Untitled
Untitled
MEMORIAL
LOCADORAS &
FLIPERAMAS
EDIÇÃO DO AUTOR
MOSSORÓ
2019
Imagens da Capa:
Fliperamas - por zhan zhang em unsplash.com
Controle de SNES - por Jens Mahnke em www.pexels.com
Ícones (capa e capítulos):
Icon made by Freepik from www.flaticon.com
Ícones (orelha):
www.iconmonstr.com
ISBN:
CDU: 79-028.27:82-94
5
Obrigado também à Glidio Marcio e Lucio Amaral, do
Museu do Videogame Potiguar, que contribuíram com
materiais e informações que me ajudaram a conhecer melhor
as locadoras de Natal - RN.
Meus agradecimentos à Elvira Fernandes pela ajuda
com a ficha catalográfica.
Sou muito grato ao Ítalo Chianca, por toda a assistência
prestada e experiência compartilhada. Suas sugestões de dicas
foram imprescindíveis.
Obrigado a todos que ajudaram na divulgação deste
material através das redes sociais, compartilhando minhas
publicações.
Agradeço também aos meus pais, Edvaldo e Francisca, e
aos meus irmãos: Adriano, Aline e Alba, por todo o incentivo.
E por fim, porém não menos importante, agradeço à
minha esposa Silvia e aos meus filhos, Flayra e Rafael, pelo
amor de cada dia, que traz muita felicidade à minha vida.
Nem todas as informações pesquisadas, conversas e
mensagens trocadas puderam ser colocados aqui, mas cada
palavra foi importante para este projeto.
Se alguém ficou de fora destas páginas, peço desculpa
pelo esquecimento.
Muito obrigado!
6
APOIADORES
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APOIO CULTURAL
www.jolrn.com.br
(84) 99993-0285
Instagram: @portaljolrn
Youtube: JOLRN
www.brisanet.com.br
0800-281-3017
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PREFÁCIO
Ítalo Chianca
Autor potiguar dos livros “Videogame Locadora” (2014), “Os
videogames e eu” (2015), “Papo de Locadora” (2016), “Game
Chronicles” (2017) e “GAMER” (2018).
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APRESENTAÇÃO
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Por essas e outras dificuldades, optei por convidar a
comunidade gamer a relatar suas memórias sobre as locadoras
que frequentavam e a partir de tais relatos criar um catálogo,
ou melhor, um memorial sobre elas.
Busquei também conversar com os antigos
proprietários de locadoras, a fim de ter uma visão mais exata
sobre suas motivações sobre o negócio; como se deu o início, a
trajetória e o fim da locadora; histórias vivenciadas, etc.
Alguns foram bastante solícitos em participar; outros
não foram encontrados; uns não tiveram interesse ou
simplesmente não lembravam os detalhes; e alguns mesmo
tendo interesse, não encontraram tempo para realizar seus
relatos.
O livro foi dividido em duas partes: na primeira parte
apresento o meu relato das locadoras que conheci; na segunda
parte estão organizadas as informações relatadas pela
comunidade.
A exatidão das informações é muito difícil de se
verificar, uma vez que sua fonte é a memória das pessoas, e
como são acontecimentos de 20, 30 anos atrás, podem ter se
misturado com outras lembranças. Sintam-se à vontade para
entrar em contato e corrigir qualquer erro detectado ou contar
sua própria história.
Espero que gostem do resultado aqui apresentado e que
possam despertar bons sentimentos daquela época.
O autor.
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SUMÁRIO
PARTE I - LOCADORAS E FLIPERAMAS DA MINHA VIDA
INTRODUÇÃO .......................................................................... 21
1 A FESTA DA PADROEIRA ....................................................... 25
2 CINEMAX .............................................................................. 31
3 EDSON GAMES ..................................................................... 39
4 OUTRAS LOCADORAS EM CEARÁ-MIRIM ............................. 47
5 MINHA PRÓPRIA LOCADORA ............................................... 55
6 OS FLIPERAMAS DA CAPITAL ................................................ 57
7 AS LOCADORAS DE NATAL ................................................... 65
8 GAME VISÃO......................................................................... 71
9 SHOP GAME.......................................................................... 75
10 HOT GAME ......................................................................... 79
11 TUTTI GAMES ..................................................................... 83
12 OUTRAS LOCADORAS DE MOSSORÓ .................................. 87
13 FLIPERAMAS NA TERRA DO SAL ......................................... 99
14 BOAS LEMBRANÇAS ......................................................... 103
PARTE II - MEMORIAL
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PARTE I
LOCADORAS E FLIPERAMAS
DA MINHA VIDA
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INTRODUÇÃO
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De cara, o que chamava a atenção era o seu teclado
alfanumérico, que permitia ao jogador escrever seu nome ao
lado do placar do jogo. Inúmeros campeonatos caseiros foram
disputados para ver quem era o melhor e conseguia ter seu
nome exibido na tela. Era uma pena que ao desligar o aparelho
os pontos fossem apagados.
Seus controles tinham uma alavanca e um botão,
permitindo mover os elementos da tela em 8 direções,
incluindo diagonais, e adicionar novos elementos de
jogabilidade como tiros, pulos e outras ações ativadas pelo
botão. Eram ligados ao console através de um fio,
razoavelmente longo, permitindo ao jogador sentar-se um
pouco mais distante do aparelho. Quando criança, eu achava o
controle gigante; hoje em dia, considero-os de tamanho
agradável.
O que considero como a maior inovação trazida pelo
Odyssey era o uso de cartuchos, funcionalidade que permitia
ao dono do aparelho ter diferentes jogos, bastando substituir
um pequeno componente externo. Em consoles anteriores era
preciso comprar outro aparelho com mais jogos se você
quisesse novidades.
Os jogos do Odyssey tinham muitas cores, tornando-os
mais vivos e atraentes. Muito além de bolas quadradas e
raquetes, encontrávamos imagens de homenzinhos, carros de
corrida, naves espaciais, helicópteros, árvores, monstros
alienígenas, dragões, tartarugas, sapos e muitos outros
elementos que proporcionavam infindáveis possibilidades.
Era um sonho poder ter todos os jogos. Mas eles
custavam muito caro! Tão caro quanto os jogos lançamento de
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hoje em dia. Alguém que ganhasse um salário médio só
conseguiria comprar uns poucos a cada ano.
O alto custo para essa maravilhosa diversão abriu as
portas para um tipo de comércio que veio a se popularizar nos
anos seguintes: as locadoras de videogames.
É aqui que começa a minha peregrinação pelos
estabelecimentos que reuniam crianças, adolescentes e até
alguns adultos em busca de diversão eletrônica sem limites.
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1
CEARÁ-MIRIM
A FESTA DA PADROEIRA
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levarem suas barracas de comidas, artigos religiosos, roupas e
inúmeras outras mercadorias que são oferecidas à população.
Também era comum encontrar algumas barracas com “jogos
de azar” como roleta, tiro ao alvo, pescaria, entre outros.
Em meio à todas essas atrações, uma barraca especifica
me chamou a atenção. Nela havia duas TVs ligadas com
imagens que eu conhecia bem: videogames! Corri para lá e me
deparei com um Atari e um Odyssey, igualzinho ao meu! Era a
primeira vez que via alguém com o mesmo console que eu
tinha, na hora veio na mente a maravilhosa possibilidade de ter
jogos novos.
Essa barraca pertencia a Rauze Câmara que, na época,
eu não fazia ideia de quem ele era, mas de alguma forma ele
percebeu meu interesse e algum tempo depois descobriu onde
eu morava. Levou alguns cartuchos para uma
troca/emprestado e então virou amigo da família.
Além dos games ele também mexia com filmagens, algo
era bem raro naquela época. Fizemos alguns vídeos com ele
que até hoje estão guardados nos arquivos da família.
Atualmente ele ainda trabalha com produção de vídeo e
eventos, mas estão presentes em seu currículo: alguns filmes
com atores locais, sendo “O Jovem Perdido” o mais conhecido
deles; um cinema que funcionava ao lado de sua casa; e
também uma WebTV chamada Ceará-Mirim TV com notícias da
cidade.
Alguns anos depois, meu pai doou o nosso Odyssey para
Rauze usar como gerador de caracteres nos vídeos que ele
editava. Bem recentemente, ele me devolveu o mesmo
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aparelho. Uma relíquia! Até hoje mantenho contato com o
Rauze nas redes sociais.
Por volta de 1989, um grande parque de diversões veio
para a festa da padroeira daquele ano. Além do carrossel, roda
gigante, xícaras gira-gira, etc., vieram também alguns
fliperamas.
Era só o que os meninos queriam! Um enxame de
crianças e adolescentes ficavam ao redor dessas maquinas
desde o momento que eram ligadas, no fim da tarde, até a hora
do parque fechar.
Eram poucas máquinas, umas 6 ou 7, mas os jogos eram
fantásticos! Eu nunca os tinha visto antes! Os que me recordo
agora são: Super Mario Bros. (o famoso Mario 1), Galaga (de
navinha), Gun Smoke e Knightmare (aquele do MSX com um
Viking que enfrentava bruxas e monstros atirando flechas e
espadas). Haviam alguns outros, mas não lembro quais eram.
Eu passava horas vendo a galera botando fichas e mais
fichas, tentando bater o recorde de pontos dos colegas ou
chegar numa fase mais distante.
Acho que essas máquinas do parque não eram
fliperamas “de verdade”, com placa específica do jogo. Penso
que tinham algum console dentro do gabinete. Digo isso por
que o Mario vez por outra dava PAUSE do nada, então a
funcionária do parque tinha que colocar uma ficha extra para o
jogo voltar a andar.
Por volta dessa época, começou a passar na TV local o
comercial de uma loja de games que ficava em Natal-RN, a
capital do estado e cidade vizinha, apenas 25Km de distância.
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Nesse anúncio eram exibidas imagens de jogos da “nova
geração”, com qualidade infinitamente superior ao meu
ultrapassado Odyssey e aos Atari dos meus colegas.
A imagem que ficou gravada até hoje na minha mente
era uma animação de um jogador de basquete fazendo cesta
no jogo Double Drible, do Nintendinho. Eu queria muito um
videogame que tivesse jogos como aquele!
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Nos anos seguintes o parque veio novamente para a
festa da padroeira, mas sem os fliperamas. Que pena! Deixou
saudades.
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2
CEARÁ-MIRIM
CINEMAX
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Eduardo decidiu colocar mais TVs e consoles, mas como
o mezanino era muito pequeno, seria preciso arrumar um local
maior. Foi assim que as estantes dos filmes trocaram de lugar
com os videogames. As estantes subiram para o mezanino e o
playgame passou a ser no térreo, ficando com maior espaço no
prédio.
