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Introdução

Este documento introduz o tema da monografia sobre a determinação da dureza da água consumida na cidade de Montepuez entre 2012-2013. Ele justifica a importância da qualidade da água para a saúde humana e identifica a dureza como um parâmetro importante a ser avaliado. Ele estabelece os objetivos gerais e específicos da pesquisa e apresenta hipóteses sobre os níveis de dureza da água em Montepuez.
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Introdução

Este documento introduz o tema da monografia sobre a determinação da dureza da água consumida na cidade de Montepuez entre 2012-2013. Ele justifica a importância da qualidade da água para a saúde humana e identifica a dureza como um parâmetro importante a ser avaliado. Ele estabelece os objetivos gerais e específicos da pesquisa e apresenta hipóteses sobre os níveis de dureza da água em Montepuez.
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Introdução

A “Determinação da dureza da água dos furos consumida na cidade Montepuez 2012-2013”,


constitui o tema da presente monografia que foi desenvolvida no âmbito de conclusão do
curso para a obtenção do grau académico de Licenciatura em Ensino de Química.

O tema da presente monografia científica enquadra-se na segunda linha de pesquisa do Curso


de Química: Química, Meio Ambiente e Educação Ambiental.

Justificativa

A água é de extrema importância para a existência de todos os seres vivos em particular o


homem. Ela constitui a base principal para a realização de todas as reacções ligadas com a
vida animal e vegetal, isto significa que, sem água não há vida. Mas não basta só ter água, é
também necessário pautar pela boa qualidade que a água deve possuir para ser consumida
pelo Homem. A qualidade da água é muito importante, uma vez que a água que se consome
não for de boa qualidade estaremos sujeitos a várias doenças com maior enfoque para as
doenças diarreicas, sem no entanto excluir a possibilidade de existência de outras doenças
ligadas a má qualidade da água.

Um dos parâmetros que se deve ter em conta na avaliação da qualidade da água para o
consumo humano é a dureza, que é causada pela presença de metais alcalinos terrosos (com
maior destaque para o cálcio e magnésio). Apesar de tais elementos serem essenciais ao
organismo humano, quando em teores elevados na água podem provocar irritações
gastrointestinais, bem como pode estar relacionado com alguns problemas cardiovasculares.
O uso de águas duras também apresenta certos inconvenientes ao uso doméstico tais como: o
consumo acrescido de sabão, aumento do tempo de cozedura dos legumes, etc., o que de certa
forma influencia nos custos de vida diária da população.

Tornou-se importante um estudo para determinar os reais valores do teor de dureza da água
dos furos que é consumida em Montepuez, no sentido de se identificar técnicas de como
reduzir o teor de dureza, de modo a minimizar as possibilidades de existência de doenças a ela
ligada e aos inconvenientes ligados ao uso doméstico que de certo modo contribui para a
diminuição de custos de vida da população (uma vez que passarão a gastar menos sabão,
menos carvão para a cozedura dos alimentos).
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Foi com base nestes argumentos, aliado ao facto de que a autora da pesquisa frequentou um
curso que é a ciência da vida (Química), sendo assim ela se preocupa com a qualidade de
todas as substâncias da vida, no caso particular a água que é um dos bens mais precioso da
face da terra. Existiu sim uma necessidade em se efectuar esta pesquisa, porque a mesma
contribuirá para a melhoria dos trabalhos da empresa águas de Montepuez, na medida em que
com os resultados da mesma ficou-se a saber da necessidade de identificar técnicas e
substâncias adequadas para o amaciamento da água que se consome na cidade. Este facto
influenciará directamente a vida da população da cidade de Montepuez, uma vez que passará
a consumir água de melhor qualidade e estará menos propensa a contrair doenças provocadas
pela dureza da água.

Objectivos

A presente pesquisa pretendia de uma forma geral:

 Avaliar a qualidade da água consumida em Montepuez através de análise do


parâmetro químico dureza.

Para operacionalizar o objectivo geral traçaram-se os seguintes objectivos específicos:

 Identificar em termos quantitativos o teor de dureza presentes na água consumida em


Montepuez;
 Comparar com base nos resultados das análises e no valor máximo admissível para a
dureza, a qualidade da água consumida nos diferentes bairros;
 Propor métodos e mecanismos do controlo da dureza da água, bem como uma técnica
simples de eliminação da dureza.

Problematização

Desde o primeiro dia em que a autora chegou a Montepuez, uma das coisas que mais chamou
atenção foi a qualidade da água que é consumida. Diferentemente dos outros locais onde já
viveu e passou (como é o caso da cidade de Quelimane, Nampula, Gurúe e outros) a água
consumida em Montepuez apresenta um sabor característico e quando colocada em um
recipiente e deixada em repouso por alguns dias nota-se a existência de uma camada de
partículas esbranquiçadas submersas e no fundo do recipiente. Outro fenómeno observado foi
que nos recipientes em que se ferve água, por exemplo chaleiras, é frequente notar-se
camadas brancas duras estampadas nas paredes das mesmas que na maioria das vezes se torna
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difícil remover, este fenómeno é característico das águas duras. Com tais observações a autora
pôde suspeitar que a água que é consumida em Montepuez seja dura. Tendo em conta estes
factos observados, aliados aos conhecimentos básicos que a autora possui, sobre quais devem
ser as características de uma água potável e adequada para o consumo humano e, também, o
facto de que a água é o alimento mais indispensável ao organismo humano, e quando a mesma
apresenta propriedades incomuns é indicação de defeito ou excesso de um dos vários
parâmetros que regulam a qualidade da mesma, o que de certa forma pode impedir que ela
seja usada em certas actividades, com isso levantou-se a seguinte questão:

 Qual é o teor de dureza existente na água consumida na cidade de Montepuez?

Hipóteses

Na tentativa de responder a questão acima colocada foram traçadas as seguintes prováveis


respostas:

 A água consumida em Montepuez apresenta teores elevados de dureza acima do


máximo permitido pela OMS, o que é causado pela existência de uma extensão de
rochas calcárias na cidade;
 O teor de dureza da água consumida em Montepuez está dentro daqueles que são os
padrões recomendados pela OMS;
 O teor de dureza da água consumida na cidade de Montepuez é baixo, sendo por isso
considerada de água mole.

Para a efectivação da pesquisa a autora baseou-se fundamentalmente no método experimental


que representou foco das metodologias do trabalho, bem como o método indutivo, estatístico
e como não podia deixar de ser, o método bibliográfico que ajudaram a sustentar o tema.

