Significado e Interpretação dos Rácios Económico-Financeiros
A Solvabilidade, Endividamento e Autonomia Financeira contêm,
basicamente, a mesma informação:
Solvabilidade (SOLV) = Situação Líquida / Passivo
Endividamento (ENDIV) = Passivo / Activo
Autonomia Financeira (AF) = Situação Líquida / Activo
Como interpretar a Autonomia Financeira ou a Solvabilidade? Muito
baixas significa que há maior perigo de falência em geral. No entanto
isto depende muito de sector para sector. Por exemplo, os bancos têm
tradicionalmente uma AF baixa por a maior parte do Activo ser
constituída pelos depósitos dos clientes. Um bom uso para a AF é ter
muito cuidado com empresas com AF baixa que acabaram de descer
muito em Bolsa. Se a empresa estiver muito endividada em relação aos
seus capitais (AF baixa) os potenciais efeitos de uma crise são piores,
pelo que deverá ter o máximo cuidado, mesmo que a cotação já tenha
descido muito. Uma AF abaixo de 0.20 envolve riscos acrescidos. Uma
AF acima de 0.50 indica grande solidez de uma empresa, risco baixo.
Estrutura do Endividamento = Passivo de Curto Prazo / Passivo
Peso do Endividamento de Longo Prazo = Passivo de Médio e Longo
Prazo / Activo
Uma Estrutura do Endividamento alta indica mais riscos de
dificuldades de tesouraria para a empresa, já que uma parte maior do
passivo tem um prazo mais curto para ser pago. Tome cuidado com
empresas que estejam a meio de uma crise e tenham um valor elevado
deste indicador.
Liquidez Geral = Activo Circulante / Passivo de Curto Prazo
Uma Liquidez Geral alta (de preferência maior que 1) indica que os
fundos facilmente utilizáveis pela empresa (cash, contas bancárias,
títulos, e outros activos circulantes) cobrem as dívidas de curto prazo,
pelo que há poucos riscos de problemas de tesouraria sérios.
Rentabilidade dos Capitais Próprios (RCP) = Lucro / Situação Líquida
do ano anterior.
Rentabilidade das Vendas (RV) = Lucro / Vendas
Rentabilidade Operacional das Vendas (ROV) = Resultados
Operacionais / Vendas
Rentabilidade do Activo (RAC) = Lucro / Activo
Destes rácios, a RCP e a ROV são as mais importantes. A RCP merece
um destaque especial:
Os Resultados Líquidos ou Lucro Líquido são aquilo que uma
empresa ganha num ano, depois de descontar amortizações de
equipamento, pagar despesas (ordenados, juros de dívidas, etc) e pagar
o imposto sobre os resultados. Quanto maior o seu valor, mais se
justificará uma capitalização alta da empresa.
Os lucros anuais servem, em parte, para pagar Dividendos aos
accionistas, e em parte para reinvestir. A parte que não é distribuída
incrementa, em cada ano, a Situação Líquida ou Capitais Próprios da
empresa.
Está a pensar investir num negócio? Se sim, essa decisão só valerá a
pena se ganhar nesse negócio uma percentagem de lucro anual sobre os
capitais investidos superior ao que obteria com aplicações sem risco
(obrigações do tesouro). Por isso, uma empresa deverá apresentar um
rácio entre lucros e situação líquida (a tal RCP - Rentabilidade dos
Capitais Próprios, ou ROE - Return on Equity). Prefira empresas cuja
RCP é superior à taxa de juro das obrigações do tesouro. Prefira
empresas em que esta boa situação se tenha mantido durante vários
anos.
Tome em atenção também o rácio entre os Resultados Operacionais e as
Vendas (a ROV - Rentabilidade Operacional das Vendas ou Margem
Operacional). É melhor que esta esteja a aumentar de ano para ano,
ainda que ligeiramente pois, se diminuir, isso significa que a empresa
está a enfrentar concorrência que a obriga a descer os preços de venda
dos seus produtos ou que as matérias primas ou de consumo utilizadas
na produção subiram de preço. Prefira que esta ROV seja entre 5% e
20%, pois menos indica perigo de a margem se tornar negativa e mais
poderá não ser sustentável.
