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Textos Históricos Medievais:: Período Carolíngio, Relações Senhoriais, Teocracia Pontifícia e Os Outros

O documento apresenta uma compilação de 26 textos históricos medievais, incluindo decretos de concílios e normativas carolíngias, que tratam sobre o período carolíngio, relações senhoriais, teocracia pontifícia e outros assuntos.

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Guilherme Rocha
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Textos Históricos Medievais: Período Carolíngio, Relações Senhoriais, Teocracia Pontifícia e os Outros Textos Históricos Medievais: Período Carolíngio,

íngio, Relações Senhoriais, Teocracia Pontifícia e os Outros

SUMÁRIO

Documento nº 01 - S. BENEDICTI REGULA MONACHORUM CAPUT XLVIII (SÉC. VI).... 4

Documento nº 02 - FÓRMULA PELA QUAL UM HOMEM LIVRE SE ENCOMENDAVA A UM


SENHOR (SÉC. VIII): AQUELE QUE SE ENCOMENDA AO PODER DE OUTRO ............... 6

Documento nº 03 - O JURAMENTO DE FIDELIDADE ACRESCENTADO A ENCOMENDAÇÃO

Textos Históricos
(SÉCULO VIII) ................................................................................................... 7

Documento nº 04 - A DOAÇÃO DE CONSTANTINO (c. 750 - 800) ............................. 8

Documento nº 05 - NORMATIVA CAROLÍNGIA: CAPÍTULOS REFERENTES A TODOS EM


GERAL (801) ..................................................................................................... 9

Medievais:
Documento nº 06 - CAPITULARIA MISSORUM (ANO DE 806) ................................. 10

Documento nº 07 - CAPITULAR DO ANO DE 864 .................................................. 11

Documento nº 08 - CAPITULAR DE QUIERSY-SUR-OISE (SÉCULO IX) ..................... 12

Documento nº 09 - EPÍSTOLA 398 DE BERNARDO DE CLARAVAL (SÉC. XII) ............ 14

Período Carolíngio, Relações Documento nº 10 - DECRETO XXVI DO III CONCÍLIO DE LATRÃO (1179) ................ 17

Documento nº 11 - DECRETO XXVII DO III CONCÍLIO DE LATRÃO (1179) ............... 18

Senhoriais, Teocracia Pontifícia Documento nº 12 - AS RELAÇÕES ENTRE O PAPADO E O IMPÉRIO SEGUNDO INOCÊNCIO
III (1198) ....................................................................................................... 21

Documento nº 13 - INOCÊNCIO III E AS ELEIÇÕES IMPERIAIS (1202).................... 22

e os Outros Documento nº 14 - PER VENRABILEM POR INOCÊNCIO III (1202) .......................... 23

Documento nº 15 - BULA VINEAM DOMINI SABAOTH ........................................... 25

Documento nº 16 - DECRETO III DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE


Compilação:
1215) ............................................................................................................. 28
Prof. Dr. Wendell dos Reis Veloso
Documento nº 17 - DECRETO XIII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE

Disciplinas: 1215) ............................................................................................................. 31

História da Idade Média I e História da Idade Média II Documento nº 18 - DECRETO XLII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE
1215) ............................................................................................................. 32

Documento nº 19 - DECRETO XLIII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE


1215) ............................................................................................................. 33

1 2
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Documento nº 20 - DECRETO XLVI DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE Documento nº 01


1215) ............................................................................................................. 34

Documento nº 21 - DECRETO LX DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE


1215) ............................................................................................................. 35 S. BENEDICTI REGULA MONACHORUM CAPUT XLVIII (SÉC. VI)1

Documento nº 22 - DECRETO LXI DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE


A ociosidade é inimiga da alma. Por isso, os irmãos devem estar ocupados
1215) ............................................................................................................. 36
a determinadas horas no trabalho manual e de novo a horas fixas na leitura
Documento nº 23 - DECRETO LXVII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO
das coisas de Deus. Para isto pensamos que as horas devem ser
DE 1215) ........................................................................................................ 37
determinadas como se segue.
Documento nº 24 - DECRETO LXVIII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO
DE 1215) ........................................................................................................ 38 Da Páscoa às calendas de outubro, quando saem de manhã à hora prima,

Documento nº 25 - DECRETO LXIX DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE que trabalhem tudo o que for necessário até cerca da quarta hora e, desde
1215) ............................................................................................................. 39 a quarta até cerca da sexta, que se entreguem à leitura. Depois da sexta

Documento nº 26 - DECRETO LXX DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE hora, tendo deixado a mesa, que descansem nas suas camas em perfeito
1215) ............................................................................................................. 40 silêncio; ou se por acaso alguém deseja ler, que leia para si próprio de
maneira a não incomodar ninguém.

Que a Nona seja dita de preferência cedo, a meio da oitava hora, e que
voltem de novo a fazer o trabalho que tem de ser feito até as Vésperas.

E se, porém, as necessidades do lugar ou a sua pobreza exigirem que façam


eles próprios o trabalho da ceifa, que não se sintam descontentes com isso;
porque então são verdadeiros monges vivendo pelo trabalho das suas mãos
como fizeram nossos Padres e os Apóstolos. Que todas as coisas sejam
feitas com moderação, todavia, para salvaguarda dos fracos.

Desde as calendas de outubro até o princípio da Quaresma, que se


entreguem à leitura até ao fim da segunda hora. Na segunda hora que seja
dita a Terça e então que todos laborem no trabalho que lhes for designado,
até a Nona. Ao primeiro sinal da Nona, que todos larguem o seu trabalho e
se aprontem para o soar do segundo sinal. Depois da refeição, que se
entreguem à leitura ou aos salmos.

1
Capítulo 48 da Regra de São Bento. A Regra de São Bento, escrita por Bento de Núrsia
no século VI, é um conjunto de preceitos destinados a regular a vivência de uma
comunidade monástica cristã, regida por um abade. Consta de uma introdução ou prólogo
e de 73 capítulos.

3 4
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Nos dias da Quaresma, desde a manhã até ao fim da terceira hora, Documento nº 02
entreguem-se à leitura e, daí até ao fim da décima hora, que façam o
trabalho que lhes for designado. E nestes dias da Quaresma cada um
FÓRMULA PELA QUAL UM HOMEM LIVRE SE ENCOMENDAVA A UM
receberá um livro da biblioteca que será seguido do princípio ao fim. Estes SENHOR (SÉC. VIII): AQUELE QUE SE ENCOMENDA
livros devem ser dados no princípio da Quaresma. [...]
AO PODER DE OUTRO2
Aos irmãos doentes ou fracos será conferida uma tarefa ou ofício de tal
natureza que os mantenha longe da ociosidade e ao mesmo tempo não os
Ao magnífico senhor (...), eu (...) sendo bem sabido por todos quão
sobrecarregue ou afaste com trabalho excessivo. A sua fraqueza deve ser pouco tenho para me alimentar e vestir, apelei por esta razão para a Vossa
tomada em consideração pelo abade. Piedade, tendo vós decidido permitir-me que eu me entregue e me
encomende ao vosso mundoburdos; o que fiz nas seguintes condições:
devereis ajudar-me e sustentar-me tanto em víveres como em vestuário,
enquanto vos puder servir e merecer; e eu, enquanto for vivo, deverei
BENEDICTUS NURSINUS. Regra Monástica. Disponível em:
prestar-vos serviço e obediência como um homem livre, sem que me seja
https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/0480-
permitido, em toda a minha vida, subtrair-me ao vosso poder e
0547,_Benedictus_Nursinus,_Regra_Monastica,_PT.pdf. Acessado em: 18
mundoburdos, mas antes deverei permanecer, para todos os dias da minha
de janeiro de 2023.
vida, sob o vosso poder e defesa. Logo, fica combinado que, se um de nós
quiser deixar esta convenção, pagará (...) soldos à outra parte e o acordo
permanecerá firme. Parece-nos, pois, conveniente que as duas partes
interessadas façam entre si e confirmem dois documentos do mesmo teor,
o que assim fizeram.

