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Unidade 1 - Reprodução Humana 12º Ano

Este documento descreve o sistema reprodutor masculino e feminino humano. Detalha os órgãos reprodutivos internos e externos de ambos os sexos, incluindo testículos, pênis, útero e ovários. Também explica processos como espermatogénese e ciclo menstrual.

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Ana Pereira
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Unidade 1 - Reprodução Humana 12º Ano

Este documento descreve o sistema reprodutor masculino e feminino humano. Detalha os órgãos reprodutivos internos e externos de ambos os sexos, incluindo testículos, pênis, útero e ovários. Também explica processos como espermatogénese e ciclo menstrual.

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Unidade I – Reprodução Humana

Reprodução, em Biologia, refere-se à função através da qual os seres vivos produzem descendentes, que são,
geralmente da mesma espécie.

Figura 1 – Seres vivos de espécies diferentes.

Ciclo de vida do Homem

- A espécie humana reproduz-se sexuadamente com a participação de indivíduos de sexo diferente e a


recombinação génica permite que a descendência apresente uma grande variabilidade.
- O ciclo de vida é diplonte e a meiose é pré-gamética.

Figura 2 – Ciclo de vida do Homem.

1
Sistema Reprodutor Masculino

1- Órgãos sexuais externos:


♂ Testículos - Gónadas masculinas ou glândulas sexuais masculinas.
♂ Pénis - Órgão copulador.

2- Órgãos sexuais internos:


♂ Vias genitais: Epidídimos, canais deferentes e uretra.
♂ Glândulas anexas: Vesículas seminais, próstata e glândulas de Cowper.

Figura 3 – Sistema reprodutor masculino.

Testículos
 Glândulas ovóides localizadas numa bolsa designada por escroto ou bolsa escrotal.
Esta bolsa localiza-se no exterior da cavidade abdominal, para que a sua temperatura seja mais
Gónadas baixa, condição indispensável para a produção de espermatozoides.
 Têm a função de produzir gâmetas masculinos (espermatozoides) e hormonas (testosterona).
Epidídimos
 Órgãos que se localizam sobre o bordo posterior dos testículos, constituídos por um canal
com cerca de 6 a 7 m, enrolado sobre si próprio.
 Têm a função de armazenamento e de maturação dos espermatozóides.
Vias Canais deferentes
Genitais  Canais com cerca de 40 cm de comprimento, que dão continuidade aos epidídimos.
 Têm a função de transportar os espermatozóides desde os epidídimos até à uretra e de
receber o líquido seminal produzido nas vesículas seminais.
Uretra
 Canal que se inicia na bexiga, ao qual se ligam os canais deferentes.
 Tem a função de transportar e libertar para o exterior o esperma e a urina.
Próstata
 Glândula em forma de castanha em que os seus canais excretores se abrem na uretra.
 Segrega o líquido prostático que é viscoso e alcalino e possui citrato (nutriente para os
espermatozoides) e enzimas anticoagulantes (facilitam o movimento dos espermatozoides).
 Tem ainda a função de controlar a passagem alternada de esperma e de urina para uretra.
Glândulas Vesículas seminais
Anexas  Estruturas em forma de saco situadas por baixo da bexiga.
 Glândulas que produzem e armazenam o líquido seminal. Este é alcalino e contem muco e
frutose que serve de nutriente aos espermatozoides.

2
Constitui cerca de 60% do esperma.
Glândulas de Cowper ou Glândulas Bulbo-uretrais
 Glândulas situadas na parte posterior da próstata, que se abrem na uretra.
 Segregam um muco alcalino que neutraliza a acidez da urina que possa permanecer na uretra.
Testículos
Órgãos Pénis
Genitais  Órgão copulador, que após a ereção deposita o esperma no interior da vagina.
Externos  A extremidade mais saliente constitui a glande, que é recoberta por uma fina membrana
designada prepúcio.
 É constituído por dois corpos cavernosos dorsais e um corpo esponjoso ventral, no interior
do qual passa a uretra e lubrifica a extremidade do pénis.

Figura 4 – constituição do pénis.

Funções básicas do sistema reprodutor masculino

- Génese de espermatozoides e seu armazenamento;


- Produção de secreções que, com os espermatozoides, forma o esperma;
- Transporte e libertação de esperma;
- Copulação.

Estrutura dos Testículos

Cada testículo é constituído por: túnica albugínea ou cápsula fibrosa – tecido conjuntivo que dá origem a
vários septos testiculares, que dividem o testículo em muitos lóbulos testiculares (200 a 300) e cada um
possui entre 1 a 4 tubos ou túbulos seminíferos nos quais se produzem os espermatozoides. Os túbulos
seminíferos convergem para uma região posterior do testículo, onde se reúnem formando uma rede – rede
testicular, de onde saem cerca de 15 canais que se vão ligar ao epidídimo.

3
Figura 5 – Estrutura interna de um testículo.

Estrutura dos túbulos seminíferos


Nos tubos seminíferos (que estão envolvidos por um tecido de revestimento – o epitélio ou tecido
epitelial) é possível distinguir grandes células somáticas – as células de Sertoli e as células da linha
germinativa (em diferentes estádios de desenvolvimento desde espermatogónias até espermatozóides). Nos
espaços entre os túbulos seminíferos existem células arredondadas designadas células de Leydig ou células
intersticiais que produzem testosterona.

Figura 6A e 6B – Imagens microscópicas de túbulos seminíferos em corte transversal.

4
Figura 6C - Imagem microscópica de túbulos seminíferos em corte transversal.

Legenda da figura 1 (A, B e C):


1 – Túbulo seminífero; 2 – Célula de Sertoli; 3 – Lúmen; 4 – Célula de leydig; 5 – Espermatogónia;
6 – Espermatídeo; 7 – Vaso sanguíneo; 8 – Cauda do espermatozoide; 9 – Espermatócito I; 10 – Espermatócito
II.

Funções das células de Sertoli


 Nutrir as células da linha germinativa (função nutritiva);
 Manter a coesão do tubo seminífero (função de suporte);
 Coordenar a espermatogénese;
 Libertar os espermatozóides no lúmen;
 Segregar um líquido que facilita a deslocação dos espermatozóides até ao epidídimo;
 Receber a hormona FSH;
 Fagocitar o excesso de citoplasma eliminado pelos espermatídeos;
 …

Espermatogénese – é o processo de formação de espermatozóides (gâmetas masculinos) nos


testículos. Tem início na puberdade e ocorre, de modo contínuo, durante o resto da vida do homem.

5
Figura 7 – Túbulo seminífero onde decorre a espermatogénese.

Figura 8a – Representação esquemática da espermatogénese.

Figura 8b – Representação esquemática da espermatogénese.

6
Figura 8c – Representação esquemática da espermatogénese.
Fases da Espermatogénese
1- Multiplicação – as espermatogónias, células diploides (com 46 cromossomas), dividem-se por mitose,
originando mais espermatogónias.

2- Crescimento – Nesta fase verifica-se o aumento de volume das espematogónias, devido à síntese e
acumulação de substâncias de reserva formando os espermatócitos I ou espermatócitos de 1ª ordem. Nesta fase
também ocorre a replicação do DNA.

3- Maturação – Nesta fase, em cada espermatócito I ocorre a divisão reducional da meiose formando 2
células haplóides (23 cromossomas) – os espermatócitos II ou espermatócitos de 2ª ordem – com 2
cromatídeos. De seguida ocorre a divisão equacional da meiose formando 4 células haplóides com 1 cromatídeo
– os espermatídios.

4- Diferenciação ou Espermiogénese – transformação dos espermatídios em espermatozoides.


Para que um espermatídeo se transforme em espermatozóide ocorrem vários fenómenos:
- alongamento e achatamento do núcleo;
- eliminação de grande parte do citoplasma;
- reorganização dos organelos citoplasmáticos;
- o complexo de Golgi forma uma grande vesícula – o acrossoma – que armazena enzimas digestivas e se
adapta ao núcleo;

7
- diferenciação do flagelo: os centríolos dispõem-se no pólo oposto ao acrossoma e originam os microtúbulos
que constituem o flagelo; as mitocôndrias dispõem-se em torno da base do flagelo e fornecem energia que
permite o seu movimento.

Figura 9a – Espermiogénese ou diferenciação.

Figura 9b – Espermiogénese ou diferenciação.

Constituição do espermatozoide

Cada espermatozoide é formado por:


- Cabeça – que possui núcleo (haploide) e acrossoma ou capuz cefálico (que resulta da fusão de vesículas do
complexo de Golgi e contém enzimas digestivas que permitem ao espermatozoide perfurar a camada protetora
do oócito II, aquando da fecundação.
- Peça intermédia ou segmento intermediário – contém centríolos (que estão dispostos no polo oposto ao
acrossoma) e originam os microtúbulos que constituem o flagelo. Também contém grande concentração de
mitocôndrias que se dispõem em torno da base do flagelo e fornecem a energia para movimento deste.
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- Cauda – que constitui o flagelo (produz o movimento necessário à deslocação do espermatozoide) rodeado
por membrana celular.

Figura 10 – Representação esquemática de um espermatozoide.