Payout Rate = Dividendos distribuídos / Lucros
Não faça muito caso da Payout Rate, pois empresas que pagam a maior
parte do lucro para dividendos são, muito provavelmente, empresas em
que a própria administração já não acredita que valha a pena reinvestir
os lucros no negócio. Isso está associado, geralmente, a crescimentos
esperados baixos. Por vezes, são as empresas que pagam menores
parcelas de lucro para dividendos que mais sobem, por se estimar altos
crescimentos de lucros.
Margem EBITDA = EBITDA / Vendas
Esta margem indica grosso modo a capacidade das Vendas gerarem
Cash Flow. Por vezes, nas projecções financeiras, determinam-se as
vendas numa data futura, aplica-se a Margem EBITDA considerada
típica do sector em questão e obtém-se assim o EBITDA (Cash-Flow
Operacional), o que permite uma estimativa dos lucros nessa data
futura.
O Imposto sobre o Lucro (IRC) em percentagem que as empresas
pagam realmente acaba por ficar bastante aquém do que deviam pagar,
pois servem-se de subterfúgios como operações nas zonas offshore. No
entanto o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro pois, se o
enquadramento fiscal apertar, empresas que conseguiam pagar apenas
7 a 10% sabe-se lá como (é o caso dos grandes bancos portugueses
actualmente), poderão ter que pagar bem mais, o que diminuirá o lucro
líquido e, consequentemente, o valor das acções.
O Período de Recuperação da Dívida tem um "a" a seguir que significa
"anos". Representa o Passivo / Cash-Flow, ou seja, o número de anos
que a empresa levaria a liquidar a sua dívida servindo-se para isso do
dinheiro libertado (Cash-Flow) pela sua actividade. Prefira valores
baixos, de 2.5 a 4 anos.
Seguem-se alguns rácios que mais não são do que os correspondentes
Dados Económico-Financeiros a dividir pelo Número de
Acções: Dividendo por Acção, Lucro por Acção.
O Valor Contabilístico por Acção ou Book Value é a Situação Líquida
a dividir pelo número de acções. Trata-se de um indicador importante.
Sobretudo é importante o rácio entre cotação e Book Value, ou PBV -
Price Book-Value Ratio.
Finalmente aparecem rácios por trabalhador, correspondentes a dados
económicos a dividir pelo número de trabalhadores. O mais importante
é a Produtividade, ou Valor Acrescentado Bruto / Número de
Trabalhadores. Convém que esteja a crescer ao longo dos anos.
Interessante comparar este rácio entre várias empresas do mesmo
sector. Empresas com maior produtividade terão uma grande vantagem
competitiva a prazo.
Significado e Interpretação dos Dados Económico-Financeiros e de
Balanço
O Número de Acções assume uma grande importância, pois a partir
dele se calculam lucros por acção, avaliação da acção, etc. Tenha
sempre presente quantas acções emitidas existem de uma empresa,
multiplique esse número pela cotação e terá a Capitalização
Bolsista ou Valor de Mercado da empresa. Numa primeira análise,
compare as capitalizações das empresas principais do mercado. Essas
capitalizações deverão, grosso modo, corresponder às importâncias
relativas das empresas na economia, ou seja, capitalizações grandes
serão as das empresas com maiores quotas de mercado, volumes de
negócios, visibilidade, prestígio e influência política.
Os Resultados Líquidos ou Lucro Líquido são aquilo que uma
empresa ganha num ano, depois de descontar amortizações de
equipamento, pagar despesas (ordenados, juros de dívidas, etc) e pagar
o imposto sobre os resultados. Quanto maior o seu valor, mais se
justificará uma capitalização alta da empresa. Os lucros anuais servem,
em parte, para pagar Dividendos aos accionistas, e em parte para
reinvestir. A parte que não é distribuída incrementa, em cada ano,
a Situação Líquida ou Capitais Próprios da empresa. Está a pensar
investir num negócio? Se sim, essa decisão só valerá a pena se ganhar
nesse negócio uma percentagem de lucro anual sobre os capitais
investidos superior ao que obteria com aplicações sem risco (obrigações
do tesouro). Por isso, uma empresa deverá apresentar um rácio entre
lucros e situação líquida (chamado RCP - Rentabilidade dos Capitais
Próprios, ou ROE - Return on Equity) superior à taxa de rendimento
das obrigações do tesouro, para poder dizer que é realmente rentável.
