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Jean-Pierre Sarrazac
POETICA DO DRAMA
MODERNO
DE IBSEN A KOLTES
Sy,
ZB 2 PERSPECTIVA
—Uma Forma Aberta
Alguns achardo que o propésito esteja ultrapassado, a menos,
{que ai vejam uma provocagio, mas nao creio que seja tarde para
ainda falar de ‘literatura dramatica’, Com a condigao, é claro, de
jamais separar este objeto ~ 0 texto de teatro em sua existéncia
literéria ~ daquilo que, desde ha muito tempo, chamo de “devir
nico”: aquilo que, nele, pede pelo teatro, pela cena. A ponto de
aquilo que esta em jogo no textoem questZo, ou sea, o drama,
a forma dramitica em seu conjunto, poder se tornar secundé-
rio relativamente A sua existéncia cénica, Pirandello emprega a
expressio “peca a ser feita’, com esse pensamento dissimulado,
sintomatico da modernidade testral, de que apenas no palco é
que o drama, literalmente, pode acontecer.
Peter Szondi, cujo pensamento inspirou minha pesquisa,
sua Teoria do Drama Moderno (1956) com essa for-
“A historia dliteratura dramatica moderna
nio possui o tiltimo ato; acortins ainda nao caiu” Que me seja,
ois, permitido acrescentar um capitulo nao a essa hist
a perspeetiva aqui é poética, estética, ¢
a0 que Szondi designa como “teoria do drama moderno’,
sua concepeio, o drama da época moderna surge na Renas-
cenga, deixando no esquecimento todo o teatro medieval, tanto© religioso (mistérios, milagres, paixdes) quanto o profano
(moralidades e géneros cémicos). O nascimento do drama
moderno constitui uma espécie de gesto prometeico, pelo qual
‘© homem do Renascimento quer “constatar ¢ refletir sobre &
sua existEncia, reproduzindo as relagdes entre os homen:
principio desse novo drama pode ser resumido em trés
palavras: uma ago interpessoal no presente (em sua prOpri
resenga), Por meio da representagao de um conflito entre um
certo ntimero de personagens, essa ago, esse drama, esti des-
tinado a exaltar a capacidade de decisio do homem moderno,
quer dizer, o exercicio de sua liberdade. A forma dramitica
assim refundada € toda ela agio e didlogo. Desse fato, o ted-
rico exclui da esfera do dram
‘a do 1a, que ele. 1 como “prit
e absoluto”, i _ itoieas
0 Theatrum I é
Theatrum Mundi barroco ¢ as pegas historicas
de Shakespeare, ni
eee ida em que elas se remetem a cronica
ica ou contém partes narrativas que se rel
aeater fas que se relacionam com
do épico,
No entanto, 0 ve
Mone gibt: © verdadelto abjeto da Teoria do Drama
meggine Rie € 0 teino do dranta absolut entre o Renasci-
coe * anos de 1880, mas a crise dessa forma a partir da
= S Contemporineo do Brecht do Pequeno
anion Para 0 Testo ajo magistro treo se expand
clo, Szondi ¢ obnubilado pelo devir épico do drama.
tec tenet com honestidadee discernimento, as qualida-
» dramatiirgicas ¢ flosdficas dos teatros de Ibsen,
Tehékhov, Strindber,
r berged
eed mas no que se refere
de solugies que va
ae “Ges no centro das quais
wns lea do teatro teoizada pelo fandador
e tm ponto de vista pos-modernos
er que Szondi conti
a tinua marcad
caqecancer melee
em trés tempos. Pri-
fer os os pilares legados pela tradigio do
resent, relacio interpessoal edidlogo ~ apre-
‘em a desabar. Em seguida, tentativas de
natagem, em que a forma dramitica anti
oo eee ea
tenham uma dimensio épica. Enfim, as “tentativas de solugao’
jd evocadas, no sentido dle um teatro épico.
Sehé um ponto sobre o qual Szondi se most
vel &em sua fé hegeliano-lukacsiana da identidade entre forma e
contetido, Ora, € preciso render-sea evidéncia; o espitito teleo-
logico pés-hegeliano, tanto quanto o dogma da identidade entre
forma e contetido, sobreviveu. A huz da
draméticos apés cinquenta anos, daravante estamos inclinados
a pensar em termos de coexisténcia ede tensdes necessirias,
aquilo que Szondi e Brecht, em sewtempo, consideravan como
contradigdes a serem ultrapassadas entre:contetidos novos ¢
formas antigas, Desde enti, para compreender as mutagbes ¢
forma dramética entre os anos de 1880 ¢0 momiento presente,
fomos levados a fazer intervir um fator Sobre o qual Szondi
Lukécs ou Hegel nunca teriam pensado: 0 “reino da desor-
den’, Devemos ter em conta o fato de que, depois de Ibsen,
Strindberg e de Tehékhov, até Kane, Fosse, Lagarce ou Da
as dramaturgias moderna e contemporinea jamais deixaram
de acolher a desordem.
‘Ao génio de Beckett, o mérite de ter encarado o monstr.
Para o autor de Esperando Godot (1949), trata-se de “admitir a
desordem” no seio da criagio teatral: “S6 podemos falar do que
temos diante de nds, ¢ agora hd apenas o caos [...] Ele esté
€ € preciso deixa-lo entrar” Mas, precisa Beckett, “a forma ea
desordem permanecem separadas, uma nao se reduz a outra,
Bis por que a propria forma se torna uma preocupacio: por-
{que ela existe como problema independente da matéria que el
acomoda. Encontrar uma forma que acomode o caos, tal &, na
atualidade, a missio do art
Se a forma existe “enquanto fendmeno independente da
rmatéria que ela acomoda’, os criadores, ocupados em produ-
zit formas suscetiveis de acomodar o caos, so arrastados a um
corpo a corpo permanente com 2 n fundamental,
Dai a impressio de entropia, de “eaos” - ¢ por essa palavra
que Pirandello designari a desordem sabiamente organizada
de suas pegas ~ que se experimenta com frequéncia na letra
cio dos escritos
ny) Beckett,xv poet
dos textos dramiticos escritos hoje em dia, impressio que 56
chega a dissipar-se em sua passagem para a cena.
‘A desordem com a qual se encontram confrontados Bec.
kett ¢ tantos outros autores é a massificagao consubstanc
sociedade industrial e que se agrava no mundo pés-industrial,
€a perda do sentido num universo pés-moderno; é o estado
geral do planeta no momento da globalizagio. E a devastagig
‘genetalizada. E 0 eco sem fim de Auschwitz e de Hiroshima,
‘Mas, se olharmos mais atrés, € forgoso constatar que os auto-
res do inicio do século xx, os que foram contemporsineos da
Primeira Guerra Mundial, como expressionistas, surrealistas,
dadaistas, Artaud..., ndo tiveram que gerir menos que seus
sucessores essa inadequagao fundamental, esse divércio ori
entre forma e contetido que engendra o principio de desordem,
Ese poderia retroagir a Schopenhauer, a Nietzsche e morte de
Deus, que conduziram certas obras da virada do século
exemplo O Caminko de Darnasco (1898-1904), de St
& beira da implosio.
