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Número: 1011527-43.2023.4.01.3400: Mandado de Segurança - Lívia Suze

O documento descreve um pedido de mandado de segurança impetrado por Lívia Suze Veras Oliveira da Silva contra o Presidente do FNDE, a Secretária de Educação Superior e a Diretora-Presidente da Caixa Econômica Federal para garantir o acesso ao financiamento estudantil FIES. A autora preenche os requisitos legais para o programa, mas teve pedidos indeferidos devido a exigências infralegais das rés, o que viola seu direito à educação.

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Saulo Rios
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O documento descreve um pedido de mandado de segurança impetrado por Lívia Suze Veras Oliveira da Silva contra o Presidente do FNDE, a Secretária de Educação Superior e a Diretora-Presidente da Caixa Econômica Federal para garantir o acesso ao financiamento estudantil FIES. A autora preenche os requisitos legais para o programa, mas teve pedidos indeferidos devido a exigências infralegais das rés, o que viola seu direito à educação.

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Justiça Federal da 1ª Região

PJe - Processo Judicial Eletrônico

22/03/2023

Número: 1011527-43.2023.4.01.3400
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
Órgão julgador: 4ª Vara Federal Cível da SJDF
Última distribuição : 10/02/2023
Valor da causa: R$ 1.302,00
Assuntos: Fies
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LIVIA SUZE VERAS OLIVEIRA DA SILVA (IMPETRANTE) HYAGO ALVES VIANA (ADVOGADO)
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA
EDUCACAO (LITISCONSORTE)
SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO
DA EDUCAÇÃO (IMPETRADO)
UNIÃO FEDERAL (LITISCONSORTE)
Diretora-Presidente da Caixa Economica Federal
(IMPETRADO)
CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF (LITISCONSORTE) LEONARDO FALCAO RIBEIRO registrado(a) civilmente
como LEONARDO FALCAO RIBEIRO (ADVOGADO)
PRESIDENTE DO FUNDO NACIONAL DE
DESENVOLVIMENTO DA EDUCACAO (IMPETRADO)
Ministério Público Federal (Procuradoria) (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
14882 10/02/2023 11:46 mandado de segurança - Lívia Suze.docx Inicial
36863
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA ____
VARA FEDERAL CÍVEL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

LÍVIA SUZE VERAS OLIVEIRA DA SILVA, brasileira, portadora da Cédula


de Identidade/RG nº: 3.197.786 SSP/DF e inscrita no CPF nº 059.315.911-09, residente e
domiciliada na Rua Dr. Manoel de Almeida Belo, 1373, Apartamento 602, CEP: 53030-030,
vem à digna presença de Vossa Excelência, por seus procuradores infra-assinados (Doc. 1),
com fundamento na Lei nº 12.016 de 07 de agosto de 2009, impetrar o presente

MANDADO DE SEGURANÇA

COM PEDIDO LIMINAR

Em face de Fernanda Macedo Pacobahyba, PRESIDENTE DO FUNDO


NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE), Autarquia Federal,
pessoa jurídica de direito público interno, inscrita no CNPJ sob o n° 00.378.257/0001-81, com
sede no Setor Bancário Sul, Quadra 2, Bloco “F”, Brasília-DF, CEP: 70.070-929; Denise Pires
de Carvalho, SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR, endereço eletrônico
[email protected], departamento vinculado ao MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, órgão
público da UNIÃO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público interno, inscrita no CNPJ
sob o n 00.394.411/0001-09, por meio da Advocacia Geral da União, sediada no Setor de
Autarquias Sul, Quadra 03, Lote 5/6, Ed. Multi Brasil Corporate, Asa Sul, Brasília-DF, CEP
70.058-900; e Maria Rita Serrano, DIRETORA-PRESIDENTE DA CAIXA
ECONÔMICA FEDERAL, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n°
00.360.305/0001-04, com sede na Quadra 4, Lotes 3 e 4, Bloco A, Asa Sul, Brasília-DF, CEP:
70092-900, pelas seguintes razões de fato e direito:

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I - PRELIMINARMENTE:

I.1 - DA LEGITIMIDADE PASSIVA E DO CABIMENTO DO MANDADO DE


SEGURANÇA

A impetrante busca garantir direito líquido e certo a acesso do Financiamento


Estudantil - FIES, em razão do preenchimentos dos requisitos exigidos pela Lei de Regência
do Programa, afastando a incidência de normas regulamentares que criam exigências
contrárias a Hierarquia das Normas, ferindo o Direito Constitucional à educação e a Lei
10.260/01.

É patente a violação do direito que assiste à Impetrante, dando ensejo à utilização


do presente mandado de segurança, conforme disciplina da Lei nº 12.016/2009:

Art. 1º. Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e


certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que,
ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer
violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de
que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

Atendendo ao disposto no art. 113 do Código de Processo Civil (CPC), indica o


fundamento para a eleição do polo passivo. Nesse sentido, afirma a Lei 10.260/01:

Art. 3º A gestão do Fies caberá:

I - ao Ministério da Educação, na qualidade de:

a) formulador da política de oferta de vagas e de seleção de estudantes,


nos termos do que for aprovado pelo CG-Fies;

II - a instituição financeira pública federal, contratada na qualidade de


agente operador, na forma a ser regulamentada pelo Ministério da
Educação;

III - ao Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil (CG-Fies),


que terá sua composição, sua estrutura e sua competência instituídas e
regulamentadas por decreto, na qualidade de:

a) formulador da política de oferta de financiamento; (Incluída


pela Lei nº 13.530, de 2017)

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b) supervisor da execução das operações do Fies sob coordenação do
Ministério da Educação.

§ 9º As atribuições da Secretaria Executiva do CG-Fies serão exercidas pelo


FNDE.

Quanto ao Inciso II, relacionado aos contratos firmados após 2017, definiu o
FNDE responsabilidade de Agente Operador à Caixa Econômica Federal, conforme exposto
no sítio eletrônico do FNDE:

O que fundamenta a inclusão do Secretário de Educação Superior do


Ministério da Educação, do Presidente do FNDE e da Diretora-Presidente da Caixa
Econômica Federal, no polo passivo da presente.

II - DOS FATOS

Após intensa preparação, a Autora conseguiu ser aprovada no vestibular para o


curso de Medicina no Centro Universitário AESO, atualmente matriculada no 4º semestre,
mas por motivos financeiros, desde o ingresso no curso vem tentando acesso ao
Financiamento Estudantil (FIES) para conseguir realizar sua vida acadêmica.

Visando realizar o sonho da Impetrante, sua família fez o possível e o impossível


para adimplir o pagamento das mensalidades referentes aos primeiros semestres do curso, até
a venda do imóvel que o núcleo familiar da Impetrando residia, foi feita.

Ou seja, a família visando honrar o compromisso com graduação da Impetrante


Que os deixou em situação de evidente vulnerabilidade financeira, não podendo mais fazer
esse sacrifício mensal sem adquirirem dívidas que se tornarão impossíveis de adimplir à longo
prazo.

