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Classicismo e Poesia de Camões

O documento apresenta um curso anual de literatura com foco no Classicismo e na poesia lírica de Camões, abordando características formais e temáticas como o amor, a efemeridade da vida e a mudança.

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Classicismo e Poesia de Camões

O documento apresenta um curso anual de literatura com foco no Classicismo e na poesia lírica de Camões, abordando características formais e temáticas como o amor, a efemeridade da vida e a mudança.

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CURSO ANUAL DE LITERATURA

Prof. Steller de Paula

CLASSICISMO concepção de beleza associada ao equilíbrio, à harmonia e à


simetria, respeitando uma relação de proporção entre as partes.
- Universalismo
- Resgate dos Valores da Antiguidade Clássica;
- Paganismo.

Lembre-se: O Classicismo desenvolve-se no contexto histórico do


Renascimento Cultural.

02. A poesia Lírica de Camões

A Camões
Quando nalma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,


Te resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente


Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,
Classicismo é a denominação da tendência artística que
revitalizou a tradição clássica de afirmar a superioridade humana. Não morrerá, sem poetas nem soldados,
Para recriar os ideais da Antiguidade greco-latina, o Classicismo A língua que cantaste rudemente
valorizou as proporções, o equilíbrio das composições, a harmonia As armas e os barões assinalados.
das formas e a idealização da realidade. Manifestou-se tanto nas Manuel Bandeira
artes plásticas quanto na música, na literatura e na filosofia.
Maria Luiza Abaurre 2.1. Características Formais
- A poesia lírica de Camões manifesta-se tanto na medida velha
01. Características Gerais do Classicismo: (redondilhas de 5 ou 7 sílabas poéticas) como na medida nova (o
verso decassílabo, de 10 sílabas poéticas);
- Criação e Imitação: Somente na Modernidade o conceito de - Os poemas em medida nova são formas poéticas ligadas à
originalidade será desenvolvido. Assim, durante o Renascimento, tradição clássica, predominando o uso do soneto (composições
os artistas buscavam modelos a serem seguidos, recriando temas poéticas de 14 versos, distribuídas em dois quartetos e dois
clássicos, partindo do princípio aristotélico da mimese (imitação). tercetos);
- Racionalismo: Os artistas do Classicismo procuram interpretar a - Além do soneto, desenvolveu outras formas clássicas como a
realidade a partir da observação racional, o que resulta numa ode, a elegia e a écloga.
postura reflexiva. Na literatura, o poeta tenta entender e explicar
racionalmente os sentimentos e as emoções humanas.
- Visão Humanista: O destaque dado ao ser humano como uma
criação divina perfeita faz com que os artistas adotem uma
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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula)

2.2. Temas mais Trabalhados Transforma-se o amador na cousa amada

A) Destaca-se, na poesia lírica de Camões, o tema do Transforma-se o amador na cousa amada,


“desconcerto do mundo”, que reflete um sentimento de Por virtude do muito imaginar;
insatisfação diante dos males que atormentam o eu lírico. Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Ao desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar Se nela está minha alma transformada,
No Mundo graves tormentos; Que mais deseja o corpo de alcançar?
E pera mais me espantar Em si sómente pode descansar,
Os maus vi sempre nadar Pois consigo tal alma está liada.
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim Mas esta linda e pura semideia,
O bem tão mal ordenado, Que, como o acidente em seu sujeito,
Fui mau, mas fui castigado, Assim co'a alma minha se conforma,
Assim que só pera mim
Anda o Mundo concertado. Está no pensamento como ideia;
Luís de Camões [E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
B) A constatação da efemeridade da vida e da transitoriedade Luís de Camões
de tudo e o carpe diem (carpe diem, quam minimum credula
postero): D) Apesar da predominância temática do Amor, não há
sentimentalismo. O Amor é trabalhado numa perspectiva
Ode a Leucónoe de Horácio (65 a.C.- 8 a.C.) racional: há uma tentativa de explicar racionalmente as
Não procures, Leucónoe — ímpio será sabê-lo —, emoções.
que fim a nós os dois os deuses destinaram;
não consultes sequer os números babilónicos: Quem diz que Amor é falso ou enganoso
melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê inda muitos Invernos, Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
quer seja o derradeiro este que ora desfaz Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
nos rochedos hostis ondas do mar Tirreno, Sem falta lhe terá bem merecido
vive com sensatez destilando o teu vinho Que lhe seja cruel ou rigoroso.
e, como a vida é breve, encurta a longa esp’rança.
De inveja o tempo voa enquanto nós falamos: Amor é brando, é doce, e é piedoso.
trata pois de colher o dia, o dia de hoje, Quem o contrário diz não seja crido;
que nunca o de amanhã merece confiança. Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Se males faz Amor em mim se vêem;
Muda-se o ser, muda-se a confiança; Em mim mostrando todo o seu rigor,
Todo o mundo é composto de mudança, Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Tomando sempre novas qualidades.
Mas todas suas iras são de Amor;
Continuamente vemos novidades, Todos os seus males são um bem,
Diferentes em tudo da esperança; Que eu por todo outro bem não trocaria.
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades. Amor é fogo que arde sem se ver

O tempo cobre o chão de verde manto, Amor é fogo que arde sem se ver;
Que já coberto foi de neve fria, É ferida que dói e não se sente;
E em mim converte em choro o doce canto. É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto: É um não querer mais que bem querer;
Que não se muda já como soía. (costumava) É solitário andar por entre a gente;
Luís de Camões É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
C) A poesia lírica de Camões tem o Amor como tema principal
e apresenta um conflito entre o amor carnal, marcado pelo É querer estar preso por vontade;
desejo e fonte de sofrimento, e o amor idealizado, puro, É servir a quem vence, o vencedor;
expressão no neoplatonismo. É ter com quem nos mata lealdade.