Victor Hugo pressentira o cataclismo estético, assegurando
que lhe era necessério inventar um mundo novo para cada uma
de suas pecas. Entre o fim do século x1x ¢ 0 inicio deste xX1,
tudo se passa como se a forma dramatica, vitima de uma espé-
cie de colapso, nao parasse de desabar sobre si mesma. A cada
novo opus, 0 de F para se reerguer. Ora,
esse reerguimento nao se pode produzir senio em ruptura com,
0s principios de unidade e de organicidade que fundamentam,
‘© modelo aristotéico-hegeliano do drama e sew avatar, a “peca
que se deve contar; €a desordem, aquilo que mina as regras
sacrossantas ¢ todo o espirito de unidade, que pre
cena. Poder-se-ia aplicara um grande niimero de p
entre 05 anos de 1880 e 0s
as aluais 0 que disse Nietzsche do
iaentre todasas formas de arte entre
rsmo e 0 drama; ele até
que exigia a unidade da forma,
lo se passa como se Plato retornasse
10 que exclui o teatro da Repiblica,
Commerce,
‘mas aquele que da sua preferéncia a
misto, combinando “mimese”e “diegese’
Um drama € 0 que chamio um dra
Miller que pus como epigrafe deste livro, merece um come
Lirio, Todos podem constatar, ¢ isso apésalguns decénios (na
Franga, a pritica do “teatro-narrativo” de Antoine Vitez fez
‘um grande mimero de érmulos; a Alemanha, « nog de “tex-
to-material” suplanta, com frequéneia, # de peca de teatro),
que os encenadores de teatro habitualmente escolhiem montat
textos ndo dramiticos. Algans,e nao os tienotes, por exemplo
Frangois Tanguy, do leau, io apresentados pela
itica como “escritores de paleo’, que procedem por montagem,
de citagies de prove: tas: tomanescas, filoséficas,
documentais... Paralelamente, a denomina¢io de autor dram
tico perdeu seu prestigio entre os autoresde pegas, que acham
mais nobre ou mais exato serem chamados de “escritores de
teatro”: O que era, segundo a expressio de “fenri Goul
arte em dois tempos’ tende a se converter em arte d
tempo, o tempo do “paleo”: Em suma, a fronteira entre
no drama, ao menos nas declaragGes, jamais foi tio nebulosa
4uanto hoje. Embora jé tenha sido em alguns momentos da
histéria do teatro e, prineipalmente, sem nem mesmo invocar
a época medieval, no Fausto de Goethe, Os Antepassados, de
,,no Axél, de Villiers de L'sle-Adam e, mais comu-
1, naquelas obras designadas a do século xx, como
“poemas draméticos"
‘Alguns, entre os quais Han:
arte do rapsodo ~ género
sobre a arte do ator.
navi
ies Lehmann, que forjou
dentes da morte do drama
na linha de Adorno, que con:
Beck
se posicionam assim seja
de Festa, pera de
ndi,
do que Adorno
¢, sobretudo, de que seu proprio mestre Lukcs, que denuncia
© espirito decadente de Strindberg ¢ considera que existem
periodos favoraveis e outros desfavor a-comoo
fim do século x1x ¢ 0
aberto: ele substitu
ia e falax POETICA DO DRAMA MODERNO
de'*periodo de transigao’ de preferéncia a periodo desfavorivel,
chegando mesmo a conceder, a propésito de Ibsen dramaturgo,
‘mas também de Stendhal romancista, de Cézanne pintor ¢ de
‘um miisico como Wagner, que “mesmo uma situagao transitéria
permite mais alta perfeicio”, O tedrico, no entanto, estabelece
‘um limite: as obras de taiscriadores “niio poderiam ser toma.
das como modelos pelos artistas que os sucederam’, Em outros
termos, essas obras, em particular os dramas de Maeterlinck,
de Ibsen e de Hauptmann, nao seguem o sentido da historia,
Deve-se entender que no subscrevo, de modo algum, essa
ideia da morte do drama e da entrada do teatro numa era reso-
lutamente *pés-dramatica" E & precisamente sobre esse ponto
que a formula aparentemente evasiva e seguramente provoca-
tiva de Heiner Miller, unt drama é 0 que chamo um drama, se
revela o mais precioso dos visticos: pensar o alargamento do
rama ~ do lado do épico, mas também do lirico, ¢ até mesmo
do didlogo ilos6tico, do documento e do testemunho - de pre-
feréneia a ruminar sua morte e deplorar, maneira de Lehmann,
sew encolhimento e sua incapacidade de dar conta do mundo
‘no qual vives.
© novo texto do teatro [aficma o crtico alemio] é frequentemente um
texto que deixou de ser dramitico [..,] pouco importa se a razio [de
Sua suposta obsolescéncia]resida em sua wsura, no fato de que finge
tum modo de agir que, als, nfo se reconhece em qualquer lugar, ow
«entio que pinte uma imagem obsoleta dos contfitos sociaise pessoais.*
O risco aqui assumido é 0 de passar por neoaristotélico.
Mas o préprio Brecht nao conheceu uma desventura semelhante
quando, em seu famoso “quadro de Mahagony’, opds i forma
dramiética sua propria “forma épica” do teatro, terminando
Por confessar, numa nota de pé de pagina, que s6 se tratava de
um “deslocamento de acentuagio” em relagio a dramaturgia
aristotélica?... Subscrevo com prazer a ideia de um simples
deslocamento de acentuagio. ‘Fanto mais que ela me reenvia a
cesta reflexio de Kierkegaard:
3 Peter Sao, Théorie du deame moderne, leva ire, 2006, p74 Call
Pensr Le Meee)
44 TansThies Liman, Le Théotrepostdramatique, Pars EAtche, 2002p. 20,
‘UMA Fon ABERTA, xx
apenas por humilde potidez nem por velho habito que se retorna
a estética de Aristteles, ¢ qualquer pessoa seguramente o admitité,
conhecendo um poucoa estétiea moderna e podende ver eom que exa
Lido aderimos aos prine(pios de kinesis estabelecidos por Aristételes,
« que ainda regem a nova estética. Mas, quando vamos a esses princi
pos, a dificuldade reaparece, pois as definigdes sto intiramente gerais
€ pode-se muito bem estar de acordo com Aristiteles num sentido
em desacorde noutro¢
E sob um duplo motivo que temos necessidade de voltar a
Aistiteles: uma primeira ver, para Saber 0 queé a forma dra-
ratica,e de onde vem; uma segunda, para tentar compreender
aonde vai, por que e como em certos momentos de sua historia ~
como a época das Luzes e a do nascimento do drama burgués,
no cruzamento do naturalismo ¢ do simbolismo ~ ela conhece
‘uma mutagio e se transforma, deslocando suas fronteiras. Nao
se trata mais de “superagio’, no sentido hegeliano-marxista,
mas de “transbordamento’ Eis por que preferiria falar, em se
tratando dos anos de 1880, nos quais Szondi vé os inicios da
crise do drama, de uma “ruptura’ permitindo a instauragao de
um novo paradigma, de um drama com forma mais aberta e
livre, ou, numa palavra, mais “rapsédico” O historiador e filé
sofo das ciéncias Thomas Kuhn revela, no desenvolvimento das
artes e da literatura, tanto quanto no das ciéncias, “uma sucessio
de periodos ligados & tradigio e pontuados por rupturas nao
cumulativas’ e assinala a “periodizagio em termos de rupturas
revoluciondrias em estilo, gosto e na estrutura institucional’
Kuhn nota igualmente que a “transigio de um paradigma em
crise para um novo, do qual pode surgir uma nova tradigao [..
esti Longe de ser um processo cumulativo obtido por meio de
umaarticulagio do velho paradigma. E antes uma reconstrugio
tucdos a partir de novos principios”.
