Introdução
Introdução
Introdução
Justificativa
Um dos parâmetros que se deve ter em conta na avaliação da qualidade da água para o
consumo humano é a dureza, que é causada pela presença de metais alcalinos terrosos (com
maior destaque para o cálcio e magnésio). Apesar de tais elementos serem essenciais ao
organismo humano, quando em teores elevados na água podem provocar irritações
gastrointestinais, bem como pode estar relacionado com alguns problemas cardiovasculares.
O uso de águas duras também apresenta certos inconvenientes ao uso doméstico tais como: o
consumo acrescido de sabão, aumento do tempo de cozedura dos legumes, etc., o que de certa
forma influencia nos custos de vida diária da população.
Tornou-se importante um estudo para determinar os reais valores do teor de dureza da água
dos furos que é consumida em Montepuez, no sentido de se identificar técnicas de como
reduzir o teor de dureza, de modo a minimizar as possibilidades de existência de doenças a ela
ligada e aos inconvenientes ligados ao uso doméstico que de certo modo contribui para a
diminuição de custos de vida da população (uma vez que passarão a gastar menos sabão,
menos carvão para a cozedura dos alimentos).
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Foi com base nestes argumentos, aliado ao facto de que a autora da pesquisa frequentou um
curso que é a ciência da vida (Química), sendo assim ela se preocupa com a qualidade de
todas as substâncias da vida, no caso particular a água que é um dos bens mais precioso da
face da terra. Existiu sim uma necessidade em se efectuar esta pesquisa, porque a mesma
contribuirá para a melhoria dos trabalhos da empresa águas de Montepuez, na medida em que
com os resultados da mesma ficou-se a saber da necessidade de identificar técnicas e
substâncias adequadas para o amaciamento da água que se consome na cidade. Este facto
influenciará directamente a vida da população da cidade de Montepuez, uma vez que passará
a consumir água de melhor qualidade e estará menos propensa a contrair doenças provocadas
pela dureza da água.
Objectivos
Problematização
Desde o primeiro dia em que a autora chegou a Montepuez, uma das coisas que mais chamou
atenção foi a qualidade da água que é consumida. Diferentemente dos outros locais onde já
viveu e passou (como é o caso da cidade de Quelimane, Nampula, Gurúe e outros) a água
consumida em Montepuez apresenta um sabor característico e quando colocada em um
recipiente e deixada em repouso por alguns dias nota-se a existência de uma camada de
partículas esbranquiçadas submersas e no fundo do recipiente. Outro fenómeno observado foi
que nos recipientes em que se ferve água, por exemplo chaleiras, é frequente notar-se
camadas brancas duras estampadas nas paredes das mesmas que na maioria das vezes se torna
13
difícil remover, este fenómeno é característico das águas duras. Com tais observações a autora
pôde suspeitar que a água que é consumida em Montepuez seja dura. Tendo em conta estes
factos observados, aliados aos conhecimentos básicos que a autora possui, sobre quais devem
ser as características de uma água potável e adequada para o consumo humano e, também, o
facto de que a água é o alimento mais indispensável ao organismo humano, e quando a mesma
apresenta propriedades incomuns é indicação de defeito ou excesso de um dos vários
parâmetros que regulam a qualidade da mesma, o que de certa forma pode impedir que ela
seja usada em certas actividades, com isso levantou-se a seguinte questão:
Hipóteses
O segundo capítulo constitui a metodologia em que estão descritos de forma clara e detalhada
todos os métodos, materiais e técnicas levadas a cabo para a implementação da pesquisa. O
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terceiro capítulo constitui a apresentação, análise e discussão dos resultados, nele estão
apresentados os resultados obtidos, as respectivas análises qualitativas e quantitativas feitas a
luz das ideias citadas na fundamentação teórica.
Por fim tem a conclusão que é onde se apresenta o resumo dos resultados alcançados pela
pesquisa, as dificuldades enfrentadas durante o percurso de realização da mesma e algumas
sugestões e recomendações.
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A água é um importante recurso natural que com base em vários autores não existe de forma
pura na natureza, no sentido absoluto do termo, uma vez que ela é um poderoso solvente.
Para TUNDISI1 apud Cornationi (2010:1) a água que se encontra no subsolo terrestre é
conhecida como água subterrânea.