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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula)

Mas como causar pode seu favor Que as magoadas iras me ensinaram
Nos corações humanos amizade, A não querer já nunca ser contente.
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
*Camões recorre com alguma frequência a antíteses e a As minhas mais fundadas esperanças.
paradoxos, numa tentativa de refletir sobre a complexidade do
sentimento amoroso. De amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Tanto de meu estado me acho incerto Este meu duro Gênio de vinganças!
Luís de Camões
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio; A grande dor das cousas que passaram
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto. A grande dor das cousas que passaram
transmutou-se em finíssimo prazer
É tudo quanto sinto um desconcerto; quando, entre fotos mil que se esgarçavam,
Da alma um fogo me sai, da vista um rio; tive a fortuna e graça de te ver.
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto. Os beijos e amavios que se amavam,
descuidados de teu e meu querer,
Estando em terra, chego ao Céu voando; outra vez reflorindo, esvoaçaram
Numa hora acho mil anos, e é de jeito em orvalhada luz de amanhecer.
Que em mil anos não posso achar uma hora.
Ó bendito passado que era atroz,
Se me pergunta alguém porque assim ando, e gozoso hoje terno se apresenta
Respondo que não sei; porém suspeito e faz vibrar de novo minha voz
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís de Camões para exaltar o redivivo amor
que de memória-imagem se alimenta
Busque Amor novas artes, novo engenho e em doçura converte o próprio horror!
Carlos Drummond de Andrade
Busque Amor novas artes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças; 3. A poesia Épica de Camões
que não pode tirar-me as esperanças
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!


vede que perigosas seguranças:
que não temo contrastes nem mudanças
andando em bravo mar perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto


onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

que dias há que na alma me tem posto


um não sei quê, que nasce não sei onde
vem não sei como e dói não sei porquê.“
Luís de Camões

E) Diálogo entre a modernidade e Camões

Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente


Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram, Um poema épico, ou epopeia, é um longo poema narrativo,
Que para mim bastava amor somente. centrado na figura de um herói, em que um acontecimento histórico
é celebrado em estilo solene e grandioso.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
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A epopeia Os Lusíadas foi publicada em 1572 e dedicada Rei D.


Sebastião, tendo como como assunto central a viagem de Vasco E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
da Gama às Índias (1497 - 1498). Destacando as perigosas No mundo cometeram grandes cousas,
viagens “por mares nunca dantes navegados”, Camões exalta o Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
povo português, por meio da figura do herói Vasco da Gama. E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
Camões, assim, procura relembrar a grandeza de Portugal, já em E navegar nos longos mares ousas,
franca decadência naquele momento, recorrendo ao modelo Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
estabelecido na Antiguidade por Homero, com Ilíada e Odisseia. Nunca arados d’estranho ou próprio lenho:

3.1. Episódio do Gigante Adamastor 3.2. Estrutura do Poema


- O poema divide-se em 10 cantos, num total de 1.102 estrofes.
Cada estrofe contém 8 versos (oitavas), num total de 8.816
versos, decassílabos (medida nova), predominando os
decassílabos.
- O tema é: exaltar “a glória do povo navegador português” e a
memória dos reis que “foram ditando a Fé, o Império”.
- O herói é Vasco da Gama, através de quem se exalta o heroísmo
do povo português.
Os cantos dividem-se em:
1 - Proposição - É a apresentação do poema, com a identificação
do tema e do herói. Ocupa as três primeiras estrofes. Evidencia
algumas características fundamentais da obra: o caráter coletivo do
herói, a valorização do homem (antropocentrismo), a sobrevivência
do "ideal cruzada", a valorização da Antiguidade clássica e o
nacionalismo.

