UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE
FACULDADE DE VETERINÁRIA
DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO ANIMAL
SAÚDE E PRODUÇÃO DE AVES
PROJECTO DE PRODUÇÃO DE OVOS NO DISTRITO DE MARRACUENE EM
PAVILHÕES ABERTOS USANDO A LINHAGEM HY-LINE
DISCENTES DOCENTES
Ádil Latif
Ermelinda Mavume Professora Catedrática Alice Garcês
Maria Helena Ismael dra. Quintília Nicolau
Simes Chovano dr. Zeiss Lacerda
Stefânia Billy dra. Irisalda Correia
Maputo, Abril de 2016
Índice pag
I. Introdução..........................................................................................................................3
IV. Descrição do projecto..............................................................................................5
V. Estudo de pré-viabilidade........................................................................................6
IX. Mercado a abranger.................................................................................................9
X. Aspectos de Organização e Gestão..........................................................................9
XI. Pressupostos/indicadores técnicos para a produção da linhagem Hyline Brown
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XII. Instalação e equipamento.........................................................................................11
Instalações..........................................................................................................................11
Construções a fazer..........................................................................................................11
Equipamentos....................................................................................................................11
XIII. Insumos........................................................................................................................12
Ração..................................................................................................................................12
Água....................................................................................................................................12
Desinfectantes...................................................................................................................12
Vitaminas e Minerais.........................................................................................................13
Coccidiostáticos.................................................................................................................13
XIV. Biossegurança.........................................................................................................13
Biossegurança conceptual...............................................................................................13
Biossegurança estrutural..................................................................................................13
Biossegurança operacional..............................................................................................13
Limpeza e Desinfecção....................................................................................................14
XV. Referências Bibliográficas.........................................................................................16
XVI. Anexo........................................................................................................................17
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I. Introdução
Denomina-se poedeira comercial fêmea híbrida destinada a produção de ovos de consumo.
As poedeiras de ovos para o consumo podem ser de tipo ligeiro, com penas e ovos de côr
branca, ou semi-pesadas com penas e ovos de côr castanha. Pertence ao tipo ligeiroa
linhagem Leghom, e ao semi-pesado a Hyline Brown e a Isa Brown sendo as ultimas
actualmente exploradas em Moçambique.
Uma boa linhagem para produção de ovos para o consumo deve possuir as seguintes
características: baixa mortalidade, baixa conversão alimentar, alta capacidade de postura,
alta percentagem de ovos grandes, boa capacidade de pigmentação da gema, resistência a
doenças, maturidade sexual precoce e ovos com casca resistente e uniforme.
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II. Objectivos
Objectivos gerais
O presente projecto tem como objectivo a criação de poedeiras da linhagem Hyline
Brown, para produção de ovos de consumo.
Objectivos específicos
Fornecer ao supermercado Shoprite 10 mil dúzias de ovos semanalmente;
Fornecer fonte de proteína a população;
Contribuir para a redução do desemprego da população do distrito de Marracuene;
Fornecer resíduos para posterior utilização na agricultura como fertilizante.
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III. Identificação do projecto
Identificação da empresa
Nome da EMPRESA Ovos de Mocambique
Localidade:
Telefone
:
Visão
A empresa ovos de mocambique pretende ser a líder numero um na distribuição de
ovos, alcançado o território internacional.
Missão
A empresa ovos de mocambique é uma empresa do ramo industrial ligada a produção e
comercialização de ovos. Tem como missão o fornecimento de proteínas de origem animal
para o consumo humano.
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IV. Descrição do projecto
Localização
O presente projecto será desenvolvido no posto administrativo de Marracuene, distrito de
Marracuene na província de Maputo. O distrito possui uma superfície de 703 km 2, e uma
população de 60471 habitantes com uma densidade de 87 habitantes por metro quadrado.
Localiza-se a 30 km da cidade de Maputo e a 42km da cidade da Matola, apresentando os
seguintes limites:
- Norte: distrito da Manhiça
- Sul: cidade de Maputo
- Este: Oceano Índico
- Oeste: Distrito de Moamba e Matola.
Caracterização do clima
O clima do distrito é tropical chuvoso de savana, influenciado pela proximidade do mar
(MAE, 2005). Caracteriza-se por temperaturas altas, sendo a temperatura media anual
superior a 20ºC, a humidade relativa varia de 55 a 75% e a precipitação media anual é de
500mm no interior e 1000 no litoral.
