Número: 1011527-43.2023.4.01.3400: Mandado de Segurança - Lívia Suze
Número: 1011527-43.2023.4.01.3400: Mandado de Segurança - Lívia Suze
22/03/2023
Número: 1011527-43.2023.4.01.3400
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
Órgão julgador: 4ª Vara Federal Cível da SJDF
Última distribuição : 10/02/2023
Valor da causa: R$ 1.302,00
Assuntos: Fies
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LIVIA SUZE VERAS OLIVEIRA DA SILVA (IMPETRANTE) HYAGO ALVES VIANA (ADVOGADO)
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA
EDUCACAO (LITISCONSORTE)
SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO
DA EDUCAÇÃO (IMPETRADO)
UNIÃO FEDERAL (LITISCONSORTE)
Diretora-Presidente da Caixa Economica Federal
(IMPETRADO)
CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (LITISCONSORTE) LEONARDO FALCAO RIBEIRO registrado(a) civilmente
como LEONARDO FALCAO RIBEIRO (ADVOGADO)
PRESIDENTE DO FUNDO NACIONAL DE
DESENVOLVIMENTO DA EDUCACAO (IMPETRADO)
Ministério Público Federal (Procuradoria) (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
14882 10/02/2023 11:46 mandado de segurança - Lívia Suze.docx Inicial
36863
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA ____
VARA FEDERAL CÍVEL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL
MANDADO DE SEGURANÇA
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I - PRELIMINARMENTE:
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b) supervisor da execução das operações do Fies sob coordenação do
Ministério da Educação.
Quanto ao Inciso II, relacionado aos contratos firmados após 2017, definiu o
FNDE responsabilidade de Agente Operador à Caixa Econômica Federal, conforme exposto
no sítio eletrônico do FNDE:
II - DOS FATOS
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modalidade presencial ou a distância, não gratuitos e com avaliação positiva nos processos
conduzidos pelo Ministério da Educação.
Todavia, apesar de se enquadrar nos requisitos exigidos pela Lei do FIES e ter
sido pré-selecionada anteriormente, a Impetrante não consegue lograr êxito no ingresso no
Programa Governamental em virtude de exigências infralegais ilegais, mesmo diante da
existência de vagas.
Com isto, deixa o Programa de atingir seus objetivos primordiais, limitando o acesso
de alunos e fazendo com que concorram inadequadamente entre si para ingresso em vaga
particular, ao qual continuarão com débitos após a conclusão do curso, não atingindo a função
social do FIES.
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Além disso, como não bastasse, a concorrência ainda é dotada de enorme
disparidade entre o número de alunos para as vagas ofertadas via FIES, vez que turmas com
quase centenas de alunos possuem apenas 2 ou 3 vagas para o FIES.
Inegável que o FIES tem sido cada vez mais restringido, mediante diversas
inovações que buscam unicamente a dificultação do acesso ao Programa, vez que a educação,
como um todo, tem sido amplamente sucateada.
É nesse sentido que define a Portaria MEC 209 de 2018, impondo concorrência
entre candidatos mesmo diante da existências de vagas nas instituições:
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Art. 52. Entende-se por fiança convencional aquela prestada por até dois
fiadores apresentados pelo estudante ao agente financeiro, observadas as
seguintes condições:
II - nos demais casos, o(s) fiador(es) deverá (ão) possuir renda mensal bruta
conjunta pelo menos igual ao dobro da parcela mensal da semestralidade
financiada pelo Fies.
(...)
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Ademais, impende consignar que o mencionado Fundo de Financiamento ao
Estudante do Ensino Superior – FIES foi criado pela Lei nº 10.260/2001,
posteriormente modificada, que, em seu art. 1º, assim estabelece:
Por sua vez, estabelece o art. 15-D, caput, da referida Lei, com a redação
dada pela Lei nº 13.530-2017, que “é instituído, nos termos desta Lei, o
Programa de Financiamento Estudantil, destinado à concessão de
financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos, com
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação,
de acordo com regulamentação própria, e que também tratará das faixas de
renda abrangidas por essa modalidade do Fies”.
