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LALP II, Ja

Este documento descreve a literatura moçambicana antes e após a independência de Moçambique. Discute como a literatura colonial era diferente da literatura nacional e como jornais como o Msaho contribuíram para as perspectivas de moçambicanidade. Também aborda os objetivos, metodologia e estrutura do documento.
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Este documento descreve a literatura moçambicana antes e após a independência de Moçambique. Discute como a literatura colonial era diferente da literatura nacional e como jornais como o Msaho contribuíram para as perspectivas de moçambicanidade. Também aborda os objetivos, metodologia e estrutura do documento.
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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

LITERATURA MOÇAMBICANA ANTES E PÓS-COLONIAL

Graciete Vasco alfredo

Cod. 708204004

Curso: Português
Disciplina: LALP II
Ano de Frequência: 4º Ano
Docente: Fernando Mualava

Quelimane, Abril de 2023


Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor

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Índice
1. Introdução..........................................................................................................................................3

2. Objectivos..........................................................................................................................................4

2.1. Geral...............................................................................................................................................4

2.2. Específicos......................................................................................................................................4

2.3. Metodologia....................................................................................................................................4

3. Literatura Moçambicana antes e Pós-colonial...................................................................................5

3.1. Literatura Moçambicana antes........................................................................................................5

3.2. Literatura moçambicana no período pós-independência................................................................6

4. Distinção da literatura colonial da nacional.......................................................................................7

5. Contributo da Impressa......................................................................................................................8

6. Relação existente entre a imprensa (jornal Msaho) e as perspectivas de moçambicanidade..........10

7. Conclusão........................................................................................................................................12

8. Referencias Bibliográficas...............................................................................................................13
1. Introdução
O presente trabalho aborda sobre a Literatura Moçambicana antes e Pós-colonial, nesta vertente,
percebe-se que o percurso da Literatura de expressão portuguesa divide-se em cinco momentos. No
primeiro momento, o escritor está em estado quase absoluto de alienação, inteiramente absorvido
pela cultura colonizadora, reproduzindo seus ideais. Os seus textos poderiam ter sido produzidos em
qualquer outra parte do mundo: é o menosprezo e a alienação cultural. O segundo momento
corresponde à fase em que o escritor ganha a percepção da realidade, apontando distinções
geográficas, sociais etc. Em relação à “metrópole”.

O seu discurso revela influência do meio, bem como os primeiros sinais de sentimento nacional: é a
dor de ser negro; o negrismo e o indigenismo. O terceiro momento é aquele em que o escritor
adquire a consciência nacional de colonizado. Liberta-se, promovendo um pensamento dialéctico
entre raízes profundas e coibição de sujeição colonial. A prática literária enraíza-se no meio sócio-
cultural e geográfico: é a desalienação e o discurso da revolta. O quarto momento corresponde à fase
histórica da independência nacional, quando se dá a reconstituição da

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2. Objectivos
2.1. Geral
 Descrever sobre a literatura moçambicana antes e pós-colonial
2.2. Específicos
 Indicar a distinção da literatura colonial da nacional
 Mencionar o contributo da Impressa
 Descrever a relação existente entre a imprensa (jornal Msaho) e as perspectivas de
moçambicanidade

2.3. Metodologia
De salientar que para elaboração do trabalho, a autora recorreu a metodologia de consulta de
algumas obras bibliográficas que versam sobre o tema nelas inclinadas e que tais obras estão
referenciadas na lista bibliográfica. Como se não bastasse, tratando-se dum trabalho científico,
importa salientar que está organizado textualmente da seguinte maneira: a introdução,
desenvolvimento e conclusão.

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3. Literatura Moçambicana antes e Pós-colonial
3.1. Literatura Moçambicana antes
No século XX registaram-se mudanças sociais, políticas e económicas significativas que
favoreceram a tomada de consciência ao nativo da sua condição de colonizado. Isso surgiu na
sequência da existência de jornalistas, académicos, assimilados, mulatos, brancos moçambicanos e
uma pequena classe média urbana e suburbana que se opunha ao sistema implantado. Com esse
panorama, a actividade jornalística foi uma das promotoras da produção e circulação de textos
literários. Caracterizando essa geração, Leite (2013, p. 23) afirma

Que uma parte significativa dos escritores é assimilada e de descendência


europeia, sem contacto directo com o campo e, com algumas excepções, nem
todos dominam as línguas africanas, frutos da política colonial que separava
os africanos de civilizados/não civilizados, sendo a língua e cultura indígenas
tidas como não civilizadas/selvagens.