Porém já cinco sóis eram passados 2 - Invocação – O poeta pede inspiração às musas. Camões elege
Que dali nos partíramos, cortando como suas inspiradoras as Tágides, ninfas do rio Tejo.
Os mares nunca doutrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando, 3 – Dedicatória – O poema é dedicado a D. Sebastião, rei de
Quando uma noite, estando descuidados Portugal.
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece, 4 - Narração - A narração de Os Lusíadas compreende três ações
Sobre nossas cabeças aparece. principais: a viagem de Vasco da Gama às Índias, a narrativa da
história de Portugal e as lutas e intervenções dos deuses do
Tão temerosa vinha e carregada, Olimpo. Paralelamente às ações históricas desenvolve-se uma
Que pôs nos corações um grande medo; ação mitológica: a luta que travam os deuses olímpicos Vênus e
Bramindo, o negro mar de longe brada, Marte (favoráveis aos lusos) e Baco e Netuno (contrários às
Como se desse em vão nalgum rochedo. navegações).
"Ó Potestade (disse) sublimada: A narrativa com Vasco da Gama e os navegadores já no Oceano
Que ameaço divino ou que segredo Índico, na costa leste da África, próximo ao Canal de Moçambique,
Este clima e este mar nos apresenta, e termina com a partida de Calicute, não sendo narrado o regresso
Que mor cousa parece que tormenta?" a Lisboa. Os acontecimentos históricos anteriores são relatados
por discursos dos protagonistas humanos (Vasco da Gama e seu
Não acabava, quando uma figura irmão Paulo da Gama), e os acontecimentos futuros são
Se nos mostra no ar, robusta e válida, anunciados pelos deuses ou outras personagens com o dom da
De disforme e grandíssima estatura; profecia.
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura 5 - Epílogo – É conclusão do poema, onde o poeta pede às musas
Medonha e má e a cor terrena e pálida; que façam calar a voz da sua lira, pois se vê desiludido com a
Cheios de terra e crespos os cabelos, pátria decadente.
A boca negra, os dentes amarelos. Contrastando com o tom vibrante e ufanista do início, contém as
lamentações e críticas do poeta, num tom agora pessimista,
Tão grande era de membros, que bem posso desencantado.
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso, 3.3. Episódio do Velho do Restelo
Que um dos sete milagres foi do mundo. "Mas um velho d'aspeito venerando,
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso, Que ficava nas praias, entre a gente,
Que pareceu sair do mar profundo. Postos em nós os olhos, meneando
Arrepiam-se as carnes e o cabelo, Três vezes a cabeça, descontente,
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo! A voz pesada um pouco alevantando,
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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula)

Que nós no mar ouvimos claramente, Chamam-te Fama e Glória soberana,


C'um saber só de experiências feito, Nomes com quem se o povo néscio engana!
Tais palavras tirou do experto peito:
—"A que novos desastres determinas
- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça De levar estes reinos e esta gente?
Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Que perigos, que mortes lhe destinas
Ó fraudulento gosto, que se atiça Debaixo dalgum nome preminente?
C'uma aura popular, que honra se chama! Que promessas de reinos, e de minas
Que castigo tamanho e que justiça D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Fazes no peito vão que muito te ama! Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que mortes, que perigos, que tormentas, Que triunfos, que palmas, que vitórias?
Que crueldades neles experimentas!

— "Dura inquietação d'alma e da vida,


Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;

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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula)

EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM e) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela


emotividade e o conflito interior, evidenciados pela expressão da
Questão 01 moça e pelos adjetivos do poema.
(Enem 2012) LXXVIII (Camões, 1525?-1580)
Questão 02
Leda serenidade deleitosa, TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Que representa em terra um paraíso; TEXTO
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa; Reinando Amor em dois peitos,
tece tantas falsidades,
Presença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso que, de conformes vontades,
Que se pode por arte e por aviso, faz desconformes efeitos.
Como por natureza, ser fermosa; Igualmente vive em nós;
mas, por desconcerto seu,
Fala de quem a morte e a vida pende,
vos leva, se venho eu,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido: me leva, se vindes vós.
Camões
Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa (Mackenzie 2009) Assinale a alternativa CORRETA acerca do
Despojar-me da glória de rendido.
texto.
CAMÕES, L. Obra completa. Rio de janeiro: Nova Aguilar, 2008. a) Exemplifica o padrão poético do Classicismo renascentista, na
medida em que tematiza o amor, utilizando-se da chamada
"medida nova".
b) Embora apresente versos redondilhos, de tradição medieval, a
linguagem dos versos revela contenção emotiva, traço estilístico
valorizado na Renascença.
c) Revela influência das cantigas medievais, pela sonoridade das
rimas e linguagem emotiva própria da "coita de amor".
d) É um texto do Humanismo, pois traz uma reflexão filosófica
sobre o sentimento amoroso, afastando-se, assim, da influência
greco-romana.
e) Antecipa o estilo barroco do século XVII devido à sua linguagem
prolixa, em que se notam ousadas inversões sintáticas e
metáforas obscuras.

Questão 03
(Mackenzie 2009) No texto, o eu lírico:
a) chama a atenção do leitor para as artimanhas que as mulheres
apaixonadas costumam tramar a fim de conquistar os homens.
b) dirige-se ao deus Amor, manifestando seu descontentamento
com relação às falsas atitudes da amada.
c) manifesta poeticamente a ideia de que o Amor, atendendo a
diferentes vontades, produz diferentes efeitos.
A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas linguagens d) declara que, embora o amor esteja presente em todas as
artísticas diferentes, participaram do mesmo contexto social e pessoas, nem todos o aceitam, fato que gera desentendimentos
cultural de produção pelo fato de ambos dolorosos.
a) apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicórnio e) dirige-se à pessoa amada para expressar seu entendimento a
presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema. respeito dos aspectos contraditórios do sentimento amoroso.
b) valorizarem o excesso de enfeites na apresentação pessoa e na
variação de atitudes da mulher, evidenciadas pelos adjetivos do Questão 04
poema. (G1 - ifsp 2016) Leia o soneto abaixo, de Luís Vaz de Camões,
c) apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela para responder à questão.
sobriedade e o equilíbrio, evidenciados pela postura, expressão
e vestimenta da moça e os adjetivos usados no poema. Eu cantarei de amor tão docemente,
d) desprezarem o conceito medieval da idealização da mulher como Por uns termos em si tão concertados
base da produção artística, evidenciado pelos adjetivos usados que dois mil acidentes namorados
no poema. faça sentir ao peito que não sente.