De acordo com a natureza da pesquisa, o presente relatório apresenta-se organizado em partes,


em que para além da introdução constam o desenvolvimento e conclusão. O desenvolvimento
é composto por três capítulos, sendo o primeiro a fundamentação teórica, que é onde se fez a
revisão da literatura, referenciando os trabalhos já existentes relacionados ao tema em
pesquisa é onde estão apresentadas as ideias de diferentes autores, fazendo-se uma
interligação entre elas usando ideias e palavras da autora do trabalho.

O segundo capítulo constitui a metodologia em que estão descritos de forma clara e detalhada
todos os métodos, materiais e técnicas levadas a cabo para a implementação da pesquisa. O
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terceiro capítulo constitui a apresentação, análise e discussão dos resultados, nele estão
apresentados os resultados obtidos, as respectivas análises qualitativas e quantitativas feitas a
luz das ideias citadas na fundamentação teórica.

Por fim tem a conclusão que é onde se apresenta o resumo dos resultados alcançados pela
pesquisa, as dificuldades enfrentadas durante o percurso de realização da mesma e algumas
sugestões e recomendações.
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CAPÍTULO I: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A água é um importante recurso natural que com base em vários autores não existe de forma
pura na natureza, no sentido absoluto do termo, uma vez que ela é um poderoso solvente.

Para TUNDISI1 apud Cornationi (2010:1) a água que se encontra no subsolo terrestre é
conhecida como água subterrânea.

Por sua vez STRUCKMEIER2 apud Cornationi (2010:2) afirma que,

A água subterrânea é de tal importância que se torna impossível o


abastecimento de água doce de qualidade, fornecida para o consumo dos
humanos, indústria e agricultura, se ela não for aproveitada. Esta água é a
maior e mais segura de todas as fontes de água potável existentes na Terra,
sendo em muitos locais, a maior parte da água potável é de origem
subterrânea.

As águas subterrâneas apresentam-se mais protegidas devido ao solo e cobertura rochosa,


fazendo com que apresentem vantagens em relação às águas superficiais, podendo citar-se a
título de exemplo: a proximidade do local de utilização, a sua qualidade, uma vez que podem
estar livre de patógenos e contaminantes. Vantagens estas que conferem a estas, motivos do
uso generalizado desse tipo de água,

Na óptica de Cruz (2007)


A preocupação com a qualidade da água é incipiente, pois os trabalhos
científicos só visavam o aspecto quantitativo, todavia com o crescimento
populacional, acompanhado com o desenvolvimento industrial e a super
utilização dos recursos hídricos, o factor qualidade passou a ser importante.
Desse modo é fundamental que os recursos hídricos apresentem condições
físico-químicas adequadas para a utilização dos seres vivos, devendo conter
substâncias essenciais à vida e estar isentos de outras substâncias que
possam produzir efeitos prejudiciais aos organismos.

A análise de qualidade da água é de extrema importância para sua utilização uma vez que
concentrações acima dos valores máximos admissíveis de determinado parâmetro podem
causar prejuízos à saúde pública e ao meio ambiente.

1
TUNDISI, J. G. Água no século XXI: Enfrentando a escassez. 4 ed. Rima Editora, São Carlos, 2003. 248p.
2
STRUCKMEIER, W. Água subterrânea – reservatório para um planeta com sede. Fotografias de Ted Nield.
Tradução Braga Pangeo. In: CONFERÊNCIA PLANETA TERRA, CIÊNCIAS DA TERRA PARA A
SOCIEDADE, Lisboa, 2008. 16p. Disponível em:
<[Link] brochura2_web.pdf >. Acesso em: 17 Nov.
2010.
16

Instituto Adolfo Lutz (2008:347) define a água para o consumo humano como sendo “aquela
cujos parâmetros microbiológicos, físico-químicos e radioactivos atendem aos padrões de
potabilidade e não oferecem risco à saúde da população”.

O MISAU (2004:367) define água destinada ao consumo humano como:

a) Toda a água no seu estado original ou após o tratamento, destinada a ser bebida, a
cozinhar, […] ou para outros fins domésticos, independentemente da sua origem e de
ser fornecida a partir de um sistema de abastecimento de água com ou sem fins
comerciais.
b) Toda a água utilizada numa empresa da indústria alimentar para o fabrico,
transformação, conservação ou comercialização de produtos destinados ao consumo
humano.

Tratando-se da água, um elemento essencial e indispensável aos organismos vivos, para que
seja adequada ao consumo humano ela deve ser potável. E falar de água potável como
sustenta (Ibid., p. 367) refere-se a “aquela que é apropriada para o consumo humano pelas
suas qualidades organolépticas, físicas, químicas e biológicas”

São vários os parâmetros que regulam a qualidade da água destinada ao consumo humano,
dentre os quais podem-se destacar os parâmetros químicos cujo um deles é a dureza,
parâmetro este que é definido por diversos autores.

De acordo com Skoog (2006:456) a dureza de uma água já foi definida como a “capacidade
dos catiões na água em deslocar os iões sódio ou potássio em sabões e formar produtos
poucos solúveis que produzem uma espécie de resíduo que adere às pias e banheiras”. Ainda
na óptica do mesmo autor a determinação da dureza é um teste analítico útil que fornece uma
medida da qualidade da água para uso doméstico e industrial.

Da mesma forma Mendes & Oliveira (2004:252) fundamentam que uma água diz-se dura
“quando o seu uso obriga o consumo de mais sabão no decurso das lavagens, devido a
formação de sais insolúveis daqueles metais com ácidos gordos dos sabões”

A dureza é definida por Battalha & Parlatore (1977: s/p) como “a soma de catiões, que são na
maioria das vezes cálcio e magnésio, expressados numa quantidade equivalente de CaCO 3,
[…] podendo variar de concentrações inferiores a 50 mg/L de CaCO3, a valores maiores que
200 mg/L de CaCO3”.

Kariatsumari (2010:5) diz que “a dureza corresponde ao teor de metais alcalinos e alcalinos
terrosos presentes na água”. Estes metais, sob a forma de sais dissolvidos podem interferir em
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alguns processos tecnológicos, pois aumentam o ponto de ebulição da água (100ºC) e também
podem interferir no processo de limpeza de utensílios.

A dureza total é definida como a soma das concentrações de cálcio e magnésio, ambas
expressas como carbonato de cálcio, em miligramas por litro, (Ibid., p. 347).

