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Capítulo I - Declarações Da Pessoa Jurídica 2015: Escrituração Contábil Fiscal (ECF)

Este documento fornece informações sobre quais pessoas jurídicas estão obrigadas ou desobrigadas a apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) no Brasil. Ele explica que todas as pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a apresentar a ECF, com exceção de órgãos públicos, autarquias, fundações públicas, micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional, e pessoas jurídicas inativas. Algumas pessoas físicas que exercem atividades de forma individual também estão desobrigadas.

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Capítulo I - Declarações Da Pessoa Jurídica 2015: Escrituração Contábil Fiscal (ECF)

Este documento fornece informações sobre quais pessoas jurídicas estão obrigadas ou desobrigadas a apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) no Brasil. Ele explica que todas as pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a apresentar a ECF, com exceção de órgãos públicos, autarquias, fundações públicas, micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional, e pessoas jurídicas inativas. Algumas pessoas físicas que exercem atividades de forma individual também estão desobrigadas.

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ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo I - Declarações da Pessoa Jurídica 2015

Escrituração Contábil Fiscal (ECF)

001 Quem está obrigado a apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF)?

Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não,


sejam quais forem seus fins e nacionalidade, inclusive as a elas equiparadas, as filiais,
sucursais ou representações, no País, das pessoas jurídicas com sede no exterior,
estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda.
Incluem-se também nesta obrigação: as sociedades em conta de participação, as
administradoras de consórcios para aquisição de bens, as instituições imunes e isentas,
as sociedades cooperativas, as empresas públicas e as sociedades de economia mista,
bem como suas subsidiárias, e o representante comercial que exerce atividades por
conta própria.

As pessoas jurídicas ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de


janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio
físico e da entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica
(DIPJ).

Notas:
Sociedade em conta de participação (SCP):
Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados,
apresentação da ECF e recolhimento do imposto devido pela SCP. O lucro real ou o
lucro presumido da SCP (opção autorizada a partir de 1º/01/2001, conforme IN SRF
nº 31, de 2001, art. 1º) deve ser informado na ECF da própria SCP.
Liquidação extrajudicial e falência:
As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa
falida) sujeitam-se às mesmas regras de incidência dos impostos e contribuições
aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade
de apresentação da ECF.
Fundos de investimento imobiliário:
O fundo que aplicar recursos em empreendimento imobiliário e que tenha como
incorporador, construtor ou sócio, quotista possuidor, isoladamente ou em conjunto
com pessoa a ele ligada, mais de 25% (vinte e cinco por cento) das quotas do Fundo,
por estar sujeito à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, deve apresentar
ECF com o número de inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ)
próprio, vedada sua inclusão na ECF da administradora.
Optantes pelo Simples Nacional e Inativas:
As microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) optantes pela
sistemática do Simples Nacional e as pessoas jurídicas Inativas apresentarão
declarações específicas.

Normativo: Lei nº 9.430, de 1996, art. 60;


Lei nº 9.779, de 1999, art. 2º;
RIR/1999, arts. 146 a 150;
IN SRF nº 179, de 1987, itens 2 e 5;
IN SRF nº 31, de 2001, art. 1º;
IN SRF Nº 1.422, de 2013, art. 1º e 5º
PN CST nº 15, de 1986; e
AD SRF nº 2, de 2000.

002 Que pessoas jurídicas estão desobrigadas de apresentar a ECF?


Estão desobrigadas de apresentar a ECF:
I - as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de
Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte,
instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (Simples Nacional),
por estarem obrigadas à apresentação de Declaração Anual do Simples Nacional - DASN;
II - as pessoas jurídicas inativas, por estarem obrigadas à apresentação da Declaração de
Inatividade;
III - os órgãos públicos, as autarquias e as fundações públicas.
IV - às pessoas jurídicas imunes e isentas que, em relação aos fatos ocorridos no ano-
calendário, não tenham sido obrigadas à apresentação da Escrituração Fiscal Digital da
Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita (EFD-Contribuições),
nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 1º de março de 2012.

Atenção:

A pessoa jurídica cuja exclusão do Simples Nacional produziu efeitos dentro


do ano-calendário fica obrigada a entregar duas declarações: a DASN,
referente ao período em que esteve enquadrada no Simples Nacional e a ECF,
referente ao período restante do ano-calendário.

Normativo: IN SRF Nº 1.422, de 2013, art. 2º


003 Quem não deve apresentar a ECF?
Não devem apresentar a ECF, ainda que se encontrem inscritas no Cadastro Nacional da
Pessoa Jurídica (CNPJ) ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou
Juntas Comerciais:
a) o consórcio constituído na forma da Lei nº 6.404 de 1976, arts. 278 e 279;
b) a pessoa física que, individualmente, exerça profissão ou explore atividade sem
vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua
estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares;
c) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de
mão-de-obra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados;
d) a pessoa física que individualmente exerça atividade de recepção de apostas da
Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Loto, Sena, Megasena, etc) credenciada
pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão
credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, desde que não explore, no
mesmo local, outra atividade comercial;
e) o condomínio de edificações;
f) os fundos em condomínio e clubes de investimento, exceto aqueles de investimento
imobiliário de que trata a Lei nº 9.779, de 1999, art. 2º;
g) as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior que possuam no Brasil bens e direitos
sujeitos a registro público;
h) o representante comercial, corretor, leiloeiro, despachante etc, que exerça
exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido
pela Lei nº 4.886, de 1965, art. 1º, desde que não a tenha praticado por conta própria;
i) as pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem
atividades, consoante os termos do RIR/1999, art. 150, § 2º, como por exemplo:
serventuário de justiça, tabelião.

Normativo: Lei nº 4.886, de 1965, art. 1º;


Lei nº 6.404 de 1976, arts. 278 e 279;
Lei nº 9.779, de 1999, art. 2º;
RIR/1999, art. 150, § 2º, I e III, e arts. 214 e 215;
PN CST nº 76, de 1971;
PN CST nº 5, de 1976;
PN CST nº 25, de 1976;
PN CST nº 80, de 1976; e
ADN CST nº 25, de 1989; .

004 Pessoa física que explora atividade de transporte


de passageiros ou de carga é considerada pessoa jurídica para efeito da
legislação do imposto de renda, estando obrigada a apresentar a ECF?

A caracterização dessa atividade como de pessoa jurídica depende das condições em


que são auferidos os rendimentos, independentemente do meio utilizado. Assim, se os
rendimentos auferidos forem provenientes do trabalho individual do transportador de
carga ou de passageiros, em veículo próprio ou locado, ainda que o mesmo contrate
empregados, como ajudantes ou auxiliares, tais rendimentos submetem-se à incidência
do imposto de renda na fonte quando prestados a pessoas jurídicas, ou estão sujeitos ao
recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) quando prestados a pessoas físicas,
mediante a utilização da tabela progressiva aplicável às pessoas físicas e estão sujeitos
ao ajuste na Declaração Anual da pessoa física.
Se, entretanto, for contratado profissional para dirigir o veículo descaracteriza-se a
exploração individual da atividade, ficando a pessoa física equiparada a pessoa jurídica.
O mesmo ocorre nos casos de exploração conjunta da atividade, haja ou não co-
propriedade do veículo, porque passa de individual para social o exercício da atividade
econômica, devendo a “sociedade de fato” resultante ser tributada como pessoa jurídica.
A aplicação dos critérios acima expostos, independe do veículo utilizado (caminhão,
ônibus, avião, barco etc).

Normativo: RIR/1999, arts. 47 e 150, § 1º, II;


PN CST nº 122, de 1974.

005 Pessoa física que explora atividade de representante comercial, devidamente


cadastrado no CNPJ, está dispensada de apresentar a ECF?

O representante comercial que exerce individualmente a atividade por conta de terceiros


não se caracteriza como pessoa jurídica, não obstante ser inscrito no CNPJ, devendo
seus rendimentos ser tributados na pessoa física, ficando dispensado da apresentação da
ECF. Contudo, caso seja a atividade exercida por conta própria, na condição de
empresário, ele será considerado comerciante, ficando, desta forma, obrigado a
apresentação da ECF.

Normativo: ADN CST nº 25, de 1989.

006 As associações sem fins lucrativos, igrejas e partidos políticos deverão


apresentar a ECF, tendo em vista serem consideradas entidades isentas ou
imunes?

As entidades consideradas como imunes e isentas estão obrigadas a apresentação da ECF,


salvo aquelas desobrigadas a entrega da EFD-Contribuições, nos termos da Instrução
Normativa RFB nº 1.252, de 1º de março de 2012. Somente encontram-se desobrigadas
de apresentação da ECF as entidades relacionadas nas perguntas 002 e 003.

Veja ainda: Dispensa de apresentação da DIPJ: Pergunta 002 e 003 deste capítulo.
007 Os cartórios, cujos responsáveis são remunerados por
meio de emolumentos e que, por disposição legal, são inscritos no CNPJ, estão
obrigados a apresentar a ECF?

Não obstante serem inscritos no CNPJ, os cartórios não se caracterizam como pessoa
jurídica, devendo os emolumentos recebidos pelo seu responsável ser tributados na
pessoa física.

008 Os Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas estão obrigados a


apresentar a ECF?

Tendo em vista que a mudança da natureza jurídica dessas entidades, de autarquias


dotadas de personalidade jurídica de direito público para pessoa jurídica de direito
privado, Lei nº 9.649, de 1998, art. 58, foi considerada inconstitucional pelo STF (ADI-
1717), essas entidades estão desobrigadas à apresentação da ECF.

Normativo: Lei nº 9.649, de 1998, art. 58.

Declaração da Pessoa Jurídica Inativa

A partir de quando existe a obrigatoriedade de apresentar a declaração


009
simplificada pela pessoa jurídica inativa?

A partir do exercício subsequente àquele em que for constituída, a pessoa jurídica deve
apresentar declaração simplificada, enquanto se mantiver na condição de inativa.

Normativo: IN RFB nº 1.536, de 2014.

Qual o conceito de inatividade adotado pela legislação tributária que obriga a


010
apresentação da declaração simplificada?

Considera-se pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade
operacional, não-operacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado
financeiro ou de capitais, durante todo o ano-calendário.
Notas:

O pagamento, no ano-calendário a que se referir a declaração, de tributo relativo


a anos-calendário anteriores e de multa pelo descumprimento de obrigação
acessória não descaracterizam a pessoa jurídica como inativa no ano-calendário.

Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais

Quem está obrigado a apresentar mensalmente a Declaração de Débitos e


011
Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 1º de janeiro de 2011?

Deverão apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Mensal


(DCTF Mensal):

I - as pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes


e as isentas, de forma centralizada, pela matriz;

II - as unidades gestoras de orçamento das autarquias e fundações instituídas e mantidas


pela administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
e dos órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do
Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios; e

III - os consórcios que realizem negócios jurídicos em nome próprio, inclusive na


contratação de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício.

As pessoas jurídicas de que tratam os incisos I e II acima, deverão apresentar a DCTF


Mensal, ainda que não tenham débitos a declarar:

a) em relação ao mês de ocorrência do evento, nos casos de extinção, incorporação,


fusão e cisão total ou parcial;

b) em relação ao último mês de cada trimestre do ano-calendário, quando no trimestre


anterior tenha sido informado que o débito de Imposto sobre a Renda das Pessoas
Jurídicas (IRPJ) ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foi dividido
em quotas; e

c) em relação ao mês de janeiro de cada ano-calendário, ou em relação ao mês de início


de atividades, para comunicar, se for o caso, a opção pelo regime de competência
segundo o qual as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do
contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas para efeito de
determinação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e
da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), bem como da
determinação do lucro da exploração, conforme disposto nos arts. 3º e 4º da Instrução
Normativa RFB nº 1.079, de 3 de novembro de 2010.

d) em relação ao mês subsequente ao da publicação da Portaria Ministerial que


comunicar a oscilação de taxa de câmbio, na hipótese de alteração da opção pelo regime
de competência para o regime de caixa, prevista no art. 5º da Instrução Normativa RFB
nº 1.079, de 2010;

e) em relação ao mês de dezembro de 2014, para comunicar, se for o caso, a opção pelas
regras previstas nos arts. 1º, 2º e 4º a 70 ou pelas regras previstas nos arts. 76 a 92 da
Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014.

Para fins do disposto no inciso II, considera-se unidade gestora de orçamento aquela
autorizada a executar parcela do orçamento da União, dos Estados, do Distrito Federal
ou dos Municípios.

A aplicação do disposto no inciso II, fica sobrestada até ulterior deliberação, em relação
às autarquias e fundações públicas federais, na forma do art. 2º, parágrafo 4º, da
Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, com a redação dada
pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012.

Notas:
Para a apresentação da DCTF, é obrigatória a assinatura digital da declaração
mediante utilização de certificado digital válido.

Veja ainda: Dispensa de apresentação da DCTF: Pergunta 012 deste capítulo.

Normativo: Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010.

012 Quem está dispensado de apresentar DCTF?

Estão dispensadas de apresentação da DCTF:

I - as Microempresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) enquadradas no


Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, relativamente aos períodos
abrangidos por esse Regime, mesmo que estejam sujeitas ao pagamento da Contribuição
Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº
12.546, de 14 de dezembro de 2011;

II - as pessoas jurídicas enquanto se mantiverem inativas, devendo apresentar a DCTF a


partir do período, inclusive, em que praticarem qualquer atividade operacional, não
operacional, financeira ou patrimonial, desde que tenham débitos a declarar;

III - os órgãos públicos da administração direta da União;

IV - as pessoas jurídicas e os consórcios de que tratam os incisos I, II e III do caput do


art. 2º da IN RFB nº 1.110 de 2010, desde que não tenham débitos a declarar, a partir do
2º (segundo) mês em que permanecerem nessa situação.

São também dispensadas de apresentação da DCTF, ainda que se encontrem inscritas no


Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou que tenham seus atos constitutivos
registrados em Cartório ou Juntas Comerciais:

I - os condomínios edilícios;

II - os grupos de sociedades, constituídos na forma do art. 265 da Lei nº 6.404, de 15 de


dezembro de 1976;

III - os consórcios, desde que não realizem negócios jurídicos em nome próprio,
inclusive na contratação de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo
empregatício;

IV - os clubes de investimento registrados em Bolsa de Valores, segundo as normas


fixadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou pelo Banco Central do Brasil
(Bacen);

V - os fundos de investimento imobiliário, que não se enquadrem no disposto no art. 2º


da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999;

VI - os fundos mútuos de investimento mobiliário, sujeitos às normas do Bacen ou da


CVM;

VII - as embaixadas, missões, delegações permanentes, consulados-gerais, consulados,


vice-consulados, consulados honorários e as unidades específicas do governo brasileiro
no exterior;

VIII - as representações permanentes de organizações internacionais;

IX - os serviços notariais e registrais (cartórios), de que trata a Lei nº 6.015, de 31 de


dezembro de 1973;
X - os fundos especiais de natureza contábil ou financeira, não dotados de personalidade
jurídica, criados no âmbito de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, bem como dos Ministérios Públicos e dos Tribunais de
Contas;

XI - os candidatos a cargos políticos eletivos e os comitês financeiros dos partidos


políticos nos termos da legislação específica;

XII - as incorporações imobiliárias objeto de opção pelo Regime Especial de Tributação


(RET), de que trata a Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004;

XIII - as empresas, fundações ou associações domiciliadas no exterior que possuam no


Brasil bens e direitos sujeitos a registro de propriedade ou posse perante órgãos
públicos, localizados ou utilizados no Brasil;

XIV - as comissões, sem personalidade jurídica, criadas por ato internacional celebrado
pela república Federativa do Brasil e um ou mais países, para fins diversos; e

XV - as comissões de conciliação prévia de que trata o art. 1º da Lei nº 9.958, de 12 de


janeiro de 2000.

XVI - os representantes comerciais, corretores, leiloeiros, despachantes e demais


pessoas físicas que exerçam exclusivamente a representação comercial autônoma sem
relação de emprego, e que desempenhem, em caráter não eventual por conta de uma ou
mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, nos termos do art. 1º
da Lei nº 4.886, de 9 de dezembro de 1965, quando praticada por conta de terceiros.

Notas:
Não estão dispensadas de apresentação da DCTF, as pessoas jurídicas (PJ):

I - excluídas do Simples Nacional, quanto às DCTF relativas a fatos geradores


ocorridos a partir da data em que a exclusão produzir efeitos;

II - as pessoas jurídicas inativas, a partir do período, inclusive, em que praticarem


qualquer atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial, desde
que tenham débitos a declarar;

Na hipótese de PJ excluída do Simples Nacional, não deverão ser informados na


DCTF os valores apurados pelo Simples Nacional.
Considera-se pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer
atividade operacional, não-operacional, patrimonial ou financeira, inclusive
aplicação no mercado financeiro ou de capitais, durante todo o ano-calendário.

O pagamento, no ano-calendário a que se referir a declaração, de tributo relativo a


anos-calendários anteriores e de multa pelo descumprimento de obrigação
acessória não descaracterizam a pessoa jurídica como inativa no ano-calendário.

As pessoas jurídicas que passarem a se enquadrar no Simples Nacional devem


apresentar as DCTF referentes aos períodos anteriores a sua inclusão, ainda não
apresentadas.

Normativo: Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010.

013 Quais impostos e contribuições devem ser informados na DCTF?

A DCTF deve conter informações relativas aos valores devidos (débitos) e os


respectivos valores utilizados para sua quitação (créditos), dos seguintes impostos e
contribuições administrados pela RFB:

I - Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ);

II - Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF);

III - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);

IV - Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou


Valores Mobiliários (IOF);

V - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);

VI - Contribuição para o PIS/Pasep;

VII - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);

VIII - Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de


Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), até 31 de dezembro de 2007;

IX - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação


e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool
etílico combustível (Cide-Combustível);
X - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico destinada a financiar o
Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação
(Cide-Remessa);

XI - Contribuição do Plano de Seguridade do Servidor Público (PSS); e


XII - Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), de que tratam os arts.
7º e 8º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011.

Notas:
Quanto aos valores:

Não devem ser informados na DCTF os valores de impostos e contribuições


exigidos em lançamento de ofício.

Deverão ser informados, por estabelecimento, na DCTF apresentada pela matriz os


valores referentes ao IPI e à Cide-Combustível.

Devem ser informados na DCTF da pessoa jurídica incorporadora, por


incorporação imobiliária, no grupo RET/Patrimônio de Afetação. Os valores
relativos ao IRPJ, à CSLL, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins pagos na
forma do caput do art. 4º da Lei nº 10.931, de 2004.

Devem ser informados na DCTF no grupo Contribuições Sociais Retidas na Fonte


(CSRF), os valores referentes à CSLL, à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep
retidos na fonte pelas pessoas jurídicas de direito privado na forma do art. 30 da
Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e os valores relativos à Cofins e à
Contribuição para o PIS/Pasep retidos na forma do § 3º do art. 3º da Lei nº 10.485,
de 3 de julho de 2002, alterado pelo art. 42 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de
2005.

Devem ser informados na DCTF no grupo Contribuições Sociais e Imposto de


Renda Retidos na Fonte (COSIRF), os valores referentes ao IRPJ, à CSLL, à
Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep retidos na fonte pelas empresas públicas,
sociedades de economia mista e demais entidades na forma do inciso III do art. 34
da Lei nº 10.833, de 2003.

Devem ser informados na DCTF no grupo COSIRF, os valores referentes à CSLL,


à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep retidos pelos órgãos, autarquias e
fundações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, que tenham celebrado
convênio com a RFB nos termos do art. 33 da Lei nº 10.833, de 2003.

Não devem ser informados na DCTF, os valores relativos ao IRRF incidente sobre
rendimentos pagos a qualquer título pelos Estados, Distrito Federal e Municípios,
bem como pelas Autarquias e Fundações por eles instituídas ou mantidas.
Deverão ser informados na DCTF apresentada pelo administrador, os valores
referentes ao IRRF retido pelos fundos de investimento, que não se enquadrem no
disposto no art. 2º da Lei nº 9.779, de 1999.

Na hipótese de tornarem-se exigíveis tributos administrados pela RFB em


decorrência do descumprimento das condições que ensejaram a aquisição de bens e
serviços com isenção, suspensão, redução de alíquota ou não incidência, a pessoa
jurídica adquirente deverá retificar a DCTF referente ao período de aquisição dos
bens ou dos serviços no mercado interno para inclusão, na condição de
responsável, dos valores relativos aos tributos não pagos.

Na hipótese de tornarem-se exigíveis tributos administrados pela RFB em


decorrência do descumprimento das condições que ensejaram a importação de bens
e serviços com isenção, suspensão, redução de alíquota ou não incidência, a pessoa
jurídica importadora deverá retificar a DCTF referente ao período de importação
dos bens e serviços para inclusão dos valores relativos aos tributos não pagos.

Deverão ser informados na DCTF apresentada pelo estabelecimento matriz, os


valores referentes à CPRB, cujos recolhimentos deverão ser efetuados de forma
centralizada pelo estabelecimento matriz, nos mesmos moldes das demais
contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta.

DCTF Retificadoras:

A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida,


será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com
observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.

A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente


apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores
de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.

A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto:

I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:

a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda


Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração
desses saldos;

b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às


informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento,
parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido
enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou

c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização.

II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa


jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal.
A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante
do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido
objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada
pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato
no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário.

Na hipótese de alterar débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a


pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal, havendo
recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao
declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em
atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem
prejuízo das penalidades cabíveis.

O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco)


anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a
declaração.

A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham
sido informados:

I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ),


deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e

II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá


apresentar, também, Dacon retificador.

As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de
parâmetros internos estabelecidos pela RFB.

A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será
intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis
inconsistências ou indícios de irregularidade detectados, sem prejuízo das
penalidades cabíveis.

A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar


documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a
legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura.

O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação


da retificação.

Não produzirão efeitos as informações retificadas:

I - enquanto pendentes de análise; e

II - não homologadas.
Normativo:
Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010.

014 Qual o prazo para apresentação da DCTF?

As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º
(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores, inclusive nos
casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. Essa obrigatoriedade de
apresentação não se aplica, para a incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas,
incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o ano-
calendário anterior ao do evento.

Notas:
Tendo em vista a existência de processos não julgados referentes à matéria,
deverão ser observados os seguintes procedimentos no caso de exclusão do
Simples, em virtude de:

I - constatação de situação excludente prevista nos incisos I e II do art. 9º da Lei nº


9.317, de 5 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as
DCTF relativas aos períodos dos anos-calendário subsequentes àquele em que foi
ultrapassado o limite de receita bruta;

II - constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIV e XVII a XIX
do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as
DCTF relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a exclusão
produzir efeitos;

III - constatação de situação excludente prevista nos incisos XV e XVI do art. 9º da


Lei nº 9.317, de 1996, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar a DCTF a partir
do ano-calendário subsequente ao da ciência do ato declaratório de exclusão;

IV - constatação de situação excludente prevista nos incisos II a VII do art. 14 da


Lei nº 9.317, de 1996, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as DCTF
relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que o ato declaratório de
exclusão produzir efeitos;

V - ter ultrapassado, no ano-calendário de início de atividade, o limite de receita


bruta proporcional ao número de meses de funcionamento nesse ano-calendário, a
pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as DCTF relativas aos fatos geradores
ocorridos desde o início de atividade; ou
VI - constatação de situação excludente decorrente de rescisão de parcelamento do
Simples, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as DCTF relativas aos fatos
geradores ocorridos a partir da data em que o ato declaratório de exclusão produzir
efeitos.

No caso de exclusão do Simples Nacional, em virtude de:

I - constatação de situação excludente prevista no § 9º do art. 3º da Lei


Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as
DCTF relativas aos períodos dos anos-calendário subsequentes àquele em que foi
ultrapassado o limite de receita bruta;

II - constatação de situação excludente prevista no § 4º do art. 3º e incisos I a III e


VI a XIV do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica fica
obrigada a apresentar as DCTF relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da
data em que a exclusão produzir efeitos;

III - constatação de situação excludente prevista no inciso V do caput do art. 17, da


Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar a
DCTF a partir do ano-calendário subsequente ao da ciência da comunicação da
exclusão do Simples Nacional, exceto na hipótese prevista no § 2º do art. 31 da
referida Lei;

IV - constatação de situação excludente prevista nos incisos I a XII do caput do art.


29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica fica obrigada a
apresentar as DCTF relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que
a exclusão do Simples Nacional produzir efeitos;

V - ter ultrapassado, no ano-calendário de início de atividade, em mais de 20%


(vinte por cento), o limite de receita bruta proporcional ao número de meses de
funcionamento nesse ano-calendário, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as
DCTF relativas aos fatos geradores ocorridos desde o início de atividade;

VI - ter ultrapassado, no ano-calendário de início de atividade, em até 20% (vinte


por cento), o limite de receita bruta proporcional ao número de meses de
funcionamento nesse ano-calendário, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as
DCTF relativas aos períodos dos anos-calendário subsequentes àquele em que foi
ultrapassado o limite de receita bruta;

VII - constatação de situação excludente decorrente de rescisão de parcelamento do


Simples Nacional, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as DCTF relativas
aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a exclusão produzir efeitos.

O disposto nos incisos V, acima transcritos, aplica-se, inclusive, à pessoa jurídica


optante que, no ano-calendário de início de atividade, tenha ultrapassado o limite
de receita bruta proporcional ao número de meses de funcionamento, hipótese em
que deverá apresentar as DCTF, relativas aos fatos geradores ocorridos a partir do
início de atividade, até o último dia útil do mês subsequente àquele em que for
ultrapassado o limite de receita bruta, e comunicar a sua exclusão do sistema.
No caso de comunicação de exclusão por opção da ME ou EPP optante pelo Simples
Nacional, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as DCTF relativas aos fatos
geradores ocorridos a partir da data em que a exclusão produzir efeitos.

Normativo: Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010.

Período de Apuração do IRPJ, Prazos e


Formas de Apresentação da ECF

015 O que se entende por período-base de apuração do


imposto de renda?

É o período de tempo delimitado pela legislação tributária (trimestre ou ano),


compreendido em um ano-calendário, durante o qual são apurados os resultados das
pessoas jurídicas e calculados os impostos e contribuições.

Notas:

Ano-calendário é o período de doze meses consecutivos, contados de 1º de janeiro a


31 de dezembro.

A alteração pela pessoa jurídica da data do término


016
do exercício social ou a apuração dos resultados em período diferente do
determinado pela legislação fiscal pode provocar a não obrigatoriedade da
apresentação da ECF em algum período?

Não, pois, conforme o disposto na legislação fiscal, Lei nº 7.450, de 1985, art. 16, para
efeito de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, o período-base (trimestral
ou anual) deve estar, necessariamente, compreendido no ano-calendário, assim entendido
o período de doze meses contados de 1º de janeiro a 31 de dezembro. A apuração dos
resultados será efetuada com observância da legislação vigente à época de ocorrência dos
respectivos fatos geradores.

Normativo: Lei nº 7.450, de 1985, art. 16; RIR/1999, arts. 220 e 221.
017 Atualmente, qual é o período de apuração do imposto
de renda para as pessoas jurídicas?

Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o período de apuração


dos resultados da pessoa jurídica é trimestral (lucro real, presumido ou arbitrado).
Contudo, a pessoa jurídica que optar pelo pagamento mensal com base na estimativa,
balanço ou balancete de suspensão ou redução, fica sujeita à apuração pelo lucro real
anual, a ser feita em 31 de dezembro do ano-calendário, ou na data do evento, nos casos
de fusão, cisão, incorporação e extinção.

Normativo: RIR/1999, arts. 220 e 221.

O que se considera data do evento nas hipóteses de cisão, fusão, incorporação


018
ou extinção da pessoa jurídica?

Considera-se data do evento aquela em que houve a deliberação que aprovou a cisão,
incorporação ou fusão. No caso de extinção a data que ultimar a liquidação da pessoa
jurídica.

Notas:

Os Documentos devem ser registrados dentro de 30 (trinta) dias contados de sua


assinatura.

Normativo: Lei nº 8.934, de 1994, arts. 32 e 36

019 Qual a forma de apresentação da ECF e quais documentos devem ser


anexados?

A partir de 1º/01/1999, ano-calendário de 1998, a declaração de rendimentos das pessoas


jurídicas, inclusive retificadora, deve ser apresentada à Secretaria da Receita Federal do
Brasil (RFB) exclusivamente em meio magnético. A ECF, disponível na internet no
endereço <[Link] será transmitida anualmente ao Sistema
Público de Escrituração Digital (Sped) até o último dia útil do mês de setembro do ano
seguinte ao ano-calendário a que se refira.

O sujeito passivo deverá informar, na ECF, todas as operações que influenciem a


composição da base de cálculo e o valor devido do Imposto sobre a Renda da Pessoa
Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), especialmente
quanto:
I - à recuperação do plano de contas contábil e saldos das contas, para pessoas jurídicas
obrigadas a entregar a Escrituração Contábil Digital (ECD) relativa ao mesmo período
da ECF;
II - à recuperação de saldos finais da ECF do período imediatamente anterior, quando
aplicável;
III - à associação das contas do plano de contas contábil recuperado da ECD com plano
de contas referencial, definido pela Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis), por
meio de Ato Declaratório Executivo (ADE);
IV - ao detalhamento dos ajustes do lucro líquido na apuração do Lucro Real, mediante
tabela de adições e exclusões definida pela Cofis, por meio de Ato Declaratório
Executivo;
V - ao detalhamento dos ajustes da base de cálculo da CSLL, mediante tabela de adições
e exclusões definida pela Cofis, por meio de Ato Declaratório Executivo;
VI - aos registros de controle de todos os valores a excluir, adicionar ou compensar em
exercícios subsequentes, inclusive prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL; e
VII - aos registros, lançamentos e ajustes que forem necessários para a observância de
preceitos da lei tributária relativos à determinação do lucro real e da base de cálculo da
CSLL, quando não devam, por sua natureza exclusivamente fiscal, constar da
escrituração comercial, ou sejam diferentes dos lançamentos dessa escrituração.

O Manual de Orientação do Leiaute da ECF, contendo informações de leiaute do


arquivo de importação, regras de validação aplicáveis aos campos, registros e arquivos,
tabelas de códigos utilizadas e regras de retificação da ECF, será divulgado pela Cofis
por meio de Ato Declaratório Executivo publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O prazo para entrega da ECF será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta
e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do último dia fixado
para entrega da escrituração.
A ECF deverá ser assinada digitalmente mediante utilização de certificado digital válido.
Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, a ECF deverá ser
entregue pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e
incorporadoras, até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. Quando este
ocorrer de janeiro a agosto do ano-calendário, o prazo será até o último dia útil do mês de
setembro do referido ano, mesmo prazo da ECF para situações normais relativas ao ano-
calendário anterior.

Na transmissão da ECF, que é feita por meio da Internet, o Recibo de Recepção é emitido
na conclusão do envio, podendo ser impresso pelo próprio contribuinte, como
comprovante da recepção.

RIR/1999, art. 809.


Normativo:
IN SRF Nº 1.422, de 2013
020 De que formas serão apresentadas as declarações de exercícios anteriores?

As declarações de exercícios anteriores, quando apresentadas em atraso, devem ser


entregues de acordo com as regras fixadas para cada exercício, utilizando o programa
aplicável a cada exercício, disponibilizado pela RFB.

Retificação da ECF

021 Como proceder quando, após a entrega da ECF, a pessoa jurídica constatar que
houve falhas ou incorreções nos dados fornecidos?

A ECF anteriormente entregue poderá ser retificada, nas hipóteses em que admitida,
independentemente de autorização da autoridade administrativa e terá a mesma natureza
da ECF originariamente apresentada.

Notas:

A pessoa jurídica que entregar ECF retificadora alterando valores que tenham sido
informados na DCTF, deverá providenciar acerto dos valores informados nesta
declaração.
Será considerada intempestiva a ECF retificadora com base no lucro real, entregue
após o prazo previsto, ainda que a pessoa jurídica tenha entregue, dentro do prazo,
ECF com base no lucro presumido, quando vedada por disposição legal a opção por
este regime de tributação.

Veja ainda: Forma de apresentação da ECF:


Perguntas 19 e 20 deste capítulo.
Normativo: MP nº 2.189-49, de 2001, art.18; e
IN SRF nº 166, de 1999, arts. 1º e 4º.

Qual o prazo para retificação da ECF da


022
pessoa jurídica?

O prazo é de 5 (cinco) anos, conforme os artigos 150 e 173 do CTN.

023 Em que hipóteses não será admitida a ECF retificadora?

Nas seguintes hipóteses:


a) quando iniciado procedimento de ofício; e
b) quando tiver por objetivo alterar o regime de tributação anteriormente adotado, salvo
nos casos determinados pela legislação, para fins de determinação do lucro arbitrado.

Normativo: RIR/1999, art. 832; e


IN SRF nº 166, de 1999, art. 4º.

024 Quais os efeitos tributários no caso de a ECF retificadora apresentar valores a


título de IRPJ e de CSLL diferentes daqueles inicialmente apresentados na ECF
retificada?

Quando a retificação da ECF apresentar imposto maior que o da ECF retificada, a


diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes.
Quando a retificação da ECF apresentar imposto menor que o da ECF retificada, a
diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída.
Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), acumulados até o mês
anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% (um por cento) no mês da
restituição ou compensação.

Normativo: IN SRF nº 166, de 1999, arts. 3º e 4º; e


IN RFB nº 1.300, de 2012, art. 83.

Entidades Imunes ou Isentas do Imposto de Renda

025 Quais pessoas imunes ao imposto de renda estão sujeitas


à entrega da ECF?

São imunes ao imposto sobre a renda e estão obrigadas a ECF:


a) os templos de qualquer culto;
b) os partidos políticos, inclusive suas fundações, as entidades sindicais de
trabalhadores, as instituições de educação e as de assistência social, sem fins
lucrativos, desde que observados os requisitos da Lei.
Considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os
serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em
geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos.
Define-se como entidade sem fins lucrativos, a instituição de educação e de assistência
social que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado
exercício, destine referido resultado integralmente à manutenção e ao desenvolvimento
dos seus objetivos sociais.
Para o gozo da imunidade, as instituições citadas em “b” estão obrigadas a atender aos
seguintes requisitos:
a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados;
b) aplicar integralmente no país seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos
seus objetivos institucionais;
c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das
formalidades que assegurem a respectiva exatidão;
d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os
documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas,
bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar
sua situação patrimonial;
e) apresentar, anualmente, a ECF, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria
da Receita Federal do Brasil;
f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a
contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as
obrigações acessórias daí decorrentes;
g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições
para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de extinção da
pessoa jurídica, ou a órgão público;
h) não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer
título;
i) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento
das entidades citadas.

Notas:
A condição e vedação de não remuneração de dirigentes pelos serviços prestados
não alcançam a hipótese de remuneração, em decorrência de vínculo empregatício,
pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), qualificadas
segundo as normas estabelecidas na Lei nº 9.790, de 1999, e pelas organizações
sociais (OS), qualificadas consoante os dispositivos da Lei nº 9.637, de 1998. Esta
exceção está condicionada a que a remuneração, em seu valor bruto, não seja
superior ao limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo
Federal, sendo aplicável a partir de 1º/01/2003.

Normativo: CF/1988, art. 150, VI, “b” e “c”;


CTN, art. 14;
Lei Complementar nº 104, de 2001;
Lei nº 9.532, de 1997, art. 12
Lei nº 9.637, de 1998;
Lei nº 9.790, de 1999;
Lei nº 10.637, de 2002, art. 34 e art. 68, III.

026 Quais são as entidades isentas pela finalidade ou objeto?

Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e


científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido
instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins
lucrativos.
Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas
ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado,
integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.

Notas:
1) As associações de poupança e empréstimo estão isentas do imposto sobre a
renda, mas são contribuintes da CSLL.
2) As entidades fechadas de previdência complementar, estão isentas do imposto
sobre a renda e a partir de 1º/01/2002 passaram a estar isentas também da
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

Normativo:
Lei nº 9.532, de 1997, caput do art. 15 e § 3º do art. 12;
RIR/1999, art. 177;
Lei nº 10.426, de 2002, art. 5º.

027 Quais as condições determinadas pela legislação que devem ser observadas
pelas entidades enquadradas como isentas pela finalidade ou objeto?

As entidades consideradas isentas pela finalidade ou objeto deverão atender aos seguintes
requisitos:
a) não remunerar por qualquer forma seus dirigentes pelos serviços prestados;
b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos
sociais;
c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das
formalidades que assegurem a respectiva exatidão;
d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contados da data da emissão, os
documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas,
bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar
sua situação patrimonial;
e) apresentar, anualmente, ECF, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria
da Receita Federal do Brasil.

Normativo:
Lei nº 9.532, de 1997, art. 15, § 3º .

A imunidade e a isenção aplica-se a toda renda obtida


028
pelas entidades citadas?
Não. Estará fora do alcance da tributação somente o resultado relacionado com as
finalidades essenciais destas entidades. Assim, os rendimentos e os ganhos de capital
auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e variável não estão abrangidos pela
imunidade e pela isenção.
Normativo: Lei nº 9.532, de 1997, art. 15, § 2º.

As instituições de educação e de assistência social


029
(art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal)
estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte sobre suas aplicações
financeiras?

Apesar de o § 1º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, dispor que “não estão abrangidos
pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras
de renda fixa ou de renda variável” auferidos por essas instituições, o Supremo Tribunal
Federal (STF) suspendeu a vigência desse dispositivo, por meio de medida liminar
deferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1802-3 (em sessão de 27/8/1998).

Normativo: STF - Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1802-3.

A prática de atos comuns às pessoas jurídicas com


030
fins lucrativos descaracteriza a isenção?
Não pode haver a convivência entre rendimentos decorrentes de atividade essencial,
portanto imunes, com os rendimentos que não estejam de acordo com a finalidade
essencial da entidade, rendimentos não imunes, sem descaracterizar a imunidade.
Da mesma forma, não é possível a convivência de rendimentos isentos com não isentos,
tendo em vista não ser possível o gozo de isenção pela metade, ou todos os rendimentos
são isentos, se cumpridos os requisitos da Lei nº 9.532, de 1997, ou todos são submetidos
à tributação, se descumpridos os requisitos.

Normativo: Lei nº 9.532, de 1997; e


PN CST nº 162, de 1974.

No fornecimento de bens e serviços pelas entidades imunes e isentas a órgãos,


031
autarquias e fundações da administração pública federal, caberá retenção de
tributos e contribuições prevista no art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996?

Não. O art. 4º da IN RFB nº 1.234, de 2012, relaciona as hipóteses de dispensa de


retenção, entre as quais encontram-se os casos de imunidade e isenção. A referida norma
dispõe que nos pagamentos a instituições de educação e de assistência social, bem como
a instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e associações de que
tratam respectivamente os art. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, caberá a estas entidades
apresentar à unidade pagadora declaração na forma do modelo aprovado por aquela
Instrução Normativa (art.6º).
Normativo: Lei nº 9.532, de 1997, arts. 12 e 15; e
Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, arts. 4º e
6º.

032 Quais as consequências tributárias imputadas às pessoas jurídicas que


deixarem de satisfazer às condições exigidas na legislação para o gozo da
imunidade e da isenção?

Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal do
Brasil suspenderá o gozo da isenção, relativamente aos anos-calendário em que a pessoa
jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de
ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de
informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou
em dinheiro, ou, de qualquer forma, cooperar para que terceiro sonegue tributos ou
pratique ilícitos fiscais.
Considera-se, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela
instituição isenta, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de
sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de
despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre
a renda ou da CSLL.

Notas:
Os procedimentos a serem adotados pela fiscalização tributária nas hipóteses que
ensejem a suspensão da isenção encontram-se disciplinados na Lei nº 9.430, de 1996,
art. 32, sendo referido dispositivo aplicável também a fatos geradores ocorridos
antes da sua vigência, tendo em vista se tratar de norma de natureza meramente
instrumental.

Normativo: Lei nº 9.430, de 1996, art. 32; e


Lei nº 9.532, de 1997, art. 13, parágrafo único, art. 14 e art. 15, § 3º.

033 A isenção do IRPJ depende de prévio reconhecimento pela


Secretaria da Receita Federal do Brasil?

Não. O benefício da isenção do IRPJ independe do prévio reconhecimento pela Secretaria


da Receita Federal do Brasil.

Normativo: RIR/1999, art. 181.

ÍNDICE REMISSIVO

Declarações da Pessoa Jurídica (Capítulo I)


DCTF

Impostos e Contribuições Informados [Pergunta 013]

Pessoas Jurídicas Dispensadas de Apresentar DCTF [Pergunta 012]

Pessoas Jurídicas Obrigadas a Apresentar DCTF [Pergunta 011]

Prazo (Apresentação) [Pergunta 014]

Declaração da Pessoa Jurídica Inativa

Obrigação de Apresentar [Pergunta 009]

PJ Inativa, Conceito [Pergunta 010]

ECF

Cartórios, Ausência de Personalidade Jurídica [Pergunta 007]

Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas [Pergunta 008]

Entidades sem Fins Lucrativos [Pergunta 006]

Pessoas Jurídicas Desobrigadas a Apresentar ECF [Pergunta 002]

Pessoas Jurídicas Obrigadas a Apresentar ECF [Pergunta 001]

Pessoas Jurídicas que Não Devem Apresentar ECF [Pergunta 003]

Representante Comercial, Pessoa Física [Pergunta 005]

Transportador, Pessoa Física [Pergunta 004]

Entidades Imunes ou Isentas do IRPJ

Alcance da Imunidade e da Isenção [Pergunta 028]

Conceitos
PJ Imune [Pergunta 025]

PJ Isenta [Pergunta 026]

Condições para Isenção

Perda da Isenção, Efeitos [Pergunta 032]

Reconhecimento Prévio pela RFB, Desnecessidade [Pergunta 033]

Requisitos [Pergunta 027]

Prática de Atos em Desacordo com a Finalidade (Perda da Isenção) [Pergunta 030]

Recebimento de Órgãos Públicos, Dispensa de Retenção na Fonte [Pergunta 031]

Rendimentos e Ganhos em Aplicações Financeiras

Instituições de Educação e de Assistência (STF ADIn 1.802-3)

Retenção na Fonte [Pergunta 029]

Período de apuração do IRPJ vs. ECF [Perguntas 015 a 017]

Prazos e Forma de apresentação das Declarações

Forma de Apresentação

Declarações de Exercícios Anteriores [Pergunta 020]

Meio Magnético [Pergunta 019]

Sucessão da PJ, Data do Evento [Pergunta 018]

Retificação da ECF [Perguntas 021 a 024]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo II - Contagem de Prazos 2015

001 Como se procede à contagem de prazos na legislação


tributária?

Os prazos da legislação tributária são contínuos (sem qualquer interrupção em sábados,


domingos ou feriados), excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o dia do
vencimento.

Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o


processo ou deva ser praticado o ato.

Caso o termo inicial ou final do prazo ocorra em dia de sábado, domingo, feriado, ou em
que o expediente da repartição não seja normal, considera-se o prazo prorrogado para o
primeiro dia útil subsequente, ou em que a repartição funcione normalmente.

Notas:
Caso se trate de pagamento de tributos, deverá ser levado em
conta o funcionamento da rede bancária local (e não o
funcionamento da repartição).

Assim, vencendo o prazo para recolhimento de tributo em


uma quinta-feira, dia de ponto facultativo nas repartições
públicas federais, se as agências bancárias estiverem
funcionando normalmente, não haverá prorrogação (o prazo
para recolhimento se encerra na própria quinta-feira).

Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 210; Decreto


nº 70.235, de 1972 (PAF), art. 5º (c/ as alterações da
Normativo:
Lei nº 8.748, de 1993) reproduzido no Decreto nº
7.574, de 2011, art. 9º.

002 Quais os fatores que a legislação tributária leva


em consideração para contagem de prazos?

Os fatores que influenciam a contagem de prazo, de acordo com a legislação tributária, são:
a) o dia do início do prazo: é o dia seguinte ao da notificação ou intimação para a prática do
ato (desde que neste o expediente seja normal);
b) o dia do vencimento do prazo (se não houver expediente no dia de vencimento, prorroga-
se para o primeiro dia útil);
c) não interrupção ou suspensão da contagem, uma vez iniciada, pois os prazos são
contínuos, conforme art. 210 do Código Tributário Nacional (CTN).

003 O que significa excluir o dia de início de contagem


do prazo?

Dia de início é o dia do fato ou da notificação ou intimação do contribuinte para praticar


determinado ato, como [Link]. recolher o tributo devido, prestar informações etc. Exclui-se
esse dia e começa a contagem do prazo a partir do dia seguinte.

Ex. Se a notificação ou intimação se der numa quinta-feira, o primeiro dia da contagem será
sexta-feira. Como os prazos só se iniciam em dias úteis, se a notificação ou intimação
ocorrer numa sexta-feira (ou no sábado, ou em véspera de feriado), o primeiro dia da
contagem será o dia útil seguinte.

ÍNDICE REMISSIVO

Contagem de Prazos (Capítulo II)

Contagem

Norma Geral [Perguntas 001 e 002]

Termos de Início e de Fim [Perguntas 001 e 003]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo III - Equiparações da Pessoa Física 2015

Equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica

001 Quais as hipóteses em que a pessoa física é equiparada


à pessoa jurídica?

Para os efeitos do imposto de renda, as pessoas físicas caracterizadas como empresa


individual estão equiparadas à pessoa jurídica.

A legislação do imposto de renda caracteriza como empresa individual a pessoa física


que:

a) em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade


econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante
venda a terceiro de bens ou serviços, quer se encontrem regularmente inscritas ou não
junto ao órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil;

b) promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos.

Veja ainda:
Atividades que não ensejam equiparação:
Pergunta 002 deste capítulo.
Normativo: RIR/1999, art. 150, § 1º, incisos I a III.

002 Quais as atividades exercidas por pessoas físicas que


não ensejam a sua equiparação à pessoa jurídica?

Não se caracterizam como empresa individual, ainda que, por exigência legal ou
contratual, encontrem-se cadastradas no CNPJ ou tenham seus atos constitutivos
registrados em Cartório ou Junta Comercial, entre outras:

a) as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividades


sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possuam
estabelecimento em que desenvolvam suas atividades e empreguem auxiliares;
b) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de
mão-de-obra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados;
c) a pessoa física que explore individualmente atividade de recepção de apostas da
Loteria Esportiva e da Loteria de números (Lotofácil, Quina, Mega-sena etc)
credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do
órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore,
no mesmo local, outra atividade comercial;
d) o representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de
negócios mercantis, como definido pelo art. 1º da Lei nº 4.886, de 1965, uma vez que
não os tenha praticado por conta própria;
e) todas as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem
atividades consoante os termos do art. 150, § 2º, IV e V, do RIR/1999, como por
exemplo: serventuários de justiça, tabeliães, corretores, leiloeiros, despachantes etc;
f) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo
próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes
ou auxiliares. Caso haja a contratação de profissional para dirigir o veículo,
descaracteriza-se a exploração individual da atividade, ficando a pessoa física
equiparada à pessoa jurídica, tendo em vista a exploração de atividade econômica
como firma individual. O mesmo ocorre nos casos de exploração conjunta, haja ou
não co-propriedade do veículo, quando o exercício da atividade econômica passa de
individual para social, devendo a “sociedade de fato” resultante ser tributada como
pessoa jurídica. Ressalte-se, ainda, que o importante para a caracterização é a forma
como é explorada a atividade econômica e não o meio utilizado, devendo-se aplicar
os critérios acima expostos, qualquer que seja o veículo utilizado;
g) pessoa física que explora exclusivamente a prestação pessoal de serviços de
lavanderia e tinturaria, de serviços de jornaleiro, de serviços de fotógrafo.

Veja ainda: Dispensa de apresentação da DIPJ:


Pergunta 003 do capítulo I.
Normativo: Lei nº 4.886, de 1965, art. 1º;
RIR/1999, arts. 47, 86, 111, art. 150, § 2º, incisos I,
III, IV, V e VI, 214 e 215;
PN CST nº 122, de 1974;
PN CST nº 25, de 1976;
PN CST nº 28, de 1976;
PN CST nº 80, de 1976;
ADN CST nº 17, de 1976;
ADN CST nº 25, de 1989;
ADN COSIT nº 24, de 1999, Item 2.3.

003 Quais as obrigações acessórias a que está sujeita a


pessoa física equiparada à pessoa jurídica?

As pessoas físicas que, por determinação legal, sejam equiparadas a pessoas jurídicas
deverão adotar todos os procedimentos contábeis e fiscais aplicáveis às demais pessoas
jurídicas, estando especialmente obrigadas a:

a) inscrever-se no CNPJ, observadas as normas estabelecidas pela RFB;


b) manter escrituração contábil completa em livros registrados e autenticados, com
observância das leis comerciais e fiscais. A pessoa jurídica que tenha optado pelo lucro
presumido estará dispensada de manter a escrituração comercial caso mantenha, no
decorrer do ano-calendário, Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a
movimentação financeira, inclusive bancária. As microempresas e empresas de pequeno
porte optantes pelo Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade
simplificada para os registros e controles das operações realizadas, conforme
regulamentação do Comitê Gestor;

c) manter sob sua guarda e responsabilidade os documentos comprobatórios das


operações relativas às atividades da empresa individual, pelos prazos previstos na
legislação;
d) apresentar Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e a Declaração de Débitos e Créditos
Tributários Federais (DCTF), ou Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), no
caso de optante pelo Simples Nacional;
e) efetuar as retenções e recolhimentos do imposto de renda na fonte (IRRF), com a
posterior entrega da DIRF.

Notas:
O fato de a pessoa física caracterizada como empresa
individual não se encontrar regularmente inscrita no CNPJ,
ou no competente órgão do registro civil ou de comércio, é
irrelevante para fins de pagamento do imposto de renda
pessoa jurídica.

Veja ainda: Dispensa de apresentação da DIPJ:


Pergunta 003 do capítulo I;
Normativo: Lei nº 9.779, de 1999, art. 16;

Lei Complementar nº 123, de 2006, arts. 25 e 27;


RIR/1999, arts. 160, 214 e 527, parágrafo único;
IN RFB nº 983, de 2009;
IN RFB nº 1.110, de 2010, art. 2º, inciso I;

IN RFB nº 1.344, de 2013, art. 4º;


IN RFB nº 1.183, de 2011;
PN CST nº 80, de 1971 c/c PN CST nº 38, de 1975.

Equiparação de Pessoa Física à Pessoa Jurídica


por Prática de Operações Imobiliárias
004 Em que condições a pessoa física é equiparada à
pessoa jurídica pela prática de operações imobiliárias?

Consideram-se equiparadas à pessoa jurídica, pela prática de operações imobiliárias, as


pessoas físicas que promoverem incorporação imobiliária de prédios em condomínios ou
loteamentos de terrenos urbanos ou rurais, com ou sem construção.
A equiparação alcança, inclusive:

a) o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, efetuando registro dos


documentos de incorporação ou loteamento, outorgar mandato a construtor ou
corretor de imóveis com poderes para alienação de frações ideais ou lotes de terreno,
quando o mandante se beneficiar do produto dessas alienações, ou assumir a iniciativa
ou responsabilidade da incorporação ou loteamento;
b) o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos
documentos de incorporação ou loteamento, neles promova a construção de prédio de
mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação
das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de corrido o prazo de 60 meses
contados da data da averbação, no Registro de Imóveis, da construção do prédio ou
da aceitação das obras de loteamento. Para os terrenos adquiridos até 30/06/1977 o
prazo é 36 meses;
c) a subdivisão ou desmembramento de imóvel rural, havido após
30/06/1977, em mais de dez lotes, ou a alienação de mais de dez quinhões ou frações
ideais desse imóvel, tendo em vista que tal operação se equipara a loteamento, salvo
se a subdivisão se der por força de partilha amigável ou judicial, em decorrência de
herança, legado, doação como adiantamento da legítima, ou extinção de condomínio.

Normativo: Lei nº 4.591, de 1964, arts. 29 a 31 e art. 68;


Lei nº 6.766, de 1979;
Decreto-Lei nº 58, de 1937;
Decreto-Lei nº 271, de 1967;
RIR/1999, arts. 151 a 153;
PN CST nº 6, de 1986.

005 Os condôminos na propriedade de imóveis estão sujeitos


à equiparação como pessoa jurídica?

Os condomínios na propriedade de imóveis não são considerados sociedades de fato,


ainda que deles também façam parte pessoas jurídicas. Assim, a cada condômino pessoa
física serão aplicados os critérios de caracterização da empresa individual e demais
dispositivo legais, como se ele fosse o único titular da operação imobiliária, nos limites
da sua participação.

Normativo: RIR/1999, art. 155.


006 Quais os atos que caracterizam a aquisição e a alienação
de imóveis, para fins de equiparação da pessoa física à pessoa
jurídica, por prática de operações imobiliárias?

Caracterizam-se a aquisição e a alienação pelos atos de compra e venda, de permuta, da


transferência de domínio útil de imóveis foreiros, de cessão de direitos, de promessa de
qualquer uma dessas operações, de adjudicação ou arrematação em hasta pública, pela
procuração em causa própria, doação, ou por outros contratos afins em que ocorra a
transmissão de imóveis ou de direitos sobre imóveis.

Notas:
Considera-se ocorrida a aquisição ou alienação ainda que a
transmissão se dê mediante instrumento particular.

Normativo: RIR/1999, art. 154, caput e § 1º;


PN CST nº 152, de 1975.

007 Em que data se considera ocorrida a aquisição


ou alienação e quais as condições para que seja aceita?

