “Firmo […] era um mulato pachola, delgado de corpo e ágil
como um cabrito […]” (AA1).
2 FIG Que tem raciocínio rápido; desembaraçado, ligeiro, perspicaz.
3 Que atua ou trabalha com eficiência; diligente.
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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
SUP ABS SINT: agílimo e agilíssimo.
ANTÔN: moroso, sonolento, vagaroso.
ETIMOLOGIA
lat agĭlis.
Também são chamadas de subverbetes as expressões na estrutura de um verbete. Elas estão destacadas
ao final do verbete, numa seção denominada “Expressões”.
barba
bar·ba
EXPRESSÕES
Barba a barba: em situação de confronto.
Barba de baleia, MAR: pequena haste ao lado do mastro da proa, utilizada para disparos de cabos que
prendem as velas.
Barba de bode: Vcavanhaque.
À barba, COLOQ: bem visível.
Fazer a barba: raspar a barba, barbear-se.
Fazer barba, cabelo e bigode, ESP: vencer pelo menos três vezes o mesmo adversário em categorias dife-
rentes em curto espaço de tempo.
Nas barbas de: na presença de alguém, faltando-lhe o respeito.
Pôr as barbas de molho: agir com prevenção contra alguma situação perigosa.
Ter barbas: ser muito antigo.
tomate
to·ma·te
EXPRESSÕES
Tomate francês, BOT: tomate de forma e tamanho de um ovo, de coloração vermelho-escura, de tom alaran-
jado no interior, consistência firme, sabor levemente ácido, com sementes pretas.
Tomate italiano, BOT: tomate pequeno, de formato geralmente cilíndrico, com a extremidade inferior pontu-
da. É adocicado e tem menos sumo que a maioria das variedades dos tomates. É muito usado na preparação
de molhos.
Tomate seco, CUL: tomate cortado em duas metades, retirando-se as sementes, seco no forno ou ao sol,
temperado com azeite, orégano, sal e, frequentemente, alho. É comumente servido em saladas ou como ante-
pasto.
fuga 2
fu·ga
EXPRESSÕES
Fuga escolar, MÚS: aquela com rígida observância das regras formais.
Fuga real, MÚS: aquela cuja resposta não apresenta alterações intervalares em relação ao sujeito.
Fuga tonal, MÚS: aquela cuja resposta apresenta alterações intervalares em relação ao sujeito.
Foram utilizados exemplos e abonações com o objetivo de autorizar o emprego das palavras. As abonações
foram extraídas de textos literários de autores brasileiros consagrados e estão transcritas entre aspas, com a
sigla que representa o autor e a obra entre parênteses. Os exemplos foram criados pela equipe de lexicógrafos
e são registrados em itálico.
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NOTA: Entenda o que significa cada sigla das abonações na seção “Abonações – obras e siglas” em “Como
consultar”.
fadigar
fa·di·gar
vtd e vpr Causar ou sentir fadiga; afadigar: A alta temperatura fadigou alguns corredores. O rapaz fadigou-se
com o excesso de trabalho.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAR: fatigar.
ETIMOLOGIA
der de fadiga+ ar1, como esp fatigar.
fabricação
fa·bri·ca·ção
sf
1 Ação, processo ou arte de fabricar algo; fábrica, fabrico, manufatura: “Três meses mais tarde Mr. Chang
Ling apareceria em Antares com a mulher e seus cinco filhos e mais três compatriotas seus, especialistas na
fabricação de óleos comestíveis” (EV).
2 POR EXT O que resulta da fabricação; fabrico.
3 Ação de inventar ou elaborar algo novo; criação, produção: É um mestre na fabricação de personagens.
4 Ação de produzir de modo natural: A fabricação de anticorpos pelo organismo é a sua principal defesa.
5 Produção ou criação de algo de modo ilícito, com o objetivo de distorcer os fatos: A fabricação das provas
era evidente.
EXPRESSÕES
Fabricação em série: fabricação em grande escala, segundo especificações padronizadas.
ETIMOLOGIA
der de fabricar+ção, como esp fabricación.
O campo destinado à etimologia do vocábulo está sempre no final do verbete, após a indicação “Etimologia”
e nele há diversos tipos de informação como a língua de origem, o étimo e os elementos de composição.
NOTA: Entenda como a etimologia dos vocábulos foi criada e como está padronizada neste dicionário lendo
a seção “Etimologia” em “Como consultar”.
astroquímica
as·tro·quí·mi·ca
sf
ASTROQ Estudo da composição química dos astros, baseado especialmente nas análises espectroquími-
cas.
ETIMOLOGIA
voc comp do gr ástron+química, como ingl astrochemistry.
Fonte: michaelis.uol.com.br
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Vocabulário: neologismos, arcaísmos, estrangeirismos
É possível encontrar no Brasil diversas variações linguísticas, como na linguagem regional. Elas reúnem as
variantes da língua que foram criadas pelos homens e são reinventadas a cada dia.
Delas surgem as variações que envolvem vários aspectos históricos, sociais, culturais, geográficos, entre
outros.
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os seus falantes em todos os lugares e em qualquer
situação. Sabe-se que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mesmo significado dentro de
um mesmo contexto.
As variações que distinguem uma variante de outra se manifestam em quatro planos distintos, a saber: fôni-
co, morfológico, sintático e lexical.
Variações Morfológicas
Ocorrem nas formas constituintes da palavra. As diferenças entre as variantes não são tantas quanto as de
natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como exemplos, podemos citar:
– uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos),
a champanha (o champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal).
– a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os amigo
e as amiga, os livro indicado, as noite fria, os caso mais comum.
– o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu
nas últimas eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que ele esforçou (te-
nha se esforçado) mais que eu.
– o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o superlativo de adjetivos, recurso muito carac-
terístico da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo), uma prova hiperdifícil
(em vez de dificílima), um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo).
– a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regulares: ele interviu (interveio), se ele manter (man-
tiver), se ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser).
– a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia).
Variações Fônicas
Ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da palavra. Entre esses casos, podemos citar:
– a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas
formas típicas de pessoas de baixa condição social.
– A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regi-
ões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): quintau, quintar, quintal;
pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol.
– deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de
baixa condição social.
– a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em vez
de curtir), compô.
– o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me alembro, o pássaro avoa, formas comuns na
linguagem clássica, hoje frequentes na fala caipira.
– a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, marelo (amarelo), margoso (amargoso), caracte-
rísticas na linguagem oral coloquial.
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Variações Sintáticas
Correlação entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe, como no da morfologia, não são tantas as
diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar:
– a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome “que” no início da frase mais a combinação da
preposição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família dele (em vez de cuja
família eu já conhecia).
– a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu
quero falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz me irrita.
– ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração social);
Faltou naquela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios.
– o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de encon-
trei-o) na rua; não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti) e ele.
– o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem.
– a ausência da preposição adequada antes do pronome relativo em função de complemento verbal: são
pessoas que (em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que) eu assisti; você
é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.
Variações Léxicas
Conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do léxico, como as do plano fônico, são muito
numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com outra. São exemplos possíveis de citar:
– as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às vezes, tão surpreendentes, que têm sido
objeto de piada de lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil chamamos de
calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã em Portugal se diz
pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de suéter, malha, camiseta.
– a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para formar o grau superlativo dos adjetivos, carac-
terísticas da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil; Esse amigo é um carinha
maior esforçado.
Designações das Variantes Lexicais:
– Arcaísmo: palavras que já caíram de uso. Por exemplo, um bobalhão era chamado de coió ou bocó; em
vez de refrigerante usava-se gasosa; algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.
– Neologismo: contrário do arcaísmo. São palavras recém-criadas, muitas das quais mal ou nem entraram
para os dicionários. A na computação tem vários exemplos, como escanear, deletar, printar.
– Estrangeirismo: emprego de palavras emprestadas de outra língua, que ainda não foram aportuguesa-
das, preservando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo da linguagem jurídi-
ca, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso
facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo.
As palavras de origem inglesas são várias: feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing (con-
junto de informações básicas).
– Jargão: vocabulário típico de um campo profissional como a medicina, a engenharia, a publicidade,
o jornalismo. Furo é notícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga.
– Gíria: vocabulário especial de um grupo que não deseja ser entendido por outros grupos ou que pretende
marcar sua identidade por meio da linguagem. Por exemplo, levar um lero (conversar).
– Preciosismo: é um léxico excessivamente erudito, muito raro: procrastinar (em vez de adiar); cinesíforo
(em vez de motorista).
– Vulgarismo: o contrário do preciosismo, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em
vez de se deu mal, arruinou-se).
Tipos de Variação
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As variações mais importantes, são as seguintes:
– Sociocultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade.
– Geográfica: é, no Brasil, bastante grande. Ao conjunto das características da pronúncia de uma determi-
nada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc.
– De Situação: são provocadas pelas alterações das circunstâncias em que se desenrola o ato de
comunicação. Um modo de falar compatível com determinada situação é incompatível com outra
– Histórica: as línguas se alteram com o passar do tempo e com o uso. Muda a forma de falar, mudam as
palavras, a grafia e o sentido delas. Essas alterações recebem o nome de variações históricas.
latinismos
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Homo sapiens: homem sábio; nome da espécie humana na nomenclatura de Lineu.
Id est: isto é, quer dizer. Às vezes, aparece abreviadamente (i.e.).
In memoriam: em comemoração, para memória, para lembrança.
In posterum: no futuro.
In terminis: no fim. Decisão final que encerra o processo.
In verbis: nestes termos, nestas palavras. Emprega-se para exprimir as citações ou as referências feitas
com as palavras da pessoa que se citou ou do texto a que se alude.