Prefira, além disso, empresas em que a situação líquida tenha
aumentado (descontando aquilo que aumentou devido a aumentos de
capital com entrada de dinheiro), de ano para ano, de um montante
pelo menos igual aos lucros obtidos menos os dividendos pagos - só
assim terá a certeza de que os lucros se estão a reflectir plenamente na
situação líquida, o que nem sempre acontece. Compare os Dados
Económico-Financeiros de vários anos.
Prefira empresas cujos lucros sejam crescentes ao longo dos anos,
mesmo que esse crescimento não seja muito rápido. Se esse
crescimento de lucros tiver sido muito grande recentemente, o mercado
estará geralmente a antecipar uma continuação da subida por mais
anos e atribuirá à acção um PER mais elevado (25, 30 ou mais), o que
não será mau, desde que a empresa cumpra essas expectativas de
crescimento. Se não cumprir, a cotação cairá mesmo com a continuação
do aumento de lucros.
Faça contas com o Resultado Líquido ou Lucro Corrigido, que é o
lucro corrigido dos efeitos dos Resultados Extraordinários. Os
extraordinários de um exercício aumentam a situação líquida, mas
pouco dizem sobre a capacidade futura de a empresa continuar a gerar
receitas pelo que devem ser excluídos da análise. Os Resultados
Extraordinários são conseguidos por uma empresa quando esta vende
património (terrenos, acções de outras empresas, etc) a um valor maior
do que aquele por que estavam registados no seu balanço; perdas
extraordinárias acontecem quando se tem que pagar uma indemnização
inesperada, por exemplo.
O rácio entre cotação e lucro por acção é o PER - Price to Earnings
Ratio. PERs altos, entre 20 e 50, em empresas que vão ter maior
crescimento nos anos vindouros são normais. Mas nesse caso tem
mesmo que vir o tal crescimento, senão a cotação cairá. Se o
crescimento dos resultados esperado para uma empresa for mais baixo,
pouco acima da inflacção, então o PER da empresa deverá estar entre
10 e 20. Prefira, na sua análise, oPERc ao PER. O PERc tem o mesmo
conceito do PER mas tem em conta os lucros corrigidos em vez dos não
corrigidos.
Prefira empresas em que os Resultados Operacionais (RO) estão a
aumentar de ano para ano. Os RO são os resultados gerados pela
actividade normal da empresa antes de descontados os juros da dívida e
antes de acrescentar extraordinários. No entanto, não faça caso do rácio
entre cotação e RO por acção, pois uma empresa pode aumentar os
seus RO se comprar outra empresa a crédito; a aquisição valerá a pena
se o que ganha em aumento de RO for mais do que os encargos da
dívida contraída. Por exemplo, em 2001 a Portucel mais do que
duplicou os seus RO instantaneamente ao adquirir a Soporcel; isto não
quer dizer que cada acção Portucel valha instantaneamente mais (na
realidade a cotação até caiu), porque a aquisição implica mais juros de
dívida a pagar anualmente.
Prefira empresas em que o Volume de Negócios ou Vendas e
Prestações de Serviços (ou Produto Bancário para os bancos) esteja a
aumentar de ano para ano. Se o aumento for muito grande no último
ano, a cotação da acção poderá estar com múltiplos altos (PER, etc), o
que poderá envolver um maior risco. Tome em atenção também
a Margem Bruta e o rácio entre os Resultados Operacionais e as
Vendas (a ROV - Rentabilidade Operacional das Vendas ou Margem
Operacional). É melhor que esta esteja a aumentar de ano para ano,
ainda que ligeiramente pois, se diminuir, isso significa que a empresa
está a enfrentar concorrência que a obriga a descer os preços de venda
dos seus produtos ou que as matérias primas ou de consumo utilizadas
na produção subiram de preço. Prefira que esta ROV seja entre 5% e
20%, pois menos indica perigo de a margem se tornar negativa e mais
poderá não ser sustentável.