Chegou a ter umas 10 TVs, várias de 29 polegadas e
algumas de 20 polegadas, todas enfileiradas em uma bancada
enorme que era encostada na parede do lado esquerdo do
prédio. A maioria dos consoles eram Super Nintendo e tinha
uns 3 Mega Drive. Acima dos consoles haviam duas ou três
fileiras de prateleiras que exibiam as caixinhas dos principais
jogos disponíveis.
No fundo do prédio, após todas as TVs, ficava um balcão
onde o Sr. Eduardo, ou um dos funcionários, anotava os tempos
dos clientes do playgame, entregava e recebia os filmes
alugados (ainda em VHS, tinha que devolver rebobinado para
não pagar multa). Por trás do balcão ficavam os filmes e jogos
guardados em gavetas e estantes.
Jogos novos chegavam constantemente. O Sr. Eduardo
encomendava os jogos em lojas, com representantes,
frequentava eventos e feiras de eletrônicos e games. Os
clientes davam opiniões, mostrando os lançamentos que
vinham nas revistas e ele sempre trazia jogos muito bons: Sonic,
Mario Kart, Streets of Rage, Peter Pan, Aladdin, Top Gear,
Castle of Illusion, International Super Star Soccer, Goof Troop,
Street Fighter 2... ah... Street 2... tenho ótimas lembranças
desse game.
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Eu já tinha visto Street Fighter 2 em um fliperama e
sonhava com o dia que ele estaria disponível nos consoles.
Quando chegou esse jogo no Cinemax foi uma loucura. Todo
mundo queria jogar ele, tanto pra zerar, quanto no “contra”.
Eu tive a sorte de ser o primeiro cliente a zerar SF2 na
locadora. Foi jogando com Chun-Li. Tentei muitas vezes
derrubar o Vega (sim, a fita era japonesa e os nomes dos chefes
estavam trocados) para conseguir derrotá-lo. Foi uma gritaria
da meninada quando viram o chefe no chão. Nesse dia ganhei
meia hora de brinde pela façanha.
A primeira versão de SF2 não permitia que se escolhesse
dois personagens iguais... bem, não sem “o código”. Apareceu
numa revista um código que deveria ser inserido na tela de
título e que, se fosse feito corretamente, emitia um som
informando que tinha funcionado. A galera tentou muitas
vezes, mas ninguém conseguia.
Então chegou o “mestre” Euriam. Era o maior jogador
da cidade, tanto em altura quanto em habilidade. Ele conseguia
botar “o código” de primeira, então a galera ficava torcendo pra
ele estar lá quando fossem começar a jogar.
Certo dia, ele botou “o código” de manhã, e ao longo do
dia as pessoas iam se reversando naquele console, botando
mais tempo, sem deixar desligar pra não perder “o código”. Foi
assim até a hora de fechar. Depois outros aprenderam a
colocar, inclusive eu, então se tornou algo trivial. Nas versões
seguintes a Capcom já deixou liberado personagens iguais,
então “o código” foi esquecido.
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Tinha gente que era tão viciada que passava o dia inteiro
lá. O Sr. Eduardo me contou que uma vez um cliente chegou
logo que abriu e ficou até a hora fechar. Mandou comprar um
lanche pra não ter que sair da locadora. E o xixi? Aí eu não sei!
Só sei que lá não tinha banheiro!
Lembro também de um garoto me contar que tinha
convencido Eduardo a deixar ele e outros garotos trancados a
noite toda dentro da locadora. Não sei se foi verdade, mas, se
aconteceu mesmo, foi a origem do famoso “corujão”, algo que
se tornou bastante comum nas lan houses nos anos 2000.
Outro “personagem” dessa locadora era o Cláudio
“Quackshot”, ou Claudio-Shot, era um rapaz um pouco mais
velho que a galera, por volta de uns 20 anos, mais ou menos,
que adorava jogar no Mega Drive.
Ele ganhou esse apelido porque sempre jogava o jogo
Quackshot, do Pato Donald. Mas também era fera no Kid
Chameleon e no jogo de nave Truxton.
Ele já trabalhava, então sempre tinha uma grana pra
algumas horas de jogatina. Era certo encontrar ele por lá no fim
da tarde.
Na maioria das vezes os controles do Cinemax eram de
boa qualidade, por que, se não me engano, o Sr. Eduardo fazia
limpeza e manutenção regularmente, trocando as borrachas
internas para manter tudo funcionando certinho.
E tinha um controle turbo do Super Nintendo que era
uma maravilha, apesar de ter que pagar um extra para usá-lo,
era de grande ajuda nos jogos que exigiam mais velocidade,
como os de luta ou de tiro.
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Nas manhãs de domingo meu pai levava eu e meu irmão
até lá e deixava o “tempo aberto” para jogarmos o quanto
quiséssemos, mas voltava uma ou duas horas depois para nos
buscar, então esse tempo aberto nem era tão longo.
Uma lição que aprendi lá foi sempre conferir o troco.
Certa vez, paguei a hora e na ansiedade por começar a jogar,
peguei o dinheiro que o dono colocou no balcão e já fui
guardando no bolso. Ele então me falou: você já conferiu o
troco? Olhe direito! Quando contei, ele tinha me dado troco a
mais de propósito para me testar. Não sei se foi só comigo, ou
se fazia isso com outros, mas desse dia em diante sempre
confiro meu troco, se passou eu devolvo, se faltou eu cobro.
Algum tempo depois, finalmente meu pai comprou um
Super Nintendo para substituir o Turbo Game (que foi herdado
por meus primos de Mossoró). Era aquele modelo que vinha
apenas com um controle e sem nenhum jogo. Nesse tempo o
Sr. Eduardo já alugava jogos para levar para casa, o acervo era
grande e dava para ter boa variedade.
Acho que nunca tive um cartucho de SNES! Lá em casa
só entravam jogos alugados ou emprestados. Aluguei muito
Top Gear 2, Street Fighter II, Super Ghouls 'n Ghosts, World
Heroes, Golden Fight, Super Mario World (claro!), Super
Castlevania IV e vários outros, ainda mais quando tinha
promoção “Leve 3, Pague 2”.
Chamava uns amigos para ajudar a zerar alguns jogos ou
tirar um contra nas lutas e até no futebol, mesmo esse último
não sendo minha preferência. Foram tempos bons.
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Por falar em promoção, como o proprietário da locadora
também era dono do cinema, algumas vezes ele fazia uma
promoção que dava ingresso grátis quando você jogava uma
determinada quantidade de horas no playgame. Era uma
maravilha!
Com o passar dos anos, os consoles ficaram com preços
mais populares, os jogos “alternativos” tinham um preço
acessível, várias outras locadoras abriram na cidade e,
principalmente, após a chegada do Playstation e seus infinitos
jogos que eram vendidos em qualquer camelô, o Cinemax
perdeu sua força e não conseguiu continuar em meio a
tamanha concorrência.
O acervo foi vendido e durante um tempo apenas a
locadora de filmes, agora em DVD, e o cinema continuaram a
funcionar. Por fim, o prédio foi reformado e passou a abrigar
outros estabelecimentos comerciais. Chegava ao fim uma das
melhores locadoras de Ceará-Mirim.
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CEARÁ-MIRIM
EDSON GAMES
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A banda costumava ser convidada para se apresentar
em diversas cidades do estado, e até mesmo em outros
estados. As viagens eram bem frequentes, e como eu era o mais
jovem da turma, sempre ficava próximo aos professores que
nos acompanhavam.
Em cada cidade que íamos, se havia tempo livre entre
ensaios e apresentações, eu acabava dando uma volta pelas
ruas com os colegas e procurava alguma locadora.
Foi assim em Nova Cruz-RN, onde joguei Mario 3 numa
locadora próxima ao colégio das irmãs; em Barreiros-PE
encontrei um fliperama que tinha o jogo de tiro Operation Wolf
e uma sorveteria que vendia um sorvete numa casquinha
gigante que cabiam 8 bolas; em Bom Conselho-PE e muitas
outras cidades que visitamos.
Foi na Banda Fanfarra do Colégio Santa Águeda que
conheci o Edson. Ele era aluno do ensino médio, devia ter pelo
menos uns 8 anos a mais que eu, então não tinha muita
proximidade. Ele tocava fuzileiro, aquele tambor grandão que
fica na altura do peito. Não fazia ideia que ele gostava de
games.
Certo dia fiquei sabendo que ele tinha aberto um
fliperama. Como assim? Eu tinha que ir lá ver! O fliper ficava
numa pequena galeria ao lado do mercado central. Era uma das
últimas lojas, no fim de um corredor bem estreitinho.
Até pensei que estava no lugar errado, mas quando fui
caminhando pelo corredor, comecei a ouvir os sons eletrônicos
que eu já conhecia muito bem. Era verdade!
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Estavam reunidas naquele pequeno espaço diversas
máquinas de fliperama com os jogos mais legais que até então
eu só tinha visto nas revistas e talvez na capital: Cadillacs and
Dinosaurs, Knights of the Round, Captain Commando, Street
Fighter II e Mortal Kombat!
De agora em diante todas as minhas moedinhas seriam
convertidas em fichas para poder aproveitar aqueles gráficos,
sons e controles que nenhum Super Nintendo ou Mega Drive
conseguiam reproduzir com tanta qualidade e detalhes.
Sempre que eu podia, dava uma passada lá. Lembro de
um dia que uma das máquinas deu problema no ficheiro e
bastava encostar a mão no local de botar a ficha para dar
crédito.
A galera se animou demais, pois ia poder jogar o quanto
quisesse sem pagar nada. Mas a alegria durou pouco, por que
as máquinas eram alugadas e tinha um contador no sistema
que dizia quantas partidas foram jogadas, então Edson tinha
que prestar contas do que estava registrado lá. Resultado:
máquina desligada até o técnico vir consertar.
No fundo da galeria fazia muito calor, pois não havia
ventilação natural e o barulho das máquinas era ensurdecedor.
Imagino que os proprietários das lojas vizinhas deviam odiar
aquele negócio. De cara dava pra ver que ali não era o local
ideal para um fliperama.
Pouco depois Edson mudou a loja para um local muito
mais amplo, na rua principal, onde antes funcionava uma loja
de móveis. Ali havia espaço de sobra para todas as máquinas e
garotos que queriam jogar.
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Mais e mais jogos começaram a chegar, principalmente
jogos da Capcom: Street Fighter Alpha, Darkstalkers, Marvel
Super Heroes, Dungeon’s & Dragons, X-Men Children of the
Atom, Eco Fighters, Armored Warriors, etc.
Vieram até umas máquinas que soltavam cards se você
conseguisse avançar bastante no jogo. Virou uma febre
colecionar esses cards. Eles tinham o desenho de um dos
personagens do jogo, como Ryu e Ken, do Street Fighter, Dimitri
e Morigan, do Darkstalkers, etc.