Ipsis Verbis: pelas próprias palavras, exatamente, sem tirar nem pôr.
Lato sensu: em sentido amplo, em sentido geral.
Per capita: por cabeça, para cada indivíduo.
Quorum: número mínimo de membros presentes necessário para que uma assembleia possa funcionar ou
deliberar regularmente.
Sic: assim, assim mesmo, exatamente. Pospõe-se a uma citação, ou nela se intercala, entre parênteses ou
entre colchetes, para indicar que o texto original é da forma que aparece.
Statu quo: “No estado em que”. Emprega-se, na linguagem jurídica, para indicar a forma, a situação ou a
posição em que se encontra certa questão ou coisa em determinado momento.
Stricto sensu: em sentido restrito, em sentido literal.
Verbi gratia: por exemplo.
Verbum ad verbum: palavra por palavra, textualmente, literalmente.
Ortografia
— Definições
Com origem no idioma grego, no qual orto significa “direito”, “exato”, e grafia quer dizer “ação de escrever”,
ortografia é o nome dado ao sistema de regras definido pela gramática normativa que indica a escrita correta
das palavras. Já a Ortografia Oficial se refere às práticas ortográficas que são consideradas oficialmente como
adequadas no Brasil. Os principais tópicos abordados pela ortografia são: o emprego de acentos gráficos que
sinalizam vogais tônicas, abertas ou fechadas; os processos fonológicos (crase/acento grave); os sinais de
pontuação elucidativos de funções sintáticas da língua e decorrentes dessas funções, entre outros.
Os acentos: esses sinais modificam o som da letra sobre a qual recaem, para que palavras com grafia
similar possam ter leituras diferentes, e, por conseguinte, tenham significados distintos. Resumidamente, os
acentos são agudo (deixa o som da vogal mais aberto), circunflexo (deixa o som fechado), til (que faz com que
o som fique nasalado) e acento grave (para indicar crase).
O alfabeto: é a base de qualquer língua. Nele, estão estabelecidos os sinais gráficos e os sons representados
por cada um dos sinais; os sinais, por sua vez, são as vogais e as consoantes.
As letras K, Y e W: antes consideradas estrangeiras, essas letras foram integradas oficialmente ao alfabeto
do idioma português brasileiro em 2009, com a instauração do Novo Acordo Ortográfico. As possibilidades da
vogal Y e das consoantes K e W são, basicamente, para nomes próprios e abreviaturas, como abaixo:
– Para grafar símbolos internacionais e abreviações, como Km (quilômetro), W (watt) e Kg (quilograma).
– Para transcrever nomes próprios estrangeiros ou seus derivados na língua portuguesa, como Britney,
Washington, Nova York.
Relação som X grafia: confira abaixo os casos mais complexos do emprego da ortografia correta das
palavras e suas principais regras:
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«ch” ou “x”?: deve-se empregar o X nos seguintes casos:
– Em palavras de origem africana ou indígena. Exemplo: oxum, abacaxi.
– Após ditongos. Exemplo: abaixar, faixa.
– Após a sílaba inicial “en”. Exemplo: enxada, enxergar.
– Após a sílaba inicial “me”. Exemplo: mexilhão, mexer, mexerica.
s” ou “x”?: utiliza-se o S nos seguintes casos:
– Nos sufixos “ese”, “isa”, “ose”. Exemplo: síntese, avisa, verminose.
– Nos sufixos “ense”, “osa” e “oso”, quando formarem adjetivos. Exemplo: amazonense, formosa, jocoso.
– Nos sufixos “ês” e “esa”, quando designarem origem, título ou nacionalidade. Exemplo: marquês/marquesa,
holandês/holandesa, burguês/burguesa.
– Nas palavras derivadas de outras cujo radical já apresenta “s”. Exemplo: casa – casinha – casarão; análise
– analisar.
Porque, Por que, Porquê ou Por quê?
– Porque (junto e sem acento): é conjunção explicativa, ou seja, indica motivo/razão, podendo substituir o
termo pois. Portanto, toda vez que essa substituição for possível, não haverá dúvidas de que o emprego do
porque estará correto. Exemplo: Não choveu, porque/pois nada está molhado.
– Por que (separado e sem acento): esse formato é empregado para introduzir uma pergunta ou no lugar de
“o motivo pelo qual”, para estabelecer uma relação com o termo anterior da oração. Exemplos: Por que ela está
chorando? / Ele explicou por que do cancelamento do show.
– Porquê (junto e com acento): trata-se de um substantivo e, por isso, pode estar acompanhado por artigo,
adjetivo, pronome ou numeral. Exemplo: Não ficou claro o porquê do cancelamento do show.
– Por quê (separado e com acento): deve ser empregado ao fim de frases interrogativas. Exemplo: Ela foi
embora novamente. Por quê?
Parônimos e homônimos
– Parônimos: são palavras que se assemelham na grafia e na pronúncia, mas se divergem no significado.
Exemplos: absolver (perdoar) e absorver (aspirar); aprender (tomar conhecimento) e apreender (capturar).
– Homônimos: são palavras com significados diferentes, mas que divergem na pronúncia. Exemplos: “gosto”
(substantivo) e “gosto” (verbo gostar) / “este” (ponto cardeal) e “este” (pronome demonstrativo).
acentuação gráfica.
— Definição
A acentuação gráfica consiste no emprego do acento nas palavras grafadas com a finalidade de estabelecer,
com base nas regras da língua, a intensidade e/ou a sonoridade das palavras. Isso quer dizer que os acentos
gráficos servem para indicar a sílaba tônica de uma palavra ou a pronúncia de uma vogal. De acordo com as
regras gramaticais vigentes, são quatro os acentos existentes na língua portuguesa:
– Acento agudo: Indica que a sílaba tônica da palavra tem som aberto. Ex.: área, relógio, pássaro.
– Acento circunflexo: Empregado acima das vogais “a” e” e “o”para indicar sílaba tônica em vogal fechada.
Ex.: acadêmico, âncora, avô.
– Acento grave/crase: Indica a junção da preposição “a” com o artigo “a”. Ex: “Chegamos à casa”. Esse
acento não indica sílaba tônica!
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– Til: Sobre as vogais “a” e “o”, indica que a vogal de determinada palavra tem som nasal, e nem sempre
recai sobre a sílaba tônica. Exemplo: a palavra órfã tem um acento agudo, que indica que a sílaba forte é “o”
(ou seja, é acento tônico), e um til (˜), que indica que a pronúncia da vogal “a” é nasal, não oral. Outro exemplo
semelhante é a palavra bênção.
— Monossílabas Tônicas e Átonas
Mesmo as palavras com apenas uma sílaba podem sofrer alteração de intensidade de voz na sua pronúncia.
Exemplo: observe o substantivo masculino “dó” e a preposição “do” (contração da preposição “de” + artigo
“o”). Ao comparar esses termos, percebermos que o primeiro soa mais forte que o segundo, ou seja, temos uma
monossílaba tônica e uma átona, respectivamente. Diante de palavras monossílabas, a dica para identificar se
é tônica (forte) ou fraca átona (fraca) é pronunciá-las em uma frase, como abaixo:
“Sinto grande dó ao vê-la sofrer.”
“Finalmente encontrei a chave do carro.”
Recebem acento gráfico:
– As monossílabas tônicas terminadas em: -a(s) → pá(s), má(s); -e(s) → pé(s), vê(s); -o(s) → só(s), pôs.
– As monossílabas tônicas formados por ditongos abertos -éis, -éu, -ói. Ex: réis, véu, dói.
Não recebem acento gráfico:
– As monossílabas tônicas: par, nus, vez, tu, noz, quis.
– As formas verbais monossilábicas terminadas em “-ê”, nas quais a 3a pessoa do plural termina em “-eem”.
Antes do novo acordo ortográfico, esses verbos era acentuados. Ex.: Ele lê → Eles lêem leem.
Exceção! O mesmo não ocorre com os verbos monossilábicos terminados em “-em”, já que a terceira pessoa
termina em “-êm”. Nesses caso, a acentuação permanece acentuada. Ex.: Ele tem → Eles têm; Ele vem → Eles
vêm.
Acentuação das palavras Oxítonas
As palavras cuja última sílaba é tônica devem ser acentuadas as oxítonas com sílaba tônica terminada em
vogal tônica -a, -e e -o, sucedidas ou não por -s. Ex.: aliás, após, crachá, mocotó, pajé, vocês. Logo, não se
acentuam as oxítonas terminadas em “-i” e “-u”. Ex.: caqui, urubu.
Acentuação das palavras Paroxítonas
São classificadas dessa forma as palavras cuja penúltima sílaba é tônica. De acordo com a regra geral,
não se acentuam as palavras paroxítonas, a não ser nos casos específicos relacionados abaixo. Observe as
exceções:
– Terminadas em -ei e -eis. Ex.: amásseis, cantásseis, fizésseis, hóquei, jóquei, pônei, saudáveis.
– Terminadas em -r, -l, -n, -x e -ps. Ex.: bíceps, caráter, córtex, esfíncter, fórceps, fóssil, líquen, lúmen, réptil,
tórax.
– Terminadas em -i e -is. Ex.: beribéri, bílis, biquíni, cáqui, cútis, grátis, júri, lápis, oásis, táxi.
– Terminadas em -us. Ex.: bônus, húmus, ônus, Vênus, vírus, tônus.
– Terminadas em -om e -ons. Ex.: elétrons, nêutrons, prótons.
– Terminadas em -um e -uns. Ex.: álbum, álbuns, fórum, fóruns, quórum, quóruns.
