A caminho de Emaús Lucas 24.
13-35
Emaús é com certeza um lugar que significava muito para aqueles discípulos. Era onde as suas
famílias residiam, onde haviam deixado tudo para seguir o Cristo que agora , para eles, estava
morto.
A distancia de Jerusalém a Emaús era de 11 quilômetros, e a viagem a pé durava um dia e uma
noite, de caminhada cansativa por uma estrada de elevações íngreme e sem nenhuma
pavimentação e muito arenosa.
Temos para nós a estrada de Emaús como um caminho de regresso, como o retorno a nossa
vida do passado, aquilo que fazíamos e praticávamos fora da vontade de Deus.
Outra característica de Emaús é também considerada como a estrada da decepção, do
desespero, e da desobediência.
Vamos falar mais sobre Jesus!
CONCLUSÃO
Deus quer fazer arder o nosso coração com o fogo do seu Espírito Santo (Salmo 39.3), mas
para isso precisamos estar na posição certa. Enquanto procuramos águas de descanso para
refrigério em nossas vidas (Salmo 23.2), Jesus vem ao nosso encontro para aquecer o nosso
coração com seu poder e nos manda de volta para exercer o chamado missionário que nos
confiou. Enquanto isso precisamos falar sempre a respeito de Jesus, pois prometeu que
sempre estará conosco (Mateus 28.19,20).
Jesus está ao seu lado!
A estrada de Emaús é considerada por nós como a estrada da falta de fé, da inobservância das
escrituras, mas é também a estrada do nosso resgate nos momentos de sequestros em que o
desespero e a nossa fraqueza nos levam ao cativeiro da apostasia.
O primeiro fato importante a ser observado é o desânimo dos discípulos: “Nós esperávamos
que fosse ele quem redimisse a Israel”.
Os discípulos esperavam um triunfo magnífico e cinematográfico de Jesus sobre os romanos e
judeus, mas isso não acontecera, levando-os ao total desânimo.
Outro fato muito importante que lemos é o que está no verso 13: “Naquele mesmo dia”.
Essa é uma continuação do texto anterior que fala da ressurreição de Cristo e do seu
aparecimento a alguns dos seus seguidores.
Com certeza aquele dia era o dia mais importante da humanidade, o que dia em que o filho de
Deus ressuscitou, o dia em que a morte foi vencida, o dia em que Deus triunfou sobre o mal.
Era um dia de vitória dentro do Cosmo, era um dia de vitória para o ser humano. Dia de
festejar.
Mas o que estava acontecendo com aqueles dois discípulos era totalmente contrário a versão
original dos sentimentos, pois eles ainda choravam a morte, enquanto Jesus já havia
ressuscitado.
Era o paradoxo das emoções.
Como podemos explicar o sentimento de desânimo e decepção daqueles discípulos?
Se aquele era dia de festa como poderia estar triste?
Se no dia de glória se sentir derrotado?
Se no meio da maior vitória que o universo já teve sentir-se um fracassado?
Se no dia da esperança sentir-se decepcionado?
No decorrer das nossas vidas infelizmente passamos pela experiência da estrada de Emaús:
A estrada do regresso: Onde retornamos a nossa antiga “vidinha” de pecados e erros.
A estrada da decepção: Onde caímos na decepção com a fraqueza humana.
A estrada do desânimo: Onde ficamos desanimados através das circunstâncias difíceis que
nos assola.
A estrada da cegueira: Onde não conseguimos ver a atuação de Deus e achamos que não se
importa mais conosco.
Porém, se você está na estrada de Emaús, saiba que Deus vai se achegar a você e vai te
mostrar como voltar para aquilo que Ele te designou.
Mas quando é que passamos pela Experiência da Estrada de Emaús:
1) Passamos pela Experiência do Caminho de Emaús quando vivemos as imagens do passado.
V. 14
“E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas”.
A pergunta é: o que havia sucedido?
Havia na memória dos discípulos imagens marcantes que nunca iriam esquecer. Eles
comentavam sobre essas lembranças que estavam moendo as suas almas.
Havia muitas coisas para se lembrar:
*Os grandes milagres de Jesus e seus feitos miraculosos onde mostrou que tinha poder sobre a
vida dos homens, sobre as forças da natureza e um conhecimento grandioso da Vontade de
Deus.
Só que essas lembranças não ocupavam os comentários das coisas sucedidas. Aqueles dois
discípulos lembravam fielmente, como se tivessem um projetor de filme em suas mentes, cena
por cena do momento em que o poderoso Jesus foi calado, humilhado, cuspido e maltratado
até a morte.