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Sistema Reprodutor Feminino

1- Órgãos sexuais externos:


♀ Vulva – compreende os grandes lábios e pequenos lábios, o orifício genital, orifício urinário e o clítoris;

2- Órgãos sexuais internos:


♀ Ovários – Gónadas femininas ou glândulas sexuais femininas.
♀ Vias ou canais genitais – Trompas de Falópio ou ovidutos; útero e vagina.

Ovários
 Glândulas do tamanho de amêndoas, cobertas parcialmente pelos pavilhões das trompas de
Gónadas Falópio e localizam-se na cavidade abdominal.
 Têm a função de produzir gâmetas femininos (oócitos II) e hormonas (estrogénios e
progesterona).
Trompas de Falópio
 Canais com cerca de 10 cm de comprimento, que se ligam aos ovários por uma zona mais
alargada e franjada, o pavilhão das trompas, e termina no útero.
 Têm a função de transportar os gâmetas e é o local de possível fecundação.
Canais
ou Vias Útero
Genitais  Órgão em forma de pêra invertida, constituído por um músculo oco, que possui duas partes: o
corpo de útero – zona mais dilatada, e o colo do útero - zona mais estreita e menos
musculada que comunica com a vagina.
 O útero como é um músculo oco, delimita a cavidade uterina rodeada por uma mucosa
rica em glândulas e vasos sanguíneos designada endométrio.
 Local de fixação do embrião (nidação) que se transforma em feto durante a gestação
(alojamento e desenvolvimento do novo ser até ao nascimento).

Vagina
 É o canal de comunicação com o exterior que recebe o esperma aquando de uma relação
sexual.
Órgãos Vulva
Genitais  Compreende dois pares de pregas de pele: os pequenos e os grandes lábios (que protegem
Externos a abertura da vagina e da uretra), os orifícios: genital (saída do fluxo menstrual e da criança,
aquando do parto) e urinário (expulsão da urina) e o clítoris – este é constituído por tecido
erétil e funciona como foco sensorial na resposta sexual, ou seja, é um pequeno órgão
excitável que intervém durante o ato sexual.

Glândulas  situam-se no vestíbulo (área delimitada pelos pequenos lábios) e segregam um muco
de Bartholin destinado à sua lubrificação.

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Figura 11 – Sistema reprodutor feminino.

Funções básicas do sistema reprodutor feminino

- Génese de gâmetas);
- Transporte dos gâmetas e local de fecundação;
- Receção de esperma;
- Desenvolvimento de novos seres.

Estrutura dos ovários


Cada ovário encontra-se envolvido por um tecido de revestimento – o epitélio e no seu interior
distinguem-se duas zonas: a zona cortical ou córtex – zona mais superficial do ovário que contem folículos
ováricos em diferentes estádios de desenvolvimento – e a zona medular – zona mais interna formada por
muitos vasos sanguíneos e nervos.

Funções dos folículos ováricos: realizar a oogénese e produzir, fundamentalmente, estrogénios e um pouco de
progesterona.
Oogénese – é o conjunto de fenómenos que conduz à formação de gâmetas femininos. Ocorre na zona cortical
dos ovários e é um fenómeno descontínuo. Inicia-se durante o desenvolvimento embrionário, pára durante a
infância, recomeça na puberdade e termina na menopausa.
A oogénese é acompanhada da maturação dos folículos ováricos, num processo de 4 fases: a de
multiplicação, a de crescimento, a de maturação na qual se verifica uma fase de repouso.

Fases da oogénese
1- Multiplicação – as oogónias (células diplóides) dividem-se por mitose, originando muitas oogónias (ainda
durante o desenvolvimento embrionário). A maior parte degenera.

2- Crescimento – aumento acentuado de volume das oogónias, devido à síntese e acumulação de grande
quantidade de substâncias de reserva formando oócitos I (antes do nascimento).

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3- Maturação – os oócitos I que não degeneram iniciam a primeira divisão da meiose que fica bloqueado em
profase I, desde o nascimento até à puberdade, esta fase designa-se fase de repouso e é nesta fase que a maioria
dos folículos primordiais degenera. A partir da puberdade, em cada ciclo ovárico, um oócito I completa a
divisão reducional da meiose formando duas células haplóides, uma maior – o oócito II e uma menor – o 1º
glóbulo polar. A diferença de tamanho das células deve-se a uma citocinese desigual. A divisão equacional da
meiose começa de imediato, mas fica bloqueada em metáfase II e dá-se a ovulação. A meiose só termina se
houver fecundação: a penetração do espermatozoide estimula a finalização da meiose formando-se o óvulo e o
2º glóbulo polar. Os glóbulos polares (1º e 2º) degeneram.

Figura 12 – Representação esquemática da oogénese.


Comparação entre a espermatogénese e a oógenese

Figura 13 – Comparação entre a espermatogénese e a oogénese.

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- A fase de crescimento na oógenese é muito mais acentuada do que na espermatogénese, dando-se a síntese e
acumulação de grande quantidade de substâncias de reserva.
- Na fase de maturação da espermatogénese, um espermatócito I produz 4 espermatídeos com repartição
idêntica do citoplasma ficando com tamanho idêntico, e a fase de maturação da oógenese produz um oócito II e
um óvulo (se houver fecundação) de grandes dimensões e dois glóbulos polares de pequenas dimensões.

Evolução dos folículos ováricos

A evolução dos folículos ováricos e a oogénese ocorrem em simultâneo e têm início durante o
desenvolvimento embrionário.

Na zona cortical do ovário diferenciam-se os folículos, resultantes da multiplicação das oogónias. Cada
folículo demora 4 meses até atingir a fase madura.

Figura 14 – Quantidade de folículos desde o desenvolvimento embrionário até à menopausa.

Os folículos são classificados, de acordo com o seu estádio de desenvolvimento em:


 primordiais, primários, secundários, terciários e maduros ou de Graaf.

13
F. Graaf
Figura 15 – Diferentes tipos de folículos.

Figura 16 – Representação esquemática de diferentes tipos de folículos.

Folículos primordiais – São constituídos pelo oócito I rodeado por algumas células foliculares achatadas.
Aquando do nascimento, os ovários possuem cerca de 2 milhões de folículos primordiais.

Folículos primários – o oócito I aumenta de volume e verifica-se uma proliferação das células foliculares
formando uma camada contínua de células.

Folículos secundários – o oócito I continua a crescer, as células foliculares multiplicam-se dando origem a
uma camada espessa de células: camada granulosa. Entre o oócito I e a camada granulosa forma-se a zona
pelúcida, não celular, formada por proteínas e glícidos. A rodear o folículo aparece a teca.

Folículos terciários ou cavitários – O oócito I continua a aumentar de tamanho e as células da camada


granulosa continuam a multiplicar-se, aparecendo entre elas cavidades cheias de líquido folicular. O tecido
ovárico diferencia-se em invólucros chamados tecas.

Folículos maduros ou de Graaf – as cavidades foliculares fundem-se numa só, que fica cheia de líquido
folicular. A zona granulosa é reduzida a uma fina camada que rodeia a cavidade folicular e o oócito. Conclui-se
a divisão I da meiose, com a formação do oócito II (em metáfase II) e do 1º glóbulo polar. Na fase final do
processo o oócito II, rodeado de zona pelúcida e de células granulosas foliculares, faz saliência para o interior
da cavidade folicular. Os folículos estão rodeados por uma teca interna e uma teca externa.

14
Legenda:
1- Parede do ovário (tecido
epitelial)
2- Corpo lúteo em
desenvolvimento
3- Zona medular do ovário
4- Folículos terciários
5- Corpos albicans
6- Folículos primários
7- Folículos primordiais
8- Zona cortical (córtex) do
ovário

Figura 17 – Corte transversal do ovário (parte), onde se visualizam diversos folículos e um corpo albicans.

Legenda:
1- Núcleo do oócito I
2- Oócito I
3- Zona pelúcida
4- Camada granulosa (conjunto
de células foliculares)
5- Teca

Figura 18 – Folículo secundário.

15
Legenda:

A – Folículo primário
B – Folículo primordial
C – Folículo maduro ou de Graaf
D – Corpo albicans
1 - Camada granulosa (conjunto
de células foliculares)
2 - Oócito II
3 – Cavidade folicular
4 – Zona pelúcida
5 – Teca externa

Figura 19 – Corte transversal do ovário (parte), onde se visualizam diversos folículos e


um corpo albicans.

Figura 20 – Corte transversal do ovário (parte), onde se visualizam diversos folículos e


corpos albicans.
Legenda da figura 20:
1 - Folículo primordial; 2 – Folículo maduro ou de Graaf; 3 – Folículo terciário mais
desenvolvido; 4 – Corpo albicans; 5 – Folículo primário; 6 – Folículo terciário;
7 – Folículo secundário; 8 – Zona cortical ou córtex do ovário; 9 – Parede do ovário
(tecido epitelial).

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Figura 21 – Cortes transversais do ovário, onde se destacam os corpos lúteos.

Figura 22 – Ovulação e corpo lúteo.

- O crescimento do folículo de Graaf provoca uma saliência na superfície do ovário, que causa a sua ruptura e a
libertação do oócito II, num processo designado ovulação.