MONUMENTA GERMANIAE HISTÓRICA – FORMULAE MEROVINGICI ET


KAROLINI AEVI, Ed. K. Zeumer, Hannover, 1886, p. 158, In: ESPINOSA,
Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Sá da Costa,
1981, p. 163-164.

2
Fórmula encontrada na cidade de Tours; reporta-se a uma instituição existente
anteriormente à época em que foi fixada como um documento escrito; alguns autores
localizam esta fórmula no século VII; Mundoburdos é um termo de origem germânico que
designa a proteção conferida por um senhor.

5 6
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Documento nº 03 Documento nº 04

A DOAÇÃO DE CONSTANTINO (c. 750 - 800)


O JURAMENTO DE FIDELIDADE ACRESCENTADO A ENCOMENDAÇÃO
(SÉCULO VIII)3
E ordenamos e decretamos que ele [o papa] terá a supremacia também
sobre os quatro assentos principais Antioquia, Alexandria, Constantinopla e
O Rei Pepino tinha a sua corte em Compendium com os Francos. E aí
Jerusalém, como também sobre todas as igrejas de Deus em todo o mundo.
veio Tassilo, Duque dos Bávaros, o qual se encomendou em vassalagem
E aquele que por enquanto será o pontífice daquela santa igreja Romana
pelas mãos, fazendo muitos e inumeráveis juramentos e colocando as mãos
será o mais exaltado, e chefe, de todos os sacerdotes do mundo inteiro; e,
nas relíquias dos Santos. E prometeu fidelidade ao Rei Pepino e aos
de acordo com o seu julgamento, tudo o que deve ser prestado para o
supraditos seus filhos, os senhores Carlos e Carlomano, assim como por lei
serviço de Deus ou a estabilidade da fé dos cristãos deve ser administrado
um vassalo de intenções retas e firme lealdade deve fazer e como um
(...)
vassalo deve ser para com os seus senhores. Tassilo declarou sobre os
corpos de São Dinis, São Rústico, Santo Eleutério, São Germano e São
Martinho que cumpriria as promessas feitas nos juramentos, todos os dias (...)
de sua vida.

(...) e mesmo na costa norte e sul; - Ou seja, na Judéia, Grécia, Ásia, Trácia,
ANNALES REGNI FRANCORUM, Ed. F. Kurse, Berlim, 1895, p. 14, In: África e Itália e as várias ilhas: sob esta condição, na verdade, que todos
ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Sá serão administrados pela mão do nosso mais abençoado padre o pontífice
da Costa, 1981, p. 170. Silvestre e seus sucessores.

Medieval Sourcebook: The Donation of Constantine (c. 750-800). FORDHAM


UNIVERSITY (c) Paul Halsall Jan 1996 [updated 11/23/96]. Disponível em
<http://legacy.fordham.edu/Halsall/source/donatconst.asp> Acesso em
Dezembro de 2016. (Tradução de Jéssica Kammler)

3 Documento mais antigo que conhecemos no qual um nobre foi

denominado vassalo.
7 8
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Documento nº 05 Documento nº 06

NORMATIVA CAROLÍNGIA: CAPITULARIA MISSORUM (ANO DE 806)4


CAPÍTULOS REFERENTES A TODOS EM GERAL (801)

Cap. 6 – Ouvimos dizer que os Condes e outros homens que de nós têm
Em último lugar, pois, de todas as nossas disposições, desejamos Benefícios adquirem propriedades pessoais a expensas dos nossos
saber em nosso reino inteiro, tanto de nosso legados (missi) como entre os Benefícios e obrigam servos dos Benefícios a trabalhar na sua própria terra,
eclesiáticos, dos bispos, abades, presbíteros, diáconos, cônegos, de todos
pelo que os nossos domínios são prejudicados e os quais neles vivem
os monges e monjas, de que maneira cada um, tanto em seu cargo como sofrem, em muitos lugares, grandes males.
na promessa que nos fizeram, tem cumprido a ordem do decreto; onde
Ouvimos dizer que alguns vendem a outras homens em plena
couber dar graça aos cidadãos por sua boa vontade ou conceder-lhes ajuda
propriedade, os Benefícios que de nós detêm e, depois tendo recebido o
e, onde houver alguma necessidade memediá-la. O mesmo queremos saber
preço no tribunal público, voltam a comprar as terras como propriedades
dos seculares em todas as partes, onde quer que seja. De que maneira
alodiais. Isto não pode ser feito, porque aqueles que o fazem quebram a
obedecem à nossa autoridade e vontade acerca da proteção às santas
fidelidade que nos prometeram.
igrejas, às viúvas, órfãos e necessitados, acerca da talha, da reunião da
hoste e na administração da justiça; como têm cumprido o nosso preceito
e como cada um se esforça em perseverar com relação a todos eles no MONUMENTA GERMANIAE HISTÓRICA – CAPITULARIA REGUM
santo serviço. E se tudo estiver bem para a glória de Deus, onipotente, lhes FRANCORUM, Ed. Alfredus Boretius, T. I., Hannover, 1883, p. 131, In:
mostraremos nossa gratidão como é de justiça, mas ali onde pensemos que ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Sá
algo está mal dedicaremos todo nosso empenho e vontade em endireitá-lo da Costa, 1981, p. 193-194.
com a ajuda de Deus, para eterna recompensa nossa e de todos os fiéis.
Igualmente desejamos conhecer o bom andamento de tudo o que foi dito
em relação aos condes e aos centenários, nossos funcionários.

CAPITULARIA KAROLI MAGNI - CAPITULARIA REGUM FRANCORUM. Ed.


Baluzius. Apud: Artola, M. Textos fundamentales para La História. Madrid:
Alianza, 1978, p. 50. In: PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da
Idade Média: Textos e Testemunhas. São Paulo: Editora UNESP, 2000, p.
59-60.

4
Capitular de Carlos Magno; tentativa de lidar com as usurpações que intentam a
legalização da hereditariedade do Benefício.