Escolha Cash-Flows elevados em relação ao lucro. Se o lucro for muito
pequeno (ou, por outras palavras, a RCP for muito pequena), isso não
será assim tão grave se o Cash-Flow (CF) for muito alto. O CF é o fluxo
de caixa, ou a geração de dinheiro de que a empresa é capaz na sua
actividade normal. Ele é igual ao lucro mais asAmortizações e
Provisões. Prefira CFs crescentes de ano para ano, e um relativamente
baixo PCF - Price to Cash-Flow Ratio, ou rácio entre a cotação e o CF
por acção. Um PCF entre 3 e 4 é muito bom, entre 4 e 7 ainda é bom.
Mais significativos ainda que o Cash-Flow são os Cash Earnings -
iguais ao Lucro Corrigido mais Amortizações mais Provisões. Os Cash
Earnings, ao contrário do Cash-Flow, não incluem os efeitos dos
Resultados Extraordinários. Veja também o rácio PCE - Price to Cash
Earnings Ratio, ou rácio entre a cotação e os Cash Earnings por acção.
Prefira Cash Earnings que sobem de um ano para o outro e prefira
PCEs baixos.
Prefira empresas com EBITDA - Earnings Before Interest, Tax,
Depreciation, and Amortizationcrescentes. O EBITDA, ou Cash-Flow
Operacional, é a soma dos RO com as Amortizações e as Provisões. Se
o EBITDA crescer bastante no futuro, ainda que os lucros actuais da
empresa sejam pequenos comparados com ele (porque os lucros já
contam com as despesas da dívida, as amortizações e as provisões),
haverá grande potencial para aumentar os lucros e, logo, para a acção
subir.
Prefira empresas em que os Custos com Pessoal não estejam a crescer
tanto ao ano como as Vendas nem como os RO. Isso será sinal de que a
empresa está a tender a produzir mais com menos mão-de-obra ou a
aumentar a Produtividade, o que é um factor chave de sucesso. Um
outro número importante aqui é oNúmero de Trabalhadores. É bom
que este número não esteja a aumentar, ou então que aumente mas
acompanhado de grande aumento dos RO, caso contrário a
produtividade poderá estar em queda. Por outro lado, prefira empresas
com muitos trabalhadores a empresas mais pequenas, pois as primeiras
terão mais poder negocial junto do Estado.
Prefira empresas com um Fundo de Maneio positivo e relativamente
alto em relação ao Activo. O Fundo de Maneio é o Activo Circulante
menos o Passivo Circulante e representa a capacidade momentânea de
a empresa pagar as suas dívidas de curto prazo. Já houve falências na
nossa Bolsa devidas a dificuldades de tesouraria (a Amadeu Gaudêncio,
por exemplo). É mais fácil detectá-las em empresas com baixo Fundo de
Maneio. Tome em atenção o rácio entre Situação Líquida e Activo,
também chamado Autonomia Financeira (AF): muito baixo significa
que há maior perigo de falência em geral. No entanto isto depende
muito de sector para sector. Por exemplo, os bancos têm
tradicionalmente uma AF baixa por a maior parte do Activo serem
depósitos dos clientes.
Os Interesses Minoritários na Situação Líquida representam, num
balanço consolidado, a parte dos contributos para a Situação Líquida
das participações consolidadas pelo método integral que pertence aos
sócios minoritários dessas participações. Por exemplo, suponha que
estamos a analisar a empresa A e esta consolida a B integralmente. A
Situação Líquida de B é integralmente consolidada em A, ou seja, se ela
é 100 Mc, ela incrementa a de A em 100 Mc também. Se a empresa A
apenas tiver 51% do capital de B, tem que avisar os leitores do balanço
de que, dos 100 Mc que consolidou vindos de B, 49% não são seus, são
dos sócios minoritários de B. Logo os Interesses Minoritários serão 49
Mc. O mesmo conceito se aplica aos Interesses Minoritários no Lucro,
mas dizendo respeito à parte nos lucros não detida.
Significado e Interpretação dos Rácios Económico-Bolsistas
Primeiro, vejamos os dados ou rácios que estão nesta página que
dependem apenas das cotações bolsistas e não dependem de quaisquer
dados económicos ou de balanço. Chamemos-lhes Não Dependentes
do Balanço; não são propriamente "económico-bolsistas.
Esses dados ou rácios bolsistas são calculados tanto para acções de
empresas como para outros valores (índices bolsistas, mercadorias,
futuros, etc).