São quatro os principais compostos que conferem dureza às águas: bicarbonato de cálcio,
bicarbonato de magnésio, sulfato de cálcio e sulfato de magnésio.

A principal fonte de dureza nas águas é a sua passagem pelo solo (dissolução da rocha
calcária pelo gás carbónico da água), conforme as reacções:

H2CO3(aq) + CaCO3(s)  Ca(HCO3)2(aq)

H2CO3(aq) + MgCO3(s)  Mg(HCO3)2(aq)

Por tal motivo é mais frequente encontrar-se águas subterrâneas com dureza elevada do que as
águas superficiais. Facto este que é ainda realçado por outros autores, (Ibid., p. 252) quando
afirmam que “as águas subterrâneas, pelo mais íntimo e prolongado contacto com as
formações geológicas, são, em geral, mais duras que as da superfície”.

Baccan et. al. (1979:205) diz também que “a composição química da água, e portanto, a sua
dureza, depende em grande parte do solo do qual procede”. Estas ideias vêm ainda reforçar o
facto que as águas subterrâneas que procedem de solos ricos em calcário apresentam
geralmente valores de durezas elevados.

1.1. Classificação da dureza

A classificação da dureza da água de acordo com Op. cit., p. 252 pode ser feita com base em
dois critérios: quanto aos catiões e quanto aos aniões associados a estes.

 Quanto aos catiões

A dureza é classificada em dureza cálcica (devido ao cálcio) e dureza ao magnesiana (devido


a magnésio). A dureza total é a soma entre a dureza a cálcica e magnesiana.

 Quanto aos aniões associados aos catiões


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Neste critério a dureza é classificada como dureza temporária e dureza permanente.

A dureza temporária, também chamada de dureza de carbonatos é aquela em que o cálcio ou o


magnésio encontram-se associados a carbonatos (ou bicarbonatos). Por outro lado FUNASA
(2009:46) diz que é denominada de temporária porque, “os carbonatos ou bicarbonatos, pela
acção do calor se decompõem em gás carbónico, água e carbonatos insolúveis que se
precipitam”.

A dureza permanente, também chamada de dureza de não carbonatos, é causada pela presença
de sulfatos, cloretos e nitratos associados ao cálcio ou magnésio. Não se decompõe pela acção
do calor.

Em suma pode se dizer que a água apresenta dureza temporária quando esta é rica em
bicarbonato de magnésio e/ou de cálcio, pois a mesma pode ser removida com uma simples
fervura, onde os bicarbonatos são convertidos em carbonatos insolúveis. Já cloretos e sulfatos
de magnésio ou cálcio causam dureza permanente.

A dureza total da água é dada por um lado, pela soma da dureza cálcica e magnesiana

Dureza total = Dureza cálcica + Dureza magnesiana

e por outro, pela soma da dureza temporária e permanente.

Dureza total = Dureza temporária (carbonatada) + Dureza permanente (não carbonatada)

A dureza total é calculada como sendo a soma das concentrações de iões cálcio e magnésio na
água, expressos como carbonato de cálcio (Op. cit., p. 46).

Normalmente, uma água dura identifica-se pela dificuldade que se tem de obter, com ela,
espuma de sabão. A água dura também apresenta inconvenientes como: aumento da
temperatura de ebulição da água, e quando tal acontece formam-se precipitados carbonatados
que aumentam o tempo de cozimento dos alimentos e provoca "encardio" em panelas, e é
potencialmente perigoso para o funcionamento de caldeiras ou outros equipamentos que
trabalhem ou funcionem com vapor de água, podendo provocar explosões desastrosas.

De acordo com Ibid., p. 254 “o endurecimento de alguns alimentos durante a cozedura é


também outro inconveniente que as águas duras apresentam”.
19

Há também indícios da possibilidade de um aumento na incidência de cálculo renal em


cidades abastecidas com águas duras, o que traduz um efectivo problema de saúde pública.

1.2. Métodos usados para a determinação da dureza da água


1.2.1. Espectrofotometria de absorção atómica

De acordo com Ibid., p.199 “a determinação da dureza pode ser feita por espectrofotometria
de absorção atómica ou através de titulação”. Utilizando-se o espectrofotómetro de absorção
atómica, obtêm-se directamente as concentrações de cálcio e magnésio na amostra, somando-
se os resultados após transformação dos equivalentes-grama para a composição da dureza
total.

Na visão de Júnior (2008:31) a espectrometria de absorção atómica,

Consiste em aquecer uma solução do elemento que se deseja determinar a uma


temperatura suficiente para a dissociação das moléculas. Tradicionalmente, a
energia térmica necessária é fornecida por uma chama, embora actualmente exista
o forno de grafite.

Em espectrometria de absorção atómica uma radiação de comprimento de onda característico


do elemento em estudo é emitida através do vapor atómico. Os átomos do elemento absorvem
alguma desta radiação. A quantidade de radiação absorvida por estes átomos é medida e usada
para determinar a concentração do elemento na amostra em estudo.

Op. Cit., p.31 afirma que “uma grande variedade de misturas gasosas tem sido utilizada para a
produção da chama. Foram estudadas muitas combinações combustível/oxidante que
provaram ser inadequadas por uma razão ou outra (não utilizável analiticamente, segurança,
custo ou conveniência) ”. Na espectroscopia de chama, as misturas gasosas ar-acetileno e
óxido nitroso-acetileno são as mais utilizadas nas análises.

Sobre a aplicação da espectrometria de absorção atómica, Dantas (1992) afirma que,

A técnica de Absorção Atómica é aplicada em: análises de águas (naturais, residuais,


ultra puras); indústria farmacêutica; bioquímica e toxicologia (análises clínicas,
bioquímicas e toxicológicas); alimentos; vinhos; fertilizantes; derivados de petróleo
(elementos metálicos em combustíveis minerais, traços metálicos em destilados de
petróleo); plásticos e fibras sintéticas; rochas e solos; minerais; vidros, produtos
cerâmicos; cimentos e na área metalúrgica.
20

A espectrofotometria é o método mais preciso para a determinação da dureza da água, porém


o equipamento é caro e geralmente não disponível em laboratórios com poucos recursos.