***
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ENSINO SUPERIOR. CONTRATO DE FINANCIAMENTO
ESTUDANTIL - FIES. LEGITIMIDADE DO FNDE. TRANSFERÊNCIA.
SITUAÇÃO DE FATO CONSOLIDADA.
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Ocorre, contudo, que o ENEM não é a única modalidade de acesso ao ensino
superior. A autora comprovou, pelo documento ID 916826172 já estar
matriculada no curso para o qual pretende o financiamento. Não é razoável
retrocede-la à fase de admissão ao ensino superior.
Até mesmo as vagas de financiamentos que são ofertados aos menos favorecidos,
acabam sendo preenchidas por aqueles mais prestigiados que tiveram a oportunidade de um
ensino de qualidade em colégios particulares.
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(...)
(...)
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Importa destacar que é a partir da vigência da Portaria 35/2014 que o número de
beneficiados FIES cai pela metade, número que segue em redução até a presente data.
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CEDENHO, Data de Julgamento: 01/12/2016, TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:12/12/2016).
Importa destacar: o que se requer não é que a sociedade arque diretamente com o
estudo da Impetrante, em prejuízo de outras políticas públicas, mas sim que se permita a
possibilidade de empréstimo devidamente definido em lei, mediante recursos já existentes
em fundo próprio para tanto, que serão devidamente devolvidos com as correções e juros
legais, fazendo cumprir o objetivo da política pública.
Isto é, não haverá qualquer prejuízo ao erário, bem como já existe previsão
orçamentária destinada ao benefício pleiteado, vez que anualmente consta no orçamento
nacional imensa soma destinada a política pública do Programa FIES, o qual não é utilizado
em sua integralidade em razão da constante existência de vagas ociosas após as alterações
ilegais iniciadas em 2015.
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Vossa Excelência, o requisito de nota mais alta que o último aprovado não é
exposto em momento algum pela Lei de Regência do FIES, instituidora e orientadora de todo
o programa, sendo meramente imposto por Portaria infralegal que caminha em sentido
contrário a sua norma superior, sendo dotada de total ilegalidade.
III - DO DIREITO:
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte
e o saber;
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Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios
de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o
pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Essa liberdade também inclui o ensino superior e deve ser acessível Ensinar
quantas vezes forem necessárias para o pleno exercício da cidadania e dignidade humana.
Pede-se vênia para frisar: O que se requer não é a desoneração dos custos
necessário ao seu estudo, mediante o pagamento da faculdade por toda a sociedade, mas sim
que seja possibilitado a chance de continuidade nos estudos através de empréstimo hábil
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amplamente definido em lei, sobretudo em razão das ilegais normas infralegais e reduzido
número de vagas.
Aos demais, não resta escolha. São lançadas ao sistema privado sem qualquer
apoio dos Poderes Públicos, os quais dificilmente terão acesso ao Programa FIES, uma vez
que em virtude das exigências ilegais, é constante a vacância das vagas disponíveis, sendo
cada vez mais difícil o ingresso.
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Nas palavras do MM. Ministro Luís Roberto Barroso (O controle de
constitucionalidade no direito brasileiro: exposição sistemática da doutrina e análise crítica da
jurisprudência. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006.2006, p. 29):
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estratégias de implementação para assegurar a manutenção e
desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e
modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das
diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 59, de 2009)
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em
educação como proporção do produto interno bruto.
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TJ-MG. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Nº 0001861-04.2021.8.04.0000.
TERCEIRA CÂMARA CÍVEL.
Desembargador João de Jesus Abdala Simões. Julgado em 21 de julho de
2021.
