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Este documento fornece os contatos do autor Abrahão Lopes para quem desejar obter a versão impressa de seu livro "Memorial Locadoras & Fliperamas". O livro é uma homenagem às locadoras de videogame e salões de jogos da década de 1990 em Mossoró-RN, com descrições detalhadas dos estabelecimentos.

Enviado por

Xibiu Karai
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Se desejar obter a versão impressa desse livro, entre em

contato com o autor:

[email protected]

Instagram, Twitter, Facebook: abrahao2k


ABRAHÃO LOPES

MEMORIAL
LOCADORAS &
FLIPERAMAS

EDIÇÃO DO AUTOR
MOSSORÓ
2019
Imagens da Capa:
Fliperamas - por zhan zhang em unsplash.com
Controle de SNES - por Jens Mahnke em www.pexels.com
Ícones (capa e capítulos):
Icon made by Freepik from www.flaticon.com

Ícones (orelha):

www.iconmonstr.com

L864m Lopes, Abrahão

Memorial locadoras & fliperamas / Abrahão Lopes – 1.


ed. / - Mossoró : Edição do autor, 2019.
166 p.

ISBN:

1. Locadoras – Memórias 2. Fliperamas – Memórias 3.


Memorial – Locadoras e Fliperamas.
I. Título.

CDU: 79-028.27:82-94

Ficha elaborada pela Bibliotecária Elvira Fernandes de Araújo Oliveira


CRB 15/ 294
Dedico este livro à minha amada esposa
Silvia e aos meus queridos filhos Flayra e
Rafael, que me acompanham nas aventuras
da vida real.
AGRADECIMENTOS

Agradeço imensamente à todas as pessoas que


contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste
projeto.
Ao Sr. Lauro Mendonça, da Game Visão; ao Sr. Eduardo
Góis, do Cinemax; Aristóteles S. Morais, da Action Lan House;
Renato Luiz de Souza, da Eduardo Games; Marcelo Braga, da
MM Games; Pedro Caldas, da Virtual Games; Wendell
Jefferson, da Dell Games; Neilton Brasil, da Caverna Game; Alex
Nicol, da Nicol Games; Erian Marcolino, da House Game;
Sandoval Dantas, da Tatu Games e Cláudio Azevedo, da AZ
Games; por seu tempo e atenção ao compartilhar detalhes
preciosos sobre suas locadoras.
Aos amigos e internautas, apaixonados por games, que
prontamente atenderam meu pedido e me contaram suas
lembranças e histórias, tanto através da web quanto em
conversas pessoais: Roberto Pereira, Everton Barros, Paulo
Netto, Rauze Câmara, Carlos Henrique de Araújo, Beto
Andrade, Andréa da Rocha Freire, Raimundo Mendes de Morais
Filho, José Aoem, Aldivan Aldo da Costa, Fábio Paiva, Jonathan
Paulo Pinheiro Pereira, Carlos Heitor Liberalino, Rubens de
Maria, João Isaias Pereira da Costa, Michel Diego, José Bezerra
Neto Segundo, Walter Lucas, Kleber Wender, Sebastião Alves,
Rosany Gomes, Alysson Almeida, Jefferson Ricardo, Jefferson
Rodrigues Pereira Sobrinho, Felipe Estefano, José Henrique
Morais, Will Maia, Eric Gonçalves, Ana Karoliny, Daniel
Chayson, Diran Lago, Joatan Gomes.

5
Obrigado também à Glidio Marcio e Lucio Amaral, do
Museu do Videogame Potiguar, que contribuíram com
materiais e informações que me ajudaram a conhecer melhor
as locadoras de Natal - RN.
Meus agradecimentos à Elvira Fernandes pela ajuda
com a ficha catalográfica.
Sou muito grato ao Ítalo Chianca, por toda a assistência
prestada e experiência compartilhada. Suas sugestões de dicas
foram imprescindíveis.
Obrigado a todos que ajudaram na divulgação deste
material através das redes sociais, compartilhando minhas
publicações.
Agradeço também aos meus pais, Edvaldo e Francisca, e
aos meus irmãos: Adriano, Aline e Alba, por todo o incentivo.
E por fim, porém não menos importante, agradeço à
minha esposa Silvia e aos meus filhos, Flayra e Rafael, pelo
amor de cada dia, que traz muita felicidade à minha vida.
Nem todas as informações pesquisadas, conversas e
mensagens trocadas puderam ser colocados aqui, mas cada
palavra foi importante para este projeto.
Se alguém ficou de fora destas páginas, peço desculpa
pelo esquecimento.
Muito obrigado!

6
APOIADORES

A publicação da versão impressa deste livro só foi


possível mediante o apoio das pessoas abaixo listadas, que
acreditaram neste projeto e contribuíram prontamente para a
sua realização.
1. Adriano Israel Bezerra Lopes
2. Alan Paulo Oliveira da Silva
3. Alba Lopes
4. Alex Nicol Nicol
5. ALINE CHRISTIANE BEZERRA LOPES DE ANDRADE
6. Alysson Almeida
7. Ana Maria Cardoso de Oliveira Bezerra
8. André Freitas
9. Antonio França Rodrigues Junior
10. Carla Monteiro Marques
11. Carlos Fran
12. Carlos Henrique de Araújo
13. Cleone Silva
14. Diego Vinícius Cirilo do Nascimento
15. Edmilson Campos
16. Edson Godoy (VGBD)
17. Eduardo Coelho de Lima
18. Emanuel Albuquerque
19. Fabio Procópio
20. Fabio Yamakawa
21. Felipe Morais de Melo
22. Fernando Soares de Sousa Filho
23. Flavio Rodrigo Sacilotto
24. Francisca Lopes
7
25. Francisco das Chagas Souza Júnior
26. Francy Izanny de Brito Barbosa Martins
27. GABRIEL TAVARES FLORENTINO
28. Genner Barbosa
29. GLEYDSON EMANUEL RODRIGUES DE FREITAS
30. Higor Morais
31. Jefferson Ricardo
32. Jonathan Paulo Pinheiro Pereira
33. Jonathas Leonilton de Lima Souza
34. José Aoem Estigarriga Menescal
35. Jose Barbosa
36. José Cláudio Azevedo
37. Junior Candido
38. Leonardo Lucena
39. Luciano Pinheiro
40. Lúcio Amaral
41. Luiz Miguel Gianeli
42. Magdiel Arlison
43. Mailson Rafael Gonzaga
44. Marcus Vinicius Garrett Chiado
45. Maria Margareth pereira
46. Michel Santana
47. Paulo Augusto de Lima Júnior
48. Rafaell Dantas Costa
49. Ralyson Rayala Goncalves de Oliveira
50. Rodolfo da Silva Costa
51. Suzana Melissa de Moura Mafra da Silva
52. WarpZone Editora de Livros e Revistas LTDA - ME
53. Wilber Balthazar

8
APOIO CULTURAL

As empresas presentes nestas páginas foram


importantes parceiras durante a fase final de produção deste
livro, patrocinando com generosidade a realização deste
projeto.

www.jolrn.com.br
(84) 99993-0285
Instagram: @portaljolrn
Youtube: JOLRN

www.brisanet.com.br
0800-281-3017

9
10
PREFÁCIO

Basta eu fechar os olhos e me concentrar só um


pouquinho para que toda aquela atmosfera única e mágica se
reconstrua na minha mente, transportando-me de volta para a
década de 1990, quando as locadoras de videogame eram o
principal espaço de sociabilidade dos jovens na cidade.
Todos aqueles sons vibrantes, as cores estourando nas
TVs, os cheiros das guloseimas que eram vendidas nos espaços
de jogatina, e as infinitas gargalhadas de todos que
frequentavam os “Templos da Diversão” nunca sairão dos meus
pensamentos. Muito pelo contrário. Tudo isso tem ganhado
cada vez mais vida em mim, sejam pelas lembranças de uma
época simples e maravilhosa que não existe mais, ou pelas
obras que surgem com cada vez mais frequência sobre o tema,
como esta que você tem em mãos.
Relembrar as locadoras de videogame é como
relembrar a minha própria história, a história dos meus amigos,
a história de uma geração, e, provavelmente, a sua história.
Pois as locadoras foram, além de comércios extremamente
rentáveis nas décadas de 1980, 1990 e 2000, um lugar para se
divertir, encontrar os amigos e se sentir parte de um mundo
que se modernizava com extrema rapidez. As locadoras foram
o nosso espaço na cidade. Um lugar para sermos jovens. Um
lugar para sermos quem quisemos ser, fosse um ouriço
corredor, um encanador italiano saltador, uma arqueóloga
poderosa ou um super-herói.
Todas as aventuras, amizades, sorrisos e aprendizados
vividos nas locadoras de videogame não podem simplesmente
11
desaparecer como tem acontecido com os seus espaços físicos
demolidos pela pirataria e pela falta de segurança pública.
Todas essas histórias, que milhares de jogadores
viveram ao longo de décadas — começando para valer na
década de 1980 com a chegada dos primeiros clones de Atari,
passando pela gloriosa geração 16-bit, e suspirando
timidamente com os consoles em alta definição — precisam
viver, precisam ser lembradas e eternizadas.
Por isso a importância de ter obras como "Memorial
Locadoras & Fliperamas" para imortalizar essa era que divertiu
e formou jovens jogadores em cada cantinho do Brasil e que se
confunde com a própria história dessas pessoas que
frequentaram quase que religiosamente os espaços de jogatina
das locadoras de videogame em suas cidades.
Nesse livro, escrito pelo querido amigo Abrahão Lopes,
você encontrará um registro incrivelmente detalhado das
memórias do autor com as locadoras de videogame e
fliperamas que ele frequentou na sua agitada juventude. São
relatos emocionantes e precisos sobre cada um dos cantinhos
que ele usou para se divertir com os jogos eletrônicos e
conhecer pessoas que fizeram e fazem parte da vida dele. A
cada capítulo, novas locadoras surgem, com características
próprias, jogos e consoles únicos, e descrições (até com fotos
das fachadas) riquíssimas.
Como não se identificar com as novidades que chegam
à cidade somente no período de festa de padroeiro e sofrer
tendo que esperar até o ano seguinte para ver se poderá
reencontrar aquele mesmo fliperama? É impossível, para quem
já frequentou alguma locadora de videogame, não querer
12
inventar uma máquina do tempo e voltar até 1995 só para
percorrer cada bairro de Ceará-Mirim, Mossoró e Natal na
tentativa de jogar pelo menos 30 minutos em cada uma das
dezenas de locadoras que enchiam as cidades de alegria.
Embora ainda não possamos viajar no tempo, podemos,
com este livro apaixonante, viajar pelas memórias de um
amante dos videogames que encontrou na escrita a melhor
forma de materializar e eternizar a sua paixão.
Nas páginas seguintes, você será levado pelas ruas de
algumas cidades do Rio Grande do Norte, visitando lugares
mágicos, cheios de vida e diversão. Ah, e lotados de games que
marcaram época e se tornaram clássicos atemporais, pois este
livro traz uma descrição histórica que remonta um cenário
único da história dos videogames no Brasil.
Em "Memorial locadoras & Fliperamas", você
encontrará mais do que lembranças. Você terá acesso a uma
visão singular do desenvolvimento dos jogos eletrônicos no
interior do Brasil, tendo na figura central das locadoras de
videogame o seu apogeu na popularização da mídia numa
sociedade tão singular quanto a nossa. E esse retrato história,
que pode parecer inigualável à primeira vista, é também a
imagem e a semelhança de outras realidades Brasil a fora.
Portanto, se a existência dessa obra já não fosse o
suficiente para torna-la importante para um Estado que possui
pouquíssimos relatos sobre temas não-convencionais como os
videogames, o fato de representar uma realidade que pode ser
o reflexo do interior de um país inteiro a torna nacionalmente
relevante — como provam os relatos emocionantes da segunda
metade do livro.
13
Agora, antes que você aperte “start” para pular a
introdução, prepare-se, pois as páginas a seguir trarão uma
jornada incrível por uma época passada cheia de pixels,
amizades, sonhos e diversão.
Divirta-se.

Ítalo Chianca
Autor potiguar dos livros “Videogame Locadora” (2014), “Os
videogames e eu” (2015), “Papo de Locadora” (2016), “Game
Chronicles” (2017) e “GAMER” (2018).

14
APRESENTAÇÃO

Este livro, Memorial Locadoras & Fliperamas, é o


resultado de 8 meses de pesquisa, iniciada em novembro de
2018 e concluída em junho de 2019. Inspirada pelos textos de
Ítalo Chianca e por diversos outros materiais em vídeo, fotos,
revistas dos anos 1990 e 2000, podcasts e outros conteúdos
disponíveis em páginas web e redes sociais.
O sentimento nostálgico produzido por tais materiais,
despertou em mim o desejo de compartilhar as memórias dos
momentos que vivenciei nas locadoras e fliperamas que eu
costumava frequentar.
Entretanto, não gostaria de simplesmente copiar as
ideias e formatos já existentes, mas desejava produzir um
material que pudesse registrar, da melhor maneira possível, a
história das locadoras das cidades onde vivi.
Um registro completo é algo praticamente impossível,
uma vez que nunca houve algum órgão controlador que
licenciasse o funcionamento das locadoras. Em sua maioria
eram negócios informais que funcionavam na própria casa dos
donos, e sumiam com a mesma velocidade que surgiam.
A divulgação do negócio em geral não era feita através
de jornais e revistas, o que nos daria uma fonte confiável de
pesquisa; era feita no boca-a-boca, por crianças e adolescentes
que contavam suas descobertas aos vizinhos e amigos da
escola.

15
Por essas e outras dificuldades, optei por convidar a
comunidade gamer a relatar suas memórias sobre as locadoras
que frequentavam e a partir de tais relatos criar um catálogo,
ou melhor, um memorial sobre elas.
Busquei também conversar com os antigos
proprietários de locadoras, a fim de ter uma visão mais exata
sobre suas motivações sobre o negócio; como se deu o início, a
trajetória e o fim da locadora; histórias vivenciadas, etc.
Alguns foram bastante solícitos em participar; outros
não foram encontrados; uns não tiveram interesse ou
simplesmente não lembravam os detalhes; e alguns mesmo
tendo interesse, não encontraram tempo para realizar seus
relatos.
O livro foi dividido em duas partes: na primeira parte
apresento o meu relato das locadoras que conheci; na segunda
parte estão organizadas as informações relatadas pela
comunidade.
A exatidão das informações é muito difícil de se
verificar, uma vez que sua fonte é a memória das pessoas, e
como são acontecimentos de 20, 30 anos atrás, podem ter se
misturado com outras lembranças. Sintam-se à vontade para
entrar em contato e corrigir qualquer erro detectado ou contar
sua própria história.
Espero que gostem do resultado aqui apresentado e que
possam despertar bons sentimentos daquela época.