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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula)

Porque, como todos os animais,


Farei que amor a todos avivente, o mar só é arrogante
pintando mil segredos delicados, até encontrar o seu dono.
brandas iras, suspiros magoados, Falamos do mar, mas talvez
temerosa ousadia e pena ausente. seja a terra e o céu que exigem ser descritos.
Bloom, Bloom, Bloom.
Também, Senhora, do desprezo honesto
de vossa vista branda e rigorosa TAVARES, Gonçalo M. Uma viagem à Índia: melancolia
contentar-me-ei dizendo a menos parte. contemporânea (um itinerário). São Paulo: Leya, 2010, p. 28 - 31.
(fragmento)
Porém, para cantar de vosso gesto
a composição alta e milagrosa,
aqui falta saber, engenho e arte. Nota explicativa:
Bloom é o protagonista do livro de Gonçalo Tavares, que
TORRALVO, Izeti Fragata e MINCHILLO, Carlos Cortez. Sonetos empreende uma viagem de Lisboa à Índia no século XXI.
de Camões. Cotia: Ateliê Editorial, 2011. p. 32.
(G1 - cftmg 2016) Aristóteles, em seu estudo da literatura,
determinou gêneros capazes de abranger e classificar textos
A leitura atenta do texto permite afirmar que literários, organizando-os a partir de suas estruturas e temáticas. O
a) se trata de soneto em versos decassílabos, escrito, portanto, em texto de Gonçalo M. Tavares,
medida nova, mas cuja temática e recursos retóricos opõem-se publicado em 2010, aproxima-se do gênero
ao Classicismo. a) dramático, por manifestar diversas vozes.
b) o eu lírico, nos dois quartetos, afirma sua capacidade de b) épico, por construir um enredo heroico.
composição poética, mas a relativiza nos dois tercetos, diante da c) lírico, por empregar uma estrutura rítmica.
beleza da “Senhora”. d) narrativo, por constituir um texto contemporâneo.
c) os conceitos de engenho e arte – respectivamente, domínio da
técnica e talento pessoal – são típicos da temática classicista. Questão 06
d) a Senhora, idealizada nas cantigas de amor, se vê, no soneto (G1 - cftmg 2016) O texto de Gonçalo M. Tavares dialoga com a
camoniano, de que o texto acima é exemplo cabal, sintetizada a tradição literária portuguesa, especialmente com a obra Os
uma imagem desprezível. Lusíadas, de Luis de Camões. O trecho que caracteriza esse
e) a mitologia clássica – no soneto expressa em Amor, ou Eros, diálogo é:
presente nos dois primeiros quartetos – é característica a) “o mar só é arrogante
predominante do Classicismo. até encontrar o seu dono.”
b) “Falamos do mar, mas talvez
Questão 05 seja a terra e o céu que exigem ser descritos.”
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões). c) “E falaremos do modo como na viagem
levou um segredo e o trouxe, depois, quase intacto.”
Falaremos da hostilidade que Bloom, d) “Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo
o nosso herói, vás directo à realidade
revelou em relação ao passado, e não pares.”
levantando-se e partindo de Lisboa
numa viagem à Índia, em que procurou sabedoria, Questão 07
e esquecimento. (Pucrs 2013) Leia o poema a seguir, de Luís de Camões.
E falaremos do modo como na viagem
levou um segredo e o trouxe, depois, quase intacto. Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
[...] não tenho, logo, mais que desejar,
Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo pois em mim tenho a parte desejada.
vás directo à realidade
e não pares. Porque não basta Se nela está minha alma transformada,
encostares-te aos acontecimentos, que mais deseja o corpo de alcançar?
o que pensamos para ti é bem mais profundo, Em si somente pode descansar,
não basta conheceres as sete teorias, pois consigo tal alma está liada.
terás que subir a sete altas montanhas.
E atravessar ainda os continentes Mas esta linda e pura semideia,
como se a terra fosse uma extensão temporal que, como o acidente em seu sujeito,
capaz de medir os teus dias. assim coa alma minha se conforma,

Atravessa as águas também, excelente amigo Bloom, Está no pensamento como ideia;
quebra o mar em dois. [e] o vivo e puro amor de que sou feito,
O mar é um mamífero, como a matéria simples busca a forma.
o barco, o punhal do sacrifício.
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Com base no poema e em seu contexto, afirma-se:

I. Criado no século XVI, o poema apresenta um eu lírico que reflete


sobre o amor e sobre os efeitos desse sentimento no ser
apaixonado.
II. Camões é também o criador de Os Lusíadas, a mais famosa
epopeia produzida em língua portuguesa, que tem como grande
herói o povo português, representado por Vasco da Gama.
III. Uma das características composicionais do poema é a presença
de inversões sintáticas.