1. Dados e Rácios Não Dependentes do Balanço
A Cotação e a Quantidade na sessão dizem respeito à última sessão de
Bolsa (a data da sessão aparece acima na página). O mesmo acontece
com a Abertura, Máximo, Mínimo e Fecho. A Cotação Anterior é a
cotação na última sessão de Bolsa em que a empresa ou valor
transaccionou. Um "E" indica euros. A Variação de Cotação na
Sessão indica a variação em percentagem da cotação em relação à
cotação anterior. O Turnover na Sessão é simplesmente o produto da
cotação pela quantidade.
Há ainda a Cotação Mais Alta e a Cotação Mais Baixa do ano. O Year
To Date é a variação de cotação entre a última sessão em que o valor
transaccionou no ano transacto e a última cotação. Ele dá uma ideia
imediata da performance da acção no ano corrente. O Turnover Médio
por Sessão no Ano indica mais ou menos a liquidez do título no ano
corrente. Se notar que este valor aumentou consideravelmente no ano
corrente, pode ser um sinal de que a empresa está a despertar mais
interesse. A Frequência de Transacção no Ano é outro bom indicador
de liquidez, indica a percentagem de sessões de Bolsa em que a acção
transaccionou. Prefira valores de 100% ou, pelo menos, acima de 98%.
Note que estes dados e rácios Não Dependentes do Balanço também são
aplicáveis a índices e outros valores, não apenas a acções.
2. Rácios Económico-Bolsistas ou Dependentes do Balanço
Estes são calculados exclusivamente para acções de empresas. Se você
estiver a vê-los para um índice ou outro valor deverão aparecer com
"ND" que significa Não Disponível.
Sobressaem o PER - Price Earnings Ratio e o PERc - Preço /
Resultado Líquido Corrigido. Ambos são dados pela cotação dividida
pelo lucro por acção mas o segundo tem em conta o Lucro
Corrigido ou Resultado Líquido Corrigido, que retira os efeitos
dos Resultados Extraordinários nos lucros e permite assim uma
análise mais rigorosa.
De uma maneira geral é preferível analisar as empresas com o PERc do
que com o PER, porque a análise fica independente dos Resultados
Extraordinários. É importante que o fique porque estes últimos, por
definição, não resultam da actividade normal da empresa e, portanto,
dificilmente nos dizem alguma coisa sobre a capacidade de a empresa
gerar lucros no futuro.
Olhe para os dados económico financeiros da empresa e veja se os
lucros operacionais estão a subir ano após ano a um bom ritmo. Se
estiverem será admissível um PERc mais elevado, de 25 a 30, ou mesmo
mais de 30, se o crescimento for muito alto. Se os resultados estiverem
a crescer pouco é mais correcto um PERc de 15 a 25 e se estiverem em
estagnação de 7 a 15.
O POER - Price to Operational Earnings Ratio é o rácio entre a
cotação e os lucros operacionais. Não se deve fazer caso dele pois uma
empresa pode aumentar instantaneamente os seus lucros operacionais
se adquirir outra a crédito; o POER ficaria logo muito baixo sem a
empresa valer mais (já que tinha pago um preço presumivelmente justo
pela aquisição).
O PCF - Price to Cash-Flow Ratio é importante. Um PCF de 4 indica
que o Cash-Flow da empresa paga o valor da acção em 4 anos. Cash-
Flow não é lucro, pois tem que se lhe descontar as Amortizações e
Provisõesmas, de qualquer maneira, indica a capacidade de gerar
lucro. Suponha uma empresa que teve lucros muito baixos (digamos,
100 contos) e um Cash-Flow de 1 milhão de contos. Nesse caso o PER
poderá ser de milhares e o PCF terá um valor razoável, digamos 5. O
PER, nesse caso, não tem qualquer significado (tanto faz ser 5000 como
8000 como -10000) já que se calcula em função de um lucro muito
baixo que não tem extrapolação para o futuro e o PCF será um
indicador muito mais importante do que o PER. Neste caso, compare o
PCF da empresa com outras do mesmo sector. Prefira empresas para as
quais o PCF seja consideravelmente mais baixo do que o PER (ou, por
outras palavras, em que o Cash-Flow seja bastante superior ao lucro).