O autor.

16
SUMÁRIO
PARTE I - LOCADORAS E FLIPERAMAS DA MINHA VIDA

INTRODUÇÃO .......................................................................... 21
1 A FESTA DA PADROEIRA ....................................................... 25
2 CINEMAX .............................................................................. 31
3 EDSON GAMES ..................................................................... 39
4 OUTRAS LOCADORAS EM CEARÁ-MIRIM ............................. 47
5 MINHA PRÓPRIA LOCADORA ............................................... 55
6 OS FLIPERAMAS DA CAPITAL ................................................ 57
7 AS LOCADORAS DE NATAL ................................................... 65
8 GAME VISÃO......................................................................... 71
9 SHOP GAME.......................................................................... 75
10 HOT GAME ......................................................................... 79
11 TUTTI GAMES ..................................................................... 83
12 OUTRAS LOCADORAS DE MOSSORÓ .................................. 87
13 FLIPERAMAS NA TERRA DO SAL ......................................... 99
14 BOAS LEMBRANÇAS ......................................................... 103

PARTE II - MEMORIAL

MEMORIAL LOCADORAS & FLIPERAMAS .............................. 107

SOBRE O AUTOR .................................................................... 165

17
18
PARTE I
LOCADORAS E FLIPERAMAS
DA MINHA VIDA

19
20
INTRODUÇÃO

Sou apaixonado por videogames desde que me entendo


por gente! Uma das minhas lembranças mais antigas é de
quando eu tinha cerca de 3 ou 4 anos de idade. Morava em
Mossoró-RN e meu pai comprou um Telejogo da Philco, o
primeiro console lançado no Brasil. Ele ligava o aparelho numa
TV preto e branco na sala de casa e a diversão começava.
Os controles eram circulares, presos no corpo do
console, e os poucos jogos que vinham na memória do
aparelho, apenas 3 para ser exato, pareciam todos iguais: uma
bola (quadrada, é claro! O Kiko iria adorar!), e raquetes que se
moviam para os lados, ou para cima e para baixo. O objetivo
era rebater a bola para o lado oposto e tentar fazer o adversário
errar a defesa e tomar um gol.
Esta simplicidade foi suficiente para me capturar nesse
mundo virtual que me permitiu viver inúmeras aventuras ao
longo dos anos.
Pouco depois o Telejogo foi substituído por um Philips
Odyssey. Este novo aparelho trazia uma evolução gigantesca
quando comparado ao seu antecessor.

21
De cara, o que chamava a atenção era o seu teclado
alfanumérico, que permitia ao jogador escrever seu nome ao
lado do placar do jogo. Inúmeros campeonatos caseiros foram
disputados para ver quem era o melhor e conseguia ter seu
nome exibido na tela. Era uma pena que ao desligar o aparelho
os pontos fossem apagados.
Seus controles tinham uma alavanca e um botão,
permitindo mover os elementos da tela em 8 direções,
incluindo diagonais, e adicionar novos elementos de
jogabilidade como tiros, pulos e outras ações ativadas pelo
botão. Eram ligados ao console através de um fio,
razoavelmente longo, permitindo ao jogador sentar-se um
pouco mais distante do aparelho. Quando criança, eu achava o
controle gigante; hoje em dia, considero-os de tamanho
agradável.
O que considero como a maior inovação trazida pelo
Odyssey era o uso de cartuchos, funcionalidade que permitia
ao dono do aparelho ter diferentes jogos, bastando substituir
um pequeno componente externo. Em consoles anteriores era
preciso comprar outro aparelho com mais jogos se você
quisesse novidades.
Os jogos do Odyssey tinham muitas cores, tornando-os
mais vivos e atraentes. Muito além de bolas quadradas e
raquetes, encontrávamos imagens de homenzinhos, carros de
corrida, naves espaciais, helicópteros, árvores, monstros
alienígenas, dragões, tartarugas, sapos e muitos outros
elementos que proporcionavam infindáveis possibilidades.
Era um sonho poder ter todos os jogos. Mas eles
custavam muito caro! Tão caro quanto os jogos lançamento de
22
hoje em dia. Alguém que ganhasse um salário médio só
conseguiria comprar uns poucos a cada ano.
O alto custo para essa maravilhosa diversão abriu as
portas para um tipo de comércio que veio a se popularizar nos
anos seguintes: as locadoras de videogames.
É aqui que começa a minha peregrinação pelos
estabelecimentos que reuniam crianças, adolescentes e até
alguns adultos em busca de diversão eletrônica sem limites.

23
24
1

CEARÁ-MIRIM
A FESTA DA PADROEIRA

Nasci em 1980, por isso sempre foi fácil saber minha


idade ao longo dos anos. Em 1987, com 7 anos de idade, minha
família foi morar em Ceará-Mirim (RN), mudança por conta do
trabalho do meu pai, que era funcionário do Banco Mossoró.
Assim como as crianças da minha idade, as diversões
fora do horário da escola se reversavam entre brincar de
carrinhos e bonecos, brincadeiras na rua com os filhos dos
vizinhos, ver os desenhos animados que passavam na Xuxa e na
Mara Maravilha, e, claro, a religiosa jogadinha no querido
Odyssey.
Naquela época nenhum colega de classe, nem vizinho,
tinha videogame igual ao meu. Os poucos que eu conhecia
tinham o console “concorrente”, o Atari, que eu considerava
bem melhor que o Odyssey. Apesar de querer ter um Atari, meu
pai nunca se manifestou a favor de adquirir um, então
continuava a jogar no Odyssey.
Em Ceará-Mirim (RN), no início do mês de dezembro
acontece a Festa da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da
Conceição. É uma oportunidade para negociantes da região

25
levarem suas barracas de comidas, artigos religiosos, roupas e
inúmeras outras mercadorias que são oferecidas à população.
Também era comum encontrar algumas barracas com “jogos
de azar” como roleta, tiro ao alvo, pescaria, entre outros.
Em meio à todas essas atrações, uma barraca especifica
me chamou a atenção. Nela havia duas TVs ligadas com
imagens que eu conhecia bem: videogames! Corri para lá e me
deparei com um Atari e um Odyssey, igualzinho ao meu! Era a
primeira vez que via alguém com o mesmo console que eu
tinha, na hora veio na mente a maravilhosa possibilidade de ter
jogos novos.
Essa barraca pertencia a Rauze Câmara que, na época,
eu não fazia ideia de quem ele era, mas de alguma forma ele
percebeu meu interesse e algum tempo depois descobriu onde
eu morava. Levou alguns cartuchos para uma
troca/emprestado e então virou amigo da família.
Além dos games ele também mexia com filmagens, algo
era bem raro naquela época. Fizemos alguns vídeos com ele
que até hoje estão guardados nos arquivos da família.
Atualmente ele ainda trabalha com produção de vídeo e
eventos, mas estão presentes em seu currículo: alguns filmes
com atores locais, sendo “O Jovem Perdido” o mais conhecido
deles; um cinema que funcionava ao lado de sua casa; e
também uma WebTV chamada Ceará-Mirim TV com notícias da
cidade.
Alguns anos depois, meu pai doou o nosso Odyssey para
Rauze usar como gerador de caracteres nos vídeos que ele
editava. Bem recentemente, ele me devolveu o mesmo

26
aparelho. Uma relíquia! Até hoje mantenho contato com o
Rauze nas redes sociais.
Por volta de 1989, um grande parque de diversões veio
para a festa da padroeira daquele ano. Além do carrossel, roda
gigante, xícaras gira-gira, etc., vieram também alguns
fliperamas.
Era só o que os meninos queriam! Um enxame de
crianças e adolescentes ficavam ao redor dessas maquinas
desde o momento que eram ligadas, no fim da tarde, até a hora
do parque fechar.
Eram poucas máquinas, umas 6 ou 7, mas os jogos eram
fantásticos! Eu nunca os tinha visto antes! Os que me recordo
agora são: Super Mario Bros. (o famoso Mario 1), Galaga (de
navinha), Gun Smoke e Knightmare (aquele do MSX com um
Viking que enfrentava bruxas e monstros atirando flechas e
espadas). Haviam alguns outros, mas não lembro quais eram.
Eu passava horas vendo a galera botando fichas e mais
fichas, tentando bater o recorde de pontos dos colegas ou
chegar numa fase mais distante.
Acho que essas máquinas do parque não eram
fliperamas “de verdade”, com placa específica do jogo. Penso
que tinham algum console dentro do gabinete. Digo isso por
que o Mario vez por outra dava PAUSE do nada, então a
funcionária do parque tinha que colocar uma ficha extra para o
jogo voltar a andar.
Por volta dessa época, começou a passar na TV local o
comercial de uma loja de games que ficava em Natal-RN, a
capital do estado e cidade vizinha, apenas 25Km de distância.
27
Nesse anúncio eram exibidas imagens de jogos da “nova
geração”, com qualidade infinitamente superior ao meu
ultrapassado Odyssey e aos Atari dos meus colegas.
A imagem que ficou gravada até hoje na minha mente
era uma animação de um jogador de basquete fazendo cesta
no jogo Double Drible, do Nintendinho. Eu queria muito um
videogame que tivesse jogos como aquele!

Basquete do Odyssey (esquerda) e Double Drible do NES (direita)


Fonte: gamesdatabase.org e ign.com

Não era só na TV que esses novos games estavam sendo


anunciados. Na única banca de revistas da cidade: O Revistão,
que ficava na praça ao lado da prefeitura, começaram a
aparecer as primeiras revistas de games: Revista Videogame e
Ação Games.
Eu passava lá quase todos os dias para ver se tinha
novidades. As histórias em quadrinhos já não me chamavam a
atenção. Só tinha olhos para as revistas de games.
Foi uma dessas revistas que vi uma matéria comparando
diversos clones do Nintendinho: Hi-Top Game, Phantom
System, Bit System, Top Game, Dynavision, etc. Fiquei meses
no pé do meu pai até que ele cedeu e fomos para Natal comprar
o novo console.
28
Era época das festas natalinas, então a maioria das lojas
já tinham esgotado seus estoques. Fizemos uma peregrinação
pela cidade inteira, indo da Ribeira à Ponta Negra, ligando para
os telefones e passando pessoalmente em todas as lojas que
tinham anuncio na TV e nos jornais, na esperança de alguma
desistência ou estoque extra.
Andei tanto de ônibus coletivo naquele dia que fiquei
tonto e enjoei pra valer. Tivemos que descer muitas vezes por
que eu estava passando mal de verdade e vomitei várias vezes
no percurso.
Acabamos por encontrar um Turbo Game da CCE na
Videofotomania, com preço nem um pouco camarada, mas era
um dos mais bem avaliados pelas revistas, então acabamos
ficando com ele mesmo. Veio com o jogo Tiger Heli, um de
helicóptero, bonzinho, mas zerei ele bem rápido. Precisava de
jogos novos. E agora?
Por sorte, vários colegas da escola começaram a
abandonar os antigos Atari e adquirir seus Nintendinhos clones.
Valério tinha um Bit System, Carlos Henrique um Turbo Game,
Reinilson tinha um Famicon, Euriam tinha um Top Game,
Neném tinha um NES, e por aí vai.
A quantidade de jogos que cada um tinha não era
grande, mas as trocas e empréstimos renderam uma boa
variedade para todos nós. Mesmo os consoles sendo
diferentes, todos rodavam os mesmos jogos, alguns precisavam
de adaptador, mas no final tudo funcionava perfeitamente.

29
Nos anos seguintes o parque veio novamente para a
festa da padroeira, mas sem os fliperamas. Que pena! Deixou
saudades.

30
2

CEARÁ-MIRIM
CINEMAX

Eu estava curtindo demais meu Turbo Game, meu pai já


havia comprado mais alguns jogos, incluindo o maravilhoso
cartucho 64-em-1, que guardo até hoje com todo o carinho.
Certa tarde, enquanto assistia TV, vi o comercial do
programa Globo Repórter informando que naquela semana o
tema do programa seria “A febre do videogame”. Foram dias
ansiosos esperando chegar a sexta-feira. Na hora marcada,
videocassete pronto pra gravar, coração à mil... começou!
Foi um programa excelente e eu pude revê-lo inúmeras
vezes pelo VHS que gravei. Este programa, exibido em junho de
1991, está disponível no YouTube e ainda hoje é bom de
assistir. Nostalgia pura.
Nesse programa foi apresentado um novo jogo do
Mario que eu nunca tinha nem ouvido falar: Super Mario
World, do novo console da Nintendo, que até então só havia
sido lançado no Japão. Será que algum dia ele chegaria no
Brasil, ou melhor, em Ceará-Mirim?
Imaginem a minha surpresa quando certo dia, ao ir
alugar uns filmes para o fim de semana, o sr. Eduardo Gois, o
31
dono da locadora, me falou que iria colocar videogames em seu
estabelecimento. E não o eram Nintendinho e Master System,
que já estávamos acostumados. Eram Mega Drive e Super
Nintendo! Os consoles mais avançados da época.
Na inauguração do novo espaço, que funcionava em um
pequeno mezanino acima da locadora de filmes, o “playgame”
era formado por dois consoles Mega Drive e um Super
Nintendo, ligados à TVs de tubo de 20 polegadas, e alguns jogos
para cada console. Com certeza o Super Mario World estava lá
e era só o que eu queria jogar.
Cinemax. Era como chamávamos o playgame, a
locadora de filmes e o cinema, todos de propriedade do Sr.
Eduardo. Funcionavam no mesmo prédio, que ficava na Av.
General João Varela, 894, no centro de Ceará-Mirim. Era um
pouco longe da minha casa, mas eu sempre dava um jeito de
passar por lá fora do horário da escola (nunca matei aula).
Mesmo que não tivesse nenhum dinheiro para pagar
algum tempo, eu ia pra ficar olhando a galera jogar, conversar
sobre os jogos, discutir dicas de como vencer algum chefe ou
passar aquela parte mais complicada.
Foi nesse ambiente que fiz muitas amizades com
garotos que nem eram da escola, nem vizinhos da rua.
Amizades que duram até os dias de hoje.
Cada locadora tinha suas regras e particularidades. No
Cinemax não era diferente. Ainda lembro algumas curiosidades
e regras dessa locadora:
Primeiro, a tabela de preço era diferente das que
normalmente víamos em outros lugares. Você só podia jogar
32
20, 30, 40 ou 60 minutos, e o valor sempre favorecia a hora
cheia. Digamos que a hora custava R$ 1,00 Real. Se fosse jogar
meia hora, não custava 50 centavos, você pagava 60 centavos,
e se não tivesse suficiente nem para os 20 minutos, não dava
para jogar só 10 ou 15, tinha que conseguir mais dinheiro para
completar o tempo mínimo.
Se quisesse jogar de dois, você precisava alugar o
segundo controle. E não podia ficar 3 ou 4 pessoas passando o
controle, só podia jogar dois por vez. E se o controle caísse no
chão, perdia todo o tempo restante. Vi gente pagar a hora,
sentar na cadeira, e quando foi pegar o controle para começar
a jogar, derrubou no chão. Perdeu todo o tempo e saiu sem
jogar nenhum minuto.
Não podia trocar de jogo na hora que quisesse, tinha
que esperar um tempo mínimo. Mais ou menos assim: se jogar
só 20 minutos, não podia trocar; se fosse 30 minutos, podia
trocar apenas uma vez, se fosse uma hora, podia trocar duas
vezes, e assim por diante. E tinha que esperar pelo menos uns
10 minutos entre uma troca e outra. Se não gostou do jogo, era
preciso aguentar esses longos minutos até poder trocar.
Eram essas e outras regrinhas que ajudavam a manter o
local organizado. Eu não lembro de ter visto qualquer confusão
por lá. O pessoal respeitava e tudo corria bem.
Os três consoles em pouco tempo já não eram
suficientes. Estava ficando bem difícil agendar uma hora. Era
preciso marcar com bastante antecedência, as vezes de um dia
para o outro.

