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Didatica Geral

Este documento resume um trabalho de campo sobre o processo de ensino-aprendizagem como objeto de estudo da Didática. O trabalho descreve os objetivos de compreender esse processo e identificar o objeto de estudo da Didática, além de entender a importância do estudo da Didática na formação de professores e os desafios didáticos enfrentados no país. A metodologia utilizada baseou-se em fontes bibliográficas nacionais e internacionais sobre o tema.
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Didatica Geral

Este documento resume um trabalho de campo sobre o processo de ensino-aprendizagem como objeto de estudo da Didática. O trabalho descreve os objetivos de compreender esse processo e identificar o objeto de estudo da Didática, além de entender a importância do estudo da Didática na formação de professores e os desafios didáticos enfrentados no país. A metodologia utilizada baseou-se em fontes bibliográficas nacionais e internacionais sobre o tema.
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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

1º Trabalho de Campo

1º Ano

Discente: Aurélio Alfredo Marega

Código: 708236137

Tema: O processo de ensino-aprendizagem como objecto de estudo da Didáctica.

Curso: Licenciatura em Ensino de Matemática


Cadeira: Didáctica Geral

Quelimane, Maio de 2023


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO A DISTANCIA

1º Trabalho

Tema: O processo de ensino-aprendizagem como objecto de estudo da Didáctica.

Trabalho de Didáctica Geral, a ser entregue no


Instituto de Ensino a Distância da
Universidade Católica de Moçambique –
Quelimane como um dos requisitos para a
realização da primeira avaliação.

Tutor: LIc. Odete Domingos Almeida

Quelimane, Maio de 2023


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Classificação
Pontuaçã Nota Subtotal
Categorias Indicadores Padrões o máxima do
tutor
Estrutura Aspectos o Capa 0.5
organizacionais o Índice 0.5
o Introdução 0.5
o Discussão 0.5
o Conclusão 0.5
o Bibliografia 0.5
Introdução o Contextualização 1.0
(indicação clara do
problema)
o Descrição dos 1.0
Objectivos.
o Metodologia 2.0
adequada ao objecto
do trabalho
o Articulação e o 2.0
Conteúdo domínio do discurso
académico
(expressão escrita
cuidada, coerência/
coesão textual)
Conteúdos
o Revisão Bibliografia 2.0
nacional e
internacional
relevante no estudo
o Exploração dos 2.0
dados
Conclusão o Contributos teóricos 2.0
práticos.
Aspectos o Paginação, tipo e 1.0
Gerais tamanho de letra,
Formatação paragrafo,
espaçamento entre
linhas.
Referencias Normas APA 6ª o Rigor e coerência 4.0
Bibliográfica Edição em das citações/
s citações e referências
Bibliografia. Bibliográficas
Recomendações

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Índic
e
1. Introdução..................................................................................................................6

1.1. Objetivos.................................................................................................................6

1.1.1. Objectivo Geral...................................................................................................6

1.1.2. Objectivo Especifico...........................................................................................6

1.2. Metodologia............................................................................................................7

2. Processo de Ensino-Aprendizado como objecto de estudo da Didática....................8

2.1. Importância do estudo da didáctica na formação de professores...........................9

2.2. Especificidade didáctica.......................................................................................13

2.3. Desafios didácticos na formação de professores no país......................................14

3. Conclusão.................................................................................................................18

4. Referencia Bibliográfica..........................................................................................19
1. Introdução

O presente trabalho tem como processo de ensino-apresendizgem como objecto de


estudo da didática. Didatica caminho programado pela teoria, tem sido considerada uma
ampla e indispensável sinalizadora na aplicabilidade dos conteúdos programáticos a que
o professor utiliza para ministrar suas aulas. No entanto, há um equívoco quando se
espera que ela seja algo definido e delimitada garantindo uma prática eficaz. É
absolutamente impossível usá-la como manual de orientação, passo a passo, uma vez
que a sua impregnação depende da necessidade à proporção que vai surgindo. A
didática do professor é considerada flexível, tendo em vista que cada turma e cada
indivíduo exigirá práticas diferenciadas.