A análise de qualidade da água é de extrema importância para sua utilização uma vez que
concentrações acima dos valores máximos admissíveis de determinado parâmetro podem
causar prejuízos à saúde pública e ao meio ambiente.
1
TUNDISI, J. G. Água no século XXI: Enfrentando a escassez. 4 ed. Rima Editora, São Carlos, 2003. 248p.
2
STRUCKMEIER, W. Água subterrânea – reservatório para um planeta com sede. Fotografias de Ted Nield.
Tradução Braga Pangeo. In: CONFERÊNCIA PLANETA TERRA, CIÊNCIAS DA TERRA PARA A
SOCIEDADE, Lisboa, 2008. 16p. Disponível em:
<[Link] brochura2_web.pdf >. Acesso em: 17 Nov.
2010.
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Instituto Adolfo Lutz (2008:347) define a água para o consumo humano como sendo “aquela
cujos parâmetros microbiológicos, físico-químicos e radioactivos atendem aos padrões de
potabilidade e não oferecem risco à saúde da população”.
a) Toda a água no seu estado original ou após o tratamento, destinada a ser bebida, a
cozinhar, […] ou para outros fins domésticos, independentemente da sua origem e de
ser fornecida a partir de um sistema de abastecimento de água com ou sem fins
comerciais.
b) Toda a água utilizada numa empresa da indústria alimentar para o fabrico,
transformação, conservação ou comercialização de produtos destinados ao consumo
humano.
Tratando-se da água, um elemento essencial e indispensável aos organismos vivos, para que
seja adequada ao consumo humano ela deve ser potável. E falar de água potável como
sustenta (Ibid., p. 367) refere-se a “aquela que é apropriada para o consumo humano pelas
suas qualidades organolépticas, físicas, químicas e biológicas”
São vários os parâmetros que regulam a qualidade da água destinada ao consumo humano,
dentre os quais podem-se destacar os parâmetros químicos cujo um deles é a dureza,
parâmetro este que é definido por diversos autores.
De acordo com Skoog (2006:456) a dureza de uma água já foi definida como a “capacidade
dos catiões na água em deslocar os iões sódio ou potássio em sabões e formar produtos
poucos solúveis que produzem uma espécie de resíduo que adere às pias e banheiras”. Ainda
na óptica do mesmo autor a determinação da dureza é um teste analítico útil que fornece uma
medida da qualidade da água para uso doméstico e industrial.
Da mesma forma Mendes & Oliveira (2004:252) fundamentam que uma água diz-se dura
“quando o seu uso obriga o consumo de mais sabão no decurso das lavagens, devido a
formação de sais insolúveis daqueles metais com ácidos gordos dos sabões”
A dureza é definida por Battalha & Parlatore (1977: s/p) como “a soma de catiões, que são na
maioria das vezes cálcio e magnésio, expressados numa quantidade equivalente de CaCO 3,
[…] podendo variar de concentrações inferiores a 50 mg/L de CaCO3, a valores maiores que
200 mg/L de CaCO3”.
Kariatsumari (2010:5) diz que “a dureza corresponde ao teor de metais alcalinos e alcalinos
terrosos presentes na água”. Estes metais, sob a forma de sais dissolvidos podem interferir em
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alguns processos tecnológicos, pois aumentam o ponto de ebulição da água (100ºC) e também
podem interferir no processo de limpeza de utensílios.
A dureza total é definida como a soma das concentrações de cálcio e magnésio, ambas
expressas como carbonato de cálcio, em miligramas por litro, (Ibid., p. 347).
São quatro os principais compostos que conferem dureza às águas: bicarbonato de cálcio,
bicarbonato de magnésio, sulfato de cálcio e sulfato de magnésio.
A principal fonte de dureza nas águas é a sua passagem pelo solo (dissolução da rocha
calcária pelo gás carbónico da água), conforme as reacções:
Por tal motivo é mais frequente encontrar-se águas subterrâneas com dureza elevada do que as
águas superficiais. Facto este que é ainda realçado por outros autores, (Ibid., p. 252) quando
afirmam que “as águas subterrâneas, pelo mais íntimo e prolongado contacto com as
formações geológicas, são, em geral, mais duras que as da superfície”.