33
Eduardo decidiu colocar mais TVs e consoles, mas como
o mezanino era muito pequeno, seria preciso arrumar um local
maior. Foi assim que as estantes dos filmes trocaram de lugar
com os videogames. As estantes subiram para o mezanino e o
playgame passou a ser no térreo, ficando com maior espaço no
prédio.
Chegou a ter umas 10 TVs, várias de 29 polegadas e
algumas de 20 polegadas, todas enfileiradas em uma bancada
enorme que era encostada na parede do lado esquerdo do
prédio. A maioria dos consoles eram Super Nintendo e tinha
uns 3 Mega Drive. Acima dos consoles haviam duas ou três
fileiras de prateleiras que exibiam as caixinhas dos principais
jogos disponíveis.
No fundo do prédio, após todas as TVs, ficava um balcão
onde o Sr. Eduardo, ou um dos funcionários, anotava os tempos
dos clientes do playgame, entregava e recebia os filmes
alugados (ainda em VHS, tinha que devolver rebobinado para
não pagar multa). Por trás do balcão ficavam os filmes e jogos
guardados em gavetas e estantes.
Jogos novos chegavam constantemente. O Sr. Eduardo
encomendava os jogos em lojas, com representantes,
frequentava eventos e feiras de eletrônicos e games. Os
clientes davam opiniões, mostrando os lançamentos que
vinham nas revistas e ele sempre trazia jogos muito bons: Sonic,
Mario Kart, Streets of Rage, Peter Pan, Aladdin, Top Gear,
Castle of Illusion, International Super Star Soccer, Goof Troop,
Street Fighter 2... ah... Street 2... tenho ótimas lembranças
desse game.

34
Eu já tinha visto Street Fighter 2 em um fliperama e
sonhava com o dia que ele estaria disponível nos consoles.
Quando chegou esse jogo no Cinemax foi uma loucura. Todo
mundo queria jogar ele, tanto pra zerar, quanto no “contra”.
Eu tive a sorte de ser o primeiro cliente a zerar SF2 na
locadora. Foi jogando com Chun-Li. Tentei muitas vezes
derrubar o Vega (sim, a fita era japonesa e os nomes dos chefes
estavam trocados) para conseguir derrotá-lo. Foi uma gritaria
da meninada quando viram o chefe no chão. Nesse dia ganhei
meia hora de brinde pela façanha.
A primeira versão de SF2 não permitia que se escolhesse
dois personagens iguais... bem, não sem “o código”. Apareceu
numa revista um código que deveria ser inserido na tela de
título e que, se fosse feito corretamente, emitia um som
informando que tinha funcionado. A galera tentou muitas
vezes, mas ninguém conseguia.
Então chegou o “mestre” Euriam. Era o maior jogador
da cidade, tanto em altura quanto em habilidade. Ele conseguia
botar “o código” de primeira, então a galera ficava torcendo pra
ele estar lá quando fossem começar a jogar.
Certo dia, ele botou “o código” de manhã, e ao longo do
dia as pessoas iam se reversando naquele console, botando
mais tempo, sem deixar desligar pra não perder “o código”. Foi
assim até a hora de fechar. Depois outros aprenderam a
colocar, inclusive eu, então se tornou algo trivial. Nas versões
seguintes a Capcom já deixou liberado personagens iguais,
então “o código” foi esquecido.

35
Tinha gente que era tão viciada que passava o dia inteiro
lá. O Sr. Eduardo me contou que uma vez um cliente chegou
logo que abriu e ficou até a hora fechar. Mandou comprar um
lanche pra não ter que sair da locadora. E o xixi? Aí eu não sei!
Só sei que lá não tinha banheiro!
Lembro também de um garoto me contar que tinha
convencido Eduardo a deixar ele e outros garotos trancados a
noite toda dentro da locadora. Não sei se foi verdade, mas, se
aconteceu mesmo, foi a origem do famoso “corujão”, algo que
se tornou bastante comum nas lan houses nos anos 2000.
Outro “personagem” dessa locadora era o Cláudio
“Quackshot”, ou Claudio-Shot, era um rapaz um pouco mais
velho que a galera, por volta de uns 20 anos, mais ou menos,
que adorava jogar no Mega Drive.
Ele ganhou esse apelido porque sempre jogava o jogo
Quackshot, do Pato Donald. Mas também era fera no Kid
Chameleon e no jogo de nave Truxton.
Ele já trabalhava, então sempre tinha uma grana pra
algumas horas de jogatina. Era certo encontrar ele por lá no fim
da tarde.
Na maioria das vezes os controles do Cinemax eram de
boa qualidade, por que, se não me engano, o Sr. Eduardo fazia
limpeza e manutenção regularmente, trocando as borrachas
internas para manter tudo funcionando certinho.
E tinha um controle turbo do Super Nintendo que era
uma maravilha, apesar de ter que pagar um extra para usá-lo,
era de grande ajuda nos jogos que exigiam mais velocidade,
como os de luta ou de tiro.
36
Nas manhãs de domingo meu pai levava eu e meu irmão
até lá e deixava o “tempo aberto” para jogarmos o quanto
quiséssemos, mas voltava uma ou duas horas depois para nos
buscar, então esse tempo aberto nem era tão longo.
Uma lição que aprendi lá foi sempre conferir o troco.
Certa vez, paguei a hora e na ansiedade por começar a jogar,
peguei o dinheiro que o dono colocou no balcão e já fui
guardando no bolso. Ele então me falou: você já conferiu o
troco? Olhe direito! Quando contei, ele tinha me dado troco a
mais de propósito para me testar. Não sei se foi só comigo, ou
se fazia isso com outros, mas desse dia em diante sempre
confiro meu troco, se passou eu devolvo, se faltou eu cobro.
Algum tempo depois, finalmente meu pai comprou um
Super Nintendo para substituir o Turbo Game (que foi herdado
por meus primos de Mossoró). Era aquele modelo que vinha
apenas com um controle e sem nenhum jogo. Nesse tempo o
Sr. Eduardo já alugava jogos para levar para casa, o acervo era
grande e dava para ter boa variedade.
Acho que nunca tive um cartucho de SNES! Lá em casa
só entravam jogos alugados ou emprestados. Aluguei muito
Top Gear 2, Street Fighter II, Super Ghouls 'n Ghosts, World
Heroes, Golden Fight, Super Mario World (claro!), Super
Castlevania IV e vários outros, ainda mais quando tinha
promoção “Leve 3, Pague 2”.
Chamava uns amigos para ajudar a zerar alguns jogos ou
tirar um contra nas lutas e até no futebol, mesmo esse último
não sendo minha preferência. Foram tempos bons.

37
Por falar em promoção, como o proprietário da locadora
também era dono do cinema, algumas vezes ele fazia uma
promoção que dava ingresso grátis quando você jogava uma
determinada quantidade de horas no playgame. Era uma
maravilha!
Com o passar dos anos, os consoles ficaram com preços
mais populares, os jogos “alternativos” tinham um preço
acessível, várias outras locadoras abriram na cidade e,
principalmente, após a chegada do Playstation e seus infinitos
jogos que eram vendidos em qualquer camelô, o Cinemax
perdeu sua força e não conseguiu continuar em meio a
tamanha concorrência.
O acervo foi vendido e durante um tempo apenas a
locadora de filmes, agora em DVD, e o cinema continuaram a
funcionar. Por fim, o prédio foi reformado e passou a abrigar
outros estabelecimentos comerciais. Chegava ao fim uma das
melhores locadoras de Ceará-Mirim.

38
3

CEARÁ-MIRIM
EDSON GAMES

Durante meus anos no ensino fundamental, nunca


gostei de praticar esportes. As aulas de educação física eram de
longe as que menos me interessavam, só ia por que era o jeito.
Certamente isso contribuiu para eu ser gordinho até o fim da
adolescência.
Mas havia outra atividade na escola que eu adorava: a
banda de música. Comecei a participar quando estava na 5a
série, com cerca de 9 ou 10 anos, tocando corneta de pisto e
outros instrumentos de sopro. Ficava todo vermelho,
parecendo um pimentãozinho, por causa da força que
precisava fazer para soprar a corneta.

Apresentação da Banda do Colégio Santa Águeda


Fonte: Arquivo pessoal

39
A banda costumava ser convidada para se apresentar
em diversas cidades do estado, e até mesmo em outros
estados. As viagens eram bem frequentes, e como eu era o mais
jovem da turma, sempre ficava próximo aos professores que
nos acompanhavam.
Em cada cidade que íamos, se havia tempo livre entre
ensaios e apresentações, eu acabava dando uma volta pelas
ruas com os colegas e procurava alguma locadora.
Foi assim em Nova Cruz-RN, onde joguei Mario 3 numa
locadora próxima ao colégio das irmãs; em Barreiros-PE
encontrei um fliperama que tinha o jogo de tiro Operation Wolf
e uma sorveteria que vendia um sorvete numa casquinha
gigante que cabiam 8 bolas; em Bom Conselho-PE e muitas
outras cidades que visitamos.
Foi na Banda Fanfarra do Colégio Santa Águeda que
conheci o Edson. Ele era aluno do ensino médio, devia ter pelo
menos uns 8 anos a mais que eu, então não tinha muita
proximidade. Ele tocava fuzileiro, aquele tambor grandão que
fica na altura do peito. Não fazia ideia que ele gostava de
games.
Certo dia fiquei sabendo que ele tinha aberto um
fliperama. Como assim? Eu tinha que ir lá ver! O fliper ficava
numa pequena galeria ao lado do mercado central. Era uma das
últimas lojas, no fim de um corredor bem estreitinho.
Até pensei que estava no lugar errado, mas quando fui
caminhando pelo corredor, comecei a ouvir os sons eletrônicos
que eu já conhecia muito bem. Era verdade!

40
Estavam reunidas naquele pequeno espaço diversas
máquinas de fliperama com os jogos mais legais que até então
eu só tinha visto nas revistas e talvez na capital: Cadillacs and
Dinosaurs, Knights of the Round, Captain Commando, Street
Fighter II e Mortal Kombat!
De agora em diante todas as minhas moedinhas seriam
convertidas em fichas para poder aproveitar aqueles gráficos,
sons e controles que nenhum Super Nintendo ou Mega Drive
conseguiam reproduzir com tanta qualidade e detalhes.
Sempre que eu podia, dava uma passada lá. Lembro de
um dia que uma das máquinas deu problema no ficheiro e
bastava encostar a mão no local de botar a ficha para dar
crédito.
A galera se animou demais, pois ia poder jogar o quanto
quisesse sem pagar nada. Mas a alegria durou pouco, por que
as máquinas eram alugadas e tinha um contador no sistema
que dizia quantas partidas foram jogadas, então Edson tinha
que prestar contas do que estava registrado lá. Resultado:
máquina desligada até o técnico vir consertar.
No fundo da galeria fazia muito calor, pois não havia
ventilação natural e o barulho das máquinas era ensurdecedor.
Imagino que os proprietários das lojas vizinhas deviam odiar
aquele negócio. De cara dava pra ver que ali não era o local
ideal para um fliperama.
Pouco depois Edson mudou a loja para um local muito
mais amplo, na rua principal, onde antes funcionava uma loja
de móveis. Ali havia espaço de sobra para todas as máquinas e
garotos que queriam jogar.

41
Mais e mais jogos começaram a chegar, principalmente
jogos da Capcom: Street Fighter Alpha, Darkstalkers, Marvel
Super Heroes, Dungeon’s & Dragons, X-Men Children of the
Atom, Eco Fighters, Armored Warriors, etc.
Vieram até umas máquinas que soltavam cards se você
conseguisse avançar bastante no jogo. Virou uma febre
colecionar esses cards. Eles tinham o desenho de um dos
personagens do jogo, como Ryu e Ken, do Street Fighter, Dimitri
e Morigan, do Darkstalkers, etc.
Foi nessa época do fliperama que surgiu o CLUB OF
GAMEMANIACOS, idealizado por Adenilson e Roberto, colegas
que conheci na locadora de Edson.

Primeiros integrantes do clube, da esquerda para a direita: João Maria,


João Paulo, Roberto Pereira, Adenilson Silva.
Fonte: Roberto Pereira

A ideia do clube era juntar a galera que gostava de jogos


e conseguir alguns benefícios. Cada um pagava uma pequena
mensalidade a cada mês que era revertida em vários benefícios
42
como: podia comprar fichas com desconto, pegar emprestado
as revistas de games que eram compradas pelo clube, participar
de competições, e, claro, receber a sua carteira de sócio. Tem
quem guarde essa relíquia até hoje!