Foi nessa época do fliperama que surgiu o CLUB OF
GAMEMANIACOS, idealizado por Adenilson e Roberto, colegas
que conheci na locadora de Edson.
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Foi lá que vi pela primeira vez um Nintendo 64, com a
galera se matando no 007 Golden Eye; e também o Sega Saturn
com Nights. Depois apareceram o Dreamcast, Playstation 2,
etc. Edson sempre investia nas novidades.
Nessa época eu estava um pouco afastado dos consoles,
me dedicando mais aos jogos de PC como Diablo, StarCraft,
Quake, Age of Empires, etc. Todo fim de semana juntava uma
galera na casa do Giuliano Brandão, cada um levava seu
computador, ligávamos tudo em rede e virávamos a
madrugada jogando.
Foi no fim da minha adolescência. Eu estudava em
Natal, saia de casa todo dia às 5:00h da manhã, passava a
semana estudando para o vestibular e fazendo estágio, além do
tempo que gastava nas viagens de ida e volta. Chegava já de
noite, sem muito ânimo para mais nada. Então parei de ir na
locadora do Edson com tanta frequência, mas vez por outra
passava para ver as novidades.
Quando o movimento diminuiu, Edson fechou a
locadora, vendeu boa parte dos jogos, mas guardou vários
consoles como uma coleção pessoal. Atualmente ele trabalha
na Guarda Municipal, mas ainda gosta de videogames.
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CEARÁ-MIRIM
OUTRAS LOCADORAS EM CEARÁ-MIRIM
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Sempre via o Cláudio-Shot por lá jogando Truxton,
joguinho de nave, bem difícil por sinal, e Juju (Toki), aquele de
plataforma com um macaco que cospe bolinhas e usa um
capacete de futebol americano.
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Eu apelidei o local de “Seu Chalengues” e gostava de ir
lá por que tinha jogos que serviam no meu console (ainda era o
Turbo Game) e até troquei alguns cartuchos com eles, como o
meu Joe & Mac, que zerei no mesmo dia que comprei, por
Battletoads, que quase ninguém jogava por que achavam muito
difícil. Joguei o Battletoads por anos sem enjoar e nunca
cheguei ao final. Quer dizer, zerei anos depois no emulador,
com muito save state, hehehe.
Foi lá onde vi o Street Fighter II do Nintendinho, uma
versão altamente precária, feita pela Yoko Soft, que só tinha 4
lutadores: Ryu, Chun-Li, Guile e Zangief, e como único chefe o
Viga (sim, não era Vega nem M. Bison).
Um tempo depois apareceu outra versão, chamada
Street Fighter III, que tinha mais lutadores: Dhalsim, Blanka,
Ken, Sagat e Balrog, e era um pouco mais bem feita, mas ainda
assim longe do que já conhecíamos no Super Nintendo.
Também joguei muito o Mortal Kombat de Super
Nintendo e vários outros games que só encontrava lá, como
Simpsons Bart Vs The World, do Nintendinho.
Comecei a sentir falta do Eduardo, eu gostava de
conversar com ele. Algum garoto me falou que ele ficou doente
e faleceu. Não sei se é verdade por que fiquei com receio de
perguntar ao pai dele.
Do outro lado da rua, descendo um pouco, havia mais
uma locadora, a do Seu Martiniano. Eu era colega dos filhos
dele: Lúcio Franklin e Lídio Sânzio. A locadora funcionava na
casa deles e eu lembro a primeira vez que fui até lá.
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Só havia um console na sala, um Mega Drive, e estava
rodando o jogo “Rolo To The Rescue”, um de plataforma com
um elefantinho bem bonitinho. Como eu era nintendista,
acabei demorando a voltar por lá. Mas a locadora cresceu
rápido, mais consoles foram colocados na garagem que ficava
na frente da casa, depois reformaram o quarto que dava para a
rua para acomodar ainda mais TVs, cadeiras e crianças.
Eu ia muito lá, jogava com meu irmão um cartucho com
4 jogos que tinha: Top Gear; Super Mario World, que não
salvava; um futebol chamado Super Soccer, que tinha uma
visão bem estranha, você via os seus jogadores de costas, e os
do adversário de frente; e Congo’s Caper, um de plataforma
com um menino-das-cavernas de cabelo azul, muito bom! Uns
20 anos depois consegui ter um cartucho desses. Nostalgia
pura.
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Seu Martiniano era gente boa, sempre sorridente, me
atendia com muito entusiasmo. Algumas vezes aluguei jogos
com ele para levar pra casa e me sentia um cliente especial, por
que não era pra todo mundo que ele alugava. Donkey Kong
Country foi um deles, uma preciosidade do SNES.
Por volta de 1995 ou 1996, comecei a acompanhar um
pessoal que trabalhava com marketing de rede em uma
empresa chamada Amway, que vendia produtos de limpeza,
panelas, perfumes, etc., tudo importado dos Estados Unidos.
Esse tipo de negócio era uma novidade por aqui e prometia
bom retorno financeiro.
Basicamente você precisava comprar produtos para seu
consumo, ou para revenda, e ganhava pontos por cada dólar
gasto. Conforme acumulava pontos, recebia de volta um
percentual do valor da compra, que ia de 3% a 21%. Se
conseguisse mais pessoas para trabalhar com você, a
pontuação do seu grupo era acumulada e os ganhos eram
maiores.
Passei mais de um ano investindo nisso, na verdade
fazendo meus pais investirem, pois eu ainda era estudante e
não tinha renda. Não tive nenhum sucesso e acabei com um
monte de materiais encalhados. Os produtos eram bons, mas
por causa dos valores serem em dólar, aumentavam muito a
cada mês, fazendo com que o lucro não fosse o esperado.
Havia também uma empresa associada chamada
PRONET que oferecia materiais de treinamento como livros,
fitas cassete com gravações de palestras motivacionais, entre
outros produtos. Toda semana tinha que comprar uma fita,
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todo mês tinha um livro, além de encontros, seminários,
convenções, etc. E tudo isso custava dinheiro.
Envolvido nessa onda da Amway e como eu estava
gostando mais dos jogos de computador, acabei vendendo meu
Super Nintendo à Seu Martiniano para pagar uma viagem para
Fortaleza - CE, para participar de uma dessas convenções da
PRONET.
A viagem foi muito boa. Fui acompanhado com alguns
colegas que também trabalhavam na Amway. Ficamos 2 dias
num hotel na Praia do Futuro. Na convenção, além das
palestras motivacionais com convidados internacionais, houve
também um show musical com uma cantora baiana, que
infelizmente não lembro o nome.
Minha passagem pela Amway não foi uma perda de
tempo e dinheiro. Considero como um ótimo investimento em
meu desenvolvimento pessoal. Perdi o medo de falar em
público e aprendi muitas lições valiosas que me ajudaram ao
longo da minha vida acadêmica e profissional. Uma pena que
meu SNES rodou nessa história.
A última locadora que eu lembro de ter ido uma ou duas
vezes, era uma que ficava na Travessa Sebastião Araújo, uma
ruazinha bem escondida entre a Meira e Sá e a Oscar Brandão.
Eu passava por ela todo dia quando ia para a escola, pois achava
o caminho mais curto.
A locadora era bem precária, não tinha reboco nas
paredes, as cadeiras eram improvisadas, tamboretes se não me
falha a memória, nada acolhedor. Mas lá tinha um console que
não tinha em nenhuma outra locadora: um 3DO! Como era
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lindo o gráfico do GEX! Foi a primeira vez que vi o console, mas
acabei não indo lá outras vezes. Não gostava do ambiente.
Certa vez o meu vizinho, Euds Martineri comprou um
3DO e me emprestou para jogar na minha casa. Tinha o jogo
Road Rash, de corrida de moto, e mais alguns outros que não
lembro bem por que virei madrugada jogando só Road Rash. O
controle era meio estranho, mas o fato de usar CDs ao invés de
cartuchos era o máximo!
Sei que haviam algumas outras locadoras na cidade,
mas ficavam longe da minha casa, ou em locais por onde eu não
tinha costume de andar. Como os garotos comentavam que os
jogos eram os mesmos das que eu frequentava, acabei não indo
conhece-las. Mas, com certeza, fizeram alegria de muita gente
naquela época.
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CEARÁ-MIRIM
MINHA PRÓPRIA LOCADORA
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OS FLIPERAMAS DA CAPITAL
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NATAL
Se você mora em Ceará-Mirim, pode ter certeza que em
algum momento você vai precisar ir à Natal para resolver
alguma coisa.
A capital do estado fica a aproximadamente 25 Km de
distância, meia hora de viagem, e é o local onde muitos
cearamirinenses estudam, trabalham, fazem compras ou
buscam diversão.
Quando chegamos à Ceará-Mirim, em 1987, a principal
forma de ir à capital era através dos ônibus das empresas
Irmãos Brandão e Unidos, que faziam a linha entre as duas
cidades.
Por ser uma viagem intermunicipal, o ponto de partida
e chegada dos ônibus, na capital, era o Terminal Rodoviário de
Natal, também conhecida como “a rodoviária”.
A rodoviária tinha diversos estabelecimentos comerciais
para atender os passageiros que aguardavam a hora do
embarque: restaurantes, lanchonetes, banheiros, guarda-
volumes, banca de revistas, posto telefônico, guichês das
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empresas de transportes, lojinhas de artesanato e vários
fliperamas.
Escondidinhos no fim do terminal estavam dezenas de
máquinas com jogos que atraiam a atenção de crianças,
adolescentes e adultos que passavam ali perto.
Eu sempre pedia ao meu pai para comprar fichas, pelo
menos uma, para eu poder jogar naquelas máquinas. Nem
sempre ele comprava, mas mesmo que fosse só para dar aquela
olhadinha, era uma parada obrigatória.
Lembro de jogar Moon Patrol, New Rally X, Yie Ar Kung-
Fu, um de Fórmula 1 que tinha acento e volante, e Robocop.
Naquela época eram muitas máquinas, pelo menos umas 20 ou
mais, mas só consigo lembrar desses jogos.
Certa vez tinha chegado um fliperama novo que pedia
duas fichas para poder jogar. Como eu não sabia e não vi
nenhum aviso, botei a única ficha que eu tinha naquela
máquina e jogo não começou. Fui reclamar com dono e ele
disse que eu tinha que comprar outra ficha. Fui falar com meu
pai e pegar mais dinheiro, mas, com toda essa demora, veio um
espertão, botou mais uma ficha e jogou a partida meio
patrocinada por mim. Dancei.