É nesse quadro que se afigura a literatura moçambicana, em sua primeira fase, como observa
Mendonça (2011, p. 12), está marcada pela atividade jornalística e literária, veiculada notadamente
pelos jornais O Africano (1908-1918) e O Brado Africano (1918 - 1974), nas décadas de 1920 e
1930, e pela poesia de Rui de Noronha, cuja expectativa oscilava entre ser africano e ser europeu.
Esta fase é marcada pelo surgimento da primeira obra literária, O Livro da dor (1925), de João
Albasini, numa edição póstuma.

No mesmo período, a atividade literária e jornalística é praticada ainda pelos irmãos João e José
Albasini, Estácio Dias, Karel Pott, Rui de Noronha, Nicamor da Silva, Guidione de Vasconcelos,
Gastão e António da Silva. As críticas, por vezes acutilantes, cingiam-se na interpelação da máquina
colonial. A partir da década de 1940 foram operadas mudanças no sistema internacional,
desfavoráveis à legitimidade dos impérios coloniais. Assim, Portugal vê cada vez mais a
dependência das colónias sendo posta em causa, apesar da concepção assimilacionista, a partir da
qual as colónias se transformavam em províncias ultramarinas, formando com a metrópole uma
nação una.

Nesta vertente, falar da literatura moçambicana antes e depois da independência, como veremos a
seguir, é reconhecer o papel importante exercido pela oralidade como veículo da cultura e da
necessidade de ser permanentemente estimulada. Ela preserva a tradição da experiência acumulada,

5
renovando-se, a cada momento, na fixação transversal da história literária moçambicana, no passado,
presente e futuro.

Por um lado, a literatura colonial serviu para fazer crer a conveniência do sistema colonial para os
africanos porque tinha uma função civilizadora. Torna-se importante que a mesma seja conhecida e
divulgada porque faz parte do património cultural de Portugal e de Moçambique. Do mesmo modo,
foi escrita em e sobre Moçambique, numa língua partilhada entre vários povos. Por outro, o
colonizado tinha uma visão negativa pelas injustiças perpetradas pelo sistema colonial usou também
a literatura como uma das formas de resistência e sua libertação.

3.2. Literatura moçambicana no período pós-independência


O acesso à independência conferiu a Moçambique, tanto na vida cultural como económica e política,
novas e grandes possibilidades de desenvolvimento e progresso: multiplicaram-se as instituições
culturais, escolas, a livre expressão da criatividade individual e colectiva, não reprimida pelas
autoridades coloniais, uma ampla expressão da vida cultural e literária de matriz local e não só, a
importância do factor político no desenvolvimento, na afirmação das artes e letras e uma vigorosa
dignidade literária e artística.

As tendências variadas só viriam a ser concretizadas a partir dos meados da década de 1980, uma
vez que o projecto da utopia de construção da nação, visando à mudança das mentalidades, teria
como base as novas ideias difundidas principalmente através da cultura. Durante a guerra de
libertação nacional surgem dois “tipos” de escritores: uns na frente do combate e nas zonas
libertadas, usando, ao mesmo tempo, a arma e a palavra como instrumentos de libertação.

Esses autores produziram grande parte da poesia de combate; e outros que se encontravam nas zonas
ocupadas pelo colonialismo, actuando na clandestinidade e usando apenas a palavra como meio de
libertação colonial. Depois da independência e no processo de construção da nação, os dois “tipos”
de escritores moçambicanos uniram-se para a mesma finalidade. Mendes (1980, p. 179) observa:

Os escritores moçambicanos encetaram os primeiros passos para se organizarem como força


ao serviço da nova sociedade que estamos a construir. A escolha é clara e impõe-se porque o
escritor moçambicano participa activamente na reconstrução nacional e sabe que para todos
os trabalhadores - e ele é-o também, usando como ferramenta a palavra - a comparticipação
por direito próprio no património universal exige como condição básica a realização e
consolidação no nosso espaço político, económico e, sobretudo, cultural, da verdadeira
independência. Entendemos que a literatura tem o seu lugar, o seu papel e a sua função na
frente cultural do combate contra a burguesia, contra o capitalismo e o imperialismo, pela

6
dignificação do homem e da personalidade nacional, pela felicidade, pela justiça, pela
solidariedade e pela Paz.