Ovulação - consiste na ruptura do folículo maduro e da parede do ovário com libertação do oócito II, rodeado
pela zona pelúcida e por células foliculares para as trompas de Falópio.
- Depois da ovulação dá-se a cicatrização da parede do ovário, as células foliculares multiplicam-se, segregam
um pigmento amarelo (luteína) e transformam-se no corpo amarelo ou lúteo.
Atresia folicular – Consiste na degeneração de oócitos I que provoca o desaparecimento de folículos
primordiais (as oogónias também sofrem atresia e degeneram).

17
Controlo ou regulação Hormonal

A reprodução está associada a vários estímulos sensoriais, por isso está dependente do sistema nervoso.
Contudo a sua regulação é feita através da interação complexa de hormonas. Estas são produzidas pelas
gónadas, hipófise e hipotálamo.
A hipófise é uma glândula endócrina, constituída por dois lobos – o anterior, de natureza glandular, e o
posterior, de natureza nervosa.
O hipotálamo está relacionado com a hipófise, quer sob o ponto de vista físico, (devido ao facto de se
encontrar ligado à hipófise posterior por um pedúnculo), quer sob o ponto de vista fisiológico, devido ao facto
de produzir hormonas que influenciam a hipófise.
O conjunto destes dois órgãos designa-se complexo hipotálamo-hipófise, que se situa na base do encéfalo.

Controlo ou Regulação Hormonal no Homem


O sistema genital masculino, ao contrário do feminino, apresenta um funcionamento contínuo, com início
na puberdade até ao fim da vida. A puberdade marca o princípio da atividade sexual e o aparecimento dos
carateres sexuais secundários. A partir daí verifica-se a sua manutenção.

A atividade sexual do homem é regulada através da interação de:

 Hormonas masculinas: Os androgénios, dos quais se destaca a testosterona;


 Hormonas hipofisárias ou gonadoestimulinas ou ganadotropinas: FSH e LH.
 Hormona hipotalâmica: GnRH.

Funções da testosterona

 Na vida fetal:
 Estimula a formação dos órgãos sexuais;
 Estimula a descida dos testículos para o escroto.
 Na puberdade
 Responsável pelo aparecimento e manutenção dos caracteres sexuais secundários (crescimento e
maturação dos órgãos genitais, nomeadamente, dos testículos e do pénis, pilosidade, desenvolvimento
da massa muscular e alteração da voz (torna-se grave));
 Atua sobre os tubos seminíferos, estimulando a espermatogénese;
 Contribui para a ereção e ejaculação;
 Estimula o desejo sexual.
 Na vida adulta:
 Responsável pela manutenção dos caracteres sexuais secundários;
e as restantes da puberdade

A produção de testosterona é contínua a partir da puberdade e desde então o seu teor no sangue mantém-
se sensivelmente constante. Essa manutenção é regulada pelo complexo hipotálamo-hipófise.
O hipotálamo no homem, tal como na mulher, segrega a neuro-hormona – GnRH que estimula a hipófise
anterior a produzir FSH e LH. Estas por sua vez atuam nos testículos.

Ação de FSH e LH no homem


Ação de FSH Ação de LH
- Estimula as células de Sertóli a produzir uma proteína com - Atua sobre as células de Leydig que
afinidade para a testosterona, estimulando assim a espermatogénese. as induz a produzir testosterona.

18
A atividade do complexo hipotálamo-hipófise é alterada, não só pela ação da testosterona mas também,
sob a ação de estímulos nervosos externos e internos.
O complexo hipotálamo-hipófise é controlado pelas suas próprias hormonas (GnRH, FSH e LH) e
pelo sistema nervoso central, o qual exerce um papel importante. As ligações entre o hipotálamo e o córtex
cerebral influenciam e moderam o comportamento sexual.

● A testosterona atua sobre o complexo hipotálamo-hipófise controlando a secreção de GnRH e de


gonadoestimulinas.

- No homem existe retroação negativa, que permite manter a taxa sanguínea de testosterona sensivelmente
constante: o teor de testosterona é detetado pelo hipotálamo e se aumentar ou diminuir o complexo hipotálamo-
hipófise reage corrigindo o processo que conduz à sua produção.

Retroação ou retroalimentação ou feedback – é um mecanismo de controlo em que o produto final


atua sobre as suas causas controlando-as.

Tipos de retroação
- Retroação negativa – mecanismo de controlo em que o aumento do produto final atua sobre o sistema
responsável pela sua produção, inibindo-o e fazendo diminuir o produto final.
- Retroação positiva – mecanismo de controlo em que o aumento do produto final atua sobre o sistema
responsável pela sua produção estimulando-o e aumentando a produção.

O funcionamento do complexo hipotálamo-hipófise no homem é regulado pela concentração de testosterona no


sangue através de um mecanismo de retroação negativa:

 Quando existe uma elevada concentração de testosterona no sangue, esta inibe o hipotálamo reduzindo a
produção de GnRH, que por sua vez inibe a hipófise, que diminui a produção de FSH e LH, o que faz com que
diminua a produção de testosterona e assim o seu valor normal é restabelecido.

inibe que diminui a que inibe


Aumento do teor Hipotálamo Produção de Hipófise
de testosterona GnRH anterior

que
diminui a
que diminui a
O valor normal Produção de Produção
é restabelecido testosterona de LH

 Quando existe uma baixa concentração de testosterona no sangue, os testículos exercem ação sobre o
complexo hipotálamo-hipófise, estimulando o hipotálamo a produzir GnRH, que por sua vez estimula a
hipófise, que aumenta a produção de FSH e LH, o que faz aumentar a produção de testosterona e assim o seu
valor normal é restabelecido.

estimula que aumenta a que estimula


Diminuição do teor Hipotálamo Produção de Hipófise
de testosterona GnRH anterior

que
aumenta a
que aumenta a
O valor normal Produção de Produção

19
é restabelecido testosterona de LH

Figura 23 – Regulação hormonal no homem.

Conclusão: A produção de testosterona (nos testículos) é controlada pelo complexo hipotálamo-


hipófise através das suas hormonas – GnRH, FSH e LH. Por sua vez a testosterona exerce uma
ação de retroação negativa sobre complexo hipotálamo-hipófise, regulando a sua própria produção.

Regulação hormonal na mulher


A regulação hormonal na mulher é muito complexa e diferente da do homem. Na mulher ocorrem
fenómenos cíclicos (desde a puberdade até à menopausa) que acompanham a formação dos gâmetas e os
fenómenos que lhe estão associados. Estas alterações cíclicas correspondem aos ciclos sexuais e são
particularmente evidentes ao nível dos ovários e do útero.
Cada ciclo sexual compreende o ciclo ovárico e o ciclo uterino.

Ciclo ovárico – tem uma duração média de 28 dias e ocorre alternadamente em cada um dos ovários. Cada
ciclo é caracterizado pela evolução de um folículo, que ocorre em duas fases separadas pela ovulação – a fase
folicular e a fase luteínica (e a degeneração do corpo amarelo se não ocorrer fecundação).

Fases do ciclo ovárico


1- Fase folicular – ocorre antes da ovulação e caracteriza-se pela evolução dos folículos ováricos (desde o
amadurecimento dos folículos primordiais até ao de Graaf). Ocorre o desenvolvimento de 6 a 12 folículos
que iniciam, mensalmente, o processo de maturação. Normalmente, apenas um dos folículos conclui a
maturação e os restantes degeneram. Os folículos (células foliculares e a teca interna) produzem,
especialmente, estrogénios.
2- Ovulação – consiste na ruptura do folículo maduro e da parede do ovário com libertação do oócito II,
rodeado pela zona pelúcida e por células foliculares para as trompas de Falópio.
3- Fase luteínica – ocorre depois da ovulação e caracteriza-se pela formação do corpo amarelo ou lúteo.
Após a ovulação as células foliculares proliferam, aumentam de tamanho e segregam um pigmento amarelo,
a luteína, e hormonas: progesterona e algum estrogénio. Caso não haja fecundação o corpo amarelo regride.

20
Figura 24 – Representação esquemática do ovário.

Figura 25 – Ciclo ovárico.

Ciclo uterino – paralelamente ao ciclo ovárico, ocorre o ciclo uterino ou menstrual, ao longo do qual
ocorrem alterações ao nível do endométrio (fina mucosa que reveste internamente o útero). Estas alterações
são induzidas pelas hormonas ováricas: estrogénios e progesterona e ocorrem em ciclos de 28 dias (em média).

Figura 26 – Ciclo uterino.

Fases do ciclo uterino


1- Fase menstrual – É a fase em que ocorre a destruição parcial do endométrio, por contração e rompimento dos
vasos sanguíneos, ficando reduzido a 1 mm de espessura. As hemorragias, juntamente com os restos da mucosa
constituem um fluxo que dura cerca de 5 dias (menstruação).
É uma consequência da baixa concentração de hormonas ováricas (estrogénios e progesterona) quando não há
fecundação no ciclo anterior.