9 10
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Documento nº 07 Documento nº 08

CAPITULAR DE QUIERSY-SUR-OISE (SÉCULO IX)6


CAPITULAR DO ANO DE 8645

9- Se morrer um Conde, cujo filho esteja conosco, o nosso filho com outros
4 – Ordenamos aos nossos Condes que respeitem a sua condição de nossos fiéis escolherá de entre aqueles que forem mais familiares e
vassalos se pretendem que nós lhes respeitemos a sua própria posição. próximos do Conde, quem tome conta do condado juntamente com o Bispo

17 – Devem os Condes evitar que em qualquer parte dos seus condados se e os ministeriales do próprio condado, qté que a ele renuncie junto de nós.

cunhem moedas secreta ou fraudulentamente. Se, porém, o Conde tiver um filho menor, este com os ministeriales do
condado e o Bispo de quem depende a paróquia, tomará conta do condado
20 – Saibam os Condes e os nossos outros fideles que as medidas honestas
até que a notícia chegue até nós a fim de que possamos honrar o filho com
são feitas para comprar e vender nas nossas cidades e aldeias.
os cargos de seu pai.
26 – Os francos de cada condado que tenham cavalos devem entrar na
Se, na verdade, não tiver filho, que o nosso filho com os outros nossos
armada às ordens dos seus Condes.
fiéis escolha alguém que juntamente com os ministeriales do próprio
27 – Devem os Condes inquirir diligentemente quantos homens livres em condado e o Bispo, governe o condado até que por nossa ordem isso se
cada condado podem servir em armas à sua própria custa. decida. E que ninguém fique irado se nós então dermos o condado a
35 – Saibam os nossos Condes que vamos enviar os nossos missi para qualquer outro homem, como for de nosso agrado, e não àquele que até
verificarem em pormenor a maneira como obedecem às ordens agora então o governava. Que se faça o mesmo em relação aos nossos vassalos.
dadas. Queremos e ordenamos expressamente que tantos os Bispos como os
Abades e Condes e também os nossos outros fiéis procurem fazer o mesmo
com os nossos homens; e o Bispo vizinho e o Conde governarão tanto os
MONUMENTA GERMANIAE HISTÓRICA – CAPITULARIA REGUM
bispados como as abadias para que ninguém subtraia as coisas ou poderes
FRANCORUM, Ed. Alfredus Boretius, Hannover, 1897, p. 313-327. In:
eclesiásticos e nada impeça o fazer-se-lhes esmola.
ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Sá
da Costa, 1981, p. 194. 10 – Se depois da nossa morte algum entre os nossos fiéis, movido pelo
amor de Deus e pelo nosso, desejar renunciar ao século e tiver um filho ou
um parente tal que esteja apto a servir conosco, poderá, como melhor
quiser, transmitir-lhe as suas honras. E se quiser viver calmamente no seu
alódio, que ninguém tente impedi-lo disso, nem lhe seja exigido nada a não
ser o necessário para a defesa da terra.

5
Capitular emitida por Carlos o Calvo, evidencia a relação entre os Condes e o poder
6Capitular emitida por Carlos o Calvo em 877, evidencia preocupação com
monárquico. a hereditariedade do Benefício (Honores).
11 12
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Documento nº 09

MONUMENTA GERMANIAE HISTÓRICA – CAPITULARIA REGUM


FRANCORUM, Ed. Alfredus Boretius e Victor Krause, Hannover, 1897, Vol. EPÍSTOLA 398 DE BERNARDO DE CLARAVAL (SÉC. XII)7
II, p. 358, In: ESPINOSA, Fernanda. Antologia de Textos Históricos
Medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981, p. 166.
Ao venerável Guido, abade de Montièramey e aos santos irmãos que com
ele estão, Bernardo, servo da santidade deles: servi a Deus na santidade.

Vós me pedis, meu mui caro abade Guido–e os irmãos que convosco estão
unem seu pedido ao vosso–, que componha alguma coisa para ser lida
solenemente, ou até mesmo cantada na festa de São Vítor, cujo corpo santo
repousa entre vós.

Hesito, mas insistis. Fico adiando, mas insistis, sem levar em conta meu
temor, aliás mais que legítimo. Enviais-me mediadores, como se, para me
levar a fazer vossa vontade, o argumento mais convincente não fosse a
vossa própria vontade.

Para dizer a verdade, vosso julgamento deveria vos fazer levar em


consideração não vossa afeição por mim mas minha posição na Igreja.
Porque o que um empreendimento dessa altura requer não é a amizade
mas a ciência, a competência de uma pessoa cuja autoridade seja maior
que a minha, a vida mais santa, o estilo mais formado, coisas que poderão
dar brilho à obra e conferir mais consonância com a santidade que se
pretende celebrar.

Quem sou eu, perdido no meio do povo cristão, para que se leiam meus
escritos nas igrejas? Que dom particular de inteligência, que talento de
eloquência posso ter para que alguém se dirija a mim para compor alegres

7
A Abadia beneditina na diocese de Troyes, na Champagne, fora colocada sob o patronato
de S. Vítor, eremita; Bernardo de Claraval (1090-1153) compôs ofício completo para a
festa do santo a pedido do correspondente, o abade Guido que exerceu o cargo entre 1137
e 1163 EC; a carta 398 se situa entre 1137 e a morte de Bernardo, em 1153.

13 14
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cantos de festa? Que tenho eu? Será que vou querer louvar de novo na mas é o que minha mão conseguiu fazer, na medida de minhas capacidades
terra aquele que os Céus já reconheceram e celebraram na glória? Querer e não da vossa expectativa.
acrescentar qualquer coisa aos louvores celestes é diminuir. Não porque os
homens devam ter medo de celebrar aqueles que os anjos já glorificaram, Dentro do respeito à verdade dos antigos escritos que me comunicastes,
mas porque aquilo que convém ouvir proclamar numa celebração festiva ditei à minha maneira dois sermões sobre a vida do santo. Tanto quanto
solene não são ideias novas e sem peso, mas pelo contrário, afirmações possível, procurei evitar a falta de clareza que provém da concisão
absolutamente seguras e tradicionais que edifiquem a Igreja e façam sentir excessiva bem como o peso que vem da prolixidade. No que se refere ao
a importância de sua palavra. canto, compus um hino minimizando um pouco a métrica para não
prejudicar o sentido. Fiz doze responsórios e trinta e sete antífonas, cada
Se quiserem ouvir novidades, a supor que as circunstâncias o exijam, seria um em seu respectivo lugar; acrescentei um responsório para as primeiras
necessário, como já disse, admitir composições que a nobreza da língua e vésperas e dois outros, breves, que serão cantados, segundo o costume de
a do autor tornam tanto mais úteis ao coração dos ouvintes quanto mais vossa Ordem, no próprio dia da festa, um nas laudes outro nas vésperas.
agradáveis forem. Nesse caso, que as certezas enunciadas brilhem com o
esplendor da verdade, que tenham o dom da santidade, que conduzam à Por tudo isso eu exijo um pagamento. E por que não haveria de exigir? Que
humildade e ensinem o justo equilíbrio! Que façam nascer a luz nos meu trabalho vos agrade ou não, isto não me importa: eu dei o que tinha.
espíritos, que regrem os costumes, crucifiquem os vícios, acendam o fervor Meu salário serão vossas orações.
da devoção e dominem os sentidos. Quando se canta, que seja um canto
cheio de gravidade, que não deixe transparecer nem lascívia nem grosseria.
Sancti Bernardi opera. In: Patrologia latina, t. 182, col. 609-612.
Que a doçura do canto nunca chegue à moleza, que seja encanto para os
ouvidos e toque os corações! Que alivie a tristeza, apazigue a cólera, não
anule o sentido do texto mas, pelo contrário, o fecunde. Não é pequeno
desperdício da graça espiritual o fato de levar os ouvintes, pela graça do
canto, a se afastar do sentido útil das palavras para deixá-los seguir as
modulações da voz em vez de os fazer penetrar na realidade das coisas.