Da última vez que estive na rodoviária de Natal, antes
da recente reforma, ainda vi umas máquinas com Street
Fighter, King Of Fighters e uma grua de pescar prêmios. Bem
diferente do que era antigamente, mas ainda fornecendo uma
diversão rápida a quem esperava seu ônibus. Após a reforma,
me informaram que as máquinas foram retiradas, pondo fim ao
legado do fliperama de rodoviária.
58
Por volta de 1992, eu que não gostava de esportes
inventei de treinar ginástica olímpica na escola, com o
professor Francisco Itamar do Nascimento. Como eu era
gordinho, não conseguia fazer muito bem os movimentos e
acabava sendo um dos alunos mais fracos da turma. É a vida!
Era o primeiro ano da modalidade na escola que eu
estudava, então, ainda não haviam equipamentos adequados e
treinávamos usando uns antigos cavaletes e colchonetes.
Para motivar os alunos, o professor Itamar, que também
dava aulas em várias escolas de Natal, convidou nossa turma
para um treino no Colégio Salesiano São José, no bairro da
Ribeira.
O “Salé” era outro nível. Tinha um ginásio enorme e
todos os equipamentos da ginástica: trave, argolas, barras
paralelas e assimétricas, trampolim, etc.
Foi um treino memorável por vários motivos: primeiro
pelo ambiente em si; segundo por que minha calça de ginástica
rasgou no fundo e eu não tinha outra roupa para vestir, tive que
remendar com fita adesiva e esperar chegar em casa para
trocar; e terceiro, por que foi o dia em que eu vi pela primeira
vez o fliperama de Street Fighter II.
Quando o treino terminou, o pessoal com quem eu
tinha ido de carona precisou passar em uma loja próximo à
catedral. Do outro lado da rua, numa esquina, havia um prédio
onde funcionava um enorme fliperama, com dezenas de
máquinas. Dei uma escapadinha e fui lá olhar os jogos. Só
lembro de dois jogos: 1943, que eu já conhecia do Nintendinho
e Street Fighter II.
59
Claro que o Street foi o que chamou a minha atenção,
principalmente por que a máquina estava rodeada com tanta
gente que quase não dava para ver a tela.
Era ficha atrás de ficha entrando naquela máquina e a
galera se enfrentando no versus. Fiquei encantado com os
personagens: Blanka, Dhalsim, Zangief, Chun-Li, Guile, E.
Honda, Ryu e Ken.
Também cheguei a ver os chefes, pois a galera ia no
esquema de jogar contra a máquina e quando via que ia perder
alguém colocava uma ficha e entrava no versus para salvar a
ficha do amigo. Ai quem vencesse o contra podia continuar
contra o chefe.
Não demorei muito tempo lá, mas foi o suficiente para
eu ficar dias falando desse jogo com os amigos da escola e da
locadora. Quando Street chegou pra Super Nintendo, o sonho
de curtir aquele jogo, sem limites, se realizou.
Infelizmente esse fliperama fechou pouco depois de eu
tê-lo conhecido. Fui lá poucas vezes.
Outro fliperama que era bem conhecido em Natal ficava
no bairro Alecrim. Infelizmente não o conheci. Eu ia muito no
Alecrim comprar revistas nos sebos e bancas que ficavam no
cruzamento da Coronel Estevam com a Pres. Bandeira. Algumas
vezes fui na rua das eletrônicas e em várias outras lojas, mas
esse fliperama, nunca vi.
Uma das minhas tias morava no bairro Lagoa Nova, bem
pertinho do supermercado Bompreço. Quando minha família ia
visitá-la, sempre dávamos um pulinho no Bompreço para fazer
60
compras e passear pelas lojas do hipermercado. Num desses
passeios encontrei uma loja com fliperamas.
Por muito tempo, o fliper do Bompreço foi o melhor da
cidade, na minha opinião. Todas as novidades chegavam
primeiro lá: Tartarugas Ninja (aquele com 4 controles),
Simpsons (o de luta), Super Street Fighter II: The New
Challengers (com os novos lutadores T. Hawk, Cammy, Dee Jay
e Fei Long), além de simuladores como Afterburn, alguns de
corrida e muitos outros jogos incríveis.
Foi por causa desse fliper que eu passei a fazer escolhas
mais cautelosas na hora de jogar. Geralmente íamos lá no
sábado, meu pai comprava algumas fichas para eu e meu irmão
e depois da diversão voltávamos para casa. No dia seguinte, eu
queria jogar na locadora, mas como meu pai já tinha dado
dinheiro no dia anterior, não tinha mais. Desde então passei a
dar preferência pela locadora, pois as fichas acabavam rápido.
Um tempo depois foi inaugurado o Natal Shopping, uma
nova opção de passeio, que contava com muitas lojas, praça de
alimentação, cinema e fliperamas.
O fliper ficava bem em frente ao cinema, então, era uma
boa opção se o filme ainda ia demorar ou se a fila para entrar
estava muito grande.
Lá encontrávamos as máquinas mais modernas, com os
melhores jogos da época: King of Fighters, Metal Slug,
simulador de esqui, jogos de tiro com pistola, máquinas de
bichinhos e até cabines fotográficas que imprimiam a foto na
hora.
61
O preço era bem mais alto que nos outros pontos da
cidade, então era preciso pensar muito bem antes de sair
colocando as fichas nas máquinas.
Sempre que eu ia no cinema do Natal Shopping, dava
uma passada lá. Raramente eu jogava, por causa do alto preço,
mas eu gostava de olhar, uma por uma, todas as máquinas.
No início de 2019 estive no Natal Shopping e a empresa
que agora possui o espaço com fliperamas é a Puppy Play, que
tem lojas em diversas cidades do Brasil.
62
máquinas que são atrativas para crianças e diversos
simuladores.
A maioria das máquinas possui aquele sistema que
libera tickets após a partida, que podem ser juntados para
trocar por prêmios. Me sinto enganado por esse sistema, pois
mesmo gastando centenas de Reais, o máximo que se pode
conseguir são pirulitos ou brinquedinhos de plástico que
custam poucos centavos. Os prêmios realmente bons exigem
uma quantidade de tickets que encheriam um caminhão.
63
64
AS LOCADORAS DE NATAL
7
NATAL
Infelizmente não tenho tantas lembranças das
locadoras de Natal. Como eu era criança naquela época, só ia à
Natal quando meu pai tinha algo para resolver ou nos passeios
da família.
Aos sábados, pegávamos o trem que fazia a linha Ceará-
Mirim/Natal, descíamos no terminal ferroviário da Ribeira, e
caminhávamos até uma rua que ficava próximo à Catedral (R.
Rodrigues Alves).
Lá havia uma grande locadora chamada Shop Game,
com diversos consoles, incluindo Nintendo, Master System e
Mega Drive. Além do playgame, também alugavam e vendiam
jogos. Haviam expositores com centenas de capinhas para você
escolher o que queria levar pra casa ou curtir ali mesmo.
Eu sempre queria jogar no Nintendo, pois era o console
que eu já conhecia e tinha oportunidade de testar os jogos que
até então só tinha visto nas revistas.
Joguei muito o game 1944, com o aviãozinho laranja
detonando aviões e navios inimigos. Adorava ver o marcador
de pontos subindo loucamente e pensava: "Seria maravilhoso
65
se tivesse uma máquina que transformasse todos esses pontos
em dinheiro... eu ficaria rico”. Até hoje não inventaram uma
máquina dessas. Que pena!
Outro jogo que curti lá foi Super Mario Bros. 3, bem no
lançamento, no ano de 1990. Fiquei impressionado com a
qualidade do jogo pois o gráfico era muito mais bonito que os
anteriores, tinha um mapa para escolher as fases, itens para
escolher antes de começar a fase, cenários bem variados e
muito mais. Um tempo depois consegui comprar esse cartucho
para curtir em casa.
Minha preferência pelo Nintendo também se dava ao
fato do Mega Drive ter 3 botões de ação, um a mais que o meu
Nintendo, o que me deixava com medo de não saber jogar com
aquele controle e desperdiçar o tempo pago. Via o pessoal
jogando Sonic e Altered Beast, achava lindo, mas não tinha
coragem de pegar no controle.
Os amigos da escola Kleber e Kelvin Praxedes (filhos do
Sr. Josué Praxedes, dono da loja Baratão dos Tecidos) me
ajudaram a superar esse medo, pois eles tinham um Mega Drive
e me convidavam para jogar na casa deles. Sem medo de perder
o tempo pago, aprendi a usar o terceiro botão rapidinho.
Meu pai me deixava na locadora enquanto ia no centro
resolver suas coisas, sempre com muitas recomendações para
mim e para o proprietário para que eu não saísse da loja. Mas...
que criança iria querer sair dali?
Quando a Shop Game fechou, o terreno foi vendido e ao
longo dos anos uma loja de roupas funcionou no local por um
66
tempo e atualmente há um pequeno shopping chamado
Petrópolis Mall.
Outra locadora que conheci em Natal ficava no Natal
Shopping. Foi a primeira vez que vi de perto um Neo Geo, com
seus controles e cartuchos gigantes. Era uma locadora muito
bem organizada, com móveis bonitos e tudo que tinha de
novidade.
Dessa vez não me impressionei com os quatro botões
no controle e joguei feliz da vida Art Of Fighting e NAM 1945. O
valor da hora era muito alto! Até entendo, por que o console
era extremamente caro e segundo por que o ambiente do
shopping é custoso para o lojista manter. Acho que joguei lá
uma única vez.
A próxima locadora que lembro, era uma que ficava em
um shopping pertinho do Hiper Bompreço, em Lagoa Nova.
Atravessando a rua tinha o Shopping Natal Sul (não lembro se
na época era esse mesmo nome). Lá tinha uma locadora com
Mega Drive e Super Nintendo.
No dia que fui lá estava acontecendo um campeonato.
Os jogos eram Pit Fighter, do Mega Drive, aquele jogo de luta
onde tem três carinhas de calça vermelha e sem camisa, um
deles, chamado Ty, é a cara do Van Damme; e Top Gear do
SNES. Nesse dia que aprendi o macete do Top Gear de bater na
placa de chegada para conseguir terminar em duas posições ao
mesmo tempo e faturar mais pontos no pódio.
Encontrei meu amigo Euriam por lá, disputando o
campeonato, mas não fiquei pra ver quem venceu. Só peguei
meia hora no SNES, pra jogar Gradius 3, jogo de nave que eu
67
curtia imensamente por causa das versões anteriores do
Nintendinho.
Uma vez fui em uma locadora que ficava bem perto da
Rodoviária, no bairro Cidade da Esperança, era uma casa com
uns poucos consoles, principalmente SNES. Lembro que joguei
lá um Street Fighter II muito louco, tipo aquele que tinha nos
fliperamas, onde Ryu, Ken e Guile soltavam quantas magias
quisessem e ficavam todas ao mesmo tempo na tela, podia ficar
dando pulo duplo até sair por cima da tela e aparecer por baixo
novamente, e outras maluquices dessas. Também só fui lá uma
única vez.
