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Este documento discute a legislação penal especial brasileira sobre drogas, incluindo o porte de drogas para consumo pessoal, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Apresenta as penas e requisitos para cada crime relacionado a drogas de acordo com a Lei de Drogas brasileira.

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Gabriel Nunes
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047.542.

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Ciclos Método

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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL ..................................................................................................................... 1

DIREITO PENAL ........................................................................................................................................ 99


DIREITO PROCESSUAL PENAL.................................................................................................................. 182

LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL1

LEI DE DROGAS

NORMA PENAL EM BRANCO HETEROGÊNEA

O art. 1º define o que é drogas – substâncias capazes de causar dependência (física, psíquica), assim
especificado em lei ou lista atualizada pelo Poder Executivo (ato administrativo – decreto, resolução).
É uma norma penal em branco heterogênea em sentido estrito.
#LEMBRE-SE
• Lei penal em branco própria/heterogênea/em sentido estrito = o complemento vem de ato infralegal
(portaria, decreto etc).
• Lei penal em branco imprópria/homogênea/em sentido amplo = o complemento é dado por outra
lei.
➔ Homovitelínea = as duas leis são iguais.
➔ Heterovitelínea = as leis são diferentes.
Art. 1º Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece
normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e define crimes.
Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de
causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo
Poder Executivo da União.

PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III -
medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

-> a finalidade de consumo pessoal, e as plantas devem ser destinadas à preparação de PEQUENA
QUANTIDADE de substância entorpecente. Se for para grande quantidade, já configura tráfico.
Prescrição: Prescreve em 2 ANOS (prazo especial da lei de drogas), mas aplicam-se as causas de interrupção
do CP.

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da
Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de droga para consumo próprio foi somente

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Por Bruna Reis

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despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não descriminalizado. Obs.: despenalizar é a medida que tem
por objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a privativa de liberdade.
Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta como crime. Mesmo sendo crime, o STJ entende
que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO
configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão
simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de
reincidência, considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação de serviços à
comunidade” e “medida educativa”, ou seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade
de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que a própria
constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 21/08/2018 (Info 632).

TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33)

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer,
ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil
e quinhentos) dias-multa.
Já vimos algumas observações sobre esse artigo. Mas #NÃOCUSTALEMBRAR:
Tipo misto alternativo: Se praticar um núcleo ou mais de um núcleo, haverá crime único e não concurso de
crimes.

AGENTE POLICIAL DISFARÇADO

Art. 33, IV #ATENÇÃO #NOVIDADE

IV - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de


drogas, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)

Doutrina e jurisprudência já entendiam que, como o delito de tráfico de entorpecente consuma-se com a
prática de qualquer uma das dezoito ações identificadas no núcleo do tipo (Lei 11.343/06, art. 33, caput),
algumas de natureza permanente, era legítima a prisão em flagrante quando qualquer uma delas fosse
executada de maneira preexistente à atuação policial. Nestes casos, não se falava em flagrante forjado ou
preparado e, consequentemente, não era aplicada a súmula nº 145 do STF, a fim de ser reconhecido o crime
impossível. Consolidando-se esse entendimento, a Lei 13.964/19 estabeleceu como crime a conduta daquele
que “vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de
drogas, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente”.

OFERECER DROGA GRATUITAMENTE EVENTUALMENTE A PESSOA DO SEU RELACIONAMENTO

§ 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a
consumirem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos)
dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

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#ATENÇÃO O dolo específico (especial fim de agir) do delito do art. 33, §3º da Lei de Drogas está contido na
expressão “para juntos a consumirem”. É por conta desse elemento que reside o uso compartilhado. Em
outras palavras, o agente que faz a oferta deverá ter a intenção específica de consumir a droga juntamente
com a pessoa a quem ele oferece. Caso contrário, estará configurado o delito de tráfico de drogas, previsto
no caput do art. 33 da Lei de Drogas.

#ATENÇÃO2: não é equiparado a hediondo

TRÁFICO PRIVILEGIADO

§ 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois
terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos , desde que o agente seja primário, de bons
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. (Vide
Resolução nº 5, de 2012)

É uma CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO DA PENA (3ª fase da dosimetria)

4 requisitos CUMULATIVOS:
• PRIMÁRIO
• BONS ANTECEDENTES
• NÃO SE DEDICAR A ATIVIDADES CRIMINOSAS
• NÃO INTEGRAR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, REITERADAMENTE OU NÃO, qualquer
dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei: Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e
pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.
#ATENÇÃO É crime autônomo, ou seja, independe da concretização ou não do tráfico de drogas.
É necessária reunião de DUAS OU MAIS PESSOAS (crime de concurso necessário). O inimputável também
integra o cômputo.
#DEOLHONAJURIS: - A participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de associação
para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento do art. 40, VI, da
Lei nº 11.343/2006. STJ. (Info 576).
A lei 11343 não previu a incidência de majorante na hipótese de associação eventual, que era prevista na lei
anterior.

FINANCIAMENTO DO TRÁFICO

Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta
Lei: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro
mil) dias-multa.

#DIRETODAFUC #ATENÇÃO #NÃOCONFUNDIR:


Financiamento do tráfico Financiar eventualmente o
Associação para o
(art. 36) tráfico (art. 33, com causa
financiamento (p.ú do 35)
de aumento do 40, VII)
Associarem-se 2 ou mais Exige-se reiteração, Se financiar de forma
pessoas, com estabilidade, habitualidade. efêmera, haverá crime de

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para reiteradamente tráfico com causa de


praticarem o 36. aumento do inciso VII:
VII - o agente financiar ou
custear a prática do crime

#RESUMO

Pessoal, um ponto que acho muito importante e pode facilitar na hora da prova é saber quais são os crimes
da lei de drogas que são equiparados a hediondo e quais não são. #FOCANATABELA

ART. 33 CAPUT EQUIPARADO A HEDIONDO


ART. 33 §2º INDUZIR, INSTIGAR OU AUXILIAR NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO
O USO DE DROGA
ART. 33 §3º OFERECER DROGA NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO
GRATUITAMENTE EVENTUALMENTE A PESSOA
DO SEU RELACIONAMENTO
ART. 33 §4º TRÁFICO PRIVILEGIADO NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO
ART. 34 TRÁFICO DE MAQUINÁRIOS EQUIPARADO A HEDIONDO
ART. 35 ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO
ART. 36 FINANCIAMENTO DO TRÁFICO EQUIPARADO A HEDIONDO
ART. 37 INFORMANTE DO TRÁFICO NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO

ASPECTOS PROCESSUAIS NA LEI DE DROGAS

#ATENÇÃODELTA #COLANARETINA:

PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IP


LEI DE DROGAS CPP
PRESO 30 DIAS (X2 = 60) PRESO 10 DIAS
SOLTO 90 DIAS (X2 = 180) SOLTO 30 DIAS

INFILTRAÇÃO E AÇÃO CONTROLADA

#SAIBADIFERENCIAR #DIRETODAFUC
INFILTRAÇÃO POLICIAL NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
Lei de Drogas Lei do Crime Organizado ECA
(art. 53, I) (arts. 10 a 14) (arts. 190-A a 190-E)

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Principais características: Principais características:


• Não prevê prazo máximo. • Prazo de 90 dias, sendo
• Não disciplina permitidas renovações, mas
procedimento a ser adotado. Principais características: o prazo total da infiltração
• Prazo de 6 meses, não poderá exceder 720
podendo ser sucessivamente dias.
prorrogada. • Só poderá ser adotada se a
• Só poderá ser adotada se a prova não puder ser
prova não puder ser produzida por outros meios
produzida por outros meios disponíveis.
disponíveis. • A infiltração de agentes
ocorre apenas na internet.

AÇÃO CONTROLADA
Lei de Drogas Lavagem de Capitais Lei do Crime Organizado
(Art. 53, II) (Art. 4º-B) (Art. 8º)
• É necessária prévia • É necessária somente
autorização judicial. prévia comunicação.
• Não disciplina o • Disciplina o procedimento
procedimento a ser adotado. a ser adotado, dispondo que
• É necessária prévia
o juiz poderá estabelecer
autorização judicial.
limites à ação controlada.
• Não disciplina o
• Até o encerramento da
procedimento a ser adotado.
diligência, o acesso aos autos
será restrito ao juiz, ao
Ministério Público e ao
delegado de polícia.

DESTRUIÇÃO DA DROGA #ATENÇÃODELTA

Plantação:
Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas PELO DELEGADO DE POLÍCIA na forma do art.
50-A, que recolherá quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das
condições encontradas, com a delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação
da prova.
• Destruição imediata
• #NÃOESQUECE Pelo delegado (não é necessária autorização judicial)
• Que recolherá quantidade suficiente para perícia, lavrando auto de levantamento

Droga apreendida:
Art. 50, § 3º - Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a
regularidade formal do laudo de constatação e determinará a destruição das drogas apreendidas,
guardando-se amostra necessária à realização do laudo definitivo. (Incluído pela Lei nº 12.961, de 2014)
§ 4º A destruição das drogas será executada pelo delegado de polícia competente no prazo de 15 (quinze)
dias na presença do Ministério Público e da autoridade sanitária. (Incluído pela Lei nº 12.961, de 2014)
§ 5º O local será vistoriado antes e depois de efetivada a destruição das drogas referida no § 3º, sendo lavrado
auto circunstanciado pelo delegado de polícia, certificando-se neste a destruição total delas. (Incluído pela
Lei nº 12.961, de 2014)

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Art. 50-A. A destruição de drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante será feita por
incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contado da data da apreensão, guardando-se amostra
necessária à realização do laudo definitivo, aplicando-se, no que couber, o procedimento dos §§ 3º a 5º do
art. 50.

#DIRETODAFUC Esquematizando:
Não havendo flagrante:
- 30 dias, da apreensão
Havendo flagrante:
- Juiz decide em 10 dias
- Delegado destrói em 15 dias, da determinação do juiz. Na presença do Ministério Público e da autoridade
sanitária (§ 4º)

Destruição após encerramento do processo:


Art. 72. Encerrado o processo penal ou arquivado o inquérito policial, o juiz, de ofício, mediante representação
do delegado de polícia ou a requerimento do Ministério Público, determinará a destruição das amostras
guardadas para contraprova, certificando isso nos autos.
• Encerrado o processo penal ou
• Arquivado o inquérito policial,
• O juiz
• Mediante representação do Delegado ou requerimento do MP
• Determinará destruição das amostras

#ATENÇÃO #NOVIDADELEGISLATIVA: A Lei 14.322/2022 alterou a Lei de Drogas para excluir a possibilidade
de restituição ao lesado do veículo usado para transporte de droga ilícita e para permitir a alienação ou o uso
público do veículo independentemente da habitualidade da prática criminosa:
“Art. 60. § 5º Decretadas quaisquer das medidas previstas no caput deste artigo, o juiz facultará ao acusado
que, no prazo de 5 (cinco) dias, apresente provas, ou requeira a produção delas, acerca da origem lícita do
bem ou do valor objeto da decisão, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga ilícita.
§ 6º Provada a origem lícita do bem ou do valor, o juiz decidirá por sua liberação, exceto no caso de veículo
apreendido em transporte de droga ilícita, cuja destinação observará o disposto nos arts. 61 e 62 desta Lei,
ressalvado o direito de terceiro de boa-fé.” (NR)
“Art. 61. A apreensão de veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte e dos
maquinários, utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza utilizados para a prática, habitual ou
não, dos crimes definidos nesta Lei será imediatamente comunicada pela autoridade de polícia judiciária
responsável pela investigação ao juízo competente.

#DEOLHONAJURIS

#APOSTACICLOS #SAINDODOFORNO Porte de drogas para consumo próprio e reincidência - Viola o princípio
da proporcionalidade a consideração de condenação anterior pelo delito do art. 28 da Lei 11.343/2006,
“porte de droga para consumo pessoal”, para fins de reincidência. (INFO 1048 STF)

#APOSTACICLOS #SAINDODOFORNO As alterações providas pelo Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019)


apenas afastaram o caráter hediondo ou equiparado do tráfico privilegiado, previsto no art. 33, § 4º, da Lei
n. 11.343/2006, nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas. AgRg no HC 748.033-SC, Rel.
Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022, DJe 30/09/2022. (Info 754 - STJ)

#APOSTACICLOS #SAINDODOFORNO O flagrante do delito de tráfico de drogas, com apreensão de


significativa quantidade de drogas e de petrechos comuns na prática da narcotraficância, em local dominado

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por facção criminosa não permite presumir a existência de vínculo estável e permanente para configuração
do crime de associação para o tráfico. HC 739.951-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade,
julgado em 09/08/2022, DJe 18/08/2022. (Info 753 - STJ)

#APOSTACICLOS A apreensão de petrechos para a traficância, a depender das circunstâncias do caso


concreto, pode afastar a causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. AgRg no HC
773.113-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 04/10/2022,
DJe 10/10/2022. (Info 752 - STJ)

É vedada a utilização de inquéritos e/ou ações penais em curso para impedir a aplicação do art. 33, § 4º, da
Lei n. 11.343/2006. REsp 1.977.027-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em
10/08/2022 (Tema 1139). (INFO 745)

#ATENÇÃODIVERGÊNCIA É possível que o Poder Judiciário conceda autorização para que a pessoa faça o
cultivo de maconha com objetivos medicinais? 5ª Turma do STJ: NÃO. É incabível salvo-conduto para o cultivo
da cannabis visando a extração do óleo medicinal, ainda que na quantidade necessária para o controle da
epilepsia, posto que a autorização fica a cargo da análise do caso concreto pela ANVISA. STJ. 5ª Turma. RHC
123402-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 23/03/2021 (Info 690).
6ª Turma do STJ: SIM. É possível a concessão de salvo-conduto para permitir que pessoas com prescrição
médica para o uso do canabidiol cultivem plantas de maconha e dela façam a extração do óleo. STJ. 6ª Turma.
RHC 147.169, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/06/2022. STJ. 6ª Turma. REsp 1.972.092, Rel.
Min. Rogerio Schietti, julgado em 14/06/2022.

Não incide a causa de aumento de pena do art. 40, III, da LD se o crime foi praticado nas proximidades de
escola fechada em razão da COVID-19. A razão de ser da causa especial de aumento de pena prevista no
inciso III do art. 40 da Lei n. 11.343/2006 é a de punir, com maior rigor, aquele que, nas imediações ou nas
dependências dos locais a que se refere o dispositivo, dada a maior aglomeração de pessoas, tem como mais
ágil e facilitada a prática do tráfico de drogas (aqui incluído quaisquer dos núcleos previstos no art. 33 da Lei
n. 11.343/2006), justamente porque, em localidades como tais, é mais fácil ao traficante passar despercebido
à fiscalização policial, além de ser maior o grau de vulnerabilidade das pessoas reunidas em determinados
lugares. Na espécie, não ficou evidenciado nenhum benefício advindo ao réu com a prática do delito nas
proximidades ou nas imediações de estabelecimento de ensino – o ilícito foi perpetrado em momento em
que as escolas estavam fechadas por conta das medidas restritivas de combate à COVID-19 – e se também
não houve uma maximização do risco exposto àqueles que frequentam a escola (alunos, pais, professores,
funcionários em geral), deve, excepcionalmente, em razão das peculiaridades do caso concreto, ser afastada
a incidência da referida majorante. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 728.750, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 17/05/2022.

#ATENÇÃO #DEOLHONAJURIS #SAINDOFORNO #CUIDADO O crime de associação para o tráfico (art. 35 - Lei
11.343/2006), mesmo formal ou de perigo, demanda os elementos "estabilidade" e "permanência" do
vínculo associativo, que devem ser demonstrados de forma aceitável (razoável), ainda que não de forma
rígida, para que se configure a societas sceleris e não um simples concurso de pessoas, é dizer, uma
associação passageira e eventual. STJ. 6ª Turma. REsp 1.978.266/MS, Rel. Min. Olindo Menezes
(Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), julgado em 3/05/2022.

#DEOLHONAJURIS: - A participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de associação
para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento do art. 40, VI, da
Lei nº 11.343/2006. STJ. (Info 576).

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#ATENÇÃO Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei 11.343/06) se
configura com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de
fronteiras.

Súmula 587-STJ: Para a incidência da majorante prevista no art. 40, V, da Lei nº 11.343/2006, é desnecessária
a efetiva transposição de fronteiras entre estados da Federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca
da intenção de realizar o tráfico interestadual.

#STJ #DEOLHONAJURIS Em regra, compete à Justiça Estadual julgar habeas corpus preventivo destinado a
permitir o cultivo e o porte de maconha para fins medicinais. Compete à Justiça Estadual o pedido de habeas
corpus preventivo para viabilizar, para fins medicinais, o cultivo, uso, porte e produção artesanal da Cannabis
(maconha), bem como porte em outra unidade da federação, quando não demonstrada a internacionalidade
da conduta. STJ. 3ª Seção. CC 171.206-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/06/2020 (Info 673).

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: É incabível salvo-conduto para o cultivo da cannabis visando a


extração do óleo medicinal, ainda que na quantidade necessária para o controle da epilepsia, posto que a
autorização fica a cargo da análise do caso concreto pela [Link]. 5ª Turma. RHC 123.402-RS, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 23/03/2021 (Info 690).

#DEOLHONAJURIS #PANDEMIA A razão de ser da causa especial de aumento de pena prevista no inciso III
do art. 40 da Lei n. 11.343/2006 é a de punir, com maior rigor, aquele que, nas imediações ou nas
dependências dos locais a que se refere o dispositivo, dada a maior aglomeração de pessoas, tem como mais
ágil e facilitada a prática do tráfico de drogas (aqui incluído quaisquer dos núcleos previstos no art. 33 da Lei
n. 11.343/2006), justamente porque, em localidades como tais, é mais fácil ao traficante passar despercebido
à fiscalização policial, além de ser maior o grau de vulnerabilidade das pessoas reunidas em determinados
lugares.
Na espécie, não ficou evidenciado nenhum benefício advindo ao réu com a prática do delito nas proximidades
ou nas imediações de estabelecimento de ensino – o ilícito foi perpetrado em momento em que as escolas
estavam fechadas por conta das medidas restritivas de combate à COVID-19 – e se também não houve uma
maximização do risco exposto àqueles que frequentam a escola (alunos, pais, professores, funcionários em
geral), deve, excepcionalmente, em razão das peculiaridades do caso concreto, ser afastada a incidência da
referida [Link]. 6ª Turma. AgRg no HC 728.750, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
17/05/2022.

#STJ #DEOLHONAJURIS Transportar folhas de coca: crime do art. 33, § 1º, I, da Lei nº 11.343/2006. A conduta
de transportar folhas de coca melhor se amolda, em tese e para a definição de competência, ao tipo descrito
no § 1º, I, do art. 33 da Lei nº 11.343/2006, que criminaliza o transporte de matéria-prima destinada à
preparação de drogas. Caso concreto: o agente foi preso com 4,4 kg de folhas de coca, adquiridas na Bolívia,
tendo a substância sido encontrada no estepe do veículo. As folhas seriam transportadas até Uberlândia/MG
para rituais de mascar, fazer infusão de chá e até mesmo bolo, rituais esses associados à prática religiosa
indígena de Instituto ao qual pertenceria o acusado. A folha de coca não é considerada droga; porém pode
ser classificada como matéria-prima ou insumo para sua fabricação. STJ. 3ª Seção. CC 172.464-MS, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/06/2020 (Info 673).

#DEOLHONAJURIS Nos termos do art. 28, § 2º, da Lei n. 11.343/2006, não é apenas a quantidade de drogas
que constitui fator determinante para a conclusão de que a substância se destinava a consumo pes-soal, mas
também o local e as condições em que se desenvolveu a ação, as circunstâncias sociais e pessoais, bem como
a conduta e os antecedentes do agente. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1740201/AM, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 17/11/2020.

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#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de
Drogas com base no fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou ser réu em outra ação penal
que ainda não transitou em julgado?
• STJ: SIM. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no
art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
14/12/2016 (Info 596). STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 539.666/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
05/03/2020.
• STF: NÃO. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou
processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º,
LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). Não cabe afastar a causa de diminuição prevista no art.
33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) com base em condenações não alcançadas pela preclusão
maior (coisa julgada). STF. 1ª Turma. HC 173806/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/2/2020 (Info
967). STF. 1ª Turma. HC 166385/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/4/2020 (Info 973). STF. 2ª
Turma. HC 144309 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/11/2018.

#DEOLHONAJURIS O histórico infracional é suficiente para afastar a causa de diminuição prevista no art.
33, § 4º, da Lei 11.343/2006? O histórico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante
do art. 33, § 4.º, da Lei nº 11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de
circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente
documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. 3ª
Turma. EREsp 1.916.596-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 08/09/2021
(Info 712). O STF possui a mesma posição? Para o STF, a existência de atos infracionais pode servir para
afastar o benefício do § 4º do art. 33 da LD? 1ª Turma do STF: SIM. RHC 190434 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 23/08/2021. 2ª Turma do STF: NÃO. STF. 2ª Turma. HC 202574 AgR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 17/08/2021.

Súmula 630-STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de


entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a mera admissão da
posse ou propriedade para uso próprio

#DEOLHONAJURIS Não é possível que o agente responda pela prática do crime do art. 34 da Lei
11.343/2006 quando a posse dos instrumentos configura ato preparatório destinado ao consumo pessoal
de entorpecente. Para que se configure a lesão ao bem jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 11.343/2006,
a ação de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o especial fim de fabricar, preparar, produzir ou
transformar drogas, visando ao tráfico. Assim, ainda que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/2006
possa subsistir de forma autônoma, não é possível que o agente responda pela prática do referido delito
quando a posse dos instrumentos se configura como ato preparatório destinado ao consumo pessoal de
entorpecente. As condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo mais brando,
razão pela qual não há respaldo legal para punir com maior rigor as ações que antecedem o próprio consumo
pessoal do entorpecente. STJ. 6ª Turma. RHC 135.617-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021 (Info
709).

#DEOLHONAJURIS Não incide a causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei nº
11.343/2006 em caso de tráfico de drogas cometido nas dependências ou nas imediações de igreja O tráfico
de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado pelo legislador no rol das majorantes
previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com esse fim
tendo em vista que no Direito Penal incriminador não se admite a analogia in malam partem. STJ. 6ª Turma.
HC 528.851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/05/2020 (Info 671).

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#ATENÇÃODELTA #DEOLHONAJURIS: O STF, interpretando os §§ 2º e 3º do art. 48 da Lei nº 11.343/2006,


afirmou que o autor do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006 deve ser encaminhado imediatamente
ao juiz e o próprio magistrado irá lavrar o termo circunstanciado e requisitar os exames e perícias necessários.
Se não houver disponibilidade do juízo competente, deve o autor ser encaminhado à autoridade policial, que
então adotará essas providências (termo circunstanciado e requisição). Não há qualquer
inconstitucionalidade nessa previsão. Isso porque a lavratura de termo circunstanciado e a requisição de
exames e perícias não são atividades de investigação. Considerando-se que o termo circunstanciado não é
procedimento investigativo, mas sim uma mera peça informativa com descrição detalhada do fato e as
declarações do condutor do flagrante e do autor do fato, deve-se reconhecer que a possibilidade de sua
lavratura pela autoridade judicial (magistrado) não ofende os §§ 1º e 4º do art. 144 da Constituição, nem
interfere na imparcialidade do julgador. As normas dos §§ 2º e 3º do art. 48 da Lei nº 11.343/2006 foram
editadas em benefício do usuário de drogas, visando afastá-lo do ambiente policial, quando possível, e evitar
que seja indevidamente detido pela autoridade policial. STF. Plenário. ADI 3807, Rel. Cármen Lúcia, julgado
em 29/06/2020 (Info 986 – clipping).

#DEOLHONAJURIS A revogação do § 2º do art. 2º da Lei 8.072/90 pela Lei 13.964/2019 não tem o condão de
retirar do tráfico de drogas sua caracterização como delito equiparado a hediondo, pois a classificação da
narcotraficância como infração penal equiparada a hedionda decorre da previsão constitucional estabelecida
no art. 5º, XLIII, da Constituição Federal. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 729.332/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 19/04/2022.

#DEOLHONAJURIS É possível utilizar a quantidade e natureza da droga apreendida para a modulação da


causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da LD? Entendimento anterior (Info 731): A natureza e a
quantidade da droga devem ser valoradas na primeira etapa da dosimetria da pena. Isso porque o art. 42 da
Lei nº 11.343/2006 afirma que esses dois vetores preponderam sobre as circunstâncias judiciais do art. 59
do CP (que são analisados na primeira fase da dosimetria). Não há margem, na redação do art. 42 da Lei nº
11.343/2006, para utilização de suposta discricionariedade judicial que redunde na transferência da análise
dos vetores “natureza e quantidade de drogas apreendidas” para etapas posteriores, já que erigidos ao status
de circunstâncias judiciais preponderantes, sem natureza residual. STJ. 5ª Turma. REsp 1985297-SP, Rel. Min.
João Otávio de Noronha, julgado em 29/03/2022 (Info 731). Entendimento atual (Info 734): É possível a
valoração da quantidade e natureza da droga apreendida, tanto para a fixação da pena-base quanto para a
modulação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, neste último caso ainda
que sejam os únicos elementos aferidos, desde que não tenham sidos considerados na primeira fase do
cálculo da pena. STJ. 3ª Seção. HC 725.534-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 27/04/2022 (Info 734).

#DEOLHONAJURIS Viola o princípio da proporcionalidade a consideração de condenação anterior pelo delito


do art. 28 da Lei nº 11.343/2006, “porte de droga para consumo pessoal”, para fins de reincidência. STF. 2ª
Turma. RHC 178512 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/3/2022 (Info 1048).

#DEOLHONAJURIS A multa mínima prevista no artigo 33 da Lei 11.343/06 é opção legislativa legítima para a
quantificação da pena, não cabendo ao Poder Judiciário alterá-la com fundamento nos princípios da
proporcionalidade, da isonomia e da individualização da pena.
STF. Plenário. RE 1347158/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/10/2021 (Repercussão Geral – Tema 1.178).

#DEOLHONAJURIS Não é possível que o agente responda pela prática do crime do art. 34 da Lei 11.343/2006
quando a posse dos instrumentos configura ato preparatório destinado ao consumo pessoal de
entorpecente. Para que se configure a lesão ao bem jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 11.343/2006, a
ação de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o especial fim de fabricar, preparar, produzir ou
transformar drogas, visando ao tráfico. Assim, ainda que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/2006

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possa subsistir de forma autônoma, não é possível que o agente responda pela prática do referido delito
quando a posse dos instrumentos se configura como ato preparatório destinado ao consumo pessoal de
entorpecente.
As condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo mais brando, razão pela
qual não há respaldo legal para punir com maior rigor as ações que antecedem o próprio consumo pessoal
do entorpecente. STJ. 6ª Turma. RHC 135617-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021 (Info 709).

#DEOLHONAJURIS O histórico infracional é suficiente para afastar a causa de diminuição prevista no art. 33,
§ 4º, da Lei 11.343/2006? O histórico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do
art. 33, § 4.º, da Lei nº 11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de
circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente
documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. 3ª
Turma. EREsp 1916596-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 08/09/2021
(Info 712). O STF possui a mesma posição? Para o STF, a existência de atos infracionais pode servir para
afastar o benefício do § 4º do art. 33 da LD? 1ª Turma do STF: SIM. RHC 190434 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 23/08/2021. 2ª Turma do STF: NÃO. STF. 2ª Turma. HC 202574 AgR, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 17/08/2021.

#DEOLHONAJURIS Incide a causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei 11.343/2006 em
caso de tráfico de drogas cometido nas dependências ou nas imediações de igreja?1ª corrente: NÃO. O tráfico
de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado pelo legislador no rol das majorantes
previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com esse fim
tendo em vista que no Direito Penal incriminador não se admite a analogia in malam partem. Caso o
legislador quisesse punir de forma mais gravosa também o fato de o agente cometer o delito nas
dependências ou nas imediações de igreja, teria feito expressamente, assim como fez em relação aos demais
locais.
STJ. 6ª Turma. HC 528851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 2ª corrente:
SIM. Justificada a incidência da causa de aumento prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, uma
vez consta nos autos a existência de igreja evangélica a aproximadamente 23 metros de distância do local
onde a traficância era realizada.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 668934/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/06/2021. Obs:
prevalece a 1ª corrente. Na verdade, se formos analisar o caso concreto envolvendo o AgRg no HC
668934/MG, iremos constar que, além de uma igreja evangélica, o local também funcionava como entidade
social, de modo que se amoldava no inciso III por esse outro motivo.
#DEOLHONAJURIS A ausência de comprovação do exercício de atividade lícita não é apta a gerar presunção
da dedicação ao tráfico. A premissa de que o Agente acusado de tráfico que não tem ocupação lícita (e,
portanto, não tem como comprová-la) dedica-se à traficância consubstancia ônus do qual o Réu não pode se
desincumbir, em evidente violação tanto do sistema acusatório quanto do Direito Penal do fato, além de
significar indevida incidência do Direito Penal do autor (Direito Penal do Inimigo). STJ. 6ªTurma. HC
665.401/SP. Relª Min. Laurita Vaz, julgado em 01/06/2021

#DEOLHONAJURIS #IMPORTANTE #ATENÇÃO Compete ao Juízo Federal do endereço do destinatário da


droga, importada via Correio, processar e julgar o crime de tráfico internacional. No caso de importação da
droga via correio, se o destinatário for conhecido porque consta seu endereço na correspondência, a Súmula
528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da
facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo. Importação da droga
via postal (Correios) configura tráfico transnacional de drogas (art. 33 c/c art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006). A
competência para julgar esse delito será do local onde a droga foi apreendida ou do local de destino da
droga? • Entendimento anterior do STJ: local de apreensão da droga
Essa posição estava manifestada na Súmula 528 do STJ, aprovada em 13/05/2015:

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Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal
processar e julgar o crime de tráfico internacional. • Entendimento atual do STJ: local de destino da droga.
Na hipótese de importação da droga via correio cumulada com o conhecimento do destinatário por meio do
endereço aposto na correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no
Juízo do local de destino da droga, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da
duração razoável do processo. STJ. 3ª Seção. CC 177882-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
26/05/2021 (Info 698). Obs: em 25/02/2022, após o julgamento acima, o STJ decidiu cancelar formalmente
a Súmula 528. Portanto, a Súmula 528 do STJ está formalmente cancelada.

#DEOLHONAJURIS #ATENÇÃODIVERGÊNCIA A prática anterior de atos infracionais pode ser utilizada para
afastar a causa de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas? Atualmente, temos uma divergência no STF.
Para a 1ª Turma do STF: SIM. É possível a utilização da prática de atos infracionais para afastar a causa de
diminuição, quando se pretendeu a aplicação do redutor de pena do do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006.
Isso não significa que foram considerados, como crimes, os atos infracionais praticados. Significa, apenas,
que o contexto fático pode comprovar que o requisito de não dedicação a atividades criminosas não foi
preenchido. Isto porque, tudo indica que a intenção do legislador, ao inserir a redação foi distinguir o
traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como daquele que se aventura
na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou de
sua família. STF. 1ª Turma. HC 192147, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/02/2021. Para a 2ª Turma do
STF: NÃO. A prática anterior de atos infracionais pelo paciente não configura fundamentação idônea a afastar
a minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. Constata-se que a prática de atos infracionais não é
suficiente para afastar a minorante, visto que adolescente não comete crime nem lhe é imputada pena. Nos
termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas aplicadas são socioeducativas e objetivam a
proteção do adolescente que cometeu infração. Assim, a menção a atos infracionais praticados pelo paciente
não configura fundamentação idônea para afastar a minorante.
STF. 2ª Turma. HC 191992, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 08/04/2021. Para o STJ:
SIM. O histórico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do art. 33, § 4.º, da Lei n.
11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de circunstâncias excepcionais,
nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente documentados nos autos, bem como a
razoável proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.916.596, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, Rel. p/ acórdão Min. Laurita Vaz, julgado em 08/09/2021 (Info 712).

#DEOLHONAJURIS O crime de associação para o tráfico é plurissubjetivo e pode ser plurilocal. O crime de
associação para o tráfico é de natureza permanente. Não é empecilho para o reconhecimento do crime único
o fato de que, mesmo que as tratativas para o comércio ilícito, entre os associados e o líder da associação,
tenham ocorrido em datas variadas, mas dentro de um período de 2 (dois) meses (no caso concreto), é
possível o reconhecimento de houve um único crime de associação para o tráfico. De igual modo, o fato de
haver integrantes da associação em diversas cidades da mesma região, não impede que se configure crime
único. O crime de associação para o tráfico é necessariamente plurissubjetivo e pode ser plurilocal, não sendo
impeditivo para a sua consumação o fato de que os seus agentes estejam em localidades diferentes. Não é
incomum, inclusive, que os membros da mesma associação estejam em cidades ou estados diversos ou até
mesmo em países diferentes. STJ. 6ª Turma. REsp 1845496/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 03/11/2020.

#DEOLHONAJURIS É atípica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de maconha. STJ. 3ª


Seção. EREsp 1624564-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/10/2020 (Info 683). STF. 2ª Turma. HC
144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

#DEOLHONAJURIS #ATENÇÃODELTA Enunciado 7 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ:


Não fica caracterizado o crime do inc. IV do § 1º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, incluído pela Lei Anticrime,
quando o policial disfarçado provoca, induz, estimula ou incita alguém a vender ou a entregar drogas ou

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matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à sua preparação (flagrante preparado), sob pena de
violação do art. 17 do Código Penal e da Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal.

#DEOLHONAJURIS Enunciado 2 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ: Para a aplicação do
art. 40, inc. VI, da Lei n. 11.343/2006, é necessária a prova de que a criança ou adolescente atua ou é utilizada,
de qualquer forma, para a prática do crime, ou figura como vítima, não sendo a mera presença da criança ou
adolescente no contexto delitivo causa suficiente para a incidência da majorante.

#DEOLHONAJURIS A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 é a específica. O art.


28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal. Art. 28. Quem adquirir,
guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I -
advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de
comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos incisos II e III só podem ser aplicadas
pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II
e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.” A reincidência de que trata
o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já condenado definitivamente por roubo, pratica o
crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso porque se trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar
de reincidente, está se referindo ao crime do caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1771304-ES, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

OCRIM

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Organização criminosa:
• Associação de 4 (quatro) ou mais pessoas;
• Estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente;
• Com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a
prática de infrações penais (crimes e contravenções) cujas penas máximas sejam superiores a 4
(quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Esta Lei se aplica também: I - às infrações penais previstas em tratado ou convenção internacional quando,
iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; II
- às organizações terroristas, entendidas como aquelas voltadas para a prática dos atos de terrorismo
legalmente definidos.

Causas de aumento de pena:


I - se há participação de criança ou adolescente;
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática
de infração penal;
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior;
IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas independentes;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.

#ATENÇÃODOUTRINA: CLEBER MASSON


“A associação criminosa (art. 288 CP) é crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado:
consuma-se no momento em que se concretiza a convergência de vontades, independentemente da
realização ulterior do fim visado. Em síntese, a consumação se verifica no momento em que três ou mais

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pessoas se associam para a prática de crimes, ainda que nenhum delito venha a ser definitivamente
praticado. Cuida-se de crime de perigo abstrato, e com o momento associativo já se apresenta perigo
suficientemente grave para alardear a população e tumultuar a paz no âmbito da coletividade.
A associação criminosa é juridicamente independente dos delitos que venham a ser cometidos pelos agentes
reunidos no agrupamento espúrio, e subsiste autonomamente ainda que os crimes para os quais foi
organizada sequer venham a ser realizados.”

Art. 2o Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização
criminosa:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais
infrações penais praticadas.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração
penal que envolva organização criminosa
§ 2º As penas AUMENTAM-SE ATÉ A METADE se na atuação da organização criminosa HOUVER EMPREGO
DE ARMA DE FOGO.
§ 3o A PENA É AGRAVADA PARA QUEM EXERCE O COMANDO, INDIVIDUAL OU COLETIVO, da organização
criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.

AFASTAMENTO CAUTELAR DE SERVIDOR PÚBLICO ENVOLVIDO

§ 5o Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra organização criminosa, poderá o juiz
determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego ou função, SEM PREJUÍZO DA REMUNERAÇÃO,
quando a medida se fizer necessária à investigação ou instrução processual.

PERDA DO CARGO E INTERDIÇÃO PARA O EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO PÚBLICA

§ 6o A condenação com trânsito em julgado acarretará ao funcionário público a perda do cargo, função,
emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo PRAZO DE 8
(OITO) ANOS subsequentes ao cumprimento da pena.

COLABORAÇÃO PREMIADA

O acordo de colaboração premiada é negócio jurídico processual e meio de obtenção de prova.

#DIRETODAFUC #NOVIDADELEGISLATIVA#PACOTEANTICRIME
Antes da Lei nº 13.964/2019 Depois da Lei nº 13.964/2019
Art. 3º-A, 3º-B e 3º-C: sem correspondente. ‘Art. 3º-A. O acordo de colaboração premiada é negócio
jurídico processual e meio de obtenção de prova, que
pressupõe utilidade e interesse públicos.’

‘Art. 3º-B. O recebimento da proposta para


formalização de acordo de colaboração demarca o início
das negociações e constitui também marco de
confidencialidade, configurando violação de sigilo e
quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais
tratativas iniciais ou de documento que as formalize, até
o levantamento de sigilo por decisão judicial.
§ 1º A proposta de acordo de colaboração premiada
poderá ser sumariamente indeferida, com a devida
justificativa, cientificando-se o interessado.

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§ 2º Caso não haja indeferimento sumário, as partes


deverão firmar Termo de Confidencialidade para
prosseguimento das tratativas, o que vinculará os
órgãos envolvidos na negociação e impedirá o
indeferimento posterior sem justa causa.
§ 3º O recebimento de proposta de colaboração para
análise ou o Termo de Confidencialidade não implica,
por si só, a suspensão da investigação, ressalvado
acordo em contrário quanto à propositura de medidas
processuais penais cautelares e assecuratórias, bem
como medidas processuais cíveis admitidas pela
legislação processual civil em vigor.
§ 4º O acordo de colaboração premiada poderá ser
precedido de instrução, quando houver necessidade de
identificação ou complementação de seu objeto, dos
fatos narrados, sua definição jurídica, relevância,
utilidade e interesse público.
§ 5º Os termos de recebimento de proposta de
colaboração e de confidencialidade serão elaborados
pelo celebrante e assinados por ele, pelo colaborador e
pelo advogado ou defensor público com poderes
específicos.
§ 6º Na hipótese de não ser celebrado o acordo por
iniciativa do celebrante, esse não poderá se valer de
nenhuma das informações ou provas apresentadas pelo
colaborador, de boa-fé, para qualquer outra finalidade.’

‘Art. 3º-C. A proposta de colaboração premiada deve


estar instruída com procuração do interessado com
poderes específicos para iniciar o procedimento de
colaboração e suas tratativas, ou firmada pessoalmente
pela parte que pretende a colaboração e seu advogado
ou defensor público.
§ 1º Nenhuma tratativa sobre colaboração premiada
deve ser realizada sem a presença de advogado
constituído ou defensor público.
§ 2º Em caso de eventual conflito de interesses, ou de
colaborador hipossuficiente, o celebrante deverá
solicitar a presença de outro advogado ou a participação
de defensor público.
§ 3º No acordo de colaboração premiada, o colaborador
deve narrar todos os fatos ilícitos para os quais
concorreu e que tenham relação direta com os fatos
investigados.
§ 4º Incumbe à defesa instruir a proposta de
colaboração e os anexos com os fatos adequadamente
descritos, com todas as suas circunstâncias, indicando
as provas e os elementos de corroboração.’

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O art. 3º-A apenas sedimentou um entendimento que já era defendido pela doutrina (acordo de colaboração
premiada como meio de obtenção de prova). O artigo 3º-B destaca que o recebimento da proposta para
formalização de acordo de colaboração demarca o início das negociações e constitui também marco de
confidencialidade.
O artigo 3º-C traz importante novidade, pois passa a restringir a colaboração ao objeto da investigação. Além
disso, em seu §3º, dispõe que o colaborador deve narrar todos os ilícitos para os quais concorreu e que
tenham relação DIRETA com os fatos investigados.