O PCER - Price to Cash Earnings Ratio é ainda mais importante que o
PCF, pois é o rácio entre a cotação e osCash Earnings por acção que, ao
contrário do Cash-Flow, não incluem Resultados Extraordinários. Por
isso uma análise do valor de uma acção em termos de Cash-Flow é mais
bem feita através do PCER do que através do PCF. No entanto, o que
dissemos no parágrafo anterior sobre o PCF aplica-se ao PCER também.
O PEBD - Price to EBITDA Ratio é o rácio entre a cotação e
a EBITDA ou Cash-Flow Operacional. Não faça grande caso deste
indicador, tem o mesmo inconveniente do POER.
O PBV - Price to Book Value Ratio, é a relação entre cotação e Valor
Contabilístico ou Book Value ouSituação Líquida por acção. Indica o
quanto a cotação está acima do valor patrimonial da empresa. É normal
empresas com forte RCP - Rentabilidade dos Capitais Próprios terem
PBV muito altos (mesmo mais de 10). O PBV fornece indicações sobre o
risco da empresa.
O GDY - Gross Dividend Yield e o NDY - Net Dividend Yield são os
rendimentos proporcionados pelosDividendos pagos à acção, ou
Dividendo por acção a dividir pela cotação. O NDY tem em conta o
dividendo líquido de impostos. Se desejar acrescentar estabilidade à sua
carteira, compre acções com yields altos, acima de 5%. No entanto, em
geral, empresas com yields baixos também são boas, pois geralmente
têm mais potencial de crescimento.
Examine com atenção o Dividend Yield médio do mercado. Nas alturas
em que ele sobe bastante, após mercados baixistas prolongados e em
que se torna mais elevado do que o yield das obrigações, costuma-se
estar em vias de uma subida generalizada da Bolsa. Aconteceu isso em
meados de 1989, meados de 1993 e fins de 1995, na nossa Bolsa.
Rotatividade do Capital - É a percentagem do capital da empresa que
muda de mãos na Bolsa num ano (extrapolado a partir do Turnover
Médio por Sessão do ano corrente). Valores altos indicam um free-
float(percentagem do capital disperso por pequenos accionistas)
também alto. Útil para se ter uma ideia de quais acções têm maior free-
float. No entanto a exposição da acção ao day-trading também aumenta
este valor.
Capitalização Bolsista - é o valor de mercado da empresa ou cotação
multiplicada pelo número de acções. Um "M" indica que está em
milhões de euros. A ordem das Capitalizações deverá corresponder,
grosso modo, à ordem de importância das empresas na economia.
Desconfie de grandes capitalizações de empresas com poucos
empregados e pouca influência política. Compare as capitalizações com
os volumes de vendas. Desconfie de empresas com altas capitalizações e
volume de vendas sem corresponder.
EV - Enterprise Value - é o "Valor do Empreendimento"
ou Capitalização Bolsista somada ao Passivo Remunerado e ao valor
de mercado dos Interesses Minoritários. Para calcular este último
multiplicam-se os Interesses Minoritários pelo PBV da empresa.
Por exemplo: se um investidor comprar uma empresa pelo valor da sua
cotação, pagará a Capitalização Bolsista (exemplo: 100 ME), assumirá
os Passivos Remunerados da empresa (exemplo: 50 ME) e estará a gerir
um empreendimento com participações em várias outras empresas
incluídas na consolidação. A parte dessas participações que pertence
aos respectivos accionistas minoritários é o item Interesses Minoritários
(exemplo: 5 ME). Suponhamos que a empresa tem um PBV de 3. Aplica-
se esse factor aos Interesses Minoritários e obtém-se 3 * 5 = 15 ME para
o valor destes a preços de mercado. Somando tudo, temos o EV = 100 +
50 + 15 = 165 ME. Este é o "Valor do Empreendimento" associado à
empresa. O EV abarca, não apenas o valor da empresa, mas também o
valor das participações minoritárias nas empresas incluídas na
consolidação e a dívida remunerada.
EV/EBITDA - É o rácio entre o EV e o EBITDA da empresa, um
indicador importante. São normais valores entre 7 e 12 para as
empresas com forte crescimento e entre 4 e 7 para as de menor
crescimento. Prefira EV/EBITDA baixos.