Carteira do Club of Gamemaniacos


Fonte: Roberto Pereira

Uma das competições promovidas pelo clube foi um


campeonato de Marvel Super Heroes: Wars of Gems, o jogo
que estava fazendo mais sucesso no momento. Foi muito bem
organizado, contando inclusive com um troféu personalizado
em forma de fliperama, feito por Etevaldo, um renomado
artista local.
Eu não passei nem das classificatórias, perdi todas. Era
muito ruim em luta. A partida final foi disputada por João Maria
e Roberto. João jogando com Juggernaut e Roberto com
Blackhearth. A galera toda em volta, torcendo. Roberto até que
tentou, mas ninguém conseguir ganhar de João no comando do
Juggernaut.
Infelizmente o troféu do campeonato sumiu alguns anos
depois, nos deixando sem um importante registro daquela
época. Também não tenho mais a minha carteirinha de sócio,
que era personalizada com a imagem do Jon Talbain, o
lobisomem de Darkstalkers. Ficou só na memória.
43
Com o espaço extra, Edson resolveu colocar consoles
pra galera jogar por tempo, pois as fichas eram relativamente
caras para o tempo que você passava na frente da máquina.
Custavam cerca de R$ 0,30, e se você não fosse bom, talvez não
jogasse nem 5 minutos. Uma hora nos consoles custava cerca
de R$ 1,00, então já viu... a galera preferia jogar por mais
tempo, mesmo que fossem jogos com gráficos mais simples.
De início tinha umas poucas TVs com Super Nintendo. A
galera praticamente só jogava Bomberman e Futebol, mas,
Edson sempre gostava de ter as novidades. Foi a única locadora
onde eu pude jogar com a pistola azul do jogo Lethal Enforcers
e com a bazuca do Super Nintendo. Quase ninguém se
interessou em jogar com os acessórios, aí ele vendeu.
Então a mágica aconteceu: o primeiro Playstation da
cidade apareceu na locadora do Edson. Foi uma loucura! Nunca
ninguém tinha visto gráficos tão avançados, nem mesmo nos
fliperamas. Os jogos eram em 3D! Uma revolução.
No começo não tinha história de CD copiado, só rodava
jogo original, mídia preta. Apesar dos poucos títulos, a galera
não desgrudava. Eu joguei muito Need For Speed, ESPN
Extreme Games, Battle Arena Toshiden, Tony Hawk’s Pro
Skater, Resident Evil e muitos outros que aos poucos iam
chegando.
A locadora mudou mais uma vez, para um prédio um
pouco menor, porém mais organizado. Ainda haviam alguns
fliperamas logo na entrada, principalmente os mais recentes,
como Marvel vs. Street Fighter, mas o foco da locadora passou
a ser os consoles.

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Foi lá que vi pela primeira vez um Nintendo 64, com a
galera se matando no 007 Golden Eye; e também o Sega Saturn
com Nights. Depois apareceram o Dreamcast, Playstation 2,
etc. Edson sempre investia nas novidades.
Nessa época eu estava um pouco afastado dos consoles,
me dedicando mais aos jogos de PC como Diablo, StarCraft,
Quake, Age of Empires, etc. Todo fim de semana juntava uma
galera na casa do Giuliano Brandão, cada um levava seu
computador, ligávamos tudo em rede e virávamos a
madrugada jogando.
Foi no fim da minha adolescência. Eu estudava em
Natal, saia de casa todo dia às 5:00h da manhã, passava a
semana estudando para o vestibular e fazendo estágio, além do
tempo que gastava nas viagens de ida e volta. Chegava já de
noite, sem muito ânimo para mais nada. Então parei de ir na
locadora do Edson com tanta frequência, mas vez por outra
passava para ver as novidades.
Quando o movimento diminuiu, Edson fechou a
locadora, vendeu boa parte dos jogos, mas guardou vários
consoles como uma coleção pessoal. Atualmente ele trabalha
na Guarda Municipal, mas ainda gosta de videogames.

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46
4

CEARÁ-MIRIM
OUTRAS LOCADORAS EM CEARÁ-MIRIM

Outras locadoras começaram a aparecer pela cidade,


aproveitando a clientela que não conseguia vaga ou dinheiro
suficiente para jogar nos playgames mais badalados.
No centro comercial que ficava na rua principal, que
chamávamos de “A SABOROSA”, por causa da pizzaria que
funcionava lá, haviam duas locadoras.
Uma era a Center Games (obrigado, Beto Andrade por
me lembrar do nome), ficava bem na entrada, na primeira loja
do lado esquerdo. Era a senhora Suely quem tomava de conta.
O espaço era pequeno e tinha poucos consoles, uns 3 ou 4, e,
se não me engado, todos eram Mega Drive.
Só joguei lá uma ou duas vezes, por que os controles
eram muito ruins! Perdia mais tempo pedindo à dona para
trocar o controle do que jogando mesmo.
Mas até tinha alguns jogos bons que eu não via em
outras locadoras, então quando passava em frente, eu olhava
pela vitrine para ver o que o pessoal estava jogando.

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Sempre via o Cláudio-Shot por lá jogando Truxton,
joguinho de nave, bem difícil por sinal, e Juju (Toki), aquele de
plataforma com um macaco que cospe bolinhas e usa um
capacete de futebol americano.

Centro comercial “A Saborosa”


Fonte: Google Maps (2014)

A segunda locadora era a Games & Challenges, que era


gerenciado por um rapaz chamado Eduardo e por seu pai (não
lembro o nome dele). Era um pouco mais espaçosa que a
primeira, mas também tinha poucos consoles, talvez uns 5 ou
6.
Lembro de um Hi-Top Game (clone do Nintendinho), um
Master System e um Super Nintendo. Cada um ficava numa
banquinha com a TV em cima e o console em baixo e as
banquinhas eram separadas umas das outras, deixando
bastante espaço para quem estivesse jogando ou olhando.

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Eu apelidei o local de “Seu Chalengues” e gostava de ir
lá por que tinha jogos que serviam no meu console (ainda era o
Turbo Game) e até troquei alguns cartuchos com eles, como o
meu Joe & Mac, que zerei no mesmo dia que comprei, por
Battletoads, que quase ninguém jogava por que achavam muito
difícil. Joguei o Battletoads por anos sem enjoar e nunca
cheguei ao final. Quer dizer, zerei anos depois no emulador,
com muito save state, hehehe.
Foi lá onde vi o Street Fighter II do Nintendinho, uma
versão altamente precária, feita pela Yoko Soft, que só tinha 4
lutadores: Ryu, Chun-Li, Guile e Zangief, e como único chefe o
Viga (sim, não era Vega nem M. Bison).
Um tempo depois apareceu outra versão, chamada
Street Fighter III, que tinha mais lutadores: Dhalsim, Blanka,
Ken, Sagat e Balrog, e era um pouco mais bem feita, mas ainda
assim longe do que já conhecíamos no Super Nintendo.
Também joguei muito o Mortal Kombat de Super
Nintendo e vários outros games que só encontrava lá, como
Simpsons Bart Vs The World, do Nintendinho.
Comecei a sentir falta do Eduardo, eu gostava de
conversar com ele. Algum garoto me falou que ele ficou doente
e faleceu. Não sei se é verdade por que fiquei com receio de
perguntar ao pai dele.
Do outro lado da rua, descendo um pouco, havia mais
uma locadora, a do Seu Martiniano. Eu era colega dos filhos
dele: Lúcio Franklin e Lídio Sânzio. A locadora funcionava na
casa deles e eu lembro a primeira vez que fui até lá.

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Só havia um console na sala, um Mega Drive, e estava
rodando o jogo “Rolo To The Rescue”, um de plataforma com
um elefantinho bem bonitinho. Como eu era nintendista,
acabei demorando a voltar por lá. Mas a locadora cresceu
rápido, mais consoles foram colocados na garagem que ficava
na frente da casa, depois reformaram o quarto que dava para a
rua para acomodar ainda mais TVs, cadeiras e crianças.
Eu ia muito lá, jogava com meu irmão um cartucho com
4 jogos que tinha: Top Gear; Super Mario World, que não
salvava; um futebol chamado Super Soccer, que tinha uma
visão bem estranha, você via os seus jogadores de costas, e os
do adversário de frente; e Congo’s Caper, um de plataforma
com um menino-das-cavernas de cabelo azul, muito bom! Uns
20 anos depois consegui ter um cartucho desses. Nostalgia
pura.

Casa onde funcionou a locadora de Martiniano


Fonte: Google Maps (2014)

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Seu Martiniano era gente boa, sempre sorridente, me
atendia com muito entusiasmo. Algumas vezes aluguei jogos
com ele para levar pra casa e me sentia um cliente especial, por
que não era pra todo mundo que ele alugava. Donkey Kong
Country foi um deles, uma preciosidade do SNES.
Por volta de 1995 ou 1996, comecei a acompanhar um
pessoal que trabalhava com marketing de rede em uma
empresa chamada Amway, que vendia produtos de limpeza,
panelas, perfumes, etc., tudo importado dos Estados Unidos.
Esse tipo de negócio era uma novidade por aqui e prometia
bom retorno financeiro.
Basicamente você precisava comprar produtos para seu
consumo, ou para revenda, e ganhava pontos por cada dólar
gasto. Conforme acumulava pontos, recebia de volta um
percentual do valor da compra, que ia de 3% a 21%. Se
conseguisse mais pessoas para trabalhar com você, a
pontuação do seu grupo era acumulada e os ganhos eram
maiores.
Passei mais de um ano investindo nisso, na verdade
fazendo meus pais investirem, pois eu ainda era estudante e
não tinha renda. Não tive nenhum sucesso e acabei com um
monte de materiais encalhados. Os produtos eram bons, mas
por causa dos valores serem em dólar, aumentavam muito a
cada mês, fazendo com que o lucro não fosse o esperado.
Havia também uma empresa associada chamada
PRONET que oferecia materiais de treinamento como livros,
fitas cassete com gravações de palestras motivacionais, entre
outros produtos. Toda semana tinha que comprar uma fita,

51
todo mês tinha um livro, além de encontros, seminários,
convenções, etc. E tudo isso custava dinheiro.
Envolvido nessa onda da Amway e como eu estava
gostando mais dos jogos de computador, acabei vendendo meu
Super Nintendo à Seu Martiniano para pagar uma viagem para
Fortaleza - CE, para participar de uma dessas convenções da
PRONET.
A viagem foi muito boa. Fui acompanhado com alguns
colegas que também trabalhavam na Amway. Ficamos 2 dias
num hotel na Praia do Futuro. Na convenção, além das
palestras motivacionais com convidados internacionais, houve
também um show musical com uma cantora baiana, que
infelizmente não lembro o nome.
Minha passagem pela Amway não foi uma perda de
tempo e dinheiro. Considero como um ótimo investimento em
meu desenvolvimento pessoal. Perdi o medo de falar em
público e aprendi muitas lições valiosas que me ajudaram ao
longo da minha vida acadêmica e profissional. Uma pena que
meu SNES rodou nessa história.
A última locadora que eu lembro de ter ido uma ou duas
vezes, era uma que ficava na Travessa Sebastião Araújo, uma
ruazinha bem escondida entre a Meira e Sá e a Oscar Brandão.
Eu passava por ela todo dia quando ia para a escola, pois achava
o caminho mais curto.
A locadora era bem precária, não tinha reboco nas
paredes, as cadeiras eram improvisadas, tamboretes se não me
falha a memória, nada acolhedor. Mas lá tinha um console que
não tinha em nenhuma outra locadora: um 3DO! Como era

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lindo o gráfico do GEX! Foi a primeira vez que vi o console, mas
acabei não indo lá outras vezes. Não gostava do ambiente.
Certa vez o meu vizinho, Euds Martineri comprou um
3DO e me emprestou para jogar na minha casa. Tinha o jogo
Road Rash, de corrida de moto, e mais alguns outros que não
lembro bem por que virei madrugada jogando só Road Rash. O
controle era meio estranho, mas o fato de usar CDs ao invés de
cartuchos era o máximo!
Sei que haviam algumas outras locadoras na cidade,
mas ficavam longe da minha casa, ou em locais por onde eu não
tinha costume de andar. Como os garotos comentavam que os
jogos eram os mesmos das que eu frequentava, acabei não indo
conhece-las. Mas, com certeza, fizeram alegria de muita gente
naquela época.

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54
5

CEARÁ-MIRIM
MINHA PRÓPRIA LOCADORA

Desde criança eu tinha umas ideias empreendedoras


para ter meu próprio dinheirinho. Com uns 8 anos tentei
trabalhar em uma lanchonete para ganhar lanches de graça,
infelizmente não deu certo, o dono não queria um ajudante-
mirim; quis ser vendedor de Tupperware, mas era só para
mulheres; montei um tiro ao alvo com pistolas de elástico na
área de casa, cobrava figurinhas do chiclete Ping-Pong para os
garotos da rua brincarem e rapidinho completava meus álbuns;
e, por fim, vendia pipoca Boku’s e caramelos para os colegas de
classe. Esse último me rendeu algum dinheiro.
Quando o banco que meu pai trabalhava fechou, ele
decidiu montar uma lanchonete para vender Guaraná do
Amazonas. Essa bebida natural e energética era novidade em
nossa região e estava fazendo muito sucesso. Parecia uma
ótima opção de investimento.
Ele comprou a receita, os ingredientes, liquidificadores,
descartáveis e tudo mais que precisava. Mas, ao invés de um
ponto fixo, montou um trailer que podia ser rebocado para
levar a lanchonete aonde estivesse acontecendo um evento.
Um food truck dos velhos tempo.
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Passei muitas tardes e noites naquele trailer. Aprendi a
preparar o guaraná e assim ajudava meu pai quando ele
precisava sair para resolver alguma coisa.
Naquele tempo não existia celular, então o passatempo
que tinha era ler gibis, ouvir rádio, estudar... essas coisas. Até
que um dia eu tive a ideia de colocar meu videogame ao lado
do trailer para a galera jogar pagando.
Comecei colocando na calçada de casa quando o trailer
estava estacionado em frente. Os meninos da rua logo
começaram a me entregar suas moedinhas por alguns minutos
com o controle na mão.
Outras vezes levei para os eventos, como na festa
promovida pela igrejinha de São Geraldo. Como ficava pouco
tempo a cada noite, duas ou três horas no máximo, não dava
para arrecadar muito, mas foi o suficiente para conseguir
juntar, em uma semana, uns bons trocados que foram
suficientes comprar alguns jogos usados, entre eles Robocop do
Nintendinho.
Como os controles começaram a ficar meio ruins, e os
meninos passaram a reclamar, deixei a ideia de locadora de
lado, mas foi uma boa experiência. Meu pai comprou um
controle novo, mas esse era exclusivo para eu e meu irmão
jogarmos.
Às vezes penso em montar um gabinete de fliperama
com jogos clássicos e colocar na frente da minha casa para as
crianças do condomínio (e os pais) jogar, matar a saudade
daquele tempo e... ganhar umas moedinhas, claro!