– Terminadas em -ã e -ão. Ex.: bênção, bênçãos, ímã, ímãs, órfã, órfãs, órgão, órgãos, sótão, sótãos.
Acentuação das palavras Proparoxítonas
Classificam-se assim as palavras cuja antepenúltima sílaba é tônica, e todas recebem acento, sem exceções.
Ex.: ácaro, árvore, bárbaro, cálida, exército, fétido, lâmpada, líquido, médico, pássaro, tática, trânsito.
Ditongos e Hiatos
Acentuam-se:
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– Oxítonas com sílaba tônica terminada em abertos “_éu”, “_éi” ou “_ói”, sucedidos ou não por “_s”. Ex.:
anéis, fiéis, herói, mausoléu, sóis, véus.
– As letras “_i” e “_u” quando forem a segunda vogal tônica de um hiato e estejam isoladas ou sucedidas por
“_s” na sílaba. Ex.: caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú).
Não se acentuam:
– A letra “_i”, sempre que for sucedida por de “_nh”. Ex.: moinho, rainha, bainha.
– As letras “_i” e o “_u” sempre que aparecerem repetidas. Ex.: juuna, xiita. xiita.
– Hiatos compostos por “_ee” e “_oo”. Ex.: creem, deem, leem, enjoo, magoo.
O Novo Acordo Ortográfico
Confira as regras que levaram algumas palavras a perderem acentuação em razão do Acordo Ortográfico de
1990, que entrou em vigor em 2009:
1 – Vogal tônica fechada -o de -oo em paroxítonas.
Exemplos: enjôo – enjoo; magôo – magoo; perdôo – perdoo; vôo – voo; zôo – zoo.
2 – Ditongos abertos -oi e -ei em palavras paroxítonas.
Exemplos: alcalóide – alcaloide; andróide – androide; alcalóide – alcaloide; assembléia – assembleia; asteróide –
asteroide; européia – europeia.
3 – Vogais -i e -u precedidas de ditongo em paroxítonas.
Exemplos: feiúra – feiura; maoísta – maoista; taoísmo – taoismo.
4 – Palavras paroxítonas cuja terminação é -em, e que possuem -e tônico em hiato.
Isso ocorre com a 3a pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo. Exemplos: deem; lêem – leem;
relêem – releem; revêem.
5 – Palavras com trema: somente para palavras da língua portuguesa. Exemplos: bilíngüe – bilíngue; enxágüe
– enxágue; linguïça – linguiça.
6 – Paroxítonas homógrafas: são palavras que têm a mesma grafia, mas apresentam significados diferentes.
Exemplo: o verbo PARAR: pára – para. Antes do Acordo Ortográfico, a flexão do verbo “parar” era acentuada para
que fosse diferenciada da preposição “para”.
Atualmente, nenhuma delas recebe acentuação. Assim:
Antes: Ela sempre pára para ver a banda passar. [verbo / preposição]
Hoje: Ela sempre para para ver a banda passar. [verbo / preposição]
crase
Definição: na gramática grega, o termo quer dizer “mistura “ou “contração”, e ocorre entre duas vogais, uma
final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido. Basicamente, desse modo: a (preposição) + a (artigo feminino)
= aa à; a (preposição) + aquela (pronome demonstrativo feminino) = àquela; a (preposição) + aquilo (pronome
demonstrativo feminino) = àquilo. Por ser a junção das vogais, a crase, como regra geral, ocorre diante de palavras
femininas, sendo a única exceção os pronomes demonstrativos aquilo e aquele, que recebem a crase por terem
“a” como sua vogal inicial. Crase não é o nome do acento, mas indicação do fenômeno de união representado pelo
acento grave.
A crase pode ser a contração da preposição a com:
– O artigo feminino definido a/as: “Foi à escola, mas não assistiu às aulas.”
– O pronome demonstrativo a/as: “Vá à paróquia central.”
– Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: “Retorne àquele mesmo local.”
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– O a dos pronomes relativos a qual e as quais: “São pessoas às quais devemos o maior respeito e consideração”.
Perceba que a incidência da crase está sujeita à presença de duas vogais a (preposição + artigo ou preposição
+ pronome) na construção sintática.
Técnicas para o emprego da crase
1 – Troque o termo feminino por um masculino, de classe semelhante. Se a combinação ao aparecer,
ocorrerá crase diante da palavra feminina.
Exemplos:
“Não conseguimos chegar ao hospital / à clínica.”
“Preferiu a fruta ao sorvete / à torta.”
“Comprei o carro / a moto.”
“Irei ao evento / à festa.”
2 – Troque verbos que expressem a noção de movimento (ir, vir, chegar, voltar, etc.) pelo verbo voltar.
Se aparecer a preposição da, ocorrerá crase; caso apareça a preposição de, o acento grave não deve ser
empregado.
Exemplos:
“Vou a São Paulo. / Voltei de São Paulo.”
“Vou à festa dos Silva. / Voltei da Silva.”
“Voltarei a Roma e à Itália. / Voltarei de Roma e da Itália.”
3 – Troque o termo regente da preposição a por um que estabeleça a preposição por, em ou de. Caso essas
preposições não se façam contração com o artigo, isto é, não apareçam as formas pela(s), na(s) ou da(s), a
crase não ocorrerá.
Exemplos:
“Começou a estudar (sem crase) – Optou por estudar / Gosta de estudar / Insiste em estudar.”
“Refiro-me à sua filha (com crase) – Apaixonei-me pela sua filha / Gosto da sua filha / Votarei na sua filha.”
“Refiro-me a você. (sem crase) – Apaixonei-me por você / Gosto de você / Penso em você.”
4 – Tratando-se de locuções, isto é, grupo de palavras que expressam uma única ideia, a crase somente
deve ser empregada se a locução for iniciada por preposição e essa locução tiver como núcleo uma palavra
feminina, ocorrerá crase.
Exemplos:
“Tudo às avessas.”
“Barcos à deriva.”
5 – Outros casos envolvendo locuções e crase:
Na locução «à moda de”, pode estar implícita a expressão “moda de”, ficando somente o à explícito.
Exemplos:
“Arroz à (moda) grega.”
“Bife à (moda) parmegiana.”
Nas locuções relativas a horários, ocorra crase apenas no caso de horas especificadas e definidas: Exemplos:
“À uma hora.”
“Às cinco e quinze”.
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Exercícios
1. FCC - 2022 - TRT - 22ª Região (PI) - Analista Judiciário - Biblioteconomia- O rio de minha terra é um
deus estranho.
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(E) conjunção.
2. INSTITUTO AOCP - 2022 - IPE Prev - Analista em Previdência - Direito - Edital nº 002(E) metonímia.
O surpreendente efeito da positividade tóxica na saúde mental
Lucía Blasco
Pode parecer contraditório, mas a positividade pode ser tóxica.
“Qualquer tentativa de escapar do negativo — evitá-lo, sufocá-lo ou silenciá-lo — falha. Evitar o sofrimento
é uma forma de sofrimento”, escreveu o escritor americano Mark Manson em seu livro A Arte Sutil de Ligar o
Foda-se. É precisamente nisso que consiste a positividade tóxica ou positivismo extremo: impor a nós mesmos
— ou aos outros — uma atitude falsamente positiva, generalizar um estado feliz e otimista seja qual for a situ-
ação, silenciar nossas emoções “negativas” ou as dos outros. (...)
O psicólogo da saúde Antonio Rodellar, especialista em transtornos de ansiedade e hipnose clínica, prefere
falar em “emoções desreguladas” do que “negativas”. “A paleta de cores emocionais engloba emoções desre-
guladas, como tristeza, frustração, raiva, ansiedade ou inveja. Não podemos ignorar que, como seres humanos,
temos aquela gama de emoções que têm uma utilidade e que nos dão informações sobre o que acontece no
nosso meio e no nosso corpo”, explica Rodellar à BBC News Mundo.
Para a terapeuta e psicóloga britânica Sally Baker, “o problema com a positividade tóxica é que ela é uma
negação de todos os aspectos emocionais que sentimos diante de qualquer situação que nos represente um
desafio.” “É desonesto em relação a quem somos permitir-nos apenas expressões positivas”, diz Baker. (...)
“Nós nos escondemos atrás da positividade para manter outras pessoas longe de uma imagem que nos mostra
imperfeitos.” (...) “Quando ignoramos nossas emoções negativas, nosso corpo aumenta o volume para chamar
nossa atenção para esse problema. Suprimir as emoções nos esgota mental e fisicamente. Não é saudável e
não é sustentável a longo prazo”, diz a terapeuta. (...)
Teresa Gutiérrez, psicopedagoga e especialista em neuropsicologia, considera que “o positivismo tóxico tem
consequências psicológicas e psiquiátricas mais graves do que a depressão”. “Pode levar a uma vida irreal
que prejudica nossa saúde mental. Tanto positivismo não é positivo para ninguém. Se não houver frustração e
fracasso, não aprendemos a desenvolver em nossas vidas”, disse ele à BBC Mundo.
O positivismo tóxico está na moda? Baker pensa que sim e atribui isso às redes sociais, “que nos obrigam a
comparar nossas vidas com as vidas perfeitas que vemos online”. (...) “Se houvesse mais honestidade sobre as
vulnerabilidades, nos sentiríamos mais livres para experimentar todos os tipos de emoções. Somos humanos
e devemos nos permitir sentir todo o espectro de emoções. É ok não estar bem. Não podemos ser positivos o
tempo todo.”
Gutiérrez acredita que houve um aumento do positivismo tóxico “nos últimos anos”, mas principalmente du-
rante a pandemia. (...) “Todas as emoções são como ondas: ganham intensidade e depois descem e tornam-se
espuma, até desaparecer aos poucos. O problema é quando não as queremos sentir porque nos tornamos mais
dóceis perante uma ‘onda’ que se aproxima”. (...)