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2- Fase proliferativa ou reparadora – Ocorre entre o 5º e o 14º dia. Nesta fase verifica-se a proliferação e a
reparação das células do endométrio que se vai regenerando e crescendo em espessura (passa de 1 para 5 a 6
mm). Verifica-se também o desenvolvimento de glândulas (que produzem um muco rico em glicogénio) e de
vasos sanguíneos, devido ao aumento da concentração de estrogénios produzidos na fase folicular dos ovários.
Esta fase é simultânea com a fase folicular do ciclo ovárico. No final desta fase, no14º dia, ocorre a ovulação.
3- Fase secretora – ocorre entre o 14º e o 28º dia. Nesta fase, após a ovulação, o endométrio atinge o máximo
de espessura (cerca de 8 mm), fica mais vascularizado e as glândulas segregam mais muco, rico em glicogénio.
Estas alterações devem-se à ação conjunta dos estrogénios e da progesterona produzidos na fase luteínica dos
ovários.
A fase secretora é simultânea à fase luteínica do ovário.
Se não ocorrer fecundação, inicia-se um novo ciclo, com o aparecimento de nova menstruação. Caso ocorra
fecundação o endométrio está preparado para receber o embrião, pois apresenta as condições favoráveis ao seu
desenvolvimento.

GnRH – (Gonadotropic Realeasing Hormone) – neuro-hormona produzida pelo hipotálamo que atua sobre a
hipófise anterior fazendo-a produzir gonadoestimulinas ou gonadotrofinas ou gonatropinas (FSH e LH).
Gonadoestimulinas: FSH (folículoestimulina) e LH (luteoestimulina) – são hormonas produzidas pela
hipófise anterior e atuam sobre as gónadas – ovários e testículos.

Ação de FSH e LH na mulher


Ação de FSH Ação de LH
- Estimula o crescimento dos folículos - É responsável pela ovulação;
ováricos; - Induz a formação do corpo amarelo;
- Estimula a secreção de estrogénios. - Estimula a secreção de estrogénios e, principalmente, progesterona.

- Hormonas ováricas – Estrogénios e a progesterona que são produzidas pelos ovários, atuam sobre o
endométrio uterino e sobre o complexo hipotálamo-hipófise que as controla.
Funções dos Estrogénios – intervêm na reparação e espessamento do endométrio e são responsáveis pelo
aparecimento e manutenção dos carateres sexuais secundários femininos. Os estrogénios atingem o máximo de
concentração antes da ovulação.
Funções da Progesterona – intervém no espessamento e atividade secretora do endométrio. Atinge o máximo
de concentração na fase luteínica.
(Nota: A descida simultânea da concentração de estrogénios e progesterona provoca a desagregação do
endométrio – fase menstrual.)

Na regulação hormonal na mulher, durante o ciclo sexual:

- o hipotálamo, através da sua neuro-hormona – GnRH, controla o funcionamento da hipófise, fazendo com
que esta produza FSH e LH;
- a hipófise regula o funcionamento dos ovários por ação das suas hormonas – FSH e LH.
- os ovários exercem uma ação de retroação sobre o complexo hipotálamo-hipófise e sobre o útero, através da
produção das suas hormonas – estrogénios e progesterona, fazendo com que ocorram 3 fases: a menstrual, a
proliferativa e a secretora.

22
Figura 27a – Regulação hormonal na mulher.

Figura 27b – Regulação hormonal na mulher.

23
Figura 28 – Relação entre os níveis hormonais e os ciclos da mulher.

 Durante a fase folicular à medida que se dá o desenvolvimento dos folículos aumenta a concentração de
estrogénio.
 Um pequeno aumento de estrogénios no sangue (concentração moderada) inibe o hipotálamo que
diminui a produção de GnRH, que por sua vez inibe a hipófise fazendo com que produza menos FSH e LH –
retroação negativa.
 Quando existe uma elevada concentração de estrogénios no sangue tem um efeito contrário, isto é,
estimula o hipotálamo a produzir GnRH, que por sua vez estimula a hipófise anterior, fazendo com que esta
produza mais FSH e principalmente LH o que vai desencadear a ovulação – retroação positiva.

Retroação negativa

inibe que diminui que inibe


Teor moderado de Hipotálamo Produção de Hipófise
estrogénios GnRH anterior

que
diminui a
que diminui que diminui
Valor do teor de Produção de Desenvolvimento Produção
estrogénios estrogénios de folículos de FSH
restabelecido

24
Figura 29 – Retroação negativa.

Retroação positiva

Estimula que aumenta a que estimula


Teor muito elevado Hipotálamo Produção de Hipófise
de estrogénios GnRH anterior

que
aumenta
que desencadeia a
Formação do Ovulação Produção de
corpo amarelo FSH e LH

- A alternância entre a retroação negativa e positiva está na origem da atividade genital


cíclica da mulher. Mas há outros estímulos de origem externa ou interna que também podem
atuar sobre o complexo hipotálamo-hipófise, provocando alterações nos ciclos sexuais, tais como:
 choques emocionais;
 stress;
 doenças / certos medicamentos;
 viagens;
 fatores climáticos.
Então o sistema nervoso atua sobre o ciclo sexual através da GnRH.

 Depois da ovulação, durante a fase luteínica, a LH induz a formação do corpo amarelo que produz
estrogénio e principalmente progesterona.

 No final da fase luteínica, se não ocorrer fecundação, o corpo amarelo degenera o que provoca uma
descida acentuada dos níveis de estrogénio e progesterona. Isto faz com que a hipófise sob o comando do
hipotálamo comece a segregar FSH, o que vai estimular o crescimento de novos folículos, iniciando-se assim a
fase folicular do ciclo seguinte.

 Os ciclos: ovárico e uterino são sincronizados devido a este complexo mecanismo hormonal.

 Durante a fase folicular, o estrogénio (produzido pelos folículos), para além de atuar no complexo
hipotálamo-hipófise (como já foi referido), também atua no útero, causando o espessamento do
endométrio.

25
 Antes da ovulação, o útero já está a ser preparado para receber um possível embrião.

 Após a ovulação, o estrogénio e a progesterona segregados pelo corpo amarelo continuam a estimular o
desenvolvimento do endométrio, pois estas hormonas aumentam a vascularização e o aparecimento e
funcionamento de glândulas (produzem muco rico em glicogénio).

 Quando o corpo amarelo se desintegra (caso não haja fecundação), verifica-se uma descida abrupta dos
níveis de estrogénio e de progesterona. Isto vai causar espasmos nas artérias do endométrio, que o priva de
sangue provocando a sua desintegração, o que leva ao aparecimento da menstruação e assim recomeça um novo
ciclo uterino.

- Mulheres com tumores na hipófise anterior apresentam anomalias na função genital, não ocorrendo,
por vezes, ovulação nem menstruação. Injetando extratos da hipófise anterior, nessas mulheres, a função
genital restabelece-se. A remoção dos ovários provoca uma elevação das hormonas hipofisárias: FSH e LH
no sangue. A paragem da atividade dos ovários na menopausa faz aumentar o teor de FSH e de LH no
sangue.

- Uma mulher que tenha uma lesão no hipotálamo não produz a neuro-hormona: GnRH que estimula a
hipófise a produzir FSH e LH.
Na ausência de GnRH não se produzem gonadoestimulinas (FSH e LH) e por isso a sua concentração
baixa no sangue.

Menopausa – corresponde ao último período menstrual da mulher, devido ao esgotamento dos


folículos ováricos. Ocorre entre os 45 e os 52 anos de idade. É um processo gradual, pode persistir
durante meses ou anos um certo desenvolvimento dos folículos até que acabam por desaparecer.

Fecundação, Desenvolvimento Embrionário e Gestação


Fecundação – consiste na fusão do gâmeta feminino com o gâmeta masculino formando-se uma
célula diploide – o ovo ou zigoto.

Mecanismo da Fecundação
 Lançamento de milhões de espermatozoides na vagina durante o ato sexual;
 Contacto dos espermatozoides com o muco cervical, que é produzido pelo colo uterino em quantidade e
consistência variáveis ao longo do ciclo ovárico.
- Fora do período da ovulação, o muco cervical é viscoso, muito rico em fibras (que formam uma rede
muito apertada) e imobiliza os espermatozoides. No período da ovulação o muco cervical é mais fluído, a
rede de fibras é menos apertada, o que permite a passagem dos espermatozoides mais ativos;
 Subida dos espermatozoides pelo interior do útero e menos de 100 alcançam as trompas de Falópio (local
de fecundação);
 Encontro do oócito II e dos espermatozoides, que são atraídos por uma substância libertada pelas células
foliculares;
 Penetração de espermatozoides entre as células foliculares ou corona radiata (que rodeiam o oócito II);
 Ligação de um espermatozoide a recetores específicos da zona pelúcida (que envolve o oócito II)
desencadeia a reação acrossómica. Esta consiste na libertação das enzimas digestivas do acrossoma,
por exocitose, através da fusão da membrana do acrossoma com a membrana plasmática da cabeça do
espermatozoide em diversos locais. Estas enzimas permitem a digestão local da zona pelúcida
proporcionando o contacto e a fusão das membranas plasmáticas do espermatozoide e do oócito II,
assim, a cabeça do espermatozoide e a peça intermédia penetram no citoplasma do gameta feminino,
iniciando-se a fecundação;

26
 Após a reação acrossómica, o oócito II contrai-se, arrastando o núcleo do espermatozoide para o interior
do citoplasma. O conteúdo dos grânulos corticais do citoplasma do oócito II liberta-se para o espaço
extracelular, formando a membrana de fecundação, que bloqueia a entrada de outros espermatozoides, esta
situação designa-se por polispermia, que levaria à formação de um conjunto cromossómico triploide,
tornando inviável o desenvolvimento do ovo;
 Conclusão da meiose - o oócito II é ativado completando a meiose e formando o óvulo e o 2º glóbulo
polar;
 Os núcleos do óvulo e do espermatozoide aumentam de volume, originando, respetivamente, o pronúcleo
feminino e o pronúcleo masculino;
 Os dois pronúcleos aproximam-se um do outro e fundem-se (cariogamia) formando-se o ovo ou zigoto
 O pronúcleo feminino (do óvulo) e o pronúcleo masculino (do espermatozoide) fundem-se (cariogamia)
formando-se o ovo ou zigoto.