São esses os critérios daquilo que se destina a ser ouvido em uma


assembleia da Igreja; são essas as qualidades que deve possuir o autor.
Será que eu as tenho? Será que minhas obras satisfazem essas exigências?
Certamente, não! No entanto, por causa de vossas solicitações, e por
insistência vossa, sucumbi, não aos apelos de amizade, mas, como diz o
Senhor, à importunação, e minha indigência vos oferece o que pedis.
Confesso que o que vos ofereço não corresponde talvez ao vosso desejo,

15 16
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Documento nº 10 Documento nº 11

DECRETO XXVI DO III CONCÍLIO DE LATRÃO (1179) DECRETO XXVII DO III CONCÍLIO DE LATRÃO (1179)

Judeus e sarracenos não estão autorizados a ter servos cristãos em Como São Leão diz, embora a disciplina da igreja deve ser satisfeito
suas casas, quer sob a pretensão de alimentar seus filhos ou para o serviço com o julgamento do sacerdote e não deve causar o derramamento de
ou qualquer outra razão. Que sejam excomungados aqueles que presumem sangue, no entanto, é ajudado pelas leis dos príncipes católicos para que
viver com eles. Declaramos que a evidência dos cristãos deve ser aceito as pessoas muitas vezes procuram um remédio salutar quando temem que
contra os judeus em todos os casos, uma vez que os judeus empregam um castigo corporal irá ultrapassá-los. Por esta razão, uma vez que na
suas próprias testemunhas contra os cristãos, e que aqueles que preferem Gasconha e nas regiões de Albi e Toulouse e em outros lugares a heresia
judeus a cristãos neste assunto estão a mentir sob anátema, uma vez que repugnante daqueles a quem alguns chamam os cátaros, outros o
os judeus devem estar sujeitos aos cristãos e ser apoiados por eles em Patarenes, outros o Publicani, e outros por nomes diferentes, tornou-se tão
razão da humanidade sozinho. Se alguém pela inspiração de Deus são forte que eles não praticam mais a sua maldade em segredo, como outros
convertidos à fé cristã, eles não estão de forma alguma a ser excluído de fazem, mas proclamar seu erro publicamente e chamar os simples e fracos
suas posses, uma vez que a condição dos convertidos deve ser melhor do para se juntar a eles, declaramos que eles e seus defensores e aqueles que
que antes de sua conversão. Se isso não for feito, nós enjoin sobre os os recebem estão sob anátema, E proibimos sob pena de anátema que
príncipes e governantes desses lugares, sob pena de excomunhão, o dever alguém deve mantê-los ou sustentá-los em suas casas ou terras ou deve
de restaurar plenamente a estes converte a parte de sua herança e bens. negociar com eles. Se alguém morre neste pecado, então nem sob a
cobertura de nossos privilégios concedidos a ninguém, nem por qualquer
outra razão, é massa a ser oferecido para eles ou eles estão a receber
sepultamento entre os cristãos. No que se refere aos Brabanters,
THIRD LATERAN COUNCIL - 1179 A.D. Disponível em: aragoneses, navarros, bascos, coterelles e triaverdinos , que praticam
http://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1179- tamanha crueldade contra os cristãos que não respeitam nem igrejas nem
1179,_Concilium_Lateranum_III,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em: mosteiros, nem poupam viúvas, órfãos, velhos ou jovens, nem qualquer
7 ago. 2021. (Tradução livre de Eduardo Jorge Chixaro Sarraff de Rezende) idade ou sexo, mas como os pagãos destroem e destroem tudo, nós
também decretamos que aqueles que os contratam, mantêm ou apoiam,
nos distritos onde eles se enfurecem, devem ser denunciados publicamente
aos domingos e outros dias solenes nas igrejas, que eles devem estar
sujeitos em todos os sentidos à mesma sentença e pena que os hereges
acima mencionados e que eles não devem ser recebidos na comunhão da
igreja, a menos que abjure sua sociedade perniciosa e heresia. Enquanto

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tais pessoas persistirem em sua maldade, que todos os que estão ligados a THIRD LATERAN COUNCIL - 1179 A.D. Disponível em:
eles por qualquer pacto saibam que eles estão livres de todas as obrigações http://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1179-
de lealdade, homenagem ou qualquer obediência. Sobre estes e sobre todos 1179,_Concilium_Lateranum_III,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
os fiéis nós intimamos, para a remissão dos pecados, que se opõem a este 7 ago. 2021. (Tradução livre de Eduardo Jorge Chixaro Sarraff de Rezende)
flagelo com todas as suas forças e por armas proteger o povo cristão contra
eles. Seus bens devem ser confiscados e príncipes livres para submetê-los
à escravidão. Aqueles que em verdadeira tristeza por seus pecados morrem
em tal conflito não devem duvidar de que receberão perdão por seus
pecados e o fruto de uma recompensa eterna. Nós também confiando na
misericórdia de Deus e da autoridade dos apóstolos abençoados Pedro e
Paulo, conceder aos cristãos fiéis que pegar em armas contra eles, e que,
a conselho de bispos ou outros prelados procuram expulsá-los, uma
remissão por dois anos de penitência imposta a eles, ou, se o seu serviço
será mais longo, nós confiá-lo ao critério dos bispos, a quem esta tarefa foi
cometida, para conceder maior indulgência, de acordo com o seu
julgamento, na proporção do grau de seu trabalho. Nós comando que
aqueles que se recusam a obedecer a exortação dos bispos neste assunto
não devem ser autorizados a receber o corpo e sangue do Senhor. Enquanto
isso, recebemos sob a proteção da igreja, como fazemos aqueles que
visitam o sepulcro do Senhor, aqueles que dispararam por sua fé assumiram
a tarefa de expulsar esses hereges, e nós decreto que eles devem
permanecer intacta de toda a inquietação, tanto na sua propriedade e
pessoas. Se algum de vocês presume molestá-los, ele deve incorrer na
sentença de excomunhão do bispo do lugar, e deixar a sentença ser
observado por todos até que o que foi retirado foi restaurado e satisfação
adequada foi feita para a perda infligida. Bispos e sacerdotes que não
resistem a tais erros estão a ser punidos pela perda de seu escritório até
que eles ganhem o perdão da Sé Apostólica.