Poderão ser concedidos ao colaborador os seguintes benefícios (prêmios):

1) Não oferecimento da denúncia (colaboração deve ser efetiva e voluntária; O colaborador não pode ser o
líder da organização criminosa ; O colaborador deve ter sido o primeiro a prestar efetiva colaboração)
2) Perdão judicial (Se a colaboração prestada for muito relevante, o Ministério Público OU O DELEGADO DE
POLÍCIA PODERÃO se manifestar pedindo que o juiz conceda perdão judicial ao colaborador, o que acarreta
a extinção da punibilidade)
3) Redução da pena (• Se a colaboração ocorrer antes da sentença, ou seja, se a pessoa decidir colaborar
antes de ser julgada: sua pena poderá ser reduzida em até 2/3. • Se a colaboração ocorrer após a sentença,
ou seja, se a pessoa decidir colaborar apenas depois de ser condenada: sua pena poderá ser reduzida em até
metade (1/2).)
4) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (O juiz poderá substituir a pena
privativa de liberdade do colaborador por pena restritiva de direitos mesmo que não estejam presentes os
requisitos do art. 44 do CP)
5) Progressão de regime

#DEOLHONAJURIS: O STF em seu informativo 907, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em
ação direta para assentar a CONSTITUCIONALIDADE dos §§ 2º e 6º do art. 4º (1) da Lei 12.850/2013, a qual
define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova,
infrações penais correlatas e o procedimento criminal. A ação impugnava as expressões “e o delegado de
polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério Público” e “entre o delegado de
polícia, o investigado e o defensor, com a manifestação do Ministério Público, ou, conforme o caso”, contidas
nos referidos dispositivos, que conferem legitimidade ao delegado de polícia para conduzir e firmar acordos
de colaboração premiada (Informativo 888). Prevaleceu o voto do ministro Marco Aurélio (relator), no
sentido de QUE O DELEGADO DE POLÍCIA PODE FORMALIZAR ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA, NA
FASE DE INQUÉRITO POLICIAL, respeitadas as prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se
manifestar, sem caráter vinculante, previamente à decisão judicial.

AÇÃO CONTROLADA

Retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela
vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no
momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações.

INFILTRAÇÃO DE AGENTES

A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou


requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no
curso de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que
estabelecerá seus limites.

quais são os requisitos para infiltração?

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a) Prévia autorização judicial: A autorização deve ser motivada e dispor sobre como ocorrerá a infiltração,
sob pena de nulidade absoluta ante a falta de motivação.
b) Fummus Comissi delicti e periculum in mora: Condicionam-se a existência de elementos indiciários que
apontem a existência de crimes praticados por organizações criminosas (fummus comissi delicti). No que
tange ao periculum in mora, diz respeito aos eventuais prejuízos que podem ser causados pela não
decretação imediata da medida.
c) Indispensabilidade da infiltração: Medida de ultima ratio, só podendo ser aplicada subsidiariamente
devido a seu alto grau de risco. Deve-se ter em mente que a infiltração de agentes é medida excepcional.
d) Anuência da infiltração: O agente policial deve concordar expressamente com a infiltração.

Light Cover Deep Cover

Trata-se de modalidade de infiltração mais


É modalidade mais branda de infiltração. Não
complexa. Ultrapassa 06 (seis) meses de
ultrapassa 06 (seis) meses.
duração.

#NOVIDADE#PACOTEANTICRIME
“Art. 10-A. Será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais, obedecidos os requisitos do caput
do art. 10, na internet, com o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos, praticados por
organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e indicados o alcance das tarefas dos
policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de conexão ou
cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas.
§ 1º Para efeitos do disposto nesta Lei, consideram-se:
I - dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração, endereço de Protocolo de
Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão;
II - dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou de usuário registrado ou
autenticado para a conexão a quem endereço de IP, identificação de usuário ou código de acesso tenha sido
atribuído no momento da conexão.
§ 2º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o
Ministério Público.
§ 3º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1º desta Lei e se as
provas não puderem ser produzidas por outros meios disponíveis.
§ 4º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações,
mediante ordem judicial fundamentada e desde que o total não exceda a 720 (setecentos e vinte) dias e
seja comprovada sua necessidade.
§ 5º Findo o prazo previsto no § 4º deste artigo, o relatório circunstanciado, juntamente com todos os atos
eletrônicos praticados durante a operação, deverão ser registrados, gravados, armazenados e apresentados
ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério Público.
§ 6º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério
Público e o juiz competente poderão requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração.
§ 7º É nula a prova obtida sem a observância do disposto neste artigo.”

#DEOLHONAJURIS

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#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: A Lei das organizações criminosas (Lei nº 12.850/2013) prevê o
seguinte crime: Art. 2º (...) § 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça
a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. Quando o art. 2º, § 1º fala em
“investigação”, ele está se limitando à fase pré-processual ou abrange também a ação penal? Se o agente
embaraça o processo penal, ele também comete este delito? SIM. A tese de que a investigação criminal
descrita no art. 2º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013 limita-se à fase do inquérito não foi aceita pelo STJ. Isso porque
as investigações se prolongam durante toda a persecução criminal, que abarca tanto o inquérito policial
quanto a ação penal deflagrada pelo recebimento da denúncia. Assim, como o legislador não inseriu uma
expressão estrita como “inquérito policial”, compreende-se ter conferido à investigação de infração penal o
sentido de “persecução penal”, até porque carece de razoabilidade punir mais severamente a obstrução das
investigações do inquérito do que a obstrução da ação penal. Ademais, sabe-se que muitas diligências
realizadas no âmbito policial possuem o contraditório diferido, de tal sorte que não é possível tratar inquérito
e ação penal como dois momentos absolutamente independentes da persecução penal. O tipo penal previsto
pelo art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013 define conduta delituosa que abrange o inquérito policial e a ação
penal. STJ. 5ª Turma. HC 487.962-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/05/2019 (Info 650).

#DEOLHONAJURIS: O delito do art. 2º, § 1º, da Lei 12.850/2013 é crime material, inclusive na modalidade
embaraçar Importante!!! A Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa), prevê o seguinte delito no §
1º do art. 2º: Art. 2º (...) Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas
correspondentes às demais infrações penais praticadas. § 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou,
de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. O crime
do art. 2º, § 1º é formal ou material? Material. O tipo penal possui dois núcleos (verbos): impedir e
embaraçar. No que tange ao núcleo “impedir”, nunca houve dúvida de que se trata de crime material. A
dúvida estava no verbo “embaraçar”. Alguns doutrinadores afirmavam que, neste ponto, o delito seria
formal. Não foi esta, contudo, a conclusão do STJ. Tanto no núcleo impedir como embaraçar, o crime do art.
2º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 é material. A adoção da corrente que classifica o delito como crime material
se explica porque o verbo embaraçar atrai um resultado, ou seja, uma alteração do seu objeto. Na hipótese
normativa, o objeto é a investigação, que pode se dar na fase de inquérito ou na instrução da ação penal. Em
outras palavras, haverá embaraço à investigação se o agente conseguir produzir algum resultado, ainda que
seja momentâneo e reversível. STJ. 5ª Turma. REsp 1.817.416-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
03/08/2021 (Info 703).

#DEOLHONAJURIS: A situação concreta, com adaptações, foi a seguinte: Luiz, auditor da receita estadual,
estava sendo investigado por supostamente estar recebendo vantagem indevida (“propina”) para reduzir
tributos. Ele não sabia que estava sendo investigado. Determinado dia, Luiz foi preso em flagrante por
suposto crime sexual (estupro de vulnerável). Depois de preso, o Ministério Público ofereceu a Luiz e sua
irmã a possibilidade de fazer um acordo de colaboração premiada. Eles aceitaram. No acordo, Luiz confessou
crimes e delatou infrações penais que teriam sido praticadas por outros colegas auditores da receita
estadual. Com base nessas declarações prestadas por Luiz e sua irmã, foi deflagrada a “Operação Publicano
IV”, no final de 2015, tendo sido decretada a prisão preventiva de diversos auditores da receita estadual. Em
maio de 2016, o Ministério Público constatou que Luiz descumpriu os termos do acordo de colaboração
premiada. Isso porque, segundo o Parquet, ele teria mentido e omitido fatos e cometido novos crimes após
a celebração do acordo. Assim, o acordo foi rescindido. Em fevereiro de 2017, foi realizado o interrogatório
judicial de Luiz. Ele declarou que a rescisão do acordo teria sido arbitrária. Acusou os Promotores “de
manipular suas declarações e ocultar todos os vídeos dos depoimentos que havia prestado
extrajudicialmente”. Posteriormente, o Ministério Público firmou com Luiz novo acordo de delação
premiada, sob a condição de que ele se retratasse das mencionadas acusações e ratificasse as declarações
que fizeram parte do acordo rescindido. O segundo acordo foi homologado pelo juiz sob o argumento de que
seria apenas um “termo aditivo” do primeiro. A defesa de Gilberto, um dos auditores delatados por Luiz,
impetrou habeas corpus alegando, dentre outros argumentos: a) a impossibilidade de se aditar acordo de

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colaboração premiada rescindido; b) a relevância de o delator Luiz, na audiência realizada em fevereiro de


2017, ter exposto supostas ilegalidades que teriam sido cometidas durante o primeiro acordo de colaboração
premiada. A 2ª Turma do STF, por empate na votação, concedeu a ordem de habeas corpus para declarar a
nulidade da utilização, como meio de prova, do segundo acordo de colaboração premiada firmado. O
colegiado reconheceu a ilicitude das declarações incriminatórias prestadas por Luiz e sua irmã. O relator
ressaltou que o estabelecimento de balizas legais para o acordo é uma opção do nosso sistema jurídico, para
garantir a isonomia e evitar a corrupção dos imputados, mediante incentivos desmesurados à colaboração,
e dos próprios agentes públicos, aos quais se daria um poder sem limite sobre a vida e a liberdade dos
imputados. É preciso respeitar a legalidade, visto que as previsões normativas caracterizam limitação ao
poder negocial no processo penal. No caso de ilegalidade manifesta (evidente) em acordo de colaboração
premiada, o Poder Judiciário deve agir para a efetiva proteção de direitos fundamentais. O acordo de
colaboração premiada é meio de obtenção de prova. Portanto, trata-se de instituto de natureza semelhante,
por exemplo, à interceptação telefônica. O STF reconheceu, várias vezes, a ilegalidade de atos relacionados
a interceptações telefônicas. Logo, não há motivo para afastar essa possibilidade em ilegalidades que
permeiam acordos de colaboração premiada. STF. 2ª Turma. HC 142205, Rel. Gilmar Mendes, julgado em
25/08/2020 (Info 988).

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF O delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas
pelos colaboradores que o incriminem, desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em
andamento que possa ser prejudicada. STF. 2ª Turma. Rcl 30742 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 4/2/2020 (Info 965).

#DEOLHONAJURIS: A SV 14 prevê: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Terceiros que tenham
sido mencionados pelos colaboradores podem obter acesso integral aos termos dos colaboradores para
viabilizar, de forma plena e adequada, sua defesa, invocando a SV 14? SIM, desde que estejam presentes os
requisitos positivo e negativo. a) Requisito positivo: o acesso deve abranger somente documentos em que o
requerente é de fato mencionado como tendo praticado crime (o ato de colaboração deve apontar a
responsabilidade criminal do requerente); e b) Requisito negativo: o ato de colaboração não se deve referir
a diligência em andamento (devem ser excluídos os atos investigativos e diligências que ainda se encontram
em andamento e não foram consubstanciados e relatados no inquérito ou na ação penal em tramitação).
STF. 2ª Turma. Pet 7494 AgR/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em
19/5/2020 (Info 978).

#DEOLHONAJURIS A colaboração premiada, como meio de obtenção de prova, não constitui critério de
determinação, de modificação ou de concentração da competência. Os elementos de informação trazidos
pelo colaborador a respeito de crimes que não sejam conexos ao objeto da investigação primária devem
receber o mesmo tratamento conferido à descoberta fortuita ou ao encontro fortuito de provas em outros
meios de obtenção de prova, como a busca e apreensão e a interceptação telefônica. A colaboração
premiada, como meio de obtenção de prova, não constitui critério de determinação, de modificação ou de
concentração da competência. Assim, ainda que o agente colaborador aponte a existência de outros crimes
e que o juízo perante o qual foram prestados seus depoimentos ou apresentadas as provas que corroborem
suas declarações ordene a realização de diligências (interceptação telefônica, busca e apreensão etc.) para
sua apuração, esses fatos, por si sós, não firmam sua prevenção. STF. 2ª Turma. HC 181978 AgR/RJ, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 10/11/2020 (Info 999).

#DEOLHONAJURIS A apelação criminal é o recurso adequado para impugnar a decisão que recusa a
homologação do acordo de colaboração premiada, mas ante a existência de dúvida objetiva é cabível a
aplicação do princípio da fungibilidade. Realizado o acordo de colaboração premiada, ele será remetido ao

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juiz para análise e eventual homologação, nos termos do art. 4º, § 7º, da Lei nº 12.850/2013. O magistrado
poderá recusar a homologação da proposta que não atender aos requisitos legais e esse ato judicial tem
conteúdo decisório, pois impede o meio de obtenção da prova. Entretanto, não existe previsão normativa
sobre o recurso cabível para a sua impugnação. Diante da lacuna na lei, o STJ entende que a apelação criminal
é o recurso apropriado para confrontar a decisão que recusar a homologação da proposta de acordo de
colaboração premiada. De toda forma, como existe dúvida objetiva quanto ao recurso cabível, não constitui
erro grosseiro caso a parte ingresse com correição parcial contra a decisão do magistrado. Assim, mesmo
sendo caso de apelação, se a parte ingressou com correição parcial no prazo de 5 dias, é possível conhecer
da irresignação como apelação, aplicando-se o princípio da fungibilidade recursal (art. 579 do CPP). STJ. 6ª
Turma. REsp 1.834.215-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 27/10/2020 (Info 683).

#DEOLHONAJURIS Ação controlada do art. 8º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 exige apenas comunicação prévia
(e não autorização judicial). A ação controlada prevista no § 1º do art. 8º da Lei nº 12.850/2013 independe
de autorização, bastando sua comunicação prévia à autoridade judicial. STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).
Possibilidade de auxílio da agência de inteligência ao MP estadual. É legal o auxílio da agência de inteligência
ao Ministério Público Estadual durante procedimento criminal instaurado para apurar graves crimes em
contexto de organização criminosa. STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
18/08/2020 (Info 677).
#DEOLHONAJURIS Não haverá infiltração policial se o agente apenas representa a vítima nas negociações de
extorsão Não há infiltração policial quando agente lotado em agência de inteligência, sob identidade falsa,
apenas representa o ofendido nas negociações da extorsão, sem se introduzir ou se infiltrar na organização
criminosa com o propósito de identificar e angariar a confiança de seus membros ou obter provas sobre a
estrutura e o funcionamento do bando. STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
em 18/08/2020 (Info 677).

CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

LEI 7.492/86

É uma lei pequena, colocaremos aqui os pontos mais importantes. Como orientação geral, é mais importante
uma boa leitura da lei, para isso, sigam o roteiro:

Os crimes mais comumente cobrados em prova são os dos artigos 2º ao 7º, art. 16, 17, 19 e 22.
Art. 1º CONSIDERA-SE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, para efeito desta lei, a pessoa jurídica de direito público ou
privado, que tenha como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a captação,
intermediação ou aplicação de recursos financeiros (Vetado) de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira,
ou a custódia, emissão, distribuição, negociação, intermediação ou administração de valores mobiliários.

Parágrafo único. EQUIPARA-SE à INSTITUIÇÃO FINANCEIRA:


I - a pessoa jurídica que capte ou administre seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou qualquer tipo de
poupança, ou recursos de terceiros;
II - a pessoa natural que exerça quaisquer das atividades referidas neste artigo, ainda que de forma eventual.

Conceito de instituição financeira para fins penais: Tal definição, para fins de crimes contra o Sistema
Financeiro Nacional, é encontrada no art. 1º da Lei 7.492/86. Neste art. 1º, temos duas espécies de instituição
financeira:
1) Instituição financeira em sentido próprio (prevista no caput do art. 1º);
2) Instituição financeira por equiparação (definida no parágrafo único do art. 1º).

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I – a captação, intermediação ou aplicação de


recursos financeiros de terceiros;
Instituição financeira em SENTIDO PRÓPRIO é a
II – a custódia, emissão, distribuição, negociação,
pessoa jurídica que realiza...
intermediação ou administração de valores
mobiliários.
I - a pessoa jurídica que capte ou administre
seguros, câmbio, consórcio, capitalização ou
qualquer tipo de poupança, ou recursos de
Instituição financeira POR EQUIPARAÇÃO é... terceiros; e
II - a pessoa natural que exerça quaisquer das
atividades próprias de instituição financeira, ainda
que de forma eventual.

COMPETÊNCIA

A Constituição estabelece que nem todos os crimes contra o sistema financeiro nacional são de competência
da Justiça Federal, mas somente aqueles definidos na Lei nº 7.492/86. A referida lei, em seu art. 26, prevê:

Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo Ministério Público Federal, perante
a Justiça Federal.

#DEOLHONAJURIS

#ATENÇÃO O STJ já decidiu, em certa oportunidade, que as empresas que realizam operações de câmbio são
consideradas instituições financeiras também para fins penais: As pessoas jurídicas que realizam operações
de câmbio equiparam-se, pelo art. 1º, inc. I, da Lei nº 7.492/86, e para os efeitos da lei, às instituições
financeiras. STJ. 5ª Turma. RHC 9.281/PR, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 13/09/2000.

A conduta relativa à obtenção de empréstimo pessoal perante instituição bancária não se amolda ao crime
contra o Sistema Financeiro Nacional, descrito no art. 19 da Lei nº 7.492/86 ("obter, mediante fraude,
financiamento em instituição financeira"), haja vista que em aludida operação não há destinação específica
dos recursos. (STJ - CC: 107100 RJ 2009/0141470-2, Relator: Ministro JORGE MUSSI, Data de Julgamento:
26/05/2010, S3 - TERCEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 01/06/2010).

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: A aplicação financeira não declarada à repartição federal


competente no exterior se subsume ao tipo penal previsto na parte final do parágrafo único do art. 22 da Lei
nº 7.492/86. Art. 22. (...) Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem
autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à
repartição federal competente. Ex: indivíduo residente no Brasil subscreveu cotas de fundo de investimento
sediado nas Ilhas Cayman e não informou a existência de tais valores na declaração de capitais brasileiros no
exterior, que deveria ter sido entregue ao Bacen. STJ. 5ª Turma. AREsp 774.523-SP, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 07/05/2019 (Info 648).

#DEOLHONAJURIS Compete à Justiça Federal julgar a conduta de réu que faz oferta pública de contrato de
investimento coletivo em criptomoedas sem prévia autorização da CVM Se a denúncia imputa a oferta
pública de contrato de investimento coletivo (sem prévio registro), não há dúvida de que incide as
disposições contidas na Lei nº 7.492/86 (Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro), especialmente porque
essa espécie de contrato caracteriza valor mobiliário, nos termos do art. 2º, IX, da Lei nº 6.385/76. Logo,
compete à Justiça Federal apurar os crimes relacionados com essa conduta. Compete à Justiça Federal julgar

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crimes relacionados à oferta pública de contrato de investimento coletivo em criptomoedas. STJ. 6ª Turma.
HC 530.563-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/03/2020 (Info 667)

CRIMES CONTRA ORDEM TRIBUTÁRIA

LEI 8137/90

Competência: A competência para o processamento e julgamento dos crimes será definida pelo ente
tributante. Nesse caso, será de competência da Justiça Federal:

a) Se o objeto do crime for tributo federal;


b) Se na mesma conduta forem sonegados tributos estaduais e federais, nos termos do entendimento
Sumulado pelo STJ.

Súmula 122 – STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de
competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, “a”, do Código de Processo Penal.

c) Se utilizados documentos material e ideologicamente falsificados perante o Poder Judiciário Federal e a


Secretaria da Receita Federal.

Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer
acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)

I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;


II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer
natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à
operação tributável;
IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato;
V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda
de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação.
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá
ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao
atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V.

Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)

I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para
eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;
II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na
qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos;
III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela
dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal;
IV - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto
liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento;
V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação
tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública.
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

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#ATENÇÃO: Qual é o termo inicial da prescrição nas hipóteses dos arts. 1° e 2°? Existe diferença entre os
delitos?
- Art. 1º, I: O prazo prescricional somente tem início com a constituição do crédito tributário (lançamento
definitivo). Trata-se de crime material.
- Art. 2º, I: O prazo prescricional tem início na data em que a fraude é praticada (e não a data em que ela é
descoberta). Trata-se de crime formal.

#DEOLHONAJURIS: O delito do art. 1º, inciso V, da Lei nº 8.137/90 é formal e prescinde do processo
administrativo-fiscal para o desencadeamento da persecução penal, não estando abarcado pela
condicionante da Súmula Vinculante nº 24 do STF (STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.534.688/SP, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, DJe 28/3/2016).

O crime descrito no art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 ostenta natureza formal, ao contrário das condutas
elencadas nos incisos I e IV do referido dispositivo, e a sua consumação prescinde da constituição definitiva
do crédito tributário. Por consectário, o prévio exaurimento da via administrativa não configura condição
objetiva de punibilidade. (STJ. 5ª Turma. RHC 31.062/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe 12/8/2016).

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E CONSUNÇÃO


1. O delito contra a ordem tributária absorve o estelionato, por ser este um crime meio.
2. De acordo com a Jurisprudência do STJ e STF, se o crime de falso tiver sido perpetrado como meio para a
prática do crime contra a ordem tributária, o crime tributário absorverá o crime de falso, na vertente de
crime progressivo. A extinção da punibilidade em virtude do pagamento do tributo impede a continuidade
da persecução em relação ao delito de falso, pois se trata de delito carente de autonomia (STJ, RHC 31321).

- Absorção dos crimes de falsidade ideológica e de uso de documento falso pelo de sonegação fiscal
O crime de sonegação fiscal absorve o de falsidade ideológica e o de uso de documento falso praticados
posteriormente àquele unicamente para assegurar a evasão fiscal.
(...) Após evolução jurisprudencial, o STJ passou a considerar aplicável o princípio da consunção ou da
absorção quando os crimes de uso de documento falso e falsidade ideológica – crimes meio – tiverem sido
praticados para facilitar ou encobrir a falsa declaração, com vistas à efetivação do pretendido crime de
sonegação fiscal – crime fim
(...) Aplica-se, assim, mutatis mutandis, o comando da Súmula 17 do STJ (Quando o falso se exaure no
estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido).
Nota: o acórdão acima exposto é relevante porque foi proferido pela 3° Seção do STJ, que reúne as duas
Turmas com competência penal (5° e 6° Turmas). (Informativo STJ 535 (2014) – Terceira Seção - DPN).

#OLHONOGANCHO

Denúncia nos crimes contra a ordem Tributária: Os delitos contra a ordem tributária também são
conhecidos como delitos de gabinete ou societários, pois, são praticados a portas fechadas, dificultando a
descrição da denúncia do fato criminoso.

Nesse caso, o entendimento pacificado na Jurisprudência é o de que nos crimes de autoria coletiva não é
necessária a descrição minuciosa e individualizada da ação de cada acusado. Entretanto, embora não seja
necessária a descrição pormenorizada da conduta de cada denunciado, o MP deve narrar qual é o vínculo
entre o denunciado e o crime a ele imputado, sob pena da denúncia ser inepta. (STJ, HC 214.861-SC). *Isso
significa que se admite a denominada denúncia geral.

PRINÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

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Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito
tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20
da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da
Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso
repetitivo).

#DEOLHONAJURIS

#SAINDODOFORNO #APOSTACICLOS O dolo de não recolher o tributo, de maneira genérica, não é suficiente
para preencher o tipo subjetivo do crime de sonegação fiscal (art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990). HC 569.856-
SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 11/10/2022, DJe 14/10/2022.
(Info 753 - STJ)

#SAINDODOFORNO Para fins do disposto no art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990, a menção a inúmeros
inadimplementos (inscritos em dívida ativa) gera a presunção relativa da ausência de tentativa de
regularização. AgRg no HC 728.271-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade,
julgado em 21/06/2022, DJe 24/06/2022

#STJ: A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se
formalmente no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (apropriação indébita tributária), desde que
comprovado o dolo. O não repasse do ICMS recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária em
qualquer hipótese, enquadra-se (formalmente) no tipo previsto art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90, desde que
comprovado o dolo. Em outras palavras, o tipo do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 não fica restrito apenas às
hipóteses em que há substituição tributária. O que se criminaliza é o fato de o sujeito passivo se apropriar do
dinheiro relativo ao imposto, devidamente recebido de terceiro, quer porque descontou do substituído
tributário, quer porque cobrou do consumidor não repassando aos cofres públicos. STJ. 3ª Seção. HC 399109-
SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/08/2018 (Info 633).

O contribuinte que, de forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher o ICMS cobrado do
adquirente da mercadoria ou serviço, incide no tipo penal do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90. O valor do ICMS
cobrado do consumidor não integra o patrimônio do comerciante, o qual é mero depositário desse ingresso
de caixa que, depois de devidamente compensado, deve ser recolhido aos cofres públicos. Vale ressaltar,
contudo, que, para caracterizar o delito, é preciso comprovar a existência de intenção de praticar o ilícito
(dolo). STF. Plenário. RHC 163334/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/12/2019 (Info 964).

#DEOLHONAJURIS A teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela
prática de qualquer crime, eis que a imputação deve ser acompanhada da devida descrição, no plano fático,
do nexo de causalidade entre a conduta e o resultado delituoso. Caso concreto: a ré, sócia-proprietária da
empresa, foi acusada de suprimir, dolosamente, ICMS, no montante de R$ 600 mil, fraudando a fiscalização
tributária por meio de inserção de elementos inexatos e omissão de operação em documentos exigidos pela
lei fiscal. A imputação foi baseada unicamente na teoria do domínio do fato. Afirmou-se que é autor do delito
aquele que detém o domínio da conduta, ou seja, o domínio final da ação. Logo, é autor aquele que decide
se o fato delituoso vai acontecer ou não, independentemente dessa pessoa ter ou não realizado a conduta
material de inserir elemento inexato em documento exigido pela lei fiscal, por exemplo. O STJ não concordou
com a imputação. A teoria do domínio do fato funciona como uma ratio, a qual é insuficiente, por si só, para
aferir a existência do nexo de causalidade entre o crime e o agente. É equivocado afirmar que um indivíduo
é autor porque detém o domínio do fato se, no plano intermediário ligado à realidade, não há nenhuma
circunstância que estabeleça o nexo entre sua conduta e o resultado lesivo. Não há como considerar, com
base na teoria do domínio do fato, que a posição de gestor, diretor ou sócio administrador de uma empresa

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implica a presunção de que houve a participação no delito, se não houver, no plano fático-probatório, alguma
circunstância que o vincule à prática delitiva. Em decorrência disso, também não é correto, no âmbito da
imputação da responsabilidade penal, partir da premissa ligada à forma societária, ao número de sócios ou
ao porte apresentado pela empresa para se presumir a autoria, sobretudo porque nem sempre as decisões
tomadas por gestor de uma sociedade empresária ou pelo empresário individual, - seja ela qual for e de que
forma esteja constituída -implicam o absoluto conhecimento e aquiescência com os trâmites burocráticos
subjacentes, os quais, não raro, são delegados a terceiros. STJ. 6ª Turma. REsp 1.854.893-SP, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 08/09/2020 (Info 681).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STJ: Para o início da ação penal, basta a prova da constituição definitiva do
crédito tributário (Súmula Vinculante 24), sendo desnecessária a juntada integral do Procedimento
Administrativo Fiscal correspondente. STJ. 5ª Turma. RHC 94.288-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 22/05/2018 (Info 627).

#DEOLHONAJURIS Investigação preliminar antes da constituição definitiva do crédito tributário. Imagine que
determinada empresa deixou de pagar tributos, fraudando a fiscalização tributária (inciso II do art. 1º da Lei
nº 8.137/90). Ocorre que o Fisco ainda não terminou o processo administrativo-fiscal instaurado para apurar
o fato. É possível que seja instaurado inquérito policial para apurar o crime mesmo não tendo havido ainda
a constituição definitiva do crédito tributário? SIM. Nos crimes de sonegação tributária, apesar de a
jurisprudência do STF condicionar a persecução penal à existência do lançamento tributário definitivo, o
mesmo não ocorre quanto à investigação preliminar. Em outras palavras, mesmo não tendo havido ainda a
constituição definitiva do crédito tributário, já é possível o início da investigação criminal para apurar o fato.
STF. 1ª Turma. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/3/2016 (Info 819).
Nota: Ou seja, se na sua prova perguntar se pode ocorrer investigação preliminar antes da constituição
definitiva do crédito, marque que sim. Por outro lado, se for indagado se pode ocorrer a decretação de
medidas cautelares antes da constituição definitiva do crédito tributário, marque que não.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STF: O que acontece se o réu de um crime contra a ordem tributária aderir
ao parcelamento da dívida? Haverá a suspensão do processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária,
quando o agente ingressa no regime de parcelamento dos débitos tributários, fica suspensa a pretensão
punitiva penal do Estado (o processo criminal fica suspenso). Durante o parcelamento o que ocorre com o
prazo prescricional? Também fica suspenso. O prazo prescricional não corre enquanto estiverem sendo
cumpridas as condições do parcelamento do débito fiscal. É o que prevê o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003.
Se, ao final, o réu pagar integralmente os débitos, haverá a extinção da punibilidade. STF. 2ª Turma. ARE
1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #IMPORTANTE: O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de
sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90) deverá ser aumentada no caso de o delito “ocasionar grave
dano à coletividade”. A jurisprudência entende que se configura a referida causa de aumento quando o
agente deixa de recolher aos cofres públicos uma vultosa quantia. Em outras palavras, se o valor sonegado
foi alto, incide a causa de aumento do art. 12, I. Nesse cálculo deve-se incluir também os juros e multa: Para
os fins da majorante do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 (grave dano à coletividade), o dano tributário deve ser
valorado considerando seu valor atual e integral, incluindo os acréscimos legais de juros e multa. A Portaria
nº 320, editada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, prevê que os contribuintes que estão devendo
acima de R$ 1 milhão são considerados “grandes devedores” e devem receber tratamento prioritário na
atuação dos Procuradores. O STJ utiliza, então, essa Portaria como parâmetro para analisar a incidência ou
não da causa de aumento do art. 12, I: A majorante do grave dano à coletividade, trazida pelo art. 12, I, da
Lei nº 8.137/90, deve se restringir a situações especiais de relevante dano. Desse modo, é possível, para os
tributos federais, utilizar, analogamente, o critério previsto no art. 14 da Portaria 320/PGFN, por meio do
qual se definiu administrativamente os créditos prioritários como sendo aqueles de valor igual ou superior a

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R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). E se a sonegação fiscal envolver tributos estaduais ou municipais,
como deverá ser o parâmetro nesses casos? Em se tratando de tributos estaduais ou municipais, o critério
deve ser, por equivalência, aquele definido como prioritário ou de destacados créditos (grandes devedores)
para a fazenda local. Dito de outro modo, em caso de tributos estaduais ou municipais, não se de deve utilizar
a Portaria 320/PGFN, mas sim os eventuais atos normativos estaduais e municipais que definam o que sejam
“grandes devedores” para o Fisco local. STJ. 3ª Seção. REsp 1.849.120-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
11/03/2020 (Info 668). O STF comunga do mesmo entendimento e utiliza como parâmetro esses atos
infralegais que definem “grandes devedores”? Não. Existe julgado do STF no qual foi afastado esse critério:
“Quanto à Portaria 320/2008 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, anoto que essa norma infralegal
apenas dispõe sobre o Projeto Grandes Devedores no âmbito da PGFN, conceituando, para os seus fins, os
“grandes devedores”, com o objetivo de estabelecer, na Secretaria da Receita Federal do Brasil, método de
cobrança prioritário a esses sujeitos passivos de vultosas obrigações tributárias, sem limitar ou definir, no
entanto, o grave dano à coletividade, ao contrário do que afirma o impetrante.” (STF. 2ª Turma. HC
129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017. Info 882).

#DEOLHONAJURIS A ausência de contumácia no não recolhimento do ICMS em operações próprias conduz


ao reconhecimento da atipicidade da conduta. No caso dos autos, a conduta típica imputada ao réu restringe-
se ao não recolhimento do ICMS relativo a 1 (um) mês. Portanto, nos termos do atual entendimento do STF,
deve-se concluir que, embora a conduta do réu se se subsuma formalmente ao art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90,
diante da ausência de contumácia, não há tipicidade na conduta, o que gera, por conseguinte, à absolvição
do réu. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.867.109-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 25/08/2020 (Info 679).

LAVAGEM DE DINHEIRO

FASES DA LAVAGEM

#DIRETODAFUC #DEOLHONATABELA

FASE DESCRIÇÃO EXEMPLOS


Aplicação no mercado formal,
mediante depósito em banco,
troca por moeda estrangeira,
Separação física do dinheiro dos remessa ao exterior através de
autores do crime. mulas, transferência
1ª Colocação (placement)
É antecedida pela captação e eletrônica ou física para
concentração do dinheiro. paraísos fiscais, importação
subfaturada; aquisição de
imóveis; obras de arte; joias;
etc.
Nessa fase, multiplicam-se as
transações anteriores, através
2ª Ocultação de muitas empresas e contas, de
Várias transferências por cabo
Ou modo que se perca a trilha do
(wire transfer) ou sucessivos
Dissimulação dinheiro (paper trail),
empréstimos.
(layering) constituindo-se na lavagem
propriamente dita, que tem por
objetivo fazer com que não se

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possa identificar a origem ilícita


dos valores ou bens2.
Compra de uma empresa já
O dinheiro é empregado em existente e em
negócios lícitos, ilícitos ou funcionamento, aquisição de
compra de bens, dificultando um empreendimento
3ª Integração (integration
ainda mais a investigação, já que imobiliário, simulação de
ou recycling)
o criminoso assume ares de obtenção em pagamento por
respeitável investidor, atuando serviços de difícil mensuração,
conforme as regras do sistema. como consultoria, por
exemplo.

MACETE: COI

#ATENÇÃO PARTE DA DOUTRINA DEFENDE UMA QUARTA FASE: d) reciclagem: o objetivo, aqui, é apagar os
registros das fases anteriores.

#ATENÇÃO “pitufeo” ou “smurfing”: Consiste esta modalidade de lavagem de dinheiro em efetuar o agente
criminoso vários depósitos fracionados em uma mesma ou em diversas contas bancárias, de um mesmo
cliente ou ainda de diversos, sendo que, se somadas as quantias depositadas e pertencentes efetivamente a
um só dono, se chegará à ilação de que o valor total representa uma quantia expressiva em dinheiro. Dito de
outra forma, consiste essa técnica na introdução de pequenas quantias em dinheiro através de casas de
câmbio ou de transações bancárias.

JUSTA CAUSA DUPLICADA


Significa que não basta demonstrar a presença de lastro probatório quanto à ocultação de bens, direitos ou
valores, sendo indispensável que a denúncia também seja instruída com suporte probatório demonstrando
que tais valores são provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal (art. 1º, caput, da Lei nº
9.613/98, com redação dada pela Lei nº 12.683/12). Cuida-se da justa causa duplicada, ou seja, lastro
probatório mínimo quanto à lavagem e quanto à infração precedente.

SUSPENSÃO DO PROCESSO

Não se aplica a suspensão do processo aos crimes de lavagem de capitais! Tendo em vista a expressa
disposição do código nesse sentido.
§ 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de
3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir
advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de defensor dativo.

AUTOLAVAGEM

Constitui autolavagem a ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização, disposição,


movimentação ou propriedade de bens, direitos e valores pelo próprio autor do crime antecedente. Nesse
sentido foi a decisão proferida pelo STJ na APn 856/DF, cujo acórdão foi relatado pela Min. Nancy Andrighi,

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em que se concluiu que “(...) Embora a tipificação da lavagem de dinheiro dependa da existência de um
crime antecedente, é possível a autolavagem – isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, do delito
antecedente e do crime de lavagem -, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele
que compõe a realização do primeiro crime, circunstância na qual não ocorrerá o fenômeno da consunção.
(...).” STJ. Corte Especial. APn 856/DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 18/10/17.

#DEOLHONAJURIS Na autolavagem não ocorre a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem de


dinheiro Embora a tipificação da lavagem de capitais dependa da existência de uma infração penal
antecedente, é possível a autolavagem, isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, do delito antecedente
e do crime de lavagem, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele que compõe a
realização do primeiro crime, circunstância em que não ocorrerá o fenômeno da consunção. A autolavagem
(self laundering/autolavado) merece reprimenda estatal, na medida em que o autor da infração penal
antecedente, já com a posse do proveito do crime, poderia simplesmente utilizar-se dos bens e valores à sua
disposição, mas reinicia a prática de uma série de condutas típicas, a imprimir a aparência de licitude do
recurso obtido com a prática da infração penal anterior. Dessa forma, se for confirmado, a partir do devido
processo legal, que o indivíduo deu ares de legalidade ao dinheiro indevidamente recebido, estará
configurado o crime de lavagem de capitais. STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 16/02/2022 (Info 726).

TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA TEORIA DO AVESTRUZ, WILLFUL BLINDNESS OU AINDA OSTRICH


INSTRUCTIONS (ATENÇÃO PARA OS SINÔNIMOS!!)

Conceito: A teoria da cegueira deliberada, também denominada teoria do avestruz, de origem norte-
americana, está no âmbito dos crimes de lavagem de capitais e visa tornar típica a conduta do agente que
tem consciência sobre a possível origem ilícita dos bens ocultados por ele ou pela organização criminosa a
qual integra, mas, mesmo assim, deliberadamente, cria mecanismos que o impedem de aperfeiçoar sua
representação acerca dos fatos. Ao evitar a consciência quanto à origem ilícita dos valores, assume os riscos
de produzir o resultado, daí porque responde pelo delito de lavagem de capitais a título de dolo eventual.

Origem do nome: O nome desta teoria provém de um mito: uma avestruz enterra sua cabeça na areia para
que não veja ou escute más notícias, evitando assim, tomar conhecimento de fatos desagradáveis. É
exatamente o que acontece com a pessoa que finge não saber que está praticando um ato ilícito; “enterra”
a cabeça para não tomar conhecimento da natureza ou extensão deste ilícito.

A teoria da cegueira deliberada ou das instruções do avestruz tem exatamente por objetivo acabar com o
“eu não sabia”; “eu não sei de nada”.

Essa teoria tem sido aplicada no Brasil nos crimes de lavagem de dinheiro, mas já ocorre a sua aplicação em
determinados crimes eleitorais, quando, p. ex., o candidato presenteia eleitores para a obtenção de voto.

#ATENÇÃO POSSO CONDENAR ALGUÉM POR LAVAGEM, SEM ANTES TER HAVIDO CONDENAÇÃO PELO
CRIME ANTECEDENTE? SIM.

Infração penal antecedente Lavagem de capitais


Basta que seja demonstrada a prática de uma Passará a ser punido o crime de lavagem de
conduta típica e ilícita. capitais.

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Não será punível o crime de lavagem de


Absolvição com base na atipicidade ou licitude
capitais
Absolvição com base em causa excludente da
Será punível o crime de lavagem de capitais
culpabilidade
Não impede a condenação quanto ao crime de
lavagem de capitais, salvo em se tratando
Extinção da punibilidade da anistia e da abolitio criminis, hipóteses
em que o fato antecedente deixa de ser
considerado infração penal.