A passagem mostra claramente o comprometimento do escritor não só com o projeto político do


governo moçambicano como também perante o povo e a revolução, tendo em vista a visão
sociopolítica e cultural da época.

4. Distinção da literatura colonial da nacional


As literaturas africanas em língua portuguesa tiveram seu desenvolvimento a partir da segunda
metade do século XIX, como não poderia deixar de ser, tratando-se de países africanos, dotados em
sua maioria por culturas de tradição oral (embora não exclusivamente). Diferentemente da produção
colonial africana, as literaturas africanas adoptam um ponto de vista do colonizado, “de dentro para
fora”.

Portanto, marcadas pelo colonialismo português, os conflitos e relações que esta forma
administrativa acarreta, foram com o passar do tempo, inspiração constante na literatura das então
colónias de Portugal, actuais países de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e
Moçambique. Por ter sido, o fazer literário nestes países, muitas das vezes, formas de resistência e
militância, serão exactamente estas nuances que marcam as relações colonizadoras x colonizadas e
as demais buscas de afirmação identitária que elas acarretam.

A literatura, então, passa a construir em forma de militância política, de denúncia, de busca de uma
identidade, a ideologia para a independência e afirmação de identidades nestes países. Quatro anos
apenas após a instalação do prelo em Angola ocorre a publicação do livro Espontaneidades da minha
alma (1849), do angolano, mestiço ao que parece, José da Silva Maia Ferreira, o primeiro livro
impresso na África lusófona. O primeiro livro impresso, mas não a mais antiga obra literária de autor
africano.

Nesta vertente, angolana a tão recuados tempos, como já, com alguma intemperança, se quer
insinuar. Repondo, por isso, a questão com certa objectividade pode afirmar-se que a literatura
africana chama a si mais de um século de existência. Este longo período de mais de um século de
actividade literária está, porém, contido em duas grandes linhas: a literatura colonial e a literatura
africana de expressão portuguesa.

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A primeira, a literatura colonial, define-se essencialmente pelo facto de o centro do universo
narrativo ou poético se vincular ao homem europeu e não ao homem africano. No contexto da
literatura colonial, por décadas exaltadas, o homem negro aparece como que por acidente, por vezes
visto paternalisticamente e, quando tal acontece, é já um avanço, porque a norma é a sua
animalização ou coisificação. O branco é elevado à categoria de herói mítico, o desbravador das
terras inóspitas, o portador de uma cultura superior. Exemplo: 'o único país que pode explorar
seriamente a África, é Portugal' (prefácio de Manuel Pinheiro Chagas a Os sertões d’África, 1880, de
Alfredo de Sarmento, onde aliás se pode ler sobre o negro: 'É um homem na forma, mas os instintos
são de fera', p. 87).

Paradoxalmente, o branco é eleito como o grande sacrificado. A aplicação do ponto de vista


colonialista tem no europeu o agente dinâmico e não o opressor: 'Fiel aos nossos deveres de
dominador, grata ao nosso orgulho, útil às populações', escrevia um homem anti-fascista, Augusto
Casimiro (Nova largada, 1929). Predominavam, então, as ideias da inferioridade do homem negro,
que teóricos racistas, como Gobineau, haviam derramado e para as quais teria contribuído o filósofo
Lévy-Bruhl com a sua tese da mentalidade pré-lógica, sendo certo, embora, que a renunciou pouco
antes de morrer.

5. Contributo da Impressa
A imprensa e o ensino contribuíram sobremaneira para a eclosão da literatura escrita nas colónias
portuguesas, embora fosse mais importantes numas e noutras não devido a repreensão e censura
intensificadas. Verde (1842); Angola (1845); Moçambique (1854); São Tomé e Príncipe (1857) e
Guiné-Bissau (1879). Os primeiros órgãos de comunicação social foram o Boletim Oficial de cada
colónia, que dava abrigo à legislação, noticiário oficial e religioso, mas que também incluía textos
literários (poemas e crónicas).

Em geral, no século passado, excepto em Angola, a imprensa foi menos importante devido à
repressão. O semanário O progresso (1868), de Moçambique, religioso, instrutuvo, comercial e
agrícola, teve apenas um número, porque, dois dias depois, era obrigado a ir à censura prévia, que o
proibiu. Um militante republicano chamado Carvalho e Silva fundou quatro jornais, todos fechados,
o último dos quais foi assaltado, a tipografia destruída e o director agredido, de que resultou sua
morte. De facto, a história da imprensa não oficial de Moçambique foi geralmente de oposição aos
governos, da colónia e de Lisboa.
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Com a República, até ao advento da lei de João Belo (1926) contra a liberdade de imprensa,
floresceu uma imprensa operária. Mas os mais célebres, e justamente celebrados, pelo seu papel na
consciencialização da moçambicanidade, foram os jornais fundados pelos irmãos José e João
Albasini: O Africano (1909 - 1918), O Brado Africano (1918) e O Itinerário (1919), o penúltimo
sobrevivendo durante décadas e o último reaparecendo noutros moldes (1941 - 55).