Minha hipétese é de que as bases do que cham
moderno” - entendamos: “drama da modernidade” ~ foram
estabelecidas naqueles anos de 1880, momento de ruptura
da area de
“drama
5. Soren Kirkeyaatd, Ou bien .o Ben... Pats: Gallia, 109, (Col el,
nts)
6 TS. Kuhn ta Structure des rvolutions scientifiques, ars Hannmarion, 972,
1.28, (Coll:Champs Sciences. 79) Ed bras: Estruture das RevolugSes
Ginsifcas, cd, Sia Valo Verspectv, 201, p32 (Cal Debates)
7 tbider, p24. Fal bras, p69,a POETICA Do DRAMA MODERNO
histéria do drama. E isso, como sugere Kierkgaard, em acordo
e desacordo com Aristoteles. Contra ¢ a favor de Aristételes,
numa vasta empresa de desconstrucio do modelo aristotéli-
co-hegeliano. Preciso, além disso, que em meu espirito essa
denominagio de “drama moderno” é extensiva ao drama con-
temporineo, e até mesmo ao imediatamente contemporaneo.
E isso na medida em que me parece que a criagio dramética
do presente sempre se apoia sobre esses novos fundamentos
{que sempre cava com mais vigor. Para ser mais concreto, penso
hhaver, no plano dramatirgico, infinitamente menos distancia
‘entre uma peca de Sarah Kane ou de Jon Fosse e uma pega de
Strindberg do que entre o tiltimo drama romantico ou 0 iltimo
drama burgués, e niio importa que peca de Strindberg ou de
‘Tehékhov. Penso existir ondas sucessivas da modernidade do
drama, sendo a tiltima a que consiste em dissipar as ilusdes
teleologicas “modernas’, talvez. chamadas “pés-modernas’
Guardemo-nos de isolar o contemportineo, de exclui-lo desse
novo paradigma do drama, cuja instauragao remonta a virada
do século xx. Ser contemporineo, antes de tudo, ¢situar-se mais
proximo de sua propria origem. Ea origem da criagio dramitica
contemporainea nds a encontramos justamente na ruptura, na
mudanga de paradigma que se produziram com autores como
Ibsen, Strindberg, Tchékhov, Pirandello, Brecht... De fato, eu
estaria tentado a opor ao “breve século xx" dos historiadores
da politica edos eventos planetrios, que corre a partir do fim
da Primeira Guerra Mundial até a Queda do Muro do Berlim,
‘0 “longuissimo século xx" da nova forma dramética, que se
stende dos anos de 1880 a0s dias de hoje, e talvez além.
Existe uma acepcio muito antiga, revelada por Joseph
Danan, uma acepgio quase anédina do vocabulo “dramaturgia’
A qual eu gostaria de voltar a dar sua importancia na paisagem
do drama moderno ¢ contemporaneo. Ea de “catilogo das
ppegas de teatro”. Ao longo deste livro, empregarei, pois, a pala-
vyra “drama” no sentido amplo que Ihe da a primeira acepgio
de Littré: “oda pega de teatro.” Em Savannah Bay, Margue-
rite Duras sugere que “tudo comunica no teatro, todas as pegas
entre ela
" Dessa utopia de Duras, 0 presente ensaio empresta
sua linha de conduta: tornar comunicantes, como se diria dos
aposentos de uma casa, sem preocupagio com perfodos nem
datas, todasas pecas que permitam definir o novo paradigima da
forma dramitica, sejam de Strindberg ou de Kane, de Lagarce
ou de Tchékhov. E uma forma de lembrar, no inicio deste livro,
€ mais uma vez citando Szondi, que aqui nio se trata de uma
“histéria do drama moderno’, mas de um “trabalho que procura
ler, em alguns exemplos, as condigdes de seu desenvolvimento”Capitulo |
O Drama Nao Sera
Representado
criagio dram
Personagens @ Pro
no preficio escrito tr a
eit momento pa ssas famosas per-
lade de personagensPOENICA DO DRAKA MODERNO
O dramaturgo tiliza-se aqui de um Procedimento retérico
ue se encontra no coragéo de sua dramas
fingir nio querer dizer (ou fazer) 9 ue, por outro lado, se dit
(ou se faz) com muito mais forga. A verdade, se ainda podemos
falar em verdade a Propésito do “relativista” Pirandello, é que
to so fanto as personagens que nio convim ce autos sim a
“seu” drama, seu drama “vivido’
m Outro caso, no qual Diderot esteve
envolvido, A. diferenga, autor do Filho Natural
(0757) seapressou em responder ag edido do assim chamado
‘pom efornou-se escriba de seu rane familiar. Qual evo-
{usio, quas elementos novos peda justificar 0 fato de que
autor de Seis Personagens tenha querido recusar uma enco-
Menda que seu. ilustre Predecessor honrou com tanto zelo?
Em ambos 05 casos, existe @ criagdo de um mito literério
a etsonager ox de um conjunto delas.
© Sontrato consiste em exit em obra de arte
Mas enquanto Diderot age com excepcional
ingias a “preterigdo" ~
suldado extidéo ~ a0 menos €iasa ue ele reivindica em seu
Preficioeo que conf
“ePcionar a expectativa das seis
Parsonagens epartcularmente aly Paieada Enteada, que insis-
acdes ao conflituosas.
cle satisfaz aos solicitantes,
teas pos em cen;
a, a8 seis persona-
E,além de tudo, trata-se
a € que elas foram postas
Poderia ‘Mesmo ocorret
0 0 segredo da evolugao
Inutagdes que ela conhe-
‘©continua a conhecer até
em cena, e, a0 mesn
Que, nesta apo,
a forma dran
mo tempo, nao,
ria, Se encontra ingcri
as profundas
Século xx, € qu
ODRAMA RECUSADO
Voltemos mais uma ver ao
apresenta a si mesino
Propriamente filos6fi
Preficio de Pi
como “um escritor
ea’ para quem “jan
irandello, que sé
de natureza mais,
mais foi suficiente
[LODRAMA AO SERA REPRESENTA
wulher, por mais
representa uma figura de hotem ou dem ee
excepcional e caracteristica que ela seja, ps sia ae
de representé-la; ou de contar uma eee py
ou triste, pelo simples prazer de contt le ree
deve ser entendido principalmente devtllcar ogue Aristoteles
' atro a derea .