Ocorre que em 12/07/2001 fora instituído programa governamental pela Lei


10.260/01, consistente em financiamento a estudantes de cursos superiores, na

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modalidade presencial ou a distância, não gratuitos e com avaliação positiva nos processos
conduzidos pelo Ministério da Educação.

Cumpre destacar, que a Impetrante já foi pré-selecionada para receber o


financiamento em outra oportunidade, apresentou corretamente toda a documentação exigida,
entretanto, não recebeu qualquer resposta do MEC sobre a concessão do benefício
pleiteado.

Todavia, apesar de se enquadrar nos requisitos exigidos pela Lei do FIES e ter
sido pré-selecionada anteriormente, a Impetrante não consegue lograr êxito no ingresso no
Programa Governamental em virtude de exigências infralegais ilegais, mesmo diante da
existência de vagas.

A falta de resposta após a entrega de toda a documentação exigida caracteriza


omissão do órgão responsável ao descumprir a ordem cronológica de solicitações que
receberam a análise e concessão do benefício, visto que outros candidatos que formularam o
pedido em oportunidades posteriores à Impetrante já tiveram seu benefício concedido.

Ou seja, apesar de ocorrida a pré-seleção visto que atende às exigências do


programa, a Autora até o presente momento não teve seu direito alcançado, correndo o risco
de precisar abandonar sua graduação sem expectativa de retorno.

A conduta dos Impetrados desconstitui até mesmo a intenção dos Legisladores ao


elaborarem o Programa, pois desconsidera o caráter da política pública de maximizar o acesso
à educação superior, beneficiando ao final a própria sociedade, que terá mais profissionais
aptos ao desenvolvimento social, sendo medida de interesse público.

Com isto, deixa o Programa de atingir seus objetivos primordiais, limitando o acesso
de alunos e fazendo com que concorram inadequadamente entre si para ingresso em vaga
particular, ao qual continuarão com débitos após a conclusão do curso, não atingindo a função
social do FIES.

Tal concorrência para política pública é contrária aos objetivos do Estado de


Direito fundamentado na CRFB/88, indo de antemão ao direito à educação amplamente
encartado por dispositivos na Carta Magna.

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Além disso, como não bastasse, a concorrência ainda é dotada de enorme
disparidade entre o número de alunos para as vagas ofertadas via FIES, vez que turmas com
quase centenas de alunos possuem apenas 2 ou 3 vagas para o FIES.

Inegável que o FIES tem sido cada vez mais restringido, mediante diversas
inovações que buscam unicamente a dificultação do acesso ao Programa, vez que a educação,
como um todo, tem sido amplamente sucateada.

Injustificadamente, em contrassenso a lei do FIES, as portarias do MEC criam


OBSTÁCULOS ILEGAIS E DESARRAZOADOS, que restringem o acesso ao Programa, no
sentido contrário às determinações do mandamento constitucional e legal, normas
imediatamente superiores.

O sucateamento e a implantação de restrições ao FIES iniciaram-se em 2015, por


meio da Portaria MEC 21/2014, que acrescenta novos requisitos ao Programa, que antes era
de LIVRE ACESSO aos Estudantes, vez que não obtém qualquer vantagem em face da
Administração, tendo obrigação em devolver todos os valores com a devida correção,
mediante débito estudantil.

É nesse sentido que define a Portaria MEC 209 de 2018, impondo concorrência
entre candidatos mesmo diante da existências de vagas nas instituições:

Art. 38. Encerrado o período de inscrição, os estudantes serão classificados


em ordem decrescente de acordo com as notas obtidas no Enem, na opção
de vaga para a qual se inscreveram, na sequência a ser especificada em
Portaria Normativa a cada processo seletivo, nos termos do art. 1º, § 6º, da
Lei nº 10.260, de 2001.

§ 1º A nota de que trata o caput considerará a média aritmética das notas


obtidas nas provas do Enem em cuja edição o candidato tenha obtido a maior
média.

§ 2º No caso de notas idênticas, calculadas segundo o disposto no § 1º deste


artigo, o desempate entre os candidatos será determinado de acordo com a
ordem de critérios a ser especificada na Portaria Normativa do MEC.

As ilegalidades criadas pelas Portarias ‘’regulamentares’’, que na verdade


legislam, não param por aí. Define a Portaria MEC 209/2018 que para o Financiamento
Estudantil deve ser fornecida de valor correspondente ao dobro do custo da mensalidade:

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Art. 52. Entende-se por fiança convencional aquela prestada por até dois
fiadores apresentados pelo estudante ao agente financeiro, observadas as
seguintes condições:

II - nos demais casos, o(s) fiador(es) deverá (ão) possuir renda mensal bruta
conjunta pelo menos igual ao dobro da parcela mensal da semestralidade
financiada pelo Fies.

O intuito do FIES é justamente fomentar a educação através do acesso de


estudantes que não possuem o recurso financeiro necessário para tanto, efetivando o comando
constitucional da educação, o que se demonstra incompatível com exigência de fiança de alto
valor que dificilmente podem ser fornecidas pelas classes sociais mais vulneráveis.

A obrigação de observância do Estado ao Princípio da Hierarquia das Normas é


amplamente reconhecida por Este Egrégio Tribunal Federal, exempli gratia:

Cuida-se de agravo de instrumento interposto contra decisão proferida pelo


juízo da 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, nos autos
da ação ajuizada por ANA MAYANE DIAS DE FREITAS contra a União
Federal, a Caixa Econômica Federal e o Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação – FNDE, em que se busca a concessão de
provimento judicial, no sentido de que seja assegurado à suplicante o
direito ao financiamento estudantil, com recursos do Fundo de
Financiamento Estudantil – FIES, independentemente das restrições
impostas pelo Ministério da Educação, no ponto em que inibem a
participação de estudantes no aludido Programa, segundo a nota por
eles obtida no Exame Nacional de Cursos - ENEM.

(...)

Não obstante os fundamentos em que se amparou a decisão agravada, vejo


presentes, na espécie, os pressupostos do art. 1019, I, do CPC, a ensejar a
concessão da almejada antecipação da tutela recursal, notadamente em face
do seu caráter manifestamente precautivo e, por isso, compatível com a
tutela cautelar do agravo, manifestada nas letras e na inteligência do referido
dispositivo legal, de forma a possibilitar a formalização de novos contratos
de financiamento estudantil e assegurar, por conseguinte, o pleno acesso ao
ensino superior, como garantia fundamental assegurada em nossa
Constituição Federal, na determinação cogente e de eficácia imediata (CF,
art. 5º, § 1º), no sentido de que “a educação, direito de todos e dever do
Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (CF,
art. 205).

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Ademais, impende consignar que o mencionado Fundo de Financiamento ao
Estudante do Ensino Superior – FIES foi criado pela Lei nº 10.260/2001,
posteriormente modificada, que, em seu art. 1º, assim estabelece:

Por sua vez, estabelece o art. 15-D, caput, da referida Lei, com a redação
dada pela Lei nº 13.530-2017, que “é instituído, nos termos desta Lei, o
Programa de Financiamento Estudantil, destinado à concessão de
financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos, com
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação,
de acordo com regulamentação própria, e que também tratará das faixas de
renda abrangidas por essa modalidade do Fies”.

