17/05/2018
Laboratório de Engenharia
de Materiais I
Materialografia
Profa. Dra. Daniela Camargo Vernilli
Metalografia
A Metalografia é a ciência que estuda a constituição de fases dos metais e
suas ligas, podendo ser dividida em: macrografia (aumento <30x) e a
micrografia (aumento >50x)
Figura 1 – Escala versus estrutura
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Macrografia
Macrografia: Examina o aspecto
de uma superfície, após
lixamento e ataque químico.
Possibilita, por exemplo,
identificar o processo de
fabricação (fundição,
conformação mecânica,
metalurgia do pó) e
homogeneidade macroestrutural
(química).
Figura 2 - Macrografia de um meteorito de
ferro preparado em 1808 por
Widmanstätten e Schreibers.
Micrografia
Micrografia: Permite o estudo da microestrutura com o auxílio de
microscópio óptico ou eletrônico, através da observação, quantificação e
identificação de seus diversos constituintes (fases) em termos de fração
volumétrica, tamanho, distribuição, morfologia, composição química,
estrutura cristalina e textura das fases. Estas variáveis controlam as
propriedades mecânicas dos materiais.
Figura 3 – Microestrutura de um ferro fundido branco com Fe3C(clara) e perlita(escura)
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Etapas de Preparação
• Escolha das amostras e das seções a serem estudadas
(microestrutura é 3D e estaremos amostrando apenas
cortes 2D)!!!
• Corte
• Embutimento
• Lixamento
• Polimento
• Inspeção sem ataque
• Inspeção com ataque
• Documentação em vários aumentos
Escolha das amostras
e da seção a ser estudada
A escolha das amostras e da seção pode levar a conclusões
distintas, daí a importância de entender o processo de fabricação
ou de estudar várias seções.
Figura 4 – Macroestrutura de junta soldada
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Escolha das amostras
e da seção a ser estudada
A escolha das amostras e da seção pode levar a conclusões
completamente distintas de morfologia de precipitação, daí a
importância de entender o processo de fabricação ou de estudar
várias seções.
Figura 5 – Vista da seção longitudinal e transversal de uma mesma amostra: barra produzida por
deformação plástica
Seccionamento
O corte da amostra deve ser efetuado de tal maneira que não altere a
microestrutura do material em sua condição “como-recebido” (p.e.: super-
aquecimento). São variáveis importantes durante este processo
1) Tipo e a quantidade de líquido refrigerante e o método de
aplicação.
2) Pressão aplicada pelo disco sobre a amostra.
3) Tamanho e a velocidade do disco abrasivo.
4) Potência do motor do disco abrasivo.
5) Dureza do disco abrasivo.
6) Dureza do material da amostra.
7) Vibração do dispositivo "cut-off"
Figura 6 – Discos abrasivos para cortes
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1) Normas relacionadas à análise
materialográfica:
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Embutimento
A montagem da amostra é realizada para facilitar o manuseio de peças
pequenas. O embutimento consiste em circundar a amostra com um material
adequado. O embutimento pode ser a frio e a quente, dependendo das
circunstâncias e da amostra a ser embutida.
Figura 7– Aspecto das amostras embutidas e de uma
embutidora.
Cuidados: Verificar se a face que estar embutindo é realmente a que se deseja observar,
escolher o tipo certo de embutimento (quente, frio) dependendo do material, proteger a
superfície que se deseja observar para não haver abaulamento e identificar a amostra.
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Embutimento
Embutimento a Frio
- Usa-se resinas sintéticas de polimerização rápida.
- Usa-se resinas auto polimerizáveis, as quais consistem geralmente de
duas substâncias formando um líquido viscoso quando misturadas.
- Esta mistura é vertida dentro de um molde plástico onde se encontra a
amostra e é exotérmica, atingindo temperaturas entre 50 e 120° C.
- Tempo de endurecimento varia de 0,2 a 24 h, dependendo do tipo de resina
empregada e do catalisador.
Embutimento
Embutimento a Quente
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Embutimento
Embutimento a Quente
Lixamento
Essa preparação exige que o uso de diversas lixas, com granulométrica
sucessivamente menores (100#, 220#, 320#, 400#, 600# e 1000#) e uso de
lubrificante. A técnica de lixamento manual consiste em se lixar a amostra
sucessivamente com lixas de granulométrica cada vez menores, mudando-se de
direção (90°) em cada lixa subseqüente.
Fig. 8 – Aspecto da direção de lixamento e da superfície lixada
Cuidados: Lubrificar a mostra para evitar aquecimento e impregnação, manter a amostra sob
pressão uniforme para evitar abaulamento. Lavar entre passos para evitar contaminação.
#: número de aberturas por polegada da peneira.
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Lixamento
• Rotação de lixamento: 200 a 400 rpm
Polimento
O polimento é mecânico realizado em seguida ao lixamento.
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Polimento
Polimento
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Polimento
Polimento
Polimento grosseiro
Polimento intermédio
Polimento de acabamento
Fig. 12 – Aspecto da superfície polida.
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Polimento
riscos (scratches) cometas (comet tails)
abaulamento (edge rounding)
Fig. 13 – Aspecto de superfície polida contendo erros de preparação.
Polimento eletroquímico
Este processo permite obter, por dissolução anódica de um metal em um
eletrólito, uma superfície plana e polida, livre de deformação mecânica,
para a observação metalográfica. O eletrólito é escolhido em função do tipo
de material a ser polido.
Fig.14– Aspecto de microestrutura de amostra polida por processo eletrolítico.
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Secagem de amostras
Antes de a amostra sofrer o ataque, a mesma deve estar perfeitamente limpa e
seca, por isso utilizam-se líquidos de baixo ponto de ebulição como o álcool, éter,
etc. Evitar machas de secagem!
Incorreto
Correto
Fig. 15 – Posicionamento de amostra para secagem.
Inspeção metalográfica
O exame ao microscópio da superfície polida sem ataque de uma amostra
revela algumas características como inclusões, trincas e outras imperfeições
físicas (incluindo-se defeitos no polimento propriamente dito).
Fig. 17 – Aspecto da microestrutura de um aço após polimento sem ter sido atacada .
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Ataque metalográfico
Para destacar e identificar características microestruturais ou fases presentes
nas amostras é utilizado o ataque químico em microscopia óptica. O reagente é
preparado (ácido sobre solvente) e despejado em uma pequena cuba de vidro
(vidro relógio, placa de Petri, béquer) e a amostra é imersa na solução.
Recomenda-se que esta operação seja realizada usando-se luvas.
Fig. 19 – Procedimento de ataque metalografico.
Ataque metalográfico
Inspeção com ataque “ caracterização microestrutural (aço baixo carbono)”
Fig. 20 – Microestrutura de um aço submetido a diferentes ataques.
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Ataque metalográfico
Inspeção com ataque “caracterização microestrutural (aços carbono)”
composição química e proporção das fases => propriedades mecânicas
Fig. 21 – Aspecto microestrutural de aços com diferentes teores de carbono.
Ataque metalográfico
Inspeção com ataque “ferro fundido cinzento (lamelar)” aumento
Fig. 22 – Microestrutura de um ferro fundido cinzento.
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Referencias
Metallography: An Introduction, Metallography and Microstructures, Vol 9,
ASM Handbook, ASM International, 2004, p. 3–20.
Colpaert, H. Metalografia dos Produtos Siderúrgicos Comuns.
Ed. Edgard Blucher, São Paulo, 1974.
Struers
Buehler
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