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Direitos autorais
© © All Rights Reserved
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Copyright © 2022 Isabella Silveira

Todos os direitos reservados

Capa: Thainá Brandão


Revisão: Mariana Acquaro
Diagramação: Isabella Silveira

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e


acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora.
Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é
mera coincidência.

É proibida a reprodução total e parcial desta obra de qualquer


forma ou quaisquer meios eletrônicos, mecânico e processo
xerográfico, sem autorização por escrito dos editores.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº


9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.
PLAYLIST

SINOPSE

NOTA DA AUTORA

EPÍGRAFE

PRÓLOGO

CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8

CAPÍTULO 9

CAPÍTULO 10

CAPÍTULO 11

CAPÍTULO 12

CAPÍTULO 13

CAPÍTULO 14

CAPÍTULO 15

CAPÍTULO 16

CAPÍTULO 17

CAPÍTULO 18

CAPÍTULO 19

CAPÍTULO 20

CAPÍTULO 21

CAPÍTULO 22

CAPÍTULO 23

CAPÍTULO 24

CAPÍTULO 25

CAPÍTULO 26

CAPÍTULO 27

CAPÍTULO 28

CAPÍTULO 29

CAPÍTULO 30

CAPÍTULO 31
EPÍLOGO

AGRADECIMENTOS

ENTRE EM CONTATO

SOBRE A AUTORA

CONHEÇA AS MINHAS OUTRAS OBRAS


Para ouvir:
1 | Abra o app do Spotify;
2 | Vá na aba Pesquisar;
3 | Toque sobre o ícone da câmera;
4 | Aponte para o código abaixo:

Aproveite!
Anthony Watson só pensa em uma coisa: trabalho.
Tempo é dinheiro, dinheiro é poder e poder é tudo o que uma
pessoa pode querer. Um dos homens mais ricos de Lanuver, dono
de uma rede de hotéis de luxo e também de um Condado, ele não
se envolve com ninguém, tendo a sua vida milimetricamente
calculada.
Pelo menos era assim até conhecer a loirinha viajante que
conseguiu para abalar as suas estruturas.
Luana Albuquerque é uma escritora romântica e certinha.
Após o sucesso do seu último lançamento, ela embarca em uma
viagem sozinha para o país que inspirou suas histórias: Lanuver.
Mas, ela não esperava cruzar o caminho de um homem sério e
incrivelmente bonito, que parece ter como objetivo de vida estar em
todos os lugares que ela vai apenas para roubar o seu juízo.
Um envolvimento, momentos quentes e avassaladores, uma
despedida cheia de mal-entendidos.
Alguns meses depois ele ainda não conseguiu tirá-la de seu
sistema, e ela teve como herança da viagem o seu bem mais
precioso: seu filho. Será que apesar de todas as dificuldades eles
conseguirão ficar juntos?
De uma coisa Luana tem certeza: O pai é o CEO.
Olá, goxtosa (o),
Obrigada por ter optado pelo livro: O pai é o CEO! Eu me diverti
muito escrevendo essa história, principalmente porque dessa vez
ela surgiu no coração de uma leitora antes de surgir no meu. De
uma ideia que a Ester me enviou fui criando cada pedacinho desse
livro, e posso dizer que fiquei muito satisfeita com o resultado.
Espero que você possa aproveitar esse tempo com esses
personagens incríveis, e que goste desse livro tanto quanto eu. Ah!
E se você achar que eu mereço, avalie o livro, por favor, evitando
spoilers. Isso ajuda muito os autores iniciantes.
PS: Caso você tenha pego essa obra de forma ilegal por qualquer
outro meio que não seja a Amazon/Kindle Unlimited, saiba que esse
tipo de compartilhamento não foi autorizado por mim e dessa forma,
atrapalha o meu trabalho, além de ferir os meus direitos.
Aproveite,
Com amor, Isabella Silveira
“Não é o tempo nem a oportunidade que determinam
a intimidade, é só a disposição.
Sete anos seriam insuficientes
para algumas pessoas se conhecerem,
e sete dias são mais do que suficientes para outros.”
Jane Austin
Dedico este livro para todas as pessoas que
Buscam a vida inteira um amor igual ao dos livros.
As vezes a vida real pode te surpreender!

Para Ester, que me inspirou e fez com que eu


me apaixonasse pelo Anthony,
e assim o colocasse no papel para vocês
se apaixonarem também.
Corro em um trote rápido, enquanto sinto as gotículas de suor
escorrerem pela minha nuca e os meus pulmões queimarem como
brasas. O som alto nos meus fones me mantém focado, e sei que
hoje estou superando o meu marco de quilômetros por tempo. É
inevitável, eu preciso vencer. Eu preciso me superar sempre, a cada
obstáculo, em todos os ramos da minha vida. E é exatamente isso
que eu vou fazer para a aquisição do grupo hoteleiro Lombardi, que
futuramente será Watson também: me superar.
Podem me chamar de tudo: sério, focado, frio, cafajeste,
ordinário e, até mesmo, desleal, mas nunca podem me chamar de
procrastinador. Ou preguiçoso. Ou também de fraco.
Ah! Fraco é algo que, com toda a certeza do mundo, eu sei
que eu não sou.
Dizem por aí que eu sou viciado em estresse, que o trabalho é a
única coisa que existe pra mim e que eu, provavelmente, vou morrer
sozinho e amargurado, como aquela velha raposa que era o meu
pai. Não que nós tivéssemos qualquer outra coisa em comum
durante toda a vida.
Pelo menos, foi isso que a Jéssica disse quando terminou
comigo meses atrás, porque, em suas palavras, eu era um "ogro
sem coração que só pensa em dinheiro". Mas, eu só cheguei aonde
cheguei porque eu sou disciplinado e focado. Além disso, a Jéssica
era substituível, o dinheiro e o poder, com certeza, não são. Se isso
faz de mim um homem ruim, fico contente, e serei o pior de todos.
Simplesmente, é o meu jeito, e eu não consigo, e nem quero,
mudar.
O trabalho é a minha vida. Minhas empresas são o meu
legado e não há nada, nem ninguém que possa mudar o meu
pensamento e os meus ideais. E, talvez, nesse ponto, eu seja mais
parecido com o velho Watson do que eu jamais imaginei.
Eu sou Anthony Watson, conde de Flemington, o maior CEO
de Otheon, capital de Lanuver, e consigo tudo o que eu quero com
apenas um estalar de dedos. Se não for dessa forma, eu faço ser,
porque tudo o que eu quero, eu consigo.
Prepotente, alguns dirão. Realista e determinado é como eu
me vejo.
— Credo, mãe, para de rogar praga a mim, odiei! — reclamo,
jogando um tricô pesado dentro da mala verde limão.
— Só estou dizendo que eu não acho que uma viagem para a
Europa deveria ser desperdiçada com cinco dias no mesmo país.
Não faz sentido. — minha mãe diz, dando de ombros e eu reviro os
olhos.
— Já conheci a maioria dos países comerciais quando era
mais nova e viajava com vocês para todos os desfiles infindáveis de
vestidos de noiva, lembra? Agora eu quero explorar a parte que não
é tão conhecida, você sabe que me inspirei em Lanuver para
escrever meu último livro, e ele foi um best seller! É lógico que eu
preciso ver com os meus próprios olhos todos os cantinhos de
Otheon.
Vejo o momento exato em que ela faz um revirar de olhos
dramáticos, antes de se jogar na poltrona vermelha no cantinho do
meu quarto. Dramática, dona Joyce, também conhecida como
mamãe, e dona de um dos maiores ateliês de vestidos de noiva de
São Paulo, começa a falar sobre a minha ingratidão por não ser
ambiciosa o suficiente e não seguir no ramo casamenteiro e nos
negócios da família. Finjo que escuto, mas sou teletransportada
para o mundo da lua, e nele crio outros cinquenta roteiros na minha
cabeça, nos quais eu simplesmente não preciso me preocupar com
o curso da vida, porque ali eu comando tudo.
— … e você nem está me escutando. Poxa, é muita
ingratidão mesmo! Te carreguei por nove meses para você me tratar
dessa forma!
— Desculpe, eu me distraí, você sabe que eu tenho dessas
coisas. — respondo, sem realmente me preocupar e percebo
quando ela desiste.
— Isso é o seu legado, minha empresa um dia será sua,
então, você poderia demonstrar um pouco mais de interesse…
assim eu fico magoada, sempre te demos tudo o que poderíamos
dar, mas essa história de ser escritora está indo além do hobby por
tempo demais. Luana, você sabe como as coisas são, precisa focar
para assumir os negócios!
— Eu não tenho interesse. Se o Diego não conseguiu falar
não para o vovô, eu consigo. E consigo falar para você também,
sinto muito informar. — aviso e vejo ela se encolher, ofendida.
— Seu primo construiu uma família e assumiu os negócios,
como era de se esperar. Você não pode ser rebelde pra sempre. —
sua fala até parece irritada, mas minha mãe é tão patricinha e fofa,
que simplesmente parece que ela está triste porque perdeu a bolsa
nova.
— Eu tenho um emprego e gosto muito dele. Inclusive, me
provém tudo o que eu preciso, não sou ambiciosa e fico querendo
mais e mais o tempo inteiro, porque as coisas não funcionam assim
comigo. Agradeço por tudo o que vocês fizeram por mim, mas não
vou abrir mão do meu sonho para viver o seu. — falo séria e a vejo
fazer um biquinho revoltado — Entenda de uma vez por todas, mãe.
Eu amo você, mas não amo o ramo casamenteiro. Não amo
vestidos de noiva. Tenho ranço das pomposidades de uma
cerimônia enorme. E mais do que isso, não quero me casar. Nunca.
— Isso é ridículo, Luana.
— Ridícula é essa conversa, sabendo que eu tenho um voo
para pegar no fim do dia e a minha mala nem pronta está. Além do
mais, eu nem sei o que a senhora está fazendo aqui em casa no
horário de trabalho, em plena quinta-feira.
— Minha filha vai ficar dias e dias na Europa, você realmente
achou que eu não viria me despedir? Mesmo com a sua teimosia,
eu te amo, e vou sentir saudades. — dona Joyce diz, e eu abro um
sorriso contido.
Nossa relação sempre foi um pouco estremecida pelo fato de
eu não ser a menina mais interessante do mundo, e, obviamente,
por termos gostos totalmente diferentes. Mas, no fim, minha mãe é a
minha base, e mesmo não aprovando a minha profissão ela sabe
que escrever é importante pra mim. Mais do que isso, ela consegue
deixar tudo de lado e entender que eu sou mais do que uma mão de
obra nos negócios da família, e, sim, a sua filha.
Grande parte do meu trauma com casamentos se deve ao
fato dos meus pais terem tido um casamento de revista, com tudo o
que poderia ter sido sonhado, e isso ter ficado para trás assim que a
minha mãe descobriu a gravidez. Como um bom embuste, ele
passou a traí-la com todas as mulheres possíveis e imagináveis,
resultando em uma separação traumática e um pai extremamente
ausente na minha criação. Minha mãe é guerreira, inteligente e
incrível. Só que seguir o seu ramo, definitivamente, não é pra mim.
Quando for mãe, espero acertar o máximo possível em tudo o
que puder, mas se eu for metade do que ela é pra mim, estarei feliz.
— Você é muito dramática, sabia? — digo, indo em sua
direção.
— Eu não sou dramática, sou realista e amo você. Não teria
como ser diferente, você sabe disso.
— Eu sei. — respondo, porque no fim, eu realmente sei.
Se eu precisar de alguma coisa, independentemente de onde
eu estiver, quantos anos eu tenha, ou qualquer outra variável, posso
contar com ela. E isso é muito mais do que eu poderia pedir no auge
dos meus vinte e cinco anos, com uma carreira difícil e incerta, há
anos e anos sem um namorado para me apoiar, e sem saber o que
esperar do futuro.

Lanuver é um país pequeno e frio.


Os dias nublados não são turísticos o suficiente, e o povo
também não é o mais amistoso, mas a aura de mistério é quase
palpável. O país é pequeno, mas o que falta em tamanho, sobra em
beleza arquitetônica e em sua história. Isso, ninguém pode negar,
nem mesmo a população de Vongher, país vizinho, que por muito
tempo foi seu rival. Tudo respira antiguidade e riqueza, por isso, não
descolo o nariz da janela de vidro do carro, com medo de perder
qualquer coisa interessante. Ainda pensando em como a cidade de
Otheon é pequena e gelada para quem está acostumado com o
calor tropical do meu país, desço do táxi com a minha mala
"discreta", em direção ao hotel.
Geralmente, não gosto de rasgar dinheiro pegando as
melhores acomodações, mas como esse foi o primeiro hotel de luxo
do país, e tem, além de muita história, a melhor localização, resolvi
arriscar. Afinal, apesar de não ser nada muito grandioso, eu
conquistei um resultado incrível com meu último lançamento, algo
inimaginável meses atrás. Uma história que sugou muito de mim, do
meu sono, do meu tempo e das minhas madrugadas, mas vendeu
muito bem também, e o mais importante, me trouxe até aqui como
autora consolidada.
É ainda observando a fachada gótica do hotel que eu quase
sou atropelada por um senhor muito mal-educado, e antes mesmo
de eu ver o seu rosto, ele grita alguma coisa no celular e sai
marchando, até entrar espumando pela boca, sem falar com
ninguém.
Carinha mal-educado, credo.
O segurança me estuda por alguns minutos antes de se
solidarizar, ajudar a puxar a minha mala enorme para dentro do
saguão e dizer:
— Seja bem-vinda à Lanuver, peço desculpas pelo senhor
Watson. Provavelmente, ele não viu a senhorita. — ele diz, e eu
abro um sorriso um pouco triste antes de confirmar com a cabeça.
— Obrigada! Não se preocupe, já estou acostumada a ser
invisível.
CAPÍTULO 2

Ser dono da maior rede hoteleira do país é bom em inúmeros


sentidos, mas o meu preferido é ter um lugar bom para ficar
independente de qual cidade de Lanuver eu estiver. E, mais do que
isso, eu trabalho, moro, faço academia e tenho encontros
esporádicos e privados, tudo no mesmo lugar. Além de ter as
melhores refeições e, de quebra, eu mandar em todo mundo, sendo
respeitado por todas as pessoas que eu conheço. É claro que, às
vezes, eu preciso lidar com algum hóspede sem noção, enchendo o
meu saco, e querendo tirar alguma foto, mas nada com que eu
realmente precise me preocupar. A segurança contratada é muito
boa, resolve facilmente isto.
Além de economizar muito tempo, eu economizo em
problemas e dor de cabeça, o que, neste caso, é essencial para
manter tudo organizado e no lugar. A minha vida é corrida, mas é a
melhor. É difícil pensar o contrário quando se tem Watson no
sobrenome e se é primo do rei do país.
Ainda com um sorriso no rosto, devido aos acontecimentos
da noite passada, deixo o quarto pé ante pé e vou em direção à
minha suíte para trocar de roupa e começar o dia. Nada como uma
boa foda e um bom drink para relaxar antes de um dia estressante,
e foi exatamente isso que eu tive. Pensando nisso, desço o
elevador, deixando a conquista da noite para trás com um bilhete de
agradecimento pelos bons momentos, junto a um bom café da
manhã na cama, e vou em direção à academia do hotel para me
aquecer e treinar para o grande dia. Hoje, o contrato mais esperado
vai ser assinado, e eu vou começar oficialmente a expansão para
Vongher e depois para toda a Europa. Trabalhei meses para fechar
esse acordo e a briga entre tubarões foi exaustiva, mas eu ganhei.
Como eu sabia que faria.
O meu bom humor acaba quando percebo que mais alguém
madrugou para fazer exercícios e vou precisar dividir o espaço.
Apesar de a academia ser equipada, as conversinhas e fotos, não
tão escondidas, me tiram do sério, e é por isso que eu evito ter
companhia no tempo em que estou focado. O bom de sempre
acordar às cinco horas da manhã é que, no geral, não acontece
esse tipo de coisa. Cogito dar meia volta, e ir para rua correr, mas
não vai ser um sem noção qualquer que vai me fazer quebrar a
rotina.
Entro, já puto e com a expressão fechada, pronto para botar
moral e mostrar que não estou a fim de ser incomodado, quando
avisto uma mulher linda, completamente alheia à minha presença.
Minha irritação logo passa quando vejo a loira exuberante
fazendo agachamentos sem se preocupar com o comprimento do
seu short, ou com a sua bunda berrando "me aperte" em minha
direção. Pisco algumas vezes, tentando entender se eu ainda estou
dormindo, porque nada disso faz sentido, mas quando ela percebe
que eu estou parado lhe observando, a gata larga os pesos no chão
e abre um sorriso tímido, murmurando alguma coisa em uma língua
que eu não reconheço.
— Bom dia. — digo sucinto, e ando em sua direção. Não a
conhecia antes, mas, com certeza, agora tenho interesse em mudar
essa condição. Ela parece atrapalhada, e cruza os braços em forma
de proteção, deixando seus seios fartos ainda mais proeminentes.
Seus olhos me estudam por alguns segundos, mas a educação fala
mais alto, e ela me responde:
— Bom dia, — ela responde, e sua voz é melodiosa, antes de
ela completar — eu achei que não teria mais ninguém neste horário.
Posso voltar mais tarde, se for incomodar. — ela completa, já
pegando os pesos e colocando no lugar.
Ainda hipnotizado pelos seus seios deliciosos que, por algum
motivo, estão marcando os mamilos de forma sensual e
completamente inocente, seguro seu braço para impedi-la de ir
embora.
— Acho que podemos dividir o espaço, se você não se
importar. Tenho uma reunião de trabalho em poucas horas e treinar
sempre me relaxa. Mas, parar a sua série no meio é praticamente
um pecado, inclusive, quando tudo está tão em cima. — sondo, para
entender o que ela vai dizer, e ela solta um suspiro audível.
— Estou de Jetleg. Pensei que se cansasse meu corpo
agora, poderia descansar e me acostumar com o fuso de forma
mais fácil, porém, parece que estou ligada no duzentos e vinte. —
ela usa uma expressão que eu não entendo e, aparentemente, isso
a incomoda, porque suas bochechas ficam ainda mais coradas
quando completa em um tom um pouco mais baixo — Quero dizer
que estou agitada.
— Entendi. — respondo sucinto e percebo que ela faz
menção de ir embora. Nem morto eu vou deixar isso acontecer, hoje
à noite essa loirinha vai estar gemendo no meu ouvido. Com
certeza, não posso deixar passar esse monumento de mulher — Há
jeitos melhores de cansar o seu corpo. Eu, com certeza, consigo
pensar em milhares de coisas que poderíamos fazer a dois para
resolver o seu problema.
Ela me analisa por alguns segundos com o cenho franzido,
tentando descobrir se eu estou falando sério ou não, mas quando
toma a sua decisão ela começa a rir descontroladamente. Cruzo os
braços, puto, porque, definitivamente, eu não estava esperando uma
gargalhada, e, sim, um flerte despretensioso, e ela revira os olhos
antes de falar:
— Meu Deus! Essa foi boa. Você deveria ter visto a sua cara!
— em meio à risadas, ela continua — Eu juro que quase me pegou
nessa!
— Não entendi. — comento baixo, e ela me olha de forma
condescendente.
— É claro que você está brincando comigo, mas por um
segundo eu quase caí, confesso. — ela diz, e dá dois tapinhas no
meu ombro, antes de estender a mão em minha direção — Eu sou
Luana Albuquerque, brasileira. E você? O que te trouxe a Otheon?
Sua atitude me deixa completamente sem ação. A mulher
loira, no caso, Luana, parece realmente não me reconhecer, e isso é
algo inédito. Seja pelo tal título que me foi passado quando meu pai
morreu, anos atrás, seja pela franquia enorme de hotéis que eu
dirijo, ou pela meia dúzia de colunas de fofocas que insistem em
publicar todos os meus passos incansavelmente. Todo mundo me
conhece, todo mundo me teme e ninguém é espontâneo ao meu
redor. Pelo menos, ninguém até hoje. E que sabor delicioso isso
tem.
Antes, eu achava que isso era o melhor na minha vida, mas,
surpreendentemente, o fato dela não saber quem eu sou, eleva a
adrenalina e torna a caça muito mais interessante. É nesse exato
momento que eu resolvo ocultar a minha identidade, e entrar no
jogo, quando respondo:
— Sou Anthony Figma. Vim de Vongher para uma reunião de
trabalho. — respondo, já odiando o nome absurdamente comum.
Ela abre um sorriso iluminado, que me tira um pouco do eixo, antes
de responder:
— Então, muito prazer. Agora vou te deixar fazer o seu
exercício em paz e vou voltar para o quarto, tentar assistir algum
filme e dormir. — ela diz, e dá um beijo totalmente inapropriado em
minha bochecha, antes de ir embora, saltitando. Me deixando
completamente em choque, duro e um pouco confuso.
Que porra acabou de acontecer aqui?
Começo a correr na esteira, ainda pensando no que
aconteceu e, principalmente, em quem é essa mulher, mas não
consigo durar dois minutos. Aperto o botão, odiando saber que perdi
para a minha curiosidade, e enquanto caminho com os olhos
semicerrados até a recepção, vejo a menina que está lá engolir em
seco, antes de me cumprimentar:
— Quero saber quem é a hóspede, o que ela está fazendo
aqui, e em qual quarto ela está. — digo sucinto e a morena se
atrapalha, antes de me perguntar:
— Você está se referindo a quem, senhor?
— À loira que estava na academia há pouco. Confira nas
filmagens de segurança, se for necessário e faça esse serviço.
Assim que voltar da minha reunião quero essas informações. —
digo sério, e dou um tapa estalado no balcão, assustando-a —
Entendeu?
— Sim, sim. Claro. — ela responde, e eu abro um sorriso
vitorioso, antes de subir pelo elevador e queimar a energia com a
modelo de ontem. Na ausência da minha mais nova obsessão, a
outra tem que servir.
Meu. Pai. Eterno. Que homem é esse, Brasil?
O moreno charmoso, alto e sedutor, quase me fez derreter
em uma poça de baba na academia, e, provavelmente, agora ele
está rindo da minha expressão afetada. Mas, não tinha como ser
diferente. Anthony Figma… que homem!
Ainda com as pernas bambas, que nada tem a ver com o fato
de estar fazendo academia há pouco tempo, me jogo na cama com
tudo, sonhando acordada com o sorriso sacana do cara que nunca
olharia uma segunda vez para mim. Não dá para me iludir, ele, com
absoluta certeza, estava me zuando. Mas, isso não quer dizer que
eu não possa fanficar. E, modéstia à parte, isso eu faço muito bem,
afinal, todos os meus livros são fanfics perfeitas de tudo o que eu
gostaria que acontecesse comigo e com os milhares de homens
maravilhosos que eu encontro por aí, que nunca tiveram o menor
interesse por mim. Eu sou uma mulher sem graça, um pouco tímida
e, definitivamente, esquecível, mas as minhas mocinhas são
arrojadas, diferentes, brutalmente honestas e sempre empoderadas.
No fim, nos livros eu faço o meu próprio destino, enquanto na
vida real, eu simplesmente me sinto invisível na maior parte do
tempo. Eu não me importo de ser assim, porque, no fundo, eu sei
que nenhum relacionamento que eu tiver será tão bom quanto em
minha imaginação. E, digo mais, na vida real o mocinho sempre faz
uma cagada fenomenal e não está nem aí para a mocinha. Ela
acaba grávida e se ferrando para cuidar da filha, sem apoio
nenhum, assim como aconteceu com a minha mãe.
É pensando nela que pego o telefone e mando uma
mensagem longa e explicativa sobre como foi o voo, a chegada,
tendo certeza de que mesmo com todas as informações que eu lhe
estou dando, mais tarde ela vai me ligar para arrancar de mim cada
detalhe sobre a cidade e a viagem. Não dá para ignorar a conexão
que eu e minha mãe temos, e, no fim, isso me deixa muito feliz.
Porém, é claro, existem coisas que precisam ser privadas, assim
como o caso do gato da academia, e é por isso que penso duas
vezes antes de contar sobre o moreno alto que cruzou o meu
caminho. Enfim, resolvo omitir a informação, deixando a lembrança
da fanfic improvisada unicamente para mim.
Até porque, nada me impede de fantasiar, não é?
É isso que eu faço quando abro o notebook e começo a
digitar uma nova história, imaginando todos os detalhes do moreno
incrível dos olhos enigmáticos que encontrei mais cedo. Ele, sim,
seria um ótimo avatar, e, imersa em todos os detalhes dessa nova
ideia, acabo não vendo o tempo passar e adormeço, eventualmente,
sonhando com ele e seu sorriso de lado.
Emocionada é uma ótima descrição para mim, mas fazer o
quê se eu sou assim? Pelo menos, com os meus livros, eu não faço
mal a ninguém.

— Você tem certeza de que isso está incluso na diária? —


pergunto desconfiada para a recepcionista, porque me parece bom
demais para ser verdade. Nunca ouvi falar de nenhum hotel que
ofereça um city tour pelo castelo do conde sei lá das quantas, muito
menos, gratuito. Geralmente, essas coisas são totalmente privadas
ou no mínimo caríssimas.
Isso tem cara de golpe.
— Sim, é uma cortesia para os nossos hóspedes. — a
recepcionista parece um pouco desconfortável e eu estreito os
olhos.
Ser brasileira tem muitas e muitas desvantagens, mas
conseguimos enxergar o golpe de longe, e isso, definitivamente, é
um golpe.
— À que horas sai o ônibus da excursão? — pergunto,
cruzando os braços e ela finge mexer no computador antes de me
responder:
— O motorista sai com o carro particular às 18h.
Motorista com carro particular? A tá!
Das duas, uma: ou o golpe é muito bem-feito para me
sequestrar, ou eles vão cobrar uma fortuna no checkout, e dentre as
opções eu não quero pagar para ver nenhuma das duas.
— Bom, eu vou agradecer, mas hoje eu quero conhecer a
praça principal e encontrar uma cafeteria tranquila para provar os
famosos chocolates de Lanuver. Mas, quem sabe, nos próximos
dias eu não aceite o city tour. — digo, dispensando a coitada, que
abre e fecha a boca algumas vezes, igual à um peixinho, antes de
confirmar com a cabeça, desanimada.
Esse golpe "pega trouxa" não vai funcionar comigo. A esposa
do meu primo mais próximo já assaltou um trombadinha e bateu em
um bandido, eu e a Laís somos super próximas, não vai ser isso que
vai me fazer cair, não.
Com meu cachecol rosa choque bem preso, arrumo o
sobretudo azul escuro e me aventuro pelas ruas de Otheon, ansiosa
para ver com os meus próprios olhos tudo o que eu pesquisei na
internet. As casas coloridas, feitas para tentar trazer mais alegria
para o povo, as pessoas correndo apressadas, e toda a aura antiga
da cidade me impressionam. A capital de Lanuver é linda, mas
muito mais do que a beleza arquitetônica, ela traz uma sensação
mágica de que tudo pode acontecer. Isso é incrível. É sensacional.
Fascinante. Já ouvi falar, em minhas pesquisas, que no interior o
povo ainda é muito provinciano, mas aqui a mistura do velho com o
novo acontece de uma forma incrível.
Poucos metros depois, ainda na mesma avenida, me
encontro na praça principal, gigantesca, linda e medieval, onde a
arquitetura praticamente implora para contar a sua história. Ao redor
do campo aberto, cheio de fontes, bancos e crianças alimentando os
pássaros, está um comércio incrível e bastante visitado, e é nele
que eu me aventuro no dia de hoje, ansiosa para explorar cada
pedacinho do que antes eu só havia visto por fotos.
Entro nas livrarias, passeio pelas fábricas de chocolate
extremamente turísticas, e, apesar de ser uma realidade de vida
totalmente diferente da minha no Brasil, ainda me divirto com a
minha própria companhia, experimentando roupas nos brechós
luxuosos, passando uma tarde incrível em um dos lugares mais
visados de Lanuver.
Ainda mais legal do que explorar a cidade sozinha, é poder
lembrar da história que eu imaginei se desenrolar por essas
mesmas ruas. Afinal, foi aqui que os meus mocinhos se
reencontraram depois de um período separados, e deram o beijo de
reencontro que fizeram todas as minhas leitoras suspirarem.
Continuo sonhando acordada com a história de amor de Vicente
Lourenço, quando me sento na varanda de um café caríssimo,
porém acolhedor, e observo os casais, as crianças e até mesmo os
pássaros, absorvendo tudo em um momento de contemplação.
Mando uma foto para as minhas leitoras, e enquanto elas
começam a surtar com toda a beleza do local, guardo novamente o
aparelho, escolhendo viver tudo isso pessoalmente, sem me
esconder por trás de alguma tela. Pelo menos, dessa vez.
Quantas vezes realmente paramos para observar as coisas
lindas da vida, sem pressa? Estamos sempre presos a nossos
próprios conflitos, em um ciclo egoísta vicioso, em que não sobra
tempo nem vontade de fazer diferente.
— Sonhando acordada? — uma voz sensual pergunta às
minhas costas, e eu tomo um susto, soltando um gritinho nada
interessante.
— Que susto! — resmungo, antes de me virar para xingar o
insolente que resolveu atrapalhar a minha divagação. Mas, quando
percebo de quem se trata, sinto as minhas bochechas queimarem
— Oi, que coincidência… tudo bem?
Anthony, o homem lindo da academia abre um sorriso
sensual, antes de se sentar na cadeira vazia ao meu lado. Sua
presença me intimida, mas não posso dizer que não estou
lisonjeada e encantada com a sua atenção. Um homem como ele,
definitivamente, não olharia duas vezes para uma mulher como eu
em uma situação normal.
— Tudo bem, e com você? — ele pergunta, olhando dentro
dos meus olhos, e sinto o meu corpo inteiro esquentar.
— Tudo… — minha voz soa baixa, como se eu estivesse
intimidada, e ele me estuda por alguns segundos, antes de dizer:
— Conseguiu se recuperar do jetleg?
— Na verdade, consegui dormir por algumas horinhas, mas
ainda não estou acostumada ao fato de ser quase sete horas da
noite e o sol ainda brilhar alto no céu. — digo, dando de ombros —
Mas, e você? Como foi a sua reunião?
Sua postura se relaxa na mesa, e um garçom lhe entrega um
café, ele provavelmente pediu antes de se sentar ao meu lado.
Nossa conexão de olhares se quebra por alguns segundos, tempo o
suficiente para que eu consiga balançar a cabeça para tentar
entender que diabos está acontecendo, enquanto ele toma um longo
gole da sua bebida quente.
— Minha reunião foi perfeita, — sua constatação me soa
engraçada, porque, geralmente, as pessoas não falam dessa forma
se referindo a si mesmas, mas me perco em seu sorriso amplo,
antes de ele completar — e agora, eu estou pronto para comemorar.
Arregalo os olhos surpresa, e abro um sorrisinho amarelo
antes de responder:
— Então, provavelmente, era um bom negócio. — digo, sem
saber ao certo que tipo de conversa louca é essa que estamos
tendo.
Anthony confirma com a cabeça, e dedilha sonoramente na
mesa, como se estivesse me estudando. Nesse momento, sinto que
o homem é um predador pronto para atacar, e por mais ridículo que
isso possa parecer, me sinto uma presa prestes a ser abatida. E o
fato de que isso não me inquieta tanto quanto deveria, é
preocupante.
— Ótimo negócio… era algo que eu queria faz tempo. —
suas palavras são sensuais e cheias de segundas intenções. Pelo
menos, é assim que uma autora de romances hot encara seus
lábios carnudos e sua voz rouca murmurando esse tipo de coisa,
enquanto conversa comigo. É claro que a realidade é totalmente
diferente, mas a minha fanfic está vivíssima em mim, e já consigo
imaginar essa mesma cena sendo descrita no meu documento,
enquanto o mocinho convida a mocinha para sair… — E então?
Pisco algumas vezes, percebendo que eu realmente me
teletransportei para o mundo da lua e sinto as minhas bochechas
esquentarem.
— Perdão? Eu não escutei. — respondo envergonhada, me
sentindo boba por estar tão imersa em meu mundo que não prestei
atenção no que realmente está acontecendo na vida real.
O homem de cabelos pretos disfarça bem a falta de
paciência, antes de perguntar novamente:
— Você gostaria de jantar comigo? — sua pergunta direta me
deixa completamente chocada, e eu fico de boca aberta alguns
segundos, sem saber o que responder.
— Por quê? — replico a pergunta, tendo completa certeza de
que pareço uma mulher totalmente sem noção. Mas, no fim, são as
suas palavras que acabam comigo, me tiram completamente do
eixo:
— Porque você é linda, e eu quero de te conhecer melhor. —
simples assim. Foi nesse momento que eu morri e fui substituída por
um clone um pouco mais corajoso, porque eu simplesmente
confirmei com a cabeça, dizendo sim para o deus grego na minha
frente.
— Tudo bem… eu topo. — respondo o óbvio, com as
bochechas queimando de vergonha, porque, no meu lugar, quem
não iria querer?
— Então, — ele diz, se levantando e me estendendo a mão
— vamos?
Confirmo com a cabeça, segurando em sua mão firme, e é na
hora em que nós nos encostamos que sinto aquele frio na barriga
ridículo e a corrente elétrica que descrevi tantas e tantas vezes nos
livros, mas que nunca havia acontecido comigo antes.
Em qual planeta eu sonharia em conhecer um homem tão
lindo quanto ele? Se for um sonho, não me acordem, porque por
menos experiência que eu tenha e mais loucura que tudo possa
parecer, eu vou viver isso. Nem que seja para fanficar um final feliz
e transformar em um best seller com uma história louca de amor.
O fato de ela não me reconhecer torna tudo muito mais
interessante.
Quem diria que eu iria achar instigante precisar correr atrás
de uma mulher, como se eu fosse um homem normal? E que eu iria
me sentir excitado com o fato de ela corar e parecer envergonhada
todas as vezes que olha em minha direção. Não pelo meu dinheiro,
mas, sim, porque eu, Anthony, sou interessante o bastante para lhe
entreter. Até mesmo agora, quando entramos no carro comum, que
precisei trocar com o porteiro para não exibir a Mercedes que está
na garagem, ela parece totalmente confortável. Confortável e
impressionada, não com o luxo, mas, sim, comigo. Confesso que
essa é a melhor coisa que aconteceu para o meu ego em muito
tempo.
A mulher linda que estava exibindo suas curvas mais cedo,
foi substituída por uma versão mais nerd, ao invés da sensual, mas
não menos bonita e interessante. Para encontrá-la, precisei usar
todo o tipo de suborno com os funcionários do hotel, até que, depois
de verem o quão ansioso eu estava, o segurança me indicou para
onde ele achava que ela tinha ido. Daí por diante, precisei contar
com a sorte, e claro, com a minha força de vontade. Aparentemente,
a loirinha mexeu muito mais com os meus pensamentos do que eu
gostaria de deixar transparecer.
Sem conseguir me concentrar no trabalho, com total ciência
de que parecia um adolescente impressionado pela primeira mulher
bonita que viu pela frente, deixei tudo de lado duas horas mais cedo,
assustando meus colegas de trabalho, a secretária e até a mim
mesmo. Depois de uma fusão tão importante como a que tivemos
no dia de hoje, eu deveria estar comemorando, com o pico de
adrenalina nas alturas, pensando em todas as estratégias possíveis
para fazer dessa aquisição um sucesso ainda maior do que o
esperado. Mas, ao invés disso, eu dirigi pelas ruas da avenida
principal em um carro velho, procurando qualquer vislumbre dos
cabelos loiros e brilhantes que tanto me encantaram. Talvez, esse
seja o meu lado mais stalker apitando descontroladamente.
Quem diria que eu estaria disposto a sair algumas horas mais
cedo apenas pela possibilidade de encontrar uma mulher que pode
ou não retribuir o meu interesse?
Mais do que isso, quem diria que eu me sentiria com vontade
de impressionar uma pessoa que eu mal conheço, realmente me
esforçando para que ela gostasse de mim?
Olho de relance para Luana, embaixo de várias e várias
camadas de roupas de frio desconexas entre si, óculos grandes e o
cabelo preso num coque bagunçado, e acho que ela está ainda
mais linda, se isso pode ser possível. Eu não sou um homem que
elogia, mas no momento poderia, sim, fazer uma lista de adjetivos
para fazer jus aos seus sorrisos. Se isso não quer dizer alguma
coisa, eu não sei de mais nada nessa vida. Para quem está
acostumado a sair com modelos e mulheres extremamente fúteis, a
tal Luana é um desafio interessante, e a conversa flui facilmente
durante todo o caminho.
Ela, surpreendentemente, é bastante inteligente e tem
opinião formada sobre quase todos os assuntos que conversamos.
A última mulher com quem me encontrei, ontem, era completamente
fútil e no final me pediu uma bolsa de grife. Duvido muito que a
loirinha faça algo do tipo, e isso é bom. Apesar de ser um desafio,
certamente é mais emocionante na hora da conquista, e com o
ânimo e o ego nas alturas, vou em direção ao restaurante de
sempre. É pensando nisso que eu estaciono em um restaurante
conhecido, e a ajudo a descer do carro, observando cada uma de
suas nuances. A bunda dela está incrível na saia justa, por cima da
meia calça preta, e mal posso esperar para cravar meus dedos nela
hoje à noite e sentir sua carne, enquanto me afundo em seu corpo
quente e provavelmente macio.
— Bom, algum prato típico que você acha que eu deveria
escolher? — ela pergunta, e eu me forço a focar novamente no que
está acontecendo.
— A sopa de rabanetes com beterraba é muito boa. — digo,
dando de ombros, e ela aceita a minha sugestão, pedindo o prato de
entrada.