1.2.2. Titulação complexiométrica com EDTA

Neste método a água dura é titulada com EDTA na presença do indicador Negro de
Eriocromo T, após a amostra ter sido tamponada a pH 10. O magnésio, que forma o complexo
menos estável com EDTA, dentre todos os catiões multivalentes comuns nas amostras típicas
de água, não é titulado até que tenha sido adicionado reagente suficiente para complexar todos
os outros catiões na amostra. Portanto, um indicador para o ião magnésio, como a calmagita
ou Negro de Eriocromo T (C20H12N3O7SNa), pode servir como indicador nas titulações de
água dura. O ponto de equivalência da titulação é representado pela mudança da solução de
cor vermelha a azul.

Figura 1: Estrutura do indicador Negro de Eriocromo T

Fonte: [Link]

O EDTA é um composto orgânico cuja fórmula molecular: C10H16N2O8 que age como ligante
polidentado, formando complexos muito estáveis com diversos iões metálicos, e
especialmente estáveis com Mn(II), Cu(II), Fe(III), e Co(III). Devido a isso, é usado como
preservante do sangue, pois "inactiva" os iões de cálcio, que promovem a coagulação
sanguínea. Esta habilidade de complexar e assim "inactivar" iões metálicos é também usada
como antídoto para envenenamento por chumbo e outros metais pesados. É também
principalmente utilizado no tratamento de água.
21

Figura 2: Estrutura do EDTA

Fonte: [Link]

1.2.3. Titulação por precipitação com HCl


 Dureza temporária

Titula-se um dado volume de água com HCl, em presença de alaranjado de metilo; ocorrendo
as seguintes reacções:

Ca(HCO3)2(aq) + 2HCl(aq) CaCl2(s) ↓ + H2O(l) + 2CO2(g)↑

Mg(HCO3)2(aq) + 2HCl(aq) MgCl2(s)↓ + H2O(l) + 2CO2(g)↑

Figura 3: Estrutura do indicador Alaranjado de Metilo

Fonte: Morrison & Boyd (1997:s/p)

 Dureza permanente

De acordo com Alexeev (2000:330), a determinação da dureza permanente baseia-se na


“precipitação dos sais de cálcio e magnésio sob a forma de carbonatos, com excesso de
solução titulada de Na2CO3. Depois de separado o precipitado, o excesso de Na2CO3 que não
entrou na reacção titula-se com uma solução de HCl, em presença do alaranjado de metilo”.
22

Fazendo a diferença, obtém-se a quantidade de Na2CO3 gasta na precipitação dos sais de


cálcio e magnésio (método de titulação por retorno). A partir desse valor, obtém-se, com
facilidade a dureza da água.

Depois da adição de Na2CO3, evapora-se a solução até a secura. Os hidrogeno sais de Ca e Mg


decompõem-se em carbonatos insolúveis na água.

1.3. Graus de Dureza

Existem diversas escalas de dureza, variando de país para país. Porém todas estas escalas são
baseadas nos valores estabelecidos pela OMS. O caso concreto do nosso pais o MISAU
recomenda como valor máximo admissível de dureza total 500mg/L CaCO3 (veja Anexo I),
entretanto, apresenta-se aqui uma escala de classificação das águas quanto a dureza (Tabela
abaixo):

Tabela 1: Classificação da água quanto a dureza total

mg/L CaCO3 Grau de dureza total da


água

0 - 60 Muito branda ou mole

60 – 150 Branda ou mole

150 – 300 Moderadamente dura

300 - 500 Dura

>500 Muito dura

Fonte: Mendes & Oliveira (2004:255)


23

CAPÍTULO II: METODOLOGIA

2.1. Tipos de pesquisa


 Quanto aos objectivos:

A pesquisa foi explicativa “que teve como preocupação central identificar os factores que
contribuem para a ocorrência dos fenómenos, e que tem como vantagem o aprofundamento da
realidade, por explicar a razão e o porquê do fenómeno” (IVALA et. al., 2007:28).

 Quanto a abordagem:

A pesquisa foi quantitativa uma vez que consistiu na tradução em números das opiniões e
informações e posterior classificação e análises.

 Quanto aos procedimentos técnicos:

A pesquisa foi experimental em que se determinou um objecto de estudo, seleccionando as


variáveis, se definiram as formas de controlo e de observação dos efeitos que a variável
produziu no objecto.

2.2. Métodos da pesquisa

Os métodos de análise e interpretação dos resultados usados foram:

Método bibliográfico – este método permitiu obter as conclusões da pesquisa com base em
confrontações entre os dados recolhidos e os que os outros autores apresentam em estudos
semelhantes.

Método experimental – através de análises laboratoriais de parâmetro químico a que foram


submetidas as amostras de água recolhidas nos diferentes bairros, permitiu obter dados que
revelaram o alcance dos objectivos e a comprovação ou refutação das hipóteses. Usou-se para
a determinação da dureza, o método de titulação complexiométrica, usando solução de EDTA
como titulante.

O método indutivo – que partindo de dados particulares constatados, permitiram a autora da


pesquisa, generalizar os factos inferindo uma verdade geral que englobaram as partes não
examinadas.
24

O método estatístico – com base nos resultados obtidos permitiu a interpretação dos dados em
termos numéricos, e com base neles foram tiradas as conclusões que permitiram validar ou
refutar certas hipóteses.

2.3. Universo e amostra

A amostra probabilística aleatória simples que consiste na selecção dum subgrupo da


população, que possa ser considerado representativo de toda a população, foi o tipo de
amostra utilizada.

O universo da pesquisa foi de 20 fontes de abastecimento de água (torneiras e furos),


localizadas em 10 bairros da cidade de Montepuez, dos quais se recolheram 10 amostras de
500mL cada.

2.4. Procedimentos e materiais usados na pesquisa


2.4.1. Colheita de amostras

Durante a colheita das amostras usaram-se procedimentos e materiais compilados pela autora
do trabalho, baseando-se na consulta de diversas obras bibliografias, cujas referências
constam na bibliografia final do trabalho.

Materiais: Frascos de colecta (garrafas vazias de água mineral de 500mL); Colman; Caneta
esferográfica; Marcador permanente; Fita-cola; Papel A4

Procedimentos

 Lavaram-se e secaram-se as mãos;


 Lavou-se cada frasco de colheita com a água do furo correspondente;
 Abria-se a torneira dos furos, deixando a água escoar por cerca de 3 minutos;
 Ajustava-se a abertura da torneira em fluxo baixo de água;
 Removia-se a tampa juntamente do frasco, tendo os seguintes cuidados:
 Não tocar na parte interna da tampa e do frasco;
 Não colocar a tampa no chão ou sobre outra superfície;
 Não falar, tossir ou espirrar próximo ao frasco de colecta;
25

 Tomava-se sempre o cuidado de não encher o frasco até o gargalo, deixando cerca de
2 a 3 centímetros para homogeneização da amostra;
 Após a colecta da água no frasco plástico, tapou-se;
 Etiquetou-se bem os frascos com as amostras;
 Acondicionou-se adequadamente os frascos no colman.