Baccan et. al. (1979:205) diz também que “a composição química da água, e portanto, a sua
dureza, depende em grande parte do solo do qual procede”. Estas ideias vêm ainda reforçar o
facto que as águas subterrâneas que procedem de solos ricos em calcário apresentam
geralmente valores de durezas elevados.
A classificação da dureza da água de acordo com Op. cit., p. 252 pode ser feita com base em
dois critérios: quanto aos catiões e quanto aos aniões associados a estes.
A dureza permanente, também chamada de dureza de não carbonatos, é causada pela presença
de sulfatos, cloretos e nitratos associados ao cálcio ou magnésio. Não se decompõe pela acção
do calor.
Em suma pode se dizer que a água apresenta dureza temporária quando esta é rica em
bicarbonato de magnésio e/ou de cálcio, pois a mesma pode ser removida com uma simples
fervura, onde os bicarbonatos são convertidos em carbonatos insolúveis. Já cloretos e sulfatos
de magnésio ou cálcio causam dureza permanente.
A dureza total da água é dada por um lado, pela soma da dureza cálcica e magnesiana
A dureza total é calculada como sendo a soma das concentrações de iões cálcio e magnésio na
água, expressos como carbonato de cálcio (Op. cit., p. 46).
Normalmente, uma água dura identifica-se pela dificuldade que se tem de obter, com ela,
espuma de sabão. A água dura também apresenta inconvenientes como: aumento da
temperatura de ebulição da água, e quando tal acontece formam-se precipitados carbonatados
que aumentam o tempo de cozimento dos alimentos e provoca "encardio" em panelas, e é
potencialmente perigoso para o funcionamento de caldeiras ou outros equipamentos que
trabalhem ou funcionem com vapor de água, podendo provocar explosões desastrosas.
De acordo com Ibid., p.199 “a determinação da dureza pode ser feita por espectrofotometria
de absorção atómica ou através de titulação”. Utilizando-se o espectrofotómetro de absorção
atómica, obtêm-se directamente as concentrações de cálcio e magnésio na amostra, somando-
se os resultados após transformação dos equivalentes-grama para a composição da dureza
total.
Op. Cit., p.31 afirma que “uma grande variedade de misturas gasosas tem sido utilizada para a
produção da chama. Foram estudadas muitas combinações combustível/oxidante que
provaram ser inadequadas por uma razão ou outra (não utilizável analiticamente, segurança,
custo ou conveniência) ”. Na espectroscopia de chama, as misturas gasosas ar-acetileno e
óxido nitroso-acetileno são as mais utilizadas nas análises.
Neste método a água dura é titulada com EDTA na presença do indicador Negro de
Eriocromo T, após a amostra ter sido tamponada a pH 10. O magnésio, que forma o complexo
menos estável com EDTA, dentre todos os catiões multivalentes comuns nas amostras típicas
de água, não é titulado até que tenha sido adicionado reagente suficiente para complexar todos
os outros catiões na amostra. Portanto, um indicador para o ião magnésio, como a calmagita
ou Negro de Eriocromo T (C20H12N3O7SNa), pode servir como indicador nas titulações de
água dura. O ponto de equivalência da titulação é representado pela mudança da solução de
cor vermelha a azul.
Fonte: [Link]
O EDTA é um composto orgânico cuja fórmula molecular: C10H16N2O8 que age como ligante
polidentado, formando complexos muito estáveis com diversos iões metálicos, e
especialmente estáveis com Mn(II), Cu(II), Fe(III), e Co(III). Devido a isso, é usado como
preservante do sangue, pois "inactiva" os iões de cálcio, que promovem a coagulação
sanguínea. Esta habilidade de complexar e assim "inactivar" iões metálicos é também usada
como antídoto para envenenamento por chumbo e outros metais pesados. É também
principalmente utilizado no tratamento de água.