Considera-se data da aquisição ou alienação aquela em que for celebrado o contrato


inicial, ainda que mediante instrumento particular.
Caso a transmissão se opere por meio de instrumento particular, a data de aquisição ou
alienação constante no respectivo instrumento, se favorável aos interesses da pessoa
física, somente será aceita pela autoridade fiscal quando atendida pelo menos uma das
seguintes condições:
a) o instrumento particular tiver sido registrado no Cartório do Registro Imobiliário, ou
no de Títulos e Documentos, no prazo de trinta dias, contados da data nele constante;
b) houver conformidade com cheque nominativo pago dentro do prazo de trinta dias,
contados da data do instrumento;
c) houver conformidade com lançamentos contábeis da pessoa jurídica, atendidos os
preceitos para escrituração em vigor;
d) houver menção expressa da operação nas declarações de bens da parte interessada,
apresentadas tempestivamente à repartição competente, juntamente com as
declarações de rendimentos.

Normativo: RIR/1999, art. 154, §§ 1º e 2º.


A equiparação de pessoa física à pessoa jurídica por prática
008
de operações imobiliárias torna obrigatório o registro no
CNPJ?

Sim, é obrigatório o registro no CNPJ da pessoa física equiparada à pessoa jurídica por
prática de operações imobiliárias.

Convém observar, entretanto, que, se a pessoa física já estiver equiparada à pessoa


jurídica em razão de exploração de outra atividade prevista no art. 150 do RIR/1999,
poderá optar por:

a) manter seu registro anterior no CNPJ, fazendo com que a escrituração contábil abranja
também os atos e fatos relativos às atividades imobiliárias, desde que haja
individualização nos lançamentos e registros contábeis, que permita apurar os
resultados em separado, apresentando, por fim, uma única declaração como pessoa
jurídica; ou
b) providenciar, no prazo de 90 dias da data da equiparação, novo registro no CNPJ,
específico para as atividades imobiliárias, sendo esta opção irrevogável enquanto
perdurar referida equiparação. Nesse caso, fará registrar e autenticar na repartição da
RFB da jurisdição do seu domicílio o Livro Diário e demais livros contábeis
obrigatórios, e estará obrigada a apresentar uma declaração de pessoa jurídica para
cada atividade explorada.

Normativo: RIR/1999, art. 150, e art. 160, inciso II e parágrafo


único;
IN RFB nº 1.183, de 2011, art. 4º;
PN CST nº 97, de 1978.

Quando tem início a aplicação do regime fiscal das pessoas


009
jurídicas para as pessoas físicas equiparadas por prática de
operações imobiliárias?

A aplicação do regime fiscal das pessoas jurídicas às pessoas físicas a elas equiparadas
terá início na data em que se completarem as condições determinantes da equiparação,
consoante os arts. 156 e 158 do RIR/1999:

a) na data do arquivamento da documentação do empreendimento no Registro


Imobiliário;
b) na data da primeira alienação, no caso desta ocorrer antes de decorrido o prazo de
sessenta meses para imóveis havidos após 30/06/1977, e trinta e seis meses para
imóveis havidos até 30/06/1977, contados da data da averbação no Cartório do
Registro Imobiliário da construção de prédio com mais de duas unidades imobiliárias,
ou a execução de obras de loteamento;
c) na data em que ocorrer a subdivisão ou o desmembramento de imóvel rural em mais
de dez lotes, ou a alienação de mais de dez quinhões ou frações ideais desse imóvel.
Notas:
Não subsistirá a equiparação em relação às incorporações
imobiliárias ou loteamentos com ou sem construção, cuja
documentação seja
arquivada no Cartório do Registro Imobiliário se, na forma
prevista no § 5º do art. 34 da Lei nº 4.591, de 1964, ou no
art. 23
da Lei nº 6.766, de 1979 e, antes de alienada qualquer
unidade, o
interessado promover a averbação da desistência da
incorporação
ou o cancelamento da inscrição do loteamento.

Normativo:
Lei nº 4.591, de 1964, art. 34, § 5º;
Lei nº 6.766, de 1979, art. 23;
RIR/1999, arts. 156, 158 e 159.

A que espécie de escrituração e forma de tributação se


010
sujeitam as pessoas físicas equiparadas à pessoa jurídica por
prática de operações imobiliárias?

A forma de escrituração será a mesma adotada pelas demais pessoas jurídicas, de acordo
com o regime de tributação a que se submeterem.
Os regimes de tributação do imposto de renda pessoa jurídica são: lucro real, lucro
presumido e lucro arbitrado.
As pessoas jurídicas que se dediquem ao loteamento e à incorporação de imóveis não
podem optar pelo Simples Nacional.

Notas:
Até o ano de 1998, as pessoas jurídicas que se dedicassem às
atividades de incorporação ou loteamento ficavam obrigadas
à tributação com base no lucro real. A partir do ano de 1999
(Lei nº 9.718, de 1998), o lucro real deixa de ser obrigatório.

As pessoas jurídicas que vinham apurando o lucro real, só


poderão optar pelo lucro presumido após a conclusão das
operações imobiliárias para as quais tenham adotado custo
orçado.

Sobre os livros obrigatórios da escrituração, consulte o PN


CST nº 28, de 1978, IN SRF nº 28, de 1978 (Lalur), PN nº 30,
de 1978 (Registro de Inventário), e nº 97, de 1978 (Diário e
livros auxiliares).
Se já estiver equiparada à pessoa jurídica em face da
exploração de outra atividade, a pessoa física poderá efetuar
uma só escrituração para ambas as atividades, desde que haja
individualização nos lançamentos e registros contábeis de
modo a permitir a verificação dos resultados em separado.

Veja ainda:
Tributação da pessoa jurídica:
Perguntas 001 e seguintes do capítulo VI (IRPJ-Lucro
Real);
Perguntas 001 e seguintes do capítulo XIII (IRPJ-
Lucro Presumido);
Perguntas 001 e seguintes do capítulo XIV (IRPJ-
Lucro Arbitrado); e
Perguntas 001 e seguintes do capítulo XVI (CSLL).
Normativo: Lei nº 9.718, de 1998;
LC nº 123, de 2006, art. 17, XIV;
IN SRF nº 28, de 1978 (Lalur);
IN SRF nº 84, de 1979 (alterada pela IN SRF nº 23,
de 1983);
IN SRF nº 25, de 1999, art. 2º;
IN RFB nº 1.422, de 2013 (ECF).
PN CST nº 28, de 1978,
PN CST nº 30, de 1978 (Registro de Inventário);
PN CST nº 97, de 1978 (Diário e livros auxiliares).

011 Qual o quantitativo de operações imobiliárias necessário para


equiparação de pessoa física à pessoa jurídica, determinando o
início da tributação como pessoa jurídica?

A equiparação que leva em conta o quantitativo de unidades imobiliárias ocorre quando


o proprietário ou titular de terreno, sem efetuar o arquivamento dos documentos de
incorporação no Registro de Imóveis, promover a construção de prédio com mais de
duas unidades imobiliárias, ou realizar loteamento.

Tal equiparação se dará a partir da alienação da primeira unidade imobiliária ou do


primeiro lote antes de decorrido o prazo de 60 meses contados da averbação, no
Registro Imobiliário, da construção do prédio ou da aceitação das obras de loteamento.
Para terrenos adquiridos até 30/06/1977 o prazo é de 36 meses.

Notas:
Ocorre equiparação do condômino, se a esse forem
destinadas mais de duas unidades imobiliárias.
Equipara-se ainda à pessoa jurídica, a pessoa física que
promover o desmembramento de imóvel rural, adquirido
após 30/06/1977, em mais de dez lotes, ou a alienação de
mais de dez frações ideais desse imóvel, salvo se a
subdivisão se der por força de partilha amigável ou judicial,
em decorrência de herança, legado, doação como
adiantamento da legítima, ou extinção de condomínio.

Normativo: RIR/1999, arts. 152 e 153.

O que se deve entender por incorporação de prédios


012
em condomínio?
Considera-se incorporação imobiliária a atividade exercida com o intuito de promover e
realizar a construção, para alienação total ou parcial, antes da conclusão das obras, de
edificações ou conjuntos de edificações compostas de unidades autônomas, nos termos
da Lei nº 4.591, de 1964, art. 28, parágrafo único.
O incorporador vende frações ideais do terreno, vinculadas às unidades autônomas
(apartamentos, salas, conjuntos etc) em construção ou a serem construídas, obtendo,
assim, os recursos necessários para a edificação.

Normativo: Lei nº 4.591, de 1964, art. 28, parágrafo único;


PN CST nº 77, de 1972.

Qual a legislação que rege as incorporações imobiliárias


013
e quais as construções abrangidas?
As edificações ou conjuntos de edificações, de um ou mais pavimentos, construídos sob
a forma de unidades isoladas entre si, destinadas a fins residenciais ou não-residenciais
(casa, loja etc), constituindo cada unidade propriedade autônoma, estão sujeitas ao
disciplinamento previsto na Lei nº 4.591, de 1964, que dispõe sobre o condomínio em
edificações e as incorporações imobiliárias. No aspecto fiscal, subordinam-se
especificamente às disposições dos Decretos-Lei nº 1.381, de 1974, nº 1.510, de 1976 e
nº 2.072, de 1983, matriz legal dos arts. 151 a 166 do RIR/99 e a orientação normativa
das IN SRF nº 84, de 1979, IN SRF nº 23, de 1983, IN SRF nº 67, de 1988, IN SRF nº
107, de 1988 e IN RFB nº 1.435, de 30 de dezembro de 2013.

Notas:
A Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, alterada pela
Lei nº 11.196,
de 21 de novembro de 2005, modificou a Lei nº 4.591,
de 1964,
instituindo o patrimônio de afetação nas incorporações
imobiliárias,
com reflexos tributários e fiscais, como a imposição de
escrituração contábil completa (ainda que a empresa opte
pelo lucro presumido), novas definições de responsabilidade
tributária, determinando ainda
que seja seguida a legislação do imposto de renda quanto ao
regime
de reconhecimento de receitas para o cálculo de PIS/Pasep e
Cofins.

Normativo: Lei nº 4.591, de 1964;


Decreto-Lei nº 1.381, de 1974;
Decreto-Lei nº 1.510, de 1976;
Decreto-Lei nº 2.072, de 1983;
Lei nº 10.931, de 2004 (alterada pela Lei nº 11.196, de
2005);
RIR/1999, arts. 151 a 166;
IN SRF nº 84, de 1979,
IN SRF nº 23, de 1983;
IN SRF nº 67, de 1988;
IN SRF nº 107, de 1988;
IN RFB nº 1.435, de 2013.

Em caso de alteração das normas em vigor que disciplinam


014
a prática de operações imobiliárias por pessoas físicas,
qual a legislação que deverá prevalecer?

Ocorrendo alteração da legislação, a equiparação será determinada de acordo com as


normas legais e regulamentares em vigor na data do instrumento inicial de alienação das
unidades imobiliárias ou lotes de terreno (nos casos de incorporações ou loteamentos
irregulares), ou do arquivamento dos documentos da incorporação ou do loteamento,
quando regulares.
A posterior alteração dessas normas não atingirá as operações imobiliárias já realizadas
nem os empreendimentos cuja documentação já tenha sido arquivada no Registro
Imobiliário.

Normativo: RIR/1999, art. 157.

015 Quem é considerado “incorporador”?

Considera-se incorporador a pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, que, embora


não efetuando a construção, se comprometa a vender ou efetive a venda de frações
ideais de terreno, objetivando a vinculação de tais frações a unidades autônomas, em
edificações a serem construídas ou em construção sob regime condominial, ou que
meramente aceite propostas para efetivação de tais transações, coordenando e levando a
termo a incorporação e responsabilizando-se, conforme o caso, pela entrega, a certo
prazo, preço e determinadas condições, das obras concluídas.

Estende-se a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos


que contratem a construção de edifícios que se destinem à constituição em condomínio
sempre que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras.
Tendo em vista as disposições da Lei nº 4.591, de 1964, especificamente os arts. 28 a 32
e 68, é irrelevante a forma da construção efetuada (vertical, horizontal, autônoma, isolada
etc) para que a pessoa física seja considerada incorporadora e se submeta ao regime
tributário da equiparação à pessoa jurídica, desde que existentes os demais pressupostos
fáticos previstos na legislação de regência.
Notas:
De acordo com o art. 68 da Lei nº 4.591, de 1964, os
proprietários ou titulares de direito aquisitivo sobre terras
rurais, ou sobre terrenos onde pretendam construir ou
mandar construir habitações isoladas, para aliená-las antes
de concluídas, mediante pagamento do preço a prazo, ficam
sujeitos ao regime instituído para os incorporadores, no que
lhes for aplicável.

Normativo:
Lei nº 4.591, de 1964, arts. 28 a 32 e 68;
Lei nº 10.931, de 2004.

Qualquer parcelamento do solo é considerado loteamento?


016

Não. O parcelamento do solo rural ou urbano poderá ser feito mediante loteamento ou
desmembramento, observadas, para os loteamentos urbanos, as disposições da Lei
nº 6.766, de 1979, bem como as pertinentes às legislações estaduais e municipais.
Normativo: Lei º 6.766, de 1979.

Qual a diferença entre desmembramento e loteamento de solo


017
urbano?

Considera-se loteamento de imóveis a subdivisão de área ou gleba em lotes destinados a


edificação de qualquer natureza, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros
públicos ou prolongamentos, modificação ou ampliação das vias existentes.
Já o desmembramento de imóveis se constitui na subdivisão de áreas ou glebas em lotes
destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não
implique a abertura de novas vias e logradouros públicos, nem o prolongamento,
modificação ou ampliação dos já existentes.

Notas:
A subdivisão ou desmembramento de imóvel rural, havido
após 30 de junho de 1977, em mais de dez lotes, ou a
alienação de mais de dez quinhões ou frações ideais desse
imóvel, será equiparada a loteamento para efeito de
equiparação à pessoa jurídica. Essa regra não se aplica aos
casos em que a subdivisão se efetive por força de partilha
amigável ou judicial em decorrência de herança, legado,
doação como adiantamento da legítima, ou extinção de
condomínio.

Normativo: Decreto-Lei nº 271, de 1967, arts. 1º e 2º ;


Lei nº 6.766, de 1979, art. 2º ;
RIR/1999, art. 153;
PN CST nº 77, de 1972;
PN CST nº 6, de 1986.

O que deverá ser considerado como lucro da empresa


018
individual no caso de pessoa física equiparada à
pessoa jurídica por prática de operações imobiliárias?

O lucro da empresa individual relativo a operações imobiliárias que deverá ser apurado
em cada período de apuração, com observância dos arts. 410 a 414 do RIR/1999,
compreenderá:

a) o resultado da operação que determinar a equiparação;


b) o resultado de incorporações ou loteamentos promovidos pelo titular da empresa
individual a partir da data da equiparação, abrangendo o resultado das alienações de
todas as unidades imobiliárias ou de todos os lotes de terreno integrantes do
empreendimento;
c) as atualizações monetárias do preço das alienações de unidades residenciais ou não
residenciais, construídas ou em construção, e de terrenos ou lotes de terrenos, com ou
sem construção, integrantes do empreendimento, contratadas a partir da data da
equiparação, incidentes sobre as prestações, dívidas correspondentes a notas
promissórias, ou outros títulos equivalentes, ou valores exigidos no caso de atraso de
pagamento;
d) os juros convencionados sobre a parte financiada do preço das alienações contratados
a partir da data da equiparação, bem como juros e multas de mora recebidos por
atrasos de pagamentos.

Notas:
Nas operações de permuta de unidades imobiliárias, realizadas
entre a pessoa física equiparada à pessoa jurídica e pessoas
jurídicas ou físicas, deverão ser observados, para fins de
apuração de resultados e determinação dos valores de baixa e de
aquisição de bens, os procedimentos fiscais estabelecidos na IN
SRF nº 107, de 1988.
Não serão computados como lucro da empresa individual os
rendimentos de locação, sublocação ou arrendamento de
quaisquer imóveis, percebidos pelo titular da empresa
individual, bem como os decorrentes da exploração econômica
de imóveis rurais, ainda que sejam imóveis cuja alienação
acarrete a inclusão do correspondente resultado no lucro da
empresa individual; bem como outros rendimentos percebidos
pelo titular da empresa individual.
Com o advento da Leinº 9.718, de 1998, art. 14, a pessoa física
equiparada à pessoa jurídica por prática de operações
imobiliárias pode fazer a apuração do imposto com base no lucro
presumido, após a conclusão dos empreendimentos para os quais
haja registro de custo orçado.

Normativo: Lei nº 9.718, de 1998, art. 14;


RIR/1999, art. 162, e arts. 410 a 414;
IN SRF nº 107, de 1988;
IN SRF nº 25, de 1999, art. 2º.

019 Em que época deverão ser apurados os resultados da empresa


individual relativos à pessoa física equiparada
à pessoa jurídica por prática de operações imobiliárias?
O lucro da empresa individual deverá ser apurado ao término de cada período de
apuração, trimestral ou anual, e compreenderá o resultado de todas as operações
realizadas nesse período.
Normativo: Lei nº 9.430, de 1996.

020 Qual o valor que deve ser considerado a título de receita bruta
pela pessoa física equiparada à pessoa jurídica
pela prática de operações imobiliárias?
Para efeito de determinação do imposto com base no lucro presumido ou estimado, as
pessoas físicas equiparadas à pessoa jurídica pela prática de operações imobiliárias
deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às
unidades imobiliárias vendidas.
A partir de 1º de janeiro de 2006, o percentual de presunção aplicável sobre a receita bruta
deverá também ser aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore
atividades imobiliárias relativas à loteamento de terrenos, incorporação imobiliária,
construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou
adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for
apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato.
A opção pelo lucro presumido pode ser feita após a conclusão dos empreendimentos para
os quais haja registro de custo orçado.

Normativo: Lei nº 8.981, de 1995, art. 30;


Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 2º;
Lei nº 11.196, de 2005, art. 34;
IN SRF nº 93, de 1997, art. 5º, I;
IN SRF nº 25, de 1999, art. 2º.
IN RFB nº 1.515, de 2014 (para os optantes pelo fim
do RTT já para o ano-calendário de 2014, cf. art. 75 da
Lei nº 12.973, de 2014).

Qual o tratamento tributário do lucro apurado pela pessoa


021
física equiparada à pessoa jurídica por prática de operações
imobiliárias?

O lucro apurado pela pessoa física equiparada à pessoa jurídica, depois de deduzida a
provisão para o IRPJ, será considerado, por disposição legal, como automaticamente
distribuído no período de apuração.

Saliente-se que os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular


de empresa individual não estão sujeitos ao imposto de renda, quer na fonte, quer na
declaração de rendimentos de pessoa física.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 10;
RIR/1999, art. 165;
IN SRF nº 11, de 1996, art. 51.
022 O lucro apurado periodicamente pela pessoa física equiparada
à pessoa jurídica em razão de operações com imóveis pode ser
mantido como lucros suspensos
na escrituração da pessoa jurídica?

Não. Esse lucro, após a dedução da provisão para pagamento do IRPJ, sempre será
considerado como automaticamente distribuído no período de apuração em que for
apurado.

023 Qual será o tratamento do lucro apurado periodicamente pela


pessoa física equiparada à pessoa jurídica em razão de
operações com imóveis, quando esta não mantiver
escrituração regular, nos casos em que estiver obrigada?

Quando a pessoa física equiparada à pessoa jurídica não mantiver escrituração regular,
nos termos das leis comerciais e fiscais, sofrerá arbitramento, conforme o art. 530 do
RIR/1999.

O arbitramento, regra geral, é feito por meio de lançamento de ofício, entretanto, o


contribuinte poderá fazer o auto-arbitramento com base na receita bruta quando esta for
conhecida.

No caso específico de empresa imobiliária, para efeito de arbitramento do lucro será


deduzido do valor da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente
comprovado, sendo tributado o lucro arbitrado na proporção da receita recebida ou cujo
recebimento esteja previsto para o próprio período.

Normativo: RIR/1999, arts. 530, 531 e 534.

Como calcular os rendimentos do titular da empresa


024
individual equiparada à pessoa jurídica por prática de
operações imobiliárias, quando esta sofrer arbitramento de
lucro?
De acordo com as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas que tiverem seus lucros
arbitrados, em conformidade com o RIR/1999, arts. 529 a 540.
Os rendimentos da pessoa física como titular da empresa individual terão o seguinte
tratamento:

1) o lucro arbitrado diminuído do IRPJ, inclusive adicional, da CSLL, da Cofins, e do


PIS/Pasep poderá ser distribuído ao titular da empresa individual, a título de lucros,
sem incidência do imposto; isento de tributação na pessoa física, quer na fonte, quer
na declaração de rendimentos. A parcela dos lucros ou dividendos que exceder a
base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições,
também poderá ser distribuída sem incidência do imposto, desde que a pessoa
jurídica demonstre, por meio de escrituração contábil feita com observância da lei
comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado, segundo as normas para
apuração da base de cálculo do imposto com base no lucro arbitrado;
2) a remuneração efetivamente recebida a título de pró-labore ou serviços prestados,
cujo valor sofre tributação com base na tabela progressiva mensal aplicável a todas
as pessoas físicas.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 10;


RIR/1999, arts. 529 a 540;
IN SRF nº 11, de 1996, art. 51, § 2º.

Em que data os imóveis serão considerados como integrantes


025
do patrimônio da empresa individual, no caso de equiparação
por prática de operações imobiliárias?
Os imóveis objeto das operações de incorporação ou loteamento serão considerados
como integrantes do ativo da empresa individual na data do arquivamento da
documentação da incorporação ou do loteamento no Registro Imobiliário.
A integração no ativo, quando a incorporação ou loteamento for realizado sem o
competente arquivamento a priori dos respectivos documentos, ocorrerá quando for
iniciada a venda, se esta se realizar antes de decorrido o prazo de trinta e seis meses, para
os imóveis havidos antes de 30/06/1977, ou sessenta meses para os imóveis havidos após
30/06/1977, contados da data da averbação no Registro Imobiliário da construção do
prédio com mais de duas unidades imobiliárias, ou da aceitação das obras de loteamento.
No caso de imóveis rurais havidos após 30/06/1977, na data em que ocorrer a
subdivisão ou desmembramento em mais de dez lotes, ou a alienação de mais de dez
quinhões ou frações ideais desses imóveis.

Normativo: RIR/1999, art. 163, parágrafo único.

026 Como se determina o valor do imóvel a integrar o patrimônio


da empresa individual, no caso de equiparação por prática de
operações imobiliárias?
Para efeito de determinação do valor de incorporação ao patrimônio da empresa
individual, poderão ser atualizados monetariamente, até 31/12/1995, o custo dos
terrenos ou glebas de terra em que sejam promovidos loteamentos ou incorporações,
bem como das construções e benfeitorias executadas, não se aplicando qualquer
correção monetária a partir dessa data.

Deverão ser observadas as regras relativas ao ganho de capital. Saliente-se que, a partir
de 1º/01/1996, as pessoas físicas podem transferir a pessoas jurídicas, a título de
integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração
de bens ou pelo valor de mercado; se a transferência não se fizer pelo valor constante da
declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital.
Normativo:
Lei nº 9.249, de 1995, art. 23;
RIR/1999, art. 163, caput.

027 Quando se considera ocorrido o término da equiparação caso


a pessoa jurídica não efetue nenhuma alienação
das unidades imobiliárias ou lotes de terreno?
A pessoa física que, após sua equiparação à pessoa jurídica, não promover nenhum dos
empreendimentos nem efetuar nenhuma das alienações de unidades imobiliárias ou lotes
de terrenos, durante o prazo de trinta e seis meses consecutivos, deixará de ser
considerada equiparada a partir do término deste prazo, salvo quanto aos efeitos
tributários das operações em andamento que terão o tratamento previsto no art. 166, § 1º,
do RIR/1999.

Normativo: RIR/1999, art. 166, caput e § 1º.

028 Qual o destino a ser dado aos imóveis integrantes do


ativo (patrimônio) da empresa individual quando, completado
o prazo de trinta e seis meses consecutivos sem promover
incorporações ou loteamentos, ocorrer o término da
equiparação à pessoa jurídica?

Permanecerão no ativo da empresa individual, para efeito de tributação como lucro da


pessoa jurídica:

a) as unidades imobiliárias e os lotes de terrenos integrantes de incorporações ou


loteamentos, até sua alienação e, após esta, o saldo a receber, até o recebimento total do
preço;

b) o saldo a receber do preço dos imóveis então alienados, até seu recebimento total.

Notas:
Ao término da equiparação, remanescendo unidades no ativo
da pessoa jurídica ou valores a receber, o encerramento da
empresa individual poderá se efetivar se houver o
recolhimento do imposto que seria devido se os imóveis
fossem alienados à vista ou se o saldo a receber fosse
integralmente recebido.

Normativo: RIR/1999, art. 166.


029 Como determinar o capital da empresa individual no caso de
pessoa física equiparada por prática
de operações imobiliárias?

O capital, no caso de pessoa física equiparada à pessoa jurídica por prática de operações
imobiliárias, será determinado, em cada período de apuração, pelos recursos
efetivamente investidos, em qualquer época, pela pessoa física titular da empresa
individual, nos imóveis considerados como integrantes do seu ativo, bem como sua
correção monetária, deduzidos os custos relativos aos imóveis alienados na parte do
preço cujo valor tenha sido recebido.

Em outras palavras, o capital da empresa individual, no início de cada período de


apuração (mensal, trimestral ou anual, conforme a época), será representado pela soma
dos valores dos imóveis constantes do seu ativo com os valores a receber relativos ao
custo dos imóveis já vendidos em períodos de apuração anteriores.

Normativo: RIR/1999, art. 164.

ÍNDICE REMISSIVO

Equiparações da Pessoa Física (Capítulo III)

Equiparação da PF à Empresa Individual - Operações Imobiliárias

[Perguntas 004 a 029]

[Perguntas 004 a 029]

Apuração de Resultados [Perguntas 018 e 019]

Apuração de Resultados, Permuta de Unidades [Notas à Pergunta 018]

Aquisição e Alienação de Imóveis (Caracterização) [Pergunta 006]

Aquisição e Alienação de Imóveis, Data de Ocorrência, Requisitos [Pergunta 007]

Arbitramento, Falta de Escrituração Regular [Perguntas 023 e 024]

CNPJ, Obrigatoriedade [Pergunta 008]

Condomínios de Imóveis, Não Ensejam a Equiparação [Pergunta 005]


Distribuição Automática dos Lucros Apurados [Perguntas 021 e 022]

Escrituração [Pergunta 010]

Formação do Capital da Empresa Individual [Pergunta 029]

Incorporação Imobiliária, Conceito [Pergunta 012]

Incorporação Imobiliária, Legislação Aplicável [Perguntas 013 e 014]

Incorporador, Conceito [Pergunta 015]

Início da Equiparação [Perguntas 009]

Integração dos Imóveis ao Patrimônio, Data de [Pergunta 025]

Integração dos Imóveis ao Patrimônio, Valor [Pergunta 026]

Lucros Suspensos, Inadmissibilidade [Pergunta 022]

Obrigações Acessórias [Perguntas 008 e 010]

Operações que Ensejam a Equiparação [Pergunta 004]

Parcelamento do Solo, Loteamento e Desmembramento [Perguntas 016 e 017]

Quantidade de Operações para Equiparação [Pergunta 011]

Receita Bruta, Caracterização [Pergunta 020]

Regime de Tributação, Opção [Pergunta 010]

Término da Equiparação, Imóveis Não Alienados [Perguntas 027 e 028]

Equiparação da PF à Pessoa Jurídica

[Perguntas 001 a 003]

Atividades que Ensejam a Equiparação [Pergunta 001]

Atividades que Não Ensejam a Equiparação [Pergunta 002]

Obrigações Acessórias [Pergunta 003]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo IV - Responsabilidade na Sucessão 2015

001 O que se entende por extinção da pessoa jurídica?

A extinção da pessoa jurídica é o término da sua existência; é o perecimento da


organização ditada pela desvinculação dos elementos humanos e materiais que dela
faziam parte. Dessa despersonalização do ente jurídico decorre a baixa dos respectivos
registros, inscrições e matrículas nos órgãos competentes.

A extinção, precedida pelas fases de liquidação do patrimônio social e da partilha dos


lucros entre os sócios, dá-se com o ato final, executado em dado momento, no qual se
tem por cumprido todo o processo de liquidação.

Normativo: Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, arts. 44 e 51; e


PN CST nº 191, de 1972, item 6.

002 Quando se deve considerar efetivamente extinta a


pessoa jurídica?

Considera-se extinta a pessoa jurídica no momento do encerramento de sua liquidação,


assim entendida a total destinação do seu acervo líquido.

Normativo: Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, arts. 44 e 51; e


IN SRF nº 93, de 1997, art. 58.

003 Quais as formas de extinção das pessoas jurídicas?

Extingue-se a pessoa jurídica:

I – pelo encerramento da liquidação. Pago o passivo e rateado o ativo remanescente, o


liquidante fará uma prestação de contas. Aprovadas estas, encerra-se a liquidação e a
pessoa jurídica se extingue;
II - pela incorporação, fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras
sociedades.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de


1976, arts. 216 e 219; e
Código Civil - Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002,
arts. 44 e 51;

004 O que se entende por dissolução da pessoa jurídica?

A dissolução da pessoa jurídica é o ato pelo qual se manifesta a vontade ou se constata a


obrigação de encerrar sua existência. Pode ser definido como o momento em que se
decide a sua extinção, passando-se, imediatamente, à fase de liquidação. Essa decisão
pode ser tomada por deliberação do titular, sócios ou acionistas, ou por imposição ou
determinação legal do poder público.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 206; e


Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, arts. 1.033,
1.034 e 1.035.

005 Em que casos se dá a dissolução de uma pessoa jurídica?

A dissolução da pessoa jurídica é regulada pela Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A.), e
também pela Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil).
Dissolve-se a pessoa jurídica, nos termos do art. 206 da Lei das S.A.:

1) de pleno direito;

2) por decisão judicial;

3) por decisão da autoridade administrativa competente, nos casos e forma


previstos em lei especial.

O art. 1.033 do Código Civil de 2002 dispõe que as sociedades reputam-se dissolvidas
quando ocorrer:

1) o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de


sócio, não entrar a sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por
tempo indeterminado;

2) o consenso unânime dos sócios;


3) a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo
indeterminado;

4) a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta


dias;

5) a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.

Já o art. 1.034 do Código Civil de 2002 estabelece que a sociedade é dissolvida


judicialmente, a requerimento dos sócios, quando:

1) anulada a sua constituição;

2) exaurido o fim social, ou verificada a sua inexequibilidade.

Vale destacar que o contrato pode prever outras causas de dissolução, a serem verificadas
judicialmente quando contestadas (Código Civil, art. 1.035).

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 206; e


Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, arts. 1.033,
1.034 e 1.035.

006 Quais os efeitos da dissolução da pessoa jurídica?

Quanto aos efeitos da dissolução, disciplina o art. 207 da Lei das S.A.: “A pessoa jurídica
dissolvida conserva a personalidade até a extinção, com o fim de proceder à liquidação”.
A dissolução não extingue a personalidade jurídica de imediato, pois a pessoa jurídica
continua a existir até que se concluam as negociações pendentes, procedendo-se à
liquidação das ultimadas, conforme disposto no art. 51 do Código Civil.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 207; e


Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 51.

007 O que se entende por liquidação de uma pessoa jurídica?

A liquidação da pessoa jurídica é o conjunto de atos (preparatórios da extinção)


destinados a realizar o ativo, pagar o passivo e destinar o saldo que houver (líquido),
respectivamente, ao titular ou, mediante partilha, aos componentes da sociedade, na
forma da lei, do estatuto ou do contrato social.
Pode ser voluntária (amigável) ou forçada (judicial).
A liquidação corresponde ao período que antecede a extinção da pessoa jurídica, após
ocorrida a causa que deu origem à sua dissolução, fase em que ficam suspensas todas as
negociações que vinham sendo mantidas como atividade normal, continuando apenas as
já iniciadas para serem ultimadas.
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, arts. 208 a 218;
Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, arts. 51, 1.102
a 1.112; e
PN CST nº 191, de 1972.

008 Quais os efeitos da liquidação de uma pessoa jurídica?

Durante a fase de liquidação:


a) subsistem a personalidade jurídica da sociedade e a equiparação da empresa
individual à pessoa jurídica;
b) não se interrompem ou modificam suas obrigações fiscais, qualquer que seja a causa
da liquidação.
Consequentemente, a pessoa jurídica será tributada até findar-se sua liquidação, ou seja,
embora interrompida a normalidade da vida empresarial pela paralisação das suas
atividades-fim, deve o liquidante manter a escrituração de suas operações, levantar
balanços periódicos, apresentar declarações, pagar os tributos exigidos e cumprir todas as
demais obrigações previstas na legislação tributária.

Normativo: Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 51;


RIR/1999, art. 237 e art. 811; e
PN CST nº 191, de 1972.

009 Como se conhecerá, na prática, uma pessoa jurídica


em processo de liquidação?

Em todos os atos ou operações necessárias à liquidação, o liquidante deverá usar a


denominação social seguida das palavras “em liquidação”.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 212; e


Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.103,
parágrafo único.

010 Como se processa a liquidação de uma pessoa jurídica?

Caso não conste dos atos constitutivos, compete à assembleia geral, no caso de
companhia, aos sócios ou ao titular, nas demais pessoas jurídicas, determinar o modo de
liquidação e nomear o liquidante que poderá ser destituído, a qualquer tempo, pelo órgão
que o tiver nomeado, em se tratando de dissolução de pessoa jurídica de pleno direito.
No caso de liquidação judicial será observado o disposto na lei processual, devendo o
liquidante ser nomeado pelo juiz. Além dos casos previstos no art. 206, inciso II, da Lei
das S.A., a liquidação será processada judicialmente:
1) a pedido de qualquer acionista, se os administradores ou a maioria de acionistas
deixarem de promover a liquidação, ou a ela se opuserem, nos casos do inciso I
do artigo 206;

2) a requerimento do Ministério Público, à vista de comunicação da autoridade


competente, se a companhia, nos 30 (trinta) dias subsequentes à dissolução, não
iniciar a liquidação ou, se após iniciá-la, a interromper por mais de 15 (quinze)
dias, no caso da alínea “e” do inciso I do artigo 301.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, arts. 206, 208 e
209; e
Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.038, § 2º.

011 Quais as responsabilidades que permanecem na


liquidação de uma pessoa jurídica?

A responsabilidade durante o período de liquidação cabe ao liquidante, a quem compete,


exclusivamente, a administração da pessoa jurídica, acumulando as mesmas
responsabilidades do administrador. Os deveres e responsabilidades dos administradores,
conselheiros fiscais e acionistas (dirigentes, sócios ou titular) subsistirão até a extinção
da pessoa jurídica.
Os sócios, nos casos de liquidação de sociedade de pessoas, são pessoalmente
responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de atos
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Também na hipótese de liquidação de sociedade de pessoas e diante da impossibilidade
de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte (pessoa jurídica),
os sócios respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas
omissões de que forem responsáveis.

Normativo: Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 217;


Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.104; e
RIR/1999, art. 210, inciso I e IV, e art. 211, inciso IV.

Transformação, Incorporação, Fusão, Cisão e Combinação de Négócios

012 O que é a transformação de uma pessoa jurídica?

Transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de


dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Ocorre, por exemplo, quando uma
sociedade por cotas Ltda. se transforma em sociedade anônima.
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 220; e
Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.113.

013 Como se processa e quais os efeitos da transformação


de uma pessoa jurídica?

O ato de transformação obedecerá sempre às formalidades legais relativas à constituição


e registro do novo tipo a ser adotado pela sociedade.
Consoante o RIR/1999, art. 234, nos casos de transformação e de continuação da
atividade explorada pela sociedade ou firma extinta, por qualquer sócio remanescente ou
pelo espólio, sob a mesma ou nova razão social, ou firma individual, o imposto continuará
a ser pago como se não houvesse alteração das firmas ou sociedades.

Notas:
Não há transformação de firma individual. Caso as atividades
exercidas pela firma individual venham a ser exercidas por uma
nova sociedade, deverá ser providenciada a baixa no cadastro
CNPJ da firma individual e a inscrição da nova sociedade que
surge.
No caso de extinção de pessoa jurídica, sem sucessor, serão
considerados vencidos todos os prazos para pagamento.

Normativo: Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 220,


parágrafo único;
Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.113; e
RIR/1999, arts. 234 e 863.

014 Como ficam os direitos dos credores diante da


transformação de uma sociedade?

A transformação não prejudicará, em caso algum, os direitos dos credores, que


continuarão, até o pagamento integral dos seus créditos, com as mesmas garantias que o
tipo anterior de sociedade lhes oferecia.
A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios
que, no tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos
anteriores à transformação, e somente a estes beneficiará.
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 222; e
Código Civil – Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.115.

015 Qual a legislação fiscal e comercial que disciplina a


incorporação, fusão ou cisão?

Encontram-se em vigor para o ano-calendário 2014 os seguintes dispositivos:

· Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 5º;


· Lei nº 7.450, de 1985, art. 33;
· Lei nº 8.218, de 1991, art. 28;
· Lei nº 8.541, de 1992, art. 25, § 3º e art. 35;
· Lei nº 9.249, de 1995, arts. 2º, 21 e 36, V;
· Leinº 9.430, de 1996, art. 1º, §§ 1º e 2º, e art. 5º, § 4º;
· Lei nº 9.648, de 1998;
· Lei nº 9.959, de 2000, art. 5º;
· IN SRF nº 77, de 1986, itens 5.1 e 5.4;
· IN SRF nº 21, de 1992, art. 26;
· IN SRF nº 11, de 1996, arts. 58 e 59;
· IN SRF nº 93, de 1997, arts. 57 a 59;
Também disciplinam a matéria os seguintes diplomas:

· RIR/1999, art. 207, III; e arts. 234; 235; 430; 440; 441; 452; 453; 461; 514; 810; 861;
863;
· Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, arts. 219 a 234 e 264, com as alterações
introduzidas pelas Leis nº 9.457, de 1997, nº 10.303, de 2001, nº 11.638, de 2007, e nº
11.941, de 2009;
· Código Civil – Lei nº 10.406, de 2002, arts. 1.116 a 1.122;
· Outros: AD Cotec/Cosit nº 1, de 1997; IN DNRC nº 88, de 2001;Instrução CVM nº 319,
de 1999, com as alterações introduzidas pelas Instruções CVM nº 320, de 1999, e nº
349, de 2001.

Notas:
Para os optantes pelo fim do RTT já para o ano-calendário 2014
(cf. art. 75 da Lei nº 12.973, de 2014) vigoram as disposições
relativas ao assunto dispostas na Lei nº 12.973, de 2014, e na IN
RFB nº 1.515, de 2014.
016 O que vem a ser a incorporação de pessoa jurídica?

A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra,
que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.
Desaparecem as sociedades incorporadas, permanecendo, porém, com a sua natureza
jurídica inalterada, a sociedade incorporadora.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 227; e


Código Civil - Leinº 10.406, de 2002, art. 1.116.

017 Como se processa a incorporação e quais seus efeitos?

Para que se processe a incorporação deverão ser cumpridas as formalidades exigidas pelo
art. 227 da Lei das S.A.:

a) aprovação da operação pela incorporada e pela incorporadora (relativamente ao


aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada) por meio de reunião dos
sócios ou em assembleia geral dos acionistas (para as sociedades anônimas);

b) nomeação de peritos pela incorporadora;


c) aprovação dos laudos de avaliação pela incorporadora, cujos diretores deverão
promover o arquivamento e publicação dos atos de incorporação, após os sócios ou
acionistas da incorporada também aprovarem os laudos de avaliação e declararem
extinta a pessoa jurídica incorporada.

Para as sociedades que não são regidas pela Lei das S.A., valem as disposições dos arts.
1.116 a 1.118 do Código Civil.

Normativo: Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 227; e


Código Civil – Lei nº 10.406, de 2002, arts. 1.116 a
1.118.

018 O que vem a ser a fusão entre sociedades?

A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade
nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Com a fusão, extinguem-se
todas as sociedades anteriores para dar lugar a uma só, na qual todas elas se fundem.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 228; e


Código Civil -Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.119.
019 Como se processa a fusão de sociedade?

Para que se processe a fusão, deverão ser cumpridas as formalidades exigidas pelos §§ 1º
e 2º do art. 228 da Lei das S.A.:
a) cada pessoa jurídica resolverá a fusão em reunião dos sócios ou em assembleia geral
dos acionistas e aprovará o projeto de estatuto e o plano de distribuição de ações,
nomeando os peritos para avaliação do patrimônio das sociedades que serão objetos
da fusão.
b) constituída a nova sociedade e eleitos os seus primeiros diretores, estes deverão
promover o arquivamento e a publicação de todos atos relativos à fusão, inclusive a
relação com a identificação de todos os sócios ou acionistas.

Para as sociedades que não são regidas pela Lei das S.A., valem as disposições dos arts.
1.120 a 1.122 do Código Civil.

Normativo: Lei das S.A. –Lei nº 6.404, de 1976, art. 228, §§ 1º e


2º; e
Código Civil – Lei nº 10.406, de 2002, arts. 1120 e
1122.

020 O que vem a ser a cisão de uma sociedade?

A cisão é a operação pela qual a sociedade transfere todo ou somente uma parcela do seu
patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes,
extinguindo-se a sociedade cindida - se houver versão de todo o seu patrimônio - ou
dividindo-se o seu capital - se parcial a versão.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 229, com as
alterações da Lei nº 9.457, de 1997.

021 Como proceder no caso de versão de parcela de patrimônio


em sociedade já existente e nas constituídas para esse fim?

Quando houver versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente, a cisão


obedecerá às disposições sobre incorporação, isto é, a sociedade que absorver parcela do
patrimônio da pessoa jurídica cindida suceder-lhe-á em todos os direitos e obrigações.
Nas operações em que houver criação de sociedade, serão observadas as normas
reguladoras da constituição das sociedades, conforme seu tipo.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 223, e 229,
§§ 1º e 3º.
022 Como proceder com relação à sociedade cindida?

Efetivada a cisão com extinção da sociedade cindida, caberá aos administradores das
sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento
e publicação dos atos da operação.

Na cisão com versão parcial do patrimônio esta obrigação caberá aos administradores da
companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 229, § 4º.

023 Quais os tipos de sociedades que poderão proceder


à incorporação, fusão ou cisão?

A incorporação, fusão ou cisão podem ser operadas entre sociedades de tipos iguais ou
diferentes e deverão ser deliberadas na forma prevista para a alteração dos respectivos
estatutos ou contratos sociais.
Nas operações em que houver criação de sociedade serão observadas as normas
reguladoras da constituição das sociedades do seu tipo.

Se a incorporação, fusão ou cisão envolverem companhia aberta, as sociedades que a


sucederem serão também abertas.

Notas:
Com relação aos atos sujeitos a registro, não se aplicam às firmas
individuais os processos de incorporação, fusão ou cisão das
sociedades.

Normativo: Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 223, §§ 1º e


3º ; e
Código Civil – Lei nº 10.406, de 2002, arts. 1.113 e
1.122.

024 Como será formado o “novo” capital nas operações


de incorporação, fusão e cisão?

Nas operações de incorporação, as ações ou quotas de capital da sociedade a ser


incorporada que forem de propriedade da sociedade incorporadora poderão, conforme
dispuser o protocolo de incorporação, ser extintas ou substituídas por ações em tesouraria
da incorporadora, até o limite dos lucros acumulados e reservas, exceto a legal.
O mesmo procedimento aplicar-se-á aos casos de fusão quando uma das sociedades
fundidas for proprietária de ações ou quotas da outra, e aos casos de cisão com
incorporação, quando a sociedade que incorporar parcela do patrimônio da cindida for
proprietária de ações ou quotas do capital desta.

Notas:
Quando se tratar de sociedades coligadas ou controladas, é
vedada a participação recíproca, ressalvado o caso em que ao
menos uma delas participe de outra com observância das
condições em que a lei autoriza a aquisição das próprias ações.

Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 226, §§ 1º e


Normativo: 2º,
e art. 244, caput e § 1º.

025 Qual o tratamento a ser dado à substituição de ações ou


quotas em virtude de incorporação, fusão ou cisão de
sociedades?

Para o sócio ou acionista de sociedade incorporada, fusionada ou cindida, a substituição


de ações ou de quotas na mesma proporção e valor das anteriormente possuídas não se
caracteriza como alienação nem está sujeito à incidência do imposto de renda.
Entretanto, se a transferência se der por valor maior, a diferença se caracterizará como
ganho de capital, passível de tributação.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, arts. 22 e 23; e


PN CST nº 39, de 1981.

026 Qual o tratamento do ganho eventualmente obtido


na devolução da participação em uma sociedade?

O ganho obtido em decorrência de devolução de participação no ativo de pessoa jurídica


não está sujeito à incidência do imposto de renda.
Quanto ao ganho obtido pela pessoa jurídica que estiver efetuando a devolução, se a
devolução realizar-se pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos
bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital. O ganho de capital será
computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real; ou na base
de cálculo do imposto de renda e da CSLL, se for o caso de pessoa jurídica tributada com
base no lucro presumido ou arbitrado.

Notas:
Os bens ou direitos recebidos em devolução de participação no
capital, serão registrados pelo valor contábil da participação ou
pelo valor de mercado, conforme critério de avaliação utilizado
pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, §§ 1º e 4º.

027 Qual a forma de tributação a ser adotada na ocorrência


de incorporação, fusão ou cisão?

O imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro relativos ao ano-calendário do


evento podem ser calculados com base nas regras do lucro real ou, desde que atendidas
as condições necessárias à opção, com base no lucro presumido.

Notas:
Até 31/12/1995, as pessoas jurídicas incorporadas, fusionadas ou
cindidas estavam obrigadas à tributação dos seus resultados pelo
lucro real. A Lei nº 9.249, de 1995, art. 36, V, revogou, a partir
de 1º de janeiro de 1996, o parágrafo único do art. 36 da Lei nº
8.981, de 1995, que trata desta obrigatoriedade.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 36, V.

028 Quais os procedimentos a serem observados pelas


pessoas jurídicas incorporadas, fusionadas ou cindidas?

A legislação fiscal prevê as seguintes obrigações a serem cumpridas pelas pessoas


jurídicas na ocorrência de qualquer um desses eventos:
a) Levantar, até 30 dias antes do evento, balanço específico, no qual os bens e direitos
poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art.
21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º); Relativamente às pessoas jurídicas incluídas
em programas de privatização da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, o
balanço ora referido deverá ser levantado dentro do prazo de 90 dias que antecederem
a incorporação, fusão ou cisão (Lei nº 9.648, de 1998, art. 6º);
b) A partir do ano-calendário de 2014, as pessoas jurídicas incorporadas, fusionadas ou
cindidas deverão apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) correspondente ao
período transcorrido durante o ano-calendário, em seu próprio nome, até o último dia
útil do mês subsequente ao do evento, salvo nos casos em que as pessoas jurídicas
incorporada e incorporadora, estejam sob o mesmo controle societário desde o ano-
calendário anterior ao do evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, § 4º);
c) Nos casos cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, ocorrido de janeiro a
agosto do ano-calendário, o prazo para a apresentação da ECF será até o último dia
útil do mês de setembro do referido ano, mesmo prazo da ECF para situações normais
relativas ao ano-calendário anterior;
d) O prazo para a entrega da ECF será encerrado às 23h59min59s, horário de Brasilia,
do último dia fixado para a entrega da escrituração;
e) A apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda e da contribuição social
sobre o lucro líquido será efetuada na data do evento, ou seja, na data da deliberaçãoi
que aprovar a incorporação, fusão ou cisão, devendo ser computados os resultados até
essa data (Lei nº 9.430, de 1996, art 1º, §§ 1º e 2º);
f) No cálculo do imposto relativo ao período transcorrido entre o último período de
apuração e a data do evento, a parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que
exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses
do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto
sobre a renda à alíquota de 10%;
g) O imposto sobre a renda e a contribuição social sobre o lucro líquido apurados
deverão ser pagos, em quota única, até o último dia útil do mês subsequente ao do
evento;
h) A incorporadora também deverá apresentar ECF tendo por base balanço específico
levantado até 30 dias antes do evento, salvo nos casos em que as pessoas jurídicas,
incorporadora e incorporada, estivessem sob mesmo controle societário desde o ano-
calendário anterior ao do evento (Lei nº 9.959, de 2000, art. 5º);
i) Dar baixa da empresa extinta por incorporação, fusão ou cisão total, de acordo com
as regras dispostas na IN RFB nº 1.470, de 2014;
j) O período de apuração do IPI, da Cofins e da contribuição PIS/Pasep, será encerrado
na data do evento nos casos de incorporação, fusão e cisão ou na data da extinção da
pessoa jurídica, devendo ser pagos nos mesmos prazos originalmente previstos.

Veja Valores a serem tributados na data do evento,


ainda: compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo
negativa da CSLL:
Notas 1 a 5 da pergunta 004 e perguntas 008 e 010 do
capítulo XVI.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, caput e § 4º;


Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, §§ 1º e 2º;
Lei nº 9.648, de 1998, art. 6º;
Lei nº 9.959, de 2000, art. 5º;
IN SRF nº 77, de 1986, item 5.6.1;
IN RFB nº 1.422, de 2013, art. 3º, §§ 2º a 4º;
IN RFB nº 1.470, de 2014;
IN RFB nº 1.515, de 2014, art. 143; e
IN RFB nº 1.524, de 2014.

029 O que se considera data do evento para fins da legislação


fiscal?

Considera-se ocorrido o evento na data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão


ou cisão, feita na forma prevista para a alteração dos respectivos estatutos ou contratos
sociais.

Normativo: Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, arts. 223 e 225; e
RIR/1999, art. 235, § 1º.

030 Como será efetuado o pagamento do imposto de renda


e da CSLL devidos e declarados em nome da pessoa
jurídica incorporada, fusionada ou cindida?

O imposto de renda e a CSLL devidos em função da incorporação, fusão ou cisão total,


tal como aqueles relativos ao período de incidência imediatamente anterior, e ainda não
recolhidos, serão pagos pela sucessora em nome da sucedida.
O imposto de renda e a CSLL relativos ao período encerrado em virtude do evento deverá
ser pago, em quota única, até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. Até
31/12/1996, o pagamento deveria ser efetuado até o 10º dia subsequente ao da ocorrência
do evento.
Com relação ao imposto de renda e a CSLL apurados em declaração de rendimentos, ou
de informações (DIPJ) relativa ao ano calendário anterior ao evento, poderão ser
observados os prazos originalmente previstos para pagamento.

Notas:
Os DARF serão preenchidos com o CNPJ da sucedida.

Normativo: Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, e


IN SRF nº 93, de 1997, art. 57, alterada pela IN SRF nº
15, de 1999.
031 Como serão avaliados os bens na incorporação, fusão

e cisão?

A pessoa jurídica, submetida ao Regime Tributário de Transição - RTT, que tiver parte
ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de um destes eventos poderá avaliar os
bens e direitos pelo valor contábil ou de mercado.

No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que
optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição,
diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada
ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda
devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. Os encargos serão considerados
incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente.

A pessoa jurídica que optou pela extinção do RTT já para o Ano Calendário de 2014
que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou
cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, observada a legislação
comercial.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, caput, §§ 2º e 3º.


Lei nº 12.973, de 2014, arts. 9º e 75.

032 O que vem a ser combinação de negócios? E qual o


significado de negócio nesse contexto?

Combinação de negócios é a operação ou outro evento por meio do qual um adquirente


obtém o controle de um ou mais negócios, independentemente da forma jurídica da
operação.

Negócio é o conjunto integrado de atividades e ativos capaz de ser conduzido e


gerenciado para gerar retorno, na forma de dividendos, redução de custos ou outros
benefícios econômicos, diretamente a seus investidores ou outros proprietários,
membros ou participantes.
As disposições tributárias relativas a Combinação de Negócios estão relacionadas na
Lei nº 12.973, de 2014, e na IN RFB nº 1.515, de 2014.

Notas:
Regras válidas somente para as pessoas jurídicas que optaram
pela extinção do RTT já para o ano-calendário de 2014.

Normativo: IN RFB nº 1.515, de 2014, arts. 92 a 111.

033 Como a pessoa jurídica adquirente deve contabilizar a


combinação de negócios?

A pessoa jurídica adquirente deve contabilizar cada combinação de negócios,


obedecendo as especificidades do Pronunciamento CPC 15 (R1), pela aplicação do
método de aquisição, que exige:

a) identificação do adquirente;

b) determinação da data de aquisição;

c) reconhecimento e mensuração dos ativos identificáveis adquiridos, dos passivos


assumidos e das participações societárias de não controladas na adquirida; e

d) reconhecimento e mensuração do ágio por expectativa de rentabilidade futura


(goodwill) ou do ganho proveniente de compra vantajosa.

Quanto à contabilização, o adquirente deve mensurar os ativos identificáveis adquiridos


e os passivos assumidos pelos respectivos valores justos da data da aquisição.
Normativo: Pronunciamento CPC 15 (R1) - Combinação de
Negócios, aprovado pela Deliberação CVM nº 665, de
2011, e pela NBC TG 15 (R3) do CFC.

034 Qual o tratamento do ajuste a valor justo transferido para


a sucessora, no caso de incorporação, fusão e cisão?

Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, os ganhos decorrentes de avaliação com


base no valor justo na sucedida não poderão ser considerados na sucessora como
integrante do custo do bem ou direito que lhe deu causa para efeito de determinação de
ganho ou perda de capital e do cômputo da depreciação, amortização ou exaustão.

Os ganhos e perdas evidenciados contabilmente em subconta vinculada ao ativo ou


passivo de que tratam os arts. 41 a 48 da IN RFB nº 1.515, de 2014, transferidos em
decorrência de incorporação, fusão ou cisão, terão, na sucessora, o mesmo tratamento
tributário que teriam na sucedida.