ART. 17-D (INCONSTITUCIONALIDADE)


#ATENÇÃO Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem prejuízo de
remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão
fundamentada, o seu retorno. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012) [Obs.: Declarado Inconstitucional]

#DEOLHONAJURIS inconstitucional a determinação de afastamento automático de servidor público


indiciado em inquérito policial instaurado para apuração de crimes de lavagem ou ocultação de bens,
direitos e valores. Com base nesse entendimento, o STF declarou inconstitucional o art. 17-D da Lei de
Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/98). O afastamento do servidor somente se justifica quando ficar
demonstrado nos autos que existe risco caso ele continue no desempenho de suas funções e que o
afastamento é medida eficaz e proporcional para se tutelar a investigação e a própria Administração
Pública. Tais circunstâncias precisam ser apreciadas pelo Poder Judiciário. STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel.
orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 20/11/20 (Info 1000).

#DEOLHONAJURIS

#APOSTACICLOS #DEOLHONAJURIS Na autolavagem não ocorre a consunção entre a corrupção passiva e a


lavagem de dinheiro. Embora a tipificação da lavagem de capitais dependa da existência de uma infração
penal antecedente, é possível a autolavagem, isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, do delito
antecedente e do crime de lavagem, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele que
compõe a realização do primeiro crime, circunstância em que não ocorrerá o fenômeno da consunção. A
autolavagem (self laundering/autolavado) merece reprimenda estatal, na medida em que o autor da infração
penal antecedente, já com a posse do proveito do crime, poderia simplesmente utilizar-se dos bens e valores
à sua disposição, mas reinicia a prática de uma série de condutas típicas, a imprimir a aparência de licitude
do recurso obtido com a prática da infração penal anterior. Dessa forma, se for confirmado, a partir do devido
processo legal, que o indivíduo deu ares de legalidade ao dinheiro indevidamente recebido, estará
configurado o crime de lavagem de capitais. STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 16/02/2022 (Info 726).

#DEOLHONAJURIS A indisponibilidade de bens da Lei 9.613/98 pode atingir também bens de origem lícita,
bens adquiridos antes mesmo do crime e bens da pessoa jurídica ou mesmo de um familiar não denunciado,
desde que haja indícios de que houve confusão patrimonial. Segundo o art. 4º da Lei nº 9.613/98, havendo
indícios suficientes de infração penal, o juiz poderá decretar medidas assecuratórias de bens, direitos ou
valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam instrumento,
produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das infrações penais antecedentes. O § 4º do art. 4º

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complementa o caput ao dizer que a medida assecuratória pode recair sobre bens, direitos ou valores com
duas possíveis finalidades: a) para reparação do dano decorrente da infração penal (seja o antecedente ou a
própria lavagem); ou
b) para pagamento de prestação pecuniária, multa e custas. De acordo com o STJ, a medida assecuratória de
indisponibilidade de bens, prevista no art. 4º, § 4º, da Lei nº 9.613/98, pode atingir bens de origem lícita ou
ilícita, adquiridos antes ou depois da infração penal, bem como de pessoa jurídica ou familiar não
denunciado, quando houver confusão patrimonial. STJ. Corte Especial. Inq 1190-DF, Rel. Min. Maria Isabel
Gallotti, julgado em 15/09/2021 (Info 710).

#DEOLHONAJURIS É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do servidor público pelo
simples fato de ele ter sido indiciado pela prática de crime. É inconstitucional a determinação de afastamento
automático de servidor público indiciado em inquérito policial instaurado para apuração de crimes
de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.
Com base nesse entendimento, o STF declarou inconstitucional o art. 17-D da Lei de Lavagem de Dinheiro
(Lei nº 9.613/98): Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem prejuízo
de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão
fundamentada, o seu retorno. O afastamento do servidor somente se justifica quando ficar demonstrado nos
autos que existe risco caso ele continue no desempenho de suas funções e que o afastamento é medida
eficaz e proporcional para se tutelar a investigação e a própria Administração Pública. Tais circunstâncias
precisam ser apreciadas pelo Poder Judiciário. STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red.
p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2020 (Info 1000).

#DEOLHONAJURIS Os efeitos da condenação previstos no art. 7º da Lei n. 9.613/98 são automáticos e


decorrem da própria condenação, independentemente da indicação de motivos para a incidência dessa
consequência específica. O art. 7º, II, da Lei n. 9.613/98 impõe como efeito automático da condenação pelo
crime de lavagem de capitais, para além dos previstos no Código Penal, a interdição do exercício de cargo ou
função pública de qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência
das pessoas jurídicas referidas no art. 9º da mesma Lei pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade
aplicada.
Diferentemente dos efeitos da condenação assinalados no art. 92 do CP, cuja aplicação exige motivação na
sentença, nos termos da expressa ressalva feita no parágrafo único daquele dispositivo, os efeitos da
condenação previstos no art. 7º da Lei n. 9.613/98 são automáticos e decorrem da própria condenação,
independentemente da indicação de motivos para a incidência dessa consequência específica. STJ. 5ª Turma.
AgRg no REsp 1.840.416/PR, Rel. Min. Félix Fischer, julgado em 6/10/2020.

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ #IMPORTANTE Na denúncia pelo crime de lavagem de dinheiro,


não é necessário que o Ministério Público faça uma descrição exaustiva e pormenorizada da infração penal
antecedente. Se o Ministério Público oferece denúncia por lavagem de dinheiro, ele deverá narrar, além do
crime de lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98), qual foi a infração penal antecedente cometida. Importante
esclarecer, contudo, que não é necessário que o Ministério Público faça uma descrição exaustiva e
pormenorizada da infração penal antecedente, bastando apontar a existência de indícios suficientes de que
ela tenha sido praticada e que os bens, direitos ou valores que foram “lavados” (ocultados ou dissimulados)
sejam provenientes desta infração. Assim, a aptidão da denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro
não exige uma descrição exaustiva e pormenorizada do suposto crime prévio, bastando a presença de
indícios suficientes de que o objeto material da lavagem seja proveniente, direta ou indiretamente, de
infração penal. STJ. Corte Especial. APn 923-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/09/2019 (Info 657)

#DEOLHONAJURIS Para configuração do crime do art. art. 1º da Lei 9.613/98, não é necessário que o acusado
tenha sido condenado pelo delito antecedente, pois embora derivado ou acessório, o delito de lavagem de
dinheiro é autônomo, também não se exigindo processo criminal ou condenação pelo prévio delito, nem

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mesmo que o acusado seja o autor do delito, bastando, para tanto, a presença de indícios suficientes de sua
existência, o que se verifica da peça acusatória que ora se analisa, bem como porque a ação penal que apura
o delito de peculato não foi trancada em relação aos demais denunciados. STJ. 6ª T., RHC 94.233/RN, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, j. 21/08/18.

#DEOLHONAJURIS CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO. OPERAÇÃO DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SEM


AUTORIZAÇÃO. EVASÃO DE DIVISAS. LAVAGEM DE DINHEIRO. (...) ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA.
NÃO INCIDÊNCIA DAS CAUSAS ESPECIAIS DE REDUÇÃO DA PENA PREVISTAS NO ART. 1º, §5º, DA LEI N.
9.613/98 E NO ART. 14 DA LEI N. 9.807/99. (...) 6. A jurisprudência desta Corte Superior tem estabelecido que
a colaboração premiada da Lei 12.850/03 e a delação premiada das demais leis são institutos de natureza
jurídica distintas: a colaboração é um negócio jurídico bilateral firmado entre as partes interessadas,
enquanto a delação é ato unilateral do acusado. Assim, ao contrário do que propõe o instituto da colaboração
premiada (bilateral), como negócio jurídico, na delação premiada (unilateral), inserta no art. 1º, §5º, da Lei
9.613/98 e no art. 14 da Lei 9.807/99, a concessão de benefícios não depende de prévio acordo a ser firmado
entre as partes interessadas, tendo alcance, em termos de benesse, entretanto, um pouco mais contido do
que aquele firmado com o Órgão acusatório (bilateral). Precedentes. 7. O consectário lógico da ausência de
previsão de ajuste ou de acordo prévio é a possibilidade de colaboração premiada unilateral, ou seja,
colaboração que independe de negócio jurídico prévio celebrado entre o réu e o órgão acusatório e que,
desde que efetiva, deverá ser reconhecida pelo magistrado, de forma a gerar benefícios em favor do réu
(REsp 1691901/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6ª T., j. 26/09/17). Assim, já tendo sido realizada a
colaboração premiada com o Ministério Público, não é cabível o benefício da delação premiada (unilateral),
uma vez que implicaria aplicar duas vezes causas de redução da pena com base no mesmo fato, o que
configura bis in idem de benefícios. Até porque, no presente caso, as penas definitivas foram fixadas em 9
anos e 4 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, e 231 dias-multa, e, após a implementação dos
efeitos da colaboração premiada, foram reduzidas para 4 anos de reclusão, em regime aberto, com a
substituição pelas penas alternativas de prestação de serviço à comunidade e limitação de final de semana.
Ou seja, foi operada em benefício da recorrente redução de mais da metade da pena e, inclusive,
acompanhada da atenuação per saltum do regime prisional: do fechado para o [Link]-se, por relevante,
que a derrogação da pena da recorrente, por conta da colaboração premiada, foi definida em patamar
superior ao implementado para o corréu C S: a pena daquela foi reduzida em aproximadamente 57,15% e a
deste em exatos 50% (e-STJ fls. 2139). (...). STJ. 5ª T., AgRg no REsp 1875477/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, j. 22/06/21.

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF Não configura o crime de lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº
9.613/98) a conduta do agente que recebe propina decorrente de corrupção passiva e tenta viajar com ele,
em voo doméstico, escondendo as notas de dinheiro nos bolsos do paletó, na cintura e dentro das meias.
Também não configura o crime de lavagem de dinheiro o fato de, após ter sido descoberto, dissimular
(“mentir”) a natureza, a origem e a propriedade dos valores. STF. 1ª Turma. Inq 3515/SP, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 8/10/2019 (Info 955).

#DEOLHONAJURIS#DIZERODIREITO#STF: Não se deve reconhecer a consunção entre corrupção passiva e


lavagem quando a propina é recebida no exterior por meio de transação envolvendo offshore na qual resta
evidente a intenção de ocultar os valores Eduardo Cunha foi condenado pelos crimes de corrupção passiva,
lavagem de dinheiro e evasão de divisas, por ter solicitado e recebido dinheiro de uma empresa privada para
interferir em um contrato com a Petrobrás. A propina teria sido acertada entre o indivíduo chamado “IC”,
proprietário da empresa beneficiada, e “JL”, ex-Diretor Internacional da Petrobrás. O pagamento foi realizado
mediante transferências para contas secretas no exterior. O STF entendeu que não se podia reconhecer a
consunção entre a corrupção passiva e a lavagem, considerando que não houve simples pagamento da
propina para interposta pessoa, mas sim pagamento mediante utilização de contas secretas no exterior em
nome de uma offshore, de um lado, e de um trust, de outro, e da realização de transação por meio da qual a

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propina foi depositada e ocultada em local seguro. Logo, ficou demonstrada da autonomia entre os delitos.
STF. 2ª Turma. HC 165036/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/4/2019 (Info 937)

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF Não configura o crime de lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº
9.613/98) a conduta do agente que recebe propina decorrente de corrupção passiva e tenta viajar com ele,
em voo doméstico, escondendo as notas de dinheiro nos bolsos do paletó, na cintura e dentro das meias.
Também não configura o crime de lavagem de dinheiro o fato de, após ter sido descoberto, dissimular
(“mentir”) a natureza, a origem e a propriedade dos valores. STF. 1ª Turma. Inq 3515/SP, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 8/10/2019 (Info 955).

CRIMES HEDIONDOS

LEI 8.072/90

Art. 5º, XLIII, CF: A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura,
o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.

• O Brasil adotou o sistema legal de definição dos crimes hediondos. Isso significa que é a lei quem define,
de forma exaustiva (taxativa, numerus clausus), quais são os crimes hediondos. Os crimes equiparados a
hediondos, por estarem previstos na Constituição, não podem deixar de ter natureza hedionda, o que
também ocorre com os delitos arrolados no art. 1º da Lei 8.072/90. No entanto, nada impede que o legislador
inclua novos crimes ao rol, passando a conferir-lhes tratamento hediondo.

#ATENÇÃO #OLHAOGANHO #LEP


A Lei nº 13.964/2019- Pacote anticrime, modificou as regras para o livramento condicional no caso de prática
de crimes hediondos com resultado morte:

É VEDADO O LIVRAMENTO CONDICIONAL na seguintes hipóteses:


• Primário + Crime Hediondo/Equiparado, com resultado morte; E
• Reincidente + crime hediondo/equiparado, com resultado morte.

SAÍDA TEMPORÁRIA
Art. 122... § 2º Não terá direito à SAÍDA TEMPORÁRIA a que se refere o caput deste artigo o condenado
que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte.”

#NÃOESQUECE Prisão temporária: O prazo da prisão temporária é de 30 dias + 30 dias, e não de 5 dias + 5
dias como para os demais crimes.

ROL DOS CRIMES HEDIONDOS

Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por
um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX); (Redação dada
pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência

#ATENÇÃO! A lei 14.344 incluiu o rol de crimes hediondos a nova modalidade de homicídio:
Homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência

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Pena - reclusão, de doze a trinta anos.


#ATENÇÃO! A inclusão do inciso VIII (com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido) no artigo
121, §2º do CP havia sido VETADA (porém, continuava sendo mencionado na lei de crimes Hediondos – o que
se considerava hipótese de erro material a ser corrigida). Contudo o Congresso acabou rejeitando o referido
veto, mantendo a redação do art. 121, §2º, VIII, do CP e, por consequência, a lei de crimes hediondos deixa
de contar com erro material. Não só restou verificada uma nova hipótese de homicídio qualificado, como se
firmou a compatibilidade da lei de crimes hediondos com o Código Penal.

I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão corporal seguida de morte (art.
129, § 3o), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função
ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em
razão dessa condição;

II - roubo:
a) circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso V);
b) circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego de arma de
fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B);
c) qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (art. 157, § 3º);

III - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art.
158, § 3º);

IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o);

V - estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º );

VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º , 3º e 4º );

VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o).

VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou


medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de
1998).

VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de


vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).

IX - furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art. 155,
§ 4º-A).

Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados:


I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956;
II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, e
22 de dezembro de 2003;
III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de
2003;
IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº
10.826, de 22 de dezembro de 2003;
V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado.(NR)

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OBS:
- O homicídio simples (art. 121, caput do CP) somente é hediondo em uma única hipótese: quando praticado
em atividade típica de grupo de extermínio.
- Na modalidade do roubo, antes do Pacote Anticrime (Lei 13.964/19), apenas o latrocínio (roubo com morte)
era considerado hediondo.
- Provocar a epidemia, por si só, não é crime hediondo. Para ser hediondo, é preciso que essa epidemia tenha
resultado em morte. Além disso a provocação da epidemia deve ser dolosa.
- O parágrafo único foi alterado pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/19). Antes, apenas constavam como
hediondos, fora do Código Penal, o genocídio e a posse ou o porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
- Agora, além do genocídio, três crimes do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) são hediondos: posse
ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido (art. 16), comércio ilegal (art. 17) e tráfico internacional (art.
18).
- Além disso, o Pacote Anticrime incluiu como hediondo um crime contra a paz pública: organização
criminosa (Lei 12.850/13), quando direcionada à prática de delito hediondo ou equiparado.

#DEOLHONATABELA
CRIME COMUM CRIME HEDIONDO (OU EQUIPARADO)
Em regra, admite fiança. NÃO admite fiança.
Admite liberdade provisória. Admite liberdade provisória (Pode ser concedida a
liberdade provisória sem fiança a crimes hediondos,
eventualmente com a imposição de cautelares
diversas da prisão.)
Admite a concessão de anistia, graça e indulto. NÃO admite a concessão de anistia, graça e indulto.
O prazo da prisão temporária, quando cabível, será O prazo da prisão temporária, quando cabíveI, será
de 5 dias, prorrogável por igual período. de 30 dias, prorrogável por igual período.
O regime inicial de cumprimento da pena pode ser O regime inicial de cumprimento da pena pode ser
fechado, semiaberto ou aberto. fechado, semiaberto ou aberto.
Admite a substituição da pena privativa de Admite a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos (art. 44). liberdade por restritiva de direitos (art. 44 do CP).
Admite a concessão de sursis, cumpridos os Admite a concessão de sursis, cumpridos os
requisitos do art. 77 do CP. requisitos do art. 77 do CP, salvo no caso do tráfico
de drogas por força do art. 44 da Lei nº
11.343/2006.
O réu pode apelar em liberdade, desde que a prisão O réu pode apelar em liberdade, desde que a prisão
não seja necessária. não seja necessária.
Para a concessão do livramento condicional, o Para a concessão do livramento condicional, o
apenado deverá cumprir 1/3 ou 1/2 da pena, a condenado não pode ser reincidente especifico em
depender do fato de ser ou não reincidente em crimes hediondos ou equiparados e terá que
crime doloso. cumprir mais de 2/3 da pena.
*Lembrando que, com o pacote anticrime, esse
benefício estará VEDADO para aqueles que
cometerem crime Hediondo/Equiparado, com
resultado morte.
Para que ocorra a progressão de regime, o Para que ocorra a progressão de regime, o
condenado deverá ter cumprido 1/6 da pena. condenado deverá ter cumprido: 2/5 da pena, se for
primário; e 3/5 (três quintos), se for reincidente.
*Após a Lei nº 13.964/2019:
40% Primário + Crime Hediondo/Equiparado.
50% Primário + Crime Hediondo/Equiparado, com

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resultado morte, VEDADO O LIVRAMENTO


CONDICIONAL.
50% Exercer o comando, individual ou coletivo, de
organização criminosa estruturada para a prática de
crime hediondo ou equiparado.
50% Crime de constituição de milícia privada.
60% Reincidente + crime hediondo/equiparado.
70% Reincidente + crime hediondo/equiparado,
com resultado morte, VEDADO O LIVRAMENTO
CONDICIONAL.
A pena do art. 288 do CP (associação criminosa) é pena do art. 288 do CP (associação criminosa) será
de 1 a 3 anos. de 3 a 6 anos quando a associação for para a prática
de crimes hediondos ou equiparados.

INDULTO:

A concessão do indulto também será vedada aos crimes hediondos, embora não haja previsão no texto
constitucional?
Prevalece o entendimento de que a graça deve ser interpretada extensivamente no texto constitucional, já
que o indulto é a clemência concedida a um grupo indeterminado de indivíduos, ao passo que a graça é o
chamado "indulto individual". Como dito, indulto como gênero da graça.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou sobre a constitucionalidade do art. 2º, I da Lei 8.072/90,
de maneira que são vedados a anistia, a graça e o indulto para os crimes hediondos ou equiparados, embora
o indulto não esteja expressamente mencionado no texto constitucional.

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o
terrorismo são insuscetíveis de:
I - Anistia, graça e indulto;

A comutação de pena (diminuição ou indulto parcial) também é inadmissível nos crimes hediondos e
equiparados.

CRIME DE TORTURA (CRIME EQUIPARADO A HEDIONDO)


Em relação ao crime de tortura (crime equiparado a hediondo): o artigo 1º, § 6º da Lei 9.455/97 também
veda a graça e a anistia, nada mencionando expressamente sobre o indulto. O STF entende, igualmente, que
o indulto é vedado à tortura, assim como aos demais delitos equiparados.
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

CRIMES DE PRECONCEITO

LEI 7716/89

#NÃOESQUECE Os crimes previstos nessa lei são INAFIANÇÁVEIS E IMPRESCRITÍVEIS.

#ATENÇÃO #DEOLHONAJURIS #SAINDODOFORNO


O STJ já tinha entendimento de que o crime de INJÚRIA RACIAL seria modalidade de racismo, e, portanto, a
ele seriam aplicáveis as restrições desse crime, tornando-se imprescritível e inafiançável.
No entanto, recentemente, no HC 154.248, o STF, através do plenário, se alinhou à posição do STJ e decidiu
que o crime de INJÚRIA RACIAL É IMPRESCRITÍVEL.
De acordo com Alexandre de Moraes, a Constituição considera inafiançável e imprescritível a prática do

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racismo, não apenas de um tipo penal nomeado "racismo". E isso vale tanto para o crime da Lei 7.716/1989
quanto para a injúria racial.

ADO 26 e MI 4733: STF reconheceu que atos decorrentes de HOMOFOBIA e TRANSFOBIA estão
compreendidos na lei 7716/89.
Ou seja, preconceitos relacionados a identidade de gênero e orientação sexual também estão incluídos na
Lei do Racismo. O STF deu interpretação conforme à Constituição aos incisos XLI e XLII do art. 5º da CF,
enquadrando a homofobia e a transfobia nos diversos tipos penais definidos na lei 7716, até que sobrevenha
legislação autônoma, editada pelo Congresso Nacional por 2 motivos:
1) Práticas homotransfóbicas qualificam-se como espécies do gênero racismo, na medida em que tais
condutas importam em atos de segregação que inferiorizam membros integrantes do grupo LGBT, em razão
de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero;
2) Tais comportamentos de homotransfobia, ajustam-se ao conceito de atos de discriminação e de ofensa a
direitos e liberdades fundamentais daqueles que compõem o grupo vulnerável em questão
ATENÇÃO: tem posição que entende que isso viola o princípio da reserva legal.
Ação Direta de inconstitucionalidade por Omissão (ADO) nº 26, atente-se:
1. Até que o Congresso Nacional edite lei específica, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou
supostas, se enquadram nos crimes previstos na Lei nº 7.716/1989.
2. O exercício da liberdade religiosa pode caracterizar a prática de homotransfobia caso venha a configurar
discurso de ódio.
3. O conceito de racismo ultrapassa aspectos estritamente biológicos ou fenotípicos e alcança
comportamentos de negação da dignidade e da humanidade daqueles que integram os grupos vulneráveis
vítimas da homotransfobia.
4. É típica a conduta de quem, por homofobia ou transfobia, recusa ou impede acesso a estabelecimento
comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.

#OLHAOGANCHO #ATENÇÃO #NOMENCLATURA


APOROFOBIA: intolerância e hostilidade contra pessoas pobres, a exemplo da discriminação contra
moradores de rua. Esta fobia NÃO ESTÁ abrangida pela lei 7716/89, podendo configurar crimes previstos no
CP – crime contra honra, por exemplo.

Procedência nacional: origem nacional ou regional. Logo, XENOFOBIA É RACISMO

CRIMES DE PRECONCEITO X TORTURA (PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE)

Se o dolo do agente for causar sofrimento físico ou mental na vítima, por meio de violência ou grave ameaça,
movido por motivo de discriminação racial ou religiosa, a sua conduta estará tipificada na lei de tortura, e
não na lei ora comentada, haja vista o princípio da especialidade.

CRIMES DE PRECONCEITO X INJÚRIA PRECONCEITO

CRIME DE PRECONCEITO INJÚRIA PRECONCEITUOSA


Bem jurídico: dignidade humana Bem jurídico: honra subjetiva
Crime de ação pena pública incondicionada Crime de ação penal pública condicionada a
representação
Crime inafiançável e imprescritível Crime Inafiançável e IMPRESCRITÍVEL
Raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional Raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de
pessoa idosa ou portadora de deficiência

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O dolo do agente é fazer a distinção da pessoa O dolo do agente é ofender pessoa determinada,
justamente em razão de sua raça, cor, etnia, emitindo conceitos depreciativos, qualidades
religião ou procedência da vítima nacional, sem negativas.
emitir qualquer conceito depreciativo. É segregar.
INTENÇÃO DE OFENDER A COLETIVIDADE de Intenção de ofender SUJEITO PASSIVO
determinada raça, cor, etnia... DETERMINADO.

#DEOLHONAJURIS

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: 1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional
destinada a implementar os mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da
Constituição da República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão
odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo,
compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação
típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, constituindo,
também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código
Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”); 2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe
ou limita o exercício da liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos
fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes ou celebrantes das
religiões afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela
palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar suas convicções de
acordo com o que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua
orientação doutrinária e/ou teológica, podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e
respectiva liturgia, independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva,
desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações
que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual
ou de sua identidade de gênero; 3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-
se para além de aspectos estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de
poder, de uma construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e
destinada ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da
dignidade e da humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem
ao estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos
e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de
odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do sistema
geral de proteção do direito. STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgados em em 13/6/2019 (Info 944). #IMPORTANTE

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: O então Deputado Federal Jair Bolsonaro proferiu palestra no
auditório de determinado clube e ali fez críticas e comentários negativos a respeito dos quilombolas e de
povos estrangeiros. No trecho mais questionado de sua palestra, ele afirmou: “Eu fui em um quilombola em
El Dourado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que
nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles. Recebem cesta
básica e mais material em implementos agrícolas. Você vai em El Dourado Paulista, você compra arame
farpado, você compra enxada, pá, picareta por metade do preço vendido em outra cidade vizinha. Por que?
Porque eles revendem tudo baratinho lá. Não querem nada com nada.” O STF entendeu que a conduta de
Bolsonaro não configurou o crime de racismo (art. 20 da Lei nº 7.716/89). As palavras por ele proferidas estão
dentro da liberdade de expressão prevista no art. 5º, IV, da CF/88, além de também estarem cobertas pela
imunidade parlamentar (art. 53 da CF/88). O objetivo de seu discurso não foi o de repressão, dominação,
supressão ou eliminação dos quilombolas ou dos estrangeiros. O pronunciamento do parlamentar estava

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vinculado ao contexto de demarcação e proveito econômico das terras e configuram manifestação política
que não extrapola os limites da liberdade de expressão. Além disso, as manifestações de Bolsonaro estavam
relacionadas com a sua função de parlamentar. Inclusive, o convite para a palestra se deu em razão do
exercício do cargo de Deputado Federal a fim de dar a sua visão geopolítica e econômica do País. Assim, havia
uma vinculação das manifestações apresentadas na palestra com os seu pronunciamentos na Câmara dos
Deputados, de sorte que incide a imunidade parlamentar. STF. 1ª Turma. Inq 4694/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode configurar o crime de racismo.
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida
pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. Assim, é possível, a depender do caso
concreto, que um líder religioso seja condenado pelo crime de racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/89) por
ter proferido discursos de ódio público contra outras denominações religiosas e seus seguidores. STF. 2ª
Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893).
Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).

LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE

LEI 13.869/19

A antiga Lei de Abuso de Autoridade foi revogada pela Nova, Lei nº 13.869/2019.

Veremos rapidamente pontos importantes:

CRIMES PRÓPRIOS

Os crimes previstos na Lei nº 13.869/2019 são próprios, ou seja, só podem ser praticados por “agentes
públicos”, nos termos do art. 2º.
No entanto, apesar de serem crimes próprios, será possível a coautoria e a participação. Isso porque a
qualidade de “agente público”, por ser elementar do tipo, comunica-se aos demais agentes, nos termos do
art. 30 do Código Penal, desde que eles tenham conhecimento dessa condição pessoal do autor.

SUJEITO ATIVO

É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade...


- qualquer agente público,
- seja servidor público ou não,
- da administração direta, indireta ou fundacional
- de qualquer dos Poderes
- da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território.

CONCEITO DE AGENTE PÚBLICO

Reputa-se agente público, para os efeitos da Lei de abuso de autoridade:


- todo aquele que exerce,
- ainda que transitoriamente ou sem remuneração,
- por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo,
- mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade da Administração Pública direta, indireta ou
fundacional, de qualquer dos Poderes, em todas as esferas.

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ELEMENTO SUBJETIVO ESPECIAL

O agente só comete crime de abuso de autoridade se:

1) ao praticar a conduta tinha a finalidade específica de:

• prejudicar alguém; ou
• beneficiar a si mesmo ou a terceiro; OU

2) tiver praticado a conduta por mero capricho ou satisfação pessoal.

#ATENÇÃO para esses dispositivos:

Art. 1º § 2º A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso
de autoridade.

Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada.
§ 1º Será admitida ação privada se a ação penal pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao
Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos
do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte principal.

São efeitos da condenação:


I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do
ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando
os prejuízos por ele sofridos;
II - a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco)
anos;
III - a perda do cargo, do mandato ou da função pública.

Os efeitos previstos nos incisos II e III:


• são condicionados à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e
• devem ser declarados motivadamente na sentença (não são automáticos).

Penas restritivas de direitos


As penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de liberdade previstas na Lei são:
I - prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas;
II - suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de 1 (um) a 6 (seis) meses, com
a perda dos vencimentos e das vantagens;

Obs: as penas restritivas de direitos podem ser aplicadas autônoma ou cumulativamente.

Art. 9º Decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judiciária que, dentro de prazo razoável, deixar de:
I - relaxar a prisão manifestamente ilegal;
II - substituir a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conceder liberdade provisória,
quando manifestamente cabível;
III - deferir liminar ou ordem de habeas corpus, quando manifestamente cabível.

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#ATENÇÃODELTA

Alguns dispositivos da lei são crimes que podem ser cometidos pelo delegado de polícia, destacaremos alguns
#SELIGA

Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:
I - deixa de comunicar, imediatamente, a execução de prisão temporária ou preventiva à autoridade judiciária
que a decretou;
II - deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família
ou à pessoa por ela indicada;
III - deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela
autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das testemunhas;
IV - prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de prisão preventiva, de
medida de segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de executar o alvará
de soltura imediatamente após recebido ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial
ou legal.

Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou quando
deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por interrogatório em sede de
procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa
identidade, cargo ou função.

Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao
termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal,
civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a
diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

ESTATUTO DO DESARMAMENTO

LEI 10.826/03

Posse irregular de arma de fogo de uso permitido


Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou,
ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa:
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Omissão de cautela
Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou
pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de
sua propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

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Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de
segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia
Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam
sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido


Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver
registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1)

#PACOTEANTICRIME:
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

§ 1º Nas mesmas penas incorre quem: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso
proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito
ou juiz;
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar;
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer
outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado;
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou
explosivo a criança ou adolescente; e
VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou
explosivo.

§ 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo envolverem arma de fogo de uso proibido, a
pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

#DEOLHONAJURIS

#APOSTACICLOS #SAINDODOFORNO É atípica a conduta de colecionador, com registro para a prática


desportiva e guia de tráfego, que se dirigia ao clube de tiros sem portar consigo a guia de trânsito da arma
de fogo. REsp 1.339.817-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11/10/2022.
(Info 753 - STJ)

A apreensão de ínfima quantidade de munição desacompanhada da arma de fogo não implica, por si só, a
atipicidade da conduta. O simples fato de os cartuchos apreendidos estarem desacompanhados da respectiva
arma de fogo não implica, por si só, a atipicidade da conduta, de maneira que as peculiaridades do caso
concreto devem ser analisadas a fim de se aferir:

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a) a mínima ofensividade da conduta do agente;


b) a ausência de periculosidade social da ação;
c) o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e
d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada.
No caso concreto, embora o réu tenha sido preso com apenas uma munição de uso restrito,
desacompanhada de arma de fogo, ele foi também condenado pela prática dos crimes descritos nos arts. 33
e 35, da Lei nº 11.343/2006 (tráfico de drogas e associação para o tráfico), o que afasta o reconhecimento
da atipicidade da conduta, por não estarem demonstradas a mínima ofensividade da ação e a ausência de
periculosidade social exigidas para tal finalidade. STJ. 3ª Seção. EREsp 1856980-SC, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 22/09/2021 (Info 710).

Não se reconhece a incidência excepcional do princípio da insignificância ao crime de posse ou porte ilegal
de munição, quando acompanhado de outros delitos, tais como o tráfico de drogas. STF. 1ª Turma. HC 206977
AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/12/2021.

O crime de porte de arma de fogo, na modalidade transportar, admite participação. O crime de porte de
arma de fogo, seja de uso permitido ou restrito, na modalidade transportar, admite participação. STJ. 6ª
Turma. REsp 1887992-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 07/12/2021 (Info 721).

Todos os integrantes das guardas municipais possuem direito a porte de arma de fogo, em serviço ou mesmo
fora de serviço, independentemente do número de habitantes do Município. O art. 6º, III e IV, da Lei nº
10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento) somente previa porte de arma de fogo para os guardas municipais
das capitais e dos Municípios com maior número de habitantes. Assim, os integrantes das guardas municipais
dos pequenos Municípios (em termos populacionais) não tinham direito ao porte de arma de fogo.
O STF considerou que esse critério escolhido pela lei é inconstitucional porque os índices de criminalidade
não estão necessariamente relacionados com o número de habitantes.
Assim, é inconstitucional a restrição do porte de arma de fogo aos integrantes de guardas municipais das
capitais dos estados e dos municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes e de guardas
municipais dos municípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil)
habitantes, quando em serviço.
Com a decisão do STF todos os integrantes das guardas municipais possuem direito a porte de arma de fogo,
em serviço ou mesmo fora de serviço. Não interessa o número de habitantes do Município.
STF. Plenário. ADC 38/DF, ADI 5538/DF e ADI 5948/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em
27/2/2021 (Info 1007).

Depois da Lei nº 13.497/2017, é possível afirmar que o antigo parágrafo único (atual § 1º) do art. 16 do
Estatuto do Desarmamento também passou a ser crime hediondo? Depois da Lei nº 13.497/2017, é possível
afirmar que o antigo parágrafo único (atual § 1º) do art. 16 do Estatuto do Desarmamento também passou a
ser crime hediondo?
5ª Turma do STJ: SIM. Tanto o caput como o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 10.826/2003 são crimes
hediondos.
O art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 8.072/90 (com a redação dada pela Lei nº 13.497/2017) não restringe a
sua aplicação apenas ao caput do art. 16 da Lei nº 10.826/2003. Portanto, é possível concluir que a alteração
legislativa trazida pela Lei nº 13.497/2017 alcança todas as condutas descritas no art. 16 do Estatuto do
Desarmamento, inclusive as figuras equiparadas, previstas no parágrafo único do mesmo dispositivo legal.
STJ. 5ª Turma. HC 624.903/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/12/2020.

6ª Turma do STJ: NÃO


A 6ª Turma alterou seu entendimento anterior e instaurou divergência, passando a decidir que apenas o
caput do art. 16 seria crime hediondo.

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A Lei nº 13.497/2017 equiparou a hediondo apenas o crime do caput do art. 16 da Lei nº 10.826/2003, não
abrangendo as condutas equiparadas previstas no seu parágrafo único.
Assim, o crime de posse ou porte de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer
outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado não integra o rol dos crimes hediondos.
STJ. 6ª Turma. HC 525249-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 15/12/2020 (Info 684).
• Antes da Lei 13.497/2017: o art. 16 do Estatuto do Desarmamento não era crime hediondo.
• Depois da Lei 13.497/2017: divergência. 5ª Turma do STJ: tanto o caput como o parágrafo único do art. 16
são crimes hediondos. 6ª Turma do STJ: somente o caput do art. 16 é crime hediondo.
• Depois da Lei 13.964/2019: somente é hediondo o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
PROIBIDO, previsto no § 2º do art. 16. Não abrange mais os crimes posse ou porte de arma de fogo de uso
restrito.

Caracteriza ilícito penal o porte ilegal de arma de fogo (art. 14 da Lei 10.826/2003) ou de arma de fogo de
uso restrito (art. 16 da Lei 10.826/2003) com registro de cautela vencido. A Corte Especial do STJ decidiu que,
uma vez realizado o registro da arma, o vencimento da autorização não caracteriza ilícito penal, mas mera
irregularidade administrativa que autoriza a apreensão do artefato e aplicação de multa (APn n. 686/AP, Rel.
Min. João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 29/10/2015).
Tal entendimento, todavia, é restrito ao delito de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 12 da
Lei nº 10.826/2003), não se aplicando ao crime de porte ilegal de arma de fogo (art. 14), muito menos ao
delito de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art. 16), cujas elementares são diversas e a
reprovabilidade mais intensa.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 885281-ES, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 28/04/2020 (Info
671).

LEI DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA

DADOS TELEFÔNICOS X INTERCEPTAÇÃO

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA QUEBRA DO SIGILO DE DADOS TELEFÔNICOS


Registros documentados, com data da chamada,
Conhecimento do conteúdo da conversa horário da ligação, duração, número de
telefone, etc.
Momento atual (está ocorrendo) Momento anterior (as chamadas já ocorreram)
Está submetida à CLÁUSULA DA RESERVA DE NÃO ESTÁ SUBMETIDA À CLÁUSULA DA RESERVA
JURISDIÇÃO: apenas deve haver determinação DE JURISDIÇÃO: além do juiz, CPI’s também
judicial. podem determinar a quebra do sigilo de dados
telefônicos.
Deve haver decisão fundamentada Deve haver decisão fundamentada

INTERCEPTAÇÃO X ESCUTA X GRAVAÇÃO

#DIRETODAFUC

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INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ESCUTA TELEFÔNICA GRAVAÇÃO TELEFÔNICA


Ocorre quando o diálogo
telefônico travado entre duas
pessoas é gravado por um dos
Ocorre quando um terceiro capta Ocorre quando um terceiro próprios interlocutores, sem o
o diálogo telefônico travado capta consentimento ou a ciência
entre o diálogo telefônico travado do outro. Também é chamada
duas pessoas, sem que nenhum entre de gravação clandestina (obs.:
dos interlocutores saiba. duas pessoas, sendo que um dos a palavra “clandestina” está
interlocutores sabe que está empregada não na acepção
sendo realizada a escuta. de “ilícito”, mas sim no
sentido de “feito às ocultas”).
Ex.: polícia, com autorização Ex.: polícia grava a conversa Ex.: mulher grava a conversa
judicial, grampeia os telefônica que o pai mantém telefônica no qual o ex-
telefones dos com o sequestrador de seu marido ameaça matá-la.
membros de uma quadrilha e filho.
grava os diálogos mantidos
entre eles.
Para que a interceptação seja Para que seja realizada é Antes do advento do Pacote
válida é indispensável a indispensável a autorização Anticrime, prevalecia o
autorização judicial. judicial (posição majoritária). entendimento de que em
regra, a gravação ambiental,
realizada por um dos
interlocutores, prescindia de
autorização judicial. A Lei nº
13.964/2019 inseriu o art. 8º-
A na Lei nº 9.296/96
exigindo, de forma genérica,
a prévia autorização judicial
para a captação ambiental

#ATENÇÃO
Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das
seguintes

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hipóteses:

I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal;


II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.

Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação,
inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente
justificada.

De acordo com o seu art. 5º a INTERCEPTAÇÃO NÃO PODERÁ EXCEDER O PRAZO DE QUINZE DIAS,
RENOVÁVEL por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova.

Segundo a jurisprudência, esse prazo de 15 dias pode ser renovado quantas vezes preciso e será CONTADO
A PARTIR DA EFETIVA IMPLEMENTAÇÃO DA MEDIDA, e não da respectiva decisão.

OBS: É legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito punido com
detenção, se conexo com outro crime apenado com reclusão.

CAPTAÇÃO AMBIENTAL

A Lei nº 13.964/2019 inseriu o art. 8º-A na Lei nº 9.296/96 exigindo, de forma genérica, a prévia autorização
judicial para a captação ambiental:
Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da
autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou
acústicos, quando:
I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e
II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas.
§ 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo
de captação ambiental. (Incluído pela Lei 13.964/2019)

§ 2º. A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio
de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do
art. 5º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei 13.964/2019).

§ 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por
iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal
permanente, habitual ou continuada. (Incluído pela Lei 13.964/2019).

§ 4º. A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial
ou do Ministério Público PODERÁ SER UTILIZADA, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade
da gravação. (Incluído pela Lei 13.964/2019).

§ 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação específica para a


interceptação telefônica e telemática.

#ATENÇÃO

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Vale ressaltar, contudo, que continua sendo desnecessária a autorização judicial em caso de captação
ambiental realizada por um dos interlocutores. A Lei acolheu a interpretação da jurisprudência e foi inserido
o art. 10-A, § 1º na Lei nº 9.296/96, com a seguinte redação:
Art. 10-A (...)
§ 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores.

#DEOLHONAJURIS É lícita a gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento do
outro As inovações do Pacote Anticrime na Lei n. 9.296/1996 não alteraram o entendimento de que é lícita
a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro.
STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).

SERENDIPIDADE

a) Serendipidade de 1º grau: é a descoberta fortuita de provas quando houver conexão ou continência. Para
a doutrina e jurisprudência majoritária, os elementos encontrados poderão ser utilizados totalmente como
prova.

b) Serendipidade de 2ª grau: é a descoberta fortuita de provas quando NÃO houver conexão ou continência,
razão pela qual os elementos de prova não poderiam ser utilizados no novo crime ou em relação a outro
criminoso em tais circunstâncias. No máximo, poderiam servir como notitia criminis.