Depois de colhidas as amostras todas, foram acondicionadas numa geleira (a 4ºC) até a hora
em que foram transportadas para o laboratório da FIPAG em Pemba (onde foram realizadas as
análises, como comprava o anexo II), tendo durante a viagem sido acondicionadas em um
colman, até a chegada do laboratório onde foram acondicionadas numa geleira (a 4ºC).

2.4.2. Parte Experimental

Os métodos e procedimentos usados para as análises das amostras foram os estabelecidos pelo
MISAU e descritos pelo Laboratório Nacional de Higiene de Alimentos e Águas. Tendo-se
usado a Titulação complexiométrica com EDTA na presença de indicador.

[Link]. Determinação da dureza total

Consistiu na formação de complexos estáveis e incolores com os catiões cálcio e magnésio,


pela adição do sal dissódico do ácido etileno-diamino-tetracético (EDTA) em presença do
indicador (negro de Eriocromo T).

Materiais

 Balões graduados de 100 mL, 200mL, 250 mL, 500 mL


 Balões graduados de 1000 mL e aferidos
 Balões de Erlenmeyer de 250 mL, 500 mL, 750 mL
 Buretas graduadas em décimas de mL
 Pipetas de 1 mL, 25 mL, 50 mL, 100 mL, aferidas
 Conta gotas

Reagentes

 Água destilada;
 Indicador negro de Eriocromo T;
 Solução de carbonato de sódio (Na2CO3);
26

 Solução tampão pH em torno de 10 ± 0,1;


 Solução titulante de EDTA;
 Solução padrão de cálcio 0.02N;
 Solução de ácido clorídrico 1:1.

Preparação dos reagentes

Indicador negro de Eriocromo T: juntou-se 1mL de uma solução de Na2CO3 a 30mL de


H2O destilada e depois 1g de negro de Eriocromo T e agitou-se. Ajustou-se o pH a 10,5 com a
solução de Na2CO3 e perfez-se o volume de 100mL com álcool etílico 95%. A solução foi
guardada em frasco escuro bem tapado.

Solução de Na2CO3: dissolveu-se 3g de Na2CO3 em H2O destilada e perfez-se o volume de


100mL com água destilada.

Solução tampão pH em torno de10 ± 0,1: dissolveu-se 1,170g de sal dissódico do ácido
etileno-diamino-tetracético dihidratado e 0,780g de sulfato de magnésio heptahidratado
(MgSO4.7H2O) em 50mL de água destilada. Juntou-se esta solução a 16,9g de NH 4Cl e
143mL de NH4OH concentrado e dilui-se até 250mL com água destilada.

Guardou-se a solução em uma garrafa de plástico bem fechada, para evitar perdas de
amoníaco.

Solução titulante de EDTA: dissolveu-se 4,2g de sal dissódico do ácido etileno-diamino-


tetracético dihidratado (Na2H2C10H12O8N2.2H2O) em cerca de 800mL de água destilada.

Determinação do título da solução titulante

Mediu-se com uma pipeta 25mL de solução padrão de cálcio 0,02N para um frasco de
Erlenmeyer. Adicionou-se 25mL de água destilada, 1mL de solução tampão (acima indicada)
e 1 a 2 gotas de solução de indicador negro de Eriocromo T.

Titulou-se, até a viragem da solução vermelho-vinosa a azul com EDTA. A titulação foi feita
dentro de cinco minutos após a adição do tampão.

Sendo V o volume, em mililitros, da solução do titulante gasto na titulação, mediu-se 40 x (25


- V) mL de água destilada para o balão de 1000mL e perfez-se o volume com a solução
titulante de EDTA.
27

Solução padrão de cálcio 0.02N: pesou-se 1,0009g de CaCO3 anidro e previamente seco em
estufa a 110ºC, colocou-se num copo de 500mL. Juntou-se alguns mililitros da solução de
HCl (abaixo indicada) até todo o carbonato de cálcio estar dissolvido.

Juntou-se 200mL de água destilada e ferveu-se durante alguns minutos para evaporar o CO 2.
Deixou-se arrefecer e ajustou-se o pH mais ou menos a 5, por adição de hidróxido de amónia
(NH4OH).

Transferiu-se a solução para um balão volumétrico de 1 litro e perfez-se o volume com água
destilada.

Solução de ácido clorídrico [Link] diluiu-se 50mL de ácido clorídrico concentrado em água
destilada e perfez-se o volume de 100mL.

Procedimentos

1. Colocaram-se 10 balões de Erlenmeyer enumerados, de 250mL cada, ordenados em


fila de forma crescente;
2. Mediu-se 50mL de cada amostra da água em estudo para os balões de Erlenmeyer de
250mL (uma amostra para cada balão);
3. Pipetou-se 1mL da solução tampão em cada balão contendo os 50mL de água em
estudo e. Agitou-se;
4. Adicionou-se depois 2 gotas da solução de indicador negro de Eriocromo T em cada
balão e agitou-se;
5. Titulou-se cada análito com a solução titulante de EDTA sob agitação constante, até
viragem da cor vermelho-vinosa a azul (ponto de equivalência da titulação);
6. Fez-se a leitura na bureta do volume de EDTA gasto em cada titulação, e anotou-se os
valores em uma tabela previamente traçada.

[Link]. Determinação da dureza cálcica

Consistiu na titulação da água com EDTA em presença do indicador Murexida, sendo


necessário elevar o pH de tal modo que o magnésio precipita-se na forma de Mg(OH)2.

Materiais

Os materiais usados foram os mesmos usados para a dureza total.


28

Reagentes

 Solução de NaOH à 5%
 Solução titulante de EDTA
 Indicador Murexida 0,1%

Preparação dos reagentes

Solução de NaOH à 5%: dissolveu-se 5g de NaOH num balão de 100mL, perfazendo o


volume com água destilada.

Solução titulante de EDTA: vide o procedimento descrito na página 26.

Indicador (Murexida) 0,1%: preparou-se uma suspensão de 1,0g de purpurato de amónio


num balão de 100mL de etanol absoluto.