O jantar foi surpreendentemente interessante, por mais


babaca que eu possa parecer, e tenho plena consciência disso, a
maioria das mulheres com quem eu já conversei não é assim. Elas
eram totalmente submissas e interesseiras, presas fáceis, posso
dizer. Já Luana, parece viver em seu próprio mundo, e não está nem
um pouco atenta a todos os sinais de que a quero como minha
sobremesa.
— Eu sou completamente apaixonada por Lanuver, tudo é tão
bonito… — ela diz, parecendo sonhadora, antes de sairmos do
restaurante.
Entrego o vale para o manobrista, esperando a deixa perfeita
e mando a cantada certeira, para ver o que ela vai responder:
— Não mais bonita do que você. — respondo, colocando
uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.
— Você não pode falar uma coisa assim do nada… — suas
bochechas adotam uma cor rosada incrível, e é nesse momento que
eu parto para cima, não teria como ser diferente, já esperei tempo
demais.
Colo seus lábios nos meus, de uma forma dura e exigente.
Se ela não tiver esse tipo de interesse precisa dizer agora, mas
como ela não faz isso, pelo contrário, me puxa para mais perto,
colando seu corpo no meu, tomo isso como um passe livre e caio
matando. Não sou feito para perder tempo, não estou aqui para
passeio e, definitivamente, eu quero essa mulher.
Minha mão vai para os seus cabelos, puxando-a de forma
firme, e quando estou fazendo avanços incríveis em direção à sua
bunda redonda, escutamos uma tossezinha do manobrista, que já
voltou em tempo recorde e trouxe o carro para a gente:
— Tenha uma boa noite, senhor. — ele diz com as bochechas
extremamente vermelhas, e um sorrisinho envergonhado, Luana
entra no carro sem esperar que eu lhe abra a porta, como o
cavalheiro que eu, ao menos, deveria ser.
Nos segundos em que eu dou a volta para entrar no lado do
motorista, vejo-a balançar a cabeça algumas vezes, murmurando
algo ininteligível. É o seu dia de sorte, gatinha, pode apostar.
Quando entro no carro novamente, ansioso para continuar de onde
paramos, ela me lança um balde enorme de água fria:
— Nossa… isso não deveria ter acontecido. Peço desculpas.
— sua voz é baixa e contida, mas as pernas pressionadas uma
contra a outra, e a sua respiração acelerada me dizem totalmente o
contrário.
— Bom, eu não peço. — respondo sucinto, e ajeito, sem a
menor cerimônia, o pau duro dentro da minha calça. Ela nota, mas
não fala mais nada.
Ficamos em silêncio por todo o caminho, cada um imerso em
seus próprios pensamentos. E, nos poucos quilômetros entre o
restaurante e o hotel, não deixo de me questionar o que há de
errado.
Ninguém nunca me rejeitou.
Será que ela não curtiu o beijo? Tenho certeza de que posso
fazer melhor do que isso…
Qual é? Tenho certeza de que posso fazê-la gozar apenas
com a minha língua.
Quando entro na garagem do hotel, estaciono na vaga mais
escondida e escura, geralmente destinada a mim, e me viro para a
gatinha acuada no banco do passageiro. Luana me olha sem graça
e antes de eu falar qualquer coisa, ela tenta se justificar.
— Você foi muito gentil hoje, obrigada pelo jantar. — sua voz
sai meio trêmula, e eu desafivelo os nossos cintos, antes de olhar
no fundo dos seus olhos do jeito mais sedutor que consigo.
— Nosso encontro ainda não acabou. — falo firme e avanço
em sua direção.
Devagar, espalmo a mão em sua coxa firme, notando que a
sua respiração se acelera, mas ela não me repele, o que é um ponto
positivo para a minha intenção. Luana suspira e abre lentamente a
boca, perdida em pensamentos.
— Não entendo… — ela murmura assim que subo um pouco
mais a mão, roçando levemente em sua virilha.
— O que você não entende, gatinha? — pergunto no seu
ouvido, antes de morder o lóbulo da sua orelha.
— Por que um homem como você quer algo com uma mulher
como eu? — ela pergunta, e eu não consigo segurar uma risada
baixa. Será que ela esteve jogando comigo o tempo todo e sabia
exatamente quem eu era? Não. Ninguém fingiria insegurança tão
bem assim.
E desde quando isso me atrai?
— O que quer dizer? — digo baixo, olhando em seus olhos.
Ela ofega, mas não tira os seus olhos dos meus, enquanto eu aperto
com força a sua coxa carnuda — Uma mulher inteligente?
Interessante? — pergunto e lhe dou um beijo no pescoço, fazendo-a
arrepiar — Uma mulher deliciosa? Linda? — meus dedos roçam em
cima da sua lingerie e ela prende a respiração, completamente
chocada. — Acho que você não se enxerga direito, Luana.
— Acho que o senhor está enganado, eu não sou tudo isso…
— ela diz, mas joga a cabeça para trás quando começo a fazer
movimentos lentos e circulares em seu ponto mais sensível.
— Acho que você deveria parar de pensar em coisas
absurdas e curtir o momento. — digo, e no segundo seguinte ataco
os seus lábios de uma forma afoita e completamente rendida.
Os lábios mais doces que eu já provei em toda a minha vida.
Será que seu gosto será tão bom quanto o seu beijo?
Ok. Eu estou sonhando.
Não, melhor do que isso, eu estou sonhando com algum livro
hot que eu li, e agora estou vivendo tudo o que acabei de ler, no
meu subconsciente, enquanto eu sonho. É isso, só existe essa
explicação para estar quase derretendo nas mãos de um homem
completamente desconhecido, enquanto ele me toca por cima da
meia calça, e, obviamente, da minha calcinha. De algodão com
estampa de flores. Furadinha na lateral.
Abro os olhos e pisco algumas vezes, enquanto a sua boca
me ataca com tanta vontade que me faz perder o ar. Eu não teria
tanta criatividade para sonhar com alguém tão bonito quanto ele,
com certeza, daria a ele um rosto conhecido, como do Chris Evans,
ou alguém assim, completamente inatingível. Mas ao contrário do
meu crush imaginável, o homem que ataca com vontade o meu
corpo, completamente entregue a ele, tem os cabelos pretos, é
musculoso e passa uma aura de homem safado e cafajeste.
O tipo de quase 100% das mulheres, devo dizer.
Os casacos de frio agora me parecem uma piada de mal
gosto, porque eu estou praticamente pegando fogo com esse
homem me atacando desse jeito. Quando faço menção de tirar o
sobretudo pesado, ele toma isso como um passe livre, de que eu
estou completamente dentro do seu jogo, o que não deixa de ser
uma verdade absoluta, e abre um sorrisinho faceiro, antes de me
ajudar a me livrar do máximo de peças pesadas possíveis, jogando-
as pelo chão do carro de qualquer jeito.
Sendo um sonho ou algo de verdade, me sinto na obrigação
de aproveitar sem pensar muito nas consequências. Eu nunca fui
uma mulher imprudente, na realidade, eu nunca quebrei nenhuma
regra ou fiz algo perigoso. Mas, tenho consciência de que nunca
mais algo assim vai acontecer comigo. Não com a boba e invisível
Luana. Por isso, deixo a imprudência ir além do inimaginável,
resolvo me livrar das amarras e me aventurar.
Minha língua mergulha em sua boca e eu descubro um gosto
muito melhor do que eu esperava. Anthony retribui na mesma
intensidade, e por mais ansioso e sedento que ele possa parecer,
seu toque é delicado e gentil.
O meu bom senso até lutou contra a vontade desesperada de
seguir com essa loucura, mas quando Anthony afasta o banco para
trás e me puxa para o seu colo, tenho certeza de que perdi a
batalha faz tempo. Sem pensar em mais nada, Anthony rasga a
minha meia calça, deixando-a em frangalhos, liberando espaço para
a ficção perfeita entre o seu jeans e a minha lingerie. É claro, que o
tecido grosso não é o suficiente para impedir que eu sinta o seu
instrumento protuberante, e assim que a sensação me invade, não
consigo fazer nada além de jogar o meu corpo para trás, quase
acionando a buzina.
Sinto suas mãos segurarem as minhas coxas com firmeza,
me mantendo ali, enquanto ele desce a boca para mordiscar os
meus seios, ainda por cima da blusa. Gemo baixo, um pouco
envergonhada, e sinto a sua mão esquerda emaranhar em meus
cabelos, me puxando para si novamente.
Bom senso, decoro e até mesmo prudência foram qualidades
que eu joguei pela janela com o carro em movimento, no momento
em que aceitei o convite para jantar com esse pedaço de mal
caminho.
Anthony tem um olhar predador, e ainda ofegante pelo beijo
de segundos antes, percebo as suas intenções quando ele avança a
mão que está em minha coxa em direção ao meu centro, afasta a
calcinha e me toca de um jeito completamente impróprio, e
extremamente gostoso.
Meu pai eterno, que homem é esse?
Rebolo em seus dedos, enquanto sua boca está em todos os
lugares, me deixando completamente louca de tesão.
Tombo a cabeça para trás e deixo escapar um gemido
quando Anthony desce a boca pelo meu pescoço, deixando um
rastro de beijos, mordisca novamente meu mamilo por cima da
blusa, acertando em cheio e levando sensações deliciosas para o
meu centro sedento por ele.
Subo com as mãos pelos seus braços, tonta de desejo, e
afundo os dedos nos seus ombros, pressionando as unhas contra a
sua camisa. A esse ponto, eu só quero que ele avance ainda mais e
me complete por inteiro, como os personagens dos meus livros
fariam nesse momento. Ele não me decepciona, e se mostra tão
imerso nas sensações quanto eu, também soltando um suspiro,
subindo com a boca novamente, mordiscando o meu lábio inferior,
antes de voltar a me beijar.
Quando penso que não poderia ficar melhor, ele avança dois
dedos na minha entrada úmida, e eu arfo surpresa. Não tinha ideia
de que poderia ser tão bom assim, e como se soubesse exatamente
como me enlouquecer, Anthony volta a circular o polegar em meu
ponto mais sensível, arrancando um gemido alto do fundo da minha
alma.
Ele sorri satisfeito, de uma forma totalmente sacana e
provocante, antes de falar baixo, em um tom sério, dominador:
— Goza pra mim, gatinha. — e, como eu sou apenas uma
poça de sensações em seu colo, sendo tocada da forma mais
sensual e inimaginável que eu já estive em toda a minha vida,
obedeço. Me derreto em suas mãos ágeis, que não param enquanto
eu me contorço, perdendo o ar e me espatifando em um milhão de
pedaços.
Ainda de olhos fechados, tentando me recuperar de todas as
sensações vividas nessa loucura, escuto a sua voz rouca sussurrar
meu nome entre os meus lábios.
— Luana…
— Eu preciso ir. — murmuro, levantando o meu corpo,
disposta a sair do seu colo, mas Anthony segura a minha cintura e
me puxa de volta. Quem não arrisca, não petisca. Tento me
convencer.
— Ah, mas não vai mesmo. — ele diz, de uma forma tão
sensual que não posso fazer nada além de confirmar com a cabeça
algumas vezes, antes de parar de lutar. Certamente, essa é a maior
burrada de toda a minha vida, mas, foda-se. Literalmente.
Com a mão que estava na minha cintura, ele me puxa um
pouco para cima, e usando a outra, ele abre o zíper da calça e
abaixa a cueca, me deixando cara a cara com um membro ereto,
grande e surpreendentemente grosso. Mais do que eu poderia
esperar, e, com certeza, mais do que eu posso aguentar. Sinto os
seus dedos escorregarem pelo seu pau, estimulando-o, e com
apenas a glande ele fricciona na minha entrada, me estimulando
novamente, tornando a necessidade ainda maior, quando uma
corrente de desejo varre o meu corpo.
Solto um gemido alto, completamente despudorado, quando
ele me penetra de uma só vez. Encaixando nossos corpos, Anthony
me puxa em sua direção com a mão que estava na minha cintura,
tomando a minha boca na sua com tanta paixão que não posso
fazer mais nada além de me deixar levar.
Quem é essa mulher inconsequente e o que ela está
fazendo?
Esse é o meu último pensamento racional, antes de voltar a
beijá-lo, enquanto me movo sobre o seu quadril, dando tudo de mim.
A imprudência já havia sido feita e, para ser sincera, no
momento, eu não dou a mínima para isso, apenas me entrego ao
momento de prazer perdendo totalmente o controle. Anthony sobe
com uma das mãos pelas minhas costas e segura a minha nuca,
tornando o beijo e o contato com o seu corpo ainda maior. É mais do
que eu posso suportar, o contato, o tesão, a ficção, os movimentos,
a adrenalina. Tudo isso é um conjunto perigoso, e quando ele
segura meu cabelo em um aperto firme, ditando as regras, quase
desfaleço em seus braços.
Minha pele esfrega na sua e, apesar de estarmos quase
completamente vestidos, consigo sentir um prazer imenso. Talvez,
seja a adrenalina e o perigo do que estamos fazendo, mas nunca foi
tão intenso assim. Ah! A quem eu quero enganar? Nunca tive nada
parecido com essa experiência louca e ao mesmo tempo deliciosa.
Anthony me mantém colada ao seu corpo o tempo inteiro, e
por mais difícil que seja rebolar dessa forma, sem muita liberdade
para movimentos, também aumenta o contato e a fricção, me
levando ao delírio. Pouco a pouco, a tensão dentro de mim vai
aumentando, até que ela explode, mergulhando o meu corpo em
uma onda intensa de prazer que me deixa ainda mais sem fôlego.
Tombo em cima dele e encosto a cabeça no banco, ofegando
enquanto tento me recuperar. Ele mantém os movimentos firmes,
até encontrar a sua própria libertação em meu corpo, e morde meu
ombro quando chega ao seu próprio clímax, me marcando e
fazendo minhas paredes internas apertarem-no ainda mais. Junto
com a respiração, pouco a pouco vou tomando consciência do meu
ato.
— O que eu fiz? — Arregalo os olhos, colocando a mão na
boca, completamente chocada com a minha irresponsabilidade e
loucura. — Desculpa, isso, definitivamente, não deveria ter
acontecido. Essa não sou eu.
Tento sair de cima dele e acabo batendo a cabeça no teto do
carro, além de machucar a perna no freio de mão.
—Está tudo bem, gatinha… vem cá. — ele diz, parecendo
meio atordoado, mas eu balanço a cabeça várias vezes em
negativa, com os olhos arregalados.
— Não está nada bem. E, eu preciso ir. — Abro a porta do
carro e praticamente caio na rua, completamente estabanada. Pego
meu casaco, bolsa e o resto da dignidade que me resta e saio
cambaleando em direção ao elevador, muito ciente de que se ele
quiser, consegue me alcançar.
O vento frio da noite golpeia as minhas pernas com a meia
rasgada, e sinto a humilhação me atingir com tudo.
— Luana! — ele grita alto, com a porta do motorista aberta,
parecendo bravo e revoltado, mas apenas aceno correndo para ele,
antes de gritar de volta:
— Obrigada... pelos… bom, … por tudo! — O elevador chega
e eu aperto incessantemente o botão para fechar a porta, e assim
que ela se fecha, solto um suspiro baixo, completamente chocada
com a minha atitude. Sinto a região entre as minhas pernas bem
molhada, e a meia calça, completamente arruinada, me dá um bom
vislumbre de como eu devo estar horrenda.
Preciso de um banho! Urgente! Espero que assim consiga
apagar a loucura que eu acabei de fazer.
Bem cinderela da minha parte, eu sei. Minhas personagens
se envergonhariam de mim nesse momento.
Obrigada por tudo? Que porra é essa?
Ainda tento processar que merda é essa que acabou de
acontecer, mas em minha cabeça gira em um loop eterno dos seus
gemidos altos, quando estava se entregando totalmente a mim, e
logo em seguida, pedindo desculpas e fugindo, como uma gatinha
assustada. Definitivamente, não era isso que eu estava esperando,
e não dá pra fingir que não estou decepcionado, porque eu estou.
Pra caralho.
Não achei que seria apenas uma rapidinha no carro, e, sim,
que eu me afogaria em seu corpo a noite inteira, até ficar
completamente saciado e pronto pra próxima. Mas, agora, toda vez
que fecho os olhos lembro do seu corpo macio e inexperiente, de
como afundei os dedos em sua carne macia e fiz da loirinha o que
eu quis, porque ela se submeteu a mim de todas as formas
possíveis. Pelo menos durante aqueles malditos quinze minutos em
que estivemos juntos.
Tento dormir, rolando de um lado para o outro da cama, mas
quando percebo que são apenas dez da noite, sei que não vou
conseguir sossegar. Eu preciso extravasar de alguma forma, e se
não foi com a tal Luana, será com qualquer outra pessoa.
Pego meu telefone, já ligando para quem eu sei que vai estar
a minha disposição e me visto para a noite.
Ninguém me faz de otário, se ela não quis, tem quem queira.
— Tá fazendo o quê, seu puto? — pergunto para Ian, que
atende na quinta chamada.
— Comemorando. Achei que você estaria fazendo o mesmo.
Aconteceu alguma coisa? — ele grita por cima da música alta, e eu
termino de me vestir, antes de pegar a carteira e sair do meu quarto.
— Me manda a localização. — falo, desligando o telefone.
Em pouco tempo recebo uma mensagem com o nome da boate, e
peço para Carter me levar.
O segurança e motorista, precisa trabalhar de vez em
quando.
O caminho é rápido, e quando vejo a balada cheia de gente,
resolvo tacar o foda-se pra tudo. Hoje eu mereço comemorar essa
aquisição tão esperada dos hotéis do grupo Lombardi, e não vai ser
a loirinha tímida e sem graça que vai me fazer mudar de ideia.
Se ela ao menos tivesse ficado…
— Cara, você tá louco. Só pode. — Ian grita ao meu lado,
tentando tirar a garrafa de whisky da minha mão, mas apesar de
estar um pouco mais bêbado do que o comum, consigo mantê-la
comigo. Ao contrário daquela loirinha fujona.
— Cuida da sua vida, otário. — respondo, enrolando as
palavras, enquanto me jogo com tudo no sofázinho do camarote,
olhando para as modelos que o filho da puta do meu sócio e melhor
amigo chamou para a nossa comemoração.
Já saí algumas vezes com a Francesca, e pelo jeito que ela
está me olhando, tenho certeza de que se eu avançasse sobre ela,
seria um alvo fácil. Ela é interessante, ótima na cama e não fala
muito, o que é muito mais do que eu já poderia pedir, a esse ponto.
Mas, por algum motivo, seus cabelos platinados não me parecem
muito atrativos hoje, e seu vestido vermelho, extremamente vulgar,
não me deixa nem um pouco excitado.
— Você já foi mais ativo, — ele brinca comigo, e eu reviro os
olhos — vai me dizer que alguém te amarrou pelas bolas?
A fala me perturba, porque só vêm em minha mente os olhos
amendoados da loirinha, mas balanço a cabeça em negativa e abro
um sorriso zombeteiro, antes de confrontá-lo:
— Não estou te vendo com ninguém, seu babaca. Além do
mais, não preciso ficar com alguém todas as vezes em que eu saio.
— respondo, virando na boca mais um gole de whisky direto da
garrafa.
— Eu já comi a Dafne no banheiro, e agora estou esperando
que ela volte pra pista, — ele cruza os braços satisfeito e completa:
— achei que estaria mais feliz. Há algo errado?
— Errado é você estar enchendo a porra do meu saco,
enquanto tem uma garrada de Whisky e uma boceta a disposição.
— respondo e me levando, indo em direção à modelo que dança
sensualmente na minha frente.
O babaca tem razão, é claro que eu deveria estar
aproveitando e comemorando, mas por algum motivo irritante, a tal
Luana não sai da minha cabeça. E, é por isso que eu sou obrigado a
tirá-la do meu sistema na marra. A vida funciona assim.
Francesca me recebe bem, e começa a dançar rebolando no
meu pau que, em qualquer outra situação, já estaria a ponto de
bala. Mas, curiosamente, não parece nem um pouco interessado na
exuberante mulher à minha frente. Ela parece decepcionada, mas
não desiste, e em poucos segundos estou sendo atacado pelos
seus lábios pintados de vermelho, ansiosos para me dar tudo o que
eu pedir.
Sou empurrado para uma parece lateral do camarote, de
onde conseguimos ver a pista de dança na parte debaixo ferver de
pessoas dançando energicamente, e quando ela começa a apalpar
meu membro, percebo que essa é a maior perda de tempo.
— O que aconteceu, meu amor? Você não parece tão
animado por hoje. Muita tensão? — ela diz com o seu sotaque
italiano, e eu dou de ombros, sem me dar ao trabalho de responder.
A mulher, então, posiciona a minha mão em sua entrada, por
baixo do vestido justo, praticamente implorando por atenção.
Geralmente, eu sou um cara que pega o que quer, e não se
preocupa muito em agradar à vagabunda da vez, mas como,
aparentemente, eu não estou nem um pouco a fim de ir para os
finalmentes, uma vez que meu pau se recusa a dar o ar da graça,
resolvo ser generoso e dar o que ela quer. Talvez assim, ela vá
embora satisfeita e não conte para todas as pessoas que me
conhecem que eu sou broxa.
Caralho, eu sou broxa. Tô muito bêbado.
Dedilho sua entrada de qualquer jeito, e ela praticamente se
derrete em minha mão nos primeiros minutos, me poupando de um
trabalho penoso, principalmente para quem não está a fim de fazer
nada com ela, e nem com ninguém. Sua exibição me deixa um
pouco desconfortável, e enquanto ela geme alto ao chegar no
clímax, chamando atenção das pessoas ao nosso redor, percebo a
merda que eu estou fazendo.
— Acho que já chega pra você. — digo, tentando não
embolar as palavras, e ela parece magoada.
— Mas… eu achei que estávamos só começando. — ela
comenta baixo.
— Isso não deveria ter acontecido. — falo sucinto, pego o
resto da garrafa de whisky esquecida na mesa, jogo algumas notas
de cem sobre o balcão do caixa, e cambaleando, volto em direção
ao hotel com uma sensação incômoda.
Eu nunca passei por nada parecido em toda a minha vida.
Sou considerado um homem viril, até mesmo insaciável.
Por que caralhos eu não subi hoje? O que a loirinha fez
comigo?
No caminho para casa, ainda bêbado como um gambá, tomo
como verdade absoluta: essa mulher será minha. Vou me saciar até
tirá-la totalmente do meu sistema e eu voltar a ser o homem que eu
sempre fui, sem sentimentos.
Ok, sem desespero.
Você fez sexo casual.
Dentro de um carro.
No estacionamento de um hotel.
Com um cara que você viu apenas uma vez na vida.
Tudo normal… tudo tranquilo… favorável. Foi bom, sensual,
quente e eu gozei, então, até aí, mara.
Tento me acalmar para que não faça nenhuma cagada,
pegue as minhas malas e resolva ir embora para minha casa, ficar
neurótica debaixo do meu edredom confortável e seguro.
Fiz o que a maioria dos homens faria em meu lugar. Que se
dane! Fiz o que a maioria das mulheres também faria. Claro que é
do meu feitio ficar pensando em todas as consequências horríveis
que podem vir à cada decisão que eu tomo, e por mais que transar
assim seja comum para uma leva de pessoas, pra mim não é. Eu
não sou alguém que se deixa levar pelas emoções e simplesmente
vive a vida com um sorriso no rosto, sem pensar nas
consequências. Eu sou virginiana, Deus do céu! Tudo precisa ser e
estar organizado, se não, eu provavelmente vou surtar. Mas, sem
desespero, passou. É isso. Nunca mais vou ver o cara, e fica a
experiência de como ter orgasmos múltiplos dentro de um carro,
durante uma rapidinha, para colocar em todos os meus livros daqui
pra frente.
Chega de me sentir mal comigo mesma e bola pra frente.
Foi apenas uma pesquisa de campo.
Fim.

Os meus sonhos foram eróticos, sensuais e quentes. As


mãos grandes e habilidosas do tal Anthony não saíram da minha
cabeça em momento nenhum, e apesar de precisar muito,
desesperadamente, tirá-lo do meu sistema para voltar a viver a
minha vidinha pacata e sem muitas emoções, me vejo como uma
pessoa completamente obcecada, procurando-o por todos os cantos
durante o café da manhã.
Resolvo enrolar tanto por ali, que atraio olhares dos
hóspedes e funcionários, e quanto troco mensagens com a minha
melhor amiga, Giulia, contando tudo sobre os momentos quentes da
noite passada, sou abordada por uma funcionária:
— A senhorita precisa de mais alguma coisa? — a
recepcionista de ontem pergunta, me tirando dos meus devaneios, e
balanço a cabeça em negativa algumas vezes.
— Está tudo ótimo, obrigada, — que vergonha! Com certeza,
demorei mais do que o tempo recomendado para o café da manhã e
ela está me mandando embora — já estou de saída.
A mulher bonita e elegante confirma algumas vezes com a
cabeça, antes de me entregar uma folha impressa com um itinerário
para turistas.
— Estamos com esses passeios programados para hoje.
Saindo em meia hora. — estreito meus olhos desconfiada, e ela
exibe uma expressão blasé que não consigo decifrar.
Quando visitei Orlando, me lembro de ter recebido várias
sugestões de itinerários do hotel, e por mais estranho que isso
possa parecer, não é algo impossível. Uma visita para os jardins de
algum Conde almofadinha, com carro particular era realmente bom
demais para ser verdade, mas o bom e velho passeio de van para o
museu mais famoso da cidade não pode ser algo tão absurdo
assim.
Porém, fico em alerta, pois já dizia o ditado: quando a esmola
é demais, o santo desconfia.
Ainda assim, recusar as entradas gratuitas e transporte
incluso, para o melhor museu da cidade, seria burrice.
— Como você se chama? — pergunto, e ela adota um tom
rosado nas bochechas antes de me responder:
— Stephanie, senhora.
— O que está nas entrelinhas? Quanto vai ficar a mais na
minha diária? — falo direta, e ela balança a cabeça, antes de
responder:
— Cortesia do hotel, os hóspedes saem em vinte e cinto
minutos.
Eu deveria gravar essa fala para que na hora do checkout eu
comprove que não gastei horrores porque quis, mas como o museu
estava na minha lista de lugares para conhecer, e eu já gastaria com
o transporte até lá de toda a forma, resolvo aceitar.
Eu realmente já havia reservado no meu roteiro de viagens
um dia inteiro para ir neste museu e apreciar todas as obras com
calma. Não é todo dia que você fica cara a cara com obras de arte
do período mesopotâmio. Faço algumas anotações mentalmente,
colocando os prós e os contras de aceitar o tal passeio, mas no fim,
não vejo motivos para não arriscar. No máximo, serei sequestrada, e
vão pedir um resgate para a minha família, e talvez seja o meu lado
dramático de escritora berrando em meus ouvidos algo do tipo, mas
pensando nisso, posso desistir a qualquer momento se vir que serei
a única no passeio.
— Tudo bem, vou subir para me arrumar e desço para pegar
o ônibus. — respondo, e ela confirma com um sorriso no rosto.
— Ótimo. Vou colocar o seu nome na lista.
Parecendo extremamente satisfeita com o seu serviço, a tal
Stephanie sai do restaurante e volta para a sua recepção, sem
oferecer o programa para os outros hóspedes ao meu redor.
Ou eu estou muito aérea e era a última do restaurante, ou eu
sou a única pessoa com cara de trouxa por aqui. E, nenhuma das
opções é nada animadora.
Vinte e cinco minutos depois, percebo que sou a única
esperando a porcaria da van, e quando estou quase desistindo, com
medo do sequestro, sinto uma mão quente na base da minha
coluna, e o arrepio sobe pela minha espinha.
O cheiro amadeirado denuncia quem é o dono da mão que
me causa arrepios, mas espero ele ser o primeiro a tomar alguma
atitude, não confiando muito em minhas próprias palavras.
— Você também vai participar do tour, gatinha? — a voz
rouca e sensual de Anthony soa em meus ouvidos, e eu quase me
desmancho ali. Seu apelido fofo para mim me deixa completamente
fora dos eixos.
— Na verdade, eu estava pensando em trocar o passeio de
hoje pelo city tour em frente ao castelo real… — falo um pouco
reticente, mas não consigo me afastar. Seu corpo é praticamente
um ímã para o meu.
É nesse momento que o motorista da van abre a porta, e nos
chama para entrar. Meus pés têm outros planos, mas Anthony
segura firme a minha mão, me puxando para dentro sem pedir
nenhuma autorização. Eu o sigo, porque, a quem eu quero
enganar? Vou aonde esse homem estiver, apenas pelo fato de que
eu nunca me senti tão atraída por alguém em toda a minha vida.
O seu perfume é enlouquecedor, e ainda inebriada, deixo-o
me levar pelos assentos pegando os bancos do fundo, sem trocar
nenhuma palavra. Evito o seu olhar, porque não sei bem como me
comportar nesse momento, mas, assim que a porta se fecha, ele
vira em minha direção.
Estou vivendo dentro de um dos meus romances e posso
provar.
— Hoje você não vai fugir, gatinha. — seu tom de voz é
predatório, e quando ele beija meu pescoço, me obrigando a olhar
em seus olhos com uma mão em meu queixo, esqueço o porquê de
estar relutante à essa altura do campeonato.
— Você sabia que eu ia participar desse passeio? —
pergunto baixo, com os olhos estreitos.
Sim, é esse tipo de coisa que eu falo quando estou nervosa.
Não, eu não me orgulho nem um pouco da minha linha de
raciocínio.
— Não, mas contei com a sorte. — ele responde, colando a
sua boca na minha.
O beijo é completamente diferente dos outros. Anthony
parece ter uma fome muito maior do que todas as outras vezes em
que nos beijamos, e é tão sensual que sinto que vou entrar em
combustão por completo, apenas com o toque dos seus lábios.
— Você não pode me atacar desse jeito! — reclamo, assim
que nossas bocas se separam, e ele abre um sorriso muito sacana
antes de me responder:
— Por quê?
— Porque eu não quero… — falo reticente, e ele levanta uma
sobrancelha.
— Não quer? Não é o que o seu corpo me diz. — como se
fosse para provar o seu ponto, ele passa os dedos sobre o meu
mamilo entumescido por baixo da blusa de lã — Nunca me senti tão
atraído por alguém como eu me sinto por você, Luana. Mas, se você
não quer, eu não vou te tocar mais, só quando você pedir,
obviamente. — seu tom de voz contém humor e eu reviro os olhos,
levando um beliscão fraco na bunda — Não seja malcriada.
— Eu não estou sendo malcriada, — respondo, cruzando os
braços — e achei que você não iria me tocar mais.
— Começando a partir de agora, então. — ele dá de ombros
e se acomoda melhor no banco, mantendo as pernas levemente
abertas e exibindo a sua ereção monstruosa por baixo da calça
preta de tecido. Procuro qualquer outro assunto possível para
preencher o silêncio constrangedor que existe entre nós dois, mas
não obtenho muito resultado. Por isso, falo a primeira coisa que me
vem à cabeça:
— Você sabe se demora para chegar nesse tal museu? —
pergunto, tentando ao máximo não olhar para a sua expressão
prepotente.
— Acho que chegaremos em uns dez minutos. Tempo
suficiente para você me contar mais sobre você. — Anthony
realmente parece interessado, e como eu não sei bem como agir
depois de uma transa casual como a que eu tive ontem à noite,
resolvo fingir que nada aconteceu, e respondê-lo:
— O que quer saber?
— De onde vem a inspiração para escrever seus livros? —
pergunta com um sorriso nos lábios.
— Da imaginação… uma música, um filme, uma situação no
cotidiano. Tudo é material para a criação. — começo a respirar mais
aliviada quando vejo que estou velejando por águas conhecidas, até
tomar um banho de água fria.
— Então, tudo o que você escreve tem certa experiência? —
sei que ele está se referindo às partes hot do meu livro, mas
mantenho o queixo erguido para lhe dar a resposta padrão para
esse tipo de pergunta.
— Não. Como disse, vai muito da imaginação. — Tento
explicar da forma que posso, mas ele não me dá chance de
continuar o raciocínio:
— Eu peguei um livro seu para ler ontem à noite, gatinha, —
ele fala um pouco mais baixo, e sinto os pelinhos do meu braço se
arrepiarem — gostei.
Tá bom. Acredito, sim. Uhum.
— Apesar de ser feito para mulheres, agradeço o elogio. —
falo sem graça, e a van estaciona em frente ao museu, me dando
um respiro das suas perguntas intensas e cheias de segundas
intenções.
Eu posso estar me sentindo um pouco obcecado pela
envolvente e enlouquecedora Luana, mas, depois do desastre de
ontem, tenho para mim que tudo vai se resolver, assim que eu
conseguir me afundar em seu corpo macio sem que ela saia
correndo como uma gatinha assustada. Sem conseguir me
concentrar em nada do trabalho desde a hora que eu acordei, ignoro
completamente as ligações de Ian e seu grande plano para a
expansão da rede de hotéis pela Europa, e resolvo me dar um dia
de folga. Não me lembro da última vez que eu realmente fiz isso, e
por mais tempo que passe viajando e conhecendo lugares novos,
geralmente estou negociando pela empresa, ou pelo condado.
Nunca uma mulher fez com que eu sentisse vontade de deixar o
meu lado profissional de lado, e é por isso que, depois de dormir
duas horas e acordar lembrando do seu gemido baixo em meu
ouvido, resolvi pesquisar mais sobre a sua vida.
Eu preciso de uma noite com ela para que eu possa voltar a
ser eu mesmo novamente. Apesar de achar engraçada e divertida
essa falta de interesse momentânea no trabalho, isso não pode se
tornar normal. Até porque, eu sou um tubarão, faço aquisições no
café da manhã desde sempre. Não vai ser uma novinha brasileira
que vai me transformar em um calçolão. Me recuso.
Por isso, eu resolvo me armar com todas as munições
possíveis para conquistá-la. Se eu entro em uma batalha, com
absoluta certeza não tenho o intuito de perder.
Comecei pelo site de buscas, afinal, nada melhor do que as
redes sociais para mostrar quem a pessoa realmente é. Apesar de
saber que ela é uma escritora de romances, fiquei surpreso ao
saber que o seu conteúdo era um pouco mais sensual e erótico do
que ela demonstra ser.
Confesso que fiquei curioso para entender melhor a loirinha
assustada, e às três e meia da manhã, ainda meio bêbado, baixei
um dos seus livros. E lendo a história entre a secretária e o CEO, vi
meu pau ressuscitar dos mortos e ficar a ponto de bala ao lê-la
narrar um sexo incrível, que ela deveria ter comigo. Inevitável não
pensar na mulher deliciosa que estava gemendo mais cedo em meu
ouvido, dentro daquele carro apertado de quinta categoria.
A mulher me deixou louco. É isso.
Todas as vezes que fecho os meus olhos, consigo sentir seu
cheiro inebriante e o seu corpo macio e delicioso. Talvez, por ter
sido a primeira a ter me negado alguma coisa, ou até mesmo pelo
fato de a loirinha não saber quem eu realmente sou, eu estou me
sentindo tão atraído. Isso é o bastante para fazer com que eu tome
uma atitude.
Foi então que eu tive certeza: a rapidinha no carro não seria
o bastante. E, já que ela não iria ceder tão fácil, resolvi usar de
todas as artimanhas que tinha para guiá-la até o melhor lugar do
mundo: meu colchão.
É por isso que eu estou aqui, nessa van desconfortável,
esperando a gatinha descer para começar um tour pelo museu que
eu já visitei milhares de vezes, enquanto encontro uma brecha para
impressioná-la. Sei que por ser um ponto turístico extremamente
famoso, ela provavelmente não recusaria o passeio, assim como fez
ontem, com o city tour para o mausoléu em que eu cresci: a famosa
casa do Conde Watson.
Se eu preciso dar uma de guia turístico, e lhe apresentar
cada maldita obra de arte daquele museu, é isso que eu farei. Se
ela quiser entrar em cada fábrica de chocolates, e experimentar um
por um, eu estarei ao seu lado. Entrar em cada livraria, cafeteria, ou
o que quer que seja que faça o seu olho brilhar, eu farei para
conseguir o que eu quero. E eu quero a loirinha. Cada centímetro
delicioso do corpo dela.
Luana, aparentemente, não se deixa levar pelo dinheiro, ou
pela aparência, e como eu pude constatar quando o protagonista do
seu livro foi um babaca, ela provavelmente quer flores e chocolates.
Romantismo. E, por mais que eu seja péssimo nisso, resolvo
arriscar. Nada de perder o meu pau porque ele parou de funcionar
pensando apenas em uma mulher.
Eu me recuso a perder.
Quantas horas alguém consegue ficar no mesmo local sem
surtar?
Estou me fazendo essa pergunta há mais de duas horas, e
continuo contando. Não tenho nenhuma desculpa para isso, já que
foi minha escolha deixar o trabalho de lado e desligar o celular, com
o objetivo de focar em Luana, em conhecê-la. Mas, depois de
algumas horas um homem pode começar a se desesperar... ao
menos um pouco. E isso aconteceu mais ou menos uma hora atrás.
Enquanto ela observa um quadro antigo há mais de vinte
minutos, fico obcecado nas nuances que a luz do ambiente cria em
seus fios de cabelo. Nem disfarço quando paro ao seu lado,
encarando as mechas loiras caramelo que caem lisas e cheirosas,
cobrindo o seu rosto bonito. Luana parece ter aceitado que eu não
sou de desistir fácil, por isso, parou de tentar ficar fugindo de mim, e
agora mudou de estratégia e está tentando me ganhar pelo
cansaço. Fiquei meses e meses negociando no trabalho com um
cara insuportável que só queria puxar o meu tapete, não vai ser
essa mulherzinha que vai me fazer desistir com meia hora a mais
observando um quadro horroroso.
Eu sei o que eu quero, e no momento, eu quero Luana
gemendo no meu ouvido enquanto eu a como feito louco.
— O que eu preciso fazer para você ser minha mais uma
vez? — sussurro em seu ouvido, como se fosse algo
completamente casual e ela fica corada de uma forma inocente que
se conecta diretamente com a minha virilha.
— Acho que essa não é uma conversa apropriada para esse
ambiente, Anthony. — seu sotaque falando o meu nome é uma
tentação, mas mantenho a minha palavra de não a tocar, até ela me
dar permissão. Ou implorar, o que vier primeiro.
Por isso, enquanto ela observa todas as obras de arte do
museu, resolvo provocá-la. É uma tarefa difícil, tanto para mim,
quanto para ela, que não é totalmente imune ao meu charme, mas,
no fim, tenho quase certeza de que estou ganhando.
— Quer jantar comigo? — pergunto quando estamos
caminhando para a saída do museu. Luana abre um sorriso, antes
de cruzar os braços e negar com a cabeça.
— Obrigada, tenho planos. — ela responde, e eu preciso
muito controlar a onda inesperada de ciúmes que me atinge.
É claro que ela não tem mais ninguém, não pode ter dado
tempo de algum urubu partir para cima da minha gatinha. Apesar de
que ontem à noite eu mesmo fui atacado por uma modelo sem
noção… então, para ser justo, tudo pode ter acontecido. E, é claro,
ela não me deve nenhuma satisfação. Respiro três vezes, até
conseguir controlar o meu temperamento e a minha possessividade,
e a ajudo a subir novamente na van, tentando ignorar o monstrinho
que inevitavelmente vence:
— Posso estar incluso nos seus planos, ou você tem
companhia? — pergunto direto, já me arrependendo,
imediatamente.
— Não preciso de ninguém para ser completa, Anthony. Não
tenho outra pessoa, só não quero jantar com você hoje… — ela
parece estar em uma luta interna, e aguardo em silêncio até Luana
conseguir colocar para fora todos os seus pensamentos e
convicções — Eu não sou esse tipo de mulher que você pode estar
acostumado. Eu nunca fiz sexo casual… Eu nem sei com o que
você trabalha direito, ou absolutamente nada da sua vida, além das
coisas extremamente superficiais que você contou no último jantar.
Não é do meu feitio, espero que entenda. — seus olhos estão
marejados e ela parece ter dificuldade em me falar tudo isso, mas
apenas nego com a cabeça duas vezes, e antes que eu possa falar
qualquer coisa que possa fazê-la mudar de ideia, Luana completa:
— Você pode ter a mulher que quiser, é um homem extremamente
bonito e sedutor. Só não brinca comigo, porque eu não sou do tipo
desapegada.
Fico em silêncio por alguns segundos, tentando entender o
que eu preciso fazer, mais do que isso, tentando digerir todas as
suas palavras. Ela é completamente diferente de todas as outras
mulheres com quem eu já me envolvi, isso é um fato. No fundo, é
isso que a torna interessante e especial.
E eu só posso ter perdido a cabeça.
— Então, acho que está na hora de nos conhecermos melhor,
não é? Não quero me envolver com qualquer uma, na realidade,
poderia, se eu quisesse. — ela comprime a boca e franze o cenho,
sem entender aonde eu quero chegar — O que eu quero dizer é que
eu me encantei por você, Luana. Não precisamos nos envolver
apenas fisicamente, se é isso que te incomoda, apesar de ter sido
incrível. — digo abrindo um sorriso sacana, e as suas bochechas
ficam no tom rosado que eu aprendi a gostar tanto — Já disse que
só vou te tocar quando você pedir, mas me contento com a sua
companhia. — respondo, pouco antes de chegarmos no hotel, e
sentindo a sua hesitação, toco levemente a sua mão — Você topa?
Exultante é pouco para descrever como me sinto no
momento. Que merda está acontecendo comigo?
Eu posso dizer que tentei resistir, mas chega um ponto que
não dá para ser forte o tempo inteiro. Como não falar sim ao sorriso
perfeito e ao sotaque arrastado falando que me quer? Eu teria de
que estar morta para me manter firme e não ceder!
— Sem gracinhas? — pergunto, e ele confirma com a
cabeça, parecendo animado.
— Sem gracinhas, apenas um jantar… — Anthony responde,
assim que entramos novamente no saguão do hotel — mas, vista
uma roupa formal, porque vamos jantar em um lugar que você
precisa conhecer antes de ir embora de Lanuver.
Levanto uma sobrancelha, abrindo um sorriso amplo antes de
responder:
— Você está querendo me impressionar, é isso? — pergunto,
e ele confirma com a cabeça, com um olhar obstinado.
— Espero conseguir. — segurando a minha mão, ele a beija
sedutoramente, antes de seguir seu caminho até o bar do hotel.
Balanço a cabeça duas vezes, tentando entender o que
realmente está acontecendo aqui, e vou em direção ao elevador.
Que merda! Eu nem trouxe uma roupa formal, vou precisar
improvisar.
Minha aversão aos vestidos de noiva, infelizmente, se
estendeu à moda em geral e, quando não estou sendo ridiculamente
básica, misturo todas as cores possíveis, torcendo para que o
excêntrico seja agradável. Sempre foi a minha forma de rebeldia
contra a família, mas agora me arrependo de não ter tido nenhum
senso na hora em que arrumei a minha mala.
O que eu faço quando o único vestido que eu trouxe é laranja
e diurno?
Sem desespero, você pode simplesmente não ir.
Ok! Essa não é uma opção, não seja uma covarde.
— Olá, eu gostaria de saber se existe alguma loja dentro do
hotel, ou próximo, para que eu possa comprar um vestido de última
hora. — ligo para a recepção do hotel, com uma voz provavelmente
desesperada.
— Senhora, as nossas lojas fecham às dezoito horas. Para
amanhã, com certeza, conseguimos te ajudar. — a recepcionista
responde, e confiro no relógio, percebendo que por quinze minutos
eu não consegui pegar essa maldita loja aberta.
— Tudo bem, sem problemas. Sem pânico. Vou dar um jeito.
— respondo, antes de desligar.
É isso. Tô fudida.
Resolvo tomar banho, repassando em minha cabeça todas as
possíveis opções de roupa que tenho em minha mala. Tudo parece
terrível, mas separo uma saia grafite com uma blusa preta sem
graça. É o que temos pra hoje. Me maquio e quando começo a
secar o cabelo, apenas de calcinha, sutiã e meia calça sete oitavos,
escuto a campainha do quarto tocar três vezes.
— Não pedi serviço de quarto, obrigada. — grito, sem me dar
ao trabalho de ir até a porta responder, e escuto a voz rouca e
potente de Anthony do outro lado da porta.
— Sem pânico, eu não vou te atacar. — solto uma risadinha
e, vou até o olho mágico, e vejo que ele está carregando uma
grande caixa branca — Só vou deixar aqui um presente, mostrando
a minha boa-fé, e vou embora.
Ele coloca a caixa no tapete da porta do meu quarto e sai
caminhando a passos largos, sem me dar a chance de questioná-lo.
Que merda é essa?
Abro a porta lentamente, sem me dar ao trabalho de me
cobrir, e pego a caixa, mas assim que levanto o olhar, percebo que
ele ainda não havia saído completamente do meu campo de visão.
Vejo-o murmurar algo parecido com “linda”, antes de entrar
no elevador e subir para onde quer que seja o seu quarto.
Será que eu devo me preocupar? O homem é um trator,
passa por cima de tudo e todos para conseguir o que quer. Mas, em
compensação, ele manteve a sua palavra e está me respeitando, o
que é mais do que a maioria dos homens brasileiros tem feito.
Abro a caixa desconfiada e encontro um vestido cor de uva,
justo, de manga comprida e sem nenhum detalhe além de um
decote baixo e quadrado. Um vestido perfeito, clássico, sério, e ao
mesmo tempo a minha cara. Fico boquiaberta por alguns segundos,
sem entender como ele descobriu o meu tamanho, ou como ele
sabia que eu não tinha uma roupa para hoje, então vejo um cartão
na lateral da caixa, escrito à mão.