8 Vocagio de todo grande tear I se genie
amas sentido do humano” €; para ot st gt
sobre o nfo humano elou sobre 0 sor etnteod odes
es
Eis, portanto, que, com om ipiftthos ov,
teatroa servigo da loco, dasavtors Jpeeoreeinos
ee ee
século e meio de distincia, © primeito es
ficlmente o drama, tal como Dorval ae en
fingindo desfazer-se de uma responsabili Seana
‘impossibilidade de unificar num s6 cae ae
Parciais que as seis personagens oe cea eae
des. E preciso dizer queaquestio ee Pirandello da
Se mais no espirito do dramatu > Diderot. Nao
Saeed Hiof-dramturg ide Nin
setrata mais simplesmente de cont od nn eeeeie
apie yrma sob a bandeira —
Fitho Natural pea sua reforma sot teres pelas co
fs dono pe si se aes
disdes e as reviravoltas teatrais oe Gee cone
Ke as famosas unidades ~ trat caducidade da
atar 6 “estado critico So aaneieies headin:
rae Geeneeeen Lr que
Recusando em definitivo as seis Coens pad
8 Perspectva nia de um drama “entre “transgtedit 0
Antecipa a necessidade estética e filos6! eee cee
drama’ B,a fim de transgredir a forma
isso com ardor:
jo como estaria orga
senda no como estar
Ce a to rp
cmengem minha imagines sein cc
Pa cre esis tere
teslopahete Turse aves deals ramus
dso pes lentes de nod etic cotn
st
‘nterrompido, desviado, contradito€ ae meme
‘els personagens e nao vivido por dss d4 POETICA DO DRAMA MODERNO
Sob o “caos” denunciado por Pirandello, nao podemos senéo
pressentir uma nova ordem, ao menos uma nova légica de com-
posigio, ou de de-composicio, da forma dramtica, Em todo cas,
‘uma logica bastante diferente dessa “ordem na desordem” ques
segundo Ricoeur, caracterizaa tragédia vista por Aristteles, Com
Pirandello, passamos da logica aristotéico-hegeliana do drama
aquela de uma fragmentagao do drama, Ese fosse preciso arriscat
‘uma formula que resumisse a atitude crindora de Pirandello ~€
‘mais geralmente dos dramaturgos da modernidade -, poderia
dizer que se trata de uma “desordem organizadora’
Fator desencadeador da desordem entrdpica de Seis Perso-
nnagens é Procura de um Autor & irrupgao das ditas personagens
no teatro e a interrupgao do ensaio apenas comegado. Desde ©
instante em que as personagens recusadas por Pirandello trans
ferem ao diretor e aos atores 0 comando que elas gostariam de
passar ao autor, a mudanga de rumo da forma dramitica tem
inicio. Mudanca que vai terminar numa verdadeira inversio 40
processo de criagio teatral. Nao estando completa eacabada, mas
ainda “por se fazer’ a peca permanece, ao longo da representacios
‘num estado experimental e incoativo. E 0 “Ponto” quem anot®
4s palavras das personagens: “O Diretor:[..] Mas sera preciso
sempre alguém que o escreva! {o drama] / © Pai: Nao - que °
transereva, quando muito [...];© Diretor (prossegue falando com
0 Ponto): Siga as cenas & medida que forem representadas,¢ pt
core registrar as falas, ao menos as mais importantes!”*
-mos pegar pela armadilha do teatro sobre 0
teatro: a revolugio pirandelliana nao se situa nessa dupla exi-
bigdo de personagens de atores confrontados a personagens de
personagens; cla consisteinteiramente no fato de que o autor d€
‘Seis Personagens considera que essa peca anunciada como “a Se
feita’é, na verdade, uma “pecaa ser desfeta’, um modelo de pe
“bem-feita a ser desfeita.E, ainda por cima, ele se utiliza diss0-
Das “cenas” que o
‘or Ihe pedia para anotar as réplica®
por fim 0 Ponto s6 recolherd uma, mas capital: a cena de “reco”
shecimento” em que a Mie surpreende seu marido prestes *
2 1. Pirandello Si: Personnes en que duteur, Pais: Gllimand, 99% P76
{Col Flion 163). Hl. bas: Ses Pereonagens di Procura de um Ate
}. Ginsburg (trad. org), Pirandell: Do Teatro no Teatro, io Pal: Pe
Dectva, 2005p. 206, 209, (Col Texto 2)
[Lo DRAMA NAO SERA REPRESENTADO 5
fazer amor com sua enteada no prostibulo de Madame Pace
Outra cena do drama vivido vied no final da pesa sob a forma
de um acontecimento incontzoladoe incontrolivel a cena de
“efeito violento” do afogamento da menina no jardim seguido
pelo suicidio doadolescente... Dessas duas cenasya primeirasers
Continuamente adiada esuarepesentagio ir tornar-seimpos
vel segunda seri objeto de uma espécie de mpi ours HP?
de escamotagem -, 0 virual david transbordando sepentin
rente o real do teatro, Além desses dois vestigios da trapéla
antiga, a pga de Pirandello se apres como wn ane Se
LO DRAMA NAO SERA REPRESENTADO n
pelos comegos de pegas in media res. Assim, em. oun (8,
om o subtitalo Un Ato, entre Gustavo, o antigo mario nelge
ito de Tekla, € um jovem pintor, Adolfo, o novo mario, “e
bataha de eérebros’, até a morte psiquica ou fisicn ete
pleno andamento ha seis horas quando a cortina se le
‘aioe Gustave pert da mead dri. onde ane ire
4 cera sobre um pequeno cavalet; sua duas ral
-ADOLO: E tudo iso eu devo a voce
Gustavo (fandom carat): Vejamos,
-p0840: Nao nenhuma dvds. Nosprimsts das ap
inh me geese rom 08 sm fe pense
em set retorno,E como se ea tivesse leva smal ¢
exo peste me mene Depot tr dorido sigunedin
sent metho, eenconte mes espirtoss meu cero gue H-
cionava como se estiesse com febe, se calm dees snes
paneer ctrabalhar, a necessidade de cra
voltaram superficie, deseo de tab eid dctot
te inva, meu lho seencontou uma vio cl 95
depois voce veio.
‘custavo: B, vocé dava pena quando te encontte
dvb et dnd?
oo dias, apds a partida da
sopensando
jo.) Falamos durante seis horas
Sustavo: [...] Eseutel (Ble tra 0 rel =
sua mulher vai voltar logo. F se nés pardssemos para q
escanse um poco?
s fcar sozinho?
ADOLKO: Nio, no me deixe. Eu nido ousaria fica 8
idade é que ela pode dar
paradoxo da tendéncia 4 Caller lee nee
lugar a pecas muito longas e potencialm ee
Dio val demorar propor, partir de 3898, uma des 0
ma trilogia,
sem limites, O Caminho de Damasco,na verdad re ae m
Goncluida em ago4, Ao mencionar “obras sem Hite A
diver tratar-se de obras abertas al ponto qe so Suse
de serem continuadas perpetuamente evs de Pe
érrincia, organizada em torno da personagem © En
ido, que procura, em vio, seu lugar € bem-es Seca
Quanto Macterine, em sus famosss pease
Particular em Interior (x894), ele pratica a2 ee ie
‘Quanto do inicio. Nao mais exposigéo nem aan ee
Alito, Em sentido estrito, nem mesmo contflite,
fo Arche 1983. P 35
ao hr compte Paris
August Strindberg Créer
ens,
0POETICA Do DRAMA MoDERNO
com uma troca de :
ceca a Me informagdes entre duas personagens bast
as — lativamente ao drama (uma jovem acaba de #
oars trate de um suicidlio2), mas que confiscams®?
anto, todo 0 didlogo
Fala Velie alouo da pee: postados em frente casa
es esconhecido nao se decidem a contar-lhes*
termina no ras azem participes dessa iresolugio. AM
park darneerezento em que o Velho entra por fim no
quietude do pape perturbar assim, definitivament®s*
rede do Mas de modo algun somos confontadoseo®
vedio heparan lace de um drama segundo o modeloati™
B fase + fato, a catistrofe nos foi anunciada des#
Potente a desenlae, le es pertitamente descend?
eda Multidao, el a = ao relato et reago do Desconhecid®
es mesmos espectad ;
cena intei adores longinquos de us™
na inteiramente muda que encerra o dr Jonginguos de
0 drama:
© Drsconttucipo: Silnci!.. Anda no fo
Sonovne + Anda no foi dt.
ue a mae inerroga o vl :
vr ster vel con angst, Re de lua
mesure ‘camente, todos as demais se levante parece
Hle faz entito wm sinal afirmati pete
0 DESCONHECIDO: Ele disse. a
Vouss sa MutsiDao,
ots
Ble dssetuo de 6
led eed
btsconntetbo: ise extn naa
sons wa enor 0 sand, Esto sand
Const no jr, To ae
seu din, Tas prsptan para oot no da ci
esti com ex do Denia ueprmance nase
reaper rorfinsalreon dis batetsfe eso ne
te aebso cess o gama fn sob cari dai
ans, no cide quar alontonads dort
odo gure a ering cons ad
© prscontectno: Aer
Hl também si nn
langa nie acordou!