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Documento nº 12 Documento nº 13

AS RELAÇÕES ENTRE O PAPADO E O IMPÉRIO SEGUNDO INOCÊNCIO III E AS ELEIÇÕES IMPERIAIS (1202)
INOCÊNCIO III (1198)

[...] Reconhecemos, como devemos, que o direito e a autoridade para


Deus criador do universo fixou duas grandes luminárias no eleger um rei a fim de posteriormente ser promovido a imperador pertence
firmamento do céu; a luminária maior para dirigir o dia e a luminária menor àqueles príncipes a quem é sabido caber por direito e antigo costume,
para a noite. Da mesma maneira, para o firmamento da igreja universal, especialmente, quando este direito e autoridade lhes foram dados pela fé
como se tratasse do céu, nomeou duas grandes dignidades; a maior para apostólica, a qual transferiu o império dos gregos para germanos na pessoa
tomar a direção das almas, como se estas fossem os dias, a menor para do magnífico Carlos. Mas os príncipes deverão reconhecer, e certamente
tomar a direção dos corpos, como se estas fossem as noites. Estas reconhecem, que o direito e autoridade para examinar a pessoa assim eleita
dignidades são a autoridade pontifícia e o poder real. Assim como a lua rei a fim de ser elevada ao Império pertence a nós que o ungimos,
deriva a sua luz do sol e na verdade é inferior ao sol tanto em quantidade consagramos e coroamos [...].
como em qualidade, em posição como em efeito, da mesma maneira o E pela lei e o costume é evidente que, quando numa eleição os votos
poder real deriva o esplendor da sua dignidade da autoridade pontifícia: e
dos príncipes estão divididos, podemos, depois de uma devida advertência
quanto mais intimamente se lhe unir, tanto maior será a luz com que é e intervalo conveniente, favorecer uma das partes [...].
adornado; quanto mais prolongar (essa união), mais crescerá em esplendor
[...].
Aemilus Friedberg, Cursus Juris Canonici, pars secunda – Decretalium
Collectiones. Graz, 1955, col. 80. Apud ESPINOSA, Fernanda. Antologia de
MIGNE, P. L. Series Latina, t. CCXIV, Paris, 1890, col. 377. Apud ESPINOSA, Textos Históricos Medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981, p. 301. In:
Fernanda. Antologia de Textos Históricos Medievais. Lisboa: Sá da Costa, PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Idade Média: Textos e
1981, p. 300-301. In: PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. História da Testemunhas. São Paulo: Editora UNESP, 2000, p. 135-136.
Idade Média: Textos e Testemunhas. São Paulo: Editora UNESP, 2000, p.
135.

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Documento nº 14 Sé Apostólica. Tu, ao contrário, fostes e parado de tua mulher por tua
própria vontade temerária. (...)

PER VENRABILEM Além disso, já que o rei não reconhece nenhum superior no [plano]
temporal, ele pode, sem lesar ninguém, submeter-se à nossa jurisdição a
POR INOCÊNCIO III (1202)8 propósito de uma questão na qual ele poderia parecer a alguns ter o poder
de dispensa, não enquanto pai em vista de seus filhos, mas enquanto
Na realidade, no entanto, a Sé Apostólica pode agir livremente no príncipe em vista de seus súditos. Tu, ao contrário, te encontras submetido

patrimônio de São Pedro, onde ela exerce a atividade do grande pontífice, a outros. E não podes submeter-te a nós sem fazer-lhes injúria (a menos
e onde ele possui poderes de príncipe supremo. (...) Mas o arcebispo que eles consintam). (...) Conduzidos por todos esses motivos, nós
endereçou sua solicitação com uma grande audácia (...) alegando como concedemos nosso favor à demanda do rei, fundando nossa argumentação

precedente uma petição desse gênero que nós mesmos, dizia ele, havíamos tanto sobre o Antigo quanto sobre o Novo Testamento: a saber, que nós
aceitado num caso semelhante. De fato, nosso muito caro filho em Cristo, exercemos nossa jurisdição temporal não somente no patrimônio da Igreja,
Filipe, ilustre rei de França, repeliu nossa muito cara filha em Cristo, sobre o qual nós temos pleno poder temporal, mas também,
Ingeburge, ilustre rainha de França, e teve de outra mulher um filho e duas ocasionalmente, após ter examinado o caso, em outras regiões. E isso sem
filhas. Da mesma forma tu, após ter repelido tua esposa legítima, tomaste querer levar prejuízo ao direito de outro ou usurpar para nós um poder que
outra, da qual tiveste filhos. Também acreditavas tu gozar da bem- não nos é devido, pois nós não ignoramos a resposta de Cristo no

aventurada dispensa da Sé Apostólica para teus filhos, como o rei havia Evangelho: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
gozado para os seus. Tanto mais que essa é para ti uma medida de grande Portanto, nós decidimos recusar tua petição e rejeitar presentemente tuas
necessidade, e que tu nos és especialmente submisso. (...) Pois, enquanto súplicas.”
o rei é nosso súdito somente no [plano] espiritual, tu o és no [plano]
espiritual e no [plano] temporal, já que tens tua terra da Igreja de
Patrologia Latina, t. CCXIV, col. 1130-1134.
Magalona, a qual reconhece depender temporalmente da Sé Apostólica. Eis
por que, por intermédio da Igreja de Magalona, o arcebispo afirmava que
tu eras nosso súdito no [plano] temporal.

No entanto, se se examina cuidadosa mente a realidade, a questão


não parece semelhante, e é até mesmo bastante diferente. Defato, o rei foi
separado da rainha por um julgamento do arcebispo de Reims, legado da

8
Inocêncio III, Papa durante 1198 e 1216 E. C. É considerado um dos mais fortes e mais
eficientes de todos os papas medievais, considerado um zeloso reformador da Igreja que
ansiava para que a Igreja tivesse efetivo controle de toda a Cristandade.

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Documento nº 15 que exigia tanta preocupação, finalmente isto precavemo-nos dever ser
feito para executar as coisas preditas em razão do conselho dos mesmos.
Como porque estas coisas protegem o estado comum de todos os fiéis, um
BULA VINEAM DOMINI SABAOTH9
Concílio conforme um antigo costume dos Santos Padres convoque, que
deve ser celebrado em tempo oportuno em proveito unicamente das almas.
Convocação do XII Santo e Ecumênico Concílio Lateranense para o primeiro No qual para extirpar os vícios, e propagar virtudes, corrigir os excessos,
dia de Novembro de 1215 reformar os costumes, eliminar as heresias e revigorar a fé, adormecer as
PAPA INOCÊNCIO III, discórdias, e estabelecer a paz, suprimir opressões, favorecer a liberdade,
persuadir príncipes e o povo cristão ao socorro e guarnição da Terra Santa,
Aos Veneráveis Irmãos constituídos Arcebispos, Bispos e aos queridos filhos
tanto por clérigos quanto por leigos deve ser despendido, com outras coisas
Abades e Priores, Decanos, aos Arquidiáconos pelas Províncias Teutônicas.
que muito longo seja enumerar uma por uma, precavidamente sejam
Animais multiformes provocam a vinha do Senhor dos exércitos ser
estatuídas inviolavelmente devam ser observadas, conforme os 63
destruída; o ataque deles neste ponto fortaleceu contra a mesma a fim de
Prelados, regulares abaixo-ditos, quaisquer coisas que forem vistas convir
que espinhos brotem de parte não módica em vez de uvas, e lamentando
da aprovação do mesmo Concílio, para louvor e glória do nome dele, para
isto, referimos, as mesmas videiras infestadas e corrompidas de forma
remédio e salvação das vossas almas, e progresso e utilidade do povo
multíplice, já mostram fruto selvagem em vez de uva.
cristão.
§ 1. Invocamos, pois, o testemunho daquele que é testemunha fiel no Céu,
§ 4. Mas porque antes de um biênio não possa comodamente ser celebrado
que duas entre todas as coisas desejáveis do nosso coração, duas neste
um Concílio universal, nesse meio tempo ordenamos plenamente investigar
século principalmente aspiramos, para que sem dúvida, para a recuperação
por homens prudentes em cada uma das províncias, as que solicitem
da Terra Santa, e a reforma da Igreja Universal possamos, com efeito, de
correção de provisão apostólica, e enviar adiante homens idôneos para
supervisionar. Uma e outra delas requer tanta urgência de provisão, para
cuidar do negócio da Terra Santa, como se pela necessidade urgente o sacro
que depois, sem grave e grande perigo, seja incapaz de ser dissimulado ou
concílio tivesse aprovado, nós pessoalmente assumamos mais eficazmente
ser dispensado.
o mesmo negócio que deve ser promovido.
§ 2. Donde derramamos súplicas e lágrimas diante de Deus, humildemente
§ 5. Desta forma, crendo este propósito salutar dirigir àquilo, pelo qual está
pedindo com insistência, para que revelasse a nós sobre isto seu
todo dado ótimo, e todo dom perfeito, à vossa universalidade por escritos
beneplácito, inspirasse afeição, acendesse o desejo e confirmasse o
apostólicos prescrevemos, com o qual vos prepareis de tal maneira, que do
propósito, fornecendo capacidade e oportunidade para executar estas
presente ano de 1213 da encarnação do Senhor até dois anos e meio,
coisas sadiamente.
prefixados a vós por termo a 1º de Novembro, acedeis até a Sé apostólica
§ 3. Portanto habito sobre estas coisas com nossos irmãos, e com outros
com modéstia e cautela, assim como na vossa província, se a necessidade
homens prudentes, com frequente e diligente tratamento, na proporção em
pedir, dois ou três dos bispos sufragâneos possam permanecer, para
exercer os ministérios da cristandade, e tanto eles, quanto outros, que por
9
Bula A Vinha do Senhor dos Exércitos. Cf. Nota de rodapé nº 8.