Relevo
Marracuene é um distrito com uma vasta área de planície do Incomáti e dunas arenosas na
faixa litoral afectadas pela acção erosiva dos ventos, sobretudo no posto administrativo de
Machubo, tendo uma vegetação predominantemente constituida por uma savana graminal e
arbustiva.
Recursos naturais
Os recursos naturais do distrito de Marracuene são constituidos pela terra e florestas onde
se tem exercido uma grande pressão através do fabrico do carvão e lenha e ainda os
recursos hídricos e a pesca tradicional.
Recursos hídricos e saneamento
O rio Incomáti atravessa o distrito e cobre toda a sua costa passando pelas localidades de
Macandza, Nhongonhane, Machubo até desaguar no oceano indico.
Actividades da população
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Cerca de 63,7% da mão de obra é empregue pelo sector privado agrícola que ocupa a
maior parte de terras aráveis. Além da agricultura, esta população dedica-se a pesca,
sobretudo artesanal.
V. Estudo de pré-viabilidade
Infra-estruturas existentes
Rede ferroviária
O distrito dispõe de uma estação de caminhos-de-ferro que serve as linhas de Maputo-
Marracuene e Marracuene-Manhiça (corredor de Limpopo). Diariamente circulam nestas
linhas comboios de carga e de passageiros.
Energia eléctrica
O distrito dispõe de rede de distribuição de energia eléctrica cobrindo a vila sede de
Marracuene e o quartel de Boquisso. A energia eléctrica é fornecida pela Electricidade
de Moçambique.
Rede rodoviária
O distrito de Marracuene é atravessado pela estrada nacional numero 1, o que permite a
sua comunicação com a cidade de Maputo. Existem também estradas tercearias que
permitem a comunicação entre a sede do distrito e as localidades.
Água
A vila de Marracuene e algumas localidades são cobertas por três subsistemas de
abastecimento de água constituídos de ligações domiciliares, fontenárias, poços e furros
mecânicos com bombas manuais.
Serviços telefónicos
O distrito é coberto pelas redes de telecomunicações fixa e móvel, o acesso a internet
pode ser efectuado nas zonas servidas pelas duas redes, existindo tambem uma
delegação dos correios de Moçambique.
Combustíveis
Existem 3 postos de abastecimento de combustíveis.
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Transportes fluviais
Existe um batelão que liga a vila de Marracuene a Macaneta.
VI. Factores que interferem na criação de poedeiras
Existência de uma planície arenosa, que limita o risco de inundações na época
chuvosa reduzindo a incidência de doenças ligadas ao excesso de humidade, como
parasitoses.
Abundância de recursos hídricos.
Facilidade de comunicação do distrito com as cidades de Maputo e Matola,
facilitando a aquisição de insumos e a distribuição dos ovos.
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VII. Justificação do projecto
O projecto se propõe a produção de ovos de modo a torna-los disponíveis a todas
camadas sociais a um preço acessível. Visto que o consumo de ovos não é
abrangente a todas classes sociais devido ao elevado preço praticado uma vez que
os custos de importação são maiores.
Reduzir o índice de importações. Grande parte dos ovos consumidos no nosso país
é importada, sendo produzida uma pequena quantidade a nível nacional. A criação
de empresas de produção de ovos é uma forma de reduzir essas importações.
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VIII. Principais constrangimentos para a produção de ovos
A produção de ovos em Moçambique apresenta vários constrangimentos o que a torna
muitas vezes desvantajosa, dentre eles destacam-se:
A grande dependência do exterior para aquisição de produtos necessários para a
produção de ovos;
Falta de instituições vocacionadas a criação de poedeiras até as 18 semanas;
Falta de integração entre os produtores numa cadeia produtiva.
IX. Mercado a abranger
Grande parte dos nossos consumidores é constituída pela camada social que não dispõe de
recursos financeiros para aquisição de ovos, face ao preço actualmente praticado. Com
maior abertura do mercado e maior concorrência que poderá se observar, os custos de
produção irão baixar e o ovo estará disponível a um preço acessível para grande parte da
população.
Forma de comercialização de bens e serviços produzidos
Os ovos produzidos na empresa Avi ovos serão fornecidos a rede de supermercados
Shoprite.
