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A Linguagem Poética e sua Origem

O texto apresenta um poema de Gabriel, o Pensador que reflete sobre a violência no Rio de Janeiro, onde tiroteios fecham avenidas e crianças são atingidas por balas, transformando-as em estatísticas. O poeta lamenta que valores tenham sido invertidos na sociedade, onde o desonesto é visto como "malandro" e crianças também querem ser bandidas.

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A Linguagem Poética e sua Origem

O texto apresenta um poema de Gabriel, o Pensador que reflete sobre a violência no Rio de Janeiro, onde tiroteios fecham avenidas e crianças são atingidas por balas, transformando-as em estatísticas. O poeta lamenta que valores tenham sido invertidos na sociedade, onde o desonesto é visto como "malandro" e crianças também querem ser bandidas.

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Introdução

à literatura - 1

Questão 1

(FUVEST 2020)

TEXTOS PARA AS QUESTÕES DE 33 A 35

Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante,
cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem‐nos na teia de sua linguagem, a que devemo poder de apelo estético que nos
enleia; seduz‐nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...). No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência,
ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri‐lo, sentindo‐o e pensando‐o de maneira diferente e nova. A ilusão,
a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o; e aclara‐o já pelo insight que em nós provocou.

Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel.

O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando‐se,
traindo‐se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. Graciliano Ramos, Angústia. Romance desagradável,
abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante.

Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro Angústia. 33

O argumento de Benedito Nunes, em torno da natureza artística da literatura, leva a considerar que a obra só assume função transformadora se

a) estabelece um contraponto entre a fantasia e o mundo.

b) utiliza a linguagem para informar sobre o mundo.

c) instiga no leitor uma atitude reflexiva diante do mundo.

d) oferece ao leitor uma compensação anestesiante do mundo.

e) conduz o leitor a ignorar o mundo real.

Questão 2

SOBRE A ORIGEM DA POESIA

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.

Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não poético, já que, restituindo laços mais
íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua
ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas [...]

No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com elas. A linguagem poética
inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo [...]

Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a
criação se dasapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto de referencialidade.

ARNALDO ANTUNES.

O texto revela uma percepção da linguagem poética. Com base na leitura do texto e em seus conhecimentos, assinale a afirmativa incorreta:

a) A linguagem poética obedece a uma própria temporalidade, desatrelada do pragmatismo.

b) A possibilidade de estranhamento porvocada pela linguagem é uma das características do discurso poético.

c) A função primordial da poesia é a expressão de sentimentos e sensações através da língua.

d) A poesia se distancia da referencialidade por alcançar outros planos de significação.

e) O discurso poético carrega a potencialidade transformação da forma de acesso às formas e mensagens do mundo.

f) Não sei.

Questão 3

(Fuvest 2017)

Nasceu o dia e expirou.


Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da
mãe ausente.
Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos;
aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores.
Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a
virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

José de Alencar, Iracema.

É correto afirmar que, no texto, o narrador

a) prioriza a ordem direta da frase, como se pode verificar nos dois primeiros parágrafos do texto.

b) usa o verbo “correr” (2º parágrafo) com a mesma acepção que se verifica na frase “Travam das armas os rápidos guerreiros, e correm ao campo” (também
extraída do romance Iracema).

c) recorre à adjetivação de caráter objetivo para tornar a cena mais real.


d) emprega, a partir do segundo parágrafo, o presente do indicativo, visando dar maior vivacidade aos fatos narrados, aproximando-os do leitor.

e) atribui, nos trechos “aqui lhe sorri” e “lhe entram n’alma”, valor possessivo ao pronome “lhe”.

f) Não sei.

Questão 4

(AFA - 2016)

FAVELÁRIO NACIONAL

Carlos Drummond de Andrade

Quem sou eu para te cantar, favela,

Que cantas em mim e para ninguém

a noite inteira de sexta-feira

e a noite inteira de sábado

E nos desconheces, como igualmente não te

conhecemos?

Sei apenas do teu mau cheiro:

Baixou em mim na viração,

direto, rápido, telegrama nasal

anunciando morte... melhor, tua vida.

...

Aqui só vive gente, bicho nenhum

tem essa coragem.

...

Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,

Medo só de te sentir, encravada

Favela, erisipela, mal-do-monte

Na coxa flava do Rio de Janeiro.

Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver

nem de tua manha nem de teu olhar.

Medo de que sintas como sou culpado

e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.

Custa ser irmão,

custa abandonar nossos privilégios

e traçar a planta

da justa igualdade.

Somos desiguais

e queremos ser

sempre desiguais.

E queremos ser

bonzinhos benévolos

comedidamente

sociologicamente

mui bem comportados.

Mas, favela, ciao,

que este nosso papo

está ficando tão desagradável.

vês que perdi o tom e a empáfia do começo?

...

(ANDRADE, Carlos Drummond de, Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984)

Os versos que resumem o real motivo do sentimento do eu-lírico em relação à “favela” são:

a) “Medo de que sintas como sou culpado”


b) “Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,”

c) “Medo só de te sentir, encravada / Na coxa flava do Rio de Janeiro”

d) “Sei apenas do teu mau cheiro:”

e) Não sei.

Questão 5

[ITA - 1ª FASE - 2015]

O poema abaixo, de Alice Ruiz, faz parte do livro Jardim de Haijin.

No texto, NÃO há

a) sentimento de amor pela natureza, exacerbado e de raiz romântica.

b) emoção estética despertada pela vegetação naquele que passeia.

c) descrição de parte da flora que integra o parque do Ibirapuera.

d) surpresa, durante o passeio pelo parque, causada por uma beleza inesperada.

e) referência a um local específico, o parque situado na cidade de São Paulo.

f) Não sei.