De maneira alguma, poderia fazer-se uma educação e qualidade se não for levado em
consideração a didática como objeto essencial no processo educativo. Ela é um suporte
imprescindível a prática educativa, pois oferece embasamento para a efetivação do
ensino-aprendizagem, eliminando discrepâncias existentes entre teoria e prática.

A instrução tem como enfoque principal o objectivo de desenvolver nos alunos o saber e
o saber fazer, enquanto que quando falamos da educação se tem em vista o
desenvolvimento do saber ser e estar. Mas como vemos na figura, ao realizarmos a
educação, ao mesmo tempo se instrui (quem poderia ser bem educado diante de pessoas
idosas se não pudesse lembrar, enunciar, as regras principais de comportamento que se
espera desse indivíduo diante dessa situação); o mesmo vemos que ao instruir o
indivíduo deve ser educado para o respeito das normas (neste caso, de trânsito
rodoviário), sem as quais a condução automobilística se transformaria num autentico
problema para a circulação e bem estar das pessoas.

1.1. Objetivos
1.1.1. Objectivo Geral

Compreeder o processo de ensino-aprendizagem como objecto de estudo da Didáctica.

1.1.2. Objectivo Especifico

Identificar o bjecto de estudo da didáctica.


Saber Importância do estudo da didáctica na formação de professores.
Conhecer Especificidade didáctica.
Entender os desafios didácticos na formação de professores no país

7
1.2. Metodologia

Metodologia é o conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do


conhecimento (Andrade, 2006). Método, em seu sentido geral, é a ordem que se deve
impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado ou um resultado
desejado. No entanto, para elaboração do presente trabalho, a autora baseou se nas
auscultações na sociedade civil, onde também recorreu-se a consulta de algumas obras e
recurso à fontes electrónicas que consistiu na leitura, analise e finalmente a compilação
das informações cujos autores estão devidamente citados na referência bibliográfica
como maneira de permitir uma consistência do mesmo.

Assim sendo, por meio de pesquisa bibliográfica, esse tema foram abordados com o
objectivo de definir cada um, buscando pontuar as principais formas de conhecimentos,
bem como abordar qual a importância deste assuntos para o conhecimento integro.
Quanto as técnicas de elaboração, importa salientar também que quanto as formas de
citação, foi aplicada as normas APAS 6ª Edição utilizada na UCM para os efeito de
elaboração de trabalhos e artigos académicos.

8
2. Processo de Ensino-Aprendizado como objecto de estudo da Didática

Didática é um dos instrumentos utilizados no ensino e a aprendizagem e tem como


objetivo tornar o ensino mais acessível ao seu destinatário. E segundo pesquisas
realizadas por Comênio e Ratíquio (1971 apud Castro, 2006, p. 16) é a arte de ensinar,
dizendo que:

COMÊNIO escreveu, entre outras obras, a Didática Magna, instituindo a nova disciplina
como “arte de ensinar tudo a todos”. Dessa ambição participa também RATÍQUIO, e
ambos, pautados por idéias ético-religiosos, acreditavam ter encontrado um método para
cumprir aqueles desígnios de modo rápido e agradável.

No século XVII, a didática tinha como escopo lutar contra a metodologia de


ensino utilizada nas igrejas católicas, tendo como sustentáculo basilar a reforma
protestante. E, era tida como um meio para libertação do ensino, das amarras da igreja
católica. Com o tempo, novos estudos foram surgindo e com eles uma nova concepção
sobre a didática, mudança esta pautada conceitualmente em Rousseau (1712–1778).

A didática é uma das principais ferramentas utilizadas pelo educador para chegar ao seu
objetivo, o ensinar. E, por isso, a sua compreensão é fundamental para entender todas
as nuances que envolvem o processo pedagógico. Segundo Haydt (2003, p. 13) a
didática é o “[...] estudo da situação instrucional, isto é, do processo de ensino e
aprendizagem, e nesse sentido ela enfatiza a relação professor-aluno”.

Essa arte do ensinar vai além do tecnicismo e do metodológico, onde o processo de


aquisição do conhecimento é vazio, sem metas e objetivos. Ela traz novos paradigmas
ao educador, fazendo com que ele adquira conhecimentos suficientes para ensinar de
forma objetiva.

