INSTITUIÇÃO: COLEGIO ESTADUAL THALES DE AZEVEDO
COORDENÇÃO: MABEL DA PAZ
CURSO: TÉCNICO SERVIÇO JURÍDICOS
AUDIÇÃO E VIZUALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA
ONLINE
ALUNA: ERICA FERNANDA RIBEIRO SILVA
A PEDIDO DO CURSO
SALVADOR, 2023
RELATÓRIO DE AUDIÊNCIA
Tema: Ação Penal - Homicídio Duplamente
Qualificado
Tipo de Audiência: Julgamento perante o Tribunal
do Júri
Proc. n°: 0004261-10.2014.8.0001
Juiz: Alessandro Meliso Rodrigues
Vara: 2°. Vara Criminal
Comarca: Mato Grosso do Sul
Acusado: Marcos Roberto Canaver
Defensor Público: Drº. Ronald Calixto Nunes
Vítima: Diogo Barreto Canhoto
Promotor de Justiça: Dr. Humberto Lapa Ferri
Tipificação do crime: Art. 121, 2° inciso II
E IV, do CPB.
Inquérito Policial: no dia 23 de janeiro de 2010, por volta de 18:35min, na Rua Bartolomeu
Mitre, em frente ao lote 19 Qd 113, Bairro Jardim Noroeste, Campo Grande/MS, o suspeito
Marcos Roberto Canaver com a intenção de matar e utilizando uma arma de fogo fornecida
por Renan Martinez da Silva desferiu disparos contra a vítima Diogo Barreto Canhoto,
atingindo o resultado da morte.
a) - Abertura da audiência; 19 de setembro de 2010, no Plenário do Tribunal do Júri de Campo
Grande, Capital do Estado de Mato Grosso do Sul, Plenário do Júri do Edifício do Fórum local.
b) - Rol de;
b.1) Testemunhas:
Tereza Herculano Martinez
Alisson Martinez Jarcem
Adalina Herculano Martinez
Cândida Herculano Martinez
Adison Martinez Jarcem
Cleuza da Silva
Não testemunharam.
b.2) declarantes:
Sonia Herculano Martinez – convivente da vítima
Gilberto dos Santos Martinez – primo do denunciando
Renan Martinez da Silva – menor cumplice do denunciado
Vanessa Martinez Pires – prima do denunciado
Wanda Martinez Pires – prima do denunciado
c) - Relatório do fato:
O representante do Ministério Público em defesa da vítima, ofereceu denúncia contra Marcos
Roberto Canaver, conforme foi qualificado como o denunciante, atribuindo-lhe o tipo penal
descrito no art. 121. Matar alguém, 2° Se o homicídio é cometido II Por motivo fútil e IV á
traição, de emboscada, ou diante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido do Código Penal Brasileiro, por fato cometido contra a vítima
Diogo Barreto Canhoto. A peça de acusação narra que, foi no dia 23 de janeiro de 2010, por
volta das 18h35min, na Rua Bartolomeu, em frente ao lote 19 QD 113, Bairro Jardim Nordeste,
o denunciado Marcos Roberto Canaver com a intenção de matar e utilizando uma arma de
fogo fornecida por Renan Martinez da Silva, deferiu disparos contra a vítima Diogo Barreto
Canhoto, atingindo e resultado da morte.
Após a denuncia, a instrução preliminar probatória transcorreu regularmente. Recebida a
denúncia em 27/01/2014 (f. 195-6), foi citado (f.212) e apresentou Defesa Escrita (f. 214),
intermédio do Defensor Público, Ronald Calixto Nunes, que o acompanhou até o final. O
acusado foi devidamente interrogado e nessa oportunidade, confessou de forma qualificada, ou
seja, ter atingido em legítima defesa. (f. 350).
Você foi recebida e o denunciado pode aguardar o julgamento em liberdade, pois assim
respondeu ao processo, estando, por hora, ausentes os requisitos do art. 312. A prisão
preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, por conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova de
existência do crime e indícios suficientes da autoria, do CPP. Todavia, ou denunciado foi
intimado para comparecer em juiz a cada 3(três) meses para atualizar o endereço.
d) - Tese de acusação;
A representante do Ministro Público, promotora da justiça Rosana cardovil absorveu o réu
contrária a tese inicial apresentada pelo promotor Manoel Murieta, que na denúncia qualificou o
crime pelas circunstâncias do modo de execução mencionado, já que o ataque aconteceu de
forma inesperada, imprevista e imprevisível.