#OLHAOGANCHO De acordo com o a jurisprudência do STJ, seria possível aplicação do fenômeno da


descoberta inevitável no que tange às interceptações telefônicas – vale dizer, se seria obtida de qualquer
forma, no curso normal das investigações.

INTERCEPTAÇÃO E WHATSAPP

• Polícia acessa o WhatsApp do investigado sem autorização judicial ou do réu, mesmo que preso em
flagrante: PROVA ILÍCITA.

• Polícia, com autorização de busca e apreensão, apreende celular do investigado. Em seguida, mesmo sem
nova autorização judicial, acessa o WhatsApp: PROVA VÁLIDA.

• Polícia acessa o WhatsApp da vítima morta, com autorização do cônjuge do falecido, mas sem autorização
judicial: PROVA VÁLIDA.

Lembrando que o registro das ligações/agenda telefônicas é permitido, pois não tem acesso ao conteúdo em
si, somente aos registros telefônicos.

#ATENÇÃO para os julgados sobre interceptação e whatsapp.

É nula decisão judicial que autoriza o espelhamento do WhatsApp via Código QR para acesso no WhatsApp
Web. Também são nulas todas as provas e atos que dela diretamente dependam ou sejam consequência,
ressalvadas eventuais fontes independentes. Não é possível aplicar a analogia entre o instituto da
interceptação telefônica e o espelhamento, por meio do WhatsApp Web, das conversas realizadas pelo
aplicativo WhatsApp. STJ. 6ª Turma. RHC 99735-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial para a apreensão
de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas pelo sigilo telefônico, que

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compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de símbolos, caracteres, sinais, escritos,


imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por meio de telefonia fixa ou móvel ou, ainda, por meio
de sistemas de informática e telemática. STJ. 5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
20/10/2016 (Info 593).

Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e de
conversas registradas no whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o
aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ. 6ª Turma. RHC 51531-RO, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583). Cuidado para não confundir:
Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, na
hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade
policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma. RHC 86076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617).

A Lei nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do serviço telefônico ou do fluxo da comunicação telemática
mantida pelo usuário, tampouco a substituição do investigado e titular da linha por agente indicado pela
autoridade policial. STJ. 6ª Turma. REsp 1806792-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/05/2021 (Info 696).

Caso concreto: o juiz expediu ordem para que o WhatsApp interceptasse as mensagens trocadas por
determinados investigados, suspeitos de integrarem uma organização criminosa que estariam ainda
praticando crimes. O WhatsApp respondeu que não consegue cumprir a determinação judicial por
impedimentos de ordem técnica. Isso porque as mensagens trocadas via aplicativo são criptografadas de
ponta a ponta. O magistrado não concordou com o argumento e aplicou multa contra a empresa. Segundo a
opinião dos especialistas, realmente não é possível a interceptação de mensagens criptografadas do
WhatsApp devido à adoção de criptografia forte pelo aplicativo. Ao utilizar a criptografia de ponta a ponta, a
empresa está criando um mecanismo de proteção à liberdade de expressão e de comunicação privada,
garantia reconhecida expressamente na Constituição Federal (art. 5º, IX). A criptografia é, portanto, um meio
de se assegurar a proteção de direitos que, em uma sociedade democrática, são essenciais para a vida
pública. A criptografia protege os direitos dos usuários da internet, garantindo a privacidade de suas
comunicações. Logo, é do interesse do Estado brasileiro encorajar as empresas e as pessoas a utilizarem a
criptografia e manter o ambiente digital com a maior segurança possível para os usuários. Existe, contudo,
uma ponderação a ser feita: em alguns casos a criptografia é utilizada para acobertar a prática de crimes,
como, por exemplo, os casos de pornografia infantil e de condutas antidemocráticas, como manifestações
xenófobas, racistas e intolerantes, que ameaçam o Estado de Direito. A partir daí, indaga-se: o risco à
segurança pública representado pelo uso da criptografia justifica restringir ou proibir a sua adoção pelas
empresas? O tema está sendo apreciado pelo STF na ADPF 403 e na ADI 5527, que foi iniciado com os votos
dos Ministros Edson Fachin e Rosa Weber, tendo sido suspenso em razão de pedido de vista. Apesar de o
julgamento dessas ações constitucionais ainda não ter sido concluído, a 3ª Seção do STJ, em harmonia com
os votos já proferidos pelos Ministros do STF, chegou à conclusão de que: O ordenamento jurídico brasileiro
não autoriza, em detrimento da proteção gerada pela criptografia de ponta a ponta, em benefício da
liberdade de expressão e do direito à intimidade, sejam os desenvolvedores da tecnologia multados por
descumprirem ordem judicial incompatível com encriptação. Os benefícios advindos da criptografia de ponta
a ponta se sobrepõem às eventuais perdas pela impossibilidade de se coletar os dados das conversas dos
usuários da tecnologia. Diante disso, o recurso foi provido para afastar a multa aplicada pelo magistrado ante
a impossibilidade fática, no caso concreto, de cumprimento da ordem judicial, haja vista o emprego da
criptografia de ponta-a-ponta. STJ. 3ª Seção. RMS 60531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 09/12/2020 (Info 684).

Determinada pessoa entregou à Polícia prints de conversas registradas no WhatsApp Web. Tais conversas
demonstravam a ocorrência de crimes contra a Administração Pública. Vale ressaltar que esses prints foram

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feitos por um dos integrantes do grupo do aplicativo, ou seja, os prints foram tirados por um dos
interlocutores da conversa. Mesmo assim, o STJ considerou ilícita essa prova. Isso porque, para o STJ, é
inválida a prova obtida pelo WhatsApp Web, tendo em vista que nessa ferramenta “é possível, com total
liberdade, o envio de novas mensagens e a exclusão de mensagens antigas (registradas antes do
emparelhamento) ou recentes (registradas após), tenham elas sido enviadas pelo usuário, tenham elas sido
recebidas de algum contato. Eventual exclusão de mensagem enviada (na opção "Apagar somente para
Mim") ou de mensagem recebida (em qualquer caso) não deixa absolutamente nenhum vestígio, seja no
aplicativo, seja no computador emparelhado, e, por conseguinte, não pode jamais ser recuperada para
efeitos de prova em processo penal, tendo em vista que a própria empresa disponibilizadora do serviço, em
razão da tecnologia de encriptação ponta-a-ponta, não armazena em nenhum servidor o conteúdo das
conversas dos usuários” (STJ. 6ª Turma. RHC 99.735/SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/11/2018). Assim,
a pessoa que tirou os prints poderia, em tese, ter manipulado as conversas, de maneira não há segurança
para se utilizar como prova. Diante disso, o STJ declarou nulas as mensagens obtidas por meio do print screen
da tela da ferramenta WhatsApp Web, determinando-se o desentranhamento delas dos autos, mantendo-
se as demais provas produzidas após as diligências prévias da polícia realizadas em razão da notícia anônima
dos crimes. STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC 133.430/PE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 23/02/2021.

Caso concreto: a Polícia Penal, durante procedimento de revista em uma das galerias do presídio, encontrou
dois aparelhos celulares, “um escondido embaixo da escadaria próxima a porta do solário e outro em um vão
aberto devido a corrosão no batente da ducha”. Como não foi localizado, naquele momento, o segregado,
que usava e tinha a posse de um desses objetos, os agentes acessaram o conteúdo ali existente, ocasião em
que foram encontrados dados do preso WhatsApp e no Facebook instalados no referido aparelho.
Identificado o preso, o Juízo das Execuções Penais, na audiência de justificação, homologou a falta disciplinar
de natureza grave e revogou parte dos dias remidos. A atuação da Polícia Penal e do Poder Judiciário foi
legítima, não havendo ilicitude da prova obtida por meio do acesso ao aparelho celular. Em regra, é ilícita a
prova obtida diretamente dos dados constantes de aparelho celular, sem prévia autorização judicial. O
mencionado entendimento, todavia, deve ser distinguido da situação apresentada no caso concreto. Os
julgados do STJ que afirmam a nulidade tratam de aparelhos celulares apreendidos fora de estabelecimentos
prisionais. O caso concreto se refere à hipótese em que o aparelho é encontrado dentro do presídio, em
situação de explícita violação às normas jurídicas que regem a execução penal. Os direitos e garantias
individuais não têm caráter absoluto, sendo possível a existência de limitações de ordem jurídica. Os arts.
3º, 38 e 46, todos da LEP, representam hipóteses de restrição legal aos direitos individuais dos presos. Nesse
cenário, uma das consequências da imposição da prisão - penal ou processual - é a proibição da comunicação
do recluso com o ambiente externo por meios diversos daqueles permitidos pela lei. Para garantir a
observância dessa restrição foram editadas diversas normas que têm por objetivo coibir o acesso do
segregado a aparelhos telefônicos, de rádio ou similares. Conforme previsto no art. 41, inciso XV, da LEP, o
contato do preso com o mundo exterior é autorizado por meio de correspondência escrita, da leitura e de
outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. Mesmo no caso de
comunicação por intermédio de correspondência escrita, permitida legalmente, o STF firmou jurisprudência
no sentido de que, diante da inexistência de liberdades individuais absolutas, é possível que a Administração
Penitenciária, sem prévia autorização judicial, acesse o seu conteúdo quando houver inequívoca suspeita de
sua utilização como meio para a preparação ou a prática de ilícitos. A necessidade de se resguardar a
segurança, a ordem pública e a disciplina prisional, segundo a Corte Suprema, prevalece sobre a reserva
constitucional de jurisdição.
Nessa conjuntura, se é prescindível decisão judicial para a análise do conteúdo de correspondência a fim de
preservar interesses sociais e garantir a disciplina prisional, com mais razão se revela legítimo, para a mesma
finalidade, o acesso dos dados e comunicações constantes em aparelhos celulares encontrados ilicitamente
dentro do estabelecimento penal, pois a posse, o uso e o fornecimento do citado objeto são expressamente
proibidos pelo ordenamento jurídico.
Tratando-se de ilicitude manifesta e incontestável, não há direito ao sigilo e, por consequência, inexiste a

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possibilidade de invocar a proteção constitucional prevista no art. 5º, inciso XII, da Carta da República. Por
certo, os direitos fundamentais não podem ser utilizados para a salvaguarda de práticas ilícitas, não sendo
razoável pretender proteger aquele que age em notória desconformidade com as normas de regência.
STJ. 6ª Turma. HC 546.830/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/03/2021.

#DEOLHONAJURIS

A conversão do conteúdo das interceptações telefônicas em formato escolhido pela defesa não é ônus
atribuído ao Estado. Caso concreto: o juízo disponibilizou acesso integral aos arquivos digitais com os áudios
das interceptações telefônicas. Ocorre que a defesa pediu para ter acesso aos arquivos do sistema Vigia,
software utilizado pelas companhias de telefonia para viabilizar os procedimentos de interceptação
telefônica autorizados pela Justiça no curso de investigações criminais.
O pedido se fundou em alegada quebra de cadeia de custódia da prova, cuja comprovação, segundo a defesa,
depende de acesso aos dados armazenados pelas operadoras de telefonia no mencionado sistema.
A Lei nº 9.296/96 exige apenas que se confira às partes acesso aos diálogos interceptados.
No caso concreto, os elementos de prova estão disponíveis para a defesa, de maneira que não se pode falar
em vício por ser um formato de arquivo preferível a outro. A disponibilização dos arquivos com os diálogos
interceptados supre a demanda da defesa quanto ao acesso do conteúdo das interceptações, em observância
às garantias constitucionais no âmbito do processo penal democrático, não sendo viável a imposição de ônus
ao Estado quanto à conversão dos arquivos digitais contendo os elementos de prova para o formato mais
conveniente para a defesa.
O reconhecimento do vício depende de demonstração concreta do prejuízo suportado pela parte, o que não
ocorreu no caso sob exame.
A alegação de quebra de cadeia de custódia é feita de forma genérica e, portanto, não traz elementos que
permitam vislumbrar qualquer ocorrência que comprometa a idoneidade das provas. STJ. 5ª Turma. AgRg no
RHC 155813-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 15/02/2022 (Info 731).

#DEOLHONAJURIS: É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a habilitação de chip da autoridade policial
em substituição ao do investigado titular da linha. A Lei nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do serviço
telefônico ou do fluxo da comunicação telemática mantida pelo usuário, tampouco a substituição do
investigado e titular da linha por agente indicado pela autoridade policial. STJ. 6ª Turma. REsp 1.806.792-SP,
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/05/2021 (Info 696).

#DEOLHONAJURIS: Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como
interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por diligências investigativas
posteriores. Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia deve,
antes de representar pela expedição de mandado de busca e apreensão, proceder a diligências veladas no
intuito de reunir e documentar outras evidências que confirmem, indiciariamente, a notícia. Se confirmadas,
com base nesses novos elementos de informação o juiz deferirá o pedido. Se não confirmadas, não será
possível violar o domicílio, sendo a expedição do mandado desautorizada pela ausência de justa causa. O
mandado de busca e apreensão expedido exclusivamente com apoio em denúncia anônima é abusivo. STF.
2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info 976).

#ATENÇÃO #DEOLHONAJURIS É válida a decisão judicial que se utiliza de fundamentação per relationem
para decretar a interceptação telefônica? ADMITE-SE O USO DA MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM para justificar
a quebra do sigilo das comunicações telefônicas. No entanto, as decisões que deferem a interceptação
telefônica e respectiva prorrogação devem prever, expressamente, os fundamentos da representação que
deram suporte à decisão - o que constituiria meio apto a promover a formal incorporação, ao ato decisório,
da motivação reportada como razão de decidir - sob pena de ausência de fundamento idôneo para deferir a

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medida cautelar. STJ. 6ª Turma. HC 654.131-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/11/2021 (Info
723).

#DEOLHONAJURIS É dever do Estado a disponibilização da integralidade das conversas advindas nos autos
de forma emprestada, sendo inadmissível a seleção pelas autoridades de persecução de partes dos áudios
interceptados
Situação concreta: durante uma investigação para apurar tráfico de drogas, o juiz da vara criminal decretou
a interceptação telefônica dos suspeitos. Durante os diálogos, constatou-se a participação de um militar. O
militar foi, então, denunciado na Justiça Militar. Os diálogos interceptados foram juntados aos autos do
processo penal militar como prova emprestada, oriundos da vara criminal. Ocorre que o juiz da vara criminal
não remeteu à Justiça Militar a integralidade dos áudios, mas apenas os trechos em que se entendia que
havia a participação do militar. O STJ entendeu que esse procedimento não foi correto. Isso porque “quebra
da cadeia de custódia da prova”. A cadeia de custódia da prova consiste no caminho que deve ser percorrido
pela prova até a sua análise pelo magistrado, sendo certo que qualquer interferência indevida durante esse
trâmite processual pode resultar na sua imprestabilidade (RHC 77.836/PA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado
em 05/02/2019). A defesa deve ter acesso à integralidade das conversas advindas nos autos de forma
emprestada, sendo inadmissível que as autoridades de persecução façam a seleção dos trechos que ficarão
no processo e daqueles que serão extraídos. A apresentação de somente parcela dos áudios, cuja filtragem
foi feita sem a presença do defensor, acarreta ofensa ao princípio da paridade de armas e ao direito à prova,
porquanto a pertinência do acervo probatório não pode ser realizada apenas pela acusação, na medida em
que gera vantagem desarrazoada em detrimento da defesa. STJ. 6ª Turma. REsp 1.795.341-RS, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 07/05/2019 (Info 648). Obs.: vale ressaltar que o caso acima explicado trata sobre falta
de acesso à integralidade da interceptação telefônica e não sobre falta de transcrição ou degravação integral
das conversas obtidas. O entendimento da jurisprudência do STF e do STJ é o de que não é obrigatória a
transcrição integral do conteúdo das interceptações telefônicas. Isso não foi alterado pelo julgado acima, que
trata sobre hipótese diferente.

#DEOLHONAJURIS Descobertos novos crimes durante a interceptação, a autoridade deve apurá-los, ainda
que sejam punidos com detenção Se a autoridade policial, em decorrência de interceptações telefônicas
legalmente autorizadas, tem notícia do cometimento de novos ilícitos por parte daqueles cujas conversas
foram monitoradas ou mesmo de terceiros, é sua obrigação e dever funcional apurá-los, ainda que não
possuam liame algum com os delitos cuja suspeita originariamente ensejou a quebra do sigilo telefônico. Tal
entendimento é aplicável ainda que as infrações descobertas fortuitamente sejam punidas com detenção,
pois o que a Lei nº 9.296/96 veda é o deferimento da quebra do sigilo telefônico para apurar delito que não
seja apenado com reclusão, não proibindo, todavia, que o referido meio de prova seja utilizado quando há,
durante a implementação da medida, a descoberta fortuita de eventuais ilícitos que não atendem a tal
requisito. No caso dos autos, as interceptações telefônicas foram inicialmente autorizadas para apurar os
crimes de corrupção ativa e passiva e organização criminosa, sendo que, no curso da medida, logrou-se
descobrir que os investigados também eram responsáveis por fraudes à licitações em diversos Municípios,
não havendo que se falar, assim, em nulidade das provas obtidas com a quebra de sigilo telefônico. STJ. 5ª
Turma. AgRg no RHC 114973/SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020.

JECRIM

LEI 9099/95

Art. 61. Consideram-se INFRAÇÕES PENAIS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO, para os efeitos desta Lei, as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine PENA MÁXIMA NÃO SUPERIOR A 2 (DOIS) ANOS,
cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)

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COMPETÊNCIA

Art. 63, Lei n° 9.099/95. A competência do Juizado será determinada pelo LUGAR EM QUE FOI PRATICADA a
infração penal.

LEI 9.099 (COMPETÊNCIA)


TEORIA DA ATIVIDADE

#DEOLHONAJURIS São constitucionais o art. 60 da Lei 9.099/95 e o art. 2º da Lei 10.259/2001, que preveem
a possibilidade de infrações penais de menor potencial ofensivo não serem julgadas pelo Juizado Especial em
casos de conexão ou continência. Os Juizados Especiais Criminais são dotados de competência relativa para
julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, razão pela qual se permite que essas infrações
sejam julgadas por outro juízo com vis atractiva para o crime de maior gravidade, pela conexão ou
continência, observados, quanto àqueles, os institutos despenalizadores, quando cabíveis. STF. Plenário. ADI
5264/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 4/12/2020 (Info 1001).

TRANSAÇÃO PENAL

Oferecida ANTES da denúncia, aplica-se as contravenções penais e crimes com pena MÁXIMA não superior a
2 anos.

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo
caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos
ou multas, a ser especificada na proposta.
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade.
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença
definitiva;
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena restritiva ou
multa, nos termos deste artigo;
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida.
§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz.
§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena restritiva
de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente
o mesmo benefício no prazo de cinco anos.
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.
§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes
criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados
propor ação cabível no juízo cível.

SUSPENSÃO DO PROCESSO

Oferecida APÓS o início do processo, se aplica a crimes com pena MÍNIMA não superior a 1 ano.

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por
esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a
quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,
presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).

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§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá
suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de freqüentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao
fato e à situação pessoal do acusado.
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou
não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por
contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá em seus ulteriores
termos.

LEI MARIA DA PENHA

CONDUTA

O legislador discriminou o que configura a violência doméstica e familiar contra a mulher. Nesse sentido,
abrangeu QUALQUER AÇÃO OU OMISSÃO que possa configurar a morte, a lesão, o sofrimento físico, sexual
ou psicológico e o dano moral ou patrimonial na mulher em situação de violência doméstica e familiar;

Elemento subjetivo na violência doméstica: À primeira vista, considerando-se que o art. 5° e os incisos do
art. 7° não estabelecem qualquer distinção, poder-se-ia pensar que toda e qualquer infração penal dolosa ou
culposa seria capaz de configurar violência doméstica e familiar contra a mulher.

No entanto, se se trata de violência de gênero (art. 5°, caput: “ação ou omissão baseada no gênero”), DEVE
FICAR EVIDENCIADA A CONSCIÊNCIA E A VONTADE DO AGENTE DE ATINGIR UMA MULHER EM SITUAÇÃO DE
VULNERABILIDADE, O QUE SOMENTE SERIA POSSÍVEL NA HIPÓTESE DE CRIMES DOLOSOS.

Estabeleceram-se nos incisos os 3 âmbitos onde estará configurada a violência doméstica e familiar contra a
mulher (BASTA QUE SEJA EM UM DOS 3):

#DIRETODAFUC
ÂMBITO DA UNIDADE QUALQUER RELAÇÃO ÍNTIMA DE
ÂMBITO DA FAMÍLIA.
DOMÉSTICA AFETO
Espaço de convívio permanente Comunidade formada por Em qualquer relação íntima de
de pessoas, COM OU SEM indivíduos que são ou se afeto, na qual o agressor conviva
VÍNCULO FAMILIAR, INCLUSIVE consideram aparentados, unidos ou tenha convivido com a
AS ESPORADICAMENTE por laços naturais, por afinidade ofendida, INDEPENDENTEMENTE
AGREGADAS. ou por vontade expressa; DE COABITAÇÃO.

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Leva em conta apenas o aspecto Indivíduos que são ou se Ao referir-se a qualquer relação
espacial. Nessa hipótese, o consideram aparentados, unidos íntima de afeto, o legislador
importante é que a mulher deve por laços naturais, por afinidade abarcou a necessidade de o
fazer parte desse espaço de ou por vontade expressa Aqui agressor conviver ou ter convivido
convívio permanente. importam os laços, pouco com a ofendida,
Não se exige o vínculo familiar, o importando o lugar, pouco independentemente de
que significa dizer que a violência importando se há coabitação. coabitação. Na relação íntima de
doméstica contra a mulher pode afeto, o importante é que haja um
ocorrer fora dos casos de marido relacionamento entre duas
e mulher, podendo ser vítima a pessoas, seja ele baseado na
empregada doméstica, por amizade, seja ele baseado em
exemplo. qualquer sentimento que um tiver
pelo outro. É possível namorado
e namorada, desde que não seja
uma relação passageira, mas
íntima.

Súmula 600 – STJ: Para configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da lei
11.340/2006, lei Maria da Penha, NÃO SE EXIGE a coabitação entre autor e vítima.

-> art. 7º da Lei Maria da Penha estabelece rol não taxativo de formas de violência doméstica
-> Para o reconhecimento da violência contra a mulher, basta a presença alternativa de um dos incisos do
art. 7°, em combinação alternativa com um dos âmbitos do art. 5° (âmbito da unidade doméstica, âmbito
da família ou em qualquer relação íntima de afeto).

Art. 7º São FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da
autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação,
isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade,
ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à
saúde psicológica e à autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a
participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a
induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer
método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante
coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos;

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IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição
parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

SUJEITO ATIVO - Para a caracterização da violência doméstica e familiar contra a mulher, não é necessário
que a violência seja perpetrada por pessoas de sexos distintos. O agressor tanto pode ser um homem (união
heterossexual) como outra mulher (união homoafetiva). Basta atentar para o disposto no art. 5°, parágrafo
único, que prevê que as relações pessoais que autorizam o reconhecimento da violência doméstica e familiar
contra a mulher independem de orientação sexual.

#ATENÇÃO Portanto, lésbicas, travestis, transexuais estão ao abrigo da Lei Maria da Penha, quando a
violência for perpetrada entre pessoas que possuem relações domésticas, familiares e íntimas de afeto.
Quanto à violência doméstica perpetrada por uma mulher contra outra, a maioria da doutrina entende
não há como se afastar a aplicação da Lei Maria da Penha, desde que comprovada uma relação de
hipossuficiência e superioridade.

#DEOLHONAJURIS A Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) é aplicável às mulheres trans em situação de
violência doméstica. Uma mulher trans é uma pessoa que nasceu com o sexo físico masculino, mas que se
identifica como uma pessoa do gênero feminino. O conceito de sexo está relacionado aos aspectos biológicos
que servem como base para a classificação de indivíduos entre machos, fêmeas e intersexuais. Utilizamos a
palavra gênero quando queremos tratar do conjunto de características socialmente atribuídas aos diferentes
sexos. Muitas vezes, uma pessoa pode se identificar com um conjunto de características não alinhado ao seu
sexo designado. Ou seja, é possível nascer do sexo masculino, mas se identificar com características
tradicionalmente associadas ao que culturalmente se atribuiu ao sexo feminino e vice-versa, ou então, não
se identificar com gênero algum. STJ. 6ª Turma. REsp 1977124/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
em 5/4/2022 (Info 732).

#ATENÇÃO – Apesar de não poder ser sujeito passivo na lei Maria da Penha, o homem pode ser vítima de
violência doméstica e familiar, nas situações dos arts. 129, §§ 9, 10 e 11 do CP.

#DEOLHONAJURIS A Lei Maria da Penha objetiva proteger a mulher da violência doméstica e familiar que,
cometida no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto, cause-lhe
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial. Estão no âmbito de
abrangência do delito de violência doméstica e podem integrar o polo passivo da ação delituosa as esposas,
as companheiras ou amantes, bem como a mãe, as filhas, as netas do agressor e também a sogra, a avó ou
qualquer outra parente que mantém vínculo familiar ou afetivo com ele. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
1626825-GO, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 05/05/2020 (Info 671).

ASPECTOS PROCESSUAIS DA LEI MARIA DA PENHA

Primeiramente, quando do atendimento da vítima pela autoridade policial, deverá esta garantir proteção
policial, encaminhar ofendida ao hospital, fornecê-la transporte a local seguro, acompanhá-la na retirada dos
pertences e informá-la dos direitos e serviços disponíveis, inclusive os de assistência judiciária para o eventual
ajuizamento perante o juízo competente da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de
casamento ou de dissolução de união estável (art. 11).

Segundo o art. 12, feito o registro da ocorrência, imediatamente deve a autoridade policial ouvir a ofendida,
lavrando boletim de ocorrência e tomando a representação a termo, colher provas, remeter ao juiz, em 48h,
pedido de concessão de medidas protetivas de urgência, determinar a realização do exame de corpo de

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delito, ouvir testemunhas o agressor, colhendo deste os antecedentes criminais, remetendo o inquérito
policial, no prazo legal ao juízo e ao Ministério Público.

O art. 12-C, incluído pela Lei 13.827/19, estabelece medida de imediato afastamento do agressor do lar,
domicílio ou local de convivência com a ofendida pelo juiz, delegado ou até policial em município que não
seja sede de comarca. Em tais casos, não será concedida liberdade provisória ao preso.

ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLCIAL

Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, a
autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as providências legais
cabíveis.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de
urgência deferida.

Art. 10-A. É direito da mulher em situação de violência doméstica e familiar o atendimento policial e pericial
especializado, ininterrupto e prestado por servidores - preferencialmente do sexo feminino - previamente
capacitados. (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

§ 1º A inquirição de mulher em situação de violência doméstica e familiar ou de testemunha de violência


doméstica, quando se tratar de crime contra a mulher, obedecerá às seguintes diretrizes: (Incluído pela
Lei nº 13.505, de 2017)
I - salvaguarda da integridade física, psíquica e emocional da depoente, considerada a sua condição peculiar
de pessoa em situação de violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)
II - garantia de que, em nenhuma hipótese, a mulher em situação de violência doméstica e familiar, familiares
e testemunhas terão contato direto com investigados ou suspeitos e pessoas a eles
relacionadas; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)
III - não revitimização da depoente, evitando sucessivas inquirições sobre o mesmo fato nos âmbitos criminal,
cível e administrativo, bem como questionamentos sobre a vida privada. (Incluído pela Lei nº 13.505, de
2017)

§ 2º Na inquirição de mulher em situação de violência doméstica e familiar ou de testemunha de delitos de


que trata esta Lei, adotar-se-á, preferencialmente, o seguinte procedimento: (Incluído pela Lei nº 13.505,
de 2017)
I - a inquirição será feita em recinto especialmente projetado para esse fim, o qual conterá os equipamentos
próprios e adequados à idade da mulher em situação de violência doméstica e familiar ou testemunha e ao
tipo e à gravidade da violência sofrida; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)
II - quando for o caso, a inquirição será intermediada por profissional especializado em violência doméstica e
familiar designado pela autoridade judiciária ou policial; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)
III - o depoimento será registrado em meio eletrônico ou magnético, devendo a degravação e a mídia integrar
o inquérito. (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade policial deverá,
entre outras providências:
I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder
Judiciário;
II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;
III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco
de vida;

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IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da ocorrência
ou do domicílio familiar;
V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis, inclusive os de
assistência judiciária para o eventual ajuizamento perante o juízo competente da ação de separação judicial,
de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união estável. (Redação dada pela Lei nº
13.894, de 2019)

MEDIDAS DO DELEGADO #ATENÇÃODELTA

-> Proteção policial


-> Encaminhamento ao hospital da ofendida
-> Fornecer transporte a local seguro
-> Acompanhá-la na retirada dos pertences
-> Informá-la dos direitos e serviços disponíveis

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência,
deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles
previstos no Código de Processo Penal:

I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se apresentada;


II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias;
III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida,
para a concessão de medidas protetivas de urgência;
IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais
necessários;
V - ouvir o agressor e as testemunhas;
VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes criminais,
indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele;
VI-A - verificar se o agressor possui registro de porte ou posse de arma de fogo e, na hipótese de existência,
juntar aos autos essa informação, bem como notificar a ocorrência à instituição responsável pela concessão
do registro ou da emissão do porte, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (Estatuto do
Desarmamento); (Incluído pela Lei nº 13.880, de 2019)
VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público.

§ 1º O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter:
I - qualificação da ofendida e do agressor;
II - nome e idade dos dependentes;
III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida.
IV - informação sobre a condição de a ofendida ser pessoa com deficiência e se da violência sofrida resultou
deficiência ou agravamento de deficiência preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.836, de 2019)

§ 2º A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1º o boletim de ocorrência e cópia de


todos os documentos disponíveis em posse da ofendida.

§ 3º Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos
de saúde.

COMPETÊNCIA PARA A CONCESSÃO DA MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA

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A Lei nº 13.827/2019 trouxe uma exceção, permitindo que a MEDIDA PROTETIVA DE AFASTAMENTO DO LAR
seja concedida pelo Delegado de Polícia se o Município não for sede de comarca ou até mesmo pelo policial
caso também não haja Delegado de Polícia no momento.

#ATENÇÃO A exceção é válida para medida protetiva de afastamento do lar, as demais, veremos abaixo,
continuam seguindo a regra, concedidas pela autoridade judicial (Juiz ou Desembargador).

Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da
mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o AGRESSOR SERÁ
IMEDIATAMENTE AFASTADO DO LAR, domicílio ou local de convivência com a ofendida: (Redação dada
pela Lei nº 14.188, de 2021)
I - pela autoridade judicial; (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)
II - PELO DELEGADO DE POLÍCIA, QUANDO O MUNICÍPIO NÃO FOR SEDE DE COMARCA; ou (Incluído
pela Lei nº 13.827, de 2019)
III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento
da denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)
§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24
(vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada,
devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)
§ 2º Nos casos de risco à integridade física da ofendida ou à efetividade da medida protetiva de urgência, não
será concedida liberdade provisória ao preso. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)

MEDIDAS PROTETIVAS

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, A REQUERIMENTO DO
MINISTÉRIO PÚBLICO OU A PEDIDO DA OFENDIDA.
§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de
audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo este ser prontamente comunicado.
§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser
substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei
forem ameaçados ou violados.
§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas
protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de
seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público.

ESQUEMATIZANDO:
A requerimento do MP OU a pedido da ofendida
DELEGADO NÃO PODE REPRESENTAR!!!

De ofício pelo juiz na fase investigativa:


Doutrina:
1ª Corrente: Não pode porque fere o sistema acusatório
2ª Corrente: Pode, porque não é persecução penal, mas proteção à vitima
Lei: NÃO PODE.

• PODERÃO SER CONCEDIDAS DE IMEDIATO, INAUDITA ALTERA PARS E SEM MANIFESTAÇÃO DO MP


(devendo este ser prontamente comunicado – claro, nesse caso deve fundamentar a urgência, como toda
cautelar).

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• Serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de
maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados.

• Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas
protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de
seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público (aqui o delegado também não pode!!!).

MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA QUE


MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA À OFENDIDA
OBRIGAM O AGRESSOR
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem
e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o prejuízo de outras medidas:
juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a
conjunto ou separadamente, as seguintes medidas programa oficial ou comunitário de proteção ou de
protetivas de urgência, entre outras: atendimento;
I - suspensão da posse ou restrição do porte de II - determinar a recondução da ofendida e a de seus
armas, com comunicação ao órgão competente, nos dependentes ao respectivo domicílio, após
termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de afastamento do agressor;
2003 ; III - determinar o afastamento da ofendida do lar,
II - afastamento do lar, domicílio ou local de sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda
convivência com a ofendida; dos filhos e alimentos;
III - proibição de determinadas condutas, entre as IV - determinar a separação de corpos.
quais: V - determinar a matrícula dos dependentes da
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e ofendida em instituição de educação básica mais
das testemunhas, fixando o limite mínimo de próxima do seu domicílio, ou a transferência deles
distância entre estes e o agressor; para essa instituição, independentemente da
b) contato com a ofendida, seus familiares e existência de vaga. (Incluído pela Lei nº
testemunhas por qualquer meio de comunicação; 13.882, de 2019)
c) freqüentação de determinados lugares a fim de Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da
preservar a integridade física e psicológica da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade
ofendida; particular da mulher, o juiz poderá determinar,
IV - restrição ou suspensão de visitas aos liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:
dependentes menores, ouvida a equipe de I - restituição de bens indevidamente subtraídos
atendimento multidisciplinar ou serviço similar; pelo agressor à ofendida;
V - prestação de alimentos provisionais ou II - proibição temporária para a celebração de atos
provisórios. e contratos de compra, venda e locação de
#NOVIDADE VI – comparecimento do agressor a propriedade em comum, salvo expressa autorização
programas de recuperação e reeducação; judicial;
e (Incluído pela Lei nº 13.984, de 2020) III - suspensão das procurações conferidas pela
#NOVIDADE VII – acompanhamento psicossocial do ofendida ao agressor;
agressor, por meio de atendimento individual e/ou IV - prestação de caução provisória, mediante
em grupo de apoio. (Incluído pela Lei nº 13.984, depósito judicial, por perdas e danos materiais
de 2020) decorrentes da prática de violência doméstica e
§ 1º As medidas referidas neste artigo não impedem familiar contra a ofendida.
a aplicação de outras previstas na legislação em Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório
vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as competente para os fins previstos nos incisos II e III
circunstâncias o exigirem, devendo a providência deste artigo.
ser comunicada ao Ministério Público.
§ 2º Na hipótese de aplicação do inciso I,
encontrando-se o agressor nas condições
mencionadas no caput e incisos do art. 6º da Lei nº

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10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz


comunicará ao respectivo órgão, corporação ou
instituição as medidas protetivas de urgência
concedidas e determinará a restrição do porte de
armas, ficando o superior imediato do agressor
responsável pelo cumprimento da determinação
judicial, sob pena de incorrer nos crimes de
prevaricação ou de desobediência, conforme o
caso.
§ 3º Para garantir a efetividade das medidas
protetivas de urgência, poderá o juiz requisitar, a
qualquer momento, auxílio da força policial.
§ 4º Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no
que couber, o disposto no caput e nos §§ 5º e 6º do
art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973
(Código de Processo Civil).

Súmula 536-STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de
delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a
mulher é pública incondicionada.
Súmula 588-STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça
no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Súmula 589-STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados
contra a mulher no âmbito das relações domésticas.
Súmula 600-STJ: Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha) não se exige a coabitação entre autor e vítima.

DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA

A CONDUTA DE DESCUMPRIR MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA


PREVISTA NA LEI MARIA DA PENHA CONFIGURA CRIME?
Antes da Lei nº 13.641/2018: Depois da Lei nº 13.641/2018 (atualmente):
NÃO SIM
Antes da alteração, o STJ entendia que o Foi inserido novo tipo penal na Lei Maria da
descumprimento de medida protetiva de Penha prevendo como crime essa conduta:
urgência prevista na Lei Maria da Penha (art. Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que
22 da Lei 11.340/2006) não configurava defere medidas protetivas de urgência
infração penal. previstas nesta Lei:
O agente não respondia nem mesmo por Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois)
crime de desobediência (art. 330 do CP). anos.

Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta
Lei: (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

§ 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu as


medidas. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

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§ 2º Na HIPÓTESE DE PRISÃO EM FLAGRANTE, apenas a AUTORIDADE JUDICIAL poderá conceder


fiança. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis. (Incluído pela Lei nº
13.641, de 2018)

#ATENÇÃO Delegado não pode conceder fiança nesse caso.

#DEOLHONAJURIS

#APOSTACICLOS A realização da audiência prevista no art. 16 da Lei n. 11.340/2006 somente se faz


necessária se a vítima houver manifestado, de alguma forma, em momento anterior ao recebimento da
denúncia, ânimo de desistir da representação. AgRg no REsp 1.946.824-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik,
Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14/06/2022, DJe 17/06/2022.

É constitucional o art. 12-C da Lei Maria da Penha que autoriza, em algumas hipóteses, a aplicação, pela
autoridade policial, de medida protetiva de urgência em favor da mulher. É válida a atuação supletiva e
excepcional de delegados de polícia e de policiais a fim de afastar o agressor do lar, domicílio ou local de
convivência com a ofendida, quando constatado risco atual ou iminente à vida ou à integridade da mulher
em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, conforme o art. 12-C inserido na Lei
nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). STF. Plenário. ADI 6138/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
23/3/2022 (Info 1048).

Seja caso de lesão corporal leve, seja de vias de fato, se praticado em contexto de violência doméstica ou
familiar, não há falar em necessidade de representação da vítima para a persecução penal. Para fins da Lei
Maria da Penha, a palavra "crime" deve ser interpretada como infração penal, ou seja, corresponde aos
crimes e às contravenções descritas no Decreto-lei n. 3.688/1941. Seja caso de lesão corporal leve, seja de
vias de fato, se praticado em contexto de violência doméstica ou familiar, não há falar em necessidade de
representação da vítima para a persecução penal. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 713.415/SC, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 22/02/2022.

Se os fatos ocorreram em jurisdições distintas, a competência firmar-se-á pela prevenção. Se as agressões


que poderiam constituir ilícitos penais ocorreram de maneira continuada e permanente em territórios
sujeitos a diferentes jurisdições, a competência tanto para as medidas protetivas, previstas na Lei Maria da
Penha, como para eventual ação penal é firmada pela prevenção, nos termos dos arts. 71 e 83 do Código de
Processo Penal. STJ. 3ª Seção. CC 182.834/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, julgado em 9/02/2022.

Não cabe o arbitramento de aluguel em desfavor da coproprietária vítima de violência doméstica, que, em
razão de medida protetiva de urgência decretada judicialmente, detém o uso e gozo exclusivo do imóvel de
cotitularidade do agressor. Em regra, a utilização ou a fruição da coisa comum indivisa com exclusividade por
um dos coproprietários, impedindo o exercício de quaisquer dos atributos da propriedade pelos demais
consortes, enseja o pagamento de indenização àqueles que foram privados do regular domínio sobre o bem,
tal como o percebimento de aluguéis. É o que prevê o art. 1.319 do Código Civil. Contudo, impor à vítima de
violência doméstica e familiar obrigação pecuniária consistente em locativo pelo uso exclusivo e integral do
bem comum constituiria proteção insuficiente aos direitos constitucionais da dignidade humana e da
igualdade, além de ir contra um dos objetivos fundamentais do Estado brasileiro de promoção do bem de
todos sem preconceito de sexo, sobretudo porque serviria de desestímulo a que a mulher buscasse o amparo
do Estado para rechaçar a violência contra ela praticada, como assegura a Constituição Federal em seu art.
226, § 8º, a revelar a desproporcionalidade da pretensão indenizatória em tais casos. A imposição judicial de
uma medida protetiva de urgência - que procure cessar a prática de violência doméstica e familiar contra a

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mulher e implique o afastamento do agressor do seu lar - constitui motivo legítimo a que se limite o domínio
deste sobre o imóvel utilizado como moradia conjuntamente com a vítima, não se evidenciando, assim,
eventual enriquecimento sem causa, que legitime o arbitramento de aluguel como forma de indenização
pela privação do direito de propriedade do agressor. STJ. 3ª Turma. REsp 1966556-SP, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 08/02/2022 (Info 724).