A forma sem comego, sem fi
entio como matriz do drama moder
uma forma breve, em sen
= ou meio impae-se desé#
: moderno, Alids, quer se trate &¢
A Mais Fortec Da enn ett & maneita de Interion &
7 (1889), de Strindberg, ou de uma form™
0
ne Ka, a
Basta
1 Mate acti
fastophe sur la seine 9 .
re a ne moderne contemp
eur, Tédre, Pari
Thédre, Pais Geneve: Satine, 1979-0."
LO DRAMA NAO SURA REFRESENTADO a
‘mais longa, verdadeiro “monstro dramitico’, como 0 sabe pro-
duzir Strindberg, os expressionistas, Brecht ou o Claudel, de
Sapato de Cetim (1921). Pegas ao mesmo tempo enormes, dando
conta da trajetéria de vida das personagens, e bem pequenas,
nna meclida em que nao param de se fragmenta Obras como O
Caminho de Damasco ox O Sonho (1901) se apesentam como
as primeiras historicamente, mas seguindo as ilhas do Fausto
de Goethe e do teatro medieval, que fazem montagens de for-
mas breves, quase independenites, ou, ag menos, Jargamente
auténomas entre si.
“Montagem’ o termo é frouxo.:: A fabula no existe mais
na forma orginica da conformidade com 0 belo animals ela
se faz objeto de montagem. E assim que as pegas modernas €
contemporineas escapam ao fabulismo linear co modelo ais
totélico-hegeliano, totalmente esgotado. O que sabreviveu no
foia fabuila ~ contrariamente a uma lenda tenaz, ela continua
a existir -, a fabula no “sentido cléssico, com comego ¢ fim.
‘Asentenga de Heiner Miller é a esse respeito, inapelivel: "N20
creio que uma histdria que tena cauda e cabera (2 aula, no
sentido cssico) ainda possa se aproximar da realidade* Dora
vante, todas as operagdes sio permitidas na fabula, inclusive as
ais violentamente cirirgicas.
‘Nessa passagem de uma fibula clissicaa uma moderna, que
procede por saltos, po elipses, com frequéncia muito lacunar
em aparencia, a forma breve teveo papel de verdadeiro bora-
trio, la contribuiu para revirara ordem da agio dramétiea: na
forma cléssiea a situacio era o elemento menor que devia pro-
duziro elemento maior, quer dizer, a ago; nas formas Novas, &
situagao tem primazin sobre a. a¢a0- He simbiose entre forma
breve ea concepeio, que geralmente se atribui a ‘Maeterlinck,
de um teatro estdtico.
Seas obras modernas gost
bilizar, nio & com o propésito d
torné-la mais vibrante ¢ visivel
tas dramaturgias no tem outra fungio Sento a dep
spectador ter aesso aos detalhesinfnitesimals da agio dfa-
mnitica, Fazer ver ax microagbes, pondo-15 s0b a [ua ott soD 0
microscépio, tal é s gaso dizer o objetivo. Maeterlinck pretendia
estabelecer trio moderno na base nao dasinfeliidades que
tam de suspendera agio, deimo-
fe fazé-Ia desaparecer, mas para
(O estatismo aparente de mui-
ermitir a0
ee EE“ Por
podem sobrevir, mas sobre da feicidade, do carter terivel de
confontaco ene felicidade humana e a finitude. Isso 44
dizer que le boi toda a a0 de seu teatro? Nao vist® antes
ae 7 inicio da agio dramética? Redefinigao pela qual
seria susestivel de proximar numa cera medida, ‘Nietzsche
de Aristteles autor do Nasinnto da Taga lang Ue
nor le diviaarepso da dona em mat deagio teat
= ep do drama enquantoagia/ Essa concep
ingémusso mundo colbitodo lho aqui decider Mos efirm
Consul, a filha deste aqui, por quem Ersiia era responsavel,
qualidade de ama, caia de um terrago ¢ mort
Investigadores, étambém assim que podemos considerasi®®
momento, antes que oscilem do estatut?
de personagem-observador para o de Personagem-agente, ce?
‘Strindberg, tais como Agnes, em 0 Sonho,®
Estranho, em A Casa Queimada (1907),
‘ou, no primeiro ato,
Wetho da Sonata das Espectos (1907). brevemente#
lade dos habitantes e revelando sts
da se parece aind#
0 de Dupin ou de Sherlock Holmes; seu olla?
‘culhia nos escombros ainda fumegantes da casa queimad®
LO DRAMANAOSERA RE
menos para descobri culpado dew eventual ncn:
dio criminoso (os habitantes da casa eoutras pessoas da ua se
encarregam de designar o bode expiatério) do que pars reson
tui passado coetvo do imével onde ouror ele nascera
A pega tem inicio com um inspetor que nano prea ie
Pesquisa termina com o Esta que promuncs 0
vo das investigagies ¢ de outros processos:
sesso seve mas famaca,
co.)
cor esti. Buaind no
a paid, meu pl aba
do aq
esta rua tem uma
uando tudo
ak bem apagado?” E justamente quan oe .
ado esti bem apagudo?” E jstamente avste®
parece bem apagado, apés ¢ “fumaca aeons Mae
dissipado, que “outro dramé podeconsia a
nio des
Pectiva, Agnes, filha de Indra, eae
Para conhecer as raabes de suas queisas 4 oe
j8 perderam todas as esperangas € $6 18 aes
maldizeraexistencia, Em todo 280 depois a THN NN
as armadilhas dos des
ela prépria se deixar prender na ee
softimentes humanos, antes dese Gee : ee
Jo para ci
Nista dessa “casa de corregaLeeann as queixas ¢ as reclamagies desse*
ae eaten
sone que inves area = na intimidade das pe
parc emene es eae sata infelicidade humana est
ntrada, ela toma o lugar da concierge:
som (dgndo-s a cones): Bmpreseme se ale
tr agua ec pt os fos dos ome as
|, para me manter informada (Poe o Pe
da concierge) ——
coxctenst: De
‘owes: Ni
instruir. ever sea
conctenen: Nesse poston
un posto no se pode
io penosa quanto se:
em de noite ne™
se se che;
fade ereeaente oe :
AGNES: Mas isso & oe
ad rama analitico’ pois
ae Imente por uma espécie de retorno 4
presente dos mais inertes e mortif
tempo da investigacdo poi -
foiulgadopor suas malversaybes oacy
Por suas malversagies fi
io -,masal
quis 80
le sua cabega, o barulho dos passo®
a ——rt—s—e——ee
5 passado que, como em Edipo Rei d&
Go dramatica é proprio passal®
mia do presente eo vampiriz.