Alguns amigos tinham pais que trabalhavam em Natal,
então era comum os filhos (e amigos dos filhos) pedirem para
que eles alugassem jogos nas locadoras de lá, principalmente
para passar o fim de semana.
Não recordo nem o nome dessas locadoras, pois nunca
cheguei a ir em nenhuma delas. Os cartuchos chegavam na
minha casa na sexta à noite, eu passava o sábado e o domingo
inteiro jogando, e no domingo à noite entregava para que o pai
ou mãe do colega levasse no dia seguinte para devolver em
Natal.
A última locadora que me vem à memória, era uma que
ficava em Candelária, na av. Prudente de Morais. Essa locadora
tinha um grande diferencial: alugava jogos para PC. Acredito
que foi por volta de 1997, pois nessa época eu já tinha
computador em casa e, o mais importante, um gravador de
CDs!
68
Na verdade, o gravador não era só meu. Eu e mais uns 4
amigos nos juntamos para comprar o equipamento, que
custava um absurdo de dinheiro naquela época, cerca R$
1.000,00, o que daria uns R$ 3.700,00 nos dias de hoje.
Parcelamos em “trocentas” vezes e cada um de nós pagava uma
parte da parcela a cada mês.
Com um gravador de CDs em mãos, agora bastava
conseguir os jogos e fazer cópias para usarmos em nossos PCs.
E foi isso que pensamos em fazer quando descobrimos essa
locadora. Mas a alegria não durou muito, pois os jogos que
queríamos vinham com proteção contra cópia, ou em discos de
maior capacidade que excediam os 650Mb dos CDR’s da época,
entre outras dificuldades.
Até haviam meios de contornar essas proteções,
criando imagens dos discos, usando drives virtuais, arquivos de
patch para jogar sem disco, etc., mas não dava para usar
sempre, pois os minúsculos HDs enchiam rapidamente e era
preciso apagar os jogos para poder instalar outros.
Acabamos por abandonar essa ideia de copiar jogos e
passamos a dividir o preço dos jogos originais, comprar revistas
que traziam CDs com jogos completos, etc. Assim fomos
aumentando a coleção. Quando um de nós zerava, passava o
jogo para o outro. E assim parei de ir nessa locadora, a última
de Natal que eu me recordo.
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70
GAME VISÃO
8
Sempre que chegava a época de férias escolares, eu,
meus irmãos e meus pais viajávamos para Mossoró, onde a
maior parte da família reside até hoje.
Minha mãe tem muitas irmãs, e por sua vez, elas têm
MOSSORÓ
muitos filhos, o que nos dava uma infinidade de primos com
quem brincar.
Naquela época, além das brincadeiras dentro de casa e
nas calçadas das avós e tias, a opção que tínhamos para tantos
dias de folga era assistir os programas da TV. A programação
infantil era exibida de segunda a sexta, um pouco pela manhã
e um pouco pela tarde, sem quase nada no período da noite e
fins de semana.
Quando chegava a sexta-feira, era hora de ir à locadora
alugar alguns filmes para assistir no sábado e domingo. Em
Mossoró, a locadora mais conhecida era a Visão Vídeo, do Sr.
Lauro Mendonça.
Ela foi inaugurada em 1986, funcionando no
cruzamento da avenida Rio Branco com a rua Frei Miguelinho,
e foi a principal responsável por popularizar o VHS na cidade.
71
Se não me engano, meu pai comprou nosso primeiro
videocassete em um consórcio organizado pela Visão.
Em uma das visitas à essa locadora, enquanto meu pai
conversava com o proprietário, ele nos convidou para conhecer
a nova área recém-inaugurada: a Game Visão.
Recentemente tive a oportunidade de conversar
pessoalmente com o Sr. Lauro. Ele me contou que no início dos
anos 90, o negócio de vídeo ia muito bem, mas outro tipo de
entretenimento estava crescendo e chamou sua atenção: os
videogames.
Apesar de não ser fã de jogos, viu uma ótima
oportunidade de lucro. Algumas locadoras de games já haviam
se estabelecido com sucesso e isso despertou seu interesse de
investir nesse negócio.
Ele procurou um arquiteto para criar um projeto
diferenciado para sua nova loja, que funcionaria ao lado da
locadora de filmes. De início foram instalados 8 consoles, entre
eles Mega Drive e Super Nintendo, adquiridos em suas viagens
à Zona Franca de Manaus-AM e também com representantes
em Fortaleza-CE.
Eu joguei na Game Visão poucas vezes, pois como meus
familiares moravam na Abolição II e no Alto da Conceição,
bairros um pouco distantes do centro da cidade, eu não
costumava andar muito pelo centro.
Lembro perfeitamente de dois jogos que vi pela
primeira vez nessa locadora: RANMA ½ do SNES, um jogo
japonês de luta que tinha um urso panda como um dos
72
principais personagens e que descobri, quase uma década
depois, que é um jogo baseado em um anime de sucesso.
O outro jogo era X-Men 2 Clone Wars, do Mega Drive,
no qual você jogava com Fera, Noturno, Gambit, Ciclope,
Psylocke e Wolverine, os bonecos tinham sprites grandes e as
fases eram bem variadas.
74
SHOP GAME
9
Se alguém me perguntar qual a primeira locadora de
Mossoró que vem à mente, em menos de um segundo eu
respondo: Shop Game, a locadora que ficava na praça do
museu.
MOSSORÓ
Mesmo sendo uma locadora bem distante de onde eu
costumava ficar, foi a primeira que conheci no tempo que
passava as férias em Mossoró.
Eu ia sozinho até a parada de ônibus da Abolição 2,
esperava a linha que ia para o centro, passava por baixo da
roleta para economizar a passagem e ter mais moedinhas pra
alugar as fitas, mesmo o cobrador com aquele olhar de “isso
não pode”. Saltava na COBAL e em alguns passos estava lá na
Shop Game.
Muitas vezes eu chegava antes da locadora abrir, e
ficava esperando o dono chegar, geralmente acompanhado de
seus filhos (que deviam estar de férias também).
O local tinha prateleiras nas paredes que iam até o teto
com centenas de capinhas dos jogos, principalmente de
75
Nintendinho e Master System. Eram tantos que eu passava
horas escolhendo o que iria levar.
Haviam alguns consoles para testar os cartuchos de
locação e para quem quisesse pagar para jogar.
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78
HOT GAME
10
Em busca de novos títulos para jogar no meu
videogame, acabei descobrindo a Hot Game, do sr. Ricardo
Falcão, uma das locadoras pioneiras em Mossoró e que serviu
de inspiração para muitos proprietários que abriram locadoras
nos bairros da cidade.
MOSSORÓ
Apesar de ficar em um local meio escondido, era muito
fácil encontrar a Hot Game. Bastava olhar para as duas enormes
caixas d’água da rua Pedro Velho, bem ao lado do Colégio
Diocesano Santa Luzia.
Na frente do prédio víamos apenas uma portinha
estreita e o nome da locadora pintado na parede, mas ao
atravessar a porta, encontrávamos o paraíso dos games.
O espaço interno da locadora era enorme! Tinha
diversas TVs com praticamente todos os consoles disponíveis
no mercado. Sega CD, 3DO, Playstation, tudo chegava primeiro
na Hot Games. O Sr. Ricardo fazia questão de trazer todas as
novidades para a loja.
Nas paredes, expositores com centenas de caixas de
jogos para o cliente escolher o que iria levar para casa ou jogar
79
ali no playgame, que tinha mais de 10 aparelhos, sempre
ocupados a maior parte do tempo.
Haviam também muitos cartazes decorando o local e
anunciando as últimas novidades. Lembro de um pôster do jogo
Dizzy, um dos meus favoritos na época do Nintendinho. Como
eu queria aquele pôster!
Foi lá que vi pela primeira, e única, vez na minha vida o
Atari Jaguar, o console que foi lançado com a promessa de
apresentar gráficos de 64 bits, mas que acabou sendo mais uma
questão de marketing do que de tecnologia.
Vi de perto aquele estranho controle, cheio de botões,
tantos que parecia até um telefone. O game que estava
rodando, se não me engano, era Wolfenstein 3D, jogo de tiro
em primeira pessoa que até então eu só tinha visto em
computador. Fiquei encantado.
Outro aparelho que eu não cansava de olhar era o Neo
Geo. Era tão difícil encontrar aquele console em locadoras que
ao vê-lo na Hot Game senti como se tivesse descoberto um baú
do tesouro.
Vi a galera jogando um futebol com robôs (Soccer Brawl)
onde a bola era chutada com efeitos de ultra velocidade, raios
paralisavam ou derrubavam os adversários, e as animações
eram muito bem-feitas.
Meu pai fez cadastro lá para eu poder alugar os jogos.
Era uma das poucas locadoras que eu vi usar um computador
com sistema de locação para registrar as informações dos
clientes. A maioria anotava as saídas em talões ou cadernos.
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Como eu só estava em Mossoró no período de férias,
passava praticamente um ano inteiro entre uma visita e outra.
Certa vez quando cheguei para alugar, falei o nome do meu pai
e a pessoa que me atendeu (não lembro se foi o sr. Ricardo),
me fez um monte de perguntas, para confirmar o telefone, o
endereço, e outras coisas mais, antes de liberar a locação. Isso
por que no sistema, o campo status do cliente estava escrito:
SUMIU.
Eles alugavam games, vendiam jogos e consoles,
alimentos, revistas, etc. Tudo o que estava relacionado à
videogames a Hot Game tinha.
Infelizmente foi mais uma vítima da pirataria. Quando
os clientes começaram a comprar consoles para jogar em casa
e conseguiam cópias dos jogos pelo mesmo preço de uma
locação, o negócio não teve como se sustentar e a locadora
fechou. Muito triste.
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82
TUTTI GAMES
11
No ano de 2000, me mudei de Ceará-Mirim para
Mossoró. Tinha passado no vestibular do curso de Ciência da
Computação na UERN e fui morar na casa da minha tia, no
bairro Abolição 2, permanecendo lá durante os 4 anos do curso
e um pouco mais até me casar.
MOSSORÓ
Foi uma época em que eu ainda estava na febre do
computador, jogava os games que vinham nos CDs das revistas,
alguns outros que eu tinha comprado em lojas de informática,
muitos emuladores, etc. Já estava longe dos consoles há algum
tempo.
Durante o curso alguns colegas me falaram do jogo
Pokémon Red e Blue, do Gameboy, que estava fazendo muito
sucesso por causa do desenho animado que passava na TV.