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OS FLIPERAMAS DA CAPITAL
6

NATAL
Se você mora em Ceará-Mirim, pode ter certeza que em
algum momento você vai precisar ir à Natal para resolver
alguma coisa.
A capital do estado fica a aproximadamente 25 Km de
distância, meia hora de viagem, e é o local onde muitos
cearamirinenses estudam, trabalham, fazem compras ou
buscam diversão.
Quando chegamos à Ceará-Mirim, em 1987, a principal
forma de ir à capital era através dos ônibus das empresas
Irmãos Brandão e Unidos, que faziam a linha entre as duas
cidades.
Por ser uma viagem intermunicipal, o ponto de partida
e chegada dos ônibus, na capital, era o Terminal Rodoviário de
Natal, também conhecida como “a rodoviária”.
A rodoviária tinha diversos estabelecimentos comerciais
para atender os passageiros que aguardavam a hora do
embarque: restaurantes, lanchonetes, banheiros, guarda-
volumes, banca de revistas, posto telefônico, guichês das

57
empresas de transportes, lojinhas de artesanato e vários
fliperamas.
Escondidinhos no fim do terminal estavam dezenas de
máquinas com jogos que atraiam a atenção de crianças,
adolescentes e adultos que passavam ali perto.
Eu sempre pedia ao meu pai para comprar fichas, pelo
menos uma, para eu poder jogar naquelas máquinas. Nem
sempre ele comprava, mas mesmo que fosse só para dar aquela
olhadinha, era uma parada obrigatória.
Lembro de jogar Moon Patrol, New Rally X, Yie Ar Kung-
Fu, um de Fórmula 1 que tinha acento e volante, e Robocop.
Naquela época eram muitas máquinas, pelo menos umas 20 ou
mais, mas só consigo lembrar desses jogos.
Certa vez tinha chegado um fliperama novo que pedia
duas fichas para poder jogar. Como eu não sabia e não vi
nenhum aviso, botei a única ficha que eu tinha naquela
máquina e jogo não começou. Fui reclamar com dono e ele
disse que eu tinha que comprar outra ficha. Fui falar com meu
pai e pegar mais dinheiro, mas, com toda essa demora, veio um
espertão, botou mais uma ficha e jogou a partida meio
patrocinada por mim. Dancei.
Da última vez que estive na rodoviária de Natal, antes
da recente reforma, ainda vi umas máquinas com Street
Fighter, King Of Fighters e uma grua de pescar prêmios. Bem
diferente do que era antigamente, mas ainda fornecendo uma
diversão rápida a quem esperava seu ônibus. Após a reforma,
me informaram que as máquinas foram retiradas, pondo fim ao
legado do fliperama de rodoviária.

58
Por volta de 1992, eu que não gostava de esportes
inventei de treinar ginástica olímpica na escola, com o
professor Francisco Itamar do Nascimento. Como eu era
gordinho, não conseguia fazer muito bem os movimentos e
acabava sendo um dos alunos mais fracos da turma. É a vida!
Era o primeiro ano da modalidade na escola que eu
estudava, então, ainda não haviam equipamentos adequados e
treinávamos usando uns antigos cavaletes e colchonetes.
Para motivar os alunos, o professor Itamar, que também
dava aulas em várias escolas de Natal, convidou nossa turma
para um treino no Colégio Salesiano São José, no bairro da
Ribeira.
O “Salé” era outro nível. Tinha um ginásio enorme e
todos os equipamentos da ginástica: trave, argolas, barras
paralelas e assimétricas, trampolim, etc.
Foi um treino memorável por vários motivos: primeiro
pelo ambiente em si; segundo por que minha calça de ginástica
rasgou no fundo e eu não tinha outra roupa para vestir, tive que
remendar com fita adesiva e esperar chegar em casa para
trocar; e terceiro, por que foi o dia em que eu vi pela primeira
vez o fliperama de Street Fighter II.
Quando o treino terminou, o pessoal com quem eu
tinha ido de carona precisou passar em uma loja próximo à
catedral. Do outro lado da rua, numa esquina, havia um prédio
onde funcionava um enorme fliperama, com dezenas de
máquinas. Dei uma escapadinha e fui lá olhar os jogos. Só
lembro de dois jogos: 1943, que eu já conhecia do Nintendinho
e Street Fighter II.

59
Claro que o Street foi o que chamou a minha atenção,
principalmente por que a máquina estava rodeada com tanta
gente que quase não dava para ver a tela.
Era ficha atrás de ficha entrando naquela máquina e a
galera se enfrentando no versus. Fiquei encantado com os
personagens: Blanka, Dhalsim, Zangief, Chun-Li, Guile, E.
Honda, Ryu e Ken.
Também cheguei a ver os chefes, pois a galera ia no
esquema de jogar contra a máquina e quando via que ia perder
alguém colocava uma ficha e entrava no versus para salvar a
ficha do amigo. Ai quem vencesse o contra podia continuar
contra o chefe.
Não demorei muito tempo lá, mas foi o suficiente para
eu ficar dias falando desse jogo com os amigos da escola e da
locadora. Quando Street chegou pra Super Nintendo, o sonho
de curtir aquele jogo, sem limites, se realizou.
Infelizmente esse fliperama fechou pouco depois de eu
tê-lo conhecido. Fui lá poucas vezes.
Outro fliperama que era bem conhecido em Natal ficava
no bairro Alecrim. Infelizmente não o conheci. Eu ia muito no
Alecrim comprar revistas nos sebos e bancas que ficavam no
cruzamento da Coronel Estevam com a Pres. Bandeira. Algumas
vezes fui na rua das eletrônicas e em várias outras lojas, mas
esse fliperama, nunca vi.
Uma das minhas tias morava no bairro Lagoa Nova, bem
pertinho do supermercado Bompreço. Quando minha família ia
visitá-la, sempre dávamos um pulinho no Bompreço para fazer

60
compras e passear pelas lojas do hipermercado. Num desses
passeios encontrei uma loja com fliperamas.
Por muito tempo, o fliper do Bompreço foi o melhor da
cidade, na minha opinião. Todas as novidades chegavam
primeiro lá: Tartarugas Ninja (aquele com 4 controles),
Simpsons (o de luta), Super Street Fighter II: The New
Challengers (com os novos lutadores T. Hawk, Cammy, Dee Jay
e Fei Long), além de simuladores como Afterburn, alguns de
corrida e muitos outros jogos incríveis.
Foi por causa desse fliper que eu passei a fazer escolhas
mais cautelosas na hora de jogar. Geralmente íamos lá no
sábado, meu pai comprava algumas fichas para eu e meu irmão
e depois da diversão voltávamos para casa. No dia seguinte, eu
queria jogar na locadora, mas como meu pai já tinha dado
dinheiro no dia anterior, não tinha mais. Desde então passei a
dar preferência pela locadora, pois as fichas acabavam rápido.
Um tempo depois foi inaugurado o Natal Shopping, uma
nova opção de passeio, que contava com muitas lojas, praça de
alimentação, cinema e fliperamas.
O fliper ficava bem em frente ao cinema, então, era uma
boa opção se o filme ainda ia demorar ou se a fila para entrar
estava muito grande.
Lá encontrávamos as máquinas mais modernas, com os
melhores jogos da época: King of Fighters, Metal Slug,
simulador de esqui, jogos de tiro com pistola, máquinas de
bichinhos e até cabines fotográficas que imprimiam a foto na
hora.

61
O preço era bem mais alto que nos outros pontos da
cidade, então era preciso pensar muito bem antes de sair
colocando as fichas nas máquinas.
Sempre que eu ia no cinema do Natal Shopping, dava
uma passada lá. Raramente eu jogava, por causa do alto preço,
mas eu gostava de olhar, uma por uma, todas as máquinas.
No início de 2019 estive no Natal Shopping e a empresa
que agora possui o espaço com fliperamas é a Puppy Play, que
tem lojas em diversas cidades do Brasil.

Fachada da Puppy Play do Natal Shopping


Fonte: o autor

A loja segue o padrão de outros shoppings, com área


para festas infantis, brinquedos tipo piscina de bolinhas,
escorregador, maquinas de pelúcias, vários simuladores, jogos
com pistola e até o clássico Pac-man.
Outra parada certa de quando vou à Natal, é o Midway
Mall. Lá tem uma grande loja da Game Station, com muitas

62
máquinas que são atrativas para crianças e diversos
simuladores.
A maioria das máquinas possui aquele sistema que
libera tickets após a partida, que podem ser juntados para
trocar por prêmios. Me sinto enganado por esse sistema, pois
mesmo gastando centenas de Reais, o máximo que se pode
conseguir são pirulitos ou brinquedinhos de plástico que
custam poucos centavos. Os prêmios realmente bons exigem
uma quantidade de tickets que encheriam um caminhão.

Fachada da Game Station do Midway Mall


Fonte: o autor

Além dos shoppings, também é possível encontrar


algumas máquinas em lanchonetes, bares e espaços de eventos
(buffet).

63
64
AS LOCADORAS DE NATAL
7

NATAL
Infelizmente não tenho tantas lembranças das
locadoras de Natal. Como eu era criança naquela época, só ia à
Natal quando meu pai tinha algo para resolver ou nos passeios
da família.
Aos sábados, pegávamos o trem que fazia a linha Ceará-
Mirim/Natal, descíamos no terminal ferroviário da Ribeira, e
caminhávamos até uma rua que ficava próximo à Catedral (R.
Rodrigues Alves).
Lá havia uma grande locadora chamada Shop Game,
com diversos consoles, incluindo Nintendo, Master System e
Mega Drive. Além do playgame, também alugavam e vendiam
jogos. Haviam expositores com centenas de capinhas para você
escolher o que queria levar pra casa ou curtir ali mesmo.
Eu sempre queria jogar no Nintendo, pois era o console
que eu já conhecia e tinha oportunidade de testar os jogos que
até então só tinha visto nas revistas.
Joguei muito o game 1944, com o aviãozinho laranja
detonando aviões e navios inimigos. Adorava ver o marcador
de pontos subindo loucamente e pensava: "Seria maravilhoso
65
se tivesse uma máquina que transformasse todos esses pontos
em dinheiro... eu ficaria rico”. Até hoje não inventaram uma
máquina dessas. Que pena!
Outro jogo que curti lá foi Super Mario Bros. 3, bem no
lançamento, no ano de 1990. Fiquei impressionado com a
qualidade do jogo pois o gráfico era muito mais bonito que os
anteriores, tinha um mapa para escolher as fases, itens para
escolher antes de começar a fase, cenários bem variados e
muito mais. Um tempo depois consegui comprar esse cartucho
para curtir em casa.
Minha preferência pelo Nintendo também se dava ao
fato do Mega Drive ter 3 botões de ação, um a mais que o meu
Nintendo, o que me deixava com medo de não saber jogar com
aquele controle e desperdiçar o tempo pago. Via o pessoal
jogando Sonic e Altered Beast, achava lindo, mas não tinha
coragem de pegar no controle.
Os amigos da escola Kleber e Kelvin Praxedes (filhos do
Sr. Josué Praxedes, dono da loja Baratão dos Tecidos) me
ajudaram a superar esse medo, pois eles tinham um Mega Drive
e me convidavam para jogar na casa deles. Sem medo de perder
o tempo pago, aprendi a usar o terceiro botão rapidinho.
Meu pai me deixava na locadora enquanto ia no centro
resolver suas coisas, sempre com muitas recomendações para
mim e para o proprietário para que eu não saísse da loja. Mas...
que criança iria querer sair dali?
Quando a Shop Game fechou, o terreno foi vendido e ao
longo dos anos uma loja de roupas funcionou no local por um

66
tempo e atualmente há um pequeno shopping chamado
Petrópolis Mall.
Outra locadora que conheci em Natal ficava no Natal
Shopping. Foi a primeira vez que vi de perto um Neo Geo, com
seus controles e cartuchos gigantes. Era uma locadora muito
bem organizada, com móveis bonitos e tudo que tinha de
novidade.
Dessa vez não me impressionei com os quatro botões
no controle e joguei feliz da vida Art Of Fighting e NAM 1945. O
valor da hora era muito alto! Até entendo, por que o console
era extremamente caro e segundo por que o ambiente do
shopping é custoso para o lojista manter. Acho que joguei lá
uma única vez.
A próxima locadora que lembro, era uma que ficava em
um shopping pertinho do Hiper Bompreço, em Lagoa Nova.
Atravessando a rua tinha o Shopping Natal Sul (não lembro se
na época era esse mesmo nome). Lá tinha uma locadora com
Mega Drive e Super Nintendo.
No dia que fui lá estava acontecendo um campeonato.
Os jogos eram Pit Fighter, do Mega Drive, aquele jogo de luta
onde tem três carinhas de calça vermelha e sem camisa, um
deles, chamado Ty, é a cara do Van Damme; e Top Gear do
SNES. Nesse dia que aprendi o macete do Top Gear de bater na
placa de chegada para conseguir terminar em duas posições ao
mesmo tempo e faturar mais pontos no pódio.
Encontrei meu amigo Euriam por lá, disputando o
campeonato, mas não fiquei pra ver quem venceu. Só peguei
meia hora no SNES, pra jogar Gradius 3, jogo de nave que eu

67
curtia imensamente por causa das versões anteriores do
Nintendinho.
Uma vez fui em uma locadora que ficava bem perto da
Rodoviária, no bairro Cidade da Esperança, era uma casa com
uns poucos consoles, principalmente SNES. Lembro que joguei
lá um Street Fighter II muito louco, tipo aquele que tinha nos
fliperamas, onde Ryu, Ken e Guile soltavam quantas magias
quisessem e ficavam todas ao mesmo tempo na tela, podia ficar
dando pulo duplo até sair por cima da tela e aparecer por baixo
novamente, e outras maluquices dessas. Também só fui lá uma
única vez.
Alguns amigos tinham pais que trabalhavam em Natal,
então era comum os filhos (e amigos dos filhos) pedirem para
que eles alugassem jogos nas locadoras de lá, principalmente
para passar o fim de semana.
Não recordo nem o nome dessas locadoras, pois nunca
cheguei a ir em nenhuma delas. Os cartuchos chegavam na
minha casa na sexta à noite, eu passava o sábado e o domingo
inteiro jogando, e no domingo à noite entregava para que o pai
ou mãe do colega levasse no dia seguinte para devolver em
Natal.
A última locadora que me vem à memória, era uma que
ficava em Candelária, na av. Prudente de Morais. Essa locadora
tinha um grande diferencial: alugava jogos para PC. Acredito
que foi por volta de 1997, pois nessa época eu já tinha
computador em casa e, o mais importante, um gravador de
CDs!