sse comparecimento do passed
| O DRAMA NAOSERA RFPRESENTADO
esperanga de revanche e de reabilitagdo puramente encantare
ria, passa-se a uma clara desesperanca ¢, depois, nos stimos
instantes da pega, a uma espécie de reclusio e de alivio quase
‘mistico ligado.’t morte de Jobn Gabriel Borkman ereconcilia-
‘Gio de Gunhild e de sua irmi Ella Rentheim, respectivamente
esposa e mulher outrora amada - depois sactificadaem nome
dos negécios - de John Gabriel Borkman. Desde o primeiro
ato, diante de uma Ella muito dente ¢.tendo ido visitar Ihe
procurand trazer-Ihe de volta Ebrar,ofitho do casal que fs
ériou, Gunbild constata uma existéncia inteitamente voltada
para passado, paraa falta ea culpabilidade: “Sim, €assim ae
Vivemos, Ella Desde que fo liberado. E-que fot enviado para
mim, Apés longos oito anos" De se lad Ella, confrontada
no segundo ato com seu antigo amante John Gabriel 0 acts
de té-latraido ede ter cometido contra ela um deito bem maior
ddo que suas malversagoes: "crime contra 0 amor:
‘Ques dimensio poicaeseja muito marcadn, ou qe lt
permanega ltente, como ne caso de Join Gabriel Borknan ¢
na maior parte das pesas modernas econtemporineass 20
ragto ou elesdobramento da fala dramatica entre on da
histéria do crime e 0 da investigagao, 04 se) asecundarizagho
do drama, cncontes seem toda pate. A unidade de tempos
definitivamente quebrada, 0 drama objeto ~ drama vivido ~
sendo rejltado em uma anterioridade na qual = enxer ©
rietadrama, Para que haja investigaglo, 04 0 MENOS OF!O°
vi ha necssidade de um afastamentotempora
assim, temos os famosos ato anos de Borkman, A dimensio
temporal intervém massive estrutural tematicamentex 115°
taura a boa de ura dramaturgia do reforne.
a0 drama:
ADESDRAMATIZAGAO E: RETROSPECTO:
ANTECIPAGAO
rama Moderno
foca sua Teoria do D)
0, Esse
's no contexto dram
Sabemos que Peter Szon
intrusio de elementos épico
Paris* rot
eam 0
Ponto de vista ¢incontstvel: tanto interven da tii
emporal em Ibsen quanto aingerencia de personagens PE
radoras (que Szondi qualifica 1sépicos”) nas obrasd®
Maeterlinck, de Strindberg e de Pirandello o atestam, Porét™
exstendnsn sintegarama dinensio no corresponds
js eee i,a um esgotamento do element?
ropriamente dramético. Ao contrério, as 6s alguns
Tn encanta
Fendmenn que renete a prefrénciaouroadelarada de Sa
um “teatro dramitico bem perto do me
separo de Szondi:o acento per iaspeeeny
icento que ele pde sobre a passagem dial
tca do purodramiticoparaadiveridade das rma epi
teatro notadamente em I
ledas formas épicas ©?
‘ ‘cator, Brecht, Bruckner, Wilder >
Gi eloara pra eas drama agiio-desdramatizagio 0
ramaturgias modernas ¢ contemporineas a inclet
a questdo do épico sem, no: : ‘iestenavean
em primeiro plano
O que fee entender por desdra
1 drama e a uma catéstrofe
a catistrofe jé advind:
uma reviravolta do
ao Ita do drama, Que o dispositive de retorno revit®?
rntido do drama. Que se terminou com a sacrossan'#
ret
tico. Que a propria nogio de c ara retoma
ee Q ‘oso de conflito central ou, para retom
° ou ino, de “grande colisio dramitica” esté e#
cr, entre periodos de te"
dos de
ra dar conta dessa pat
de Szondi
DRAMA ho RA REPRESE
emevitar toda confusio entre poesia dramé-
i essa resposta nuuma carta de 26
no plano tedrico,
tica e poesia épica, Schiller d
de dezembro de 1797:
transportar para o passado tudo
afastar tld 0 que 108 est
‘constrange 0 poeta dramé-
que é presente imediato
realmente préximo:
na, Deondest segne
doy Sempre ters
dade p versamente, ©
Aescer até o drama, eapenas sobessa cond
conceito genérico de poesia.
Se or permitido supor uma igeira diferenga entre Goethe
€ Schiller, ela poderia ser admit
considera que 0 espectador de teatro perm: i
mpede de “elevar-se até a refle-
se conforma de que esse mesmo
a =
fim, a0 presente evasivo do drama. De onde, sem no entante
“embaralhar as fron centre as duas espécies de poesia, 0
‘a0 dramatico, 0 “‘genero” ~a po
~ isto é, 0 drama,
x0”, enquanto 0 segundo no
sia ~ vindo reequilibrat a espécie
(© desvio por essa teoria do contrapeso ~ desvio ue muito
provavelmente foi feito por Brecht, nos permite melhor com
Preender o que hi da desdramatizacio, da tensio evire Nt
movimento do drama para frente, que Pe uma forga de
resistencia, até mesmo contritia, que vem se iMterPOF.
No “Ensaio Sobre a Poesia Epica e a Poesia Dramatics’,
do por Goethe, mas concedido ea jalmente pot
de notas dos diferentes motivos
ticas. Entre esses motiv
“dos quais 0 drama
‘proprios” as obras épicas e érama
‘Progressivos, que fazem avangat &
acide= Potties vo:
{AMA MODERNO
seserve, por &
oe oo a 05 “eesvos que afastam a agi
ais se serve, quase que exch 12,0
oema épico? : ue exclusivament®
acer (outros sio os que retardam, os que remontam ©
Lr—~—seSOOOs—O—NC—OisUs
do drama rn conterporines, a conepro da obs
10 de motivos discreto is
adaptada do : s nos parecer muito m2
— toque adil hegetian do dramtico como it
pane (subjetividade) e do lrico (objetividade:
=—_—shseime
consideravel aos 1oje, 0s motivos progressivos cedem terten?
cn ae motivos regressivos. A’retrospecgdo se impo
(decompose ee fundamentais do novo processo
deca ramitca, Ela uma das caves do proceso
—— sob a forma da titulagdo. A partir do momen?
em que a estrutura organi Jo animal
ee lo animal - construfda
sos (iesiment cinco) e em cenas é abandonada em pro
Pesce feo, fa intervia montage, cade
_ a — auténoma, constitui-se nim quadro a!”
lo, uma legenda, Por e
See ia legenda, Por exemplo, os de Rober”?
. Logo Antes de Morte
ga. que, por seu contetido, se aparen™
se constante de anteclp®”
"ar © que
‘ oS al ocorrer em cada sequéncia, °°
membrando-a, Procedimento eviden
Pat
[Lo DRAMA NO SERA REPRESENTADO ”
or saltos, mas que se mostra mais secreta, mais sutl em
escrituras como as de Danis ou de Lagarce, que, sem excluir
a dimensio épica, se devotam intimidade e devem, por isso,
reservar um certo cardter orginico, a fim de dar conta da
vida cotidiana de um casal, de uma fa ilia, de um parente.