A didática e as metodologias específicas das disciplinas, apoiando-se em conhecimentos


pedagógicos e científico-técnicos, são disciplinas que orientam a ação docente partindo
das situações concretas em que se realiza o ensino (LIBÂNEO, 1994, p. 33).

A lei traz certa ambiguidade quando se trata da aplicabilidade da didática “[...] levando
freqüentemente a considerar tanto a Didática como a Metodologia de Ensino, Prática de
Ensino e Estágio Supervisionado como disciplinas independentes entre si” (PIMENTA;
GONÇALVES, 2002, p. 127). Confusão está que reflete na organização dos currículos
escolares:

9
As tendências de cunho progressista interessada em propostas pedagógicas voltadas
para os interesses da maioria da população foram adquirindo maior solidez por volta dos
anos 80. São também denominadas teorias críticas da educação (LIBÂNEO, 1994, p.
68).

Mesmo que a capacidade de desenvolver-se e aprender da criança seja importante para o


processo educacional o professor tem um papel fundamental neste processo. Desta
forma, é preciso que o educador esteja ciente que o aluno está disposto a aprender, mas
precisa estar motivado para que isso aconteça da forma mais eficaz possível.

Já segundo Paulo Freire (2004) ensinar não é apenas transmitir o conhecimento ao


aluno, é criar possibilidades e, também, construir algo novo. Por isso o educador,
estando em sala de aula, deve estar disposto para responder os questionamentos dos
alunos.

O ensinar quando é feito de forma mecânica, sem a interação do aluno no processo de


aquisição de conhecimento, empobrece a pedagogia como um todo. Já que “[...] ensinar
é essencialmente trabalhar para estabelecer uma relação de um tipo particular, a relação
pedagógica, uma relação que guia uma pessoa na aquisição de novas capacidades”
(SAINT-ONGE, 2001, p. 211).

2.1. Importância do estudo da didáctica na formação de professores.

Nota-se, nitidamente, que o grave problema existente na educação em trono da didática


consiste na dissociação entre teoria e prática. Uma vez que a teoria é o caminho e a
prática a ação, essa separação entre ambas impossibilita o professor a consumar o que
previamente planejou, ou seja, a ambiguidade de suas inter-relações reduzirá, ao
extremo, o praticismo.

Os profissionais da educação precisam ter um pleno domínio das bases teóricas


científicas e tecnológicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino, pois
é através desse domínio que ele poderá estar revendo, analisando e aprimorando sua
prática educativa. (LIBÂNEO, 2002, p. 28).

A prática da formação docente jamais poderia ser aleatória, desprovida de


planejamento, metas e ações, mas deve apontar objetivos a serem alcançados com a
impregnação da didática, pois esta guiará pelo caminho viável as proposições que se
almejou dentro das possibilidades.

10
Percebe-se, portanto, dentro dessa linha de raciocínio que a didática contribui,
maciçamente, para a efetivação da prática educativa de maneira correta e bem sucedida.
Ela fornece aos profissionais da educação subsídios metodológicos e estratégias para a
conclusão das metas programadas ao longo do processo educativo.

Segundo Comênio, séc. XII, a didática identifica-se como norma técnica de ensinar, por
entrelaçar nas concepções dos docentes o melhor cominho que conduzirá as propostas
pedagógicas mais eficientes para o ensino-aprendizagem. Devendo estar conexa com a
teoria, a didática faz-se necessário no contexto dos saberes, especialmente na área
pedagógica.

Qualquer atividade que não tenha a didática como mera conscientizadora de objetivos,
abre a probabilidade de lacunas à vulnerabilidade e desnorteio do que antes fora
projetado. Considerada componente curricular desde 1930, a didática é também
considerada com um conjunto de regras organizadas e delineadoras dos trabalhos
pedagógicos buscando o seu aprimoramento e evitando os efeitos negativos do
espontaneísmo.

A didática extrapola os limites e supera as ineficiências quando impregnada


corretamente. Por isso os professores devem ampliar as suas reflexões no sentido da
relevante importância do seu papel nas atividades docentes. O seu emprego na formação
docente viabiliza melhor relação entre professor e aluno e deve ser feito em linguagem
simples para que as informações sejam assimiladas eficazmente na qualidade, na
avaliação e no planejamento pedagógico.