Se foram imputados vários crimes ao acusado e dentre eles está o de lesão corporal contra a mulher no
contexto da violência doméstica, é possível que o juiz indefira a designação da audiência prevista no artigo
16 da Lei 11.340/2006. Se dentre os crimes imputados ao acusado está o delito de lesão corporal, sendo
irrelevante, ainda que se trate de lesão corporal de natureza leve, posterior retratação da ofendida, razão
pela qual não se mostra possível a realização da audiência prevista no art. 16 da Lei n. 11.340/2006. STJ. 5ª
Turma. AgRg no HC 707.726/PA, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/12/2021.

O crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência não é meio necessário ou usual para a
realização do delito de ameaça. O crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência não é meio
necessário ou usual para a realização do delito de ameaça - que, com frequência, é praticado em contextos
distintos da situação de violência doméstica e familiar. Ainda que, quando do cometimento do crime de
ameaça, exista medida protetiva de urgência em vigor, é plenamente possível que a ameaça de causar mal
injusto e grave chegue ao conhecimento da ofendida sem que nenhuma das medidas impostas venha a ser
descumprida, notadamente à vista da possibilidade de consumação do delito por "escrito ou gesto, ou
qualquer outro meio simbólico" ou até por meio de interposta pessoa. STJ. 6ª Turma. HC 616.070/MG, Rel.
Ministra Laurita Vaz, julgado em 16/11/2021.

Quem julga o crime de estupro de vulnerável praticado por pai contra filha de 4 anos: vara criminal “comum”
ou vara de violência doméstica e familiar contra a mulher? Se o fator determinante que ensejou a prática do
crime foi a tenra idade da vítima fica afastada a vara de violência doméstica e familiar? Ex: estupro de
vulnerável praticado por pai contra a filha, de 4 anos.
• SIM. Posição da 5ª Turma do STJ:
Se o fato de a vítima ser do sexo feminino não foi determinante para a caracterização do crime de estupro
de vulnerável, mas sim a tenra idade da ofendida, que residia sobre o mesmo teto do réu, que com ela
manteve relações sexuais, não há que se falar em competência do Juizado Especial de Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1020280/DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/08/2018.
• NÃO. Julgado recente da 6ª Turma do STJ:
A idade da vítima é irrelevante para afastar a competência da vara especializada em violência doméstica e
familiar contra a mulher e as normas protetivas da Lei Maria da Penha.
STJ. 6ª Turma. RHC 121813-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/10/2020 (Info 682).

Várias condutas praticadas no contexto da violência doméstica que justificam o incremento da pena-base
nas diversas circunstâncias judiciais. A circunstância de o acusado ter adentrado à residência e começado a
agredir à vítima quando esta ainda estava deitada, constitui elemento concreto não inerente ao tipo penal
que autoriza a negativação da culpabilidade. O fato de que as testemunhas afirmaram que o réu costumava
agredir a vítima gratuitamente em via pública, até mesmo diante de seus filhos menores, e com ela não
possuía nenhum diálogo, constituem elementos idôneos para negativar, respectivamente, a conduta social
e a personalidade. As circunstâncias do crime estão idoneamente negativadas em razão de o acusado ter
trancado o portão da casa, para dificultar a fuga da vítima. As consequências psicológicas sofridas pela vítima,
as quais foram concretamente constatadas pelo Magistrado singular, quando do depoimento por ela
prestado vários meses após o fato, extrapolam a elementar do tipo penal e constituem fundamento idôneo
para negativar as consequências do crime. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.819.560/CE, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 9/06/2020.

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Constatada situação de vulnerabilidade, aplica-se a Lei Maria da Penha no caso de violência do neto praticada
contra a avó. A Lei Maria da Penha objetiva proteger a mulher da violência doméstica e familiar que,
cometida no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto, cause-lhe
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial. Estão no âmbito de
abrangência do delito de violência doméstica e podem integrar o polo passivo da ação delituosa as esposas,
as companheiras ou amantes, bem como a mãe, as filhas, as netas do agressor e também a sogra, a avó ou
qualquer outra parente que mantém vínculo familiar ou afetivo com ele. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
1626825-GO, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 05/05/2020 (Info 671).

É irrelevante o lapso temporal da dissolução do vínculo conjugal para se firmar a competência do Juizado
Especializado nos casos em que a conduta imputada como criminosa está vinculada à relação íntima de afeto
que tiveram as partes. É irrelevante o lapso temporal da dissolução do vínculo conjugal para se firmar a
competência do Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher nos casos em que a
conduta imputada como criminosa está vinculada à relação íntima de afeto que tiveram as partes. Assim, é
necessário apenas que a conduta delitiva imputada esteja vinculada à relação íntima de afeto mantida entre
as partes. STJ. 5ª Turma. HC 542.828/AP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 18/02/2020.
A reconciliação entre a vítima e o agressor, no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, não
é fundamento suficiente para afastar a necessidade de fixação do valor mínimo para reparação dos danos
causados pela infração penal. A posterior reconciliação entre a vítima e o agressor não é fundamento
suficiente para afastar a necessidade de fixação do valor mínimo previsto no art. 387, inciso IV, do CPP, seja
porque não há previsão legal nesse sentido, seja porque compete à própria vítima decidir se irá promover a
execução ou não do título executivo, sendo vedado ao Poder Judiciário omitir-se na aplicação da legislação
processual penal que determina a fixação do valor mínimo em favor da ofendida. CPP/Art. 387. O juiz, ao
proferir sentença condenatória:(...) IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido; STJ. 6ª Turma. REsp 1819504-MS, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 10/09/2019 (Info 657).

Se a mulher vítima de crime de ação pública condicionada comparece ao cartório da vara e manifesta
interesse em se retratar da representação, ainda assim o juiz deverá designar audiência para que ela confirme
essa intenção e seja ouvido o MP, nos termos do art. 16. A Lei Maria da Penha autoriza, em seu art. 16, que,
se o crime for de ação pública condicionada (ex: ameaça), a vítima possa se retratar da representação que
havia oferecido, desde que faça isso em audiência especialmente designada, ouvido o MP. Veja: Art. 16. Nas
ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a
renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. Não atende ao disposto neste art. 16 a retratação
da suposta ofendida ocorrida em cartório de Vara, sem a designação de audiência específica necessária para
a confirmação do ato. Em outras palavras, se a vítima comparece ao cartório e manifesta interesse em se
retratar, ainda assim o juiz deverá designar a audiência para ouvir a ofendida e o MP, não podendo rejeitar
a denúncia sem cumprir esse procedimento. STJ. 5ª Turma. HC 138143-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado
em 03/09/2019 (Info 656).

CTB

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor.

#ATENÇÃO

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Ciclos Método

É possível aplicar o perdão judicial do art. 121, § 5º do CP ao homicídio culposo na direção de veículo
automotor (art. 302 do CTB)? SIM. Essa é a posição do STJ e da doutrina majoritária (Rogério Greco, Nucci,
entre outros).

#DEOLHONAJURIS
O fato de os delitos terem sido cometidos em concurso formal não autoriza a extensão dos efeitos do
perdão judicial concedido para um dos crimes, se não restou comprovada, quanto ao outro, a existência
do liame subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal. Ex: o réu, dirigindo seu veículo imprudentemente,
causa a morte de sua noiva e de um amigo; o fato de ter sido concedido perdão judicial para a morte da noiva
não significará a extinção da punibilidade no que tange ao homicídio culposo do amigo. STJ. 6ª T. REsp
1.444.699- RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, j. 1/6/17 (Info 606).

Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio culposo na direção
de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada composição civil entre o autor do
crime a família da vítima. Para que seja possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do
CP é indispensável que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais. O arrependimento
posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do homicídio. STJ. 6ª T. REsp 1.561.276-BA,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 28/6/16 (Info 590). STJ. 6ª T. AgRg-HC 510.052-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
j.17/12/19.

§ 1o No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de 1/3 (um terço)
à metade, se o agente: (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)
I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação; (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014)
(Vigência)

#DEOLHONAJURIS O fato de o autor de homicídio culposo na direção de veículo automotor estar com a CNH
vencida não justifica a aplicação da causa especial de aumento de pena descrita no inciso I do § 1º do art.
302 do CTB. O inciso I do § 1º do art. 302 pune o condutor que "não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira
de Habilitação". O fato de o condutor estar com a CNH vencida não se amolda a essa previsão não se podendo
aplicá-lo por analogia in malam partem. STJ. 6ª T. HC 226128-TO, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, j. 7/4/16
(Info 581).

II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada; (Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)

III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente; (Incluído pela
Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)

IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.


(Incluído pela Lei nº 12.971, de 2014) (Vigência)

§ 3o Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância
psicoativa que determine dependência: (Incluído pela Lei nº 13.546, de 2017) (Vigência)

Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor. (Incluído pela Lei nº 13.546, de 2017)

Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:


Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor.

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Ciclos Método

§ 1o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se ocorrer qualquer das hipóteses do § 1o do art. 302.
(Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.546, de 2017) (Vigência)

§ 2o A pena privativa de liberdade é de reclusão de dois a cinco anos, sem prejuízo das outras penas previstas
neste artigo, se o agente conduz o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de
álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, e se do crime resultar lesão corporal
de natureza grave ou gravíssima. (Incluído pela Lei nº 13.546, de 2017) (Vigência)

#DEOLHONAJURIS Se um indivíduo, que não possui habilitação para dirigir (art. 309 do CTB), conduz seu
veículo de forma imprudente, negligente ou imperita e causa lesão corporal em alguém, ele responderá pelo
crime do art. 303 § 1º, do CTB, ficando o delito do art. 309 do CTB absorvido por força do princípio da
consunção. O delito de dirigir veículo sem habilitação é crime de ação penal pública incondicionada. Por
outro lado, a lesão corporal culposa (art. 303 do CTB) é crime de ação pública condicionada à representação.
Imagine que a vítima não exerça seu direito de representação no prazo legal. Diante disso, o Ministério
Público poderá denunciar o agente pelo delito do art. 309? NÃO. O delito do art. 309 já foi absorvido pela
conduta de praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, tipificada no art. 303 do CTB,
crime de ação pública condicionada à representação. Como a representação não foi formalizada pela vítima,
houve extinção da punibilidade, que abrange tanto a lesão corporal como a conduta de dirigir sem
habilitação. STF. 2ª Turma. HC 128921/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 25/8/15 (Info 796).

Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à vítima, ou,
não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais
grave.

Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo, ainda que a sua omissão seja
suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves.

Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou
civil que lhe possa ser atribuída: (Vide ADC 35)

Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

#DEOLHONAJURIS A regra que prevê o crime do art. 305 do CTB é constitucional, posto não infirmar o
princípio da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e ressalvadas as hipóteses de exclusão da
tipicidade e da antijuridicidade. STF. Plenário. RE 971959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, j. 14/11/2018 (repercussão
geral) (Info 923).

LEI DE EXECUÇÃO PENAL (7.210/84)

NOÇÕES ESSENCIAIS

TEORIA MISTA DE PENA: Adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, defende que a pena é capaz de tanto
retribuir o mal decorrente da prática do crime (retribuição); quanto de inibir a prática de novos crimes
(prevenção).

ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL #IMPORTANTE: Termo consagrado pelo STF quando do julgamento
do ADPF 347, faz referência ao fato de o sistema penitenciário brasileiro viola de forma SISTÊMICA e

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Ciclos Método

GENERALIZADA os direitos fundamentais dos presos, em razão das profundas e persistentes inércia,
incapacidade e ineficiência das autoridades públicas competentes. A penas privativas de liberdade, em razão
disso, são cruéis e desumanas, sendo ineficazes nos seus objetivos de retribuição e prevenção dos crimes,
contribuindo diretamente para o agravamento da violência social. O STF destacou, inclusive, que essa
ineficiência é observada EM TODOS OS PODERES (Legislativo, Executivo e Judiciário) e em todos os níveis
(federal, estadual e municipal). Há verdadeira falha estrutural que perpetua e agrava a violência social
brasileira. Diante disso, o STF assumiu o papel de provocador, com o objetivo de romper essa inércia e
coordenar ações necessárias à quebra desse ciclo.

#FICADEOLHO EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE PENA


Nos últimos anos ocorreu no Brasil uma grande confusão jurisprudencial, em torno da questão da
execução provisória de sentença penal condenatória não transitada em julgado, em que pende apreciação
de recurso. Isso porque questionava-se a constitucionalidade da mitigação do princípio da presunção de
inocência ao determinar o cumprimento frente a possibilidade de absolvição em recurso. Por fim, em
2019, o STF consagrou o entendimento de que O CUMPRIMENTO DE PENA EXIGE O TRÂNSITO EM
JULGADO DA CONDENAÇÃO CRIMINAL:
1ª Turma do STF aplica entendimento do Plenário no sentido da impossibilidade de execução provisória da
pena Ao julgar as ações declaratórias de constitucionalidade 43, 44 e 54, em 7/11/2019, o Plenário do STF
firmou o entendimento de que não cabe a execução provisória da pena. A 1ª Turma do STF aplicou esse
entendimento em um caso concreto no qual o réu estava preso unicamente pelo fato de o Tribunal de
Justiça ter confirmado a sua condenação em 1ª instância, não tendo havido, contudo, ainda, o trânsito em
julgado. Logo, o STF, afastando a possibilidade de execução provisória da pena, concedeu a liberdade ao
condenado até que haja o esgotamento de todos os recursos. STF. 1ª Turma. HC 169727/RS, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 26/11/2019 (Info 961).
EXCEÇÃO POSITIVADA PELO PACOTE ANTI-CRIME: Art. 492, I, e) mandará o acusado recolher-se
ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no
caso de condenação a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução
provisória das penas, com expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do conhecimento
de recursos que vierem a ser interpostos;
Observe que a hipótese trata de réu condenado por crime doloso contra a vida com pena igual ou superior
a 15 anos de reclusão, mesmo tendo respondido a todo o processo em liberdade, deve ser preso em
plenário do Tribunal do Júri, iniciando imediatamente o cumprimento da pena. E se a pena for inferior a
15 anos? Poderá ser o caso de prisão preventiva.

PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: Previsão constitucional - Art. 5º. Os condenados serão


classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução
penal. #APOSTACICLOS
Possui aplicação em todos as etapas concernentes à pena:
I) Legislativa, de elaboração, estabelecendo o legislador uma margem variável de pena e várias
circunstâncias, na parte geral do Código Penal;
II) Judicial, na qual o aplicador da lei verifica tais circunstâncias no caso concreto para determinar a pena
mais adequada àquele indivíduo;

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Ciclos Método

III) Executória, aqui nos termos da LEP, para assegurar que a pena, após individualizada na teoria, será
efetivamente adequada ao caso concreto garantindo sua máxima eficiência. Nesse sentido, temos o art. 5°
da o qual estabeleceu a necessidade de classificação dos condenados a pena privativa de liberdade, bem
como fixou critérios obrigatórios para tanto, com o exame dos antecedentes, da personalidade, aspectos
familiares e sociais e capacidade laboral. REITERE-SE QUE TAL CLASSIFICAÇÃO É UM DIREITO do preso.

FALTAS DISCIPLINARES PREVISTAS NA LEP


REGRAS GERAIS: Art. 49. As faltas disciplinares classificam-se em leves, médias e graves. A legislação local
especificará as leves e médias, bem assim as respectivas sanções. Parágrafo único. Pune-se a tentativa com
a sanção correspondente à falta consumada. #ATENÇÃO

ESPÉCIES: I) Faltas graves: Consagradas nos arts. 50 a 52 da LEP (Importante destacar que a competência
para legislar sobre direito penitenciário é concorrente, nos termos da Constituição Federal);
II) Faltas leves e médias: são definidas, juntamente com as respectivas sanções, pela legislação estadual.
#OLHAOGANCHO #IMPORTANTE INSTAURAÇÃO DE PAD E RECONHECIMENTO DE FALTAS
DISCIPLINARES NA LEP
Observe-se a Súmula 533-STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do
estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído
ou defensor público nomeado.
Tal entendimento se coaduna com o Art. 59 da LEP: Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o
procedimento para sua apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.

Contudo, o Ministério Público recorreu ao STF alegando que, se o apenado é ouvido em audiência judicial
na qual ele tem a possibilidade de se justificar e, portanto, se defender da alegação de cometimento de
falta grave, tal audiência já deveria ser suficiente para suprir a necessidade de processo administrativo
disciplinar, não se configurando nenhum prejuízo ao apenado pela utilização desse método. A essência
do art. 59, ao seu ver, ao exigir a instauração de um processo administrativo disciplinar, é no sentido de
impedir a imposição arbitrária de sanções pela autoridade administrativa, sem garantia do contraditório
e da ampla defesa. No entanto, esse dispositivo não deveria impedir que a apuração da falta grave
ocorresse em juízo, com a observância dessas garantias. Dessa maneira, a realização da audiência de
justificação supriria a exigência do art. 59.

E O STF, ACEITOU ESSA TESE? SIM:


A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência de justificação realizada na presença
do defensor e do Ministério Público, afasta a necessidade de prévio Procedimento Administrativo
Disciplinar (PAD), assim como supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD
instaurado para apurar a prática de falta grave durante o cumprimento da pena. STF. Plenário. RE
972598, Rel. Roberto Barroso, julgado em 04/05/2020 (Repercussão Geral – Tema 941) (Info 985 –
clipping).
ASSIM COMO O STJ:

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Ciclos Método

(...) 4. Comprovado que se assegurou ao paciente o regular exercício do direito de defesa, na sede da
audiência de justificação realizada no caso concreto, inexiste qualquer nulidade a ser sanada, nem
constrangimento ilegal a ser reparado. (...)
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 581.854/PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/08/2020.
Desta feita, muito embora a SÚMULA 533/STJ NÃO TENHA SIDO FORMALMENTE CANCELADA, SEU
ENTENDIMENTO SE ENCONTRA SUPERADO.

‘REPERCUSSÕES DO COMETIMENTO DE FALTA GRAVE: Súmula 526: O reconhecimento de falta grave


decorrente do cometimento de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do
trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato;
O QUE INTERROMPE/ NÃO INTERROMPE?
Súmula 535: A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou indulto.
Súmula 441: A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional.
Vamos visualizar: #APOSTACICLOS
NÃO INTERROMPE INTERROMPE
I) Contagem do prazo para a progressão de regime I) Contagem de prazo para PROGRESSÃO de regime
de cumprimento de pena; de cumprimento de pena;
II) Prazo para obtenção de Livramento
Condicional.
III) Prazo para fim de Comutação de pena ou
indulto.
PRESCRIÇÃO DA FALTA GRAVE: Em razão do silêncio da LEP nesse tocante, STF e STF aplicam o teor do art.
109, VI, do CP, estabelecendo o prazo prescricional de 3 ANOS.

REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO #IMPORTANTE #APOSTACICLOS


#LEISECASALVA

Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar subversão da
ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem
prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características:

I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma
espécie;
II - recolhimento em cela individual;
III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em instalações equipadas para impedir
o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado
judicialmente, com duração de 2 (duas) horas;
IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de sol, em grupos de até 4 (quatro)
presos, desde que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso;
V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em instalações equipadas para impedir
o contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em contrário;
VI - fiscalização do conteúdo da correspondência;

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Ciclos Método

VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência, garantindo-se a


participação do defensor no mesmo ambiente do preso.

§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos presos provisórios ou condenados, nacionais
ou estrangeiros:
I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade;
II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, em
organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, independentemente da prática de falta
grave.

§ 2º (Revogado). § 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa, associação
criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, o
regime disciplinar diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal.

§ 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime disciplinar diferenciado poderá ser prorrogado
sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano, existindo indícios de que o preso:
I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal de origem ou da
sociedade;
II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, considerados
também o perfil criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do
grupo, a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário.
§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar diferenciado deverá contar com alta
segurança interna e externa, principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar contato do preso
com membros de sua organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais.
§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será gravada em sistema de áudio ou de áudio e
vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada por agente penitenciário.
§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar diferenciado, o preso que não receber a visita de
que trata o inciso III do caput deste artigo poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, que será
gravado, com uma pessoa da família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos.”

PROGRESSÃO DE REGIME PÓS PACOTE-ANTICRIME

CARACTERÍSTICAS DO CRIME RÉU PRIMÁRIO RÉU REINCIDENTE


SEM VIOLÊNCIA/GRAVE AMEAÇA 16% 20%
COM VIOLÊNCIA/GRAVE AMEAÇA 25% 30%
CRIME HEDIONDO OU EQUIPARADO 40% 60%
HEDIONDO/EQ COM RESULTADO MORTE 50% 70%
Comando de ORCRIM voltada para prática de 50% 50%
crime hediondo e/ou constituição de milícia
privada

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#DEOLHONAJURIS #MUDANÇA DE ENTENDIMENTO O agente que é reincidente não específico em crime


hediondo ou equiparado, com resultado morte, tem direito à progressão de regime após o cumprimento
de, ao menos, 50% da pena.

Firmou-se no Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que, nos termos da legislação de
regência, mostra-se irrelevante que a reincidência seja específica em crime hediondo para a aplicação da
fração de 3/5 na progressão de regime, pois não deve haver distinção entre as condenações anteriores (se
por crime comum ou por delito hediondo) (AgRg no HC n. 494.404/MS, Ministro Reynaldo Soares da
Fonseca, Quinta Turma, DJe 20/5/2019).
Contudo, tal entendimento não pode mais prevalecer diante da nova redação do art. 122 da Lei de
Execução Penal, trazida com a Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime).

Com efeito, a Lei de Crimes Hediondos não fazia distinção entre a reincidência genérica e a específica para
estabelecer o cumprimento de 3/5 da pena para fins de progressão de regime, é o que se depreende da
leitura do § 2º do art. 2º da Lei n. 8.072/1990: A progressão de regime, no caso dos condenados pelos
crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado
for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei
nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal).
Já a Lei n. 13.964/2019 trouxe significativas mudanças na legislação penal e processual penal, e, nessa
toada, revogou o referido dispositivo legal.
Agora, os requisitos objetivos são Vejamos: Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em
forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando
o preso tiver cumprido ao menos: […] V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado
pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário; VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se
o apenado for: a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for
primário, vedado o livramento condicional; […] VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for
reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado; VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o
apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento
condicional.

Assim, por ausência de previsão legal, o julgador deve integrar a norma aplicando a analogia in bonam
partem. No caso (condenado por crime hediondo com resultado morte, reincidente não específico), diante
da lacuna na lei, deve ser observado o lapso temporal relativo ao primário. Impõe-se, assim, a aplicação
do contido no inciso VI, a, do referido artigo da Lei de Execução Penal, exigindo-se, portanto, o
cumprimento de 50% da pena para a progressão de regime. STJ. 6ª Turma. HC 581315-PR, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 06/10/2020 (Info 681).

#NOVIDADE #PAC: Condicionou a progressão de regime à necessidade de manifestação do


Ministério Público e do Defensor: Art. 112 § 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será
sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que
também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados
os prazos previstos nas normas vigentes.

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#DEOLHONAJURIS #OLHAOGANCHO #APOSTACICLOS O histórico prisional conturbado do apenado, somado


ao crime praticado com violência ou grave ameaça (uma condição legal do atual art. 83, parágrafo único, do
Código Penal), afasta a constatação inequívoca do requisito subjetivo para a concessão do livramento
condicional. (INFO 735 STJ)

LEI DE IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL

FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL: CF/88 Art. 5º LVIII - o civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. Isto é, a própria CF estabeleceu o caráter
EXCEPCIONAL da medida.

IDENTIFICAÇÃO CIVIL:
I) Carteira de identidade;
II) Carteira profissional;
III) CTPS;
IV) Passaporte;
V) Carteira de identificação funcional;
VI) Outro documento público que permita a identificação do indiciado.

MAS O QUE É IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL? É uma identificação fotográfica, datiloscópica, ou biológica, isto
é, por foto, digitais ou perfil genético do sujeito para identificação no cadastro de segurança pública para
buscar compatibilidade nos registros, quando não ocorre a identificação civil.
OBS: A hipótese de identificação por meio do perfil genético foi incluída no ano de 2012, e para sua ocorrência
é necessário que seja fundamental para investigação e exista ainda autorização judicial: Lei 12.037/09 Art. 5º
A identificação criminal incluirá o processo datiloscópico e o fotográfico, que serão juntados aos autos da
comunicação da prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou outra forma de investigação. Parágrafo
único. Na hipótese do inciso IV do art. 3o, a identificação criminal poderá incluir a coleta de material biológico
para a obtenção do perfil genético. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

#OLHAOGANCHO CRIMES HEDIONDOS: Lei nº 7.210/84. Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado,
dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, OU por qualquer dos crimes previstos no art.
1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil
genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. (Incluído
pela Lei nº 12.654, de 2012) #APOSTACICLOS

#LEISECASALVA
Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando:
I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;
II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;
III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;
IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade
judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério
Público ou da defesa;
V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;
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VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento


apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.
Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou
outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.

LEI DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL CONDUZIDA PELO DELEGADO - Lei nº 12.830/2013

CONTEXTO: Surgiu em razão da ineficiência legislativa do CPP o qual, apesar de regular o Inquérito Policial,
não elucidava efetivamente as atividades a serem desempenhadas pela autoridade policial.

INVESTIGAÇÃO CRIMINAL: É seguro o posicionamento de que a atividade investigativa de crimes não é


exclusividade do Delegado de polícia, muito embora a lei lhe atribua a presidência do inquérito policial, posto
que o Ministério Público pode realizar diretamente a investigação de crimes, existem as comissões
parlamentares de inquérito e que, os advogados também realizam atividade investigativa quando na defesa
de seus clientes.
Ação do Ministério Público: O MP dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e
por prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias que
assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus
agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que
se acham investidos, em nosso País, os Advogados (Lei 8.906/94, artigo 7º, notadamente os incisos I, II, III, XI,
XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade – sempre presente no Estado democrático de Direito – do
permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (Súmula Vinculante 14),
praticados pelos membros dessa instituição”. STF. Plenário. RE 593727/MG, red. p/ o acórdão Min. Gilmar
Mendes, julgado em 14/5/2015.

#LEISECASALVA DISPOSIÇÕES LEGAIS SOBRE A ATUAÇÃO DO DELEGADO


Art. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de polícia
são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.
§ 1º Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal
por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como objetivo a apuração das
circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais.
§ 2º Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a requisição de perícia, informações,
documentos e dados que interessem à apuração dos fatos.
§ 4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou
redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou
nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique
a eficácia da investigação.
§ 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato fundamentado.

INDICIAMENTO

PREVISÃO: Art. 2°, § 6º O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado,
mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias.

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O QUE É: Atribuição formal de autoria (ou participação), de uma infração penal, a uma pessoa que foi
investigada. Segundo o Código de Processo Penal brasileiro, em seu art. 239, considera-se indício a
circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a
existência de outra ou outras circunstâncias.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
I) É ATO EXCLUSIVO DO DELEGADO DE POLÍCIA, isto é, nem o juiz nem o MP podem requisitá-lo.
II) Não é obrigatório, isto é, ao término do Inquérito Policial, se o delegado não vislumbrar no composto
probatório informações suficientes para atribuição da materialidade e/ou autoria, não precisa realizar
indiciamento;
III) Não é, contudo, ATO DISCRICIONÁRIO, pois, para realizá-lo, o Delegado deverá expor sua MOTIVAÇÃO,
os fundamentos jurídicos e probatórios. #VAICAIR #APOSTACICLOS

#DEOLHONAJURIS
O magistrado não pode requisitar o indiciamento em investigação criminal. Isso porque o indiciamento
constitui atribuição exclusiva da autoridade policial. É por meio do indiciamento que a autoridade policial
aponta determinada pessoa como a autora do ilícito em apuração. Por se tratar de medida ínsita à fase
investigatória, por meio da qual o delegado de polícia externa o seu convencimento sobre a autoria dos
fatos apurados, não se admite que seja requerida ou determinada pelo magistrado, já que tal procedimento
obrigaria o presidente do inquérito à conclusão de que determinado indivíduo seria o responsável pela
prática criminosa, em nítida violação ao sistema acusatório adotado pelo ordenamento jurídico pátrio.
Nesse mesmo sentido é a inteligência do art. 2º, § 6º, da Lei 12.830/2013, que afirma que o indiciamento é
ato inserto na esfera de atribuições da polícia judiciária. STJ. 5ª Turma. RHC 47984-SP, Rel. Min. Jorge Mussi,
julgado em 4/11/2014 (Info 552). STF. 2ª Turma. HC 115015/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
27/8/2013 (Info 717).

LEI DE PRISÃO TEMPORÁRIA (7.960/89)

CABIMENTO:

Art. 1° Caberá prisão temporária: I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial;
Sobre o Inciso I: É indispensável investigação PRÉVIA, não necessariamente inquérito policial, para que se
tenha como possível a privação cautelar da liberdade de locomoção do indivíduo. Destaque-se que, uma vez
oferecida a denúncia, não mais subsiste esse argumento para fundamentar a prisão temporária.

II - Quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de
sua identidade;
Sobre o Inciso II: Prevalece no STF o entendimento de que o a fato de o investigado ser morador de rua NÃO
é suficiente para configurar, no caso concreto, este requisito de cabimento.

III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria
ou participação do indiciado nos seguintes crimes:

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a) homicídio doloso;
b) sequestro ou cárcere privado ;
c) roubo;
d) extorsão;
e) extorsão mediante sequestro;
f) estupro;
g) atentado violento ao pudor;
h) rapto violento;
i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte; l) quadrilha
ou bando;
m) genocídio, em qualquer de suas formas típicas;
n) tráfico de drogas
o) crimes contra o sistema financeiro;
p) crimes previstos na Lei de Terrorismo.

Sobre o Inciso III: É rol taxativo, e não permite extensão analógica em razão da vedação da comparação in
malam partem.
#IMPORTANTE O PAC incluiu o parágrafo 2º-A no crime de roubo, não estando presente no rol taxado na Lei
de prisão temporária. Contudo, a inclusão desse parágrafo não importa na criação de um novo crime, mas
apenas um desdobramento do crime de roubo, e desta forma a doutrina entende que esse novo parágrafo
também está incluído.

APLICAÇÃO A CRIMES HEDIONDOS: Previsão legal - Lei n. 8.072/1990 Art. 2º (...) § 4º A prisão temporária,
sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo
de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.

Em se tratando de investigação de crimes previstos na Lei 8.072/90 (crimes hediondos, tráfico de drogas,
tortura e terrorismo), o prazo da prisão temporária será de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, em
caso de extrema e comprovada necessidade.
OBS: Marco inicial do prazo - no exato momento em que a prisão é cumprida. Uma vez encerrado o prazo
da prisão temporária, o preso deve ser colocado imediatamente em liberdade, mesmo que o dia fatal recaia
sobre fim de semana ou feriado. A PRORROGAÇÃO NUNCA SERÁ AUTOMÁTICA.

REGRA GERAL: A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial
ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em
caso de extrema e comprovada necessidade.

LEI 8.069/1990 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

ATOS INFRACIONAIS

#LEISECASALVA

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Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.
Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas nesta Lei.
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do adolescente à data do fato.
Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas previstas no art. 101.

GARANTIAS PROCESSUAIS
Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal.
Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias:
I - pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio equivalente;
II - igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir todas as
provas necessárias à sua defesa;
III - defesa técnica por advogado;
IV - assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;
V - direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente;
VI - direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedimento.

#SELIGANASÚMULA Súmula 605-STJ: A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de


ato infracional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade
assistida, enquanto não atingida a idade de 21 anos.

SOCIOEDUCAÇÃO
Vamos revisar os pontos mais importantes das medidas socioeducativas. Mais abaixo preparamos outro
quadro, com os artigos correspondentes a cada medida socioeducativa.

Para a aplicação de advertência (admoestação verbal), basta indícios de autoria e


ADVERTÊNCIA prova da materialidade. Já para as demais medidas, é necessário existência de
provas da autoria e da materialidade da infração.
Quanto a obrigação de reparar o dano, em se tratando de ato infracional com reflexos
OBRIGAÇÃO DE
patrimoniais, a autoridade poderá determinar que o adolescente restitua a coisa,
REPARAR O
promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da
DANO
vítima. Em caso de manifesta impossibilidade, o juiz impõe outra medida.

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PRESTAÇÃO DE A prestação de serviços à comunidade consiste na realização de tarefas gratuitas de


SERVIÇOS À interesse geral, por período não superior a 6 meses, com jornada máxima de 8 horas
COMUNIDADE semanais, de modo a não prejudicar a frequência escolar e a jornada de trabalho.
A semiliberdade pode ser determinada desde o início ou como forma de transição
para o meio aberto. Na semiliberdade existe a possibilidade de realização de
atividades externas independente de autorização judicial, sendo obrigatórias a
escolarização e a profissionalização, utilizados os recursos existentes na comunidade.
SEMILIBERDADE O adolescente permanece custodiado em entidade institucional própria, durante o
dia trabalha e estuda e na parte da noite se recolhe à unidade de internação, em regra.
Aqui existe o princípio da incompletude institucional, uma vez que, a execução das
atividades depende de recursos da comunidade. O prazo máximo é de 3 anos, sendo
reavaliada a cada 6 meses pelo juiz da infância e da juventude.
A internação é a medida mais severa. Na internação existe restrição total de liberdade
(institucionalização integral). As atividades externas são viáveis, a critério dos
educadores, salvo quando há vedação judicial. A internação pode ter prazo
determinado ou prazo indeterminado, mas nunca ultrapassar 3 anos. O ECA é
categórico quando diz que o período máximo de internação é de 3 anos. Atingido este
INTERNAÇÃO limite, o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semiliberdade ou
de liberdade assistida. Também há a liberação compulsória aos 21 anos de idade. Em
todas essas hipóteses, a desinternação precisa de autorização judicial, ouvido o MP.
A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de 45 dias.
A decisão baseia-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada
a necessidade imperiosa da medida.

#LEISECASALVA
Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as
seguintes medidas:
I - advertência;
II - obrigação de reparar o dano;
III - prestação de serviços à comunidade;
IV - liberdade assistida;
V - inserção em regime de semi-liberdade;
VI - internação em estabelecimento educacional;
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.

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§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a


gravidade da infração.
§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado.
§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e
especializado, em local adequado às suas condições.
Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100.
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressupõe a existência de provas
suficientes da autoria e da materialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art.
127.
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova da materialidade e indícios
suficientes da autoria.

#OLHAOGANCHO Súmula nº 338 STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas.

#OLHAOGANCHO: REMISSÃO
Remissão é um perdão concedido ao adolescente que pratica ato infracional, de maneira que, pode ser
concedida pelo ministério público (exclusão do processo) ou pelo poder judiciário (suspensão ou extinção do
processo).
Não implica reconhecimento ou comprovação de responsabilidade; não fixa antecedentes. Pode ser
cumulada com medidas de proteção e socioeducativas (exceto semiliberdade e internação); nesse caso de
cumulação, a medida deve passar pelo crivo da autoridade judiciária. Inclusive, o magistrado pode discordar
da remissão e encaminhar ao PGJ, a quem cabe a decisão final sobre a remissão. Ademais, a decisão sobre a
remissão pode ser revista e contra ela cabe o recurso de apelação.

REMISSÃO ANTES DO PROCESSO


Competência do MP. EXCLUI o processo. É pré-processual (antes do processo iniciar). Concedida a remissão
pelo representante do MP os autos serão conclusos ao juiz para homologar ou não (art. 181 do ECA). Também
é chamada de remissão ministerial.

REMISSÃO APÓS O PROCESSO


Competência do juiz. SUSPENDE ou EXTINGUE o processo. É processual, ou seja, depois que a ação
socioeducativa foi proposta. O Ministério Público deverá ser ouvido, mas sua opinião não é vinculante. Quem
decide se concede ou não a remissão é o magistrado. Também é chamada de remissão judicial.

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#SELIGANATABELA
REMISSÃO PRÓPRIA REMISSÃO IMPRÓPRIA
Ocorre quando é concedido perdão puro e simples Ocorre quando é concedido o perdão ao
ao adolescente, sem qualquer imposição. adolescente, mas com a imposição de que ele
cumpra alguma medida socioeducativa, desde que
esta não seja restritiva de liberdade. Nesse caso é
indispensável o consentimento do adolescente e de
seu responsável, além da assistência jurídica de um
advogado ou Defensor Público.

#SELIGANOECA
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do
Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às
circunstâncias e consequências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua
maior ou menor participação no ato infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade judiciária importará na
suspensão ou extinção do processo.
Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da responsabilidade,
nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer das
medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a internação.
Art. 128. A medida aplicada por força da remissão poderá ser revista judicialmente, a qualquer tempo,
mediante pedido expresso do adolescente ou de seu representante legal, ou do Ministério Público.

INFILTRAÇÃO DE AGENTES NO ECA


A Lei nº 13.441/2017, alterou o ECA para prever a infiltração de agentes de polícia na internet com o fim de
investigar crimes contra a dignidade sexual de criança e de adolescente. O tema foi tratado nos arts. 190-A a
190-E do ECA que foram acrescentados pela nova Lei.

#TEMQUESABER
INFILTRAÇÃO POLICIAL NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
Lei de Drogas Lei do Crime Organizado ECA
(art. 53, I) (arts. 10 a 14) (arts. 190-A a 190-E)
Principais características: Principais características: Principais características:
• Não prevê prazo máximo. • Prazo de 6 meses, podendo ser • Prazo de 90 dias, sendo
• Não disciplina procedimento a sucessivamente prorrogada. permitidas renovações, mas o
ser adotado. • Só poderá ser adotada se a prazo total da infiltração não
prova não puder ser produzida poderá exceder 720 dias.
por outros meios disponíveis.

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• Só poderá ser adotada se a


prova não puder ser produzida
por outros meios disponíveis.
• A infiltração de agentes ocorre
apenas na internet.

Segundo o novo art. 190-A do ECA, a infiltração de agentes de polícia na internet pode ocorrer para investigar
os seguintes crimes:

1) Produzir, filmar, registrar etc. cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente
(art. 240 do ECA);
2) Vender vídeo que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente
(art. 241 do ECA);
3) Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir etc. fotografia ou vídeo que contenha cena de sexo explícito ou
pornográfica envolvendo criança ou adolescente (art. 241-A do ECA);
4) Adquirir, possuir ou armazenar fotografia ou vídeo que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica
envolvendo criança ou adolescente (art. 241-B do ECA);
5) Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de
adulteração de fotografia ou vídeo (art. 241-C do ECA);
6) Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com
ela praticar ato libidinoso (art. 241-D do ECA);
7) Invadir dispositivo informático alheio (art. 154-A do CP);
8) Estupro de vulnerável (art. 217-A do CP);
9) Corrupção de menores (art. 218 do CP);
10) Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. 218-A do CP);
11) Favorecimento da prostituição de criança, adolescente ou vulnerável (art. 218-B do CP).

INFILTRAÇÃO DE AGENTES NO ECA


A infiltração será apreciada pelo juiz a partir de:
QUEM PODE a) requerimento do Ministério Público; ou
REQUERER? b) representação do Delegado de Polícia

O requerimento ou a representação pedindo a infiltração deverá demonstrar:


• a necessidade da medida;
• o alcance das tarefas dos policiais;
• os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível,
• os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas;

REQUISTOS DO Dados de conexão são as informações referentes a hora, data, início, término, duração,
REQUERIMENTO endereço de Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão.

Dados cadastrais, por sua vez, são as informações referentes a nome e endereço de
assinante ou de usuário registrado ou autenticado para a conexão a quem endereço
de IP, identificação de usuário ou código de acesso tenha sido atribuído no momento
da conexão.

PRAZO DE A infiltração não poderá exceder o prazo de 90 dias, sendo permitidas renovações,
DURAÇÃO desde que demonstrada sua efetiva necessidade.