A primeira vista, Terra Oceano (2006), ‘romance-falado” de
Daniel Danis, se passa entre quatro paredes em que um Pai
companha os iiltmos dias de seu filho adotivo,
Gabriel, atacado por uma doenga fata, e€sse pai adotivo fem
‘ada assim, pai” na pessoa do tio Chacles.
erequereria uma estrita progres-
‘um tema como es
dtica, Ora, Danis nio $6 introduz partes narrativas
importantes como, além disto, indica &margem do didlogo,
de modo deitico, uma série de gestos ou de agbes fisicas que
resumem antecipadamente odidlogo eo fragment “tocar’,
Suspirar’,“olhares”, “nada, acolher’ “tagarelar’“imergi
“choros” etc, Posto assim em perspectiva, 0 continuo se con-
Verte em descontinuo. O 4 ntre quatro paredes seabre
Pata o cosmos, para essa “terra ocenica’ de onde emerge
Utopia da morte de uma crianga que seria, 20 mesmo tempo,
lum renascimento espiritual
__ Oresultado dessa operagio muito
& que a unidade do drama encontra-serompida por todas as
Cesuras que os intertitulos jntroduzem. A catastrofe final, a
morte de Gabriel, é, de qualquer forma, frust ada pela anteci
acio constante, ques impo: como contraprogressio, Ali
cronologia é posta em desordem, ea cena d “compra do caixto
apdsa morte de Gabriel” precede um “sobressalto de reo,
mada de vida, estimulando orapaza salt ¢° m Antoine e Dave’
Danis pratiea um tipo de mentagem muito diferente daquela
‘Que se podria dizer mecinica ou tayorista, ¢ que ene :ramos
nas pecas de Brecht e numa grande parte das. dramaturgias com
‘uma montagem no 0”
quebequense é agudo: 0 fluxe dram: a
Tompido, cortado, contrariado por essa operagio due
de antecipacao.
Outros procedimentos, ue
cher a mesma fungio, Com Lagarces
~, silpicados no texto,
discreta de antecipagio
jo atitulagso, podem preen-
os pontos de suspensio
permitem a0
entre parénteses ~» PORTICADO DRAMA MODERNO
mesmo tempo interromper 0 fluxo dramiatico (concluirei este
capitulo com outra operagao capital: a interrupeiio) e efetuet
seniio “pulos” ou saltos adiante, ao menos reviravoltas, com?
se diz do vento, do humor ou de uma corrente elétrica. E™
és, os Herdis (1993), em que uma trupe ambulante de ator
estd sentada ao redor de uma mesa de refeigio de noivado*
reviravoltas, quase permanentes, contribuem para desnat”
ralizar a pesa e igé-la & condigao de parabola — a vida com?
uma grande refeigio ~ 20 mesmo tempo que cria uma situags°
mica baseada nas friegdes irénicas entre os segmentos se?
rados pelos “I...]” de Lagarce:
1ssk (a Eduardowa) Voce idiots. Vort?
Se vocé no ear, todas as pessoas age, mesmo 25228
bem-intencionads,com roa pessoas mabe
id
-mesmo as pessoas
lo pensar, ou se autor
tae val abandoné-la
nova Guerra. Ni?
nfo sei quet™
A mie (para Ka)
© et no vou
ima ver que eu pego. Voce no vai feat
fe sil
B08 — e, mais largame™
mento da agio na construgio dra
pela pega erompecomiss?
|.ODRAMA NAO SERA REPRESENTADO »
‘com a velha sintaxe dramética para impor a desordem erudita
do paradoxo, da “simples” justaposicio.
A DESDRAMATIZAGAO II: .
OPTAGAO*, REPETICAO-VARIAGAQ, INTERRUPGAO
Sabemos que, para Aristételes 0 papel do poetatrigica nd. 60
cde mostrar o que realmente se passous nas “o que pode se passer,
‘© que é possivel”, Ora, podemos constatar que os dramaturgos
modernos e contemporineos trabalham para alafgar 0 campo
do possivel, dos possiveis, ¢ para instaurar um didlogo entre
© que & 0 que pode ser. Algumas vezes, até d vertigem, Con-
frontados respectivamente ao Dietor ou a Ludovico Nota, que
procuiram extrair de seus testeunhos contraditérios uma ver-
io consensual e definitiva de seus dramas, as Seis Personagens
as personagens do drama vivido de Vestir os Nus ~ Ersilia, 0
énsul Grotti,o noivo Franco Laspiga ~ multiplicam as versoes
divergentes e incompativeis entre si:
‘o meu dramat O meu!
1): Ohsenfim,0 seu! NBO
‘mas eu quero represent
lose ferozm
também ©
(apontard o Pai) ~0 de sua mie
«dos outros! O dele ~
Voct receia que ela no volte?
Woovico: Isso depende, Se & finalidade de
(os, como voeé disse, tenho medo que a
‘eu escreveria minha pega. Mas a fa smo se la no voltar.
FRANCO: Sem considerar 0s fatos?
‘uvovico: Os
interpretamos
queaparece sob esseouaquele
explicagto:“Emiprego opto nos
francés se stuara entre o subj
ep
er
wits p est Bd ras,
Praayany,YOETICA DODRAMA M
vez que a alma cedew — vocé mesmo o dizia - ea vida 08 th
abandonado, Eisai por gue ni
uma diferenga com relagio ao Diretor*
Seis Personagens: ele adota o ponto de ndello face#
suas personagens — notemios que ele nao fala mais, a partir deS*
Momento, em escrever um romance, mas teatro; ponto de’ vt
{que consiste em relativizar os fatos para fazer aparecer @ Vi
Para bem cumprir essa missio, o dramaturgo deve proced
com “a vida” um pouco como Sécrates o faz com
élhe preciso, num primeiro momento, fazer nascer sua
dade’, quer dizer, sua opiniao sobre os fatos, para em segt!
confrontar essas diferentes “verdades” © processo drama
gico se detém ali e nao chega evidentemente a uma ver
tinica sobre a vida... Um dramaturgo, um poeta, mesm0
tendéncia filoséfica, como Pirandello, nio é um fildsof0: 1°"
um homem do conceito, mas da metifora flexi
Contra a voz tinica do drama esse “monologismo” 4
Bakhtin estigmatizou ~ Pirandello se dedica a relativizat ©
fatos, jogando com o principio de incerteza, a pluraliza™®
sentido, a multplicar os possiveis, até mesmo, algumas Ve
conduzindo seus espectadores pa _
absoluto, Sempre é possivel que um novo modo
«Ho se ofereca aos dramaturgos: substituir o desenvolvimet®
uramente sntagmsico daa¢io pelo desenrolar paradigm!