Procedimentos

1. Colocaram-se 10 balões de erlenmeyer enumerados, de 250mL cada ordenados em fila


de forma crescente;
2. Mediu-se 50mL de cada amostra da água em estudo para os balões de Erlenmeyer de
250mL (uma amostra para cada balão);
3. Pipetou-se 2mL da solução NaOH em cada balão contendo os 50mL de água em
estudo. Agitou-se a solução;
4. Em seguida juntou-se 5 gotas do indicador Murexida em cada balão, e agitou-se a
solução;
5. Titulou-se com solução de EDTA sob agitação constante, até a viragem da cor rosa a
roxa;
6. Fez-se a leitura na bureta do volume de EDTA gasto em cada titulação, e anotou-se os
valores em uma tabela previamente traçada.

[Link]. Dureza magnesiana

A dureza magnesiana, que corresponde a concentração do ião magnésio (Mg 2+) foi
determinada pelo método de cálculos (por diferença entre a dureza total e cálcica), depois de
conhecidos os valores da dureza total e cálcica.
29

CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1. Apresentação dos resultados

Durante a pesquisa, foram analisadas 10 amostras de diferentes bairros nomeadamente


(Matuto 1,2,3 e 4, Cimento, Merige, Nacate, Napai, Nihula, Ncoripo).
A análise das amostras consistiu na determinação da dureza total, dureza cálcica e dureza
magnesiana usando o método de titulação complexiométrica com EDTA e o de cálculo.
Dos experimentos realizados foram obtidos os resultados que serão mencionados a seguir.

3.1.1. Resultados dos experimentos de determinação da dureza total

Durante as experiências observou-se mudanças de coloração a medida que se ia adicionando


os reagentes.

A primeira coloração observada (vermelha), após a adição do indicador negro de Eriocromo T


foi resultado de uma reacção de formação do complexo deste, com os metais bivalentes
existentes na água (Ca e Mg). A reacção de formação dos complexos pode ser representada
pela equação abaixo:

M2+( aq) + HInd2-(aq) [MIn]-(aq)+ H+

Azul vermelho – vinho

Onde: M – é o metal; HInd – indicador Negro de Eriocromo T (C20H12N3O7SNa)

No processo de titulação gota a gota com EDTA, sob agitação constante, observou-se uma
mudança gradual da coloração, vermelho-vinho para azul, o que indicava o decorrer da
reacção. Com o decorrer da reacção o complexo formado pela reacção acima representada, vai
sendo destruído e o EDTA vai deslocando o indicador do complexo. O término da reacção
deu-se quando a titulação atingiu o ponto de viragem, o momento em que a quantidade de
EDTA adicionado foi o suficiente para complexar todo o metal que esteve ligado ao
indicador. O ponto de viragem foi marcado pela mudança de cor da solução de vermelho-
vinho (cor do complexo formado pelo indicador com o metal) para azul (cor do indicador em
solução alcalina). A reacção do ponto de viragem pode ser representada pela equação abaixo:

[MIn]-(aq) + HY3-(aq) [MY]2+(aq) + HInd2-(aq)

Vermelho – vinho azul


30

[Link]. Expressão dos resultados

Os teores de dureza total das amostras analisadas expressa em mg/L de CaCO 3, foram
calculados com base na fórmula:

V 1 x 1000
Dureza total = [mg de CaCO3/L]
V

Onde: V1= volume da solução titulante gasto na titulação, expresso em mL

V = volume tomado da amostra em mL

E os valores obtidos são apresentados na tabela abaixo:

Tabela2: Resultados experimentais de dureza total das amostras analisadas

Nº da Local da Volume (mL) de EDTA Dureza total


amostra colheita gastos na titulação (mg/L) ou ppm
1 Matuto 1 32.5 650
2 Matuto 2 29.5 590
3 Matuto 3 28.8 576
4 Matuto 4 47.2 944
5 Cimento 27.2 544
6 Merige 22.6 452
7 Nacate 44.2 884
8 Napai 20.5 410
9 Nihula 20.3 406
10 Ncoripo 9.4 188
Fonte: Autora

3.1.2. Resultados dos experimentos de determinação da dureza cálcica

À semelhança do outro experimento descrito acima, o de determinação da dureza cálcica


também foi aplicado o método de titulação complexiométrica com EDTA, tendo neste caso
sido usado o indicador Murexida em substituição do Negro de Eriocromo T, uma vez que este
último, forma com o cálcio um complexo muito fraco que resultaria numa mudança de cor
pouco definida no ponto de viragem.
31

Quando adicionado o indicador a solução tomou a cor rosa, resultado do complexo formado
entre o indicador Murexida e o cálcio. A reacção de formação do complexo pode ser
representado pela equação abaixo:

Ca2+(aq) + Ind(aq) [CaInd]2+(aq)

Roxo Rosa

Durante o processo de titulação com EDTA sob agitação constante, o titulante foi deslocando
o indicador do complexo, e a mudança de cor observada (de cor rosa para roxa), indicava que
a reacção tinha atingido o seu ponto de equivalência que é o ponto em que a quantidade de
EDTA adicionada era suficiente para complexar todo o cálcio da amostra, tendo se formado
assim um complexo estável do titulante com o Ca.

[CaInd]2+(aq) + H2Y2-(aq) [CaY]2-(aq) + Ind(aq) + 2H+(aq)

Rosa Roxo

A cor final da solução (roxa) representou a cor do indicador Murexida em solução aquosa
alcalina.