Stephanie Preston, professora de psicologia da Universidade de Michigan, nos EUA, acredita que a melhor
maneira de validar as emoções é “apenas ouvi-las”. “Quando alguém compartilha sentimentos negativos com
você, em vez de correr para fazer essa pessoa se sentir melhor ou pensar mais positivamente (“Tudo vai ficar
bem”), tente levar um segundo para refletir sobre seu desconforto ou medo e faça o possível para ouvir”, acon-
selha a especialista. (...)
Como aplicar isso na prática? Em vez de dizer “não pense nisso, seja positivo”, diga “me diz o que você está
sentindo, eu te escuto”. Em vez de falar “poderia ser pior”, diga “sinto muito que está passando por isso”. Em
vez de “não se preocupe, seja feliz”, diga “estou aqui para você”. (...) “Tudo bem olhar para o copo meio cheio,
mas aceitando que pode haver situações em que o copo está meio vazio e, a partir daí, assumir a responsabi-
lidade de como construímos nossas vidas”.
Para Baker, o que devemos lembrar é que “todas as nossas emoções são autênticas e reais, e todas elas
são válidas”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55278174.
Acesso em: 28 dez. 2021.
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A função da linguagem predominante no texto é
(A) referencial, visto que se propõe a informar o leitor a respeito da positividade tóxica e seus efeitos na
vida das pessoas, sobretudo, mediante pareceres de especialistas.
(B) emotiva, pois a autora expressa sua visão, ainda que de modo sutil, acerca da severidade do proble-
ma exposto, em especial, no que tange à saúde mental.
(C) conativa, já que procura persuadir os leitores quanto à gravidade dos efeitos do positivismo extremo
com relação à saúde física e mental da população.
(D) fática, por centrar-se na comunicação entre autor e leitor, principal interessado em termos de conhe-
cimento sobre o tema “positividade tóxica ou positivismo extremo”.
(E) metalinguística, uma vez que evidencia o uso de uma linguagem científica ao apresentar diversos
posicionamentos técnicos para tratar do assunto “positividade tóxica”.
3. FCC - 2022 - TRT - 22ª Região (PI) - Analista Judiciário - Área Judiciária-
Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os
dois protagonistas. Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal, mas, em vez disso, ela
prepara-lhe um “filtro de amor”, que tanto Tristão como Isolda bebem sem saber o efeito que irá produzir. A
misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões e arrasta-os para um êxtase que nada consegue
dissipar − nem sequer o fato de ambos estarem traindo infamemente o bondoso rei Mark. Na ópera Tristão e
Isolda, Richard Wagner captou a força da ligação entre os amantes numa das passagens mais exaltadas da
história da música. Devemos interrogar-nos sobre o que o atraiu para essa história e por que motivo milhões de
pessoas, durante mais de um século, têm partilhado o fascínio de Wagner por ela.
A resposta à primeira pergunta é que a composição celebrava uma paixão semelhante e muito real da
vida de Wagner. Wagner e Mathilde Wesendonck tinham se apaixonado de forma não menos insensata, se con-
siderarmos que Mathilde era a mulher do generoso benfeitor de Wagner e que Wagner era um homem casado.
Wagner tinha sentido as forças ocultas e indomáveis que por vezes conseguem se sobrepor à vontade própria
e que, na ausência de explicações mais adequadas, têm sido atribuídas à magia ou ao destino. A resposta à
segunda questão é um desafio ainda mais atraente.
Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros capazes de impor comportamentos que
podemos ser capazes ou não de eliminar por meio da chamada força de vontade. Um exemplo elementar é a
substância química oxitocina. No caso dos mamíferos, incluindo os seres humanos, essa substância é produ-
zida tanto no cérebro como no corpo. De modo geral, influencia toda uma série de comportamentos, facilita as
interações sociais e induz a ligação entre os parceiros amorosos.
Não há dúvida de que os seres humanos estão constantemente usando muitos dos efeitos da oxitocina, con-
quanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons.
Não se deve esquecer que o filtro de amor não trouxe bons resultados para o Tristão e Isolda de Wagner. Ao
fim de três horas de espetáculo, eles encontram uma morte desoladora.
(Adaptado de: DAMÁSIO, António. O erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, edição digital)
A misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões.
No contexto em que se encontra, o segmento sublinhado acima exerce a mesma função sintática do que
está também sublinhado em:
(A) Wagner era um homem casado.
(B) O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagonistas.
(C) Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros
(D) o que o atraiu para essa história
(E) Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal.
4. FCC - 2022 - TRT - 22ª Região (PI) - Técnico Judiciário - Área Administrativa- Atenção: Para responder à
questão, leia a crônica “Tatu”, de Carlos Drummond de Andrade.
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1776113 E-book gerado especialmente para ALINE PATRICIA REUSCH
O luar continua sendo uma graça da vida, mesmo depois que o pé do homem pisou e trocou em miúdos a
Lua, mas o tatu pensa de outra maneira. Não que ele seja insensível aos amavios do plenilúnio; é sensível, e
muito. Não lhe deixam, porém, curtir em paz a claridade noturna, de que, aliás, necessita para suas expedições
de objetivo alimentar. Por que me caçam em noites de lua cheia, quando saio precisamente para caçar? Como
prover a minha subsistência, se de dia é aquela competição desvairada entre bichos, como entre homens, e de
noite não me dão folga?
Isso aí, suponho, é matutado pelo tatu, e se não escapa do interior das placas de sua couraça, em termos
de português, é porque o tatu ignora sabiamente os idiomas humanos, sem exceção, além de não acreditar em
audiência civilizada para seus queixumes. A armadura dos bípedes é ainda mais invulnerável que a dele, e não
há sensibilidade para a dor ou a problemática do tatu.
Meu amigo andou pelas encostas do Corcovado, em noite de prata lunal, e conseguiu, por artimanhas só
dele sabidas, capturar vivo um tatu distraído. É, distraído. Do contrário não o pegaria. Estava imóvel, estático,
fruindo o banho de luz na folhagem, essa outra cor que as cores assumem debaixo da poeira argentina da Lua.
Esquecido das formigas, que lhe cumpria pesquisar e atacar, como quem diz, diante de um motivo de prazer:
“Daqui a pouco eu vou trabalhar; só um minuto mais, alegria da vida”, quedou-se à mercê de inimigos maiores.
Sem pressentir que o mais temível deles andava por perto, em horas impróprias à deambulação de um profes-
sor universitário.
− Mas que diabo você foi fazer naqueles matos, de madrugada?
− Nada. Estava sem sono, e gosto de andar a esmo, quando todos roncam.
Sem sono e sem propósito de agredir o reino animal, pois é de feitio manso, mas o velho instinto cavernal
acordou nele, ao sentir qualquer coisa a certa distância, parecida com a forma de um bicho. Achou logo um cipó
bem forte, pedindo para ser usado na caça; e jamais tendo feito um laço de caçador, soube improvisá-lo com
perícia de muitos milhares de anos (o que a universidade esconde, nas profundas camadas do ser, e só permite
que venha aflorar em noite de lua cheia!).
Aproximou-se sutil, laçou de jeito o animal desprevenido. O coitado nem teve tempo de cravar as garras no
laçador. Quando agiu, já este, num pulo, desviara o corpo. Outra volta no laço. E outra. Era fácil para o tatu
arrebentar o cipó com a força que a natureza depositou em suas extremidades. Mas esse devia ser um tatu
meio parvo, e se embaraçou em movimentos frustrados. Ou o sereno narrador mentiu, sei lá. Talvez o tenha
comprado numa dessas casas de suplício que há por aí, para negócio de animais. Talvez na rua, a um vendedor
de ocasião, quando tudo se vende, desde o mico à alma, se o PM não ronda perto.
Não importa. O caso é que meu amigo tem em sua casa um tatu que não se acomodou ao palmo de terra
nos fundos da casa e tratou de abrigar longa escavação que o conduziu a uma pedreira, e lá faz greve de fome.
De lá não sai, de lá ninguém o tira. A noite perdeu para ele seu encanto luminoso. A ideia de levá-lo para o zoo-
lógico, aventada pela mulher do caçador, não frutificou. Melhor reconduzi-lo a seu hábitat, mas o tatu se revela
profundamente contrário a qualquer negociação com o bicho humano, que pensa em apelar para os bombeiros
a fim de demolir o metrô tão rapidamente feito, ao contrário do nosso, urbano, e salvar o infeliz. O tatu tem ra-
zões de sobra para não confiar no homem e no luar do Corcovado.
Não é fábula. Eu compreendo o tatu.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Os dias lindos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013)
No desfecho da crônica, o cronista revela, em relação ao tatu, um sentimento de
(A) empatia.
(B) desconfiança.
(C) superioridade.
(D) soberba.
(E) desdém.
5. FCC - 2022 - TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Área Administrativa-
Melancolia e criatividade
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Desde sempre o sentimento da melancolia gozou de má fama. O melancólico é costumeiramente tomado
como um ser desanimado, depressivo, “pra baixo”, em suma: um chato que convém evitar. Mas é uma fama
injusta: há grandes melancólicos que fazem grande arte com sua melancolia, e assim preenchem a vida da
gente, como uma espécie de contrabando da tristeza que a arte transforma em beleza. “Pra fazer um samba
com beleza é preciso um bocado de tristeza”, já defendeu o poeta Vinícius de Moraes, na letra de um conhecido
samba seu.