A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são


a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

Questão 08
(Pucsp 2001) Tu só, tu, puro Amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,


De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.

"Os Lusíadas", obra de Camões, exemplificam o gênero épico na


poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o
lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de
Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto
do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse
episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central
a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e
causa da tragédia de Inês.
b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o
casamento solene e festivo de ambos.
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima
herdeira do trono de Portugal.
d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos
montes o nome que no peito escrito tinha.
e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos
filhos e sua elevação ao trono português.

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EXERCÍCIOS DE CASA Questão 04


(Uern 2015) Os gêneros literários são empregados com finalidade
Questão 01 estética. Leia os textos a seguir.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Tanto de meu estado me acho incerto, Busque Amor novas artes, novo engenho,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio; Para matar-me, e novas esquivanças;
Sem causa, juntamente choro e rio; Que não pode tirar-me as esperanças,
O mundo todo abarco e nada aperto. Que mal me tirará o que eu não tenho.

É tudo quanto sinto um desconcerto; (Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961.
Da alma um fogo me sai, da vista um rio; Fragmento.)
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora certo.
Porém já cinco sóis eram passados
Estando em terra, chego ao Céu voando; Que dali nos partíramos, cortando
Numa hora acho mil anos, e é de jeito Os mares nunca doutrem navegados,
Que em mil anos não posso achar uma hora. Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Se me pergunta alguém por que assim ando, Na cortadora proa vigiando,
Respondo que não sei; porém suspeito Uma nuvem, que os ares escurece,
Que só porque vos vi, minha Senhora. Sobre nossas cabeças aparece.

(www.fredb.sites.uol.com.br/lusdecam.htm) (Camões, L. V. Os Lusíadas. Abril Cultural, 1979. São Paulo.


Fragmento.)

40. (G1 - ifsp 2012) A leitura do poema permite afirmar que o eu Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a
lírico se sente classificação dos textos.
a) confuso, provavelmente pelo amor que tem por uma senhora. a) Épico e lírico.
b) alegre, provavelmente porque seu amor é correspondido. b) Lírico e épico.
c) triste, provavelmente porque não consegue amar ninguém. c) Lírico e dramático.
d) desconcertado, provavelmente porque a senhora o ama demais. d) Dramático e épico.
e) perdido, provavelmente porque foi rejeitado pela amada.
Questão 05
Questão 02 Leia o trecho de Os Lusíadas.
(G1 - ifsp 2012) Considere:
Tão temerosa vinha e carregada,
• ardor x frio Que pôs nos corações um grande medo;
• choro x rio Bramindo, o negro mar de longe brada,
• abarco x nada aperto Como se desse em vão nalgum rochedo,
– Ó Potestade, disse, sublimada:
Esses jogos de palavras, exemplos do pré-Barroco na poesia de Que ameaço divino ou que segredo
Camões, constituem Este clima e este mar nos apresenta,
a) eufemismos que revelam o sofrimento do eu lírico.
b) antíteses que confirmam o desconcerto do eu lírico. Que mor coisa parece que tormenta?
c) sinestesias que marcam as contradições do eu lírico. Não acabava, quando uma figura
d) hipérboles que exageram o sofrimento do eu lírico. Se nos mostra no ar, robusta e válida,
e) metáforas que comparam a dor com a vida do eu lírico. De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Questão 03 Os olhos encovados, e a postura
(G1 - ifsp 2016) Considerando o Classicismo em Portugal, assinale Medonha e má e a cor terrena e pálida;
a alternativa correta. Cheios de terra e crespos os cabelos,
a) Os Lusíadas é a principal obra lírica de Camões e o tema central A boca negra, os dentes amarelos.
é o sofrimento por um amor não correspondido.
b) Os Lusíadas tem como temática a descoberta do Brasil e a (NEVES, João Alves das e TUFANO, Douglas. Luís de Camões.
relação entre o colonizador e o índio. São Paulo: Moderna, 1980.)
c) Luís Vaz de Camões é o principal autor do Classicismo em
Portugal e destacou-se por sua produção épica e lírica. (G1 - ifsp 2014) As estrofes referem-se ao
d) Uma característica dos versos de Camões é que eles não a) Velho do Restelo que, devido à sua insanidade e à sua
apresentam uma métrica, são livres e brancos. aparência marcada pela passagem do tempo, aterroriza os
e) Uma característica de Camões é que ele desprezava Portugal e marinheiros portugueses.
o povo português.