[Link]. Expressão dos resultados

Os teores da dureza cálcica, que correspondem ao teor de iões Ca 2+ expressos em mg de


CaCO3/L foram determinados usando a seguinte expressão:

V 1 x 1000
Ca2+ = [mg de CaCO3/L]
V

Onde: V1= volume de solução gasto na titulação (em mL)

V = volume tomado da amostra (em mL)

Os resultados através dos cálculos efectuados com base na fórmula estão apresentados na
tabela abaixo.
32

Tabela 3: Resultados experimentais de dureza cálcica das amostras analisadas

Volume (mL) de
Nº da Local da
EDTA gastos na Ca2+ (mg/L)
amostra colheita
titulação
1 Matuto 1 2.9 58
2 Matuto 2 2.0 40
3 Matuto 3 8.5 170
4 Matuto 4 2.6 52
5 Cimento 6.4 128
6 Merige 4.0 80
7 Nacate 6.5 130
8 Napai 4.5 90
9 Nihula 9.0 180
10 Ncoripo 1.0 20
Fonte: Autora

3.1.3. Resultados de determinação da dureza magnesiana

A soma dos iões cálcio e magnésio constitui a dureza total da água. Uma vez determinada a
dureza total e a concentração dos iões cálcio, a concentração dos iões magnésio nas amostras
foi determinado pelo método de cálculo, aplicando a seguinte fórmula:

Mg2+ = (A - B) [mg/L de CaCO3]

Onde: A = dureza total

B = dureza cálcica, expressa em mg/L de CaCO3

Os resultados apresentaram-se arredondados as décimas, como se pode observar na tabela


abaixo.
33

Tabela 4: Resultados experimentais de dureza magnesiana das amostras analisadas

Nº da Local da
Mg2+ (mg/L)
amostra colheita
1 Matuto 1 592
2 Matuto 2 550
3 Matuto 3 406
4 Matuto 4 892
5 Cimento 416
6 Merige 372
7 Nacate 754
8 Napai 320
9 Nihula 226
10 Ncoripo 168
Fonte: Autora

3.2. Análise e discussão dos resultados

Os resultados obtidos após todas as análises feitas as amostras são apresentados nas tabelas
abaixo.

Tabela 5: Resultados experimentais dos parâmetros analisados

Parâmetros analisados
Amostra
Dureza total
s Ca2+ (mg/L) Mg2+ (mg/L)
(mg/L)
1 650 58 592
2 590 40 550
3 576 170 406
4 944 52 892
5 544 128 416
6 452 80 372
7 884 130 754
8 410 90 320
9 406 180 226
10 188 20 168
Fonte: Autora
34

Por meio dos gráficos abaixo, pode-se comparar os resultados dos parâmetros analisados em
cada amostra.

Gráfico 1: Teores de dureza total em função da dureza cálcica

1000
900
800
700
600
DT 500
400
300
200
100
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
D (Ca2+)

Fonte: Autora

O gráfico acima demonstra a relação existente entre a dureza total e dureza cálcica, em que no
eixo dos x temos os valores da dureza cálcica e no eixo dos y temos os valores da dureza total.
Com o gráfico pode-se perceber que a relação existente entre estes dois parâmetros nas
amostras de água analisadas não é linear.

Gráfico 2: Teores de dureza total em função da dureza magnesiana

1000
900
800
700
600
DT 500
400
300
200
100
0
100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000

D (Mg2+)

Fonte: Autora
35

Dureza Total
1000
944
800 884
600 650
590 576 544
400 452 410 406
200
188
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Amostras

Dureza total (mg/l)

Gráfico 3: Dados referentes a teores de Dureza Total

Fonte: Autora

Os dados do gráfico acima permitem com clareza fazer uma comparação dos teores de dureza
total existentes na água consumida na cidade de Montepuez. Os teores de dureza são muito
elevados (variam de 188 mg/l a 944 mg/l), e enquadrando os valores na classificação da
dureza mencionada na pag.22, baseada em MENDES & OLIVEIRA (2004:255) chega-se a
conclusão de que a água de Montepuez varia de moderadamente dura a muito dura, sendo a
maior parte dela muito dura.

As amostras 1 a 5, e 7 apresentaram valores altos de dureza, sendo considerada a água desses


furos muito duras e com valores acima do máximo permitido. As amostras 6, 8 e 9
apresentaram teores de dureza que apesar de se considerar dura, ainda esta dentro dos
parâmetros recomendados. E a amostra 10 apresentou um teor que a permite considerar
moderadamente dura e apropriada para o consumo humano.

Sendo o limite máximo estabelecido pela OMS para uma água potável de 500mg/L, e o
mesmo foi adoptado pelo MISAU, as amostras analisadas revelaram que a água consumida na
maioria dos bairros da cidade não é potável, sendo por isso não apropriada para o consumo
humano bem como para outras actividades, como é o caso de actividades industriais.
36

Teor de Calcio
200
180
160 180
170
140
120 128 130
100
80 90
60 80
40 58 52
20 40
0 20
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Amostras

Ca2+ (mg/l)

Gráfico 4: Dados referentes à concentração de iões cálcio

Fonte: Autora

Os resultados das amostras 1, 3, 4 a 9 mostraram que a água consumida na cidade de


Montepuez apresentam teores altos de concentração de iões cálcio, e comparados com os
parâmetros em vigor no país (vide anexo I), estes estão muito acima do valor máximo
permitido, e estas águas são consideradas como impróprias para o consumo humano.

Os valores apresentados no gráfico acima apenas sustentam os resultados de dureza total


encontrados nas amostras analisadas, como realça LNHAA (1996), “pode-se considerar
normal um valor entre 20 a 50mg/L, valores elevados tornam as águas demasiadamente
duras”.

As amostras 2 e 10 apresentam concentrações de cálcio dentro dos paramentos aceitáveis da


água para o consumo humano.

Gráfico 5: Dados referentes à concentração de magnésio


37

Teor de Magnesio
1000
900
800 892
700 754
600
500 592 550
400
406 416
300 372
320
200 226
100 168
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Mg2+ (mg/l)

Fonte: Autora

Á semelhança do cálcio a concentração de magnésio na água potável não pode exceder os


50mg/L, porem os resultados das experiências mostraram que as amostras de água analisadas
apresentam na sua totalidade concentrações muito acima do permitido. Os resultados mostram
com clareza que o magnésio é um dos principais contribuintes para os teores elevados de
dureza, e para o sabor desagradável e amargo que a água apresenta.

E de acordo com o LNHAA (1996), “concentrações excessivas de magnésio dão a água um


sabor amargo característico, tornando-a desagradável ao paladar”.

Amostras que apresentam valores elevados demonstram que as águas são resistentes á acção
de sabões e detergentes além de provocar incrustações nos tubos devido à formação de
precipitados insolúveis. Pelos resultados percebe-se que as amostras de água apresentam
teores elevados de dureza total, devido aos altos valores de bicarbonatos, carbonatos, sulfatos
de cálcio e magnésio.

Os valores de dureza variam de 188 a 944 mg/L; em seis furos as águas são muito duras, não
apropriadas para consumo humano por apresentarem dureza acima de 500 mg/L; este tipo de
água foi encontrado nos 6 furos amostrados nos bairros de Matuto 1, 2, 3 e 4, Cimento e
Nacate.