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Outros

Documento nº 16
canônico impedimento impediente não possam vir, dirijam por si idôneos
responsáveis, observada a mediania das pessoas e do mandato, que o
Concílio Lateranense definiu, para que ninguém possa de tudo consigo DECRETO III DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO

trazer muitos ou poucos. Nem alguém faça despesas supérfluas e


(30 DE NOVEMBRO DE 1215)
pomposas, mas apenas necessárias e moderadas, mostrandose pelo agir e
vestir verdadeiro cultor de Cristo, quando neste negócio não o aplauso
III. Dos hereges
secular, mas o proveito espiritual se faz dever ser requerido.
Reprovamos e condenamos toda heresia dirigida contra a fé santa, católica
§ 6. Enquanto isto porém por vós mesmos, e por outros homens prudentes,
e ortodoxa que expusemos anteriormente. Condenamos a todos os hereges sob
todas as coisas sutilmente inquiris, as que com a tendência da correção, ou
qualquer denominação com que se escondam; ainda que seus rostos sejam
da reforma, são percebidas necessitar, e os que listam fielmente estas
distintos, estes se encontram amarrados pela cauda (Jz 15,4), pois a vaidade os
coisas ao exame do Sacro Concílio predito, necessárias com relação à
une. Todos os hereges condenados deverão ser entregues às atuais autoridades
subvenção da Terra Santa, onde Deus nosso Rei antes dos tempos dignou-
seculares ou aos seus magistrados para que padeçam a pena merecida. Os
se operar no meio da terra a salvação, riqueza e obra eficazmente que há
Clérigos serão, previamente, degradados de sua ordem. Os bens destes
de consagrar, fielmente e prudentemente assistindo, a estes os que para
condenados, caso sejam leigos, serão confiscados; se forem de clérigos, serão
este negócio conduzimos especialmente o deve ser administrado
entregues à igreja da qual recebiam seu salário. Os que são simplesmente
estabelecer.
suspeitos de heresia, a não ser que se chegue a comprovar sua inocência quanto
§ 7. Ninguém assim falaciosamente subtraia-se recusando a execução de
às causas que motivam a suspeita e quanto ao seu comportamento pessoal por
tão santa obra, se quer escapar da punição canônica. Ninguém será
uma justificação adequada, serão excomungados; deverá evitar-se o trato com
obstáculos das dissensões, ou causará impedimentos dos caminhos, os que
os mesmos até que se tenha cumprido a devida satisfação. Se permanecerem
tendo feito o Senhor em bom sinal em grande parte começaram já a cessar.
sob excomunhão durante o período de um ano, a partir deste tempo, que sejam
Com efeito, também quanto maiores perigos ameaçam, tanto mais potentes
condenados como hereges. Para a defesa da fé que se advirta, exorte e obrigue,
remédios convêm ministrar. Nunca de fato navegará por mares tranquilos,
se houver necessidade, por meio de censuras eclesiásticas, aos poderes
quem sempre espera que o mar não se excite em si a onda. Por causa
seculares, qualquer que seja a função – se é que querem ser fiéis e tidos como
destas coisas para vós querido filho (Nome) estabelecemos com ordem
tais -, a prestar juramento público de dar caça, segundo seu poder, nas terras
apostólica, o que tenhais pela reverência recomendado.
submetidas a sua jurisdição, a todos os hereges declarados como tais pela
igreja; todas as vezes que uma pessoa for promovida a um cargo espiritual ou

Bula Vineam Domini Sabaoth. In: ARAÚJO, Sérgio Luiz S.; PINHO, temporal será obrigada a comprometer-se sob juramento. No entanto, se um

Guilherme R.; DUTRA, Ludmila C. Vineam Domini Sabaoth: A Convocação senhor temporal, depois de ser advertido e requerido pela igreja, descuidar-se

Do Latrão IV. Revista FSA, Teresina, v. 12, n. 5, p. 88-101, set-out. 2015. de limpar suas terras desta heresia contaminante, o bispo metropolitano e seus

(Tradução livre de Araújo et al) sufragâneos o excomungarão. Se no prazo de um ano descuidar-se de levar a
cabo uma satisfação apropriada, apresentar-se-á o fato ao pontífice romano