ee
jdt
Depreferéncia ac
das personage ¥ agbes, que procedem de deci
ment
do teatro épico um experiment
ue consegue multiplicar o que é por aquilo que poderia se”
27 Mem, Vet ce
)
“
rp 89. (Coll. Folio
LODRAMAMAO IRAE
co, 0 teatro épico faz um apelo par
‘4 reflexio sobre as consequén-
ao de
Pulaclose submetidosa expe:
sto possiveis de mudara vida ane
© que esse teatro brechtiano se prepoe é determinan por
experigncias, o exato comportamento a ser dota
mag que
strie de
‘esse respeito,Pilippe lverel dria que Brecht "abe ©
campo do possivel, [Link] o 40 eal’ i ccitane
¢sarellexio do proprio Brecht: “Além das agdes dos homens
das que foram realmente feta, exstem as que poderiam Set
feitas, Bssas aqui permanecem inteiramente dependentes dos
tempos das primeiras; delas existe uma historia. ,
‘Tornar piibico no titulo que a ascensio de Artiro © ©
“resistvel’ écomprometer-se exclu todo fain tod 9B
2 da tragédiae indicar, em cada quadro,em cada el
ode, ow
da tomada de poder por Ui-Hitler, que 0 processo pode
rer tendo. questionamento, a interpe-
jdade de uma saida sempre
mesmo na
lasio aos espectadores¢ a po
Predominam, mesmo no momento mals trigi
Morte, como no Quadro 9 de Arturo Ui
1: Socorro! Fique:
tro, mort, Ajudem! Ajudi
0 carro também! / Precisai
alent NY jem! / Meu brago esté que-
Ninguet
i Art
fo gue ence dora
Mas eu sei
h monstro!/
Quem iria querer2 POETICA Do DRAMA:
ano
entra em colapso) Ui
para deter essa peste?"
ingu
todos os
ros. / Ei! Socorro!
“Ninguém para deter essa peste?” As
Maulher, no momento do tltimo suspi
softimento, mas apelo & re
;mas palavras #
130 so “Frenesi” ne
téncia e a sabedoria, Sabedot#
que consiste em recusar a dobrar-se a ordem dominante,
inventar uma alternativa, quer se trate da tirania nazista
simplesmente do “grande costume” do qual parece impos
se livrar,
Brecht nio poderia escrever Aquele Que Diz Sim sem 08°
depois, prolongi-lo, corrigi-lo com Aquele Que Diz Nao (193°
A fibula do menino que, para encontrar os remédios necessiti®®
4 sua mae, parte para um longo e p
montanhas, tambs
,os0 périplo através 4
n caindo doente e aceitando, por set Pat
do “grande costume’ ser sacrificado por seus companheitos
viagem e jogado no precipi
ticas superpée a fabula alternativa do menino que rect!
grande costume” e dé meia-volta, ajudado por seus compan
+05, prontos dessa ver. instaurar um “novo costume” eit “A
and?
0s olhos / Ninguém mais covarde do que o seu virinho™.
Mais préximos a nds, um Gatti ou um Bond conserv™™
a tradigio dessa luta contra as fatos encabegada, sobre bas*
bem diferentes, é verdade, por um Pirandello ou um Bre
I de escritor & o de “eriar est
itam as pessoas refazer suas des
6 dramatargo das pegas did
a?
turas teatrais que per
miltiph
outro s
hosp
: 6
a, por meio de quatro hipey
nomas, de si mesmo: 0 Auge
LO DRAMA NAO IRA »
também chamado “Augusto sem idade".. Sessenta anos, uma
dade que o homem agonizan‘e de 46 anos jamais alcangaré
¢,no entanto, um futuro possvel de Augusto Geai, tomado
pela utopia de Gatti e por uma vontade de emancipagio que
mesmo a morte nao pode vencer:
J alee Voce
sc one: Senet nos m8 ci de alee ost
eae ere aul da plc (set E die
ante nA gue dau v2
+s que chegleaté aoss-
al na mi a Jeo
ocinema equ esa
E tudo o que eu poss
estar resid, lai tbl.
1a vontade”
O desafio do que chamo opie ~ gramiticateatral do, _
juntivo, do condicional, do optiivos em sintse, desses m0
‘que, contrariamente ao indicatvo sto convocados Interpy=-
tagio ~ 0 de insular a liberdade no que se elata do mundo,
se procedimento opatvo conve paticularmente v0
fundamentalmente politicos tis como Brecht, Bond on GAT
Mas também existe uma dvamaturgia no condicion@) 008
Tegistro mais intimo (que nao exclui o politico, ma Mle Margue-
0 primeiro plan). Penso, porexemplo, nas PERT A
Fite Duras, ncontestavelmente mais proximas de Strindes®
de Pirandello do que de Brecht, Em Agatha (1980) secreta 2°”
Iidade amorosa dentro de quatro paredes entre wi ©
‘uma irma, é muito significative dessa outea Prat a da optagi
’ ia, ica poderia.
"LA: Nos ficariamos al
Sim, fica
Silencio. Ler
LA: Me veo & cabesa que alguma coisa diferente
entre vocé ee, Como um novo comedo de
He: Trembora?
Pa: Nao, (Tempe)
Beas Ni, (Tempo)‘Agatha para o out
mudanga nio seria ir embora.E
ux (dogura, prudéne
ua ese dtamatergla no condiional de Duras, Dest
ln sem divide, una ds expresses mais eaboradas NS
obra como cm outs, Durasegsna scsi ric
Eoprip »devir-teatro do texto que se pe no condicional-’®
eatro" ~ lé-se na Nota para io have
sendo um sd. - ,
ne im s6 cen: ‘Um cenatio abstrato set ie
to, um cendrio abstrato seria m
‘operagio constante de optay
historia’, que regesse
as Representagdes -
0, de ape
as trocas entre as personager
e reconheceria ainda, diz
Entrea optaga :
ehtacio ea repeticao-variagao a fronteira éd88™
finas. Aquele Qi
€ Que Diz Nao &
dutora de sentido, de 4 —
certamente a m
6s 1880, Com:
esse novo parad
tratarei no proximo
nosem constatar que repel
a dohome moderno ~ frequentem®™
ee iva. Kierkegaard quem 455,
fica a repetigio de"
fenarepeticio dep
AMA Ko SERA REPRESEN
criadora de variagbes, parece sero procedimento central do
ramaturgo moderno e contemporaine.
Durante a sua estada entre 0s humanos, Agnes; filha de
Indra, vai se tornar, no decorrer dos encontros, a especta-
dora e, depois, numa certa medida, atria de uma longa série de
‘microdramas mais ou menos equivalentese semelhantes entre
O Sono, de Strindberg, j4 se apresentay em sua estrutars BE»
como obra repetitiva. Mas s isolatios cada um de seus dramas
individuats, para logo percebermos que esse drama reside
justamente na repeticio, produtora da infeicidade humana.
Do mesmo modo que o John Gabriel Borkman detbsen dé os
mesos cem passos sobre a cabega desi espost 0 Oficial
dle O Sonho da voltas diante da Opera (ur tempo simults-
neamente infinitoe finito,o tempo de uma vida) esperando
Vitoria, sua noiva, que nunca vem. Ancestra de Vladimir e
de Estragio, o Oficial esté destinado & ester lidade de uma
cia privada de acontecimentos, «uma existencia vol-
tada a repetigao:
aqui, Ao meio-di
tarde, quando anoite come
se veem as pegadas do ami
jue eu mesmo
as mestias
ligbes pelo resto dan
sito dois mais dois? E
tn
i uma aposentadoria e
fazer, esperando as refeigdes ¢ 0 jor”
conduzirem ao erematétio..*
armadilha da arte da repeticao,
“huniresea diferenga é portant,
tt, e mais além, mpde-se Ua
estética da repetigao-variagio- iho, 2 qui a
hhumanos, dual faz eco 0 “Que pena serum homer
Agnes, se transforma num canto coral que subentende toda
wvés desse canto que os homens clamamm (mas
‘Tomar a repetigdo como a
la emusicalizé-la, até pr
pseu