Da leitura dos dispositivos legais em referência, verifica-se que,


efetivamente, não se vislumbra, dentre as condições legalmente
estabelecidas, a exigência de que o aluno tenha sido submetido ao
Exame Nacional de Ensino Médio – ENEM, nem, tampouco, que tenha
obtido a média mínima exigida nos atos normativos hostilizados nos
presentes autos.

É bem verdade que o art. 3º da referida Lei nº 10.260/2011, estabelece que a


gestão do FIES caberá ao Ministério da Educação, que editará regulamento
dispondo sobre “as regras de seleção de estudantes a serem financiados,
devendo ser considerados a renda familiar per capita, proporcional ao valor
do encargo educacional do curso pretendido, e outros requisitos, bem como
as regras de oferta de vagas”.

De ver-se, porém, que, os tais “outros requisitos” a que se reporta o


dispositivo legal em referência, não podem extrapolar os limites
estabelecidos pela própria Lei de criação do FIES, como no caso, sob pena
de violação ao princípio da legalidade, segundo o qual, “ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”
(CF, art. 5º, inciso II), mormente em face da finalidade precípua do
financiamento estudantil em referência, que consiste em propiciar, sem
qualquer limitação, o livre acesso ao ensino superior, sintonizando-se, com o
exercício do direito constitucional à educação (CF, art. 205) e com a
expectativa de futuro retorno intelectual em proveito da nação, que há de
prevalecer sobre formalismos eventualmente inibidores e desestimuladores
do potencial científico daí decorrente.

***

Com estas considerações, defiro o pedido de antecipação da tutela


recursal formulado na inicial, para assegurar à autora o direito à
formalização do contrato de financiamento estudantil, com recursos do
FIES, relativamente ao curso superior em que se encontra matriculada,
independentemente das restrições descritas nos autos, até o pronunciamento
definitivo da Turma julgadora.

(TRF1. Agravo de Instrumento nº 1032210-53.2022.4.01.0000. 5ª Turma


Recursal, Relator Desembargador Federal Souza Prudente).

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ENSINO SUPERIOR. CONTRATO DE FINANCIAMENTO
ESTUDANTIL - FIES. LEGITIMIDADE DO FNDE. TRANSFERÊNCIA.
SITUAÇÃO DE FATO CONSOLIDADA.

1. Trata-se de apelação de sentença que deferiu segurança para transferência


do financiamento estudantil (FIES) do impetrante, do curso de Engenharia
Mecânica da Unidade de Ensino Superior da Bahia (UNIRB) para a
Universidade Salvador (UNIFACS). Considerou-se: a) a “UNIRB não
efetivou a validação da transferência de IES solicitada pelo impetrante sob
supostamente alegação de inadimplência e inoperância do SISFIES. Tal
conduta, em tese, viola o art. 6º, § 2º, da Lei 9.870/99”; b) “quanto à
inadimplência, essa não representa motivo a justificar a negativa de validade
dada transferência, devendo o débito ser cobrado pelas vias próprias”.

2. Cabe ao FNDE (agente operador do FIES) traçar o regramento geral para


a execução das parcelas vencidas e, ao agente financeiro, promover a
execução. Logo, o FNDE é parte legítima para figurar no polo passivo da
ação.

3. Nos termos do art. 6º da Lei n. 9.870/1999, ainda que em caso de


inadimplência do aluno, “são proibidas a suspensão de provas escolares, a
retenção de documentos escolares ou a aplicação de quaisquer outras
penalidades pedagógicas”. O § 2º desse dispositivo legal dispõe que “os
estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior deverão expedir, a
qualquer tempo, os documentos de transferência de seus alunos,
independentemente de sua adimplência ou da adoção de procedimentos
legais de cobranças judiciais”.

4. Além disso, foi deferida liminar em 11/09/2019, confirmada pela sentença.


Deve ser preservada a situação de fato, que se presume consolidada tendo
vista o decurso do tempo.

5. Negado provimento à apelação e ao reexame necessário.

(TRF1. Apelação/Rem. Necessária nº 1010368-16.2019.4.01.3300. 6ª Turma


Recursal, Relator Desembargador Federal João Batista Moreira).

Os recursos destinados ao FIES possuem restrições de ordem financeira e


orçamentária, não havendo ilegalidade na limitação de vagas disponibilizadas por
instituição de ensino superior (AC 1001510-87.2020.4.01.4002,
DESEMBARGADOR FEDERAL JOÃO BATISTA MOREIRA, TRF1 - SEXTA
TURMA, PJe 19/10/2021 PAG.; MS 19.571/DF, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/04/2013, DJe
16/08/2013).

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Ocorre, contudo, que o ENEM não é a única modalidade de acesso ao ensino
superior. A autora comprovou, pelo documento ID 916826172 já estar
matriculada no curso para o qual pretende o financiamento. Não é razoável
retrocede-la à fase de admissão ao ensino superior.

Defiro a antecipação da tutela e a gratuidade judiciária.

(SJDF. Processo nº 1006261-12.2022.4.01.3400. Juiz Federal Itagiba Catta Preta


Neto. 07/02/2022);

Não se desconhece que o Governo Federal oferta o ensino superior através de


universidades e institutos federais, todavia somente um seleto grupo consegue almejar o
sucesso nos concorridos processos seletivos, sobretudo aqueles que menos necessitam de
ensino gratuito: estudantes com enormes currículos de estudo privado, oriundo de elevadas
classes sociais.

Em tentativa de resolução da ineficácia e impossibilidade de ofertar diretamente o


acesso ao ensino superior a todos aqueles que fazem jus, a União delega o exercício da oferta
de educação a entidades particulares, que atuam em grande maioria como as verdadeiras
portas de entradas de classes menos favorecidas ao estudo superior.

Contudo, o que acontece na prática é que os estudantes são submetidos a enormes


mensalidades e reajustes semestralmente, restando ao destino de sua própria sorte.

Igualmente seletos também são os grupos que conseguem alcançar o PROUNI ou


FIES diretamente, já que dependem de um resultado excepcional durante todo o estudo
anterior, totalmente incompatível com a realidade do ensino público oferecido pelo Estado
Brasileiro durante a educação básica.

Aos que não se adequam às classes financeiras beneficiadas, como no caso da


Impetrante, resta uma verdadeira batalha de vida, utilizando de todas as maneiras que
encontram para superar os vícios do sistema educacional Brasileiro.

Até mesmo as vagas de financiamentos que são ofertados aos menos favorecidos,
acabam sendo preenchidas por aqueles mais prestigiados que tiveram a oportunidade de um
ensino de qualidade em colégios particulares.