68
Na verdade, o gravador não era só meu. Eu e mais uns 4
amigos nos juntamos para comprar o equipamento, que
custava um absurdo de dinheiro naquela época, cerca R$
1.000,00, o que daria uns R$ 3.700,00 nos dias de hoje.
Parcelamos em “trocentas” vezes e cada um de nós pagava uma
parte da parcela a cada mês.
Com um gravador de CDs em mãos, agora bastava
conseguir os jogos e fazer cópias para usarmos em nossos PCs.
E foi isso que pensamos em fazer quando descobrimos essa
locadora. Mas a alegria não durou muito, pois os jogos que
queríamos vinham com proteção contra cópia, ou em discos de
maior capacidade que excediam os 650Mb dos CDR’s da época,
entre outras dificuldades.
Até haviam meios de contornar essas proteções,
criando imagens dos discos, usando drives virtuais, arquivos de
patch para jogar sem disco, etc., mas não dava para usar
sempre, pois os minúsculos HDs enchiam rapidamente e era
preciso apagar os jogos para poder instalar outros.
Acabamos por abandonar essa ideia de copiar jogos e
passamos a dividir o preço dos jogos originais, comprar revistas
que traziam CDs com jogos completos, etc. Assim fomos
aumentando a coleção. Quando um de nós zerava, passava o
jogo para o outro. E assim parei de ir nessa locadora, a última
de Natal que eu me recordo.

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70
GAME VISÃO
8
Sempre que chegava a época de férias escolares, eu,
meus irmãos e meus pais viajávamos para Mossoró, onde a
maior parte da família reside até hoje.
Minha mãe tem muitas irmãs, e por sua vez, elas têm

MOSSORÓ
muitos filhos, o que nos dava uma infinidade de primos com
quem brincar.
Naquela época, além das brincadeiras dentro de casa e
nas calçadas das avós e tias, a opção que tínhamos para tantos
dias de folga era assistir os programas da TV. A programação
infantil era exibida de segunda a sexta, um pouco pela manhã
e um pouco pela tarde, sem quase nada no período da noite e
fins de semana.
Quando chegava a sexta-feira, era hora de ir à locadora
alugar alguns filmes para assistir no sábado e domingo. Em
Mossoró, a locadora mais conhecida era a Visão Vídeo, do Sr.
Lauro Mendonça.
Ela foi inaugurada em 1986, funcionando no
cruzamento da avenida Rio Branco com a rua Frei Miguelinho,
e foi a principal responsável por popularizar o VHS na cidade.
71
Se não me engano, meu pai comprou nosso primeiro
videocassete em um consórcio organizado pela Visão.
Em uma das visitas à essa locadora, enquanto meu pai
conversava com o proprietário, ele nos convidou para conhecer
a nova área recém-inaugurada: a Game Visão.
Recentemente tive a oportunidade de conversar
pessoalmente com o Sr. Lauro. Ele me contou que no início dos
anos 90, o negócio de vídeo ia muito bem, mas outro tipo de
entretenimento estava crescendo e chamou sua atenção: os
videogames.
Apesar de não ser fã de jogos, viu uma ótima
oportunidade de lucro. Algumas locadoras de games já haviam
se estabelecido com sucesso e isso despertou seu interesse de
investir nesse negócio.
Ele procurou um arquiteto para criar um projeto
diferenciado para sua nova loja, que funcionaria ao lado da
locadora de filmes. De início foram instalados 8 consoles, entre
eles Mega Drive e Super Nintendo, adquiridos em suas viagens
à Zona Franca de Manaus-AM e também com representantes
em Fortaleza-CE.
Eu joguei na Game Visão poucas vezes, pois como meus
familiares moravam na Abolição II e no Alto da Conceição,
bairros um pouco distantes do centro da cidade, eu não
costumava andar muito pelo centro.
Lembro perfeitamente de dois jogos que vi pela
primeira vez nessa locadora: RANMA ½ do SNES, um jogo
japonês de luta que tinha um urso panda como um dos

72
principais personagens e que descobri, quase uma década
depois, que é um jogo baseado em um anime de sucesso.
O outro jogo era X-Men 2 Clone Wars, do Mega Drive,
no qual você jogava com Fera, Noturno, Gambit, Ciclope,
Psylocke e Wolverine, os bonecos tinham sprites grandes e as
fases eram bem variadas.

Prédio onde funcionava o playgame da Game Visão


Fonte: Google Maps (2011)

Sr. Lauro conta que nunca chegou a realizar nenhum


campeonato em sua locadora, mas os clientes organizavam
disputas por iniciativa própria. Uma vez até deu briga e a
funcionária que estava na hora da confusão saiu às pressas em
busca do proprietário para ele ajudar a acalmar o pessoal.
Após alguns anos, a Visão mudou para um novo prédio,
no Shopping Boulevard, finalizou o playgame e passou a
trabalhar apenas com locação de jogos, sendo o Playstation 2 o
principal console. Nos anos seguintes também trabalhou com
locação de jogos pra Playstation 3.
73
Fachada da Visão
Fonte: Google Maps (2017)

Como o Sr. Lauro tinha como principal atividade o ramo


de home vídeo e também passou a trabalhar com produção de
vídeo e eventos, optou por não dar continuidade ao negócio de
games e se desfez do acervo. Um tempo depois a locadora de
filmes também foi finalizada.
A Visão ainda funciona no Shopping Boulevard, no
Centro de Mossoró, e tem como principais negócios:
automação residencial, venda e instalação de sistemas de
Home Theater de alta qualidade, produção de vídeo e
fotografia para casamentos e eventos.

74
SHOP GAME
9
Se alguém me perguntar qual a primeira locadora de
Mossoró que vem à mente, em menos de um segundo eu
respondo: Shop Game, a locadora que ficava na praça do
museu.

MOSSORÓ
Mesmo sendo uma locadora bem distante de onde eu
costumava ficar, foi a primeira que conheci no tempo que
passava as férias em Mossoró.
Eu ia sozinho até a parada de ônibus da Abolição 2,
esperava a linha que ia para o centro, passava por baixo da
roleta para economizar a passagem e ter mais moedinhas pra
alugar as fitas, mesmo o cobrador com aquele olhar de “isso
não pode”. Saltava na COBAL e em alguns passos estava lá na
Shop Game.
Muitas vezes eu chegava antes da locadora abrir, e
ficava esperando o dono chegar, geralmente acompanhado de
seus filhos (que deviam estar de férias também).
O local tinha prateleiras nas paredes que iam até o teto
com centenas de capinhas dos jogos, principalmente de

75
Nintendinho e Master System. Eram tantos que eu passava
horas escolhendo o que iria levar.
Haviam alguns consoles para testar os cartuchos de
locação e para quem quisesse pagar para jogar.

Prédio onde funcionava a Shop Game


Fonte: Google Maps (2017)

Foi lá o meu primeiro contato com o Master System,


pois meus colegas e vizinhos só tinham Atari e clones do
Nintendinho. Achava lindo o gráfico do Master! Cheguei a pagar
algumas vezes para jogar Alex Kidd, California Games e alguns
outros que não lembro o nome.
Acostumado com o controle do Turbo Game, eu achava
muito desconfortável aquele controle quadrado e sem start
(tinha que apertar no próprio videogame para iniciar). A pistola
e o óculos 3D também me chamavam muito a atenção. Joguei
com a pistola uma vez, mas nunca usei os óculos 3D do Master.
Foi lá que aluguei a maioria dos jogos que eu via nas
revistas de games da época, pois nunca os encontrava na
cidade que eu morava (Ceará-Mirim). Entre eles: Kings of the
Beach (jogo de vôlei de praia), Castlevania 3, Super Mario Bros.
2, Flying Warriors, Werewolf, X-Men, Wolverine, Silver Surfer,
76
Robocop 2, Chip n’ Dale (Tico e Teco), Ducktales, Tom & Jerry,
Megaman 4, Tartarugas Ninja 3, Simpsons e muitos outros. Sem
dúvida foi a locadora que eu mais frequentei!
Duas vezes tive problemas com os cartuchos de lá: a
primeira vez foi com o jogo Frankenstein, sempre que chegava
no chefe o jogo travava; levei no dia seguinte, joguei lá na
frente do dono para mostrar o defeito, e ele não me cobrou
aquela locação.
A outra vez foi com o cartucho Tartarugas Ninja 2. A fita
devia estar com o pino plástico que segura a plaquinha do
cartucho quebrado, de modo que a fita não encaixava direito
no console, ficava meio na diagonal, e apesar do jogo rodar, os
gráficos ficavam deformados. Joguei mesmo assim e entreguei
no outro dia sem reclamar.
Mesmo quando chegou a época do Super Nintendo eu
continuava cliente fiel. Aluguei Out Of This World, Nigel
Mansell, Mario All Stars e muitos outros títulos.
Eles também vendiam jogos, acessórios, alugavam
consoles para levar pra casa, faziam manutenção, etc.
Funcionaram até a época do Playstation, mas depois fechou.
Toda vez que passo naquela rua, olho para o prédio
onde funcionava a Shop Game e aquelas maravilhosas
memórias retornam imediatamente. Aquele foi um tempo
muito bom!

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78
HOT GAME
10
Em busca de novos títulos para jogar no meu
videogame, acabei descobrindo a Hot Game, do sr. Ricardo
Falcão, uma das locadoras pioneiras em Mossoró e que serviu
de inspiração para muitos proprietários que abriram locadoras
nos bairros da cidade.

MOSSORÓ
Apesar de ficar em um local meio escondido, era muito
fácil encontrar a Hot Game. Bastava olhar para as duas enormes
caixas d’água da rua Pedro Velho, bem ao lado do Colégio
Diocesano Santa Luzia.
Na frente do prédio víamos apenas uma portinha
estreita e o nome da locadora pintado na parede, mas ao
atravessar a porta, encontrávamos o paraíso dos games.
O espaço interno da locadora era enorme! Tinha
diversas TVs com praticamente todos os consoles disponíveis
no mercado. Sega CD, 3DO, Playstation, tudo chegava primeiro
na Hot Games. O Sr. Ricardo fazia questão de trazer todas as
novidades para a loja.
Nas paredes, expositores com centenas de caixas de
jogos para o cliente escolher o que iria levar para casa ou jogar
79
ali no playgame, que tinha mais de 10 aparelhos, sempre
ocupados a maior parte do tempo.
Haviam também muitos cartazes decorando o local e
anunciando as últimas novidades. Lembro de um pôster do jogo
Dizzy, um dos meus favoritos na época do Nintendinho. Como
eu queria aquele pôster!
Foi lá que vi pela primeira, e única, vez na minha vida o
Atari Jaguar, o console que foi lançado com a promessa de
apresentar gráficos de 64 bits, mas que acabou sendo mais uma
questão de marketing do que de tecnologia.
Vi de perto aquele estranho controle, cheio de botões,
tantos que parecia até um telefone. O game que estava
rodando, se não me engano, era Wolfenstein 3D, jogo de tiro
em primeira pessoa que até então eu só tinha visto em
computador. Fiquei encantado.
Outro aparelho que eu não cansava de olhar era o Neo
Geo. Era tão difícil encontrar aquele console em locadoras que
ao vê-lo na Hot Game senti como se tivesse descoberto um baú
do tesouro.
Vi a galera jogando um futebol com robôs (Soccer Brawl)
onde a bola era chutada com efeitos de ultra velocidade, raios
paralisavam ou derrubavam os adversários, e as animações
eram muito bem-feitas.
Meu pai fez cadastro lá para eu poder alugar os jogos.
Era uma das poucas locadoras que eu vi usar um computador
com sistema de locação para registrar as informações dos
clientes. A maioria anotava as saídas em talões ou cadernos.

80
Como eu só estava em Mossoró no período de férias,
passava praticamente um ano inteiro entre uma visita e outra.
Certa vez quando cheguei para alugar, falei o nome do meu pai
e a pessoa que me atendeu (não lembro se foi o sr. Ricardo),
me fez um monte de perguntas, para confirmar o telefone, o
endereço, e outras coisas mais, antes de liberar a locação. Isso
por que no sistema, o campo status do cliente estava escrito:
SUMIU.
Eles alugavam games, vendiam jogos e consoles,
alimentos, revistas, etc. Tudo o que estava relacionado à
videogames a Hot Game tinha.
Infelizmente foi mais uma vítima da pirataria. Quando
os clientes começaram a comprar consoles para jogar em casa
e conseguiam cópias dos jogos pelo mesmo preço de uma
locação, o negócio não teve como se sustentar e a locadora
fechou. Muito triste.

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82
TUTTI GAMES
11
No ano de 2000, me mudei de Ceará-Mirim para
Mossoró. Tinha passado no vestibular do curso de Ciência da
Computação na UERN e fui morar na casa da minha tia, no
bairro Abolição 2, permanecendo lá durante os 4 anos do curso
e um pouco mais até me casar.

MOSSORÓ
Foi uma época em que eu ainda estava na febre do
computador, jogava os games que vinham nos CDs das revistas,
alguns outros que eu tinha comprado em lojas de informática,
muitos emuladores, etc. Já estava longe dos consoles há algum
tempo.
Durante o curso alguns colegas me falaram do jogo
Pokémon Red e Blue, do Gameboy, que estava fazendo muito
sucesso por causa do desenho animado que passava na TV.
Resolvi conferir no emulador e viciei na hora.
Joguei praticamente todos os dias até conseguir
colecionar os 151 monstrinhos. Isso me despertou o interesse
de ter um Gameboy para jogar em qualquer lugar, não só no
computador.