Figura 30a – Mecanismos da fecundação.

Figura 30b – Mecanismos da fecundação.

27
Formação de gémeos
Gémeos dizigóticos e monozigóticos
- Eventualmente se a mulher liberar dois oócitos II ou mais durante a ovulação, e ambos forem fecundados,
serão formados dois zigotos que originarão dois embriões com características diferentes.
Se os embriões fizerem a nidação e se desenvolverem, nascerão gémeos dizigóticos, também chamados
fraternos ou bivitelinos ou falsos.
- Se um único ovo zigoto durante as clivagens (multiplicações sucessivas) se separar e formar dois
embriões, eles terão as mesmas características, sendo chamados gémeos monozigóticos ou univitelinos ou
verdadeiros.

Figura 31 – Gémeos monozigóticos e dizigóticos.

Desenvolvimento Embrionário e Gestação


- Após a formação do ovo, inicia-se o desenvolvimento embrionário ou embriogénese, o qual termina com o
nascimento.
Gestação – período que ocorre após a fecundação até ao nascimento e compreende o período embrionário e o
período fetal.
Período embrionário – é um período muito vulnerável e dura as primeiras oito semanas, ao fim das quais
todos os órgãos estão esboçados.
Período fetal – dura da 9ª semana até ao parto (cerca de 40 semanas) e o novo ser passa a designar-se feto.
Neste período continua o aumento da complexidade e a maturação dos órgãos já formados; dá-se crescimento
rápido e modificações nas proporções do corpo: abrandamento do crescimento da cabeça em relação ao resto do
corpo (no início do período fetal a cabeça constitui cerca de ½ do comprimento do corpo, pelas 20 semanas
cerca de 1/3 e no nascimento cerca de ¼).

Fases do Desenvolvimento Embrionário


As fases do desenvolvimento embrionário são: segmentação ou clivagem, gastrulação e organogénese.
- Segmentação ou Clivagem – a partir do ovo, inicia-se uma multiplicação celular por divisões mitóticas
sucessivas originando células cada vez menores – blastómeros. O embrião passa pelo estado de mórula
(embrião com 4 dias, com o aspeto de uma amora e as suas células ainda são indiferenciadas), que vai sendo
conduzido ao longo da trompa de Falópio em direção ao útero, onde flutua livremente e é nutrido por secreções
uterinas.

28
As divisões celulares continuam até que o embrião atinge o estado de blastocisto (ou blástula). Este é
formado por dois grupos celulares: o botão embrionário que é um conjunto de células que originará o novo ser
e o trofoblasto que é uma camada superficial de células que rodeia uma cavidade – blastocélio, para a qual faz
saliência o botão embrionário. Ao 6º ou 7º dia o trofoblasto produz uma enzima (HcG) que perfura a zona
pelúcida por onde sai o embrião. O trofoblasto participa na formação da placenta.

Figura 32 – Embriões no estado de mórula e de blastocisto.

Figura 33 – Segmentação (primeira fase do desenvolvimento embrionário).

O blastocisto entra em contacto com o endométrio, iniciando-se assim a nidação (implantação do embrião no
endométrio), que dura cerca de uma semana. As células do trofoblasto aderem ao endométrio e produzem
enzimas que o vão digerindo localmente. O botão embrionário continua a crescer e começa a formar-se um
anexo embrionário – o córion, que possui vilosidades. Estas mergulham em lacunas do endométrio,
preenchidas por sangue materno devido à rutura dos capilares. Cerca de duas semanas após a fecundação o
embrião encontra-se totalmente coberto pela mucosa uterina e, assim termina a nidação.

Para que a nidação ocorra é necessário que o endométrio esteja preparado pelas hormonas ováricas:
suficientemente espesso, rico de glândulas secretoras e de vasos sanguíneos para permitir a implantação do
embrião na sua estrutura e para fornecer os nutrientes diretamente ao embrião.

29
Figura 34 – Nidação.

- Gastrulação – é a fase que constitui o 1º passo para a diferenciação celular. Nesta fase, as divisões celulares
continuam e ocorre a morfogénese, isto é, dão-se rearranjos de grupos de células, que se movimentam uns em
relação aos outros até atingirem determinadas posições acabando por formar a gástrula, que nos humanos é
constituída por 3 camadas de células embrionárias (ou folhetos): ectoderme, mesoderme e endoderme.

Figura 35 – Gástrula.

Figura 36 – Fases, desde o ovo ao feto.

- Organogénese – é a fase em que ocorrem fenómenos de diferenciação celular - especialização celular,


estrutural e bioquímica em que alguns genes são “ativados” e outros são “desativados”, sendo que somente os
genes “ativados” coordenam as funções das células). Esta diferenciação permite aos folhetos embrionários
(endoderme, mesoderme e ectoderme) originar os diferentes tecidos, órgãos e sistemas de órgãos do novo ser.
Durante a diferenciação celular formam-se os restantes anexos embrionários, tais como: âmnio, vesícula
vitelina, alantoide e a placenta.

30
Processos Biológicos do Desenvolvimento Embrionário
Durante o desenvolvimento embrionário ou embriogénese verificam-se três processos: crescimento
(mitoses sucessivas), morfogénese e diferenciação celular e a formação dos anexos embrionários. Estes
processos não ocorrem em sequência, mas sim interrelacionados de tal modo que um deles pode dominar os
outros nos diferentes estádios de desenvolvimento do organismo.

Figura 37 - Desenvolvimento embrionário até à 12ª semana de gestação.

Anexos embrionários

- Anexos embrionários - são estruturas transitórias formados a partir dos três folhetos germinativos. Iniciam a
sua formação durante a nidação e vão estar presentes até ao nascimento. As suas funções são: proporcionar ao
embrião/feto um meio líquido que o protege da desidratação e dos choques mecânico, manter a temperatura
constante, fornecer nutrientes e eliminar produtos de excreção. Os anexos embrionários são: córion, âmnio,
vesícula vitelina, alantoide, placenta e cordão umbilical.

Figura 38 – Embrião e anexos embrionários.

31
Anexos Origem Estrutura Funções
Âmnio ou Ectoderme Saco que envolve o embrião/feto - Protege o embrião/feto da desidratação e dos
cavidade + folheto (membrana que delimita a cavidade choque mecânicos;
amniótica parietal da amniótica, cheia de líquido - mantém a temperatura constante;
mesoderme. amniótico). - vai originar o cordão umbilical.

Membrana extraembrionária (com - Intervém na formação da placenta;


muitas vilosidades) que tal como o - rodeia o embrião / feto;
âmnio rodeia o embrião/feto e os - possui vilosidades que mergulham em lacunas do
Córion Idem outros anexos embrionários. endométrio preenchida por sangue materno, devido
à rutura dos capilares;
- alimenta o embrião;
- forma uma extensa rede de trocas.

Vesícula Saco membranoso sem substâncias


Vitelina Endoderme de reserva, muito reduzido mas - Intervém na produção dos glóbulos brancos e
+ folheto muito vascularizado e está vermelhos, sendo o 1ºlocal de formação.
visceral da incorporado no cordão umbilical.
mesoderme

Anexo muito reduzido que fica - Contribui para a formação dos vasos
Alantoide Idem incorporado no cordão umbilical. sanguíneos do cordão umbilical.

Cordão Canal formado a partir do âmnio. - Faz a ligação entre a mãe (placenta) e o
Umbilical Idem Localiza-se entre o embrião /feto embrião/feto.
(possui 1 veia e a placenta, estabelecendo a - Possui duas artérias e uma única veia. Estas
e 2 artérias ) ligação entre eles. estruturas garantem a nutrição e a respiração
do embrião/feto.