É fato que a portaria MEC 38, de janeiro de 2021, limita o acesso ao FIES com
base em classificação aritmética sem respaldo jurídico, mediante concorrência com alunos
anteriormente aprovados:
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Art. 38. Encerrado o período de inscrição, os estudantes serão classificados
em ordem decrescente de acordo com as notas obtidas no Enem, na opção
de vaga para a qual se inscreveram, na sequência a ser especificada em
Portaria Normativa a cada processo seletivo, nos termos do art. 1º, § 6º, da
Lei nº 10.260, de 2001.
Ainda, define a citada Portaria que para o Financiamento Estudantil deve ser
fornecida de valor correspondente ao dobro do custo da mensalidade:
Art. 52. Entende-se por fiança convencional aquela prestada por até dois
fiadores apresentados pelo estudante ao agente financeiro, observadas as
seguintes condições:
II - nos demais casos, o(s) fiador(es) deverá (ão) possuir renda mensal bruta
conjunta pelo menos igual ao dobro da parcela mensal da semestralidade
financiada pelo Fies.
Tais alterações iniciaram-se por meio da Portaria MEC 21 de 2014, que passou a
vigorar em 2015 (ano em que há redução de quase 50% dos ingressantes no FIES, conforme
retro exposto - Doc. 12):
Excelência, não poderia uma norma infralegal criar uma condição restritiva a
direito constitucionalmente previsto. NÃO EXISTE na Lei do FIES qualquer exigência de
atendimento a nota de candidato anterior, e caso estivesse, seria manifestamente ilegal. Tal
condição advém única e exclusivamente de Portaria Ministerial, norma administrativa
infralegal, que não pode inovar restritivamente na ordem jurídica, tal qual exposto pela
hierarquia das normas.
O retrocesso social que tem sido realizado pelo poder público no âmbito da
educação é inegável, indo em contrário aos princípios do Estado Democrático de Direito:
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“... quer dizer-se que os direitos sociais e econômicos (ex.: direito dos
trabalhadores, direito à assistência, direito à educação), uma vez
obtido um determinado grau de realização, passam a constituir
simultaneamente, uma garantia institucional e um direito subjetivo. A
“proibição do retrocesso social” nada pode fazer contra as recessões e
crises econômicas (reversibilidade fática), mas o princípio em análise
limita a reversibilidade dos direitos adquiridos, em clara violação do
princípio da proteção da confiança e da segurança dos cidadãos no
âmbito econômico, social e cultural e do núcleo essencial da
existência mínima inerente ao respeito pela dignidade da pessoa
humana.” (CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito constitucional e teoria
da constituição. 7ª ed., 11 reimp. p. 338 e 339).
IV - DA TUTELA ANTECIPADA
Sabe-se que o art. 7º, III, da Lei n.º 12.016/09 prevê a possibilidade de concessão
de medida liminar em sede de mandado de segurança quando sejam relevantes os
fundamentos da impetração (fumus boni iuris) e do ato impugnado puder resultar a ineficácia
da ordem judicial, se concedida ao final (periculum in mora).
No presente caso, pugna-se pelo deferimento da tutela pleiteada, eis que presentes
ambos os requisitos autorizadores.
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O periculum in mora, por igual, é evidente, haja vista que a Impetrante não
poderá realizar seus estudos por outro meio que não seja o Financiamento Estudantil, frente a
inexistência de recursos, bem como que o próximo período de estudos está em iminência de
início, o que lhe causa patente angústia e desespero.
Neste sentido, a DD. Raquel Soares Chiarelli, Juíza Titular da 13ª Vara Federal da
Seção Judiciária do Distrito Federal, em atenção ao entendimento do DD Desembargador
Souza Prudente do Eg. TRF1, proferiu a seguinte decisão:
DECISÃO
Trata-se de mandado de segurança em que se pleiteia o direito de obter a
concessão de financiamento estudantil (FIES) sem a necessidade de se
respeitar a exigência da nota mínima no ENEM calculada para o curso
escolhido, conforme estabelecido nos atos administrativos que regulamentam
o art. 3ª, §3º, I, da Lei nº 10.260/01.