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b) Velho do Restelo que recrimina os portugueses por partirem em ( ) Quanto à forma, os dois poemas são sonetos.
busca de riquezas, abandonando mulheres, crianças e idosos à ( ) O título “Encarnação” contém uma certa ambiguidade, aliando
própria sorte. um sentido espiritual a um erótico.
c) Gigante Adamastor, personagem que representa um dos perigos
enfrentados pelos portugueses, ressaltando o lado heroico dos A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima
protagonistas. para baixo, é:
d) Gigante Adamastor que, submetido ao comando da deusa a) F – F – V – F
Vênus, surge para proteger os navegantes contra o mar revolto b) V – V – F – V
do Cabo das Tormentas. c) V – F – V – F
e) ao soldado que, obedecendo às ordens do rei de Portugal, mata d) V – V – V – V
cruelmente Inês de Castro, jovem espanhola amante de D. e) F – V – F – F
Pedro.
Questão 07 - FUVEST
Questão 06 (G1 - ifsp 2013) São características das obras do Classicismo:
(Pucrs 2013) Compare o poema de Camões e o poema a) o individualismo, a subjetividade, a idealização, o sentimento
“Encarnação”, leia as afirmativas que seguem e preencha os exacerbado.
parênteses com V para verdadeiro e F para falso. b) o egocentrismo, a interação da natureza com o eu, as formas
perfeitas.
Poema 1 c) o contraste entre o grotesco e o sublime, a valorização da
natureza, o escapismo.
Transforma-se o amador na cousa amada, d) a observação da realidade, a valorização do eu, a perfeição da
por virtude do muito imaginar; natureza.
não tenho, logo, mais que desejar, e) a retomada da mitologia pagã, a pureza das formas, a busca da
pois em mim tenho a parte desejada. perfeição estética.

Se nela está minha alma transformada, Questão 08


que mais deseja o corpo de alcançar? Leia o soneto do poeta Luís Vaz de Camões (1525?-1580) para
Em si somente pode descansar, responder à questão.
pois consigo tal alma está liada.
Sete anos de pastor Jacob servia
Mas esta linda e pura semideia, Labão, pai de Raquel, serrana bela;
que, como o acidente em seu sujeito, mas não servia ao pai, servia a ela,
assim coa alma minha se conforma, e a ela só por prêmio pretendia.

Está no pensamento como ideia; Os dias, na esperança de um só dia,


[e] o vivo e puro amor de que sou feito, passava, contentando-se com vê-la;
como a matéria simples busca a forma. porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Poema 2
Vendo o triste pastor que com enganos
Carnais, sejam carnais tantos desejos, lhe fora assi negada a sua pastora,
carnais, sejam carnais tantos anseios, como se a não tivera merecida,
palpitações e frêmitos e enleios,
das harpas da emoção tantos arpejos... começa de servir outros sete anos,
dizendo: “Mais servira, se não fora
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos, para tão longo amor tão curta a vida”.
à noite, ao luar, intumescer os seios
láteos, de finos e azulados veios (Luís Vaz de Camões. Sonetos, 2001.)
de virgindade, de pudor, de pejos...
(Unifesp 2016) Uma das principais figuras exploradas por Camões
Sejam carnais todos os sonhos brumos em sua poesia é a antítese. Neste soneto, tal figura ocorre no
de estranhos, vagos, estrelados rumos verso:
onde as Visões do amor dormem geladas... a) “mas não servia ao pai, servia a ela,”
b) “passava, contentando-se com vê-la;”
Sonhos, palpitações, desejos e ânsias c) “para tão longo amor tão curta a vida.”
formem, com claridades e fragrâncias, d) “porém o pai, usando de cautela,”
a encarnação das lívidas Amadas! e) “lhe fora assi negada a sua pastora,”

( ) Os dois poemas falam mais sobre o sentimento do amor do


que sobre o objeto amado.
( ) No poema de Camões, o amor figura-se no campo das ideias.
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Questão 09 Questão 11
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES. (Fuvest - Adaptada) Considere as seguintes afirmações sobre a fala
do Velho do Restelo, em "Os Lusíadas":
(Ufscar 2003) As questões adiante baseiam-se no poema épico "Os
Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, do qual se reproduzem, a I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se
seguir, três estrofes. refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram,
Mas um velho, de aspeito venerando, [= aspecto) experiência esta já acumulada na época em que o poema foi
Que ficava nas praias, entre a gente, escrito.
Postos em nós os olhos, meneando lI. As críticas aí dirigidas às grandes navegações podem ser lidas
Três vezes a cabeça, descontente, como um reflexo do pensamento conservador, herança do
A voz pesada um pouco alevantando, feudalism, contrário às mudanças.
Que nós no mar ouvimos claramente, III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações
C’um saber só de experiências feito, e conquistas revela que Camões, apesar de exaltá-la, manteve uma
Tais palavras tirou do experto peito: postura crítica ao avaliá-la.

