DA CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE, DA SUCESSÃO
PROVISÓRIA E SUCESSÃO DEFINITIVA.
AUTOR, Álison Balbino Corrêa
Graduando em Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos
[email protected] AUTORA, Luciana Hilário Pimentel
Graduanda em Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos
[email protected] AUTOR, Luiz Felipe Ferreira Ribeiro
Graduando em Direito da Faculdade Metropolitana São Carlos
[email protected]INTRODUÇÃO
A Lei Nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, institui o Código Civil Brasileiro,
que regulamenta as relações jurídicas de caráter privado no Brasil. Ele foi elaborado
para substituir o antigo Código Civil de 1916 e entrou em vigor em janeiro de 2003,
trazendo diversas mudanças e atualizações importantes, como a inclusão de novos
direitos e deveres, a ampliação da proteção aos consumidores e a modernização do
direito das empresas.
Entre os principais temas abordados pelo Código Civil, encontra-se a
ausência, presente entre os Art. 22 e 39 do mesmo. Segundo o legislador e filósofo
Clóvis Beviláqua, “ausente é todo aquele que está fora de seu domicílio, mas no
sentido em que agora toma o vocábulo, é aquela pessoa cuja habitação se ignora ou
de cuja existência se duvida, e cujos bens ficaram ao desamparo”.
Dessa forma, dando ênfase do Art. 22 ao 39, trataremos dos assuntos,
definidos por este código em: Ausência da curadoria dos bens do ausente; Da
sucessão provisória e da Sucessão definitiva.
DESENVOLVIMENTO
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Recredenciamento MEC Portaria Ministerial nº 1.252, de 29/09/2017 DOU de 02/10/2017
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CAPÍTULO III – DA AUSÊNCIA
Seção I – Da Curadoria dos Bens do Ausente.
O Art. 22. do Código Civil, transcreve que, desaparecendo uma pessoa do
seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou
procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer
interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador.
Para entendermos tal artigo, verifica-se que o desaparecimento de uma pessoa
do seu domicílio, sem dar qualquer notícia de seu paradeiro e sem deixar
procurador, ou representante para administrar seus bens, o juiz, a requerimento de
qualquer interessado, seja ou não parente, bastando que tenha interesse pecuniário
ou do Ministério Público, nomeará um curador para administrar seu patrimônio.
Art. 23. O presente artigo menciona que ocorre a ausência quando uma pessoa
desaparece de seu domicílio sem deixar notícias. Para tal entendimento,
imaginamos que uma pessoa foi trabalhar e nunca mais foi vista, a pessoa foi vista a
última vez no ponto de ônibus e depois desapareceu etc.
O Art. 24. diz que: “O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e
obrigações, conforme as circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto
a respeito dos tutores e curadores”
Ou seja, o artigo menciona que quando o Juiz nomear um curador para essa
pessoa ausente, ele já vai definir quais são os poderes e quais são as obrigações
desse curador e, dessa forma, vai constar no processo.
O Art. 25. menciona que: O cônjuge do ausente, sempre que não esteja
separado judicialmente, ou de fato por mais de 2 (dois) anos antes da declaração da
ausência, será o seu legítimo curador.
O presente artigo segue uma ordem de preferência para ser Curador Ausente.
Em primeiro o Cônjuge, seguido pelos Pais e na sequência pelos Descendentes. Já
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no parágrafo 2º, entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais
remotos. Ou seja, filhos, netos e bisnetos.
Seção II – Da Sucessão Provisória
De acordo com o Art. 26. decorrido um ano da arrecadação dos bens do
ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando 3 (três)
anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra
provisoriamente a sucessão.
Ou seja, a sucessão provisória poderá ser aberta após 1 ano da fase da
curadoria ou 3 anos se o ausente deixou procurador, uma vez que que os herdeiros
também têm interesse em administrar os bens do ausente.
O final do Artigo 26 diz que na fase da sucessão provisória, será declarada a
ausência da pessoa e aberta a sucessão provisória.
O Artigo 26 diz que os interessados poderão pedir abertura da sucessão
provisória. Por conseguinte, o Art. 27 menciona quem são esses interessados.
Art. 27 Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram
interessados:
I – O cônjuge não separado judicialmente;
II – Os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários;
III – Os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte;
IV – Os credores de obrigações vencidas e não pagas.
O Art. 27 menciona os herdeiros presumidos, que são os colaterais.
Exemplo: Tios, sobrinhos e irmãos.
Ele também menciona os legítimos, que são: Cônjuge, acendestes e descendentes.
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só
produzirá efeito 180 (cento e oitenta) dias depois de publicada pela imprensa; mas,
logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao
inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido.
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Ou seja, o Juiz profere uma sentença abrindo a sucessão provisória e
declarando a ausência dessa pessoa. Depois de 180 dias de publicada na imprensa
é que essa sentença produzirá efeitos, mas ela já poderá transitar em julgado antes.
Diferença entre Sucessão Provisória e Sucessão Definitiva.
SUCESSÃO DEFINITIVA SUCESSÃO PROVISÓRIA
1. A pessoa é considerada 1. A pessoa é considerada
morta. ausente.
2. Os herdeiros possuem a 2. Os herdeiros somente
posse e a propriedade possuem a posse dos
dos bens. bens.
3. Os herdeiros podem 3. Os herdeiros não podem
dispor dos bens da forma alienar os bens do
que bem entenderem. ausente.