Alega a impetrante que cumpre os requisitos necessários para inscrição no
processo seletivo (nota mínima de 450 pontos no ENEM, nota na prova de
redação superior à zero e renda familiar mensal bruta per capita de até três
salários mínimos), mas não consegue classificação dentro do número de
vagas ofertadas para a IES demandada em razão da imposição de nota de
corte baseada na média aritmética das notas obtidas nas provas do ENEM.
Sustenta que essa exigência extrapola o poder regulamentar conferido pela
Lei 10.260/01 e que, portanto, viola o seu direito de acesso ao ensino público
superior.
Ressalvado o entendimento desta signatária no sentido da legitimidade do
ato impugnado, - fundamentado não apenas na expressa delegação contida
na Lei 10.260/01, mas especialmente considerada a natureza discricionária
do planejamento orçamentário, que decorre da limitação dos recursos
públicos para atendimento integral de todas as demandas e necessidades
sociais -, não se pode deixar de reconhecer que a tese defendida na inicial se
orienta no mesmo sentido da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da
1ª Região, de modo que, diante da política de valorização da verticalização e
uniformidade dos julgamentos adotada no plano gerencial e incorporada ao
sistema normativo processual, assim como para garantir a isonomia de
tratamento dos estudantes em idêntica situação, outra alternativa não resta a
não ser estender à impetrante a medida deferida pelo Tribunal ad quem,
como exemplifica a seguinte decisão, proferida pelo Desembargador Federal
Souza Prudente nos autos do AI 1037522-10.2022.4.01.0000:
"(...). Não obstante os fundamentos em que se amparou a decisão agravada,
vejo presentes, na espécie, os pressupostos do art. 1019, I, do CPC, a
ensejar a concessão da almejada antecipação da tutela recursal,
notadamente em face do seu caráter manifestamente precautivo e, por isso,
compatível com a tutela cautelar do agravo, manifestada nas letras e na
inteligência do referido dispositivo legal, de forma a possibilitar a
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formalização de novos contratos de financiamento estudantil e assegurar,
por conseguinte, o pleno acesso ao ensino superior, como garantia
fundamental assegurada em nossa Constituição Federal, na determinação
cogente e de eficácia imediata (CF, art. 5º, § 1º), no sentido de que “a
educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho” (CF, art. 205).
Ademais, impende consignar que o mencionado Fundo de Financiamento ao
Estudante do Ensino Superior – FIES foi criado pela Lei nº 10.260/2001,
posteriormente modificada, que, em seu art. 1º, assim estabelece:
Art.1º É instituído, nos termos desta Lei, o Fundo de Financiamento
Estudantil (Fies), de natureza contábil, vinculado ao Ministério da
Educação, destinado à concessão de financiamento a estudantes de cursos
superiores, na modalidade presencial ou a distância, não gratuitos e com
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério, de acordo com
regulamentação própria.
§ 1º O financiamento de que trata o caput deste artigo poderá beneficiar
estudantes matriculados em cursos da educação profissional, técnica e
tecnológica, e em programas de mestrado e doutorado com avaliação
positiva, desde que haja disponibilidade de recursos, nos termos do que for
aprovado pelo Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil
(CG-Fies)
(...)
§ 6º O financiamento com recursos do Fies será destinado prioritariamente
a estudantes que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido
beneficiados pelo financiamento estudantil, vedada a concessão de novo
financiamento a estudante em período de utilização de financiamento pelo
Fies ou que não tenha quitado financiamento anterior pelo Fies ou pelo
Programa de Crédito Educativo, de que trata a Lei no 8.436, de 25 de junho
de 1992.
Por sua vez, estabelece o art. 15-D, caput, da referida Lei, com a redação
dada pela Lei nº 13.530-2017, que “é instituído, nos termos desta Lei, o
Programa de Financiamento Estudantil, destinado à concessão de
financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos, com
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação,
de acordo com regulamentação própria, e que também tratará das faixas de
renda abrangidas por essa modalidade do Fies”.