"Ó glória de mandar, ó vã cobiça Está correto apenas o que afirma em


Desta vaidade a quem chamamos Fama! a) I.
Ó fraudulento gosto, que se atiça b) II.
C'uma aura popular, que honra se chama! c) I e II.
Que castigo tamanho e que justiça d) I e III.
Fazes no peito vão que muito te ama! e) I, II e III.
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas! Questão 12
O amor é feio
Dura inquietação d'alma e da vida Tem cara de vício
Fonte de desamparos e adultérios, Anda pela estrada
Sagaz consumidora conhecida Não tem compromisso
De fazendas, de reinos e de impérios!
Chamam-te ilustre, chamam-te subida, [...]
Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
O amor é lindo
Nomes com quem se o povo néscio engana."
Faz o impossível
Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida O amor é graça
como "O Velho do Restelo". Nela, o velho : Ele dá e passa
a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atravessar os
mares à procura de uma vida melhor. A.Antunes, C.Brown, M.Monte, “O amor é feio”
b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se
baseiam na cobiça e busca de fama. (Mackenzie 2010) Cotejando a letra da canção com os famosos
c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar versos camonianos Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que
os mares até chegar às Índias. dói e não se sente, afirma-se corretamente que:
d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar a) Assim como Camões, os compositores tematizam o amor,
de tão importante empresa. valendo-se de uma linguagem espontânea, coloquial, como
e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem prova o uso da expressão cara de vício.
encontrar para buscar fama em outras terras. b) O caráter popular da canção é acentuado pelo uso de
redondilhas, traço estilístico ausente nos versos camonianos
Questão 10 citados.
Entre os versos "Chamam-te ilustre, chamam-te subida, / Sendo c) A concepção de amor como sentimento contraditório, típica de
digna de infames vitupérios", a relação que se estabelece é de: Camões, está ausente na letra da canção, uma vez que seus
a) oposição. versos não se compõem de paradoxos.
b) explicação. d) A ideia de que a dor do amor não é sentida pelos amantes,
c) causa. presente nos versos de Camões, é parafraseada nos versos
d) modo. Anda pela estrada /Não tem compromisso.
e) conclusão
e) A canção recupera o tom solene e altissonante presente nos
versos camonianos.

Questão 13
(Insper 2012) Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

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a) o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por


Continuamente vemos novidades, meio de uma espécie de fusão de dois seres em um só.
diferentes em tudo da esperança; b) a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, nos versos de Hilda
do mal ficam as mágoas na lembrança, Hilst, a afirmação do eu lírico de que odeia a si mesmo.
e do bem (se algum houve), as saudades. c) o “outro” que se confunde com o eu lírico, verificando-se, porém,
nos versos de Camões, certa resistência do ser amado.
O tempo cobre o chão de verde manto, d) a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, porque o ódio ou o
que já coberto foi de neve fria, e, enfim, amor se produzem no imaginário, sem a realização concreta.
converte em choro o doce canto. e) o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo tratados, nos Textos
I e II, respectivamente, o ódio o amor.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto, Questão 15
que não se muda já como soía*. (Unicamp) "Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente
Luís Vaz de Camões É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;"
*soía: Imperfeito do indicativo do verbo soer, que significa (Lírica de Camões, seleção, prefácio e Notas de
costumar, ser de costume MASSAUD MOISÉS, S. P., Ed. Cultrix, 1963)

Assinale a alternativa em que se analisa corretamente o sentido "Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.
dos versos de Camões.
a) O foco temático do soneto está relacionado à instabilidade do ser Mal de te amar neste lugar de imperfeição
humano, eternamente insatisfeito com as suas condições de Onde tudo nos quebra e emudece
vida e com a inevitabilidade da morte. Onde tudo nos mente e nos separa."
b) Pode-se inferir, a partir da leitura dos dois tercetos, que, com o (SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, "Terror de
passar do tempo, a recusa da instabilidade se torna maior, te amar", em Antologia Poética)
graças à sabedoria e à experiência adquiridas.
c) Ao tratar de mudanças e da passagem do tempo, o soneto Dos dois textos transcritos, o primeiro é de Luís Vaz de Camões
expressa a ideia de circularidade, já que ele se baseia no (século XVI) e o segundo, de Sophia de Mello Breyner Andresen
postulado da imutabilidade. (século XX). Compare-os, discutindo, através de critérios formais e
d) Na segunda estrofe, o eu lírico vê com pessimismo as mudanças temáticos, aspectos em que ambos se aproximam e apectos em
que se operam no mundo, porque constata que elas são que ambos se distanciam um do outro.
geradoras de um mal cuja dor não pode ser superada.
e) As duas últimas estrofes autorizam concluir que a ideia de que
nada é permanente não passa de uma ilusão.
Questão 14
(Enem 2ª aplicação 2010) Texto I

XLI
Ouvia:
Que não podia odiar
E nem temer
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.

HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento).

Texto II
Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada,


por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Camões. Sonetos. Disponível em:


http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010
(fragmento).
Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Camões, a
temática comum é
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Comentários e Gabarito das Questões de Casa idealizado.


Verdadeiro. Os dois poemas são sonetos, pois são compostos por
01. Resposta: [A] dois quartetos e dois tercetos com versos decassílabos.
A forte presença de antíteses (“choro” X “rio”, “fogo” X “rio”, “terra” X Verdadeiro. O título Encarnação tem a ver com o sentido espiritual
“céu”) e oxímoros (“em vivo ardor tremendo estou de frio”, “em mil idealizador e com o sentido mais sensual característicos do
anos não posso achar uma hora”) expressa sentimentos Simbolismo.
contraditórios, típicos da paixão amorosa e reveladores da
confusão que esse estado provoca no eu lírico. 07. Resposta: [E]
É correta a opção [E], pois as obras do Classicismo reproduzem
02. Resposta: [B] modelos ou padrões baseados na busca de equilíbrio, simplicidade,
Trata-se de antítese, figura de linguagem que consiste na contenção e universalidade, valorizando e resgatando elementos
aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. artísticos da cultura greco-romana. Nas artes plásticas, teatro e
Recurso especialmente utilizado pelos autores do período Barroco, literatura, o Classicismo ocorreu no período do Renascimento
estabelece jogos de contraste que enfatizam os conceitos Cultural, séculos XIV ao XVI, e na música, na metade do século
envolvidos e realçam a expressividade. XVIII.