Mas a melancolia não para nos sambas: ela desde sempre anima a literatura, a música, a pintura, o cinema,
as artes todas. Anima, sim: tanto anima que a gente gosta de voltar a ver um bom filme melancólico, revisitar
um belo poema desesperançado, ouvir uma vez mais um inspirado noturno para piano. Ou seja: os artistas
melancólicos fazem de sua melancolia a matéria-prima de uma obra-prima. Sorte deles, nossa e da própria
melancolia, que é assim resgatada do escuro do inferno para a nitidez da forma artística bem iluminada.
Confira: seria possível haver uma história da arte que deixasse de falar das grandes obras melancólicas?
Por certo se perderia a parte melhor do nosso humanismo criativo, que sabe fazer de uma dor um objeto aberto
ao nosso reconhecimento prazeroso. Charles Chaplin, ao conceber Carlitos, dotou essa figura humana ines-
quecível da complexa composição de fracasso, melancolia, riso, esperteza e esperança. O vagabundo sem
destino, que vive a apanhar da vida, ganhou de seu criador o condão de emocionar o mundo não com feitos
gloriosos, mas com a resistente poesia que o faz enfrentar a vida munido da força interior de um melancólico
disposto a trilhar com determinação seu caminho, ainda que no rumo a um horizonte incerto.
(Humberto Couto Villares, a publicar)
No terceiro parágrafo, a personagem Carlitos é invocada para
(A) dar um sentido de nobreza a todas as experiências de fracasso humano.
(B) testemunhar a determinação de um indivíduo em alcançar seus altos objetivos.
(C) indicar a possibilidade da transformação sistemática da dor em franca alegria.
(D) personificar a complexa conjunção entre força poética e marginalidade social.
(E) promover a felicidade que pode desfrutar quem não está comprometido com nada.
6. FCC - 2022 - TRT - 22ª Região (PI) - Técnico Judiciário - Tecnologia da Informação-
A independência política em 1822 não trouxe muitas novidades em termos institucionais, mas consolidou um
objetivo claro, qual seja: estruturar e justificar uma nova nação.
A tarefa não era pequena e quem a assumiu foi o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), que,
aberto em 1838, no Rio de Janeiro, logo deixaria claras suas principais metas: construir uma história que ele-
vasse o passado e que fosse patriótica nas suas proposições, trabalhos e argumentos.
Para referendar a coerência da filosofia que inaugurou o IHGB, basta prestar atenção no primeiro concurso
público por lá organizado. Em 1844, abriam-se as portas para os candidatos que se dispusessem a discorrer
sobre uma questão espinhosa: “Como se deve escrever a história do Brasil”. Tratava-se de inventar uma nova
história do e para o Brasil. Foi dado, então, um pontapé inicial, e fundamental, para a disciplina que chamaría-
mos, anos mais tarde, e com grande naturalidade, de “História do Brasil”.
A singularidade da competição também ficou associada a seu resultado e à divulgação do nome do vence-
dor. O primeiro lugar, nessa disputa histórica, foi para um estrangeiro − o conhecido naturalista bávaro Karl von
Martius (1794-1868), cientista de ilibada importância, embora novato no que dizia respeito à história em geral e
àquela do Brasil em particular − , o qual advogou a tese de que o país se definia por sua mistura, sem igual, de
gentes e povos. Utilizando a metáfora de um caudaloso rio, correspondente à herança portuguesa que acabaria
por “limpar” e “absorver os pequenos confluentes das raças índia e etiópica”, representava o país a partir da
singularidade e dimensão da mestiçagem de povos por aqui existentes.
A essa altura, porém, e depois de tantos séculos de vigência de um sistema violento como o escravocrata,
era no mínimo complicado simplesmente exaltar a harmonia. Além do mais, indígenas continuavam sendo dizi-
mados no litoral e no interior do país.
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Martius, que em 1832 havia publicado um ensaio chamado “O estado do direito entre os autóctones no Bra-
sil”, condenando os indígenas ao desaparecimento, agora optava por definir o país por meio da redentora me-
táfora fluvial. Três longos rios resumiriam a nação: um grande e caudaloso, formado pelas populações brancas;
outro um pouco menor, nutrido pelos indígenas; e ainda outro, mais diminuto, alimentado pelos negros.
Ali estavam, pois, os três povos formadores do Brasil; todos juntos, mas (também) diferentes e separados.
Mistura não era (e nunca foi) sinônimo de igualdade. Essa era uma ótima maneira de “inventar” uma história
não só particular (uma monarquia tropical e mestiçada) como também muito otimista: a água que corria repre-
sentava o futuro desse país constituído por um grande rio caudaloso no qual desaguavam os demais pequenos
afluentes.
É possível dizer que começava a ganhar força então a ladainha das três raças formadoras da nação, que
continuaria encontrando ampla ressonância no Brasil, pelo tempo afora.
(Adaptado de: SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Le-
tras, 2019)
O verbo sublinhado no segmento Mistura não era (e nunca foi) sinônimo de igualdade está flexionado nos
mesmos tempo e modo que o sublinhado em:
(A) a disciplina que chamaríamos, anos mais tarde, e com grande naturalidade
(B) Três longos rios resumiriam a nação
(C) O primeiro lugar, nessa disputa histórica, foi para um estrangeiro
(D) A independência política em 1822 não trouxe muitas novidades
(E) a água que corria representava o futuro desse país
7. FCC - 2022 - DPE-AM - Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas- Atenção: Considere o texto
abaixo, do pensador francês Voltaire (1694-1778), para responder à questão.
O preço da justiça
Vós, que trabalhais na reforma das leis, pensai, assim como grande jurisconsulto Beccaria, se é racional
que, para ensinar os homens a detestar o homicídio, os magistrados sejam homicidas e matem um homem em
grande aparato.
Vede se é necessário matá-lo quando é possível puni-lo de outra maneira, e se cabe empregar um de
vossos compatriotas para massacrar habilmente outro compatriota. [...] Em qualquer circunstância, condenai o
criminoso a viver para ser útil: que ele trabalhe continuamente para seu país, porque ele prejudicou o seu país.
É preciso reparar o prejuízo; a morte não repara nada.
Talvez alguém vos diga: “O senhor Beccaria está enganado: a preferência que ele dá a trabalhos penosos e
úteis, que durem toda a vida, baseia-se apenas na opinião de que essa longa e ignominiosa pena é mais terrível
que a morte, pois esta só é sentida por um momento”.
Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil. O grande objetivo, como já dissemos
em outra passagem, é servir o público; e, sem dúvida, um homem votado todos os dias de sua vida a preservar
uma região da inundação por meio de diques, ou a abrir canais que facilitem o comércio, ou a drenar pântanos
infestados, presta mais serviços ao Estado que um esqueleto a pendular de uma forca numa corrente de ferro,
ou desfeito em pedaços sobre uma roda de carroça.
(VOLTAIRE. O preço da justiça. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 18-
20)
Voltaire acusa o sentido contraditório de um determinado posicionamento ao referir-se a ele nestes seg-
mentos:
(A) massacrar habilmente um compatriota / detestar o homicídio
(B) matem um homem / em grande aparato
(C) Beccaria está enganado / o grande objetivo é servir o público
(D) presta mais serviços ao Estado / trabalhos penosos e úteis
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(E) servir ao público / preservar uma região da inundação
8. FCC - 2022 - SEDU-ES - Professor MaPB - Ensino Fundamental e Médio - Língua Portuguesa-
Ai de ti, Ipanema
Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: “Ai de ti, Copacabana,
porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te
abalará até as entranhas.” Era uma exortação bíblica, apocalíptica, profética, ainda que irônica e hiperbólica.
“Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.”
Na sua condenação, o Velho Braga antevia os sinais da degradação e da dissolução moral de um bairro
prestes a ser tragado pelo pecado e afogado pelo oceano, sucumbindo em meio às abjeções e ao vício: “E os
escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face”.
A praia já chamada de “princesinha do mar”, coitada, inofensiva e pura, era então, como Ipanema seria de-
pois, a síntese mítica do hedonismo carioca, mais do que uma metáfora, uma metonímia.
No fim dos anos 50, Copacabana era o éden não contaminado ainda pelos plenos pecados, eram tempos
idílicos e pastorais, a era da inocência, da bossa nova, dos anos dourados de JK, de Garrincha. Digo eu agora:
Ai de ti, Ipanema, que perdeste a inocência e o sossego, e tomaste o lugar de Copacabana, e não percebeste
os sinais que não são mais simbólicos: o emissário submarino se rompendo, as águas poluídas, as valas ne-
gras, as agressões, os assaltos, o medo e a morte.
(Adaptado de: VENTURA, Zuenir. Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p.
166/167)
Ao qualificar a linguagem de Rubem Braga em sua crônica “Ai de ti, Copacabana”, Zuenir Ventura se vale
dos termos exortação e condenação, para reconhecer no texto do Velho Braga,
(A) a tonalidade grave de uma invectiva.
(B) a informalidade de um discurso emocional.
(C) o coloquialismo de um lírico confessional.
(D) a retórica argumentativa dos clássicos.
(E) a força épica de uma celebração.
9. FGV - 2022 - TJ-MS - Analista Judiciário - Área Fim- A linguagem tem múltiplas funções; a frase abaixo em
que a função da linguagem empregada é a de abordar a própria linguagem (metalinguagem) é:
(A) Para salvar seu crédito, você deve esconder a sua ruína;
(B) Colhe as rosas enquanto estão vivas; amanhã, já não estarão como hoje;
(C) Em geral, logo que uma coisa se torna útil deixa de ser bela;
(D) Se você tiver que ser atropelado por um carro, é melhor que seja por uma Ferrari;
(E) O não produz inimigos; o sim, falsos amigos.