A redução da atuação do FIES não é desconhecido pelas mídias sociais, e nem


mesmo pelo Poder Público, que recentemente divulgou dados que comprovam a menor
procura/oferta de vagas desde que as sucessivas alterações foram iniciadas em 2015:

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(...)

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Importa destacar que é a partir da vigência da Portaria 35/2014 que o número de
beneficiados FIES cai pela metade, número que segue em redução até a presente data.

Vossa Excelência, é de conhecimento notório que grande parte da Educação


superior do Brasil é ofertada por Instituições Privadas, tendo o próprio poder público criado
formas de acesso à educação por meio de programas como o FIES, que infelizmente como
exposto na presente tem sido desvirtuado, impedindo o acesso do autor que preenche os
requisitos exigidos, em contramão ao direito constitucionalmente estabelecido. A
jurisprudência também caminha de maneira favorável ao pleito Autoral:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. FINANCIAMENTO


ESTUDANTIL. FNDE. LEGITIMIDADE AD CAUSAM. DIREITO
FUNDAMENTAL À EDUCAÇÃO. PORTARIA NORMATIVA MEC
nº 13/2005.

1. O FNDE tem legitimidade ad causam para figurar no polo passivo


da demanda já que é agente operador do sistema de financiamento
estudantil - FIES, conforme artigo 3º, II, da Lei 10.260/2001. 2. A
questão diz respeito ao direito fundamental à educação, que, segundo
o artigo 205 da Constituição Federal, é direito de todos e dever do
Estado e da família, cuja implementação objetiva o desenvolvimento
da pessoa para a cidadania e para o trabalho, contribuindo para a
formação da dignidade dos indivíduos. É, portanto, um direito de
extrema importância, que deve ser interpretado de maneira ampla. 3.
Dada a importância deste e de outros direitos fundamentais, criou-se o
chamado princípio do não retrocesso social, pelo qual se impossibilita
a redução dos direitos sociais previstos na Constituição Federal ou
mesmo daqueles que tenham sido positivados em normas
infraconstitucionais. 4. Na década de 90 nossa Constituição começou a
sofrer ataques contra os direitos sociais, via emendas constitucionais e
medidas provisórias. No intuito de avaliar a concretização dos direitos
constitucionais e de defender as conquistas sociais surge o princípio
do não retrocesso. 5. No caso, a nova previsão normativa, contida na
Portaria Normativa do MEC nº 13/2005, impossibilitando ou
discriminando os estudantes que tenham ou não curso superior a fim
de restringir o acesso ao financiamento estudantil, a meu ver,
configura uma redução indevida ao direito anteriormente conquistado,
que ao fim e ao cabo visa concretizar o pleno acesso à educação. 6.
Pelo que se extrai dos autos, a autora, ora agravada, foi aprovada em
2º lugar para o curso de medicina na Universidade Anhembi
Morumbi, cuja mensalidade é de aproximadamente R$ 7.000,00, não
tendo condições financeiras de arcar com as despesas, conforme
comprova o documento de fl. 37, o que é suficiente à concessão do
financiamento estudantil. 7. Agravo de instrumento desprovido.
Agravo interno prejudicado. (TRF-3 - AI: 00113734720164030000
SP, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO

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CEDENHO, Data de Julgamento: 01/12/2016, TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:12/12/2016).

ADMINISTRATIVO. ENSINO SUPERIOR. FIES. SEGUNDO


FINANCIAMENTO ESTUDANTIL PARA NOVA GRADUAÇÃO.
POSSIBILIDADE PARA ALUNO ADIMPLENTE. LEI 13.366/2016
E LEI 12.102/2010. RESTRIÇÃO DE DIREITO POR ATO
ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS
SUCUMBENCIAL. 1. Configura afronta ao princípio da
legalidade a restrição de direito determinada por portaria, tendo
em vista a natureza infralegal do referido ato administrativo
normativo. 2. A Lei 13.366/2016, que alterou a Lei 10.260/2001,
veda a obtenção de novo financiamento concedido pelo FIES para
cobrir despesas com a segunda graduação a estudante inadimplente
quanto ao primeiro contrato. 3. Não estando comprovada nos autos a
inadimplência do estudante em relação ao contrato de financiamento
mantido anteriormente com o FIES, cabe determinar a celebração de
nova contratação com o programa para custear a segunda graduação
pretendida. 4. Apelação a que se dá provimento para determinar à
União e à instituição de ensino superior que formalize o contrato de
financiamento estudantil concedido pelo FIES, sem prejuízo da
ressalva legal que afasta nova contratação com estudante
inadimplente, com inversão do ônus da sucumbência.

(TRF-1 - AC: 00400506320154013400, Relator:


DESEMBARGADORA FEDERAL DANIELE MARANHÃO
COSTA, Data de Julgamento: 25/04/2018, QUINTA TURMA, Data
de Publicação: 14/05/2018.

Importa destacar: o que se requer não é que a sociedade arque diretamente com o
estudo da Impetrante, em prejuízo de outras políticas públicas, mas sim que se permita a
possibilidade de empréstimo devidamente definido em lei, mediante recursos já existentes
em fundo próprio para tanto, que serão devidamente devolvidos com as correções e juros
legais, fazendo cumprir o objetivo da política pública.

Isto é, não haverá qualquer prejuízo ao erário, bem como já existe previsão
orçamentária destinada ao benefício pleiteado, vez que anualmente consta no orçamento
nacional imensa soma destinada a política pública do Programa FIES, o qual não é utilizado
em sua integralidade em razão da constante existência de vagas ociosas após as alterações
ilegais iniciadas em 2015.

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Vossa Excelência, o requisito de nota mais alta que o último aprovado não é
exposto em momento algum pela Lei de Regência do FIES, instituidora e orientadora de todo
o programa, sendo meramente imposto por Portaria infralegal que caminha em sentido
contrário a sua norma superior, sendo dotada de total ilegalidade.

Por todo o exposto, por ser a educação direito constitucional, o qual


inegavelmente é negado pelos retrocessos causados pelas portarias do MEC, não resta outra
alternativa a não ser buscar amparo no Poder Judiciário para alcançar a necessária aquisição e
concretude de seu direito.

III - DO DIREITO:

III.1. DO PROGRAMA DE FINANCIAMENTO ESTUDANTIL (FIES)

O Financiamento Estudantil pleiteado é pautado no direito social à educação,


exposto na Constituição Cidadã, que afirma:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a


moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte
e o saber;

Além da expressa previsão, preocupou o Constituinte Originário em reafirmar o


compromisso em diversos outros pontos do Texto Maior, mediante competências concorrentes
e delegadas, além de benefícios fiscais. A Impetrante, por norma de eficácia plena da
Constituição Federal, tem DIREITO à liberdade de aprender.

No plano infralegal, traz a Lei de Diretrizes da Educação Nacional (Lei nº


9.394/1996):

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Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios
de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o
pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:


I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

Essa liberdade também inclui o ensino superior e deve ser acessível Ensinar
quantas vezes forem necessárias para o pleno exercício da cidadania e dignidade humana.