Notas:
Regras válidas somente para as pessoas jurídicas que optaram
pela extinção do RTT já para o Ano Calendário de 2014.

Normativo: IN RFB nº 1.515, de 2014, art. 26.

035 Qual o tratamento a ser dado às participações societárias,


no caso de incorporação, fusão e cisão?

O tratamento a ser dado às participações societárias, no caso de incorporação, fusão e


cisão, deve obedecer ao disposto nos arts. 99 a 107 da IN RFB nº 1.515, de 2014.
Notas:
Regras válidas somente para as pessoas jurídicas que optaram
pela extinção do RTT já para o Ano Calendário de 2014.

Normativo: IN RFB nº 1.515, de 2014, arts. 99 a 107.

036 Qual o tratamento a ser dado ao prejuízo fiscal da sucedida,


no caso de incorporação, fusão e cisão?

A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar
prejuízos fiscais da sucedida.

No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios
prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido.

Normativo: Decreto-Lei nº 2.341, de 1987, art. 33.


IN RFB nº 1.515, de 2014, art. 119.

Continuação da PJ

037 Quando ocorre sucessão empresarial para efeitos de


responsabilidade tributária perante a legislação do imposto
de renda?

Quando houver aquisição do patrimônio, constituído por estabelecimento comercial ou


fundo de comércio, assumindo o adquirente o ativo e o passivo de firma ou sociedade.
Normativo: CTN – Lei nº 5.172, de 1966, arts. 132 e 133; e
PN CST nº 20, de 1982.

038 O que se entende por estabelecimento comercial?

Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da


empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

Normativo: Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.142.

039 A sucessão empresarial pode ocorrer com empresa


individual equiparada à pessoa jurídica?

Sob o enfoque fiscal, sim. Nessas condições, o titular de firma individual pode transferir
o acervo líquido da empresa como forma de integralização de capital subscrito em
sociedade já existente, ou a ser constituída, a qual passará a ser sucessora nas obrigações
fiscais.
Da mesma forma, pode operar-se a sucessão mediante transferência para firma individual
de patrimônio líquido de sociedade.

Notas:
1) A sucessão empresarial pode ocorrer somente com firmas
individuais ou pessoas físicas que explorem, habitual e
profissionalmente,
atividade econômica, com fim especulativo de lucro, nos termos
do
RIR/1999, art. 150, § 1º, I e II;
2) Entretanto, a sucessão não ocorrerá em relação às pessoas
físicas equiparadas à empresa individual por prática de operações
imobiliárias (equiparação em relação à incorporação ou
loteamento de imóveis; RIR/1999, arts. 151 a 166). Tal
equiparação ocorre exclusivamente para os efeitos da legislação
do imposto de renda, que regula o seu início e término, bem como
a determinação do seu resultado até a tributação final que
abrangerá a alienação de todas as unidades integrantes do
empreendimento. Não se admite, quanto a pessoas físicas
equiparadas nessas condições à empresa individual, sua
incorporação por sociedades que tenham, para efeitos tributários,
tratamento diferente para os estoques de imóveis;
3) A utilização do acervo de firma individual para a composição
do capital de sociedade já existente implica cancelamento do
registro daquela. Referido cancelamento poderá ser realizado
concomitantemente com o processo de arquivamento do ato da
sociedade em constituição ou da alteração de contrato de
sociedade.

Normativo: PN CST nº 20, de 1982.

040 Como se procederá a baixa da inscrição da sucedida no


Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, quando ocorrer
sucessão?

A baixa da inscrição da sucedida no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) deverá


ser solicitada, até o quinto dia útil do segundo mês subsequente ao da ocorrência do
evento (ato deliberativo aprovando a incorporação, fusão ou cisão total), por intermédio
do Programa Gerador de Documentos (PGD CNPJ), disponível na página da RFB na
Internet, no endereço eletrônico <[Link] com o
preenchimento da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) e posterior transmissão pela
internet.
Além da transmissão da FCPJ, o contribuinte deve entregar à unidade cadastradora de sua
jurisdição os documentos abaixo relacionados:
1) original do Documento Básico de Entrada (DBE), assinado pela pessoa física
responsável perante o CNPJ, preposto ou procurador. O mandato (procuração) poderá ser
outorgado pela pessoa física responsável perante o CNPJ ou por sócio
administrador/diretor com poderes de administração;
2) no caso de DBE assinado por procurador, cópia autenticada da procuração pública
(registrada em cartório) ou particular;
3) cópia autenticada do ato de extinção registrado no órgão competente, observado item
3.3 da tabela "Documentos e Orientações, constante do anexo VIII da IN RFB nº 1.470,
de 2014.

Fica dispensada a exigência de firma reconhecida nos documentos apresentados à RFB,


exceto quando houver dúvida fundada quanto à autenticidade da assinatura posta no
documento apresentado ou existir imposição legal

Normativo: Lei nº 8.934, de 1994;


Portaria RFB nº 1.880, de 2013, art. 1º, e
IN RFB nº 1.470, de 2014, art. 25 e Anexo VIII.
041
Quem responde pelos tributos das pessoas jurídicas
nos casos de transformação, incorporação, fusão, extinção
ou cisão?

Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, incorporadas, fundidas,


extintas ou cindidas:
a) a pessoa jurídica resultante da transformação de outra;
b) a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de
sociedade;
c) a pessoa jurídica que incorporar outra, ou parcela do patrimônio de sociedade cindida;
d) a pessoa física sócia da pessoa jurídica extinta mediante liquidação, ou seu espólio,
que continuar a exploração da atividade social sob a mesma ou outra razão social, ou
sob firma individual;
e) os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar
sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de encerramento da
liquidação.

Notas:
A responsabilidade aplica-se por igual aos créditos tributários
definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data
dos atos nele referidos, e aos constituídos posteriormente aos
mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias
surgidas até a referida data (RIR/1999, art. 209).

CTN – Lei nº 5.172, de 1966, arts. 129 e 132;


Normativo: Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 5º, caput; e
RIR/1999, arts. 207 e 209.

042 Nas hipóteses previstas na pergunta 041 deste Capítulo há


também responsabilidade solidária?

Sim. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica:


1) as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por
cisão;

2) a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no


caso de cisão parcial;
3) os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica extinta que deixar de
funcionar sem proceder à liquidação, ou deixar de apresentar a declaração de
encerramento da liquidação.

Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º; e


Normativo:
RIR/1999, art. 207, parágrafo único.

043 Somente à pessoa jurídica pode ser atribuída


responsabilidade tributária nos casos de
sucessão/continuação?

Não. A pessoa física ou jurídica que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de
comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a
respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome
individual, responde pelo tributo, relativo ao fundo ou estabelecimento adquirido, devido
até a data do ato.

CTN – Lei nº 5.172, de 1966, art. 133; e


Normativo:
RIR/1999, art. 208.

044 Até que limite a pessoa física ou jurídica responderá


pelo imposto de renda devido até aquela data pelo fundo ou
estabelecimento que vier a adquirir?

O adquirente do fundo ou estabelecimento responde pelo tributo devido até a data do ato
de aquisição das seguintes formas, a depender do caso:
1) integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade;
ou
2) subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar, dentro
de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro
ramo de comércio, indústria ou profissão.

CTN – Lei nº 5.172, de 1966, art. 133; e


Normativo:
RIR/1999, art. 208.

045 O que significa responsabilidade solidária?


Significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo
da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida.
A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a
todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência.
De acordo com o art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, (Código Tributário
Nacional – CTN), são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na
situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados
expressamente pela lei.

Notas:

Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se


aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e
decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de
acordo das partes, nem comporta benefício de ordem.

Normativo: CTN – Lei nº 5.172, de 1966, art. 124.

046 O que é responsabilidade subsidiária?

Responsabilidade subsidiária é aquela que comporta benefício de ordem. Em outras


palavras, o Fisco exige, primeiramente, o cumprimento da obrigação principal do sujeito
passivo direto. Apenas na hipótese de impossibilidade dessa exigência é que recai a
obrigação sobre o responsável.
Essa espécie de responsabilidade pode ser vista no art. 134 do CTN, nos casos de
impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte,
quando passam a responder solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou
pelas omissões de que forem responsáveis: os pais, pelos tributos devidos por seus
filhos menores; os tutores ou curadores, pelos tributos devidos pelos tutelados ou
curatelados; os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; o
inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; o síndico e o comissário, pelos
tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; os tabeliães, escrivães e
demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles,
ou perante eles, em razão de seu ofício; os sócios, no caso de liquidação de sociedade de
pessoas.
À responsabilidade subsidiária aqui exemplificada só se aplicam, em matéria de
penalidades, às de caráter moratório.

Normativo: CTN – Lei nº 5.172, de 1966, art. 134.

ÍNDICE REMISSIVO
Responsabilidade na Sucessão (Capítulo IV)

Continuação da PJ (Sucessão)

Baixa da Inscrição da Sucedida

Procedimentos [Pergunta 040]

Da Equiparada [Pergunta 039]

Estabelecimento Comercial, Conceito [Pergunta 038]

Quando Ocorre [Pergunta 037]

Responsabilidade Tributária

Quem Responde [Pergunta 041]

Responsabilidade da pessoa Física [Perguntas 043 e 044]

Responsabilidade Solidária, Conceito [Perguntas 045]

Responsabilidade Solidária, Ocorrência [Pergunta 042]

Responsabilidade Subsidiária, Conceito [Perguntas 046]

Dissolução, Liquidação e Extinção da PJ

Dissolução

Conceito [Pergunta 004]

Efeitos [Pergunta 006]

Hipóteses [Pergunta 005]

Extinção

Conceito [Pergunta 001]

Hipóteses [Pergunta 003]


Momento [Pergunta 002]

Liquidação

Conceito [Pergunta 007]

Efeitos [Pergunta 008]

Identificação da PJ em Liquidação [Pergunta 009]

Procedimentos [Pergunta 010]

Responsabilidades [Pergunta 011]

Transformação, Incorporação, Fusão e Cisão

Cisão

Conceito [Pergunta 020]

Procedimentos, Sociedade Cindida [Pergunta 022]

Versão Parcial de Patrimônio (Cisão Parcial) [Pergunta 021]

Firma/Empresa Individual

Impossibilidade de Transformação [Notas à Pergunta 013]

Fusão

Conceito [Pergunta 018]

Procedimentos [Pergunta 019]

Incorporação

Conceito [Pergunta 016]

Efeitos e Procedimentos [Pergunta 017]


Incorporação, Fusão e Cisão

Ajuste a Valor Justo [Pergunta 034]

Avaliação de bens [Pergunta 031]

Capital da Sucessora, Formação [Pergunta 024]

Data do Evento, Efeitos Fiscais [Pergunta 029]

Empresa Individual, Ganho na Devolução de sua Participação [Pergunta 026]

Empresa Individual, Ganho na Transferência à Sucessora [Pergunta 025]

Legislação Fiscal e Comercial [Pergunta 015]

Participações Societárias [Pergunta 035]

Prejuízo Fiscal [Pergunta 036]

Procedimentos Obrigatórios [Pergunta 028]

Sociedades Aptas [Pergunta 023]

Tributação no Ano-Calendário do Evento [Pergunta 027]

Tributação, Pagamento (IRPJ e CSLL) [Pergunta 030]

Combinação de Negócios

Conceito [Pergunta 032]

Contabilização [Pergunta 033]

Transformação

Conceito [Pergunta 012]

Direitos dos Credores [Pergunta 014]

Efeitos e Procedimentos [Pergunta 013]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo V - Simples 2015

001 O que é o Simples?

O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e


das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é um regime tributário diferenciado,
simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas consideradas como
microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), nos termos definidos na
Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, estabelecido em
cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988.
Constitui-se em uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio
da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base
de cálculo, a receita bruta.

Notas:

O Simples, previsto na Lei nº 9.317, de 1996, e alterações


posteriores, deixou de ser aplicado às ME e às EPP, sendo
revogado, a partir de 1° de julho de 2007, pela Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

002 O que é o Simples Nacional?

O Simples Nacional é um tratamento tributário favorecido e diferenciado previsto na Lei


Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que institui o Estatuto Nacional da
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (também conhecido como “Lei Geral das
Microempresas”), estabelecendo normas gerais relativas às microempresas e às empresas
de pequeno porte no âmbito dos Poderes não só da União, como também dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios.
Essa Lei Complementar, no que se refere ao Simples Nacional, entrou em vigor em 1° de
julho de 2007. A partir de então, tornaram-se sem efeitos todos os regimes especiais de
tributação para microempresas e empresas de pequeno porte próprios da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
O Simples, previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, portanto, deixou de ser
aplicado às ME e às EPP, sendo substituído pelo Simples Nacional, a partir de 1° de julho
de 2007.
A Lei complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014, dentre outras providências,
alterou a Lei Complementar nº 123, de 2006, ampliando a gama de pessoas jurídicas que
podem optar pelo Simples Nacional.

Notas:

Todo o acesso aos aplicativos de opção, cálculo do valor devido,


obrigações acessórias, manuais, legislação, perguntas e respostas,
consultas e outras funções pertinentes ao Simples Nacional, estão
disponibilizados no Portal do Simples Nacional, no endereço
eletrônico [Link]

ÍNDICE REMISSIVO
Simples (Capítulo V)

O que é o Simples [Pergunta 001]

O que é o Simples Nacional [Pergunta 002]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo VI - IRPJ - Lucro Real 2015

001 O que se entende por “lucro real” e “lucro tributável”?

Para fins da legislação do imposto de renda, a expressão “lucro real” significa o próprio
lucro tributável, e distingue-se do lucro líquido apurado contabilmente.
De acordo com o art. 247 do RIR/1999, lucro real é o lucro líquido do período de
apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas
pela legislação fiscal. A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro
líquido de cada período de apuração com observância das leis comerciais.

Normativo: RIR/1999, art. 247.

Quais são os contribuintes do imposto de renda da


002
pessoa jurídica?

São contribuintes e, portanto, estão sujeitas ao pagamento do imposto de renda da


pessoa jurídica as pessoas jurídicas e as pessoas físicas a elas equiparadas, domiciliadas
no País.

Notas:

1) Para se constituir legalmente, a pessoa jurídica deve


registrar, no órgão competente do Registro de Comércio, seu
estatuto, contrato ou declaração de firma individual e se
inscrever no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ);
2) Para ser considerada contribuinte, e como tal sujeitar-se
ao pagamento do imposto de renda como pessoa jurídica,
basta a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica
de renda, esteja ou não devidamente legalizada.

Normativo: RIR/1999, art. 146 §§ 2º, 3º e 5º.


Qual é o período de apuração do imposto de renda da pessoa
003
jurídica?

As pessoas jurídicas poderão apurar o imposto de renda com base no lucro real,
presumido ou arbitrado, determinado por períodos de apuração trimestrais encerrados
em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário.

A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá, opcionalmente,
pagar o imposto de renda mensalmente, determinado sobre base de cálculo estimada.
Nessa hipótese, deverá fazer a apuração anual do lucro real em 31 de dezembro de cada
ano-calendário.

Veja ainda: Opção pela forma de pagamento do imposto:


Pergunta 003 do capítulo XIII (Lucro Presumido);
Pergunta 004 do capítulo XIV (Lucro Arbitrado);

Perguntas 009 e 010 do capítulo XV (IRPJ -


Pagamento).

Base de cálculo estimada:


Perguntas 12 e seguintes do capítulo XV (IRPJ -
Pagamento).

Período de apuração:
Pergunta 002 do capítulo XIII (Lucro Presumido);

Pergunta 009 do capítulo XIV (Lucro Arbitrado).


Normativo: RIR/1999, arts. 220 a 222.

004 Como se determina o lucro real?

O lucro real será determinado a partir do lucro líquido do período de apuração, obtido
na escrituração comercial (antes da provisão para o imposto de renda) e demonstrado no
Lalur, observando-se que:

1) serão adicionados ao lucro líquido:


a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros
valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação
tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real (exemplos:
resultados negativos de equivalência patrimonial; custos e despesas não
dedutíveis);
b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na
apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser
computados na determinação do lucro real (exemplos: ajustes decorrentes da
aplicação dos métodos dos preços de transferência; lucros auferidos por
controladas e coligadas domiciliadas no exterior);
2) poderão ser excluídos do lucro líquido:
a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não
tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração
(exemplo: depreciação acelerada incentivada);
b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na
apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam
computados na determinação do lucro real (exemplos: resultados positivos de
equivalência patrimonial; dividendos);
3) poderão ser compensados, total ou parcialmente, à opção do contribuinte, os prejuízos
fiscais de períodos de apuração anteriores, desde que observado o limite máximo de
trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na
legislação tributária. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro
real de períodos anteriores e registrado no Lalur (Parte B).

Notas:
1) O montante positivo do lucro real, base para
compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração
anteriores, poderá ser determinado, também, a partir de
prejuízo líquido do próprio período de apuração, constante
da escrituração comercial;
2) As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e
pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que
modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos
e despesas computadas na apuração do lucro líquido do
exercício, definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 1976, não
terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa
jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição (RTT),
devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e
critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007;

3) Aplica-se o disposto no item anterior às normas expedidas


pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base na
competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404,
de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a
alinhar a legislação específica com os padrões internacionais
de contabilidade;

4) Na ocorrência de disposições da lei tributária que


conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios
contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei nº
6.404, de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 2007,
e dos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, e pelas normas
expedidas pela CVM com base na competência conferida
pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e demais
órgãos reguladores, a pessoa jurídica, sujeita ao RTT, deverá
adotar o procedimento previsto no art. 17 da Lei nº 11.941,
de 2009, e fazer uso do Controle Fiscal Contábil de
Transição (FCONT), instituído pelo art. 7º da Instrução
Normativa RFB nº 949, de 2009.
5) A Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 2013, dispõe
sobre o RTT

Normativo: Lei nº 8.981, de 1995, art. 42; e

RIR/1999, arts. 249 e 250.

005 O que são “despesas incorridas”?

Despesas incorridas são aquelas de competência do período de apuração, relativas a


bens empregados ou a serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela
atividade da empresa, tenham sido pagas ou não.

De acordo com o PN CST nº 58, de 1977, a obrigação de pagar determinada despesa


(enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu
causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornaram incondicional,
vale dizer, exigível independentemente de qualquer prestação por parte do respectivo
credor. Despesas incorridas são, portanto, aquelas decorrentes de bens empregados ou de
serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, em
relação às quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo
pagamento venha a ocorrer em período subsequente.

Normativo: PN CST nº 58, de 1977.

006 Quando devem ser apropriadas as despesas pagas ou


incorridas?

Ressalvadas situações especiais, a apropriação das despesas pagas ou incorridas deverá


ser feita no período de apuração em que os bens forem empregados ou os serviços
consumidos, segundo o regime de competência, independentemente da época de seu
efetivo pagamento. Não se pode considerar como incorrida a despesa cuja realização
esteja condicionada à ocorrência de evento futuro.

007 O que são “despesas diferidas”?

Despesas diferidas são aquelas que, embora incorridas no período de apuração, devam
ser registradas em conta do ativo permanente, subgrupo diferido, para apropriação ou
amortização em períodos de apuração futuros. O diferimento de despesas é decorrência
do regime de competência, em razão do qual as despesas devem ser apropriadas
simultaneamente às receitas que gerarem. São exemplos de despesas diferidas: despesas
pré-operacionais, despesas pré-industriais etc.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo ativo
diferido).

Despesas do período de apuração seguinte significa o mesmo


008
que despesas diferidas?
Não. Despesas do período de apuração seguinte são aquelas que, embora registradas no
período de apuração em curso, são de competência do período de apuração subsequente
e, como tal, classificáveis no ativo circulante.

Exemplo: Parte do prêmio do seguro correspondente ao período de apuração seguinte;


aluguéis antecipados nas mesmas condições etc.

Veja ainda: Despesas diferidas: Pergunta 007 deste capítulo.

009 O que são “despesas pré-operacionais”?


Despesas pré-operacionais são despesas registradas (pagas ou incorridas) durante o
período que antecede ao início das operações sociais da empresa, necessárias à sua
organização e implantação ou ampliação de seus empreendimentos.

Qual o tratamento tributário a ser dado às empresas que se


010
encontrem em fase pré-operacional?

Durante o período que anteceder ao início das operações sociais ou à implantação do


empreendimento inicial, a empresa submete-se às mesmas normas de tributação
aplicáveis às demais pessoa jurídicas, apurando seus resultados em obediência ao
regime tributário por ela adotado, de acordo com a legislação fiscal.
Quais são os gastos com a implantação de uma indústria que
011
deverão ser considerados como “despesas pré-operacionais”?

Todas as despesas necessárias à organização e implantação ou ampliação de empresas,


inclusive aquelas de cunho administrativo, pagas ou incorridas até o início de suas
operações ou plena utilização das instalações, são pré-operacionais ou pré-industriais.

A empresa deverá imobilizar as aquisições de bens e direitos, classificáveis no ativo


permanente, e lançar em despesas pré-operacionais as despesas, respeitando, sempre, as
condições gerais de dedutibilidade e os limites estabelecidos pela legislação tributária, já
que estes limites são válidos tanto para as despesas operacionais quanto para as pré-
operacionais.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo diferido).

Normativo: PN CST nº 72, de 1975.

Os dispêndios com mão de obra empregada na construção de


012
imóvel da empresa (ativo permanente) constituem despesa
operacional dedutível?

Não. Deverão integrar o valor do imóvel destinado ao imobilizado.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo diferido).

Como as empresas não imobiliárias devem classificar a conta


013
representativa de “construções em andamento”?

Para as empresas que não explorem a atividade imobiliária, as aplicações que representem
construções em andamento devem ser classificadas em conta do ativo permanente
(imobilizado). No caso de empreendimento que envolva a construção de bens de
naturezas diversas, a empresa deverá fazer a distribuição contábil dos acréscimos de
maneira a permitir, ao término da construção, a correta identificação de cada bem,
segundo sua natureza e as taxas anuais de depreciação a eles aplicáveis.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo diferido).

Normativo: PN CST nº 2, de 1983.

Como devem ser classificadas as contas que registrem


014
recursos aplicados na aquisição de partes, peças, máquinas e
equipamentos de reposição de bens do ativo imobilizado,
enquanto mantidos em almoxarifado?

As contas que registram recursos aplicados para manutenção, em almoxarifado, de


partes e peças, máquinas e equipamentos de reposição, que têm por finalidade manter
constante o exercício normal das atividades da pessoa jurídica, devem ser classificadas
no ativo imobilizado sempre que sua utilização representar acréscimo de vida útil
superior a um ano ao bem no qual ocorrer a sua aplicação.

De acordo com o art. 346 do RIR/1999, a vida útil do bem é aquela prevista no ato de
sua aquisição. Nestas condições, serão agregadas ao valor do bem por ocasião de sua
utilização.

As demais partes e peças que não representem, quando aplicadas ao bem, acréscimo de
vida útil superior a um ano, são classificadas como estoques, sendo levadas a custos ou
despesas por ocasião de sua utilização.
Normativo: RIR/1999, arts. 301 e 346; e
PN CST nº 2, de 1984.

Como são apropriadas contabilmente as aplicações de partes


015
e peças na reparação e manutenção de bens do imobilizado
das quais resulte aumento de vida útil superior a um ano?
A vida útil do bem é aquela prevista no ato de sua aquisição conforme o art. 346 do
RIR/1999.

Os gastos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo


imobilizado, de que resulte aumento de vida útil superior a um ano, deverão ser
incorporados ao valor do bem, para servirem de base a futuras depreciações no novo
prazo de depreciação previsto para o bem recuperado.
Exemplo 1:

Bem adquirido em 1º/01/2010 100.000,00


Custo das partes e peças substituídas em julho
de 2014, com aumento de vida útil estimado em 50.000,00
2,0 anos
Depreciação registrada até 30/06/2014 = 54
45%
meses = 4 anos e meio, à taxa de 10% a.a.
Prazo restante para depreciação do bem na data
55%
da reforma - 66 meses = 5,5 anos, 10% a.a.

Com a transferência do valor da depreciação acumulada para a conta do valor original


do bem:

Novo valor contábil do bem = Valor residual +


105.000,00
custo da reforma (55.000,00 + 50.000,00)
Novo prazo de vida útil (66 meses + 24 meses) 90 meses
13,3333% ao
Nova taxa de depreciação: (100% : 90 meses) ano, ou 1,1111%
ao mês

Sem a transferência do valor da depreciação acumulada para a conta do valor original


do bem:

Novo valor do bem = Custo de aquisição


anterior + custo da reforma (100.000,00 + 150.000,00
50.000,00)
Novo prazo de vida útil (66 meses + 24 meses) 90 meses
Nova taxa de depreciação:
(105.000,00 / 150.000,00) x (100% / 90 meses) 9,3337% ao ano
ou 0,7778% ao
Outra forma de cálculo: mês, sobre o
105.000,00 / 90 meses = 1.166,67 valor total, no
(1.166,67 / 150.000,00) x 100 = 0,7778% ao caso 150.000,00
mês

Alternativamente, a pessoa jurídica poderá:

a) aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem


sobre os custos de substituição das partes ou peças;
b) apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado
conforme o item “a”;
c) escriturar o valor de “a” a débito das contas de resultado;
d) escriturar o valor de “b” a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o
qual terá novo valor contábil depreciável no novo prazo de vida útil previsto.
Não interfere, na fixação da nova taxa de depreciação a ser utilizada, o eventual saldo
da depreciação acelerada incentivada controlado na Parte B do Lalur.

Exemplo 2: (utilizando-se os mesmos dados do exemplo 1)


Bem adquirido em 1º/01/2010 100.000,00
Custo das partes e peças substituídas em julho
de 2014, com aumento de vida útil estimado em 50.000,00
2,0 anos
Depreciação registrada até 30/06/2014 = 54
45%
meses = 4 anos e meio, à taxa de 10% a.a.
Prazo restante para depreciação do bem na data
55%
da reforma - 66 meses = 5,5 anos, 10% a.a.
% da parte não depreciada do bem aplicado
sobre o valor da reforma a ser debitada no 27.500,00
resultado (55%x 50.000,00)
Diferença a ser debitada no imobilizado
22.500,00
(50.000,00 - 27.500,00)
Novo prazo de vida útil para o bem recuperado
90 meses
5,5 anos + 2,0 anos = 7,5 anos

Nova taxa de depreciação aplicável sobre o


custo de aquisição do bem registrado na
contabilidade acrescido do custo de reforma 8,4348% ao ano
ativado: Residual contábil / Novo custo de ou 0,7029% ao
aquisição (77.500,00 / 122.500,00) x (100% / mês, sobre o valor
90 meses) total do bem, no
Outra forma de cálculo pode ser a seguinte: caso 122.500,00
77.500,00 / 90 meses = 861,11
(861,11 / 122.500,00) x 100 = 0,7029%

Notas:
Os gastos aqui referidos são os que se destinam a recuperar o
bem para recolocá-lo em condições de funcionamento,
mantendo as suas características. Não se aplica aos casos em
que ocorre mudança na configuração, na natureza ou no tipo
do bem (sobre os gastos que devam ou não ser capitalizados
ver o PN CST nº 2, de 1984).

Normativo: RIR/1999, art. 346, §§ 1º e 2º; e


PN CST nº 22, de 1987, subitem 3.2.
Como podem ser tratados os gastos com reparos, conservação
016
ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado
quando não resultem em aumento de sua vida útil?

Serão admitidas como custo ou despesa operacional as despesas com reparos e


conservação de bens e instalações destinadas a mantê-los em condições eficientes de
operação.

Somente serão admitidas como dedutíveis as despesas de manutenção, reparo,


conservação e quaisquer outros gastos com bens imóveis ou móveis, quando se
caracterizarem como intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização
dos bens e serviços.

Notas:
A pessoa jurídica que, indevidamente, tiver incorporado ao
valor do bem os gastos com reparos nele efetuados poderá:

a) promover a regularização mediante lançamento de ajustes


de períodos de apuração anteriores; ou,

b) aplicar sobre o valor agregado taxa de depreciação


correspondente ao prazo restante de vida útil do bem, ou
ajustar a taxa de depreciação, a ser aplicada sobre o novo
valor do bem registrado no ativo, a fim de que ele se
encontre totalmente depreciado ao final do prazo restante de
sua vida útil prevista no ato de aquisição.
Exemplo: Tomemos um bem com prazo de vida útil de dez
anos e que se encontra, após cinco anos de utilização,
registrado no ativo por R$100.000,00, (depreciação
acumulada = R$50.000,00), no qual foram efetuados reparos
destinados, tão-somente, a mantê-lo em condições eficientes
de operação, no valor de R$40.000,00. Como lhe restam
cinco anos de vida útil, sobre o valor dos reparos efetuados
poderá ser aplicada a taxa de depreciação de vinte por cento
a.a., aumentando a depreciação anual de dez por cento sobre
o valor do bem, R$10.000,00 em mais R$8.000,00,
perfazendo R$18.000,00 de depreciação anual. Por outro
lado, esses mesmos R$18.000,00 representam, em relação ao
valor do bem registrado no ativo, acrescido dos gastos com
reparos (R$140.000,00), uma taxa anual de depreciação de
12,86%.

Normativo: RIR/1999, art. 346.


017 Como são tributadas as operações efetuadas com ouro?

Segundo a natureza das transações, operações com ouro têm o seguinte tratamento
tributário:

a) as operações de mútuo e de compra vinculada à revenda, no mercado secundário,


tendo por objeto ouro, ativo financeiro, são equiparadas às operações de renda fixa
para fins de incidência do imposto de renda na fonte (RIR/1999, art. 734);
b) aplicam-se aos ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário na alienação de
ouro, ativo financeiro, as regras relativas aos ganhos obtidos no mercado de renda
variável (RIR/1999, art. 758). Considera-se ganho líquido o resultado positivo
auferido nas operações realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e
despesas incorridos, necessários à realização das operações, e a compensação das
perdas efetivas ocorridas no período, ou em períodos anteriores, decorrentes dessa
modalidade (RIR/1999, art. 760). O ganho líquido obtido na alienação do citado ativo
está sujeito à incidência mensal do imposto de renda, à alíquota de quinze por cento
(alíquota aplicável a partir de 1º/01/2005), sendo o cálculo e recolhimento do imposto
efetuado em separado dos demais rendimentos, pela própria pessoa jurídica. O
imposto recolhido em separado poderá ser compensado com aquele apurado com base
no lucro real, presumido e arbitrado. Os resultados decorrentes das operações no
mercado de renda variável integram a apuração do lucro real, presumido e arbitrado,
e a correspondente base de cálculo da CSLL.
Lei nº 11.033, de 2004, art. 2º; e
Normativo: RIR/1999, arts. 734, 758 e 760.

018 Como deverão ser registrados, na contabilidade da pessoa


jurídica, os bens adquiridos por meio de consórcio?

A pessoa jurídica que adquirir bens por meio de consórcio poderá se defrontar com duas
fases distintas que refletem, necessariamente, procedimentos diversos: a primeira,
evidencia o período que antecede ao recebimento do bem, mas que implica desembolso
efetivo do consorciado; a segunda, surge com o recebimento do bem, mediante sorteio
ou antecipação de quotas (lance), remanescendo ou não saldo devedor.

Nestas condições, deverá registrar:


a) na primeira fase, os desembolsos iniciais como adiantamento a fornecedores, ou seja,
as parcelas pagas antes do efetivo recebimento do bem, em conta do ativo
imobilizado, sendo admissível, a critério exclusivo da pessoa jurídica, o registro no
circulante ou no realizável a longo prazo, considerando-se os princípios contábeis
recomendados para cada caso específico;
b) na segunda fase, por ocasião do recebimento do bem, em conta específica e definitiva
do ativo permanente, pelo valor constante na nota fiscal pela qual o bem foi faturado.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo diferido).Da
mesma forma, o subgrupo do ativo realizável a longo prazo
foi inserido no grupo do ativo não circulante.

Veja ainda:
Registro após o recebimento do bem em consórcio:
Pergunta 019 deste capítulo.

Normativo: PN CST nº 1, de 1983.

019 Sendo, normalmente, a contrapartida dos desembolsos da


primeira fase conta que registra disponibilidade, qual a
contrapartida a ser utilizada na segunda fase, no caso de bem
adquirido mediante consórcio?

Por ocasião do recebimento do bem, a conta específica do ativo permanente que


registrar o valor do bem constante da nota fiscal terá como contrapartida:

a) conta do ativo que registrou as antecipações pagas, conforme o disposto no item “a”
da pergunta 018 deste capítulo;
b) conta do passivo que irá registrar o saldo devedor na época do recebimento do bem
(número de parcelas vincendas multiplicado pelo valor destas na data do recebimento
do bem).

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do
ativo não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo diferido);
2) A diferença, positiva ou negativa, resultante do somatório
dos valores consignados em “a” e “b”, em confronto com o
valor constante da nota fiscal, deverá ser tratada como
variação monetária ativa ou passiva, conforme o caso.

Veja ainda:
Registro de bens adquiridos em consórcio:
Pergunta 018 deste capítulo.

Normativo: PN CST nº 1, de 1983.


020 Como deverão ser tratados os reajustes posteriores à época do
recebimento do bem adquirido por meio de consórcio?
As variações do saldo devedor que ocorrerem no futuro, decorrentes da modificação no
valor das prestações, serão refletidas nas contas que registram a obrigação, sendo sua
contrapartida considerada como variação monetária passiva (ou ativa).

Normativo: PN CST nº 1, de 1983.

021
Qual o tratamento tributário das operações de arrendamento
mercantil?

Independentemente da forma como forem contabilizadas, em atendimento às normas


expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base na competência
conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e pelos demais órgãos
reguladores que visem a alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de
contabilidade, as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de
arrendamento mercantil serão dedutíveis na apuração do lucro real da pessoa jurídica
arrendatária, se decorrentes de bens relacionados intrinsecamente com a produção ou
comercialização dos bens e serviços.

A aquisição, pelo arrendatário, de bens arrendados em desacordo com as disposições da


Lei nº 6.099, de 1974, com as alterações da Lei nº 7.132, de 1983, será considerada
opção de compra e venda a prestação, tendo como preço o total das contraprestações
pagas durante a vigência do arrendamento, acrescido da parcela paga a título de preço
de aquisição. Nesse caso, tais importâncias serão indedutíveis, para efeito de
determinação do lucro real.

022 Quando devem ser baixados os bens obsoletos, constantes do


Ativo Imobilizado da pessoa jurídica?
Quaisquer bens constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, quer estejam
totalmente depreciados ou não, somente podem ser baixados da contabilidade e do
controle patrimonial concomitantemente à efetiva baixa física do bem.

Normativo: PN CST nº 146, de 1975.

023 O imposto ou contribuição que o contribuinte esteja


discutindo judicialmente poderá ser considerado como
despesa dedutível na determinação do lucro real?
Não. Neste caso, os tributos provisionados devem ser escriturados na Parte A do Lalur,
como adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, sendo controlados na
Parte B do mesmo livro até que ocorra o desfecho da ação. Sendo o resultado da ação:
a) desfavorável ao contribuinte, implicará a conversão do depósito judicial porventura
existente em renda da União, possibilitando o reconhecimento da dedutibilidade do
tributo ou contribuição, com a baixa do valor escriturado na Parte B do Lalur, e a
sua exclusão na Parte A no período de apuração correspondente;
b) favorável ao contribuinte, resultará no levantamento de eventuais depósitos judiciais
existentes, ocorrendo, então, a reversão para o resultado ou patrimônio líquido dos
valores da provisão, bem como a baixa na Parte B do Lalur, dos valores ali
controlados, e a sua exclusão na parte A no período de apuração correspondente, esta,
procedida unicamente naquela primeira hipótese (reversão para o resultado).

Notas:
As despesas relativas ao IRPJ e à CSLL não são dedutíveis
das bases de cálculo desses mesmos tributos.

024 A pessoa jurídica cedente poderá considerar dedutível a


despesa com depreciação dos bens cedidos em comodato?

A depreciação será deduzida somente pelo contribuinte que suportar o encargo


econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade,
posse ou uso do bem.
Não é admitida a dedutibilidade de quotas de depreciação de bens que não estejam sendo
utilizados na produção dos rendimentos, nem nos destinados à revenda.
Pelo exposto, se os bens cedidos em comodato estiverem intrinsecamente relacionados
com a produção ou comercialização dos bens ou serviços fornecidos pela cedente,
considera-se a depreciação reconhecida desses bens despesa necessária, usual e normal
naquele tipo de atividade, e, estando a relação entre as partes devidamente amparada por
documentação legal, hábil e suficiente, admite-se a dedutibilidade das quotas de
depreciação para estes bens.

Normativo: RIR/1999, art. 305.


025

O art. 4º, da Lei nº 9.959, de 2000, dispõe que a contrapartida


da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente
pode ser computada em conta de resultado ou na
determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL,
quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Essa
disposição ampliou a possibilidade de constituição de
reavaliação sobre outras espécies de bens que não aqueles
classificados no ativo imobilizado da entidade?

Não. A possibilidade de constituição de reservas de reavaliação sobre outras espécies de


bens sempre existiu, uma vez que sua base legal era a Lei nº 6.404, de 1976, em seus
arts. 8º e 182, § 3º.
Ocorre que, antes do advento das disposições do art. 4º da Lei nº 9.959, de 2000, a
reavaliação de quaisquer bens que não fossem classificados no ativo imobilizado da
entidade deveria ser oferecida à tributação, porque, quando de sua constituição, não havia
previsão legal amparando o diferimento da contrapartida da reavaliação registrada no
patrimônio líquido ou no resultado.
Também era oferecida à tributação, por se considerar realizada a reserva de reavaliação
de bens classificados no imobilizado, quando de sua capitalização (exceto bens imóveis
e direitos de exploração de patentes).
Com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959, de 2000, art. 4º, a contrapartida da
reavaliação efetuada somente pode ser oferecida à tributação, quer pelo reconhecimento
em conta de resultado, quer pela adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro
real, por ocasião de sua efetiva realização. A efetiva realização do bem se dá no período
em que ocorrer:
a) alienação, sob qualquer forma;
b) depreciação, amortização ou exaustão; e
c) baixa por perecimento.

Notas:
1) O § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 1976, teve sua
redação alterada pela Lei nº 11.638, de 2007. Com essa
alteração, a empresa não mais poderá registrar valores na
conta de reserva de reavaliação. Em seu lugar, foi criada a
conta de “ajustes de avaliação patrimonial”;
2) Em face do contido no item anterior, o saldo existente na
conta de reserva de reavaliação deveria ser mantido até a sua
efetiva realização, ou estornado até 31 de dezembro de 2008.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, arts. 8º e 182;


Lei nº 9.959, de 2000, art. 4º ; e
RIR/1999, art. 436, caput.
026 O que se entende por “lucro líquido do período de apuração”?

O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos


resultados não operacionais e das participações, e deverá ser determinado com
observância dos preceitos da lei comercial.

Ao fim de cada período de apuração do imposto (trimestral ou anual), o contribuinte


deverá apurar o lucro líquido, mediante elaboração do balanço patrimonial, da
demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração dos lucros ou
prejuízos acumulados, com observância das disposições da lei comercial.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”.

Normativo: RIR/1999, arts. 248 e 274, caput.

027 Como deverá ser apurado o lucro líquido do período de


apuração pelas pessoas jurídicas sujeitas à tributação com
base no lucro real?
O lucro líquido do período de apuração de qualquer pessoa jurídica, ainda que não
constituída sob a forma de sociedade por ações, deverá ser apurado com observância das
disposições da Lei nº 6.404, de 1976, e alterações posteriores, conforme o disposto no
RIR/1999, art. 274, § 1º.
Assim, a escrituração deverá ser mantida em registro permanente, em obediência aos
preceitos da legislação comercial, e aos Princípios Fundamentais de Contabilidade,
devendo observar métodos e critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as
mutações patrimoniais segundo o regime de competência.

Notas:
1) As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e
pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que
modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos
e despesas computadas na apuração do lucro líquido do
exercício, definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 1976, não
terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa
jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição (RTT),
devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e
critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007;

2) Aplica-se o disposto no item anterior às normas expedidas


pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base na
competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404,
de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a
alinhar a legislação específica com os padrões internacionais
de contabilidade;

3) Na ocorrência de disposições da lei tributária que


conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios
contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei nº
6.404, de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 2007,
e dos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, e pelas normas
expedidas pela CVM com base na competência conferida
pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e demais
órgãos reguladores, a pessoa jurídica, sujeita ao RTT, deverá
adotar o procedimento previsto no art. 17 da Lei nº 11.941,
de 2009, e fazer uso do Controle Fiscal Contábil de
Transição (FCONT), instituído pelo art. 7º da Instrução
Normativa RFB nº 949, de 2009.
5) A Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 2013, dispõe
sobre o RTT.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, arts. 191, 187,
189 e 190; e
RIR/1999, art. 274, § 1º.

028 Quais as alíquotas aplicáveis sobre o lucro, para determinar o


imposto de renda devido pela pessoa jurídica em cada período
de apuração?

A partir do ano-calendário de 1996, as pessoas jurídicas, independentemente da forma


de constituição e da natureza da atividade exercida, passaram a pagar o imposto de
renda à alíquota de quinze por cento, incidente sobre a base de cálculo apurada na forma
do lucro real, presumido ou arbitrado.

029 Quando se considera devido o adicional do IRPJ e qual a


alíquota aplicável no seu cálculo?

Sobre a parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da
multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo
período de apuração, o adicional incidirá à alíquota de dez por cento. Aplica-se esse
adicional, inclusive, na exploração da atividade rural e, também, nas hipóteses de
incorporação, fusão e cisão.

Notas:
1) A alíquota do adicional é única para todas as pessoas
jurídicas, inclusive para as instituições financeiras,
sociedades seguradoras e assemelhadas;

2) Na apuração por estimativa, é também devido o adicional


sobre a parcela da base de cálculo que exceder a R$
20.000,00 (vinte mil reais) mensais;

3) O valor do adicional deverá ser recolhido juntamente com


o IRPJ;

4) A sociedade em conta de participação (SCP) apura o


imposto e o adicional em separado do imposto e adicional do
sócio ostensivo.

Normativo: RIR/1999, arts. 228, parágrafo único, e 542, § 4º.

030 Quais os valores que poderão ser deduzidos do adicional do


IRPJ?

Não serão permitidas quaisquer deduções do valor do adicional, o qual deverá ser
recolhido integralmente como receita da União.

Nota:
Essa vedação não alcança as isenções e reduções do imposto
apuradas com base no lucro da exploração (RIR/1999,
art. 544 - isenções e reduções para empresas situadas nas
áreas da Sudene/Sudam), que também são calculadas sobre o
valor do adicional, exceto na hipótese de depósito para
reinvestimento.

Normativo: RIR/1999, arts. 543 e 544; e


IN SRF nº 267, de 2002, art. 115, § 8º.

ÍNDICE REMISSIVO
IRPJ - Lucro Real (Capítulo VI)
Adições e Exclusões [Pergunta 004]

Alíquotas

Adicional [Pergunta 029]

Adicional, Deduções (Inadmissibilidade) [Pergunta 030]

Regra Geral [Pergunta 028]

Bens Adquiridos em Consórcio

Registro Contábil [Perguntas 018 a 020]

Bens do Imobilizado [Perguntas 012 a 016]

Bens Obsoletos, Baixa do Imobilizado [Pergunta 022]

Contribuintes [Pergunta 002]

Despesas

Bens do Imobilizado Mantidos em Almoxarifado [Pergunta 014]

Bens do Imobilizado, Aumento de Vida Útil (Apropriação de Despesas) [Pergunta 015]

Bens do Imobilizado, Sem Aumento de Vida Útil (Custos ou Despesas) [Pergunta 016]

Bens em Comodato, Cedente [Pergunta 024]

Construções em Andamento, Empresa Não Imobiliárias [Pergunta 013]

Contrapartida de Reavaliação, Bens Não Imobilizados [Pergunta 025]

Despesas do Período de Apuração Seguinte vs. Diferidas [Pergunta 008]

Diferidas, Conceito [Pergunta 007]

Incorridas, Conceito [Pergunta 005]

Mão-de-Obra, Construção de Imóvel da Empresa [Pergunta 012]

Pagas ou Incorridas, Momento da Apropriação [Pergunta 006]


Pré-Operacionais, Conceito [Pergunta 009]

Pré-Operacionais, Implantação de Indústria [Pergunta 011]

Tributos Provisionados, Ação Judicial (Tratamento Tributário) [Pergunta 023]

Determinação do Lucro Real [Pergunta 004]

Empresa em Fase Pré-Operacional

Tratamento Tributário [Pergunta 010]

Lucro Líquido do Período, Apuração [Pergunta 027]

Lucro Líquido do Período, Conceito [Pergunta 026]

Lucro Real/Lucro Tributável, Conceito [Pergunta 001]

Operações com Ouro

Tributação [Pergunta 017]

Período de Apuração [Pergunta 003]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo VII - Escrituração 2015


Lalur

O que vem a ser o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur)?


001

O Livro de Apuração do Lucro Real, também conhecido pela sigla Lalur, é um livro de
escrituração de natureza eminentemente fiscal, criado pelo Decreto-Lei nº 1.598,
de 1977, conforme previsão do § 2º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, e alterações
posteriores, e destinado à apuração extracontábil do lucro real sujeito à tributação pelo
imposto de renda em cada período de apuração, contendo, ainda, elementos que poderão
afetar os resultados de períodos futuros.

Notas:
1) A companhia observará exclusivamente no Lalur, sem
qualquer modificação da escrituração mercantil e das
demonstrações reguladas pela lei comercial (Lei nº 6.404, de
1976), as disposições da lei tributária que prescrevam,
conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios
contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos
ou ajustes;
2) As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e
pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que
modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos
e despesas computadas na apuração do lucro líquido do
exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 1976, não
terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa
jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição (RTT),
devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e
critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007;
3) Aplica-se o disposto no item anterior às normas expedidas
pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base na
competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404,
de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a
alinhar a legislação específica com os padrões internacionais
de contabilidade;
4) Na ocorrência de disposições da lei tributária que
conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios
contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei nº
6.404, de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 2007,
e dos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, e pelas normas
expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da
Lei nº 6.404, de 1976, e demais órgãos reguladores, a pessoa
jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição (RTT)
deverá adotar o procedimento previsto no art. 17 da Lei nº
11.941, de 2009, e fazer uso do Controle Fiscal Contábil de
Transição (FCONT), instituído pelo art. 7º da Instrução
Normativa RFB nº 949, de 2009;
5) As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
6) A Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 2013, dispõe
sobre o RTT.
7) Os contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75
da Lei nº 12.973, de 2014, devem consultar, a respeito do
Lalur, o art. 2º da mesma Lei, aplicável a partir de 1º de
janeiro de 2014, na parte em que alterou a redação dos arts.
7º e 8º e inseriu o art. 8º-A ao Decreto-lei nº 1.598, de 1977.
8) Considera-se revogado o RTT a partir de 1º de janeiro de
2014, em relação aos contribuintes que fizerem a opção
prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 177, § 2º,
com a alteração introduzida pela Lei nº 11.941, de
2009, arts. 37 e 38; e
RIR/1999, art. 262.

002 Quem está obrigado à escrituração do Lalur?

Estão obrigadas à escrituração do Lalur todas as pessoas jurídicas contribuintes do


imposto de renda com base no lucro real, inclusive aquelas que espontaneamente
optarem por esta forma de apuração.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
003 Como é composto o Lalur?

O Lalur, cujas folhas são numeradas tipograficamente, é composto de duas partes, com
igual quantidade de folhas cada uma, reunidas em um só volume encadernado, a saber:

a) Parte A, destinada aos lançamentos de ajuste do lucro líquido do período


(adições, exclusões e compensações), tendo como fecho a transcrição da demonstração
do lucro real; e

b) Parte B, destinada exclusivamente ao controle dos valores que não constem da


escrituração comercial, mas que devam influenciar a determinação do lucro real de
períodos futuros.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).

004 Como será feita a escrituração do Lalur?

Na sua Parte A, a escrituração será feita em ordem cronológica, folha após folha, sem
intervalos nem entrelinhas, encerrada, período a período, com a transcrição da
demonstração do lucro real. A escrituração de cada período se completa com a assinatura
do responsável pela pessoa jurídica e de contabilista legalmente habilitado.
Na sua Parte B, a escrituração será feita utilizando uma folha para cada conta ou fato
que requeira controle individualizado.

Notas:
1) Completada a utilização das páginas destinadas a uma das
partes do livro, a outra parte será encerrada mediante
cancelamento das páginas não utilizadas, prosseguindo-se a
escrituração, integralmente, em livro subsequente;
2) As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
005 O que deverá conter a Parte A do Lalur?

A Parte A do Lalur deverá conter:


1) os lançamentos de ajuste do lucro líquido do período, que serão feitos com
individuação e clareza, indicando, quando for o caso:
a) a conta ou subconta em que os valores tenham sido registrados na escrituração
comercial, assim como o livro e a data em que foram efetuados os respectivos
lançamentos; ou
b) os valores sobre os quais a adição ou a exclusão foi calculada, quando se tratar de
ajuste que não tenha registro correspondente na escrituração comercial;

Notas:
O lançamento feito indevidamente será estornado mediante
lançamento subtrativo na própria coluna em que foi lançado,
com o valor indicado entre parênteses, de tal forma que a
soma das colunas Adições e Exclusões coincida com o total
registrado nos itens de Adições e Exclusões +
Compensações da demonstração do lucro real.
2) após o último lançamento de ajuste do lucro líquido do período, necessariamente na
data de encerramento deste (seja trimestral ou anual), será transcrita a demonstração
do lucro real, que deverá conter:
a) o lucro ou prejuízo líquido constante da escrituração comercial, apurado no período
de apuração;
b) as adições ao lucro líquido, discriminadas item por item, agrupados os valores de
acordo com sua natureza, e a soma das adições;
c) as exclusões do lucro líquido, discriminadas item por item, agrupados os valores de
acordo com sua natureza, e a soma das exclusões;
d) subtotal, obtido pela soma algébrica do lucro ou prejuízo líquido do período com as
adições e exclusões;
e) as compensações que estejam sendo efetivadas no período, e cuja soma não poderá
exceder a trinta por cento do valor positivo do subitem 2.d; e
f) o lucro real do período, ou o prejuízo fiscal do período compensável em períodos
subsequentes.

Normativo: IN SRF nº 28, de 1978.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
006 O que deverá conter a Parte B do Lalur?

Na Parte B do Lalur serão mantidos os registros de controle de valores que, pelas suas
características, integrarão a tributação de períodos subsequentes, quer como adição,
quer como exclusão ou compensação. Como exemplos, podem ser citados:

a) adições: receitas de variações cambiais diferidas até o momento de sua realização,


ressaltando-se que essas receitas, apropriadas na contabilidade pelo regime de
competência, são inicialmente excluídas no Lalur e, quando realizadas, são
adicionadas nesse livro; receitas de deságios de investimentos avaliados por
equivalência patrimonial diferidos até a realização daqueles investimentos; e valores
relativos à depreciação acelerada incentivada;
b) exclusões: custos ou despesas não dedutíveis no período de apuração em decorrência
de disposições legais ou contratuais; despesas de variações cambiais diferidas até o
momento de sua realização; e despesas de ágios amortizados de investimentos
avaliados por equivalência patrimonial diferidos até a realização daqueles
investimentos; e
c) compensações: prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores, sejam
operacionais ou não operacionais, de períodos anuais ou trimestrais, segundo o
respectivo regime.
Embora não constituam valores a serem excluídos do lucro líquido, mas dedutíveis do
imposto devido, deverão ser mantidos controles dos valores excedentes, utilizáveis no
cálculo das deduções nos anos subsequentes, dos incentivos fiscais, tais como
programas de alimentação do trabalhador.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
2) O disposto no inciso IV do art. 187 da Lei nº 6.404, de
1976, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37, não altera o tratamento dos resultados operacionais e não
operacionais para fins de apuração e compensação de
prejuízos fiscais;
(Disposição revogada a partir de 1º de janeiro de 2014, em
relação aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art.
75 da Lei nº 12.973, de 2014).
3) As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
Normativo: RIR/1999, art. 582; e
IN SRF nº 28, de 1978.

007 Em que época devem ser feitos os lançamentos no Lalur?

Os lançamentos no Lalur devem ser feitos segundo o regime de apuração adotado pelo
contribuinte, como a seguir:

a) Lucro Real Trimestral: na Parte A, os ajustes ao lucro líquido do período serão


feitos no curso do trimestre, ou na data de encerramento deste, no momento da
determinação do lucro real. Na Parte B, concomitantemente com os lançamentos de
ajustes efetuados na Parte A, ou ao final do período de apuração.
b) Lucro Real Anual: se forem levantados balanços ou balancetes para fins de
suspensão ou redução do imposto de renda, as adições, exclusões e compensações
computadas na apuração do lucro real deverão constar, discriminadamente, na Parte
A, para elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo
nenhum registro na Parte B. Ao final do exercício, com o levantamento do Lucro Real
Anual, deverão ser efetuados todos os ajustes do lucro líquido do período na Parte A,
e os respectivos lançamentos na Parte B.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).

É admitida a escrituração do Lalur por sistema de


008
processamento eletrônico de dados?
Sim. O Lalur poderá ser escriturado mediante a utilização de sistema de processamento
eletrônico de dados, em formulários contínuos, cujas folhas deverão ser numeradas em
ordem sequencial, mecânica ou tipograficamente, e conterá termos de abertura e de
encerramento.
Normativo: RIR/1999, arts. 255 e 263;
IN SRF nº 68/1995; e
Portaria Cofis nº 13, de 1995.