10. FCC - 2022 - Prefeitura de Recife - PE - Agente Administrativo da Assistência Social- Atenção: Leia a
crônica para responder à questão
O dono do pequeno restaurante é amável, sem derrame, e a fregueses mais antigos oferece, antes do menu,
o jornal do dia “facilitado”, isto é, com traços vermelhos cercando as notícias importantes. Vez por outra, indaga
se a comida está boa, oferece cigarrinho, queixa-se do resfriado crônico e pergunta pelo nosso, se o temos; se
não temos, por aquele regime começado em janeiro, e de que desistimos. Também pelos filmes de espiona-
gem, que mexem com ele na alma.
Espetar a despesa não tem problema, em dia de barra pesada. Chega a descontar o cheque a ser recebido
no mês que vem (“Falta só uma semana, seu Adelino”).
Além dessas delícias raras, seu Adelino faculta ao cliente dar palpites ao cozinheiro e beneficiar-se com o filé
mais fresquinho, o palmito de primeira, a batata feita na hora, especialmente para os eleitos. Enfim, autêntico
papo-firme.
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Uma noite dessas, o movimento era pequeno, seu Adelino veio sentar-se ao lado da antiga freguesa. Era
hora do jantar dele, também. O garçom estendeu-lhe o menu e esperou. Seu Adelino, calado, olhava para a
lista inexpressiva dos pratos do dia. A inspiração não vinha. O garçom já tinha ido e voltado duas vezes, e nada.
A freguesa resolveu colaborar:
− Que tal um fígado acebolado?
− Acabou, madame − atalhou o garçom.
− Deixe ver… Assada com coradas, está bem?
− Não, não tenho vontade disso − e seu Adelino sacudiu a cabeça.
− Bem, estou vendo aqui umas costeletas de porco com feijão-branco, farofa e arroz…
− Não é mau, mas acontece que ainda ontem comi uma carnezita de porco, e há dois dias que me servem
feijão ao almoço − ponderou.
A freguesa de boa vontade virou-se para o garçom:
− Aqui no menu não tem, mas quem sabe se há um bacalhau a qualquer coisa? − pois seu Adelino (refletiu
ela) é português, e como todo lusíada que se preza, há de achar isso a pedida.
Da cozinha veio a informação:
− Tem bacalhau à Gomes de Sá. Quer?
− Pode ser isso − concordou seu Adelino, sem entusiasmo.
Ao cabo de dez minutos, veio o garçom brandindo o Gomes de Sá. A freguesa olhou o prato, invejando-o, e,
para estimular o apetite de seu Adelino:
− Está uma beleza!
− Não acho muito não − retorquiu, inapetente.
O prato foi servido, o azeite adicionado, e seu Adelino traçou o bacalhau, depois de lhe ser desejado bom
apetite. Em silêncio.
Vendo que ele não se manifestava, sua leal conviva interpelou-o:
− Como é, está bom?
Com um risinho meio de banda, fez a crítica:
− Bom nada, madame. Isso não é bacalhau à Gomes de Sá nem aqui nem em Macau. É bacalhau com
batatas. E vou lhe dizer: está mais para sem gosto do que com ele. A batata me sabe a insossa, e o bacalhau
salgado em demasia, ai!
A cliente se lembrou, com saudade vera, daquele maravilhoso Gomes de Sá que se come em casa de d.
Concessa. E foi detalhando:
− Lá em casa é que se prepara um legal, sabe? Muito tomate, pimentão, azeite de verdade, para fazer um
molho pra lá de bom, e ainda acrescentam um ovo…
Seu Adelino emergiu da apatia, comoveu-se, os olhos brilhando, desta vez em sorriso aberto:
− Isso mesmo! Ovo cozido e ralado, azeitonas portuguesas, daquelas… Um santo, santíssimo prato!
Mas, encarando o concreto:
− Essa gente aqui não tem a ciência, não tem a ciência!
− Espera aí, seu Adelino, vamos ver no jornal se tem um bom filme de espionagem para o senhor se conso-
lar.
Não tinha, infelizmente.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. 70 histórias. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.
110-111)
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1776113 E-book gerado especialmente para ALINE PATRICIA REUSCH
O termo sublinhado em a fregueses mais antigos oferece, antes do menu, o jornal do dia “facilitado” exerce
a mesma função sintática do termo sublinhado em:
(A) O garçom estendeu-lhe o menu e esperou
(B) seu Adelino veio sentar-se ao lado da antiga freguesa
(C) Vez por outra, indaga se a comida está boa
(D) Uma noite dessas, o movimento era pequeno
(E) seu Adelino faculta ao cliente dar palpites ao cozinheiro
11. FCC - 2022 - TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Área Judiciária-
A chama é bela
Nos anos 1970 comprei uma casa no campo com uma bela lareira, e para meus filhos, entre 10 e 12 anos, a
experiência do fogo, da brasa que arde, da chama, era um fenômeno absolutamente novo. E percebi que quan-
do a lareira estava acesa eles deixavam a televisão de lado. A chama era mais bela e variada do que qualquer
programa, contava histórias infinitas, não seguia esquemas fixos como um programa televisivo.
O fogo também se faz metáfora de muitas pulsões, do inflamar-se de ódio ao fogo da paixão amorosa. E o
fogo pode ser a luz ofuscante que os olhos não podem fixar, como não podem encarar o Sol (o calor do fogo
remete ao calor do Sol), mas devidamente amestrado, quando se transforma em luz de vela, permite jogos de
claro-escuro, vigílias noturnas nas quais uma chama solitária nos obriga a imaginar coisas sem nome...
O fogo nasce da matéria para transformar-se em substância cada vez mais leve e aérea, da chama rubra ou
azulada da raiz à chama branca do ápice, até desmaiar em fumaça... Nesse sentido, a natureza do fogo é as-
censional, remete a uma transcendência e, contudo, talvez porque tenhamos aprendido que ele vive no coração
da Terra, é também símbolo de profundidades infernais. É vida, mas é também experiência de seu apagar-se
e de sua contínua fragilidade.
(Adaptado de: ECO, Umberto. Construir o inimigo. Rio de Janeiro: Record, 2021, p. 54-55)
O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do plural para integrar corretamente a
frase:
(A) Mais que os esquemas fixos dos programas de TV (atrair) as crianças o espetáculo da lareira.
(B) Sempre (haver), por conta dos poderes do fogo, as metáforas que o fazem representar nossas pai-
xões.
(C) Não (convir) aos espectadores do fogo fixar-se demoradamente em suas luzes que podem ence-
guecê-los.
(D) No fogo (convergir), como espetáculo que é, as propriedades do brilho físico e as do estatuto meta-
fórico.
(E) Aos múltiplos apelos do fogo (atender) nosso olhar aberto para o eterno espetáculo que suas chamas
constituem.
12. FCC - 2022 - TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Área Judiciária
O meu ofício
O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre
o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e
me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos
que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se
estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro
e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda
como uma náusea dentro de mim.
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1776113 E-book gerado especialmente para ALINE PATRICIA REUSCH
Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se
servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento
escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo
nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras
tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali.
Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância,
entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos
ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova
máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas:
saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata.
(Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac
Naify, 2015, p, 72-77, passim)
As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em:
(A) As palavras que a alguém ocorrem deitar no papel acabam por identificar o estilo mesmo de quem
as escreveu.
(B) Gaba-se a autora de que às palavras a que recorre nunca falta a espontaneidade dos bons escritos.
(C) Faltam às tarefas outras de que poderiam se incumbir a facilidade que encontra ela em escrever seus
textos.
(D) Os possíveis entraves para escrever um conto, revela a autora, logo se dissipou em sua primeira
tentativa.
(E) Não haveria de surgir impulsos mais fortes, para essa escritora, do que os que a levaram a imaginar
histórias
13. FCC - 2022 - TJ-CE - Analista Judiciário - Ciência da Computação - Infraestrutura de TI- Atenção: Para
responder à questão, leia o início do conto “Missa do Galo”, de Machado de Assis.
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela,
trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei
que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias,
com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de
Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa asso-
bradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o
escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos
quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses
que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas
riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube
que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e
dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça*;
mas afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos
do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes
risos. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chama-
mos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não
soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Man-
garatiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver “a missa do galo na Corte”. A família recolheu-se à hora do
costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acor-
dar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
— Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
— Leio, D. Inácia.
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1776113 E-book gerado especialmente para ALINE PATRICIA REUSCH
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à
mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda
uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Os minutos voavam, ao contrário do que costu-
mam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto,
um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura.
(Adaptado de: Machado de Assis. Contos: uma antologia. São Paulo: Companhia das Letras, 1988)
*comborça: qualificação humilhante da amante de homem casado
Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo em:
(A) A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas.
(B) Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
(C) A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras
núpcias, com uma de minhas primas.
(D) Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezes-
sete, ela, trinta.
(E) Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações,
alguns passeios.
14. FCC - 2022 - TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Área Administrativa-
Crimes ditos “passionais”
A história da humanidade registra poucos casos de mulheres que mataram por se sentirem traídas ou despre-
zadas. Não sabemos, ainda, se a emancipação feminina irá trazer também esse tipo de igualdade: a igualdade
no crime e na violência. Provavelmente, não. O crime dado como passional costuma ser uma reação daquele
que se sente “possuidor” da vítima. O sentimento de posse, por sua vez, decorre não apenas do relacionamen-
to sexual, mas também do fator econômico: o homem é, em boa parte dos casos, o responsável maior pelo
sustento da casa. Por tudo isso, quando ele se vê contrariado, repelido ou traído, acha-se no direito de matar.