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Na verdade, eu queria um Gameboy desde o tempo que
via as telinhas verdes impressas na revista Videogame, no início
dos anos 90. Até cheguei bem perto de comprar um nas Lojas
Americanas por volta de 1995 ou 1996. Mas acabei dando
preferência a um Walkman AIWA. Que erro!
Essa época em que eu fazia faculdade, foi exatamente a
época que a Nintendo anunciou o lançamento do Gameboy
Advance. O novo portátil teria gráficos semelhantes aos do
Super Nintendo e uma infinidade de jogos muito mais bonitos
que os do atual Gameboy Color.
Assim que foram lançados no Brasil, numa parceria da
Nintendo com a Gradiente, fiz a compra do meu no site das
Lojas Americanas em 10 (quase) suaves prestações e peguei o
jogo Castlevania Circle of The Moon para acompanhar.
Quando o GBA chegou, fiz a festa, jogava todo o tempo
em que eu estava livre. E logo o jogo que eu tinha comprado
havia perdido a graça depois de zerar diversas vezes. Então fui
procurar se na cidade havia alguma loja que alugasse ou
vendesse cartuchos de Gameboy.
Foi então que encontrei a Universo do Game, loja do Sr.
Aldemir e seu filho Berg, que funcionava na rua Frei
Miguelinho, no Shopping Oasis, centro da cidade. Eles vendiam
jogos e acessórios, principalmente para Playstation. Logo fiz
amizade com o Berg e virei frequentador assíduo daquela loja.
Além da loja, eles tinham também uma locadora no
bairro Abolição 2, sim, o mesmo bairro onde eu morava! E
como eu nunca tinha visto essa locadora? Simplesmente por
que até então eu só jogava no PC.

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A Tutti Games funcionava na residência do Sr. Aldemir,
que ficava na esquina da rua Edite Freire com a rua Maria Salém
Duarte (a rua que fica na lateral da Igreja Nossa Senhora de
Fátima). A entrada era por uma porta lateral que dava acesso a
um grande cômodo que tinha o comprimento da casa toda.

Local onde funcionava a Tutti-Games


Fonte: Google Maps (2012)

Haviam muitos consoles lá: Nintendo, Master System,


Mega Drive, Super Nintendo, Playstation, Nintendo 64, etc. Foi
na Tutti Games que pela primeira vez vi um Dreamcast de
perto.
Os mais recentes lançamentos estavam lá! Até por que
o Sr. Aldemir comprava jogos para revender em sua loja e nada
mais lógico que levá-los também para a locadora.
Além do playgame, na Tutti eles também alugavam
jogos e consoles para levar para casa, vendiam consoles novos
e usados, realizavam manutenção em equipamentos e vendiam
lanches.
Mesmo sendo perto de onde eu morava, não voltei
muitas vezes na locadora, mas passava sempre na loja para ficar

85
conversando com o Berg e até fiz alguns serviços de informática
para eles.
No tempo em que foi lançado o filme Homem-Aranha,
todo mundo estava doido para assisti-lo. Consegui baixar o
filme na internet em formato AVI, que só rodava no
computador, mas quase ninguém tinha computador.
Passei dias pesquisando um jeito de rodar filmes no
Playstation, e, consegui! Encontrei um programa para
converter os vídeos para o formato das CGs que o PS conseguia
rodar.
O problema é que só cabia uns 25 minutos de vídeo em
cada CD. Tive que cortar o filme em vários pedaços, e gravar
cada parte em um disco. Foram uns 5 CDs para caber o filme
todo.
A galera assistiu no Playstation da Tutti Games, mesmo
com a imagem meio ruim, toda quadriculada, legendas que mal
davam para ler, mas era o Homem-Aranha! Eles adoraram!
Quando a loja e a locadora não estavam mais sendo
lucrativas, passaram a investir na venda de instrumentos
musicais, transformando a Universo do Game na Universo
Eletromusical.
Até os dias atuais a loja de instrumentos está firme e
forte, sempre trazendo as mais recentes novidades e produtos
de qualidade para quem trabalha com música ou a tem como
hobby.

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12
OUTRAS LOCADORAS DE MOSSORÓ

Na época de férias, eu costumava passar a maior parte


do tempo na casa da minha tia que morava na Abolição 2. Esse
bairro tinha diversas locadoras e, quando eu as encontrei,
diminui minhas viagens ao centro da cidade.

MOSSORÓ
A casa que eu ficava era a penúltima casa da rua
Raimundo Cabral, tendo a BR à esquerda, os fundos do Hotel
Thermas logo à frente, e uma praça na rua de trás.
A praça era rodeada por casas e uma delas tinha algo
especial: um playgame onde a meninada se reunia para jogar.
Eram poucos consoles, alguns Super Nintendo e Mega
Drive. Fui lá algumas vezes com minha prima, Raquel, e meu
irmão, Adriano, para jogarmos Super Mario World.
Infelizmente nas férias seguintes ela já não existia mais. O jeito
foi procurar outra.
Encontrei mais uma locadora no Centro Comercial da
Abolição, que fica em frente ao antigo Pague Menos, hoje em
dia Supermercado Cidade. Eles tinham Nintendinho e Super
Nintendo.

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Lembro de ir várias vezes lá para jogar Mario Is Missing
no SNES, “Batman - Return Of The Joker” e “Mickey
Mousecapade” no Nintendinho. Foram poucas as visitas, pois
logo descobri outra locadora bem perto que alugava jogos para
levar para casa.

Centro comercial da Abolição, a locadora funcionava numa dessas lojas


Fonte: Google Maps

A última locadora da abolição, que eu frequentei nessa


época, ficava na rua Francisco Nogueira Monte (na lateral do
Pague Menos). Era uma locadora meio escondida, mas muito
bem organizada. Parece que o nome era Game House.
Tinha um balcão onde ficava o funcionário, diversos
expositores com caixas de jogos para você escolher, muitos
jogos de Nintendinho e Super Nintendo. Não lembro se tinha
playgame, pelo menos sei que não joguei lá.
Nessa locadora aluguei diversas vezes o jogo “Kid
Dracula”, que a galera chamava de Castlevania Kid, apesar de
não ter nenhuma relação com os jogos da série Castlevania.
Você jogava com um vampirinho que atirava bolas de
fogo nos inimigos. Era todo em japonês, então nunca consegui
zerar pois tinha uma fase em que era preciso responder várias
88
perguntas, como num programa de televisão, e eu nunca
acertava as respostas.
Nunca tentei jogar ele no emulador. Seria bem fácil
zerar, pois dá para salvar antes de escolher a resposta e
carregar o mesmo ponto se a resposta estiver errada. Quem
sabe algum dia eu faça isso.
Aluguei também “A Pequena Sereia” e um jogo da
Barbie, tentando agradar minhas primas que moravam lá na
casa da tia que eu ficava. Não lembro praticamente nada desses
dois.
Outro que peguei lá, já no tempo do SNES, foi “The
Legend of Mistical Ninja”, também conhecido como Goemon.
Você joga com um samurai de cabelo azul, misturando a
jogabilidade beat ‘em up, plataforma e RPG. Adorava uma fase
que tinha uns arcades e dava para jogar Galaga dentro do jogo
do Goemon. Tinha que lutar um bocado para conseguir
dinheiro e comprar as fichas para o arcade. Era bem divertido.
Na minha época de faculdade, passei a frequentar uma
locadora de filmes chamada Videos.Com, que ficava bem em
frente ao centro comercial da Abolição. Conheci o jovem
proprietário, Daniel Silvestre, não pelos jogos, mas pelas
centenas de filmes e séries que ele tinha em sua locadora.
O pai dele trabalhava em uma escolinha de futebol e,
pelo que me lembro, fiz um site para eles e um programa para
cadastrar os filmes e locações, mas acho que nem chegaram a
usar.

89
Fachada da Videos.com que também trabalhou com games
Fonte: Google Maps

Daniel sempre tentou manter seu negócio em


expansão. Vendia DVDs e Blu-Rays, camisetas, bonés, tinha
uma mini lan house com alguns computadores para o pessoal
acessar a internet, fazia digitação, manutenção de micros, etc.
Chegou uma época que ele passou a trabalhar com
venda de jogos e acessórios para consoles. Também alugava
games de PS3, PS4, X360 e XBOX ONE. Infelizmente na época
que adquiri meus consoles eu já morava bem longe da Abolição
e não compensava uma viagem tão longa para alugar e
devolver um jogo.
Acabei comprando a ele os dois jogos Castlevania Lords
Of Shadow do XBOX 360, além de ter feito outras visitas para
conferir seu acervo.
Hoje em dia Daniel é um dos mais conhecidos
vendedores de games em Mossoró. Sempre tem as novidades
e uma grande variedade de jogos e acessórios para os consoles

90
das gerações atuais. Fico feliz em saber que o negócio ainda se
mantém mesmo depois de tantos anos.
Saindo da abolição, o outro bairro onde eu ficava era o
Alto da Conceição, pois meus avós paternos e maternos
moravam lá. Bem próximo ao mercado do Alto da Conceição,
tem um posto de gasolina, numa esquina. Atravessando a rua,
bem em frente ao posto havia uma locadora que tinha SNES e
N64 (talvez alguns outros consoles, não lembro).
Paguei meia hora no “Cruis’n U.S.A.” do Nintendo 64, só
para sentir como era o controle. Se não me engano foi a
primeira vez que eu joguei no N64, mesmo já tendo visto ele
em outras locadoras. Só fui nessa uma única vez, pois como
tinha console em casa, preferia alugar cartuchos e curtir o dia
inteiro.
Seguindo pela Alberto Maranhão, em direção ao Belo
Horizonte, um pouco antes de chegar na linha do trem, do lado
esquerdo da pista, tinha uma locadora com vários SNES. Fui lá
uma ou duas vezes e cheguei a jogar lá. Até era bem perto da
casa da minha avó, mas havia outra ainda mais perto.
Logo após cruzar a linha do trem, do lado direito haviam
várias lojinhas e na esquina da rua Padre Freire tinha uma
locadora com vários Super Nintendo. Era exatamente em frente
à casa da minha avó, bastava atravessar a rua e eu estava lá.
Fui nessa locadora muitas vezes jogar o Street Fighter II
Champion Edition, aquela versão em que era possível jogar com
os quatro chefes finais. Gostava de jogar com o Vega (o chefe
com máscara e garras), por causa daquela técnica de subir na
grade atrás do cenário e atacar por cima do oponente.

91
Certamente joguei muitos outros jogos, mas realmente não
lembro quais eram.

Prédio onde funcionava a locadora no Alto da Conceição


Fonte: Google Maps (2011)

Também fiquei sabendo de uma locadora que ficava no


bairro Boa Vista, nas imediações da pousada Shalom.
Funcionava na sala de uma casa, tinha alguns consoles
Nintendinho e lembro de jogar lá “Caveman Games” e “Totally
Rad”, dois jogos que eu só costumava ver em revistas. Só devo
ter ido uma vez nessa.
Uma outra tia minha morava no bairro Boa Vista.
Vizinho à casa dela tinha uma locadora chamada Top Game.
Lembro que joguei o Ninja Gaiden 3 lá. Que jogo difícil! Só fui
uma vez nela.
Num dos passeios com meu pai, ele me levou no Porcino
Shopping, que ficava no cruzamento da Av. João da Escócia com
a Av. Diocesano. Lá no fundo do shopping, próximo aos

92
banheiros, havia uma locadora. Ambiente simples, porém,
organizado. Joguei uma meia hora num Phantom System.
O controle era horrível! O jogo que escolhi foi
Tartarugas Ninja 1, que achei muito difícil e em seguida Caça-
Fantasmas, que era tão complicado que não soube nem entrar
na fase. Também fui lá uma única vez.
Um local bastante conhecido de quem mora em
Mossoró é o Vuco-Vuco, um camelódromo que reúne
vendedores com todos os tipos de produtos, novos ou usados.
Ao redor do local existem alguns comércios como oficina
mecânica, loja de material de construção, equipadora
automotiva, etc. Nos anos 90 havia também uma locadora que
funcionava nas proximidades: House Game.
Fui lá uma única vez, e por incrível que pareça não foi
para jogar, foi para ouvir um CD de música em um dos consoles.
Ficava muito longe das casas dos meus familiares, não tinha
como ficar indo lá. Encontrei o local por acaso, mas fiquei
sabendo que era bastante movimentada.
Já no tempo da faculdade, quando comprei meu
Gameboy Advance e estava procurando lojas ou locadoras que
tivesse cartuchos do portátil, numa dessas andanças pela
cidade encontrei a World Game, locadora que ficava na rua
Jeronimo Rosado, a rua do Colégio Dom Bosco.
Era uma locadora grande, bastante conhecida, mas
como eu não jogava em consoles há muito tempo, mesmo
passando por essa rua diversas vezes quando ia para a
faculdade, acabei não prestando atenção nela.

93
Fui lá em busca de cartuchos de Gameboy para alugar,
infelizmente era um dos poucos sistemas que eles não
trabalhavam. Além de aluguel de jogos de Playstation 2,
Playstation 3, Xbox 360 e alguns outros mais antigos, eles
também tinham um playgame.

Prédio onde funcionou a World Game


Fonte: Google Maps (2012)
Foi lá que joguei pela primeira vez em um Playstation 3.
Peguei logo o Batman Arkham Asylum, jogo lindo demais. E me
deparei com uma realidade que eu desconhecia nos consoles:
ter que instalar os jogos antes de jogar.
O PS3 estava sem espaço, tive que apagar um jogo
qualquer para poder instalar o Batman. E lá se foram preciosos
minutos do meu tempo nessa instalação. Joguei cerca de uma
hora lá e não voltei outras vezes.

94
Não encontrei os jogos de Gameboy que eu procurava,
mas encontrei a nova geração de consoles que conseguia
desenhar gráficos muito mais bonitos que os do meu PC, que já
estava ficando ultrapassado.
Uns dois meses depois de ter comprado meu Gameboy
Advance, a casa que eu morava foi invadida por ladrões que
levaram diversos pertences, entre eles: câmera fotográfica,
discman, relógios e meu Gameboy Advance. Buááááá. Fico
triste só em lembrar. Foi na madrugada, ninguém viu nem ouviu
nada. Ainda bem que não aconteceu nada além de perdas
materiais.
Passei vários meses pagando as parcelas e lembrando
desse triste dia. Lembrei, porém, que no Vuco-Vuco costumam
aparecer consoles usados para vender, então dei um pulo lá na
esperança de encontrar o meu GBA “perdido” sendo oferecido
para venda.
Não encontrei o aparelho, mas encontrei outra locadora
que ficava por trás do Vuco-Vuco, bem na esquina do
cruzamento da rua Rodrigues Alves com a rua Epitácio Pessoa,
a locadora de Joinha.
Era uma locadora que tinha muitos Super Nintendo, um
monte de crianças jogando International Super Star Soccer,
Mario e outros games que ainda faziam sucesso mesmo em
tempos de Playstation.
Falei rapidamente com o proprietário, para saber se
alguém tinha aparecido por lá querendo vender um GBA aos
clientes, mas ele não havia visto nada do tipo.