Local de aquisição de matéria prima
Por se localizar ao longo da estrada nacional nº1, a propriedade tem fácil acesso aos
principais mercados de insumos e produtos (Maputo, Matola e África do Sul).
Método de comercialização, incluindo transporte
A comercialização será através de contrato. O transporte será feito em camiões, com os
favos de papelão e embalados em caixas.
Apresentação dos produtos
Os ovos serão apresentados em favos de 30 ovos dentro de caixas de papelão.
X. Aspectos de Organização e Gestão
Mão-de-Obra
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O pessoal técnico será constituído por: 1 técnico superior (gestor) e 1 técnico médio.
O pessoal de produção será constituído por 10 trabalhadores, dos quais 6 para os
pavilhões, 2 motoristas, e 2 guardas.
Período do projecto
O projecto tem uma duração de 60 semanas.
XI. Pressupostos/indicadores técnicos para a produção da
linhagem Hyline Brown
Características das poedeiras.
Linhagem
A linhagem a ser utilizada é a Hy-line Brown.
As aves desta linhagem tem a plumagem de cor castanho vermelhada sendo a base das
penas de cor branca, com a pele amarela. É uma ave de temperamento calmo, adaptando-
se a diferentes tipos de maneio. As 80 semanas apresentam uma viabilidade de 94%.
Características reprodutivas
As aves deverão ser adquiridas e introduzidas no pavilhão de postura com 17 semanas de
idade. Neste momento deverão ter um peso de 1,400g e deverão iniciar a postura às 18
semanas com 1480 g.
Consumo de ração
No período pré-postura deverão ser administrados 77g de ração ave/ dia.
No período de postura deverá se fornecer 107g/ave/dia de ração.
Consumo de água
Varia com a idade, sendo o consumo de 100 aves/dia:
De 16-20 semanas: 7,2 – 15,2L
De 21-25 semanas: 9,9 - 18,2L
Acima de 25 semanas: 15,2 - 20,8L
XII. Instalação e equipamento
Instalações
3 pavilhões
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1 armazéns para ração anexados aos pavilhões, respectivamente.
1 armazém para conservação de ovos,
1 farmácia.
Balneários
Construções a fazer
Pavilhões
Os pavilhões serão construídos com o sentido do eixo longitudinal na direcção este-oeste.
A altura do pavilhão será de 4,2 m de altura no eixo do centro 3 m nas paredes laterais.
A altura das muretas estará a 20 cm a nível do chão e outra parte será preenchida pela
rede.
O piso a utilizar deverá ter 25 cm acima do nível exterior.
As abas terão 1,5 m de comprimento.
O teto deve ter duas abas, com uma inclinação entre 30 %.
Deve haver um dispositivo de ventilação do teto, com a largura correspondente a 10% da
largura do pavilhão e altura de 1m e com a mesma inclinação do pavilhão.
Os pavilhões deverão ter pedilúvio na entrada.
Serão construidos 3 pavilhões, com largura de 10 m e comprimento de 100 m.
A largura de cada bateria será de 2 metros. A distância entre as baterias será de 1m.
Equipamentos
Tipo e quantidades de equipamento a utilizar
4 balanças digitais
240000 favos de papelão para 30 ovos
3 carrinhos de mão
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De limpeza: 9 pás, 12 vassouras, 9 baldes, 4 jogos de mope.
12 baterias, cada bateria terá 2 pisos.
Cada gaiola com 1m2, tendo 100 cm de lado.
24 comedouros com 94m, cada pavilhão terá 8 comedouros, com um espaço de
7cm/ave.
1002 Bebedouros automáticos tipo de nipple.
2 carros para transporte de ovos e ração.
3 extintores de incêndio
XIII. Insumos
Ração
A quantidade total administrada ao fim de 80 semanas será 1410860,3Kg
1.410.860,3 Kg
50 Kg
=28.217,206 ~ 28.218 sacos.
Água
A quantidade total administrada ao fim de 80 semanas será 2235713,5L
1m3 – 40,00Mtn
Desinfectantes
Para os pedilúvios, rodalúvios e pavilhões usaremos compostos de amónio quaternário
(Hidro Fill 500) na diluição de 1:500.