"Você me pareceu aflita quando eu mencionei a roupa formal.


Acho que esse vestido combina com você, e fica como um
presente por ter sido intransigente ontem.
Te espero ansioso,
Anthony."

Ok! Se eu já não estivesse completamente derretida por ele,


agora seria a hora de assumir que o homem mexe comigo.
Experimento o vestido que cai como uma luva, e me pergunto
como ele sabia o meu número apenas pelo olhar. Quando está
chegando a hora combinada, começo a sentir um frio na barriga
completamente incômodo e sem procedência. Eu sou uma pessoa
normal, é claro que iria me sentir um pouco ansiosa, mas é
exatamente por ser uma pessoa normal que eu começo a me
desesperar. Esse interesse dele por alguém como eu não é normal.
O que esse homem quer de mim? Na realidade, o que esse
homem viu em mim, meu Deus?
É com esse questionamento que retoco o meu batom rosa
claro e desço o elevador, muito consciente de que, provavelmente,
essa vai ser a viagem mais louca da minha vida. As portas se abrem
e posso sentir seu olhar em mim enquanto caminho em sua direção.
Em um terno preto de corte perfeito, Anthony parece mais
lindo do que nunca, e a minha saia grafite com a blusa de gola alta
preta agora me parecem uma grande piada de mal gosto.
— Você está lindo. — não consigo frear as palavras, e ele
abre um sorriso.
— Você é linda. — ele responde, colocando uma mão na
base da minha coluna, antes de continuar — Mas, o vestido lhe caiu
bem.
— Obrigada. — respondo um pouco sem graça, antes de dar
uma voltinha exibindo a peça nova. — Aonde vamos?
— Sabia que o ballet de Lanuver é um dos melhores do
mundo? — ele pergunta me guiando até o carro, onde o manobrista
já nos espera.
— Ouvi dizer, mas estava esgotado há meses e não consegui
ingressos. — sondo, estreitando os olhos, e ele esboça um sorriso
misterioso, antes de realmente sorrir para mim.
— Às vezes, é bom ter contatos. — essa é a única resposta
que eu recebo, e, momentaneamente conformada, abro um sorriso
amarelo, antes de deslizar para o banco do carona, ansiosa para o
espetáculo.
O teatro é elegante e requintado, com lustres enormes e
poltronas chiquérrimas. Anthony, como prometeu, foi respeitoso e
não tocou em mim uma vez sequer durante o caminho. Mas suas
palavras me provocaram, e apesar de ter entendido o seu jogo, sei
também como as coisas funcionam por aqui. Eu ditei as regras e se
eu não quiser, não vai rolar.
O espetáculo de ballet é perfeito e emocionante.
Mal pisco, absorvendo a complexidade da música e dos
passos, encantada com todos os bailarinos e a dança. Anthony
parece achar graça do meu deslumbramento, mas ignoro todas as
suas tentativas de conversa, completamente imersa na beleza do
que estamos vendo, de um camarote extremamente privilegiado,
diga-se de passagem.
Quando questionei como ele havia conseguido lugares tão
bons, Anthony apenas respondeu que tem um amigo Conde, e que
aquele era um camarote herdado por eras, e uma grande ladainha
na qual eu me perdi, principalmente, quando ele começou a falar
sobre todos os títulos da nobreza do país. Não que a monarquia não
seja interessante, o rei William é um colírio para os olhos de todas
as pessoas em sã consciência. Mas, saber de todas as estruturas e
hierarquias parece um pouco chato, pra mim.
O jantar é servido no intervalo da peça, a conversa flui fácil e
antes que eu perceba, os pratos são recolhidos, e o segundo ato
começa.
O espetáculo da peça Romeu e Julieta acaba, emocionada e
com lágrimas nos olhos, aplaudo de pé, obrigando-o a juntar-se a
mim de forma muito mais contida. Tenho plena ciência de que estou
quebrando milhares de regras de etiqueta no momento, porque
todos permanecem contidos em seus acentos, aplaudindo
delicadamente.
— Tenho licença poética por ser Brasileira. — dou de ombros,
me sentando novamente, abrindo um sorriso amplo para o homem
bonito ao meu lado.
— Eles, com certeza, se sentiram lisonjeados.
— Espero que sim, porque merecem. — completo, segurando
a sua mão por cima da mesa — Que espetáculo incrível, estou
apaixonada!
— Disse que não seria de todo ruim sair comigo. — ele
responde, com um sorriso misterioso, e antes que eu possa
responder, as luzes se acendem e todos começam a sair.
Estar de mãos dadas com um homem como esse ao meu
lado parece completamente surreal para mim, mas mantenho a
pose, como se isso fosse normal, e saímos juntos para a
madrugada fria, com o sentimento ainda mágico rondando a minha
mente.
Eu nunca imaginei que viveria um conto de fadas. Muito
menos, que poderia ser a personagem principal de algum livro meu,
mas agora, eu simplesmente não posso deixar de pensar em como
a vida tem sido surpreendente para mim. O caminho de volta tem
como assunto principal a peça a que acabamos de assistir, e assim
que chegamos ao hotel, fico um pouco aflita, sem saber como agir.
Subimos no elevador em um silêncio desconfortável, e me
sinto na obrigação de preencher o vazio agradecendo pela noite
incrível:
— Anthony, eu amei cada segundo. Muito obrigada. —
comento um pouco emocionada, e ele abre um sorriso sedutor, com
as mãos para trás, mantendo a postura de um perfeito cavalheiro,
ele apenas confirma com a cabeça.
— Foi um prazer sair com você essa noite… — ele diz, e fala
um pouco mais baixo no meu ouvido: — Porém, não precisaria
acabar agora. Basta você falar sim.
Um arrepio percorre a minha espinha, e ainda com as mãos
para trás, ele inspira tão perto do meu pescoço que fico
momentaneamente perdida. Pisco algumas vezes, com os lábios
semiabertos e sem me importar com o que aparenta para ele,
esfrego uma coxa na outra, tentando aplacar um pouco da vontade
que sinto nesse momento. A eletricidade no ar é tão presente que
me assusta, e, involuntariamente, dou um passo em sua direção,
colando seu corpo ao meu.
Ainda mantendo a sua palavra, Anthony não me toca, mas
murmura em meu ouvido todo tipo de sacanagem possível nos
poucos segundos em que o elevador faz o trajeto até o meu andar.
— Se você dissesse sim, eu poderia te fazer gozar com os
meus dedos neste elevador mesmo, enquanto você geme o meu
nome alto, da mesma forma gostosa que fez ontem à noite. — ele
abre um sorriso mínimo, provavelmente, se lembrando das coisas
impróprias que fizemos, e continua — Mas, eu não quero só isso.
Eu quero te marcar como minha, quero me afundar no seu corpo
gostoso a noite inteira, quero você de todas as formas possíveis. Eu
quero que o seu prazer seja meu, Luana. Quero que você escreva
as suas putarias pensando em mim e em como eu fiz você se sentir
bem consigo mesma. Eu quero você gritando o meu nome. Acho
que nunca quis tanto alguém como eu te quero, e mesmo assim, só
vou tocá-la quando você me pedir. — seus olhos estão nublados
pelo desejo e fantasia, mas antes que eu possa ceder e dizer sim,
as portas do elevador se abrem no meu andar, e eu cambaleio
confusa e excitada para o corredor.
— Boa noite, Anthony. — murmuro, pouco antes das portas
se fecharem.
— Sonha comigo, gatinha. — ele diz, abrindo um sorriso
predatório.
Caminho até o meu quarto e, antes que eu possa sair
correndo para dizer sim a todas as suas promessas sacanas, abro o
meu notebook e registro a cena perfeita que acabou de acontecer.
Eu posso não ter a coragem da minha mocinha fictícia, mas ela,
com certeza, disse sim.
Não me recordo de ter odiado tanto ir para o trabalho como
hoje. Nem as duas horas de exercício físico, somadas ao café preto
e sem açúcar, fizeram com que eu entrasse na rotina disciplinada de
antes, e isso me deixa puto e estressado.
Como com apenas um dia fora da rotina, sentindo o cheiro
inebriante de uma mulher, eu posso ficar completamente fora de
órbita como estou agora? Enquanto escuto o conselho falar sobre
os relatórios financeiros do grupo hoteleiro, tentando prestar
atenção nos gráficos, percebo que essa briga é injusta. O loiro dos
seus cabelos cor de caramelo não saem mesmo da minha cabeça.
E, quando a reunião acaba, sem nenhuma anotação, e qualquer
comentário plausível ou até mesmo necessário, eu me levando e
vou em direção à minha sala, onde é meu refúgio e eu posso
pensar.
Meu escritório fica próximo ao hotel, em uma parte nobre de
Otheon, e é olhando a paisagem da cidade pela janela,
completamente desfocado do que eu deveria estar fazendo, que
chego à uma conclusão real, que não deixa de ser surpreendente:
pela primeira vez em toda a minha vida, eu me sinto realmente
atraído por uma mulher, além do sexo. Não que essa parte não seja
importante, e o gostinho que tive no carro aquele dia foi realmente
melhor do que eu poderia imaginar, mas para além do sexo, Luana
realmente é muito inteligente e interessante.
Quantas mulheres conseguiram me cativar dessa forma?
Além, é claro, do seu sorriso fácil, seus cabelos loiros, e sua
boca em formato de coração que me deixam duro apenas por
pensar nela. Seu deslumbramento ontem, com algo tão corriqueiro
para mim, me fascinou. Sabia que o ballet real iria impressioná-la,
mas ver como ela ficou emocionada e tocada com a história me fez
ver que a sua alma artística realmente é muito aflorada. Ao mesmo
tempo, a sua inocência me deixa desconcertado. Ela não percebe o
quão provocante e interessante ela é, muito menos, as provocações
das outras mulheres para mim… como ontem, a bailarina principal
tentando chamar a minha atenção.
Luana vive em seu próprio mundo, isso é completamente
insano e diferente pra mim. Ela traz um frescor de uma vida leve
que eu nunca vi ou tive um contato direto. Tudo parece passar
batido quando ela está focada em me contar uma história, e até
mesmo as pessoas me chamando pelo meu nome real é ignorada
por sua inspeção impecável.
— Sonhando acordado, seu filho da puta? — Ian entra no
meu escritório sem ser anunciado, e pergunta com um sorriso no
rosto.
— Apenas pensando. — respondo sério, abotoando o meu
terno, antes de me virar em sua direção.
— E, por acaso, você quer compartilhar esses seus
pensamentos inócuos comigo? — ele insiste, se sentando no sofá
pequeno, de forma irritante. É claro que o meu melhor amigo e sócio
iria perceber que eu não estava nem um pouco inteirado na reunião.
Principalmente, porque eu não questionei detalhe por detalhe, como
geralmente costumo fazer.
— Na verdade, não. Você está aqui por algum motivo em
especial? — pergunto, deixando claro que não tenho interesse
nenhum em tê-lo aqui, e ele faz uma expressão ofendida, antes de
dizer:
— Você ainda não comeu aquela gata e está puto por isso?
Parte pra outra… tenho certeza de que a Francesca topa uma
rapidinha. — reviro os olhos ao escutar a sua afirmação esdrúxula,
mas me mantenho calado.
Sei que Ian está jogando verde, já que eu em momento
nenhum falei sobre a Luana ou o fato de não conseguir transar com
ela como gostaria, e não serei eu quem vou lhe entregar facilmente
o que ele quer. Ele estreita os olhos e nesse jogo de quem desvia o
olhar primeiro, infelizmente, perco feio. Com um sorriso vitorioso nos
lábios ele apenas conclui:
— Não comeu ainda, mas precisa. — ele diz, se levantando,
e adota uma voz mais séria: — Você é a porra do Conde mais rico
de Lanuver, faça alguma coisa, resolva o seu problema e volte
focado para a empresa. Precisamos de você concentrado e dando o
melhor de si agora que conseguirmos comprar aquelas malditas
empresas. Entendeu?
— Acho que eu sei muito bem como funciona o meu trabalho,
não preciso de você me dizendo o que fazer. — falo, mas, em meu
íntimo, me sinto um pouco envergonhado.
Sempre me esforço em tudo o que eu faço para ser o melhor.
Negociei por meses essa nova franquia de hotéis, e agora eu
simplesmente taquei o foda-se? Isso não é algo que se pareça com
uma atitude minha. Fui criado, ou melhor, treinado para ser focado
no trabalho e só pensar em negócios. Os bens materiais eram,
literalmente, as únicas coisas que importavam em minha vida, e
olhar para isso de uma forma negativa me assusta. Na realidade,
essa atitude me faz ficar cada vez mais parecido com o velho
Conde, e apenas por esse pensamento intruso eu me arrepio todo e
ignoro essa linha de raciocínio. Eu não tenho nada a ver com o meu
pai, disso eu tenho certeza.
— Pois, não parece. — ele debocha, antes de deixar o
escritório, e furioso soco a mesa de madeira com força, convencido
de que ele tem razão no que disse.
Só que, no fim, a questão é muito maior, porque não acho
que apenas uma foda casual resolva o meu problema. Uma noite
não será o bastante com a loirinha, e eu tenho certeza disso, mas,
determinado a começar o meu processo de desintoxicação, faço o
que já deveria ter feito há muito tempo: parto para cima dela.
Sim.
Eu me tornei a porra de um stalker e agora estou perdendo a
credibilidade com os meus funcionários.
Voltei para o hotel pouco depois do almoço, assim que
consegui remarcar a visita padrão na unidade de Hugner, cidade
vizinha a Otheon, ansioso para recuperar o tempo perdido. É claro
que isso gerou um burburinho que eu fiz questão de ignorar,
mantendo a minha expressão fechada até chegar na recepção e
perguntar sobre a senhorita Albuquerque. A mocinha, que eu não
faço ideia de qual nome tem, abriu um sorriso conspiratório, dizendo
que ela havia saído logo cedo e que assim que chegasse poderia
me ligar avisando.
Um sorrisinho conspiratório!
O pior? Eu aceitei a sua sugestão, e agora estou jogando
uma bolinha de tênis na parede há tanto tempo que eu nem consigo
mensurar, esperando pela tal ligação.
Patético de um jeito inimaginável.
Simples assim.
O grande, imponente e temível senhor Watson, agora não
passa de um bobo encantado pela hóspede brasileira que não faz
ideia de quem ele é, e que, aparentemente, o está rejeitando.
O telefone toca e eu corro igual a um adolescente para
atender. Que merda está acontecendo? Puta que pariu.
— Senhor, ela chegou com sacolas de compras e parece
animada.
— Pergunte se tem planos para a noite. — digo sucinto e a
mocinha acata à minha ordem, fazendo a pergunta e eu não consigo
ouvir a sua resposta. Há uma risadinha do outro lado, depois de
longos minutos de conversa fiada, a mulher responde:
— Ela parece animada para sair, mas ainda não sabe para
onde vai. Pediu indicações e eu fiquei de olhar e passar para ela.
Quer que eu lhe instrua para algum lugar em específico? — a tal
recepcionista pergunta, e eu nego, já com um plano em mente:
— Não. Assim que ela aparecer na recepção, me avise. —
sem esperar por mais nada, desligo o telefone, abrindo um sorriso.
De hoje a gatinha não me escapa.

Resolvo esperar no bar do hotel, porque, por maior que a


suíte seja, eu nunca me senti tão claustrofóbico em toda a minha
vida. Tenho ciência de que isso parece ridículo, não sei como reagir
se ela me der um novo "não", uma vez é compreensível, duas é
aceitável…, mas três? Três abala a confiança de um homem. E eu,
literalmente, não posso deixar isso acontecer comigo.
O whisky desce queimando minha garganta de forma
incômoda, mas enrolo com o primeiro copo, para que isso seja
apenas algo casual, sem descontar a minha frustração no álcool ou
qualquer coisa do tipo.
Quando ela aparece no saguão, minutos depois, viro o resto
da minha dose, buscando a confiança necessária para fisgar de
uma vez por todas essa loirinha que anda dominando os meus
pensamentos.
— Olha só quem está aqui. — digo, abrindo um sorriso
sedutor, e ela não parece assustada ao me encontrar.
— Nos encontramos de novo… quem diria, não é? — seu
tom é sarcástico, mas eu ignoro, circulando a mão em sua cintura.
— Para onde vamos? — pergunto e, apesar de revirar os
olhos, ela abre um sorriso derretido.
— Imaginei que você iria querer me mostrar outras coisas da
cidade… e como não tenho o seu número… — Luana dá a deixa
necessária para que eu a guie em direção à garagem, dando um
beijo rápido em seu ombro.
— Você poderia ter simplesmente pedido o meu número. —
digo, mas ela parece presunçosa ao responder:
— Que graça isso teria? — Assim que entramos no elevador
em direção à garagem, dou um beliscão em sua bunda.
— Aí! Por que isso? — ela pergunta indignada.
— Revirou os olhos pra mim, gatinha. Eu te disse para não
fazer isso. — respondo, dando de ombros e ela tenta muito manter a
expressão séria, mas não consegue segurar um pequeno sorriso
que surge em seu rosto.
Horas antes...

O Otheon’s Park é um dos pontos mais bonitos de Lanuver, e


principalmente no inverno como estamos agora, do final de
novembro até após o Natal, as árvores desfolham, os lagos
congelam e muita gente patina por ali, criando um ambiente digno
de um filme. Com a minha câmera em mãos, procuro os melhores
ângulos para capturar em fotos o que, com absoluta certeza, não
me sairá da memória. A paz e a beleza dessa cidade são
impressionantes demais para conseguir apagar facilmente.
Entre tantos desafios, ser uma escritora independente tem
um ponto positivo incrível: eu tenho mobilidade para trabalhar de
qualquer lugar do mundo, contanto que exista uma tomada e uma
rede wi-fi. A facilidade de uma assessoria e a confiança que tenho
em minha equipe, me permite fechar os olhos e ir para o outro lado
do mundo sem medo de algo dar errado. E foi depois de conferir se
tudo estava indo bem, e perceber que sim, meu sonho era real e o
bestseller ainda era um bestseller, que resolvi me aventurar e
conhecer mais um local muito usado em meus romances
açucarados.
Uma eterna romântica, aparentemente, é isso que eu sou.
Enquanto calço os meus patins, tendo plena ciência de que
vou me estatelar no chão a qualquer momento, penso que estou
vivendo mais um sonho da minha lista e abro um sorriso brilhante.
— Quer ajuda? — o instrutor pergunta, e eu aceito a sua
mão, enquanto juntos deslizamos com insegurança pelo lago
congelado.
— Como é o seu nome? — ele pergunta e eu o respondo
com um sorriso.
— Luana, e o seu?
— Jannis. Primeira vez por aqui? — o loiro alto tem um
sorriso infantil, apesar da altura enorme, e com a facilidade de
melhores amigos, continuamos a patinar, enquanto conto a ele tudo
sobre a minha vida.
Uma hora depois, com os tornozelos em uma dor
insuportável, a bunda provavelmente roxa de tanto cair e um novo
amigo nos meus contatos do celular, procuro uma cafeteria
quentinha para eu me aquecer.
O clima de Lanuver realmente não é para amadores, e neste
caso, eu estou literalmente congelando de frio.
— Achei que estava me ignorando! Me encontrou no boteco
por acaso? — Giulia, minha melhor amiga me liga de vídeo, e eu lhe
mostro a edição em Lanuviano que eu comprei de Orgulho e
Preconceito para lhe presentear.
— Perdoada? — questiono, e ela abre um sorriso grande,
antes de responder:
— Sempre. Como estão as coisas por aí? Não tenho visto
tantos stories como eu gostaria de ver. Resolveu virar low profile
agora? Que é isso? — ela pergunta, e eu gargalho antes de negar
com a cabeça.
— É tudo tão lindo que eu esqueço de gravar... só quero
viver! — digo sonhadora e ela confirma com a cabeça.
— Poética como sempre... — fico na dúvida se ela está me
xingando ou não, mas antes que eu possa questionar, ela continua
— E ai? Já conheceu o amor da sua vida?
Sinto as minhas bochechas queimarem antes de me lembrar
de Anthony, e como ele realmente parece um clichê ambulante
saído dos meus livros mais lidos. Essa é resposta suficiente para
que minha melhor amiga comece o interrogatório, e eu conto tudo o
que tenho vivido nos últimos dias, com a esperança de que ela
tenha um bom conselho para me dar.