Notas:
1) As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
2) Disposição do art. 18 da Lei nº 8.218, de 1991, revogada a
partir de 1º de janeiro de 2014, em relação aos contribuintes
que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de
2014.

009 Em que repartição deve ser registrado o Lalur?

É dispensado o registro do Lalur em qualquer órgão ou repartição.


Normativo: IN SRF nº 28, de 1978, subitem 1.3.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).

010 O Lalur está dispensado de qualquer autenticação?

Não. Embora dispensado de registro ou autenticação por órgão oficial específico, o Lalur
deverá conter, para que surta seus efeitos perante a fiscalização federal, termos de abertura
e de encerramento, datados e assinados por representante legal da empresa e por
contabilista legalmente habilitado.

Normativo: IN SRF nº 28, de 1978, subitem 1.3.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).
011 Há necessidade de apresentar o Lalur juntamente com
a declaração?

Não. Todavia, considera-se não apoiada em escrituração a declaração entregue sem que
estejam lançados, no Lalur, os ajustes do lucro líquido, a demonstração do lucro real e
os registros correspondentes nas contas de controle.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).

012 Como escriturar o prejuízo no Lalur? Qual sua correlação


com o prejuízo registrado na contabilidade?

Para melhor compreensão da questão, deve-se salientar que existem dois prejuízos
distintos: o prejuízo contábil, apurado pela contabilidade na demonstração do resultado
do exercício, e o prejuízo fiscal, apurado na demonstração do lucro real.

A absorção dos prejuízos contábeis segue as determinações da legislação societária,


enquanto as regras de compensação dos prejuízos fiscais são determinadas pela
legislação do imposto de renda.

Logo, o prejuízo compensável, para efeito de tributação, é o que for apurado na


demonstração do lucro real de determinado período, obedecendo às normas da
legislação do imposto de renda.

Esse prejuízo (fiscal) é o que será registrado na Parte B do Lalur, para compensação nos
períodos de apuração subsequentes, independentemente da compensação ou absorção de
prejuízo contábil. Seu controle será efetuado exclusivamente na Parte B, com utilização
de conta (folha) distinta para o prejuízo correspondente a cada período.

A utilização desse prejuízo (fiscal) para compensação com lucro real apurado
posteriormente em períodos de apuração subsequentes poderá ser efetuada, total ou
parcialmente, independentemente de prazo, devendo ser observado apenas, em cada
período de apuração, o limite de trinta por cento do respectivo lucro líquido ajustado
(lucro líquido do período + adições – exclusões). O valor utilizado é levado a débito na
conta de controle (Parte B) e transferido para a Parte A do livro, com vistas a ser
computado na demonstração do lucro real, na qual será registrado como compensação.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).

013 Existe prazo para a compensação de prejuízos fiscais?

Não. De acordo com a legislação fiscal, não há prazo para a compensação de prejuízos
fiscais, mesmo relativamente àqueles apurados anteriormente à edição da Lei nº 8.981,
de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 1995. Entretanto, a compensação está
condicionada à manutenção dos livros e documentos exigidos pela legislação fiscal,
comprobatórios da existência do prejuízo fiscal utilizado.
Normativo: RIR/1999, art. 510.

014 Existe limite para a compensação de prejuízos fiscais?

Sim. Para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e
exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda só poderá ser
reduzido em, no máximo, trinta por cento de seu valor.
Normativo:
RIR/1999, art. 510.

015 A lei faz distinção entre a compensação de prejuízos


operacionais e não operacionais?

Sim. O art. 31 da Lei nº 9.249, de 1995, estabeleceu restrições à compensação de


prejuízos não operacionais, os quais somente poderão ser compensados com lucros de
mesma natureza, observando-se o limite legal de compensação.
No período de apuração correspondente, os resultados não operacionais, positivos ou
negativos, integrarão o lucro real.

Notas:
1) Os resultados não operacionais de todas as alienações
ocorridas durante o período deverão ser apurados
englobadamente;
2) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
3) O disposto no inciso IV do art. 187 da Lei nº 6.404, de
1976, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37, não altera o tratamento dos resultados operacionais e não
operacionais para fins de apuração e compensação de
prejuízos fiscais.(Disposição revogada a partir de 1º de
janeiro de 2014, em relação aos contribuintes que fizerem a
opção prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de 2014).
4) Os prejuízos decorrentes da alienação de bens e direitos
do ativo imobilizado, investimento e intangível, ainda que
reclassificados para o ativo circulante com intenção de
venda, poderão ser compensados, nos períodos de apuração
subsequentes ao de sua apuração, somente com lucros de
mesma natureza, observado o limite previsto no art. 15 da
Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.
O acima disposto não se aplica em relação às perdas
decorrentes de baixa de bens ou direitos em virtude de terem
se tornado imprestáveis ou obsoletos ou terem caído em
desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados
como sucata.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, IV, com
a alteração introduzida pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37;
Lei nº 11.941, de 2009, art. 60;
RIR/1999, arts. 420 e 511; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 36.

016 Em quais casos deve ser efetuada a segregação dos prejuízos


não operacionais para compensação com resultados positivos
não operacionais?
A separação em prejuízos não operacionais e em prejuízos das demais atividades somente
será exigida se, no período, forem verificados, cumulativamente, resultados não
operacionais negativos e prejuízo fiscal.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
2) O disposto no inciso IV do art. 187 da Lei nº 6.404, de
1976, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37, não altera o tratamento dos resultados operacionais e não
operacionais para fins de apuração e compensação de
prejuízos fiscais.
(Disposição revogada a partir de 1º de janeiro de 2014, em
relação aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art.
75 da Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, IV, com
a alteração introduzida pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37; Lei nº 11.941, de 2009, art. 60; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, § 4º.

017 Para fins da legislação fiscal, o que se considera prejuízo não


operacional?

Para fins da legislação fiscal, considera-se prejuízo não operacional o resultado negativo
obtido na alienação de bens e/ou direitos do ativo permanente. O resultado da alienação
de bens do ativo permanente corresponde à diferença entre o valor pelo qual o bem ou
direito houver sido alienado e o seu valor contábil.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do
ativo não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível;
2) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
3) O disposto no inciso IV do art. 187 da Lei nº 6.404, de
1976, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37, não altera o tratamento dos resultados operacionais e não
operacionais para fins de apuração e compensação de
prejuízos fiscais.
(Disposição revogada a partir de 1º de janeiro de 2014, em
relação aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art.
75 da Lei nº 12.973, de 2014).
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, arts. 178, § 1º, e
187, IV, com as alterações introduzidas pela Lei nº
11.941, de 2009, art. 37;
Lei nº 11.941, de 2009, art. 60;
RIR/1999, art. 511, § 1º; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, §§ 1º e 2º.

Há alguma exceção à aplicação das regras relativas à


018
comparação e distinção entre os prejuízos fiscais das demais
atividades e os prejuízos fiscais não operacionais para efeito
de compensação?
Sim. Para fins de compensação de prejuízos fiscais, não se consideram prejuízos não
operacionais as perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente em
virtude de se terem tornado imprestáveis, obsoletos ou em desuso, ainda que
posteriormente venham a ser alienados como sucata.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do
ativo não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível.
2) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
3) O disposto no inciso IV do art. 187 da Lei nº 6.404, de
1976, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37, não altera o tratamento dos resultados operacionais e não
operacionais para fins de apuração e compensação de
prejuízos fiscais.
(Disposição revogada a partir de 1º de janeiro de 2014, em
relação aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art.
75 da Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, arts. 178, § 1º, e
187, IV, com as alterações introduzidas pela Lei nº
11.941, de 2009, art. 37;
Lei nº 11.941, de 2009, art. 60;
RIR/1999, art. 511, § 2º; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, § 12.

Demonstrações Financeiras
019 Quais as demonstrações financeiras previstas pela Lei das
Sociedades por Ações?

A Lei das S.A. estabeleceu, em seu art. 176, que, ao fim de cada exercício social, a
diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes
demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio
da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
1) balanço patrimonial;
2) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
3) demonstração do resultado do exercício;
4) demonstração dos fluxos de caixa; e
5) demonstração do valor adicionado, se companhia aberta.
Essas demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros
analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação
patrimonial e do resultado do exercício.

Notas:
A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do
balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais)
não será obrigada à elaboração e publicação da
demonstração dos fluxos de caixa.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 176, § 6º, com
a alteração introduzida pela Lei nº 11.638, de 2007, art.
1º.

020 Quais as demonstrações financeiras obrigatórias para efeito da


legislação tributária?

Todas as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, seja qual for o tipo societário
adotado, estão obrigadas a elaborar, ao final de cada período de apuração do imposto de
renda (trimestral ou anual), com observância das leis comerciais (Lei das S.A.), as
seguintes demonstrações financeiras:
1) balanço patrimonial;
2) demonstração do resultado do período; e
3) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados.
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 176, com a
alteração introduzida pela Lei nº 11.638, de 2007, art.
1º;
RIR/1999, art. 274; e
PN nº 34, de 1981.
021 Onde deverão ser transcritas as demonstrações financeiras e a
apuração do lucro real?

Ao final de cada período de apuração do imposto de renda (trimestral ou anual), deverão


ser transcritas:

a) no livro Diário e/ou no Lalur, as demonstrações financeiras; e


b) no Lalur, a demonstração do lucro real.

Normativo: RIR/1999, arts. 274, § 2º, e 275.

Sistema Escritural Eletrônico

022 É permitido que a escrituração seja feita por sistema de


processamento eletrônico de dados?

Sim. O livro Diário e os demais livros comerciais e fiscais poderão ser escriturados por
sistema de processamento eletrônico de dados, em formulários contínuos, cujas folhas
deverão ser numeradas em ordem sequencial, mecânica ou tipograficamente, e conterão
termos de abertura e de encerramento.

No caso do livro Diário, é obrigatória a autenticação no órgão competente.

Notas:
1) O contribuinte que utilizar sistema de processamento
eletrônico de dados para registrar negócios e atividades
econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar
documentos de natureza contábil ou fiscal, fica obrigado a
manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do
Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas,
pelo prazo previsto na legislação tributária;
2) São passíveis de exame, pela autoridade tributária, os
documentos do contribuinte mantidos em arquivos
magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da
verificação, que tenham relação direta ou indireta com a
atividade por ele exercida;
3) A obrigatoriedade de manutenção dos arquivos e meios
magnéticos, para fins de apresentação à RFB, não se aplica
às empresas optantes pelo Simples Nacional;
4) A partir de 9 de maio de 2006, as pessoas jurídicas
podem adotar, como instrumento de escrituração do Diário e
do Razão, os livros de microfichas de saída direta do
computador, previstos pela legislação comercial (IN DNRC
nºs 102, de 2006, e 107, de 2008). Contudo, a utilização
desse instrumento não desobriga a guarda e conservação dos
originais dos documentos comprovantes dos lançamentos
nele efetuados até que ocorra a prescrição dos créditos
tributários a que se refiram.

Normativo: Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, § 2º;


Lei nº 9.430, de 1996, art. 34;
MP nº 2.158-35, de 2001, art. 72;
RIR/1999, arts. 255, 265 e 266; e
IN SRF nº 86, de 2001.

023 Quais as penalidades a que se sujeitam os contribuintes que


mantiverem sistema escritural eletrônico e deixarem de
apresentá-lo à autoridade fiscal no prazo de intimação, ou o
fizerem com erros ou omissões?
A esses contribuintes, serão aplicadas as seguintes penalidades:
a) quanto à forma de apresentação das informações:
multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos
que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e
respectivos arquivos;
b) quanto ao conteúdo das informações apresentadas:
multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que
omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por
cento da receita bruta da pessoa jurídica no período;
c) quanto ao prazo para apresentação das informações:
multa equivalente a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada
sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento,
aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e
sistemas;
d) quanto à não apresentação das informações:
no lançamento de ofício serão aplicadas, a partir de 1º/01/1998, as seguintes multas,
calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:
d.1) de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento); ou
d.2) de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), nos casos de evidente intuito de
fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de
outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.

Notas:
O prazo de apresentação a ser concedido pelo Auditor-Fiscal
da Receita Federal do Brasil (AFRFB) deverá ser de, no
mínimo, vinte dias, podendo ser prorrogado por igual
período, em despacho fundamentado, atendendo a
requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa
jurídica.

Normativo: Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71, 72 e 73;


Lei nº 8.218, de 1991, art. 12;
Lei nº 9.430, de 1996, arts. 38 e 44, § 2º;
Lei nº 9.532, de 1997, art. 70; e
MP nº 2.158-35, de 2001, art. 72.

Livro Diário

Onde deverá ser registrado e autenticado o livro Diário do


024
empresário e da sociedade empresária, para validade da
escrituração nele contida?

O livro Diário, para efeito de prova a favor do empresário e da sociedade empresária,


deverá conter, respectivamente, nas primeira e última páginas, termos de abertura e de
encerramento, e ser registrado e autenticado pelas Juntas Comerciais ou repartições
encarregadas do Registro do Comércio.

Notas:
As normas relativas à autenticação dos instrumentos de
escrituração dos empresários, sociedades empresárias,
leiloeiros e tradutores públicos e intérpretes comerciais estão
previstas na Instrução Normativa do Departamento
Nacional de Registro do Comércio (DNRC) nº 107, de 2008.
Essa mesma Instrução Normativa dispõe, em seu art. 28, que
as Juntas Comerciais, fora de suas sedes, poderão delegar
competência a outra autoridade pública para autenticar
instrumentos de escrituração dos empresários e das
sociedades empresárias, excepcionados os livros digitais,
atendidas as conveniências do serviço.
025 É válida a autenticação dos livros mercantis pelo Juiz de
Direito em cuja jurisdição estiver o contribuinte, quando fora
do Distrito Federal e das sedes das Juntas Comerciais ou de
suas Delegacias?

A autenticação por qualquer outra autoridade pública somente será válida nos casos em
que houver delegação de competência das Juntas Comerciais para autenticar
instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias,
excepcionados os livros digitais.

026 Onde deverá ser autenticado o livro Diário das sociedades


simples?

As sociedades simples deverão autenticar seu livro Diário no Registro Civil das Pessoas
Jurídicas, para que a escrituração nele mantida, com observância das disposições legais,
e comprovada por documentos hábeis faça prova a favor da pessoa jurídica.
Normativo: Código Civil - Lei nº 10.406, de 2002, art. 982; e
RIR/1999, art. 258, § 4º.

027 As empresas obrigadas a manter escrituração contábil poderão


efetuar lançamentos, no livro Diário, com data anterior ao seu
registro e autenticação?
Sim. Admite-se a autenticação do livro Diário em data posterior ao movimento das
operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos
até a data da entrega tempestiva da declaração, correspondente ao respectivo período.
Entretanto, deve-se observar que a opção pela tributação com base no lucro real
trimestral obriga que, ao final de cada trimestre, a pessoa jurídica apure seus resultados,
contábeis e fiscais, com base em demonstrações financeiras transcritas no livro Diário, e
com base na demonstração do lucro real transcrita no Lalur, respectivamente.

Normativo: IN SRF nº 16, de 1984.

028 A forma de escriturar suas operações no Diário é de livre


escolha do contribuinte?

Sim, desde que a escrituração seja mantida em registros permanentes, com obediência aos
preceitos da legislação comercial e fiscal e aos Princípios Fundamentais de Contabilidade,
observando métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo, e registrando as
mutações patrimoniais segundo o regime de competência.
Todavia, por força da legislação em vigor, as demonstrações financeiras deverão ser
elaboradas em conformidade com o que dispõe a Lei nº 6.404, de 1976, obrigação esta
estendida a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real,
conforme determinado pelo Decreto-Lei nº 1.598, de 1977.
Por outro lado, a demonstração do lucro real a ser transcrita no Lalur deverá ser elaborada
de acordo com o modelo aprovado pela IN SRF nº 28, de 1978.
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976;
Decreto-Lei nº 1.598, de 1977;
RIR/1999, art. 274; e
IN SRF nº 28, de 1978.

Notas:
As pessoas jurídicas que apresentarem o e-Lalur ficam
dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de
janeiro de 2013, da escrituração do Lalur no modelo e
normas estabelecidos pela Instrução Normativa SRF nº 28,
de 13 de junho de 1978 (art. 8º da IN RFB nº 989, de 2009,
com a redação da IN RFB nº 1.249, de 2012).

029 O Livro Diário, de utilização obrigatória para as pessoas


jurídicas sujeitas ao lucro real, deverá ser necessariamente o
tradicional (livro encadernado) ou poderá ser substituído por
fichas?
Será permitida ao contribuinte que empregar escrituração mecanizada a utilização de
fichas numeradas tipograficamente, na forma estabelecida no Decreto nº 64.567, de 1969.
As fichas podem se apresentar da seguinte forma:
a) contínuas, em forma de sanfona, atendidas as prescrições do art. 8º do citado Decreto;
ou
b) soltas ou avulsas, obedecidas as determinações do art. 9º do mesmo Decreto.

Notas:
Sobre a substituição do livro Diário tradicional por fichas ou
formulários contínuos e a obrigatoriedade de adoção de livro
próprio para transcrição das demonstrações financeiras e
registro do plano de contas e/ou histórico codificado,
consultar o PN CST nº 11, de 1985, e a IN DNRC nº 107,
de 2008.

Normativo: Decreto nº 64.567, de 1969, arts. 8º e 9º; e


RIR/1999, art. 258, § 6º.
030 Como devem ser escrituradas as fichas quando utilizadas em
substituição ao livro Diário tradicional?
A utilização do sistema de fichas em substituição ao livro Diário tradicional não exclui a
pessoa jurídica de obediência aos demais requisitos intrínsecos previstos nas leis fiscal e
comercial para o livro Diário, especialmente os constantes dos arts. 2º e 5º do Decreto-
Lei nº 486, de 1969, e do Decreto nº 64.567, de 1969.
Dessa forma, a escrituração das fichas deve obedecer aos mesmos princípios que a do
livro Diário, isto é, conforme a ordem cronológica de dia, mês e ano, utilizando-se cada
ficha até seu total preenchimento, somente se passando para a ficha seguinte quando
esgotada a anterior, sem quaisquer espaços em branco, rasuras ou entrelinhas.
Procedimento diverso, por não atender às determinações legais, torna a escrituração
passível de desclassificação, inclusive a escrituração das fichas unicamente em forma de
Razão, ou seja, uma ficha para cada conta.
Normativo: Decreto-Lei nº 486, de 1969, arts. 2º e 5º;
Decreto nº 64.567, de 1969, arts. 8º e 9º; e
PN CST nº 127, de 1975.

031 É permitida a escrituração do livro Diário por sistema de


processamento eletrônico de dados?

Sim. O livro Diário poderá ser escriturado mediante a utilização de sistema de


processamento eletrônico de dados, em formulários contínuos, cujas folhas deverão ser
numeradas em ordem sequencial, mecânica ou tipograficamente, e conterá termos de
abertura e de encerramento, sendo obrigatória a sua autenticação no órgão competente.

Normativo: RIR/1999, art. 255.

032 É permitida a escrituração resumida do Diário?

No Diário deverão ser lançados, dia a dia, os atos ou operações da atividade mercantil e
os que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do contribuinte.
Entretanto, relativamente a determinadas contas cujas operações sejam numerosas ou
realizadas fora da sede do estabelecimento, admite-se a escrituração do Diário por totais
que não excedam a um mês, desde que utilizados livros auxiliares para registro
individuado dessas operações, como, entre outros, os livros Caixa, Registro de Entradas
e de Saídas de Mercadorias, Registro de Duplicatas etc., os quais, nessa hipótese, tornam-
se obrigatórios.
Nesses casos, transportar-se-ão para o livro Diário somente os totais mensais, fazendo-se
referência às páginas em que as operações se encontrem lançadas nos livros auxiliares,
que deverão encontrar-se devidamente registrados, permanecendo a obrigação de serem
conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação, observado, ainda, o
regime de competência.
Normativo: RIR/1999, art. 258, § 1º; e
PN CST nº 127, de 1975.

033 A pessoa jurídica é obrigada a conservar os livros e


documentos da escrituração?

Sim. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas


eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua
atividade ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a
modificar sua situação patrimonial.

Normativo: RIR/1999, art. 264

Livro Razão

034 É obrigatória a escrituração do livro Razão?

Sim. É obrigatória, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, a
escrituração e a manutenção do livro Razão ou fichas, utilizados para resumir e totalizar,
por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais
exigências e condições previstas na legislação.
A escrituração deverá ser individuada, obedecendo-se à ordem cronológica das
operações.

Normativo: RIR/1999, art. 259.

035 É necessário o registro ou a autenticação do livro Razão?

Não. O livro Razão ou as respectivas fichas estão dispensados de registro ou


autenticação em qualquer órgão. Entretanto, na escrituração, deverão ser obedecidas as
regras da legislação comercial e fiscal aplicáveis.

Normativo: RIR/1999, art. 259, § 3º.

036 Qual o tratamento tributário aplicável à pessoa jurídica que


não mantiver ou não apresentar o livro Razão quando
solicitado?
A não manutenção do livro Razão ou fichas, nas condições determinadas na legislação,
implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica.

Normativo: RIR/1999, art. 530, VI, e art. 259, § 2º.


Livro Registro de Inventário

037 Quando deverá ser escriturado o Livro Registro de Inventário?

As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real deverão escriturar o Livro
Registro de Inventário ao final de cada período de apuração anual ou trimestral,
conforme haja ou não opção pelos recolhimentos mensais no curso do ano-calendário,
com base na estimativa.

No caso de utilização de balanço com vistas à suspensão ou redução do imposto devido


mensalmente com base em estimativa, a pessoa jurídica que possuir registro permanente
de estoques integrado e coordenado com o restante da escrituração somente estará
obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto da contagem física, ao final do ano-
calendário ou no encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão,
cisão ou extinção de atividade.
Normativo: RIR/1999, art. 261; e
IN SRF nº 93, de 1997, art. 12, § 4º.

038
A falta de escrituração do Livro de Registro de Inventário implica
a desclassificação da escrita, ainda que o montante de estoque
apurado no final do período de apuração esteja registrado no
balanço patrimonial?

Sim, pois as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real devem
comprová-lo por meio da sua escrituração, na forma estabelecida pelas leis comerciais e
fiscais.

Notas:
1) A lei fiscal determina que, além dos livros de
contabilidade previstos em leis e regulamentos, as pessoas
jurídicas devem possuir um livro de registro de inventário
das matérias-primas, das mercadorias, dos produtos em
fabricação, dos bens em almoxarifado e dos produtos
acabados existentes na época do balanço;

2) Nessas condições, estará a autoridade tributária autorizada


a arbitrar o lucro da pessoa jurídica sujeita à tributação com
base no lucro real, quando esta não mantiver escrituração na
forma das leis comerciais e fiscais.

Normativo: RIR/1999, art. 530.


039
No encerramento do período de apuração, por quais valores
devem constar, no livro de inventário, os estoques, quando o
contribuinte não mantiver sistema de contabilidade de custo
integrado e coordenado com o restante da escrituração?

Os estoques, nessa hipótese, devem constar, no livro de inventário, pelo valor obtido
mediante avaliação, que deverá ser procedida da seguinte forma:

a) os estoques dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda
no período de apuração; e
b) os estoques de materiais em processamento, em oitenta por cento do valor dos
produtos acabados, determinado na forma anterior, ou por uma vez e meia o maior
custo das matérias-primas adquiridas no período de apuração.

Notas:
1) Como maior preço de venda no período, deve ser
considerado o constante na nota fiscal - preço de venda -
sem exclusão do ICMS (PN CST nº 14, de 1981);

2) Quanto ao valor a ser atribuído às mercadorias e matérias-


primas existentes na data do balanço, ver item 3 do PN CST
nº 5, de 1986.

Veja Ausência de sistema de contabilidade de custo


ainda: integrado e coordenado com o restante da
escrituração:

Pergunta 014 do capítulo VIII.


Normativo: RIR/1999, art. 296;
IN SRF nº 81, de 1986;
PN CST nº 14, de 1981; e
PN CST nº 5, de 1986.

Contabilização do ICMS

040 Como deverá proceder a pessoa jurídica para a contabilização


do ICMS nas compras e nas vendas, evitando sua inclusão nos
estoques?
Nas compras, o ICMS deverá ser registrado em conta do ativo circulante.

Nas vendas, o ICMS destacado constituirá parcela da conta redutora da receita bruta,
como imposto incidente sobre vendas que é, para se chegar à receita líquida.
Em ambos os casos, a contrapartida deve guardar correspondência com os lançamentos
no livro de Registro de Apuração do ICMS.

Procedendo-se aos registros na forma aqui descrita, os estoques estarão sempre


escoimados do ICMS.

Como exemplos de contas (a nomenclatura adotada é meramente exemplificativa),


poderão ser utilizadas:

1) Na aquisição de mercadorias, com crédito de ICMS a doze por cento:


“Compras”
880.000,00
....................
“C/C ICMS”
120.000,00
..................
a “Caixa”
1.000.000,00
........................

2) Nas vendas, com destaque de ICMS a dezessete por cento:


“Caixa”
1.300.000,00
...........................
a “Vendas”
1.300.000,00
.....................

“ICMS s/ vendas”
221.000,00
...........
a “C/C ICMS”
221.000,00
.................

3) Nos recolhimentos:
“C/C ICMS”
101.000,00
..................
a “Caixa”
101.000,00
........................

4) Ocorrendo saldo credor no Registro de Apuração do ICMS ao final do período de


apuração, esse valor deverá estar registrado no balanço patrimonial da empresa, em
conta do ativo circulante. Ocorrendo saldo devedor, esse valor deverá estar registrado
em conta do passivo circulante.

Notas:
1) Lembrar que, na ausência de registro permanente de
estoques, o valor a ser atribuído às mercadorias, quando da
contagem física, será a importância pela qual elas foram
adquiridas nas compras mais recentes, como já registradas
na contabilidade, ou seja, livre do ICMS;

2) Igual procedimento deverá ser observado na apuração do


custo da mercadoria vendida: compras e estoque final livres
do ICMS.

Normativo: IN SRF nº 51, de 1978.

041 A contabilização do ICMS destacado nas notas fiscais


de compras e de vendas, a cada operação, é obrigatória
ou facultativa?

A pessoa jurídica está obrigada a excluir do custo de aquisição de mercadorias para


revenda e de matérias-primas o montante do ICMS recuperável, destacado na nota
fiscal.

Como consequência, deverá registrar no balanço patrimonial o estoque inventariado


pelo seu valor líquido, isto é, livre de ICMS.

Por outro lado, o art. 280 do RIR/1999 determina que, para obtenção da receita líquida
de vendas deverá ser diminuído, da receita bruta, o ICMS incidente sobre as vendas.

Assim, verifica-se que a legislação fiscal exige o destaque do ICMS nas operações em
que haja a sua incidência, entretanto, não instituiu norma contábil a ser obrigatoriamente
seguida pelas pessoas jurídicas.

Nessa hipótese, há de ser admitido como válido o procedimento contábil adotado pela
pessoa jurídica, desde que o resultado final não seja diferente daquele que se chegaria
utilizando-se os critérios estabelecidos pela IN SRF nº 51, de 1978.

Normativo: RIR/1999, art. 280;


IN SRF nº 51, de 1978; e
PN CST nº 347, de 1970.

Inobservância do Regime de Competência (Postergação do Imposto)


042 Qualquer inobservância do regime de competência na
escrituração da pessoa jurídica constituirá fundamento para
lançamento por parte da autoridade fiscal?
Não. A inexatidão, no período de apuração, de escrituração de receita, rendimento, custo
ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para
lançamento de imposto se dela resultar:
1) a postergação do pagamento do imposto para período posterior ao em que seria
devido; ou
2) a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração.
Normativo: RIR/1999, art. 273;
PN CST nº 57, de 1979; e
PN Cosit nº 2, de 1996.

Quando ocorre, em linhas gerais, a postergação do pagamento


043
do imposto ou a redução indevida do lucro real?

A postergação do pagamento do imposto para período posterior ao em que seria devido


ocorre quando se protela, para períodos subsequentes, a escrituração de receita,
rendimento ou reconhecimento de lucro, ou se antecipa a escrituração de custo, despesa
ou encargo correspondente a períodos subsequentes.

A redução indevida do lucro real ocorre quando não for adicionada ao lucro líquido
qualquer parcela tida como não dedutível, ou dele for excluída parcela não autorizada
pela legislação tributária.
Segundo a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nº 36,
publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009, de observância obrigatória pela
Administração Pública Federal (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010), a
inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais
ou bases de cálculo negativas de CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o
tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período
posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica
excluir da exigência a parcela paga posteriormente.
Esclareça-se, portanto, que na situação prevista nessa Súmula, havendo o pagamento
espontâneo, em período posterior, antes da lavratura do auto de infração, trata-se de
caso de postergação de pagamento, e não de redução indevida do lucro real.

Em que outros casos a inobservância do regime de


044
competência na escrituração da pessoa jurídica constituirá
fundamento para lançamento por parte da autoridade fiscal?

Normalmente, o registro antecipado de receita, rendimento ou reconhecimento de lucro,


ou a contabilização posterior de custo ou dedução não provocam prejuízo para o Fisco,
quando então tais eventos não ocasionam efetivação de lançamento (caso a alíquota do
imposto e do adicional seja a mesma nos dois exercícios). Configuram meras
inexatidões contábeis, sem efeitos tributários.

Esses mesmos fatos, porém, adquirem relevância fiscal quando o contribuinte objetiva,
antecipando a receita, criar lucro necessário ao aproveitamento de prejuízo fiscal, cujo
direito à compensação caducaria se obedecido o regime de competência, consoante as
regras vigentes até 31/12/1994; ou, a partir de 1º/01/1995, quando o contribuinte procura
aumentar o lucro visando à compensação de valor maior do que o limite de trinta por
cento, previsto para a compensação de prejuízos fiscais, na forma da Lei nº 8.981,
de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 1995, art. 15.

045 Como deverá ser regularizada, na apuração do lucro real, a


inobservância do regime de competência, quando o
procedimento partir da autoridade fiscal?

Os valores que competirem a outro período de apuração e que, para efeito de


determinação do lucro real, forem adicionados ao lucro líquido do período, ou dele
excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro
líquido ou a ele adicionados, respectivamente.
Assim, na hipótese de inobservância do regime de competência na escrituração, a
regularização do lucro real do período de apuração da contabilização implica, de modo
obrigatório, retificação do lucro real do período competente, a fim de que o regime
prescrito na lei seja observado em ambos os períodos de apuração, ou seja, quando a
autoridade fiscal se deparar com uma inexatidão quanto ao período de reconhecimento de
receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido
correspondente ao período de apuração indevido e adicioná-la ao lucro líquido do período
competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido
do período de apuração indevido e excluí-lo do lucro líquido do período de competência.
Ressalte-se que, para efeito da determinação do lucro real com vistas a ser caracterizada
a postergação, nos termos do art. 34 da IN SRF nº 11, de 1996, as exclusões do lucro
líquido em anos-calendário subsequentes àquele em que deveria ter sido procedido o
ajuste não poderão produzir efeito diverso do que seria obtido se realizadas na data
prevista.
Normativo: RIR/1999, art. 247, § 2º;
IN SRF nº 11, de 1996, art. 34; e
PN Cosit nº 2, de 1996, subitem 5.2.

046 Após a recomposição do lucro real (inobservância do regime


de competência), como deverá proceder a autoridade fiscal
quanto a eventuais diferenças verificadas na apuração
do resultado da pessoa jurídica?
Depois de recompor o lucro real dos dois períodos de apuração envolvidos, se a
autoridade fiscal verificar que o lucro real do período mais antigo, obtido após a
retificação, é menor que o anteriormente apurado pelo contribuinte, nada há a fazer se a
pessoa jurídica houver declarado imposto maior que o realmente devido.
Em caso contrário, a diferença entre o retificado e o anteriormente apurado, por ter
gerado postergação de pagamento do imposto, enseja que a autoridade fiscal efetue o
lançamento no período em que tenha havido indevida redução do lucro real,
constituindo o crédito tributário pelo valor líquido, isto é, depois de compensado o
imposto se este já tiver sido lançado em período posterior.

Nesta hipótese, ainda que já recolhido o imposto postergado, indevidamente lançado em


período posterior, serão cobrados multa e juros de mora, e correção monetária quando
for o caso (períodos de apuração encerrados até 31/12/1995), calculados sobre seu
montante e cobrados, se já não espontaneamente pagos ou lançados, mediante auto de
infração.

Normativo: PN CST nº 57, de 1979, item 7.

047 Quais os procedimentos a serem seguidos para se apurar, com


exatidão, o valor considerado como imposto postergado e as
diferenças entre os valores pagos e os devidos?
Os comandos normativos são no sentido de que seja ajustado o lucro líquido para
determinação do lucro real, não se tratando, portanto, de simplesmente ajustar o lucro
real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições
procedidas no lucro líquido do exercício, devendo-se observar os seguintes
procedimentos:
a) tratando-se de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do
lucro líquido do período de apuração em que houver sido reconhecido e adicioná-lo
ao lucro líquido do período de competência;
b) tratando-se de custo ou despesa antecipado: adicionar o seu montante ao lucro líquido
do período de apuração em que houver ocorrido a dedução e excluí-lo do lucro líquido
do período de competência;
c) apurar o lucro real correto, correspondente ao período do início do prazo de
postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição
social sobre o lucro líquido;
d) efetuar a correção monetária, quando for o caso (períodos de apuração encerrados até
31/12/1995), dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao período do
início do prazo da postergação, e dos valores das diferenças do imposto e da
contribuição social, considerando seus efeitos em cada balanço de encerramento de
período subsequentes, até o período de término da postergação;
e) deduzir do lucro líquido de cada período de apuração subsequente, inclusive o de
término da postergação, o valor correspondente à correção monetária, quando for o
caso (períodos de apuração encerrados até 31/12/1995), dos valores mencionados na
alínea “d” anterior;
f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social corretos, correspondentes
a cada período de apuração, inclusive o de término da postergação, considerando os
efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o de correção quando for o caso
(períodos de apuração encerrados até 31/12/1995); e
g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de
renda e à contribuição social sobre o lucro líquido.
Notas:
Caso o contribuinte já tenha efetuado, espontaneamente, em
período posterior, o pagamento dos valores do imposto ou da
contribuição social postergados, esse fato deve ser
considerado no momento do lançamento de ofício, devendo
a autoridade fiscal, em relação às parcelas que já houverem
sido pagas, exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a
juros e multa, caso o contribuinte não os tenha pago.

Normativo: PN Cosit nº 2, de 1996, subitens 5.3 e 6.2.

048 Quando se considera ocorrida a hipótese de postergação


de pagamento de imposto?
Considera-se postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a
determinado período de apuração, quando efetiva e espontaneamente paga em período
posterior àquele em que seria devido.
Nos casos em que, nos períodos subsequentes ao de início do prazo da postergação e até
o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social
devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da contribuição
social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o
imposto e contribuição social apurados no período inicial, com os respectivos encargos
legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não
podem compensar ganhos anteriores.

Normativo: PN Cosit nº 2, de 1996, subitem 6.1 e item 9.

049 Como o contribuinte deverá proceder para regularizar, na


escrituração, falhas decorrentes da inobservância do regime de
competência que resultarem em diferença de imposto a pagar?
Na hipótese de inexatidão quanto ao período de apuração de reconhecimento de receita
ou de apropriação de custo ou despesa, caso haja diferença de imposto a pagar e o
contribuinte queira corrigir e regularizar espontaneamente a falta cometida, deverá
considerar a hipótese como de postergação de imposto e aplicar todos os procedimentos
previstos para o caso, como são adotados pela autoridade fiscal.

Consoante o subitem 5.2 do PN Cosit nº 2, de 1996, aplicam-se, tanto ao contribuinte


como ao fisco, os comandos relativos à inexatidão quanto ao período de reconhecimento
de receita ou de apropriação de custo ou despesa, como previsto no § 2º do art. 247 do
RIR/1999.
Isto é, quando o contribuinte se deparar com uma inexatidão quanto ao período de
reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita
do lucro líquido correspondente ao período de apuração indevido e adicioná-la ao lucro
líquido do período competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou despesa
ao lucro líquido do período de apuração indevido e excluí-lo do lucro líquido do período
de competência.
Ressalte-se que somente se configurará a hipótese de postergação do pagamento se a
parcela da diferença apurada a este título, do imposto ou contribuição social relativa a
determinado período de apuração, for efetiva e espontaneamente paga, com os respectivos
acréscimos legais (multa e juros de mora pelo prazo da postergação, e correção monetária,
nos períodos em que esta era cabível), antes de qualquer procedimento de ofício contra o
contribuinte.
Normativo: RIR/1999, art. 247, § 2º; e
PN Cosit nº 2, de 1996, subitens 5.2 e 6.1.

050
Como o contribuinte poderá proceder para regularizar,
na escrituração, falhas decorrentes da inobservância do regime
de competência, quando não resultarem em diferença de
imposto a pagar?

Desde que não ocorra postergação do pagamento do imposto para período posterior ao
em que seria devido, ou redução indevida do lucro real em qualquer período de
apuração, serão admitidas a retificação, a complementação ou a simples feitura de
lançamento de deduções, cujo valor, se dedutível ou tributável, afetará a determinação
do lucro real do período em que se justifique a regularização.

Nesse caso, contabilmente, será dado tratamento de ajustes de exercícios (períodos)


anteriores.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 186, § 1º.

051 O que se deve considerar ajustes de exercícios (períodos)


anteriores?

Como ajustes de exercícios (períodos) anteriores serão consideradas apenas as


regularizações decorrentes de efeitos de mudança de critério contábil, ou de retificação
de erro imputável a determinado período anterior, e que não possam ser atribuídas a fatos
subsequentes.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 186, § 1º.
052
Como a pessoa jurídica deverá proceder, no período
em que foi efetuado o ajuste, com relação à dedutibilidade ou
tributação das parcelas regularizadas decorrentes da
inobservância do regime de competência, quando a legislação
comercial determinar que a retificação seja considerada como
ajustes de exercícios (períodos) anteriores?

A regularização, como ajustes de exercícios (períodos) anteriores, não provoca qualquer


reflexo no resultado do período em que for efetuada sua escrituração (não afeta o lucro
líquido do período de apuração).

Se, em decorrência da imputação a período de apuração anterior, resultar a apuração de


saldo de imposto a pagar, ou inexistindo diferença de saldo de imposto a pagar, seus
efeitos já terão sido considerados na apuração do lucro real daqueles períodos e,
consequentemente, não poderão influenciar a apuração no exercício em que forem
efetuados os lançamentos contábeis de regularização.

Entretanto, no caso em que não ocorra postergação de pagamento do imposto para


período posterior ao em que seria devido, ou redução indevida do lucro real em
qualquer período de apuração, e o contribuinte optar por efetuar a sua regularização em
período posterior, contabilmente deve ser dado tratamento de ajuste de exercícios
(períodos) anteriores.

No aspecto fiscal, caso se trate de parcela correspondente a despesa dedutível ou receita


tributável, para produzir efeito na determinação do lucro real, ela pode ser excluída ou
deve ser adicionada ao lucro líquido do período de apuração respectivo, ou seja, aquele
a que efetivamente se refere a despesa ou a receita.

053 Por que a regularização, como ajustes de exercícios (períodos)


anteriores, não provoca reflexo no resultado do período em
que ocorre a sua escrituração?

Porque não sendo de competência do período da escrituração em que ocorrer a


regularização, a despesa ou a receita não deve afetar o lucro líquido desse período de
apuração.

Assim, o ajuste lançado contra uma conta patrimonial do ativo ou passivo, mesmo que
indicando a fonte da despesa ou receita objeto da regularização, deverá ter como
contrapartida a conta de lucros ou prejuízos acumulados.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 186, § 1º.
ÍNDICE REMISSIVO

IRPJ – Escrituração (Capítulo VII)

Competência, Inobservância do Regime (Postergação do IRPJ)

Ajustes de Exercícios Anteriores

Conceito [Pergunta 051]

Regularização do IRPJ [Pergunta 052]

Resultado do Período da Escrituração [Pergunta 053]

Antecipação da Receita, Relevância [Pergunta 044]

Imposto Lançado

Diferenças Apuradas [Pergunta 046]

Recomposição do Lucro Real [Pergunta 045]

Imposto Postergado ou Reduzido

Acerto sem Autuação, IRPJ a Pagar [Pergunta 049]

Acerto sem Autuação, Sem IRPJ a Pagar [Pergunta 050]

Apuração do Valor [Pergunta 047]

Ocorrência [Pergunta 048]

Postergação ou Redução, Conceitos [Pergunta 043]

Lançamento pela Autoridade Fiscal, Hipóteses [Pergunta 042]

Contabilização do ICMS

Contabilização de Estoques, Dedução do ICMS [Pergunta 040]

Metodologia, Livre Escolha [Pergunta 041]


Demonstrações Financeiras

Demonstrações Exigidas pela Legislação Tributária [Pergunta 020]

Demonstrações Exigidas pela Lei das S.A. [Pergunta 019]

Transcrição (Lalur ou Diário) [Pergunta 021]

Lalur

Autenticação, Exigência [Pergunta 010]

Compensação de Prejuízos Fiscais

Limite [Pergunta 014]

Prazo, Inexistência [Pergunta 013]

Prejuízo Não operacional, Conceito [Pergunta 017]

Prejuízo Não Operacional, Segregação [Pergunta 016]

Prejuízo Operacional vs. Não operacional, Distinção [Pergunta 015]

Prejuízo Operacional vs. Não operacional, Exceção à Regra [Pergunta 018]

Conceito

Pergunta [001]

Conteúdo

Composição (Partes A e B) [Pergunta 003]

Parte A [Pergunta 005]

Parte B [Pergunta 006]

Declaração da PJ vs. Lalur [Pergunta 011]


Escrituração

Lançamentos, Época [Pergunta 007]

Prejuízo, Registro [Pergunta 012]

Procedimentos [Pergunta 004]

Sistema Eletrônico, Admissibilidade [Pergunta 008]

Quem Está Obrigado

Pergunta [002]

Registro na Repartição, Dispensa [Pergunta 009]

Livro Diário

Escrituração

Fichas Numeradas, Escrituração Mecanizada [Pergunta 029]

Fichas Numeradas, Requisitos [Pergunta 030]

Forma de Escrituração, Livre Escolha [Pergunta 028]

Guarda da Documentação, Obrigatoriedade [Pergunta 033]

Resumida, Possibilidade [Pergunta 032]

Sistema Eletrônico, Admissibilidade [Pergunta 031]

Registro e Autenticação

Juiz de Direito, Delegação [Pergunta 025]

Junta Comercial ou Registro do Comércio, Obrigatoriedade [Pergunta 024]

Lançamento Anterior ao Registro, Possibilidade [Pergunta 027]

Sociedade Simples, Registro Civil [Pergunta 026]


Livro Razão

Inexistência ou Não Apresentação, Arbitramento do Lucro [Pergunta 036]

Obrigatoriedade [Pergunta 034]

Registro ou Autenticação, Dispensa [Pergunta 035]

Livro Registro de Inventário

Contabilização de Estoques, Valor [Pergunta 039]

Falta de Escrituração, Desclassificação da Escrita [Pergunta 038]

Obrigação de Escriturar [Pergunta 037]

Livros e Documentos, Conservação

Obrigatoriedade [Pergunta 033]

Sistema Escritural Eletrônico

Diário Eletrônico, Autenticação [Pergunta 022]

Penalidades, Falta de Apresentação [Pergunta 023]

Possibilidade [Pergunta 022]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo VIII - Lucro Operacional 2015

001 O que constitui o lucro operacional?

Será considerado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou


acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica.

A escrituração do contribuinte cujas atividades compreendam a venda de bens ou


serviços deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados
operacionais.

Normativo: RIR/1999, art. 277.

002 O que se considera lucro bruto?

Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou


serviços que constitua objeto da pessoa jurídica.

O lucro bruto corresponderá à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o
custo dos bens e serviços vendidos.

Normativo: RIR/1999, art. 278.

Receita Bruta e Receita Líquida

003 O que se entende por receita bruta de vendas e serviços?

A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas
operações de conta própria, o resultado auferido nas operações de conta alheia e o preço
dos serviços prestados.

Deve ser adicionado à receita bruta, para cálculo da receita líquida, o crédito-prêmio de
IPI decorrente da exportação incentivada - Befiex.
Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente
do comprador ou contratante e adicionados ao preço do bem ou serviço, e do qual o
vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (IPI).
Da mesma forma, para que a apuração dos resultados não sofra distorções, não se
computam, no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matérias-primas,
os impostos não cumulativos que devam ser recuperados (IPI, ICMS).

O ICMS integra a receita bruta e é considerado parcela redutora para fins de apuração
da receita líquida.

Notas:
1) A receita bruta compreende:
I - o produto da venda de bens nas operações de conta
própria;
II - o preço da prestação de serviços em geral;
III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e
IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa
jurídica não compreendidas nos incisos I a III.
2) Na receita bruta não se incluem os tributos não
cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou
contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos
serviços na condição de mero depositário.
3) Na receita bruta incluem-se os tributos sobre ela
incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor
presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da
Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações
previstas no item 1, observado o disposto no item 2.
(Disposições aplicáveis, a partir de 1º de janeiro de 2014,
aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da
Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, art. 279;


IN SRF nº 51, de 1978; e
ADN CST nº 19, de 1981.

004 O que vem a ser receita líquida de vendas e serviços?

Receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta diminuída:

a) das devoluções e vendas canceladas;


b) dos descontos concedidos incondicionalmente; e
c) dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas.
Notas:
A receita líquida será a receita bruta diminuída de:
I - devoluções e vendas canceladas;
II - descontos concedidos incondicionalmente;
III - tributos sobre ela incidentes; e
IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que
trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15
de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita
bruta.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, art. 280.

005 Qual o conceito de vendas canceladas?

Vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de


vendas e serviços.
Eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de vendas ou de rescisão
contratual não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas ser computados
nos resultados operacionais.

Notas:
As perdas serão consideradas como despesas operacionais e
os ganhos, como outras receitas operacionais.

Normativo: IN SRF nº 51, de 1978.

006 O que são descontos incondicionais?

Somente são consideradas, como descontos incondicionais, as parcelas redutoras do preço


de venda quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e
não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documentos.

Normativo: IN SRF nº 51, de 1978.


007 Quais são os impostos incidentes sobre as vendas?

Reputam-se incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalidade


com o preço da venda efetuada ou dos serviços prestados, mesmo que o respectivo
montante integre a base de cálculo, tais como o ICMS (imposto sobre circulação de
mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicações), o ISS (imposto sobre serviços de qualquer natureza), o IE (imposto
sobre exportação) etc.

Incluem-se também como incidentes sobre vendas:

a) a Cofins - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, inclusive nas


vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica da contribuição;
b) a contribuição para o PIS - Programa de Integração Social, inclusive nas vendas de
produtos sujeitos à incidência monofásica da contribuição; e
c) as taxas que guardem proporcionalidade com o preço de venda.

Notas:
1) Como incidentes sobre as vendas, não se incluem o ICMS
pago na condição de contribuinte substituto e o PIS e a
Cofins pagos na condição de contribuinte substituto na
venda de cigarros e veículos;

2) Igualmente não se incluem as contribuições para o PIS e a


Cofins calculadas sobre receitas que não integram a receita
bruta de vendas;

3) O valor a ser considerado a título de ICMS corresponde


ao resultado da aplicação das alíquotas sobre as receitas de
vendas sujeitas a esse imposto, e não ao montante recolhido
durante o respectivo período de apuração pela pessoa
jurídica.

Normativo: IN SRF nº 51, de 1978.

Custo

008 O que integra o custo de aquisição e o de produção dos


bens ou serviços?

O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda inclui os gastos de transporte


e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos não recuperáveis devidos na
aquisição ou importação.

O custo da produção dos bens ou serviços compreende, obrigatoriamente:


a) o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados
ou consumidos na produção, inclusive os de transporte e seguro até o estabelecimento
do contribuinte e os tributos não recuperáveis devidos na aquisição ou importação;
b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive na supervisão direta, manutenção
e guarda das instalações de produção;
c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens
aplicados na produção;
d) os encargos de amortização, diretamente relacionados com a produção; e
e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção.

Notas:
1) Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo
de aquisição;
2) Não se incluem no custo de aquisição ou de produção os
impostos recuperáveis mediante créditos na escrita fiscal.
3) O disposto nas alíneas “c”, “d” e “e” acima não alcança os
encargos de depreciação, amortização e exaustão gerados
por bem objeto de arrendamento mercantil, na pessoa
jurídica arrendatária. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá
proceder ao ajuste no lucro líquido para fins de apuração do
lucro real, no período de apuração em que o encargo de
depreciação, amortização ou exaustão for apropriado como
custo de produção.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, arts. 289 e 290.

009 A aquisição de bens de consumo eventual poderá ser


considerada como custo? O que se considera como bem
de consumo eventual?
Sim. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento
do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser
registrada diretamente como custo.

Considera-se como bem de consumo eventual aquele bem aplicável nas atividades
industriais ou no setor de prestação de serviços ocasionalmente, sem regularidade.
Normativo: RIR/1999, art. 290, parágrafo único; e
PN CST nº 70, de 1979.
010 Qual o tratamento a ser adotado com relação às quebras
e perdas?

Consideram-se, como integrantes do custo, as perdas e quebras razoáveis, de acordo


com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e no
manuseio, e as quebras e perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela
ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas por laudos ou
certificados emitidos por autoridade competente (autoridade sanitária ou de segurança,
corpo de bombeiros, autoridade fiscal etc.) que especifiquem e identifiquem as
quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência.

Notas:
Entende-se por razoável aquilo que está conforme a razão,
com a prática corrente, comedido, sendo admissível a adoção
de uma média, levantada entre empresas que operam no
mesmo ramo.

Normativo: RIR/1999, art. 291.

011 Quando a pessoa jurídica deverá fazer o levantamento


e a avaliação dos seus estoques?

A pessoa jurídica deverá promover o levantamento e a avaliação dos seus estoques ao


final de cada período de apuração do imposto.

Assim, tendo em vista as disposições contidas na Lei nº 9.430, de 1996, que preveem a
apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda, por períodos trimestrais ou,
por opção, em 31 de dezembro na hipótese de recolhimentos mensais com base na
estimativa, conclui-se que a pessoa jurídica estará obrigada a promover o levantamento
e a avaliação dos seus estoques com a seguinte periodicidade:

a) pessoas jurídicas que adotarem apuração trimestral: deverão fazer o levantamento e a


avaliação em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro;
b) pessoas jurídicas que optarem pela apuração anual: farão o levantamento e a avaliação
anualmente em 31 de dezembro.

Notas:
1) A escrituração do livro de inventário deverá obedecer à
mesma periodicidade do levantamento físico dos estoques,
sendo que a data-limite para sua legalização, em cada
período, é aquela prevista para o pagamento do imposto do
mesmo período;
2) Na hipótese de suspensão ou redução do pagamento
mensal, para fins de recolhimento com base na estimativa, é
dada a opção à pessoa jurídica para que somente promova o
levantamento e a avaliação de seus estoques, segundo a
legislação específica, ao final de cada período anual, em 31
de dezembro.

Normativo: RIR/1999, art. 292;


IN SRF nº 51, de 1995, art. 10, c/c IN SRF nº 93,
de 1997, art. 12, § 4º; e IN SRF nº 56, de 1992.

012 Como se determina o custo dos bens para apuração dos


resultados e avaliação dos estoques?

O custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas será determinado


com base em registro permanente de estoque ou no valor dos estoques existentes, de
acordo com o livro de inventário, no fim do período de apuração.

O valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração poderá ser o custo
médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente. Admite-se, ainda, a
avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro.

O contribuinte que mantiver sistema de custo integrado e coordenado com o restante da


escrituração poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos
em fabricação e acabados.

Normativo: RIR/1999, arts. 289, 294, § 1º, e 295.

013 O que se considera sistema de contabilidade de custo integrado


e coordenado com o restante da escrituração?

Considera-se sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante


da escrituração aquele:

a) apoiado em valores originados da escrituração contábil (matéria-prima, mão-de-obra


direta, custos gerais de fabricação);
b) que permite determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de
matérias-primas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados;

c) apoiado em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas, ou mapas de apropriação ou


rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da
escrituração principal; e
d) que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de
apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos.

Normativo: RIR/1999, art. 294, § 2º.

014
Na ausência de sistema de contabilidade de custo integrado e
coordenado com o restante da escrituração, como o contribuinte
deverá proceder para apurar o custo?

Se a escrituração do contribuinte não possibilitar a apuração de custo com base no


sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da
escrituração, os estoques deverão ser avaliados de acordo com o seguinte critério:

a) os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matérias-
primas adquiridas no período, ou em oitenta por cento do valor dos produtos acabados,
determinado de acordo com a alínea “b” a seguir;
b) os dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda no período
de apuração.
Para aplicação do disposto na alínea “b”, o valor dos produtos acabados deverá ser
determinado tomando por base o preço de venda, sem exclusão de qualquer parcela a
título de ICMS.

Notas:
1) Os estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos
poderão ser avaliados pelos preços correntes de mercado,
conforme as práticas usuais em cada tipo de atividade
(RIR/1999, art. 297). Essa faculdade é aplicável aos
produtores, comerciantes e industriais que lidam com esses
produtos (PN CST nº 5, de 1986, subitem [Link]);

2) A contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da


atualização do valor dos estoques de produtos agrícolas,
animais e extrativos destinados à venda, tanto em virtude do
registro no estoque de crias nascidas no período de apuração,
como pela avaliação do estoque a preço de mercado,
constitui receita operacional, que comporá a base de cálculo
do imposto sobre a renda no período de apuração em que
ocorrer a venda dos respectivos estoques. Nesse caso, a
receita operacional constituirá exclusão do lucro líquido e
deverá ser controlada na Parte B do Lalur. No período de
apuração em que ocorrer a venda dos estoques atualizados,
ela deverá ser adicionada ao lucro líquido para efeito de
determinar o lucro real (IN SRF nº 257, de 2002, art. 16).
Veja ainda: Avaliação de estoques sem custo integrado:
Pergunta 039 do capítulo VII.
Normativo: RIR/1999, art. 296.