Buscando concretizar os mandamentos constitucionais e legais, elaborou o


Legislador a Lei 10.260/01, com o intuito de permitir ao estudante carente ou
temporariamente impossibilitado de custear sua educação, com o intuito de facilitar o seu
acesso ao ensino superior nas universidades particulares

Surgiu como importante medida para a facilitação do acesso à educação superior,


beneficiando, em finalíssima, a própria Sociedade, mediante a profissionalização da mão de
obra e possibilidades de maior desenvolvimento nacional igualitário.

Assim, muito embora possua natureza jurídica de FINANCIAMENTO, o FIES se


trata de concretização de direito à educação, e posterior pleno exercício do trabalho.

Vossa Excelência, não haverá qualquer prejuízo ao erário, pois os valores


despendidos a título de empréstimo serão devidamente adimplidos em fase contratual
própria, com valores atualizados e juros legais.

Em analogia, desde que preenchidos os requisitos, não pode o BNDES obstar o


acesso aos créditos disponíveis, também não pode o FIES negar acesso à educação, sob pena
de desvirtuação de todas as suas normas principiológicas.

Não pode o Estado se omitir diante da suposta Reserva do Possível, e ausência de


argumentos, pois já destina os necessários recursos em fundos próprios do programa, bem
como que o fornecimento da Educação é amparado pelo Mínimo Existencial. Sem esse
direito, não haveria uma vida plena com dignidade.

Pede-se vênia para frisar: O que se requer não é a desoneração dos custos
necessário ao seu estudo, mediante o pagamento da faculdade por toda a sociedade, mas sim
que seja possibilitado a chance de continuidade nos estudos através de empréstimo hábil

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amplamente definido em lei, sobretudo em razão das ilegais normas infralegais e reduzido
número de vagas.

Portanto, as regras existentes que limitam, excluem e discriminam a oferta


reduzida de oportunidades de acesso ao auxílio estudantil configuram violação injusta de
direitos constitucionalmente conquistados, afinal, o objetivo é alcançar a plena educação
social de maneira equânime, conforme elencam os Princípios da Universalidade,
Generalidade e Acesso à Educação.

Inegável o desenvolvimento do Programa no sentido de buscar a atuação e


aquisição de estudo superior pelo maior número de pessoas, desde que preenchidos os
requisitos legais, beneficiando os diversos setores da sociedade. Isto é, o FIES surgiu como
forma de dar efetividade ao direito à educação previsto no artigo 6º e 205º da Constituição
Federal, o que não pode ser obstado por normas infralegais.

III.2 - DA INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DAS MEDIDAS DO


MEC:

Desvirtuando-se dos princípios de criação do Programa e se afastando das tarefas


constitucionalmente atribuidas, tal qual exposto no tópico anterior, as Portarias do MEC que
restringem o acesso ao FIES implicam em enorme e desarrazoada concorrência para
pouquíssimas vagas, as quais pelas próprias limitações legais impostas, ano a ano possuem
grande número de vacância, tal qual dados do próprio Ministério da Educação.

A ineficácia e desproporcionalidade é notória. Excelentíssimo(a) Julgador(a), não


escolhe o estudante ingressar em faculdade privada, é obrigado pela reduzidíssima oferta de
vagas em Universidades Públicas, conhecidamente ocupadas em sua grande maioria por
estudantes socialmente privilegiados.

Aos demais, não resta escolha. São lançadas ao sistema privado sem qualquer
apoio dos Poderes Públicos, os quais dificilmente terão acesso ao Programa FIES, uma vez
que em virtude das exigências ilegais, é constante a vacância das vagas disponíveis, sendo
cada vez mais difícil o ingresso.

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Nas palavras do MM. Ministro Luís Roberto Barroso (O controle de
constitucionalidade no direito brasileiro: exposição sistemática da doutrina e análise crítica da
jurisprudência. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006.2006, p. 29):

“a inconstitucionalidade material expressa uma incompatibilidade de


conteúdo, substantiva entre a lei ou o ato normativo e a Constituição.
Pode traduzir-se no confronto com uma regra constitucional – e.g., a
fixação da remuneração de uma categoria de servidores públicos
acima do limite constitucional (art. 37, XI) – ou com um princípio
constitucional, como no caso de lei que restrinja ilegitimamente a
participação de candidatos em concurso público, em razão do sexo ou
idade (arts. 5º, caput, e 3º, IV), em desarmonia com o mandamento da
isonomia. O controle material de constitucionalidade pode ter como
parâmetro todas as categorias de normas constitucionais: de
organização, definidoras de direitos e programáticas.”

Em consonância, afirma o MM. Ministro Gilmar Mendes:

“É possível que o vício de inconstitucionalidade substancial


decorrente do excesso de poder legislativo constitua um dos mais
tormentosos temas do controle de constitucionalidade hodierno.
Cuida-se de aferir a compatibilidade da lei com os fins
constitucionalmente previstos ou de constatar a observância do
princípio da proporcionalidade, isto é, de se proceder à censura sobre a
adequação e a necessidade do ato legislativo”.
(In: BRANCO; COELHO; MENDES, 2010, p. 1172).

Vossa Excelência, as normas excludentes são inconstitucionais pois vedam o


cumprimento dos ditames da Carta Magna, amplamente expostos em seu texto:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da


família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos
Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e
exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva,
de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e
padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e
financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios;

Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração


decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação
em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e

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estratégias de implementação para assegurar a manutenção e
desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e
modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das
diferentes esferas federativas que conduzam a: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em
educação como proporção do produto interno bruto.

A Constituição Federal é clara ao definir pelo fomento do acesso universal à


educação, que não só é direito social, mas dever do Estado. Foi com o objetivo de cumprir
este dever que surgiu o FIES, hoje sucateado e com difícil acesso em razão de normas
infralegais.

Como bem ensinou Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Direito


Administrativo, 17ª edição, pág. 337):

“Se o regulamento não pode criar direitos ou restrições à liberdade,


propriedade e atividades dos indivíduos que á não estejam estabelecidos e
restringidos na lei, menos ainda poderão fazê-lo instruções, portarias ou
resoluções (...). Se o chefe do Poder Executivo não pode assenhorear-se
de funções legislativas nem recebê-las para isso por complacência
irregular do Poder Legislativo, menos ainda poderão outros órgãos ou
entidades da Administração direta ou indireta”.

Neste sentido, afirma a jurisprudência deste e de outros Tribunais:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 219


DO RITJAM. INFRINGÊNCIA AO CPC/2015 E À LEI N. 11.419/2006.
NORMA SECUNDÁRIA ESTADUAL SOBRE PROCEDIMENTO
AFASTADA. PREVALÊNCIA DE NORMA FEDERAL PROCESSUAL.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
I – Imperioso rejeitar a tese de nulidade e afastar o teor do artigo 219 do
RITJAM por ser contrário ao Código de Processo Civil e à Lei n.
11.419/2006;
II - Ressalte-se que não se está, de forma alguma, ignorando uma norma
processual válida (resolução), ocorre que o artigo 219 do RITJAM passou a
ser totalmente contrário às normas do Código de Processo Civil e da Lei n.
11.419/2006 (Lei de Processo Eletrônico), visto que aceitar a tese de
nulidade por composições distintas do recurso principal e dos embargos de
declaração inviabilizaria todo o sistema de julgamento virtual e traria
prejuízos demasiados à celeridade e a razoável duração do processo.
Impossível aceitar que uma norma secundária viole leis federais;
III – Embargos de Declaração desprovidos.