21
Fonte: [Link]
Titula-se um dado volume de água com HCl, em presença de alaranjado de metilo; ocorrendo
as seguintes reacções:
Dureza permanente
Existem diversas escalas de dureza, variando de país para país. Porém todas estas escalas são
baseadas nos valores estabelecidos pela OMS. O caso concreto do nosso pais o MISAU
recomenda como valor máximo admissível de dureza total 500mg/L CaCO3 (veja Anexo I),
entretanto, apresenta-se aqui uma escala de classificação das águas quanto a dureza (Tabela
abaixo):
A pesquisa foi explicativa “que teve como preocupação central identificar os factores que
contribuem para a ocorrência dos fenómenos, e que tem como vantagem o aprofundamento da
realidade, por explicar a razão e o porquê do fenómeno” (IVALA et. al., 2007:28).
Quanto a abordagem:
A pesquisa foi quantitativa uma vez que consistiu na tradução em números das opiniões e
informações e posterior classificação e análises.
Método bibliográfico – este método permitiu obter as conclusões da pesquisa com base em
confrontações entre os dados recolhidos e os que os outros autores apresentam em estudos
semelhantes.
O método estatístico – com base nos resultados obtidos permitiu a interpretação dos dados em
termos numéricos, e com base neles foram tiradas as conclusões que permitiram validar ou
refutar certas hipóteses.
Durante a colheita das amostras usaram-se procedimentos e materiais compilados pela autora
do trabalho, baseando-se na consulta de diversas obras bibliografias, cujas referências
constam na bibliografia final do trabalho.
Materiais: Frascos de colecta (garrafas vazias de água mineral de 500mL); Colman; Caneta
esferográfica; Marcador permanente; Fita-cola; Papel A4
Procedimentos
Tomava-se sempre o cuidado de não encher o frasco até o gargalo, deixando cerca de
2 a 3 centímetros para homogeneização da amostra;
Após a colecta da água no frasco plástico, tapou-se;
Etiquetou-se bem os frascos com as amostras;
Acondicionou-se adequadamente os frascos no colman.
Depois de colhidas as amostras todas, foram acondicionadas numa geleira (a 4ºC) até a hora
em que foram transportadas para o laboratório da FIPAG em Pemba (onde foram realizadas as
análises, como comprava o anexo II), tendo durante a viagem sido acondicionadas em um
colman, até a chegada do laboratório onde foram acondicionadas numa geleira (a 4ºC).
Os métodos e procedimentos usados para as análises das amostras foram os estabelecidos pelo
MISAU e descritos pelo Laboratório Nacional de Higiene de Alimentos e Águas. Tendo-se
usado a Titulação complexiométrica com EDTA na presença de indicador.
Materiais
Reagentes
Água destilada;
Indicador negro de Eriocromo T;
Solução de carbonato de sódio (Na2CO3);
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Solução tampão pH em torno de10 ± 0,1: dissolveu-se 1,170g de sal dissódico do ácido
etileno-diamino-tetracético dihidratado e 0,780g de sulfato de magnésio heptahidratado
(MgSO4.7H2O) em 50mL de água destilada. Juntou-se esta solução a 16,9g de NH 4Cl e
143mL de NH4OH concentrado e dilui-se até 250mL com água destilada.
Guardou-se a solução em uma garrafa de plástico bem fechada, para evitar perdas de
amoníaco.
Mediu-se com uma pipeta 25mL de solução padrão de cálcio 0,02N para um frasco de
Erlenmeyer. Adicionou-se 25mL de água destilada, 1mL de solução tampão (acima indicada)
e 1 a 2 gotas de solução de indicador negro de Eriocromo T.
Titulou-se, até a viragem da solução vermelho-vinosa a azul com EDTA. A titulação foi feita
dentro de cinco minutos após a adição do tampão.
Solução padrão de cálcio 0.02N: pesou-se 1,0009g de CaCO3 anidro e previamente seco em
estufa a 110ºC, colocou-se num copo de 500mL. Juntou-se alguns mililitros da solução de
HCl (abaixo indicada) até todo o carbonato de cálcio estar dissolvido.
Juntou-se 200mL de água destilada e ferveu-se durante alguns minutos para evaporar o CO 2.
Deixou-se arrefecer e ajustou-se o pH mais ou menos a 5, por adição de hidróxido de amónia
(NH4OH).
Transferiu-se a solução para um balão volumétrico de 1 litro e perfez-se o volume com água
destilada.
Solução de ácido clorídrico [Link] diluiu-se 50mL de ácido clorídrico concentrado em água
destilada e perfez-se o volume de 100mL.