015
O maior preço de venda no período de apuração para avaliação dos
estoques de produtos acabados e em fabricação, na ausência de
sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o
restante da escrituração, deverá ser tomado excluindo-se a parcela do
ICMS?

Não. Tratando-se de avaliação que tenha por base o preço de venda, e considerando-se
que o próprio ICMS integra a base de cálculo desse imposto, constituindo seu destaque
mera indicação para fins de controle, o valor dos produtos acabados e em fabricação
deverá ser determinado tomando por base o maior preço de venda no período de
apuração, sem exclusão de qualquer parcela a título de ICMS.

Normativo: PN CST nº 14, de 1981.

016 Admitem-se ajustes na avaliação de estoques e a constituição


de provisão ao valor de mercado?

Não. Na avaliação dos estoques não serão admitidas:

a) reduções globais de valores inventariados ou formação de reservas ou provisões para


fazer face à sua desvalorização;

b) deduções de valor por depreciações estimadas ou mediante provisões para oscilações


de preços; e

c) manutenção de estoques “básicos” ou “normais” a preços constantes ou nominais.

Caso seja necessária a constituição de provisão para ajuste dos estoques ao valor de
mercado, quando este for menor, para atendimento aos Princípios Fundamentais de
Contabilidade e disposições do inciso II do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, essa
provisão não será dedutível para fins de apuração do lucro real.

Normativo: RIR/1999, art. 298.

Despesas Operacionais
017 Qual o conceito de despesas operacionais?

São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da


empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, entendendo-se como necessárias
as pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela
atividade da empresa.

Normativo: RIR/1999, art. 299; e


PN CST nº 32, de 1981.

018 Podem ser consideradas como despesas operacionais as


aquisições de bens de pequeno valor?
Sim. Poderá ser deduzido, como despesa operacional, o custo de aquisição de bens do
ativo imobilizado cujo prazo de vida útil não ultrapasse um ano ou de valor unitário não
superior a R$ 326,61 (valor vigente a partir de 1º/01/1996), desde que atinja a utilidade
funcional individualmente (não empregados em conjunto).

Notas:
1) Sobre bens em conjunto, vide os PN CST nº 100, de 1978,
e nº 20, de 1980.
2) O custo de aquisição de bens do ativo não circulante
imobilizado e intangível não poderá ser deduzido como
despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor
unitário não superior a R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) ou
prazo de vida útil não superior a 1 (um) ano.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, art. 301.

Podem ser consideradas, como custo ou despesa operacional,


019
as aquisições, por empresas que exploram serviços de
hotelaria, restaurantes e similares, de guarnições de cama,
mesa e banho, e louças?
Sim. Poderá ser computado, como custo ou despesa operacional, o valor da aquisição de
guarnições de cama, mesa e banho, e louça, utilizadas por empresas que exploram
serviços de hotelaria, restaurantes e atividades similares.
Normativo: IN SRF nº 122, de 1989.
Podem ser consideradas, como custo de produção da indústria
020
calçadista, as aquisições de formas para calçados e de facas e
matrizes (moldes), estas últimas utilizadas para confecção de
partes de calçados?
Sim. É admitido, como integrante do custo de produção da indústria calçadista o valor
de aquisição de formas para calçados e o de facas e matrizes (moldes), estas últimas
utilizadas para confecção de partes de calçados.

Normativo: IN SRF nº 104, de 1987.

021 Podem ser considerados, como despesas operacionais,


os dispêndios com viagens dos funcionários a serviço
da empresa?
A pessoa jurídica poderá deduzir, na determinação do lucro real em cada período de
apuração, independentemente de comprovação, os gastos de alimentação no local do
desempenho da atividade, em viagem de seus empregados a seu serviço, desde que não
excedentes ao valor de R$ 16,57 (dezesseis reais e cinquenta e sete centavos) por dia de
viagem.

A viagem deverá ser comprovada por recibo de estabelecimento hoteleiro, ou bilhete de


passagem quando não incluir qualquer pernoite, que mencione o nome do funcionário a
serviço da pessoa jurídica.

O acima disposto não se aplica aos casos de gastos de viagem realizada por funcionários
em função de transferência definitiva para outro estabelecimento da pessoa jurídica, nem
com relação às despesas com alimentação de sócios, acionistas e diretores.
Normativo: Lei nº 9.249 de 1995, arts. 13, IV, e 30; e
Portaria MF nº 312, de 1995.

022 Quais são as despesas operacionais dedutíveis na


determinação do lucro real?

As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações,


operações ou atividades da empresa, intrinsecamente relacionadas com a produção ou
comercialização dos bens e serviços.
Excluem-se desse conceito os dispêndios representativos de inversões ou aplicações de
capital e aqueles expressamente vedados pela legislação fiscal.
Essas despesas operacionais devem, ainda, estar devidamente suportadas por documentos
hábeis e idôneos a comprovarem a sua natureza, a identidade do beneficiário, a
quantidade, o valor da operação etc.
Normativo:
Lei nº 9.249, de 1995, art. 13;
RIR/1999, art. 299; e
PN CST nº 58, de 1977, subitem 4.1.

023 Com relação às despesas, quais os documentos necessários à


sua comprovação?

As despesas cujos pagamentos sejam efetuados a pessoa jurídica deverão ser


comprovadas por Nota Fiscal ou Cupom emitidos por equipamentos ECF (Emissor de
Cupom Fiscal), observados os seguintes requisitos em relação à pessoa jurídica
compradora:
a) identificação, mediante indicação do respectivo CNPJ;
b) descrição dos bens ou serviços, objeto da operação;
c) a data e o valor da operação.
Qualquer outro meio de emissão de nota fiscal, inclusive o manual, depende de
autorização da Secretaria de Estado da Fazenda, com jurisdição sobre o domicílio fiscal
da empresa interessada.

Notas:
1) A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 82, prevê a hipótese
de que não será considerado, como comprovado, o gasto ou
a despesa quando os documentos comprobatórios forem
emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha
sido considerada ou declarada inapta, não produzindo, tais
documentos, quaisquer efeitos tributários em favor de
terceiro, por caracterizar hipótese de inidoneidade;
2) Na hipótese do item anterior, a dedutibilidade será
admitida quando o adquirente de bens, direitos e
mercadorias ou o tomador de serviços comprovar a
efetivação do pagamento do preço respectivo e o
recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização
dos serviços.

Normativo: Lei nº 9.532, de 1997, arts. 61, § 1º, e 81, II.

024 Quais as despesas operacionais que a legislação fiscal


considera indedutíveis para fins de apuração do lucro real?

São vedadas as deduções das seguintes despesas operacionais, para efeito de apuração do
lucro real:
a) de qualquer provisão, com exceção apenas daquelas constituídas para: férias de
empregados e 13º salário; reservas técnicas das companhias de seguro e de
capitalização, das entidades de previdência privada e das operadoras de planos de
assistência à saúde, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas
aplicável; e para perdas de estoques, de que tratam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.753,
de 2003, com a redação do art. 85 da Lei nº 10.833, de 2003.
b) das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou
imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou
comercialização dos bens e serviços;
c) de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação,
impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis,
exceto se relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos
bens e serviços (sobre o conceito de bem intrinsecamente relacionado com a
produção ou comercialização dos bens e serviços, vide a IN SRF nº 11, de 1996,
art. 25);
d) das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores;
e) das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e
planos de saúde e benefícios complementares assemelhados aos da Previdência
Social, instituídos em favor de empregados e dirigentes da pessoa jurídica;
f) de doações, exceto se efetuadas em favor: do Pronac (Lei nº 8.313, de 1991);
de instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei
federal, sem finalidade lucrativa (limitada a 1,5% do lucro operacional, antes de
computada a sua dedução e a citada na sequência); e de entidades civis sem fins
lucrativos legalmente constituídas no Brasil que prestem serviços em benefício de
empregados da pessoa jurídica doadora e respectivos dependentes, ou em
benefício da comunidade onde atuem (limitada a dois por cento do lucro
operacional, antes de computada a sua dedução). Incluem-se, também, como
dedutíveis, as doações efetuadas às Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público (Oscip), qualificadas segundo as normas estabelecidas na Lei nº 9.790,
de 1999 (MP nº 2.158-35, de 2001, art. 59), e às Organizações Sociais (OS),
qualificadas consoante os dispositivos da Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998, até
o limite de dois por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução
(Lei nº 10.637, de 2002, art. 34); e
g) das despesas com brindes.

Notas:
1) A Lei nº 9.430, de 1996, arts. 9º e 14, revogou a
possibilidade de dedução do valor da provisão constituída
para créditos de liquidação duvidosa, passando a ser
dedutíveis as efetivas perdas no recebimento dos créditos
decorrentes da atividade da pessoa jurídica, observadas as
condições previstas naqueles dispositivos;

2) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) não


mais é considerada como despesa dedutível, para fins da
apuração do lucro real, devendo o respectivo valor ser
adicionado ao lucro líquido (Lei nº 9.316, de 1996, art. 1º);
3) Somente serão admitidas como dedutíveis as despesas
com alimentação quando esta for fornecida pela pessoa
jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados;

4) As despesas computadas no lucro líquido e consideradas


indedutíveis pela lei fiscal deverão ser adicionadas para fins
de apuração do lucro real do respectivo período de apuração.

5) Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo


da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas,
independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de
30 de novembro de 1964, as deduções,de despesas de
depreciação, amortização e exaustão geradas por bem objeto
de arrendamento mercantil pela arrendatária, na hipótese em
que esta reconheça contabilmente o encargo.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13; e


IN SRF nº 11, de 1996.

025
Quando não cabe o direito de registrar o custo de aquisição de bens
do ativo imobilizado como despesas operacionais, mesmo que
individualmente situados dentro do limite de valor estabelecido
para cada ano-calendário?

Quando as atividades constitutivas do objeto da pessoa jurídica exigirem o emprego de


uma certa quantidade de bens que, embora individualmente cumpram a utilidade
funcional, somente atingem o objetivo da atividade explorada em razão da pluralidade
de seu uso.

Incluem-se nessa hipótese, por exemplo: carrinhos de supermercado; cadeiras ou


poltronas de empresas de diversões públicas empregadas em cinema ou teatro; botijões
utilizados por distribuidoras de gás liquefeito de petróleo; engradados, vasilhames,
barris etc., por empresas de bebidas; máquinas autenticadoras de instituições financeiras
etc.

Assim, os bens da mesma natureza, embora individualmente de custo de aquisição abaixo


do limite admitido, quando necessários em quantidade, em razão de sua utilização pela
empresa, deverão ser registrados conjuntamente, sendo o encargo decorrente da
diminuição de seu valor apurado em função do custo de aquisição correspondente ao valor
total dos bens.
Veja Bens de Pequeno Valor, Dedutibilidade:
ainda: Pergunta 018 deste capítulo.

Normativo: PN CST nº 20, de 1980.

026 Como deve ser contado o prazo de um ano de vida útil de


duração do bem, para efeito de se permitir que seu custo de
aquisição seja admitido como despesa operacional?

A condição legal de dedutibilidade não exige que a vida útil do bem expire no mesmo
ano-calendário em que este é adquirido.
Assim, o prazo de um ano (doze meses) deve ser contado a partir da data de aquisição do
bem, ainda que esse prazo termine no ano seguinte.

Normativo: PN CST nº 20, de 1980, item 11.

027 Quais os dispêndios que configuram inversão ou aplicação de


capital?

Salvo disposições especiais, constituem inversão ou aplicação de capital os dispêndios


relativos ao custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil
ultrapassar um ano, ou cujo valor unitário de aquisição for superior a R$ 326,61 (trezentos
e vinte e seis reais e sessenta e um centavos).
Nesse caso, o valor despendido deverá ser ativado, para ser depreciado ou amortizado em
períodos de apuração futuros.

Normativo: RIR/1999, art. 301, e § 2º.

028
Quais os gastos de conservação de bens e instalações que são
admitidos como custos ou despesas operacionais, dedutíveis na
determinação do lucro real?

São admitidos como custos ou despesas operacionais, dedutíveis na determinação do


lucro real, os gastos com reparos e conservação de bens e instalações destinados, tão
somente, a mantê-los em condições eficientes de operação, e que não resultem em
aumento da vida útil do bem, prevista no ato de aquisição, superior a um ano.
Somente será admitida a dedutibilidade de despesas com reparos e conservação de bens
móveis e imóveis quando estes forem intrinsecamente relacionados com a produção ou
comercialização dos bens e serviços.
Notas:
1) Os gastos de desmontagem e retirada de item de ativo
imobilizado ou restauração do local em que está situado
somente serão dedutíveis quando efetivamente incorridos.

2) Caso constitua provisão para gastos de desmontagem e


retirada de item de ativo imobilizado ou restauração do local
em que está situado, a pessoa jurídica deverá proceder ao
ajuste no lucro líquido para fins de apuração do lucro real,
no período de apuração em que o imobilizado for realizado,
inclusive por depreciação, amortização, exaustão, alienação
ou baixa.

3) Eventuais efeitos contabilizados no resultado,


provenientes de ajustes na provisão de que trata o item
anterior ou de atualização de seu valor, não serão
computados na determinação do lucro real.
(Disposições aplicáveis, a partir de 1º de janeiro de 2014,
aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da
Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo:
Lei nº 9.249 de 1995, art. 13, III;
RIR/1999, art. 346; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 25.

029
Quais são os gastos de conservação de bens e instalações não
aceitos como custos ou despesas operacionais dedutíveis no
próprio período de apuração de sua efetivação?

Não são aceitos, como custos ou despesas operacionais dedutíveis no próprio período de
apuração de sua efetivação, os gastos realizados com reparos, conservação ou substituição
de partes de que resultem aumento de vida útil superior a um ano, em relação à prevista
no ato de aquisição do respectivo bem.
Nesse caso, os gastos correspondentes deverão ser capitalizados, a fim de servirem de
base a depreciações futuras.

Notas:
1) Os gastos de desmontagem e retirada de item de ativo
imobilizado ou restauração do local em que está situado
somente serão dedutíveis quando efetivamente incorridos.

2) Caso constitua provisão para gastos de desmontagem e


retirada de item de ativo imobilizado ou restauração do local
em que está situado, a pessoa jurídica deverá proceder ao
ajuste no lucro líquido para fins de apuração do lucro real,
no período de apuração em que o imobilizado for realizado,
inclusive por depreciação, amortização, exaustão, alienação
ou baixa.

3) Eventuais efeitos contabilizados no resultado,


provenientes de ajustes na provisão de que trata o item
anterior ou de atualização de seu valor, não serão
computados na determinação do lucro real.
(Disposições aplicáveis, a partir de 1º de janeiro de 2014,
aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da
Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, art. 346, § 1º;


PN CST nº 2, de 1984; e
PN CST nº 22, de 1987.

030
Como deve ser computado o aumento de vida útil superior a um
ano de duração do bem, para efeito de não permitir a dedutibilidade
dos gastos com reparos, conservação ou substituição de partes no
próprio período de apuração de sua efetivação?

O aumento de vida útil superior a um ano deve ser computado a partir da data final de
utilização do bem, prevista no ato de aquisição, correspondendo ao período de
prolongamento de vida útil que se possa esperar em função dos gastos efetuados com
reparos, conservação ou substituição de partes.

Deverá representar, pelo menos, mais doze meses de condições eficientes de operação.

Multas
031 As multas por infrações fiscais são dedutíveis na
determinação do lucro real?
Não. As multas por infrações fiscais, como regra geral, não são dedutíveis na
determinação do lucro real, como custo ou despesa operacional.
Entretanto, poderão ser dedutíveis as multas de natureza compensatória e as impostas por
infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo.

Normativo: RIR/1999, art. 344, § 5º.

032 O que deve ser entendido por multas fiscais?

Consideram-se multas fiscais aquelas impostas pela lei tributária.

Quando decorrentes de falta ou insuficiência de pagamento de tributo e não sejam de


natureza compensatória, serão indedutíveis.

Normativo: PN CST nº 61, de 1979.

033 As multas não qualificadas como fiscais são dedutíveis?


Não. As multas decorrentes de infrações às normas de natureza não tributária, tais como
as decorrentes de leis administrativas, penais, trabalhistas etc. (como, por exemplo,
multas de trânsito, pesos e medidas, FGTS, INSS, CLT etc.), embora não se caracterizem
como fiscais, são indedutíveis na determinação do lucro real, por não se enquadrarem no
conceito de despesa operacional dedutível para fins do imposto de renda, e não atenderem
ao disposto no art. 299 do RIR/1999, que condiciona a dedutibilidade das despesas a que
elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte
produtora.
Normativo: RIR/1999, arts. 299 e 344, § 5º; e
PN CST nº 61, de 1979, item 6.

Como se pode identificar a multa de natureza compensatória


034
(dedutível)?

A multa de natureza compensatória destina-se a compensar o sujeito ativo da obrigação


tributária pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era
devido.

É penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito


civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a
responsabilidade por esses acréscimos, usualmente chamados moratórios.

Porém, nem todos os acréscimos moratórios previstos na legislação tributária podem ser
considerados compensatórios.
A multa moratória somente terá natureza compensatória quando, cumulativamente,
preencher as seguintes condições:
a) não ser excluída pela denúncia espontânea; e
b) guardar equivalência com a lesão provocada, o que é revelado pela própria lei ao fixar
o percentual em função do tempo de atraso (exemplo: 0,33% por dia de atraso até o
limite máximo de vinte por cento, fixado para imposição de multa moratória).
Normativo: Lei nº 9.430, de 1996, art. 61; e
PN CST nº 61, de 1979, item 4.

035 De forma geral, quais são as multas ou acréscimos moratórios


considerados de natureza compensatória (dedutíveis)?

As multas ou acréscimos moratórios, considerados de natureza compensatória


(dedutíveis), são os que decorram do recolhimento do tributo fora dos prazos legais.
A título de exemplo, mencionam-se:
a) os juros de mora de um por cento no mês do pagamento ou aqueles calculados
com base na taxa Selic, pelo prazo em que perdurar a inadimplência;
b) as multas moratórias por recolhimento espontâneo de tributo fora do prazo,
calculadas com base no percentual de 0,33% por dia de atraso até o limite máximo
de vinte por cento; e
c) a multa por apresentação espontânea de declaração fora do prazo.
Normativo:
Lei nº 9.430, de 1996, art. 61; e
PN CST nº 61, de 1979, subitem 4.7, “a”.

Como se identificam as multas impostas por infrações de que


036
resultam falta ou insuficiência de pagamento de tributo
(indedutíveis)?
As multas impostas por infrações de que resultam falta ou insuficiência de pagamento de
tributo (indedutíveis) são as aplicadas por descumprimento de obrigação principal ou de
obrigação acessória cuja inadimplência resulte em infração da principal, ou seja, falta ou
insuficiência de pagamento de tributo.
Essas obrigações acessórias possuem tal efeito quando necessárias ao lançamento normal
do tributo.
Nessa condição se encontra, por exemplo, a obrigação de prestar informações quanto à
matéria de fato indispensável à constituição do crédito tributário.

Normativo: PN CST nº 61, de 1979.


037 Qual a distinção entre as multas por infrações fiscais de que
resultam falta ou insuficiência de pagamento de tributo
(indedutíveis) e as de natureza compensatória (dedutíveis)?
As multas fiscais são punitivas ou compensatórias, sendo que estas já foram objeto de
resposta em perguntas anteriores (perguntas 34 e 35).

A multa de natureza punitiva é aquela que se funda no interesse público de penalizar o


inadimplente; é a multa proposta por ocasião do lançamento de ofício pela autoridade
administrativa; é aquela cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se
refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, em que o arrependimento, oportuno e
formal, da prática da infração faz cessar o motivo de punir.
Como exemplos de multas punitivas, podemos citar:

a) as multas de lançamento de ofício aplicadas sobre a totalidade ou diferença do


imposto devido, nos casos de falta de declaração, de declaração inexata ou de
evidente intuito de fraude (RIR/1999, art. 957); e

b) a aplicada à fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta


de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo
de multa moratória (Lei nº 10.426, de 2002, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº
11.488, de 2007).

Normativo: PN CST nº 61, de 1979.

038 Quais as infrações de que não resultam falta ou insuficiência


de pagamento de tributo (dedutíveis)?

As infrações de que não resultam falta ou insuficiência de pagamento de tributo


(dedutíveis) são aquelas relativas às obrigações acessórias não erigidas pela legislação
como indispensáveis ao lançamento normal do tributo.

Nesse caso, as multas a elas correspondentes são dedutíveis.

Como exemplo de multa dessa natureza cita-se a aplicada às pessoas jurídicas que
deixarem de fornecer aos beneficiários, no prazo legal, ou fornecerem com inexatidão, o
Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de
Renda na Fonte.

Normativo: PN CST nº 61, de 1979.

Receita de Exportação
039 Como é determinada a receita bruta de venda nas exportações
de produtos manufaturados nacionais?

A receita bruta de venda nas exportações de produtos manufaturados nacionais é


determinada pela conversão, em moeda nacional, de seu valor expresso em moeda
estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do
Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior, assim
entendida a data averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).

Notas:
1) O lucro oriundo de exportação de produtos
manufaturados, com exceção do lucro da exploração
decorrente de exportação incentivada - Befiex, sujeita-se à
mesma tributação aplicável às pessoas jurídicas em geral;
2) Deve ser adicionado à receita bruta o crédito-prêmio de
IPI decorrente da exportação incentivada - Befiex;
3) O lucro da exploração correspondente às receitas de
exportação incentivada de produtos - Befiex, cujos
programas tenham sido
aprovados até 31/12/1987, está isento do imposto de renda.

Normativo: Portaria MF nº 356, de 1988;


IN SRF nº 51, de 1978;
IN SRF nº 28, de 1994; e
ADN CST nº 19, de 1981.

040 Como é fixada a data de embarque para efeito de


determinação da receita bruta de vendas nas exportações de
produtos manufaturados nacionais?
Entende-se como data de embarque dos produtos para o exterior (momento da
conversão da moeda estrangeira) aquela averbada no Siscomex.

Normativo: Portaria MF nº 356, de 1988, subitem I.1; e


IN SRF nº 28, de 1994.

041 Como deverão ser consideradas as diferenças decorrentes de


alterações na taxa de câmbio ocorridas entre a data do
fechamento do contrato de câmbio e a data de embarque?
As diferenças decorrentes de alterações na taxa de câmbio ocorridas entre a data do
fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque devem ser consideradas como
variações monetárias ativas ou passivas, conforme o caso.
Normativo: Portaria MF nº 356, de 1988.

042 O que vem a ser “prêmio sobre saque de exportação” e qual


o seu tratamento?

“Prêmio sobre saque de exportação” é a importância que for liberada pelo banco
interveniente na operação de câmbio, a favor do exportador, tendo por referência a
diferença correspondente à desvalorização estimada do Real entre a data do fechamento
do contrato de câmbio e a data da liquidação do saque, representando prêmio
complementar à taxa cambial, nos casos de venda de câmbio para entrega futura.

Assim, considera-se “prêmio sobre saque de exportação” a parcela da remuneração paga


ao exportador pelo banco interveniente nos contratos de câmbio que exceder o valor
contratado.

O prêmio sobre saque de exportação constitui receita financeira, para fins de


determinação do lucro real.

Normativo: Portaria MF nº 356, de 1988, item IV.

Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado

043 Em que consiste a depreciação de bens do ativo


imobilizado?

A depreciação de bens do ativo imobilizado corresponde à diminuição do valor dos


elementos nele classificáveis, resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza ou
obsolescência normal.

Referida perda de valor dos ativos, que tem por objeto bens físicos do ativo imobilizado
das empresas, será registrada periodicamente em contas de custo ou despesa (encargos
de depreciação do período de apuração) que terão como contrapartida contas de registro
da depreciação acumulada, classificadas como contas retificadoras do ativo imobilizado.

Notas:
A partir de 1º/01/1996, tendo em vista o fim da correção
monetária das demonstrações financeiras, as quotas de
depreciação a serem registradas na escrituração, como custo
ou despesa, serão calculadas mediante a aplicação da taxa
anual de depreciação sobre o valor, em Reais, do custo de
aquisição registrado contabilmente.
Normativo: RIR/1999, art. 305.

044 Como deve ser fixada a taxa de depreciação?

Regra geral, a taxa de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se
possa esperar a utilização econômica do bem, pelo contribuinte, na produção dos seus
rendimentos.

A IN SRF nº 162, de 1998, estabelece que a quota de depreciação a ser registrada na


escrituração da pessoa jurídica, como custo ou despesa operacional, será determinada
com base nos prazos de vida útil e nas taxas de depreciação constantes dos seus Anexos
I (bens relacionados na Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM) e II (demais bens).

A IN SRF nº 130, de 1999, alterou o Anexo I da IN SRF nº 162, de 1998, para incluir,
no referido Anexo, uma listagem de bens conforme referência na NCM, fixando, para
esses bens, o prazo de vida útil e a taxa anual de depreciação.

Os prazos de vida útil admissíveis para fins de depreciação dos seguintes veículos
automotores, adquiridos novos, foram fixados pela IN SRF nº 162, de 1998:
Bens Taxa de depreciação Prazo
Tratores 25% ao ano

(Anexo I da IN SRF 4 anos


nº 162, de 1998, NCM
Posição 8701)
25% ao ano
Veículos automotores para
transporte de 10 pessoas ou (Anexo I da IN SRF 4 anos
mais, incluído o motorista nº 162, de 1998, Posição
8702)

Veículos de passageiros e
outros veículos automóveis 20% ao ano
principalmente concebidos para
transporte de pessoas (exceto os (Anexo I da IN SRF 5 anos
da posição 8702), incluídos os nº 162, de 1998, Posição
veículos de uso misto e os 8703)
automóveis de corrida

25% ao ano
Veículos automóveis para
(Anexo I da IN SRF 4 anos
transporte de mercadoria
nº 162, de 1998, Posição
8704)
25% ao ano

(Anexo I da IN SRF
nº 162, de 1998, usa a
Caminhões fora-de-estrada expressão Veículos 4 anos
Automóveis Especiais
abrangendo os Caminhões
fora-de-estrada - Posição
8705)
25% ao ano

Motociclos (Anexo I da IN SRF 4 anos


nº 162, de 1998, Posição
8711)

Foram também fixados em cinco anos, pela IN SRF nº 4, de 1985:


a) o prazo de vida útil para fins de depreciação de computadores e periféricos
(hardware), taxa de vinte por cento ao ano;
b) o prazo mínimo admissível para amortização de custos e despesas de aquisição e
desenvolvimento de logiciais (software), utilizados em processamento de dados, taxa
de vinte por cento ao ano.
A taxa de depreciação, aplicável a cada caso, é obtida mediante a divisão do percentual
de cem por cento pelo prazo de vida útil, em meses, trimestres ou anos, apurando-se,
assim, a taxa mensal, trimestral ou anual a ser utilizada.

Notas:
Caso a quota de depreciação registrada na contabilidade do
contribuinte seja menor do que aquela normalmente
admissível, a diferença poderá ser excluída do lucro líquido
na apuração do lucro real, observando-se que, em qualquer
hipótese, o montante acumulado, das cotas de depreciação
não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem,
atualizado monetàriamente. Nesse caso, a partir do período
de apuração em que o montante acumulado das quotas de
depreciação computado na determinação do lucro real atingir
o custo de aquisição do bem, atualizado monetàriamente, o
valor da depreciação, registrado na escrituração comercial,
deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de
determinação do lucro real.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, art. 310;


IN SRF nº 4, de 1985;
IN SRF nº 162, de 1998; e
IN SRF nº 130, de 1999.

045 Como será calculada a depreciação de bens adquiridos


usados?

A taxa anual de depreciação de bens adquiridos usados será fixada tendo em vista o maior
dos seguintes prazos:
a) metade do prazo de vida útil admissível para o bem adquirido novo; ou
b) restante da vida útil do bem, considerada essa vida útil em relação à primeira
instalação ou utilização desse bem.

Normativo: RIR/1999, art. 311.


046 Qual a condição para que um caminhão possa ser
considerado “fora-de-estrada”, para fins de depreciação
no prazo de quatro anos?

Serão considerados “fora-de-estrada” os caminhões construídos especialmente para


serviços pesados, destinados ao transporte de minérios, pedras, terras com pedras e
materiais semelhantes, e utilizados dentro dos limites das obras ou minas.

047 Como proceder quando a taxa de depreciação efetivamente


suportada pelos bens da pessoa jurídica divergir da
normalmente admissível, tenha sido, ou não, fixada
para efeitos fiscais, pela RFB?

A legislação do imposto sobre a renda leva em consideração, na fixação do prazo de vida


útil admissível para cada espécie de bem, as condições normais ou médias de sua
utilização.
Fica, todavia, assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente
adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça prova dessa
adequação sempre que adotar taxa superior à usualmente admitida, mediante laudo do
Instituto Nacional de Tecnologia (INT) ou de outra entidade oficial de pesquisa científica
ou tecnológica.

Notas:
Caso a quota de depreciação registrada na contabilidade do
contribuinte seja menor do que aquela normalmente
admissível, a diferença poderá ser excluída do lucro líquido
na apuração do lucro real, observando-se que, em qualquer
hipótese, o montante acumulado, das cotas de depreciação
não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem,
atualizado monetariamente. Nesse caso, a partir do período
de apuração em que o montante acumulado das quotas de
depreciação computado na determinação do lucro real atingir
o custo de aquisição do bem, atualizado monetariamente, o
valor da depreciação, registrado na escrituração comercial,
deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de
determinação do lucro real.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: RIR/1999, art. 310, §§ 1º e 2º.


048 Quem poderá registrar o encargo da depreciação dos bens?

A depreciação dos bens será deduzida somente pelo contribuinte que suportar o encargo
econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade,
posse ou uso do bem.
O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação e que se tornarem imprestáveis
ou caírem em desuso será computado, por ocasião da efetiva saída do bem do patrimônio
da empresa (baixa física), como despesa não operacional. Quando houver valor
econômico apurável, o montante da alienação será computado como receita não
operacional da empresa.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
2) Não são admitidas quotas de depreciação, para fins da
apuração do lucro real, de bens destinados à revenda ou que
não estejam sendo utilizados na produção dos rendimentos.

Normativo: RIR/1999, art. 305, §§ 1º e 4º.

049 Quais bens podem ser depreciados?

Podem ser objeto de depreciação todos os bens físicos sujeitos a desgaste pelo uso, por
causas naturais, ou obsolescência normal, inclusive edifícios e construções, e projetos
florestais destinados à exploração dos respectivos frutos (para projetos florestais, vide
PN CST nº 18, de 1979).
A partir de 1º/01/1996, somente será admitida, para fins de apuração do lucro real, a
despesa de depreciação de bens móveis ou imóveis que estejam intrinsecamente
relacionados com a produção ou comercialização de bens e serviços objeto da atividade
empresarial.
Normativo: RIR/1999, arts. 305 e 307; e
PN CST nº 18, de 1979.

050 Quais bens não podem ser objeto de depreciação?

Não será admitida quota de depreciação relativamente a:


a) terrenos, salvo em relação aos melhoramentos ou construções;
b) prédios ou construções não alugados nem utilizados pela pessoa jurídica na produção
dos seus rendimentos, ou destinados à revenda;
c) bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obras de arte e
antiguidades; e
d) bens para os quais seja registrada quota de exaustão.

Normativo: RIR/1999, art. 307.

051 A partir de que momento poderá a depreciação ser


imputada no resultado da pessoa jurídica?

Qualquer que seja a forma de registro desse encargo, na escrituração trimestral ou mesmo
anual, a quota de depreciação somente será dedutível, como custo ou despesa operacional,
a partir do mês em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir.

Normativo: RIR/1999, art. 305, § 2º.

052 Um bem que se encontra no depósito aguardando sua


instalação pode ser objeto de depreciação?

Não. O bem somente poderá ser depreciado depois de instalado, posto em serviço ou em
condições de produzir.

Normativo: RIR/1999, art. 305, § 2º.

053 Empresa que vinha utilizando, para determinado bem,


taxas de depreciação inferiores às admitidas como
dedutíveis na apuração do lucro real poderá utilizar taxas
mais elevadas, a fim de ajustar a depreciação acumulada à
taxa normal?

Não. Será admitida quota acima da usualmente utilizada desde que o contribuinte prove
adequação das quotas adotadas em função da utilização do bem em condições adversas
em determinado período, e não decorrente de simples “recuperação”, respeitados os
limites mínimos de tempo e máximos de taxas, estabelecidos pela legislação fiscal.

Notas:
Caso a quota de depreciação registrada na contabilidade do
contribuinte seja menor do que aquela normalmente
admissível, a diferença poderá ser excluída do lucro líquido
na apuração do lucro real, observando-se que, em qualquer
hipótese, o montante acumulado, das cotas de depreciação
não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem,
atualizado monetariamente. Nesse caso, a partir do período
de apuração em que o montante acumulado das quotas de
depreciação computado na determinação do lucro real atingir
o custo de aquisição do bem, atualizado monetariamente, o
valor da depreciação, registrado na escrituração comercial,
deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de
determinação do lucro real.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: PN CST nº 79, de 1976.

054 Como calcular a quota de depreciação de bens aplicados na


exploração mineral ou florestal, cujo período de exploração
total seja inferior ao tempo de vida útil desses bens?

A quota de depreciação registrável em cada período de apuração de bens aplicados


exclusivamente na exploração de minas, jazidas e florestas, cujo período de exploração
total seja inferior ao tempo de vida útil desses bens, poderá ser determinada,
opcionalmente, em função do prazo da concessão ou do contrato de exploração ou, ainda,
do volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança
conhecida da mina ou com a dimensão da floresta explorada.

Normativo: RIR/1999, art. 309, § 3º.

055 Como calcular a taxa de depreciação em caso de conjunto


de instalação ou equipamentos sem especificação suficiente
para permitir aplicar as diferentes taxas de depreciação de
acordo com a natureza do bem?

Quando o registro do imobilizado for feito por conjunto de instalação ou equipamentos,


sem especificação suficiente para permitir aplicar as diferentes taxas de depreciação de
acordo com a natureza do bem, e o contribuinte não tiver elementos para justificar as
taxas médias adotadas para o conjunto, será obrigado a utilizar as taxas aplicáveis aos
bens de maior vida útil que integrem o conjunto.
Normativo: RIR/1999, art. 310, § 3º.

056 Sabendo-se que não é admitida quota de depreciação sobre


terrenos, como proceder quando o registro contábil de
imóvel construído agregar o valor da construção ao do
terreno?

Quando o valor do terreno não estiver separado do valor da edificação que sobre ele
existir, deve ser providenciado o respectivo destaque, para que seja admitida a dedução
da depreciação do valor da construção ou edifício.
Para isso, o contribuinte poderá se basear em laudo pericial para determinar que parcela
do valor contabilizado corresponde ao valor do edifício ou construção, aplicando, sobre
essa parcela, o percentual de depreciação efetivamente suportado, limitado, para efeito
tributário, ao admitido para esse tipo de bem.

Notas:
Somente os edifícios e construções alugados ou utilizados
pela pessoa jurídica na produção dos seus rendimentos
podem ser objeto de depreciação.

Normativo: PN CST nº 14, de 1972.

Depreciação Acelerada

057 Quais as espécies de depreciação acelerada existentes?

Há duas espécies de depreciação acelerada:


a) a reconhecida e registrada contabilmente, relativa à depreciação acelerada dos bens
móveis, resultante do desgaste pelo uso em regime de operação superior ao normal,
calculada com base no número de horas diárias de operação (turnos de trabalho); e
b) a relativa à depreciação acelerada incentivada, considerada como benefício fiscal e
reconhecida, apenas, pela legislação tributária, para fins da apuração do lucro real,
sendo registrada no Lalur, sem qualquer lançamento contábil.

Normativo: RIR/1999, arts. 312 e 313.


058 Qual o critério para aplicação da depreciação acelerada
contábil?

No que concerne aos bens móveis, poderão ser adotados, em função do número de horas
diárias de operação, os seguintes coeficientes de depreciação acelerada sobre as taxas
normalmente utilizáveis:
a) 1,0 – para um turno de oito horas de operação;
b) 1,5 – para dois turnos de oito horas de operação; e
c) 2,0 – para três turnos de oito horas de operação.
Nessas condições, um bem cuja taxa normal de depreciação é de dez por cento ao ano
poderá ser depreciado em quinze por cento ao ano se operar dezesseis horas por dia, ou
vinte por cento ao ano, se em regime de operação de 24 horas por dia.

Normativo: RIR/1999, art. 312.

059
É permitida a aplicação dos coeficientes de aceleração da
depreciação dos bens móveis do ativo imobilizado, em razão
dos turnos de operação, conjuntamente com os coeficientes
multiplicativos concedidos como incentivo fiscal a
determinados setores da atividade econômica?

Sim. Não existe impedimento a que os dois regimes sejam aplicados cumulativamente,
desde que atendidas as demais exigências previstas na legislação relativa a cada um deles,
pois, do contrário, haverá cerceamento de um dos dois direitos.
Ressalte-se, por oportuno, a regra geral impeditiva de que, em qualquer caso, o montante
acumulado das quotas de depreciação deduzidas na apuração do lucro real não pode
ultrapassar o custo de aquisição do bem registrado contabilmente.
Normativo: RIR/1999, art. 313, § 5º; e
PN CST nº 95, de 1975.

060 É necessária prévia autorização para que a pessoa jurídica


possa adotar o regime de depreciação acelerada contábil?

Não. Não é necessária prévia autorização para que a pessoa jurídica possa adotar esse
regime.
Entretanto, caso seja utilizada a depreciação acelerada contábil, o contribuinte poderá ser
solicitado, a qualquer tempo, a justificar convenientemente esse procedimento, sob pena
de ver glosado o excesso em relação à taxa normal, com a cobrança dos tributos e dos
acréscimos cabíveis.

Notas:
1) Os hotéis e pousadas que adotarem, em relação aos bens
móveis registrados em conta do ativo imobilizado, os
coeficientes de depreciação acelerada contábil deverão
comprovar o número de horas efetivas de utilização dos
bens;
2) Na impossibilidade de comprovação do número de horas
diárias de operação dos bens intrinsecamente relacionados
com a atividade, a utilização dos coeficientes de aceleração
poderá ser efetuada na proporção da taxa média mensal de
ocupação da capacidade de hospedagem;
3) Para a utilização dos coeficientes, deve ser comprovada a
taxa de ocupação de sua capacidade de hospedagem.

Normativo: IN RFB nº 821, de 2008, art. 1º.

061 Quais os elementos de prova que podem justificar a


aplicação da depreciação acelerada contábil?

A comprovação, que deve reportar-se ao período em que foi utilizado o coeficiente de


depreciação acelerada contábil, deverá demonstrar que, efetivamente, determinado bem
móvel esteve em operação por dois ou três turnos de oito horas, conforme o caso,
dependendo, exclusivamente, do tipo de atividade exercida pelo contribuinte.
Como elementos de prova, visando a convencer a autoridade fiscal de sua adequada
utilização, poderão ser apresentados, entre outros: folhas de pagamento relativas a dois
ou três operadores diários para um mesmo equipamento que necessite de um único
operador durante o período de oito horas; produção condizente com o número de horas
de operação do equipamento; consumo de energia elétrica condizente com o regime de
horas de operação etc.

Depreciação Acelerada Incentivada

062 Quais as formas de depreciação acelerada incentivada, de


acordo com a legislação fiscal?
Bens utilizados na atividade rural:
Os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que
explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente
no próprio ano da aquisição (MP nº 2.159-70, de 2001, art. 6º; e RIR/1999, art. 314).
Dispêndios Realizados com Pesquisa Tecnológica e Desenvolvimento de Inovação
Tecnológica de Produtos:
A partir de 2003, os valores relativos aos dispêndios incorridos em instalações fixas e na
aquisição de aparelhos, máquinas e equipamentos, destinados à utilização em projetos de
pesquisa e desenvolvimentos tecnológicos, metrologia, normalização técnica e avaliação
da conformidade, aplicáveis a produtos, processos, sistemas e pessoal, procedimentos de
autorização de registros, licenças, homologações e suas formas correlatas, e relativos a
procedimentos de proteção de propriedade intelectual, poderão ser depreciados na forma
da legislação vigente, podendo o saldo não depreciado ser excluído na determinação do
lucro real, no período de apuração em que concluída sua utilização (Lei nº 10.637,
de 2002, art. 39, § 2º; e Lei nº 11.196, de 2005, art. 20).
O valor do saldo excluído na forma do parágrafo anterior deverá ser controlado na Parte
B do Lalur e será adicionado, na determinação do lucro real, em cada período de apuração
posterior, pelo valor da depreciação normal que venha a ser contabilizada como despesa
operacional.
Para fins da dedução, os dispêndios deverão ser controlados contabilmente em contas
específicas, individualizadas por projeto realizado.
Sem prejuízo do disposto anteriormente, a pessoa jurídica poderá, ainda, excluir, na
determinação do lucro real, valor equivalente a cem por cento do dispêndio total de cada
projeto concluído com sucesso na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que venha a ser
transformado em depósito de patente até 31 de dezembro de 2005, devidamente
registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), e, cumulativamente,
em pelo menos uma das seguintes entidades de exame reconhecidas pelo Tratado de
Cooperação sobre Patentes (Patent Cooperation Treaty - PCT): I – Departamento Europeu
de Patentes (European Patent Office); II – Departamento Japonês de Patentes (Japan
Patent Office); ou III – Departamento Norte-Americano de Patentes e Marcas (United
States Patent and Trade Mark Office). Para convalidar a adequação dos dispêndios
efetuados, com vistas ao gozo do benefício fiscal, os projetos de desenvolvimento de
inovação tecnológica deverão ser encaminhados às agências credenciadas pelo Ministério
da Ciência e Tecnologia (MCT) para análise e aprovação técnica, nos termos do disposto
no § 5º do art. 4º da Lei nº 8.661, de 1993 (Lei nº 10.637, de 2002, art. 42, caput; e
Lei nº 11.196, de 2005, art. 133, I, “d”).
O valor que servirá de base para a exclusão deverá ser controlado na Parte B do Lalur,
por projeto, até que sejam satisfeitas as exigências previstas na Lei nº 10.637, de 2002,
quando poderão ser excluídos na determinação do lucro real (Lei nº 10.637, de 2002,
art. 40, § 1º).
Os valores registrados deverão, a qualquer tempo, ser comprovados por documentação
idônea, que deverá estar à disposição da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do
Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 40, § 2º).
Bens destinados à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica,
adquiridos a partir de 1º/01/2006:
As pessoas jurídicas poderão deduzir a depreciação integral, no próprio ano da aquisição,
de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, novos, destinados à utilização nas
atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, para
efeito de apuração do IRPJ e da CSLL (Lei nº 11.196, de 2005, art. 17, III, com a redação
dada pela Lei nº 11.774, de 2008).
Bens adquiridos por empresas industriais fabricantes de veículos e de autopeças e
por pessoas jurídicas fabricantes de bens de capital, entre 1º de maio de 2008 e 31
de dezembro de 2010:
Para efeito de apuração do imposto de renda, as empresas industriais fabricantes de
veículos e de autopeças e as pessoas jurídicas fabricantes de bens de capital terão direito
à depreciação acelerada, calculada pela aplicação da taxa de depreciação usualmente
admitida, multiplicada por quatro, sem prejuízo da depreciação normal das máquinas,
equipamentos, aparelhos e instrumentos, novos, relacionados em regulamento (Decreto
nº 6.701, de 2008), adquiridos entre 1º de maio de 2008 e 31 de dezembro de 2010,
destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente.
A depreciação acelerada de que trata este item deverá ser calculada antes da aplicação
dos coeficientes de depreciação acelerada previstos no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958
(Lei nº 11.774, de 2008, arts. 11 e 12).
Bens móveis integrantes do ativo imobilizado de pessoa jurídica que explore a
atividade de hotelaria, adquiridos entre 4 de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de
2010:
Para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda, a pessoa jurídica que
explore a atividade de hotelaria poderá utilizar depreciação acelerada incentivada de bens
móveis integrantes do ativo imobilizado, adquiridos a partir da data da publicação da
Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, até 31 de dezembro de 2010, calculada
pela aplicação da taxa de depreciação admitida pela legislação tributária, sem prejuízo da
depreciação contábil (Lei nº 11.727, de 2008, art. 1º).
Empresas Concessionárias, Permissionárias e Autorizadas de Geração de Energia
Elétrica
A diferença entre o valor do encargo decorrente das taxas anuais de depreciação fixadas
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e o valor do encargo contabilizado decorrente
das taxas anuais de depreciação fixadas pela legislação específica aplicável aos bens do
ativo imobilizado, exceto terrenos, adquiridos ou construídos por empresas
concessionárias, permissionárias e autorizadas de geração de energia elétrica, poderá ser
excluída do lucro líquido para a apuração do lucro real (Lei nº 11.196, de 2005, art. 37).
O disposto aplica-se somente aos bens novos adquiridos ou construídos destinados a
empreendimentos cuja concessão, permissão ou autorização tenha sido outorgada a partir
da data da publicação desta Lei até 31 de dezembro de 2018 (Lei nº 11.196, de 2005, art.
37, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013, art. 41).
A diferença entre os valores dos encargos será controlada no livro fiscal destinado à
apuração do lucro real (Lei nº 11.196, de 2005, art. 37, § 2º).

Empresas de Desenvolvimento ou Produção de Bens e Serviços de Informática e


Automação:
As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e
automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia
da informação poderão fazer jus ao benefício da depreciação acelerada, calculada pela
aplicação da taxa de depreciação usualmente admitida, multiplicada por dois, sem
prejuízo da depreciação normal das máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos
novos destinados ao uso na produção industrial, incorporados ao ativo fixo e utilizados
no processo de produção (Lei nº 8.191, de 1991, art. 2º, Lei nº 8.248, de 1991, art. 4º, e
Lei nº 10.176, de 2001, art. 1º).
Para fazer jus ao benefício, as empresas deverão atender às condições estabelecidas no
art. 11 e parágrafos da Lei nº 8.248, de 1991, com redação dada pelas Leis nºs 10.176, de
2001, 10.664, de 2003, 11.077, de 2004, e 12.249, de 2010.
O benefício fiscal não pode ser usufruído cumulativamente com outro idêntico, salvo
quando expressamente autorizado em lei (Lei nº 8.191, de 1991, art. 5º).
Veículos automóveis para transporte de mercadorias, e vagões, locomotivas,
locotratores e tênderes, destinados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica
adquirente, novos, adquiridos ou objeto de contrato de encomenda entre 1º de
setembro e 31 de dezembro de 2012:
Para efeito de apuração do imposto sobre a renda, a partir de 1º de janeiro de 2013, as
pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real terão direito à depreciação acelerada,
calculada pela aplicação da taxa de depreciação usualmente admitida multiplicada por
três, sem prejuízo da depreciação contábil (Lei nº 12.788, de 2013, art. 1º, I e II e § 2º,
III):
I - de veículos automóveis para transporte de mercadorias, destinados ao ativo
imobilizado da pessoa jurídica adquirente, classificados nas posições [Link] (exceto
Ex 01), [Link] (exceto Ex 01), [Link] (exceto Ex 01), [Link] (exceto Ex
01 e Ex 02), 87.04.22, 87.04.23, [Link] Ex 01, [Link] Ex 01, [Link] Ex
01, [Link] Ex 01, e 87.04.32, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos
Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011; e
II - de vagões, locomotivas, locotratores e tênderes, destinados ao ativo imobilizado da
pessoa jurídica adquirente, classificados nas posições 86.01, 86.02 e 86.06 da TIPI.
O disposto neste item somente se aplica aos bens novos, que tenham sido adquiridos ou
objeto de contrato de encomenda entre 1º de setembro e 31 de dezembro de 2012 (Lei nº
12.788, de 2013, art. 1º, § 1º).
A depreciação acelerada de que trata este item deverá ser calculada antes da aplicação
dos coeficientes de depreciação acelerada a que faz referência o art. 69 da Lei nº 3.470,
de 28 de novembro de 1958 (Lei nº 12.788, de 2013, art. 1º, § 2º, II).
Máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, novos, relacionados em
regulamento, adquiridos ou objeto de contrato de encomenda entre 16 de setembro
e 31 de dezembro de 2012, e destinados ao ativo imobilizado do adquirente:
Para efeito de apuração do imposto sobre a renda, a partir de 1º de janeiro de 2013, as
pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real terão direito à depreciação acelerada,
calculada pela aplicação adicional da taxa de depreciação usualmente admitida, sem
prejuízo da depreciação contábil das máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos
(Lei nº 12.794, de 2013, art. 4º, e § 2º, III):
O disposto neste item se aplica aos bens novos, relacionados em regulamento, adquiridos
ou objeto de contrato de encomenda entre 16 de setembro e 31 de dezembro de 2012, e
destinados ao ativo imobilizado do adquirente(Lei nº 12.794, de 2013, art. 4º, § 1º).
Para fins de uso da depreciação acelerada, são consideradas as máquinas, equipamentos,
aparelhos e instrumentos classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto
sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de
dezembro de 2011 , conforme os códigos relacionados no Anexo ao Decreto nº 7.854, de
4 de dezembro de 2012 (Decreto nº 7.854, de 2012, art. 1º, § 5º).
A depreciação acelerada de que trata este item será calculada antes da aplicação dos
coeficientes de depreciação acelerada a que se refere o art. 69 da Lei no 3.470, de 28 de
novembro de 1958 (Lei nº 12.788, de 2013, art. 1º, § 2º, II).

Notas:
A pessoa jurídica não poderá utilizar-se da depreciação
acelerada de que trata a Lei nº 8.661, de 1993, e a
Lei nº 11.196, de 2005, art. 17, III, com a redação dada pela
Lei nº 11.774, de 2008, em relação ao mesmo ativo, cujo
saldo ainda não depreciado será excluído para determinação
do lucro real no período de apuração em que concluída a
utilização de instalações fixas, aparelhos, máquinas e
equipamentos, destinados a projetos de pesquisa e
desenvolvimentos tecnológicos e desenvolvimento de
inovação tecnológica de produtos, de que tratam os arts. 39,
40, 42 e 43 da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 20 da
Lei nº 11.196, de 2005.

063 Como poderá ser utilizado o benefício fiscal da depreciação


acelerada incentivada?
O benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada poderá ser utilizado da seguinte
forma:
a) será registrado, na escrituração comercial, o encargo de depreciação normal,
calculado pela aplicação da taxa usualmente admitida;
b) a quota de depreciação acelerada incentivada, correspondente ao benefício fiscal,
constituirá exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real, devendo ser
escriturada diretamente como exclusão, na Parte A, e como controle, na Parte B do
Lalur;
c) o total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a acelerada, não poderá
ultrapassar o custo de aquisição do bem registrado contabilmente; e
d) a partir do período de apuração em que a soma da depreciação contábil mais a
depreciação acelerada incentivada atingir a importância total do bem registrado
contabilmente (item “c” anterior), o valor da depreciação normal, registrado na
escrituração comercial, que continuar a ser reconhecido contabilmente, deverá ser
adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real, com a
concomitante baixa desse valor na conta de controle da Parte B do Lalur.

Notas:
1) As empresas que exerçam, simultaneamente, atividades
comerciais e industriais poderão utilizar o benefício em
relação aos bens destinados exclusivamente à atividade
industrial;
2) Salvo autorização expressa em lei, o benefício fiscal de
depreciação acelerada incentivada não poderá ser usufruído
cumulativamente com outros idênticos, exceto o da
depreciação acelerada em função dos turnos de trabalho.
Veja ainda: Formas de depreciação acelerada incentivada:
Pergunta 062 deste capítulo.
Normativo: RIR/1999, art. 313.

Amortização

064 Em que consiste a amortização de direitos, bens, custos e


despesas?

A amortização de direitos, bens, custos e despesas consiste na “recuperação contábil” do


capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração
limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo limitado por lei ou
contrato, e dos custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que
contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do ativo diferido foi inserido no grupo do ativo não
circulante, sendo substituído pelo subgrupo do intangível.

065 Como é efetuada essa “recuperação contábil” do capital


empregado?

Essa “recuperação contábil” do capital empregado é feita mediante o uso da faculdade,


estabelecida pela legislação, de se computar, em cada período de apuração, como custo
ou despesa operacional, o encargo de amortização, com a utilização de percentual que
traduza a recuperação do capital aplicado ou dos recursos aplicados em despesas que
contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração.

Normativo: RIR/1999, art. 324.

066 Como será fixada a quota de amortização?

Período de apuração anual: a quota de amortização, dedutível em cada período de


apuração, será determinada pela aplicação da taxa anual de amortização sobre o valor
original do capital aplicado ou das despesas registradas no ativo diferido.
Período de apuração inferior a doze meses: se a amortização tiver início ou terminar no
curso do período de apuração anual, ou se este tiver duração inferior a doze meses, a taxa
anual será ajustada proporcionalmente ao período de amortização.
Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo diferido foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelo subgrupo do
intangível;
2) A taxa anual de amortização será fixada tendo em vista o
número de anos restantes de existência do direito e o número
de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos os
benefícios decorrentes das despesas registradas no ativo
diferido.

Normativo: Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 1º; e


RIR/1999, arts. 326 e 327.