Endométrio Tem forma de disco e está - Função de nutrição e de respiração, pois permite
(materno) + ligada ao endométrio e a passagem de nutrientes, de
Vilosidades ao embrião/feto através anticorpos, hormonas e de oxigénio da
Placenta Coriónicas do cordão umbilical. mãe para o filho e de CO2 do filho para a
(é exclusiva do embrião/ mãe;
dos mamíferos) feto. (Tem - função de excreção, já que permite a
origem mista eliminação de produtos de excreção do
ou seja resulta embrião/feto;
da fusão do - função hormonal, pois produz estrogénio
córion com e progesterona e na altura do parto produz
o endométrio. prostaglandinas;
- funciona como um filtro, mas
infelizmente também permite a passagem, da
mãe para o filho, de produtos tóxicos como:
álcool, droga, nicotina, certos medicamentos e
microorganismos que podem originar
malformações.

Nota: Nos mamíferos a vesícula vitelina e o alantóide são substituídos pela placenta.

32
Figura 39 – Representação esquemática da placenta.

Figura 40 – Trocas que ocorrem através da placenta.

Mecanismos que controlam o desenvolvimento embrionário


Alterações físicas e hormonais durante a gestação
Durante a gestação, o organismo materno sofre uma série de alterações físicas e hormonais, como por exemplo:
- Aumento de peso;
- Normalmente aumento de apetite;
- Tendência para infeções;
- Aumento do volume urinário diário (Os rins passam a eliminar as excreções do embrião, para além das
maternas);
- Aumento mamário;
- Dores nas costas;
- Aumento do volume sanguíneo;
- Aumento das dimensões do útero;
- Paragem dos ciclos sexuais (durante a gravidez não ocorre ovulação nem menstruação).

Regulação hormonal durante a gestação

O embrião (trofoblasto), desde o início da nidação, sintetiza uma hormona - a HcG (hormona
gonadotropina coriónica humana), que tem estrutura e ação semelhante à do LH.
- Como tal, a HcG impede a degeneração do corpo amarelo, o qual continua a produzir estrogénios e
progesterona que são indispensáveis à manutenção do endométrio, permitindo assim que a nidação do embrião
se mantenha.

33
- Elevados teores de HcG exercem uma retroação negativa sobre o complexo hipotálamo-hipófise, bloqueando
o ciclo ovárico.

Como varia a concentração da hormona HcG ao longo da gestação?


- A concentração da hormona HcG inicia-se com a nidação, aumenta de concentração até cerca da 8ª/10ª
semana de gestação e diminui acentuadamente a partir daí.

Quais são as células-alvo da HcG?


- As células-alvo da HCG são as células do corpo amarelo do ovário materno, porque este não degenera até
cerca da 8ª/10ª semana de gestação e aumenta progressivamente a sua produção de estrogénios e de
progesterona.

Primeiros testes de gravidez: deteção, na urina da mãe, da hormona HcG produzida pelo embrião jovem.

Retroação negativa pela HcG

Estimula que aumenta a


Elevado teor Corpo amarelo Produção de estrogénios e de
de HcG progesterona

que inibe o
e por isso a diminuir ou a não
O ciclo ovárico FSH e LH produzir Complexo hipotálamo-hipófise
é interrompido

- A retroação negativa pela HcG inibe o complexo hipotálamo-hipófise, não se libertando as hormonas FSH e
LH pelo que não existe nova evolução de folículos ováricos o que conduz à paragem dos ciclos sexuais.

Figura 41 – Retroação negativa pela HcG.

A partir da 8ª/10ª semana a produção de HcG diminui drasticamente, levando à degeneração do corpo
amarelo. No entanto, os estrogénios e progesterona continuam a ser sintetizados, agora pela placenta.

34
Ação/função dos estrogénios e da progesterona na gestação

Estrogénios Progesterona
São responsáveis: É responsável:
- pela manutenção do endométrio; - pela manutenção do endométrio;
- pela expansão do útero; - pela inexistência das contrações uterinas durante a gestação;
- pelo desenvolvimento e maturação das - pelo desenvolvimento e maturação das glândulas mamárias.
glândulas mamárias; - pelo aumento da secreção de muco no colo do útero, que forma
- pelas contrações uterinas durante o parto. uma tampa protetora;
- pelo crescimento da placenta.

No último trimestre de gestação é uma complexa interação de hormonas – estrogénio, oxitocinas e


prostaglandinas – que induz o parto.

Figura 42 – Variação das hormonas ao longo da gestação.

Etapas de um parto
1- Dilatação do colo do útero – esta etapa caracteriza-se pela abertura e dilatação do cérvix (colo do útero)
com saída do líquido amniótico e ainda o aparecimento das primeiras contrações rítmicas uterinas que vão
aumentando de frequência e de intensidade.
2- Expulsão da criança (feto) – nesta etapa ocorre fortes contrações uterinas, que forçam o feto para fora do
útero através da vagina. Os pulmões da criança enchem-se de ar pela primeira vez e seguidamente corta-se o
cordão umbilical.
3- Expulsão da placenta e dos restantes anexos embrionários.

Figura 43 – Etapas de um parto.

35
Miométrio – músculo da parede do útero, responsável pelas contrações uterinas.

Regulação hormonal do parto

♥ No fim da gestação diminui o teor de progesterona a nível do miométrio, o que conduz ao domínio dos
estrogénios, que estimulam as contrações uterinas (rápida e repetidas), favorecendo a deslocação do feto para o
colo uterino. A pressão do feto sobre o colo do útero envia mensagens nervosas ao hipotálamo fazendo-o
produzir a neuro-hormona – oxitocina que é armazenada e libertada ao nível da hipófise posterior (a máxima
concentração de estrogénios desencadeia a formação de recetores de oxitocina no útero).

♥ A oxitocina estimula as contrações do miométrio que aumentam de frequência e de vigor. Este aumento das
contrações envia, pelo sistema nervoso, mensagem do útero ao hipotálamo que faz aumentar a libertação de
oxitocina que provoca contrações musculares ainda mais vigorosas (retroação positiva), continuando até à
expulsão da criança.
A oxitocina também estimula a placenta a produzir prostaglandinas que estimulam ainda mais as contrações
uterinas (retroação positiva).

♥ Durante o parto também intervém uma outra hormona – a relaxina (produzida pela placenta) que facilita o
alargamento da bacia e amolece o colo uterino, contribuindo para um fácil trabalho de parto.

Figura 44 - Hormonas intervenientes no parto.

36
Regulação hormonal do aleitamento (lactação) antes e depois do nascimento

Durante a gestação os teores de estrogénio e progesterona estão elevados, o que exerce uma retroação
negativa sobre o hipotálamo inibindo-o, que por sua vez inibe a hipófise anterior, o que impede a produção
prolactina e apesar das glândulas mamárias se terem desenvolvido durante a gestação, a ausência de prolactina
impede a produção de leite antes do nascimento.

37
Prolactina – é uma hormona produzida pela hipófise anterior que controla a produção de leite, ou seja,
estimula as glândulas mamárias a produzir, 1º colostro e depois leite.

Figura 45 – Glândula mamária.

Após o nascimento a expulsão da placenta provoca uma queda no teor de estrogénios e de progesterona,
que estimula o hipotálamo e este estimula a hipófise anterior a produzir prolactina. Com a chegada desta
hormona às glândulas mamárias, estas iniciam a sua atividade secretora começando por produzir colostro e
depois leite.

Colostro – líquido produzido pelas glândulas mamárias durante 1 a 4 dias após o nascimento, menos rico em
glícidos e lípidos mas mais rico em proteínas do que o leite. Também é rico em anticorpos que protegem a
criança de diversas infeções nas primeiras semanas de vida.

A produção e saída de leite são controladas pela atividade da criança que dele beneficia. A sucção do bebé
nos mamilos faz sair o leite porque estimulam terminações nervosas da zona do mamilo, que conduz essa
informação, por nervos sensitivos, ao hipotálamo que produz oxitocina. Esta é libertada e acumulada ao nível
da hipófise posterior. Estimula as glândulas mamárias que se contraem, fazendo com que o leite se liberte, isto
é, origina um fluxo de leite. Também ajuda o útero a retomar o volume original.
O reflexo da ejeção do leite é sensível a condições de natureza nervosa. O contacto com o bebé e a audição
do seu choro provoca uma descarga de oxitocina, seguida de um jato espontâneo de leite.

Figura 46 – Regulação hormonal na lactação.

38
39
Manipulação da Fertilidade

Métodos Contracetivos – São métodos que permitem aos casais planear o nascimento dos
filhos: controlar o número de filhos e o tempo entre os nascimentos.
Existem vários métodos contracetivos:
- os que modificam o funcionamento normal das gónadas, evitando a gametogénese;
- os que impossibilitam o encontro do espermatozoide com o oócito II e consequentemente a
fecundação;
- os que impedem a nidação do embrião.

Existem:
 Métodos Contracetivos Naturais
 Abstinência periódica;
 Método do calendário;
 Método das temperaturas;
 Método do muco cervical;
 Método sintotérmico.

 Métodos Contracetivos Não Naturais ou Tecnológicos Químicos


 Contraceção hormonal oral – Pílulas contracetivas: pílula combinada (possui estrogénio e
progesterona) e minipílula (só possui progesterona);
 Contraceção hormonal injetável;
 Contraceção hormonal – implante cutâneo;
 Anel vaginal;
 Adesivo;
 Espermicidas (colocados na vagina);
 Pílula do dia seguinte (contraceção de emergência: apenas um recurso).