Deve ser levado em conta, também, a diversificação de recursos didáticos pedagógicos,


uma vez que há diferentes formas de aprender e que podem ser encontradas nos
métodos oferecidos. Todavia, não basta didatizar, é preciso oferecer algo saboroso que
gere fomentação e “apetite” nos educandos, tendo em vista que uma boa didática
depende da motivação metodológica e do dom de ensinar.

Por ser o aluno o investigador e sujeito da aprendizagem, a didática deve possibilitar a


manifestação de suas várias atividades. Segundo Cipriano Lukesi, é admissível que a
didática vai além da técnica de ensinar. Ela auxilia na organização do pensamento, na
escolha de um método aceitável de ensino e sinaliza o melhor caminho da
aplicabilidade.

11
É absolutamente correto afirmar que a integração da didática na formação docente
mobiliza a inter-relação disciplinar para a reflexão sobre as atividades pedagógicas
caracterizando-se como meditação entre os conhecimentos teóricos-científicos da área
escolar. Quando o professor atua de forma responsável e segura em relação aos
conteúdos ministrados, com uso de materiais suporte que facilitariam a compreensão
dos alunos, estaria didatizando e, consequentemente, efetivando o que realmente
objetivou.

Sendo assim, podemos dizer que a didática é a ciência imprescindível que preocupa-se
de usar adequadamente suas estratégias de ensino, visando estimular nos alunos a
fomentação do aprender, despertando neles a necessidade da crítica, da criatividade e da
formação para o pleno exercício da cidadania. É sabido que não basta a transferência de
conhecimentos, mas o oferecimento de possibilidades para a produção e/ou construção
própria do indivíduo.

“O processo de ensino-aprendizagem é uma seta de mão dupla, de um lado, o professor


ensina e aprende e, do outro, o estudante aprende e ensina.” (FREIRE, 1996).

É óbvio que a mudança da sociedade depende da mudança no ensino que, por sua vez,
depende de nossa formação e da transformação das práticas docentes. Esse efeito
atingiria tanto a esfera pedagógica quanto a governamental e política.

Libânio acredita que só podemos mudar em nós mesmos a partir do momento em que
houver mudanças no meio e nas práticas do fazer. Para ele a prática pedagógica
ultrapassa uma exigência da vida, promovendo nos indivíduos conhecimentos e
experiências em todos os ramos da ciência, tornando-os aptos a atuar na sociedade,
transformando-a.

O processo do ensino-aprendizagem avançará a partir da fundamentação da didática na


dialética, sendo que é uma área em constante mudança e isenta de objetivos que a deixe
pronta e acabada. Considerada a “arte de ensinar”, é imprescindível no processo
pedagógico com tendências distintas na visão do homem e do mundo, flexibilizando,
sempre, o papel do professor, do aluno, as metodologias, as avaliações e a forma de
ensinar. Ela converte objetivos sócio-políticos e pedagógicos em outros de ensino,
métodos e conteúdos vinculados ao ensino-aprendizagem através das capacidades
mentais dos educandos.

12
De modo que a didática opera na capacidade crítica e desenvolvimentista dos docentes
para que eles analisem, explicitamente, a realidade do ensino, refletindo-o “como”
ensinar, para que ensinar, o que ensinar etc. (LIBÂNEO, 1990).

Em outras palavras, a disciplina de didática institui diretrizes sinalizadoras das


atividades pedagógicas, investiga o desenvolvimento do ensino-aprendizagem e sonda
as ineficiências sujeitas a reflexões-ações por parte do professor. Isento da didática, o
professor não disporia da ferramenta essencial para a cooperação entre professor/aluno e
jamais ocorreria a delineação entre o ensinar e o aprender.

A didática, como disciplina, é a essência nas estratégias de ensino e têm o papel de


realizar a transformação da teoria à prática pedagógica. Com base na teoria, cabe ao
professor a organização da didática, utilizando materiais que lhe deem suporte na
facilitação do ensino-aprendizagem, sujeito a reflexão-ação para o cumprimento dos
objetivos propostos. Há uma variedade de elementos que compõem a didática
pedagógica sendo a metodologia, o planeamento e a avaliação os mais importantes.
Todos sujeitos a flexibilização, uma vez que cada indivíduo tem uma maneira diferente
de entender, ao tempo em que a prática docente encontra-se em constante processo de
mudança.