Resolvi conferir no emulador e viciei na hora.
Joguei praticamente todos os dias até conseguir
colecionar os 151 monstrinhos. Isso me despertou o interesse
de ter um Gameboy para jogar em qualquer lugar, não só no
computador.
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Na verdade, eu queria um Gameboy desde o tempo que
via as telinhas verdes impressas na revista Videogame, no início
dos anos 90. Até cheguei bem perto de comprar um nas Lojas
Americanas por volta de 1995 ou 1996. Mas acabei dando
preferência a um Walkman AIWA. Que erro!
Essa época em que eu fazia faculdade, foi exatamente a
época que a Nintendo anunciou o lançamento do Gameboy
Advance. O novo portátil teria gráficos semelhantes aos do
Super Nintendo e uma infinidade de jogos muito mais bonitos
que os do atual Gameboy Color.
Assim que foram lançados no Brasil, numa parceria da
Nintendo com a Gradiente, fiz a compra do meu no site das
Lojas Americanas em 10 (quase) suaves prestações e peguei o
jogo Castlevania Circle of The Moon para acompanhar.
Quando o GBA chegou, fiz a festa, jogava todo o tempo
em que eu estava livre. E logo o jogo que eu tinha comprado
havia perdido a graça depois de zerar diversas vezes. Então fui
procurar se na cidade havia alguma loja que alugasse ou
vendesse cartuchos de Gameboy.
Foi então que encontrei a Universo do Game, loja do Sr.
Aldemir e seu filho Berg, que funcionava na rua Frei
Miguelinho, no Shopping Oasis, centro da cidade. Eles vendiam
jogos e acessórios, principalmente para Playstation. Logo fiz
amizade com o Berg e virei frequentador assíduo daquela loja.
Além da loja, eles tinham também uma locadora no
bairro Abolição 2, sim, o mesmo bairro onde eu morava! E
como eu nunca tinha visto essa locadora? Simplesmente por
que até então eu só jogava no PC.
84
A Tutti Games funcionava na residência do Sr. Aldemir,
que ficava na esquina da rua Edite Freire com a rua Maria Salém
Duarte (a rua que fica na lateral da Igreja Nossa Senhora de
Fátima). A entrada era por uma porta lateral que dava acesso a
um grande cômodo que tinha o comprimento da casa toda.
85
conversando com o Berg e até fiz alguns serviços de informática
para eles.
No tempo em que foi lançado o filme Homem-Aranha,
todo mundo estava doido para assisti-lo. Consegui baixar o
filme na internet em formato AVI, que só rodava no
computador, mas quase ninguém tinha computador.
Passei dias pesquisando um jeito de rodar filmes no
Playstation, e, consegui! Encontrei um programa para
converter os vídeos para o formato das CGs que o PS conseguia
rodar.
O problema é que só cabia uns 25 minutos de vídeo em
cada CD. Tive que cortar o filme em vários pedaços, e gravar
cada parte em um disco. Foram uns 5 CDs para caber o filme
todo.
A galera assistiu no Playstation da Tutti Games, mesmo
com a imagem meio ruim, toda quadriculada, legendas que mal
davam para ler, mas era o Homem-Aranha! Eles adoraram!
Quando a loja e a locadora não estavam mais sendo
lucrativas, passaram a investir na venda de instrumentos
musicais, transformando a Universo do Game na Universo
Eletromusical.
Até os dias atuais a loja de instrumentos está firme e
forte, sempre trazendo as mais recentes novidades e produtos
de qualidade para quem trabalha com música ou a tem como
hobby.
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12
OUTRAS LOCADORAS DE MOSSORÓ
MOSSORÓ
A casa que eu ficava era a penúltima casa da rua
Raimundo Cabral, tendo a BR à esquerda, os fundos do Hotel
Thermas logo à frente, e uma praça na rua de trás.
A praça era rodeada por casas e uma delas tinha algo
especial: um playgame onde a meninada se reunia para jogar.
Eram poucos consoles, alguns Super Nintendo e Mega
Drive. Fui lá algumas vezes com minha prima, Raquel, e meu
irmão, Adriano, para jogarmos Super Mario World.
Infelizmente nas férias seguintes ela já não existia mais. O jeito
foi procurar outra.
Encontrei mais uma locadora no Centro Comercial da
Abolição, que fica em frente ao antigo Pague Menos, hoje em
dia Supermercado Cidade. Eles tinham Nintendinho e Super
Nintendo.
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Lembro de ir várias vezes lá para jogar Mario Is Missing
no SNES, “Batman - Return Of The Joker” e “Mickey
Mousecapade” no Nintendinho. Foram poucas as visitas, pois
logo descobri outra locadora bem perto que alugava jogos para
levar para casa.
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Fachada da Videos.com que também trabalhou com games
Fonte: Google Maps
90
das gerações atuais. Fico feliz em saber que o negócio ainda se
mantém mesmo depois de tantos anos.
Saindo da abolição, o outro bairro onde eu ficava era o
Alto da Conceição, pois meus avós paternos e maternos
moravam lá. Bem próximo ao mercado do Alto da Conceição,
tem um posto de gasolina, numa esquina. Atravessando a rua,
bem em frente ao posto havia uma locadora que tinha SNES e
N64 (talvez alguns outros consoles, não lembro).
Paguei meia hora no “Cruis’n U.S.A.” do Nintendo 64, só
para sentir como era o controle. Se não me engano foi a
primeira vez que eu joguei no N64, mesmo já tendo visto ele
em outras locadoras. Só fui nessa uma única vez, pois como
tinha console em casa, preferia alugar cartuchos e curtir o dia
inteiro.
Seguindo pela Alberto Maranhão, em direção ao Belo
Horizonte, um pouco antes de chegar na linha do trem, do lado
esquerdo da pista, tinha uma locadora com vários SNES. Fui lá
uma ou duas vezes e cheguei a jogar lá. Até era bem perto da
casa da minha avó, mas havia outra ainda mais perto.
Logo após cruzar a linha do trem, do lado direito haviam
várias lojinhas e na esquina da rua Padre Freire tinha uma
locadora com vários Super Nintendo. Era exatamente em frente
à casa da minha avó, bastava atravessar a rua e eu estava lá.
Fui nessa locadora muitas vezes jogar o Street Fighter II
Champion Edition, aquela versão em que era possível jogar com
os quatro chefes finais. Gostava de jogar com o Vega (o chefe
com máscara e garras), por causa daquela técnica de subir na
grade atrás do cenário e atacar por cima do oponente.
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Certamente joguei muitos outros jogos, mas realmente não
lembro quais eram.
92
banheiros, havia uma locadora. Ambiente simples, porém,
organizado. Joguei uma meia hora num Phantom System.
O controle era horrível! O jogo que escolhi foi
Tartarugas Ninja 1, que achei muito difícil e em seguida Caça-
Fantasmas, que era tão complicado que não soube nem entrar
na fase. Também fui lá uma única vez.
Um local bastante conhecido de quem mora em
Mossoró é o Vuco-Vuco, um camelódromo que reúne
vendedores com todos os tipos de produtos, novos ou usados.
Ao redor do local existem alguns comércios como oficina
mecânica, loja de material de construção, equipadora
automotiva, etc. Nos anos 90 havia também uma locadora que
funcionava nas proximidades: House Game.
Fui lá uma única vez, e por incrível que pareça não foi
para jogar, foi para ouvir um CD de música em um dos consoles.
Ficava muito longe das casas dos meus familiares, não tinha
como ficar indo lá. Encontrei o local por acaso, mas fiquei
sabendo que era bastante movimentada.
Já no tempo da faculdade, quando comprei meu
Gameboy Advance e estava procurando lojas ou locadoras que
tivesse cartuchos do portátil, numa dessas andanças pela
cidade encontrei a World Game, locadora que ficava na rua
Jeronimo Rosado, a rua do Colégio Dom Bosco.
Era uma locadora grande, bastante conhecida, mas
como eu não jogava em consoles há muito tempo, mesmo
passando por essa rua diversas vezes quando ia para a
faculdade, acabei não prestando atenção nela.
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Fui lá em busca de cartuchos de Gameboy para alugar,
infelizmente era um dos poucos sistemas que eles não
trabalhavam. Além de aluguel de jogos de Playstation 2,
Playstation 3, Xbox 360 e alguns outros mais antigos, eles
também tinham um playgame.
94
Não encontrei os jogos de Gameboy que eu procurava,
mas encontrei a nova geração de consoles que conseguia
desenhar gráficos muito mais bonitos que os do meu PC, que já
estava ficando ultrapassado.
Uns dois meses depois de ter comprado meu Gameboy
Advance, a casa que eu morava foi invadida por ladrões que
levaram diversos pertences, entre eles: câmera fotográfica,
discman, relógios e meu Gameboy Advance. Buááááá. Fico
triste só em lembrar. Foi na madrugada, ninguém viu nem ouviu
nada. Ainda bem que não aconteceu nada além de perdas
materiais.
Passei vários meses pagando as parcelas e lembrando
desse triste dia. Lembrei, porém, que no Vuco-Vuco costumam
aparecer consoles usados para vender, então dei um pulo lá na
esperança de encontrar o meu GBA “perdido” sendo oferecido
para venda.
Não encontrei o aparelho, mas encontrei outra locadora
que ficava por trás do Vuco-Vuco, bem na esquina do
cruzamento da rua Rodrigues Alves com a rua Epitácio Pessoa,
a locadora de Joinha.
Era uma locadora que tinha muitos Super Nintendo, um
monte de crianças jogando International Super Star Soccer,
Mario e outros games que ainda faziam sucesso mesmo em
tempos de Playstation.
Falei rapidamente com o proprietário, para saber se
alguém tinha aparecido por lá querendo vender um GBA aos
clientes, mas ele não havia visto nada do tipo.
95
Recentemente passei lá para ver se alguém sabia me
contar algo sobre a locadora. Me falaram que o antigo
proprietário teve problemas de saúde e não teria como
conversar comigo. Ainda vi um velho console e alguns
cartuchos de SNES na pequena loja que funciona no local.
96
Fiquei com esse GBA preto até que foi lançado o GBA
SP. Vendi o GBA preto e peguei um GBA SP prata, que me
acompanhou até o final da faculdade. Acabei vendendo o GBA
SP para pagar a minha formatura... que arrependimento!
Vivo contando essa história aos meus alunos quando
eles falam sobre formatura. A lição que aprendi: não venda seu
videogame para pagar formatura!
Cheguei a comprar outro GBA SP, um Nintendo DS Lite
e um PSP, mas acabei me desfazendo de todos por falta de uso.
Passavam semanas, as vezes meses, esquecidos dentro de uma
gaveta. Foram para a mão de quem os usaria com mais
frequência.