Aquelas cenas não saiam de suas mentes, pois o tira teima da dor reprisava aquelas dolorosas
imagens para que os seus corações sangrassem cada vez mais.
A psicologia afirma que temos uma queda a nos lembrarmos mais das tragédias que das
bonanças. Hoje em dia a tragédia é tema de filmes e tema do nosso jornalismo mundial.
Lembramos mais rotineiramente das desgraças que dos momentos bons.
A psicologia ainda fala que se quisermos bloquear uma boa lembrança na nossa mente é só
plantarmos sobre a boa lembrança uma má lembrança. Isso trará um bloqueio imediato
daquilo que era uma boa e agradável lembrança.
Muitas pessoas passam a viver a Experiência do caminho de Emaús porque não conseguem
viver o presente, vivendo sim, o passado mórbido e trágico.
Quando enfrentamos a Experiência do Caminho de Emaús não conseguimos nos lembrar dos
momentos bons e isso nos afeta, pois sangra em nós aquela mágoa, aquela decepção. E vamos
cada dia mais dando grandes passos no Caminho de Emaús.
Por estarmos com os olhos no passado trágico não podemos ver o presente.
Pare para pensar:
Você está vivendo das imagens do passado?
Você não consegue mais se lembrar de momentos agradáveis?
Você está vivendo das amarguras de um passado trágico que ficou para trás, mas te machuca
ainda?
Saiba que se essas imagens do passado são projetadas na sua mente agora, e isso te dói, te
machuca, pois é uma ferida ainda não cicatrizada, Jesus se achega a você agora, a decepção vai
passar, o passado vai ser lançado no mar do esquecimento.
2) Passamos pela Experiência do Caminho de Emaús quando sofremos decepções. V. 17, 21.
“Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida
que caminhais? E eles pararam entristecidos”.
“Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel; mas depois de tudo isso, é
já este o terceiro dia desde que tais coisas aconteceram”.
Dizem por ai que a esperança é a ultima que morre, mas as desses dois aqui já passavam pelo
processo de decomposição.
A esperança caiu no posso lamacento e escorregadio da decepção. Eles mantinham uma
expectativa da fé, do trabalho e dos serviços prestados a Jesus e foram chocadas pelo
desconforto da não sustentação dessa expectativa.
A decepção foi o caminho mais curto para aqueles dois homens, que esperavam uma coisa de
Jesus e receberam outra completamente diferente.
Esperavam vitória e receberam derrota.
Esperavam um reino político e receberam um reino espiritual.
Esperavam guerra e receberam a paz.
Naquele momento Jesus aproxima-se deles e dirige-lhes uma simples pergunta:
“O que vos preocupa e de que vais tratando...”.
Já sentiram o desconforto de um curativo ou daquela gaze que cola ao ferimento e você terá
que puxar aquilo de qualquer maneira?
Foi isso que Jesus fez! Pelo menos foi o mesmo desconforto. Jesus puxa o curativo grudado,
ressecado e ainda hemorrágico da ferida da alma daqueles homens.
Os discípulos mostram duas reações, diz o teólogo Craig Evans, de decepção e de confusão.
Eles tinham esperanças errôneas e sentiram-se decepcionados pelos acontecimentos trágicos
que haviam sucedidos.
Eles se esqueceram das promessas espirituais, das bênçãos infinitas de Deus através de Jesus.
Eles não conseguiam ver uma restauração espiritual e sim política.
“Nós Esperávamos”.
A esperança se torna coisa do passado, a decepção mina a esperança, impede de ver a
realidade e nos faz retroceder ao passado.
“Eles pararam entristecidos”.
A decepção traz estagnação, eles param, isso mostra que há uma paralisação emocional
quando somos surpreendidos pela decepção.
Nossas vontades não coordenam a vontade de Deus, se temos motivações erradas para buscar
a Deus estamos no caminho certeiro da decepção.
Temos que entender que nascemos para submetermos a Vontade de Deus.
Por isso andamos tristes, cabisbaixos e sem rumo, por não entender que “Tudo Coopera para o
bem daqueles que amam a Deus...”. (Romanos 8:28)
Outra consequência da decepção é a falta de comunhão com o grupo, como relata o verso 13:
“Dois deles estavam de caminho para Emaús”.
Isso nos mostra o tamanho da decepção, pois estavam saindo de Jerusalém, para voltarem
para os seus antigos afazeres, estavam dispersos, longe do grupo que seguia a Jesus, estavam
longe da comunhão, perderam a esperança e a comunhão.
A decepção com Deus, com a igreja, com os irmãos e com o pastor, trás consequência como o
desânimo, o retorno ao pecado e a falta de comunhão com os irmãos.