Todavia, cada professor possui as suas próprias concepções e metodologias que o


nortearão em seus planeamentos e em sua didática em sala de aula. Logicamente em
cada assunto, em cada docente e em cada aluno há necessidades específicas e à medida
em que elas surgem, a didática deve flexibilizar-se.

Torna-se necessário considerar a didática como algo que concretize a teoria nos
trabalhos pedagógicos cotidianos, tendo em vista, a importância da sua eficácia como
ponte ao acesso ensino-aprendizagem.

Há, algum tempo, a didática era interpretada como disciplina metodológica de ensino
que tinha como missão “ensinar”. Existia, inclusive, manuais ou receitas prontas que
orientavam os professores a se portarem em sala de aula. Porém a verdadeira função da
didática vai além dessas premissas, isso porque a visão humana e de mundo modifica-se
à proporção que surge a necessidade. O conhecimento didático deixou sua estagnação e
partiu em busca das melhores estratégias de ensinar e das mais acessíveis formas de
aprender.

13
Contudo, a didática tem a sua essência a partir do oferecimento de formas variadas de
ensinar e de compreender a construção do ensino-aprendizagem com a aplicação
diversificada de metodologias que surtam efeito para a concretização dos seus objetivos.

No processo ensino-aprendizagem o docente deve variar, reflexivamente, suas


metodologias na busca de resultados que lhe satisfaçam, pois a tarefa de trabalhar, de
forma explícita e segura, está incumbida, exclusivamente no professor. Se o professor
deixar de preocupar-se no remanejamento dos conteúdos e de suas estratégias,
instigando e orientando os seus alunos a respeito da importância dos estudos e da
formação para a vida, certamente não obterá êxito no seu trabalho pedagógico. A razão
prática é essencial para a conclusão da teoria que se planejou. Essa conclusão é a
confirmação da sua verdade. Quando o professor não faz com que o aluno aprenda, o
induz a aceitar uma falsa verdade e sem valor científico.

“A didática concretiza planos e credibiliza o trabalho docente, dando suporte para a


consumação da cientificidade, deixando de ser algo aleatório, mas autêntico”. (GRIFO
nosso)

2.2. Especificidade didáctica.

A didática é responsável por estudar os processos de aprendizagem e ensino, através de


técnicas e métodos, o educador constrói o conhecimento, possibilitando o aprendizado
dos alunos.

Etimologicamente, a palavra didática surgiu do grego didaktike, que traduzido significa


“ arte de ensinar”. Segundo Vygolsky (1984, p.101) “ O aprendizado adequadamente
organizado resulta em metal e põe em movimentos vários processos de
desenvolvimento…”

A didática tem como objetivo desenvolver pensamento crítico nos formadores, e que
por meio da criticidade pode-se adaptar conforme a realidade. O termo didática foi
usada primeiramente pelo filósofo tcheco em sua obra intitulada Didática Magna, que
defendia o ensino de “ tudo para todos”. Comênio inicia um processo de sistematização
da pedagogia da didática do ocidente, racionaliza teoria e prática das questões
educativas, o processo educacional deveria levar em consideração os processos da
natureza. Comênio propôs uma quebra radical no modelo escolar praticado pela igreja

14
católica, queria que o professor pudesse se visto como um profissional não como um
missionário. segundo Libâneo (1990, p.26)

A didática é o principal ramo da pedagogia, está relacionada tanto com a psicologia da


educação, quanto com as teorias dos conhecimentos. Denominada por Libâneo (1990,
p.25) como “teoria do conhecimento”, por investigar os fundamentos, as condições e as
formas de realização do ensino.

Muitos são os problemas que surgem, quando parti-se da teoria para a prática, e quando
se chega na prática a história é outra. É por isso que indispensável a junção de teoria e
prática, é dever do professor atualizar-se constantemente, será eficiente se conservar
tanto a competência de ensinar, quanto a de aprender. A didática é essencial para a
prática pedagógica, a partir da teoria o professor organiza a didática, selecionando os
materiais que irão facilitar no processo de ensino aprendizagem, cabe ao professor ser
flexível nas distintas formas que cada aluno tem de aprender, observar as
particularidades. O professor deve oferecer através de sua didática, algo que deixe os
alunos interessados, comprometidos com o conhecimento.