Questão 6

(AFA - 2019)

TEXTO II

Gabriel,
o Pensador

Que tiro foi esse?

Não, não vou cair no chão, pelo menos agora

Eu também sou brincalhão, mas brincadeira tem hora

Lá fora, no meu Rio, cada vez mais gente chora

E cada vez mais gente boa tem vontade de ir embora

O Rio que a gente adora comemora o carnaval

E a violência apavora, ou você acha normal?

A boca que explode, o silêncio do medo

O suspiro da morte banal

O lamento de um povo que implora

Por uma vitória do bem sobre o mal

Atenção: confusão, invasão

Tiroteio fechando a avenida outra vez

Muita bala voando e acertando

Até mesmo as crianças; às vezes, bebês

Criança, meu irmão, não é estatística, é gente

(...)

E os valores são invertidos

Se o desonesto é malandro

O menor também quer ser bandido

Alguns, né, a minoria.

(...)

A mãe desmaiou no enterro

Você não desmaiaria?

Que força você teria pra enterrar o seu garoto?

Que forças ainda temos

Pra nos amar uns aos outros?

E nos armar de indignação por justiça e educação

(...)

Pra que essas crianças não tenham morrido em vão


Sofia, Maria Eduarda, Caíque, Fernanda

Arthur, Paulo Henrique, Renan

Eduardo, Vanessa, Vitor

Esses foram ano passado

Quem será que vai ser amanhã?

(https://genius.com/13846436. Acesso em 24 de fevereiro 2018)

Observa-se, na canção de Gabriel, o Pensador, o uso de linguagem oral, a utilização de rimas e interpelação ao leitor. Todos esses três elementos NÃO estão
presentes somente em

a) “Que força você teria pra enterrar o seu garoto? / Que forças ainda temos? / Pra nos amar uns aos outros?”

b) “Por uma vitória do bem sobre o mal / Atenção: confusão, invasão / Tiroteio fechando a avenida outra vez”

c) “E cada vez mais gente boa tem vontade de ir embora / O Rio que a gente adora comemora o carnaval / E a violência apavora, ou você acha normal?”

d) “E os valores são invertidos / Se o desonesto é malandro / O menor também quer ser bandido / Alguns, né, a minoria.”

Questão 7

(UFU - 2016 - 1ª FASE)


DIONISOS DENDRITES

Seu olhar verde penetra a Noite entre tochas acesas

Ramos nascem de seu peito

Pés percutem a pedra enegrecida

Cantos ecoam tambores gritos mantos desatados.

Acorre o vento ao círculo demente

O vinho espuma nas taças incendiadas.

Acena o deus ao bando: Mar de alvos braços

Seios rompendo as túnicas gargantas dilatadas

E o vaticínio do tumulto à Noite –

Chegada do inverno aos lares

Fim de guerra em campos estrangeiros.

As bocas mordem colos e flancos desnudados:

À sombra mergulham faces convulsivas

Corpos se avizinham à vida fria dos valados

Trêmulas tíades presas ao peito de Dionisos trácio.

Sussurra a Noite e os risos de ébrios dançarinos

Mergulham no vórtice da festa consagrada.

E quando o Sol o ingênuo olhar acende

Um secreto murmúrio ata num só feixe

O louro trigo nascido das encostas.

SILVA, Dora Ferreira da. Hídrias. São Paulo: Odysseus, 2004. p. 42-43.

Considerando a leitura do poema e o uso dos recursos expressivos, em Dionisos Dendrites,

a) a aliteração no verso “Pés percutem a pedra enegrecida” indica um som reproduzido como o dos tambores do verso subsequente.

b) a gradação em ‘bocas’, ‘faces’ e ‘corpos’, nos três primeiros versos da 3ª estrofe, aponta para a opulência do ritual.

c) a metonímia em “seu olhar verde penetra a Noite entre tochas acesas” revela o embate estabelecido entre a vida e a morte.

d) a metáfora em ‘taças incendiadas’, no verso “o vinho espuma nas taças incendiadas”, denota o sentimento de enfado dos presentes em relação ao ritual.

Questão 8

(EsPCEx - 2020)

"Esses gerais sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda parte"

O fragmento acima, de Guimarães Rosa, marca

a) os limites do regional.

b) o determinismo do meio.
c) o sertão universal.

d) o sertanejo e sua cor local.

e) sofrimento regional.

Questão 9

(UNICAMP 2020) O poema abaixo vem impresso na orelha do livro Psia, de Arnaldo Antunes.

Psia é feminino

de psiu;

que serve para chamar a atenção

de alguém, ou para pedir

silêncio.

Eu berro as palavras

no microfone

da mesma maneira com que

as desenho, com cuidado,

na página.

Para transformá-las em coisas,

em vez de substituírem

as coisas.

Calos na língua; de calar.

Alguma coisa entre a piscina e a pia.

Um hiato a menos.

(Arnaldo Antunes, Psia. São Paulo: Iluminuras 2012.)

Na orelha do livro, Antunes apresenta ao leitor seu processo de criação poética. É correto dizer que o autor se propõe a

a) revelar a primazia da comunicação oral sobre a escrita das palavras.

b) discutir a flexão de gênero, que torna a palavra “psia” um substantivo.

c) defender a conversão das palavras em coisas, mudando seu estatuto.

d) explorar o poder de representação da interjeição exclamativa “psiu!”.

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