Na Guiné, o primeiro jornal, Ecos da Guiné, só apareceu em 1920. Em Cabo Verde e São Tomé a
imprensa contribuiu decisivamente para o incentivo à criação literária no quadro da limitação
insular. No século XIX foi intensa e brilhante a actividade jornalística em Angola. Depois da criação
do Boletim Oficial (1845), surge A Aurora (1855), jornal recreativo e literário. Mais tarde, aparece
um jornal pugnado pela abolição da escravatura, A civilização da África Portuguesa (1866), dirigido
por Urbano de Castro e Alfredo Mântua, europeus identificados com Angola.

De 1860 até 1900, surge cerca de meia centena de títulos de jornais, artesanais e episódicos, mas de
grande importância para o fomento da actividade literária e intelectual. Desde o jornal de Luanda
(1878), que marca a transição do jornalismo de cariz mais colonial para o proto-nacionalista, até O
Pharol do Povo (Futuro de Angola), muitos contribuíram para a informação, elevação cultural e
promoção das línguas locais.

O primeiro jornal de africanos chamava-se Echo de Angola (1881), inaugurando duas décadas de
frenética actividade jornalística (até aos anos 20) e que ficaria conhecida por período da imprensa
livre africana, terminando com a fundação de A Província de Angola (1923), primeiro jornal do tipo
moderno, que passou a quotidiano em 1926, perdurando ainda hoje as instalações ao serviço do
Jornal de Angola. Algumas publicações marcaram o desejo de emancipação dos filhos do país: Voz
d'Angola (1901) e revista Luz e Crença (1902).

É, pois, através de jornais que os letrados fazem a aprendizagem da escrita. Esse desígnio
jornalístico marcaria decisivamente os escritores de África, que quase sempre assistiam a divulgação
de seus textos através de antologia, antes de os poderem ver estampados em um livro, objeto que
poucas vezes tinham acesso por várias dificuldades (censura, perseguição, pobreza, desleixo etc. que
foram aumentando e crescendo até a independência) ".

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6. Relação existente entre a imprensa (jornal Msaho) e as perspectivas de moçambicanidade
O jornal cultural, poético, intitulado Msaho (1952), tinha como objectivo, à maneira da angolana
Mensagem (1951-52), criar condições para a produção e promoção da literatura moçambicana
segundo perspectivas de moçambicanidade (nativismo, telurismo, casticismo, etc.), sem que o
lirismo abstraccionista ou transcendental fosse postergado. É importante que, nesta unidade,
conheças a relação existente entre o jornal Msaho e as perspectivas de moçambicanidade.

Os próprios promotores da folha poética tiveram consciência, explícita na apresentação, de que esse
primeiro e único número ainda não tinha possibilidade de se constituir como artefacto da
moçambicanidade no sentido de uma ideologia e estética autonomizarem os textos num corpus
literário diferenciado de outros de língua portuguesa. Tratou-se de um projecto parcialmente falhado.

Não se pode todavia menorizar Msaho, que, desde logo, pela escolha, em título, do nome de um
canto do povo chope, e a participação, com um poema cada, de Noémia de Sousa, Virgílio de Lemos
(1) e Rui Guerra, deixou entrever preocupações intelectuais de empenho na formação da literatura
moçambicana, procurando fundamentar-se nas raízes da cultura tradicional e abrindo-se à
participação comprometida com um projecto de mudança popular.

Por outro lado, desde o fim da II Guerra Mundial que a actividade literária dos moçambicanos se
podia considerar, pela primeira vez, mais do que simplesmente individual, isolada, episódica,
dispersa. Para além de Orlando Mendes, a viver em Portugal desde 1944, para poder estudar na
Universidade, o qual publicou as «Cinco poesias do mar Índico» na Seara Nova (1947), é
fundamental compreender que a escrita dos 43 poemas do caderno policopiado Sangue Negro, de
Noémia de Sousa, nos anos de 1948-51, em Lourenço Marques (hoje Maputo), integrada no grupo
intelectual que englobava portugueses residentes (Augusto dos Santos Abranches, João Fonseca
Amaral, Afonso Ribeiro, Cordeiro de Brito e outros), e moçambicanos (Noémia de Sousa, José
Craveirinha, Virgílio de Lemos), transforma radicalmente a percepção da literatura que se fazia em
Moçambique.