Horas depois...
Assim como eu imaginei, Anthony provavelmente está
jogando charme para as recepcionistas a fim de conseguir algumas
informações privilegiadas a meu respeito. Se ele não fosse não
lindo, gentil e, no fundo, me passasse uma confiança que eu
simplesmente não consigo explicar, ficaria com medo. Mas,
contrariando todo o bom senso que eu tinha e deixei no Brasil, sigo
o homem cheiroso para onde quer que ele queira me levar.
Seguimos até a garagem do hotel e andamos em direção ao
carro de Anthony, com a minha cabeça ainda anuviada pelo seu
perfume amadeirado e seu beliscão no meu bumbum. Como um
verdadeiro gentleman, ele abre a porta do carro para mim, e em
seguida entra também, ligando o som. A conversa flui
superficialmente, sobre como foi o meu dia, mas não consigo deixar
de lhe lançar olhares ansiosos, porque, pela primeira vez em muito
tempo, eu não sei como me comportar.
Finalmente, decidi que vou liberar a minha periquita hoje.
Depois de muitos exercícios de autoconfiança e uma longa sessão
de terapia com a minha melhor amiga, fiz uma depilação completa e
me sinto pronta pra jogo. Quer dizer, ele tem sido respeitoso com
todo o lance de não colocar as mãos em mim, é um homem
agradável e extremamente bonito. Não teria nenhum motivo
plausível para que eu deixasse essa oportunidade passar. E, agora,
depois do seu pequeno beliscão que fez coisas incríveis com a
minha imaginação, preciso entender como vou dizer isso a ele, sem
parecer totalmente oferecida.
Em poucos minutos chegamos ao destino, e posso ver a fila
enorme e desanimadora na porta do lugar. Tenho plena consciência
de que não estou demonstrando a animação esperada, mas um
barzinho lotado, depois de um ballet perfeito, é meio desanimador.
Porém, não vim aqui para me aproveitar de ninguém, e, com
certeza, ontem deve ter sido caro… então, hoje vamos para um
lugar mais tranquilo e está tudo bem. Afinal, a intenção é ter um
sexo gostosinho, com alguma sorte.
— Você tem certeza de que quer entrar nesse lugar? Vamos
ficar um bom tempo na fila. — digo, descendo do carro assim que
ele abre a porta pra mim.
Observo a estrutura do pub e tento contar por alto quantas
pessoas estão no lugar, mas quando passa da vigésima olho em
direção ao Anthony, que mantém os olhos estreitos em minha
direção, como se eu tivesse falando uma grande besteira.
— Não vamos esperar na fila, gatinha, eu não faria isso com
você. — e como se fosse para me provar que está certo, ele pega a
minha mão, cumprimenta o segurança e entra, deixando todas as
outras pessoas levemente impressionadas e com cara de poucos
amigos.
— Vai me dizer que tem um primo dono do local também? —
pergunto, levantando a sobrancelha e sorrindo para ele. Tento
descontrair, mas, na verdade, estou genuinamente curiosa.
— Na verdade, meu tio é o dono. Mas eu, às vezes, organizo
algumas coisas das finanças, quando não estou… em Vongher. —
ele dá uma disfarçada, mas posso dizer que está envergonhado.
Não posso dizer que o julgo, porque meu avô é dono de um
império no Brasil, então, se eu quisesse impressionar,
provavelmente poderia sair dando esse tipo de "carteirada" lá, mas
não me exibiria também, e isso faz com que eu passe a gostar um
pouquinho mais dele. São esses pequenos detalhes que me fizeram
tomar a decisão de realmente me entregar. Com a cabeça no
mundo na lua, percebo que sou guiada até uma mesa para dois no
canto do restaurante, em uma área mais reservada, onde podemos
observar a decoração, mas não somos tão interceptados por olhares
curiosos.
O pub bem localizado está animado e enquanto observo a
decoração Anthony faz algum pedido para o garçom e depois se vira
pra mim, antes de perguntar:
— Você está com fome para jantarmos, ou quer pular para o
after? — ele pergunta, com um sorriso malicioso e eu levanto as
sobrancelhas, surpresa. Quanta arrogância…
— Como assim, pular para o after? — pergunto com o cenho
franzido, um pouco mais ríspida do que eu deveria, e ele levanta as
mãos em sinal de rendição:
— Calma, gatinha… eu te prometi que só encostaria em você
se você pedisse, e estou cumprindo com a minha palavra. Não sou
um bicho papão. — ele fala, e sinto as minhas bochechas
esquentarem — Está vendo aquela porta? — ele aponta para um
lugar em que eu não havia reparado — Aquelas pessoas que
estavam na fila não vieram com o intuito de conhecer o restaurante,
e sim o que há do outro lado. Lá é a parte “balada” do lugar. —
concordo com a cabeça, um pouco sem graça. E quando o garçom
nos entrega as águas que ele pediu assim que chegamos, peço um
drink para me dar coragem, e um shot de tequila.
É hoje que eu preciso tomar coragem, por isso, abro um
sorriso em sua direção e mudo de assunto:
— E então, Anthony, você tem sido super vago sobre você.
Por mais que eu entenda o seu lado low profile, quero saber mais
sobre você. O que você faz? Quantos anos você tem? Quais são as
suas projeções para o futuro? E seus maiores segredos? — o meu
sorriso é sacana no final e ele estreita os olhos, mas entra no meu
jogo. Porém, antes de me responder, o garçom chega com os
nossos pedidos e juntos viramos os shots de tequila, sorrindo um
para o outro, cheios de mistérios.
— Respondendo às suas perguntas, sou de Vongher, mas
minha família está espalhada pelo mundo. Trabalho nos negócios
da família e tenho 32 anos. Para o futuro? Bom, não faço a menor
ideia. — gargalho com a sua sinceridade e pergunto mais uma vez.
Ele passou batido pela minha pergunta mais interessante.
— Ok, aceito sua resposta. Mas, quais são os seus maiores
segredos?
— Bom, se eu te contasse, teria que te matar.
Engasgo com o meu drink, surpresa com a sua resposta, ele
gargalha e pega a minha mão por cima da mesa.
— Pode ficar tranquila. Eu não sou perigoso, mas não posso
dizer que sou inofensivo. — O sorriso malicioso aparece em seus
lábios novamente e, antes que eu possa responder alguma coisa,
ele continua — Você tem certeza de que não quer comer nada?
— No momento, sim, obrigada. Agora, estou curiosa para
conhecer o outro lado daquela porta…
— Seu desejo é uma ordem. — ele diz, e com a mão na
minha, me guia para o outro lado, onde a música toca alto e
ensurdecedora na balada.
A música é alta, e as pessoas estão bem-vestidas, dando
tudo de si na pista. Apesar das baladas brasileiras serem as
melhores, a estrutura realmente é muito bacana, e percebo que
estamos em uma espécie de camarote, ou algo do tipo.
Encontramos um lugar mais tranquilo e ele me abraça por trás,
antes de sussurrar no meu ouvido:
— Você é, de longe, a mulher mais bonita desse lugar. Dança
comigo? — antes de eu confirmar, apenas para me provocar, ele
morde o lóbulo da minha orelha, me arrancando uma risadinha
baixa.
Começamos a nos mover lentamente, ignorando o ritmo da
música, enquanto Anthony me encaixa em seu corpo, apesar de
estarmos em um local público, não consigo ignorar as sensações
que ele causa em mim. Sua ereção roçando em minha bunda é
indício suficiente de que estamos no mesmo barco, e enquanto
dançamos parece que o mundo inteiro passa a não existir mais.
O silêncio é confortável, apesar do desejo estar exalando
pelos nossos poros, a cada movimento novo, meu corpo se adequa
ao seu, como se fossemos feitos um para o outro. Suas mãos
seguram firme a minha cintura, e tão rápido que eu não consigo
diferenciar se é mentira ou verdade, ele beija o meu pescoço, me
deixando toda arrepiada.
As palavras não faladas, o desejo no ar, e toda a aura
sensual corrompe todos os meus pensamentos, eu esqueço de todo
tipo de pré-julgamento que eu tive comigo mesma, só me importo
em aproveitar cada minuto com esse homem lindo e incrível.
Timidamente, passo a mão pela sua coxa, tentando
demonstrar de alguma forma que estou tão afetada quanto ele por
esse momento. Como se entendesse a deixa, ele me vira de frente
para si, segurando meu cabelo entre os seus dedos, e apenas com
o olhar, pede permissão.
— Você pode me beijar, se quiser. — murmuro baixo, com a
voz completamente ofuscada pela música, mas ele entende o que
eu quero dizer.
Eu lhe dei a permissão que ele estava esperando, eu quero
que ele me toque. Consigo perceber, no minuto seguinte, quando o
seu autocontrole vai pro espaço, e ele estreita o espaço entre nós
dois, colando a sua boca na minha. O beijo é ardente, sensual e as
nossas línguas se chocam como se desejassem isso há muito
tempo.
O puxão no meu cabelo aumenta ainda mais o meu tesão, e
não conseguimos nos segurar. Ele morde o meu lábio com vontade,
provocando uma onda de desejo que vai direto para a minha parte
mais íntima, que, a esse ponto, já está completamente encharcada.
Roço uma perna na outra, tentando aplacar o desejo, e percebendo
os meus pensamentos, ele intensifica o beijo, chupando a minha
língua, meus lábios, exigindo tudo de mim. Quando percebo,
estamos em um cantinho privado, porém, ainda atraindo olhares de
alguns outros membros do camarote. Quando a sua mão começa a
levantar a minha saia, congelo.
Ele não pode fazer isso aqui. Ele não vai, certo?
Contrariando todos os meus pensamentos, Anthony, roça os
dedos na minha entrada encharcada, afastando a calcinha pro lado,
me fazendo sentir a mulher mais imoral de toda a Terra.
— Não podemos fazer isso aqui. Tá maluco? — sinto as
minhas bochechas pegarem fogo, e ele suspira, parecendo
frustrado, mas quando seu olhar se volta pra mim, vejo
compreensão.
— Desculpe… é que você me deixa completamente louco.
Não pensei direito. — seu tom de voz é sério, e ele dá um passo
para trás, se afastando e me deixando com uma estranha sensação
de saudade.
— Não é isso… eu quero… — falo com dificuldade, antes de
abrir um pequeno sorriso e completar — É que estamos em um
lugar público. Meu Deus! Não tenho coragem.
— É esse o problema? — ele pergunta, parecendo muito
mais aliviado, quase feliz — Achei que teria que ficar na mão de
novo. — ele ri, e se aproxima novamente, falando meu ouvido —
Nunca senti tanta vontade de alguém, como eu sinto de você,
Luana. É completamente irracional. — isso parece lhe incomodar,
mas não consigo não abrir um sorriso lisonjeado.
— Também me sinto da mesma forma. — falo, passando a
mão em seu rosto. Anthony fecha os olhos por alguns segundos,
antes de dizer:
— Se a privacidade era um problema, te garanto que não
será mais.
Anthony abre um sorriso brilhante, com os lábios ainda
inchados pelo nosso beijo intenso, antes de segurar firme a minha
mão para me guiar para onde quer que seja. A sua confiança é
inabalável, e eu nunca achei um homem tão sexy como ele antes.
Quem eu quero enganar? Eu realmente nunca, em toda a minha
vida, conheci alguém como ele. Mas, mais do que isso, eu nunca
me senti assim por homem nenhum.
Andamos pelo camarote sob olhares de todos do local, e
quando começo a me preocupar sobre todos terem visto a minha
calcinha, apesar de estarmos em um cantinho bem escuro, ouço-o
falar em outro idioma com um homem sentado em um sofázinho,
este abre um sorriso malicioso antes de tirar um cartão da carteira e
entregar para Anthony, que permanece segurando a minha mão.
Tento muito entender o que está acontecendo, mas
honestamente, são muitas coisas para processar, e sem dizer mais
nada, ele me guia para o andar de baixo. Quando estamos quase
chegando à pista de dança, ainda confusa com todo esse caminho
estranho que estamos fazendo, ele para em frente à uma parede de
espelho, perto dos banheiros, e passa o cartão em uma lateral,
abrindo uma porta misteriosa e me empurrando para dentro.
Ainda atordoada com o que está acontecendo, ele volta a me
beijar de um jeito que me faz perder qualquer tipo de pensamento
que estava se formando em minha cabeça. Um beijo faminto, afoito
e um pouquinho violento, mostrando a sua total perda de controle
comigo. Todo o seu tesão.
— Onde estamos? — pergunto, quando finalmente nos
separamos, tomando uma golfada de ar.
— Você queria privacidade e eu dei um jeito. — olho ao meu
redor e o lugar parece um escritório. Eu até poderia questioná-lo
sobre isso, mas a realidade é que eu simplesmente não estou nem
aí para nada, além de estar com ele.
Depois eu me preocupo com toda essa loucura, com as
consequências e com tudo o que pode acontecer quando eu for
embora de Lanuver. Agora, a única coisa que importa sou eu,
Anthony, e o desejo que está consumindo a nós dois.
— Eu estou perdendo a cabeça com você, Luana. Não é uma
atitude normal para mim, ser levado pelo desejo dessa forma, então,
quero que saiba que você é especial. — ele diz no meu ouvido, e eu
confirmo com a cabeça, me arrepiando por inteiro.
— Posso dizer o mesmo, — respondo, dando um beijo tímido
em seu pescoço — posso contar nos dedos de uma mão com
quantos homens eu já me envolvi antes, e, com absoluta certeza,
nenhum deles me fez sentir como você me faz. — Anthony aperta a
minha bunda com vontade, enquanto me escuta falar, e sinto as
minhas pernas ficarem bambas, me obrigando a agarrar mais forte
em seus braços — Eu quero você.
É o que ele estava esperando ouvir para continuar. Assim
que lhe dou o sinal verde, vejo os seus olhos nublarem, e consigo
ver o desejo carnal que estamos sentindo um pelo outro.
Completamente irracional, extremamente potente e, mais do que
isso, inevitável.
— Seu desejo é uma ordem, gatinha. — ele diz, colando a
sua boca na minha.
Ele sobe a barra da minha saia e passa a mão na parte de
dentro da minha coxa, apertando com vontade. É como se ele
estivesse se segurando até agora, e a partir do momento em que
lhe dei livre acesso ao meu corpo, ele simplesmente não
conseguisse mais frear os sentimentos. Gemo baixo, com os olhos
fechamos, ansiosa e sedenta por todas as sensações que eu sei
que ele irá me proporcionar.
Tudo o que eu consigo sentir é o desejo por esse homem que
eu mal conheço e que desperta a mulher mais ousada e louca que
existe dentro de mim.
Anthony me surpreendente com seus dedos gentis, diferente
dos apertões de antes, e começa a explorar meu clitóris por cima da
calcinha. Agarro seus ombros com firmeza, tentando me manter de
pé em cima das botas de salto, enquanto minha intimidade pulsa
latente pela sua atenção. A fricção é tão gostosa que fecho os olhos
com força, mordendo meu lábio inferior, tentando absorver todas as
sensações, enquanto começo a delirar em seus braços. Ele morde o
meu pescoço levemente e posso sentir sua respiração cada vez
mais acelerada, refletindo a minha. Sei que ele sente tesão por me
fazer gozar, posso perceber pela sua expressão prepotente e ao
mesmo tempo orgulhosa, e toda essa intensidade é quase
torturante.
— Você é perfeita, Luana.
Meu corpo reage às suas palavras, somadas ao seu polegar
insistente em meu botão mais sensível, e eu sinto uma vontade
impossível de conter. Eu quero tudo com esse homem. Gravo em
minha memória o seu cheiro maravilhoso, o gosto do seu beijo e,
principalmente, tudo o que ele me faz sentir. Essa é, de longe, a
experiência mais sensual e completa que eu já tive em toda a minha
vida.
Quando ele finalmente rompe a barreira dos tecidos,
afastando a minha calcinha com os dedos, solto um gemido alto que
é abafado por um beijo agressivo e reivindicador. Ele enfia dois
dedos de uma vez em minha umidade, me fazendo gritar novamente
de prazer. Sinto as minhas bochechas esquentarem de vergonha,
mas neste momento eu não poderia me importar menos. Não com
todas essas sensações me queimando por dentro.
— É assim que você gosta, gatinha? É dessa forma que você
vai se entregar para mim novamente? — ele pergunta, segurando
firme a minha cintura com uma mão, enquanto os seus dedos
trabalham em mim com a outra.
Sua confiança, seu olhar firme e a sua fala são demais para
mim. Caio em um delicioso precipício, e, por alguns segundos, fico
completamente bamba, sem conseguir me segurar.
— Isso, gatinha… goza pra mim. — ele diz no meu ouvido,
prolongando ainda mais o meu clímax com seus dedos ágeis.
Ainda sem forças, sinto quando ele me pega no colo, e me
carregar até o sofázinho convenientemente colocado no cantinho do
tal escritório. Pisco algumas vezes, tentando recuperar a
consciência, e vejo a cena mais erótica de toda a minha vida.
Anthony levanta os dedos melados pela minha intimidade e chupa
um por um, com uma expressão de prazer incrível em seu rosto.
— Você é o homem mais sensual que eu já vi em toda a
minha vida! — as palavras escapolem pela minha boca, e ele abre
um sorriso malicioso, antes de se ajoelhar na beiradinha do sofá.
Encaixando minhas pernas em seus ombros.
— Quero fazer isso desde quando eu te vi na academia. —
ele diz, e eu arfo quando a sua língua firme e exigente toca meu
ponto sensível.
— Meu Deus! — grito alto, quando o sinto me chupar com
vontade, e ele abre um sorriso antes de levantar rapidamente a
cabeça, olhar em meus olhos e dizer:
— Deus não vai te ajudar agora, Luana. Eu vou fazer tudo o
que quiser, e você vai gostar, eu te garanto. — e com essa
promessa indecente, ele abre um sorriso, antes de começar a fazer
mágica com a sua língua.
Os movimentos são certeiros, e quando eu estou
praticamente berrando palavras incoerentes, à beira do orgasmo
mais intenso que eu já tive em toda a minha vida, ele simplesmente
roça os dentes no meu clitóris, fazendo com que eu caia novamente
em uma espiral de emoções.
Anthony espera que me recupere, distribuindo beijos pelas
minhas coxas, e quando percebe que a minha respiração volta ao
normal, ele se levanta, beijando os meus lábios com uma fome fora
do comum. Como eu vou conseguir aguentar até o final, eu não sei,
mas me esforço para me sentar no sofázinho e desabotoo a sua
calça, puxando-a para baixo de uma só vez. A sua ereção está firme
e desponta em minha direção. Agora, dessa forma, consigo
observá-lo por completo, e quando ele tira toda a sua roupa, seu
abdômen trincado me deixa completamente sem reação. Tanto o
abdômen quanto sua ereção fora da média, enorme e grossa, que
eu não faço ideia de como coube em mim dias atrás.
— Você é impressionante! — consigo dizer depois de alguns
segundos e vejo quando ele abre um sorriso enorme.
— Também quero te ver. — ele responde, e me ajuda a tirar a
blusa e a saia, me deixando apenas de lingerie e com as botas de
salto alto.
— Puta que pariu, você é perfeita! — ele solta, olhando
fixamente para o meu corpo, que eu tenho plena consciência de que
é normal e não tem nada de perfeito. Mas, por alguma razão, me
sinto bem e confiante sob o seu olhar.
Anthony avança sobre mim, com uma mão ele puxa o bojo do
meu sutiã para baixo, parecendo completamente obcecado pelos
meus mamilos intumescidos. Ele morde, chupa e lambe de uma
forma que faz o meu corpo inteiro se arrepiar, me deixando louca de
prazer novamente. Seguro seu pau com firmeza e começo a
estimulá-lo também, fazendo movimentos precisos, e tentando lhe
dar um terço de todo esse prazer louco que ele me deu hoje.
Anthony solta um rugido do fundo da sua garganta e aperta meu
seio esquerdo com vontade, deixando-os levemente doloridos.
Olho em seus olhos, que transmitem o desejo mais carnal
que eu já vi em toda a minha vida, e me coloco de joelhos, antes de
começar a chupá-lo com vontade. Sua mão vai para os meus
cabelos, e ele dita o ritmo, enquanto eu o lambo e chupo de todas
as formas possíveis. Passo a língua em toda a sua extensão, e
consigo ouvir o suspiro que sai do fundo da sua alma, provando o
quanto ele está adorando minha retribuição. Acaricio as suas bolas
com uma mão e com a outra aperto sua bunda gostosa. Seu pau
cada vez mais inchado e duro demonstra o quanto ele me deseja, e
essa sua excitação me deixa cada vez mais excitada.
Quando ele se afasta, eu sei o que vem a seguir, e me coloco
de pé, Anthony se senta no sofá, com a respiração entrecortada.
— Senta em mim! — ele ordena, e eu não consigo pensar ou
fazer mais nada, além de obedecê-lo. Ele me preenche por
completo, e tudo é tão intenso que eu solto um gemido alto,
fincando as unhas em seus ombros.
O sobe e desce começa lento, e quando a sua boca procura
a minha, eu o beijo com vontade. Meu corpo, que está tão sensível,
parece que vai entrar em combustão ao menor toque, mesmo que
tenhamos acabado de começar. Eu não consigo entender como
esse homem consegue me deixar assim, mas aproveito cada
segundo em que estamos juntos, ansiosa para senti-lo de todas as
formas, afinal, nunca senti tanta vontade de alguém como eu estou
sentindo dele.
— Você. É. Perfeita. Nunca. Me. Senti. Assim. Antes. — ele
fala pausadamente, no mesmo ritmo dos nossos movimentos, e
continua — Eu nunca vou me cansar de você, Luana. Te quero
como minha.
Sua fala me faz perder os sentidos, meu corpo está
completamente em chamas, com a minha pele arrepiada. Por mais
que eu saiba que tudo isso é da boca pra fora, não deixa de ser
ridiculamente sensual. Começo a rebolar, roçando meus seios em
seu corpo, provocando e o levando ao limite.
Ele, então, me preenche eu posso sentir as suas bolas
batendo em minha bunda. Me derreto em seu membro, liberando
todo o desejo que eu nunca imaginei que pudesse sentir por
alguém. Ele aperta o meu corpo contra o dele, morde o meu
pescoço com vontade e se entrega também, falando palavras
incoerentes que eu não presto atenção. Aos poucos, a adrenalina
baixa e eu fico cada vez mais leve em seu colo, tombando a cabeça
em seu ombro.
Escuto, depois de alguns segundos, uma risada baixa, e
quando ele beija a minha testa com os olhos brilhando de animação,
não sei o que dizer. Mas, aparentemente, isso não é necessário,
porque ele mesmo preenche o silêncio falando:
— Essa foi uma boa preliminar. Você não imagina o que eu
vou fazer quando chegarmos ao quarto do hotel.
A primeira coisa que eu noto é que o despertador não tocou,
o que é estranho, já que ele está programado, religiosamente, para
todos os dias às cinco horas da manhã. Apesar de, provavelmente,
estar atrasado, prolongo o despertar, ainda de olhos fechados,
sentindo os meus músculos tensos e cansados protestarem ao
mínimo movimento.
É nesse momento que eu me lembro de tudo.
A dança sensual na boate, seus gemidos baixos enquanto eu
a fiz gozar algumas vezes, e o olhar perdido em desejo quando
Luana atingiu o clímax. No fim, preciso confessar a mim mesmo
que, provavelmente, não é apenas ela quem tinha esse olhar
perdido no rosto, porque eu mesmo nunca me vi tão excitado e
necessitado de alguém como estive dela.
Na realidade, acho que mesmo depois das quatro vezes
consecutivas e todas as posições que testamos ontem, eu ainda
não tive o suficiente. Quando resolvo pular a academia e ir direto
para o melhor aeróbico de todos os tempos, abro os olhos, apenas
para constatar que ela não está mais em meu quarto.
Na realidade, este nem é o meu quarto, e, sim, o quarto da
foda, mas ainda assim é estranho acordar sozinho. Nunca havia
acontecido, para ser honesto. Se fosse em condições normais, eu
poderia considerar isso uma vitória, por não precisar me esquivar de
fininho enquanto deixo a mulher da vez dormir confortavelmente até
a hora que ela quiser ir embora. Mas, neste caso, estranhamente,
sinto raiva.
Por que ela saiu de fininho enquanto eu dormia? Como isso
aconteceu, na realidade? Tenho certeza de que me certifiquei de
que ela mal conseguisse andar hoje, e, mesmo assim, acordar e ela
não estar mais no quarto parece uma piada de mau gosto.
Revoltado, me levanto, checo o horário e me assusto ao
perceber que já passou das oito. Puta merda, eu nunca acordo tão
tarde!
Mas, para ser honesto, não é o horário que me deixa com
raiva. Finalmente, quando consigo me afundar entre as coxas
macias e grossas de Luana, percebo que não foi nem um pouco
suficiente para mim. A loirinha resolveu ditar as regras e me deixar
para o escanteio, me abandonando, depois de uma noite incrível,
sozinho e de pau duro.
Se todas as outras mulheres com as quais eu dormi se
sentiram uma merda do jeito que eu estou me sentindo agora,
preciso rever urgentemente os meus conceitos. Porém, se o mau
presságio estiver certo, meu pau resolveu subir com uma só mulher
desde quando eu conheci o sabor dos lábios da loirinha. Agora que
eu conheço o sabor de todo o seu corpo, será ainda mais difícil
esquecê-la. Ela, e a sua maldita pinta em formato de coração que
fica no topo da sua coxa direita, e que me deixou completamente
obcecado.
O telefone toca em algum lugar, me tirando do meu devaneio,
e ando pelado pelo quarto a sua procura, tentando entender que
diabos está acontecendo.
— Sim? — atendo o telefone, e escuto do outro lado da linha
a minha secretária gaguejar.
— Senhor Watson? Achei que alguma coisa havia acontecido
com o senhor… — ela parece sem graça, mas continua — A
reunião com os arquitetos para os novos hotéis de Vongher, estão
há meia hora lhe esperando. Qual é a minha instrução?
Puta merda, esqueci disso!
Olho no relógio, tentando calcular em quanto tempo chego,
mas, no fim, desisto. Hoje eu não vou conseguir me concentrar em
mais nada.
— Becky, cancele a minha agenda do dia e remarque para
semana que vem. Hoje eu preciso do dia de folga. — digo sério, e
ela parece arfar do outro lado.
— O senhor está doente? Precisa que eu marque alguma
consulta?
— Não! Até amanhã. — respondo sucinto e desligo a ligação.
Com certeza a notícia vai correr, mas no momento, eu não
poderia me importar menos.
Banho tomado, dentes escovados, uma ligação de
confirmação na recepção e cá estou eu, me humilhando por uma
boceta.
É isso, literalmente, o meu fim, penso comigo mesmo antes
de tocar a campainha do quarto de Luana e esperar que ela me
atenda.
O plano B é recorrer à chave mestra, mas seria precipitado e
invasivo demais. Por isso, aguardo que ela venha até a porta, e me
veja pelo olho mágico, antes de eu falar:
— Posso saber por que saiu furtivamente do meu quarto esta
manhã? — pergunto de braços cruzados e escuto o seu arfar do
outro lado da porta.
Luana abre rapidamente, com a mão na boca e os olhos
saltando pelas órbitas.
— Tá louco? Quer que todo mundo escute que eu estive no
seu quarto ontem? Já é vergonhoso demais… — seu tom de voz é
de repreensão, mas perco a fala ao vê-la com uma camisa muito
maior do que ela, meias de lã até o meio da panturrilha e um coque
frouxo prendendo os cabelos.
Gostosa pra caralho!
— Qual é o problema nisso? Você tem vergonha de ter saído
comigo? — questiono, estreitando os olhos em sua direção.
— Vergonha? — ela murmura e me puxa pra dentro,
fechando a porta atrás de mim — Claro que eu tenho! Mal nos
conhecemos e você está fazendo uma cena no meio do corredor.
Tento segurar para não rir da sua lógica maluca, mas não
consigo, e enquanto gargalho, ela me olha parecendo estar
magoada.
— Gatinha, ninguém te conhece nesses corredores. Você
está com vergonha de algo completamente normal. Você é adulta.
— digo, puxando-a em minha direção — Uma adulta malcriada… e
um pouco mais nova do que eu… — a vejo estreitar os olhos, mas
continuo — Porém, adulta o suficiente para saber que não estamos
fazendo nada de errado.
— Mas… o que as pessoas vão pensar de mim? — ela
questiona baixo, mas percebo que está animada e excitada com as
minhas mãos ao seu redor.
— Que eu sou extremamente sortudo por ter conseguido uma
noite com você. — digo, descendo meus lábios para o seu pescoço
— Mas, e se eu disser que uma noite só não bastou?
Lambo a região, mordiscando, e sinto suas pernas falharem
em meus braços.
— Não? — sua pergunta é baixa, e eu nego com a cabeça.
— Não mesmo, gatinha. — beijo seus lábios com vontade, e
ela cruza as pernas na minha cintura, se agarrando a mim de um
jeito sensual.
— E o que vamos fazer com isso? — sua pergunta é cheia de
segundas intenções, posso ver isso pelo sorriso em seus lábios.
— Bom, primeiro eu vou resolver o nosso problema, e depois
vou te levar para conhecer um lugar. — digo, jogando-a na cama
sem cerimônia nenhuma.
— Você é louco! — ela dá uma risadinha baixa, tampando os
olhos, e eu tiro as suas mãos do seu rosto, antes de dizer:
— Louco por você! — é nessa hora que eu constato o óbvio.
Como já estou no inferno, resolvo abraçar o capeta, me afundando
novamente em seu corpo macio, mas não sem antes lamber a tal
pinta em formato de coração que eu tanto adorei.
Quem diria que passear entre jardins seria tão interessante?
Abro um sorriso, me jogando na cama um pouco sonhadora,
antes de começar a me recordar da manhã empolgante, e depois,
do lugar lindo e bastante privado para o qual fomos. Quer dizer, eu
nunca fui uma pessoa que adora plantas, mas ver de perto tantas
espécies diferentes e bem cuidadas tem o seu encanto. Além disso,
se for acompanhada por um beijinho no pescoço e elementos
impróprios para a narrativa, melhor ainda.
Nem em meus sonhos mais loucos eu me imaginaria vivendo
um romance em uma viagem que eu jurei que seria minha comigo
mesma. Mais ainda, não me imaginaria protagonista do livro da
minha própria vida. Tudo bem, assumo que sempre fui um pouco
azarada para os relacionamentos, devido à isso, resolvi me manter
fechada para balanço por um longo tempo. Parece um sonho bom.
Abro meu e-mail, confiro um relatório de vendas e apareço
um pouco nas redes sociais, mas já ansiosa para o nosso passeio
noturno. Tenho certeza de que ele será o mais agradável de todos,
e, provavelmente, surpreendente, como tudo tem sido nessa viagem
incrível. Sei que é cedo para falar, mas acho que nunca estive tão
encantada por alguém como eu estou pelo moreno autoritário que
tem feito o meu mundo virar de cabeça para baixo.
Ainda com um sorriso no rosto, vou até o banheiro para tomar
um banho rápido, porque, assim como os britânicos, os lanuvianos
também são extremamente pontuais, como eu pude perceber.
Ensaboo o meu corpo, pensando nos bons momentos que tivemos,
e em como meu corpo se comportou perfeitamente com ele. Os
músculos doloridos da noite incrível de ontem podem comprovar o
quão bons somos juntos, e apesar de estar um pouco reticente
ainda, por não o conhecer direito, resolvo ver no que isso vai dar,
sem nenhum tipo de julgamento, principalmente, comigo.
Enquanto seco o cabelo, tento imaginar o que será que ele
aprontou para hoje, mas como nada mais me vem à mente, e eu
tenho certeza de que serei surpreendida, começo a imaginar com
que roupa ele estará vestido, se vai manter a expressão séria ou
abrirá um sorriso ao me ver, e todo o tipo de coisas românticas.
A esse ponto, o silêncio começa a me incomodar, e eu ligo a
televisão do quarto, apenas para o som preencher o ambiente. Mas,
cinco minutos depois, me vejo entretida, vendo a fofoca da vida dos
famosos, e como o príncipe de Vongher está metido em mais
enrascadas do que o mundo poderia imaginar. E, só porque eu
tenho um crush absoluto no príncipe George, e já imaginei meus
personagens masculinos mais de uma vez com o seu rosto, me
sento na cama, prestando atenção na fofoca da vez.
Aparentemente, o relacionamento que ele tenta tanto manter em
segredo veio à tona, e a mídia está em polvorosa.
Quando finalmente a fofoca acaba, e eu começo a me
levantar, para escovar os dentes e começar a maquiagem, a foto de
Anthony aparece do tamanho todo da televisão. Demoro alguns
segundos para processar o que a apresentadora está falando, mas
quando consigo focar, fico completamente em choque:
— … condado estaria sendo afetado pelas suas estripulias,
apesar dos negócios serem extremamente lucrativos. Anthony
Watson, um dos homens mais ricos de Lanuver, foi visto mais uma
vez em uma balada na zona sul. A sua atual namorada, a modelo
famosa, Francesca Flemen, deu uma pequena entrevista depois de
ter um vídeo íntimo vazado.
A minha boca começa a abrir, quando o vídeo é mostrado na
televisão, com a parte íntima da garota de forma granulada,
enquanto Anthony parece animado, fazendo com ela a mesma coisa
que fez comigo na noite de ontem. Reconheço pela ambientação
que se trata, na realidade, da mesma boate, e sinto o meu chão
desabar.
— Anthony e eu mantemos um relacionamento privado,
porque não estávamos prontos para trazer a público e ter que lidar
com a mídia. O vídeo aconteceu em um momento de descuido, em
que ambos estávamos bêbados e animados demais. — a modelo
platinada diz, parecendo desolada do outro lado da televisão.
Fotos minhas, de mãos dadas com ele, preenchem toda a
tela, e se eu achei que meus olhos não poderiam saltar ainda mais
das órbitas, estava enganada. Fui flagrada no mesmo cantinho que
a tal Francesca estava, com a mesma pessoa, em um dia diferente.
Além disso, fotos nossas no museu e no ballet também surgem, a
legenda sugestiva e ofensiva me deixa apavorada. Não sei dizer o
quão completamente chocada eu estou com tudo isso, quando a
namorada volta para a entrevista e conclui aos prantos:
— Anthony e eu éramos um casal há meses. Eu não sei
quem essa oportunista é, mas não consigo acreditar que o amor da
minha vida está me traindo! — a esse ponto, sua maquiagem está
completamente borrada, e a apresentadora parece consolá-la, com
uma expressão de dó completamente absurda. — Mas, você sabe,
existem mulheres ardilosas, que enfeitiçam o homem e o fazem cair
em tentação. Na mesma semana, nós nos encontramos, e depois
ele aparece com essa… aproveitadora? Não consigo acreditar!
A apresentadora continua a entrevista, mas à essa altura, só
consigo escutar um zumbido horroroso em meu ouvido, e percebo
que estou aos prantos segundos depois de desligar a televisão,
completamente chocada com a reportagem.
Meu Deus!
Eu sou uma aproveitadora, destruidora de lares.
Mais do que isso, Anthony mentiu pra mim!
Figma o caramba, ele é o tal Watson, temido e tão falado
pelos funcionários neste hotel. Como eu pude cair nesse papinho de
primo que fez um favor pra lá, de funcionária do hotel que queria
saber o que eu iria fazer pra cá? Ele armou tudo!
Minhas lágrimas escorrem de um jeito nada elegante, e dou
uma fungada alta, antes de piscar algumas vezes, tentando
entender o que eu preciso fazer. Que merda! Como pude ser tão
idiota? Como eu pude achar que o vilão era o mocinho? Mr. Darcy
da vida real o caramba!
Acho que o sonho era bom demais para ser verdade, no final.
Ah… mas isso não vai ficar assim de jeito nenhum.
Resolvo tomar uma atitude, movida pela fúria. Ninguém vai
me fazer passar por idiota ou vilã da novela das nove sem ouvir
umas poucas e boas. Saio do quarto ainda de roupão, descalça e
com a total certeza de que se alguém me visse nesse momento, me
internaria, pensando que eu sou uma mulher desequilibrada e subo
até o último andar.
Anthony, com certeza, deve estar lá, e não no quarto comum
em que estivemos juntos na noite passada. Ele, e claro, o seu rei na
barriga. Aliás, Conde!
Furiosa, com o nariz escorrendo e arrependida de ter deixado
um sapato para trás, subo os andarem com tanto ódio que não
consigo nem explicar.
É isso, não quis brincar com os meus sentimentos? Agora ele
vai ter que me engolir.
A reserva para o restaurante privativo está confirmada, e
enquanto abotoo a camisa branca, ansioso para encontrar a minha
gatinha e mostrá-la novamente quem é que manda, começo a
relembrar a noite de ontem. E a manhã de hoje. Assim como a tarde
regada a provocações que tivemos, passeando nos jardins da minha
propriedade.
Poderia entrar e ocupar um dos milhares de quartos que
existem naquele mausoléu, mas, isso geraria uma burocracia e
explicações desnecessárias, por isso, me mantive com os dois pés
firmes no chão e com um pau muito duro dentro da calça. Pelo
menos, é garantido que de noite eu vou conseguir matar toda a
vontade absurda que eu senti dela durante todo o dia, e com isso
em mente, abro um sorriso grande, antes de continuar a me
arrumar.
Impressionante como estar com a loirinha não faz com que
eu me sinta entediado, ou com que pareça perda de tempo estar
fora do trabalho. Conversar com ela é interessante. Um sopro de
felicidade que faltava nos meus dias pacatos.
Além do desafio, que foi um ponto chave para que eu me
mantivesse interessado, afinal, eu não suporto perder. E, quando eu
consegui ganhar a batalha, e ela finalmente se rendeu, tive um dos
melhores prêmios que eu já imaginei ganhar: ela gemendo meu
nome em meu ouvido, completamente descabelada e suada.
Ansiosa e louca de desejo por mim.
Interrompendo os meus devaneios mais sexuais, escuto uma
gritaria no corredor, e fico curioso:
— Anthony! Abre logo essa porta, seu desgraçado! Não ache
nem por um segundo que eu acredito que você não está aí! — uma
voz muito parecida com a de Luana, com o seu sotaque carregado,
esmurra a porta da suíte vizinha, e para evitar mais
constrangimentos, abro a porta para observar a cena, no mínimo,
peculiar.
A loirinha está furiosa, com lágrimas nos olhos e pés no chão,
revoltada com alguma coisa. Ok… se ela está no corredor das
suítes presidenciais, provavelmente, está furiosa porque descobriu
quem eu sou, e agora o que me resta é entender como eu vou me
explicar no momento.
— Luana? — pergunto, mostrando a ela onde eu estou, e por
um segundo ela aparenta estar confusa.
Seu olhar vai da porta em que ela estava batendo para mim,
e primeiro as suas bochechas adotam a coloração rosada que eu
tanto gosto, mas depois seus olhos se estreitam e ela vem com tudo
em minha direção.
— Seu cachorro! Como você pode mentir pra mim dessa
forma? — entre tapas e socos, ela vai entrando no meu quarto, com
o nariz escorrendo e uma fúria que eu nunca imaginei vir dela.
— Vamos primeiro nos acalmar… — tento ponderar, me
esquivando dos seus tapas, mas ela não parece nem um pouco
ansiosa para parar.
— Nos acalmar? ACALMAR? Você me usou! Mentiu pra mim!
Você é conde sei lá do quê… e me levou para passear em vários
lugares chiques, falando que tinha um primo, amigo… sei lá mais
que raios de mentira inventou! — ela parece respirar com
dificuldade em meio às lágrimas, e vê-la dessa forma me deixa
desconcertado. E, claro, um pouco preocupado. Até mesmo um
pouco culpado.
— Não é pra tanto… não te disse, porque queria saber se
você era uma pessoa interesseira ou não. — falo, o mais calmo que
consigo, e ela para por um momento, recuperando o fôlego, com os
olhos estreitos. Seu roupão se abriu um pouco, e consigo ver as
coxas grossas somadas ao peito que sobe e desce em um ritmo
impressionante. Mesmo brigando comigo, não consigo não sentir
tesão por essa mulher.
— Não é pra tanto? — ela pergunta de forma baixa, e isso
soa muito mais assustador do que qualquer grito que a loirinha
pudesse dar — Eu estou nos jornais, sendo retratada como uma
destruidora de lares! Se minhas leitoras virem isso, eu estou na
lama. O que a minha família vai pensar de mim? — Luana parece
preocupada, e por isso me esforço para entender exatamente o que
ela está dizendo, com as mãos para cima em forma de rendição:
— Do que você está falando, Luana? — pergunto sério, e ela
abre um sorriso debochado.
— Pesquise seu nome no google, imbecil! — ela responde,
adotando a postura defensiva novamente.
— Não. Eu estou te perguntando e quero uma resposta
honesta. Que porra está acontecendo? Eu ser rico não muda nada
do que estamos vivendo, o tesão não é comprado não! — respondo,
sendo um pouco mais grosso do que o habitual com ela, e vejo que
se ofende na hora.
Luana cruza os braços, tomando ciência de que seu roupão
estava mais aberto do que o indicado e tem em seu olhar uma
expressão triste ao dizer:
— Eu realmente tenho dó da tal namorada que você traiu
comigo, mas pra ser honesta, estava estampado na minha cara e eu
quem fechei os olhos e não vi. — ela limpa as lágrimas, adotando
uma postura mais séria e respira fundo, antes de completar — Você
é um infeliz que se acha melhor do que todos por ter dinheiro e
poder. E eu fui apenas uma pessoa que te disse não, e pra gente
como você, isso é um desafio que não tem como fugir. Eu sei bem
como é, mas não funcionará mais. Espero nunca mais cruzar o seu
caminho, Anthony, porque eu farei de tudo para que você não cruze
nunca mais o meu.
As suas palavras são como socos em minha cara, e antes
que eu perceba, contra-ataco:
— Quer saber? Eu não vou nem me dar ao trabalho de
responder essa afirmação sem pé nem cabeça. Sabe por que eu
menti? Porque eu posso. Sabe por que você caiu? Porque eu sou o
melhor. — no minuto em que as palavras saem da minha boca, eu
sei que elas são mentira, mas como já comecei, sei que não vou
conseguir mais parar, e por isso continuo: — Eu não preciso mais de
você, o desafio já acabou, e até onde eu me lembro, você foi muito
bem recompensada, então, gatinha, de nada. Tenho certeza de que
ninguém foi tão bom quanto eu fui, e tenho certeza de que a
próxima será melhor que você.
Luana abre e fecha a boca algumas vezes, e bate o pé indo
em direção a porta, mas antes de sair, ela simplesmente congela no
lugar e diz:
— A sua arrogância vai ser a sua ruína, sabia? — a
expressão no seu rosto mostra que ela parece sentir pena de mim, e
esse é um sentimento que eu não tolero, mas antes que eu possa
rebater, ela completa: — Você pode ser tudo isso mesmo, Anthony.
O todo poderoso. Mas, está se esquecendo de uma coisa: no fundo,
não ter com quem contar, não ter uma pessoa ao seu lado, apenas
mulheres e amigos agindo por interesse, vai fazer você questionar
se a sua essência é boa o suficiente. Quando você perceber que
não, que você é um merda em um trono de ouro, vai se lembrar de
mim. Pode ter certeza de que eu sou milhares de vezes melhor do
que você, simplesmente porque eu sou boa. Isso ninguém me tira.
Já você? Oco por dentro.
— Isso me parece uma fala de quem foi rejeitada. — retruco,
não querendo deixá-la ganhar a discussão.
— Está se esquecendo de que eu quem vim aqui para acabar
com tudo. — e com essa fala absurda, a loirinha sai batendo os pés,
com raiva de mim e do mundo, provavelmente, indo em direção ao
seu quarto chorar e vestir uma roupa quente. Talvez não nesta
ordem.
Ok.
Foda-se que acabou.
Quem precisa de uma boceta com prazo de validade? Ela iria
embora amanhã mesmo, um dia a mais, um a menos, não faz a
menor diferença.
Bato a porta com força e pego um copo de whisky no minibar,
pensando em que merda acabou de acontecer aqui. Ninguém fala
comigo desse jeito e sai impune. Por que eu estou pensando em
como ela está se sentindo, ao invés de pensar em como fazê-la
pagar por me tratar dessa forma?
Pego o celular, há um tempo esquecido na mesinha de
cabeceira e vejo as milhares de mensagens que recebi.
Provavelmente, é disso que a loirinha estava falando. Clico em um
link qualquer que a minha secretária me mandou, e começo a
entender melhor o motivo do tal chilique.
Em um ato de fúria, quebro o copo na parede, puto com toda
essa exposição e com o trabalho que eu vou ter para resolver isso
com a minha profissional de relações públicas.
É isso que dá pensar mais com a cabeça de baixo do que
com a de cima, Anthony. Como se fosse só isso…
Eu nunca pensei que seria tão humilhada assim em toda a
minha vida.
Quer dizer, que nada muito emocionante aconteça comigo,
eu já estou acostumada. Ser invisível, não chamar atenção, não ser
nunca a primeira opção é algo com o qual eu sei lidar. Mas ser
enganada dessa forma foi completamente inesperado. Horrível.
Impensável. Doloroso.
Me dou o direito de chorar e ficar triste por algum tempo,
sofrendo pela minha ingenuidade, enquanto procuro nas redes
sociais o que estão falando sobre mim, apenas para perceber que
as notícias já correram o mundo e o que eu usava para divulgar o
meu trabalho, agora está sendo bombardeado por fãs da tal
Francesca me xingando.
Ótimo! Era exatamente disso que eu precisava para que o
meu dia melhorasse! Simplesmente, inacreditável como as mulheres
enganadas em pleno século XXI ainda são as maiores culpadas
pela separação dos relacionamentos alheios.
Sem saber o que responder para a minha assessora, fãs e
amigas, ligo para a única que sei que não irá me julgar ou me
recriminar. Pelo menos, não antes de entender exatamente o que
aconteceu:
— Mãe… — choramingo assim que ela atende o telefone.
— O que aconteceu, Luana? Não estou entendendo nada, o
grupo da família está em polvorosa com a mídia internacional te
massacrando. Por que não me atendeu antes? — sua voz não
contém julgamento, apenas preocupação, e eu solto um soluço alto
antes de responder:
— Eu me envolvi com um homem… e ele mentiu pra mim. —
digo baixo, envergonhada e sinto dona Joyce se revoltar do outro
lado da linha, antes de me responder:
— Ele te obrigou? — seu tom de voz é frio, e nesse momento
sei que ela está pensando o pior.
— Não, mãe… ele mentiu pra mim, mas não fui obrigada a
nada… Achei que estava vivendo um conto de fadas. — assumo
derrotada e ela ignora meu questionamento, sendo prática, como
sempre:
— Já comprou a passagem de volta? — sua pergunta é tão
direta, que nem me passa pela cabeça.
— Tenho mais um dia de viagem ainda. — respondo, sem
entender seu raciocínio.
— Sem segurança, em outro país… a sua vida vai se tornar
um inferno, filha. Faça as suas malas e pegue o próximo voo
possível pra casa. Aqui, vamos resolver tudo de maneira tranquila, e
sair dessa juntas, mas não pensa no dinheiro agora, usa o cartão de
crédito e foda-se. Volta! — suas palavras são tão sérias que, neste
momento, não ouso contrariá-la. Sei que, dentre todas as pessoas,
minha mãe é a que realmente quer o melhor pra mim, e é pensando
nisso que eu acato a sua ideia e confirmo com a cabeça.
— Tudo bem, vou fazer isso. — digo baixo, e ela solta um
suspiro alto.
— Tente dar uma disfarçada para que as pessoas não te
reconheçam, tenho medo por você.
— Certo. Vai ficar tudo bem. — digo e ela confirma, se
colocando à disposição para ajudar em tudo o que for necessário.
Agradeço e desligo, com um único objetivo em mente: manter o
máximo de distância entre mim e Anthony.
Vai ficar tudo bem. Repito o mantra enquanto me coloco em
movimento, juntando tudo o que está espalhado pelo quarto,
procurando um jeito de disfarçar as malas verde-limão totalmente
chamativas. Por fim, coloco óculos de sol grandes, uma roupa toda
preta e prendo os cabelos com um lenço, tentando ocultar o loiro,
antes de ligar para a recepção e pedir para fecharem a minha conta.
Sem chance de eu ficar esperando no saguão enquanto um
paparazzi, ou até mesmo aquele filho da mãe, resolva aparecer para
exibir a minha desgraça de uma forma mais explícita ainda.
Não posso cair, não posso falhar, não posso desistir. Preciso
seguir em frente lidando com essa exposição até que eu consiga
chegar em casa, me enfiar debaixo de um edredom quentinho e
colocar a minha comédia romântica preferida. Só assim eu vou
saber que está tudo bem.
A recepcionista é prestativa e pede para me entregar tudo no
quarto, maquininha de cartão e a conta, e quando ela pergunta se
pode solicitar um táxi, aceito, sabendo que, provavelmente, sua
gentileza não passa de dó. Ela sabia que eu estava sendo
enganada, todos os funcionários desse maldito hotel sabiam disso.
Seja sadismo, seja medo de perder o emprego ou até mesmo
maldade, todos compactuaram com essa história absurda, e o pior é
que eu nem posso julgá-los. Sei bem como Anthony pode ser um
homem persuasivo, afinal, caí em todos os seus jogos absurdos de
poder.
O táxi chega, as malas vão para carro, e quando ele dá
partida, Otheon vai ficando para trás. Comprar uma passagem
caríssima em cima da hora não estava em meus planos, mas
quando eu finalmente me sento na poltrona apertada, indo de volta
para casa, consigo respirar fundo, pensando no que eu preciso
fazer, e em como sair dessa situação ridícula na qual eu me envolvi.
Eu preciso colocar a minha cabeça no lugar.
A viagem que eu sempre sonhei foi completamente arruinada
por um homem. Logo eu, que sempre escrevi sobre vilões e
mocinhos, não soube reconhecer um quando tive a oportunidade.
No fim, não o culpo por completo, eu fui boba e ingênua também.
Isso, de fato, é algo que eu vou colocar em uma história futura. A
diferença é que no papel eu vou dar um final feliz e, talvez assim,
meu coração possa se recuperar de toda essa loucura.
Porém, de uma coisa eu tenho certeza, eu nunca mais quero
ver Anthony Watson na minha frente. Ele simplesmente morreu pra
mim.
Quem precisa de Luana Albuquerque? Certamente, não eu!
Tudo o que eu quis, eu consegui. E não serão meia dúzia de
notícias ruins que irão abalar a minha reputação. Muito menos uma
mulher me estapeando, histérica, no meio do corredor do meu hotel.
Estava esperando seu nervosismo passar para podermos
conversar como adultos e tentar nos resolver, por mais casual que
fosse, ela merecia o mínimo de explicações. E, para ser honesto, eu
queria muito me resolver e tentar achar uma opção para
continuarmos com o que quer que seja isso. Na realidade, eu não
sei lidar muito bem com choro e lágrimas, então, esperei o tempo
que eu julguei suficiente para que ela se recuperasse
emocionalmente, e quando bati na porta do seu quarto, pronto para
conversar e tentar resolver o necessário para não haver nenhum
mal entendido, vi que ela já tinha ido embora.
Talvez tenha sido melhor assim, nunca quis nada sério com
ninguém, e apesar de ter passado pela minha cabeça algo assim
com a loirinha, seria difícil demais manter um envolvimento à
distância. Foi bom enquanto durou, apenas algo passageiro e sem
nenhum tipo de cobrança, sexo casual com uma brasileira quente e
gostosa. Agora a loirinha foi embora e pronto, fim de jogo. Não tem
motivos para ficar remoendo esse assunto.
Pelo menos, é isso que eu tenho repetido pra mim mesmo
durante toda a semana, sempre que vejo alguma coisa verde-limão
e lembro da sua mala bagunçada, ou encontro alguma pessoa loira,
mas com a cor de cabelo errada. Nenhuma delas se assemelhou ao
caramelo lindo e brilhante de Luana. E, isso é o que me deixa mais
puto em toda essa história: a diaba foi embora, mas deixou pra trás
um monte de lembranças filhas da puta que me deixam
completamente desnorteado.
Não era para ser assim.
— Você está resmungando de novo. Tenha a santa paciência!
— Ian reclama ao meu lado, e eu apenas lhe lanço um olhar irritado,
antes de me virar para frente novamente, sentado no mesmo
camarote, da mesma boate de sempre.
— Não me darei ao trabalho de responder.
— Cara, era só uma foda, uma boceta que você comeu, e
ainda por cima te deu um trabalhão para lidar com a mídia. A
Francesca foi filha da puta, mas é isso, vida que segue, não precisa
ser esse cara irritado e ficar apenas resmungando de um lado pro
outro, como tem feito a semana inteira.
— Se não quer a minha companhia, pode ir embora. Eu não
vou ficar me justificando e aceitando essas merdas que você está
falando. Para ser sincero, tô pouco me fodendo para Francesca,
para Luana e até mesmo para você. A semana foi horrível, caótica,
estressante e eu só preciso de uma mulher pra me afundar, gozar, e
seguir em frente. — digo sem paciência e Ian revira os olhos, antes
de dar a cartada final:
— Então, se é só isso… o que está esperando? — ele
pergunta, e o gosto amargo da resposta invade a minha boca antes
de eu poder responder:
— Eu simplesmente não me interessei por ninguém ainda. —
a risada debochada do meu suposto melhor amigo me deixa ainda
mais puto. Ele parece realmente estar se divertindo com essa
situação, e são as suas palavras absurdas, e ao mesmo tempo
sérias que me motivam para continuar:
— Você deveria ter ido atrás da loirinha. Se você gostou o
suficiente para ficar correndo atrás dela como um imbecil, e não a
dispensou, como sempre, provavelmente, ela é muito mais especial
do que você deixou transparecer. E, se for esse o caso, foi idiota ao
simplesmente deixar ela ir embora achando que estava
comprometido com aquela vagabunda. — estreito os meus olhos em
sua direção, tentando entender se ele está bêbado ou não, pois a
sua sobriedade me assusta, e ao mesmo tempo me revolta.
Quem é Ian para falar comigo desse jeito?
Além disso, o que ele pensa que sabe para querer me dar
algum tipo de lição de moral?
Resolvo ignorar o que ele falou, de uma forma infantil e até
mesmo um pouco perturbada, me levanto com o copo de Whisky na
mão e vou em direção à primeira loira que eu encontro. Os cabelos
são parecidos o suficiente para cumprir com as expectativas, e sem
nem perguntar o seu nome, colo seus lábios nos meus, ansioso
para sentir alguma coisa.
O beijo é bom, ela é sensual e ao mesmo tempo parece
surpresa com a minha aproximação, mas quando me afasto, não
são os olhos certos que me encaram, e isso me irrita.
— Quer ir para um lugar mais privativo? — pergunto, e ela
confirma com a cabeça, segurando a minha mão.
Antes de deixarmos o camarote, olho em direção ao filho da
puta que resolveu engolir o grilo "consciência" do Pinóquio, e mostro
o dedo do meio. Outra atitude infantil, eu sei, mas ao mesmo tempo
bastante eficiente, porque ele joga a cabeça para trás em uma
gargalhada que eu não fico perto o suficiente para ouvir.
Descemos as escadas em direção à saída, e passamos em
frente a porta da sala de controle, onde dias atrás fiz Luana gozar
até quase perder os sentidos. Balanço a cabeça para afastar os
pensamentos intrusos, e assim que alcançamos a saída, com o
vento batendo em minha cara e me recuperando a sanidade, entro
no carro onde o motorista já me espera e partimos em direção ao
hotel, sem dar uma segunda olhada para o rosto da mulher que
parece feliz por estar ao meu lado. Pelo menos um dos dois tem de
estar, afinal.
— Eu te acho muito gato. — a mulher diz durante o caminho,
e eu foco em seu rosto, esperando por um "mas" que nunca chega.
— Você também é uma mulher muito atraente. — digo, dando
de ombros, e ela abre um sorriso, parecendo satisfeita.
— Eu me chamo Michelle. — ela continua o papo, e eu me
seguro muito para não revirar os olhos antes de responder:
— Ok.
Em poucos segundos estamos no hotel, dentro do elevador o
beijo começa a ficar mais quente e, antes de chegarmos no quarto,
ela está praticamente sem roupas em meus braços. Me esforço o
suficiente para levar isso até o fim, mas meu amigo não está
colaborando muito para esse desfecho. Enquanto ela faz
movimentos de vai e vem com a sua boca em meu pau, começo a
pensar em todo o tipo de coisas: da empresa, da vida, e até mesmo
da propriedade que odeio, deixando-a aparentemente chateada.
Michelle tenta de tudo para me deixar animado, e é apenas
quando eu a viro de costas, vendo apenas os seus cabelos loiros,
que meu amigo começa a se animar de verdade. Quando dou por
mim, não é mais a mulher da balada que está sob mim, e sim a
minha gatinha manhosa gemendo o meu nome. E, enquanto
finalmente acabo dentro de outra mulher, percebo o quanto eu estou
me enganando.
Ela e, aparentemente, nenhuma outra será a correta. O
perfume não é certo, a risada e os gemidos são diferentes, e
principalmente, nenhuma delas tem a maldita pintinha de coração
que me deixou completamente obcecado.
Saio do quarto de fininho, depois de ter tido a foda mais meia
boca de toda a minha vida, e passo o restante da noite stalkeando
as redes sociais da loirinha escritora que abalou minha confiança, e
o meu mundo, até apagar. Quando acordo e abro o celular, percebo
que não consigo achar novamente as suas redes sociais, o que me
deixa ligeiramente transtornado.
O que eu faço agora?
Tomo uma decisão: eu vou fingir até não ser mais necessário,
mas, com certeza, encontrarei um modo de tirar Luana Albuquerque
do meu sistema.
Ou não me chamo Anthony Watson.
— Ok! Eu odeio ser a pessoa portadora das más notícias,
mas você precisa sair dessa cama! — Giulia, minha amiga de longa
data, praticamente me empurra para o chão, em sua tentativa
desesperada — e falha — de tentar me motivar.
É isso, apesar de não estarmos morando mais na mesma
cidade, minha melhor amiga dirigiu seis longas horas para tentar me
motivar, e isso é muito mais do que eu poderia esperar de qualquer
amizade. Principalmente, quando ela tem filhos lindos que precisam
dos seus cuidados.
Faço um esforço monumental para me levantar, e prendo o
cabelo em um coque alto, antes de cruzar os braços.
— Satisfeita? Agora que eu já me levantei você pode me
deixar em paz? — reclamo, tendo plena consciência de que estou
sendo mal criada, mas ela não se abala, e enfia uma xícara de chá
fumegante em minha mão, antes de me entregar o meu exemplar
preferido, e até um pouquinho surrado, de Harry Potter.
— Vai tomar esse chá, vai ler seu livro preferido, e se
recuperar dessa humilhação. Ninguém mais está nem aí sobre o
que você andou aprontando no exterior, amiga. Suas leitoras
sentem a sua falta, e, confesso que eu também sinto! — ela diz, e
eu vou em sua direção em busca de um abraço.
É bom ter com quem contar nos momentos difíceis, e posso
dizer que nunca foi tão difícil como está sendo atualmente. Há mais
de quinze dias eu estou me sentindo a mosca do cocô do cavalo do
bandido. Não é à toa que depois de uma pequena intervenção
familiar, com direito a consultoria de imagem com a blogueira da
família, Laís Castro, eu resolvi desativar todas as minhas redes
sociais. Não estava aguentando a pressão de entrar na internet e
ver quantos trolls estão me mandando mensagens de ódio, se
escondendo atrás de um perfil fake. Foi demais pra mim!
Ao contrário do que deveria em teoria acontecer, as minhas
vendas triplicaram de número, e eu nunca me senti tão mal por estar
indo bem. É horrível pensar e saber que tudo o que você fez e faz
não tem valor nenhum, as pessoas só estão comprando meus livros,
e conhecendo o meu trabalho porque eu fui amante de um Conde
milionário do outro lado do mundo.
Aérea, tomo um gole do chá de erva-doce, mal escuto o que
Giúlia fala, entrando em um loop de tristeza infinito. Eu não merecia
estar passando por tudo isso. Sempre fui feliz em ser invisível,
sempre me conformei com isso e, agora, eu preciso lidar com toda
essa avalanche de exposição.
É demais.
É impossível.
Difícil de respirar.
Difícil de continuar vivendo.
Meu estômago protesta mais uma vez, e antes que eu possa
pensar em tentar controlar, corro em direção ao banheiro, colocando
tudo para fora. Mais uma vez.
A intoxicação alimentar me pegou com tudo, e eu, que antes
estava literalmente afogando as minhas lágrimas em brigadeiro,
coca-cola e hambúrguer, agora estou me afogando em uma poça de
vômito. Dentre as duas opções, a primeira, com certeza, era mais
prazerosa, e enquanto coloco tudo para fora, Giulia aparece de
braços cruzados na porta do banheiro, me olhando com uma
expressão no mínimo curiosa.
Quando tenho certeza de que não existe mais nada para ser
colocado para fora, me levanto um pouco fraca e escovo os dentes,
com a supervisão da minha melhor amiga que, aparentemente, está
matutando algo em sua cabecinha esperta.
— Amiga, você está bem? — a sua pergunta é direta, e sei
que não envolve apenas o momento deprimente de minutos atrás.
Por isso, cruzo os braços na defensiva antes de negar com a
cabeça.
— Achei que estávamos na mesma página. É claro que eu
não estou bem! Fui humilhada, enganada, tenho milhares de
pessoas que me odeiam nas redes sociais, tudo isso afetou o meu
trabalho e agora, eu peguei essa intoxicação fudida que não deixa
nada parar no meu estômago! — bufo alto, e ela adota um olhar
misterioso — Além de um sono horroroso que não me abandona
nunca, que é sinal claro da depressão profunda que estou vivendo
no momento.
Giu vem em minha direção e me abraça forte, provavelmente
comovida com a minha exibição de fracasso, mas quando me solta,
a pergunta que ela faz é completamente surpreendente:
— Amiga, vocês usaram camisinha? — assim que ela
termina de falar, sinto as minhas bochechas pegarem fogo, e eu
arregalo os olhos, pensando em sua pergunta.
— Eu uso pílula… — respondo baixo, mas ela levanta as
sobrancelhas me pressionando, e eu nego com a cabeça.
— Puta que pariu! Você é burra, hein, amiga? Credo! — o
tapa no braço vem forte, e nesse momento eu nem posso
questioná-la, porque de fato fui burra e nem pensei nisso antes.
— Tenho certeza de que um cara como ele não tem nenhuma
doença… quer dizer, ele é um ditador milionário, com certeza cuida
da saúde. — tento justificar, mas seu olhar mortal me cala.
Sim! Eu fui extremamente burra e imprudente. Não tem o que
justificar neste caso, simplesmente aceitar que eu caguei no pau e
agora precisarei fazer milhares de exames para ter certeza de que
eu estou totalmente "limpa".
— Você vai ter… — ela começa, mas eu completo a sua
frase, como sempre fazemos uma com a outra, de forma
extremamente irritante em alguns momentos.
— …que fazer milhares de exames. Eu sei.
— Bom, eu posso ir com você. Não estou fazendo nada, e só
volto pra casa depois de amanhã. — ela diz, já abrindo o meu
armário, escolhendo uma roupa para não me dar outra escapatória,
a não ser sair de casa.
— Olha, sinceramente, eu posso pedir para coletarem o
sangue aqui em casa amanhã. Não preciso sair. — digo baixo, já
com medo do que vai acontecer se eu sair, e ela revira os olhos
antes de completar:
— Vou ter que te arrastar, sua vagabunda? Vamos logo. Eu
sou mais velha e mando nessa porra. — Giulia diz, e dá um tapa
forte na minha bunda, antes de enfiar as roupas que ela escolheu
em meus braços e me empurrar para o banheiro.