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Apesar de a Lei não ser expressa, penso que o prazo máximo de cada renovação
também é de 90 dias.
Pode haver sucessivas renovações ("várias renovações"), mas o prazo total da
infiltração não poderá exceder 720 dias (pouco menos de 2 anos).
A renovação da infiltração, assim como ocorre com o seu deferimento inicial, também
depende de autorização judicial devidamente fundamentada.

As informações da operação de infiltração serão encaminhadas diretamente ao juiz


SIGILO DAS responsável pela autorização da medida, que zelará por seu sigilo.
INFORMAÇÕES Antes da conclusão da operação, o acesso aos autos será reservado ao juiz, ao
DA OPERAÇÃO Ministério Público e ao Delegado de Polícia responsável pela operação, com o objetivo
de garantir o sigilo das investigações.
A infiltração é feita por "agentes de polícia" (art. 190-A do ECA).
O art. 144 da CF/88 menciona a existência dos seguintes órgãos:
QUEM PODERÁ
I - polícia federal;
ATUAR COMO
II - polícia rodoviária federal;
AGENTE
III - polícia ferroviária federal;
INFILTRADO?
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

#LEISECASALVA
Art. 190-A. A infiltração de agentes de polícia na internet com o fim de investigar os crimes previstos nos arts.
240 , 241 , 241-A , 241-B , 241-C e 241-D desta Lei e nos arts. 154-A , 217-A , 218 , 218-A e 218-B do Decreto-
Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal) , obedecerá às seguintes regras: (Incluído pela Lei nº
13.441, de 2017)

I – SERÁ PRECEDIDA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL devidamente circunstanciada e fundamentada, que


estabelecerá os limites da infiltração para obtenção de prova, ouvido o Ministério Público; (Incluído pela Lei
nº 13.441, de 2017)

II – dar-se-á mediante requerimento do Ministério Público ou representação de delegado de polícia e conterá


a demonstração de sua necessidade, o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas
investigadas e, quando possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas
pessoas; (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017)

III – NÃO PODERÁ EXCEDER O PRAZO DE 90 (NOVENTA) DIAS, sem prejuízo de eventuais renovações, DESDE
QUE O TOTAL NÃO EXCEDA A 720 (SETECENTOS E VINTE) DIAS e seja demonstrada sua efetiva necessidade,
a critério da autoridade judicial. (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017)

§ 1 º A autoridade judicial e o Ministério Público poderão requisitar relatórios parciais da operação de


infiltração antes do término do prazo de que trata o inciso II do § 1 º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.441,
de 2017)

§ 2 º Para efeitos do disposto no inciso I do § 1 º deste artigo, consideram-se: (Incluído pela Lei nº 13.441, de
2017)

I – dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração, endereço de Protocolo
de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão; (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017)

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II – dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou de usuário registrado ou


autenticado para a conexão a quem endereço de IP, identificação de usuário ou código de acesso tenha sido
atribuído no momento da conexão.

§ 3 º A infiltração de agentes de polícia na internet não será admitida se a prova puder ser obtida por outros
meios. (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017)

Art. 190-C. NÃO COMETE CRIME o policial que oculta a sua identidade para, por meio da internet, colher
indícios de autoria e materialidade dos crimes previstos nos arts. 240 , 241 , 241-A , 241-B , 241-C e 241-D
desta Lei e nos arts. 154-A , 217-A , 218 , 218-A e 218-B do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal) . (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017)

Parágrafo único. O agente policial infiltrado que deixar de observar a estrita finalidade da investigação
responderá pelos excessos praticados. (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017)

CRIMES CONTRA CRIANÇA E O ADOLESCENTE

#LEISECASALVA
Art. 227. Os crimes definidos nesta Lei são de AÇÃO PÚBLICA INCONDICIONADA.

Art. 227-A Os efeitos da condenação prevista no inciso I do caput do art. 92 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 (Código Penal), para os crimes previstos nesta Lei, praticados por servidores públicos com
abuso de autoridade, SÃO CONDICIONADOS À OCORRÊNCIA DE REINCIDÊNCIA. (Incluído pela Lei nº
13.869. de 2019)
Parágrafo único. A PERDA DO CARGO, do mandato ou da função, nesse caso, INDEPENDERÁ DA PENA
APLICADA NA REINCIDÊNCIA. (Incluído pela Lei nº 13.869. de 2019)

Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante
de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como
de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento, onde
constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato:

Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Parágrafo único. Se o crime é culposo:

Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.

Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de
identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como deixar de proceder aos
exames referidos no art. 10 desta Lei:

Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Parágrafo único. Se o crime é culposo:

Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.

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Ciclos Método

Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em
flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente:

Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância das formalidades
legais.

#ATENÇÃO As hipóteses de apreensão de criança ou adolescente são ordem escrita da autoridade judiciária
ou flagrante de ato infracional. A desobediência a esses parâmetros acarreta a prática do crime previsto no
art. 230. O bem jurídico protegido é o direito de liberdade da criança e do adolescente.

Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente de fazer imediata
comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada:

Pena - detenção de seis meses a dois anos.

#ATENÇÃO O crime somente é praticável pela autoridade policial responsável pela apreensão, ninguém mais.
O bem jurídico tutelado é a liberdade e também a dignidade do apreendido. O direito de comunicar a família
tem assento na Constituição Federal (art. 5º, LXII).

Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento:

Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito
ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 1 o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a
participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses
contracena. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 2 o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime: (Redação dada pela Lei nº 11.829,
de 2008)

I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la; (Redação dada pela Lei nº 11.829, de
2008)

II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou (Redação dada pela Lei


nº 11.829, de 2008)

III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de
tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre
ela, ou com seu consentimento. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

#DEOLHONAJURIS Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio,
cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: (...)

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Ciclos Método

• Crime formal (consumação antecipada): o delito se consuma independentemente da ocorrência de um


resultado naturalístico. Assim, a ocorrência de efetivo abalo psíquico e moral sofrido pela criança ou
adolescente é mero exaurimento do crime, sendo irrelevante para a sua consumação. De igual forma, se
forem filmadas mais de uma criança ou adolescente, no mesmo contexto fático, haverá crime único.
• Crime comum: o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (não exige qualquer qualidade especial do sujeito
ativo).
• Crime de subjetividade passiva própria: exige-se uma condição especial da vítima (no caso, exige-se que a
vítima seja criança ou adolescente).
• Tipo misto alternativo: o legislador descreveu duas ou mais condutas (verbos). No entanto, se o sujeito
praticar mais de um verbo, no mesmo contexto fático e contra o mesmo objeto material, responderá por um
único crime, não havendo concurso de crimes nesse caso. Logo, se o agente fotografou e filmou o ato sexual,
no mesmo contexto fático, haverá crime único.
STJ. 5ª T. PExt no HC 438080-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, j. 27/8/19 (Info 655).

Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou
pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)

Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio,
inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha
cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (Incluído pela Lei nº 11.829, de
2008)

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 1 o Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

I – assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens de que trata o
caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

II – assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias, cenas ou imagens de que
trata o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 2 o As condutas tipificadas nos incisos I e II do § 1 o deste artigo são puníveis quando o responsável legal
pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de que
trata o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro
que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (Incluído pela Lei nº
11.829, de 2008)

Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 1 o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se refere o
caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 2 o Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades


competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a
comunicação for feita por: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

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Ciclos Método

I – agente público no exercício de suas funções; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

II – membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o
recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo; (Incluído
pela Lei nº 11.829, de 2008)

III – representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de
rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial, ao
Ministério Público ou ao Poder Judiciário. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

§ 3 o As pessoas referidas no § 2 o deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido. (Incluído
pela Lei nº 11.829, de 2008)

#DEOLHONAJURIS Em regra, não há automática consunção quando ocorrem armazenamento e


compartilhamento de material pornográfico infanto-juvenil: Se o sujeito armazena (art. 241-B) arquivos
digitais contendo cena de sexo explícito e pornográfica envolvendo crianças e adolescentes e depois
disponibiliza (art. 241-A), pela internet, esses arquivos para outra pessoa, esse indivíduo terá praticado dois
crimes ou haverá consunção e ele responderá por apenas um dos delitos? Em regra, não há automática
consunção quando ocorrem armazenamento e compartilhamento de material pornográfico infanto-juvenil.
Isso porque o cometimento de um dos crimes não perpassa, necessariamente, pela prática do outro. No
entanto, é possível a absorção a depender das peculiaridades de cada caso, quando as duas condutas
guardem, entre si, uma relação de meio e fim estreitamente vinculadas. O princípio da consunção exige um
nexo de dependência entre a sucessão de fatos. Se evidenciado pelo caderno probatório que um dos crimes
é absolutamente autônomo, sem relação de subordinação com o outro, o réu deverá responder por ambos,
em concurso material. A distinção se dá em cada caso, de acordo com suas especificidades. STJ. 6ª T. REsp
1579578-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, j. 04/02/20 (Info 666).

#DEOLHONAJURIS Por conta disso, segundo o STJ, aplica-se o concurso material de crimes (art. 69, CP),
quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica os delitos do art. 241-A e 241-B do ECA:
“(...) é perfeitamente possível o concurso material das condutas de "possuir" e "armazenar" (art. 241-B, ECA)
com as condutas de "publicar" ou "disponibilizar" e "transmitir” (art. 241-A), o que autoriza a aplicação da
regra do art. 69 do Código Penal.” (STJ, 5ª T. AgRg no AgRg no REsp 1330974/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
j. 12/2/19).

#DEOLHONAJURIS Segundo o STJ, “(...) com relação ao princípio da consunção ao crime do art. 241-B, para
que seja considerado mero meio para o cometimento do tipo previsto no art. 241-A, não existe relação de
dependência entre os tipos penais em questão, vez que, tanto a prática do compartilhamento (previsto no
art. 241-A), quanto à prática do armazenamento (previsto no art. 241-B) podem ocorrer isoladamente e de
forma dissociada.” (STJ, REsp 1569856/CE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJ 27/2/18)

#DEOLHONAJURIS Compete à Justiça Federal julgar os crimes dos arts. 241, 241-A e 241-B do ECA, se a
conduta de disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou adolescente tiver sido
praticada pela internet e for acessível transnacionalmente: Redação anterior da tese do Tema 393: Compete
à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir material pornográfico
envolvendo criança ou adolescente [artigos 241, 241-A e 241-B da Lei 8.069/1990] quando praticados por
meio da rede mundial de computadores. STF. Plenário. RE 628624/MG, Rel. Orig. Min. Marco Aurélio, Red.
p/ o acórdão Min. Edson Fachin, j. 28 e 29/10/15 (repercussão geral) (Info 805). Redação atual, modificada
em embargos de declaração: Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em
disponibilizar ou adquirir material pornográfico, acessível transnacionalmente, envolvendo criança ou

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Ciclos Método

adolescente, quando praticados por meio da rede mundial de computadores (arts. 241, 241-A e 241-B da Lei
nº 8.069/1990). STF. Plenário. RE 628624 ED, Rel. Edson Fachin, j. 18/08/20 (Repercussão Geral – Tema 393)
(Info 990).

#DEOLHONAJURIS O STJ, interpretando a decisão do STF (Info 805), afirmou que, quando se fala em
“praticados por meio da rede mundial de computadores (internet)”, o que o STF quer dizer é que a postagem
de conteúdo pedófilo-pornográfico deve ter sido feita em um ambiente virtual propício ao livre acesso. Por
outro lado, se a troca de material pedófilo ocorreu entre destinatários certos no Brasil não há relação de
internacionalidade e, portanto, a competência é da Justiça Estadual. Assim, o STJ afirmou que a definição da
competência para julgar o delito do art. 241-A do ECA passa pela seguinte análise: 1º) Se ficar constatada a
internacionalidade da conduta: Justiça FEDERAL. Ex: publicação do material feita em sites que possam ser
acessados por qualquer sujeito, em qualquer parte do planeta, desde que esteja conectado à internet. 2º)
Nos casos em que o crime é praticado por meio de troca de informações privadas, como nas conversas via
Whatsappou por meio de chat na rede social Facebook: Justiça ESTADUAL. Isso porque tanto no aplicativo
WhatsApp quanto nos diálogos (chat) estabelecido na rede social Facebook, a comunicação se dá entre
destinatários escolhidos pelo emissor da mensagem. Trata-se de troca de informação privada que não está
acessível a qualquer pessoa. Desse modo, como em tais situações o conteúdo pornográfico não foi
disponibilizado em um ambiente de livre acesso, não se faz presente a competência da Justiça Federal. STJ.
3ª S. CC 150.564-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 26/4/17 (Info 603).

Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por
meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de
representação visual: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publica ou
divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido na forma do caput deste artigo.
(Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim
de com ela praticar ato libidinoso: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

I – facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com o fim
de com ela praticar ato libidinoso; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

II – pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a se exibir de forma
pornográfica ou sexualmente explícita. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica”
compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou
simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.
(Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

Art. 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2 o desta Lei, à prostituição
ou à exploração sexual: (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000)

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Pena – reclusão de quatro a dez anos e multa, além da perda de bens e valores utilizados na prática criminosa
em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente da unidade da Federação (Estado ou Distrito
Federal) em que foi cometido o crime, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Redação dada pela Lei nº
13.440, de 2017)

§ 1 o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a
submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.975,
de 23.6.2000)

§ 2 o Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do


estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000)

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração
penal ou induzindo-o a praticá-la: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 1 o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas utilizando-se
de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 2 o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração cometida
ou induzida estar incluída no rol do art. 1 o da Lei n o 8.072, de 25 de julho de 1990 . (Incluído pela Lei nº
12.015, de 2009)

#DEOLHONAJURIS Conforme entendimento pacífico do STJ, não há continuidade delitiva entre os delitos de
roubo e extorsão, porque de espécies diferentes. Deve ser reconhecido o concurso formal entre os delitos
de roubo e corrupção de menores (art. 70, primeira parte, do CP) na hipótese em que, mediante uma única
ação, o réu praticou ambos os delitos, tendo a corrupção de menores se dado em razão da prática do delito
patrimonial. STJ. 6ª T., HC 411.722/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 08/02/18

#DEOLHONAJURIS A prática de crimes em concurso com dois adolescentes dá ensejo à condenação por dois
crimes de corrupção de menores. Ex: João (20 anos de idade), em conjunto com Maikon (16 anos) e
Dheyversson (15 anos), praticaram um roubo. João deverá ser condenado por um crime de roubo qualificado
e por dois crimes de corrupção de menores, em concurso formal (art. 70, 1ª parte, do CP). STJ. 6ª T. REsp
1.680.114-GO, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 10/10/17 (Info 613).

#DEOLHONAJURIS Esta Corte possui entendimento firmado no sentido de só admitir o erro de tipo no crime
de corrupção de menores quando a defesa apresentar elementos probatórios capazes de sustentar a
alegação de desconhecimento do acusado acerca da menoridade do coautor, o que não ocorreu na hipótese
desses autos. Precedentes. STJ. 5ª T., HC 418.146/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, j. 21/11/17.

#DEOLHONAJURIS O agente que pratica delitos da Lei de Drogas envolvendo criança ou adolescente
responde também por corrupção de menores? I) Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18
anos não esteja previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu responderá pelo crime da Lei de Drogas e
também pelo delito do art. 244-B do ECA (corrupção de menores); II) Caso o delito praticado pelo agente e
pelo menor de 18 anos seja o art. 33, 34, 35, 36 ou 37 da Lei de Drogas: ele responderá apenas pelo crime da
Lei de Drogas com a causa de aumento de pena do art. 40, VI, ou seja, não será punido pelo art. 244-B do
ECA para evitar bis in idem. Portanto, na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos
não estar previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de corrupção

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de menores, porém, se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será possível a
condenação por aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI, da Lei nº
11.343/06. STJ. 6ª T. REsp 1.622.781-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 22/11/16 (Info 595).
#DEOLHONAJURIS Não configura bis in idem a incidência da causa de aumento referente ao concurso de
agentes no delito de roubo, seguida da condenação pelo crime de corrupção de menores, já que são duas
condutas, autônomas e independentes, que ofendem bens jurídicos distintos. STJ. 5ª T., HC 362.726/SP, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 01/09/16.

#DEOLHONAJURIS O simples fato de um maior de idade ter se utilizado da participação de um menor de 18


anos na prática de infração penal já é suficiente para que haja a consumação do crime de corrupção de
menores (previsto inicialmente no art. 1º da revogada Lei n. 2.252/54 e atualmente tipificado no art. 244-B
do ECA). Assim, para a configuração do delito não se exige prova de que o menor tenha sido efetivamente
corrompido. Isso porque o delito de corrupção de menores é considerado formal. STJ. 6ª T. HC 159.620-RJ,
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 12/3/13.

#DEOLHONAJURIS O objeto jurídico tutelado pelo tipo que prevê o delito de corrupção de menores é a
proteção da moralidade do menor e visa coibir a prática de delitos em que existe sua exploração. Assim,
cuida-se de crime formal, o qual prescinde de prova da efetiva corrupção do menor. STJ. 6ª T., AgRg no REsp
1133753 MG, Rel. Min. Og Fernandes, j. 16/02/12.

Art. 247. Divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de comunicação, nome,
ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou judicial relativo a criança ou adolescente a que
se atribua ato infracional:

Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

§ 1º Incorre na mesma pena quem exibe, total ou parcialmente, fotografia de criança ou adolescente
envolvido em ato infracional, ou qualquer ilustração que lhe diga respeito ou se refira a atos que lhe sejam
atribuídos, de forma a permitir sua identificação, direta ou indiretamente.

§ 2º Se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora de rádio ou televisão, além da pena prevista
neste artigo, a autoridade judiciária poderá determinar a apreensão da publicação ou a suspensão da
programação da emissora até por dois dias, bem como da publicação do periódico até por dois números.
(Expressão declarada inconstitucional pela ADIN 869).

LEI N. 14.344/2022 – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A CRIANÇA E AO ADOLESCENTE (LEI


HENRY BOREL)

#LEISECASALVA
Art. 2º Configura violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente qualquer AÇÃO OU OMISSÃO
que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano patrimonial:

I - no âmbito do domicílio ou da residência da criança e do adolescente, compreendida como o espaço de


convívio permanente de pessoas, COM OU SEM VÍNCULO FAMILIAR, inclusive as esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que compõem a família
natural, ampliada ou substituta, por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

#TEMQUESABER

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a) família natural: assim entendida a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes
(art. 25, caput, ECA).
b) família extensa/ampliada: aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do
casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de
afinidade e afetividade (art. 25, parágrafo único, ECA).
c) família substituta: para a qual o menor deve ser encaminhado de maneira excepcional, por meio de
qualquer das três modalidades possíveis, que são: guarda, tutela e adoção.

III - em qualquer relação doméstica e familiar na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a vítima,
independentemente de coabitação.

Parágrafo único. Para a caracterização da violência prevista no caput deste artigo, deverão ser observadas
as definições estabelecidas na Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017.

Art. 6º A assistência à criança e ao adolescente em situação de violência doméstica e familiar será prestada
de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos nas Leis n.º 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e 8.742, de 7 de dezembro de 1993, no Sistema Único de Saúde,
no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas públicas de proteção, e
emergencialmente, quando for o caso.

Art. 7º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios PODERÃO criar e promover, para a criança e o
adolescente em situação de violência doméstica e familiar, no limite das respectivas competências e de
acordo com o art. 88 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente):

I - centros de atendimento integral e multidisciplinar;

II - espaços para acolhimento familiar e institucional e programas de apadrinhamento;

III - delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal
especializados;

IV - programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar;

V - centros de educação e de reabilitação para os agressores.

Art. 8º O Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, juntamente com os sistemas de
justiça, de saúde, de segurança pública e de assistência social, os Conselhos Tutelares e a comunidade escolar,
PODERÃO, na esfera de sua competência, adotar ações articuladas e efetivas direcionadas à identificação da
agressão, à agilidade no atendimento da criança e do adolescente vítima de violência doméstica e familiar e
à responsabilização do agressor.

Art. 9º Os Estados e o Distrito Federal, na formulação de suas políticas e planos de atendimento à criança e
ao adolescente em situação de violência doméstica e familiar, darão prioridade, no âmbito da Polícia Civil, à
criação de Delegacias Especializadas de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Art. 10. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios PODERÃO estabelecer dotações orçamentárias
específicas, em cada exercício financeiro, para a implementação das medidas estabelecidas nesta Lei.

#ATENÇÃO à letra da lei: “PODERÃO”.

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ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL #ATENÇÃODELTA

#VAICAIR #APOSTACICLOS Destaque-se, ainda, que nos moldes da Lei Maria da Penha, nas hipóteses de risco
atual ou iminente à vida ou à integridade física da criança e do adolescente, a Lei Henry Borel autoriza que o
DELEGADO DE POLÍCIA decrete o afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a
vítima, desde que a violência seja perpetrada em município que não seja sede de comarca.

Se o delegado de polícia não estiver disponível no momento da denúncia, o afastamento pode ser ordenado
pelo próprio policial, devendo, em todos os casos, ser comunicado o juízo competente no prazo de 24 horas.

Art. 11. Na hipótese de ocorrência de ação ou omissão que implique a ameaça ou a prática de violência
doméstica e familiar contra a criança e o adolescente, a autoridade policial que tomar conhecimento da
ocorrência adotará, de imediato, as providências legais cabíveis.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de
urgência deferida.
(...)

Art. 14. Verificada a ocorrência de ação ou omissão que implique a ameaça ou a prática de violência
doméstica e familiar, com a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da criança e
do adolescente, ou de seus familiares, o agressor será imediatamente afastado do lar, do domicílio ou do
local de convivência com a vítima:

I - pela autoridade judicial;

II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca;

III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento
da denúncia.

§ 1º O Conselho Tutelar poderá representar às autoridades referidas nos incisos I, II e III do caput deste artigo
para requerer o afastamento do agressor do lar, do domicílio ou do local de convivência com a vítima.

§ 2º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo
de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida
aplicada, bem como dará ciência ao Ministério Público concomitantemente.

§ 3º Nos casos de risco à integridade física da vítima ou à efetividade da medida protetiva de urgência, NÃO
SERÁ CONCEDIDA LIBERDADE PROVISÓRIA AO PRESO.

#ATENÇÃODELTA:

Art. 13. No atendimento à criança e ao adolescente em situação de violência doméstica e familiar, a


AUTORIDADE POLICIAL DEVERÁ, entre outras providências:

I - encaminhar a vítima ao Sistema Único de Saúde e ao Instituto Médico-Legal imediatamente;

II - encaminhar a vítima, os familiares e as testemunhas, caso sejam crianças ou adolescentes, ao Conselho


Tutelar para os encaminhamentos necessários, inclusive para a adoção das medidas protetivas adequadas;

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III - garantir proteção policial, quando necessário, comunicados de imediato o Ministério Público e o Poder
Judiciário;

IV - fornecer transporte para a vítima e, quando necessário, para seu responsável ou acompanhante, para
serviço de acolhimento existente ou local seguro, quando houver risco à vida.

MEDIDAS PROTETIVAS

Art. 15. Recebido o expediente com o pedido em favor de criança e de adolescente em situação de violência
doméstica e familiar, CABERÁ AO JUIZ, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas:

I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência;

II - determinar o encaminhamento do responsável pela criança ou pelo adolescente ao órgão de assistência


judiciária, quando for o caso;

III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis;

IV - determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a posse do agressor.

Art. 16. As medidas protetivas de urgência PODERÃO SER CONCEDIDAS PELO JUIZ, a requerimento do
Ministério Público, da autoridade policial, do Conselho Tutelar ou a pedido da pessoa que atue em favor da
criança e do adolescente.

§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de


audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, o qual deverá ser prontamente comunicado.

§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente e poderão ser


substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei
forem ameaçados ou violados.

§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou do Conselho Tutelar, ou a pedido da vítima ou de


quem esteja atuando em seu favor, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já
concedidas, se entender necessário à proteção da vítima, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o
Ministério Público.

#OLHAOGANCHO Art. 23. Qualquer pessoa que tenha conhecimento ou presencie ação ou omissão,
praticada em local público ou privado, que constitua violência doméstica e familiar contra a criança e o
adolescente tem o DEVER DE COMUNICAR o fato imediatamente ao serviço de recebimento e monitoramento
de denúncias, ao Disque 100 da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Mulher, da Família
e dos Direitos Humanos, ao Conselho Tutelar ou à autoridade policial, os quais, por sua vez, tomarão as
providências cabíveis.

#ATENÇÃO Art. 25. Descumprir decisão judicial que defere medida protetiva de urgência prevista nesta Lei:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.

§ 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu a medida.

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§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a AUTORIDADE JUDICIAL poderá conceder fiança.

§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis.

#NÃOESQUECE Note-se que no crime de Descumprimento de Medida Protetiva de Urgência, previsto no


artigo 25 foi proibida a concessão de fiança ao infrator pelo Delegado de Polícia.

#LEISECASALVA
Art. 26. DEIXAR DE COMUNICAR à autoridade pública a PRÁTICA DE VIOLÊNCIA, DE TRATAMENTO CRUEL
OU DEGRADANTE OU DE FORMAS VIOLENTAS DE EDUCAÇÃO, CORREÇÃO OU DISCIPLINA CONTRA CRIANÇA
OU ADOLESCENTE ou o abandono de incapaz:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos.

§ 1º A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada,
se resulta morte.

§ 2º Aplica-se a pena em dobro se o crime é praticado por ascendente, parente consanguíneo até terceiro
grau, responsável legal, tutor, guardião, padrasto ou madrasta da vítima.

LEI N. 9.605/1998 - LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS

#LEISECASALVA
Art. 2º Quem, de qualquer forma, CONCORRE para a PRÁTICA DOS CRIMES PREVISTOS NESTA LEI, incide nas
penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro
de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que,
sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.

#ATENÇÃO Importante destacar que as pessoas indicadas no dispositivo respondem tanto por ação como
por omissão. Esses requisitos (“sabendo”; “deixar de impedir” e “quando podia agir para evitá-la”), devem
ser observados para evitar a responsabilidade penal objetiva.

Art. 3º As PESSOAS JURÍDICAS serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o


disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.

Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas NÃO EXCLUI a das pessoas físicas, autoras, co-
autoras ou partícipes do mesmo fato.

#DOUTRINA Segundo ensinam Pacelli e Callegari, na responsabilidade penal da pessoa jurídica, “admite-se a
possibilidade de sua punição a título de dolo identificando-se este com a presença do elemento cognitivo,
configurado pelo conhecimento do risco que a conduta empresarial representa a um bem jurídico. Prescinde,
para sua punição, da demonstração de uma vontade contrária à norma de conduta. Todavia, destaca-se que
esse conhecimento não se confunde com o psicológico próprio das pessoas naturais, senão em um defeito de
organização.”(Manual de Direito Penal. 2ª ed. São Paulo. Atlas. 2016, p. 228). Em outras palavras, o elemento
cognitivo do dolo é o conhecimento do risco que a conduta empresarial representa a um bem jurídico, o que
afasta a necessidade de que se demonstre a vontade contrária à norma. Este conhecimento representa um
defeito de organização, que não se confunde com o conhecimento psicológico característico das pessoas
naturais. Relativiza-se o elemento volitivo diante da sobreposição do elemento cognitivo.

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#DEOLHONAJURIS É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais


independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome. Desse
modo, o art. 225, § 3º, da CF/88 não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes
ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A
jurisprudência não mais adota a chamada teoria da "dupla imputação". STJ. 6ª T. RMS 39.173-BA, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, j. 6/8/15 (Info 566). STF. 1ª T. RE 548181/PR, Rel. Min. Rosa Weber, j. 6/8/13
(Info 714).

#ATENÇÃO Não há impedimento legal para que as pessoas jurídicas de direito público sejam
responsabilizadas por dano ambiental.

Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:


I - a GRAVIDADE DO FATO, tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública
e para o meio ambiente;
II - os ANTECEDENTES DO INFRATOR quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental;
III - a SITUAÇÃO ECONÔMICA DO INFRATOR, no caso de multa.

Art. 8º As PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO são:


I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.

#ATENÇÃO O recolhimento domiciliar é pena restritiva de direito prevista no art. 8º, V da LCA, aplicável, por
razões lógicas, apenas, às pessoas físicas. As penas restritivas de direitos aplicáveis exclusivamente às
pessoas jurídicas estão previstas no art. 22, I, II e III da LCA.

Art. 14. São CIRCUNSTÂNCIAS QUE ATENUAM A PENA:

I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa


da degradação ambiental causada;

III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;

IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

Art. 15. São CIRCUNSTÂNCIAS QUE AGRAVAM A PENA, quando não constituem ou qualificam o crime:

I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;

II - ter o agente cometido a infração:


a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;

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e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial
de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de confiança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por
incentivos fiscais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.

DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE

Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória,
sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:

Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas:

I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida;

II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;

III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou
transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e
objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou
autorização da autoridade competente.

§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz,
considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.

§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer
outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites
do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras.

§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:

I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração;

II - em período proibido à caça;

III - durante a noite;

IV - com abuso de licença;

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V - em unidade de conservação;

VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em massa.

§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional.

§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.

#ATENÇÃO
Os crimes contra a FAUNA, previstos na Lei 9605/98 são os mais fáceis de lembrar as penas. Vejamos:
-> Pena máxima: Reclusão de 1 a 5 anos (art. 35) - Pescar utilizando explosivos/substâncias tóxicas.
-> Penas mínimas: Detenção de 03 meses a 1 ano + Multa (art. 31/32) - Introduzir espécies no País sem
licença/ Abusos e maus tratos (animais domesticados ou exóticos). Detenção de 06 meses a 1 ano + Multa
(art. 29) - Matar, perseguir, aprisionar, destruir, vender (animais).
-> O restante dos crimes: 1 a 3 anos.

#ATENÇÃODOUTRINA Diante da atual sociedade, que cada vez mais tutela bens de grandes dimensões, como
o meio ambiente, a conduta de uma só pessoa, aparentemente, não lesaria o bem jurídico tutelado. É o caso,
por exemplo, de criminalizar a conduta do agente que pesca um único peixe em época de defeso. Em
princípio, não há lesão, pois "é apenas um peixe" pescado "por uma só pessoa". Todavia, a soma de pessoas
pescando em época proibida causará lesão ao meio ambiente. Essa é a razão, então, de se punir uma conduta
isolada, para prevenir a lesão maior. Entretanto, entende a doutrina (mais garantista, claro), então, que
quando se pune uma só conduta, na verdade, há punição em razão do desrespeito a um dever de conduta,
não a um "verdadeiro crime" (chamando-se isso de "delito de transgressão"). Melhor seria, por exemplo, que
fosse aplicada uma sanção administrativa, uma multa, advertência etc. Assim, o Direito Administrativo, no
caso, trataria melhor dessas infrações, não o Direito Penal. Em razão disso, fala-se em administrativização
do Direito Penal, ou seja, condutas lesivas a um bem jurídico que poderiam ser tratadas por ramos
administrativos ao invés do Direito Penal. Isso está de acordo com o princípio da "ultima ratio", ou seja, se
uma multa poderia impedir o agente de pescar um único peixe, não seria o caso de incidir o Direito Penal.
Em suma: os "pequenos" riscos da sociedade atual não deveriam ser tratados pelo Direito Penal, que está
cada vez mais inchado de condutas que poderiam ser tratadas por outros ramos; as legislações estão
colocando no D. Penal condutas que seriam punidas administrativamente - por isso "administrativização do
Direito Penal".

Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:

Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:

I - pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos inferiores aos permitidos;

II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e


métodos não permitidos;

III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes provenientes da coleta, apanha e pesca
proibidas.

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#DEOLHONAJURIS Nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a aplicação do princípio da insignificância,


de modo a tornar a ação atípica exige a satisfação de certos requisitos, de forma concomitante: a conduta
minimamente ofensiva, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento e a lesão jurídica inexpressiva. II – Paciente que sequer estava praticando a pesca e não
trazia consigo nenhum peixe ou crustáceo de qualquer espécie, quanto mais aquelas que se encontravam
protegidas pelo período de defeso. STF. 2ª T., HC 181235 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 29/05/20.

#DEOLHONAJURIS (In) aplicabilidade do princípio da bagatela no caso do crime previsto no art. 34 da Lei
9.605/98: O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da
Lei 9.605/98. Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em período de defeso com o uso de
método não permitido. STF. 1ª T. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 8/5/18 (Info 901). Outro caso
concreto: realização de pesca com rede de oitocentos metros e apreensão de oito quilos de pescados. STF.
2ª T. HC-AgR 163.907-RJ. Relª Min. Cármen Lúcia, j. 17/03/20.
OBS: apesar de a redação utilizada no informativo original ter sido bem incisiva (“O princípio da bagatela não
se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”), existem julgados tanto
do STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da insignificância para o delito de pesca ilegal.
Deve-se ficar atenta(o) para como isso será cobrado no enunciado da prova.

Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou
utilizá-la com infringência das normas de proteção:

Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.

#DICAS
Art. 38, LCA: destruir ou danificar FLORESTA considerada de preservação permanente.
FLORESTA = formação arbórea densa, de alto porte, que recobre área de terra mais ou menos extensa.
Suprimir vegetação marginal não se enquadra no tipo mencionado.
Nem sempre a degradação em APP vai ser considerada ilícita, pode ser feita com autorização.

Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta:

Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa.

#AOCP #PCPA #SELIGA (PCPA-2021-AOCP): De acordo com a Lei nº 9.605/1998 (crimes contra o meio
ambiente), a pena mínima de reclusão prevista àquele que, dolosamente, provoca incêndio em mata ou
floresta é de dois anos. art. 41, caput, LCA.

Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à
saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

§ 1º Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.

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§ 2º Se o crime:

I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;

II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas
afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população;

III - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma
comunidade;

IV - dificultar ou impedir o uso público das praias;

V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas,
em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos:

Pena - reclusão, de um a cinco anos.

§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir
a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.

#DEOLHONAJURIS O delito previsto na 1ª parte do art. 54 da Lei 9.605/98 possui natureza formal, sendo
suficiente a potencialidade de dano à saúde humana para configuração da conduta delitiva, não se exigindo,
portanto, a realização de perícia. STJ. 3ª S. EREsp 1417279/SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 11/04/18 (Info
624).

#DOUTRINA Crimes de acumulação ou crimes de dano cumulativo: Esta classificação tem origem na
Dinamarca (“kumulations delikte”), e parte da seguinte premissa: determinadas condutas
são incapazes, isoladamente, de ofender o valor ou interesse protegido pela norma penal. Contudo, a
repetição delas, cumulativamente consideradas, constitui crime, em face da lesão ou perigo de lesão ao
bem jurídico. Ex.: Embora o comportamento seja imoral e ilícito, quem joga lixo uma única vez e em
quantidade pequena às margens de um riacho não comete o crime de poluição. Porém, se esta conduta for
reiterada, surgirá o delito tipificado no art. 54 da Lei 9.605/98 – Lei dos Crimes Ambientais. (Fonte: MASSON,
Cleber. Direito Penal – Parte Geral, Ed. Método, 2019, p. 186).

LEI N. 9.434/1997 - CRIMES TIPIFICADOS NA LEI DE TRANSPLANTES

#LEISECASALVA
Art. 14. Remover tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver, em desacordo com as disposições
desta Lei:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, de 100 a 360 dias-multa.

§ 1.º Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa ou por outro motivo torpe:

Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa, de 100 a 150 dias-multa.

§ 2.º Se o crime é praticado em pessoa viva, e resulta para o ofendido:

I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;

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II - perigo de vida;

III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;

IV - aceleração de parto:

Pena - reclusão, de três a dez anos, e multa, de 100 a 200 dias-multa

§ 3.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta para o ofendido:

I - Incapacidade para o trabalho;

II - Enfermidade incurável ;

III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função;

IV - deformidade permanente;

V - aborto:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos, e multa, de 150 a 300 dias-multa.

§ 4.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta morte:

Pena - reclusão, de oito a vinte anos, e multa de 200 a 360 dias-multa.

Art. 15. Comprar ou vender tecidos, órgãos ou partes do corpo humano:

Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa, de 200 a 360 dias-multa.

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem promove, intermedeia, facilita ou aufere qualquer vantagem
com a transação.

Art. 16. Realizar transplante ou enxerto utilizando tecidos, órgãos ou partes do corpo humano de que se tem
ciência terem sido obtidos em desacordo com os dispositivos desta Lei:

Pena - reclusão, de um a seis anos, e multa, de 150 a 300 dias-multa.

Art. 17 Recolher, transportar, guardar ou distribuir partes do corpo humano de que se tem ciência terem sido
obtidos em desacordo com os dispositivos desta Lei:

Pena - reclusão, de seis meses a dois anos, e multa, de 100 a 250 dias-multa.

Art. 18. Realizar transplante ou enxerto em desacordo com o disposto no art. 10 desta Lei e seu parágrafo
único:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Art. 19. Deixar de recompor cadáver, devolvendo-lhe aspecto condigno, para sepultamento ou deixar de
entregar ou retardar sua entrega aos familiares ou interessados:

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Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Art. 20. Publicar anúncio ou apelo público em desacordo com o disposto no art. 11:

Pena - multa, de 100 a 200 dias-multa.

LEI N. 9.609/1998 – INFRAÇÕES PENAIS CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL

#LEISECASALVA
Art. 12. Violar direitos de autor de programa de computador:

Pena - Detenção de seis meses a dois anos ou multa.

§ 1º Se a violação consistir na reprodução, por qualquer meio, de programa de computador, no todo ou em


parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente:

Pena - Reclusão de um a quatro anos e multa.

§ 2º Na mesma pena do parágrafo anterior incorre quem vende, expõe à venda, introduz no País, adquire,
oculta ou tem em depósito, para fins de comércio, original ou cópia de programa de computador, produzido
com violação de direito autoral.

§ 3º Nos crimes previstos neste artigo, somente se procede mediante queixa, salvo:

I - quando praticados em prejuízo de entidade de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de
economia mista ou fundação instituída pelo poder público;

II - quando, em decorrência de ato delituoso, resultar sonegação fiscal, perda de arrecadação tributária ou
prática de quaisquer dos crimes contra a ordem tributária ou contra as relações de consumo.

§ 4º No caso do inciso II do parágrafo anterior, a exigibilidade do tributo, ou contribuição social e qualquer


acessório, processar-se-á independentemente de representação.

Art. 13. A ação penal e as diligências preliminares de busca e apreensão, nos casos de violação de direito de
autor de programa de computador, serão precedidas de vistoria, podendo o juiz ordenar a apreensão das
cópias produzidas ou comercializadas com violação de direito de autor, suas versões e derivações, em poder
do infrator ou de quem as esteja expondo, mantendo em depósito, reproduzindo ou comercializando.

Art. 14. Independentemente da ação penal, o prejudicado poderá intentar ação para proibir ao infrator a
prática do ato incriminado, com cominação de pena pecuniária para o caso de transgressão do preceito.

§ 1º A ação de abstenção de prática de ato poderá ser cumulada com a de perdas e danos pelos prejuízos
decorrentes da infração.

§ 2º Independentemente de ação cautelar preparatória, o juiz poderá conceder medida liminar proibindo ao
infrator a prática do ato incriminado, nos termos deste artigo.

§ 3º Nos procedimentos cíveis, as medidas cautelares de busca e apreensão observarão o disposto no artigo
anterior.

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§ 4º Na hipótese de serem apresentadas, em juízo, para a defesa dos interesses de qualquer das partes,
informações que se caracterizem como confidenciais, deverá o juiz determinar que o processo prossiga em
segredo de justiça, vedado o uso de tais informações também à outra parte para outras finalidades.

§ 5º Será responsabilizado por perdas e danos aquele que requerer e promover as medidas previstas neste e
nos arts. 12 e 13, agindo de má-fé ou por espírito de emulação, capricho ou erro grosseiro, nos termos dos
arts. 16, 17 e 18 do Código de Processo Civil.

