PRESCRIÇÃO DE DIVIDAS:
1. Seis meses
As dívidas aos serviços públicos essenciais, nomeadamente
água, gás, eletricidade e telecomunicações, têm um prazo de prescrição de apenas seis
meses. O mesmo acontece para as dívidas a estabelecimentos que forneçam
alojamento ou alimentação.
2. Dois anos
As dívidas de estudantes a estabelecimentos que forneçam alojamento e/ou
alimentação, bem como a estabelecimentos de ensino (exceto ensino superior),
educação, assistência ou tratamento (relativamente aos serviços prestados)
prescrevem ao fim de dois anos.
As multas de trânsito também prescrevem ao fim de dois anos. Se, por exemplo,
recorreu da decisão desta multa junto da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária
(ANSR) e se não receber nenhuma resposta no prazo de dois anos, a sua multa
prescreve e não é obrigatório pagá-la.
Também prescrevem em dois anos as dívidas a:
• Instituições e serviços médicos particulares;
• Comerciantes (pelos bens vendidos);
• Serviços prestados no exercício de profissões liberais (por exemplo: médicos,
advogados ou dentistas) e ao reembolso das despesas correspondentes.
3. Três anos
As dívidas a instituições e serviços médicos públicos, como o Serviço Nacional de
Saúde, prescrevem ao fim de três anos.
4. Quatro anos
As Finanças têm um prazo de quatro anos para notificarem os contribuintes para o
pagamento de dívidas relativas ao IUC, IRS, IVA ou IRC. Após a notificação, o Fisco
dispõe ainda de mais quatro anos para executar essa dívida.
5. Cinco anos
Existem algumas dívidas que prescrevem passados cinco anos, enumeradas no artigo
310º do Código Civil:
• Anuidades de rendas perpétuas ou vitalícias;
• Rendas e alugueres em dívida pelo locatário, ainda que tenham sido pagos por
uma só vez;
• Pensões de alimentos vencidas e quaisquer outras prestações periodicamente
renováveis;
• Foros;
• Juros convencionais (provenientes de uma taxa de juro acordada entre as
partes) ou legais (quando não existe taxa de juro acordada), mesmo que
ilíquidos;
• Dividendos de sociedades;
• Quotas de amortização do capital a pagar com os juros.
As dívidas à Segurança Social relativas à falta de pagamento de quotizações e
contribuições prescrevem ao fim de cinco anos. No entanto, caso se trate de dívidas por
recebimento indevido de prestações sociais, o prazo prolonga-se até aos 10 anos.
6. Oito anos
À exceção das dívidas que prescrevem ao fim de quatro anos, todas as outras dívidas
fiscais prescrevem passados oito anos.
No caso da educação, as dívidas relativas a propinas também prescrevem ao fim de
oito anos, sendo estas reguladas pela Lei Geral Tributária.
Prescrição de dívidas bancárias
Não existe nenhum artigo no Código Civil que determine quando prescreve uma dívida
bancária. No entanto, devido a estas lacunas na legislação, ao longo dos anos foram
criados Acórdãos dos Tribunais para colmatar estas questões.
Um crédito a uma instituição financeira é pago em prestações mensais acordadas entre
o cliente e a entidade bancária. Para estes casos, o Acórdão referente ao processo nº
1583/14.3TBSTB-A.E1, decretado pelo Tribunal da Relação de Évora, determina que
as prestações mensais dos empréstimos prescrevem ao fim de cinco anos. É expectável
que funcione da mesma forma na prescrição de dívidas de crédito ao consumo.
Para além disso, este Acórdão refere que, de acordo com o artigo 781º do Código Civil,
a validade da dívida começa a partir do momento do primeiro incumprimento com uma
prestação mensal. Isto significa que, se um consumidor entrar em incumprimento a 1 de
outubro de 2018, o valor em dívida (dessa prestação e das seguintes) prescreve a 1 de
outubro de 2023 (cinco anos depois).
E se forem dívidas de cartão de crédito?
Já no que diz respeito à prescrição de dívida de cartão de crédito, o caso é mais
complexo. Consoante o determinado pelo Acórdão referente ao processo nº
159085/14.8YIPRT.P1 do Tribunal da Relação do Porto, os créditos concedidos pela
instituição financeira a um consumidor com a emissão e utilização do cartão de
crédito para a aquisição de bens e serviços prescrevem ao fim de 20 anos.
No caso das dívidas bancárias, sugerimos que procure outras vias para além de
aguardar pela prescrição da dívida. Isto porque, por se tratar normalmente de montantes
elevados, as instituições financeiras procuram sempre que os clientes liquidem as suas
dívidas – é por isso que muitas vezes são pedidas garantias bancárias aos clientes.
Ao invés, poderá integrar no PERSI ou até mesmo falar com o seu banco e pedir
para renegociar o crédito. Se tem muitos empréstimos e possui dificuldades em pagar
as mensalidades, existe a possibilidade de consolidar as suas dívidas, ficando a pagar
uma só mensalidade.
E se já pagou uma dívida prescrita?
Se o consumidor tiver pago o montante em falta após a prescrição de dívidas, então
legalmente assumiu essa falta de pagamento e, como tal, não terá possibilidade de
reaver esse valor.
Assim, antes de pagar as suas dívidas, o melhor será confrontar a data dessa mesma
dívida e perceber se esta já prescreveu ou não. No entanto, não se esqueça de que
deve invocar a prescrição de dívidas à entidade em questão para que a anulação do
montante em dívida seja legalmente válida.
Como invocar prescrição de dívida?
Para invocar o término de uma dívida, deverá enviar uma carta registada manifestando
essa mesma intenção. Guarde também uma cópia da mesma e o registo que certifique
que foi, de facto, enviada.
Embora por email também possa ser uma opção, o método preferido é ainda por carta
registada. Disponibilizamos uma minuta para invocar a prescrição de dívida que pode
descarregar no botão abaixo.