Os discípulos disseram que já era o terceiro dia, e nada havia mudado, a decepção era
grandiosa e ainda doía.
Eu faço uma analise sobre cada um desses três dias, olha só:
Primeiro Dia: Dia do Choque.
Segundo dia: Dia da Esperança.
Terceiro dia: Dia da decepção e do desespero.
Pare para pensar: Você passa por que dia? Você está em choque, com uma pontinha de
esperança ou já caiu na decepção e no desespero?
Qualquer um que seja o seu dia, Jesus está se achegando a você nesta hora. Ele toca nas suas
feridas, ele toca na sua decepção, ele quer mudar sua visão do mundo e das coisas, deixe Jesus
mexer dentro de você.
3) Passamos pela Experiência do Caminho de Emaús por desconhecermos as Escrituras. V. 27
“E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu
respeito constava em todas as Escrituras”.
Nós conhecemos a Jesus e sabemos de sua Vontade e de seus mandamentos para nossas vidas
pelas Escrituras.
Perguntamos: porque viver então no passado, fora da comunhão, decepcionados,
desanimados e sem força para buscarmos a Deus?
A resposta é clara e vem do próprio Jesus: “Errais por desconhecer as escrituras e o poder de
Deus”. (Marcos 12:24)
Paulo afirma a Timóteo em 3:16 que a Palavra de Deus é para o nosso ensino.
É na palavra que contém as grandes promessas de Deus para as nossas vidas. Por isso que
temos que nos apegar aquilo que Jesus disse e ensinou e não àquilo que achamos ou
pensamos.
Neste verso Jesus lança mão das Escrituras e discerne os acontecimentos, tudo que aconteceu
e que estava acontecendo, tudo estava escrito, tudo era previsto.
As marcas do passado, o desânimo, a decepção, a falta de comunhão os impedia de ver o que
a Escritura dizia.
Às vezes colocamos as nossas emoções na frente da Palavra de Deus, e isso só nos trará
decepção, falta de comunhão, confusão, desanimo e desvio daquilo que Deus quer para nós.
Se não olhamos atentamente com discernimento da Palavra de Deus o que está acontecendo,
ficaremos confusos e sem rumo, perderemos a confiança, estaremos sujeito a superstições,
tristezas, decepções, desvios de caráter.
Deixamos de ver Jesus ao nosso lado, porque perdemos a visão da sua Palavra.
Pare para pensar: Como está a sua vida com Deus e seu estudo da Palavra?
Você tem estado firme naquilo que é a Verdade insolúvel de Deus ou tem se deixado levar por
ventos de doutrinas?
Tudo que aparece dizendo que é de Deus você recebe e pronto, ou você analisa pela Palavra?
Você tem se dedicado a ler, estudar, meditar?
Conclusão: Chegamos ao fim do caminho de Emaús, foi um dia e uma noite de viagem
cansativa, onde o sol escaldante das imagens do passado são refletidas na tela da nossa
mente. Onde a dura e pedregosa estrada da decepção, do desanimo e da falta de comunhão
não tem fim. Onde a noite da falta de embasamento Bíblico nos afeta a visão e nos deixa sem
rumo.
Lembre-se de uma coisa, que é primordial, Ele está com você!
O Soberano Deus, através de sua graça se achega a você, mesmo sendo na sua Experiência do
Caminho de Emaús.
Jesus dá o primeiro passo, ele toma a postura de ir se encontrar com você neste caminho tão
doloroso, onde as suas feridas (Decepção, apego ao passado, desânimo, falta de comunhão,
falta de conhecimento da Palavra) estão sangrando e Ele tem o remédio para curá-las.
Ele é a solução eficaz para todas as suas dores e feridas.
Lembre-se hoje é o terceiro dia de suas dores. Terceiro dia é dia de glória, dia em que
podemos dizer: Ele venceu a morte, Ele é Deus, é dia de vitória.
Abra os seus olhos agora, esqueça o passado, lance fora às decepções e busque na Palavra o
retorno deste caminho de Emaús.
Não deixe passar muito tempo. Há pessoas que esperam chegar a Emaús, para descobrir que
Jesus estava presente por um dia e uma noite, e eles não viram, nem perceberam.
Lembre-se a solução está do seu lado, é só deixá-lo te abençoar e lhe reforçar os ânimos, saia
desta estrada e venha para ao caminho que é Jesus.
Espero que você não deixe que a solução imediata dos seus problemas desapareça na sua
frente depois de ter estado com ela por todo caminho.
Volte, ele está vivo!
Abra os olhos, Ele está contigo!