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TJ-MG. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Nº 0001861-04.2021.8.04.0000.
TERCEIRA CÂMARA CÍVEL.
Desembargador João de Jesus Abdala Simões. Julgado em 21 de julho de
2021.

PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CÓDIGO DE


MINERAÇÃO. PORTARIA 13/97. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA
HIERARQUIA DAS NORMAS. SENTENÇA CONFIRMADA.
1. Portaria do DNPM não pode impor sanção e definir infração,
ampliando o conteúdo normativo de Decreto-Lei que lhe é
hierarquicamente superior.
2. Nulidade do auto de infração que impôs multa com base em Portaria que
criou obrigação acessória não prevista na lei e fixou penalidade.
3. Sentença confirmada. 4. Remessa oficial improvida.
(TRF- 1 – REOMS: 11936 GO 1999.35.00.011936-5, Relator:
DESEMBARGADOR FEDERAL ANTÔNIO EZEQUIEL DA SILVA, Data
de Julgamento: 24/01/2006, SÉTIMA TURMA, Data de Publicação:
17/02/2006 DJ p.51)

É fato que a portaria MEC 38, de janeiro de 2021, limita o acesso ao FIES com
base em classificação aritmética sem respaldo jurídico, mediante concorrência com alunos
anteriormente aprovados:

Art. 17. Encerrado o período de inscrição, em cumprimento ao disposto no §


6º do art. 1º da Lei nº 10.260, de 2001, e os limites de vagas, os candidatos
serão classificados nos termos informados no Edital SESu, observada a
seguinte sequência:

(...) Art. 18. O candidato será pré-selecionado na ordem de sua classificação,


nos termos do art. 17, observado o limite de vagas disponíveis, conforme as
definições, os procedimentos e os prazos previstos no Edital SESu.

Os critérios para a classificação seriam:

2. DA CLASSIFICAÇÃO 2.1. Observadas as opções realizadas na inscrição


e os limites de vagas por grupo de preferência por curso/turno/local de
oferta/IES, os CANDIDATOS serão classificados e pré-selecionados no Fies,
na ordem decrescente de acordo com as notas obtidas no Enem, no grupo de
preferência para o qual se inscreveram, atendida a prioridade indicada entre
as 3 (três) opções de curso/turno/local de oferta/IES escolhidas, observada a
sequência disposta no § 6º do art. 1º da Lei nº 10.260, de 2001: (...) 2.1.1. A
nota de que trata o subitem 2.1 será igual à média aritmética das notas
obtidas nas cinco provas do Enem em cuja edição o CANDIDATO tenha
obtido a maior média.

As ilegalidades seguem na Portaria MEC 209 de 2018, impondo concorrência


entre candidatos mesmo diante da existências de vagas nas instituições:

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Art. 38. Encerrado o período de inscrição, os estudantes serão classificados
em ordem decrescente de acordo com as notas obtidas no Enem, na opção
de vaga para a qual se inscreveram, na sequência a ser especificada em
Portaria Normativa a cada processo seletivo, nos termos do art. 1º, § 6º, da
Lei nº 10.260, de 2001.

§ 1º A nota de que trata o caput considerará a média aritmética das notas


obtidas nas provas do Enem em cuja edição o candidato tenha obtido a maior
média.

§ 2º No caso de notas idênticas, calculadas segundo o disposto no § 1º deste


artigo, o desempate entre os candidatos será determinado de acordo com a
ordem de critérios a ser especificada na Portaria Normativa do MEC.

Ainda, define a citada Portaria que para o Financiamento Estudantil deve ser
fornecida de valor correspondente ao dobro do custo da mensalidade:

Art. 52. Entende-se por fiança convencional aquela prestada por até dois
fiadores apresentados pelo estudante ao agente financeiro, observadas as
seguintes condições:

II - nos demais casos, o(s) fiador(es) deverá (ão) possuir renda mensal bruta
conjunta pelo menos igual ao dobro da parcela mensal da semestralidade
financiada pelo Fies.

Tais alterações iniciaram-se por meio da Portaria MEC 21 de 2014, que passou a
vigorar em 2015 (ano em que há redução de quase 50% dos ingressantes no FIES, conforme
retro exposto - Doc. 12):

Art. 19. Para fins de solicitação de financiamento ao Fies serão exigidas do


estudante concluinte do ensino médio a partir do ano letivo de 2010: I -
média aritmética das notas obtidas nas provas do Enem igual ou superior a
quatrocentos e cinquenta pontos; e II - nota na redação do Enem diferente de
zero.

Excelência, não poderia uma norma infralegal criar uma condição restritiva a
direito constitucionalmente previsto. NÃO EXISTE na Lei do FIES qualquer exigência de
atendimento a nota de candidato anterior, e caso estivesse, seria manifestamente ilegal. Tal
condição advém única e exclusivamente de Portaria Ministerial, norma administrativa
infralegal, que não pode inovar restritivamente na ordem jurídica, tal qual exposto pela
hierarquia das normas.

O retrocesso social que tem sido realizado pelo poder público no âmbito da
educação é inegável, indo em contrário aos princípios do Estado Democrático de Direito:

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“... quer dizer-se que os direitos sociais e econômicos (ex.: direito dos
trabalhadores, direito à assistência, direito à educação), uma vez
obtido um determinado grau de realização, passam a constituir
simultaneamente, uma garantia institucional e um direito subjetivo. A
“proibição do retrocesso social” nada pode fazer contra as recessões e
crises econômicas (reversibilidade fática), mas o princípio em análise
limita a reversibilidade dos direitos adquiridos, em clara violação do
princípio da proteção da confiança e da segurança dos cidadãos no
âmbito econômico, social e cultural e do núcleo essencial da
existência mínima inerente ao respeito pela dignidade da pessoa
humana.” (CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito constitucional e teoria
da constituição. 7ª ed., 11 reimp. p. 338 e 339).

A aplicação da proporcionalidade e outros princípios constitucionais não é alheia


ao ordenamento jurídico. A Carta Magna é clara ao definir que o acesso igualitário à educação
é direito de todos, enfrentando intenso retrocesso pelos gestores do Programa FIES por meio
de Portaria Infralegais, ficando os estudantes de baixa renda nas margens do ensino superior e
obtenção de graduação.

IV - DA TUTELA ANTECIPADA

Sabe-se que o art. 7º, III, da Lei n.º 12.016/09 prevê a possibilidade de concessão
de medida liminar em sede de mandado de segurança quando sejam relevantes os
fundamentos da impetração (fumus boni iuris) e do ato impugnado puder resultar a ineficácia
da ordem judicial, se concedida ao final (periculum in mora).