Procedimentos
Materiais
Reagentes
Solução de NaOH à 5%
Solução titulante de EDTA
Indicador Murexida 0,1%
Procedimentos
A dureza magnesiana, que corresponde a concentração do ião magnésio (Mg 2+) foi
determinada pelo método de cálculos (por diferença entre a dureza total e cálcica), depois de
conhecidos os valores da dureza total e cálcica.
29
No processo de titulação gota a gota com EDTA, sob agitação constante, observou-se uma
mudança gradual da coloração, vermelho-vinho para azul, o que indicava o decorrer da
reacção. Com o decorrer da reacção o complexo formado pela reacção acima representada, vai
sendo destruído e o EDTA vai deslocando o indicador do complexo. O término da reacção
deu-se quando a titulação atingiu o ponto de viragem, o momento em que a quantidade de
EDTA adicionado foi o suficiente para complexar todo o metal que esteve ligado ao
indicador. O ponto de viragem foi marcado pela mudança de cor da solução de vermelho-
vinho (cor do complexo formado pelo indicador com o metal) para azul (cor do indicador em
solução alcalina). A reacção do ponto de viragem pode ser representada pela equação abaixo:
Os teores de dureza total das amostras analisadas expressa em mg/L de CaCO 3, foram
calculados com base na fórmula:
V 1 x 1000
Dureza total = [mg de CaCO3/L]
V
Quando adicionado o indicador a solução tomou a cor rosa, resultado do complexo formado
entre o indicador Murexida e o cálcio. A reacção de formação do complexo pode ser
representado pela equação abaixo:
Roxo Rosa
Durante o processo de titulação com EDTA sob agitação constante, o titulante foi deslocando
o indicador do complexo, e a mudança de cor observada (de cor rosa para roxa), indicava que
a reacção tinha atingido o seu ponto de equivalência que é o ponto em que a quantidade de
EDTA adicionada era suficiente para complexar todo o cálcio da amostra, tendo se formado
assim um complexo estável do titulante com o Ca.
Rosa Roxo
A cor final da solução (roxa) representou a cor do indicador Murexida em solução aquosa
alcalina.
V 1 x 1000
Ca2+ = [mg de CaCO3/L]
V
Os resultados através dos cálculos efectuados com base na fórmula estão apresentados na
tabela abaixo.
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Volume (mL) de
Nº da Local da
EDTA gastos na Ca2+ (mg/L)
amostra colheita
titulação
1 Matuto 1 2.9 58
2 Matuto 2 2.0 40
3 Matuto 3 8.5 170
4 Matuto 4 2.6 52
5 Cimento 6.4 128
6 Merige 4.0 80
7 Nacate 6.5 130
8 Napai 4.5 90
9 Nihula 9.0 180
10 Ncoripo 1.0 20
Fonte: Autora
A soma dos iões cálcio e magnésio constitui a dureza total da água. Uma vez determinada a
dureza total e a concentração dos iões cálcio, a concentração dos iões magnésio nas amostras
foi determinado pelo método de cálculo, aplicando a seguinte fórmula:
Nº da Local da
Mg2+ (mg/L)
amostra colheita
1 Matuto 1 592
2 Matuto 2 550
3 Matuto 3 406
4 Matuto 4 892
5 Cimento 416
6 Merige 372
7 Nacate 754
8 Napai 320
9 Nihula 226
10 Ncoripo 168
Fonte: Autora
Os resultados obtidos após todas as análises feitas as amostras são apresentados nas tabelas
abaixo.
Parâmetros analisados
Amostra
Dureza total
s Ca2+ (mg/L) Mg2+ (mg/L)
(mg/L)
1 650 58 592
2 590 40 550
3 576 170 406
4 944 52 892
5 544 128 416
6 452 80 372
7 884 130 754
8 410 90 320
9 406 180 226
10 188 20 168
Fonte: Autora
34
Por meio dos gráficos abaixo, pode-se comparar os resultados dos parâmetros analisados em
cada amostra.
1000
900
800
700
600
DT 500
400
300
200
100
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
D (Ca2+)
Fonte: Autora
O gráfico acima demonstra a relação existente entre a dureza total e dureza cálcica, em que no
eixo dos x temos os valores da dureza cálcica e no eixo dos y temos os valores da dureza total.