Dois poemas de Noémia de Sousa foram seleccionados para a Mensagem angolana, «Sangue Negro»
e «Negra», que haviam saído, respectivamente, em 1949 e 50, na revista Vértice. Nítida
intencionalidade negrista, negróide, determinando a irrupção da Negritude naquela latitude. O texto
de apresentação, da autoria de Craveirinha (2), considera-a «o primeiro poeta verdadeiramente

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moçambicano no alto sentido da sua poesia e pelo nascimento», saudando na conterrânea a «herança
negra» e exactamente a consciência de estar a lançar os fundamentos decisivos da poesia
moçambicana.

Podem tomar-se essas palavras como uma alusão aos poetas Rui de Noronha e Reinaldo Ferreira, do
primeiro conhecendo-se somente poemas de técnica perfeccionista, segundo o modelo clássico,
ainda que, num ou noutro caso, pudesse apresentar uma imagética africanizante, como em
Quenguelequêze. O segundo, nascido em Barcelona (filho do célebre Repórter X), alinhava por uma
estética devedora especialmente do presencismo. Ambos como se nunca tivesse existido a revolução
futurista (sobretudo o segundo) e, em relação a África, como se ela não pudesse ultrapassar, na
poesia, o papel de cenário étnico ou de fantasma expulso, quando não inconvocado.

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7. Conclusão
Os caminhos pelos quais a literatura moçambicana tem trilhado podem ter a ver com as várias
formas de construção da própria Nação. O fato de esse processo de construção ser recente, prevalece
até aos nossos dias preconceitos do tempo colonial e do marxista-leninista entre os moçambicanos e
as suas instituições. Outrossim, com base nesse desiderato, uma Nação jovem de dimensões vastas
como Moçambique precisa esperar durante longo tempo para que o sistema literário e cultural
iniciado nos finais do século XVIII faça coincidir a sua configuração com as suas fronteiras e limites
geográficos. Falando com mais rigor, podemos afirmar que nem hoje, em pleno século XXI, apesar
dos diversos meios de comunicação, também literários (a mídia, rádio, cinema, televisão, celular,
internet, disco), podemos diagnosticar semelhante ajustamento. Portanto, reiteradamente, a literatura
moçambicana está caminhando para a sua consolidação, enquanto sistema.

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8. Referencias Bibliográficas
Basto, M-B. (2008). Relendo a Literatura Moçambicana dos Anos 80. In: Ribeiro, M. C. e Meneses,
M. P. (Orgs.). Moçambique: das Palavras escritas [pp.77-110]. Porto: Edições Afrontamento.

Bhahba, H. K. (1998). O Local da Cultura. Trad. Myriam Ávila; Eliana Lourenço de Lima

Reis e Cláudia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG.

Cabaço, J. L. (2009). Moçambique: identidade, Colonialismo e libertação. São Paulo: Editora


UNESP.

Campos, J. S. (2010). A Reconfiguração da identidade moçambicana representada nos romances de


Mia Couto.

Chaves, R. (2003). Angola e Moçambique nos anos 60: A periferia no centro do território poético.
In: Chaves, R. & Macêdo, T. (Orgs.). Literaturas em Movimento: hibridismo cultural e exercício
crítico. [pp. 210-223]. São Paulo: Arte & Ciência.

Chiziane, P. (1996). Ventos do Apocalipse. Lisboa: Caminho.

Couto, M. (1992). Terra Sonâmbula. Lisboa: Editorial Caminho.

Ribeiro, M. C. & Meneses, M. P. (Orgs.). Moçambique: das palavras escritas. [pp. 47-75].

Porto: Edições Afrontamento.

Matusse, G. (2015). Literatura Moçambicana: da ameaça ao esquecimento à urgência do Resgate.


Maputo: Alcance Editores.

Mendes, O. (1980). Sobre Literatura Moçambicana. Maputo: Instituto Nacional do Livro e do Disco.

Mendonça, F. (2011). Literatura Moçambicana: as dobras da escrita. Maputo: Ndjira, Colecção


Horizonte da Palavra.

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