067 Quais direitos ou bens poderão ser objeto de amortização?

Poderão ser amortizados os capitais aplicados na aquisição de direitos cuja existência ou


exercício tenha duração limitada ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o
prazo legal ou contratualmente limitado, tais como:
a) patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças,
autorizações ou concessões;
b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de
serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão,
sem indenização;
c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer
natureza, inclusive de exploração de fundo de comércio;
d) custo das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de
terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor; e
e) o valor dos direitos contratuais de exploração de florestas por prazo determinado, na
forma do art. 328 do RIR/1999.

Notas:
1) A amortização de direitos classificados no ativo não
circulante intangível é considerada dedutível na
determinação do lucro real, observado o disposto no inciso
III do caput do art. 13 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de
1995.
2) Poderão ser excluídos, para fins de apuração do lucro real,
os gastos com desenvolvimento de inovação tecnológica
referidos no inciso I do caput e no § 2º do art. 17 da Lei nº
11.196, de 21 de novembro de 2005, quando registrados no
ativo não circulante intangível, no período de apuração em
que forem incorridos e observado o disposto nos arts. 22 a
24 da referida Lei.
3) O contribuinte que utilizar o benefício acima referido
deverá adicionar ao lucro líquido, para fins de apuração do
lucro real, o valor da realização do ativo intangível, inclusive
por amortização, alienação ou baixa.
(Disposições dos itens 1 a 3 aplicáveis, a partir de 1º de
janeiro de 2014, aos contribuintes que fizerem a opção
prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de 2014).
4) Disposições da alínea “b” do caput e do § 3º do art. 58 da
Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, revogadas a partir
de 1º de janeiro de 2014, em relação aos contribuintes que
fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de
2014.

Normativo: RIR/1999, arts. 325, I, e 328.

068 Quais custos e despesas poderão ser objeto de


amortização?

Poderão ser objeto de amortização os custos, encargos ou despesas registrados no ativo


diferido que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de
apuração, tais como:
a) a partir do início das operações, as despesas de organização pré-operacionais ou pré-
industriais;
b) as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação
para criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção,
administração ou venda, se o contribuinte optar pela sua capitalização;
c) as despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por
concessionárias de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro
de minas, se o contribuinte optar pela sua capitalização;
d) a partir da exploração da jazida ou mina, ou do início das atividades das novas
instalações, os custos e as despesas de desenvolvimento de jazidas e minas ou de expansão
de atividades industriais, classificados como ativo diferido até o término da construção
ou da preparação para exploração;
e) a partir do momento em que for iniciada a operação ou atingida a plena utilização das
instalações, a parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo
diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas
parcialmente o seu equipamento ou as suas instalações;
f) os juros durante o período de construção e pré-operação registrados no ativo diferido
(inclusive os de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens
do ativo imobilizado, incorridos durante as fases de construção e pré-operacional);
g) os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início
das operações sociais ou de implantação do empreendimento inicial, registrados no ativo
diferido; e
h) os custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou
modernização da empresa, registrados no ativo diferido.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo diferido foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelo subgrupo do
intangível;
2) O prazo de amortização dos valores relativos aos itens de
“a” até “e” não poderá ser inferior a cinco anos;
3) A partir de 1º/01/1996, somente será considerada, como
dedutível, a amortização de bens e direitos intrinsecamente
relacionados com a produção ou comercialização dos bens e
serviços;
4) A partir de 1º/01/2003, as despesas operacionais relativas
aos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento
de inovação tecnológica de produtos podem ser deduzidas
contabilmente no período de apuração da realização dos
dispêndios, isto é, não serão mais objeto de amortização,
conforme exposto nesta pergunta;
5) A partir de 1º/01/2006, poderão usufruir a amortização
acelerada, mediante dedução como custo ou despesa
operacional, no período de apuração em que forem
efetuados, os dispêndios relativos à aquisição de bens
intangíveis, vinculados exclusivamente às atividades de
pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação
tecnológica, classificáveis no ativo diferido do beneficiário,
para efeito de apuração do IRPJ.
6) Para fins de determinação do lucro real, não serão
computadas, no período de apuração em que incorridas, as
despesas:
I - de organização pré-operacionais ou pré-industriais,
inclusive da fase inicial de operação, quando a empresa
utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou as suas
instalações; e
II - de expansão das atividades industriais.
As despesas acima referidas poderão ser excluídas para fins
de determinação do lucro real, em quotas fixas mensais e no
prazo mínimo de 5 (cinco) anos, a partir:
I - do início das operações ou da plena utilização das
instalações, no caso do inciso I acima; e
II - do início das atividades das novas instalações, no caso do
inciso II acima.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).
7) Disposições da alínea “b” do caput e do § 3º do art. 58 da
Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, e do § 1º do art.
15 do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, revogadas a partir de 1º
de janeiro de 2014, em relação aos contribuintes que fizerem
a opção prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de 2014.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, III;


RIR/1999, arts. 324, 325, II, e 327;

Decreto nº 4.928, de 2003, art. 1º,

Lei nº 11.196, de 2005, art. 17, IV; e

Decreto nº 5.798, de 2006, art. 3º, V.

069 Há limites para a amortização?

Sim, pois, em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não
poderá ultrapassar o custo de aquisição do direito ou bem, ou o total da despesa efetuada,
registrado contabilmente.

Normativo: RIR/1999, art. 324, § 1º.

070 Como proceder se a existência ou o exercício do direito, ou


a utilização do bem terminar antes da amortização
integral?

Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem terminar antes da


amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período
de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem.

Normativo: RIR/1999, art. 324, § 3º.


071 Qual a diferença entre depreciação e amortização?

A principal distinção entre esses dois encargos é que, enquanto a depreciação incide sobre
os bens físicos de propriedade do próprio contribuinte, a amortização se relaciona com a
diminuição de valor de bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de
serviço público, devem reverter ao poder concedente ao fim do prazo da concessão, sem
indenização; ou que, locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, não houver direito
ao recebimento de seu valor; ou dos direitos (ou despesas diferidas) com prazo limitado
(legal ou contratualmente).

072 Quais as espécies de amortização acelerada existentes?

Bens destinados à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica,


adquiridos a partir de 1º/01/2006:
Há apenas uma espécie de amortização acelerada, a aplicável aos bens intangíveis,
classificáveis no ativo diferido, adquiridos a partir de 1º de janeiro de 2006,
exclusivamente para a exploração em atividades de pesquisa tecnológica e
desenvolvimento de inovação tecnológica.
Tratamento do saldo não amortizado quando concluída a utilização dos bens
intangíveis:
Os valores relativos aos dispêndios incorridos a partir de 1º de janeiro de 2006, relativos
aos procedimentos de proteção de propriedade intelectual explorada exclusivamente em
atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, poderão
ser amortizados na forma da legislação vigente, podendo o saldo não amortizado ser
excluído na determinação do lucro real, no período de apuração em que for concluída sua
utilização.
A propriedade intelectual, cujo dispêndio é amortizável na forma do parágrafo anterior,
refere-se às instalações fixas, aparelhos, máquinas e equipamentos, destinados à
utilização em projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, metrologia,
normalização técnica e avaliação da conformidade, aplicáveis a produtos, processos,
sistemas e pessoal, procedimentos de autorização de registros, licenças, homologações e
suas formas correlatas.
O valor do saldo excluído na forma dos parágrafos anteriores deverá ser controlado no
Lalur, e será adicionado, na determinação do lucro real, em cada período de apuração
posterior, pelo valor da amortização normal que venha a ser contabilizada como despesa
operacional.
A pessoa jurídica beneficiária de amortização acelerada de que trata o tópico anterior, não
poderá utilizar-se do benefício de exclusão do saldo não amortizado, de que trata este
tópico, relativamente aos mesmos bens intangíveis.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo diferido foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelo subgrupo do
intangível;
2) O montante acumulado das quotas de amortização não
poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem registrado
contabilmente;
3) A amortização acelerada não se aplica em relação aos
bens intangíveis adquiridos de terceiros ou desenvolvidos
internamente na empresa, destinados à manutenção das
atividades da companhia e da empresa, os quais, por força da
Lei nº 6.404, de 1976, art. 179, IV, devem ser classificados
no ativo imobilizado.

Normativo: Lei nº 11.196, de 2005, arts. 17, IV, e 20; e

Lei nº 11.487, de 2007, art. 1º.

Exaustão

073 Em que consiste a exaustão, em termos contábeis?

Exaurir significa esgotar completamente.


Em termos contábeis, a exaustão se relaciona com a perda de valor dos bens ou direitos
do ativo, ao longo do tempo, decorrentes de sua exploração (extração ou aproveitamento).

074 Como serão apresentados no balanço os direitos sujeitos à


exaustão?

No balanço, os direitos serão classificados no ativo imobilizado e deverão ser avaliados


pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de exaustão acumulada.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, V.

075 Quando cabe o registro nas contas de exaustão?

A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente


nas contas de exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua
exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens
aplicados nessa exploração.
Notas:
Sobre os procedimentos a serem observados no cálculo da
quota anual de exaustão, consultar os arts. 330 e 334 do
RIR/1999.

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, § 2º, “c”;
e
RIR/1999, arts 330 e 334.

076 Quais os elementos do ativo sujeitos à quota de exaustão?

Registra-se a quota de exaustão somente sobre o custo dos direitos à exploração


(aproveitamento) mineral ou florestal registrados no ativo.

Notas:
O valor dos direitos contratuais de exploração de florestas
por prazo determinado, na forma do art. 328 do RIR/1999, é
objeto de amortização e não de exaustão.

Veja ainda:
Exaustão de recursos minerais:
Perguntas 077 a 088 deste capítulo.

Exaustão de recursos florestais:


Perguntas 089 a 092 deste capítulo.
Normativo: RIR/1999, art. 328.

Exaustão de Recursos Minerais

077 Quais modalidades de exaustão podem ser utilizadas pelas


empresas de mineração?

As empresas de mineração, relativamente às jazidas ou minas manifestadas ou


concedidas, poderão, em cada período de apuração, deduzir, como custo ou encargo,
quota de exaustão normal ou real, e/ou excluir do lucro líquido, na determinação do lucro
real, quota de exaustão incentivada, nos termos da legislação específica.
A dedução da quota de exaustão incentivada não será aplicada em relação às jazidas cuja
exploração tenha tido início a partir de 22/12/1987. O benefício é assegurado às empresas
que, em 24/03/1970, eram detentoras, a qualquer título, de direitos de decreto de lavra e
àquelas cujas jazidas tenham tido início de exploração a partir de 1º/01/1980, em relação
à receita bruta auferida nos dez primeiros anos de exploração de cada jazida.
A exclusão poderá ser realizada em períodos de apuração subsequentes ao encerrado em
31/12/1988, desde que observado o mesmo limite global de vinte por cento da receita
bruta auferida até o período de apuração encerrado em 31/12/1988.
É facultado à empresa de mineração excluir, em cada período de apuração, quota de
exaustão superior ou inferior a vinte por cento da receita bruta do período, desde que a
soma das deduções realizadas, até o período de apuração em causa, não ultrapasse vinte
por cento da receita bruta auferida desde o início da exploração, a partir do período de
apuração relativo ao exercício financeiro de 1971.
A exclusão poderá ser realizada em períodos de apuração subsequentes ao período inicial
de dez anos, desde que observado o mesmo limite global de vinte por cento da receita
bruta auferida nos dez primeiros anos de exploração.

Notas:
Não poderá ser objeto de exaustão a exploração de jazidas
minerais inesgotáveis ou de exaurimento indeterminável,
como as de água mineral.

Normativo: RIR/1999, arts. 330 e 331; e


PN CST nº 44, de 1977.

078 Como serão fixadas as quotas de exaustão de recursos


minerais?
As quotas de exaustão de recursos minerais serão fixadas:
a) a quota normal de exaustão, tendo em vista o volume de produção no período e sua
relação com a possança conhecida da mina ou em função do prazo de concessão; e
b) a quota de exaustão incentivada, pela diferença entre o valor resultante da aplicação
do percentual de vinte por cento sobre a receita bruta e o valor da quota normal de
exaustão, encontrada na forma do item “a” anterior.

Normativo: RIR/1999, arts. 330, § 2º, e 332.

079 Como se obtém o valor da receita bruta para efeito de


cálculo da quota de exaustão incentivada de recursos
minerais?

A receita bruta que servirá de base de cálculo da quota de exaustão incentivada


corresponderá ao valor de faturamento dos minerais.
Normativo: RIR/1999, art. 331, § 1º.

080 As empresas de mineração, em relação às atividades


exercidas mediante licenciamento ou como arrendatárias,
fazem jus às quotas de exaustão?

Não. As atividades extrativas sob licenciamento (minerais destinados ao aproveitamento


imediato e in natura) ou sob arrendamento não comportam nenhuma das formas de
exaustão, em face de não haver custo ativável de direitos minerais. Caberá, quando muito,
a apropriação normal de quotas de amortização ou das despesas operacionais, conforme
o caso.

081 Quais controles deverão ser mantidos pelas empresas de


mineração, com relação às quotas de exaustão dos recursos
minerais explorados?

As empresas de mineração deverão manter, em sua escrituração contábil, sob intitulação


própria, subcontas distintas (separadas), referentes a cada jazida ou mina.
Esse controle individualizado também será estendido à quota de exaustão mineral com
base no custo de aquisição (exaustão normal ou real).
A quota anual de exaustão incentivada poderá ser registrada e controlada na Parte B do
Lalur, na qual deverão ser discriminados os valores que serviram de base para apuração
desta, a saber: inicialmente, calcular vinte por cento da receita bruta; a seguir, como
parcela redutora, indicar o valor da exaustão apropriada contabilmente (exaustão normal
ou real) encontrando, assim, a diferença que representa o incentivo propriamente dito.

Normativo: RIR/1999, art. 331, § 6º.

082 Como será contabilizada a quota normal de exaustão?

A empresa de mineração apropriará, como custo ou encargo, a débito do resultado do


período de apuração e a crédito da conta de exaustão acumulada, o valor da quota de
exaustão com base no custo de obtenção ou aquisição dos direitos ao aproveitamento dos
recursos minerais, proporcionalmente à redução da possança da mina.

083 Como proceder para o aproveitamento da quota de


exaustão incentivada?

O incentivo utilizável será, na apuração do lucro real, registrado como exclusão do lucro
líquido do período de apuração, na Parte A do Lalur.
As empresas que optarem por manter controle de exaustão incentivada na Parte B do
Lalur deverão baixar do saldo dessa conta a parcela excluída na Parte A.

Normativo: RIR/1999, art. 331, § 6º.

084 Como deverá ser registrado, na contabilidade, o


aproveitamento da exaustão incentivada?

A quota anual de exaustão incentivada, na parte em que exceder à quota de exaustão


normal, será creditada à conta especial de reserva de lucros, que somente poderá ser
utilizada para absorção de prejuízos ou incorporação ao capital social.

Normativo: RIR/1999, art. 333.

085 Qual o limite anual de aproveitamento da exaustão


incentivada?

Sabendo-se que o valor do incentivo deve ser registrado na escrituração contábil a crédito
da conta especial de reserva de lucros, tendo como contrapartida o lucro líquido, a
exclusão a título de exaustão incentivada não poderá ter um valor maior que o lucro
líquido do período de apuração respectivo.

086 Como recuperar a quota de exaustão incentivada quando


esta não puder ser utilizada no período de apuração?

Por ser uma exaustão incentivada, a legislação faculta à empresa de mineração,


relativamente às jazidas ou minas objeto de manifesto ou concessão, excluir do lucro
líquido, para obtenção do lucro real, em cada período de apuração, quota de exaustão
incentivada superior ou inferior a vinte por cento da receita bruta do período de apuração
(diminuída do valor da quota de exaustão normal ou real apropriada contabilmente), desde
que a soma das deduções realizadas até o período em causa não ultrapasse a vinte por
cento da receita auferida desde o início da exploração, sempre condicionada à existência
de lucro líquido no período de apuração.
Permite, ainda, que a dedução seja realizada em períodos de apuração subsequentes ao
período inicial (dez anos), observado o mesmo limite global de vinte por cento da receita
nos dez primeiros anos de exploração.

Normativo: RIR/1999, art. 332.


087 A utilização da exaustão incentivada não poderá ter como
limite o lucro real em vez do lucro líquido do
período de apuração?
Não, já que a quota de exaustão incentivada utilizável deverá ser registrada, na
contabilidade, a crédito de conta especial de reserva de lucros, e isto só será possível
quando existir lucro líquido no período de apuração, e até o limite deste.
A exaustão incentivada não poderá ser aproveitada no caso de prejuízo contábil, mesmo
que subsista lucro real nesse período de apuração, por maior que este seja.

088 Como proceder para cálculo da exaustão incentivada no caso


de existirem simultaneamente várias jazidas ou minas?

Se várias forem as jazidas ou minas que tenham contribuído com parcelas maiores ou
menores na formação da receita bruta, o valor do incentivo corresponderá a vinte por
cento da soma dessas receitas, menos a soma das quotas de exaustão real contabilizadas.
Atentar que, em qualquer caso, o limite da exaustão incentivada de cada jazida,
individualmente considerada, não poderá ser ultrapassado.
Exaustão de Recursos Florestais

089 Qual a quota de exaustão aplicável aos recursos florestais?

Poderá ser computada, como custo ou encargo em cada período de apuração, a


importância correspondente à diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua
exploração.

Normativo: RIR/1999, art. 334.

090 Qual a base para cálculo da quota de exaustão florestal?

A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo
o valor original das florestas.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º; e
RIR/1999, art. 334, § 1º.

091 Quais os critérios a serem seguidos para o cálculo da quota


de exaustão florestal?

Para o cálculo do valor da quota de exaustão florestal, será observado o seguinte critério:
a) apurar-se-á, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados
ou a quantidade de árvores extraídas, durante o período de apuração, representa em
relação ao volume ou à quantidade de árvores que, no início do período de apuração,
compunham a floresta;
b) o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no
ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos.

Normativo: RIR/1999, art. 334, § 2º.

092 Essa quota de exaustão será também registrada no caso de


direitos contratuais de exploração?
A resposta dada à pergunta anterior aplica-se também às florestas objeto de direitos
contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser
contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do
contrato.
Em se tratando de direitos contratuais de exploração por prazo determinado, não caberá
exaustão, mas sim amortização.

Normativo: RIR/1999, art. 328 e 334, § 3º.

Apropriação de Quotas

093 A partir de que momento o encargo de depreciação,


amortização ou exaustão poderá ser imputado no resultado
da pessoa jurídica?

a) a depreciação, somente a partir do mês em que o bem for instalado, posto em serviço
ou em condições de produzir;
b) a amortização, a partir da utilização do bem ou direito ou do início da atividade para
a qual contribuam despesas pré-operacionais a ela relativas, passíveis de amortização;
e
c) a exaustão, a partir do mês em que se iniciar o esgotamento dos direitos de exploração
mineral ou florestal registrados no ativo.

Notas:
Observar que esses encargos deverão ser calculados sempre
em razão de duodécimos, ou seja, número de meses restantes
até o final do período de apuração respectivo.
094 A quota anual de depreciação será sempre a mesma
durante todo o período de duração do bem?

Regra geral, sim. Entretanto, considerando-se que a taxa anual de depreciação tem como
base o período de doze meses consecutivos, a quota de depreciação deverá ser ajustada
proporcionalmente na hipótese de período de apuração inferior a doze meses, como no
caso de apuração do lucro real trimestral, e no período em que tiver início ou se completar
(atingir cem por cento) a depreciação dos bens.

095 Por que a legislação permite que os encargos de


depreciação, amortização e exaustão possam ser
registrados como custo ou despesa operacional, a critério
do contribuinte?

Porque não se pode determinar, a priori, se o encargo a ser suportado pelo contribuinte,
a esse título, estará vinculado a custo ou a despesas operacionais.
Exemplos:
a) a depreciação de um caminhão comporá o custo de uma empresa de transporte se este
for empregado nessa atividade, mas poderá ser computada como despesa operacional
se utilizado numa empresa comercial para entrega de mercadoria vendida; e
b) a depreciação de computadores, normalmente considerada como despesa operacional
para a maioria dos contribuintes, será custo para uma escola de informática.
Assim sendo, caberá ao contribuinte, em cada caso, atendendo à sua atividade específica,
computar esse encargo, adequadamente, como custo ou despesa operacional, arcando, por
outro lado, com as possíveis consequências de uma classificação inadequada.

096 Em relação aos recursos florestais quando ocorre a


depreciação, a amortização ou a exaustão?

Os ativos da pessoa jurídica, representados por recursos florestais, podem ser


depreciados, amortizados ou exauridos, de acordo com as seguintes regras:
a) a depreciação é calculada sobre ativo representado por empreendimento próprio da
pessoa jurídica, do qual serão extraídos apenas os frutos. Nessa hipótese, o custo de
aquisição ou formação (excluído o solo) é depreciado em tantos anos quantos forem
os de produção dos frutos;
b) a amortização é calculada sobre ativo representado por aquisição de direitos de
exploração, por prazo determinado, sobre empreendimento de propriedade de
terceiros. Nesse caso, o custo de aquisição desses direitos é amortizado ao longo do
período de duração do contrato; e
c) a exaustão é calculada sobre ativo representado por floresta própria. Nesse caso, o
custo de aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de exaustão na medida
e na proporção em que os recursos forem sendo exauridos. No caso de a floresta ou o
vegetal plantado proporcionar à pessoa jurídica a possibilidade de um segundo ou
mesmo um terceiro corte, o custo de aquisição ou de formação deverá ser recuperado
através da exaustão calculada em função do volume extraído em cada período,
confrontado com a produção total esperada, englobando os diversos cortes.

Provisões

097 Em que consistem as provisões?

Provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação


do princípio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar, no
resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou
despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro.

098 O que fazer se a provisão não chegar a ser utilizada no


período de apuração seguinte?

Quando a provisão constituída não chegar a ser utilizada ou for utilizada só parcialmente,
o seu saldo, por ocasião da apuração dos resultados do período de apuração seguinte,
deverá ser revertido a crédito de resultado desse período de apuração e, se for o caso,
poderá ser constituída nova provisão para vigorar durante o período de apuração
subsequente.

099 Em que condições as provisões serão admitidas pela


legislação do Imposto de Renda?

Na determinação do lucro real, somente poderão ser deduzidas as provisões


expressamente autorizadas pela legislação tributária.

Normativo: RIR/1999, art. 335.

100 Quais são as provisões admitidas pela legislação do Imposto


de Renda?

A legislação do imposto de renda somente admite a constituição, como custo ou despesa


operacional, das seguintes provisões:
a) provisões constituídas para o pagamento de férias de empregados;
b) provisões para o pagamento de décimo-terceiro salário;c) provisões técnicas das
companhias de seguro e de capitalização, das entidades de previdência privada, e das
operadoras de planos de assistência à saúde, cuja constituição é exigida em lei especial
a elas aplicável; e
d) provisões para perdas de estoques, de que tratam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.753, de
2003, com a redação do art. 85 da Lei nº 10.833, de 2003.
Veja ainda: Provisão para pagamento de férias de
empregados:
Perguntas 103 a 107 deste capítulo.

Provisão para pagamento de décimo-terceiro


salário:
Pergunta 108 deste capítulo.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, I;

Medida Provisória nº 2.158-35/2001, art. 83;

Lei nº 10.833, de 2003, art. 85; e


RIR/99, arts. 335 a 338.

101 A pessoa jurídica ainda poderá constituir contabilmente


as provisões que não se encontrem expressamente
previstas como dedutíveis para fins da legislação do
Imposto de Renda?

Sim. Além daquelas expressamente previstas na legislação do imposto de renda, a pessoa


jurídica poderá continuar a constituir contabilmente as provisões que entenda serem
necessárias à sua atividade ou aos seus interesses sociais.
Todavia, na hipótese de a provisão constituída na contabilidade ser considerada
indedutível para fins da legislação do imposto de renda, a pessoa jurídica deverá efetuar
no Lalur, Parte A, a adição do respectivo valor ao lucro líquido do período, para apuração
do lucro real.
No período em que a provisão for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do
lucro líquido, para fins de determinação do lucro real.
Veja ainda:
Provisão para créditos de liquidação duvidosa:
Pergunta 102 deste capítulo.

102 Como proceder para baixar os créditos não recebidos


oriundos da atividade operacional, quando for constituída,
contabilmente, a provisão para créditos de liquidação
duvidosa, mesmo após a vedação da legislação fiscal?

As pessoas jurídicas que tenham constituído contabilmente a provisão para créditos de


liquidação duvidosa, mesmo após a vedação da legislação fiscal, deverão, no período de
constituição da provisão, adicionar o valor da referida provisão ao lucro líquido do
período, para apuração do lucro real.
No período em que contabilmente a provisão for revertida, ela poderá ser excluída do
lucro líquido para determinação do lucro real.
O registro contábil das perdas deverá ser efetuado de acordo com o disposto na
Lei nº 9.430, de 1996, art. 10.
Veja ainda:
Perdas no recebimento de créditos:
Perguntas 120 a 127 deste capítulo.

Normativo: Lei nº 9.430 de 1996, art. 10.

103 Qual o limite para constituição da provisão para


pagamento de remuneração correspondente a férias de seus
empregados?

O limite para constituição da provisão para pagamento de remuneração correspondente a


férias de empregados será determinado com base na remuneração mensal do empregado
e no número de dias de férias a que já tiver direito na época do encerramento do período
de apuração. A faculdade de constituir essa provisão contempla a inclusão dos gastos já
incorridos com a remuneração de férias proporcionais e dos encargos sociais incidentes
sobre os valores que forem objeto de provisão, cujo ônus caiba à empresa.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, I;
RIR/1999, art. 337; e
PN CST nº 7, de 1980.

104 Como é feita a contagem de dias de férias a que já tiver


direito o empregado na época do balanço?

Essa contagem será efetuada da seguinte forma:


a) por períodos completos - após doze meses de vigência do contrato de trabalho, o
empregado terá direito a férias na seguinte proporção:
até 5 faltas no período aquisitivo, 30 dias corridos;
de 6 a 14 faltas, 24 dias corridos;
de 15 a 23 faltas, 18 dias corridos;
de 24 a 32 faltas, 12 dias corridos; e
mais de 32 faltas, o empregado perde o direito a férias.
b) por períodos incompletos - relativamente aos períodos inferiores a doze meses de
serviço, tomar-se-ão por base férias na proporção de 1/12 (um doze avos) de trinta
dias por mês de serviço ou fração superior a quatorze dias, na data de apuração do
balanço ou resultado (ou seja, 2,5 dias por mês ou fração superior a quatorze dias).

Notas:
Sempre que, nos termos da CLT, as férias forem devidas em
dobro, os dias de férias a que fizer jus o empregado, na
forma acima, serão contados observada essa circunstância.

Normativo: CLT - Decreto-Lei nº 2.452, de 1943, art. 130, com a


redação
dada pelo Decreto-Lei nº 1.535 de 1977, art. 1º.

105 Como será efetuado o cálculo da provisão para pagamento


de férias?

O número de dias de férias por empregado, obtido na forma exposta na pergunta anterior,
será multiplicado por 1/30 (um trinta avos) da sua remuneração mensal, na época da
apuração do resultado ou balanço, majorada com um terço a mais do que o salário normal
(adicional de férias), podendo o referido valor ser acrescido dos encargos sociais cujo
ônus couber à empresa (INSS e FGTS).

Notas:
A pessoa jurídica deverá manter demonstrativo dos cálculos
efetuados.

Normativo: RIR/1999, art. 337, § 3º

106 Como proceder no período de apuração seguinte ao do


provisionamento de férias dos empregados?

As importâncias pagas serão debitadas à conta de provisão até o limite provisionado.


O saldo porventura remanescente, na data da apuração do resultado ou balanço seguinte,
será revertido e, se for o caso, poderá ser constituída nova provisão.
Normativo: RIR/1999, art. 337, § 2º.
107 Como deverá proceder a pessoa jurídica que não houver
constituído a provisão para pagamento de férias a seus
empregados?

A pessoa jurídica que não houver constituído a provisão para pagamento de férias aos
seus empregados poderá computar todo o valor pago ou creditado, a título de remuneração
de férias, no próprio período de apuração do pagamento ou crédito, ainda que tais férias
se iniciem nesse período e terminem no seguinte.
Normativo: PN CST nº 8, de 1985.

108 Qual o valor a ser provisionado para efeito de pagamento


de décimo-terceiro salário?

O valor a ser provisionado para efeito de pagamento de décimo-terceiro salário


corresponderá ao valor resultante da multiplicação de 1/12 (um doze avos) da
remuneração, acrescida dos encargos sociais cujo ônus cabe à empresa, pelo número de
meses de serviço relativos ao período de apuração.
Normativo: RIR/1999, art. 338, parágrafo único.

109 Quais as empresas que estão obrigadas a constituir a


provisão para pagamento do Imposto de Renda?

A constituição da provisão para pagamento do imposto de renda, em cada período de


apuração, é obrigatória para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real.
A citada provisão é considerada indedutível para fins do imposto de renda. Portanto, a
demonstração do lucro real deverá ser aberta com o lucro líquido do período, antes de
formada a provisão.
Somente haverá adição da provisão ao lucro líquido quando o imposto indedutível tenha
sido imputado diretamente à conta de resultados.
Normativo: RIR/1999, art. 339; e
PN CST nº 102, de 1978.

110 Qual a base para o cálculo da provisão para o IR?

A base para o cálculo da provisão para o IR é o lucro real.


Ou seja, o lucro líquido do período de apuração (trimestral ou anual) ajustado pelas
adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária.
111 Qual a classificação contábil da provisão para o IR?

A parcela da provisão relativa ao lucro real deverá figurar no passivo circulante; a relativa
ao imposto incidente sobre lucros diferidos para períodos de apuração subsequentes será
classificada no exigível a longo prazo.

Notas:
Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que alterou
o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, o
subgrupo do passivo exigível a longo prazo passou a
denominar-se passivo não circulante.

112 Como deverão proceder as pessoas jurídicas que gozarem


de isenção ou redução do imposto de renda em virtude de
incentivos regionais ou setoriais?

Tratando-se de subvenções para investimento mediante isenção ou redução de impostos,


concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos,
a pessoa jurídica deverá:
I – reconhecer o valor da subvenção para investimento em conta do resultado pelo regime
de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas
expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no uso da competência
conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, no caso de companhias abertas e
de outras que optem pela sua observância;
II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) o valor decorrente de subvenções
governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do
lucro real;
III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei nº 6.404, de 1976, a
parcela decorrente de subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido
do exercício;
IV – se, no período de apuração em que ocorrer a exclusão referida no inciso II, a pessoa
jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de
subvenções governamentais, e neste caso não puder constituir a reserva de lucros nos
termos do inciso III, essa constituição deverá ocorrer nos exercícios subsequentes; e
V – adicionar no Lalur, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II,
no momento em que este tiver destinação diversa daquela referida nos incisos III e IV.
As subvenções serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista nos incisos
III e IV, inclusive nas hipóteses de:
I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular,
mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor
restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de subvenções
governamentais para investimentos;
II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos
cinco anos anteriores à data da subvenção, com posterior capitalização do valor da
subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao
valor total das exclusões decorrentes de subvenções governamentais para investimentos;
ou
III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios.
O acima disposto terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que se trata.

Notas:
1) As subvenções para investimento, inclusive mediante
isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo
à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos
e as doações feitas pelo poder público não serão computadas
na determinação do lucro real, desde que seja registrada em
reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei nº
6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser
utilizada para:
I - absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham
sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros,
com exceção da Reserva Legal; ou
II - aumento do capital social.
2) Na hipótese do inciso I acima, a pessoa jurídica deverá
recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos
períodos subsequentes.
3) As doações e subvenções de que trata o item 1serão
tributadas caso não seja observado o disposto no item 2 ou
seja dada destinação diversa da que está prevista no item 1,
inclusive nas hipóteses de:
I - capitalização do valor e posterior restituição de capital
aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social,
hipótese em que a base para a incidência será o valor
restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes
de doações ou subvenções governamentais para
investimentos;
II - restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante
redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data
da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do
valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base
para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor
total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções
governamentais para investimentos; ou
III - integração à base de cálculo dos dividendos
obrigatórios.
4) Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar
prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela
decorrente de doações e de subvenções governamentais e,
nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros
nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem
apurados lucros nos períodos subsequentes.
(Disposições dos itens 1 a 4 aplicáveis, a partir de 1º de
janeiro de 2014, aos contribuintes que fizerem a opção
prevista no art. 75 da Lei nº 12.973, de 2014).

Normativo: Lei nº 11.941, de 2009, art. 18.

113 A provisão para o IR pode ser feita pelo valor líquido


destacando-se a dedução dos incentivos fiscais regionais?

Não. A provisão para o IR deve ser constituída obrigatoriamente pelo seu total, sem
dedução dos incentivos fiscais cuja fruição dependa do pagamento do imposto (Finor,
Finam etc.).
Como justificativa, temos que o benefício fiscal estará condicionado ao pagamento da
totalidade do imposto no prazo correspondente.
Tal entendimento é aplicável mesmo na hipótese de apuração trimestral da base de cálculo
do imposto, apesar de a aplicação nos citados incentivos fiscais ser feita em DARF
separado e nos mesmos prazos de recolhimentos trimestrais do imposto de renda, pois o
gozo do benefício também está condicionado ao total pagamento do imposto.

114 A constituição da provisão para o IR está limitada ao


lucro líquido do período de apuração?

Não. A provisão para o IR deve ser feita sempre pelo total do lucro real apurado.
Caso esse valor seja superior ao do lucro líquido do período, a sua constituição poderá,
inclusive, gerar prejuízo contábil.
Caso já exista prejuízo contábil, esse prejuízo será acrescido da provisão se, na apuração
do lucro real, houver resultado positivo.

115 O prejuízo contábil apurado nas atividades da pessoa


jurídica ou gerado pela constituição da provisão para o IR
é compensável na determinação do lucro real?

Não. O prejuízo compensável é o que for apurado na demonstração do lucro real,


trimestral ou anual, evidenciado na DIPJ entre parênteses, por ser negativo, e deverá ser
idêntico àquele que constar no Lalur ao final de cada período de apuração (Parte A), sendo
controlado na Parte B, para posterior compensação.
116 Qual a contrapartida da provisão para o IR nos casos
de existência de lucro líquido ou prejuízo contábil no
período de apuração?

A contrapartida será sempre a própria conta que demonstrar o resultado do período de


apuração que, recebendo a débito o valor da provisão, poderá passar, inclusive, de credora
a devedora.

117 Quais os efeitos fiscais da não constituição da provisão


para o IR?

A falta da constituição da provisão não acarreta qualquer influência para efeitos fiscais,
haja vista que o fato de o patrimônio líquido ficar indevidamente majorado, com o registro
a maior do lucro líquido sem o cômputo da provisão, não interfere na apuração do lucro
real.
Desse modo, os efeitos da não constituição da provisão são meramente contábeis, pois os
resultados e as demonstrações financeiras da empresa deverão demonstrar a sua real
situação, e a falta da constituição da provisão ensejará a apuração de um lucro líquido
maior, passível de ser distribuído ou destinado pela pessoa jurídica e, considerando-se
que a provisão para pagamento do imposto de renda se constitui em valor redutor do
patrimônio líquido, este ficará indevidamente majorado.

118 Como deve proceder o contribuinte que deixou de


contabilizar ou contabilizou a menor o valor da provisão
para o Imposto de Renda?

Deve, no curso do período de apuração seguinte, mediante lançamento de ajuste em


contas próprias, com efeitos retroativos ao início do período de apuração, regularizar sua
situação contábil pelo registro do valor da provisão (ou da diferença a menor apurada), a
débito de conta do patrimônio líquido (prejuízos acumulados).

119 Qual a solução para regularizar, mediante registro no


período de apuração seguinte, a provisão para o IR não
constituída por ocasião do encerramento do balanço, no
caso de já ter sido incorporada ao capital a totalidade das
reservas?

Ainda que não possua nenhuma reserva, o ajuste deverá ser feito, já que, na prática, o
valor da provisão para o imposto de renda a débito da conta de prejuízos acumulados terá
o mesmo efeito da redução das reservas ou lucros acumulados, pois, igualmente, reduz o
patrimônio líquido, que passará a ser demonstrado pelo seu valor real.

Perdas no Recebimento de Créditos


Como a pessoa jurídica poderá considerar, na apuração do
120
lucro real, as perdas ocorridas com créditos decorrentes de
suas atividades?
Para fins da legislação fiscal, poderão ser registrados como perda, os créditos:
a) em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em
sentença emanada do Poder Judiciário;
b) sem garantia de valor:
b.1) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses,
independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento;
b.2) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação,
vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos
judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa;
b.3) acima de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que
iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento;
c) com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os
procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; e
d) contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária,
relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar.
Caso a pessoa jurídica concordatária não honre o compromisso do pagamento de
parcela do crédito, esta também poderá ser deduzida como perda, observadas as
condições gerais para dedução das perdas.

Notas:
1) Para os contratos inadimplidos a partir da data de
publicação da Medida Provisória nº 656, de 2014 (8 de
outubro de 2014), poderão ser registrados como perda os
créditos:
I - em relação aos quais tenha havido a declaração de
insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder
Judiciário;
II - sem garantia, de valor:
a) até R$ 15.000,00 (quinze mil reais), por operação,
vencidos há mais de seis meses, independentemente de
iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento;
b) acima de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) até R$
100.000,00 (cem mil reais), por operação, vencidos há mais
de um ano, independentemente de iniciados os
procedimentos judiciais para o seu recebimento, mantida a
cobrança administrativa; e
c) superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), vencidos há
mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os
procedimentos judiciais para o seu recebimento;
III - com garantia, vencidos há mais de dois anos, de valor:
a) até R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais),
independentemente de iniciados os procedimentos judiciais
para o seu recebimento ou o arresto das garantias; e
b) superior a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), desde que
iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu
recebimento ou o arresto das garantias; e
IV - contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica em
concordata ou recuperação judicial, relativamente à parcela
que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar,
observado o disposto no § 5º.

No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de


uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de
todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se
referem as alíneas “a” e “b” do inciso II acima serão
considerados em relação ao total dos créditos, por operação,
com o mesmo devedor.
2) A partir de 8 de outubro de 2014, a referência feita a
empresa concordatária abrange também a empresa em
recuperação judicial (MP nº 656, de 2014, art. 2º).

3) O que se considera como operação:

Considera-se como operação a venda de bens, a prestação de


serviços, a cessão de direitos, ou a aplicação de recursos
financeiros em operações com títulos e valores mobiliários,
constante de um único contrato, no qual esteja prevista a
forma de pagamento do preço pactuado, ainda que a
transação seja realizada para pagamento em mais de uma
parcela.

No caso de empresas mercantis, a operação será


caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe
mais de uma nota fiscal.

Os limites de que trata a legislação serão sempre calculados


sobre o valor total da operação, ainda que, tendo honrado
uma parte do débito, o devedor esteja inadimplente de um
valor correspondente a uma faixa abaixo da em que se
encontra o valor total da operação.

4) Crédito em que o não pagamento de uma parcela


acarreta o vencimento automático das demais parcelas:

No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de


uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de
todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se
referem as alíneas b.1 e b.2 serão considerados em relação
ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor.
5) Acréscimo de reajustes e encargos moratórios
contratados:

Para fins de efetuar o registro da perda, os créditos referidos


na alínea “b” serão considerados pelo seu valor original
acrescido de reajustes em virtude de contrato, inclusive juros
e outros encargos pelo financiamento da operação, e de
eventuais acréscimos moratórios em razão da sua não
liquidação, considerados até a data da baixa.
6) Registro de nova perda em uma mesma operação:

Para o registro de nova perda em uma mesma operação, as


condições prescritas na alínea “b” deverão ser observadas
em relação à soma da nova perda àquelas já registradas.
Exemplos:
Hipótese 1
Admitindo-se que a pessoa jurídica tenha realizado, no mês de abril de 2014, vendas de
mercadorias a um determinado cliente, cujas notas fiscais foram englobadas numa única
fatura (de nº 111), para pagamento nos seguintes prazos e condições:
a) valor e vencimento das duplicatas:

- duplicata nº 111-A, no valor de R$ 2.000,00, com venc. em 02/05/2014;

- duplicata nº 111-B, no valor de R$ 1.500,00, com venc. em 16/05/2014;

- duplicata nº 111-C, no valor de R$ 1.000,00, com venc. em 30/05/2014.

b) caso as duplicatas não sejam pagas no vencimento, os respectivos valores serão


acrescidos dos seguintes encargos, previstos contratualmente:

- juros (simples) de meio por cento ao mês, contados a partir do mês subsequente ao
do vencimento do título;

- multa de mora de dois por cento sobre o valor original do crédito.

Nesse caso, se em 31/12/2014 esses créditos ainda não tiverem sido liquidados, tem-se a
seguinte situação:
Valor total do crédito, acrescido dos encargos moratórios

A B C

Duplicata Vencimento Valor Valor dos Valor Total do


nº original juros devidos da multa crédito
até (2% de (A+B+C)
31/12/2014 A)
(3,5% de A)
111-A 02/05/2014 2.000,00 70,00 40,00 2.110,00
111-B 16/05/2014 1.500,00 52,50 30,00 1.582,50
111-C 30/05/2014 1.000,00 35,00 20,00 1.055,00
Totais 4.500,00 157,50 90,00 4.747,50
Nesta hipótese, como o total do crédito relativo à operação, acrescido dos encargos
moratórios contratados, se enquadra no limite de R$ 5.000,00, a empresa poderá proceder
à sua baixa, no valor de R$ 4.747,50 (naturalmente, no pressuposto de que os encargos
moratórios foram contabilizados como receita), tendo em vista que esse crédito está
vencido há mais de seis meses.
Hipótese 2:
Considerando-se que a pessoa jurídica tenha crédito não liquidado relativo a vendas de
mercadorias feitas a outro cliente, representado por uma única fatura cujas duplicatas
venceram nas seguintes datas:

- duplicata nº 222-A, no valor de R$ 2.500,00, vencida em 30/01/2014;

- duplicata nº 222-B, no valor de R$ 2.300,00, vencida em 28/02/2014;

Admitindo-se que nessa operação também foram contratados encargos moratórios, para
o curso de não pagamento dentro do prazo, em 31/12/2014 temos:

A B C

Duplicata Vencimento Valor Valor dos Valor Total do


nº original juros devidos da crédito
até multa (A+B+C)
31/12/2014 (2% de
A)
% Valor
222-A 30/01/2014 2.500,00 5,5 137,50 50,00 2.687,50
222-B 28/02/2014 2.300,00 5,0 115,00 46,00 2.461,00
Totais 4.800,00 252,50 96,00 5.148,50
Nesse caso, como valor total do crédito (R$ 5.148,50) é superior ao limite de R$
5.000,00, a parcela referida à duplicata 222-A somente poderá ser baixada depois de
decorrido um ano do seu vencimento. O mesmo se aplica à duplicata 222-B.
Normativo:
RIR/1999, art 340, § 1º; e
IN SRF nº 93, de 1997,art. 24.

O que se entende por créditos com garantia, para efeito da


121
legislação fiscal?

Consideram-se créditos com garantia, para efeito da legislação fiscal, aqueles


provenientes de vendas com reserva de domínio, alienação fiduciária em garantia ou
operações com outras garantias reais.

Normativo: RIR/1999, art. 340, § 3º.

No caso de crédito com empresa em processo falimentar


122
ou de concordata, a partir de quando poderá ser considerada
a perda?

No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da


perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da
concordata, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido
a pagar, desde que adotados os procedimentos judiciais necessários para o recebimento
do crédito.
A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa
concordatária poderá ser, também, deduzida como perda, observadas as condições gerais
para dedução das perdas.
A partir de 8 de outubro de 2014, a referência feita a empresa concordatária abrange
também a empresa em recuperação judicial (MP nº 656, de 2014, art. 2º).

Normativo: RIR/1999, art. 340, §§ 4º e 5º.

123 Existe alguma vedação à dedução das perdas?

Sim. A legislação fiscal não admite a dedução, a título de perda no recebimento de


créditos, com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada,
e com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da
pessoa jurídica credora ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas.

Normativo: RIR/1999, art. 340, § 6º.

Como será efetuado o registro contábil das perdas?


124
O registro contábil das perdas será efetuado a débito de conta de resultado e a crédito:
a) da conta que registra o crédito, quando este não tiver garantia e seu valor for de até
R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, e estiver vencido há mais de seis meses,
independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento;
b) de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses previstas na alínea “b” da Pergunta
120 deste capítulo.

Notas:
1) Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial,
antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a
perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou
adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real
do período da desistência, considerando-se postergado o
imposto que deixar de ser pago desde o período de apuração
em que tenha sido reconhecida a perda;

2) Os valores registrados na conta redutora do crédito, item


“b” retro, poderão ser baixados definitivamente em
contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do
período de apuração em que se completarem cinco anos do
vencimento do crédito, sem que esse tenha sido liquidado
pelo devedor.
3) O valor de R$ 5.000,00 passou a ser de R$ 15.000,00, a
partir de 8 de outubro de 2014 (MP nº 656, de 2014, art. 2º)

Exemplo de registro da apropriação das perdas:

a) Duplicata a Receber vencida há mais de seis meses


no valor de R$ 3.900,00:

Nome da conta D C
Perdas no Recebimento de Créditos
3.900,00
(DRE)
a Duplicatas a Receber 3.900,00
b) Duplicata a Receber vencida há mais de um ano
no valor de R$ 10.000,00:

Nome da conta D C
Perdas no Recebimento de Créditos
10.000,00
(DRE)
a Duplicatas a Receber em Atraso
10.000,00
(retificadora do AC)

Normativo: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 9º, § 1º, e 10; e


RIR/1999, art. 341.
Qual o tratamento fiscal a ser adotado pela empresa credora
125
para os encargos financeiros relativos aos créditos vencidos
que forem reconhecidos contabilmente pelo regime de
competência?
Os encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizados como receita,
poderão ser excluídos do lucro líquido na apuração do lucro real, Parte A do Lalur, após
dois meses do seu vencimento sem que tenha havido o recebimento, na hipótese em que
a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao
recebimento do crédito, exceto para os créditos sem garantia de valor até R$ 30.000,00
(trinta mil reais).

Os valores excluídos do lucro líquido deverão ser mantidos na Parte B do Lalur, para
posterior adição na apuração do lucro real do período em que se tornarem disponíveis
para a pessoa jurídica credora ou em que for reconhecida a respectiva perda.

Exemplo:
Crédito vencido em 30/06/2013: R$ 10.000,00
Encargos financeiros: dois por cento ao mês
a) contabilização dos encargos em 31/12/2013:
Nome da contas D C
Créditos a Receber 1.200,00
a Receitas Financeiras (DRE) 1.200,00
A receita de R$ 1.200,00 poderá ser excluída do lucro líquido, para fins de determinação
do lucro real correspondente ao período de apuração encerrado em 31/12/2013, e será
controlada na Parte B do Lalur.
No ano seguinte, em 1º/07/2014 (um ano depois do vencimento), a empresa reconhece a
perda do crédito, acrescido dos encargos financeiros transcorridos de janeiro a junho
de 2014 (mais R$ 1.200,00 pelo período transcorrido).
b) contabilização dos encargos em 1º/07/2014:
Nome da contas D C
Créditos a Receber 1.200,00
a Receitas Financeiras (DRE) 1.200,00
c) registro das perdas em 1º/07/2014:
Nome da contas D C
Perdas no Recebimento de
12.400,00
Créditos (DRE)
a Créditos a Receber em Atraso
12.400,00
(retificadora do AC)
Notas:

1) O valor de R$ 1.200,00, controlado na Parte B do Lalur,


deverá ser adicionado para apuração do Lucro Real do ano de
2014.
2) O valor de R$ 30.000,00 passou a ser de R$ 100.000,00, a
partir de 8 de outubro de 2014 (MP nº 656, de 2014, art. 2º)

Normativo: RIR/1999, art. 342.

Com relação à pergunta anterior deste capítulo, qual o


126
tratamento fiscal a ser adotado pela empresa devedora
relativamente aos encargos financeiros registrados
contabilmente?
A pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro líquido, Parte A do Lalur, na
apuração do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre débito vencido
e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir da
citação judicial inicial para o seu pagamento.
Os valores adicionados deverão ser mantidos na Parte B do Lalur para posterior exclusão
no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma.
Normativo: RIR/1999, art. 342, §§ 3º e 4º.

Como deverá proceder a pessoa jurídica na hipótese de


127
recuperar os créditos que tenha considerado como perda em
período anterior?
A pessoa jurídica que recuperar os créditos deduzidos, em qualquer época ou a qualquer
título, inclusive nos casos de novação da dívida ou de arresto dos bens recebidos em
garantia real, deverá computar, na determinação do lucro real do período de apuração
em que se der a recuperação, o montante dos créditos recuperados.

No caso de serem recebidos bens para quitação do débito, esses bens deverão ser
escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial
que tenha determinado a sua incorporação ao patrimônio do credor.

Nas operações de crédito realizadas por instituições autorizadas a funcionar pelo Banco
Central do Brasil, nos casos de renegociação de dívida, o reconhecimento da receita
para fins de incidência de imposto sobre a renda e da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido ocorrerá no momento do efetivo recebimento do crédito nas seguintes
hipóteses:

I - operação de financiamento rural;


II - operação de crédito concedido a pessoa física de valor igual ou inferior a R$
30.000,00 (trinta mil reais), apurado no momento da perda dos créditos.

Normativo: RIR/1999, art. 343.

Lei nº 9.430, de 1996, art. 12, e §§ 1º e 2º, incluídos


pela Lei nº 12.431, de 2011

Remuneração e FGTS de Dirigentes e Conselheiros

Qual o critério adotado pela legislação fiscal para conceituar


128
o que sejam diretores ou administrador da pessoa jurídica?

De acordo com o entendimento da Administração Tributária, considera-se:

I - Diretor - a pessoa que dirige ou administra um negócio ou uma soma determinada


de serviços. Pessoa que exerce a direção mais elevada de uma instituição ou
associação civil, ou de uma companhia ou sociedade comercial, podendo ser, ou não,
acionista ou associado. Os diretores são, em princípio, escolhidos por eleição de
assembleia, nos períodos assinalados nos seus estatutos ou contratos sociais;
II - Administrador - a pessoa que pratica, com habitualidade, atos privativos de
gerência ou administração de negócios da empresa, e o faz por delegação ou
designação de assembleia, de diretoria ou de diretor; e
III - Conselho de Administração – órgão instituído pela Lei das Sociedades por Ações
cujos membros recebem, para os efeitos fiscais, o mesmo tratamento dado a diretores
ou administradores.

Notas:
São excluídos do conceito de administrador: (a) os
empregados que trabalham com exclusividade para uma
empresa, subordinados hierárquica e juridicamente e que,
como meros prepostos ou procuradores, mediante outorga de
instrumento de mandato, exercem essa função
cumulativamente com as de seus cargos efetivos, percebendo
remuneração ou salário constante do respectivo contrato de
trabalho, provado por carteira profissional; e (b) o assessor,
que é a pessoa que tenha subordinação direta e imediata ao
administrador, dirigente ou diretor e atividade funcional
ligada à própria atividade da pessoa assessorada.
Normativo:
IN SRF nº 2, de 1969;
PN CST nº 48, de 1972; e
PN Cosit nº 11, de 1992.

Como deverão ser considerados, no resultado da pessoa


129
jurídica, os valores pagos ou creditados, mensalmente, ao
titular, sócios, diretores ou administradores das empresas, a
título de remuneração (retiradas pro labore)?

Os valores pagos ou creditados, mensalmente, ao titular, sócios, diretores ou


administradores das empresas, a título de remuneração (retiradas pro labore), fixados
livremente e correspondentes a efetiva prestação de serviços, poderão ser considerados
integralmente como custo ou despesa operacional no resultado da pessoa jurídica,
independentemente de qualquer restrição, condição ou limite de valor.
Normativo: Lei nº 9.430, de 1996, art. 88, XIII.

O que se entende por remuneração?


130

Remuneração é o montante mensal, nele computados, pelo valor bruto, todos os


pagamentos ou créditos pelos serviços efetivamente prestados à empresa, inclusive
retribuições ou benefícios recebidos em decorrência do exercício do cargo ou função,
como, por exemplo, o valor do aluguel de imóvel residencial ocupado por sócios ou
dirigentes pago pela empresa, e outros salários indiretos.
Incluem-se no conceito de remuneração, no caso de sócio, diretor ou administrador que
seja, concomitantemente, empregado da empresa, os rendimentos auferidos, seja a título
de remuneração como dirigente, seja como retribuição do trabalho assalariado.
Igualmente, esse entendimento se aplica ao dirigente ou administrador que for membro,
simultaneamente, da diretoria executiva e do conselho de administração da companhia.

Os salários indiretos, igualmente, incluem-se no conceito de remuneração, assim


consideradas as despesas particulares dos administradores, diretores, gerentes e seus
assessores, nelas incluídas, por exemplo, as despesas de supermercados e cartões de
crédito, inclusive cartões de incentivo ou de premiação, pagamento de anuidade de
colégios, clubes, associações etc.