As águas duras são inadequadas também na agricultura. Usando a classificação MENDES &
OLIVEIRA (2004:255), das 10 amostras, uma é moderadamente dura (Dureza de 150 a 300),
três são duras (Dureza de 300 a 500), e 6 são muito duras (Dureza> 500).
38

A luz dos resultados das experiências e da pesquisa, pode-se afirmar que os teores de dureza
total encontrados nas amostras 1 a 5, e 7 validam a hipótese 1 da presente da pesquisa, sendo
que os valores encontrados são acima do máximo permitido.

E os resultados das amostras 6, 8 a 10 sustentam a hipótese 2 da pesquisa, segundo a qual o


teor de dureza total da água consumida em Montepuez está dentro dos parâmetros aceitáveis
pela OMS para uma água potável.
39

Conclusão

As análises efectuadas as águas consumidas na cidade de Montepuez mostraram que, a


maioria delas apresentam elevados teores de dureza total.

A dureza é mais elevada na água captada do furo do Bairro de Matuto 4 e o teor mais baixo
foi verificado na água colhida do bairro Ncoripo.

As águas consumidas na cidade de Montepuez são duras e por isso não consideradas de
qualidade aceitável, embora algumas das amostras de alguns bairros (como é o caso de
Nihula, Napai, Merige e Ncoripo) terem apresentado valores de dureza dentro dos
recomendados pelo MISAU.

As concentrações excessivas de magnésio nas águas de Montepuez, são responsáveis pelo


sabor amargo e característico e por torná-las desagradável ao paladar de quem as consome.

Os resultados das análises das amostras 1 a 5, e 7 correspondente aos bairros Matuto 1, 2, 3 e


4, Cimento e Nacate respectivamente comprovam que a primeira hipótese traçada para a
pesquisa é válida, o que mostra que a água consumida nestes bairros não é de boa qualidade
para o consumo humano.

Os resultados das amostras 6, 8, 9 e 10 correspondentes aos bairros Merige, Napai, Nihula e


Ncoripo mostram que a segunda hipótese traçada também é verdadeira. Apesar de dura a água
consumida nestes bairros apresenta um teor de dureza total abaixo do valor máximo permitido
pelo MISAU.

Os dados apresentados ao longo do presente trabalho, demonstram que os objectivos da


pesquisa foram alcançados com sucesso, com excepção do ultimo que só será alcançado na
sua totalidade quando as sugestões aqui propostas forem encaminhadas a quem de direito para
a sua implementação.

Generalizando a os resultados na pesquisa e respondendo ao problema colocado na introdução


pode-se afirmar:

 O teor de dureza existente na água dos furos consumida na cidade de Montepuez é


elevado, rondando em média nos 564mg/L.

A água consumida em Montepuez é classificada como muito dura, não sendo para tal
apropriada para o consumo humano. Para usos domésticos causa inconvenientes como, o uso
40

excessivo de sabão durante a lavagem; aumento do tempo de cozedura dos alimentos;


formação de depósitos de carbonato de cálcio nos recipientes onde a água é fervida;
problemas gastrointestinais, etc.

Limitações

No decorrer da pesquisa da autora deste trabalho deparou-se com varias limitações:

 Falta de bibliografias específicas que abordassem temas semelhantes, pesquisados


dentro da província;
 Não conseguiu fazer análises químicas de determinação da dureza permanente e
temporária devido a falta de reagente no laboratório da FIPAG de Pemba.

Sugestões

 Pesquisas sejam levadas a cabo com o propósito de determinar as durezas temporárias


e permanente;
 Estudos posteriores sejam feitos em relação a parâmetros físico-químicos;
 As Águas de Montepuez criem condições para que se possam analisar todos os
parâmetros reguladores da qualidade de água para o consumo humano no sentido de
identificar os que necessitam de correcção, antes da mesma ser distribuída a
população;
 Uma vez que as águas de Montepuez não possuem condições de efectuar o tratamento
da água com os métodos e equipamentos convencionais, que incentive a população a
tratar a água usando o método de fervura seguido de filtração, como forma de
eliminar a dureza da água.
41

Referências Bibliográficas

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2. BACCAN, Nivaldo e tal. Química analítica quantitativa elementar. Edgadar Blucher,
são Paulo, 1979.
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consumo humano; bases conceituais e operacionais. Cetesb, São Paulo, 1977.
4. CORNATIONI, Miguel Bolpeti. Análises físico-químicas da água de abastecimento
do município de colina-SP, Bebedouro, 2010. Trabalho de Conclusão do Curso, para
obtenção do título de Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas. Faculdades
Integradas FAFIBE, 2010.
5. CRUZ, et. al. Estudo comparativo da qualidade físico-química da água no período
chuvoso e seco na confluência dos rios Poti e Parnaíba em Teresina/PI. CONNEPI,
s/l, 2007.
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7. FUNASA (FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE). Manual Prático de Análise de
Água. 3ed., rev., Fundação Nacional de Saúde, Brasília, 2009.
8. Instituto Adolfo Lutz. Métodos físico-químicos para análise de alimentos. 4ed.,
Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, 2008.
9. IVALA. Adelino Zacarias, et. al. Orientações para Elaboração de Projectos e
Monografias Cientificas. UP, Nampula, 2007.
10. JÚNIOR, Alcides Gomes. Determinação de selênio em água subterrânea utilizando a
espectrometria de absorção atômica com atomização eletrotérmica em forno de
grafita (GFAAS) geração de hidretos (HGAAS). Trabalho de Conclusão do Curso,
para obtenção do grau de Mestre em Ciências na área de Tecnologia Nuclear, no
Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares, São Paulo, 2008.
11. KARIATSUMARI, Sueli Noriko. Análise Química Ambiental. Colégio CETES, s/l,
2010.
12. KUMAR, Haris, et al. Metodologia de Pesquisa. UCM, Beira, 2007.
13. LNHAA (Laboratório Nacional de Higiene de Alimentos e Águas). Métodos de
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15. MISAU (Ministério da Saúde). Regulamento sobre a qualidade de água para o


consumo humano. Departamento de Saúde Ambiental, Diploma ministerial
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16. MORRISON, R. & BOYD, Robert N. Química Orgânica. 13ed., Fundação Calouste
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18. UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA. Normas para Produção e Publicação de
Trabalhos Científicos na Universidade Pedagógica. Maputo, U.P. 2009.
19. [Link] Acesso em 18 de Janeiro de 2013.
20. [Link] Acesso em 31 de Janeiro de 2013.

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