Da leitura dos dispositivos legais em referência, verifica-se que,
efetivamente, não se vislumbra, dentre as condições legalmente
estabelecidas, a exigência de que o aluno tenha sido submetido ao Exame
Nacional de Ensino Médio – ENEM, nem, tampouco, que tenha obtido a
média mínima exigida nos atos normativos hostilizados nos presentes autos.
É bem verdade que o art. 3º da referida Lei nº 10.260/2011, estabelece que a
gestão do FIES caberá ao Ministério da Educação, que editará regulamento
dispondo sobre “as regras de seleção de estudantes a serem financiados,
devendo ser considerados a renda familiar per capita, proporcional ao valor
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do encargo educacional do curso pretendido, e outros requisitos, bem como
as regras de oferta de vagas”.
De ver-se, porém, que, os tais “outros requisitos” a que se reporta o
dispositivo legal em referência, não podem extrapolar os limites
estabelecidos pela própria Lei de criação do FIES, como no caso, sob pena
de violação ao princípio da legalidade, segundo o qual, “ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”
(CF, art. 5º, inciso II), mormente em face da finalidade precípua do
financiamento estudantil em referência, que consiste em propiciar, sem
qualquer limitação, o livre acesso ao ensino superior, sintonizando-se, com o
exercício do direito constitucional à educação (CF, art. 205) e com a
expectativa de futuro retorno intelectual em proveito da nação, que há de
prevalecer sobre formalismos eventualmente inibidores e desestimuladores
do potencial científico daí decorrente.
Com estas considerações, defiro o pedido de antecipação da tutela recursal
formulado na inicial, para assegurar à parte demandante o direito à
formalização do contrato de financiamento estudantil, com recursos do
FIES, relativamente ao curso superior em que se encontra matriculada,
independentemente das restrições descritas nos autos, até o pronunciamento
definitivo da Turma julgadora."
Sendo esse o contexto dos autos, CONCEDO A LIMINAR requerida
para assegurar à parte autora o direito à concessão do financiamento
estudantil, com recursos do FIES, sem a imposição de nota de corte
baseada na média aritmética das notas obtidas no ENEM, desde que
atendidos os demais requisitos, a serem comprovados
administrativamente.
Intimem-se, para ciência e cumprimento da presente decisão.
Após, diante a natureza estrutural da demanda, considerado tanto o seu
impacto social quanto para a regularidade do serviço da justiça, remetam-se
ao núcleo de Conciliação, a fim de que seja buscada uma solução
institucional pacificadora para o conflito.
Cumpra-se. (MSCiv 1009118-94.2023.4.01.3400)
Cumpre frisar que a concessão da tutela emergencial é medida que se impõe, visto
que as atividades acadêmicas retornaram ao início do mês de fevereiro de 2023.
Portanto, se torna imperativo que seja determinado aos Impetrados que concedam
o Financiamento Estudantil para o curso de medicina da Impetrante.
A) Seja concedida Tutela de Urgência, inaudita altera pars, a fim de determinar aos
Impetrados que concedam o Financiamento Estudantil (FIES) a Autora por todo o
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período restante do curso de Medicina, disponibilizando os meios hábeis para o
procedimento de aquisição do Financiamento Estudantil no curso de Medicina, afastando
as disposições ilegais das Portarias Regulamentares, nos termos do artigo 300 e seguintes do
Código processual, sob pena multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) em caso de
descumprimento da ordem judicial;
B) A notificação das autoridades coatoras, nos termos do artigo 7º, inciso I, da Lei nº
12.016/2009, para prestar informações no prazo legal;
D) A oitiva do ilustre representante do Ministério Público Federal, nos termos do artigo 12, da
Lei nº 12.016/2009;
F) Caso este juízo não entenda pela concessão imediata do benefício, SUBSIDIARIAMENTE
REQUER, seja garantido o direito ao acesso ao FIES tendo em vista a seleção nos termos do
doc X e aguarda a formalização do contrato desde Março de 2022.