No presente caso, pugna-se pelo deferimento da tutela pleiteada, eis que presentes
ambos os requisitos autorizadores.

O fumus boni iuris está fartamente demonstrado nas razões, especialmente


porque demonstrado aprovação da Impetrante em vestibular e sua matrícula, com garantia de
ampla concorrência, no sonhado curso, o qual, tem tido seu direito de manutenção do acesso
ao ensino superior obstado pela nota de corte exigida para a concessão do FIES de forma
administrativa, conforme comprovam documentos em anexo.

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O periculum in mora, por igual, é evidente, haja vista que a Impetrante não
poderá realizar seus estudos por outro meio que não seja o Financiamento Estudantil, frente a
inexistência de recursos, bem como que o próximo período de estudos está em iminência de
início, o que lhe causa patente angústia e desespero.

Neste sentido, a DD. Raquel Soares Chiarelli, Juíza Titular da 13ª Vara Federal da
Seção Judiciária do Distrito Federal, em atenção ao entendimento do DD Desembargador
Souza Prudente do Eg. TRF1, proferiu a seguinte decisão:

DECISÃO
Trata-se de mandado de segurança em que se pleiteia o direito de obter a
concessão de financiamento estudantil (FIES) sem a necessidade de se
respeitar a exigência da nota mínima no ENEM calculada para o curso
escolhido, conforme estabelecido nos atos administrativos que regulamentam
o art. 3ª, §3º, I, da Lei nº 10.260/01.
Alega a impetrante que cumpre os requisitos necessários para inscrição no
processo seletivo (nota mínima de 450 pontos no ENEM, nota na prova de
redação superior à zero e renda familiar mensal bruta per capita de até três
salários mínimos), mas não consegue classificação dentro do número de
vagas ofertadas para a IES demandada em razão da imposição de nota de
corte baseada na média aritmética das notas obtidas nas provas do ENEM.
Sustenta que essa exigência extrapola o poder regulamentar conferido pela
Lei 10.260/01 e que, portanto, viola o seu direito de acesso ao ensino público
superior.
Ressalvado o entendimento desta signatária no sentido da legitimidade do
ato impugnado, - fundamentado não apenas na expressa delegação contida
na Lei 10.260/01, mas especialmente considerada a natureza discricionária
do planejamento orçamentário, que decorre da limitação dos recursos
públicos para atendimento integral de todas as demandas e necessidades
sociais -, não se pode deixar de reconhecer que a tese defendida na inicial se
orienta no mesmo sentido da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da
1ª Região, de modo que, diante da política de valorização da verticalização e
uniformidade dos julgamentos adotada no plano gerencial e incorporada ao
sistema normativo processual, assim como para garantir a isonomia de
tratamento dos estudantes em idêntica situação, outra alternativa não resta a
não ser estender à impetrante a medida deferida pelo Tribunal ad quem,
como exemplifica a seguinte decisão, proferida pelo Desembargador Federal
Souza Prudente nos autos do AI 1037522-10.2022.4.01.0000:
"(...). Não obstante os fundamentos em que se amparou a decisão agravada,
vejo presentes, na espécie, os pressupostos do art. 1019, I, do CPC, a
ensejar a concessão da almejada antecipação da tutela recursal,
notadamente em face do seu caráter manifestamente precautivo e, por isso,
compatível com a tutela cautelar do agravo, manifestada nas letras e na
inteligência do referido dispositivo legal, de forma a possibilitar a

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formalização de novos contratos de financiamento estudantil e assegurar,
por conseguinte, o pleno acesso ao ensino superior, como garantia
fundamental assegurada em nossa Constituição Federal, na determinação
cogente e de eficácia imediata (CF, art. 5º, § 1º), no sentido de que “a
educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho” (CF, art. 205).
Ademais, impende consignar que o mencionado Fundo de Financiamento ao
Estudante do Ensino Superior – FIES foi criado pela Lei nº 10.260/2001,
posteriormente modificada, que, em seu art. 1º, assim estabelece:
Art.1º É instituído, nos termos desta Lei, o Fundo de Financiamento
Estudantil (Fies), de natureza contábil, vinculado ao Ministério da
Educação, destinado à concessão de financiamento a estudantes de cursos
superiores, na modalidade presencial ou a distância, não gratuitos e com
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério, de acordo com
regulamentação própria.
§ 1º O financiamento de que trata o caput deste artigo poderá beneficiar
estudantes matriculados em cursos da educação profissional, técnica e
tecnológica, e em programas de mestrado e doutorado com avaliação
positiva, desde que haja disponibilidade de recursos, nos termos do que for
aprovado pelo Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil
(CG-Fies)
(...)
§ 6º O financiamento com recursos do Fies será destinado prioritariamente
a estudantes que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido
beneficiados pelo financiamento estudantil, vedada a concessão de novo
financiamento a estudante em período de utilização de financiamento pelo
Fies ou que não tenha quitado financiamento anterior pelo Fies ou pelo
Programa de Crédito Educativo, de que trata a Lei no 8.436, de 25 de junho
de 1992.
Por sua vez, estabelece o art. 15-D, caput, da referida Lei, com a redação
dada pela Lei nº 13.530-2017, que “é instituído, nos termos desta Lei, o
Programa de Financiamento Estudantil, destinado à concessão de
financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos, com
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação,
de acordo com regulamentação própria, e que também tratará das faixas de
renda abrangidas por essa modalidade do Fies”.
Da leitura dos dispositivos legais em referência, verifica-se que,
efetivamente, não se vislumbra, dentre as condições legalmente
estabelecidas, a exigência de que o aluno tenha sido submetido ao Exame
Nacional de Ensino Médio – ENEM, nem, tampouco, que tenha obtido a
média mínima exigida nos atos normativos hostilizados nos presentes autos.
É bem verdade que o art. 3º da referida Lei nº 10.260/2011, estabelece que a
gestão do FIES caberá ao Ministério da Educação, que editará regulamento
dispondo sobre “as regras de seleção de estudantes a serem financiados,
devendo ser considerados a renda familiar per capita, proporcional ao valor