EV/EBIT - É o rácio entre EV e Resultados Operacionais. Prefira os
EV/EBIT baixos.
PEVR - Price to Enterprise Value Ratio - É o rácio entre a cotação e o
Enterprise Value por acção, geralmente abaixo de 1. Não faça grande
caso deste indicador.
Como interpretar o PBV - Price Book Value Ratio
O PBV - Price to Book Value Ratio, é a relação entre cotação e Valor
Contabilístico ou Book Value ouSituação Líquida por acção. Indica o
quanto a cotação está acima do valor patrimonial da empresa. É normal
empresas com forte RCP - Rentabilidade dos Capitais Próprios terem
PBV muito altos (mesmo mais de 10).
Longe vai o tempo em que se dizia que o PBV não devia exceder 3. Se a
rentabilidade da empresa for muito alta, a sua Situação Líquida estará a
aumentar fortemente de ano para ano, devido aos lucros retidos. Logo, um
PBV de 10 poderá diminuir para 7 ao fim de um ano, para 5 depois, etc, até
se aproximar de valores mais "normais". Pelo contrário, quando o PBV é
abaixo de 1, a empresa está avaliada pelo mercado num valor muito mais
baixo do que o seu valor patrimonial.
Será isto lógico? Será lógico um PBV de 0.3, por exemplo? Pode ser. Se a
empresa estiver a ter prejuízos, a Situação Líquida estará a diminuir de ano
para ano e, para uma cotação constante, o PBV irá subindo até ficar de
novo em 1 ou acima de 1. Por isso, um PBV entre 0.3 e 1 poderá indicar
que o mercado espera prejuízos para a empresa em questão nos próximos
anos. Claro que a continuação dos prejuízos por muito mais tempo
implicaria a falência da empresa.
Empresas dadas por falidas ou com escassas hipóteses de recuperação
ficam com PBV muito baixos, abaixo de 0.1 ou mesmo 0.01. Nessa altura,
geralmente persistem transacções dessas acções a esses preços irrisórios.
Os compradores estão, essencialmente, a comprar um bilhete de lotaria
para a possibilidade de não falência. Em caso de não falência a subida de
cotação poderá ser abrupta e produzir os ganhos máximos possíveis na
Bolsa, e é essa remota hipótese que mantém as cotações. Em vez de
bilhete de lotaria, poderíamos falar de opção sobre empresa não falida.
Uma acção dessas é, essencialmente, um direito de opção ou warrant sobre
a hipotética empresa não falida que pode resultar da empresa falida em
caso de haver turnaround.
Mas uma acção também pode estar com um PBV abaixo de 1 sem estar
falida nem dar prejuízo. Pode ser esse o caso se os lucros estimados para o
futuro forem fracos, com crescimento abaixo da inflacção. Nesse caso as
acções valerão menos, devido às expectativas de estagnação ou fraco
aumento da Situação Líquida.
A transacção de acções de empresas, em dificuldades ou em estagnação,
abaixo do Book Value abre uma possibilidade curiosa. Um grande investidor
(chamado raider) poderá adquirir todas as acções por meio de OPA a um
preço acima da cotação, mas abaixo do Book Value, tomar o controlo da
empresa, encerrar a sua actividade para evitar mais prejuízos, despedir
todos os empregados, e vender todo o património separadamente.
Teoricamente, depois de pagar as dívidas da empresa, ficará na mão com o
Book Value ou Situação Líquida desta e realizará um lucro apreciável. Uma
prática destas é inconcebível em países como Portugal e também não tem
tradição na Europa, mas foi muito realizada nos Estados Unidos.
Muitos raiders fizeram fortuna desta forma. Os raiders têm que olhar
sobretudo para o PBV. É um dos casos em que este indicador assume mais
importância do que qualquer outro.
No outro extremo, o dos PBV muito altos (mais de 5), trata-se geralmente
de empresas muito rentáveis e com forte crescimento. Mas atenção: se os
crescimentos ficarem abaixo do esperado, poderá assistir-se a uma descida
dramática destas acções, mesmo que continuem a crescer e a ser
rentáveis.
Por isso, PBV muito altos ou muito baixos significam mais risco. PBV entre
0.8 e 3 significam menos risco.