Termos em que,
Pede deferimento.
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Hyago Alves Viana
OAB/DF 49.122
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The challenged FIES regulations potentially infringe on several constitutional principles, including the right to education as a fundamental right (CF, art. 205), the principle of legality, and the tenet that no law can obligate actions unless stipulated by legislation. The imposition of conditions like ENEM scores and financial guarantees without proper legislative backing violates these constitutional protections, as they do not align with the intended inclusive nature of educational rights .
The main legal obstacles identified include the requirements introduced by Portaria MEC 21/2014 and Portaria MEC 209/2018, such as the need for high-value guarantees and a competitive selection process based on ENEM scores. These impede free access to FIES by adding financial and academic barriers, which conflict with the constitutional mandate to promote education and the principle of hierarchy of norms, as they extend beyond what is outlined in the Fies creation law (Lei nº 10.260, de 2001).
Current FIES regulations, as defined by Portarias such as MEC 209/2018, violate the principle of legality by imposing conditions not found in the foundational FIES law (Lei nº 10.260/2001), such as average scores from the ENEM and high financial guarantees. These infralegal standards exceed the legally established scope, infringing the requirement that no obligations can be enforced without corresponding legal support, a breach of Brazil's constitutional provision that the law should not require actions or compliance without legal basis .
The principle of the hierarchy of norms dictates that regulations made by a lower authority cannot override or add stipulations to laws made by a superior authority. Portaria MEC 209/2018, by introducing conditions such as those based on ENEM scores and financial guarantees for FIES, potentially violates this principle as these conditions are not supported by the fundamental law (Lei nº 10.260, de 2001), making the regulations susceptible to being declared null and void for overstepping legal bounds .
The FIES restrictions introduced since 2014 illustrate a shift towards more exclusionary educational policies, marked by increased emphasis on ENEM scores and financial capacity of applicants. Justifications provided revolve around funding limitations and efficiency in resource allocation, yet critics argue these measures contravene the program's constitutional goal of expanding access to education for all, compounding socioeconomic disparities instead .
The principle of non-retrogression is crucial in evaluating FIES program changes as it seeks to prohibit the regression of social rights once achieved. The sources argue that recent FIES restrictions represent a backward step in educational accessibility, violating the principle by eroding progress towards inclusive higher education access. It underscores the incompatibility of new policies with constitutional mandates ensuring equitable and universal educational opportunities .
The rationale for financial guarantees, specifically a guarantor with a monthly income twice the cost of the financed semester, aims to secure the repayment of loans given by FIES. This requirement is problematic because it effectively excludes students from lower socioeconomic backgrounds who lack access to such guarantors, thus contradicting the constitutional intent of FIES to democratize access to higher education .
The restrictions imposed by the FIES program, such as competitive ENEM-based selections and financial guarantees requirements, undermine social equity by disproportionately affecting students from underprivileged backgrounds, thus restricting their access to higher education. These constraints counteract the fundamental constitutional principle meant to ensure educational access as a universal right and exacerbate social and educational disparities instead of reducing them, thus reflecting a significant social regression .
If the restrictive measures in the FIES program, such as stringent ENEM score requirements and high-income guarantors, persist, the likely social consequences include a widening gap in educational attainment between socioeconomic classes, further marginalization of impoverished groups, and a potential increase in socio-economic inequality. This situation may lead to diminished workforce diversification and reduced socioeconomic mobility, ultimately impacting national development and perpetuating cycles of poverty .
The legal argument against Portaria MEC 209/2018 centers on its creation of obstacles such as financial and academic barriers beyond the foundational FIES law, potentially breaching the principle of legality and the constitutional right to education. Its enforcement implies a legal overreach by the Ministry, inhibiting access to higher education, particularly impacting low-income students, contrary to the law's intent. Such enforcement could invite legal challenges questioning its compatibility with both the constitution and the legislative scope defined by the FIES law .