Notas:
1) Os valores considerados como remuneração, inclusive os
salários indiretos, quando pagos ou creditados aos
administradores, diretores, gerentes e seus assessores
integram os rendimentos tributáveis dos beneficiários, no
caso de pessoas físicas;
2) Sujeitam-se, também, esses valores, à incidência do
imposto de renda na fonte, com base na tabela progressiva
mensal, sendo o imposto, que vier a ser retido pela fonte
pagadora, passível de compensação com o devido na
declaração de ajuste anual dos beneficiários;
3) Os valores pagos ou creditados a beneficiário não
identificado não serão dedutíveis como custo ou despesa da
pessoa jurídica, para fins de apuração do lucro real, e serão
tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 35%
(RIR/1999, arts. 304, 622 e 674);
4) Para efeito de apuração do lucro real, é vedada a dedução
das despesas com alimentação, contraprestações de
arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou
imóveis, e de despesas de depreciação, amortização,
manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e
quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto
quando intrinsecamente relacionados com a produção ou
comercialização dos bens e serviços. Entretanto, tais valores
poderão ser considerados como dedução quando se
enquadrarem como remuneração dos administradores,
diretores, gerentes e seus assessores, hipótese em que
deverão ser tributados pelo imposto de renda na pessoa
física, estando sujeitos à retenção na fonte e à inclusão na
declaração de ajuste anual (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, II,
III e IV).

Normativo: RIR/1999, art. 358;


PN CST nº 18, de 1985; e
PN CST nº 11, de 1992.

Quais os pagamentos que, embora efetuados no período de


131
apuração, não serão considerados dedutíveis a título de
retiradas pro labore?
Não serão consideradas como dedutíveis, na determinação do lucro real, as retiradas não
debitadas em custos ou despesas operacionais, ou contas subsidiárias, e aquelas que,
mesmo escrituradas nessas contas, não correspondam a remuneração mensal fixa por
prestação de serviços.

Normativo: RIR/1999, art. 357, parágrafo único, I.


As empresas sujeitas ao regime da legislação trabalhista poderão,
132
facultativamente, estender a seus diretores não empregados o regime
de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), nos termos do
art. 1º, e parágrafos, da Lei nº 6.919, de 1981. Assim procedendo,
qual o tratamento a ser dado a tais dispêndios na pessoa jurídica?

Os depósitos efetivados pela pessoa jurídica na forma da Lei nº 6.919, de 1981, a título
de fundo de garantia do tempo de serviço de seus diretores (no valor de oito por cento da
respectiva remuneração), constituem custos ou despesas operacionais dedutíveis,
independentemente de qualquer limite de remuneração.
Normativo: RIR/1999 art. 345, parágrafo único; e
PN CST nº 35, de 1981.

A remuneração do conselho fiscal e consultivo poderá ser


133
considerada dedutível, para fins do lucro real?

Sim. A remuneração do conselho fiscal e consultivo é totalmente dedutível como despesa


operacional, independentemente de qualquer limite de valor.
Normativo: RIR/1999, art. 357.

Quantos conselheiros fiscais poderão ter as sociedades


134
por ações?

A Lei nº 6.404, de 1976, no art. 161, § 1º, determina que o conselho fiscal será composto
de, no mínimo, três, e no máximo, cinco membros, e suplentes em igual número.

Normativo: Lei das S.A. – Lei nº 6.404, de 1976, art. 161, § 1º.

Despesas com Propaganda

Quais as condições para que as despesas com propaganda


135
possam ser deduzidas?
Somente serão admitidas, como dedução, as despesas de propaganda que estejam
diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa, registradas segundo o
regime de competência, e que sejam relativas a gastos com :
I - rendimentos específicos pagos ou creditados a terceiros em contrapartida à
prestação de serviço com trabalho assalariado, autônomo ou profissional, e à aquisição
de direitos autorais de obra artística;

II - importâncias pagas ou creditadas a empresas jornalísticas, correspondentes a


anúncios ou publicações;

III - importâncias pagas ou creditadas a empresas de radiodifusão ou televisão,


correspondentes a anúncios, horas locadas ou programas;

IV - despesas pagas ou creditadas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda;

V - o valor das amostras distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou


farmacêuticos e por outras empresas que utilizem esse sistema de promoção de venda,
sendo indispensável que:
a) haja contabilização da distribuição, pelo preço de custo real;
b) que as saídas das amostras sejam documentadas com emissão de nota fiscal; e
c) que o valor das amostras distribuídas no ano-calendário não ultrapasse os limites
estabelecidos pela RFB, até o máximo de cinco por cento da receita líquida obtida na
venda dos produtos; e
VI - promoção e propaganda de seus produtos, com a participação em feiras, exposições
e certames semelhantes, com a manutenção de filiais, de escritórios e de depósitos
congêneres, efetuados no exterior por empresas exportadoras de produtos
manufaturados, inclusive cooperativas, consórcios de exportadores ou de produtores ou
entidades semelhantes, podendo os gastos ser imputados ao custo, destacadamente, para
apuração do lucro líquido, na forma, limite e condições determinadas pelo Ministro da
Fazenda (Portaria MF nº 70, de 1997).

Notas:
1) As importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas
a outras pessoas jurídicas a título de serviços de propaganda
e publicidade estão sujeitas à incidência do imposto de renda
na fonte à alíquota de 1,5% (PN CST nº 7, de 1986, e
IN SRF nº 123, de 1992);
2) Ver também o PN CST nº 8, de 1975 (item 3), que trata
dos gastos com promoções no exterior para captar recursos
para investimento no Brasil.

Normativo: RIR/1999, art. 366;


Portaria MF nº 70, de 1997;
PN CST nº 17, de 1976;
PN CST nº 21, de 1976; e
IN SRF nº 2, de 1969, itens 89 a 97.
Quaisquer despesas com propaganda registradas segundo o
136
regime de competência são dedutíveis?

Não, uma vez que a legislação tributária fixou normas mais rígidas para referidas despesas
serem admitidas como dedutíveis, tais como:
a) para a empresa que utilizar a dedução a título de despesas de propaganda:
a.1) as despesas devem estar diretamente relacionadas com a atividade explorada
pela empresa; e
a.2) deverá ser mantida escrituração das despesas em conta própria;
b) para a empresa prestadora do serviço de propaganda:
b.1) deverá estar registrada no CNPJ; e
b.2) deverá manter escrituração regular.
Normativo: RIR/1999, art. 366, §§ 2º e 3º.

A comprovação da efetiva prestação dos serviços de


137
propaganda é de responsabilidade exclusiva da pessoa
jurídica pagadora?

Não. A legislação tributária atribuiu à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária


responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva prestação de serviços de
propaganda.
Normativo: Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, parágrafo único; e
IN SRF nº 123, de 1992, art. 2º, parágrafo único.

Poderão ser considerados como despesas operacionais,


138
dedutíveis para o imposto de renda, os brindes distribuídos
pelas pessoas jurídicas?

Não. É vedada a dedução de despesas com brindes, para fins da determinação da base de
cálculo do imposto de renda.
Entretanto, os gastos com a distribuição de objetos, desde que de diminuto valor e
diretamente relacionados com a atividade da empresa, poderão ser deduzidos a título de
despesas com propaganda, para efeitos do lucro real.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, VII;
RIR/1999, art. 299;
PN CST nº 15, de 1976; e
Solução de Consulta Cosit nº 4, de 2001.

Receitas e Despesas Financeiras


O que se consideram Receitas Financeiras e como devem
139
ser tratadas?
Os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte, o prêmio de
resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações
financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem
as receitas financeiras e, assim, deverão ser incluídos no lucro operacional.

Quando referidas receitas forem derivadas de operações ou títulos com vencimento


posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateadas pelos períodos
a que competirem.

As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em


função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou
contratual, serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, como
receitas financeiras, quando ativas.

Notas:
1) Devem ser observadas as regras referentes a Preços de
Transferência, quando se tratar de operações de contratação
de empréstimos realizados com pessoas físicas ou jurídicas
consideradas vinculadas ou, ainda que não vinculadas,
residentes ou domiciliadas em país ou territórios
considerados como de tributação favorecida ou cuja
legislação interna oponha sigilo à composição societária de
pessoas jurídicas ou à sua titularidade, decorrentes de
contratos de empréstimos não registrados no Banco Central
do Brasil;

2) Devem ser observadas as regras referentes à tributação em


bases universais referentes aos lucros, rendimentos e ganhos
de capital auferidos no exterior.

Veja ainda:
Preços de transferência: Perguntas 001 a 069
do Capítulo XIX.
Tributação em bases universais: Perguntas 76 a 110
do Capítulo XIX.
Normativo: Lei nº 9.718, de 1998, arts. 9º e 17, II; e
RIR/1999, art. 373.

O que se consideram Despesas Financeiras, e como devem


140
ser tratadas?

Consideram-se despesas financeiras os juros pagos ou incorridos, os quais serão


dedutíveis como custo ou despesa operacional observadas as seguintes normas:
a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de créditos e o deságio
concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados
proporcionalmente ao tempo decorrido (pro rata temporis), nos períodos de apuração
a que competirem; e
b) os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens
do ativo imobilizado, incorridos durante as fases de construção e pré-operacional,
podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados.
As variações monetárias dos direitos de créditos e das obrigações do contribuinte, em
função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou
contratual, serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, como
despesas financeiras, quando passivas.

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo diferido foi inserido no grupo do ativo
não circulante, sendo substituído pelo subgrupo do
intangível;

2) Devem ser observadas as regras referentes a Preços de


Transferência, quando se tratar de operações de contratação
de empréstimos realizados com pessoas físicas ou jurídicas
consideradas vinculadas ou, ainda que não vinculadas,
residentes ou domiciliadas em país ou territórios
considerados como de tributação favorecida, ou cuja
legislação interna oponha sigilo à composição societária de
pessoas jurídicas ou à sua titularidade, decorrentes de
contratos de empréstimos não registrados no Banco Central
do Brasil;

3) Devem ser observadas as regras referentes à tributação em


bases universais referentes aos lucros, rendimentos e ganhos
de capital auferidos no exterior, inclusive quanto à
dedutibilidade dos juros pagos ou creditados a empresas
controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos
a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada
ou controlada, constar a existência de lucros não
disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil.
4) Sem prejuízo do disposto no art. 13 da Lei nº 9.249, de 26
de dezembro de 1995, os juros pagos ou incorridos pelo
contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa
operacional, observadas as seguintes normas:
a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de
crédito, a correção monetária prefixada e o deságio
concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito
deverão ser apropriados, pro rata tempore, nos exercícios
sociais a que competirem; e
b) os juros e outros encargos, associados a empréstimos
contraídos, especificamente ou não, para financiar a
aquisição, construção ou produção de bens classificados
como estoques de longa maturação, propriedade para
investimentos, ativo imobilizado ou ativo intangível, podem
ser registrados como custo do ativo, desde que incorridos até
o momento em que os referidos bens estejam prontos para
seu uso ou venda.
Considera-se como encargo associado a empréstimo aquele
em que o tomador deve necessariamente incorrer para fins
de obtenção dos recursos.
Alternativamente, nas hipóteses a que se refere a alínea “b”
acima, os juros e outros encargos poderão ser excluídos na
apuração do lucro real quando incorridos, devendo ser
adicionados quando o respectivo ativo for realizado,
inclusive mediante depreciação, amortização, exaustão,
alienação ou baixa.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Veja ainda: Preços de transferência:


Perguntas 001 a 069 do Capítulo XIX.
Juros pagos a pessoas vinculadas no exterior:
Perguntas 070 a 75 do Capítulo XIX.
Tributação em bases universais:
Perguntas 076 a 110 do Capítulo XIX.
Normativo: Lei nº 9.718, de 1998, arts. 9º e 17, II; e
RIR/1999, art. 374.

Como são tributados os ganhos obtidos na renegociação de


141
dívidas (empréstimos, financiamentos etc)?

O valor correspondente à redução de dívida objeto de renegociação (a exemplo da relativa


ao crédito rural) deve ser classificado como receita financeira e, assim, computado na
apuração do lucro real.

Normativo: AD SRF nº 85, de 1999, art. 2º.

O que se considera como pessoas vinculadas residentes ou


142
domiciliadas no exterior para fins de se caracterizar o
pagamento de juros?

Considera-se como pessoa vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil:

I - a matriz desta, quando domiciliada no exterior;


II - a sua filial ou sucursal, domiciliada no exterior;

III - a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, cuja participação


societária no seu capital social a caracterize como sua controladora ou coligada, na forma
definida nos §§ 1º, 2º, 4º e 5º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976;
IV - a pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja caracterizada como sua controlada
ou coligada, na forma definida nos §§ 1º, 2º, 4º e 5º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976;

V - a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no


Brasil estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo
menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física
ou jurídica;

VI - a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que, em conjunto


com a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tiver participação societária no capital social
de uma terceira pessoa jurídica, cuja soma as caracterize como controladoras ou coligadas
desta, na forma definida nos §§ 1º, 2º, 4º e 5º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976;

VII - a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que seja sua
associada, na forma de consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação
brasileira, em qualquer empreendimento;

VIII - a pessoa física residente no exterior que for parente ou afim até o terceiro grau,
cônjuge ou companheiro de qualquer de seus diretores ou de seu sócio ou acionista
controlador em participação direta ou indireta;

IX - a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que goze de


exclusividade, como seu agente, distribuidor ou concessionário, para a compra e venda
de bens, serviços ou direitos; e

X - a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual a


pessoa jurídica domiciliada no Brasil goze de exclusividade, como agente, distribuidora
ou concessionária, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos.

Notas:
As disposições relativas a preços, custos e taxas de juros,
constantes dos arts. 18 a 22 da Lei nº 9.430, de 1996,
aplicam-se, também, às operações efetuadas por pessoa
física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com
qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada,
residente ou domiciliada em país ou dependência cuja
legislação interna oponha sigilo relativo à composição
societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade
(Lei nº 10.451, de 2002, art. 4º).
Veja ainda:
Preços de transferência:
Perguntas 001 a 069 do Capítulo XIX.
Juros pagos a pessoas vinculadas no exterior:
Perguntas 070 a 75 do Capítulo XIX.
Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, §§ 1º,
2º, 4º e 5º, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009,
art. 37.
Lei nº 9.430, de 1996, art. 23; e
RIR/1999, art. 244.

143 O que se entende por Variações Monetárias?


Variações monetárias são as atualizações dos direitos de crédito e das obrigações do
contribuinte determinadas em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes
aplicáveis por disposição legal ou contratual (não prefixadas).

São exemplos de variações monetárias:

a) ativas - ganhos de câmbio, correção monetária pós-fixada e outras formas de


atualização não prefixadas; e

b) passivas - perdas de câmbio, correção monetária e outras atualizações não


prefixadas.

Embora a correção monetária das demonstrações financeiras tenha sido revogada a


partir de 1º/01/1996, permanecem em vigor as normas aplicáveis às contrapartidas de
variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações da pessoa jurídica, em
função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal
ou contratual.

Taxa de câmbio - consideram-se variações monetárias, ativas ou passivas as diferenças


decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do
contrato de câmbio e a data do embarque dos produtos manufaturados nacionais para o
exterior, esta entendida como a data averbada no Sistema Integrado de Comércio
Exterior - Siscomex (Portaria MF nº 356, de 1988; e IN SRF nº 28, de 1994).

A taxa de câmbio referente à data de embarque é a fixada no boletim de abertura


divulgado pelo Banco Central do Brasil, disponível no Sistema de Informações do
Banco Central (Sisbacen) e na Internet, no endereço “[Link]”.

Notas:
1) Devem ser observadas as regras referentes a Preços de
Transferência, quando se tratar de operações de contratação
de empréstimos realizados com pessoas físicas ou jurídicas
consideradas vinculadas, ou ainda que não vinculadas,
residentes ou domiciliadas em país ou territórios
considerados como de tributação favorecida, ou cuja
legislação interna oponha sigilo à composição societária de
pessoas jurídicas ou à sua titularidade, decorrentes de
contratos de empréstimos não registrados no Banco Central
do Brasil;

2) Devem ser observadas as regras referentes à tributação em


bases universais referentes aos lucros, rendimentos e ganhos
de capital auferidos no exterior.

Veja ainda:
Preços de transferência:
Perguntas 001 a 069 do Capítulo XIX.
Tributação em bases universais:
Perguntas 076 a 110 do Capítulo XIX.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, arts. 4º e 8º; e
RIR/1999, arts. 375 a 378.

Qual o tratamento que deve ser dado às variações


144
monetárias?

As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em


função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou
contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, como
receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.

Notas:
1) Desde 1º/01/2000, as variações monetárias dos direitos de
crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa
de câmbio, são consideradas, para efeito de determinação da
base de cálculo do IRPJ e da apuração do lucro da
exploração, no momento da liquidação da correspondente
operação;

2) À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias


poderão ser consideradas na determinação das bases de
cálculo acima citadas segundo o regime de competência.
Essa opção será aplicada a todo o ano-calendário;
3) A partir do ano-calendário de 2011, o direito de efetuar a
opção pelo regime de competência, de que trata o item
anterior, somente poderá ser exercido no mês de janeiro;
4) O direito de alterar o regime adotado, no decorrer do ano-
calendário, é restrito aos casos em que ocorra elevada
oscilação da taxa de câmbio, considerada, como tal, aquela
superior a percentual determinado pelo Poder Executivo;
5) A opção ou sua alteração deverá ser comunicada à
Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme por ela
disciplinado:
I - no mês de janeiro de cada ano-calendário, no caso do
item 3;
II - no mês posterior ao de sua ocorrência, no caso do item 4.
6) As variações monetárias em razão da taxa de câmbio
referentes aos saldos de valores a apropriar decorrentes de
ajuste a valor presente não serão computadas na
determinação do lucro real.
(Disposição aplicável, a partir de 1º de janeiro de 2014, aos
contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75 da Lei
nº 12.973, de 2014).

Normativo: MP nº 2.158-35, de 2001, arts. 30 e 31, parágrafo


único, e Lei nº 12.249, de 2010, art. 137.

Qual a diferença entre variação cambial e variação


145
monetária?

Embora para efeitos contábeis e tributários ambas recebam o mesmo tratamento, a


primeira é a variação do valor da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras, e a
última é a variação da moeda nacional em relação aos índices ou coeficientes aplicáveis
por disposição legal ou contratual.

Quais as variações cambiais que podem ser compreendidas


146
como variações monetárias?

Incluem-se como variações monetárias as variações cambiais apuradas mediante:

a) a compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que


efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio;

b) a conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa


obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em
pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as
condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; e
c) a atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em
qualquer data e apurada no encerramento do período de apuração em função da taxa
vigente.

Normativo: RIR/1999, art. 378.


147 Qual o tratamento tributário da variação cambial relativa a
empréstimo obtido no exterior por pessoa jurídica sediada no
País e repassado à pessoa ligada no Brasil?

As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exequíveis no território nacional


deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. São vedadas, sob pena de nulidade,
quaisquer estipulações de pagamento expressas em, ou vinculadas a, ouro ou moeda
estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2º e 3º do Decreto-Lei nº 857, de 1969, e na
parte final do art. 6º da Lei nº 8.880, de 1994.
De igual forma, é nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação
cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de
arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no País, com
base em captação de recursos provenientes do exterior.
Desse modo, para fins de determinação do lucro real, a operação terá o seguinte
tratamento:

a) no repasse do empréstimo à pessoa ligada (controlada, coligada ou controladora), se


a tomadora do empréstimo perante organismos internacionais é tributada pelo lucro
real, deverá reconhecer como encargo, no mínimo, o valor pactuado na operação
original, sob pena de sofrer a glosa da despesa relativa a essa operação. Nesse caso,
todo o rendimento auferido pelo repasse é considerado como receita de aplicação de
renda fixa, sujeito à retenção do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte por
cento; e
b) a pessoa jurídica que recebe o empréstimo de pessoa ligada, se tributada com base no
lucro real, não poderá considerar como dedutível a parcela do encargo pactuada como
variação cambial, em face da restrição legal existente acerca dessa forma de
remuneração ou indexação.
Veja ainda: Juros pagos a pessoas vinculadas no exterior:
Perguntas 070 a 075 do Capítulo XIX.
Normativo: Decreto-Lei nº 857, de 1969, art. 1º;
Lei nº 8.880, de 1994, art. 6º; e
Lei nº 10.192, de 2001, art. 1º.

Juros sobre o Capital Próprio

Quais as condições para que a pessoa jurídica possa deduzir,


148
na apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados a
título de remuneração do capital próprio?

A pessoa jurídica poderá deduzir, na determinação do lucro real, observado o regime de


competência, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou
acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do
patrimônio líquido e limitados à variação pro rata dia da Taxa de Juros de Longo Prazo
(TJLP).
O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução como despesa
operacional limita-se ao maior dos seguintes valores:
a) cinquenta por cento do lucro líquido do período de apuração a que corresponder o
pagamento ou crédito dos juros, após a dedução da contribuição social sobre o lucro
líquido e antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos
juros; ou
b) cinquenta por cento dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros de períodos
anteriores (as reservas de lucros somente foram incluídas, para efeito do limite da
dedutibilidade dos juros, a partir de 1º/01/1997).

Notas:
1) Para os anos-calendário de 2008 a 2014, para fins do
cálculo do limite, a pessoa jurídica poderá utilizar as contas
do patrimônio líquido mensurado de acordo com as
disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. No
cálculo da parcela a deduzir, não serão considerados os
valores relativos a ajustes de avaliação patrimonial a que se
refere o § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro
de 1976.

2) No ano-calendário de 2014, a opção prevista no item


anterior ficará restrita aos não optantes das disposições
contidas nos arts. 1º e 2º e 4º a 70 da Lei nº 12.973, de 2014.

3) No caso da pessoa jurídica que não tenha optado pela


aplicação das disposições contidas nos arts. 1º e 2º e 4º a 70
da Lei nº 12.973, de 2014, para o ano-calendário de 2014,
para fins de cálculo da remuneração sobre o patrimônio
líquido, não será considerado o valor da reserva de
reavaliação de bens e direitos da pessoa jurídica, exceto se
esta for adicionada na determinação da base de cálculo do
imposto de renda;

4) No caso da pessoa jurídica que tenha optado pela


aplicação das disposições contidas nos arts. 1º e 2º e 4º a 70
da Lei nº 12.973, de 2014, para o ano-calendário de 2014,
para fins de cálculo da remuneração sobre o patrimônio
líquido serão consideradas exclusivamente as seguintes
contas do patrimônio líquido:
I - capital social;
II - reservas de capital;
III - reservas de lucros;
IV - ações em tesouraria; e
V - prejuízos acumulados.
O disposto neste item aplica-se à Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido.
Para fins de cálculo da remuneração sobre o patrimônio
líquido, a conta capital social inclui todas as espécies de
ações previstas no art. 15 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro
de 1976, ainda que classificadas em contas de passivo na
escrituração comercial.

5) O § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 1976, teve sua


redação alterada pela Lei nº 11.638, de 2007. Com essa
alteração, a empresa não mais poderá registrar valores na
conta de reserva de reavaliação. Em seu lugar, foi criada a
conta de “ajustes de avaliação patrimonial”;
6) Em face do contido no item anterior, o saldo existente na
conta de reserva de reavaliação deveria ser mantido até a sua
efetiva realização, ou estornado até 31 de dezembro de 2008;

7) O valor dos juros pagos ou creditados poderá ser


imputado ao valor dos dividendos obrigatórios a que têm
direito os acionistas, na forma do art. 202 da Lei das S.A. -
Lei nº 6.404, de 1976, com a redação dada pela Lei nº
10.303, de 2001, art. 2º, sem prejuízo da incidência do
imposto de renda na fonte.
8) Para efeito de apuração do lucro real, é vedada a dedução
de juros, a título de remuneração do capital próprio, que
tome como base de referência contas do patrimônio líquido
relativas a exercícios anteriores ao do seu efetivo
reconhecimento como despesa, por desatender ao regime de
competência. (Solução de Consulta Cosit nº 329, de 27 de
novembro de 2014)

Normativo: Lei das S.A. - Lei nº 6.404, de 1976, art. 202, com a
redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001, art. 2º;
Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º;
Lei nº 9.430, de 1996, art. 78;
Lei nº 9.959, de 2000, art. 4º;
RIR/1999, art. 347;
IN SRF nº 11, de 1996, art. 30; e
IN SRF nº 93, de 1997, art. 29.

Como se dá a tributação dos juros sobre o capital próprio


149
pagos ou creditados aos beneficiários pessoas jurídicas
ou físicas?
Os juros sobre o capital próprio estão sujeitos à incidência do imposto de renda na
fonte, à alíquota de quinze por cento na data do pagamento ou crédito, os quais terão o
seguinte tratamento no beneficiário:

a) no caso de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, o valor dos juros deverá
ser considerado como receita financeira e o imposto retido pela fonte pagadora será
considerado como antecipação do devido no encerramento do período de apuração ou,
ainda, poderá ser compensado com aquele que houver retido, por ocasião do pagamento
ou crédito de juros a título de remuneração do capital próprio, ao seu titular, sócios ou
acionistas;
b) em se tratando de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou lucro arbitrado,
os juros recebidos integram a base de cálculo do imposto de renda e o valor do imposto
retido na fonte será considerado antecipação do devido no encerramento do período de
apuração; e
c) no caso de pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real, lucro presumido ou
arbitrado, inclusive isentas, e de pessoas físicas, os juros são considerados como
rendimento de tributação definitiva, ou seja, os respectivos valores não serão incluídos
nas declarações de rendimentos nem o imposto de renda que for retido na fonte poderá
ser objeto de qualquer compensação.

Notas:
1) No caso de pessoa jurídica imune não há incidência do
imposto de renda sobre o valor dos juros pagos ou
creditados;

2) Aos juros e outros encargos pagos ou creditados pela


pessoa jurídica a seus sócios ou acionistas, calculados sobre
os juros remuneratórios do capital próprio e sobre os lucros e
dividendos por ela distribuídos, aplicam-se as normas
referentes aos rendimentos de aplicações financeiras de
renda fixa, inclusive quanto ao informe a ser fornecido pela
pessoa jurídica.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, §§ 3º, II, e 4º;


Lei nº 9.430, de 1996, art. 51;
RIR/1999, arts. 347 e 668; e
IN SRF nº 12, de 1999, arts. 1º e 3º.

Qual o tratamento tributário dos juros sobre o capital próprio


150
na hipótese de serem incorporados ao capital social?

No ano-calendário de 1996, foi dada a opção à pessoa jurídica de incorporar ao capital


social ou manter em conta de reserva destinada a aumento de capital o valor dos juros
sobre o capital próprio, garantida a sua dedutibilidade para fins do lucro real, desde que
a pessoa jurídica distribuidora assumisse o pagamento do imposto de renda na fonte.
O art. 88, XXVI, da Lei nº 9.430, de 1996, revogou esse dispositivo da Lei nº 9.249,
de 1995, art. 9º, § 9º, porém, o parágrafo único do art. 1º da IN SRF nº 41, de 1998,
dispõe que a utilização do valor creditado, líquido do imposto incidente na fonte, para
integralização de aumento de capital na empresa, não prejudica o direito à dedutibilidade
da despesa, para efeito do lucro real.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 9º.


Para efeito de cálculo dos juros sobre o capital próprio
151
(aplicação da TJLP), pode ser considerado nas contas do
patrimônio líquido o lucro líquido do próprio período de
apuração em que se der o pagamento ou crédito dos juros?
A variação da TJLP deve corresponder ao tempo decorrido desde o início do período de
apuração até a data do pagamento ou crédito dos juros, e ser aplicada sobre o patrimônio
líquido no início desse período, com as alterações para mais ou para menos ocorridas no
seu curso.

Deve ser observado que o lucro do próprio período de apuração não deve ser computado
como integrante do patrimônio líquido desse período, haja vista que o objetivo dos juros
sobre o capital próprio é remunerar o capital pelo tempo em que este ficou à disposição
da empresa.

De acordo com o disposto no PN CST nº 20, de 1987, o lucro líquido que servirá de
base para determinação do lucro real de cada período deve ser apurado segundo os
procedimentos usuais da contabilidade, inclusive com o encerramento das contas de
resultado. Aduz o citado Parecer Normativo que a apuração do lucro líquido exige a
transferência dos saldos das contas de receitas, custos e despesas para uma conta única
de resultado, passando a integrar o patrimônio líquido, com o encerramento do período
de apuração, mediante lançamentos para contas de reservas e de lucros ou prejuízos
acumulados.

Portanto, no que diz respeito ao resultado do próprio período de apuração, este somente
será computado no patrimônio líquido que servirá de base de cálculo dos juros sobre o
capital próprio, após a sua transferência para as contas de reservas ou de lucros ou
prejuízos acumulados.

Assim, havendo opção pelo regime de lucro real mensal, o resultado de cada mês já
pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos meses seguintes do mesmo
ano;havendo opção pelo regime de lucro real trimestral, o resultado de cada trimestre já
pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos trimestres seguintes do mesmo
ano; já se o regime for de lucro real anual, o resultado do ano só poderá ser computado
no patrimônio líquido inicial do ano seguinte.

Normativo: PN CST nº 20, de 1987.

Além dos juros sobre o capital próprio, existem outras


152
hipóteses em que a legislação fiscal admite a dedução de
juros pagos ou creditados aos acionistas ou associados?
Sim. São também dedutíveis na apuração do lucro real:

a) a amortização dos juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que
anteceder o início das operações sociais, ou de implantação do empreendimento
inicial; e
b) os juros pagos pelas cooperativas a seus associados, de até doze por cento ao ano
sobre o capital integralizado.

Normativo: RIR/1999, arts. 325, II, g, e 348, I e II.

ÍNDICE REMISSIVO

IRPJ - Lucro Operacional (Capítulo VIII)

Amortização

Amortização Acelerada, Hipóteses [Pergunta 072]

Amortização vs. Depreciação, Distinção [Pergunta 071]

Custos ou Despesas Passíveis de Amortização [Pergunta 068]

De Bens, Custos e Despesas, Conceito [Pergunta 064]

Dedução do Encargo, Recuperação do Capital [Pergunta 065]

Direitos ou Bens Passíveis de Amortização [Pergunta 067]

Extinção de Direitos ou Bens antes do Término da Amortização, Procedimento


[Pergunta 070]

Fixação da Quota, Procedimento [Pergunta 066]

Limite, Despesa Total ou Custo de Aquisição [Pergunta 069]

Apropriação de Quotas

Custo ou Despesa, Critério do Contribuinte [Pergunta 095]

Início da Apropriação [Pergunta 093]

Período de Duração do Bem, Uniformidade do Valor [Pergunta 094]

Recursos Florestais, Critérios [Pergunta 096]

Conceitos
Amortização de Bens, Custos e Despesas [Pergunta 064]

Créditos com Garantia [Pergunta 121]

Depreciação de Bens do Imobilizado [Pergunta 043]

Descontos Incondicionais [Pergunta 006]

Despesas Financeiras [Pergunta 140]

Despesas Operacionais [Pergunta 017]

Exaustão [Pergunta 073]

Lucro Bruto [Pergunta 002]

Lucro Operacional [Pergunta 001]

Multas Fiscais [Pergunta 032]

Pessoas Vinculadas no Exterior [Pergunta 142]

Provisões [Pergunta 097]

Receita Bruta [Pergunta 003]

Receita Líquida [Pergunta 004]

Receitas Financeiras [Pergunta 139]

Remuneração [Pergunta 130]

Variações Monetárias [Pergunta 143]

Vendas Canceladas [Pergunta 005]

Custo

Avaliação de Estoques, Momento [Pergunta 011]

Bens de Consumo Eventual, Limite [Pergunta 009]

Bens de Pequeno Valor Necessários no Conjunto [Pergunta 025]

De Bens ou Serviços, Na Aquisição e Produção [Pergunta 008]

De Bens, Apuração de Resultados (Procedimento) [Pergunta 012]


De Bens, Contabilidade Não Integrada [Pergunta 014]

ICMS, Contabilidade Não Integrada [Pergunta 015]

Quebras e Perdas, Tratamento [Pergunta 010]

Sistema de Contabilidade de Custo Integrado e Coordenado, Conceito [Pergunta 013]

Valor de Mercado, Provisão para Ajuste (Indedutibilidade) [Pergunta 016]

Depreciação

Acelerada

Adequação de Critérios, Comprovação [Pergunta 061]

Autorização Prévia, Desnecessidade [Pergunta 060]

Critério de Incentivo Concomitante com Horas Diárias, Possibilidade [Pergunta 059]

Em Função de Horas Diárias em Operação, Critérios [Pergunta 058]

Hipóteses [Pergunta 057]

Acelerada Incentivada

Forma de Utilização do Benefício [Pergunta 063]

Bens do Imobilizado

Adquiridos Usados, Cálculo da Depreciação [Pergunta 045]

Conceito [Pergunta 043]

Depreciação Efetivamente Suportada, Divergência (Prova de Adequação) [Perguntas


047 e 053]

Em Condições de Operar, Início da Dedutibilidade [Perguntas 051 e 052]

Exploração Mineral ou Florestal, Depreciação no Prazo da Concessão (Possibilidade)


[Pergunta 054]

Fora de Estrada (Caminhões), Depreciação em Quatro Anos [Pergunta 046]


Imóveis, Valor do Terreno (Segregação) [Pergunta 056]

Instalações ou Equipamentos (Bens Agrupados), Maior Vida Útil [Pergunta 055]

Não Passíveis de Depreciação [Pergunta 050]

Passíveis de Depreciação [Pergunta 049]

Quem Pode Deduzir, Encargo Econômico Suportado [Pergunta 048]

Taxa Anual de Depreciação, Fixação [Pergunta 044]

Despesas com Propaganda

Brindes Distribuídos, Indedutibilidade [Pergunta 138]

Comprovação dos Serviços, Responsabilidade Solidária [Pergunta 137]

Requisitos para Dedutibilidade [Perguntas 135 e 136]

Despesas Operacionais

Aumento da Vida Útil Maior que 12 Meses, Efeitos [Pergunta 030]

Bens de Pequeno Valor Necessários no Conjunto, Indedutibilidade [Pergunta 025]

Bens de Pequeno Valor, Dedutibilidade [Pergunta 018]

Comprovação de Despesas, Documentação [Pergunta 023]

Conceito [Pergunta 017]

Despesas Operacionais Indedutíveis [Pergunta 024]

Formas para Calçados, Facas e Matrizes (Moldes), Indústria Calçadista [Pergunta 020]

Gastos com Conservação de Bens e Instalações, Dedutibilidade [Pergunta 028]

Gastos com Conservação de Bens e Instalações, Indedutibilidade [Pergunta 029]

Gastos Necessários à Produção ou Comercialização [Pergunta 022]

Guarnições e Louças, Hotelaria e Restaurantes [Pergunta 019]

Inversão ou Aplicação de Capital, Custos a Serem Ativados [Pergunta 027]


Viagens a Serviço [Pergunta 021]

Vida Útil de 12 Meses, Regra de Dedutibilidade [Pergunta 026]

Exaustão

Conceito

Bens Passíveis de Exaustão [Pergunta 076]

Conta de Exaustão, Dedução do Saldo (do Valor do Imobilizado) [Pergunta 074]

Conta de Exaustão, Utilização [Pergunta 075]

Exaustão [Pergunta 073]

De Recursos Florestais

Cálculo da Quota, Critérios [Pergunta 091]

Cálculo da Quota, Valor Original das Florestas [Pergunta 090]

Direitos de Exploração, Prazo Indeterminado vs. Prazo Determinado [Pergunta 092]

Fixação da Quota, Procedimento [Pergunta 089]

De Recursos Minerais

Arrendatárias ou Licenciadas, Aproveitamento das Quotas (Impossibilidade) [Pergunta


080]

Cálculo da Quota, Diversas Jazidas ou Minas [Pergunta 088]

Cálculo da Quota, Receita com Minerais [Pergunta 079]

Escrituração, Quota Incentivada [Pergunta 084]

Escrituração, Quota Normal de Exaustão [Pergunta 082]

Escrituração, Subcontas por Jazida ou Mina [Pergunta 081]

Exaustão Incentivada, Aproveitamento em Períodos de Apuração Subseqüentes


[Pergunta 086]
Exaustão Incentivada, Limite Anual [Perguntas 085 e 087]

Fixação da Quota, Procedimento [Pergunta 078]

Lalur, Aproveitamento da Quota Incentivada [Pergunta 083]

Modalidades [Pergunta 077]

Juros sobre o Capital Social

Pagos a Acionistas ou Associados (Outras Hipóteses), Dedutibilidade [Pergunta 152]

Sobre o Capital Próprio vs. Lucro Líquido do Período [Pergunta 151]

Sobre o Capital Próprio, Dedutibilidade (Condições) [Pergunta 148]

Sobre o Capital Próprio, Incorporados ao Capital Social [Pergunta 150]

Sobre o Capital Próprio, Tributação nos Beneficiários [Pergunta 149]

Multas

Compensatórias, Natureza [Pergunta 034]

Fiscais, Conceito [Pergunta 032]

Infrações que Não Resultam em Falta ou Insuficiência de Pagamento, Dedutibilidade


[Pergunta 038]

Infrações que Resultam em Falta ou Insuficiência de Pagamento [Pergunta 036]

Multas ou Acréscimo Moratórios, Dedutibilidade [Pergunta 035]

Por Infrações Fiscais, Tratamento Tributário [Pergunta 031]

Punitivas vs. Compensatórias, Distinção [Pergunta 037]

Perdas no Recebimento de Créditos

Apuração do Lucro Real, Procedimentos [Pergunta 120]

Créditos com Garantia, Conceito [Pergunta 121]

Encargos Reconhecidos (Competência), Adição no Lalur (Devedor) [Pergunta 126]


Encargos Reconhecidos (Competência), Exclusão no Lalur (Credor) [Pergunta 125]

Pessoas Vinculadas, Indedutibilidade [Pergunta 123]

Reconhecimento, Devedor em Falência ou Concordata [Pergunta 122]

Recuperação de Créditos Considerados como Perda, Procedimentos [Pergunta 127]

Registro Contábil, Procedimentos [Pergunta 124]

Provisões

Admissibilidade, IRPJ [Pergunta 099]

Conceito [Pergunta 097]

Décimo Terceiro Salário [Pergunta 108]

Dedutíveis do IRPJ, Hipóteses [Pergunta 100]

Férias de Empregados

Cálculo do Provisionamento [Perguntas 104 e 105]

Limites de Provisionamento [Pergunta 103]

Valores Não Provisionados [Pergunta 107]

Indedutíveis do IRPJ, Adição no Lalur [Pergunta 101]

Liquidação Duvidosa, Baixa de Créditos Provisionados [Pergunta 102]

Para Pagamento do IRPJ

Base de Cálculo [Pergunta 110]

Classificação Contábil [Pergunta 111]

Contrapartida, Lucro ou Prejuízo Contábil [Pergunta 116]

Dedução de Incentivos Regionais (Impossibilidade) [Pergunta 113]

Empresas Obrigadas a Provisionar [Pergunta 109]


Lucro Real, Limite [Pergunta 114]

Não Constituída, Efeitos Fiscais (Inexistência) [Pergunta 117]

Não Constituída, Reservas Incorporadas [Pergunta 119]

Não Contabilizada ou a Menor, Procedimentos [Pergunta 118]

Prejuízo Gerado pela Provisão [Pergunta 115]

Reserva de Capital, Incentivos Regionais ou Setoriais [Pergunta 112]

Saldo, Reversão [Perguntas 098 e 106]

Receita Bruta e Receita Líquida

Descontos Incondicionais, Conceito [Pergunta 006]

Impostos Incidentes sobre as Vendas [Pergunta 007]

Receita Bruta, Conceito [Pergunta 003]

Receita Líquida, Conceito [Pergunta 004]

Vendas Canceladas, Conceito [Pergunta 005]

Receita de Exportação

Data de Embarque, Fixação [Pergunta 040]

Prêmio sobre Saque de Exportação, Tratamento [Pergunta 042]

Receita Bruta de Exportações [Pergunta 039]

Taxa de Câmbio, Variações Monetárias [Pergunta 041]

Receitas e Despesas Financeiras

Despesas Financeiras, Conceito e Tratamento [Pergunta 140]

Ganhos na Renegociação de Dívidas, Tratamento [Pergunta 141]

Pessoas Vinculadas no Exterior, Conceito [Pergunta 142]


Receitas Financeiras, Conceito e Tratamento [Pergunta 139]

Variações Monetárias

Cambiais (Empréstimos no Exterior), Repasse entre Vinculadas no País [Pergunta 147]

Cambiais, Hipóteses [Pergunta 146]

Conceito [Pergunta 143]

Tratamento [Pergunta 144]

Vs. Cambiais, Distinção [Pergunta 145]

Remuneração e FGTS de Dirigentes e Conselheiros

Conselheiros, Número Admitido [Pergunta 134]

Depósitos para o FGTS, Dedutibilidade (Limite) [Pergunta 132]

Dirigentes e Conselheiros, Conceito [Pergunta 128]

Remuneração de Conselheiros, Tratamento Fiscal [Pergunta 133]

Remuneração de Dirigentes, Tratamento Fiscal [Pergunta 129]

Remuneração, Conceito [Pergunta 130]

Valores Indedutíveis [Pergunta 131]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo IX - Resultados não operacionais 2015

001 O que se entende por receitas e despesas não operacionais?

Receitas e despesas não operacionais são aquelas decorrentes de transações não


incluídas nas atividades principais ou acessórias que constituam objeto da empresa.

Tratando da matéria, o RIR/1999 expressamente discrimina o que se considera como


resultados não operacionais, os quais se referem, basicamente, a transações com bens do
ativo permanente.
Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;

2) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que


alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do
ativo não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível;

3) Devem ser observadas as regras referentes aos Preços de


Transferência, quando se tratar de operações de aquisição ou
alienação de bens ou direitos classificáveis como não
operacionais, realizadas com pessoas físicas ou jurídicas
consideradas vinculadas ou, ainda que não vinculadas,
residentes ou domiciliadas em país ou territórios
considerados como de tributação favorecida, ou cuja
legislação interna oponha sigilo à composição societária de
pessoas jurídicas ou à sua titularidade;

4) Devem ser observadas as regras referentes à tributação em


bases universais referentes aos lucros, rendimentos e ganhos
de capital auferidos no exterior;
Veja ainda: Preços de transferência:
Capítulo XIX.
Tributação em bases universais:
Capítulo XIX.
Normativo: RIR/1999, arts. 418 a 445; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, § 1º

De acordo com a legislação fiscal, todos os resultados


002
não operacionais deverão ser computados na determinação do
lucro real?

Não. A legislação do imposto de renda prevê que, embora considerados contabilmente,


não deverão ser computados, para efeito da apuração do lucro real, os seguintes
resultados não operacionais (deverão ser adicionados ou excluídos do lucro líquido,
conforme o caso, quando tiverem sido contabilizados em conta de resultado):

a) as contribuições de subscritores de valores mobiliários recebidas a título de ágio na


emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de
emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; o
valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; o prêmio na
emissão de debêntures; e o lucro ou prejuízo na venda de ações em tesouraria;

b) as subvenções para investimentos, inclusive mediante isenção ou redução de


impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos
econômicos e doações do Poder Público;

c) o capital das apólices de seguros ou pecúlios em favor da pessoa jurídica, recebidos


por morte de sócio; e
d) o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento,
decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação
do contribuinte no capital social da coligada ou controlada.
Notas:

1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que


alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;
2) Relativamente ao prêmio na emissão de debêntures, às
subvenções para investimento, inclusive mediante isenção
ou redução de impostos, concedidas como estímulo à
implantação ou expansão de empreendimentos econômicos,
e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art.
38 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977,
deverão ser observadas as disposições contidas nos arts. 18 e
19 da Lei nº 11.941, de 2009.
Normativo: Lei nº 11.941, de 2009, arts. 18 e 19; e
RIR/1999, arts. 428 e 442 a 445.

003 O que são Ganhos ou Perdas de Capital?

São ganhos ou perdas de capital os resultados obtidos na alienação, inclusive por


desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão,
ou na liquidação de bens ou direitos integrantes do ativo permanente.
Esses ganhos ou perdas serão computados na determinação do lucro real.
Notas:

1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que


alterou o disposto no art. 178, § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976,
o subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do
ativo não circulante, sendo substituído pelos subgrupos de
investimentos, imobilizado e intangível (antigo diferido).
2) Os contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75
da Lei nº 12.973, de 2014, deverão consultar a referida Lei,
aplicável a partir de 1º de janeiro de 2014.

Normativo: RIR/1999, art. 418, caput; e


IN SRF nº 11, de 1996, art. 36.

Como se determina o Ganho ou a Perda de Capital?


004

O resultado não operacional, ressalvadas as disposições especiais, será igual à diferença,


positiva (ganho) ou negativa (perda/prejuízo), entre o valor pelo qual o bem ou direito
houver sido alienado ou baixado (baixa por alienação ou perecimento) e o seu valor
contábil.

Os resultados não operacionais de todas as alienações ocorridas durante o período de


apuração deverão ser computados englobadamente e, no respectivo período de
ocorrência, os resultados positivos ou negativos integrarão o lucro real.

Notas:

1)Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que


alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”.
2) Os contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75
da Lei nº 12.973, de 2014, deverão consultar a referida Lei,
aplicável a partir de 1º de janeiro de 2014.

Normativo: RIR/1999, art. 418, § 1º; e


IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, §§ 2º a 4º.

O que se entende por valor contábil do bem?


005

Entende-se por valor contábil do bem aquele que estiver registrado na escrituração do
contribuinte, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão
acumulada.
Notas:

1) Devem ser observadas as regras referentes aos Preços de


Transferência, quando se tratar de operações de aquisição de
bens, serviços ou direitos, realizadas com pessoas físicas ou
jurídicas consideradas vinculadas ou, ainda que não
vinculadas, residentes ou domiciliadas em país ou territórios
considerados como de tributação favorecida, ou cuja
legislação interna oponha sigilo à composição societária de
pessoas jurídicas ou à sua titularidade (Lei nº 10.451,
de 2002, art. 4º).
2) Os contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75
da Lei nº 12.973, de 2014, deverão consultar a referida Lei,
aplicável a partir de 1º de janeiro de 2014.

Normativo: RIR/1999, art. 418, § 1º.

Como se obtém o valor dos encargos acumulados de


006
depreciação, amortização ou exaustão, diminuídos do valor
escriturado na apuração do valor contábil do bem?

O valor dos encargos acumulados de depreciação, amortização ou exaustão, que serão


diminuídos do valor do bem para se chegar ao saldo (custo ou valor contábil), é obtido
mediante a multiplicação dos percentuais acumulados desses encargos pelo valor do
bem constante do último balanço.

Ao montante assim apurado deverá ser acrescido, se for o caso, o valor dos encargos
registrados mensalmente no próprio período de apuração, até a data da baixa.
Notas:

1) Somente será permitida, para fins do lucro real, a


depreciação, amortização e exaustão de bens móveis ou
imóveis que estejam intrinsecamente relacionados com a
produção ou comercialização
dos bens e serviços;
2) Na hipótese de baixa de bem para o qual haja registro no
Lalur, Parte B, de quotas de depreciação acelerada
incentivada a amortizar, o respectivo saldo deverá ser
adicionado ao lucro líquido, na apuração do lucro real do
período de apuração em que ocorrer a baixa;
3) Devem ser observadas as regras referentes aos Preços de
Transferência, quando se tratar de operações de aquisição ou
alienação de bens ou direitos classificáveis como não
operacionais, realizadas com pessoas físicas ou jurídicas
consideradas vinculadas ou, ainda que não vinculadas,
residentes ou domiciliadas em país ou territórios
considerados como de tributação favorecida, ou cuja
legislação interna oponha sigilo à composição societária de
pessoas jurídicas ou à sua titularidade, inclusive para cálculo
dos encargos de depreciação, exaustão ou amortização.
4) Os contribuintes que fizerem a opção prevista no art. 75
da Lei nº 12.973, de 2014, deverão consultar a referida Lei,
aplicável a partir de 1º de janeiro de 2014.

Veja ainda: Depreciação:


Perguntas 043 a 063 do capítulo VIII.
Amortização:
Perguntas 064 a 072 do capítulo VIII.
Exaustão: Perguntas 073 a 092 do capítulo VIII.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, III;
RIR/1999, art. 418, § 2º;
IN SRF nº 11, de 1996, art. 25, parágrafo único; e
IN SRF nº 243, de 2002, art. 4º, § 3º.

Como deverão ser considerados os resultados


007
não operacionais verificados no exterior por pessoa jurídica
domiciliada no Brasil?
A pessoa jurídica domiciliada no Brasil que tiver ganho de capital oriundo do exterior
está obrigada ao regime de tributação com base no lucro real, devendo os resultados não
operacionais ser considerados da seguinte forma:
a) os ganhos de capital auferidos no exterior deverão ser computados na determinação
do lucro real das pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, correspondente ao balanço
levantado em 31 de dezembro; e
b) os prejuízos e perdas de capital havidos no exterior não poderão ser compensados com
lucros auferidos no Brasil. A indedutibilidade da perda de capital aplica-se, inclusive,
em relação às alienações de filiais e sucursais, e de participações societárias em
pessoas jurídicas domiciliadas no exterior.
Notas:

1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que


alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas”;

2) Os ganhos de capital auferidos no exterior serão


convertidos em Reais com base na taxa de câmbio, para
venda, na data em que forem contabilizados no Brasil. Caso a
moeda em que for auferido o ganho não tenha cotação no
Brasil, será ela convertida em dólares norte-americanos e, em
seguida, em Reais (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 1º, I e II);

3) O imposto de renda incidente no exterior sobre os ganhos


de capital computados no lucro real poderá ser compensado
até o limite do imposto de renda incidente no Brasil sobre os
referidos ganhos. Para fins do citado limite, o imposto
incidente no Brasil correspondente ao ganho será
proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela
pessoa jurídica no Brasil. O imposto será convertido em
Reais com base na taxa de câmbio, para venda, na data em
que for pago (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26);
4) O art. 1º, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe que o
imposto de renda incidente sobre lucros, rendimentos e
ganhos de capital auferidos no exterior somente será
compensado com o imposto de renda devido no Brasil se
referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem
computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o
final do segundo ano-calendário subsequente ao de sua
apuração. No entanto, de acordo com a MP nº 2.158-35,
de 2001, art. 74, os lucros auferidos por controlada ou
coligada no exterior serão considerados disponibilizados para
a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no
qual tiverem sido apurados. A compensação do imposto de
renda pago no exterior passou a ser disciplinada nos arts. 14
e 15 da IN SRF nº 213, de 2002.

Veja ainda: Tributação em bases universais:


Capítulo XIX.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, arts. 25 e 27; e
IN SRF nº 213, de 2002, art. 12.
Quais as regras aplicáveis aos ganhos de capital auferidos
008
por pessoa jurídica domiciliada no exterior?

Os ganhos de capital na alienação de bens e direitos e os ganhos líquidos auferidos em


operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas,
auferidos por pessoa jurídica domiciliada no exterior, serão apurados e tributados segundo
as mesmas regras aplicáveis aos residentes no Brasil.
Veja ainda: Tributação em bases universais:
Capítulo XIX.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 18;
RIR/1999, art. 685, § 3º;
IN SRF nº 11, de 1996, art. 56; e
IN SRF nº 208, de 2002, arts. 26 e 27.

Qual o tratamento a ser adotado no caso de devolução de


009
capital em bens ou direitos ao titular, sócio ou acionista da
pessoa jurídica?

Na hipótese de devolução de capital ao titular, sócio ou acionista da pessoa jurídica, os


bens ou direitos entregues poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado.
Quando a devolução realizar-se pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor
contábil dos bens e direitos entregues será considerada ganho de capital, o qual deverá
ser computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, ou na
base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à tributação com base
no lucro presumido ou arbitrado.

Quando a devolução realizar-se pelo valor contábil do bem ou direito, não haverá
diferença a ser tributada, quer pela pessoa jurídica que estiver devolvendo o capital,
quer pelo titular, sócio ou acionista que estiver recebendo a devolução.

Notas:

O titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, que tiver


recebido a devolução da sua participação no capital, deverá
registrar o ingresso do bem ou direito pelo valor contábil ou
de mercado, conforme a avaliação da pessoa jurídica que
estiver devolvendo o capital. A diferença entre o valor de
mercado dos bens ou direitos e o valor contábil da
participação extinta não constituirá ganho de capital
tributável para fins do imposto de renda, podendo ser
excluída na determinação do lucro real ou não ser
computada na base de cálculo do lucro presumido ou
arbitrado.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 22;


RIR/1999, art. 419; e
IN SRF nº 11, de 1996, art. 60.
Existe a possibilidade de serem deduzidas, para fins do
010
imposto de renda, as perdas havidas na alienação de
investimentos oriundos de incentivos fiscais?

Não. A legislação fiscal não admite a dedutibilidade, na apuração do lucro real, da perda
de capital decorrente de alienação ou baixa de investimentos adquiridos mediante
dedução do imposto de renda devido pela pessoa jurídica, como, por exemplo, os
incentivos fiscais para o Finor, Finam e Funres.

O valor da perda apurada contabilmente deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins
de determinação do lucro real, no Lalur, Parte A.

Normativo: RIR/1999, art. 429.

ÍNDICE REMISSIVO

IRPJ - Resultados Não Operacionais (Capítulo IX)

Conceitos

Ganhos ou Perdas de Capital [Pergunta 003]

Receitas e Despesas Não Operacionais [Pergunta 001]

Valor Contábil do Bem [Pergunta 005]

Determinação do Lucro Real

Valores Não Computáveis [Pergunta 002]

Devolução de Capital a Titular, Sócio ou Acionista

Tratamento [Pergunta 009]

Ganhos ou Perdas de Capital

Apurados no exterior, Normas [Perguntas 007 e 008]


Conceito [Pergunta 003]

Determinação [Pergunta 004]

Investimentos Oriundos de Incentivos

Perdas na Alienação [Pergunta 010]

Valor Contábil do Bem

Conceito [Pergunta 005]

Encargos (depreciação, etc.), Diminuídos do Valor escriturado [Pergunta 006]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo X - Compensação de Prejuízos 2015

Quais as modalidades de prejuízos que podem ser apurados


001
pelas pessoas jurídicas?