Com o gráfico pode-se perceber que a relação existente entre estes dois parâmetros nas
amostras de água analisadas não é linear.
1000
900
800
700
600
DT 500
400
300
200
100
0
100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
D (Mg2+)
Fonte: Autora
35
Dureza Total
1000
944
800 884
600 650
590 576 544
400 452 410 406
200
188
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Amostras
Fonte: Autora
Os dados do gráfico acima permitem com clareza fazer uma comparação dos teores de dureza
total existentes na água consumida na cidade de Montepuez. Os teores de dureza são muito
elevados (variam de 188 mg/l a 944 mg/l), e enquadrando os valores na classificação da
dureza mencionada na pag.22, baseada em MENDES & OLIVEIRA (2004:255) chega-se a
conclusão de que a água de Montepuez varia de moderadamente dura a muito dura, sendo a
maior parte dela muito dura.
Sendo o limite máximo estabelecido pela OMS para uma água potável de 500mg/L, e o
mesmo foi adoptado pelo MISAU, as amostras analisadas revelaram que a água consumida na
maioria dos bairros da cidade não é potável, sendo por isso não apropriada para o consumo
humano bem como para outras actividades, como é o caso de actividades industriais.
36
Teor de Calcio
200
180
160 180
170
140
120 128 130
100
80 90
60 80
40 58 52
20 40
0 20
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Amostras
Ca2+ (mg/l)
Fonte: Autora
Teor de Magnesio
1000
900
800 892
700 754
600
500 592 550
400
406 416
300 372
320
200 226
100 168
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Mg2+ (mg/l)
Fonte: Autora
Amostras que apresentam valores elevados demonstram que as águas são resistentes á acção
de sabões e detergentes além de provocar incrustações nos tubos devido à formação de
precipitados insolúveis. Pelos resultados percebe-se que as amostras de água apresentam
teores elevados de dureza total, devido aos altos valores de bicarbonatos, carbonatos, sulfatos
de cálcio e magnésio.
Os valores de dureza variam de 188 a 944 mg/L; em seis furos as águas são muito duras, não
apropriadas para consumo humano por apresentarem dureza acima de 500 mg/L; este tipo de
água foi encontrado nos 6 furos amostrados nos bairros de Matuto 1, 2, 3 e 4, Cimento e
Nacate.
As águas duras são inadequadas também na agricultura. Usando a classificação MENDES &
OLIVEIRA (2004:255), das 10 amostras, uma é moderadamente dura (Dureza de 150 a 300),
três são duras (Dureza de 300 a 500), e 6 são muito duras (Dureza> 500).
38
A luz dos resultados das experiências e da pesquisa, pode-se afirmar que os teores de dureza
total encontrados nas amostras 1 a 5, e 7 validam a hipótese 1 da presente da pesquisa, sendo
que os valores encontrados são acima do máximo permitido.
Conclusão
A dureza é mais elevada na água captada do furo do Bairro de Matuto 4 e o teor mais baixo
foi verificado na água colhida do bairro Ncoripo.
As águas consumidas na cidade de Montepuez são duras e por isso não consideradas de
qualidade aceitável, embora algumas das amostras de alguns bairros (como é o caso de
Nihula, Napai, Merige e Ncoripo) terem apresentado valores de dureza dentro dos
recomendados pelo MISAU.
A água consumida em Montepuez é classificada como muito dura, não sendo para tal
apropriada para o consumo humano. Para usos domésticos causa inconvenientes como, o uso
40
Limitações
Sugestões
Referências Bibliográficas
16. MORRISON, R. & BOYD, Robert N. Química Orgânica. 13ed., Fundação Calouste
Gulbenkian, Lisboa, 1997.
17. SKOOG, D.A., et. al. Fundamentos de química analítica. 8ed., Pioneira Thomson
Learning, São Paulo, 2006.
18. UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA. Normas para Produção e Publicação de
Trabalhos Científicos na Universidade Pedagógica. Maputo, U.P. 2009.
19. [Link] Acesso em 18 de Janeiro de 2013.
20. [Link] Acesso em 31 de Janeiro de 2013.