— Bom, esses são todos os exames que você precisa fazer,


Luana. O laboratório é no primeiro andar. — a minha ginecologista
diz, depois de um encaixe de última hora e um sermão fenomenal.
— Certo. Pode deixar, vou fazer agora. — falo baixo, em um
fio de voz, envergonhada pelo meu descuido, e ela apenas me
entrega uma caixinha, antes de completar:
— Agora, você vai fazer um teste de gravidez para
descartarmos a hipótese.
— Não é necessário, doutora… eu uso a pílula regularmente.
— começo a descartar a ideia absurda, mas Giulia, que ficou quieta
durante toda a consulta, pega o teste e praticamente o esfrega na
minha cara, antes de dizer:
— Vai fazer sim! Esses seus enjoos não são normais.
— Eu já disse… — tento argumentar, sob o olhar vigilante da
doutora, mas ela descarta.
— Não interessa! — a teimosa me corta e eu reviro os olhos,
indo para o banheiro fazer o teste absurdo, antes de começar um
barraco com a minha melhor amiga dentro do consultório médico.
Faço o xixi no potinho, e levo sem nem olhar a fitinha para a
doutora, que aguarda, parecendo um pouco ansiosa. Nós três
observamos as duas listras vermelhas aparecerem no palitinho, e
me sinto fraca quando entendo o que aquilo quer dizer.
Não é possível.
Só pode ser mentira!
Eu não posso estar grávida.
É impossível!
— Luana… — Giu me chama, mas as lágrimas me invadem
com tudo, e vejo nublado.
— Isso não pode estar certo. É loucura, impossível, não é
doutora? — pergunto, tentando ver a verdade no absurdo, mas até a
médica parece surpresa.
— Bom… não é impossível, Luana… vamos confirmar com o
exame de sangue, mas existem grandes chances de você estar
grávida.
— Grávida? De um deslize terrível como esse? O que eu vou
fazer? — questiono, enquanto minha melhor amiga me abraça
apertado.
Por mais que eu esteja nos braços de Giulia, e tenha
consciência de que as duas falam alguma coisa comigo, me vejo
completamente perdida. Sem chão. Sozinha e sem rumo.
Bom, sozinha não… agora eu tenho o meu bebê.
Alguns meses depois…

— Os negócios nunca foram tão bons, não é? — Ian diz com


um sorriso no rosto e eu confirmo com a cabeça, do outro lado da
minha mesa.
— Claro que ainda há pontos que podem ser melhorados…
— começo a dizer e ele abre um sorriso crítico, antes de se levantar
abotoando o terno.
— Eu nunca pensei que diria isso a você, meu amigo, mas
está na hora de sossegar, não acha?
— Não. — respondo simplesmente.
— Pelo menos, esteja aberto à essa situação, eu sei que
você não pensa em se envolver tão cedo, apenas para em algum
momento cumprir as obrigações do condado, mas me tome como
exemplo. Quando você imaginou que eu iria me casar? — seu
sorriso é enorme, e eu preciso segurar muito a minha língua para
não dizer que até agora não estou acreditando que isso, de fato, vai
acontecer. — Mas, eu encontrei o amor e, para ser honesto, é muito
bom. Dianna é a melhor coisa que me aconteceu e eu vou me casar
amanhã! Isso não é maravilhoso?
— Você nunca foi tão ridículo como está sendo desde que
conheceu essa mulher, Ian. Ainda bem que o contrato pré-nupcial foi
assinado. — digo para provocá-lo, e ele abre um sorriso, mostrando
que não se ofendeu.
— Não é porque você cresceu sem atenção, família, e o
caralho a quatro que todo mundo quer o seu dinheiro, Anthony. A
minha noiva não é assim, você sabe disso. E tenho certeza de que
ela não seria também.
Cruzo os braços em defensiva, mas ele percebe que atingiu
um ponto importante, até mesmo doloroso, e apenas por isso,
resolvo ignorá-lo.
É claro que eu sei sobre todos os problemas de confiança
que eu tenho. Para ser justo, é difícil para caralho confiar em
alguém quando você é visto apenas pelo dinheiro que possui em
sua conta bancária. O fato de ter um título nobre, todas as
propriedades e obrigações, também não me ajuda muito. Desde
criança eu fui privado de afeto, tendo plena ciência de que nasci
apenas para cumprir uma obrigação com a coroa e passar à frente o
título de Conde. Meu pai sempre deixou isso claro, principalmente,
porque minha mãe morreu no parto e ele ficou com toda a
responsabilidade da minha criação. Fardo que ele empurrou para a
primeira empregada que viu pela frente, cumprindo o seu dever de
manter viva sua linhagem.
Mas, eu venci. Eu o superei. E agora que o velho ranzinza
morreu, eu o substituí. Não existe sabor maior do que esse: saber
que venci.
Meus problemas de confiança podem ter vindo daí?
Provavelmente.
Porém, Ian falar da minha infância e colocar o nome dela no
meio, é simplesmente um golpe baixo. Luana se interessou por mim,
não pelo dinheiro que eu tenho, ou pelo título que eu possuo, como
todas as outras mulheres com quem eu já me envolvi. Ele sabe
disso, e eu também. Talvez, tenha sido por isso que tudo foi tão
satisfatório, tão intenso. E acabou. Acabou há. Mas quem está
contando?
— Você não tem o direito de tocar nesse assunto. — digo
baixo, de forma ameaçadora.
Ian percebe que pisou na bola, por isso levanta os braços em
rendição, soltando um suspiro alto.
— Só quero o melhor pra você, Anthony. Só quero que seja
feliz. Sinceramente, não é pedir demais. — sem medo do perigo, ou
da minha reação, ele se aproxima, e me dá dois tapinhas nas costas
— Sei que na época fui um babaca, e não entendia, mas você
poderia ter me ignorado e corrido atrás da pessoa que te interessou
tanto. Assim como eu fiz quando Dianna apareceu e você foi
totalmente contra o meu relacionamento. Não minta pra mim,
porque eu sei que ela foi a única até então… talvez, você ainda
possa correr atrás do tempo perdido. Talvez não seja tarde demais.
— Não sei do que você está falando. — minto
descaradamente, e ele revira os olhos.
— Depois, não diga que não avisei, quando você estiver
velho, amargurado e engravidando qualquer uma para ter um
herdeiro, assim como o seu pai fez. — ele diz, e se afasta rápido,
sabendo que a minha reação não poderia ser boa com essa
acusação absurda.
É claro que eu nunca vou ser como o meu pai.
Nunca.
Pego a primeira coisa que vejo pela frente, um grampeador e
jogo em sua direção, lhe arrancando uma risada alta.
— Te espero amanhã ao meu lado no altar, maninho. Se
cuida, e pensa nisso. — ele diz, e eu reviro os olhos, vendo-o deixar
a sala rápido, antes que eu continue a discussão.
Filho da puta. Sempre dificultando o meu trabalho.

O tal casamento passa como um borrão.


Os noivos parecem extremamente apaixonados, fazendo
votos de amor eterno, contando para os convidados como o
encontro inesperado em uma padaria resultou em um casamento
após apenas seis meses. Tudo isso me dá vontade de revirar os
olhos, ou até mesmo vomitar, mas seguro a minha expressão
impassível, enquanto estou em pé diante de todos ali.
Estar ao lado do noivo no altar, sem uma acompanhante, me
faz pensar em como a minha vida está sendo extremamente
solitária. Depois da conversa de ontem, resolvo assumir para mim
mesmo que, sim, eu posso estar indo para o mesmo caminho do
antigo Conde, e isso me embrulha o estômago de uma maneira
inimaginável. Eu não quero ser igual a ele. Não posso ser igual a
ele. Isso pra mim é completamente impensável e imoral.
Sentado em uma mesa afastada, bebo um pouco mais do
meu whisky, sem saber exatamente como me comportar, ou o que
fazer. E neste loop de autopiedade e autocrítica, nem percebo o
tempo passar, ou como estou parecendo miserável, completamente
sozinho, enquanto todas as pessoas se divertem na festa requintada
que Ian e a sua, agora, esposa prepararam no salão de festas do
hotel. Presente que dei com prazer, por ser padrinho dos noivos.
— Esse lugar está vazio? — alguém pergunta, e eu levanto
os olhos, pronto para xingar quem quer que seja.
Uma mulher loira dos cabelos cor de caramelo, quase no tom
certo, abre um sorriso sugestivo e se senta ao meu lado, sem
esperar a minha resposta.
Analiso o seu rosto por alguns segundos, e acho que nunca
encontrei uma mulher tão parecida com as características que
estava procurando desde então. Abro a boca e fecho duas vezes,
sem saber exatamente o que dizer, e talvez seja o álcool falando
mais alto, mas tenho quase certeza de que a sua voz parece tão
angelical quanto a dela.
E isso só corrobora com a ideia de que a solidão está
confundindo meus miolos.
— Não, pode se sentar. — respondo, e ela abre um sorriso
sedutor, colocando a mão em minha coxa.
— Você parece muito solitário, quer companhia? — seus
lábios pintados de vermelho se abrem num sorriso malicioso, e eu
estreito os olhos tentando entender o que há de errado.
— Vamos para um lugar mais privado? — pergunto, já me
levantando.
A mulher abre um sorriso, parecendo ter ganhado na loteria,
e caminha ao meu lado, pronta para ceder a todos os meus desejos.
Porém, quando estamos na cama, apesar de todas as
características parecidas, ela não tem a pintinha em formato de
coração, muito menos o jeito tímido e sensual que me deixava
louco. Mas, como tenho feito todos os dias desde quando Luana foi
embora, fecho bem os meus olhos, e penso na mulher que tira o
meu juízo, enquanto me afundo em uma qualquer, apenas para
provar para todos e principalmente para mim mesmo que eu ainda
sou eu: Anthony Watson, o homem que não precisa de ninguém.
Quem diria, que eu, Luana Albuquerque, a mais romântica da
família, estaria sentada no meio do salão de festas em pleno sábado
— leia-se: ocupando a data de alguma noiva em potencial —
abrindo presentes para o meu bebê, em um chá de fraldas
extremamente ostensivo, sem um marido do lado? Pois é, ninguém.
Mas, mesmo assim cá estou eu, entre familiares e amigos, olhando
uma decoração azul clara, que indica o sexo do meu filho que ainda
não tem nome, sem saber o que esperar da minha vida. Bem, além
dessa criança.
Tudo isso parece uma piada de mal gosto.
Por mais surpresa e irritada que eu tenha ficado nesse
legado dos dias insanos que vivi, e que ainda estou carregando,
quando comecei a realmente sentir o meu filho, percebi que deveria
lutar por ele. Eu tinha me entregado à depressão de uma forma que
eu nunca pensei que poderia. Nem terapia, nem apoio dos amigos e
familiares, nada me preparou para o momento em que eu me vi
mãe. Meu mundo desabou de uma forma que não consigo expor em
palavras.
O choque da minha gravidez foi grande. Gostaria de dizer
que desde o primeiro instante que me entreguei a maternidade,
amei cada segundo da gestação até aqui, mas a negação veio forte
para mim. Apesar de sempre me imaginar sendo mãe um dia, eu
não queria um bebê sem a estrutura e o apoio paterno,
principalmente, sendo tão jovem. Mas, mesmo assim, cá estou eu,
com o filho do homem mais bonito e enlouquecedor que eu já
conheci, sabendo que todas as vezes que eu olhar pra ele, vou me
lembrar do salafrário que me enganou.
Apesar de ser algo completamente impensável para mim
meses atrás, eu não sou uma adolescente em crise, como minha
mãe gosta muito de frisar sempre que possível, e assim que senti o
primeiro movimento na minha barriga, resolvi assumir os meus
problemas como uma adulta. Foi um daqueles momentos em que
tudo pareceu extremamente real, e tive consciência de que
precisava reagir. O bebê não tem culpa de ter o pai que tem, ele não
tem culpa de nada, e foi assim que passei a aceitar a minha
condição e me dispus a tentar ser a melhor mãe possível, tendo
como exemplo a minha própria mãe: Joyce. Ela também foi mãe
solo, apesar de ter ao seu lado o traste do meu pai durante a
gravidez, e se ela não enlouqueceu, eu também não vou. Sigo com
o meu mantra, enquanto recebo mais um presente extremamente
ostensivo, pelo menos, é o último.
— E agora, todos para a pista de dança! — dona Joyce diz
em um microfone, e todas as pessoas passam a se divertir, tirando a
atenção total de mim, o que é um grande alívio, apesar de ainda
sentir os olhares de pena de todas as tias e primas com quem eu
não tenho muito contato.
— Como está a minha prima preferida? — Diego pergunta
com o seu sorriso brilhante, e eu me jogo em seus braços da
maneira que posso, já que agora há uma barriga enorme entre nós.
Ele, sim, é uma das minhas pessoas preferidas na família.
— Agora, esperando ansiosa para voltar a não ter mais dor
nas costas. — digo com um sorriso no rosto, e a sua esposa Laís,
se junta a nós para conversar conosco.
— Nossa, não fala assim... eu sinto saudade da minha
gravidez. Passa tão rápido! — ela diz e Diego arregala os olhos de
um jeito engraçado.
— Não preciso te lembrar de que você quase pariu a Luísa
na 25 de Março, né? — seu tom é crítico, mas ao mesmo tempo
cômico, e eu abro um sorriso ao observar a interação dos dois.
— Não seja tão dramático, estava tudo sobre controle. — ela
diz, mas vejo as suas bochechas adotarem um tom rosado de
timidez — Mas, a Lulu aqui, pode evitar esse tipo de coisa. Eu
indico.
— Eu também! — Diego diz e eu gargalho.
Os dois são o meu casal preferido no mundo. A cumplicidade
e alegria que têm juntos é empolgante e emocionante, e, confesso
já ter escrito um romance inspirado na história dos dois. Quer dizer,
quando uma blogueira falida conquista um partidão como meu
priminho, e passa por tantas provações como os dois passaram
juntos, eu me sinto na obrigação de colocar as palavras no papel.
Isso mostra para as minhas leitoras que tudo pode dar certo. E para
mim, também.
— Pode deixar, eu não vou fazer esse tipo de coisa… apesar
de ainda faltar algumas semanas para o nascimento.
— Você está com sete meses? — Diego pergunta,
estreitando os olhos, provavelmente, sem saber contar em
semanas, e eu confirmo com a cabeça.
— Isso. Vinte e nove semanas. — respondo orgulhosa — O
pequeno já não é tão pequeno assim.
— Já está chegando ao fim… mal posso esperar para pegar
o nosso campeãozinho no colo! — Laís diz, parecendo emocionada,
e eu abro um sorriso feliz.
— Eu também!
Conversamos um pouco mais sobre como estão os
preparativos para a chegada do bebê, e sobre a gravidez em si, mas
o assunto do pai nunca é tocado por ninguém, o que eu considero
uma benção. Minha mãe foi extremamente direta com todos quando
descobriu a minha gravidez: "Luana engravidou e o filho é dela, não
existe pai e não quero que ninguém fique importunando a minha
filha com assuntos desnecessários." Nem o vovô, Victor Hugo,
ousou contestá-la, por isso, e claro, todo tipo de apoio e suporte que
ela tem me dado, eu serei eternamente grata.
A festa é incrível e, por mais reclusa que eu tenha ficado
desde quando recebi a tal notícia e meu mundo desmoronou com o
assédio dos paparazzis, é muito bom ter a minha família por perto.
Feliz, curto ao lado de todos que me querem bem, emocionada por
estar recebendo tanto amor, mesmo não sendo digna de nada disso.
Sei que quando chegar em casa vou chorar até dormir, como tenho
feito todas as noites desde então, ou me aventurar ainda mais na
escrita tentando esquecer da vida real.
Tem sido assim desde quando voltei de viagem e,
provavelmente, será dessa forma por ainda mais tempo. No fim, eu
consigo mentir para os outros, mas não consigo mentir para mim
mesma: Anthony me quebrou do jeito mais horrível e profundo que
alguém poderia fazer, e agora eu não estou nem perto de reconstruir
todos os meus pedaços. Essa é uma verdade absoluta e dolorida.
Meu filho está aqui para me lembrar disso todos os dias, do único
homem que me marcou para sempre.
É por isso, também, que resolvi sumir das redes sociais, e
manter meu low profile o mais "low" possível.
O filho é meu, e mesmo que eu tenha relutado para aceitá-lo,
agora que fiz isso, não posso deixar de pensar que se Anthony
souber ele vai reivindicá-lo. Afinal, ele querendo ou não, é o futuro
Conde de sei lá o que em Lanuver e, se ele descobrir, tudo pode
desmoronar sobre a minha cabeça novamente.
Eu não conheço realmente a essência do homem com quem
me relacionei. Não sei o que se passa na cabeça dele, e o que ele
faria se descobrisse o legado que nossos dias infames renderam.
Se Anthony descobrir e tirar o meu bebê de mim, eu não sei o
que pode acontecer comigo. Dessa vez, acho que não vou
conseguir suportar a dor, e é por isso que esse segredo precisa ser
bem guardado.
A decisão de excluir as minhas redes sociais e parar de
publicar usando o meu nome foi fácil. O difícil foi caminhar sozinha e
publicar livros sob um pseudônimo que ninguém conhecia, sabendo
que o livro que estava vendendo era uma versão feliz da história de
amor que nunca deveria ter sequer acontecido: A minha e de
Anthony.
Olho para a loira deitada ao meu lado na minha cama e reviro
os olhos, pensando que quebrei uma das minhas regras mais
claras: sair mais de duas vezes com a mesma boceta é pedir para
me ferrar. Francesca está aí para provar isso… e a Luana também.
Porém, uma de um jeito completamente diferente da outra, se me
serve de consolo.
Depois que encontrei a tal Chloe no casamento, e achei seus
cabelos do tom quase certo para me enlouquecer completamente,
confesso que fui fraco. Eu não deveria ter salvado o número do
telefone que ela deixou em cima da mesinha de cabeceira. Muito
menos, ter ligado quando estava bêbado e carente no dia
seguinte… nem todas as vezes em que eu bebi além da conta
depois disso. O bom dela é que, por ser silenciosa e entender que
só se trata de sexo, não preciso lhe dar nenhuma explicação, o que
já é muito mais válido do que qualquer outra com quem eu poderia
me envolver. Além dos cabelos estarem na cor certa, e me
lembrarem da única mulher que eu nunca consegui esquecer.
Vou até a porta e a deixo dormindo, como sempre faço, e
corro na esteira até os meus pulmões estarem em brasa e os meus
pensamentos enevoados, só pensando na pintinha em formato de
coração que aquela diaba tem no meio das pernas, e,
principalmente, em como eu não consigo tirá-la da minha cabeça.
Enquanto corro, as palavras de Ian ficam pregadas em minha
cabeça como um chiclete mascado irritante: "Vá atrás dela, se ela
foi a única mulher pela qual você já se interessou, deve valer a
pena." Como se o filho da puta não me conhecesse o suficiente
para saber que o meu orgulho nunca deixaria isso acontecer.
Por que eu me arriscaria assim?
Não basta já ter sido rejeitado uma vez?
Meses já se passaram, com certeza, Luana não deve nem
lembrar da minha existência. Fui eu quem fiquei completamente
obcecado pela gatinha envergonhada, não o contrário. Além do
mais, ela foi embora sem olhar para trás, sem esperar uma
explicação, uma conversa franca e clara, onde eu pudesse contestar
a fofoca nonsense que a mídia contou.
Meu temperamento forte e minha inabilidade de lidar com
aquela situação no momento, não colaboraram muito para que ela
quisesse ficar e me ouvir. E, caso tivesse me dado a chance de me
explicar, eu o faria?
De toda forma, apesar de não conseguir esconder meu
interesse e minha vontade por ela, não sei nem como procurá-la.
Luana apagou todas as suas redes sociais, parou de postar seus
livros e ninguém sabe do seu paradeiro. E muito menos eu.
Não que eu estivesse procurando algum tipo de informação
sobre ela, é claro, muito menos, pesquisado e lido todas as suas
obras no meu pequeno tempo livre. Mas, em minha defesa, eu achei
que assim eu conseguiria tirá-la do meu sistema e seguir em frente.
Principalmente, porque a mulher evaporou, e por mais que eu tenha
realmente pensado em entrar em contato algumas vezes, não sei
como poderia fazer isso.
Bom… até sei, mas isso envolveria meu detetive e muito
mais esforço do que eu estava disposto a fazer por uma mulher que
resolveu me dispensar de uma hora para a outra. Apesar de que
saber como ela está seria um bom passo para conseguir tirá-la dos
meus pensamentos.
Quem sabe assim eu consiga respirar e focar novamente na
minha vida, e deixá-la de lado?
Sem pensar muito, para não correr o risco de me arrepender,
paro a esteira e disco o número de Vincent, que me atende na
primeira chamada, apesar de ser cedo.
— O que precisa, senhor Watson? — ele diz sério,
extremamente profissional e eu quase desisto de pedir para ele
fazer a investigação.
— Na verdade… — respiro fundo e lembro da maldita
pintinha em formato de coração. É isso que faz com que eu não
recue. — preciso saber o paradeiro de uma pessoa. Não tenho
muitos dados sobre ela, sei apenas nome, profissão e que mora no
Brasil.
Vincent fica alguns segundos mudo na linha e, na sua voz
mais fria, questiona:
— É alguém perigoso? Preciso levar reforços?
— Quê? Não! É apenas uma mulher. Vou te mandar as
informações por e-mail. Você viaja amanhã. Quero todo tipo de
informações que você puder recolher, não aceito menos do que um
dossiê completo. — digo, um pouco envergonhado por ter assumido
estar caído por uma mulher qualquer, mas ele não faz nenhum tipo
de questionamento, apenas confirma e desliga o telefone,
provavelmente pronto para começar os preparativos para a sua
viagem.
É nesse ponto que eu passo a assumir para mim mesmo o
que eu não queria em momento nenhum fazer: Eu fui fraco e perdi
no meu próprio jogo: Luana é muito mais do que apenas uma
conquista. E está ainda mais longe de ser uma mulher qualquer.
Apesar de estar ansioso para saber mais sobre ela, não
posso deixar de me perguntar como ela reagiria se soubesse de
tudo isso.
— Mãe! — grito alto, tentando chamar a atenção da mulher
que provavelmente está dormindo, no quarto ao lado do meu desde
quando tudo aconteceu.
A gravidez estava indo bem, até eu escorregar de uma forma
ridícula no box do banheiro e bater a barriga no chão. Resultado:
uma dor intensa e aterrorizante, pânico total e muito medo de perder
o meu bebê. Vários e vários exames depois, tivemos a notícia de
que o meu filho estava bem, porém, agora tudo seria com mais
risco, e há três semanas estou vivendo um pesadelo, presa à uma
cama, sem poder fazer movimentos bruscos.
— O que foi, Lu? Está tudo bem? — minha mãe pergunta,
assustada e eu nego com a cabeça, com lágrimas nos olhos.
— Eu estou sentindo muita dor. Tenho certeza de que vou
perder meu filho. — digo em meio às lágrimas e a dona Joyce se
senta na beirada da cama, fazendo um carinho em meu cabelo.
— Filha, já conversamos sobre isso… é psicológico. Estamos
fazendo tudo certo, sempre tem alguém em casa para te auxiliar, e
agora está tudo bem com o meu netinho. Não precisa se preocupar.
Sinto uma pontada estranha no meu baixo ventre e prendo a
respiração. Sei que já me senti mal antes, e realmente era uma
preocupação exacerbada. Mas, eu juro que agora eu não estou me
sentindo nada bem. Na realidade, eu acho que nunca estive pior, e
isso me preocupa muito mais do que eu gostaria de transparecer.
— Não estou sendo exagerada. Realmente estou sentindo
uma dor insuportável, mãe. — digo, e ela me olha com preocupação
e compaixão.
— Tudo bem, me conte o que está acontecendo, assim,
podemos resolver o problema da melhor forma possível. Que tal?
Explico a dor que estou sentindo, e quando mais uma
pontada vem com tudo, esmago a sua mão até que ela passe e eu
consiga respirar novamente.
— Vem, vamos tomar um banho e tentar entender o que está
acontecendo. Se não melhorar em meia hora ligamos para o doutor
Murilo Mazzini. — ela diz, e eu confirmo com a cabeça, jogando o
edredom de lado e tentando me levantar.
Vejo pela expressão da minha mãe, que fica branca como um
papel, que alguma coisa está errada, mas é só quando eu vejo a
poça de sangue no meu colchão que entendo que aquilo ali é meu.
— Mãe… — falo apreensiva, voltando a chorar, e ela pega o
telefone, já ligando para a emergência.
— Nós vamos para o hospital agora, Luana.
Ainda está muito cedo… meu filho vai ter complicações, eu
não estou pronta para isso…, mas quando a terceira pontada vem,
ainda mais forte, e eu vejo o sangue escorrendo por minhas pernas,
sinto o mundo inteiro girar, e acabo apagando completamente.