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do encargo educacional do curso pretendido, e outros requisitos, bem como
as regras de oferta de vagas”.
De ver-se, porém, que, os tais “outros requisitos” a que se reporta o
dispositivo legal em referência, não podem extrapolar os limites
estabelecidos pela própria Lei de criação do FIES, como no caso, sob pena
de violação ao princípio da legalidade, segundo o qual, “ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”
(CF, art. 5º, inciso II), mormente em face da finalidade precípua do
financiamento estudantil em referência, que consiste em propiciar, sem
qualquer limitação, o livre acesso ao ensino superior, sintonizando-se, com o
exercício do direito constitucional à educação (CF, art. 205) e com a
expectativa de futuro retorno intelectual em proveito da nação, que há de
prevalecer sobre formalismos eventualmente inibidores e desestimuladores
do potencial científico daí decorrente.
Com estas considerações, defiro o pedido de antecipação da tutela recursal
formulado na inicial, para assegurar à parte demandante o direito à
formalização do contrato de financiamento estudantil, com recursos do
FIES, relativamente ao curso superior em que se encontra matriculada,
independentemente das restrições descritas nos autos, até o pronunciamento
definitivo da Turma julgadora."
Sendo esse o contexto dos autos, CONCEDO A LIMINAR requerida
para assegurar à parte autora o direito à concessão do financiamento
estudantil, com recursos do FIES, sem a imposição de nota de corte
baseada na média aritmética das notas obtidas no ENEM, desde que
atendidos os demais requisitos, a serem comprovados
administrativamente.
Intimem-se, para ciência e cumprimento da presente decisão.
Após, diante a natureza estrutural da demanda, considerado tanto o seu
impacto social quanto para a regularidade do serviço da justiça, remetam-se
ao núcleo de Conciliação, a fim de que seja buscada uma solução
institucional pacificadora para o conflito.
Cumpra-se. (MSCiv 1009118-94.2023.4.01.3400)

Cumpre frisar que a concessão da tutela emergencial é medida que se impõe, visto
que as atividades acadêmicas retornaram ao início do mês de fevereiro de 2023.

Portanto, se torna imperativo que seja determinado aos Impetrados que concedam
o Financiamento Estudantil para o curso de medicina da Impetrante.

V - DOS PEDIDOS E SUAS ESPECIFICAÇÕES

A) Seja concedida Tutela de Urgência, inaudita altera pars, a fim de determinar aos
Impetrados que concedam o Financiamento Estudantil (FIES) a Autora por todo o

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período restante do curso de Medicina, disponibilizando os meios hábeis para o
procedimento de aquisição do Financiamento Estudantil no curso de Medicina, afastando
as disposições ilegais das Portarias Regulamentares, nos termos do artigo 300 e seguintes do
Código processual, sob pena multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) em caso de
descumprimento da ordem judicial;

B) A notificação das autoridades coatoras, nos termos do artigo 7º, inciso I, da Lei nº
12.016/2009, para prestar informações no prazo legal;

D) A oitiva do ilustre representante do Ministério Público Federal, nos termos do artigo 12, da
Lei nº 12.016/2009;

E) Ao final, seja JULGADA PROCEDENTE A PRESENTE DEMANDA EM TODOS OS


SEUS TERMOS, CONDENANDO os Impetrados, bem como seus representantes legais, e
reconhecendo o direito da Impetrante ao Financiamento Estudantil FIES, e determinando que
procedam todos os procedimentos necessários para implementar o acesso ao FIES no curso de
Medicina do Autor.

F) Caso este juízo não entenda pela concessão imediata do benefício, SUBSIDIARIAMENTE
REQUER, seja garantido o direito ao acesso ao FIES tendo em vista a seleção nos termos do
doc X e aguarda a formalização do contrato desde Março de 2022.

Dá-se a causa o valor de R$ 1.302,00 (mil, trezentos e dois reais)

Nestes termos, pede deferimento.

Termos em que,
Pede deferimento.

Brasília – DF, 09 de fevereiro de 2023..

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Hyago Alves Viana
OAB/DF 49.122

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Common questions

Com tecnologia de IA

The challenged FIES regulations potentially infringe on several constitutional principles, including the right to education as a fundamental right (CF, art. 205), the principle of legality, and the tenet that no law can obligate actions unless stipulated by legislation. The imposition of conditions like ENEM scores and financial guarantees without proper legislative backing violates these constitutional protections, as they do not align with the intended inclusive nature of educational rights .

The main legal obstacles identified include the requirements introduced by Portaria MEC 21/2014 and Portaria MEC 209/2018, such as the need for high-value guarantees and a competitive selection process based on ENEM scores. These impede free access to FIES by adding financial and academic barriers, which conflict with the constitutional mandate to promote education and the principle of hierarchy of norms, as they extend beyond what is outlined in the Fies creation law (Lei nº 10.260, de 2001).

Current FIES regulations, as defined by Portarias such as MEC 209/2018, violate the principle of legality by imposing conditions not found in the foundational FIES law (Lei nº 10.260/2001), such as average scores from the ENEM and high financial guarantees. These infralegal standards exceed the legally established scope, infringing the requirement that no obligations can be enforced without corresponding legal support, a breach of Brazil's constitutional provision that the law should not require actions or compliance without legal basis .

The principle of the hierarchy of norms dictates that regulations made by a lower authority cannot override or add stipulations to laws made by a superior authority. Portaria MEC 209/2018, by introducing conditions such as those based on ENEM scores and financial guarantees for FIES, potentially violates this principle as these conditions are not supported by the fundamental law (Lei nº 10.260, de 2001), making the regulations susceptible to being declared null and void for overstepping legal bounds .

The FIES restrictions introduced since 2014 illustrate a shift towards more exclusionary educational policies, marked by increased emphasis on ENEM scores and financial capacity of applicants. Justifications provided revolve around funding limitations and efficiency in resource allocation, yet critics argue these measures contravene the program's constitutional goal of expanding access to education for all, compounding socioeconomic disparities instead .

The principle of non-retrogression is crucial in evaluating FIES program changes as it seeks to prohibit the regression of social rights once achieved. The sources argue that recent FIES restrictions represent a backward step in educational accessibility, violating the principle by eroding progress towards inclusive higher education access. It underscores the incompatibility of new policies with constitutional mandates ensuring equitable and universal educational opportunities .

The rationale for financial guarantees, specifically a guarantor with a monthly income twice the cost of the financed semester, aims to secure the repayment of loans given by FIES. This requirement is problematic because it effectively excludes students from lower socioeconomic backgrounds who lack access to such guarantors, thus contradicting the constitutional intent of FIES to democratize access to higher education .

The restrictions imposed by the FIES program, such as competitive ENEM-based selections and financial guarantees requirements, undermine social equity by disproportionately affecting students from underprivileged backgrounds, thus restricting their access to higher education. These constraints counteract the fundamental constitutional principle meant to ensure educational access as a universal right and exacerbate social and educational disparities instead of reducing them, thus reflecting a significant social regression .

If the restrictive measures in the FIES program, such as stringent ENEM score requirements and high-income guarantors, persist, the likely social consequences include a widening gap in educational attainment between socioeconomic classes, further marginalization of impoverished groups, and a potential increase in socio-economic inequality. This situation may lead to diminished workforce diversification and reduced socioeconomic mobility, ultimately impacting national development and perpetuating cycles of poverty .

The legal argument against Portaria MEC 209/2018 centers on its creation of obstacles such as financial and academic barriers beyond the foundational FIES law, potentially breaching the principle of legality and the constitutional right to education. Its enforcement implies a legal overreach by the Ministry, inhibiting access to higher education, particularly impacting low-income students, contrary to the law's intent. Such enforcement could invite legal challenges questioning its compatibility with both the constitution and the legislative scope defined by the FIES law .

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