O que acontece com os homens que matam mulheres quando são levados a julgamento? São execrados ou
perdoados? Como reage a sociedade e a Justiça brasileiras diante da brutalidade que se tenta justificar como
resultante da paixão? Há decisões estapafúrdias, sentenças que decorrem mais em função da eloquência dos
advogados e do clima emocional prevalecente entre os jurados do que das provas dos autos.
Vejam-se, por exemplo, casos de crimes passionais cujos responsáveis acabaram sendo inocentados com o
argumento de que houve uma “legítima defesa da honra”, que não existe na lei. Os motivos que levam o crimi-
noso passional a praticar o ato delituoso têm mais a ver com os sentimentos de vingança, ódio, rancor, frustra-
ção, vaidade ferida, narcisismo maligno, prepotência, egoísmo do que com o verdadeiro sentimento de honra.
A evolução da posição da mulher na sociedade e o desmoronamento dos padrões patriarcais tiveram grande
repercussão nas decisões judiciais mais recentes, sobretudo nos crimes passionais. A sociedade brasileira vem
se dando conta de que mulheres não podem ser tratadas como cidadãs de segunda categoria, submetidas ao
poder de homens que, com o subterfúgio da sua “paixão”, vinham assumindo o direito de vida e morte sobre
elas.
(Adaptado de: ELUF, Luiza Nagib. A paixão no banco dos réus. São Paulo: Saraiva, 2002, XI-XIV, passim)
É inteiramente regular a pontuação do seguinte período:
(A) A autora do texto reclama, com senso de justiça que não se considere passional um crime movido
pelo rancor, e pelo ódio.
(B) Como reage, a sociedade, quando se vê diante desses crimes em que, a paixão alegada, vale como
uma atenuante.
(C) Tratadas há muito, como cidadãs de segunda classe, as mulheres, aos poucos, têm garantido seus
direitos fundamentais.
(D) Não é a paixão, mas sim, os motivos mais torpes, que estão na raiz mesma, dos crimes hediondos
apresentados como passionais.
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(E) Há advogados cuja retórica, encenada em tom emocional, acaba por convencer o júri, inocentando
assim um frio criminoso.
15. FCC - 2022 - DPE-AM - Analista Jurídico de Defensoria - Ciências Jurídicas Considere o texto abaixo
para responder à questão.
[Viver a pressa]
Há uma continuidade entre a lógica intensamente competitiva e calculista do mundo do trabalho e aquilo que
somos e fazemos nas horas em que estamos fora dele.
O vírus da pressa alastra-se em nossos dias de uma forma tão epidêmica como a peste em outros tempos: a
frequência do acesso a um website despenca caso ele seja mais lento que um site rival. Mais de um quinto dos
usuários da internet desistem de um vídeo caso ele demore mais que cinco segundos para carregar.
Excitação efêmera, sinal de tédio à espreita. Estará longe o dia em que toda essa pressa deixe de ser uma
obsessão? Será que a adaptação triunfante aos novos tempos da velocidade máxima acabará por esvaziar até
mesmo a consciência dessa nossa degradação descontrolada?
(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 88)
Está plenamente adequada a pontuação do seguinte período:
(A) Ao detectar, em nossos dias tão agitados, o vírus da pressa, que contamina não apenas o tempo do
trabalho, mas também o tempo de outras ocupações, o autor mostra seu temor de que, se assim continuar,
nossa civilização se degradará.
(B) Ao detectar em nossos dias, tão agitados o vírus da pressa, que contamina não apenas o tempo do
trabalho mas, também, o tempo de outras ocupações, o autor mostra seu temor, de que, se assim continuar,
nossa civilização se degradará.
(C) Ao detectar, em nossos dias tão agitados o vírus da pressa, que contamina, não apenas o tempo do
trabalho mas também o tempo de outras ocupações, o autor mostra seu temor de que, se assim continuar
nossa civilização, se degradará.
(D) Ao detectar em nossos dias tão agitados, o vírus da pressa que contamina, não apenas o tempo do
trabalho mas, também o tempo, de outras ocupações, o autor mostra seu temor de que, se assim continuar
nossa civilização se degradará.
(E) Ao detectar em nossos dias tão agitados o vírus, da pressa que contamina não apenas o tempo do
trabalho, mas também o tempo de outras ocupações, o autor mostra, seu temor, de que, se assim continuar
nossa civilização se degradará.
16. FCC - 2020 - AL-AP - Analista Legislativo - Assessor Jurídico Legislativo- Atenção: Para responder à
questão, baseie-se no texto abaixo.
Distribuição justa
A justiça de um resultado distributivo das riquezas depende das dotações iniciais dos participantes e da lisu-
ra do processo do qual ele decorre. Do ponto de vista coletivo, a questão crucial é: a desigualdade observada
reflete essencialmente os talentos, esforços e valores diferenciados dos indivíduos, ou, ao contrário, ela resulta
de um jogo viciado na origem e no processo, de uma profunda falta de equidade nas condições iniciais de vida,
da privação de direitos elementares ou da discriminação racial, sexual, de gênero ou religiosa?
A condição da família em que uma criança tiver a sorte ou o infortúnio de nascer, um risco comum, a todos,
passa a exercer um papel mais decisivo na definição de seu futuro do que qualquer outra coisa ou escolha que
possa fazer no ciclo da vida. A falta de um mínimo de equidade nas condições iniciais e na capacitação para a
vida tolhe a margem de escolha, vicia o jogo distributivo e envenena os valores da convivência. A igualdade de
oportunidades está na origem da emancipação das pessoas. Crianças e jovens precisam ter a oportunidade
de desenvolver seus talentos de modo a ampliar seu leque de escolhas possíveis na vida prática e eleger seus
projetos, apostas e sonhos de realização.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 106)
No emprego das formas verbais, são regulares a flexão e a concordância na frase:
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(A) Se ninguém se dispuser a mudar esse processo, ou vir pelo menos a reavaliá-lo, não se fará justiça
quanto às riquezas a se distribuir.
(B) À medida que se recomporem as condições iniciais do processo, será maior a possibilidade de se
atenderem a cada um de seus ideais.
(C) Se não se contiverem os vícios do processo de distribuição das riquezas, ele seguirá sendo envene-
nado pelas mesmas injustiças.
(D) Caso não se retenhem seus pecados de origem, a distribuição de riquezas não alcançará os objetivos
da justiça que se desejam fazer.
(E) Como eles não requiseram maior igualdade de oportunidades, viram-se prejudicados pelo processo
a que se deram um referendo.
17. FCC - 2022 - TJ-CE - Analista Judiciário - Ciência da Computação - Sistemas da Informação-
1. Qual é a principal obra que produzem os autores e narradores dos novos gêneros autobiográficos? Um
personagem chamado eu. O que todos criam e recriam ao performar as suas vidas nas vitrines interativas de
hoje é a própria personalidade.
2. A autoconstrução de si como um personagem visível seria uma das metas prioritárias de grande parte dos
relatos cotidianos, compostos por imagens autorreferentes, numa sorte de espetáculo pessoal em diálogo com
os demais membros das diversas redes.
3. Por isso, os canais de comunicação das mídias sociais da intemet são também ferramentas para a criação
de si. Esses instrumentos de autoestilização agora se encontram à disposição de qualquer um. Isso significa
um setor crescente da população mundial, mas também, ao mesmo tempo, remete a outro sentido dessa ex-
pressão. “Qualquer um” significa ninguém extraordinário, em princípio, por ter produzido alguma coisa excep-
cional, e que tampouco se vê impelido a fazê-lo para virar um personagem público. A insistência nessa ideia de
que “agora qualquer um pode” encontra-se no ceme das louvações democratizantes plasmadas em conceitos
como os de “inclusão digital”, recorrentes nas análises mais entusiastas destes fenômenos, tanto no âmbito
acadêmico como no jornalístico.
4. Em que pese a suposta liberdade de escolha de cada usuário, há códigos implícitos e fórmulas bastante
explícitas para o sucesso dessa autocriação.
5. As diversas versões dessas personalidades que performam em múltiplas telas admitem certa variabilidade
individual, mas costumam partir de uma base comum. Essa modalidade subjetiva que hoje triunfa está impreg-
nada com alguns vestígios do estilo do artista romântico, mas não se trata de alguém que procura produzir uma
obra independente do seu criador. Ao invés disso, toda a energia e os recursos estilísticos estão dirigidos a que
esse autor de si mesmo seja capaz de criar um personagem dotado de uma personalidade atraente. Trata-se de
uma obra para ser vista e, nessa exposição, a obra precisa conquistar os aplausos do público. É uma subjetivi-
dade que se autocria em contato permanente com o olhar alheio, algo que se cinzela a todo momento para ser
compartilhado, curtido, comentado e admirado. Por isso, trata-se de um tipo de construção de si alterdirigida,
recorrendo aos conceitos propostos pelo sociólogo David Riesman, no livro A multidão solitária.
(Adaptado de: Paula Sibilia. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Contraponto, edição digital)
Está correta a redação da seguinte frase:
(A) Têm-se que o modo de vida dos jovens mais abastados das grandes cidades estadunidenses estão
no cerne do novo tipo de personalidade das mídias sociais.
(B) Diariamente exibe-se fotografias autorreferentes nas mídias sociais, fazendo de seus autores um tipo
de personagem já visto no cinema e na televisão.
(C) Por tratar-se de uma obra à ser vista, os relatos autobiográficos encontrados nas mídias sociais, pre-
cisam conquistar grande audiência.
(D) Como é sabido, existe inúmeras estratégias de autopromoção com o intuito de aumentar a visibilida-
de de uma personalidade virtual.
(E) Grande parte dos relatos cotidianos encontrados nas mídias sociais possui como meta a autopromo-
ção da própria personalidade.