— Rápido! Ela está desmaiada, pelo amor de Deus, doutor,


você tem que chegar rápido! — escuto a minha mãe gritar ao meu
lado, e ainda zonza, abro os olhos, tentando entender o que é que
está acontecendo aqui.
— Ela acordou! — alguém fala e eu vejo um tubinho
conectado ao meu nariz.
— O que está acontecendo?
— Filha, você entrou em trabalho de parto mais rápido do que
o esperado, mas o doutor Murilo já está a caminho do hospital e vai
dar tudo certo. Eu estou aqui, pode ficar tranquila. — minha mãe diz,
e eu confirmo com a cabeça algumas vezes, ainda tonta e
apavorada de medo de perder meu filho.
Chegamos na maternidade em tempo recorde, e em poucos
segundos o doutor Murilo também chega, já preparando a sua
equipe para a operação. Enquanto estou deitada, todos os
preparativos para a cirurgia começam, e quando já estou na maca
pronta para começar, começo a respirar fundo, tremendo de medo.
Pelo que me explicaram, um parto normal seria muito perigoso para
um prematuro, e, principalmente, para mim, que estou perdendo
muito sangue. Por isso, os trâmites da cesárea começam a ser
feitos, e assim que tomo a anestesia, começo a me desesperar, sem
conseguir me mexer.
— Já temos o nome do nosso campeão, Luana?
— Achei que teria mais alguns meses para pensar sobre isso,
doutor. Como escolheu o nome dos seus? — pergunto, tentando me
distrair de todas as formas possíveis para não pensar no medo e no
pavor que eu estou sentindo. Sei que Murilo está fazendo a mesma
coisa, mas a sua aura tranquila me transmite paz, e tento me
agarrar a qualquer coisa no momento, para não me desesperar
ainda mais.
— Bom, no meu caso, as mães escolheram os nomes… não
tive grande participação. — ele diz abrindo um sorriso simpático,
antes de dar de ombros como se me pedisse desculpa — Mas,
tenho certeza de que seu coração vai decidir o melhor de todos para
o nosso guerreiro.
Confirmo com a cabeça, emocionada pelas suas palavras, e
começo a rezar para todos os santos possíveis, pedindo ajuda e
proteção. Nesse momento, sei que não posso fazer nada, além de
entregar nas mãos de Deus, e é isso o que eu faço. Sei que dar à
luz com apenas trinta e duas semanas é arriscado e pode trazer
muitas complicações para o bebê, mas tudo vai ser no tempo certo.
É nisso que eu preciso me apegar e acreditar.
O meu pequeno vai superar todos os obstáculos, inclusive o
primeiro, o parto.
Minha mãe entra na sala cirúrgica e se posiciona ao meu
lado, segurando firme a minha mão, tentando transmitir força para
esse momento, mas consigo ver em seus olhos o pânico que ela
está sentindo por nós.
— Vai ficar tudo bem, mãe. — digo, tentando acalmá-la e ela
abre um sorriso condescendente, antes de dizer:
— Eu quem deveria falar isso para você, não é?
Os minutos parecem ser horas, e apesar de ninguém falar
nada, concentrados na missão de trazer o meu filho para o mundo,
consigo perceber que há algo errado pela expressão do meu
médico. Murilo sempre tem um semblante que transmite paz, mas,
hoje, seu olhar é concentrado, sério e se eu procurar bastante, diria
até mesmo assustado.
— Ele está chegando, Luana… seu filhão acaba de nascer!
— ele diz, segurando meu filho nos braços. Só quando escuto o seu
chorinho, ainda completamente coberto de sangue, sinto a minha
ficha cair.
Meu filho nasceu.
Meu pequeno… meu milagre.
Recebo em meus braços o bebê tão frágil e pequeno, em
meio às lágrimas, lhe dou um beijo na testa. Tão rápido quanto
chegou, a enfermeira o pega no colo, para a limpeza, pesagem e
todo o tipo de coisa possível e o vejo ser levado para fora do meu
campo de visão.
Quando olho para cima, minha mãe parece apreensiva, e só
então percebo quantos médicos estão ao meu redor, ou o barulho
da máquina apitando de uma forma assustadora.
— O que está acontecendo, doutor? — minha mãe pergunta
tensa, e eu pisco duas vezes, sentindo meu corpo ainda mais leve.
— Vamos precisar dar uma anestesia geral na Luana. Houve
uma hemorragia e precisamos controlá-la. — Murilo diz, sem tirar os
olhos por detrás da cabaninha de tecido e eu confirmo com a
cabeça, já lutando para manter meus olhos abertos.
— Mãe, cuida do bebê pra mim. Por favor. — digo, antes de
entrar para o mundo dos sonhos, sem conseguir lutar para ficar
acordada, e sem ter a resposta de que ela cuidaria dele e eu, enfim,
poder descansar tranquila.
Quanto tempo pode demorar para encontrar uma pessoa?
Ele não era o melhor?
Tento me manter calmo desde quando pedi para Vincent
achar Luana e me trazer informações sobre a vida dela. Mas depois
de quase três semanas, a minha paciência está no limite. Apesar de
ele me mandar relatórios todos os dias, e eu não saber exatamente
muitas informações para ajudá-lo a achar alguém em uma
metrópole como São Paulo, a essa altura, ele com certeza já
deveria estar de volta.
Sem sombra de dúvidas.
É por isso que ligo novamente para ele, ignorando a minha
secretária parada na porta do meu escritório, anunciando a próxima
reunião. Sei que tenho agido de forma estranha, sendo muito mais
babaca do que o normal, mas não dá para evitar, eu simplesmente
estou ansioso e quando não tenho tudo sob o meu controle, tenho
tendência a ficar incrivelmente mal-humorado. E, mais controlador
do que o normal.
Principalmente, porque eu estou pagando uma fortuna para
ter as informações que eu pedi, e ninguém parece interessado em
satisfazer as minhas vontades ou curiosidades.
Frustrante demais toda essa merda.
— Sim? — Vincent diz do outro lado da linha e tenho quase
certeza de que é um teste de paciência, porque ele sabe muito bem
o motivo da minha ligação.
— E então? — pergunto, e pelo meu tom de voz ele sabe que
não estou brincando.
— Bom… eu estou voltando para Otheon amanhã, e vou lhe
entregar o dossiê. Encontrei o alvo, mas acho que é melhor lhe
explicar pessoalmente o que aconteceu.
Sinto meu sangue gelar e pisco duas vezes tentando
entender de que merda que ele está falando.
O que poderia ter acontecido para ele precisar me explicar
pessoalmente alguma coisa?
Será que ela está bem?
Só me falta alguma coisa ter acontecido com essa mulher
antes de eu conseguir colocar a minha cabeça no lugar e conversar
com ela.
— Ela está bem? — minha voz soa assustada, e sai em um
suspiro.
— Agora está, senhor. Foi por isso que demorei para localizá-
la. Mas, lhe contarei tudo o que eu descobri, assim que chegar em
casa. — ele diz, e resolve desligar a ligação, me deixando puto,
assustado e temeroso.
O que ele quis dizer com: Agora está, senhor?

— Estava a um passo de pegar eu mesmo um avião para o


Brasil e arrancar todas as informações necessárias. Que caralho
aconteceu para você não poder me passar nada pelo telefone ou e-
mail? Não tem medo de morrer? — pergunto puto, assim que
Vincent entra no meu escritório, e apesar do meu tom de voz e de
todas as minhas ameaças, ele parece pleno e confortável com a
cena que eu acabei de fazer.
— Primeiro, o dinheiro. — seu tom de voz é calmo, e eu pego
na primeira gaveta um envelope com o valor combinado e o entrego.
— É inacreditável, achou mesmo que eu não iria lhe pagar?
— pergunto irritado e ele dá de ombros, nem um pouco
constrangido.
— Na minha profissão aprendemos a não confiar em
ninguém. E essa viagem me deu muitos gastos que não estavam
previstos… precisava me garantir. — ele diz, abrindo o envelope e
começando a contar de nota em nota, para saber se o dinheiro
combinado está correto.
Me esforço nos exercícios de paciência, mas não insisto até
ele terminar e abrir um sorriso satisfeito em minha direção.
— Certo, vamos a sua bela Luana, então. — ele diz, e eu
respiro ansioso, antes de abrir a pasta que ele me entrega com
milhares de fotos e informações sobre a minha gatinha loira, que
parece muito mais magra e debilitada do que eu havia conhecido
meses atrás.
— O que aconteceu com ela? — pergunto, sem entender o
que eu realmente estou vendo.
— Demorei a conseguir as informações necessárias porque
ela ficou internada por volta de duas semanas, após um parto
complicado. Pelos registros médicos, que eu precisei subornar uma
funcionária para conseguir, ela teve uma hemorragia grave e quase
morreu, então, após algumas transfusões de sangue e recuperação
no hospital, pode voltar para casa. — ele diz, e aponta para a foto
que eu estou vendo. Ela descendo de um carro e entrando em um
prédio com os ombros caídos, parecendo realmente debilitada.
— Você disse parto? — pergunto com os olhos estreitos, e
ele confirma com a cabeça.
— Foi o que a secretária afirmou. O bebê ficou bem, mas ela
quase morreu, por isso todo esse desaparecimento. Fiquei dias na
porta do seu prédio esperando alguma movimentação, mas não
consegui vê-la, nem saber mais informações. Então, fingi ser um
funcionário da limpeza do prédio, mas nenhum vizinho sabia do seu
paradeiro. Aparentemente, ela sai pouco de casa, e não é uma
pessoa extremamente sociável, principalmente, depois da
perseguição dos paparazzis. — ele diz, como se fosse algo comum,
e eu me sinto envergonhado. Não imaginei que ela teria sofrido com
esse tipo de merda do outro lado do mundo.
— Enfim, é isso. Tenho todas as informações da sua família,
sua rotina, mas o laudo médico eu não consegui incluir no
documento, porque aparentemente a família dela tem certa
influência, então só consegui ler na tela, e gravar na memória o seu
quadro.
Ainda sem saber o que pensar, dispenso Vincent com um
aceno de mão, olhando para a foto da loirinha magra e sem vida,
com saudade do seu corpo incrível, e ao mesmo tempo com o
coração apertado por vê-la nesse estado.
Ela quase morreu em um parto.
Com uma conta básica, eu sei que esse bebê não é meu, e
em um surto de raiva soco a mesa, com ódio por tomar ciência
dessa informação. A minha escritora pareceu tão inocente e pura,
tímida, envergonhada, inexperiente. Que merda aconteceu para ela
estar grávida de outro?
Provavelmente, na viagem ela já estava grávida e não tinha
se dado conta. Só isso explica a sensualidade e a confiança com
que ela soube lidar com o seu próprio corpo. Explica também a
libido… já li em algum lugar que as mulheres grávidas ficam
sensacionais na cama. Mas, caralho! Um bebê de outro cara? Puta
que pariu!
Até eu sei que os bebês nascem com nove meses, e isso me
deixa surpreendentemente puto. Não sei se puto com ela, por ter
outro e ao mesmo tempo se entregar de tal forma para mim. Ou
puto por não ser eu o pai da tal criança que eu nunca imaginei ter,
ou pensei que poderia existir.
Engaveto todas as informações, mas mantenho a sua foto em
mãos, olhando para os cabelos loiros, agora ainda mais compridos,
e seu olhar triste, assim como da última vez que nos vimos.
Agora, com todas essas informações, a faca e o queijo na
mão, não sei o que fazer.
E se ela estiver com o pai da criança? Bom, provavelmente,
ela não está, já que não tinha nenhum tipo de informação como
essa no dossiê.
Como eu vou encarar o filho de outro?
Será que eu vou odiar a criança?
Se eu for atrás dela, estarei disposto a passar por cima de
tudo isso, para tentar a sorte com uma mulher que eu conheci há
meses, por apenas alguns dias e nunca consegui esquecer?
De toda forma, sinto que preciso de um encerramento. Só a
vendo novamente vou conseguir colocar um ponto final nessa
situação ridícula na qual eu me encontro. Luana nunca foi o meu
tipo, e agora eu só consigo transar com mulheres parecidas com
ela, de costas para tentar enganar o meu pau e fazê-lo subir.
A que ponto eu cheguei?
Preciso resolver essa situação de alguma forma. Nem que
seja apenas para ter certeza de que não era pra ser e expulsá-la do
meu sistema de uma vez por todas.
Talvez a única coisa que eu precise seja realmente um
desfecho. Um encerramento. E é com esse pensamento que tomo a
minha decisão: preciso ver a loirinha mais uma vez.
Quase morrer te dá uma nova perspectiva de vida.
Hoje, pensar em ficar deitada em uma cama por meses,
sentindo pena de mim mesma, parece algo completamente surreal,
depois que eu fiquei duas semanas em observação, com medo de
morrer por uma hemorragia mal curada no parto prematuro do meu
bebê.
Pedro Albuquerque. Meu filho.
Foi por ele que eu não me entreguei a fraqueza e lutei pela
minha vida no coma induzido em que me colocaram. E, quando
finalmente acordei, consegui me recuperar aos poucos, até
conseguir ficar de pé e pegá-lo no colo pela primeira vez.
Apesar de prematuro, o médico disse que ele está super
saudável, e nas semanas em que fiquei internada, ele também ficou
na incubadora, com todos os cuidados possíveis. Meu pequeno
guerreiro está vencendo a sua batalha diária, e crescendo a cada
dia mais, apesar de precisar de muitos cuidados que eu ainda não
tenho segurança o suficiente para lhe fornecer sozinha.
Eu nunca amei tanto minha mãe, como eu a amo nesse
momento. Além de abdicar do seu ateliê, deixando-o nas mãos da
gerente, para dedicar o seu tempo a cuidar de mim, ela ainda me
ajudou com a enfermeira que contratamos para auxiliar na minha
recuperação e nos cuidados com o Pedrinho, pelo menos até ele
chegar nos “nove meses”, o tempo normal para um bebê nascer.
Sua forma de doar seu tempo, seu carinho e seu amor é o que eu
quero transmitir para o meu filho pro resto da vida. E quando disse
isso para ela, ela me abraçou forte e disse que eu serei ainda
melhor, coisa que eu duvido muito, mas não quis discutir.
Aos poucos, minha família e amigos começaram a fazer
visitas esporádicas para conhecer o bebê e ver como eu estava
depois do susto, e apesar de ainda estar me acostumando com
esse lado social de volta à minha vida, estranhei quando o porteiro
disse que um tal de Antônio estava na portaria. Como não conheço
ninguém com esse nome, não autorizei a entrada, mas depois de
mais de cinco tentativas, precisei descer para ver quem era o chato
e o que ele queria comigo.
— Mãe, estou descendo pra ver o que está acontecendo com
o seu Adão. Ele disse que tem alguém querendo falar comigo lá.
Fica de olho no Pedrinho, por favor? — grito, calçando minha
pantufa do Bob Esponja, com um coque e um roupão jogado por
cima do pijama — Com certeza, alguém passou o endereço errado,
mas como não estamos chegando a acordo nenhum pelo interfone,
preciso resolver isso.
— Tá bom! Vou dar banho nele. — ela diz, e eu agradeço,
antes de fechar a porta e pegar o elevador.
Era só o que me faltava, ter que parar meus afazeres para ter
que explicar pra um zé ninguém que ele está com o endereço
errado. Mas, quando abro a porta do elevador e adentro o hall de
entrada, vejo o seu Adão conversando com um homem alto, com os
cabelos bagunçados, em uma roupa casual, usando óculos escuros
como se estivesse acabado de sair de uma revista de moda
masculina. Pisco algumas vezes, tentando entender qual é a peça
que os meus olhos estão pregando, mas na minha frente, em carne,
osso e toda a beleza desconcertante que faz o meu coração se
acelerar de uma forma enlouquecedora, está Anthony Watson.
— Até que enfim, senhorita Luana. Esse homem não fala
português direito, estava ficando até nervoso tentando explicar que
ele está tocando no lugar errado. — o porteiro anuncia, mas nossos
olhares estão presos um ao outro, e tenho plena consciência da
disparidade entre nós dois. Agora, mais do que nunca, já que eu
estou completamente horrenda.
— Luana, — sua voz potente é grossa, e vibra em todo o
meu ser — podemos conversar?
— Ant… Anthony? — consigo pronunciar depois de algum
tempo, com o coração batendo rápido no peito. Tento recobrar os
meus sentidos, balançando a cabeça em negativa algumas vezes.
O que ele está fazendo aqui?
Por que ele apareceu só agora?
Não é possível que isso esteja acontecendo de verdade, não
é?
— Posso subir para conversarmos? — ele pronuncia
devagar, e consigo ver seu sorriso de lado que ainda abala as
minhas estruturas.
— É… o que você está fazendo aqui? — pergunto
estreitando os olhos, mas abro passagem para ele, que não me
responde, mas me segue como um imperador, com a postura
perfeita, até entrarmos no cubículo metálico. Só ali ele se aproxima
um pouco mais, e responde:
— Eu vim conversar. Faz tempo que eu gostaria de ter feito
isso, na realidade. Não consegui tirar você da cabeça.
— Conversar sobre o quê? — pergunto, porque nesse
momento o óbvio não é nada óbvio, e me sinto completamente
perdida pelas suas atitudes. Não é todo dia que somos
surpreendidas dessa forma.
— Nós dois, Luana. — ele responde sucinto, e as portas se
abrem.
Nesses poucos segundos que tenho para pensar, mapeio em
minha cabeça tudo o que pode ser interpretado como nós dois, e
apesar de ter ciência de que ficamos juntos por apenas alguns dias,
eu nunca me senti tão atraída por alguém como eu sempre estive
por ele. Parece inevitável. Magnético. E eu mal consigo tirar os
olhos dele, com medo de que, se eu piscar por um segundo a mais,
ele vai desaparecer e deixar meu coração dilacerado novamente.
— Pode ficar à vontade. — digo, abrindo a porta do meu
apartamento, e ele entra, se sentando no sofá.
Realmente à vontade, então.
— Aceita uma água? — pergunto, tentando ao máximo protelar
a nossa conversa, mas ele nega com a cabeça.
— Luana, eu estou aqui para conversarmos sobre nós dois.
Agradeço a água, mas gostaria que me escutasse. — ele diz, e eu
me sinto uma criança depois de ter aprontado alguma na escola
quando me sento de frente para ele — Soube que você ficou
internada, está tudo bem?
— Como… — começo a perguntar, mas resolvo ignorar.
Dinheiro, poder e meios, ele tem. Ao contrário, não saberia onde eu
moro ou qualquer outra coisa do tipo — Sim. Eu fiquei internada,
tive uma hemorragia.
— No seu parto. — ele completa, e eu confirmo com a
cabeça. A esse ponto, não há motivo nenhum para negar qualquer
coisa.
— Sim.
— Bom, — ele diz muito sério, e eu não entendo o seu tom
de voz. Acabamos de falar do filho dele que nasceu, e o homem não
demonstrou nenhuma emoção. Talvez, o meu medo de ele querer
tomar o Pedro de mim seja uma fanfic ruim da minha cabeça, já que
ele, aparentemente, se encaixa na categoria pai que está cagando
para a criança. Enquanto faço todas essas anotações mentais, ele
continua — estou aqui porque não conversamos quando você foi
embora. Apesar de todo esse tempo longe, eu gostaria de lhe dizer
que nunca estive em um relacionamento com a Francesca, ela foi
uma oportunista. Você era a única mulher com quem eu estava
naquela época. A única mulher pela qual eu senti alguma coisa,
apesar de relutar bastante, por ser ilógico esse sentimento, é a
única de quem eu, um dia, gostei.
Absorvo as suas palavras, esperando o que vem a seguir. Se
ele acha que ela foi uma oportunista, não consigo nem imaginar o
que ele fala a meu respeito. Pelo menos, não depois de ter
engravidado de um filho dele.
— Isso passou, Anthony. Meses atrás.
— Sim, mas eu não consegui te esquecer. — ele diz, como
se fosse uma afirmação simples como "o céu é azul", e eu suspiro
audivelmente, balançada com as suas palavras, e me odiando por
ser tão fraca. — Apesar da criança, eu ainda gostaria de tentar
alguma coisa com você. Acho que nós dois temos potencial, juntos
somos melhores. Eu nunca te esqueci.
Tento processar as suas palavras, ditas como se
estivéssemos conversando sobre os trâmites de um contrato
empresarial e eu estreito os olhos em sua direção.
— Apesar da criança? — digo indignada e ele confirma com a
cabeça.
— Sim… apesar da criança, eu gostaria de tentar. — pela
primeira vez, vejo um semblante levemente constrangido, e
enquanto ele se embaralha com as palavras, espero-o concluir. —
Sei que você tem a sua vida aqui, e gosta dela. Mas estou disposto
a arcar com todos os custos da sua ida para Lanuver, com o
conforto necessário e que você merece, é lógico…, para que
possamos ver onde nós dois podemos ir juntos. Faria tudo isso por
você. Moveria o mundo para te ter ao meu lado.
Fico tão chocada com a sua proposta que meu silêncio dura
muito mais do que o esperado. Nós nos encaramos por alguns
segundos, ele firme, porém, esperançoso, eu ultrajada com a sua
proposta nojenta, sem acreditar que ele realmente está me
oferecendo algo do tipo.
— Você está dizendo que está disposto a me bancar, para
tentarmos algo juntos no âmbito romântico, APESAR da criança? —
questiono, para ver se eu entendi direito. — Você quer que eu seja a
sua puta, Anthony? Porque, se for esse o caso, eu, com certeza,
não tenho mais nada para conversar com você.
— O quê? Não foi isso que eu disse!
É nesse momento que várias coisas acontecem ao mesmo
tempo. A campainha toca, Pedro começa a chorar no colo da minha
mãe, que aparece na sala com uma blusa branca totalmente
transparente, surpresa demais com a presença de Anthony para
falar alguma coisa.
— Mãe, esse é Anthony. Anthony, essa é a minha mãe. —
digo, indo em sua direção. Dona Joyce parece extremamente sem
graça pelos seus trajes, e após um aperto de mão rápido, eles se
observam, como se estivessem medindo forças.
Seguro Pedro, de uma forma tão protetora que ambos
percebem o meu olhar de desprezo para o homem na minha sala, e
como a campainha continua a tocar sem parar, eu vou até a porta,
encerrando com chave de ouro o show de horrores.
Diego, então, entra com o seu sorriso brilhante de sempre,
carregando milhares de sacolas, e antes de perceber o caos em que
está o meu pequeno apartamento, ele me cumprimenta com um
beijo estalado na bochecha, antes de brincar com Pedro, parecendo
feliz e animado em conhecer o bebê.
— Lu, ele está tão lindo e grande! — sua afirmação animada
morre, assim que ele percebe a presença de Anthony e o clima
horroroso que prevalece ali — Quem é você? — o tom sério em sua
voz é tão diferente do usual que me assusta. Todos ficamos nos
encarando por alguns segundos, até que Anthony se levanta,
espumando de ódio e diz para mim, ignorando completamente a
presença do meu primo, da minha mãe, e, principalmente, do nosso
filho:
— Entendo agora o porquê de você recusar a minha
proposta, já tem outra pessoa. Seja feliz, Luana. — e sem dizer
mais nada, o filho da puta deixa o meu apartamento, dando um
esbarrão de ombros em Diego, que parece não estar entendendo
absolutamente nada do que está acontecendo aqui. Ele sequer deu
uma segunda olhada no Pedrinho que, por brincadeira do destino, é
a cara do pai.
— Esse era…? — ele pergunta e eu confirmo com a cabeça.
— Era.
"Seja feliz, Luana".
A frase infame fica rondando a minha mente e sinto vontade
de socar alguma coisa, tamanha a raiva e o ciúmes que eu estou
sentindo. Enquanto eu fiquei meses pensando nela, e sofrendo
como um babaca emocionado, ela seguiu a vida ao lado do pai da
criança, e agora são uma família unida e, provavelmente, feliz,
independentemente dos meus votos ou não.
Solto um grito frustrado dentro do elevador, me sentindo
completamente ridículo por ter cruzado o oceano para ser
dispensado dessa forma. O pior de tudo foi que eu sempre soube
que corria esse risco, e mesmo assim, indo na vibe de Ursinhos
Carinhosos de Ian, eu resolvi ser positivo.
Positivo! Existe algo mais ridículo do que isso?
Honestamente, que ódio.
Como eu vou fazer para esquecer essa mulher
enlouquecedora, já que no momento em que eu simplesmente bati o
olho nela, e em sua confusão loira e maravilhosa, fiquei de pau
duro? E em todas as vezes que ela falou o meu nome, eu não pude
deixar de lembrar das vezes em que ela o gemeu baixinho em meu
ouvido, enquanto eu me afundava em seu corpo delicioso? Existe
alguma coisa nela que me faz perder todo o raciocínio lógico,
mesmo sem se arrumar, mesmo claramente se recuperando de
saúde, mesmo com inúmeros contras, ela é a única mulher por
quem eu já me interessei. Meu pau totalmente ressuscitado, depois
de meses de inatividade, está aqui para comprovar tudo isso.
Agora que a vi novamente, acompanhada, com um bebê no
colo, totalmente feliz, não existe outra possibilidade: eu preciso
esquecer essa mulher. É a minha sanidade que está em jogo,
porque a dor que estou sentindo em meu peito não pode ser normal.
Ou saudável.
O porteiro me dá nos nervos, e resolve não liberar a minha
saída, deixando a minha fuga dessa loucura ainda mais trágica.
Mas, quando começo a discutir, usando todo o meu português
precário para obrigá-lo a abrir o portão, as portas do elevador se
abrem e a figura loira, que eu não esperava encontrar novamente,
cruza o hall de entrada, parecendo furiosa.
— Precisamos conversar. — ela diz séria, e eu processo por
alguns segundos a informação, antes de responder:
— Acredito que eu não tenha mais nada para falar com você,
nem com a sua filha, senhora.
— Mas eu tenho, então é bom você me escutar. — ela diz,
cruzando os braços de uma maneira ameaçadora.
A figura da "sogra” não é muito bem-vista em nenhum país,
mas particularmente, a mãe de Luana é extremamente assustadora.
Isso, vindo de um homem sério e inabalável como eu sou, quer dizer
muita coisa. Por isso, ignoro a blusa recém trocada e colocada ao
avesso, e adoto a minha expressão impassível de negócios. Ela,
com certeza, quer negociar, se não, não estaria aqui embaixo.
— Me acompanha para um café, então? — pergunto, sem
saber exatamente o que dizer, e ela confirma com a cabeça, indo na
frente com uma postura majestosa e até mesmo um pouco
arrogante.
Uma mulher sem medo, e isso é algo que eu admiro e
respeito. Tem que ter culhão para estar na minha presença e adotar
esse tipo de postura.
Caminhamos por dois quarteirões lado a lado, em silêncio, e
entramos em uma espécie de padaria, antes de nos sentarmos e ela
fazer o pedido para nós dois, sem se importar em me perguntar o
que eu quero. Fico incomodado com toda essa situação, mas
espero, tentando manter a paciência, para entender que merda está
acontecendo aqui.
— Então, Anthony. Por que você veio para o Brasil? Por que
aparecer agora? Ela estava se recuperando do estrago emocional
que você causou, não acho justo brincar com os sentimentos da
minha filha. — ela solta como uma metralhadora e eu estreito os
olhos.
— Estrago emocional? Ela parecia estar vivendo um conto de
fadas até cinco minutos atrás. — debocho, e ela estreita os olhos
em minha direção.
— Conto de fadas? — a sua risada é de puro escárnio —
Minha filha quase morreu no parto prematuro do seu filho, seu
imbecil! Quando finalmente resolve aparecer e ser homem, como eu
pensei que você seria, você faz uma proposta ridícula de bancá-la
para ela ser sua acompanhante de luxo do outro lado do mundo,
apesar do seu filho! — as suas palavras são completamente fora de
sentido e vão em direção contrária a tudo o que eu vi e acredito.
Não pode ser verdade.
Não pode ser meu filho.
Isso, com certeza, é uma manipulação para extorquir meu
dinheiro.
— Com todo respeito, senhora, isso não pode ser verdade. —
digo sério, com os olhos estreitos — Acabei de presenciar o pai da
criança no apartamento de Luana, uma família bem feliz,
aparentemente. Então, se isso for alguma forma de punição por todo
o transtorno que eu causei meses atrás, ou até mesmo uma
brincadeira de mal gosto, eu sugiro que pare.
— Eu sugiro que pare. — ela diz com uma voz debochada,
revirando os olhos — Aquele era o primo dela. Casado. Muito mais
homem que você, que está ajudando desde o nascimento do
Pedrinho. Sinceramente? O que a minha filha viu em você? O que
tem de bonito, tem de babaca. Eu não quero seu dinheiro, eu tenho
dinheiro por mim mesma. Luana não precisa de nada, e nunca vai
precisar. Eu queria que você assumisse seus erros e colocasse a
porra do seu nome na certidão de nascimento do meu neto, para ele
saber que tem um pai, no fim das contas. Mas, se nem pra isso você
presta, é melhor nunca mais se aproximar da nossa família! — ela
diz e se levanta, com o café na sua frente completamente intocado.
Antes de jogá-lo na minha cara, protagonizando uma cena digna de
filme.
Antes que eu consiga abrir a boca para reclamar do jeito que
ela está falando comigo, do banho de café, ou até mesmo para
tentar me justificar, já que eu jamais poderia assumir um filho que
claramente não é meu, ela tira da bolsa um livro e joga no meu colo
com ódio no olhar.
— Isso aí é a história que ela escreveu assim que voltou de
viagem. Publicou com um pseudônimo. Se eu fosse você, leria. —
confuso, e pela primeira vez na vida, inseguro, além de nervoso com
o jeito que ela me tratou, seguro o livro e pago a conta.
Não pode ser verdade tudo o que ela disse, não é?
Mesmo se for… nada justifica o fato de que nosso
relacionamento, que nem começou, está fadado ao fracasso e tinha
outro homem em sua casa, ansioso para ver o filho que pode ou não
ser meu.
No momento, o melhor a fazer é colocar a cabeça no lugar e
entender o que de fato está acontecendo aqui.
Quando foi que a minha vida resolveu dar essa guinada em
360 graus?
— Você pode acreditar nisso? Ele sequer olhou para o rosto
do Pedrinho! É muita filhadaputagem mesmo! — digo, jogando as
minhas pernas pra cima, tentando respirar entre a cinta e toda a dor
dos pontos inflamados.
Há quem diga que a recuperação é fácil, mas só quem
passou pelo que eu passei pode me julgar quando gemo de dor, e
vejo meu primo preferido me mimar. Diego me estende um
chocolate que eu abro e enfio metade na boca, sem sequer oferecer
a ele ou a mais ninguém. Nesse momento, eu mereço um
chocolatinho para lidar com toda essa frustração que estou
sentindo.
— Não precisa se sentir tão mal assim, o filho da puta vai
recobrar a razão, eu tenho certeza. Se isso não acontecer, eu posso
ter uma conversinha com ele. — meu primo se oferece, mas reviro
os olhos.
Se existir alguém mais pacífico do que Diego em minha
família, dou minha mão à palmatória. Até mesmo a sua filha, Luísa,
é mais agressiva, e se eu precisasse de alguém para conversar com
ele, provavelmente chamaria a sua esposa. Mas, minha mãe,
aparentemente, foi uma pessoa que agiu ao invés de falar, já que
quando ela abre a porta, ainda com a blusa ao avesso, apesar de
tentarmos lhe alertar sobre isso antes de ela sair de casa, parece
completamente transtornada.
— Luana, aquele homem é um babaca!
— Não é bem uma novidade… — digo, envergonhada — O
que ele disse?
— Que o Pedrinho não era dele, que você estava vivendo um
conto de fadas e que agora iria te deixar em paz.
Suas palavras gelam o meu corpo, e eu confirmo com a
cabeça, ainda sem saber ao certo o que dizer. Não é nenhuma
novidade ele não acreditar que o filho é dele, mesmo assim, sinto
uma pontada com o seu desprezo, e isso me deixa extremamente
mal.
— Pelo menos, agora tudo está esclarecido. — digo,
tentando acalmar todos os meus pensamentos intrusos.
— Mas… — dona Joyce parece ter outra opinião sobre isso,
contudo, apenas nego com a cabeça, antes de completar:
— Fique tranquila, mãe, é melhor assim. Agora eu preciso me
recuperar bem, e fazer com que meu filho seja amado e bem
cuidado. Ele não merece ter um pai que não acredita na sua
existência, muito menos que não vá tratá-lo bem.
— Você é muito melhor do que eu. — ela comenta baixo, se
sentando ao meu lado no sofá.
— Melhor do que todos nós juntos. — Diego completa, e eu
nego com a cabeça, ignorando todos os sentimentos que vem à
tona e me deixam sufocada devido às emoções.
— Não sou melhor do que ninguém, simplesmente preciso
ser forte.
— Isso, priminha, você é. E muito! — ele diz, fazendo um
carinho leve em meu joelho.
Ficamos os três sentados pelo resto da tarde, no mesmo sofá
em que o homem enlouquecedor de cabelos escuros estava mais
cedo, jogando conversa fora, comentando sobre o susto que foi o
meu parto e todas as complicações. Mas, só quando Diego vai
embora eu pressiono a minha mãe para contar o que quer que
tenha sido falado nessa tal conversa entre os dois, e ela me nega
veementemente, dando uma desculpa esfarrapada para se
esconder em seu quarto e me deixar à sós com Pedrinho, em meio
aos pensamentos mais perturbadores que uma mente insana como
a minha pode ter.
Justo hoje, Gabriela, a enfermeira que contratamos, está de
folga, e apesar das dores e do sangramento contínuo, levo Pedro
para o meu quarto e começo a conversar com o meu filho, em um
dos poucos momentos em que ele está acordado. Por ser
prematuro, ele passa ainda mais tempo dormindo do que os bebês
recém-nascidos, e apesar de ser muito fofo, sempre coloco um
espelhinho na ponta do seu nariz para confirmar se ele está ou não
respirando.
Ainda não tive tempo para processar a vinda inesperada de
Anthony, muito menos a sua proposta sem noção, e isso me deixa
um pouco chocada e cheia de raiva.
— Hoje seu pai te conheceu, filho. — digo, e apesar de
Pedro obviamente não me responder, ele mexe a boca, me
deixando com a fala embargada por alguns minutos, antes de
continuar — Na verdade, para ser justa, ele nem olhou para você,
mas eu imaginei em minha mente esse encontro tantas vezes. Em
todas elas ele parecia arrependido, ansioso para te pegar no colo.
Para dar seu sobrenome para você e te reconhecer como filho. —
enxugo algumas lágrimas que insistem em rolar pelo meu rosto,
abrindo um sorriso triste. — Às vezes, eu entendo sua titia Giulia,
quando ela diz que eu realmente fantasio muito a vida e não me
atento aos detalhes da vida real. Mas para ser honesta, filho, eu
gostaria muito de estar vivendo em um livro escrito por mim. O final
feliz estaria garantido, e nós dois poderíamos descansar.
Beijo sua testinha, trazendo-o para mais perto de mim, e solto
um suspiro alto antes de limpar meu rosto banhado pelas lágrimas:
— Uma coisa eu te garanto, meu amor, não importa todo
esse sofrimento: O parto, o coma, os pontos inflamados e o meu
coração dilacerado. Eu vou fazer de tudo para você ser feliz e ser a
criança mais amada do mundo. — faço uma promessa para Pedro,
e para ser honesta, para mim também — Não será homem nenhum,
muito menos o seu pai, que determinará a nossa felicidade. Me
recuso a deixar isso nos atrapalhar e não ser feliz com você, e por
você, meu amor.
E é olhando para meu filho, que me presenteia por alguns
segundos com os seus olhos abertos, curiosos e tão escuros quanto
os do seu pai, que eu tomo essas palavras como uma certeza
absoluta. Se Anthony não nos quiser por completo, ele não precisa
nem voltar. Se ele voltar, que seja para se redimir e não me oferecer
um acordo ridículo, onde só ele saia beneficiado.
Se não for para ser um final feliz digno de um romance
apaixonado, eu simplesmente não quero.
Se eu pudesse prever essa merda toda, teria deixado Luana
no meu passado, intocada em minhas boas memórias. Agora, tudo
o que eu consigo pensar é no bebê em seu colo, seu olhar
assustado, sua aparência meio doente e nas palavras maldosas que
sua mãe despejou na minha cara, sem perguntar se eu gostaria ou
não de saber sobre tudo isso. Fora isso, em como a loirinha me
deixou completamente sem ar quando a vi novamente, e assim que
me lembro dos seus cabelos perfeitos, e das coxas torneadas no
short de pijama mal escondido pelo roupão felpudo, meu pau dá o ar
da graça.
É isso. Totalmente sem noção, e sem escrúpulos da minha
parte. Mesmo se ela tivesse me aceitado, existe toda aquela história
de resguardo e não sei mais o quê.
Agora, a dúvida tem me corroído, e eu estou afundado até o
pescoço em um mar de autocomiseração absurdo. Nunca estive tão
mal-humorado, e eu nem posso culpá-la, já que, no fim, a culpa é
literalmente toda minha. A não ser que o bebê não seja realmente
meu, e ambas tenham visto em minha aproximação uma
oportunidade de ganhar uma grana, mas ainda acho que esse não
seria o caso.
Por que ela se manteria calada, e a sua mãe mentiria? Um
simples DNA poderia resolver toda essa confusão.
Pode resolver, na realidade.
Solto um suspiro alto e folheio o livro que eu ainda não tive
coragem de abrir, envergonhado, puto, com ódio de mim e do
mundo. Se esse filho realmente for meu, eu não participei de
nenhum minuto da gravidez, do seu tempo na internação pelo fato
de ele ser prematuro, e até mesmo agora, estou perdendo as suas
primeiras semanas de vida.
— Ian, preciso de você em meu escritório. — disco seu
número e falo, assim que atende o telefone, sem esperar por uma
resposta.
Cinco minutos depois, meu melhor amigo, e provavelmente a
única pessoa que falaria na minha cara tudo o que pensa sem
medo, entra no meu escritório. Com a expressão curiosa, me
observa por alguns segundos e franze o cenho, antes de falar:
— O que aconteceu? Você parece tenso. Como foi no Brasil?
— seu questionário é válido, mas nego com a cabeça, ignorando a
pergunta sobre a viagem mais rápida de toda a minha vida.
Provavelmente, fiquei em São Paulo por menos de cinco horas, o
que é ridículo, porque não se compara com as horas de voo, tanto
da ida, quanto da volta.
Em minha defesa, aqui na minha terra e no meu escritório, eu
consigo pensar melhor. É aqui que eu me sinto pronto para todas as
principais decisões da minha vida, e confesso que, por medo de
estar sendo um fracasso, eu fugi. Não sei o que estava esperando
desse reencontro, mas, com certeza, não era isso, e não saber
como agir me deixou frustrado e apavorado, tirando esse peso dos
ombros. Apesar disso, Ian não consegue arrancar de mim todas
essas palavras. O que lhe entrego são basicamente resmungos
sobre como consegui as informações sobre Luana, e o que
aconteceu em uma sequência resumida, mas com detalhes o
suficiente para ele entender o que está por vir.
— Então, você está me dizendo que foi ao Brasil ver a mulher
por quem você se apaixonou, mesmo sabendo que ela tinha
acabado de ter um filho, e em momento nenhum passou pela sua
cabeça que ele poderia ser seu? — meu amigo parece
completamente chocado com a minha linha de raciocínio e eu nego
com a cabeça, antes de explicar mais uma vez o óbvio, que olhando
para o todo, não é tão óbvio assim.
— Sete meses, Ian. Bebês nascem com nove, essa é a conta
certa. Pelo menos, geralmente essa é a conta padrão. — digo,
soltando um suspiro frustrado. — O detetive não disse nada sobre
um bebê prematuro, apenas que ela teve uma complicação no parto
e precisou ficar internada. Como eu poderia imaginar que ele era
meu? Imaginei que fosse de outro e que ela já estivesse grávida
quando viajou.
— E mesmo sabendo disso tudo, você não desconfiou? Nem
questionou nada do tipo? — ele continua a perguntar, e eu me
esforço muito para não me levantar e socar a sua cara.
— Sim. É exatamente isso que eu estou afirmando, não
desconfiei. Quer que eu diga o quê? Que fui um imbecil? Estou
sabendo dessa informação, gênio, não precisa continuar dizendo
esse tipo de coisa. Você precisa me ajudar a pensar no que fazer.
— Pensei que era isso que eu estava fazendo. — Ian revira
os olhos, antes de completar — É lógico que o bebê é seu filho, mas
se quer tirar a dúvida, peça um DNA. Mas, antes disso, converse
com ela, — ele aconselha, e eu confirmo com a cabeça — e, pelo
amor de Deus, homem, tente entendê-la. Ela provavelmente está
confusa, com medo de ser rejeitada… dizem que a maternidade é
uma loucura. E se a loirinha realmente quase morreu, é provável
que a sua vida não esteja nada fácil no momento. Seja empático.
Absorvo as suas palavras, e confirmo com a cabeça, da
melhor e única maneira que posso. Seja empático. Tento me colocar
em seu lugar, e realmente não parece nada promissor tudo o que
consigo imaginar, mas, solto um grunhido frustrado que arranca uma
risada alta de Ian.
— Meu amigo, a pergunta que não quer calar, no momento,
é: você se sentiu apaixonado quando colocou os olhos nela
novamente?
Pondero por alguns segundos, tentando entender o que é
realmente "estar apaixonado", e surpreendentemente percebo que
talvez, sim, essa seja uma verdade. Nunca me senti dessa forma
por mais ninguém e, de longe, ela é a única mulher que faz com que
eu sinta alguma coisa. Que faz com que eu sinta tudo.
— Outro ponto que você precisa se perguntar é: Se esse
bebê for seu filho, você vai amá-lo?
— Lógico! — respondo sem nem pensar duas vezes —
Sempre disse e continuo repetindo: Não seguirei os passos do meu
pai. Se esse filho for meu, ele terá todo tipo de estrutura para
crescer saudável e feliz, inclusive amor.
— E se não for? — Ian questiona e, na realidade, percebo
que não faz tanta diferença assim… é uma parte dela também.
Quando consigo concluir o pensamento ele me questiona: — Você
desprezaria a criança, estando ao lado dela? Se ela, supostamente,
aceitasse o acordo de sugar daddy ridículo que você ofereceu.
Porque, bom… os dois são um pacote: pegue um, leve dois. Se
você a quer, tem que querer a criança também. Isso é fato.
— Eu não ofereci… Ah! Que se foda. É claro que não
rejeitaria uma criança. Sei o que é ser desprezado, não poderia
fazer isso. Mesmo nenhuma dessas hipóteses estando em meus
planos anteriormente.
Em minha cabeça, antes de contratar o Vincent para o
trabalho, eu encontraria Luana vivendo a sua vida de escritora, e a
persuadiria a se mudar para Lanuver e viver ao meu lado. É claro
que a facilidade do seu trabalho ser remoto seria um ótimo ponto
para convencê-la… e eu poderia também usar uma ou outra técnica
de sedução, no fim, ela cederia. E finalmente, ficaríamos juntos,
sem segredos ou qualquer mentira entre nós dois.
— A realidade da Luana agora é essa, Anthony. Se nas duas
respostas você afirma que não poderia recusar nem rejeitar o bebê,
não sei o que você está fazendo aqui — ele diz, cruzando os braços
e parecendo um homem sábio de cento e cinquenta anos. Me irrito
com o seu ar prepotente, mas não estou em condições de reclamar,
afinal, eu quem fui pedir ajuda.
— A questão é que ela não quis nem me escutar… Ian, ela
estava com outro. — o ciúme me invade com tudo, e o gosto
amargo na boca me deixa com ódio. De todos os sentimentos que
eu já senti em toda a minha vida, esse é, de longe, o mais irritante,
inesperado e eu o odeio com todas as forças.
— E daí? A mãe dela não disse que era primo, ou algo do
tipo? Desde quando você se intimida por algum cara? Precisa fazer
um grande gesto para que ela saiba que você gosta dela. Vá buscar
a sua garota, prove que você é tudo o que ela precisa.
Ah! Pronto. Ótimo.
É disso que eu preciso pra acabar com todo o meu juízo.
— Do que exatamente estamos falando, Ian? — pergunto e
meu amigo dá de ombros, antes de abrir um sorriso amplo e me
responder:
— Bom, eu não sei. Posso pedir alguma ajuda para a Dianna,
mas acho que você deveria ler o tal livro e entender o que realmente
se passa na cabeça dela. — ele diz e aponta para o exemplar de
capa preta, em cima da minha mesa.
— Eu nunca pensei que diria isso, mas, você pode ter razão.
— brinco, abrindo o primeiro sorriso do dia. Eu vou reconquistar
essa mulher — Quem diria que você não seria um completo inútil,
hein?
— Todos diriam! Mas, sim, o casamento faz milagres. — ele
se defende, levantando do sofá. — Leia essa porcaria de livro, tome
uma atitude e vá buscar a sua loirinha. Se precisar de ajuda, conte
conosco, eu e Dianna estamos dispostos a te ajudar.
Me sinto um pouco estranho em perceber que ele e a esposa
agora são uma espécie de pacote, mas não o desprezo por isso,
como achei que faria meses atrás. Ao contrário, agora eu o invejo
com todas as forças.
Tomado por esse sentimento, resolvo começar os trabalhos e
abro o livro, começando a ler a nossa história de amor, cheia de
edições e com o vislumbre de um final feliz que eu realmente
gostaria de ter.
Que eu faria tudo para ter.
Eu nunca fiquei com tanta raiva em toda a minha existência.
Geralmente, me orgulho de ser uma mulher pacífica, que não
leva as coisas para o pessoal, que gosta de argumentar e entender
o que, de fato, está acontecendo, mas Anthony Watson elevou o
nível de ódio para outro patamar. E, antes eu nem odiava ele! Como
é possível, não é?
O homem atravessou o mundo, ficou cinco minutos no meu
apartamento e evaporou como fumaça. Fiquei confusa e magoada?
Sim. Passei a odiá-lo? Não.
Agora, depois de quase um mês ele aprontar uma dessa
comigo? Esqueça toda a bondade de sempre. Só existe um
sentimento possível quando me refiro à Anthony Watson: ódio.
— Ele não fez isso! — falo em um fio de voz, totalmente
indignada, enquanto leio papel por papel que recebi pelo correio
essa manhã.
— Que merda está acontecendo, Luana? Fala logo de uma
vez! — Giulia diz, com Pedrinho no colo, enquanto minha mãe
parece estranhamente calada.
— Ele está pedindo o DNA, e se o filho for realmente dele, a
guarda! — meus olhos marejados demonstram a quão abalada eu
fiquei com toda essa ideia estapafúrdia. Não é possível que ele não
tenha coração dessa forma, para querer tirar o meu filho de mim.
— Bom, o filho é dele, não é? — dona Joyce abre a boca
pela primeira vez, e eu a fuzilo com o olhar. O fato de não existir
uma outra remota possibilidade, não me deixa mais animada com
toda a situação.
— É claro que o filho é dele.
— Então pronto, você vai fazer o teste de DNA e,
provavelmente, entrar na justiça para ter a guarda completa do meu
neto. Não tem muito o que um juiz possa fazer, ele nunca tiraria o
bebê de uma mãe, se ela for completamente capaz de cuidar da
criança. Graças a Deus, temos dinheiro para contratar um bom
advogado, e você tem se recuperado bem desde o parto. Agora, mal
tem anemia. É uma batalha ganha. — minha mãe diz, e eu confirmo
com a cabeça duas vezes, antes de começar a respirar um pouco
mais tranquila.
Não tem como um juiz dar a guarda para o pai sem um
motivo muito bom e plausível. Isso é loucura.
— Por que ele está fazendo isso? Nem olhou para o menino
quando veio te visitar. Não foi isso que você me contou? — Giu
pergunta e eu dou de ombros, ainda perdida.
Realmente, nada disso faz muito sentido, e eu não sei dizer o
que está acontecendo aqui.
Dona Joyce toma todos os papéis da minha mão, e no fundo
do envelope, ela encontra uma carta escrita à mão, que eu ainda
não havia percebido.
— Acho que ele tem um recado para você. — seu tom de voz
não parece muito surpreso, mas só de ver o papel em suas mãos,
sinto meu coração bater rápido, como em uma escola de samba.
Uma carta à mão? Isso não é muito a cara de Anthony todo:
"tempo é dinheiro".
Seguro em minhas mãos o envelope lacrado, mas não tenho
coragem de abri-lo. Pelo menos, não na frente delas. Não posso me
dar ao luxo de demonstrar fraqueza e toda a montanha russa de
emoções que invade o meu peito todas as vezes em que eu penso
nele.
— Eu preciso de um minuto. — anuncio, e elas não
demonstram nenhuma surpresa ao me observarem levantar e ir até
o meu quarto, para alguns minutos privados.
Eu realmente preciso disso para colocar minha cabeça no
lugar.
O príncipe encantado mora apenas na minha imaginação, e a
versão da vida real está tentando me sabotar de todos os jeitos
possíveis. Tendo isso em mente, retiro o lacre e abro a carta, com o
coração batendo forte no peito, tamanha a ansiedade:

"Luana,
Como uma pessoa tão pequena pode trazer uma mudança
tão grande na vida de alguém?
Antes de te conhecer eu imaginava ter tudo, depois que você
passou pela minha vida, eu percebi que, na realidade, eu não tinha
nada. Você trouxe para a minha vida a vontade de ter algo, além do
dinheiro. A sua coleção de sorrisos simples me mostrou que não
precisamos de muito para sermos felizes. Mas, muito mais do que
isso, me mostrou que você é uma pessoa única, com o seu jeito
meio atrapalhado, suas roupas desconexas e seu coração enorme.
Eu nunca vou me cansar de relembrar nossos bons
momentos, e peço desculpas pela forma como agi em nosso
reencontro. Sei que não sou muito bom com as palavras, e talvez
não seja tão eficiente assim com as ações, porém estou tentando, e
estou aprendendo. Agora, gostaria de fazer do jeito certo dessa vez,
se você me permitir.
Sem jogos, sem armações, apenas a verdade em cima da
mesa, completamente escancarada: eu sou um homem melhor,
porque você passou em minha vida. E, por mais difícil que seja, eu
gostaria de tentar algo real ao seu lado. Nosso encontro não nos
mudou apenas porque um bebê aconteceu no meio do caminho,
mas, por ele, acho que poderíamos, ao menos tentar, ter uma
conversa franca.
Se eu sou um homem melhor hoje, e devo isso a você, que
tipo de homem eu seria se não lutasse pelo direito de ter
participação na vida do meu filho? No fim, eu não quero seguir os
passos do meu pai, o velho Conde, espero que você entenda.
Eu quero vocês dois ao meu lado, para sempre, e não
desistirei até que você diga sim. Tenho certeza de que você se
lembra o quão insistente eu posso ser. (Espero que agora esteja
arrancando um sorriso do seu rosto, não que você esteja querendo
me matar).
Te espero novamente em Lanuver,
Seu Anthony."

Leio cinco vezes antes de conseguir processar realmente o


que isso quer dizer. Não sei se me sinto lisonjeada e feliz, ou puta e
revoltada. Esse foi um jeito extremamente diferente de me obrigar a
reencontrá-lo, e não sei dizer se Anthony e sutileza podem algum
dia serem colocados na mesma sentença.
Que plot twist, senhoras e senhores!
Começo a rir e chorar ao mesmo tempo, sem saber ao certo
o que fazer. Quando, aparentemente, nenhuma das duas curiosas
na sala consegue mais esperar por uma reação minha, elas entram
no meu quarto e me encontram abraçada à uma carta, que agora
está parcialmente molhada pelas lágrimas, rindo feio uma idiota.
Bom, talvez esse realmente seja um bom adjetivo para mim, porque,
depois de tudo, eu ainda quero, lá no fundo do meu coração, tentar.
Talvez a vida não seja mesmo o preto no branco, como nos
fazem acreditar… e enquanto ainda estou tentando pensar em tudo
o que ele disse, em todas as suas promessas, minha mãe toma a
carta da minha mão e lê, adotando no final um sorrisinho misterioso
no rosto.
— E então, filha, o que você vai fazer? — pergunta, e eu dou
de ombros, tentando me recompor em meio ao mar de lágrimas que
insistem em vazar dos meus olhos.
— Não tenho outra opção, a não ser levar o Pedrinho para o
tal DNA, e, talvez, tentar argumentar sobre a guarda… — digo,
evitando a sua real pergunta, e ela levanta uma sobrancelha, me
questionando novamente.
— E sobre vocês dois? O que você pensou?
— Bom… eu e ele somos completamente diferentes… é claro
que eu fico mexida, mas não vejo como pode dar certo. — digo o
que está no meu coração, e suas palavras de sabedoria colam igual
a chiclete em minha memória:
— Luana, se preserve, mas não se sabote. — o tom de voz é
mandão, mas entendo o que ela quer dizer — Você ama esse cara,
não adianta dizer que não é verdade. Preserve o seu coração, mas
não se sabote dizendo que não vai dar certo antes da hora. Ele foi
um canalha, mas pelo visto, está tentando mudar. E ele é o pai. Se
quer fazer parte da vida do Pedrinho, você há de convir que não
pode impedir isso. Viveu na pele a vida sem um pai presente, sabe
como é difícil, não poderia deixar seu filho passar pela mesma coisa
por uma escolha sua.
Contra fatos não há argumentos.
Não posso ser egoísta e deixar que a mesma coisa que
aconteceu comigo, aconteça com o meu filho, porque eu não soube
lidar com a proximidade com Anthony. Isso seria maldade. E é com
essa certeza no peito que eu tomo uma decisão, contrariando todos
os meus instintos de autopreservação: preciso e vou voltar para
Lanuver, nem que seja pela última vez.
Uma vez que eu tomo uma decisão, e coloco algo em minha
cabeça, as coisas ficam mais calmas. Propósito, todo homem
precisa de um.
Assim que terminei de ler o livro, três dias depois, devido ao
meu português precário, eu tive uma certeza: precisava ter aquela
mulher de volta pra mim. Então, comecei a pensar nos meus
próximos passos, e apesar de ter uma leve ideia de que ela também
se sentia atraída de um jeito completamente avassalador e que
estava disposta a tentar o que quer que fosse comigo, eu precisava
trazê-la para cá. Bom, esse foi o meu lado otimista entrando em
ação após ler o livro, que teve um desfecho parecido com o que eu
gostaria que acontecesse na vida real. Em Otheon tivemos ótimas
memórias, e é aqui onde ela e o Pedro pertencem, ao meu lado.
Por isso, quando liguei, com o rabo entre as pernas, para
Joyce, pedindo a sua ajuda, ela aceitou. Apesar das nossas
diferenças, e do sermão de seis horas que ela me deu pelo telefone,
junto às ameaças e, obviamente, condições, finalmente minha futura
sogra topou ajudar. No fim, acho que as respostas para as
perguntas que ela me fez, foram o que a fizeram realmente topar me
ajudar.
"— O que a minha filha significa para você?
— Tudo.
— E se a criança não for sua?
— Não importa, será meu filho."
Não me lembro de ter afirmado nada com tanta verdade em
meu peito, e por isso, o coração endurecido da carrasca mãe de
Luana amoleceu um pouquinho.
Armado de todos os lados, enviei o envelope, cheio de
documentos sem legalidade nenhuma, já que, mesmo se ela não
me aceitar, eu nunca tiraria o Pedro dos seus braços, e coloquei o
plano em ação. Joyce me certificou de que a colocaria dentro do
avião, mas que para dar um empurrãozinho seria bom apelar para o
exame de DNA e para a ideia esdrúxula de pedir a guarda do bebê.
E, assim foi feito.
Bom, pelo menos, o primeiro passo do plano. Precisamos
estar no mesmo lugar para eu fazer o tal "grande gesto" que todos
têm me falado. E eu ainda não estou totalmente confiante de que o
que eu pensei vai funcionar, eu apenas espero, com todas as
minhas forças, que sim.
Luana é uma mulher romântica, disso todos nós sabemos.
Mas, por escrever e imaginar milhares de grandes gestos possíveis,
ela elevou ainda mais o nível das declarações e surpresas. Por isso,
seguindo o conselho do meu melhor amigo, eu li todos os seus
maiores sucessos, e vou reproduzir todos os grandes gestos dos
mocinhos que ela imaginou.
Se saiu da sua mente, a probabilidade de eu acertar em
alguma das vezes é grande, não é?
Por isso, começo pelo livro da "nossa" história, e confiante,
aguardo a sua chegada no grande mausoléu dos Watson. Chega de
morar em hotéis para fugir da minha realidade, agora que eu tenho
um filho, preciso mudar todos esses velhos hábitos.