LEI N. 10.671/2003 - CRIMES TIPIFICADOS NO ESTATUTO DE DEFESA DO TORCEDOR

#LEISECASALVA
Art. 41-B. Promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir LOCAL RESTRITO AOS COMPETIDORES
em eventos esportivos: (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Pena - reclusão de 1 (um) a 2 (dois) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

§ 1o Incorrerá nas mesmas penas o torcedor que: (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

I - PROMOVER TUMULTO, PRATICAR OU INCITAR A VIOLÊNCIA NUM RAIO DE 5.000 (CINCO MIL) METROS
AO REDOR DO LOCAL de realização do evento esportivo, ou durante o trajeto de ida e volta do local da
realização do evento; (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

II - PORTAR, DETER OU TRANSPORTAR, no interior do estádio, em suas imediações ou no seu trajeto, em dia
de realização de evento esportivo, quaisquer instrumentos que possam servir para a prática de violência.
(Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

§ 2o Na sentença penal condenatória, o juiz deverá converter a pena de reclusão em pena impeditiva de
comparecimento às proximidades do estádio, bem como a qualquer local em que se realize evento esportivo,
pelo prazo de 3 (três) meses a 3 (três) anos, de acordo com a gravidade da conduta, na hipótese de o agente
ser primário, ter bons antecedentes e não ter sido punido anteriormente pela prática de condutas previstas
neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

§ 3o A pena impeditiva de comparecimento às proximidades do estádio, bem como a qualquer local em que
se realize evento esportivo, converter-se-á em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento
injustificado da restrição imposta. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

§ 4o Na conversão de pena prevista no § 2o, a sentença deverá determinar, ainda, a obrigatoriedade


suplementar de o agente permanecer em estabelecimento indicado pelo juiz, no período compreendido entre
as 2 (duas) horas antecedentes e as 2 (duas) horas posteriores à realização de partidas de entidade de prática
desportiva ou de competição determinada. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

§ 5o Na hipótese de o representante do Ministério Público propor aplicação da pena restritiva de direito


prevista no art. 76 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, o juiz aplicará a sanção prevista no § 2o.
(Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Art. 41-C. SOLICITAR OU ACEITAR, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem patrimonial
ou não patrimonial para qualquer ato ou omissão destinado a alterar ou falsear o resultado de competição
esportiva ou evento a ela associado: (Redação dada pela Lei nº 13.155, de 2015)

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Ciclos Método

Pena - reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Art. 41-D. DAR OU PROMETER vantagem patrimonial ou não patrimonial com o FIM DE ALTERAR OU
FALSEAR O RESULTADO de uma competição desportiva ou evento a ela associado: (Redação dada pela
Lei nº 13.155, de 2015)

Pena - reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Art. 41-E. FRAUDAR, por qualquer meio, ou contribuir para que se fraude, de qualquer forma, o resultado
de competição esportiva ou evento a ela associado: (Redação dada pela Lei nº 13.155, de 2015)

Pena - reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Art. 41-F. Vender ingressos de evento esportivo, por preço superior ao estampado no bilhete: (Incluído
pela Lei nº 12.299, de 2010).

Pena - reclusão de 1 (um) a 2 (dois) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Art. 41-G. Fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao
estampado no bilhete: (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa. (Incluído pela Lei nº 12.299, de 2010).

Parágrafo único. A pena será aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o agente for servidor público,
dirigente ou funcionário de entidade de prática desportiva, entidade responsável pela organização da
competição, empresa contratada para o processo de emissão, distribuição e venda de ingressos ou torcida
organizada e se utilizar desta condição para os fins previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.299,
de 2010).

DIREITO PENAL

Faaala galera, chegamos a reta finalíssima da nossa prova PC/GO, preparamos essa revisão
visando os pontos mais importantes para a sua prova! Leia com atenção o nosso material e não
negligencie em nenhum ponto do edital, pois é no detalhe que mora a aprovação.

Caso, e somente caso, você não tenha tempo de ler todo o NFPSS procure pela #APOSTACICLOS,
você encontrará os pontos do edital que são a cara da Banca Examinadora. Vamos lá?

PONTO: Introdução ao direito penal. 1.1 Conceito, características, velocidades e função do direito penal.
1.2 Princípios básicos do direito penal. 1.3 Relações com outros ramos do direito. 1.4 Direito penal e
política criminal. 1.5 Escolas penais, garantismo, funcionalismo e direito penal do inimigo. 2 A lei penal.
2.1 Características, fontes, classificações, analogia, interpretação, vigência e aplicação. 2.2 Lei penal no
tempo e no espaço. 2.3 Imunidade. 2.4 Condições de punibilidade. 2.5 Conflito aparente de normas. 2.6
Lei penal em branco. 3 Teoria geral do crime. 3.1 Conceito, objeto, sujeitos, conduta, tipicidade,
culpabilidade. 3.2 Bem jurídico. 3.3 Tempo e lugar do crime. 3.4 Punibilidade. 3.5 Concurso de crimes e
crime continuado. 3.6 Fato típico: conduta; resultado; relação de causalidade e tipicidade. 4 Teoria do
tipo. 4.1 Crime doloso e crime culposo. 4.2 Crime qualificado pelo resultado e crime preterdoloso. 4.3
Erro de tipo. 4.4 Classificação jurídica dos crimes. 4.5 Crimes comissivos e omissivos. 4.6 Crimes de dano
e de perigo. 4.7 Punibilidade: causas de extinção da punibilidade. 4.8 Iter criminis. 4.9 Consumação e

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tentativa. 4.10 Desistência voluntária e arrependimento eficaz. 4.11 Arrependimento posterior. 4.12
Crime impossível.

INTRODUÇÃO
De acordo com Cleber Masson, o Direito Penal é um conjunto de princípios e regras destinados a combater
o crime e a contravenção penal, mediante a imposição de sanção penal. Cuida-se de ramo do Direito
Público, imposto a todas as pessoas, de maneira que o Estado é o titular exclusivo do direito de punir.

Características do Direito Penal

-É uma ciência;
-É cultural;
-É normativo (estudo da lei penal);
-Estabelece a sua própria escala de valores;
-É finalista (proteção de bens jurídicos fundamentais);
-Constitutivo (quando protege interesses não regulados em outras áreas do Direito);
-Sancionador (acrescenta a proteção penal aos bens jurídicos disciplinados por outras áreas do Direito);
-Fragmentário (não tutela todos os interesses, mas somente os mais importantes).

#SAIBADIFERENCIAR
DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL
Analisa fatos humanos, Ciência empírica que estuda o Trabalha as estratégias e meios
definindo quais devem ser crime, a pessoa do criminoso, de controle social da
rotulados como infrações da vítima e o comportamento criminalidade. O crime é visto
penais, anunciado as da sociedade. O crime é visto enquanto valor.
respectivas sanções. O crime enquanto fato.
é visto enquanto norma.
*Retirado do livro de Rogério Sanches – Manual de Direito Penal, 2014, Ed. JusPodivm, página 36.

PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL


Preceitua, basicamente, a exclusividade da lei para a criação de delitos e
contravenções penais e cominação de penas.
Segundo a doutrina tradicional, é vedada a edição de medidas provisórias sobre
matéria relativa a Direito Penal, seja ela favorável ou desfavorável ao réu,
PRINCÍPIO DA RESERVA
em aplicação expressa do texto constitucional. Contudo, o STF firmou
LEGAL OU ESTRITA
jurisprudência no sentido de que as medidas provisórias podem ser
LEGALIDADE
utilizadas na esfera penal, desde que benéficas ao agente.
#ATENÇÃO O fundamento jurídico do princípio é a TAXATIVIDADE, pois implica,
por parte do legislador, a determinação precisa, ainda que mínima, do
conteúdo do tipo penal e da sanção penal a ser aplicada.
A lei penal deve ser anterior ao fato cuja punição se pretende. A lei penal só é
aplicável aos casos ocorridos após a sua entrada em vigor. O efeito
ANTERIORIDADE
automático desse princípio é de que a lei não retroage, salvo para beneficiar
o réu (irretroatividade da lei penal).
Não há crime na conduta que prejudica somente quem a praticou. Esse é o
ALTERIDADE
fundamento para que o ordenamento jurídico não puna autolesão. O crime

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exige intersubjetividade, isto é, que a conduta ultrapasse a pessoa do


agente.
PRINCÍPIO DA Quem respeita as regras da vida em sociedade, tem o direito de confiar que as
CONFIANÇA demais pessoas também respeitarão tais regras.
PRINCÍPIO DA #ATENÇÃO É CAUSA SUPRALEGAL DE EXCLUDENTE DA TIPICIDADE
ADEQUAÇÃO Não poder ser considerado criminoso o comportamento que, embora tipificado
SOCIAL em lei, não afronte o sentimento social de justiça.
A lei só deve prever as penas estritamente necessárias. O princípio da
intervenção mínima se subdivide em outros dois:
PRINCÍPIO DA fragmentariedade/caráter fragmentário do Direito Penal: o DP é a última fase,
INTERVENÇÃO a última etapa, grau de proteção do bem jurídico.
MÍNIMA subsidiariedade: fala-se que o direito penal é um executor de reserva. O DP só
pode agir no caso concreto quando o problema não puder ser solucionado
pelos demais ramos do Direito
O STF diz que o princípio da proporcionalidade tem uma dupla face (Gilmar –
PRINCÍPIO DA
direito alemão). De um lado a proporcionalidade é uma proteção ao excesso
PROPORCIONALIDA
(sempre se falou dessa face) - não se pode punir mais do que o necessário
DE
para a proteção do bem jurídico.
Só há crime quando a conduta é capaz de lesionar, ou ao menos de colocar em
perigo de lesão, o bem jurídico penalmente protegido. A lesividade possui 4
vertentes:
1ª IMPOSSIBILITA A CRIMINALIZAÇÃO DE ATITUDE MERAMENTE INTERNA
PRINCÍPIO DA 2ª ALTERIDADE: impossibilidade de tipificação de conduta que não extrapole o
OFENSIVIDADE OU âmbito do agente
LESIVIDADE 3ª IMPOSSIBILIDADE DE PUNIÇÃO DO ESTADO DE EXISTÊNCIA (posso punir o
agente apenas pelo que ele faz e não pelo que ele é (seria direito penal do
inimigo)
4ª IMPOSSIBILIDADE DE INCRIMINAÇÃO DE QUALQUER CONDUTA QUE SEJA
MERAMENTE DESVIADA
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Os sucessores jamais
sofrerão as consequências penais da condenação, no entanto eles deverão
responder, na esfera cível pela reparação do dano e pelo perdimento de
PRINCÍPIO DA
bens, até o valor do patrimônio transferido, conforme art. 5º, XLV da CF.
PESSOALIDADE
Prevalece o entendimento no sentido de que a multa não perde a natureza
de sanção penal, ainda que convertida em dívida de valor, razão pela qual
não será transmitida aos sucessores no caso de falecimento.
Orienta o legislador, o julgador e o administrador na aferição das circunstâncias
objetivas e subjetivas do delito para aplicação da pena. Tal como o princípio
da humanidade, o princípio da individualização da pena também foi
utilizado pelo STF como fundamento para considerar inconstitucional a
impossibilidade de progressão de regime nos casos de crimes hediondos,
PRINCÍPIO DA
dando origem à súmula vinculante. 26.
INDIVIDUALIZAÇÃO
SÚMULA VINCULANTE 26: Para efeito de progressão de regime no
DAS PENAS
cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da
execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n. 8.072, de 25
de julho de 1990, se prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não,
os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, PODENDO DETERMINAR,
para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.
PRINCÍPIO DA REQUISITOS (M A R I)
INSIGINIFICÂNCIA •Mínima ofensividade da conduta:

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•Ausência de periculosidade social da ação


•Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento (crime de militar - alto
grau)
•Inexpressividade da lesão jurídica.
#ATENÇÃODELTA Autoridade policial pode aplicar o princípio da
insignificância? Para o STJ só o juiz pode. HC 154.949/MG. PENAL. HABEAS
CORPUS. FURTO. IRRELEVÂNCIA PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
RESISTÊNCIA. ALEGAÇAO DE POSSIBILIDADE DE ABSOLVIÇAO DO CRIME DE
RESISTÊNCIA ANTE A ATIPICIDADE DA CONDUTA DE FURTO.
IMPOSSIBILIDADE. ATO LEGAL DE AUTORIDADE. Para Cleber Masson, e em
concursos policiais, adotar a posição de que a autoridade policial PODE
aplicar o princípio da insignificância, principalmente para analisar a
legalidade da prisão em flagrante.

#DEOLHONAJURIS Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os
mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as
condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual
ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua
dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos
primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716 (LEI CRIMES DE RACISMO), de 08.01.1989,
constituindo, também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar
motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”); 2. A repressão penal à prática da homotransfobia
não alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação
confessional professada, a cujos fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos
muçulmanos e líderes ou celebrantes das religiões afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito
de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu
pensamento e de externar suas convicções de acordo com o que se contiver em seus livros e códigos
sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou teológica, podendo buscar e
conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva liturgia, independentemente do espaço,
público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva, desde que tais manifestações não configurem
discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou
a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero; 3. O
conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos
estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma construção
de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e destinada ao controle
ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da dignidade e da
humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem ao
estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos
e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência
de odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do
sistema geral de proteção do direito. STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel.
Min. Edson Fachin, julgados em em 13/6/2019 (Info 944). #IMPORTANTE

#DEOLHONAJURIS Não se deve conceder a extradição se, na época do fato, a conduta imputada ao
extraditando não era punida como crime no Brasil. Não se deve conceder a extradição se, na época do
fato, a conduta imputada ao extraditando não era punida como crime no Brasil, ainda que, no momento
do pedido de extradição, já exista lei tipificando como infração penal. Isso porque seria uma ofensa à
irretroatividade da lei penal brasileira. Ex: extraditando financiou grupo terrorista em 2013; ocorre que a
Lei de Terrorismo somente foi editada em 2016 (Lei nº 13.260/2016). STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel.
Min. Edson Fachin, julgado em 6/8/2019 (Info 946).

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Ciclos Método

Não se deve conceder a extradição se a conduta do extraditando de financiar grupo terrorista que pretendia
tomar o poder caracteriza-se como crime político. Não se deve conceder a extradição se a conduta do
extraditando de financiar grupo terrorista que pretendia tomar o poder caracteriza-se como crime
político, tendo em vista a vedação prevista no art. 5º, LII, da CF/88. STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 6/8/2019 (Info 946).
Não se deve conceder a extradição se o país requerente vem enfrentando um quadro de instabilidade
política. Não se deve conceder a extradição se o país requerente vem enfrentando um quadro de
instabilidade política, tendo ocorrido a demissão de juízes e a prisão de opositores do governo. Isso
porque, neste caso, haveria o risco de o extraditando ser submetido a um tribunal ou juízo de exceção
(art. 82, VIII, da Lei nº 13.445/2017). STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
6/8/2019 (Info 946).

#DEOLHONAJURS #INSIGNIFICÂNCIA
Furto simples: É possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o furto de um
carrinho de mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), mesmo ele possuindo antecedentes
criminais por crimes patrimoniais. STF. 1ª Turma. RHC 174784/MS, rel. orig. Min. Marco Aurélio,red. p/ o
ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/2/2020 (Info 966).
Furto noturno: É possível a aplicação do princípio da insignificância em face de réu reincidente e realizado no
período noturno. Na espécie, trata-se de furto de R$ 4,15 em moedas, uma garrafa pequena de
refrigerante, duas garrafas de 600 ml de cerveja e uma de 1 litro de pinga, tudo avaliado em R$ 29,15.
STF. 2ª Turma. HC 181389/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/04/2020 (Info 973)
Furto qualificado: Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo quando
presentes circunstâncias excepcionais que recomendam a medida A despeito da presença de
qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material
da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato
imputado, recomendando a aplicação do princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. HC 553.872 - SP, Rel.
[Link] Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 665)
Descaminho: O princípio da insignificância incide nos crimes federais de natureza tributária, especialmente
no descaminho (CP, art. 334), quando o tributo devido não ultrapassa o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil
reais), de acordo com a jurisprudência do STF e STJ. #ATENÇÃO: O princípio da insignificância não é
aplicável ao delito de contrabando, tipificado no art. 334-A do Código Penal, em face da natureza proibida
da mercadoria importada ou exportada. Este crime não tem natureza tributária.
Princípio da insignificância e reincidência: A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça
a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto. Apesar disso, na prática,
observa-se que, na maioria dos casos, o STF e o STJ negam a aplicação do princípio da insignificância caso
o réu seja reincidente ou já responda a outros inquéritos ou ações penais. STF. Plenário. HC 123108/MG,
HC 123533/SP e HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 3/8/2015 (Info 793).
Princípio da insignificância e aplicação do regime aberto: Possibilidade de aplicar o regime inicial aberto ao
condenado por furto, mesmo ele sendo reincidente, desde que seja insignificante o bem subtraído. A
reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz
dos elementos do caso concreto. No entanto, com base no caso concreto, o juiz pode entender que a
absolvição com base nesse princípio é penal ou socialmente indesejável. Nesta hipótese, o magistrado
condena o réu, mas utiliza a circunstância de o bem furtado ser insignificante para fins de fixar o regime
inicial aberto. Desse modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a insignificância para criar uma exceção
jurisprudencial à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base no princípio da proporcionalidade. STF. 1ª
Turma. HC 135164/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
23/4/2019 (Info 938).

Princípio da insignificância e antecedentes criminais: É possível aplicar o princípio da insignificância para


furto de bem avaliado em R$ 20,00 mesmo que o agente tenha antecedentes criminais por crimes

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patrimoniais. É possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o furto de
um carrinho de mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), mesmo ele possuindo antecedentes
criminais por crimes patrimoniais. STF. 1ª Turma. RHC 174784/MS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o
ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/2/2020 (Info 966).

A existência de antecedentes criminais (habitualidade criminosa) pode servir como argumento do juiz para
afastar a aplicação do princípio da insignificância? Sim. No entanto, não se trata de uma vedação absoluta,
podendo ser, excepcionalmente, aplicado o princípio, com base nas circunstâncias do caso concreto.

Teoria da reiteração não cumulativa de condutas de gêneros distintos: O que significa isso? É possível aplicar
o princípio da insignificância mesmo havendo essa condenação, porque a contumácia de infrações penais
que não têm o patrimônio como bem jurídico tutelado pela norma penal (a exemplo da lesão corporal)
não pode ser valorada como fator impeditivo à aplicação do princípio da insignificância. STF. 2ª Turma.
HC 114723/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 26/8/2014 (Info 756)

#APOSTACICLOS A multirreincidência específica somada ao fato de o acusado estar em prisão domiciliar


durante as reiterações criminosas são circunstâncias que inviabilizam a aplicação do princípio da
insignificância. REsp 1.957.218-MG, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª
Região), Sexta Turma, por maioria, julgado em 23/08/2022. (Info 746)

#APOSTACICLOS É vedada a utilização de inquéritos e/ou ações penais em curso para impedir a aplicação do
art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. REsp 1.977.027-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 10/08/2022 (Tema 1139).

#APOSTACICLOS Admite-se reconhecer a não punibilidade de um furto de coisa com valor insignificante,
ainda que presentes antecedentes penais do agente, se não denotarem estes tratar-se de alguém que se
dedica, com habitualidade, a cometer crimes patrimoniais. AgRg no REsp 1.986.729-MG, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 28/06/2022, DJe 30/06/2022.

#NÃOSABOTEASSÚMULAS:
Súmula 589 - STJ: “É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticadas
contra a mulher no âmbito das relações domésticas”.
Súmula 599 - STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública.
Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de
internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997.
ESCOLAS PENAIS

#RESUMEAÍPROF
Século das luzes – Beccaria, Carrara. Utilizavam o método racionalista e dedutivo
(lógico) e eram jusnaturalistas, de maneira que acreditavam que as normas
naturais prevaleciam sobre o direito posto. O crime tinha um conceito
ESCOLA CLÁSSICA
meramente jurídico, tendo como sustentáculo o direito natural;
predominava o livre-arbítrio; pena como forma de retribuição; tendência de
eliminar penas corporais.
Lombroso, Ferri, Rafael Garofalo – os estudos biológicos e sociológicos
ESCOLA POSITIVA
assumiram relevante importância (ex. criminologia).
CORRECIONALISMO A pena tem a finalidade de corrigir a injusta e perversa vontade do criminoso,
PENAL não sendo fixa e determinada.
TECNICISMO Arturo Rocco delimitou o método de estudo do Direito Penal como o positivo,
JURÍDICO-PENAL restrito às leis vigentes.

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preocupação da proteção da sociedade contra o crime, mediante estudos


antropológicos e sociológicos, com tendência para a aplicação de medida de
DEFESA SOCIAL
segurança e penas indeterminadas. No entanto, após a 2ª Guerra Mundial
percebem a necessidade de prevenção do crime e da reforma penitenciária.
POSITIVISMO Extremamente científico, com distanciamento da sociologia, psicologia etc.
JURÍDICO Pensava na legalidade e segurança jurídica de maneira normativista e formal.
NEOKANTISMO Entram considerações axiológicas e materiais (dever-ser).
Ferrajoli enumera diversas garantias do ser humano que precisam ser protegidas
GARANTISMO
(ex. princípio da reserva legal, contraditório etc.).
tipo penal como mantenedor da paz social (adequado funcionamento da
FUNCIONALISMO
sociedade).
sociedade de risco – o controle, a prevenção e a gestão de riscos gerais são
tarefas que o Estado deve assumir. A sociedade de massa levou à expansão
DIREITO PENAL
do Direito Penal, mas a análise da legislação moderna indica que o Direito
MODERNO
Penal tem preferido o meio-termo (proteção suficiente, nem de mais nem de
menos).
respeito ao princípio da intervenção mínima – manutenção, no âmbito do
DIREITO
Direito Penal, somente condutas lesivas a bens individuais e perigo concreto,
INTERVENCIONISTA
as demais deixar sob responsabilidade da Administração Pública.
Movimento doutrinário que surge na Alemanha em 1970 e se propaga pelo
mundo. Busca discutir qual é a função do Direito Penal. Características:
proteção do bem jurídico (o direito penal só é legítimo quando protege um
bem jurídico); flexibilidade na aplicação do direito penal; prevalência do
jurista sobre o legislador.
#ATENÇÃO O funcionalismo foi a corrente que criou o princípio da
insignificância.
#NÃOCONFUNDA Espécies de funcionalismo: ROXIN x JACOBS
• Funcionalismo moderado, dualista, de política criminal: Roxin

O direito penal tem limites impostos pelo próprio direito penal, outros ramos do
direito e pela sociedade.
FUNCIONALISMO
O direito penal dialoga com os demais ramos do direito.
PENAL
O direito penal deve ser aplicado conforme os interesses legítimos da sociedade,
é um instrumento que a sociedade tem para ajudar a resolver os seus
problemas.
Funcionalismo racional teleológico (guiado pelo bom senso, o direito penal ajuda
a sociedade protegendo bens jurídicos).
A função do direito penal é proteger bens jurídicos.
Escola de Munique.
• Funcionalismo radical, monista, sistêmico: Jakobs – Escola de Bom.

O direito penal só deve respeitar os limites impostos pelo próprio direito penal.
O direito penal é um sistema próprio de regras e valores que independe dos
demais ramos do direito (sistema fechado).
Jesus-Maria Silva Sánches – o direito penal possui 2 velocidades:
1ª velocidade – direito penal da prisão/nuclear, crimes que levam à pena
VELOCIDADES DO privativa de liberdade + garantista/lento;
DIREITO PENAL 2ª velocidade – sem prisão/periférico, penas alternativas/que não levam à
prisão + flexibilização de direitos e garantias fundamentais/célere, ex.
institutos do JECRIM.

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Ciclos Método

Atenção: nas duas velocidades há crimes, de competência da justiça penal.


Atenção: no direito penal de 3ª velocidade existe o direito penal do inimigo
(Jakobs). A 4ª velocidade é o neopunitivismo (panpenalismo), proposta por
Daniel Pastor.
Foi desenvolvida por Jakobs (1980 – divisão da Alemanha/muro de Berlim), mas
já existia essa ideia.
O ataque às torres gêmeas deu força à teoria.
O inimigo é a antítese do cidadão/afronta a existência (estrutura) do Estado.
Base filosófica = Rousseau dizia que as pessoas abrem mãos de parcela da
liberdade em nome do bem social coletivo. O inimigo vai contra isso, logo,
deve ser eliminado. A pessoa que não acolhe o estado comunitário legal deve
ser tratada como inimigo (estrutura de Kant). Para Hobbbes o Estado deve
destruir o inimigo.
Toda pessoa nasce com status de cidadão, mas algumas pessoas deixam de ser
cidadãs e passam a ser inimigas. A transição de cidadão para inimigo ocorre
quando a pessoa pratica um crime grave + repete + vira um criminoso
habitual + participa de organização criminosa (estrutura ilícita de poder) ou/e
é terrorista.
Obs. Não precisa passar por todas essas etapas para ser inimigo, ex. terrorista.
Jakobs cria 2 direitos penais:
1) Direito Penal do Cidadão: democrático, garantista, respeita a CF, direitos
e garantias do cidadão. É um direito penal retrospectivo, que tem como
fundamento a culpabilidade (punido pelo que fez/deixou de fazer).
Direito penal do fato (punido por fato típico e ilícito praticado).

DIREITO PENAL DO 2) Direito Penal do Inimigo: autoritário, suprime/despreza direitos e


INIMIGO garantias do ser humano. É um direito penal prospectivo, se fundamenta
na periculosidade. O inimigo é punido pelo que pode vir a fazer. É um
direito penal do autor (estereotipa/rotula pessoas que precisam ser
derrotadas) – há um direito penal próprio.

Efeitos:
-Antecipação da tutela penal (direito penal preventivo). A regra é que são
punidos atos de execução; já no direito penal do inimigo são punidos atos
preparatórios com a mesma pena do crime consumado.
Ex. lei 13.260/16 (lei de terrorismo) – art. 5º.
Art. 5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de
consumar tal delito:
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a
metade.
§ 1º Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos
de terrorismo:
I - recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país
distinto daquele de sua residência ou nacionalidade; ou
II - fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência
ou nacionalidade.
§ 2º Nas hipóteses do § 1º, quando a conduta não envolver treinamento ou
viagem para país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade, a pena

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será a correspondente ao delito consumado, diminuída de metade a dois


terços.
-Supressão de direitos e garantias fundamentais.
-O principal meio de prova é a confissão. O Estado pode se valer de tortura
(“interrogatório severo”), sob o princípio da proporcionalidade.
-Fortalecimento da polícia/ampliação dos poderes. Controle posterior da
atividade policial pelo Poder Judiciário.
#ATENÇÃO: 3ª velocidade do direito penal - Prisão por prazo indeterminado
(fundamento da periculosidade) + punição célere, defesa meramente
formal, ausência de garantias
O direito penal do inimigo é inconstitucional, não aplicado no Brasil – viola o art.
5º CF. Ademais, a CF combate a tortura, o uso de provas ilícitas, veda a
incomunicabilidade do preso, consagra a ampla defesa e o devido processo
legal, etc.
Todavia, existem manifestações (formais) do direito penal do inimigo no Brasil –
ex. lei de terrorismo; o abate de aviões que se encontram em espaço aéreo
brasileiro sem autorização.
Além de manifestações informais (seleção de quem será combatido). Ex.
policiais mataram muitos bandidos do PCC no ataque que ocorreu em São
Paulo.
4ª velocidade do direito penal (Daniel Pastor)
NEOPUNITIVISMO, Neopunitivismo/panpenalismo/direito penal total = direito penal aplicado a
PANPENALISMO, antigos chefes de estado pela prática de crimes de guerra, ex. Sadam Hussein.
DIREITO PENAL Viola a reserva legal e anterioridade – cria o crime e aplica para fatos passados.
TOTAL Ademais, viola o juízo natural (tribunal de exceção) e o sistema acusatório.
Obs. RDD – isolamento não é direito penal do inimigo. Não é inconstitucional.

LEI PENAL

A lei penal é a fonte formal imediata do direito penal, ou seja, só ela pode criar crimes e cominar penas.
Estrutura = preceito primário (definição da conduta criminosa) + preceito secundário (pena).
CLASSIFICAÇÃO
criam crimes e cominam penas. Estão previstas na parte especial do CP e
NORMAS PENAIS
legislação extravagante. Não há normas penais incriminadoras na parte geral
INCRIMINADORAS
do CP.
não criam crimes nem cominam penas. Estão previstas na parte geral do CP
(regra), na parte especial e legislação extravagante.
ESPÉCIES:
Permissivas – autorizam a prática de condutas típicas (causas de exclusão da
ilicitude, aborto permitido);
Exculpantes – prevê exclusão da culpabilidade ou impunidade de determinados
NORMAS PENAIS
delitos (ex. inimputabilidade, retratação no falso testemunho/perícia);
NÃO
Interpretativas – esclarecem o alcance, o significado de outras normas penais (ex.
INCRIMINADORAS
conceito de funcionário público); de aplicação, finais ou complementares –
estabelecem o campo de validade da legislação penal (ex. a lei penal aplica-se
ao território nacional);
Diretivas – estabelecem os princípios vetores do direito penal (ex. princípio da
reserva legal); integrativas, complementares, de extensão – complementam a
tipicidade (ex. tentativa, participação, crimes omissivos impróprios).

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COMPLETAS OU Apresentam todo o conteúdo da conduta criminosa. Ex. homicídio.


PERFEITAS
a conduta criminosa precisa ser complementada por outra lei, ato administrativo
INCOMPLETAS OU
ou pelo próprio operador do direito. Ex. normas penais em branco; tipo penais
IMPERFEITAS
abertos, como, os crimes culposos.

CARACTERÍSTICAS DA LEI PENAL


a) Exclusividade = monopólio para criar crimes e penas;
b) Anterioridade = a lei penal deve ser prévia ao fato que se quer punir;
c) Imperatividade = comando obrigatório, o seu descumprimento acarreta na imposição de uma sanção;
d) Generalidade = a lei penal se dirige a todas as pessoas indistintamente;
e) Impessoalidade = os efeitos da lei penal se projetam para fatos abstratos – exceções: anistia e abolitio
criminis pois são fatos concretos já praticados.
#NÃO ESQUECE
Norma penal em preto = não precisa de complementação.
Norma penal em branco homogênea/lato senso = o complemento é a lei.
-Homovitelina: a norma e o complemento estão no mesmo diploma legislativo. Ex. art. 304 CP.
-Heterovitelina: a norma e o complemento estão em diplomas legislativos diversos. Ex. art. 169,
I, CP c/c conceito de tesouro no Código Civil.
Norma penal em branco heterogênea/stricto sensu/fragmentária = a norma penal em branco é
complementada por ato administrativo (portaria, decreto etc.). Ex. art. 33 da lei de drogas c/c portaria
344/98 da ANVISA; estatuto do desarmamento c/c decreto do presidente da república sobre armas.
Obs. Pela reserva legal basta estar escrito o conteúdo mínimo na lei.
Norma penal em branco ao avesso ou inversa = o preceito primário é completo, mas o preceito secundário
é incompleto (depende de complementação). Temos o crime, mas falta a pena. Ex. lei de genocídio.
Obs. Genocídio é crime contra a humanidade, contra a diversidade humana. Assim, é crime de competência
da justiça comum (estadual ou federal) e não é de competência do Tribunal do Júri.
Obs.: O Tribunal do Júri tem competência para julgar crimes dolosos contra a vida (e os crimes conexos).
O complemento obrigatoriamente será uma lei (princípio da reserva legal).
Norma penal em branco de fundo constitucional = o complemento da norma penal em branco está na CF.
Art. 121, parágrafo 2, VII, CP (homicídio contra membros dos órgãos de segurança pública).
Norma penal em branco ao quadrado = o complemento também precisa de complementação. Ex. art. 38 da
lei dos crimes ambientais c/c art. 6 do código florestal c/c ato do chefe do executivo para definir novas
áreas de preservação permanente.
#SAIBADIFERENCIAR
PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE
ALTERNATIVIDADE PRÓPRIA: ocorre nos chamados tipos mistos alternativos, nos crimes de ação múltipla, ou
de conteúdo variado, sendo aquele em que o tipo penal contém dois ou mais núcleos. E a prática de dois ou
mais deles contra o mesmo objeto material, caracteriza um único crime.
ALTERNATIVIDADE IMPRÓPRIA: ocorre quando duas ou mais normas penais disciplinam exatamente o
mesmo fato. É como se o furto, por exemplo, estivesse disciplinado no art. 155 do CP e também em uma
lei extravagante. O mesmo tipo penal, o mesmo fato, o mesmo crime em duas ou mais normas penais.
Esse princípio representa uma falta de técnica legislativa. Na alternatividade imprópria, não há conflito
aparente de normas penais, o que ocorre é um conflito de leis no tempo. Se há duas leis tratando do
mesmo fato, a posterior revogou a anterior, é uma revogação tácita.

TEMPO E LUGAR DO CRIME

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Tempo do crime

Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o
momento do resultado.

Art. 4º CP – momento da ação ou omissão (teoria da atividade). Aplica-se aos crimes materiais (causais), pois
o tipo penal prevê conduta + resultado naturalístico, e exige a produção deste último para a consumação.
Nos crimes formais e de mera conduta a consumação se dá com a prática da conduta.

Efeito = aferição da imputabilidade penal. Ex. no momento da conduta ainda não tinha 18 anos de idade ->
processo e julgamento de acordo com o ECA.

#DEOLHONASÚMULA
Súmula 711 STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua
vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

Crime permanente = a consumação se prolonga no tempo, pela vontade do agente. A prisão em flagrante é
possível enquanto durar a permanência. A prescrição só começa a fluir a partir da data que se encerra a
permanência.
Exemplo: extorsão mediante sequestro (art. 159, CP) – O crime se consuma com a conduta: privação da
liberdade da vítima. Entretanto, ele continua se consumando até a restauração da liberdade da vítima.
De acordo com a Súmula nº 711/STF, aplica-se, para todo crime permanente, a lei vigente na data de sua
cessação, mesmo que seja mais grave, pois o delito também foi praticado depois da entrada em vigor da
lei mais grave.

Crime continuado = art. 71 CP – teoria da ficção jurídica: o crime continuado é composto por crimes
parcelares, que por ficção jurídica, para fins de aplicação de pena, considera-se um crime só. Aplica-se a
lei mais grave para toda a série continuada, pois o crime também foi praticado quando veio a novel lei
mais grave.

Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma
espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os
subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se
idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça
à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade
do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas,
ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75
deste Código.

Lugar do crime

Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte,
bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Teoria da ubiquidade (mista): Só se aplica aos crimes à distância/de espaço máximo (conduta e resultado
ocorrem em países diversos). O que está em jogo é a soberania dos países envolvidos.
Exemplo: “A” atira em “B” no Brasil, na cidade de Foz do Iguaçu. “B” morre no Paraguai. O lugar do crime
será o Brasil e o Paraguai. Neste caso, “A” pode ser julgado tanto no Brasil quanto no Paraguai, pois o
crime afetou interesses dos dois países.

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#ATENÇÃO: como o agente pode ser processado, julgado, condenado e pode cumprir penas em dois países,
o CP traz uma regra para evitar o bis in idem (art. 8º): “A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena
imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.”
Não se confunde com os crimes plurilocais/de espaço mínimo (a conduta e o resultado ocorrem em comarcas
diversas, dentro do mesmo país). A questão aqui é de competência.
CPP, art. 70: “A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no
caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.”
A regra, no caso de crimes plurilocais, é a adoção da teoria do resultado.
#NÃOESQUECE Exceções: 9099/95; crimes dolosos contra a vida (teoria da atividade).
LEI PENAL NO ESPAÇO E DIREITO PENAL INTERNACIONAL

territorialidade – aplica-se a lei penal brasileira ao


REGRA
crime praticado no Brasil. Art. 5º CP.
extraterritorialidade – aplica-se a lei brasileira ao
crime praticado no exterior;
EXCEÇÕES intraterritorialidade – aplicação da lei
estrangeira ao crime praticado no Brasil.

Princípio da territorialidade: é expressão da soberania do país. #ATENÇÃO No Brasil a territorialidade


é temperada/mitigada, uma vez que o princípio da territorialidade não é absoluto.
#NÃOESQUECE Território brasileiro por extensão = embarcações e aeronaves públicas ou a serviço do
governo brasileiro; embarcações e aeronaves brasileiras privadas em território brasileiro.

#NÃOCONFUNDA
a) PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE ATIVA – o agente é brasileiro, é punido de acordo com a lei
brasileira, independentemente da nacionalidade do sujeito passivo e do bem jurídico violado.
Art. 7, I, d (genocídio à brasileiro); art., 7, II, b (crimes praticados por brasileiros).
b) PRINCÍPIOS DA PERSONALIDADE PASSIVA – contra vítima brasileira. Art. 7, § 3.
c) PRINCÍPIO DO DOMICÍLIO – o agente é julgado pela lei do país em que domiciliado (ex.
genocídio).
d) PRINCÍPIO DA DEFESA, REAL, DA PROTEÇÃO – art. 7, I, a, b, c – o crime atinge um bem jurídico
pertencente ao Brasil.
e) PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL (COSMOPOLITA, JUSTIÇA DA COMPETÊNCIA/JURISDIÇÃO
UNIVERSAL) – repressão mundial, universalidade do direito de punir, cooperação penal
internacional. Todos os países podem punir, pois a punição do crime interessa a todos. Art. 7,
II, a.
f) PRINCÍPIO DA REPRESENTAÇÃO, BANDEIRA, PAVILHÃO, SUBSTITUIÇÃO, SUBSIDIÁRIO – art.
7, II, c – praticados em aeronaves e embarcações brasileiras privadas, quando em território
estrangeiro, mas ali não sejam julgadas.

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:


I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município,
de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;

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c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando


em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado
no estrangeiro.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade,
segundo a lei mais favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil,
se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
EXTRATERRITORIALIDADE
-Incondicionada: art. 7, I, CP.
-Condicionada: Art. 7, II, CP c/c § 3º.
#ATENÇÃO As sedes das embaixadas não são território estrangeiro por extensão. A equipe diplomática tem
imunidade, mas a sede é território brasileiro.
Eficácia da sentença estrangeira: ato de soberania – art. 9 (reparação de dano ou medida de segurança). Art.
105, I, i, CF – o STJ tem competência para homologar a sentença estrangeira.
#DEOLHONASÚMULA: Súmula 420 STF: Não se homologa sentença proferida no estrangeiro sem prova do
trânsito em julgado.
Obs. A condenação definitiva por crime cometido no estrangeiro gera reincidência no Brasil – a sentença
estrangeira não precisa ser homologada para gerar reincidência, basta prova de que exista.
Eficácia de sentença estrangeira
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas
conseqüências, pode ser homologada no Brasil para:
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança.
Parágrafo único - A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária
emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.

CONTAGEM DE PRAZO

Art. 10 CP: contagem de prazo – o dia do começo inclui-se no cômputo do prazo e exclui-se o dia do final.
Prazo é o intervalo de tempo dentro do qual se estabelece a prática do ato.
Todo prazo tem um termo inicial e um termo final.
Ex. pena de 1 ano – começou a ser cumprida em 10/01/2020, o prazo de encerra no dia 09/01/2021.
O mesmo vale para prescrição.
No processo penal é o oposto – exclui o dia do começo e inclui o dia final. Ex. intimado 10/01/2021 e o prazo
para interpor o recurso é de 5 dias – ou seja, o último dia do prazo é dia 15/01/2021.
Isso se fundamenta para proteger o réu.

#DEOLHONASÚMULA Súmula 310 STF: Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com
efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata, salvo se
não houver expediente, caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir.

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Atenção: “Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum”.

✓ Calendário comum é também chamado de calendário gregoriano. Trata-se de calendário que considera
um dia como o intervalo entre a meia-noite do dia anterior até a meia-noite do dia seguinte. Os meses,
por sua vez, são calculados pelo número correspondente a cada um deles, pouco importando o número
de dias de cada um deles. Situação 1: Imagine a pena de 1 mês de prisão em regime fechado. O agente
começa a cumprir a pena em 10/10/2021. Neste caso, a pena estará cumprida em 09/11/2021. Situação
2: O agente começa a cumprir a pena em 10/02/2021. Neste caso, a pena estará cumprida em 09/03/2021
(lembrando que fevereiro possui menos dias que todos os outros meses). Nas duas situações
apresentadas, a pena era a mesma (1 mês), mas foi cumprida de forma diferenciada entre os agentes. O
agente da situação 1 cumpriu uma pena maior do que o agente da situação 2. Essa injustiça prática é
justificada pela própria segurança jurídica, pois seria inviável que os servidores ficassem contando dia por
dia das penas.
Frações não computáveis da pena: desprezam-se nas penas as frações de dia e de real. Ex. desprezam-se as
horas e centavos.