03. Resposta: [C] 08. Resposta: [C]


[A] Incorreta: o tema central dos Lusíadas é a viagem feita pelos O soneto “Sete anos de pastor Jacob servia” alicerça-se numa
portugueses rumo às Índias. construção linear em que os quartetos expõem a narrativa, o
[B] Incorreta: o foco temático é o trajeto, cheio de desafios, primeiro terceto funciona como núcleo e o segundo, como remate.
realizado pelos portugueses para chegar às Índias. Não há As palavras finais do soneto, em que se configura a antítese longo
abordagem da descoberta do Brasil e da relação dos  curta, são pronunciadas pela própria personagem em estilo
portugueses com os índios. direto, manifestam o ânimo firme de Jacob, que exprime que estaria
[D] Incorreta: a métrica em Camões na verdade é bastante disposto a servir Labão ainda mais tempo para conseguir
importante. Nos Lusíadas, por exemplo, é possível observar Raquel. Assim, é correta a opção [C].
uma estrutura rígida com versos decassílabos divididos em
ABABABCC. 09. Resposta: [B]
[E] Incorreta: uma das intenções de Os Lusíadas foi destacar os
feitos portugueses, sendo a obra dedicada ao rei de Portugal. 10. Resposta: [A]
Camões não desprezava sua pátria nem o seu povo.
11. Resposta: [E]
04. Resposta: [B]
Lírico é o gênero de poesia em que o poeta expõe suas emoções e 12. Resposta: [B]
sentimentos. Exemplo desse gênero é o primeiro texto, cujo tema é Os versos da canção em questão podem ser considerados
o amor. redondilhos menores (possuem cinco sílabas poéticas), o que não
O épico pode ser definido como um gênero constituído de longo ocorre nos versos de Camões.
poema acerca de assunto grandioso e heroico. Os Lusíadas, de
Camões, é considerado o grande épico da Língua Portuguesa e 13. Resposta: [D]
canta os atos heroicos dos portugueses, durante as grandes A primeira estrofe apresenta uma generalização filosófica: a
navegações marítimas no século XV. inconstância faz parte de tudo que existe (“todo o mundo é
composto de mudança”), devido a permanente instabilidade do
05. Resposta: [C] mundo exterior e interior do ser humano (“Mudam-se os tempos,
[A] O que caracteriza o Velho do Restelo é a lucidez diante da mudam-se as vontades”). Assim, não é específica do homem, nem
ganância demonstrada pelos pescadores portugueses. do grau de experiência que vai adquirindo ao longo da vida, como
[B] No épico, o personagem do Velho do Restelo recrimina a se afirma em [A] e [B]. Tampouco as opções [C] e [E] analisam
excessiva ambição pela riqueza em troca do abandono das corretamente o sentido dos versos de Camões, pois a ideia de
famílias portuguesas que ficariam à mercê das invasões dos circularidade presente nas últimas estrofes confirma a constância
mouros, no entanto não é o que estas estrofes representam. das transformações a ponto de que nem a própria mudança
[C] Correta. O Gigante Adamastor é a representação monstruosa, acontece sempre da mesma forma e no mesmo ritmo. Assim, é
uma alegoria para representar as dificuldades encontradas no correta apenas [D], já que a segunda estrofe apresenta um eu lírico
mar. desiludido que vê o seu “doce canto” convertido em triste “choro”.
[D] O Gigante Adamastor representava uma ameaça não uma
entidade protetora. 14. Resposta: [A]
[E] As estrofes citadas nada têm a ver com o episódio da bela Inês Ambos os poemas refletem conceitos do platonismo amoroso. Para
de Castro. Platão, as realidades concretas deste mundo, dito mundo sensível,
são sombras das ideias que existem no mundo inteligível,
06. Resposta: [D] reminiscências de um mundo ideal a que volveremos após a morte.
Verdadeiro. Os dois poemas falam do amor distante e irrealizável, Em Cantares de Hilda Hilst, o eu lírico afirma não poder odiar nem
entre o desejo e a idealização. temer o outro, já que o outro é o ser em que ele mesmo se
Verdadeiro. O poema de Camões trata a amada à moda do transformou em virtude da idealização amorosa (“Porque tu eras
platonismo neoclássico. Portanto, o amor será sempre distante e eu”). Camões também compartilha da ideia de que o amor torna os
amantes inseparáveis, fazendo-os voltar à “antiga condição” de ser
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uno e perfeito (“por virtude do muito imaginar (...) em mim tenho a


parte desejada”).

15. Resposta: Aproximam-se pelo tema do amor e pela utilização


de anáforas.
Distanciam-se pela métrica (versos decassílabos em Camões e
livres em Andresen) e pela forma de tratar o amor (em Camões o
amor é impessoal, refeltindo o racionalismo que marcou sua
produção, e em Andresen é pessoal).

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