CONCEITO
Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do
trato genital feminino localizada no útero, tuba uterina e
ovários que pode se disseminar para estruturas
superiores(POPA et al., 2019). Essa infecção é uma das
complicações das doenças de transmissão sexual,
causadas por Chlamydia trachomatis e a Neisseria
gonorrhoeae. Porém, também possuem agentes provenientes
das bactérias endógenas vaginais, dentre elas as bactérias
anaeróbicas responsáveis pela vaginose bacteriana, como a
Gardnerella vaginalis por exemplo, associados às
complicações vaginais bacterianas ou pela Mycobacterium
tuberculosis, segundo Pandolfi (2017).Dessa forma, essa
doença pode ser apresentada em três maneiras: aguda,
infraclínica e crônica, cada forma com seus agentes etiológicos
e complicações possíveis, segundo Popaet al., (2019), mas
seguindo sintomas comuns.
CLASSIFICAÇÕES CLÍNICAS
FATORES DE RISCO
Mulheres com idade inferior a 25 anos - mulheres com vida
sexual ativa, menores de 25 anos, com múltiplos parceiros, que
não usa anticoncepcionais e mora em uma área com
prevalência de infecções sexualmente transmissíveis
(IST’s)possuem um risco aumentado.
Início de atividade sexual precoce (antes dos 15 anos).
Relação sexual com múltiplos parceiros independentemente da
idade
Relações sexuais sem uso de preservativo
histórico de IST’s ou DIP.
implantação de dispositivo intrauterino sem assepsia adequada
Mulheres que realizaram a laqueadura tubária
População feminina com menor nível socioeconômico
Mulher tabagista
POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES
Sequelas reprodutivas graves, como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.
Endometrite
Salpingite (inflamação das tubas uterinas)
Hidrossalpingite (inflamação das tubas uterinas com presença de liquido ao redor ou no
interior das mesmas)
Ooforite (inflamação dos ovários)
Inflamação do peritônio pélvico
DADOS EPIDEMIOLÓGICOS
No Brasil, a real prevalência do agravo é desconhecida, os dados de prevalência existentes são
subestimados, já que a doença inflamatória pélvica não é de notificação compulsória e,
portanto, o número de mulheres acometidas é desconhecido.
Especula-se que de quase 1 milhão de casos de DIP diagnosticados anualmente, 20% ocorrem
em adolescentes.
Estima-se um caso de doença inflamatória pélvica para cada oito a dez casos de mulheres com
cervicites por Chlamydia trachomatis.
Observou-se que, após sete anos do primeiro episódio, 21,3% das mulheres apresentaram
recorrência, 19% desenvolveram infertilidade e 42,7% referiram dor pélvica crônica.
Estudos indicam que 10% a 40% das mulheres com cervicite por N. gonorrhoeae ou C.
trachomatis desenvolvem doença inflamatória pélvica.
Atualmente, a C. trachomatis é o agente causador da DIP em 50 a 60% dos casos agudos em
países desenvolvidos (TSEVAT et al., 2017; LENZ; DILLARD, 2018).
O diagnóstico de DIP é complicado pela grande variação na intensidade dos sinais e sintomas. ”
(BERNARDI et al., 2016, p.3). Os mais comuns relatados são Segundo Jennings et al., (2020), ele
é clínico, com inflamação do trato genital inferior, como secreção cervical, um número elevado
de leucócitos na preparação úmida ou friabilidade cervical. Embora os sintomas clínicos de DIP,
em combinação com um ou dois parâmetros inflamatórios, possam aumentar a especificidade
do diagnóstico de DIP, a laparoscopia é recomendada para confirmar o diagnóstico ou se não
houver melhora em 72 h apesar da antibioticoterapia adequada (PARK et al., 2017). Segundo
Curry et al., (2019), sob suspeita de DIP, as mulheres devem ser examinadas com exame
bimanual para avaliar movimento cervical, sensibilidade uterina, massas anexiais ou abscesso
tubovariano. Isso inclui o exame especular para identificação de secreção cervical
mucopurulenta.
FISIOPATOLOGIA
O desenvolvimento da doença inflamatória pélvica se inicia com a
proliferação do agente infeccioso primário no colo uterino,
principalmente a clamídia, com posterior instalação da infecção
nos órgãos superiores. A propagação do colo uterino para o trato
genital superior geralmente ocorre durante ou após o período
menstrual, isso se deve a mudança do muco cervical e as
propriedades alcalinas do sangue menstrual. Após a ascensão,
os micro-organismos se instalam e se inicia a reação inflamatória,
dando origem a conteúdo purulento que pode atingir tubas
uterinas, endométrio e até mesmo contaminar o peritônio,
podendo evoluir para choque séptico caso haja derramamento
exsudato purulento, devido à ruptura do abscesso tubo-ovariano
que pode ser formado.
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TRATAMENTO
PREVENÇÃO
prevenção primária de DIP é por meio de educação sexual, conscientizando sobre o uso de
contracepção de barreira, redução de comportamento sexual de risco, realização de exames
de esfregaço vaginal e detecção de mulheres ativas com IST’s (POPA et al., 2019). Já a
prevenção secundária, por a mesma fonte (2019) é instituída usando contracepção de barreira
e rastreamento de contato eficaz. Portanto, a DIP pode ser diagnosticada e tratada no
ambiente de atenção primária se for detectada precocemente para evitar complicações e
hospitalização. (MING; MCDERMOTT, 2015).
PAPEL DA ENFERMAGEM
Posto que a DIP possui como principais causas as IST’s, é fundamental que o enfermeiro (a)
exerça o seu papel como educador, orientando as mulheres (principalmente as pertencentes
ao grupo de risco) sobre a importância do uso dos métodos contraceptivos de barreira, e
tornando-as capazes de se cuidarem e prevenirem possíveis IST’s.
Orientar sobre a importância da periodicidade do exame preventivo.
Referenciar a mulher, sempre que necessário a diferentes níveis de atenção à saúde, seja para
fins diagnósticos ou de tratamento.