Libâneo (2002, p. 64) clarifica que a: “educação compreende o conjunto dos processos,
influências, estruturas,ações que intervém no desenvolvimento humano do indivíduo e
grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de
relações entre grupos e classes sociais, visando a formação do ser humano ( … ) é uma
prática social, que modifica os seres humanos nos seus estados físicos, mentais,
espirituais, culturais, que dar uma configuração a nossa existência individual e grupal.”

A partir desse resumo compreende-se que a didática está em constante mudança, é que a
mesma é indispensável para a formação do docente, sempre levando em consideração as
necessidades das pessoas envolvidas, professor e aluno, e contexto onde está sendo
trabalhado.

Como dizia Santos (2003): A didática passou de apêndice de orientações mecânicas e


tecnológicas para um atual (…) modo de crítico de desenvolver uma prática educativa,
forjada de um projeto histórico, que não se fará tão somente pelo edificador, mas pelo
educador, conjuntamente, com o educando e outros membros dos diversos setores da
sociedade.

15
No âmbito da educação escolar não se pode ensinar de qualquer maneira, de forma
aleatória, precisa-se de orientações, subsídios, um guia do docente, e a didática é esse
suporte que veio proporcionar eficácia e eficiência no trabalho do educador.

2.3. Desafios didácticos na formação de professores no país

A erradicação do analfabetismo; a introdução da escolaridade obrigatória; a formação


de quadros para as necessidades do desenvolvimento económico e social e da
investigação científica, tecnológica e cultural. A introdução do Sistema Nacional de
Educação (SNE) foi o culminar dos esforços de Moçambique pós-independência
caracterizado pela massificação da educação, isto é, pelo aumento significativo de
efectivos escolares, sobretudo no ensino primário, na medida em que a taxa de
analfabetismo era extremamente elevada. As políticas educacionais tinham como
objectivo primordial alargar a base, expandir e dar acesso Va todos os cidadãos,
utilizando a experiência educacional adquirida ao longo da luta armada de libertação
nacional.

A formação de professores em Moçambique pós-independência foi caracterizada pela


existência de vários modelos. Segundo Machili (2000) e Passos (2009), esta situação
resultou da ausência de uma Política Nacional de Formação de Professores, que surgisse
de experiências acumuladas nos vários modelos adoptados.

Para além da ausência da política acima referida, Machili (2000) apresenta o seguinte:
ausência de uma estratégia e modelo de formação de professores estáveis; desfasamento
entre o currículo e a realidade cultural da maioria dos cidadãos devido ao fenómeno de
uniformização tida como suporte aparente de garantia da unidade nacional.

Niquice (2006) diz que formadores com lacunas no domínio científico psicopedagógico
e didáctico constituem o factor mais importante que põe em causa a qualidade de
formação de professores. No mesmo contexto, os professores da zona sul formados
pelos IFPs consideram esta formação mais eficiente no IFP em relação a UP porque os
professores tornam-se bons profissionais quanto entram em contacto com a realidade
do ensino Primário e em contrapartida outros consideram a formação superior (UP)
melhor, pois existe a componente de pesquisa que melhora a bagagem dos formandos.

16
Olhando para esses resultados é notório que tanto os IFPs assim como a UP precisam
incrementar os investimentos em termos de programas, metodologias e condições de
trabalho que propiciam um ensino-aprendizagem de qualidade.

Em relação a mesma questão, os formadores dos IFPs de todas as regiões do país


divergem nas suas opinões, 3 dos 6 entrevistados, correspondentes a 50%, na região
centro afirma que é boa e outros 50% dizem que é deficitária

Um dos grandes desafios para os educadores é, com certeza, conseguir integrar os


saberes e inserir os conhecimentos no ambiente interactivo da aprendizagem, de forma
que essas novas ferramentas sejam potencializadoras e promotoras de saberes
interessantes para os alunos, um professor que não transmite essas capacidades condena
oaluno a ter uma qualidade deficiente, sem capacidades nem argumentos na esfera
social.