Os prejuízos que podem ser apurados pela pessoa jurídica são de


duas modalidades:

a) o apurado na Demonstração do Resultado do período de apuração, conforme


determinado pelo art. 187 da Lei nº 6.404, de 1976. O prejuízo apurado nessa
modalidade é conhecido como prejuízo contábil ou comercial, pois é obtido por meio
da escrituração comercial do contribuinte; e
b) o apurado na Demonstração do Lucro Real e registrado no Lalur
(que parte do lucro líquido contábil do período mais adições menos exclusões e
compensações). O prejuízo apurado nessa modalidade é conhecido como prejuízo
fiscal, o qual é compensável para fins da legislação do imposto de renda.

Notas:
A partir de 1º/01/1996, os prejuízos não operacionais
apurados pelas pessoas jurídicas somente poderão ser
compensados com os lucros da mesma natureza.
Consideram-se não operacionais os resultados decorrentes da
alienação de bens do ativo permanente.

Normativo: RIR/1999, art. 511.

Qual o tratamento tributário aplicável ao prejuízo fiscal


002
apurado por Sociedade em Conta de Participação (SCP)?

O prejuízo fiscal apurado por Sociedade em Conta de Participação (SCP), somente


poderá ser compensado com o lucro real decorrente da mesma SCP.

É vedada a compensação de prejuízos fiscais e lucros entre duas ou mais SCP, ou entre
estas e o sócio ostensivo.

Normativo: RIR/1999, art. 515.


Como são compensados os prejuízos fiscais?
003

Os prejuízos fiscais (compensáveis para fins do imposto de renda) poderão ser


compensados independentemente de qualquer prazo, observado em cada período de
apuração o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado.
O citado limite de 30% (trinta por cento) não se aplica em relação aos prejuízos fiscais
decorrentes da exploração de atividades rurais.
Normativo: Lei nº 8.981, de 1995, art. 42;
Lei nº 9.065, de 1995, art. 15; e
IN SRF nº 11, de 1996.

Como são apurados, controlados e compensados os


004
prejuízos fiscais não operacionais?
Os prejuízos não-operacionais apurados somente poderão ser compensados nos períodos
subseqüentes ao da sua apuração (trimestral ou anual) com lucros da mesma natureza,
observado o limite de 30% (trinta por cento) do referido lucro.
Conforme a IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, os resultados não operacionais de todas as
alienações de bens do ativo permanente ocorridas durante o período de apuração deverão
ser apurados englobadamente entre si.
No período de apuração de ocorrência de alienação de bens do ativo permanente, os
resultados não operacionais, positivos ou negativos, integrarão o lucro real.
A separação em prejuízos não operacionais e em prejuízos das demais atividades
somente será exigida se, no período, forem verificados, cumulativamente, resultados
não operacionais negativos e lucro real negativo (prejuízo fiscal).
Verificada esta hipótese, a pessoa jurídica deverá comparar o prejuízo não operacional
com o prejuízo fiscal apurado na demonstração do lucro real, observado o seguinte:
a) se o prejuízo fiscal for maior, todo o resultado não operacional negativo será
considerado prejuízo fiscal não operacional e a parcela excedente será considerada,
prejuízo fiscal das demais atividades;
b) se todo o resultado não operacional negativo for maior ou igual ao prejuízo fiscal,
todo o prejuízo fiscal será considerado não operacional.
Os prejuízos não operacionais e os decorrentes das atividades operacionais da pessoa
jurídica deverão ser controlados em folhas específicas, individualizadas por espécie, na
parte B do Lalur, para compensação, com lucros da mesma natureza apurados nos
períodos subseqüentes.
O valor do prejuízo fiscal não operacional a ser compensado em cada período-base
subseqüente não poderá exceder o total dos resultados não operacionais positivos
apurados no período de compensação.

A soma dos prejuízos fiscais não operacionais com os prejuízos decorrentes de outras
atividades da pessoa jurídica, a ser compensada, não poderá exceder o limite de 30%
(trinta por cento) do lucro líquido do período-base da compensação, ajustado pelas
adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda.

No período-base em que for apurado resultado não operacional positivo, todo o seu
valor poderá ser utilizado para compensar os prejuízos fiscais não operacionais de
períodos anteriores, ainda que a parcela do lucro real admitida para compensação não
seja suficiente ou que tenha sido apurado prejuízo fiscal. Neste caso, a parcela dos
prejuízos fiscais não operacionais compensados com os lucros não operacionais que não
puder ser compensada com o lucro real, seja em virtude do limite de 30% (trinta por
cento) ou de ter ocorrido prejuízo fiscal no período, passará a ser considerada prejuízo
das demais atividades, devendo ser promovidos os devidos ajustes na parte B do Lalur;

Notas:
1) Com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, art. 37, que
alterou o disposto no art. 187, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, a
designação “receitas e despesas não operacionais” foi
substituída pela denominação “outras receitas e outras
despesas.

2) O disposto no inciso IV do art. 187 da Lei nº 6.404, de


1976, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art.
37, não altera o tratamento dos resultados operacionais e não
operacionais para fins de apuração e compensação de
prejuízos fiscais;
(Disposição revogada a partir de 1º de janeiro de 2014, em
relação aos contribuintes que fizerem a opção prevista no art.
75 da Lei nº 12.973, de 2014).

3) O disposto na IN SRF nº 11, de 1996, acima detalhado,


não se aplica em relação às perdas decorrentes de baixa de
bens ou direitos do ativo permanente em virtude de terem se
tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda
que posteriormente venham a ser alienados como sucata.

Exemplo:
Detalhes Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4
Resultado não-operacional -80,00 -80,00 50,00 40,00
-
Resultado operacional 150,00 -60,00 150,00
240,00
Adições 0,00 10,00 10,00 0,00
Exclusões 0,00 50,00 10,00 10,00
Lucro real antes da compensação - -
70,00 200,00
de prejuízos 180,00 210,00
Compensação prejuízo não-
0,00 0,00 50,00 0,00
operacional
(1)
Compensação prejuízo operacional 0,00
10,00
- -
Lucro real 70,00 140,00
180,00 210,00
Prejuízo fiscal não-operacional a
0,00 80,00 30,00 0,00
ser controlado no Lalur
Prejuízo fiscal operacional a ser
controlado 0,00 100,00 90,00 120,00
no Lalur

(1) Observar que a soma dos prejuízos compensados


não poderá ser maior do que 30% (trinta por cento) do Lucro Real.
Em virtude de haver um saldo de prejuízos fiscais não operacionais, no Lalur, ainda a
compensar (no valor de -30,00), e o contribuinte ter apurado, simultaneamente, lucro
não operacional em valor superior (no valor de +40,00) e um prejuízo fiscal operacional
no valor de –240,00, o que impede a compensação efetiva do saldo de prejuízos não
operacionais existentes no Lalur (-30,00); o contribuinte poderá promover, no Lalur, a
reclassificação do saldo de prejuízos não operacionais, para prejuízos operacionais,
pois, neste caso, considera-se que ocorreu a compensação entre prejuízo fiscal não
operacional de anos anteriores e o lucro não operacional do período-base.

Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 31; e


IN SRF nº 11, de 1996, art. 36.

Que outras restrições existem à compensação de


005
prejuízos fiscais?

A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data
da apuração e o período da compensação houver ocorrido, cumulativamente,
modificação de seu controle societário e do ramo de atividade;
A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar
prejuízos fiscais da sucedida. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá
compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do
patrimônio líquido. Os valores dos prejuízos fiscais da sucedida constantes na parte B
do Lalur, na data do evento, deverão ser baixados sem qualquer ajuste na parte A do
Lalur;

Veja ainda: Prejuízo fiscal de SCP:


Pergunta 002, neste Capitulo.
Apuração, controle e compensação de prejuízos
fiscais:
Pergunta 004, neste Capitulo.
Prejuízos fiscais no exterior:
Pergunta 011, neste Capitulo.
Normativo: RIR/1999, arts. 513 e 514.

A existência na escrituração comercial do contribuinte de


006
lucro ou prejuízo contábil impede a compensação dos
prejuízos fiscais?

Não. O prejuízo a compensar é o apurado na demonstração do lucro real e será


compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições, exclusões previstas na
legislação, observado o limite de 30% (trinta por cento); independe, portanto, da
existência de lucro ou prejuízo contábil na escrituração comercial do contribuinte.

A pessoa jurídica poderá deixar de pleitear, em algum


007
período, a compensação de prejuízo fiscal que esteja
controlando na Parte B do Lalur?

Sim. A compensação de prejuízo se constitui em uma faculdade que poderá ou não ser
utilizada pela pessoa jurídica, a seu livre critério.

Como será controlado, no Livro de Apuração do Lucro Real


008
(Lalur), o prejuízo a compensar?

O controle do valor dos prejuízos compensáveis, na forma da legislação vigente, deve


ser feito na Parte B do Lalur, em folhas individualizadas, por período de apuração
(anual ou trimestral).

Normativo: RIR/1999, art. 509.


A pessoa jurídica que tiver prejuízo fiscal de períodos de
009
apuração anteriores devidamente apurado e controlado no
Lalur, vindo a se submeter à tributação utilizando-se de
outra base que não a do lucro real, perderá o direito de
compensar este prejuízo?
O direito à compensação dos prejuízos fiscais, desde que estejam devidamente apurados
e controlados na parte B do Lalur, somente poderá ser exercido quando a pessoa jurídica
for tributada com base no lucro real, pois quando a forma de tributação for outra não há
que se falar em apurar ou compensar prejuízos fiscais.
Esse direito, entretanto, não será prejudicado ainda que o contribuinte possa, em algum
período de apuração, ter sido tributado com base no lucro presumido ou arbitrado.
Assim, no período-base em que retornar à tributação com base no lucro real poderá
compensar o prejuízo fiscal constante no Lalur, Parte B, observada a legislação vigente à
época da compensação.

Normativo: IN SRF nº 21, de 1992, art. 22.

A absorção na escrituração comercial de prejuízos contábeis


010
impede a compensação dos prejuízos fiscais?

A absorção na escrituração comercial de prejuízos contábeis apurados mediante débito à


conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou de capital, ao capital social, ou à
conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, não impede a compensação dos
prejuízos fiscais.

Normativo: PN CST nº 4, de 1981.


Os prejuízos fiscais incorridos no exterior são compensáveis
011
com o lucro real apurado no Brasil?

Não serão compensados com lucros auferidos no Brasil os prejuízos e perdas decorrentes
das operações ocorridas no exterior, a saber: prejuízos de filiais, sucursais, controladas
ou coligadas no exterior, e os prejuízos e as perdas de capital decorrentes de aplicações e
operações efetuadas no exterior pela própria empresa brasileira, inclusive em relação à
alienação de filiais e sucursais e de participações societárias em pessoas jurídicas
domiciliadas no exterior.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 5º; e
IN SRF nº 213, de 2002, art. 4º.

ÍNDICE REMISSIVO

IRPJ - Compensação de Prejuízos (Capítulo X)


Conceitos

Prejuízo Contábil [Pergunta 001]

Prejuízo Fiscal [Pergunta 001]

Prejuízos Fiscais

A Compensar, Parte B do Lalur [Pergunta 008]

Compensação Independente dos Resultados Contábeis [Perguntas 006 e 010]

Compensação, Caráter Facultativo [Pergunta 007]

Compensação, Forma [Pergunta 003]

Compensação, Incorridos no Exterior vs. Lucro no Brasil (Vedação) [Pergunta 011]

Compensação, Restrições [Pergunta 005]

Compensação, Somente com Lucro Real [Pergunta 009]

Não-Operacionais (Apuração, Controle e Compensação) [Pergunta 004]

Sociedades em Conta de Participação (SCP) [Pergunta 002]


ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo XI – Aplicação do Imposto em Investimentos


Regionais 2015

No que se constituem os incentivos fiscais de aplicação de


001
parte do imposto sobre a renda em investimentos regionais?

Constituem permissões dadas pela legislação para que a pessoa jurídica ou grupos de
empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos, 51%
(cinqüenta e um por cento) do capital votante de sociedade titular de projetos nas áreas
de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Amazônia (Sudam) e da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Grupo Executivo para
Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Geres), aprovados, no órgão
competente, até dia 02/05/2001, enquadrados em setores da economia considerados, pelo
Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, aplique parte do imposto
sobre a renda em investimentos regionais, por intermédio dos fundos Finor, Finam e
Funres.

Notas:
A opção será manifestada no ato de transmissão da
Escrituração Contábil Fiscal (ECF) - até o último dia útil do
mês de setembro do ano seguinte ao ano-calendário a que a
ECF se referir - ou no curso do ano-calendário, nas datas de
pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado
mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente.

Normativo: Lei nº 8.167, de 1991, art. 9º;


MP nº 2.156-5, de 2001, art. 32, inciso XVIII;
MP nº 2.157-5, de 2001, art. 32, inciso IV;
IN SRF nº 267, de 2002, art. 105;
IN RFB nº 1.422, de 2013, art. 5º.

Quais pessoas jurídicas podem optar pela aplicação de arte do


002
imposto sobre a renda nos Fundos de Investimentos
Regionais?
A aplicação nos Fundos de Investimentos Regionais (desde 03/05/2001) está restrita às
pessoas jurídicas ou grupos de empresas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 1991,
detentoras de pelo menos 51% (cinqüenta e um por cento) do capital votante de sociedade
titular de projetos com pleitos aprovados, no órgão competente, até dia 02/05/ 2001 e
enquadrados em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários
para o desenvolvimento regional, preservado o exercício do direito para os pleitos
protocolizados até essa mesma data e que venham a ser aprovados posteriormente.

Notas:
1) A opção pela aplicação de parte do imposto sobre a renda
nos Fundos de Investimentos Regionais (RIR/1999, art. 609),
se estende às pessoas jurídicas ou grupo de empresas
localizadas em qualquer Estado do Brasil, inclusive àquelas
fora da área de atuação da Sudene e da Sudam, desde que se
enquadrem na situação societária acima descrita - 51%
(cinqüenta e um por cento) do capital votante de sociedade
titular de projetos nas áreas incentivadas;

2) As pessoas jurídicas sediadas na área de atuação do Geres,


enquadradas nas condições descritas acima, poderão optar
pela aplicação apenas no Funres.

Que percentuais do imposto sobre a renda poderão ser


003
destinados às aplicações nos Fundos de Investimentos
Regionais?

Sem prejuízo de limite específico para cada incentivo, o conjunto das aplicações não
poderá exceder a:

a) quanto aos Fundos Finor e Finam, incluída a parcela destinada ao PIN e ao Proterra:
- 10% a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2017.
b) quanto ao Funres:
- 9% a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2017.
Normativo: Lei nº 8.167, de 1991, art. 9º;
Lei nº 12.995, de 2014, art. 2º;
MP nº 2.145, de 2001;
MP nº 2.156-5, de 2001, art. 32, inciso XVIII;
MP nº 2.157-5, de 2001, art. 32, inciso IV;
RIR/1999, art. 614; e
IN SRF nº 267, de 2002, art. 105.
Quais pessoas jurídicas não podem optar por aplicações do
004
imposto sobre a renda nos Fundos de Investimentos
Regionais?

Não poderão beneficiar-se da aplicação de parte do imposto sobre a renda nos Fundos de
Investimentos Regionais as pessoas jurídicas abaixo discriminadas:
a) pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas, mesmo tributados com base
no lucro real, que não sejam detentores, isolada ou conjuntamente, de pelo menos, 51%
(cinqüenta e um por cento) do capital votante de sociedade titular de projeto nas áreas de
atuação das extintas Sudam, Sudene e do extinto Geres;
b) tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado;
c) microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), optantes pelo Regime
Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional;
d) pessoas jurídicas com existência de débitos de tributos e contribuições federais
no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin)
(MP nº 2.095-79, de 2001, art. 6º).

Notas:
1) A prática de atos que configurem crimes contra a ordem
tributária (Lei nº 8.137, de 1990) acarretará à pessoa jurídica
infratora a perda, no ano-calendário correspondente, dos
incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na
legislação tributária;

2) A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo


fiscal relativo a tributos administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil fica condicionado à comprovação
pelo contribuinte da quitação de tributos federais (Lei nº
9.069, de 1995, art. 59 e 60);

3) A partir de 1º/01/1996, foi estendido às empresas rurais,


submetidas à tributação com base no lucro real, o direito à
aplicação em incentivos fiscais. No caso aqui em questão,
entretanto, desde que tais empresas rurais se enquadrem na
situação societária acima descrita - 51% (cinqüenta e um por
cento) do capital votante de sociedade titular de projetos nas
áreas incentivadas (Lei nº 9.249, de 1995, art. 36, III).

Normativo: Lei nº 8.137, de 1990;


Lei nº 9.069, de 1995, art. 59 e 60;
Lei nº 9.249, de 1995, art. 36, III;.
Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 24;
MP nº 2.176-79, de 2001, art. 6º; e
RIR/1999, art. 614.

Como é feita a opção pela aplicação de parte do imposto


005
sobre a renda nos Fundos de Investimentos Regionais?

As pessoas jurídicas que se enquadrem na situação societária de 51% (cinqüenta e um por


cento) do capital votante de sociedade titular de projetos nas áreas incentivadas poderão
manifestar a opção pela aplicação de parte do imposto sobre a renda nos Fundos de
Investimentos Regionais no ato de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) -
até o último dia útil do mês de setembro do ano seguinte ao ano-calendário a que se referir
a ECF - ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no
lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente.
Sem prejuízo do limite conjunto das aplicações, a opção efetivada no curso do ano-
calendário será manifestada mediante o recolhimento de parte do imposto sobre a renda,
no valor equivalente a 6% ( seis por cento) para o Finor e o Finam e 9% (nove por cento)
para o Funres, por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf)
específico.

Como é feita e qual o momento da contabilização dos


006
incentivos fiscais de aplicação de parte do imposto sobre a
renda em Investimentos Regionais?
A contabilização dos incentivos fiscais, relativos às aplicações nos Fundos de
Investimentos Regionais, será feita no Ativo Não Circulante, no subgrupo Investimentos,
no momento em que a pessoa jurídica fizer a indicação na DIPJ ou transmitir a
Escrituração Contábil Fiscal (ECF) ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) ou
no momento dos pagamentos efetuados em DARF específico destinados aos fundos, em
contrapartida à conta de resultado pelo regime de competência, inclusive com observância
das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores
Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15
de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua
observância.
O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das aplicações nos Fundos de
Investimentos Regionais não poderá ser distribuidos aos sócios e constituirá reserva de
incentivos fiscais de que trata o art. 195-A da Lei nº 6.404, de 1976, que poderá ser
utilizada somente para:
a) absorção de prejuízos, desde que já tenham sido totalmente obsorvidas as demais
Reservas de Lucro, com exceção da Reserva Legal; e,
b) aumento de capital social.
Na hipótese da letra "a" anterior , a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida
em que forem apurados lucros nos períodos subsequentes.
As aplicações nos Fundos de Investimentos Regionais serão tributadas caso a pessoa
jurídica não recomponha a reserva à medida em que forem apurados lucros nos períodos
subsequentesnos, no caso de que tenha sido usada para absorção de prejuízos, ou seja
dada distinação diversa da constituição da reserva de incentivos fiscais de que trata o art.
195-A da Lei nº 6.404, de 1976, inclusive nas hipóteses:
a) de capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular,
mediante redução do capital social, hipótese em que a base de cálculo para a incidência
do imposto será o valor restituido, limitado ao valor total das exclusões de corrente das
aplicações nos Fundos de Investimentos Reionais;
b) restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos
cinco anos anteriores à data das aplicações nos Fundos de Investimentos Regionais, com
posterior capitalização do valor das aplicações nos Fundos de Investimentos Regionais,
hipótese em que a base de cálculo para a incidência do imposto será o valor restituido,
limitado ao valor total das exclusões de corrente das aplicações nos Fundos de
Investimentos Reionais; ou,
c) integração à base de cálculo de dividendos obrigatórios.
Caso no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido
contábil inferior à parcela decorrente das aplicações nos Fundos de Investimentos
Regionais e nesse caso, não poder ser constituída a reserva como parcela de lucros, esta
deverá ocorrer à medida em que forem apurados lucros nos períodos subsequentes.
O valor que constituir exclusão na Parte A do Lalur em decorrência das aplicações na
reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei nº 6.404, de 1976, será registrado na
Parte B e será baixado:
a) no momento de utilização da reserva para aumento do capital social; ou
b) no momento em que for adicionado no Lalur, na Parte A, nas hipóteses:
a) de capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular,
mediante redução do capital social, hipótese em que a base de cálculo para a incidência
do imposto será o valor restituido, limitado ao valor total das exclusões de corrente das
aplicações nos Fundos de Investimentos Reionais;
b) restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos
cinco anos anteriores à data das aplicações nos Fundos de Investimentos Regionais, com
posterior capitalização do valor das aplicações nos Fundos de Investimentos Regionais,
hipótese em que a base de cálculo para a incidência do imposto será o valor restituido,
limitado ao valor total das exclusões de corrente das aplicações nos Fundos de
Investimentos Reionais; ou,
c) integração à base de cálculo de dividendos obrigatórios.

Normativos Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 19, §§ 3º a 5º

IN RFB 1.515, de 2014, art. 112.


Qual o prazo em que a pessoa jurídica deverá manter as
007
aplicações em incentivos fiscais decorrentes de opções
efetuadas?
As quotas dos fundos de Investimento Regionais, correspondentes aos certificados
emitidos, serão nominativas e poderão ser negociadas livremente pelo seu titular, ou por
mandatário especial.

Normativo: RIR/1999, art. 603, § 2º.

Uma vez manifestada a opção por aplicar parte do imposto


008
sobre a renda em Investimentos Regionais será sempre
assegurado à pessoa jurídica o direito ao incentivo?
Não. A confirmação das opções fica subordinada à regularidade do cálculo do incentivo
e à regularidade fiscal dos contribuintes optantes, em relação aos tributos federais.
Quando for o caso, os optantes serão notificados sobre as razões que motivaram a
redução do incentivo ou sobre a existência, na data do processamento de suas
declarações ou do processamento de suas Escriturações Contábeis Fiscal, de
irregularidade fiscal em relação aos tributos federais, impeditiva de sua fruição.
Além disso, os incentivos de aplicações de parte do imposto sobre a renda em
Investimentos Regionais, bem assim reinvestimento, não se aplicam ao imposto lançado
de ofício, suplementar, ou correspondente a lucros, rendimentos e ganhos de capital
oriundos do exterior.

Notas:
Reverterão para os fundos de investimentos os valores das
ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem
procurados, pelas pessoas jurídicas optantes, até o dia 30 de
setembro do terceiro ano subseqüente ao ano-calendário a que
corresponder à opção.

Normativo: RIR/1999, art. 603, § 4º.

Quais as hipóteses em que há restrição ou poderá ocorrer a


009
perda do direito ao incentivo fiscal de aplicação de parte do
imposto sobre a renda em Investimentos Regionais?

Não poderão usufruir do incentivo fiscal de aplicação de parte do imposto sobre a renda
em Investimentos Regionais ou perderão o direito à sua utilização as seguintes pessoas
jurídicas:
I - que estejam em débito com a seguridade social, de acordo com o art. 195, § 3º da
Constituição Federal;
II - que gozarem do benefício fiscal da redução por reinvestimento relativamente à parcela
da base de cálculo absorvida por este incentivo;
III - em mora contumaz no pagamento de salários;
IV - que não cumprirem as medidas necessárias à prevenção ou correção dos
inconvenientes e prejuízos da poluição do meio-ambiente;
V - que sejam tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado;
VI - microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), optantes pelo Regime
Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional;
VII - as pessoas jurídicas com a existência de débitos de tributos e contribuições
federais no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal
(Cadin);
VIII - as pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas, mesmo tributados com
base no lucro real, que não sejam detentores, isolada ou conjuntamente, de pelo menos,
51% (cinqüenta e um por cento) do capital votante de sociedade titular de projeto nas
áreas das extintas Sudam e Sudene e do extinto Geres que tenha optado por aplicar parte
do imposto sobre a renda no Finor, Finam ou Funres.

Notas:
1) Não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais,
mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido relativo
ao ano-calendário correspondente, a pessoa jurídica que
apresentar DIPJ retificadora ou ECF retificadora fora do
exercício de competência - último dia útil do mês de setembro
do ano seguinte ao ano-calendário a que a ECF se referir -,
nos casos em que os valores das aplicações nos Fundos de
Investimentos apurados para essa DIPJ ou essa ECF
divergirem dos valores das aplicações apurados para a última
DIPJ ou para a última ECF entregue até do exercício de
competência - último dia útil do mês de setembro do ano
seguinte ao ano-calendário a que a ECF se referir.

2) Para que haja o reconhecimento ou a concessão de qualquer


incentivo fiscal, a pessoa jurídica deverá comprovar a
quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069, de
1995, art. 60);

3) Se os valores destinados para os Fundos excederem o total


a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na DIPJ ou na
ECF, a parcela excedente será considerada como recursos
próprios aplicados no respectivo projeto;
4) Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude
de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença
deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados
de conformidade com a legislação do imposto sobre a renda;

5) A pessoa jurídica deve ser notificada, por intermédio de


auto de infração, a pagar os excedentes acrescidos de juros e
multa de ofício;

6) A prática de crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137,


de 1990), inclusive a falta de emissão de nota fiscal (Lei nº
8.846, de 1994), acarretará à empresa infratora a perda, no
ano-calendário correspondente, dos incentivos e benefícios de
redução ou isenção do imposto de renda.

Normativo: Lei nº 8.167, de 1991, art. 9º;


Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 24;

MP nº 2.176-79, de 2001, art. 6º,


MP nº 2.156-5, de 2001, art. 32, inciso XVIII;
MP nº 2.157-5, de 2001, art. 32, inciso IV, e
RIR/1999, arts. 541, § 2º, e 609, 612, 613 e 617;
IN SRF nº 267, de 2002, art. 105; e
ADN COSIT nº 26, de 1985.

ÍNDICE REMISSIVO
IRPJ - Aplicação em Investimentos Regionais (Capítulo XI)

Incentivos Fiscais de Aplicação em Investimentos Regionais

Limites à Aplicação [Pergunta 003]

O que São, Fundos de Aplicação (Finor, Finam e Funres) [Pergunta 001]

Opção pela Aplicação, Como Fazer [Pergunta 005]

Pessoas Jurídicas Impedidas [Pergunta 004]

Pessoas Jurídicas que Podem Aplicar [Pergunta 002]

Quotas de Aplicação, Negociação (Possibilidade) [Pergunta 007]

Registro Contábil, Procedimento [Pergunta 006]

Requisitos para Aplicação, Regularidade Fiscal e do Incentivo [Pergunta 008]


Restrição ou Perda do Direito ao Incentivo, Hipóteses [Pergunta 009]
ARQUIVO ATUALIZADO ATÉ 31/12/2014

Capítulo XII - Atividade Rural 2015

001 O que se considera como atividade rural, nos termos


da legislação tributária?
Consideram-se como atividade rural a exploração das atividades agrícolas, pecuárias, a
extração e a exploração vegetal e animal, a exploração da apicultura, avicultura,
suinocultura, sericicultura, piscicultura (pesca artesanal de captura do pescado in natura)
e outras de pequenos animais; a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem
que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, realizada pelo
próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas
atividades rurais, utilizando-se exclusivamente matéria-prima produzida na área
explorada, tais como descasque de arroz, conserva de frutas, moagem de trigo e milho,
pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja,
acondicionados em embalagem de apresentação, produção de carvão vegetal, produção
de embriões de rebanho em geral (independentemente de sua destinação: comercial ou
reprodução).
Também é considerada atividade rural o cultivo de florestas que se destinem ao corte para
comercialização, consumo ou industrialização.
Não se considera atividade rural o beneficiamento ou a industrialização de pescado in
natura; a industrialização de produtos, tais como bebidas alcoólicas em geral, óleos
essenciais, arroz beneficiado em máquinas industriais, o beneficiamento de café (por
implicar a alteração da composição e característica do produto); a intermediação de
negócios com animais e produtos agrícolas (comercialização de produtos rurais de
terceiros); a compra e venda de rebanho com permanência em poder do contribuinte em
prazo inferior a 52 (cinqüenta e dois) dias, quando em regime de confinamento, ou 138
(cento e trinta e oito) dias, nos demais casos (o período considerado pela lei tem em vista
o tempo suficiente para descaracterizar a simples intermediação, pois o período de
permanência inferior àquele estabelecido legalmente configura simples comércio de
animais); compra e venda de sementes; revenda de pintos de um dia e de animais
destinados ao corte; o arrendamento ou aluguel de bens empregados na atividade rural
(máquinas, equipamentos agrícolas, pastagens); prestação de serviços de transporte de
produtos de terceiros etc.
Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 2º;
Lei nº 9.250, de 1995, art. 17;
Lei nº 9.430, de 1996, art. 59;
RIR/1999, art. 406;
IN SRF nº 257, de 2002.
002 Como é tributado o lucro das pessoas jurídicas que tenham
por objeto a exploração de atividade rural?

São tributadas com base nas mesmas regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas
tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, inclusive sujeitando-se ao
adicional do imposto de renda à alíquota de 10% (dez por cento).
Os condomínios e consórcios constituídos por agricultores e trabalhadores rurais, nos
termos do art. 14 da Lei nº 4.504, de 1964, com redação dada pelo art. 2º da MP nº 2.183-
56, de 2001, submetem-se às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas rurais.
Veja ainda: Tributação da pessoa jurídica:
Pergunta 001 e seguintes do capítulo VI (IRPJ-Lucro
Real);
Pergunta 001 e seguintes do capítulo XIII (IRPJ-
Lucro Presumido);
Pergunta 001 e seguintes do capítulo XIV (IRPJ-
Lucro Arbitrado); e
Pergunta 001 e seguintes do capítulo XVI (CSLL).
Normativo: Lei nº 4.504, de 1964, art. 14 (c/redação dada pelo art.
2º da MP nº 2.183-56, de 2001);
IN SRF nº 257, de 2002.

003 Como deverá proceder a pessoa jurídica que, além da


atividade rural, explore outras atividades?

No caso de a pessoa jurídica que explora a atividade rural também desenvolver outras de
natureza diversa e desejar beneficiar-se dos incentivos fiscais próprios concedidos à
atividade rural, deverá manter escrituração da atividade rural em separado das demais
atividades com o fim de segregar as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade
rural de modo a permitir a determinação da receita líquida e a demonstração, no Lalur, do
lucro ou prejuízo contábil e do lucro ou prejuízo fiscal da atividade rural separados dos
das demais atividades.
Veja ainda:
Exploração de outras atividades, além da atividade
rural:
Nota à Pergunta 004 deste capítulo (utilização do bem
em outras atividades);
Pergunta 015 deste capítulo (depreciação integral de
bens do imobilizado);
Pergunta 033 deste capítulo, Item b (reserva de
reavaliação - aumento de valor de bens do
imobilizado);
Pergunta 036 deste capítulo (fraude – imputação à
atividade rural de outras receitas).

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.


004 Quais os incentivos fiscais concedidos às pessoas jurídicas
que exploram atividade rural?

São admitidos os seguintes incentivos fiscais:


a) os bens do ativo não circulante imobilizado (máquinas e implementos agrícolas,
veículos de cargas e utilitários rurais, reprodutores e matrizes etc), exceto a terra nua,
quando destinados à produção, podem ser depreciados, integralmente, no próprio ano-
calendário de aquisição;
b) à compensação dos prejuízos fiscais, decorrentes da atividade rural, com o lucro da
mesma atividade, não se aplica o limite de 30% (trinta por cento) de que trata o art. 15
da Lei nº 9.065, de 1995.
Notas:
Não fará jus ao benefício da depreciação, a pessoa jurídica
rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para
outras atividades estranhas à atividade rural própria.

Veja ainda:
Depreciação - bens do imobilizado (utilizados na
atividade rural):
Pergunta 014 deste capítulo (escrituração);
Perguntas 016 a 018 deste capítulo (IRPJ - mudanças
de regime);
Pergunta 032 deste capítulo, Item b (culturas
permanentes);
Pergunta 006, item c, do Capítulo VII (LALUR, Parte
B)

Compensação prejuízos fiscais:


Perguntas 34 e 35 deste capítulo;
Pergunta 004, Item 3, do Capítulo VI, Perguntas 013,
014 e 018 do Capítulo VII e
Perguntas 001 e seguintes do capítulo X;
Pergunta 044 do Capítulo VII (postergação do
imposto).

Normativo: Lei nº 8.023, de 1990, art. 14;


Lei nº 9.065, de 1995, art. 15;
MP nº 2.159-70, de 2001, art. 6º
RIR/1999 arts. 314 e 512;

IN RFB nº 1.515, de 2014, art. 116;


IN SRF nº 257, de 2002, art. 17, § 2º.

005 Como serão apurados os resultados da pessoa jurídica


que deseja usufruir benefício fiscal na tributação dos resultados
da atividade rural?

A pessoa jurídica que desejar usufruir o benefício fiscal concedido à atividade rural, deve
apurar o lucro real de conformidade com as leis comerciais e fiscais, inclusive com a
manutenção do Lalur, segregando contabilmente as receitas, os custos e as despesas
referentes à atividade rural das demais atividades, tendo em vista que somente por meio
da tributação pelo lucro real se poderá proceder à correta determinação dos resultados da
atividade rural, com vistas à utilização dos citados incentivos. A pessoa jurídica deverá
ratear, proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade
representar em relação à receita líquida total: os custos e as despesas comuns a todas as
atividades; os custos e despesas não dedutíveis, comuns a todas as atividades, a serem
adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real; os demais valores, comuns a
todas as atividades, que devam ser computados no lucro real.

RIR/1999, arts. 314 e 512.


Normativo:

006 Como deverá ser feita a escrituração das operações relativas a


atividade rural?

A forma de escrituração das operações é de livre escolha da pessoa jurídica rural, desde
que mantenha registros permanentes com obediência aos preceitos da legislação
comercial e fiscal, e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo
observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações
patrimoniais segundo o regime de competência, sendo obrigatória a manutenção do
Lalur para fins da apuração do lucro real.

Veja ainda:
Livros fiscais:
Perguntas 001 a 018 (Lalur), 024 a 033 (Livro Diário
) e 034 a 036 (Livro Razão) do Capítulo VII.
Normativo: RIR/1999, arts. 251 a 275.
007 O que se deve entender por receitas operacionais decorrentes
da exploração de atividade rural?

Receitas operacionais são as provenientes do giro normal da pessoa jurídica, decorrentes


da exploração das atividades consideradas como rurais.

O RIR/1999, art. 277, define como lucro operacional o resultado das atividades
principais ou acessórias que constituam objeto da pessoa jurídica.

A pessoa jurídica tem como atividades principais a produção e venda dos produtos
agropecuários por ela produzidos, e como atividades acessórias as receitas e despesas
decorrentes de aplicações financeiras; as variações monetárias ativas e passivas não
vinculadas a atividade rural; o aluguel ou arrendamento; os dividendos de investimentos
avaliados pelo custo de aquisição; a compra e venda de mercadorias, a prestação de
serviços etc.

Desse modo, não são alcançadas pelo conceito de atividade rural as receitas provenientes
de: atividades mercantis (compra e venda, ainda que de produtos agropastoris); a
transformação de produtos e subprodutos que impliquem a transformação e a alteração
da composição e características do produto in natura, com utilização de maquinários ou
instrumentos sofisticados diferentes dos que usualmente são empregados nas atividades
rurais (não artesanais e que configurem industrialização), como também, por meio da
utilização de matéria-prima que não seja produzida na área rural explorada; receitas
provenientes de aluguel ou arrendamento, receitas de aplicações financeiras e todas
aquelas que não possam ser enquadradas no conceito de atividade rural consoante o
disposto na legislação fiscal.

Normativo: RIR/1999, arts. 277 e 352;


IN SRF nº 257, de 2002;
PN CST nº 7, de 1982.

008 Quais os valores integrantes da receita bruta da pessoa


jurídica que explora atividade rural?

Além das receitas citadas na Pergunta 009 deste capítulo, deverá integrar a receita bruta
da atividade rural:

a) os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios,


Aquisições do Governo Federal (AGF) e as indenizações recebidas do Programa de
Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro);
b) o valor da entrega de produtos agrícolas, pela permuta com outros bens ou pela dação
em pagamento;
c) as sobras líquidas da destinação para constituição do fundo de Reserva e do Fundo
de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764,
de 1971, quando creditadas, distribuídas ou capitalizadas à pessoa jurídica rural
cooperada.
Veja ainda: Resultado da atividade rural:
Pergunta 009 deste capítulo.
Normativo: Lei nº 5.764, de 1971, art. 28; e
IN SRF nº 257, de 2002.

009 Quais os valores integrantes do resultado da pessoa jurídica


que explora atividade rural?

Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta


auferida e das despesas incorridas no período de apuração, correspondente a todas
unidades rurais.
Integram o resultado da atividade rural:
a) o resultado na alienação de bens exclusivamente utilizados na produção rural;
b) a realização da contrapartida da reavaliação dos bens utilizados exclusivamente na
atividade rural.
Notas:
As disposições contidas na legislação tributária sobre reserva
de reavaliação aplicam-se somente aos saldos remanescentes
na contabilidade societária na data inicial da adoção inicial,
até a sua completa utilização.

Lei nº 6.404, art. 182, § 3º;


Normativo: IN SRF nº 257, de 2002;
IN RFB nº 1.515, de 2014, art. 177.

010 O que se considera como custos ou despesas de custeio e


investimentos na atividade rural?

As despesas de custeio são os gastos necessários à percepção dos rendimentos e à


manutenção da fonte produtora, relacionados diretamente com a natureza da atividade
exercida.
Por outro lado, investimento é a aplicação de recursos financeiros que visem ao
desenvolvimento da atividade rural para a expansão da produção e melhoria da
produtividade.
Normativo: IN SRF nº 257, de 2002;
PN CST nº 32, de 1981;
PN CST nº 7, de 1982.
011 Quais os custos ou despesas que podem ser atribuídos
à atividade rural?

Podem ser incluídos como custo ou despesa da atividade rural: o custo de demarcação
de terrenos, cercas, muros ou valas; de construção ou de manutenção de escolas
primárias e vocacionais; de dependências recreativas; de hospitais e ambulatórios para
seus empregados; as despesas com obras de conservação e utilização do solo e das
águas; de estradas de acesso e de circulação, de saneamento e de distribuição de água;
as despesas de compra, transporte e aplicação de fertilizantes e corretivos do solo; o
custo de construção de casas de trabalhadores; as despesas com eletrificação rural; o
custo das novas instalações indispensáveis ao desenvolvimento da atividade rural e
relacionados com a expansão da produção e melhoria da atividade.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002;


Portaria MF-GB nº 1, de 1971.

012 Quais os investimentos que podem ser atribuídos à atividade


rural, passíveis de serem imobilizados?

Podem ser incluídos como investimento da atividade rural e imobilizados: benfeitorias


resultantes de construção, instalações, melhoramentos, culturas permanentes, essências
florestais e pastagens artificiais; aquisição de tratores, implementos e equipamentos,
máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários, utensílios e bens de duração superior
a um ano e animais de trabalho, de produção e de engorda; serviços técnicos
especializados, devidamente contratados, visando a elevar a eficiência do uso dos
recursos da propriedade ou da exploração rural; insumos que contribuam destacadamente
para a elevação da produtividade, tais como reprodutores, sementes e mudas selecionadas,
corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; atividades que
visem especificamente à elevação socioeconômica do trabalhador rural, prédios e galpões
para atividades recreativas, educacionais e de saúde; estradas que facilitem o acesso ou a
circulação na propriedade; instalação de aparelhagem de comunicação e de energia
elétrica; bolsas para a formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de
estabelecimento e contabilistas.
Normativo: RIR/1999, art. 62, § 2º;
IN SRF nº 257, de 2002;
PN CST nº 57, de 1976.

013 Como deverão ser comprovadas as receitas e as despesas de


custeio, gastos e investimentos da atividade rural?

A receita bruta da atividade rural decorrente da comercialização dos produtos deverá ser
sempre comprovada por documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como
nota fiscal de produtores, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota
fiscal do produtor, e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.
As despesas de custeio e os investimentos serão comprovados por meio de documentos
idôneos, tais como nota fiscal, fatura, duplicata, recibo, contrato de prestação de
serviços, laudo de vistoria de órgão financiador e folha de pagamentos de empregados,
de modo que possa ser identificada a destinação dos recursos.
Ressalte-se que, de acordo com as regras da legislação fiscal que regem a dedutibilidade
de despesas e custos, todos os gastos e dispêndios efetuados pela pessoa jurídica deverão,
obrigatoriamente, encontrar-se lastreados e comprovados por documentos hábeis e
idôneos, sob pena de serem considerados indedutíveis, na determinação do lucro real,
para fins da apuração do IRPJ.
Normativo: RIR/1999, art. 299;
IN SRF nº 257, de 2002;
PN CST nº 7, de 1976;
PN CST nº 58, de 1977;
PN CST nº 32, de 1981.

Como deverá proceder a pessoa jurídica com relação à


014
escrituração do valor dos bens do ativo não
circulante imobilizado considerados como integralmente
depreciados no período de apuração da aquisição?

No ano-calendário de aquisição, a depreciação dos bens do ativo não


circulante imobilizado mediante a aplicação da taxa normal será registrada na
escrituração comercial, e o complemento, para atingir o valor integral do bem,
constituirá exclusão para fins de determinação da base de cálculo do imposto
correspondente à atividade rural. O valor da depreciação excluído do lucro líquido, na
determinação do lucro real, deverá ser controlado na Parte B do Lalur, e adicionado ao
lucro líquido da atividade rural, no mesmo valor da depreciação que vier a ser registrada
a partir do período de apuração seguinte ao da aquisição, na escrituração comercial. Na
alienação de bens do ativo imobilizado, o saldo da depreciação, existente na Parte B do
Lalur, será adicionado ao lucro líquido da atividade rural.

Exemplo:
Uma pessoa jurídica que explora atividade rural adquiriu em 1º/01/2000 um utilitário
rural por R$10.000,00 (dez mil reais) para uso exclusivo em transporte dos produtos
agrícolas colhidos. Sabendo-se que a taxa de depreciação do utilitário rural é 20% (vinte
por cento), e que a empresa optou pelo pagamento de Imposto de Renda e da CSLL por
estimativa (balanço anual), o valor do incentivo fiscal de redução do lucro líquido para
determinação do lucro real da atividade será determinado da seguinte forma:
Depreciação acelerada dos bens do Ativo Permanente -
Imobilizado
Utilitário rural (veículos): valor R$10.000,00 e taxa dep.
20% a.a.
Escrituração Comercial Escrituração Fiscal
Livro Diário Lalur

Ano Despesas de Depreciação Exclusão Adição


depreciação acumulada

1º R$2.000,00 R$2.000,00 R$8.000,00 -

2º R$2.000,00 R$4.000,00 - R$2.000,00

3º R$2.000,00 R$6.000,00 - R$2.000,00

4º R$2.000,00 R$8.000,00 - R$2.000,00

5º R$2.000,00 R$10.000,00 - R$2.000,00

Total R$10.000,00 - R$8.000,00 R$8.000,00

O valor excluído de R$8.000,00 (oito mil reais) deverá ser controlado na Parte B do
Livro de Apuração do Lucro Real.

O valor de R$2.000,00 (dois mil reais), correspondente à depreciação registrada na


escrituração comercial a partir do período de apuração seguinte ao de aquisição do
utilitário, deverá ser adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real.

Na apuração da base de cálculo da CSLL deverá ser observado o mesmo procedimento


adotado em relação à apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa
jurídica.

Normativo: RIR/1999, art. 314;


IN SRF nº 93, de 1997, art. 52;
IN SRF nº 257, de 2002; e
IN SRF nº 390, de 2004, art. 104.

015 A pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da


atividade rural, fará jus ao benefício fiscal da depreciação
acelerada incentivada?

Sim. O benefício fiscal não está condicionado a que a utilização do bem seja
exclusivamente na atividade rural. Somente não fará jus ao benefício a pessoa jurídica
que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à
atividade rural própria.

Ressalte-se ainda que, no período de apuração em que o bem já totalmente depreciado,


em virtude da depreciação incentivada, for desviado exclusivamente para outras
atividades, a pessoa jurídica deverá adicionar ao resultado líquido da atividade rural o
saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur.

Retornando o bem a ser utilizado na produção rural própria da pessoa jurídica, esta
poderá voltar a fazer jus ao benefício da depreciação incentivada, excluindo do
resultado líquido da atividade rural no período a diferença entre o custo de aquisição do
bem e a depreciação acumulada até a época, fazendo os devidos registros na Parte B do
Lalur.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.

A pessoa jurídica que explora atividade rural e que tenha


016
utilizado o benefício fiscal da depreciação incentivada, ao
mudar para o regime de tributação do lucro presumido ou
arbitrado deve adicionar à base de cálculo do imposto de renda
o saldo dessa depreciação?
Não. A reversão da depreciação incentivada que deve ser adicionado ao lucro líquido para
determinação do lucro real e controlada na Parte B do Lalur, não é a decorrente de
tributação diferida, uma vez que a adição impõe-se em virtude de anular os efeitos
decorrentes da depreciação normal consignada na escrituração comercial da pessoa
jurídica rural.
No regime de tributação do lucro presumido ou arbitrado, prescinde-se da escrita regular,
e, em conseqüência, não há o aludido efeito de depreciação normal a ser compensado pela
adição.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.

017 Pessoa jurídica que retornar ao lucro real poderá fazer jus à
depreciação acelerada incentivada?

Sim. Retornando à tributação com base no lucro real a pessoa jurídica deverá adicionar o
encargo de depreciação normal registrado na escrituração comercial, relativo a bens já
totalmente depreciados, ao resultado da atividade rural, efetuando a baixa do respectivo
valor no saldo da depreciação incentivada controlado na Parte B do Lalur.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.


018 Como deverá proceder a pessoa jurídica que explora atividade
rural com tributação pelo lucro real e, posteriormente, venha a
optar pela tributação com base no lucro presumido ou arbitrado,
e vier a alienar o bem depreciado com o incentivo fiscal?
A pessoa jurídica rural que tiver usufruído o benefício fiscal da depreciação acelerada
incentivada, vindo, posteriormente, a ser tributada pelo lucro presumido ou arbitrado,
caso aliene o bem depreciado com o incentivo durante a permanência nesses regimes,
deverá adicionar à base de cálculo para determinação do lucro presumido ou arbitrado o
saldo remanescente da depreciação não realizada.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.

019 São passíveis de exaustão os gastos com formação de lavoura


de cana de açúcar?

Sim. Quando se trata de vegetação própria (excluído o solo) será objeto de quotas de
exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Neste caso, não se
tem a extração de frutos, mas a própria cultura que é ceifada, cortada ou extraída do solo.
Assim, o custo de formação de plantações de espécies vegetais que não se extinguem com
o primeiro corte, mas que permitem cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de
exaustão.
Veja ainda: Conceito de exaustão:
Perguntas 073 e seguintes do capítulo VIII.
Exaustão de recursos florestais:
Perguntas 089 e seguintes do capítulo VIII.
Normativo: PN CST nº 18, de 1979.

São passíveis de exaustão os gastos com formação de


020
pastagens plantadas?

Sim. O custo de formação de plantações de espécies vegetais que não se extinguem com
o primeiro corte, mas que permitem cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de
exaustão.
Veja ainda: Conceito de exaustão:
Perguntas 073 e seguintes do capítulo VIII.
Exaustão de recursos florestais:
Perguntas 089 e seguintes do capítulo VIII.
Normativo: PN CST nº 18, de 1979.
Na atividade de criação de animais, tendo em vista a apuração
021
dos resultados periódicos, como deverá ser avaliado
(inventariado) o rebanho existente na data do balanço?
No encerramento do balanço em cada período de apuração, todo o rebanho existente
deverá figurar no respectivo inventário da seguinte forma:
a) pelo preço real de custo, quando a contabilidade tiver condições de evidenciá-lo; ou

b) em caso contrário, poderá ser inventariado (avaliado) pelo preço corrente no


mercado, na data do balanço.

Normativo: Lei nº 9.430, de 1996;


RIR/1999, art. 297;
PN CST nº 511, de 1970;
PN CST nº 57, de 1976;
PN CST nº 7, de 1982.

Como é apurado o resultado da pessoa jurídica rural quando


022
se utiliza o método de custo para avaliação do inventário?

A utilização do Método de Custo na empresa rural assemelha-se ao tratamento dado à


indústria, visto que todos os custos de formação do rebanho são acumulados ao plantel e
figuram com destaque no Estoque.

Dependendo da atividade do empreendimento (cria, recria ou engorda, ou as três


atividades conjugadas), pode variar o período de apuração do lucro, já que só por
ocasião da venda o resultado será apurado, procedendo-se à baixa no estoque e
debitando-se conta de resultado a Custo do Gado Vendido.

Normativo: RIR/1999, art. 297.

Como é apurado o resultado da pessoa jurídica rural quando se


023
utiliza o método de valor de mercado para avaliação do
inventário?

É o reconhecimento da receita por valoração dos estoques dos produtos que encerram
características especiais, como crescimento do gado, estufas de plantas, reservas
florestais etc.

Nesses casos, é possível reconhecer a receita mesmo antes da venda, porquanto existe
avaliação de mercado (preço) que é objetiva em estágios distintos de maturação dos
produtos. Assim, proceder-se-á a um lançamento contábil a débito do estoque,
adicionando-se a diferença de preço aos custos incorridos e o crédito do ganho
econômico à conta de resultado “Superveniência Ativa”.
Normativo: RIR/1999, art. 297.

024 Qual o valor que deve ser atribuído às crias nascidas durante o
período de apuração?
As crias nascidas durante o período de apuração podem ser contabilizadas pelo preço real
de custo, quando evidenciado na escrituração da pessoa jurídica, ou pelo preço corrente
no mercado.
Deverão ser lançadas como superveniências ativas, a débito da conta do ativo a que se
destinam e a crédito da conta de resultado.

Normativo: RIR/1999, art. 297;


PN CST nº 511, de 1970;
PN CST nº 57, de 1976, item 3.1.

025 Quando ocorre o fato gerador do imposto de renda em virtude


da avaliação de estoque de produtos agropecuários?
A contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da atualização de valor dos estoques
de produtos agrícolas, animais e extrativos destinados à venda, tanto em virtude do
registro no estoque de crias nascidas no período de apuração, como pela avaliação do
estoque a preço de mercado, comporá a base de cálculo do imposto sobre a renda no
período de apuração em que ocorrer a venda dos respectivos estoques.
A receita operacional decorrente, no período de sua formação, constituirá exclusão do
lucro líquido e deverá ser controlada na Parte B do Lalur.
No período de apuração em que ocorrer a venda dos estoques atualizados, a receita
operacional deverá ser adicionada ao lucro líquido para efeito de determinar o lucro
real.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.

Quando ocorre o fato gerador da CSLL em virtude da


026
avaliação de estoque de produtos agropecuários?

A contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da atualização de valor dos


estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos destinados à venda, tanto em
virtude do registro no estoque de crias nascidas no período de apuração, como pela
avaliação do estoque a preço de mercado, comporá a base de cálculo da CSLL no
período de apuração em que ocorrer a venda dos respectivos estoques.
No período de apuração em que ocorrer a venda dos estoques atualizados, a receita
operacional deverá ser adicionada ao lucro líquido para efeito de determinar a base de
cálculo da CSLL.
Qual o tratamento fiscal quando a pessoa jurídica rural entrega
027
os estoques atualizados em permuta com outros bens ou em
dação de pagamento?
A pessoa jurídica rural deverá adicionar ao lucro líquido do período de apuração em que
entregar os estoques em permuta a receita operacional decorrente da contrapartida da
atualização dos estoques que fora registrada na Parte B do Lalur.

Normativo: IN SRF nº 257, de 2002.

Qual o valor que se deve atribuir ao rebanho que perece


028
(morre) no período de apuração?

Neste caso, deve-se atribuir o valor contábil (o preço real de custo quando a contabilidade
assim o venha registrando, ou o preço corrente no mercado atribuído na última avaliação).
Esse valor será lançado contra a conta do ativo em que se achava registrado o animal,
encerrando-se a conta contra resultado do período (insubsistências ativas).
Deve-se observar, para lançamento da baixa, se o valor do animal já se encontra registrado
na contabilidade, isto é, só poderá ser “baixada” a cria que nasce morta quando precedida
do lançamento que consigne o nascimento.

Normativo: PN CST nº 57, de 1976.

029 Como são classificadas as atividades pecuárias?

a) Cria: a atividade principal é a produção de bezerros que são vendidos após o


desmame (período igual ou inferior a 12 meses);
b) Recria: a partir do bezerro (período de 13 a 23 meses), produzir e vender o novilho
magro para engorda;
c) Engorda: é a atividade denominada de invernista, que, a partir do novilho magro,
produz o novilho gordo para vendê-lo (o processo normalmente ocorre no período
de 24 a 36 meses).

030 Na contabilidade da empresa com atividade de criação de


animais, como deve ser classificado o rebanho existente?

Devem ser consideradas como integrantes do ativo não circulande imobilizado as contas
a seguir indicadas, que poderão atender à discriminação mais apropriada a cada tipo de
criação:
a) Rebanho Reprodutor: indicativa do rebanho bovino, suíno, eqüino, ovino etc,
destinado à reprodução, inclusive, por inseminação artificial;
b) Rebanho de Renda: representando bovinos, suínos, ovinos e eqüinos que a
empresa explora para produção de bens que c