Desinfectante hiperconcentrado à base de Quaternário de
Amônio. Indicado para desinfecção por imersão ou
pulverização de equipamentos, mesas de processamento de
alimentos, tanques de armazenamento, válvulas, tubulações,
pisos, paredes e instalações em geral na indústria de
alimentos. Não ataca a epiderme ou qualquer tipo de
superfície, fácil diluição e aplicação, eficaz contra bactérias
totais, mofos e leveduras.
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Vitaminas e Minerais
Complexo Multivitamínico PowerVit(1g/4L de água durante 3 dias)
Farinha de Ostra (5% do total da ração administrada/ave)
Coccidiostáticos
Profilaxia: Sulfaquinoxalina (5ml em 4L de água)
Tratamento individual: 5ml em 2L de água (3 a 6 dias)
XIV. Biossegurança
Biossegurança conceptual
A unidade de produção deverá estar localizada a uma distância de no mínimo:
200 Metros de distância da estrada pública ou de principais fontes de água;
500 Metros de alguma zona residencial;
5 Quilómetros de algum matadouro e de unidades de produção de outras
espécies;
1 Quilómetro de outras unidades avícolas;
100 Metros de pavilhões de aves de idades diferentes;
25 Metros ou a distância correspondente ao dobro da largura dos pavilhões de
aves da mesma idade.
Biossegurança estrutural
Deverá existir uma zona suja, uma intermédia e uma limpa.
As pessoas e veículos autorizados deverão passar por uma desinfecção a
entrada.
Deverá haver apenas um portão de acesso ao aviário, onde haverá uma placa
de proibição a entrada de pessoas estranhas e animais.
Deverá haver um balneário a entrada do aviário.
Os pavilhões deverão estar com as portas sempre fechadas, com redes entre a
mureta e o telhado e com pedilúvio.
O escritório deverá estar localizado na zona suja e os pavilhões, armazém de
ração, equipamentos juntamente com os pavilhões, na zona limpa.
Deverá existir um local para a destruição de carcaças e outros resíduos.
Biossegurança operacional
A movimentação humana e de equipamentos na granja deve ser rigorosamente
controlada
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O número de visitantes da granja deve estar limitado ao mínimo essencial para o
seu funcionamento
As visitas devem ser documentadas em um livro de registos
Todos os visitantes e funcionários devem tomar banho na portaria central antes
de entrar na granja
Botas e vestuário limpos e protecção de cabeça devem ser disponibilizados para
funcionários e visitantes
Deve haver pedilúvios limpos contendo desinfetante nas entradas de todos os
pavilhões.
De preferência, os funcionários devem se limitar a um único pavilhão.
Os aviários devem ser projectados a fim de evitar a exposição a aves silvestres,
insectos e roedores
Deve-se realizar o descarte das aves mortas de forma rápida e adequada
Limpeza e Desinfecção
A limpeza e a desinfecção dos aviários entre lotes reduz a pressão de
contaminação do novo lote
Realizar o vazio sanitário de pelo menos 2 semanas entre lotes
Deve-se remover toda a ração e esterco do pavilhão antes da limpeza
O aquecimento do pavilhão durante a limpeza auxilia a remoção da matéria
orgânica
Utilizar detergente em espuma/ gel, deixando a matéria orgânica e os
equipamentos de molho
Lavar a parte superior do pavilhão antes de lavar a parte inferior
Deixar o pavilhão secar
Após a secagem completa, aplicar o desinfectante em espuma/spray, seguido de
fumigação
Esgotar e desinfectar as linhas de fornecimento de água
Recomenda-se monitorar os pavilhões de aves para controlo de Salmonella,
principalmente Salmonella enteritidis, por meio de testes rotineiros no ambiente
O pavilhão deve estar completamente seco antes de alojar um novo lote
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XV. Referências Bibliográficas
(Anónimo), 2005, Perfil da Distrito de Marracuene, Província de Maputo, Ministério
da Administração Estatal.
(Anónimo), 2014, Manual de Manejo, Poedeiras Comerciais, Hyline Brown, Brasil
(Anónimo), 2012, Manual de Manejo, Poedeiras Comerciais, Hyline Brown, ed. 2,
Brasil.
Dos Santos M, Ribeiro A, Carvalho L, (2009), Criação de Galinha Caipira, Manual
Técnico, RJ.
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