O Art. 29. diz que: “Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente,
ordenará a conversão dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em
imóveis ou em títulos garantidos pela União”
O Art. 30. trata das garantias que serão prestadas pelos herdeiros para entrar
na posse do bem do ausente. Ou seja, o herdeiro quer entrar na posse do ausente,
mas para que aconteça isso ele precisa prestar uma garantia no mesmo valor do
bem que ele vai entrar na posse. Entretanto, ele menciona que aquele que tiver
direito à posse provisória, mas não puder prestar garantia exigida pela lei, será
excluído.
Tratando-se do Art. 31. na sucessão provisória, os herdeiros somente têm a
posse dos bens do ausente. Isso significa que os herdeiros não podem alienar os
bens do ausente. Por exemplo: os herdeiros não podem doar, vender ou permutar.
No entanto, o Art. 31 traz uma exceção, mencionando que se for para evitar uma
ruína o Juiz pode determinar que, por exemplo, os herdeiros possam vender os bens
para evitar prejuízos ou danos.
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O Art. 32. Diz que o herdeiro empossado dos bens do ausente, representará
esse ausente, tanto ativamente, quanto passivamente. Ou seja, digamos que o
ausente seja autor de uma ação judicial. Quem irá representar o ausente nesse
caso?
“.... empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e
passivamente o ausente...”
Art. 33. Para compreendermos o presente artigo, vamos fazer uma suposição.
Digamos que uma pessoa ausente tenha bens e esses bens venham dar frutos e
rendimentos. Quem ficará com essa renda e esses frutos?
Nesse caso, o Art. 33 determina que: “o descendente, ascendente ou cônjuge
que for sucessor provisório do ausente, fará seus todos os frutos e rendimentos dos
bens que a este couber; os outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade
desses frutos e rendimentos.”
O parágrafo único diz que se o ausente retornar, no entanto essa ausência foi
injustificada, ou seja, não teve motivos, ele desapareceu por conta própria, nesse
caso, ele perderá esses 50% que ficou capitalizado para ele.
Art. 34. “O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta
de meios, requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe
tocaria.” Ou seja, trata-se de uma exceção ao Art. 30. Essa providência tem por
fim manter uma reserva financeira, que será transferida ao ausente.
Art. 35. Digamos que foi encontrado o corpo dessa pessoa que estava ausente.
Quando será declarada a morte dessa pessoa? O Art. 35 diz que será declarada a
morte dessa pessoa na data exata da época de seu óbito.
Art. 36. O presente artigo diz que se o ausente retornar, cessa sucessão provisora,
cessa o direito dos herdeiros que estava na posse dos bens do ausente e os bens
devem retornar para o ausente. No entanto, o mesmo artigo deixa claro que os
herdeiros ficam responsáveis por esses bens até a entrega definitiva para o ausente.
Seção III – Da Sucessão Definitiva
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O Art. 37 menciona que: “10 (dez) anos depois de passada em julgado a
sentença que concede a abertura da sucessão provisória, poderão os interessados
requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas.”
Na retomada do artigo anterior, o Art. 38. menciona que o prazo de 10 (dez
anos) também pode ser encurtado.
“Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta
80 (oitenta) anos de idade, e que de 5 (cinco) datam as últimas notícias dele”
Art. 39. O presente artigo diz que se o ausente retornar nos 10 (dez anos)
seguintes a abertura da sucessão definitiva, mesmo assim ele ainda tem seus
direitos resguardados. Caso ele retorne, terá direito aos bens que se encontram. Em
caso da venda dos bens, ele terá direito ao valor dos bens vendidos.
Ou seja, a lei da uma oportunidade para que o ausente retorne e retome seus bens.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diante da complexidade dos artigos mencionados, ressaltamos sua importância para
solucionar conflitos entre particulares. Conseguinte aos artigos mencionados, o Código Civil
traz uma extrema relevância para a vida cotidiana dos indivíduos, uma vez que ele
estabelece regras para situações que ocorrem com frequência.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto anteriormente mencionado, concluímos ressaltando a
importância do Código Civil na sociedade brasileira. Para garantir a proteção dos
direitos individuais, é fundamental que existam leis claras e objetivas que
estabeleçam limites para as ações do Estado e das pessoas. Essas leis, como
descritas no Código Civil, devem ser aplicadas de forma imparcial com o objetivo de
impedir ou resolver conflitos gerados pela sociedade.
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Sem mais delongas, concluímos com a fala do Ministro do Supremo Tribunal
Federal, Luíz Roberto Barroso, que diz: “... o que nos une na diferença é o respeito à
Constituição, legislação brasileira, aos valores comuns que compartilhamos e que
estão nela inscritos. A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la.”
REFERÊNCIAS
Maria Helena Diniz, Manual do Direito Civil, v. 1, pag 30. Disponível em:
https://drive.google.com/file/d/0B3BC72phfDinbWZlWjhnUFBCVUU/view?
resourcekey=0-GUs3kxfMLjUF5LY-JsWFNA Acesso em: 10 abril de 2023.
Código Civil Brasileiro Disponível em:
file:///C:/Users/2021/Desktop/ACESSO/FACULDADE/1%C2%BA%20Periodo/Direito
%20Civil/codigo_civil_9ed.pdf . Acesso em: 11 abril de 2023.
Flávio Tartuce, Código Civil Comentado, v. único, pag 194/214. Disponível em:
https://www.academia.edu/44376656/C%C3%B3digo_Civil_Comentado_Fl
%C3%A1vio_Tartuce_e_outros_autores Acesso em: Entre 10 e 17 abril de 2023.
Lista de reprodução de Aulas de Direito Civil. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=_-
Sau5cZ9Zo&list=PLdarqF3CDzWFaH603SFER8nxnKJ4pf9PI
Acesso em: Entre 10 e 17 abril de 2023.
Vade Mecum Tradicional. Editora JusPODIVM, 12º ed, pag. 199 e 200.
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