Como instruí para o motorista, que mandei buscá-las no


aeroporto e seguir direto para a clínica especializada em testes de
DNA onde eu já havia marcado o horário, recebo de hora em hora o
boletim sobre a viagem e o paradeiro da minha família.
Estranho pensar que Luana e Pedro são realmente minha
família, algo que eu nunca havia sequer cogitado, antes de
conhecê-la. Até porque, a palavra família, vindo de onde eu vim, me
causava uma repulsa enorme. Agora, a ansiedade para pegar meu
filho no colo me deixa praticamente paralisado, e se isso faz de mim
um homem emocionado, que seja, agora eu sei que serei uma
pessoa feliz. Pelo menos, é isso que eu espero, do fundo da minha
alma.
Um homem feliz e completo. Quem diria, não é mesmo?
Esperançoso, arrumo mais uma vez a gravata do meu terno,
enquanto aguardo a sua chegada, e quando a governanta anuncia a
sua entrada, respiro duas vezes, ansioso para colocar o meu plano
em prática.
Assim que coloco os meus olhos nela, abro um sorriso tímido,
sem saber o que fazer ao certo, e dou um passo em sua direção.
Que saudade eu estava dos seus cabelos loiros lindos, e do seu
perfume doce. Ansioso para tê-la novamente em meus braços nem
percebo os sinais da sua irritação, e assim que me aproximo, ela dá
um tapa estalado em meu rosto.
— Como você pôde, seu filho da puta? — ela grita furiosa, e
vejo Joyce alguns passos atrás, segurando meu filho nos braços —
Ele é meu bebê. Meu! Você mentiu pra mim, me enganou, ficou
meses longe de nós dois e do nada aparece na minha casa, cheio
de conclusões precipitadas? Pior! Quer pegar a guarda do meu
bebê? Enlouqueceu, porra? — ela distribui tapas com toda a sua
força, e eu fico sem saber o que fazer, atônito demais para tomar
uma atitude.
Isso, definitivamente, não estava no livro.
— Luana… me escuta! — digo, tentando me esquivar dos
seus tapas, mas ela não para até ficar ofegante, cansada e com as
suas mãos vermelhas.
— Você tem uma chance para falar o que quer que seja, e
espero que valha o meu tempo. Porque eu saí do meu lar, para vir
aqui fazer um teste de DNA no meu filho, e você nem estava no
consultório! — ela diz, bufando de raiva, mas meus olhos estão
focados no pacotinho pequeno, embrulhado em uma mantinha, no
colo da minha futura sogra, se tudo der certo.
Nesse momento, eu ignoro Luana, ignoro seus tapas e seus
gritos. As suas acusações e até mesmo a saudade que eu estava
do seu corpo incrivelmente macio, e foco inteiramente em conhecer
o meu filho. Nosso filho.
Joyce me entrega o bebezinho frágil, ignorando os protestos
da filha, que insiste em me xingar, mas neste momento tudo o que
importa é o bebê em meus braços. Nunca imaginei que eu poderia
ser tão conectado à uma pessoa como eu sou à Luana, mas agora,
vendo o nosso filho em meu colo, não dá para ignorar o sentimento
que invade o meu peito. Isso, sim, é amor. Puro, genuíno e real.
Como se me reconhecesse, Pedro mexe as mãozinhas em
minha direção, e eu nem percebo que estou chorando, até uma
lágrima rolar e cair em sua bochecha. Ele se assusta, mas não
chora, me reconhecendo de alguma forma, e eu vejo em seus olhos
que ele não poderia ser de outra pessoa a não ser meu. O tom
escuro, passado por gerações, me mostra que ele é, sim, um
Watson. Mas, mesmo se não fosse, quando aceitei que em minha
vida teria espaço para um bebê de Luana, independentemente de
qualquer resultado de exame, ele passou a ser meu filho, e é com
esse sentimento que beijo a sua testa, antes de dizer em voz alta
para que ele me escute:
— Papai está aqui para te proteger de tudo e todos, filho.
Nem percebo o silêncio no cômodo, imerso no momento em
que estou vivendo, e só quando Luana diz baixo, chamando a minha
atenção, é que percebo que estou sendo totalmente vulnerável na
frente delas. Estranhamente, isso não me parece algo desprezível
como seria meses atrás.
— O que você disse? — a loirinha fala em um fio de voz, e
sem desviar os olhos do bebê, respondo:
— Meu filho, Luana. Independente de DNA, ou o que quer
que seja. Ele é meu. Vocês são. — respiro fundo e olho no fundo
dos seus olhos, para tentar transmitir toda a verdade que sinto em
meu peito — Queria te dizer palavras bonitas que pudessem
transmitir o que estou sentindo no momento…, mas, posso lhe
garantir que eu estou arrependido. Muito. Mais do que tudo, por não
ter participado ativamente da sua gravidez, não ter dado a você o
suporte necessário e por não estar com você no momento em que
precisou de apoio. Senti sua falta a cada segundo, mas quero
recompensar. Quero vocês dois comigo e estou te garantindo que
vou lutar até as minhas últimas forças para conseguir o seu perdão.
— Você é impossível! — ela reclama, limpando uma lágrima,
e Joyce aproveita a deixa para sair da sala à francesa.
Chocada com as suas palavras, querendo muito acreditar,
mas ao mesmo tempo com medo de ser tudo mais uma de suas
mentiras, abro e fecho a boca, observando a cena linda que decorre
em minha frente. Anthony com Pedro nos braços, encantado e
brincando com o bebê que eu demorei tanto para aceitar e amar.
Ele não parece nem um pouco reticente com a criança, muito
menos com dúvida quanto à sua paternidade, e isso me deixa
extremamente surpresa, não vou negar. Ainda temos muitos pontos
para acertar, mas meu coração se derrete um pouco mais quando
percebo o quão próximo estamos um do outro. Penso no que dizer,
e quando começo a balbuciar alguma coisa incoerente, um
senhorzinho simpático abre a porta, e em uma bandeja de prata,
como vemos apenas nos filmes, ele entrega um envelope para
Anthony, nos interrompendo.
— O resultado do teste de DNA chegou. — ele diz com uma
voz sem emoção, e apesar de ter completa e absoluta certeza de
que ele é o pai, sinto meu coração se apertar.
Anthony me devolve Pedro, que se aninha em meus braços e
fecha os olhinhos, provavelmente, cansado das agitações do dia,
enquanto os olhos escuros do pai me olham, antes de começar a
dizer:
— Gatinha, demorou muito tempo para que eu entendesse
que o que eu sinto por você não é apenas um encantamento
passageiro, um tesão acumulado ou qualquer coisa do tipo, que eu
poderia dizer para tentar me enganar. Eu te sinto me queimar por
dentro, em cada parte de mim, desde a primeira vez em que eu te vi
na academia do hotel. É inevitável. Foi predestinado. — ele segura
uma mecha do meu cabelo e limpa uma lágrima que rola solitária
em meu rosto, antes de continuar — Desde quando você foi
embora, eu não sei dizer quantas vezes tentei me enganar
afirmando ser algo efêmero, algo sem importância. Mas, não é.
Nunca será.
— Anthony…
— Por favor, me escuta. — ele diz, em um tom mais urgente,
e eu me calo, pronta para ouvi-lo, apesar do coração bater tão
rápido em meu peito — Eu sou um homem com muitos defeitos,
tenho plena consciência disso. Mas, também sou um homem
determinado. Nesse momento, estou determinado a implorar pelo
seu perdão de todas as formas mais toscas possíveis, até você me
aceitar. Eu quero que você seja minha.
Reviro os olhos e ele abre seu sorriso mais sacana, antes de
apertar o meu bumbum, como fez meses atrás.
— Não seja malcriada, eu estou no meio de algo sério aqui.
— ele reclama, e mesmo que a contragosto, consegue arrancar uma
risada audível minha — Não quero que você seja minha apenas no
quesito sexual. — é a sua vez de revirar os olhos, e se eu não
estivesse com o Pedrinho em meu colo, teria retribuído o seu
apertão — Quero que você seja minha por completo. Minha mulher.
Mãe dos meus filhos. Minha condessa. Minha família.
— A gente mal se conhece… isso é loucura! — argumento,
tanto para mim, quanto para ele, mas esse questionamento parece
não ter nenhum tipo de importância, porque ele retira um exemplar
do livro mais dolorido que eu escrevi, a nossa história, e começa a
ler o final:
— Luana, — ele troca o nome da mocinha pelo meu, e lê a
fala mais destacada de todos os meus livros. A declaração de amor
perfeita — Jane Austen, a sua autora preferida, deixou uma marca
muito sábia em minha memória. Ela afirmou que não é o tempo nem
a oportunidade que determinam a intimidade, e sim a nossa
disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se
conhecerem, e sete dias são mais do que suficientes para outros.
Para mim, não foram necessários sete dias, desde o primeiro
momento eu não tive dúvidas. — Anthony abre um sorriso tímido e
fecha o livro, e segurando meu rosto com uma mão ele continua,
deixando as palavras publicadas para trás — Com menos do que
isso consegui conhecer a sua essência e o seu caráter. Me encantei
com a sua inteligência e a sua disposição. Mais do que isso, nosso
encontro foi de almas. Pequei por não estar ao seu lado nos
momentos mais difíceis, pequei por ter mentido no começo, e
pequei ainda mais quando te deixei partir. Isso só nos prova que eu
sou um homem imperfeito, mas em toda a minha imperfeição, eu
escolhi te amar. Na verdade, espero muito que você acredite, me
perdoe e me aceite novamente. A vida não teria graça nenhuma
sem ter vocês dois ao meu lado.
Com os olhos marejados, não sei o que dizer. Misturando as
minhas palavras com as suas próprias, ele transformou a
declaração de amor que eu imaginei para o nosso final feliz, em algo
ainda melhor, ainda mais mágico, e mais crível.
— Eu não sei o que dizer… eu também me apaixonei por
você, por cada pedacinho seu…, mas somos de mundos tão
opostos! — aponto o óbvio, e meus olhos focam no envelope que o
mordomo entregou em uma bandeja de prata.
Anthony segue o meu olhar até o envelope e o rasga, sem
pensar duas vezes, antes de dizer:
— Só não há jeito para a morte, gatinha. Tenho certeza de
que encontraremos algo que seja bom para nós dois. Mas, mais
importante que isso, ele é meu filho. Independentemente do
resultado, e deixo claro que não duvido da sua palavra, apenas
amarei a criança como minha, independentemente de qualquer
coisa. Ela é uma parte sua também. Isso basta. — ele responde,
mas abre um sorriso maroto, antes de se aproximar, quase colando
seu corpo no meu — Mas, vamos combinar, o menino é a minha
cara, não é?
— Carreguei sete meses para não ter nem o formato da unha
igual ao meu.
— Nós vamos ser felizes, Luana. Acredite quando eu digo
que quero melhorar, que vou fazer por merecer. Acredite quando eu
digo que eu te amo! — ele diz, e apenas porque eu não posso
suportar mais a nossa distância, colo seus lábios nos meus.
— Isso quer dizer que sim? Você vai me dar uma chance?
— Mas você vai precisar se esforçar… — avalio a situação e
continuo — E, claro, você não vai mais mentir para mim.
— Eu prometo. — ele diz, e com cuidado, para não amassar
nosso filho que ainda é tão pequeno, ele me abraça, parecendo
relaxar pela primeira vez desde quando nos reencontramos.
Magicamente, minha mãe aparece, como se nada tivesse
acontecido, com um sorriso conspiratório no rosto:
— Então, se acertaram? — ela pergunta, e eu confirmo com
a cabeça, envergonhada, lhe entregando o bebê que passou a
dormir no meu colo.
— Você sabia disso tudo? — pergunto, e ela dá de ombros.
— Alguém precisava fazer alguma coisa, não aguentava mais
te ver tão miserável. Quando percebi que ele também era um
orgulhoso, turrão, tive que mexer os meus pauzinhos. — dona Joyce
diz sem nenhum pingo de remorso, já Anthony, parece totalmente
envergonhado com toda a situação.
— Pera aí, então os papéis, o pedido de DNA e a guarda,
eram tudo mentira? — pergunto chocada, com o coração mil vezes
mais leve em meu peito.
— Eu vou registrar o Pedro, isso é algo inevitável. Eu quero o
melhor para o meu filho, Luana. — ele diz sério, e realmente sinto
em meu coração que aquilo é a mais pura verdade — E o melhor
para ele, com certeza, é estar ao lado da mãe. Eu nunca pediria isso
para vocês, seria causar um sofrimento desnecessário. Deixando
claro, eu quero que você escolha estar comigo porque me quer ao
seu lado, não porque tem medo de eu tirar a criança de você. — seu
tom de voz é sério, e eu confirmo com a cabeça algumas vezes, até
digerir tudo o que ele está falando.
— Foi uma armação dos dois, então?
— Apenas para te trazer para Otheon e conversarmos… —
ele responde e eu confirmo com a cabeça.
— Tudo bem. — digo simplesmente, sob os olhares curiosos
da minha mãe e do homem da minha vida.
— Como assim, tudo bem? — ele pergunta, e eu respondo
com um sorriso no rosto.
— Tudo bem, eu aceito testarmos isso… o que quer que seja.
— digo, e ele abre um sorriso colando a sua boca na minha.
— Nós vamos nos casar. — sua afirmação é tão séria que eu
não entendo se isso foi ou não um pedido, mas escuto a gargalhada
alta da minha mãe, que sabe muito bem o que eu penso a respeito
casamentos.
— Isso é um pedido? Porque se for, me desculpe
decepcioná-lo, mas não vamos.
— Vamos sim. Eu sou persuasivo. — ele responde, beijando
o meu pescoço, e a esse ponto eu quase cedo.
— Nossa, que sem vergonhas! — é a vez de Joyce falar,
antes de completar — Você deveria ter demorado um pouco mais! A
lista de finais felizes dos seus livros era gigantesca, e,
aparentemente, o bonitão estava disposto a cumprir cada um deles,
até você dizer sim.
— Eu realmente sou persuasivo. — ele dá de ombros e eu
abro um sorriso.
— Todos eles? Até cantar em uma serenata e pular de
paraquedas recitando poesia? — pergunto, tentando conter a
risada.
— Na lista, o show de balé ficou por último, — ele diz em voz
baixa, como se fosse uma confissão — aquelas calças coladas não
fazem muito o meu estilo.
— Poxa, não acredito! Eu acho tão sexy! — brinco, e vejo
minha mãe sair novamente de cena com meu filho no colo, não sem
antes piscar pra mim — Vou repensar esse perdão.
— Não mesmo, gatinha. — ele diz, percebendo que estamos
à sós — Você já disse sim, e eu não poderia estar mais feliz nesse
momento.
— Então, é aqui que você mora?
— Aqui é a residência do Conde. — digo, como se explicasse
tudo, mas ela fica confusa, por isso, continuo — Eu e meu pai
tivemos uma relação conturbada. Na realidade, não tivemos relação
nenhuma durante toda a minha existência, por isso, não considero
esse mausoléu a minha casa... — ela nota certa tristeza em minha
voz, e acaricia o meu ombro, mas eu abro um sorriso, antes de
enlaçar a minha mão em sua cintura, sem conseguir ficar um
segundo a mais longe dela — Mas, se você gostar e quiser mudar
tudo para morarmos aqui, eu topo.
— Como assim, mudar tudo? É uma mansão de, no mínimo,
cem anos de idade. Tudo aqui dentro deve estar tombado! — ela diz
e eu estreito os olhos, sem entender nada.
— Você vai ser a minha mulher, Luana. Na realidade, já é. Se
quiser pintar tudo de amarelo e fazer daqui um lugar monocromático
com tons de bege, fica ao seu critério. — beijo sua bochecha, e ela
ri, parecendo maravilhada.
— Acho que não é bom pro Pedro crescer em um hotel,
sabe... uma família precisa de regras. — ela sonda, me olhando
para ver qual será a minha reação e, muito sério, respondo:
— Piter, vamos trocar o nome dele para Piter, — ela começa
a tentar argumentar, mas eu completo — na escola ele vai sofrer
bullying com um nome estrangeiro que ninguém sabe falar. E,
concordo. Todos nós precisamos de um lar. Nada de vida de hotéis,
a não ser, nos nossos vale nights.
— Teremos vale nights? — ela questiona, parecendo muito
interessada.
— Toda quinta-feira? O que acha?
— Hoje é quinta-feira. — sua constatação me faz gargalhar, e
roubando um beijo intenso dela, completo:
— Exatamente! E é por isso que eu preciso apresentar à
condessa seus aposentos.
— Quem é essa? — ela questiona, balançando a cabeça
como se tudo fosse muito difícil de digerir.
— Você, amor.
Sem pensar duas vezes, a pego no colo, arrancando-lhe uma
risada alta, enquanto agarra o meu pescoço e descansa a cabeça
confortavelmente no meu peito.
— Como você é minha mulher agora, nada mais justo do que
eu cumprir a tradição. — falo solene, antes de subir os degraus e
levá-la até o meu quarto.
Assim que a coloco no chão, ela segura meu rosto em suas
mãos, e mordisca meu lábio antes de me dar um beijo quente.
Agarro a sua bunda com as duas mãos, e a coloco em cima da
cômoda, sem me importar nem um pouco com as quinquilharias que
se espatifam no chão. Tudo o que importa no momento é Luana.
Seguro em sua cintura, corro os dedos por baixo da sua
camiseta, relembrando como seu corpo é macio e cheiroso, subindo
até os seus seios, agora mais fartos, e ainda mais deliciosos. Ela
geme com o meu toque certeiro, e começo a descer a trilha de
beijos pelo seu pescoço, provando o sabor da sua pele. Não me
controlo mais, cravando os dedos em sua bunda gostosa, e se antes
ela parecia hesitar em algum momento, agora não existe mais
nenhuma dúvida. A loirinha também me quer.
O seu toque é completamente afrodisíaco, me faz tremer de
prazer em um sentimento completamente arrebatador.
Luana escorrega os dedos pelo colarinho da minha camisa
social e desce até o primeiro botão, olho em seus olhos e vejo o
meu futuro. Nesse momento eu não poderia estar mais feliz.
Entre nós há excitação, desejo, mas também algo mais, e é
isso que eu vou tentar descobrir todos os dias. O que é esse algo
mais.
Devoro seus lábios, os consumindo de tal forma que tenho
certeza de que ficarão doloridos, morto de saudade da única mulher
que eu quis e amei em toda a minha vida. Não há mais nada no
mundo além do nosso desejo, e isso é o que mais importa no
momento.
Luana percorre a mão em meu peito, a essa altura, já nu, me
deixando arrepiado. Sem conseguir esperar mais um segundo
sequer, levanto a sua blusa, revelando seu colo perfeito, e ali,
afundo meu rosto, mordendo na altura dos dois seios, ainda por
cima do sutiã. Ela solta um grito de puro prazer e nesse momento
eu me sinto poderoso. Tiro a peça de lingerie, me dedicando a lhe
dar prazer, matando a saudade do seu corpo do jeito que deve ser
feito. Enquanto chupo e mordisco os seios mais gostosos do mundo,
começo a notar as diferenças causadas pela gravidez, que a
deixaram ainda mais linda.
— Vamos para a cama? — pergunto no seu ouvido, fazendo-
a se arrepiar, e quando ela confirma com a cabeça, pego-a
novamente no colo, levando-a até a cama de dossel enorme, que
será nossa daqui por diante.
Ela toma meu rosto, como se quisesse comprovar que tudo o
que estamos vivendo é real, mas a sua outra mão é ágil, e vai de
encontro ao zíper da minha calça. Ajudo-a com o seu trabalho e,
com uma trilha de beijos, começo a tirar as suas últimas peças de
roupa por mim mesmo.
Luana parece envergonhada, e tenta esconder a cicatriz
ainda avermelhada da cesariana, mas nego com a cabeça, e passo
os dedos sobre a linha, amando essa mulher ainda mais, se isso for
possível.
— Não tem por que se envergonhar. Seu corpo é perfeito, e
eu amo você. Amo por ter passado por tudo isso sozinha, amo por
ter carregado nosso filho aqui, e amo cada parte do seu corpo
delicioso, — ela arfa, surpresa com a minha declaração, mas beijo
sua barriga, antes de olhar em seus olhos e completar — e agora,
além de palavras eu vou demonstrar em ações. Pronta para produzir
novos herdeiros?
— Se você enfiar um novo bebê nesse corpinho tão cedo, eu
te mato Anthony! — ela essa é a sua única fala, antes de me puxar
para si, e colar a sua boca na minha novamente.
Escorrego uma mão por seu corpo, até chegar à sua entrada
úmida, e com um dedo, brinco com o seu clitóris, lhe arrancando
gemidos altos e deliciosos. Movo em círculos, estimulando-a, até ela
começar a gritar meu nome alto, implorando por mais. Quando ela
começa a apresentar sinais de que está quase chegando lá, me
posiciono em sua entrada, prendendo-a entre os travesseiros,
enquanto deslizo para dentro dela, me aproveitando de toda a sua
excitação. Preciso fazer um esforço monumental para não gozar
nesse momento, porque a saudade e a vontade que estava de senti-
la é quase palpável.
Respiro por alguns segundos, tentando me estabilizar, para
não terminar isso de uma maneira vergonhosa, e quando ergo
novamente meu quadril, saindo quase que por completo, volto com
tudo, lhe arrancando um grito de susto e prazer. Abro um sorriso
que se espelha em seu rosto, e começo os movimentos lentos e
deliciosos.
Beijo seus lábios, segurando firme seus ombros contra os
meus, enquanto ela envolve meu pescoço com o braço, puxando
meu cabelo como consegue. Suas tentativas são inebriantes, então
quando gemo baixo contra a sua boca, ela parece a mais feliz das
mulheres.
Ousada, Luana nos gira na cama, se posicionando por cima,
e segurando meus ombros, ela se encaixa no meu pau, enquanto
rebola com vontade. O prazer é tão grande, que eu não sei como
lidar, e quando cravo as mãos em sua bunda, com força, ela parece
satisfeita e com um só objetivo: alcançar o orgasmo. Nos
movimentamos juntos, de forma intensa, e quando não consigo mais
me segurar, levo minha mão até o seu clitóris, fazendo-a gozar
quase que instantaneamente. Juntos, gememos alto alcançando o
clímax, e ela se joga em cima de mim, cansada, bamba e,
aparentemente, feliz.
Aninho seu corpo no meu, satisfeito por finalmente tê-la
deitada em meu peito, e beijo a sua testa.
— Anthony? — ela pergunta baixinho, pouco tempo depois.
— Sim?
— Eu também amo você.
E, nesse momento, eu sou o homem mais feliz do mundo.
— Será que venceremos a batalha hoje, filhão? — pergunto
ansioso para Piter, que abre o sorriso característico dos Watson,
antes de me responder:
— Não sei, não. Parece que ela fala não apenas para te
irritar.
— Como se eu não soubesse! — reviro os olhos, o ajudando
com o nó da sua gravata — Vai ser a trigésima vez que eu peço a
sua mãe em casamento.
— A esperança é a última que morre. Melhor de trinta, não foi
isso que ela disse da última vez? — ele diz o ditado em português,
dando de ombros, antes de se afastar mexendo no cabelo.
Piter é tão parecido comigo, que as pessoas se
impressionam quando o encontram nos eventos. Com dezesseis
anos agora, ele parece estar seguindo os passos do pai, sendo o
maior garanhão da nobreza, e isso tem criado rugas de
preocupação em sua mãe… e para ser honesto, em mim também.
— Lembre-se, é aniversário da sua mãe. Nada de se
engraçar com a princesa Liza. — sei que nada do que eu disse vai
pará-lo, mas, no fim, eu preciso cumprir as obrigações de pai. Todos
sabem que meu filho e a caçula do Rei Willian tem uma amizade
próxima até demais, porém, ninguém tem coragem de fazer nada a
respeito disso.
— Não seja tão dramático. É só mais um baile chato, cheio
de pompa para você exibir a mamãe. — ele diz, engraçadinho, mas
antes que eu possa repreendê-lo, Luana entra no quarto em um
vestido dourado, parecendo brilhar mais do que o sol.
Nós dois olhamos para ela, que adota uma cor rosada em
suas bochechas, antes de dar uma voltinha, para se exibir.
— Exagerei? — seu questionamento é completamente
ignorado por mim, que vou em sua direção e circundo a sua cintura,
beijando seu ombro nu, antes de abrir um sorriso convencido.
— Assim fica fácil comentar na minha roda de amigos que eu
tenho a esposa mais linda de Lanuver. — digo, e ela nega com a
cabeça.
— Namorada… você ainda se lembra desse fato, né? Ou a
idade já chegou a esse ponto? Eu devo me preocupar?
— Bom, depois de dezesseis anos morando com você, e
vivendo a vida ao seu lado, esses tipos de convenções passam a
não importar mais. Não é? — digo, com um sorriso misterioso nos
lábios, e ela estreita os olhos, sem saber o que esperar.
— Por que eu não estou gostando desse seu tom de voz?
— Não sei do que você está falando. — digo balançando a
cabeça em negativa, e Piter gargalha antes de anunciar a sua saída
do quarto.
— Eu vou ver se encontro… A Liz… Gabrielly, por aí.
— Pedro, eu já disse, não brinque com os sentimentos da
princesa! — Luana briga, mas ele se faz de desentendido, antes de
deixar o quarto a passos largos — Eles vão ser o friends to lovers
mais impossível de assistir! — minha mulher diz, depois de perceber
que ele já está longe.
— Feliz aniversário! — lhe arranco um beijo apaixonado,
aproveitando que estamos a sós, ainda calculando para ver se
consigo ou não ter uma rapidinha sem atrapalhar o seu penteado
elaborado, mas sou interrompido por alguém que grita pelos
corredores que estamos atrasados, e sem saber se foram as
gêmeas Gabrielly e Giordana, ou a caçula, Filipa, nos afastamos
com um sorriso nos lábios e a promessa de uma noite quente nos
olhos.
Confiro no bolso do meu blazer se a joia, que eu carrego há
tantos anos, está aqui e de mãos dadas descemos as escadas para
encontrar nossos convidados. Mal sabe Luana que de hoje ela não
me escapa. Em todos os sentidos possíveis.
Noto pela sua expressão, e pelo aperto firme em minha mão,
que esse tipo de evento realmente não lhe agrada, mas como as
convenções são importantes para os negócios e para o condado,
ela aguenta firme por mim. Assim como eu aguento firme tudo o que
ela me pedir. Por ela, eu faço qualquer coisa. Até a loucura de armar
um casamento escondido, para que não tenha nenhuma
escapatória.
Não passaremos nem mais um dia sem ela ter Watson no
sobrenome, ou eu não me chamo Anthony.
Assim que chegamos ao andar principal, Luana nota a
presença de toda a sua família e amigos, e me olha descrente, indo
cumprimentar a sua mãe com um abraço apertado.
— E aí? Tudo certo? — pergunto para Ian, que confirma com
a cabeça.
— Finalmente, vai desencalhar né, coroa? — meu melhor
amigo dá dois tapinhas nas minhas costas, mas eu reprimo a
vontade de xingá-lo, para não causar uma cena.
— Espero que sim.
E, na realidade, eu espero mesmo que sim.
Depois de todos os pedidos possíveis, incluindo até a maldita
calça de ballet, e uma dança improvisada em que Luana gargalhou
alto e implorou para que eu parasse de pagar mico, percebi que o
melhor a fazer é obrigá-la a dizer sim, pela pressão social entre
parentes, amigos e o próprio Rei, que, apesar de meio sistemático e
ter uma má fama, é da família.
Tendo isso em mente, seguro firme a mão de Luana sem falar
nada, e a guio até os jardins da mansão, agora enfeitados com um
altar pequeno, porém requintado.
Tudo feito às pressas para que ela não desconfiasse de
nada, é claro.
— O que é isso? — ela pergunta baixo, tentando manter a
compostura.
— Luana Albuquerque, em todos esses anos juntos, você foi
a luz que guiou os meus caminhos mais obscuros. Mesmo se
recusando veementemente a se casar comigo nas últimas vinte e
nove vezes, um homem pode sonhar. — digo alto, e arranco uma
risada dos nossos amigos e familiares, que à essa altura, já estão
nos jardins esperando o grande pedido — Hoje, eu vim sem
paraquedas, bandas de rock e graças a Deus, sem calças de ballet,
implorar mais uma vez, para você aceitar ser no papel, o que você
já é em meu coração: minha esposa.
Luana tem lágrimas nos olhos, e procura por nossos filhos
que parecem tão, ou mais ansiosos do que eu, para saber qual será
a resposta dessa vez. Piter, que presenciou todas as vezes, apesar
de não se lembrar de uma porção delas por causa da pouca idade,
levanta os dois polegares para mim, me dando confiança para
continuar:
— Luana, gatinha, você me dá a honra de ser a minha
senhora Watson? — pergunto, me ajoelhando, e mostrando o anel
que mandei fazer anos atrás especialmente para ela.
— Eu estava esperando pelo dia em que você seria original,
e não copiaria nenhuma das minhas ideias. — ela confessa,
arrancando risadas, enquanto sinto meu pescoço esquentar,
envergonhado — Já que você quer tanto… — o suspense começa a
me matar, e quando penso que receberei mais um não para a
coleção, ela confirma com a cabeça — Sim.
— Você está falando sério? — pergunto, chocado.
Nunca cheguei nessa parte, então não sei bem o que fazer.
— Estou! Eu aceito! — ela fala mais alto, e coloca o anel em
seu dedo, sem esperar que eu conclua o processo tradicional.
Escuto todos comemorarem, e o gritinho animado das nossas
filhas reverbera ao fundo. Mas, neste momento, não há mais nada
no mundo, além de nós dois. Quando colo seus lábios nos meus
tenho uma única certeza: essa é a mulher da minha vida, e em
todas as nossas coleções de momentos, o dia de hoje ficará
gravado na história.
Agradeço imensamente a você que deu uma chance para essa
história e chegou até aqui. Escrever a história de amor de Luana e
Anthony foi de muitas formas divertida e emocionante. Espero que
você tenha gostado dessa jornada. Se você amou este livro tanto
quanto eu, não deixe de avaliar, por favor.

Sem algumas pessoas, nada disso seria possível. Então, nada mais
justo do que agradecer a quem está sempre ao meu lado.

Para as minhas leitoras goxtosas deixo aqui todo o meu amor.


Como sempre digo: sem vocês eu não sou nada! Obrigada por todo
o apoio, as interações, indicações e leituras são fundamentais para
mim. Amo vocês com todo o meu coração!
Para a minha outra metade literária, Priscilla Averati. Você é
fundamental para a minha vida. Esse livro sem você não teria saído
do mundo das ideias. Agradeço de coração por tudo sempre. Te
amo infinito. #Prisa

Para as minhas betas queridas que correram com a leitura para me


ajudar a dar um parecer honesto, Juju e Nath. Eu amo vocês.

Minhas “momoladas”, vocês são demais. Ana, Thata e Jaque. Pelo


apoio surreal que vocês me dão todos os dias, eu sou muito grata.
Nossa amizade é uma das coisas que me mantém de pé e
caminhando hoje em dia. Eu amo vocês.

Dona da minha vida e do meu c* Van, eu sou grata demais por tudo
o que você tem feito por mim nessa nossa trajetória. Eu sou grata
demais pela sua amizade além de todo apoio com a assessoria.
Você é foda demais. Te amo.

Grupo do Desafio Mari Salles obrigada por todo apoio meninas. Eu


sou grata por todo o aprendizado e “prometo escrever mil palavras,
todos os dias até o livro ficar pronto.” Funcionou para esse que foi
escrito em 22 dias. Sim! Isso é verdade e graças ao apoio de todas
essas mulheres incríveis.

Por fim, mas não menos importante, para a minha família por todo o
apoio. À Deus por me capacitar e aos meus amigos por aguentarem
as minhas “sumidas” em períodos pré-lançamento. Amo vocês.
QUERO MUITO TE CONHECER MELHOR!
Parece inalcançável a relação autor/leitor, e por isso estou sempre
aberta, tanto nas minhas redes sociais quanto no meu grupo de
leitoras para conversarmos.
Se você gostou do meu trabalho, vem conversar comigo!

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Instagram: @isabellasilveiraautora
Página do Facebook: Autora Isabella Silveira

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Isabella Silveira é natural de São Paulo, porém cresceu na
capital de Minas Gerais. Publicitária e comunicóloga, desde cedo
percebeu que a se comunicar era algo muito além da fala.
Na literatura descobriu inúmeros novos mundos, e ainda
criança sentia a maior felicidade em ter um livro nas mãos. Ainda
nova arriscou alguns rascunhos que nunca saíram do papel, porém
após ler estórias que não correspondiam às suas expectativas e
conversavam com a mulher decidida que ela sempre quis ser,
resolveu colocar as suas ideias no papel, e posteriormente mostrá-
las ao mundo.
Amante da literatura nacional se aventurou na escrita por não
se conformar com o óbvio e ainda hoje tem o objetivo de
surpreender seus leitores com enredos diferentes do usual.
Escritora de mulheres fortes, independentes e donas do seu
próprio destino.
Ainda não conhece as minhas outras obras?
Te convido a ler e depois vir comentar comigo!

Achei você em Paris


Lara é uma aeromoça que sempre sonhou em conhecer a cidade
Luz.
Feliz, destemida, dedicada, cheia de garra e com o coração enorme
ela passa por cima de todos os obstáculos para conseguir o seu
objetivo, visitar Paris.
Mesmo com as adversidades, e enfrentando preconceitos pela cor
de sua pele, ela não se abala e passa por cima de todos os
percalços para ver a sonhada Torre Eiffel. Mas, quem diria, que
quando ela realmente chegasse em seu objetivo, o seu coração
bateria mais rápido por outro motivo?
Victor ainda está tentando encontrar o seu lugar no mundo. Adotado
por uma família muito bem sucedida, sempre se viu como a ovelha
negra. Arquiteto cheio de talento, o nerd atrapalhado resolve se
mudar para o outro lado do mundo em busca de algo mais. Quem
diria que ele encontraria o seu "mais" atropelando a bela donzela,
com a sua mala, correndo para o embarque em um avião?

Entre Posts e Amores


Laís é uma menina sonhadora.
Quando viu a oportunidade de sair do interior de Minas e conseguir
uma vida melhor para si e para a sua família a agarrou com unhas e
dentes. Hoje, formada em Relações Públicas pela USP se vê mais
quebrada do que nunca. Ela precisa de dinheiro!
Na ânsia de mostrar para todos de sua cidade do interior que
conseguiu “vencer na vida”, ela resolveu anos atrás mostrar todas
as suas experiências da cidade grande pelas redes sociais, e foi
assim que sua carreira um pouquinho mentirosa de blogueira
começou.
Apesar disso, sem ainda conseguir ganhar dinheiro efetivamente
com a blogueiragem ela parte com tudo para o seu maior sonho: ser
cerimonialista no mercado de casamentos. Situações extremas
pedem medidas desesperadas, e por isso ela faz de tudo para
conseguir o seu emprego dos sonhos, tentando manter a qualquer
custo a pose de boa vida nas redes sociais.
Ela só não esperava conhecer o homem mais incrível do mundo
durante esse processo, e nem que ele fosse sobrinho da sua futura
chefe.
Diego é o verdadeiro príncipe dos contos de fadas! Lindo e muito
simpático, sua meta de vida e ajudar as pessoas, sejam elas
próximas ou não. Depois de 2 anos em uma missão na Indonésia
ele volta por um ultimato: ele precisa entrar para os negócios da
família. Mas um esbarrão em uma linda caipirinha faz com que esse
trabalho prometa ficar muito mais leve e divertido.
Entre trapalhadas, casamentos, amores e mentiras, Laís tenta
equilibrar tudo sem se perder no processo. Mas até quando ela
conseguirá sustentar toda a pose sem acabar se quebrando?
Laís é casamenteira por profissão e blogueira por vocação.
Conheçam essa história e se encantem.

Entre Luzes e Romances


Depois de muitas aventuras, Laís conseguiu enfim o seu "feliz para
sempre" com o seu príncipe ativista Diego.
O que ela não sabe é que depois do tão sonhado SIM, é que as
coisas começariam a ficar interessantes.
Época de natal sempre nos reservam grandes surpresas, e para
uma blogueira gravidíssima isso não poderia ser diferente. Mais
apaixonada pelo seu enfim marido do que nunca, Laís está vivendo
seu conto de fadas. Entre casamentos, vídeos e uma família muito
bagunceira passando o natal pela primeira vez na capital, ela
precisará equilibrar tudo e fazer com que seu bem mais precioso
não sofra no processo. Luíza, sua filha

E se eu me apaixonar por você?


Liz é uma médica, cirurgiã obstetra, renomada, dona do seu próprio
nariz e do seu próprio destino. Extremamente independente, ela tem
como objetivo ser feliz e por isso não aceita migalhas de homem
nenhum.
Carlos é um tímido professor de música, que sonha em encontrar
alguém que faça o seu coração suspirar, e ser digna o suficiente
para recitar as mais belas canções de sua banda preferida. The
Beatles.
Um incêndio cruza o caminho dos dois, e une esse casal
improvável. Mas será que isso é o suficiente para mantê-los unidos?
Venha se aventurar, rir e se apaixonar por Liz e Carlos, ao som da
banda mais famosa de todos os tempos. The Beatles.

Antologia LUNY – Lucy


Seja muito bem-vindo à LUNY!
Conhecida não apenas pelos belos jardins ao redor do campus, mas
principalmente por ser considerada uma das universidades mais
renomadas do mundo, a centenária Liber University of New York é
um sonho realizado para muitos.
Há quem diga que a faculdade é a melhor fase da vida.
Verdade ou não, na LUNY, entre salas de aula, dormitórios, festas,
jogos do Zion — o lendário time de futebol americano —,
fraternidades e encontros no Titans — o bar mais badalado da
região —, o amor acontece.
É tempo de descobertas;
De (re)começar;
Errar e aprender;
Se aceitar;
Fazer amigos;
Sair sem hora para voltar;
Roubar um beijo;
Ser beijada ou beijado;
É tempo de se apaixonar.
E você vai ter a oportunidade de desfrutar desses encontros
especiais, que irão te arrancar suspiros, do início ao fim.
Uma Universidade, onze amores.
Que tal passar um tempinho acompanhado dessa coletânea de
contos românticos que se passam na LUNY?

Por trás dos Bastidores


Lia Reed volta para Los Angeles com um único objetivo, fazer a sua
estreia em Hollywood.
Desde a morte traumática de seu pai, um ator famoso da indústria
cinematográfica americana, ela enfrentou uma mudança para o
Brasil e iniciou a sua própria carreira sob os holofotes.
Hoje, mais velha e espalhafatosa, com nove ex-namorados, traumas
ainda não superados e insegurança em seus próprios atos, ela tem
uma única certeza: sua carreira é o que mais importa.
Ela jurou não se apaixonar e o objetivo era claro: fazer a sua estreia
sem nenhum efeito colateral. Só não contava que encontraria seu
futuro marido no primeiro dia de filmagens. E, principalmente, com a
confusão que ela vai se meter depois disso.

Antologia Era uma vez? – O mergulho da Sereia


Era uma vez, um pequeno reino localizado em uma ilha ao norte da
Europa. Um lugar lindo, cheio de belezas naturais e muitas histórias.
Histórias essas que até parecem ter sido inspiradas em contos de
fadas.
Elsker é a terra de um povo muito tradicional e patriota, que cativa a
todos que ali visitam, e, tendo o país como palco dessa história, oito
destinos se cruzarão.
Em uma releitura moderna e adulta dos mais fantásticos contos de
fadas, vocês irão rir e se apaixonar. Afinal, eles não são feitos
apenas para crianças e nunca se é velho demais para encontrar o
amor verdadeiro.

Top Model: A modelo do CEO

Luiza Franco precisa desesperadamente de dinheiro para cuidar da


casa e pagar o tratamento de câncer de seu pai. Por isso, tem
passado por inúmeras entrevistas frustradas, até que, por uma obra
do destino, é atropelada por uma montanha de músculos a caminho
do seu emprego dos sonhos.
Pedro Alcoforado tem um único objetivo: trabalhar duro e fazer valer
a pena a vaga de CEO que sua prima lhe ofereceu. Pelo menos até
esbarrar em uma morena linda e desastrada de olhos azuis.
Em um encontro duplamente inesperado, Luiza se vê obrigada a ser
secretária na tão exclusiva Brumpel, e ter como chefe o homem
tempestuoso que mexe com o seu coração.
Mas, uma oportunidade surge e ela começa a trabalhar como
modelo, trazendo consigo o pior lado de Pedro.
Quanto mais ela cresce na carreira, mais possessivo ele se torna.
Será que o amor sobreviverá a tantos percalços?

Por trás de um Contrato


Layla Miller sempre lutou para ter o mundo aos seus pés. Com a
sua carreira de modelo já consolidada, ela decidiu se aventurar
como atriz em busca de novas emoções e um novo propósito.
Desde o seu último término, as coisas não andaram muito bem pra
ela, tanto em seu coração quanto com a mídia. As fake news
repercutiram e ela batalhou demais para conseguir limpar o seu
nome e voltar a ter uma boa reputação. Para ela, o trabalho é o seu
bem mais importante e nada nem ninguém vai desviar o foco no seu
destino.
Por isso, quando um figurante contratado para ser o seu
acompanhante em uma premiação cai de joelhos aos seus pés,
dando a impressão de que a estava pedindo em casamento, ela não
vê outra alternativa: precisa participar dessa loucura de um
casamento por contrato.
O arranjo que deveria ser simples tem apenas uma complicação:
Tyler Lewis. Sua língua afiada, seus músculos aparentes e seu
humor ácido, fazem com que ela se perca ainda mais entre mentira
e realidade.

Cedendo à Tentação
Quatorze anos a separam da menina que teve o seu coração partido
para a mulher que adora pisar no coração dos outros.
Marcos Bessa voltou para o Brasil em busca de redenção.
Há anos ele deixou para trás uma menina confusa e apaixonada em
uma cidadezinha do interior, sabendo que isso seria o melhor para
os dois e foi se aventurar no exterior. Com a sua volta para o Brasil,
encontra uma proposta irrecusável de trabalho na empresa que
Clara Machado fundou.
O que ele não esperava era que a menina de olhos claros e sorriso
fácil, depois de tantos anos se tornaria a mulher linda, sensual,
ardilosa, com um humor ácido e nenhuma paciência para as suas
cantadas baratas.
O pior? Ele se vê intimado pela mulher que o leva a loucura: em três
meses o adendo em seu contrato acaba e ela poderá demiti-lo como
planeja fazer desde o seu retorno.
Marcos tem um prazo para reconquistar a mulher por quem sempre
foi apaixonado e que ainda guarda mágoa pelo passado, embora
não seja totalmente indiferente às suas investidas.
Será que ela conseguirá resistir?

Um Amor para o Pai Viúvo


Arthur perdeu a sua esposa no parto de Alice, e hoje, depois de dois
meses se vê completamente perdido e sem saber o que fazer.
Cuidar de uma criança recém-nascida é difícil, mas sem ajuda, se
torna uma missão quase impossível.
Letícia está sobrevivendo em sua vida monótona de enfermeira,
cuidando de todos e esquecendo de cuidar de si, tentando superar a
perda de sua filha.
Um encontro no corredor de fraldas acontece tarde da noite e os
antigos colegas de escola se reencontram. Arthur desalentado e
sem saber o que comprar. Letícia se compadece, resolve ajudar e
se apaixona pela bebê de cabelos loiros, e, porque não dizer, pelo
projeto de lenhador completamente tatuado, segurando a criança
com tanta proteção.
Uma amizade, uma família fora do padrão e um bebê que une um
casal improvável.
Será que eles estão destinados a ficarem juntos?

Amor nas Alturas


Guilherme Alcântara é um piloto sério e tímido que sempre viveu
respeitando as regras. Filho de uma família tradicional gaúcha, que
trabalha no ramo do empreendedorismo, ele lutou bravamente para
conquistar a sua independência e seguir a profissão que sempre
sonhou.
Quando, por uma coincidência do destino, ele se esbarra em Loara
Castro, uma morena linda de olhos enlouquecedores no aeroporto,
Guilherme percebe que a vida pode ser muito mais do que ele
sempre imaginou.
Um encontro ao acaso, momentos quentes em uma cabine de
banheiro, uma despedida despretensiosa.
O que ele não esperava era que o destino os colocaria frente a
frente de novo, e agora, sob novas regras, que nenhum dos dois
está disposto a cumprir.

Segunda Chance: Um bebê para o Médico


O jovem médico e pai solo, Murilo Mazzini, após ter um filho com
sua melhor amiga ainda adolescente, se dedicou aos estudos e à
carreira, deixando a vida amorosa em segundo plano. Pelo menos,
até se encantar por Lou.
Louise Vieira é uma mulher batalhadora que desistiu de confiar nos
homens quando acabou sendo abandonada grávida pelo ex. Até
que encontra em Murilo um bom amigo e alguém com quem pode
contar.
O charmoso milionário se vê apaixonado pela mulher frágil e,
disposto a conquistá-la e evitar a todo custo a friendzone, precisa
lidar com a resistência da moça e suas inseguranças. Murilo está
mais do que determinado a tê-la para si.
Será que Lou vai ser capaz de resistir ao seu charme de bom
moço?

Sem Retorno
Matteo Rizzi não sabia bem em que estava se envolvendo quando
se rendeu ao dinheiro fácil oferecido por um parente. Fato é, ele
poderia ter saído do negócio escuro e perigoso enquanto podia, mas
o poder e o dinheiro falaram mais alto. O que o atraente criminoso
não esperava, era envolver seu amor da adolescência na confusão
que se tornou sua vida.
Luna Castro sempre foi uma mulher certinha e cercada de cuidados.
Empresária bem sucedida, ela não contava que se envolveria nas
confusões do homem por quem sempre foi apaixonada e para quem
se guardou a vida toda.
Em uma situação extraordinária, eles se veem juntos e obrigados a
fugir dos perigos que perseguem Matteo e que agora, envolvem a
doce e inocente Luna. Em uma jornada perigosa e repleta de ação,
o improvável casal tem que se unir para escapar dos mafiosos que
os ameaçam.
Entre tantas emoções e enrascadas, ambos precisam lidar com os
sentimentos que se tornam cada vez mais fortes nesse amor em
fuga.

Escolhida para o Príncipe


William Charles Scott Carter, príncipe herdeiro do trono de
Lanuver, está em busca de uma esposa. Impopular, visto como
arrogante e hostil, ele acredita que não merece ser feliz. Para
cumprir sua obrigação, aceita um casamento por conveniência e
ascender ao trono. Ele só não contava em ter que procurar a
"escolhida" em terras rivais, aonde o passado voltará para lhe
atormentar, e segredos antigos estarão prestes a serem revelados.
Leah Elizabeth Lancaster Reimond sempre quis uma vida simples.
Apesar de ser princesa de Vongher, ela nunca almejou a coroa, o
poder, nem os deveres que vinham atrelados a ela. O que ela não
esperava, era que seu maior inimigo voltasse para assombrá-la e
mudasse a sua vida inteira de uma hora para outra.
Um casamento arranjado.
Duas pessoas que se odeiam.
Um embate.
Em meio ao caos, o amor surgirá?

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