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18. FCC - 2022 - TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Área Administrativa- Crimes ditos “passio-
nais”
A história da humanidade registra poucos casos de mulheres que mataram por se sentirem traídas ou despre-
zadas. Não sabemos, ainda, se a emancipação feminina irá trazer também esse tipo de igualdade: a igualdade
no crime e na violência. Provavelmente, não. O crime dado como passional costuma ser uma reação daquele
que se sente “possuidor” da vítima. O sentimento de posse, por sua vez, decorre não apenas do relacionamen-
to sexual, mas também do fator econômico: o homem é, em boa parte dos casos, o responsável maior pelo
sustento da casa. Por tudo isso, quando ele se vê contrariado, repelido ou traído, acha-se no direito de matar.
O que acontece com os homens que matam mulheres quando são levados a julgamento? São execrados ou
perdoados? Como reage a sociedade e a Justiça brasileiras diante da brutalidade que se tenta justificar como
resultante da paixão? Há decisões estapafúrdias, sentenças que decorrem mais em função da eloquência dos
advogados e do clima emocional prevalecente entre os jurados do que das provas dos autos.
Vejam-se, por exemplo, casos de crimes passionais cujos responsáveis acabaram sendo inocentados com o
argumento de que houve uma “legítima defesa da honra”, que não existe na lei. Os motivos que levam o crimi-
noso passional a praticar o ato delituoso têm mais a ver com os sentimentos de vingança, ódio, rancor, frustra-
ção, vaidade ferida, narcisismo maligno, prepotência, egoísmo do que com o verdadeiro sentimento de honra.
A evolução da posição da mulher na sociedade e o desmoronamento dos padrões patriarcais tiveram grande
repercussão nas decisões judiciais mais recentes, sobretudo nos crimes passionais. A sociedade brasileira vem
se dando conta de que mulheres não podem ser tratadas como cidadãs de segunda categoria, submetidas ao
poder de homens que, com o subterfúgio da sua “paixão”, vinham assumindo o direito de vida e morte sobre
elas.
(Adaptado de: ELUF, Luiza Nagib. A paixão no banco dos réus. São Paulo: Saraiva, 2002, XI-XIV, passim)
Considere as orações:
I. Há crimes ditos passionais.
II. Os agentes desses crimes são por vezes inocentados.
III. Os inocentados alegam legítima defesa da honra.
Essas orações articulam-se de modo claro, correto e coerente neste período único:
(A) São ditos passionais os crimes inocentados, por alegarem os criminosos, por vezes, legítima defesa
da honra.
(B) É a legítima defesa da honra a alegação de que os agentes de crimes ditos passionais usam ao se-
rem inocentados.
(C) Os inocentados agentes de crimes ditos passionais, alegam a razão da legítima defesa da honra.
(D) Ao alegarem legítima defesa da honra, são por vezes inocentados os agentes dos crimes ditos pas-
sionais.
(E) São por vezes inocentados, sendo alegado legítima defesa da honra, os agentes de crimes ditos
passionais.
19. FCC - 2019 - SANASA Campinas - Técnico de Instrumentação - Automação de Processos-
Diversos países estão propondo alternativas para enfrentar o problema da poluição oceânica, mas, até o
momento, não tomaram quaisquer medidas concretas.A organização holandesa The Ocean Cleanup resolveu
dar um passo à frente e assumir a missão de combater a poluição oceânica nos próximos anos.
A organização desenvolveu uma tecnologia para erradicar os plásticos que poluem os mares do planeta e
pretende começar a limpar o Great Pacific Garbage Patch (a maior coleção de detritos marinhos do mundo), no
Oceano Pacífico Norte, utilizando seu sistema de limpeza recentemente redesenhado.
Em resumo, a ideia principal do projeto é deixar as correntes oceânicas fazer todo o trabalho. Uma rede de
telas em forma de “U” coletaria o plástico flutuante até um ponto central. O plástico concentrado poderia, então,
ser extraído e enviado à costa marítima para fins de reciclagem.
(Texto adaptado. Disponível em: https://futuroexponencial.com)
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Em resumo, a ideia principal do projeto é deixar as correntes oceânicas fazer todo o trabalho. (3° parágrafo)
O conteúdo da frase acima está preservado nesta outra redação, respeitando-se as regras de ortografia e
acentuação:
(A) Em sintese, a ideia principal do projeto equivale a deixar que as correntes oceânicas furtem-se a
quaisquer trabalhos.
(B) Para sintetisar, a ideia principal do projeto tem haver com deixar que as correntes oceânicas execu-
tem o trabalho integralmente.
(C) De modo suscinto, a ideia principal do projeto está em deixar que as correntes oceânicas desempe-
nhem qualquer trabalho.
(D) Em poucas palavras, a ideia principal do projeto consiste em deixar que as correntes oceânicas rea-
lizem o trabalho completo.
(E) Sem mais delongas, a ideia principal do projeto assemelha-se a deixar que as correntes oceânicas
desempenhem hesitosamente o trabalho.
20. FCC - 2018 - SABESP - Estagiário - Nível Médio- A concordância, a ortografia e a acentuação estão
plenamente corretas na frase que se encontra em:
(A) Falta e ausência têm em quaizquer seres humanos.
(B) Não hão falta e ausência em uma série de individuos.
(C) Não existem falta e ausência como sentimentos humanos.
(D) Todos nós nos sentimos em falta para com o outro as vezes.
(E) Não haviam falta e ausência em nós quando eramos crianças.
21. (IF BAIANO - ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO – IF-BA – 2019)
Acerca de seus conhecimentos em redação oficial, é correto afirmar que o vocativo adequado a um texto no
padrão ofício destinado ao presidente do Congresso Nacional é
(A) Senhor Presidente.
(B) Excelentíssimo Senhor Presidente.
(C) Presidente.
(D) Excelentíssimo Presidente.
(E) Excelentíssimo Senhor.
22. (CÂMARA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE - AUXILIAR ADMINISTRATIVO - INSTITUTO AOCP
- 2019 )
Referente à aplicação de elementos de gramática à redação oficial, os sinais de pontuação estão ligados
à estrutura sintática e têm várias finalidades. Assinale a alternativa que apresenta a pontuação que pode ser
utilizada em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer dizer.
(A) Dois-pontos.
(B) Ponto-e-vírgula.
(C) Ponto-de-interrogação.
(D) Ponto-de-exclamação.
23. (UNIR - TÉCNICO DE LABORATÓRIO - ANÁLISES CLÍNICAS- AOCP – 2018)
Pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunica-
ções. Em relação à redação de documentos oficiais, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.
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A língua tem por objetivo a comunicação. Alguns elementos são necessários para a comunicação: a) emis-
sor, b) receptor, c) conteúdo, d) código, e) meio de circulação, f) situação comunicativa. Com relação à redação
oficial, o emissor é o Serviço Público (Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção). O assun-
to é sempre referente às atribuições do órgão que comunica. O destinatário ou receptor dessa comunicação
ou é o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
( ) Certo
( ) Errado
24. (IF-SC - ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO- IF-SC - 2019 )
Determinadas palavras são frequentes na redação oficial. Conforme as regras do Acordo Ortográfico que en-
trou em vigor em 2009, assinale a opção CORRETA que contém apenas palavras grafadas conforme o Acordo.
I. abaixo-assinado, Advocacia-Geral da União, antihigiênico, capitão de mar e guerra, capitão-tenente, vice-
-coordenador.
II. contra-almirante, co-obrigação, coocupante, decreto-lei, diretor-adjunto, diretor-executivo, diretor-geral,
sócio-gerente.
III. diretor-presidente, editor-assistente, editor-chefe, ex-diretor, general de brigada, general de exército, se-
gundo-secretário.
IV. matéria-prima, ouvidor-geral, papel-moeda, pós-graduação, pós-operatório, pré-escolar, pré-natal, pré-
-vestibular; Secretaria-Geral.
V. primeira-dama, primeiro-ministro, primeiro-secretário, pró-ativo, Procurador-Geral, relator-geral, salário-
-família, Secretaria-Executiva, tenente-coronel.
Assinale a alternativa CORRETA:
(A) As afirmações I, II, III e V estão corretas.
(B) As afirmações II, III, IV e V estão corretas.
(C) As afirmações II, III e IV estão corretas.
(D) As afirmações I, II e IV estão corretas.
(E) As afirmações III, IV e V estão corretas.
25. ( PC-MG - ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL - FUMARC – 2018)
Na Redação Oficial, exige-se o uso do padrão formal da língua. Portanto, são necessários conhecimentos
linguísticos que fundamentem esses usos.
Analise o uso da vírgula nas seguintes frases do Texto 3:
1. Um crime bárbaro mobilizou a Polícia Militar na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte, ontem.
2. O rapaz, de 22 anos, se apresentou espontaneamente à 9ª Área Integrada de Segurança Pública (Aisp)
e deu detalhes do crime.
3. Segundo a polícia, o jovem informou que tinha um relacionamento difícil com a mãe e teria discutido com
ela momentos antes de desferir os golpes.
INDIQUE entre os parênteses a justificativa adequada para uso da vírgula em cada frase.
( ) Para destacar deslocamento de termos.
( ) Para separar adjuntos adverbiais.
( ) Para indicar um aposto.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
(A) 1 – 2 – 3.
(B) 2 – 1 – 3.
(C) 3 – 1 – 2.
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(D) 3 – 2 – 1.
Gabarito
1 D
2 A
3 D
4 A
5 D
6 E
7 A
8 A
9 E
10 E
11 D
12 B
13 D
14 E
15 A
16 C
17 E
18 D
19 D
20 C
21 B
22 B
23 CERTO
24 E
25 C
104
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