Legislação especial: As regras gerais estão na parte geral e é o núcleo fundamental do direito penal. Assim,
aplicam-se à legislação especial, se não houver regra específica. Princípio da convivência das esferas
autônomas.

#SELIGANALEI
Contagem de prazo
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo
calendário comum.

Frações não computáveis da pena


Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na
pena de multa, as frações de cruzeiro.

Legislação especial
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser
de modo diverso.

TEORIA DO TIPO

O fato típico divide-se em elementos:


CONDUTA HUMANA
RESULTADO NATURALÍSTICO
NEXO DE CAUSALIDADE
TIPICIDADE
CONDUTA
TEORIA CAUSAL- TEORIA FINALISTA (HANS TEORIA SOCIAL
NATURALÍSTICA WELZEL)
Conduta como movimento Conduta é ação voluntária Ação humana voluntária com
corporal. (dolosa ou culposa) relevância social.
destinada a uma
finalidade.

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A teoria finalista da conduta foi adotada pelo Código Penal, pois como veremos adiante o erro constitutivo
do tipo penal exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. Isso demonstra
que o dolo e a culpa se inserem na conduta.
#ATENÇÃO
CRIME COMISSIVO COMISSIVO POR OMISSÃO (OMISSIVO
IMPRÓPRIO)
relação de causalidade física ou natural que enseja relação de causalidade normativa, o
resultado naturalístico, ex. eu mato alguém. descumprimento de um dever leva ao resultado
naturalístico, ex. uma babá fica no instagram e
não vê a criança engolir produtos de limpeza – se
tivesse agido teria evitado o resultado.

#NÃOCONFUNDA
CRIME OMISSIVO PRÓPRIO CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO
Dever de agir Dever de agir para evitar o resultado

Dever de agir genérico Dever de agir jurídico

Dever de agir decorre do próprio tipo legal. Dever de agir (e evitar resultado) decorre de cláusula
Basta a não realização da conduta valiosa. geral (art. 13, §2º, CP).

O tipo descreve uma omissão. O tipo descreve uma ação.


São crimes de mera conduta. São crimes materiais.
Não admitem tentativa. Admitem tentativa.
São sempre dolosos. Podem ser culposos ou dolosos.

RESULTADO NATURALÍSTICO
É considerado como mudança do mundo real provocado pela conduta do agente. Nos crimes materiais exige-
se um resultado naturalístico para a consumação, ex. o homicídio tem como resultado naturalístico um
corpo sem vida.
Nos crimes formais, o resultado naturalístico pode ocorrer, mas a sua ocorrência é irrelevante
para o Direito Penal, ex. auferir de fato vantagem no crime de corrupção passiva é mero exaurimento.
Já os crimes de mera conduta são crimes em que não há um resultado naturalístico, ex. invasão
de domicílio – nada muda no mundo exterior.
#NÃOCONFUNDA O resultado normativo/jurídico ocorre em todo e qualquer crime, isto é, lesão ao bem
jurídico tutelado pela norma penal.
NEXO DE CAUSALIDADE
Consiste no vínculo que une a conduta do agente ao resultado naturalístico ocorrido no mundo exterior. No
Brasil adotamos a Teoria da Equivalência dos Antecedentes (conditio sine qua non), que considera causa
do crime toda conduta sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Em contraposição a essa teoria, existe a Teoria da Causalidade Adequada, adotada parcialmente pelo
sistema brasileiro. Trata-se de hipótese de concausa superveniente relativamente independente que, por
si só, produz o resultado.

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Concausa é a circunstância que atua paralelamente à conduta do agente em relação ao resultado. As


CONCAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES são aquelas que não se juntam à conduta do agente
para produzir o resultado, e podem ser:
• Preexistentes: Já tinham colocado veneno no chá do meu desafeto quando eu vou matá-lo.

• Concomitantes: Atiro no meu desafeto, mas o teto cai e mata ele.

• Supervenientes: Dou veneno ao meu desafeto, mas antes de fazer efeito alguém o mata.
Nas concausas absolutamente independente: O AGENTE SÓ RESPONDE POR TENTATIVA, PORQUE O
RESULTADO SE DEU POR CAUSA ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE. SE SUBTRAIR A CONDUTA DO
AGENTE, O RESULTADO TERIA OCORRIDO DE QUALQUER JEITO (TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS
ANTECEDENTES).
As CONCAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES, se unem a outras circunstâncias para produzir o
resultado, podem ser:
• Preexistente: O agente provoca hemofilia no seu desafeto, já sabendo de sua doença, que vem a
óbito por perda excessiva de sangue. Sem sua conduta o resultado não teria ocorrido e ele teve dolo,
logo, o agente responde pelo resultado (homicídio consumado), conforme a teoria da equivalência
dos antecedentes.
• Concomitante: Doses de veneno se unem e levam a óbito a vítima. Sem sua conduta o resultado não
teria ocorrido e existe dolo, logo, o agente responde pelo resultado (homicídio consumado),
conforme a teoria da equivalência dos antecedentes.
• Superveniente: Aqui tudo muda, pois é utilizada a teoria da causalidade adequada. Se a concausa
não é um desdobramento natural da conduta, o agente só responde por tentativa, ex. eu dou um
tiro no agente, mas ele morre em um acidente fatal dentro da ambulância. Todavia, se a concausa é
um desdobramento da conduta do agente, ele responde pelo resultado, ex. infecção generalizada
gerada pelo ferimento do tiro (homicídio consumado).

TIPICIDADE
Consiste na subsunção – adequação da conduta do agente a uma previsão típica. Algumas vezes é necessário
usar mais de um tipo penal para fazer a subsunção (conjugação de artigos).
Ainda dentro do fato típico, vamos analisar DOLO E CULPA. Com o finalismo (Hans Welzel), o dolo e a culpa,
que são elementos subjetivos, foram transportados da culpabilidade para o fato típico (conduta). Assim,
a conduta passou a ser definida como ação humana dirigida a um fim.
#OLHAOGANCHO #APOSTACICLOS São atípicas as condutas de submeter-se à vacinação contra covid-19 em
local diverso do agendado e/ou com aplicação de imunizante diverso do reservado e/ou de submeter-se
à vacinação sem a realização de agendamento. AgRg no RHC 160.947-CE, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022, DJe 30/09/2022. (Info 752 - STJ)

DOLO
DOLO vontade livre e consciente de praticar o crime
DIRETO
DOLO assunção do risco produzido pela conduta
EVENTUAL

#TABELALOVERS
Vontade de praticar a conduta descrita no tipo penal sem nenhuma
DOLO GENÉRICO
outra finalidade

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DOLO ESPECÍFICO (ESPECIAL O agente pratica a conduta típica por alguma razão especial.
FIM DE AGIR)
DOLO DIRETO DE PRIMEIRO A vontade é direcionada para a produção do resultado.
GRAU
O agente possui uma vontade, mas sabe que para atingir sua finalidade
existem efeitos colaterais que irão necessariamente lesar outros
DOLO DIRETO DE SEGUNDO
bens jurídicos.
GRAU (DOLO DE
CONSEQUÊNCIAS
Ex. dolo direto de primeiro grau é atingir o Presidente, dolo direto de
NECESSÁRIAS)
segundo grau é atingir o motorista do Presidente, ao colocar uma
bomba no carro.
DOLO GERAL, POR ERRO Ocorre quando o agente, acreditando ter alcançado seu objetivo,
SUCESSIVO, ABERRATIO pratica nova conduta, com finalidade diversa, mas depois se
CAUSAE (ERRO DE constata que esta última foi a que efetivamente causou o resultado.
RELAÇÃO DE Ex. enforco e depois atiro no lago, e a vítima morre de afogamento.
CAUSALIDADE)
O dolo antecedente é o que se dá antes do início da execução. O dolo
DOLO ANTECEDENTE, ATUAL atual é o que está presente durante a execução. O dolo subsequente
E SUBSEQUENTE ocorre quando o agente inicia a conduta com finalidade lícita, mas
altera o seu ânimo e passa a agir de forma ilícita.

CULPA
No crime culposo, a conduta do agente viola um dever de cuidado:
➔ Negligência: o agente deixa de fazer algo que deveria.

➔ Imprudência: o agente se excede no que faz.

➔ Imperícia: O agente desconhece uma regra técnica profissional, ex. o médico dá um


diagnóstico errado ao paciente que vem a receber alta e falecer.

Requisitos do crime culposo


Conduta Voluntária: o fim da conduta pode ser lícito ou ilícito, mas quando ilícito não é o mesmo que se
produziu (a finalidade não é do resultado).
Violação de um dever objetivo de cuidado: negligência, imprudência, imperícia.
Resultado naturalístico involuntário (não querido).
Nexo causal.
Tipicidade: o fato deve estar previsto como crime culposo expressamente.
Previsibilidade objetiva: o homem médio seria capaz de prever o resultado.
#NÃOCONFUNDA
CULPA CONSCIENTE CULPA INCONSCIENTE
O agente prevê o resultado como possível, O agente não prevê que o resultado possa
mas acredita sinceramente que este não ocorrer. Só tem a previsibilidade objetiva,
irá ocorrer. mas não subjetiva.

CULPA PRÓPRIA CULPA IMPRÓPRIA


O agente não quer o resultado criminoso. O agente quer o resultado, mas acha que está
amparado por uma excludente de ilicitude
ou culpabilidade.

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Ciclos Método

Consequência: exclui o dolo, mas imputa


culpa.

#ATENÇÃO Não existe no Direito Penal brasileiro compensação de culpas, de maneira que cada um deve
responder pelo o que fez. Outro ponto interessante é que o crime preterdoloso é uma espécie de crime
qualificado pelo resultado. No delito preterdoloso, o resultado que qualifica o crime é culposo: Dolo na
conduta inicial e culpa no resultado que ocorreu.

#OLHAOGANCHO
CONSUMAÇÃO X TENTATIVA
Nos crimes tentados, por não haver consumação (resultado naturalístico), não estarão presentes resultado
e nexo de causalidade. Eventualmente, a tentativa pode provocar resultado naturalístico e nexo causal,
mas diverso do pretendido pelo agente no momento da prática criminosa.
O CP adotou a teoria dualística/realista/objetiva da punibilidade da tentativa. Assim, a pena do crime
tentado é a pena do crime consumado com diminuição de 1/3 a 2/3 (varia de acordo o quanto chegou
perto do resultado). Isso ocorre porque o desvalor do resultado para a sociedade é menor.
#ATENÇÃO #NOMENCLATURADIFERENTE
Tentativa cruenta (carne) ou vermelha (sangue): é aquela em que o objeto material (pessoa ou coisa que
suporta a conduta criminosa) é atingido.
Tentativa incruenta ou branca: o objeto material não é atingido.
Tentativa perfeita, acabada ou crime falho: essa divisão diz respeito aos atos executórios que o agente tinha
a sua disposição. O agente esgota os atos executórios que tinha a sua disposição e, ainda assim, o crime
não se consuma por circunstâncias alheias a sua vontade. Ex: errou os seis tiros do revólver.
Tentativa imperfeita, inacabada ou tentativa propriamente dita: o agente não esgota os atos executórios
que tinha a sua disposição. É compatível com a desistência voluntária, em que o agente interrompe a
execução por vontade própria. Caso interrompa a execução por circunstâncias alheia, trata-se de tentativa
imperfeita.
#MACETE: CHOUP CULPOSO
CONTRAVENÇÃO PENAL
CRIME HABITUAL
CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS
CRIMES UNISUBSISTENTES
CRIME PRETERDOLOSO
CRIME CULPOSO
#ATENÇÃO NA CULPA IMPRÓPRIA ADMITE-SE TENTATIVA (CAI MUITO).
#OLHAOGANCHO2
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR
Desistência voluntária e arrependimento eficaz são hipóteses de tentativa abandonada (de tentativa só tem
nome, pois as circunstâncias não são alheias). Na tentativa abandonada o crime não se consuma pela
vontade do agente.
Fórmula de Frank “posso prosseguir, mas não quero” (tentativa abandonada ) x “quero prosseguir mas não
posso” (tentativa).
Confuso??? Vamos de tabela:
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO ARREPENDIMENTO POSTERIOR (Art. 16 CP)
EFICAZ (Art. 15 CP)
PONTE DE OURO PONTE DE PRATA
O agente desiste de dar continuidade ao que se O agente responsável pelo crime praticado sem
propôs, por circunstâncias inerentes à sua violência ou grave ameaça à pessoa,
vontade (#ATENÇÃO é diferente da tentativa) voluntariamente e até o recebimento da

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denúncia ou queixa, restitui a coisa ou repara o


dano provocado por sua conduta.
NÃO HOUVE CONSUMAÇÃO HOUVE CONSUMAÇÃO
Desistência voluntária: O agente desiste, mas ainda REQUISITOS:
tem meios executórios disponíveis 1- Crime sem violência ou grave ameaça à pessoa;
2- Reparação do dano ou restituição da coisa; 3- Até
Arrependimento eficaz: o agente desiste após o recebimento da denúncia ou queixa
esgotar todos os meios executórios disponíveis
CAUSA EXCLUDENTE DA TIPICIDADE CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA

#ATENÇÃODOUTRINA: Doutrinadores mais modernos estão chamando de PONTE DE DIAMANTE os


benefícios concedidos em sede de colaboração premiada, que inclui a possibilidade de perdão judicial
#DEOLHONAJURIS É possível o reconhecimento da causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do
Código Penal (arrependimento posterior) para o caso em que o agente fez o ressarcimento da dívida
principal (efetuou a reparação da parte principal do dano) antes do recebimento da denúncia, mas
somente pagou os valores referentes aos juros e correção monetária durante a tramitação da ação penal.
Nas exatas palavras do STF: “É suficiente que ocorra arrependimento, uma vez reparada parte principal
do dano, até o recebimento da inicial acusatória, sendo inviável potencializar a amplitude da restituição.”
STF. 1ª Turma. HC 165312/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/4/2020 (Info 973).

TEORIA DO ERRO

#NÃOCONFUNDA Enquanto no erro de tipo o agente não sabe o que faz, no erro de proibição o agente
SABE O QUE FAZ (não esqueça!!), todavia, ignora ou desconhece o caráter ilícito de seu ato.
ERRO DE PROIBIÇÃO = HOLANDÊS QUE FAZ USO DE MACONHA NO BRASIL
ERRO DE TIPO = MOCHILA DO COLEGA (Exemplo: Aluno que por estar atrasado para determinado
compromisso, sai apressadamente da sala de aula e acaba por levar mochila de colega que é muito
parecida com a sua.)
#DEOLHONATABELA:
ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO
O agente possui falsa percepção da realidade. O agente possui a concepção correta da
realidade. Todavia, equivoca-se quando a
regra da conduta efetuada.
O agente não sabe o que faz. O agente sabe o que faz, mas ignora ou pensa
não ser proibido.
MOCHILA DO AMIGO HOLANDÊS QUE FAZ USO DE MACONHA NO
BRASIL

ERRO DE TIPO

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ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO

1) ERRO DE TIPO ESSENCIAL

ERRO INEVITÁVEL/ INVENCÍVEL/ ESCUSÁVEL ERRO EVITÁVEL/VENCÍVEL/ INESCUSÁVEL


O agente errou, mas o homem médio no seu lugar O homem médio no seu lugar não erraria
também erraria
Exclui o dolo – o agente não tem consciência do Exclui o dolo – o agente não tem consciência do
que faz (um dos elementos do dolo). que faz.
Exclui a culpa – o resultado é imprevisível (a Pune a culpa, se prevista em lei – o resultado era
previsibilidade é elemento da culpa). previsível.

#OLHAOGANCHO
ERRO DE TIPO PSÍQUICAMENTE CONDICIONADO -> se relaciona com a incapacidade psíquica de dolo, em
que o agente, diante de um mal psíquico como uma alucinação ou uma ilusão, não tem capacidade de
conhecer os elementos do tipo. Zaffaroni e Pierangeli usam o seguinte exemplo:
Mévio, lenhador, está trabalhando já há mais de 12 horas cortando árvores com seu afiado machado. Quando
passa para a árvore seguinte, sofrendo uma ilusão de ótica pelo seu cansaço, confunde as pernas de seu
amigo Lupércio com o tronco de uma árvore, lesionando-o. Neste caso, pode-se dizer que Mévio agiu em
ESTADO DE ERRO DE TIPO PSQUICAMENTE CONDIONADO.
Os autores afirmam que o “sujeito que é capaz de conduta e que realiza uma conduta que preenche os
requisitos de um tipo objetivo, pode, sem embargo, carecer de capacidade psíquica para conhecer os
elementos exigidos pelo tipo objetivo, isto é, não ter capacidade psíquica de dolo, ou, o que é o mesmo,
encontrar-se num estado de erro de tipo psiquicamente condicionado”.

2) ERRO DE TIPO ACIDENTAL

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a) Erro de tipo acidental sobre o objeto

Trata-se da hipótese que o agente confunde o objeto material (coisa) visado no crime, atingindo outro
diferente do desejado.
Exemplo: Ciclano ingressa numa loja para subtrair um relógio de ouro, mas acaba furtando um relógio
dourado, mera imitação barata, por tê-lo confundido com o original.
No erro sobre o objeto o agente é punido pela conduta efetivamente praticada, considerando-se somente o
objeto realmente atingido.
b) Erro de tipo acidental sobre a pessoa

art. 20, §3º do CP:


§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o
crime.
O agente confunde a pessoa que queria atingir com pessoa diversa. Há uma VÍTIMA VIRTUAL, pessoa que o
agente queria atingir, e vítima real, pessoa efetivamente atingida.
#ATENÇÃO: não se consideram as condições da vítima atingida e sim da que se queria atingir.
ERRO SOBRE A PESSOA = MATOU O TIO, MAS QUERIA MATAR O PAI PORQUE ELES SÃO PARECIDOS. NÃO
TEM ERRO DE PONTARIA
c) Erro de tipo acidental na execução (Aberratio Ictus)

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que
pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela,
atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código (leva-se em conta a vítima virtual). No caso de ser
também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
#DOUTRINA: O art. 73 consagra a teoria da equivalência ou a teoria da concretização? O art. 73 do CP dispõe
que nas situações de acidente ou erro no uso dos meios de execução, em que o agente, no lugar de atingir
a pessoa pretendida, atinge pessoa diversa, considera-se praticado o crime como se tivesse sido atingida
pessoa visada no início. O fundamento, no caso, é a teoria da equivalência porque a lei trata o objeto
jurídico lesado como equivalente ao que o agente pretendia lesar. Se aplicada a teoria da concretização,
isso não ocorreria, e o agente iria responder de acordo com o bem jurídico concretamente atingido.
Duas as possibilidades de erro na execução:
UNIDADE SIMPLES OU RESULTADO ÚNICO UNIDADE COMPLEXA OU RESULTADO
DUPLO
o agente atinge somente pessoa diversa da O agente atinge a pessoa desejada e também
desejada. Qual a semelhança do erro pessoa diversa. Nesse caso, ele responde
sobre a pessoa? Nos dois casos temos pelos dois crimes em concurso FORMAL.
uma vítima virtual e real. Na unidade
simples não há confusão alguma. Mirou
na pessoa certa, mas errou.

#NÃOCONFUNDA #ATENÇÃO

ERRO QUANTO À PESSOA – ART. 20, §3º. ERRO NA EXECUÇÃO OU ABERRATIO ICTUS– ART.
73.
Há equívoco na representação da vítima Há a representação correta da vítima pretendida.
pretendida.
A execução do crime é correta, não há falha A execução do crime sai errado, há falha
operacional. operacional (erro de pontaria).

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A pessoa visada não corre perigo, pois é confundida A pessoa visada corre perigo, não sendo
com outra pessoa. confundida.
Nos dois casos o agente responde pelo crime cometido considerando as qualidades da vítima
virtual/pretendida.
#RESUMINDO
No erro sobre a pessoa a execução é perfeita o agente atinge vítima equivocadamente representada
(achou que era mas não era fulano).
No erro na execução/ aberratio ictus o agente representa bem a vítima mas a erra na execução do crime

d) Erro sobre o resultado diverso do pretendido (Aberratio Criminis ou delicti)

Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém
resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se
ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código (concurso formal de
crimes).
Resultado é no sentido de crime diverso do pretendido. O agente queria praticar um crime, mas por erro
acabou praticando um crime diverso. Conforme leciona Rogério Sanches, o resultado diverso do
pretendido também é erro na execução, todavia, trata-se de lesão a bem jurídico diverso. Há erro de
pontaria.
#NÃOCONFUNDA
ART. 73 CP ART. 74 CP
O agente, apesar do erro, atinge o mesmo bem O agente, em razão do erro, acaba por atingir bem
jurídico pretendido. jurídico diverso.
#ATENÇÃO agente responde pelo crime efetivamente
ocorrido a título de culpa (se houver tal previsão).

e) Erro sobre o nexo causal (Aberratio Causae)

ERRO SOBRE NEXO CAUSAL EM SENTIDO ESTRITO DOLO GERAL, ABERRATIO CAUSAE OU ERRO
SUCESSIVO
mediante um só ato o agente provoca o resultado através da pluralidade de atos, o agente provoca o
pretendido, porém com nexo diferente. resultado pretendido, também com nexo
diferente.
Exemplo: Concorrente do ciclano atira Fulano de Exemplo: Concorrente do ciclano atira em Fulano,
um penhasco, para que este morra afogado, e supondo que este já estava morto, resolve
porém, durante a queda Fulano tem a cabeça jogá-lo em um rio, causando a sua morte por
explodida por uma rocha e morre afogamento.
instantaneamente.

3) DELITO PUTATIVO POR ERRO DE TIPO

No delito putativo por erro de tipo, o agente deseja e pensa estar praticando crime, mas comete fato atípico
pois na sua conduta faltam elementos da definição típica.
#VAMOSDETABELA #DIRETODAFUC
ERRO DE TIPO ESSENCIAL DELITO PUTATIVO POR ERRO DE TIPO
Há uma falsa percepção da realidade, pois o agente não sabe o que faz.
O agente imagina estar praticando indiferente O agente imagina estar praticando fato típico.
penal. Acha estar agindo licitamente. Imagina estar agindo ilicitamente. (SE
ACHANDO O CRIMINOSOOOOO!!)

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O agente pratica o tipo penal sem querer. O agente pratica um fato atípico sem querer
(crime imaginário).
EX: Agente que atira contra pessoa imaginando ser EX: Agente que atira contra boneco de cera
animal selvagem. imaginando ser pessoa.3

ERRO DE PROBIÇÃO
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena;
se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

ERRO DE PROIBIÇÃO ERRO DE PROIBIÇÃO


INEVITÁVEL/ESCUSÁVEL/INVENCÍVEL EVITÁVEL/INESCUSÁVEL/VENCÍVEL
O critério de distinção é o perfil subjetivo do agente, O agente errou, mas poderia ser evitado pelo
pois estamos a tratar de questão de culpabilidade, esforço do agente no caso concreto. Não isenta
diferentemente do erro de tipo, em que o critério de pena. Não exclui a culpabilidade, mas a pena
era o homem médio. poderá ser diminuída de um sexto a um terço

ESPÉCIES DE ERRO DE PROIBIÇÃO


O agente desconhece o caráter ilícito do fato.
DIRETO OU
É o típico exemplo do Holandês que vem ao Brasil e consome maconha,
PROPRIAMENTE DITO
acreditando não ser crime.
É a descriminante putativa (imaginária) por erro de proibição. O agente
sabe que a conduta é típica, porém, supõe existir norma permissiva,
causa excludente de ilicitude ou ainda supõe estar agindo nos limites da
descriminante. Também é chamado de erro de permissão.
No finalismo (o dolo é natural) adota-se a teoria normativa pura da
culpabilidade. Essa teoria se subdivide em outras duas – extrema ou
limitada. Para essas duas teorias a estrutura da culpabilidade é a mesma,
diferenciando-se somente o tratamento das descriminantes putativas.
INDIRETO/DESCRIMINANTE
a)Teoria extrema, estrita ou extremada: as descriminantes putativas
PUTATIVA
sempre serão erro de proibição. É o chamado erro de proibição indireto.
b)Teoria limitada da culpabilidade: as descriminantes podem ser erro de
proibição como também podem ser erro de tipo. Ou seja, a teoria
limitada faz distinção entre erro de tipo permissivo e erro de proibição!
#PERGUNTADEPROVA Qual a teoria que o CP adota? O item 19 da
Exposição de Motivos da parte geral do CP diz que foi adotada a teoria
limitada.
#ATENÇÃO saiba as duas teorias, ambas caem nas provas.
O agente acredita erroneamente estar autorizado a livrar-se do dever de
agir.
É o caso do agente que vê uma pessoa se afogando no mar, e podendo
MANDAMENTAL
ajudar, nada faz, pois supõe que não tem a obrigação de prestar socorro.
“Cada um com seus problemas”. (PESSOA ACREDITA QUE QUELE
MANDAMENTO NÃO É PARA ELA)

PONTO: 5. Ilicitude. 5.1. Causas de exclusão da ilicitude: estado de necessidade, legítima defesa, estrito
cumprimento do dever legal e exercício regular de direito. 6. Teoria geral da culpabilidade. 6.1.
Fundamentos, conceito, elementos e conteúdo. 6.2. Princípio de culpabilidade. 6.3. Culpabilidade e
pena. 6.4. Causas de exclusão da culpabilidade. 6.5. Imputabilidade. 6.6. Erro de proibição. 7. Concurso

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de agentes: autoria e participação; conduta delituosa; resultado; relação de causalidade; imputação. 8.


Teoria geral da pena. 8.1. Cominação das penas. 8.2. Penas privativas de liberdade. 8.3. Penas restritivas
de direitos. 8.4. Regimes de pena. 8.5. Pena pecuniária. 8.6. Medidas de segurança. 8.7. Aplicação da
pena. 8.8. Elementares e circunstâncias. 8.9. Causas de aumento e de diminuição das penas. 8.10. Fins
da pena. 8.11. Livramento condicional e suspensão condicional da pena. 8.12. Efeitos da condenação.
8.13. Execução penal. 9. Extinção da punibilidade. 9.1. Conceito, causas gerais e específicas, momentos
de ocorrência. 9.2. Prescrição: conceito, teorias, prazos para o cálculo da prescrição, termos iniciais,
causas suspensivas ou impeditivas, causas interruptivas.

ILICITUDE

CONCEITO4
Ilicitude é a contrariedade entre o fato típico praticado por alguém e o ordenamento jurídico, capaz de
lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos penalmente tutelados.
O juízo de ilicitude é posterior e depende do juízo de tipicidade, de forma que todo fato penalmente ilícito
também é, necessariamente típico.
ILICITUDE OU ANTIJURIDICIDADE?
Para uma corrente, o segundo substrato do crime é a ilicitude, não podendo falar em antijuridicidade. É
sabido que na teoria geral do direito, “crime” constitui um fato jurídico. Assim, a expressão “antijurídico”
como elementar de um crime, causa contradição: crime é um fato jurídico e simultaneamente
antijurídico?
Para uma outra corrente, o segundo substrato do crime é a ilicitude (ou antijuridicidade). A contradição
apontada pela primeira corrente é apenas aparente, pois o termo antijuridicidade é usado exclusivamente
na teoria geral do crime, não se confundindo com a teoria geral do direito.
ILICITUDE FORMAL X ILICITUDE MATERIAL5
Ilicitude formal é a mera contradição entre o fato praticado pelo agente e o sistema jurídico em
vigor. É a característica da conduta que se coloca em posição ao Direito.
Ilicitude material, ou substancial, é o conteúdo material do injusto, a substância da ilicitude que
reside no caráter antissocial do comportamento, na sua contradição com os fins colimados pelo Direito,
na ofensa aos valores necessários à ordem e à paz no desenvolvimento da vida social.
RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE
A tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude.
TEORIA DA AUTONOMIA OU ABSOLUTA Excluída a ilicitude, o fato permanece típico. Ex.: A mata
INDEPENDÊNCIA (VON BELING - 1906). B em legítima defesa. Exclui-se ilicitude. Permanece o
fato típico
TEORIA DA INDICIARIEDADE OU “RATIO A existência de fato típico gera presunção de ilicitude. Há,
COGNOSCENDI” (MAXER – 1915) portanto, uma relativa dependência. Excluída a ilicitude,
ADOTADA NO BRASIL o fato permanece típico.
A ilicitude é a essência da tipicidade numa absoluta relação
de dependência. Excluída a ilicitude, exclui-se o fato
típico. Cria-se o tipo legal do injusto. O crime é o injusto
TEORIA DA ABSOLUTA DEPENDÊNCIA OU
culpável. Injusto = fato típico + ilícito. Ex.: A mata B.
“RATIO ESSENDI” (MEZGER – 1930)
Temos um fato típico, que só permanece como tal se
também ilícito. Comprovada a legítima defesa, os dois
substratos desaparecem.
TEORIA DOS ELEMENTOS NEGATIVOS DO O tipo penal é composto de elementos positivos (explícitos)
TIPO e elementos negativos (implícitos). Para que o fato seja

4
Cleber Masson, vol. 1. p. 321
5
Cleber Masson, vol. 1, p. 321

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típico é preciso praticar os positivos e não praticar os


negativos. Ex.: art. 121, CP:
• Elementos positivos = matar alguém
• Elementos negativos = estado necessidade, legítima
defesa, estrito cumprimento de dever legal e exercício
regular de direito.

VISÃO GERAL DO TEMA


Galera, é muito mais fácil entender um tema quando se tem uma visão geral sobre ele, sobre os tópicos que
serão abordados. Pensando nisso, dê uma olhada nesse esquema:

OBS: De acordo com a maioria da doutrina, o Brasil adotou a teoria da indiciariedade, isto é, provada a

tipicidade presume-se relativamente a ilicitude, provocando a inversão do ônus da prova quanto à


existência da descriminante. (CABE A DEFESA PROVAR QUE O RÉU ESTAVA AGINDO AMPARADO POR
EXCLUDENTE DE ILICITUDE)
#OLHAOGANCHO
CAUSAS JUSTIFICANTES X CAUSAS EXCULPANTES
CAUSAS JUSTIFICANTES ou CAUSAS CAUSAS EXCULPANTES ou CAUSAS
DESCRIMINANTES DIRIMENTES/EXIMENTES
Excluem a ilicitude Excluem a culpabilidade
Artigo 23, CP
Inimputabilidade, inexigibilidade de conduta
Ou previstas em dispositivos da parte especial ou
diversa.
da legislação extravagante.

CAUSA EXCLUDENTE DE ILICITUDE SUPRALEGAL


CONSENTIMENTO DO OFENDIDO
Requisitos:

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• O dissentimento (ou não consentimento) não pode integrar o tipo penal (elementar do tipo), pois o
consentimento do ofendido excluiria a própria tipicidade.
• Ofendido deve ser o único titular. Não pode ter por titular a sociedade. Bem próprio
• Ofendido capaz de consentir. Não pode ser representante no caso de menores ou incapazes.
• O consentimento deve ser moral e respeitar os bons costumes.
• Bem disponível
• O consentimento deve ser expresso. Pouco importa a forma. (a doutrina moderna admite o tácito).
• Ciência da situação de fato que autoriza a justificante (elemento subjetivo).
• O consentimento deve ser prévio ou simultâneo à lesão ao bem jurídico.
• Crimes culposos? Possível. Vítima aquiesce ao excesso de velocidade que lhe causa lesões leves.
#OBS.: o consentimento posterior não exclui a ilicitude, mas pode refletir na punibilidade (renúncia ou
perdão no caso de ação privada, por exemplo).
#OBS.: a doutrina moderna rotula a integridade física como bem disponível, desde que a lesão seja leve e
não contrarie a moral.
#OBS.: LEI DE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E ESTERELIZAÇÃO: demonstra que aos poucos o consentimento do
ofendido vai ingressando na lei, pois permite a doação de órgãos duplos, ou seja, a lesão deixa de ser
crime, em decorrência da autorização do ofendido.

CAUSAS EXCLUDENTES DE ILICITUDE LEGAIS


Regra: Art. 23, CP.
Atenção: existem descriminantes na parte especial do CP, como por exemplo, o aborto permitido (art. 128,
CP), em legislação extravagante, a exemplo da Lei nº 9.605, bem como descriminante supralegal, como o
consentimento do ofendido.
ESTADO DE NECESSIDADE
Previsão legal: art. 23, I e 24, CP.
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a
dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Requisitos objetivos:
1) RISCO ATUAL
Causado por conduta humana, comportamento de animal ou fato da natureza.
#OBS.: e o perigo iminente é abrangido pelo estado de necessidade? Na legitima defesa, o legislador usou
expressamente o termo IMINENTE (já que a lesão pode ser atual e iminente). Daí, alguns acham quem
houve um erro legislativo e que deveria ser entendido (interpretação extensiva), como situação de perigo
iminente, doutrinadores como Cléber Masson, Alexandre Salim e Marcelo Azevedo e a jurisprudência
admitem o iminente. Por outro lado, Rogério Sanches defende não cabe estado de necessidade em caso
de perigo iminente.
#OLHAOGANCHO
Quanto à existência de perigo a doutrina classifica o estado de necessidade em:
→ Estado de necessidade real: a situação de perigo existe efetivamente. Exclui a ilicitude.
→ Estado de necessidade putativo: a situação de perigo é imaginária. Não exclui a ilicitude. A consequência
será explicada no ponto de descriminantes putativas. Em regra, erro de proibição – exclui culpabilidade,
mas em relação ao erro quanto aos pressupostos fáticos da excludente da ilicitude, há divergência.
Prevalece a teoria limitada – seria caso de erro de tipo, que exclui a tipicidade.

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2) QUE A SITUAÇÃO DE PERIGO NÃO TENHA SIDO CAUSADA VOLUNTARIAMENTE (DOLOSAMENTE)


PELO AGENTE
Ser causador voluntário é ser causador doloso do perigo. O agente que causa o perigo negligentemente pode
alegar estado de necessidade (só não pode alegar o causador doloso).
3) SALVAR DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO
1ª Corrente (prevalece): na salvaguarda do interesse de terceiro é dispensável a autorização do titular do
direito ameaçado.
2ª Corrente: na salvaguarda do interesse de terceiro somente é dispensável a autorização do titular do direito
ameaçado quando se tratar de bem indisponível. Se disponível, é imprescindível a autorização.
4) INEXISTÊNCIA DO DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO
Se o agente tem o dever legal de enfrentar o perigo, não pode alegar o estado de necessidade enquanto o
perigo comportar enfrentamento.
Por “dever legal” entende-se dever jurídico de agir, abrangendo todas as hipóteses do art. 13, §2º, CP (letras
“a”, “b” e “c”) – lei, contrato ou se responsabilizou de alguma forma. – DEVER DE AGIR.
5) INEVITABILIDADE DO COMPORTAMENTO LESIVO
O único meio para salvar direito próprio ou de terceiro é o cometimento do fato lesivo.

#NÃOCONFUNDA
Estado de necessidade defensivo: sacrifica-se bem jurídico do próprio causador do perigo. Sequer é ilícito
civil.
Estado de perigo agressivo: sacrifica-se bem jurídico de pessoa alheia ao perigo. Nesses casos existe a
obrigação de reparar o dano, assim como haverá também ação regressiva. Trata-se de um ato lícito que
gera o dever de indenizar.

6) INEXIBILIDADE DO SACRIFÍCIO DO INTERESSE AMEAÇADO


É a proporcionalidade do direito protegido e direito sacrificado.

TEORIA DIFERENCIADORA TEORIA UNITÁRIA


Estado de necessidade justificante: o bem Para a teoria unitária, adotada pelo nosso Código
protegido vale mais que o bem jurídico Penal, todo estado de necessidade é justificante,
sacrificado (exclui ilicitude) ou seja, tem a finalidade de eliminar a ilicitude do
Estado de necessidade exculpante: o bem vale fato típico praticado pelo agente. Para essa teoria,
menos ou a mesma coisa. Proteção de não importa se o bem protegido pelo agente é de
patrimônio em detrimento da vida não exclui a valor superior ou igual àquele que está sofrendo a
ilicitude, mas pode excluir a culpabilidade por ofensa, uma vez que em ambas as situações o fato
“inexigibilidade de conduta adversa”. O CPM será tratado sob a ótica das causas excludentes da
adotou a diferenciadora. EXEMPLO: cientista ilicitude” (Greco).
que salva a pesquisa que tem a cura para o E no caso do bem protegido valer menos que o bem
câncer em detrimento da vida de outra pessoa sacrificado? Pode servir como diminuição de
pena.
O CP adotou a teoria unitária.

OBS: é importante saber as duas teorias embora o CP tenha adotado a teoria unitária, a teoria diferenciadora
também cai nas provas!!!
Requisito Subjetivo:
É decorrência do finalismo e se refere ao conhecimento da situação de fato justificante (consciência e
vontade de salvar de perigo atual direito próprio ou alheio).

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ESTADO DE NECESSIDADE RECÍPROCO6:


É perfeitamente admissível que duas ou mais pessoas estejam simultaneamente, em estado de necessidade,
uma contra as outras. É o que se convencionou chamar de estado de necessidade recíproco, hipótese em
que deve ser afastada a ilicitude do fato, sem a interferência do Estado que, ausente, permanece neutro
nesse conflito.

ESPÉCIES DE ESTADO DE NECESSIDADE


Vamos resumir em uma tabela as espécies de estado de necessidade #ATENÇÃO
Justificante: o bem sacrificado é de valor igual ou inferior ao preservado. Exclui a
ilicitude.
Exculpante: o bem sacrificado é de valor superior ao preservado. A ilicitude é manda,
QUANTO AO
mas, no caso concreto, pode afastar a culpabilidade, em face da inexigibilidade de
BEM
conduta diversa.
SACRIFICADO
OBS: o estado de necessidade exculpante é compatível apenas com a teoria
diferenciadora, que não foi adotada pelo código penal, mas encontra amparo no art.
39 do CPM.
QUANTO À Próprio: protege-se bem jurídico pertencente ao autor do fato necessitado.
TITULARIDADE De terceiro: o autor do fato necessitado tutela bem jurídico alheio
DO BEM
JURÍDICO
PRESERVADO
Agressivo: é aquele em que o agente, para preservar bem jurídico próprio ou de
terceira pessoa, pratica o fato necessitado contra bem jurídico pertencente a
terceiro inocente, ou seja, pessoa que não provocou a situação de perigo. O autor
QUANTO À do fato necessitado, embora não seja responsável pelo perigo, deve indenizar o
ORIGEM DA dano suportado pelo terceiro (art. 929 CC), reservando-lhe, porém, ação regressiva
SITUAÇÃO DE contra o causador do perigo (art. 930 CC).
PERIGO Defensivo: é aquele em que o agente, visando a proteção de bem jurídico próprio ou
de terceiro, pratica o fato necessitado contra bem jurídico pertencente àquele que
provocou o perigo. Obviamente, não há obrigação de ressarcir os danos causados,
como se extrai da análise a contrario sensu do art. 929 do CC.
Real: a situação de perigo efetivamente existe, e dela o agente tem conhecimento.
Exclui a ilicitude.
QUANTO AO
Putativo: não existe a situação de necessidade, mas o autor do fato típico a considera
ASPECTO
presente. O agente, por erro, isto é, falsa percepção da realidade que o cerca, supõe
SUJETIVO DO
situação de fato que, se existisse, tornaria a situação legítima. É mantida a ilicitude,
AGENTE
e seus efeitos variam conforme a teoria adotada no tocante as discriminantes
putativas.

LEGÍTIMA DEFESA
Previsão legal (art. 24, II e art. 25, CP) – os requisitos objetivos se encontram estampados no mesmo artigo:
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
#NÃOCONFUNDA

ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA


Conflito de vários bens jurídicos diante da mesma Ameaça ou ataque a um bem jurídico
situação de perigo

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