 Métodos Contracetivos Não Naturais ou Tecnológicos Físicos


 Preservativo masculino (colocado no pénis) - também é um método de barreira;
 Preservativo feminino (colocado na vagina) - “ “ “ “ “ “ ;
 Diafragma (colocado na vagina) - “ “ “ “ “ “ ;
 Dispositivo intrauterino (DIU) (colocado no útero);

 Métodos Contracetivos Não Naturais ou Tecnológicos cirúrgicos


 Vasectomia
 Laqueação das Trompas

Figura 47 – Exemplos de métodos contracetivos.

40
Métodos contracetivos naturais

Método do calendário
Este método considera o tempo de sobrevivência dos gâmetas (24 horas para o oócito II e 72 horas para o
espermatozoide) para determinar o período fértil.
Considerando a duração dos ciclos menstruais anteriores (cerca de 12 ciclos), pode calcular-se o período
fértil, por subtração de 11 dias ao ciclo mais longo e de 18 dias ao ciclo mais curto.

Exemplos: Para ciclos menstruais regulares de 28 dias, o período fértil será entre o 10º e o 17º dia do ciclo,
inclusive.
Para ciclos menstruais irregulares entre 25 e 30 dias, o período fértil será entre o 7º e o 19º dia do ciclo,
inclusive.

Método das temperaturas


Este método considera a variação da temperatura basal do corpo ao longo do ciclo uterino. A temperatura
diminui no dia da ovulação e aumenta nos dias seguintes.
Exige a medição diária da temperatura, ao acordar e sempre no mesmo local do corpo, e registo num
gráfico.

Figura 48 – Método das temperaturas.

41
Método do muco cervical ou método de Billings

Este método consiste em observar diariamente o muco cervical, retirando-o da vagina com dois dedos,
observando e registando a sua elasticidade.

- O muco cervical vai alterando-se ao


longo do ciclo sexual.
- No período fértil é mais abundante,
transparente, elástico e fluído. A
elasticidade do muco aumenta chegando a
atingir 15 a 20 cm quando distendido entre
dois dedos. Este aumento de elasticidade
facilita a subida dos espermatozoides.
- Fora do período fértil o muco cervical é
menos abundante, espesso e muito viscoso.

Figura 49 – Método do muco cervical.

Método sintotérmico

Este método consiste em registar as temperaturas basais ao longo do ciclo e observar o muco cervical
produzido. Além disso, deve fazer-se a palpação do colo do útero e no período fértil encontra-se alto, mole e
aberto.

Métodos contracetivos não naturais ou tecnológicos físicos

42
A B C
Figura 50 – A – preservativo feminino; B – Diafragmas; C - DIU

Métodos contracetivos não naturais ou tecnológicos Químicos

A B
Figura 51 - A – Implante cutâneo; B – Anel vaginal.

43
Figura 52 – Minipílula.

Minipílulas – só contêm derivado sintético de progesterona e não bloqueiam a ovulação. Mantêm ao longo do
ciclo características do muco cervical típicas da fase luteínica com uma maior impermeabilização do colo
uterino aos espermatozoides, pelo que a sua eficácia é menor do que a das pílulas estroprogestativas (pílulas
combinadas). São aconselhadas a mulheres que estejam a amamentar e para as quais as pílulas contendo
estrogénios são fortemente contraindicadas.

Como atuam as pílulas combinadas?

- As pílulas combinadas possuem hormonas sintéticas - estrogénios e progesterona. Cada blister contém 21
comprimidos. A toma da pílula efetua-se diariamente, durante 21 dias consecutivos, seguidos de 7 dias de
descanso. Nessa semana ocorrerá a hemorragia de privação - “uma menstruação” menos abundante do que a
normal.

- A partir da aplicação das pílulas combinadas as concentrações de gonadoestimulinas e de hormonas ováricas


mantêm-se baixas.
- As pílulas combinadas inibem a produção de FSH e de LH pelo complexo hipotálamo-hipófise o que impede
no ciclo ovárico, o desenvolvimento de folículos e a ovulação.
- As pílulas combinadas como contêm hormonas de síntese semelhantes a estrogénios e progesterona
promovem algum crescimento do endométrio.

Métodos contracetivos não naturais ou tecnológicos cirúrgicos (Contraceção cirúrgica)

A contraceção cirúrgica (esterilização) é um método que impede a permanente libertação de gâmetas e pode
ser efetuado no homem (vasectomia) ou na mulher (laqueação das trompas). Quando se recorre a este tipo de
contraceção, nem os níveis hormonais nem a resposta sexual são afetados.
 Vasectomia - cirurgia em que se cortam e suturam os canais deferentes, impedindo a passagem dos
espermatozoides para a uretra.
 Laqueação das Trompas – cirurgia que consiste em cauterizar ou cortar e suturar (irreversível) ou atar
(reversível) uma secção de cada trompa de Falópio, impedindo o encontro dos gâmetas.

Método Vantagens Desvantagens / Riscos Eficácia


Vasectomia - Seguros, eficazes e definitivos. - Requerem procedimentos cirúrgicos Vasectomia – 99,8%
e - Não tem efeitos colaterais ou por um profissional treinado. Laq. trompas – 98,2
Laqueação riscos para a saúde a longo - Reverter o método é difícil e caro. a 99,5%
das trompas prazo. - Podem surgir complicações
pós-operatórias,
- Não protege das IST.

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Figura 53 – Vasectomia e laqueação das trompas.

Infertilidade
Infertilidade – é a incapacidade de um casal conceber um filho após um ano de relações sexuais sem uso de
contracetivos.
Causas/origem da infertilidade Consequências Tratamento
(masculina e feminina)
- Destruição das vias genitais: epidídimos, canais - Impede a passagem dos - Tratamento do bloqueio nos
deferentes e uretra (devido a infeções ou vasectomia). espermatozoides. epidídimos.
- Vasectomia reversa.
- Produção inadequada de gonadoestimulinas devido, por - Impotência sexual e níveis - Tratamento hormonal
exemplo, a problemas na hipófise. baixos de testosterona.
- Produção anormal de
líquido prostático. - Cirurgia prostática.
- Problemas na próstata. - Bloqueio no transporte do - Tratamento da próstata.
esperma.
- Perturbação na ejaculação
e na ereção.
- Lesões no S. Nervoso (devido a - Impotência sexual. - Tratamento dos danos
doenças ou uso de drogas). - Perturbações na ejaculação no S. nervoso
e na ereção.
- Problemas na produção de - Reprodução Medicamente
- Anomalias congénitas no homem. esperma. Assistida: I.A, FIV, ICSI.
- Anomalias morfológicas dos
espermatozóides.
- Alterações no endométrio. - Tratamento hormonal
- Problemas nos ovários (devido a infeções, - Problemas na produção de (estimulação ovárica).
cancro e drogas.) Oócitos II. - Indução da ovulação.
- Aspiração folicular.
- Cirurgia.
- Modificações dos tecidos das trompas de - Endometriose - Laparoscopia (retirar tecidos
Falópio. anormais).
- Contraceção hormonal.
- Obstrução das trompas de Falópio (devido a infeções ou a- Bloqueio no transporte dos - Laparoscopia para abrir as
D.S.T…) gâmetas. trompas.
- FIV.
- Produção anormal de muco - Reprodução Medicamente
- Alterações anatómicas e fisiológicas do Cervical. Assistida
útero (devido a D.S.T, pólipos, cancro…) - Bloqueio no transporte de
Gâmetas.
- Alterações no endométrio.
- Bloqueio no transporte de espermatozóides - Bloqueio no transporte de - Tratamento hormonal.
e oócitos II (devido a infeções, endometriose, gâmetas. - Tratamento da endometriose
muco cervical hostil, laqueação de trompas). (químico ou cirúrgico).
- Reverso da laqueação.
- Inseminação artificial.
- Ausência de ovulação e de - Tratamento hormonal.
folículos maduros. - análises hormonais.
- Distúrbios hormonais (devido ao stress, - Alterações no ciclo sexual. - ultra-som vaginal para
Lesões no S. nervoso…) - Bloqueio no transporte dos posterior tratamento.
Gâmetas. - FIV.

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- Oócitos danificados ou com - FIV com doação de oócitos
- Anomalias congénitas na mulher anomalias cromossómicas. II ou embriões.

No homem a infertilidade está ainda relacionada com:


- produção insuficiente ou nula de espermatozóides;
- produção de espermatozóides de fraca qualidade (anormais ou de baixa ou nula mobilidade);
- anomalias bioquímicas nos espermatozóides;
- gametogénese anormal;
- extração dos testículos.

Na mulher a infertilidade está ainda relacionada com:


- ausência de ovulação ou pouco frequente;
- Obstrução das trompas de Falópio ou do colo uterino;
- inibição da nidação ou rejeição do embrião após esta fase;
- extração dos ovários e do útero.

Causas de infertilidade comuns no homem e na mulher

- Distúrbios hormonais;
- Malformações congénitas;
- Fatores imunitários;
- Problemas genéticos;
- Consumo de drogas, álcool, tabaco e certos medicamentos;
- Infeções sexualmente transmissíveis – sífilis, gonorreia, clamídia (se não forem tratadas a tempo).