Todos os professores entrevistados, em todas as regiões do país, foram unânimes em


afirmar que enfrentam várias dificuldades no processo de formação de professores,
destacando as seguintes razões:

 Fraca preparação dos professores pelos IFPs e UP


 Fraca capacidade de investigação dos conteúdos por leccionar;
 Uso de metodologias não adequadas;
 Falta de intercâmbio ao nível dos grupos de disciplina, classe e mesmo da Zona
de Influência Pedagógica (ZIP);
 Condições de trabalho deficitárias (salas superlotadas, materiais didácticos);
 Pouco tempo para a leccionação dos conteúdos bem como o número de
avaliações;
 Salário injusto e sem dia fixo;
 Falta de reconhecimento do professor, incentivo;
 Mudança de carreira deficiente;
 Falta de autonomia por parte do professor;
 Gestores (Directores e supervisores) autoritários; inspecção ameaçadora que
intimida a expulsar ou a dar processos disciplinares nas visitas efectuadas na
escola;
 Promoções deficientes.

17
Estas questões levantadas pelos professores de todas as regiões do país também são
observadas na prática e o relatório Holístico da situação do professor, trás esta
realidade, mas constitui um dado novo a relação deficitária entre os gestores das escolas
e o corpo docente, como uma dificuldade para o exercício da docência nas escolas
Moçambicanas. No entanto, para o melhoramento da realidade analizada nos centros de
formação de professores, os professores e formadores participantes são unânimes em
afirmar que os gestores da educação devem ter em consideração os seguintes aspectos:
 Programas de formação pelos Institutos e Universidades adequados a
realidade, observando as questões de tempo de formação, critérios de
selecção dos candidatos, condições materiais nos centros de formação e
programas de formação;
 Mudança de política de formação, política de incentivos na carreira docente,
incremento de investimentos na escola que propiciem um ensino-
aprendizagem de qualidade;
 Interação entre escola IFPs e a UP;
 Mudança de política de formação, política de incentivos na carreira docente,
incremento de investimentos na escola que propiciem um ensino-
aprendizagem de qualidade;
 Estágio prolongado por parte dos formandos e devidamente acompanhados
pelo tutor (6 meses a um ano);
 Bibliotecas apetrechadas nas escolas e materiais didácticos
 (acesso a meios básicos como computador, internet);
 – A selecção dos candidatos deve ser justa; rigor na selecção
 (exames de admissão); exames psicotécnicos;
 – Supervisão pedagógicas por pessoas abalizadas na matéria;
 – Melhores condições de trabalho;
 – Melhores condições de vida (transporte, habitação,etc)

18
3. Conclusão

Contudo, conhecer a didática como a concretização da teoria poderá consumar aquilo


que o professor almejou no decorrer do seu planejamento, atendendo, assim, as
diferentes formas de educar, as diversas concepções pedagógicas e as reflexões
docentes, considerando o ensinar/aprender um processo em constante mudança. O
conhecimento sobre algo é essencial para o professor que usando dos seus muitos
métodos norteará a sua didática pedagógica, tendo em vista as necessidades específicas
em cada contexto, em cada turma e em cada aluno. Todavia, ao se pensar na didática,
surgem certas dificuldades ao longo do planejamento, uma vez que o mesmo deve
originar-se de objetos concretos e que venham focalizar, exclusivamente, o público
alvo. Faz-se necessário levar em consideração que a didática é uma norteadora
teórica/científica, imprescindível à tarefa pedagógica cotidiana, onde há um sinalizador
do ensino-aprendizagem significativo dia após dia. Enfim, a meu ver, a didática
pedagógica não é outra coisa senão a prática docente propriamente dita, consumadora
daquilo que se objetivou previamente. Ou seja, é um cumprimento legal da teoria e
trilhamento absoluto no caminho que se programou. Como a arte e a ciência da
pedagogia, procura-se compreendê-la, ainda, como espaço de estudos dinâmicos
voltados à prática docente com base na programação teórica, tendo como objetivo a
ponte que ela faz entre ambas.

19
4. Referencia Bibliográfica

BASTOS, Manoel de Jesus. A Importância da Didática na Formação


Docente. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Ed. 01,
Vol. 14. pp. 64-70 Janeiro de 2017. ISSN: 2448-0959. Link de
acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/didatica-formacao-
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