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Outros Outros

para que este dispense os súditos da fidelidade devida ao seu excomungado todo aquele que se tome, seja já em privado ou
senhor e exponha suas terras à invasão dos católicos; que estes, depois de em público, a função da pregação depois de lhe ter sido proibida ou sem que se
terem expulsado aos hereges, tomem possessão delas sem oposição alguma e lhe houvesse encomendado a missão de realizar a mesma. E no caso de não
que a mantenham na pureza da fé, de modo que fiquem a salvo os direitos do demonstrar rapidamente um autêntico arrependimento, será castigado com
dono a menos que este tenha posto alguma oposição ou obstáculo. Observar- outra pena apropriada.
se-á a mesma conduta com aqueles que não têm soberano. Os católicos que Além disso, todo arcebispo e bispo, seja pessoalmente, seja por meio do
tomarem a cruz e armarem-se para dar caça aos hereges, gozarão da
arcediago10 ou de outras pessoas honradas e competentes, deve visitar sua
indulgência e do santo privilégio concedidos aos que vão em ajuda da terra própria diocese uma ou duas vezes por ano, se for considerada como refúgio de
santa. Excomungamos aos que oferecem crédito aos hereges, os recebem, os
hereges; nela fará que três pessoas ou mais, por garantia, e inclusive toda a
defendem ou os ajudam; estabelecemos ainda que todo aquele que, vizinhança, se o julgar necessário, prestem juramento e declararem ao bispo
excomungado por tais faltas, descuidar-se de satisfazer dentro do prazo de um
aqueles que, no seu modo de entender, sejam hereges, que tenham ou celebram
ano, será por este fato declarado infame, e ficará incapacitado para todo cargo reuniões secretas e que em sua vida e com seus costumes se afastam do
ou conselho público, para toda eleição para estas funções e desprovido do direito
comportamento normal dos fiéis. Que o bispo faça comparecer aos acusados;
de emprestar testemunho. Que este tal fique inclusive incapacitado para fazer nos casos em que estes não possam se defender das acusações ou voltem a cair
testamento e para receber uma herança por sucessão; ninguém pode ser
em seus erros passados, depois de terem se justificado, que sejam castigados
obrigado a responder-lhe seja qual seja o assunto de que se trate, mas ele fica com as penas canônicas. Todo aquele que rejeite, com uma obstinação culpável,
obrigado a responder aos demais. Se este tal exercera o cargo de juiz, que suas
a obrigação procedente do juramento e se negue a prestá-lo, que seja por este
sentenças sejam privadas de valor e seu tribunal de causas. Se é advogado, mesmo feito considerado como herege. Desejamos, encomendamos e
evite-se sua proteção. Se é tabelião, que os tratados estabelecidos por ele
ordenamos aos bispos, com o rigor da obediência, que velem atentamente pela
careçam de valor e sejam condenados juntamente com seu autor. Em todos os aplicação destas medidas em sua própria diocese, se desejam escapar das
casos similares queremos que se observe a mesma norma de conduta. Se é sanções canônicas. Se um bispo cometer qualquer negligência ou demorar em
clérigo que seja destituído de todo trabalho e benefício, pois aquele cuja falta é limpar sua diocese dos fermentos da heresia, sempre que existam sinais
mais grave deve ser mais severamente castigado. Aqueles que se negarem a
inequívocos da mesma, será destituído do cargo episcopal e será substituído por
evitar o trato com os hereges uma vez denunciados pela igreja, que sejam uma pessoa determinada a confundir a heresia.
excomungados até que chegue a um acordo satisfatório. Os clérigos deverão
negar a estes empestados os sacramentos da igreja, excluí-los da sepultura
cristã e recusar suas esmolas e ofertas sob pena de deposição do cargo sem FOREVILLE, R. Lateranense IV. Vitória: Eset, 1973, p. 159-160.

possível reincorporação ao mesmo, a não ser por um indulto especial da sede


apostólica. O mesmo procedimento será com os clérigos regulares na diocese
na qual tais excessos foram perpetrados, sem ter em conta seus privilégios. Há
alguns destes que sob “aparência de piedade, mas negando seu poder” conforme
a palavra do Apóstolo (2 Tm 3,5), atribuem-se o poder de pregar. O mesmo 10
Um Arcediago ou Arquidiácono (do grego, archidiákonos) é um vigário-geral encarregado,
pelo bispo, da administração de uma parte da diocese. Na hierarquia da Igreja, o arcediago
Apóstolo diz: “E como pregarão, se não forem enviados?” (Rm 10,15); fica está acima dos clérigos e abaixo do bispo.

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Outros Outros

Documento nº 18

Documento nº 17
DECRETO XLII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO

DECRETO XIII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO (30 DE NOVEMBRO DE 1215)

(30 DE NOVEMBRO DE 1215)


Assim como nós desejamos que leigos não usurpem os direitos dos clérigos, nós

XIII. A proibição de novas ordens religiosas devemos desejar que os clérigos não reivindiquem os direitos dos leigos. Nós,
portanto, proíbimos qualquer clérigo, doravante, de alargar a sua jurisdição, sob
Para que uma demasiada grande variedade de ordens religiosas não leve à grave
o pretexto da liberdade religiosa, em prejuízo da justiça secular. Em vez disso,
confusão na igreja de Deus, que doravante proíbam estritamente alguém a
deixá-lo estar satisfeito com as constituições escritas e costumes até agora
encontrar uma nova ordem religiosa. Quem quiser se tornar um religioso deve
aprovados, de modo que as coisas de César podem ser prestados a César, e as
entrar em uma das ordens já autorizadas. Da mesma forma, quem quiser fundar
coisas de Deus podem ser prestados a Deus por um direito de distribuição.
uma nova casa religiosa deve tomar as regras e institutos já aprovados em
outras ordens religiosas. Nós proibimos, além disso, que qualquer um tome lugar
como um monge em mais de um mosteiro ou como um abade presidindo mais FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:
de um mosteiro. https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1215-
1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
julho de 2010. (Tradução livre de Wendell dos Reis Veloso)
FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:
https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1215-
1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
julho de 2010. (Tradução livre de Wendell dos Reis Veloso)

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Outros Outros

Documento nº 19 Documento nº 20

DECRETO XLIII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO DECRETO XLVI DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO

(30 DE NOVEMBRO DE 1215) (30 DE NOVEMBRO DE 1215)

Certas leigos tentam colidir demasiadamente com o direito divino, quando O [III] Concílio de Latrão, na intenção de contribuir para a imunidade da igreja
intentam que eclesiásticos, que não possuem nenhuma temporalidade a partir contra os funcionários e os governadores das cidades e outras pessoas que
deles, façam juramentos de fidelidade a eles. Uma vez que um servo permanece procuram a oprimir as igrejas e os religiosos com [...] impostos e outras
[em pé] ou cai com o seu Senhor, de acordo com o Apóstolo, nós, portanto, exigências, proibiam tal presunção sob pena de excomunhão. Ele ordenou a
proibimos, sob a autoridade deste conselho sagrado, que esses clérigos sejam excomunhão dos transgressores e dos seus apoiadores desses a ser feito até
forçados a fazer um juramento deste tipo aos seculares. adequada satisfação. Se em algum momento, no entanto, um bispo, juntamente
com o seu clero, prever uma tão grande necessidade ou vantagem de se
considerar, sem qualquer compulsão, que os subsídios deveriam ser dadas pelas
igrejas, para o bem comum ou a necessidade comum, quando os recursos de os
FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:
leigos não são suficientes, então os leigos acima mencionados podem recebê-
https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1215-
los com humildade, devoção e agradecimentos. Por conta da imprudência de
1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
alguns, no entanto, o pontífice romano, cujo negócio é fornecer para o bem
julho de 2010. (Tradução livre de Wendell dos Reis Veloso)
comum, deve ser consultado de antemão. Acrescentamos, que, apesar disso, a
maldade de alguns contra a igreja de Deus não diminui, então que os decretos
e sentenças promulgadas sob as ordens dos excomungados sejam consideradas
nulas e nunca sejam validadas. Desde que a fraude e o engano não devem
proteger ninguém, que ninguém se deixe enganar pelo falso erro de suportar
um anátema durante o período do seu governo como se ele não fosse obrigado
a dar satisfação depois; pois os consideramos sujeitos à censura eclesiástica até
a satisfação adequada, aplicando-se o mesmo ao seu sucessor dentro de um
mês, pois aquele que o sucede nas honras deve também sucedê-los nas
responsabilidades.

FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:


https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1215-
1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
julho de 2010. (Tradução livre de Wendell dos Reis Veloso)

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Outros Outros

Documento nº 21 Documento nº 22

DECRETO LX DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO DECRETO LXI DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO

(30 DE NOVEMBRO DE 1215) (30 DE NOVEMBRO DE 1215)

A partir das denúncias que nos chegaram de bispos de várias partes do mundo,
nós viemos a saber de excessos graves cometidos por certos abades, os quais, O [III] Concílio de Latrão, proibiu que qualquer religioso se atreva a receber
não contentes com os limites de sua própria autoridade, estendem suas mãos dízimos ou igrejas das mãos de laicos sem o consentimento do bispo, ou de
para as coisas que pertencem à dignidade episcopal e, dste modo, instruem
qualquer forma admitir para os serviços divinos aqueles sob excomunhão ou
casos matrimoniais, impõem penitências públicas, concedem cartas de
aqueles interditados pelo nome. Com o intuito de dar eficácia a tais proibições
indulgências e cometem várias outras usurpações. Acontece a partir disso que a tenhamos o devido cuidado ao castigar aos infratores com sanções apropriadas.
autoridade episcopal é desvalorizada aos olhos de muitos. Desejando, portanto, Igualmente estabelecemos que nas igrejas que não dependem dos religiosos de
garantir tanto a dignidade dos bispos e quanto o bem-estar dos abades,
modo pleno apresentem aos bispos os padres que estão a serem instituídos para
proibimos estritamente pelo presente decreto que qualquer abade obtenha exame da capacidade destes em questões temporais. Os religiosos não podem
ajuda para essas coisas, se ele deseja evitar perigo para sua salvação, a não ser remover aqueles que foram instituídos sem consultar o bispo. Nós adicionamos,
por uma especial concessão ou alguma outra razão legítima em relação a essas na verdade, que eles devem tomar cuidado para não apresentarem sacerdotes
coisas. cuja conduta não seja intocável ou sem recomendação testemunhal dos bispos,
a qual deverá ser confirmada e comprovada.

FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:


https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1215-
FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:
1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em: https://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1215-
julho de 2010. (Tradução livre de Wendell dos Reis Veloso)
1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
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DECRETO LXVII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO DECRETO LXVIII DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO

(30 DE NOVEMBRO DE 1215) (30 DE NOVEMBRO DE 1215)

Quanto mais a religião cristã se esforça para impedir práticas de usura, tanto Uma diferença de vestimenta distingue judeus e sarracenos dos cristãos em
mais a perfídia dos judeus cresce nestas matérias, de modo que dentro de pouco algumas províncias, mas em outras uma certa confusão se desenvolveu de modo
tempo eles estão esgotando os recursos dos cristãos. Desejando, portanto, que eles são indistinguíveis. Daí que por vezes acontece que, por erro, cristãos
ajudar os cristãos que são oprimidos por judeus selvaticamente nesta matéria, unem-se à mulheres judias ou sarracenas, e os judeus ou sarracenos com as
nós ordenamos por este decreto sinodal que, se os judeus, no futuro, sob mulheres cristãs. Para que o delito de tal mistura condenável não possa se
qualquer pretexto de seus interesses, extorquir de modo opressivo e excessivo espalhar ainda mais, nós decretamos que essas pessoas de ambos os sexos, em
os cristãos, então eles devem ser removidos do contato com os cristãos até que cada província cristã e em todos os momentos, devem ser distinguidos em
eles tenham dado satisfação suficiente para a carga desmedida. Também os público a partir de outras pessoas pela sua vestimenta [...]. Eles não devem
cristãos, se necessário, serão compelidos pela censura eclesiástica, sem aparecer em público, em todos os dias de lamentações e no domingo de paixão,
possibilidade de recurso, a abster-se de comércio com eles. Nós não pois alguns deles em tais dias, como ouvimos, não se envergonham de
recomendamos aos príncipes serem hostia aos cristãos sobre essa conta, mas desfilarem vestidos de modo muito ornamentado e não têm medo de cristãos
sim serem zelosos em dissuadir os judeus de opressão tão grande [contra os que estão apresentando um memorial da paixão e estão exibindo sinais de dor.
cristãos]. Nós decretamos, sob a mesma pena, que os judeus sejam obrigados O que mais estritamente proibimos, porém, é que se atrevam de alguma
a dar de modo satisfatório às igrejas dizimos e ofertas que as igrejas estavam maneira escarnecer do Redentor. Nós, ordenamos aos príncipes que punam de
habituadas a receber de de casas e outros bens cristãos, antes que eles modo adequado para que não se atrevam a blasfemar de qualquer forma
houvessem passado qualquer título ao judeus, de modo que as igrejas podem daquele que foi crucificado por nós, pois não devemos ignorar insultos contra
assim serem preservadas de perda. ele que apagou nossos os erros.

FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em: FOURTH LATERAN COUNCIL: 1215. Disponível em:
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1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em: 1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
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DECRETO LXIX DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO DECRETO LXX DO IV CONCÍLIO DE LATRÃO

(30 DE NOVEMBRO DE 1215) (30 DE NOVEMBRO DE 1215)

Seria muito absurdo que um blasfemador de Cristo exercesse poder sobre os Temos conhecimento que certas pessoas que vieram voluntariamente às águas
cristãos. Renovamos, portanto, neste cânone, por conta da ousadia dos sagradas do batismo, como nós aprendemos, não chegaram a despojar-se
criminosos, o que o Concílio de Toledo frugalmente decretou neste assunto: totalmente velho homem, a fim de vestir o mais novo perfeitamente. Dessa
vamos proibir os judeus de serem nomeados para cargos públicos, uma vez que forma, conservando práticas remanescentes de seu antigo rito, perturba o
sob este pretexto eles são muito hostis aos cristãos. Se, no entanto, alguém decoro da religião cristã por essa mistura. Como está escrito: Maldito aquele que
lhes confiar tais ofícios deixe que seja punido pelo conselho provincial, o qual entra no terreno através de dois caminhos, e uma peça de roupa que é tecido
desejamos que se reúna anualmente, por meio de uma sanção apropriada. de linho e lã não devem ser vestidas. Em consequência estabelecemos: os
Qualquer funcionário judeu assim designado deve ser excluído de todo comércio prelados das igrejas devem insistir que essas pessoas rechacem os seus antigos
com cristãos até que ele tenha convertido para o uso dos cristãos pobres, de ritos a fim de que aqueles que livremente ofereceram-se para a religião cristã
acordo com as orientações do bispo diocesano, o que ele obteve de cristãos em possam ser mantidos na observância da religião mediante um saudável esforço.
razão de seu gabinete, e ele humildemente deve entregar o cargo que assumiu Por isso é um mal menor não saber o caminho do Senhor, do que ir para trás
indevidamente. Nós estendemos a mesma norma para os pagãos. depois de ter conhecido ele.

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1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em: 1215,_Concilium_Lateranum_IIII,_Documenta_Omnia,_EN.pdf. Acesso em:
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