Ao longo dos anos, encontrei muitas outras locadoras
espalhadas pela cidade enquanto transitava de ônibus, de
bicicleta, moto ou carro, mas não as visitei. Se eu imaginasse
que algum dia iria escrever esse material, certamente teria
registrado tais informações.
97
98
FLIPERAMAS NA TERRA DO SAL
13
Muitos anos atrás, na rua Prudente de Morais, bem ao
lado de uma das pontes que atravessa o rio Mossoró, foi
inaugurado o Coelhão. Era uma mistura de supermercado e
shopping center, algo parecido com os hipermercados que
conhecemos atualmente.
MOSSORÓ
No Coelhão, além do supermercado, lojas de presentes,
revelação de fotografias, lojas de roupas e perfumes, havia
também alguns fliperamas. E, claro, eu adorava ir lá jogar!
O único jogo que lembro com clareza era Ring King, um
jogo de boxe com visão isométrica onde você enfrentava seus
adversários até alguém ir à lona. Eu não era muito bom,
conseguia vencer um ou dois adversários e perdia a ficha.
Certa vez, eu estava de férias, na casa da minha tia, na
Abolição 2, e consegui juntar umas moedinhas que deviam dar
para comprar umas 5 fichas. Porém, não sabia como faria para
ir até o Coelhão, pois, mesmo de ônibus, era muito longe.
Lembrei da minha avó que morava próximo ao mercado do Alto
da Conceição, que ficava bem mais perto de lá, daria até para ir
a pé se quisesse.
99
Então liguei para minha tia, Socorro, que morava com
minha avó, pedindo pra ela me buscar na Abolição pra irmos no
Coelhão. Ela estava sem transporte na ocasião, mas conseguiu
uma carona com um vizinho e foi até lá me buscar.
Eu estava esperando, todo arrumado, só pensando nas
partidas que iria jogar. Mas, quando ela chegou e perguntou
onde estava minha bolsa pra ir pra casa dela, eu disse que só
queria ir no Coelhão, mas voltaria pra dormir onde estava. Ela
me disse que não podia ir pro Coelhão, tinha ido me buscar pra
ficar na casa da minha avó. Fiquei triste por não ter o passeio e
nem fui com ela. Desculpa, tia!
Shopping Coelhão
Fonte: Grupo Mossoró do Passado em Facebook.com
100
perfumaria, locadora de filmes, quiosques de TV por assinatura,
etc.
Um belo dia me deparo com uma nova loja que tinha
uma dezena de máquinas de fliperama. Meus olhos brilharam
ao ver aquilo!
Se chamava Hiper Game. Tinha jogos de luta, futebol,
jogo com pistola, jogo de corrida, uma máquina de air hockey e
muito mais. Agora eu tinha mais um motivo para querer ir ao
supermercado!
A loja funcionou um bom tempo nesse supermercado,
até que o Mossoró West Shopping foi inaugurado, em 2007, e
a Hiper Game se mudou para lá.
No shopping o espaço era muito maior, o que permitiu
acomodar muitas outras atrações, incluindo mesas sinucas,
pistas de boliche, um espaço para festas, e, claro, muitas
máquinas de fliperama.
Atualmente é uma das atrações favoritas dos meus
filhos. Quando vamos ao shopping, uma passada na Hiper
Game é obrigatória.
Lá encontramos uma grande variedade de jogos, desde
máquinas clássicas como os simuladores de corrida Cruis’n USA
e Daytona USA, Tekken, KOF, etc., bem como máquinas mais
interessantes como Super Bikes 2, Deadstorm Pirates, Need For
Speed Carbon, Overtake, uma máquina de dança (PUMP), e
muitas outras que agradam crianças, jovens e adultos.
101
Loja da Hiper Game no Partage Shopping Mossoró
Fonte: o autor
102
BOAS LEMBRANÇAS
14
Este é o final da minha jornada pelas dezenas de
locadoras e fliperamas que fizeram parte da minha jornada
gamer, desde minha infância até a vida adulta.
São lembranças que guardo com carinho, pelas
infindáveis horas de diversão, pelas amizades que ali nasceram,
pelos desafios superados, pelas lições aprendidas.
Minha vida profissional foi grandemente influenciada
pelos videogames. Sempre quis saber como os jogos eram
criados e isso despertou em mim o interesse pelos
computadores e por aprender programação.
Comecei aprendendo BASIC, depois PASCAL, Delphi, C,
Java, PHP, Python, etc. É verdade que nunca programei
nenhum jogo além de pequenos exemplos feitos em sala de
aula, nem é algo que esteja em meus planos atuais. Talvez pelo
medo de constatar o que muitos desenvolvedores de jogos
falam: “quem faz jogo não tem tempo de jogar”.
Apesar de sentir falta das antigas locadoras, acredito
que hoje em dia eu não as frequentaria da mesma maneira
como antigamente. Em parte, pelo tempo que precisa ser
103
dividido entre trabalho, família e tantos outros compromissos
da vida adulta; por medo da violência, assaltos, que foram o
motivo do fechamento de várias dessas locadoras de bairro; e
também por conta das facilidades que a tecnologia de hoje nos
proporciona: comprar jogos sem sair de casa; assistir aos vídeos
dos mais recentes lançamentos; conversar por texto, áudio e
vídeo com amigos que moram distante e até mesmo jogar on-
line com eles; comentar sua opinião em grupos de redes sociais
e criar novas amizades nessas comunidades; encontrar
facilmente as dicas para aquela fase que você enganchou, etc.
Para matar a saudade das locadoras e dos antigos
consoles que marcaram aquela época, temos a sorte de poder
participar de eventos organizados por verdadeiros fãs dos
games que não deixam esse fantástico legado desaparecer.
Sou muito grato a esses companheiros de jornada, que,
assim como eu, acreditam que as novas gerações devem
conhecer a história que vivenciamos e que a nossa geração, que
viveu aquela época, sempre exibirá um grande sorriso no rosto
ao relembrar aqueles maravilhosos momentos.
De joystick na mão, sigo em busca de novas aventuras!
Em florestas, cavernas, espaçonaves, castelos, desertos, e até
no fundo do oceano. Expulsando alienígenas invasores,
derrotando feiticeiros malvados, acabando com zumbis ou
soldados nazistas. Encontrando tesouros, desbravando terras
inexploradas, chegando em primeiro lugar e vencendo o
campeonato. Essa é minha eterna paixão!
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PARTE II
MEMORIAL LOCADORAS & FLIPERAMAS
105
106
MEMORIAL LOCADORAS & FLIPERAMAS
15
Nesta parte do livro reuni as contribuições de dezenas
de colaboradores que enviaram suas memórias sobre as antigas
locadoras de games, através de um formulário eletrônico,
contatos em redes sociais, assim como em encontros
presenciais.
Se você tem histórias sobre locadoras e deseja contá-
las, preencha o formulário no site: bit.ly/memorial-locadoras.
Sua história poderá ser incluída em uma futura edição deste
material.
Algumas locadoras já foram apresentadas nos capítulos
anteriores através das histórias que eu vivenciei. Apesar de
aparecerem novamente aqui, mais detalhes e novas histórias
são contadas através das memórias dos colaboradores. Vale a
pena conferir cada uma delas.
Mais uma vez agradeço imensamente a todos que
dedicaram um pouco do seu tempo para contribuir com este
projeto.
Divirtam-se!
107
108
Cinemax
Ceará-Mirim
Eduardo Gois (proprietário), Everton Barros (cliente)
CEARÁ-MIRIM
A locadora Cinemax, funcionava na Av. General João Varela,
894, no Centro de Ceará-Mirim. Surgiu como mais um
investimento em entretenimento por parte do Sr. Eduardo
Gois, que já trabalhava com locação de filmes em VHS, tinha o
mais moderno cinema da cidade, além de uma banca de
revistas. O playgame começou com apenas 3 máquinas: 1 SNES
e 2 Mega Drive, mas logo foi preciso aumentar a quantidade de
consoles, pois a demanda era grande. Chegou a ter umas 10 TVs
que ficavam enfileiradas todas do mesmo lado, com prateleiras
logo acima exibindo a capa dos jogos. Haviam centenas de
jogos, os mais desejados pelos clientes, pois Eduardo sempre
perguntava quais deveria comprar, além de acompanhar as
revistas e frequentar feiras de eletrônicos. Várias outras
locadoras abriram na cidade e a concorrência tornou-se muito
grande. Os clientes passaram a comprar consoles para jogar em
casa e os jogos piratas acabaram por tirar o restinho do lucro.
Fechou o playgame, vendeu os equipamentos e jogos, e
continuou com os outros negócios.
Curiosidades:
Como o dono da locadora também tinha um cinema, as vezes
fazia uma promoção que dava direito a um ingresso para
assistir um filme quando se jogava uma certa quantidade de
horas.
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Depoimento:
“Sinto falta daquele tempo. Não era apenas uma locadora, mas
sim um ponto de encontro dos amigos. Achava os jogos muito
mais desafiadores e divertidos que os de hoje. Não sei se
frequentaria uma locadora atualmente devido à rotina de
trabalho e outros afazeres.” (Everton Barros)
Histórias:
“Certa vez um cliente começou a jogar na hora que a locadora
abriu e ficou direto até fechar. Mandou buscar um lanche para
não parar de jogar”. (Eduardo Gois)
110
Edson Games
Ceará-Mirim
Roberto Pereira
111
Depoimento:
112
Beto Play
Ceará-Mirim
Everton Barros
Beto Play
Fonte: Google Maps
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Brisa Games
Ceará-Mirim
José Henrique Morais
114
Gil Games
Ceará-Mirim
Paulo Netto
115
MM Games
Ceará-Mirim
Marcelo Braga (proprietário)
116
Genival Locadora
Ceará-Mirim
Rauze Câmara
117
118
Magic Games
Natal
Glidio Marcio
NATAL
tempo incluiu assistência técnica, vendas e eventos. A loja
funcionou de 1992 até 2016 no cruzamento da Av. Olinto
Meira, com a rua Dr. Pinto de Abreu, no bairro Alecrim.
Infelizmente, devido há dezenas de assaltos e arrombamentos
ocorridos, a direção da empresa decidiu fechar esta loja,
mesmo tendo boa clientela. Entretanto, em abril de 2015, a
Magic Games inaugurou uma loja que continua a funcionar até
os dias de hoje no Shopping Cidade Jardim, no bairro de Capim
Macio, perto do viaduto do Carrefour. A loja do shopping possui
playgame com os videogames de última geração, locação de
jogos de XBOX 360, XBOX ONE, PS3 e PS4; conta também com
assistência técnica, espaço para festas infantis, compra e vende
jogos (novos e usados). Também trabalha com card games,
board games, action figures, acessórios para games e vários
outros produtos.