Como tese contra o réu apresentou: a seguir primeiro que não pode se considerar legítima
defesa e nem considerar as testemunhas, pois no caso em tela, a arma não foi aprendida,
ninguém viu a arma da vítima, o laudo feito no local do crime, consta a vestimenta da vítima,
mas não consta a arma. Segundo que a mulher da vítima fala que o marido teve uma
discussão coma réu Diogo Barreto Canhoto (vítima) chamou Marcos Roberto Canaver
(acusado) de “moleque”, nisso o réu sacou a arma e atirou, em seguida sobe em cima da
vítima e dispara dois tiros e que na fuga deu um tiro e acertou uma criança, mas em juízo ela
disse que o tiro foi para cima. Já Teresa cunhada da vítima, disse que o acusado foi para cima
da vítima e não a vítima foi para cima dele. Na delegacia mentiu, portanto, com base nas
testemunhas não pode apurar. Gilberto disse que a vítima xingou o acusado, dá a entender que
a vítima não foi para cima, mas não teve perguntas certas. Contra ele ainda tem o tiro, a vítima
foi atingida na lateral, o qual atingiu o braço, para ser legítima defesa o tiro deveria ser na testa
ou no coração, disse.
Em favor do acusado tem as testemunhas disse que a vítima foi para cima e que estava
armado. Vanessa prima do acusado disse que não viu a vítima ir para cima, mas a viu
mexendo na cintura. Vanda disse que a vítima foi para cima do acusado.
Com isso o representante do PM concluiu que não foi motivo fútil e nem surpresa, pois os dois
estavam em uma discussão, portanto houve uma discussão, esse Diogo Barreto Canhoto
(vítima) já teve várias passagens teve várias testemunhas, mas cada uma fala uma coisa deste
modo fica difícil condenar o acusado. A vítima não tinha razão para esperar ou suspeitar da
agressão já que o próprio relato das testemunhas no processo, davam conta que o réu
conhecia a vítima que moraram por um tempo na mesma rua tendo eles boa convivência. Isso
foi usado em desfavor da vítima, dissimulando o acusado e a sua intenção na aproximação,
curando, com ação repentina, dificultar ou impossibilitar a defesa da vítima, o que foi
comprovado através do laudo necroscópico apontando que o mesmo alvejou a vítima pelas
costas, com 5(cinco) disparos (tiros) e causou a morte, relevando assim o dolo em relação ao
fim proposto (matar) e aos meios escolhidos e (dissimulação e surpresa).
e) - Tese de defesa;
Defensor Público Dr Rafael Sarges, foi centrada a defesa do réu Raimundo Prata de Araújo, e
tal como acusado fez no seu interrogatório, sustentou a negação de autoria, buscando apontar
dúvidas nos jurados quanto a retificação do nome do acusado, já que inicialmente quem
respondia pelo delito era o inicial Wenderson praça de Araújo, que, além de ser primo e possuir
traços parecidos, a hipótese de ser este de fato o autor e a, no caso a condenação do réu
presente, o cometimento de uma injustiça de difícil reparação. Para tanto, utilizou de vários
exemplos e mencionou expedientes praticados pela Polícia Civil e Militar na criminalização de
algumas pessoas acusando-os de construir provas e orientar testemunhas para prejudicar os
desafetos, ainda que inocentes como o seu cliente.
g) - Sentença;
O conselho de sentença absorveu o acusado Marcos Roberto Canaver, tendo como base o
pronunciamento a denúncia crime pelo Exrm. Sr. Juiz direito Dr. ALOÍSIO PEREIRA DOS
SANTOS, da fase processual, decidiu que o juízo é de probabilidade e não de certeza.
Portanto, concorrendo a materialidade é indícios suficiente de autoria, casa ser submetida a
julgamento (ART. 413 do CPP).