Testes para determinação das causas de infertilidade masculina

 Espermograma (para avaliar a quantidade e a qualidade dos espermatozoides no esperma);


 Análises hormonais (para quantificar as hormonas: LH, FSH e testosterona);
 Testes genéticos (para despistagem de doenças associadas à produção de espermatozóides);
 Biopsia testicular (para inferir acerca do funcionamento e estrutura dos testículos);
 Despistagem de infeções sexualmente transmissíveis, pois algumas podem afetar a fertilidade masculina;
 Análises à urina (para detetar a presença de microrganismos no sistema urinário, principalmente na uretra).

Figura 54 – Biopsia testicular.

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Testes para determinação das causas de infertilidade feminina

 Análise Hormonais (para quantificar as hormonas ováricas – estrogénio e progesterona – e as hipofisárias –


LH e FSH);
 Ecografias (para verificar o estado do útero e dos ovários e controlar o ciclo ovárico);
 Estudo das trompas de Falópio (para despistar a existência de obstruções e proceder à sua remoção);
 Análises ao muco cervical (para se avaliar a quantidade e a qualidade do muco cervical e a mobilidade dos
espermatozóides no colo do útero);
 Ultra-som vaginal (para determinar o número, o tamanho e o desenvolvimento dos folículos);
 Laparoscopia (técnica cirúrgica que permite detetar e corrigir problemas no sistema reprodutor feminino,
como por exemplo, bloqueio das trompas, que impede o transporte dos gâmetas);
 Biopsia endometrial (para recolher e analisar porções do endométrio);
 Despistagem de infeções sexualmente transmissíveis.

Nota: A endometriose é um problema que se caracteriza pela produção de um tecido semelhante ao endométrio
fora do útero (por exemplo, nas trompas). Este tecido pode apresentar-se sob a forma de quistos e de nódulos,
que reduzem o tamanho das trompas de Falópio.
A endometriose pode ser evitada com o uso de contracetivos hormonais, que controlam o desenvolvimento
do endométrio.

Reprodução Medicamente Assistida

Reprodução medicamente assistida (RMA) ou Procriação Medicamente Assistida (PMA) – corresponde a


técnicas e métodos que visam ultrapassar os problemas de infertilidade do casal.

Métodos / Técnicas de Reprodução medicamente assistida

1- Inseminação Intra–Uterina (IIU) ou Inseminação Artificial (Intra-Uterine Inseminatio) - utiliza-se


quando os espermatozóides não conseguem atingir as trompas de Falópio.
- Consiste em transferir, para a cavidade uterina, os espermatozóides previamente recolhidos e selecionados
(morfologicamente normais e móveis).

2- Estimulação Ovárica ou Hiperestimulação controlada dos ovários – utiliza-se quando ocorrem anomalias
no funcionamento dos ovários, por exemplo, por lesões hipofisárias.
- Efetua-se um tratamento hormonal a partir do 3º ou 5º dia do ciclo sexual, com um derivado sintético
semelhante à FSH que vai ativar a maturação de vários folículos. A observação destes, por ecografia, a partir do
10º dia, permite confirmar o desenvolvimento dos folículos e quando é considerado suficiente, injeta-se uma
hormona sintética idêntica à LH para provocar a ovulação.
- Este método apresenta alguns riscos, como por exemplo gestações múltiplas devido à libertação de vários
oócitos II que podem ser fecundados e pode ocasionar efeitos secundários na mulher em função da aplicação de
hormonas.

3 - Fecundação in vitro (FIV ou IVF) – é um método que consiste em recolher os oócitos II e os


espermatozoides e efetuar a sua união em laboratório. Este tipo de fecundação ocorre, portanto fora do
organismo materno numa placa de vidro com um meio de cultura apropriado.
Etapas:
1 – Estimulação da produção de oócitos pelos ovários (os oócitos II são obtidos pela técnica de
hiperestimulação controlada dos ovários, mas com uma estimulação hormonal mais forte).
2 - Recolha dos oócitos, por laparoscopia.
3 - Recolha e seleção dos espermatozoides (os morfologicamente mais normais, móveis e rápidos).

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4 - Colocação de alguns oócitos II e uma elevada concentração de espermatozoides (para que ocorra a
fecundação), numa placa com um meio de cultura apropriado que se coloca numa incubadora a 37ºC, com
ar humidificado, reconstituindo-se assim as condições da trompa de Falópio e do útero.
5 - Após a fecundação e a formação de embriões, são selecionados alguns, sendo transferidos 2 ou 3 (ou mais)
embriões para o útero através da vagina, para que se possam implantar e desenvolver (IVF-ET).
Normalmente, a mulher é submetida, previamente, a um tratamento hormonal com progesterona, no sentido
de melhorar o estado do endométrio, facilitando a nidação.

4- Microinjeção citoplasmática de um espermatozoide (ICSI- Intracytoplasmatic Sperm Injection) –


microinjeção de um único espermatozoide diretamente no citoplasma de um oócito II. Posteriormente, o
embrião é implantado segunda a mesma técnica utilizada na IVF-ET.

- Esta técnica utiliza-se quando os espermatozoides apresentam anomalias que os tornam inaptos para a
fecundação.
- É um processo de fecundação in vitro que consiste na seleção de um espermatozóide e na sua injeção no
citoplasma do oócito II.
- É uma técnica de precisão realizada ao microscópio. Depois de recolhido o esperma, é escolhido um
espermatozóide normal e bem móvel que é aspirado com uma micropipeta, que se aproxima do oócito II,
mantido por uma pipeta de contenção. De seguida a micropipeta penetra no citoplasma do oócito II até ao
centro, sendo o espermatozóide empurrado para o interior do oócito II.
Os oócitos II que resistem à microinjeção são colocados numa incubadora a 37ºC. Caso a fecundação tenha
êxito e se formem embriões, estes são transferidos para o útero através da vagina.
- Esta técnica permite escolher o sexo da criança pela seleção de um espermatozóide X ou Y. Isto pode evitar a
transmissão de doenças ligadas ao cromossoma X e que se manifestam obrigatoriamente nos rapazes.
- Também permite utilizar espermatozóides imaturos recolhidos diretamente dos testículos de homens que não
conseguem ejacular (devido, por exemplo, a uma lesão na espinal medula).
- Esta técnica também é útil para aumentar o sucesso de fecundação in vitro em homens com oligospermia
(pouca % de espermatozóides ou com uma % elevada de espermatozoides anormais).

5- Transferência intratubárica de gâmetas ou GIFT – os dois tipos de gâmetas - espermatozoides e oócitos


II - previamente recolhidos e selecionados, são transferidos para o interior das trompas de Falópio de modo que
só aí ocorra a sua fusão. Esta fecundação tem lugar in vivo.

6- Transferência intratubárica de zigotos ou ZIFT – os espermatozoides e os oócitos II previamente


recolhidos e selecionados são postos em contacto in vitro em condições apropriadas para a sua fecundação. O
zigoto ou zigotos resultantes são transferidos para o interior das trompas de Falópio (por laparoscopia).

Crioconservação de gâmetas e de embriões:

Crioconservação de espermatozóides:
- Os espermatozóides podem ser conservados por congelação a baixas temperaturas
(-196ºC). Adiciona-se um crioprotetor e são colocados em criotubos mergulhados em azoto líquido.
- É utilizada para conservar espermatozóides de dadores em bancos de esperma em hospitais. Também é
utilizada para conservar espermatozóides em casos de problemas graves de saúde: intervenções cirúrgicas,
quimioterapia e radioterapia que podem afetar a produção de espermatozóides do homem.

Em relação aos oócitos, ainda não existe uma técnica de crioconservação clinicamente satisfatória.

Crioconservação de embriões:
- Os embriões excedentários formados pelas técnicas FIV e ICSI podem ser crioconservados para posterior
utilização pelo casal.

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- É uma crioconservação mais complexa: exige uma mistura de crioprotetores e certos solutos, podendo ser
efetuada com a descida automaticamente programada da temperatura em aparelho especial (crioconservação
lenta).

Manipulação de Fertilidade e Bioética

O avanço da biotecnologia na reprodução (para além da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos no
planeamento do nascimento dos filhos) também levanta problemas e riscos:
- A utilização em grande escala de métodos contracetivos de eficácia fiável, como os contracetivos hormonais,
tem vindo a provocar problemas, não só ao nível da saúde da mulher, mas também ao nível do desenvolvimento
das populações como o crescimento negativo das populações nos países mais desenvolvidos.
- As tecnologias de reprodução assistida põem em causa princípios, valores e a própria natureza dos fenómenos
biológicos:
 obtenção de gâmetas fora do casal;
 mães de substituição;
 situações de monoparentalidade;
 situações de casais homossexuais;
 produção de um filho de acordo com um determinado padrão genético;
 intervenção da clonagem na reprodução;
 futuro dos embriões excedentários;
 direitos dos seres humanos que vão nascer.

Como cidadãos temos de conhecer as informações disponíveis, explorar diferentes opiniões, avaliar as opções e
tomar decisões responsáveis.

Bom Estudo!
A professora: Ilda Costa

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