Curiosidade: O nome da loja foi escolhido em homenagem ao
jogador de basquete Magic Johnson, que ilustrava a capa de um
dos jogos da época.
119
Loja da Av. Olinto Meira (fechada)
Fonte: Google Maps (2011)
120
Start Games
Natal
Lucio Amaral
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Prédios onde funcionou a Start Games, começou no prédio da esquerda,
depois mudou para o prédio da direita.
Fonte: Google Maps
122
Virtual Games
Natal
Pedro Caldas (proprietário)
123
Dell Games
Natal
Wendell Jefferson (proprietário)
124
Eletronic Games
Natal
Glidio Marcio
125
Caverna Game / Tela Game / Brasil Game
Natal
Neilton Wozon Barbosa Brasil (proprietário)
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Combate Games
Natal
Glidio Marcio
127
Locadora do Marcílio
Natal
Will Maia
128
Hot Game
Mossoró
Jonathan Pereira, José Aoem, Sebastião Alves, Morais
Filho
MOSSORÓ
populares SNES, Mega Drive, etc. Além de poder jogar na loja,
também era muito forte a parte de locação para levar para
casa, pois haviam promoções como a de alugar 3 jogos na sexta
e devolver na segunda. A Hot Game foi referência para a
maioria das locadoras que surgiram nos anos 90, inclusive
vendia material para muitas dessas locadoras de bairro. Com o
aumento da pirataria, não havia mais mercado para locação,
então o acervo foi vendido e a locadora fechou.
Depoimentos:
“Sinto muita falta do tempo que meu pai reservava para levar
a mim e meu irmão nos sábados à tarde para podermos jogar.
E no sábado pela manhã, logo após concluir as provas no
Diocesano, saía pra jogar um pouco lá.” (Jonathan Pereira)
“A primeira vez que entrei na Hot Game, Ricardo, o dono,
estava jogando Streets of Rage do Mega Drive com o
129
videogame conectado num sistema de som. O som do jogo
estava alto e límpido. Nunca vou esquecer.” (José Aoem)
“No tempo do Super Nintendo, você passava mais tempo
esperando para jogar do que jogando. Também ficavam várias
pessoas (incluindo eu) esperando os outros jogarem para pedir
pra jogar de dois ou ensinar a passar de alguma fase, os
famosos godelas.” (Sebastião Alves)
“A Hot Games era a locadora de luxo da cidade. Era dessa forma
que chamávamos, pois nela conheci o fenomenal Neo Geo,
SEGA CD e outros consoles que ainda não tinha visto aqui na
cidade. Sentar e colocar o controle do Neo Geo no colo, foi
demais, pois é estilo controle arcade, com a marcha e botões
grandes. Lá, além de ser bem legal e ter muitos consoles, era
climatizada; qualidade diferenciada para o período. Pegávamos
as bicicletas e íamos felizes da vida jogar lá.” (Morais Filho)
130
Game Visão
Mossoró
Lauro Mendonça (proprietário), Andréa da Rocha
Freire (funcionária), Morais Filho (cliente)
131
sabe como era bom. Tinha também adolescentes e adultos,
mas era muito diferente de hoje. Era um ponto de encontro dos
amigos.” (Andréa da Rocha Freire)
“Ia muito na Game Visão com meu amigo Magno. Até hoje
conversamos sobre esse tempo e sobre os detalhes da
caminhada até a locadora. Íamos por cima da Linha do Trem
andando e brincando.
Quando chegávamos na Game Visão, deparávamos com um
lugar extremamente divertido. Climatizada e com muitos
consoles. Ela trazia uma estrutura que só aumentava minha
alegria e a dos meus amigos: muitos videogames e jogos.
Quem nos atendia era Andréa, funcionária da locadora de
filmes que migrava seu trabalho pra locadora de games. Pessoa
sorridente e muito atenciosa. Ficava preocupada quando
chovia e o frio da chuva juntamente com o ar-condicionado
deixava os consoles molhados correndo o risco de serem
danificados, assim, Andréa, muito cuidadosa, corria pra
enxugar. A Game Visão ficou marcada em meu coração.”
(Morais Filho)
132
Nicol Games
Mossoró
Alex Nicol (proprietário), Morais Filho
133
Histórias (por Alex Nicol):
“Um cliente chamado Gargamel conseguiu o fato inédito de
perder no Mortal Kombat jogando contra um segundo controle
que não tinha ninguém. Ele estava tentando fazer um fatality,
aí o segundo controle estava com um botão enganchado, o
boneco ficou dando soco sozinho e ele perdeu a luta sem
ninguém estar controlando”.
“Certa vez eu precisei colocar um console ligado numa mini-TV
de 5 polegadas, aquela que tinha um rádio acoplado, por que o
pessoal queria jogar e não tinha mais nenhuma TV vaga”.
“Já perto do fim da locadora, começaram a aparecer uns
garotos meio suspeitos, jeito de pilantra. Um dia estavam
jogando aí eu dei uma saída rápida para ir no banheiro, quando
voltei, o relógio que eu marcava as horas havia sumido. Aí tirei
onda dizendo: rapaz, tanta coisa pra pegar, levar logo o relógio
que eu marco o tempo! Eles devolveram o relógio e
continuaram lá jogando...”.
Depoimento (por Morais Filho):
Em meados de 1992 pra 1994, eu, em casa, mais ou menos
umas 19h30 da noite, recebo a visita do meu amigo e vizinho,
Magno, que, eufórico, diz: “Morais, Morais! Abriu uma
locadora de vídeo games atrás da igreja!”. Assim, de prontidão,
visto uma camisa, calço o chinelo e, muito emocionado, vou
com ele e mais 3 amigos e vizinhos, Junior, seu irmão, e os
irmãos Ferreira e Gledson, conhecer a tal locadora que se
chamava “Nicol Games”, de Alex Nicol, de quem sou amigo até
hoje.
134
Lembro muito bem da gente saindo em direção ao lugar que
mudaria nossas vidas e rotina na pré-adolescência,
adolescência, dias atuais e vindouros. Chegando à esquina do
quarteirão em que ela ficava, ouvimos a trilha sonora daquele
que seria meu primeiro jogo a jogar numa locadora e que, até
então, só tinha ouvido falar: Sonic, do Mega Drive.
No caminho, íamos conversando sobre o que poderíamos
encontrar lá: tipos de games, consoles e, principalmente, sobre
a felicidade de saber que tínhamos uma locadora pra jogar. A
frase mais comum era: “ei, eu não acredito que agora podemos
jogar numa locadora de vídeo games!”
Ao entrar lá na Nicol Games, avistamos vários amigos da escola,
vídeo games que não conhecíamos ainda, trilhas sonoras
cativantes, a turma empolgada com a novidade, alguns já com
revistas sobre jogos contendo segredos de fases e muito
entusiasmo por parte de todos. Um novo mundo chegou pra
gente.
Foi uma das melhores experiências que tive na vida. Ao chegar
minha hora de jogar, escolho o Mega Drive. Recordo-me que
nessa época ainda não tinha Super Nintendo – console já
existente, porém, não havia na locadora. Ainda no local, vimos
cartazes de jogos nas paredes, cartuchos nas gavetas do balcão
e prateleiras, o barulho das conversas, controles e... enfim, para
eu e meus amigos, estávamos num pedaço do céu.”
135
Casa onde funcionava a Nicol Games
Fonte: o autor
136
House Game
Mossoró
Erian Marcolino (proprietário), José Bezerra Neto
Segundo (cliente)
137
a vender material de papelaria, fardamento escolar, entre
outras coisas. Atualmente trabalha o Sr. Erian trabalha com
serviços diversos como de cópias de chaves, xerox, etc.
Curiosidade: O Sr. Erian está concluindo o curso de graduação
em Direito, um sonho de longa data.
Abrahão e Erian
Fonte: o autor
138
Action Lan House
Mossoró
Aristóteles S. Morais (proprietário)
139
Fachada da Action Lan House
Fonte: Aristóteles S. Morais (2018)
140
Eduardo Games
Mossoró
Renato Luiz de Souza (proprietário)
141
Flexx Games
Mossoró
Jonathan Pereira
142
Tatu Games
Mossoró
Sandoval Dantas (proprietário), Jefferson Rodrigues
143
Prédio onde funcionou a Tatu Games
Fonte: Sandoval Dantas (2019)
144
AZ Games
Mossoró
Cláudio Azevedo (proprietário), Michel Diego (cliente)
145
Histórias:
“Tinha um garoto que sempre ia jogar muito sujo, fedendo, o
pessoal ficada tirando onda com ele, dizendo que estava
cagado”. (Cláudio Azevedo)
Depoimento:
“Sinto muita falta das amizades que foram construídas. O
ambiente era apenas alegria, onde as pessoas esqueciam seus
problemas do dia a dia e estavam lá para se divertir”. (Michel
Diego)
146
Rosivaldo Games
Mossoró
José Bezerra Neto Segundo
147
Beto Games
Mossoró
José Bezerra Neto Segundo
148
Top Game (Locadora de Claudimar)
Mossoró
Felipe Estefano, Rosany Gomes
149
Super Games
Mossoró
Aldivan Aldo
151
ainda estava lá, e foi uma correria, derrubando controles e
consoles para fugir dele.”
152
Rita Locadora
Mossoró
Walter Lucas
153
Casa onde funcionava a locadora de Rita, hoje loja de roupas.
Fonte: Walter Lucas (2019)
154
Nonato Games
Mossoró
José Aoem
155
Vez por outra tinha campeonato de Street Fighter onde os
prêmios eram 5 dindins ou uma hora grátis.
Histórias:
“Eu chegava da escola, almoçava, e ia correndo pra locadora.
Chegava lá às 13:00h e só saía quando minha mãe ia me
buscar”.
“Uma vez os garotos estavam falando sobre um jogo
lançamento e Nonato disse que já tinha visto em Caruaru.
Ninguém acreditou nele. Mas uns dias depois lá estava o jogo,
para espanto de todos”.
Casa onde funcionava a Nonato Games (na época não tinha o primeiro andar)
Fonte: Google Maps (2019)
156
Top Game (Boa Vista)
Mossoró
José Aoem
157
Casa onde funcionou a Top Game por vários anos
Fonte: Google Maps (2012)
158
Rommel’s Lan
Mossoró
Eric Gonçalves (cliente)
Histórias:
159
“A galera de lá odiava quem queria jogar com tempo aberto,
por que ficavam sem saber a hora que iam poder jogar.”
160
Locadora de Marajá
Mossoró
João Isaías
161
Jaspion Game
Mossoró
Alysson Almeida
162
Space Game
Mossoró
Kleber Wender
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SOBRE O AUTOR
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