95
Recentemente passei lá para ver se alguém sabia me
contar algo sobre a locadora. Me falaram que o antigo
proprietário teve problemas de saúde e não teria como
conversar comigo. Ainda vi um velho console e alguns
cartuchos de SNES na pequena loja que funciona no local.

Prédio onde funcionou a Locadora de Joinha


Fonte: Google Maps (2011)

Sobre o GBA, não o recuperei. Felizmente um vendedor


do Mercado Livre de quem eu tinha comprado vários cartuchos
e acessórios acabou me fazendo um grande favor: me vendeu
outro GBA para eu pagar parcelado, do jeito que pudesse. Eu
mal pude acreditar! Em alguns dias chegou o novo GBA, preto
dessa vez, e aproveitei bastante.
Paguei o mais rápido que pude com a grana dos
trabalhos de informática que eu fazia. Depois comprei um EZ-
Flash para usar jogos baixados da internet e não depender mais
dos raríssimos cartuchos que apareciam por aqui. Passei a
escondê-lo muito bem quando não estava em uso, para não
correr o risco de perde-lo também.

96
Fiquei com esse GBA preto até que foi lançado o GBA
SP. Vendi o GBA preto e peguei um GBA SP prata, que me
acompanhou até o final da faculdade. Acabei vendendo o GBA
SP para pagar a minha formatura... que arrependimento!
Vivo contando essa história aos meus alunos quando
eles falam sobre formatura. A lição que aprendi: não venda seu
videogame para pagar formatura!
Cheguei a comprar outro GBA SP, um Nintendo DS Lite
e um PSP, mas acabei me desfazendo de todos por falta de uso.
Passavam semanas, as vezes meses, esquecidos dentro de uma
gaveta. Foram para a mão de quem os usaria com mais
frequência.
Ao longo dos anos, encontrei muitas outras locadoras
espalhadas pela cidade enquanto transitava de ônibus, de
bicicleta, moto ou carro, mas não as visitei. Se eu imaginasse
que algum dia iria escrever esse material, certamente teria
registrado tais informações.

97
98
FLIPERAMAS NA TERRA DO SAL
13
Muitos anos atrás, na rua Prudente de Morais, bem ao
lado de uma das pontes que atravessa o rio Mossoró, foi
inaugurado o Coelhão. Era uma mistura de supermercado e
shopping center, algo parecido com os hipermercados que
conhecemos atualmente.

MOSSORÓ
No Coelhão, além do supermercado, lojas de presentes,
revelação de fotografias, lojas de roupas e perfumes, havia
também alguns fliperamas. E, claro, eu adorava ir lá jogar!
O único jogo que lembro com clareza era Ring King, um
jogo de boxe com visão isométrica onde você enfrentava seus
adversários até alguém ir à lona. Eu não era muito bom,
conseguia vencer um ou dois adversários e perdia a ficha.
Certa vez, eu estava de férias, na casa da minha tia, na
Abolição 2, e consegui juntar umas moedinhas que deviam dar
para comprar umas 5 fichas. Porém, não sabia como faria para
ir até o Coelhão, pois, mesmo de ônibus, era muito longe.
Lembrei da minha avó que morava próximo ao mercado do Alto
da Conceição, que ficava bem mais perto de lá, daria até para ir
a pé se quisesse.

99
Então liguei para minha tia, Socorro, que morava com
minha avó, pedindo pra ela me buscar na Abolição pra irmos no
Coelhão. Ela estava sem transporte na ocasião, mas conseguiu
uma carona com um vizinho e foi até lá me buscar.
Eu estava esperando, todo arrumado, só pensando nas
partidas que iria jogar. Mas, quando ela chegou e perguntou
onde estava minha bolsa pra ir pra casa dela, eu disse que só
queria ir no Coelhão, mas voltaria pra dormir onde estava. Ela
me disse que não podia ir pro Coelhão, tinha ido me buscar pra
ficar na casa da minha avó. Fiquei triste por não ter o passeio e
nem fui com ela. Desculpa, tia!

Shopping Coelhão
Fonte: Grupo Mossoró do Passado em Facebook.com

O local onde funcionou o Coelhão hoje em dia é o Hotel


Vila Oeste, um dos hotéis mais conhecidos da cidade.
Muitos anos depois, morando definitivamente em
Mossoró e já casado, sempre ia fazer compras do mês no Hiper
Queiroz, na Av. Leste Oeste.
Como todo hipermercado, além do supermercado em
si, diversas lojas estão presentes, entre elas: farmácia,

100
perfumaria, locadora de filmes, quiosques de TV por assinatura,
etc.
Um belo dia me deparo com uma nova loja que tinha
uma dezena de máquinas de fliperama. Meus olhos brilharam
ao ver aquilo!
Se chamava Hiper Game. Tinha jogos de luta, futebol,
jogo com pistola, jogo de corrida, uma máquina de air hockey e
muito mais. Agora eu tinha mais um motivo para querer ir ao
supermercado!
A loja funcionou um bom tempo nesse supermercado,
até que o Mossoró West Shopping foi inaugurado, em 2007, e
a Hiper Game se mudou para lá.
No shopping o espaço era muito maior, o que permitiu
acomodar muitas outras atrações, incluindo mesas sinucas,
pistas de boliche, um espaço para festas, e, claro, muitas
máquinas de fliperama.
Atualmente é uma das atrações favoritas dos meus
filhos. Quando vamos ao shopping, uma passada na Hiper
Game é obrigatória.
Lá encontramos uma grande variedade de jogos, desde
máquinas clássicas como os simuladores de corrida Cruis’n USA
e Daytona USA, Tekken, KOF, etc., bem como máquinas mais
interessantes como Super Bikes 2, Deadstorm Pirates, Need For
Speed Carbon, Overtake, uma máquina de dança (PUMP), e
muitas outras que agradam crianças, jovens e adultos.

101
Loja da Hiper Game no Partage Shopping Mossoró
Fonte: o autor

Infelizmente não chegam novidades com tanta


frequência, mas ainda assim dá para se divertir de montão,
principalmente nas quartas-feiras, dia em que todas as
máquinas ficam com 50% de desconto no valor cobrado.
Eles usam aqueles cartões magnéticos que você carrega
com o valor desejado. Faz tempo que aposentaram as fichas.
Tenho dezenas desses cartões, pois toda vez que vou jogar com
as crianças, nunca estou com o cartão que comprei na vez
anterior.
É uma empresa que merece nosso prestígio, pois em
tempos tão difíceis, continua a investir para oferecer diversão
de qualidade aos seus clientes.
Outros locais em que os fliperamas estiveram presentes
em Mossoró: antiga rodoviária (ao lado do aeroporto),
shopping Boulevard (na época da inauguração), um outro
shopping próximo ao aeroporto que depois virou o DETRAN e
restaurante Família Parque. Infelizmente não cheguei a
frequentar esses lugares na época que as máquinas estavam lá.

102
BOAS LEMBRANÇAS
14
Este é o final da minha jornada pelas dezenas de
locadoras e fliperamas que fizeram parte da minha jornada
gamer, desde minha infância até a vida adulta.
São lembranças que guardo com carinho, pelas
infindáveis horas de diversão, pelas amizades que ali nasceram,
pelos desafios superados, pelas lições aprendidas.
Minha vida profissional foi grandemente influenciada
pelos videogames. Sempre quis saber como os jogos eram
criados e isso despertou em mim o interesse pelos
computadores e por aprender programação.
Comecei aprendendo BASIC, depois PASCAL, Delphi, C,
Java, PHP, Python, etc. É verdade que nunca programei
nenhum jogo além de pequenos exemplos feitos em sala de
aula, nem é algo que esteja em meus planos atuais. Talvez pelo
medo de constatar o que muitos desenvolvedores de jogos
falam: “quem faz jogo não tem tempo de jogar”.
Apesar de sentir falta das antigas locadoras, acredito
que hoje em dia eu não as frequentaria da mesma maneira
como antigamente. Em parte, pelo tempo que precisa ser
103
dividido entre trabalho, família e tantos outros compromissos
da vida adulta; por medo da violência, assaltos, que foram o
motivo do fechamento de várias dessas locadoras de bairro; e
também por conta das facilidades que a tecnologia de hoje nos
proporciona: comprar jogos sem sair de casa; assistir aos vídeos
dos mais recentes lançamentos; conversar por texto, áudio e
vídeo com amigos que moram distante e até mesmo jogar on-
line com eles; comentar sua opinião em grupos de redes sociais
e criar novas amizades nessas comunidades; encontrar
facilmente as dicas para aquela fase que você enganchou, etc.
Para matar a saudade das locadoras e dos antigos
consoles que marcaram aquela época, temos a sorte de poder
participar de eventos organizados por verdadeiros fãs dos
games que não deixam esse fantástico legado desaparecer.
Sou muito grato a esses companheiros de jornada, que,
assim como eu, acreditam que as novas gerações devem
conhecer a história que vivenciamos e que a nossa geração, que
viveu aquela época, sempre exibirá um grande sorriso no rosto
ao relembrar aqueles maravilhosos momentos.
De joystick na mão, sigo em busca de novas aventuras!
Em florestas, cavernas, espaçonaves, castelos, desertos, e até
no fundo do oceano. Expulsando alienígenas invasores,
derrotando feiticeiros malvados, acabando com zumbis ou
soldados nazistas. Encontrando tesouros, desbravando terras
inexploradas, chegando em primeiro lugar e vencendo o
campeonato. Essa é minha eterna paixão!

104
PARTE II
MEMORIAL LOCADORAS & FLIPERAMAS

105
106
MEMORIAL LOCADORAS & FLIPERAMAS
15
Nesta parte do livro reuni as contribuições de dezenas
de colaboradores que enviaram suas memórias sobre as antigas
locadoras de games, através de um formulário eletrônico,
contatos em redes sociais, assim como em encontros
presenciais.
Se você tem histórias sobre locadoras e deseja contá-
las, preencha o formulário no site: bit.ly/memorial-locadoras.
Sua história poderá ser incluída em uma futura edição deste
material.
Algumas locadoras já foram apresentadas nos capítulos
anteriores através das histórias que eu vivenciei. Apesar de
aparecerem novamente aqui, mais detalhes e novas histórias
são contadas através das memórias dos colaboradores. Vale a
pena conferir cada uma delas.
Mais uma vez agradeço imensamente a todos que
dedicaram um pouco do seu tempo para contribuir com este
projeto.
Divirtam-se!

107
108
Cinemax
Ceará-Mirim
Eduardo Gois (proprietário), Everton Barros (cliente)

CEARÁ-MIRIM
A locadora Cinemax, funcionava na Av. General João Varela,
894, no Centro de Ceará-Mirim. Surgiu como mais um
investimento em entretenimento por parte do Sr. Eduardo
Gois, que já trabalhava com locação de filmes em VHS, tinha o
mais moderno cinema da cidade, além de uma banca de
revistas. O playgame começou com apenas 3 máquinas: 1 SNES
e 2 Mega Drive, mas logo foi preciso aumentar a quantidade de
consoles, pois a demanda era grande. Chegou a ter umas 10 TVs
que ficavam enfileiradas todas do mesmo lado, com prateleiras
logo acima exibindo a capa dos jogos. Haviam centenas de
jogos, os mais desejados pelos clientes, pois Eduardo sempre
perguntava quais deveria comprar, além de acompanhar as
revistas e frequentar feiras de eletrônicos. Várias outras
locadoras abriram na cidade e a concorrência tornou-se muito
grande. Os clientes passaram a comprar consoles para jogar em
casa e os jogos piratas acabaram por tirar o restinho do lucro.
Fechou o playgame, vendeu os equipamentos e jogos, e
continuou com os outros negócios.

Curiosidades:
Como o dono da locadora também tinha um cinema, as vezes
fazia uma promoção que dava direito a um ingresso para
assistir um filme quando se jogava uma certa quantidade de
horas.

109
Depoimento:
“Sinto falta daquele tempo. Não era apenas uma locadora, mas
sim um ponto de encontro dos amigos. Achava os jogos muito
mais desafiadores e divertidos que os de hoje. Não sei se
frequentaria uma locadora atualmente devido à rotina de
trabalho e outros afazeres.” (Everton Barros)
Histórias:
“Certa vez um cliente começou a jogar na hora que a locadora
abriu e ficou direto até fechar. Mandou buscar um lanche para
não parar de jogar”. (Eduardo Gois)

Prédio onde funcionava o Cinemax


Fonte: Google Maps (2011)

110
Edson Games
Ceará-Mirim
Roberto Pereira

A locadora de Edson começou apenas com máquinas de


fliperama, numa galeria próxima ao Mercado Central. Um
tempo depois mudou para rua General João Varela e além dos
fliperamas também passou a trabalhar com consoles. Os
primeiros foram SNES e Playstation, mas Edson era sempre o
primeiro a trazer as novidades, fossem consoles, jogos ou
acessórios. N64, Saturn, DreamCast e PS2 também estiveram
por lá no seu devido tempo. Nessa locadora surgiu um clube
chamado “Club of Gamemaniacos”, que trazia descontos para
os sócios nas fichas de fliperama e nas horas do playgame, além
de outras vantagens para os membros, como um acervo de
revistas de games. Com o tempo, o movimento diminuiu e
Edson fechou a locadora. Vendeu alguns equipamentos, mas
boa parte ele mantém até hoje em uma coleção pessoal.

Edson, Roberto e Glidio na exposição do Museu do Videogame Potiguar


Fonte: Instagram (Museu do Videogame Potiguar)

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Depoimento:

“Era muito bom. Videogames diversos ao alcance de todos.


Participei do “Club of Gamemaniacos” e sinto falta das
amizades e do convívio diário com o pessoal”. (Roberto Pereira)

Um dos prédios onde funcionou a locadora de Edson


Fonte: Google Maps (2014)

112
Beto Play
Ceará-Mirim
Everton Barros

A locadora do Beto ficava na rua Dr. Meira e Sá, 887, próximo à


Praça das Cinco Bocas. No início dos anos 2000 o playgame
contava com consoles Super Nintendo e Playstation. Em 2018,
apesar da locadora não funcionar mais, o proprietário ainda
mantém no local uma pequena loja com jogos e acessórios dos
consoles modernos.
Curiosidade: É possível ver no Google Maps a fachada da
locadora que ainda possui um letreiro pintado na parede
informando sobre os jogos e acessórios vendidos no local.

Beto Play
Fonte: Google Maps

113
Brisa Games
Ceará-Mirim
José Henrique Morais

A Brisa Games, do Sr. Jailson, funcionava na Travessa São


Sebastião, próximo ao CAIC, entre 2002 e 2009
aproximadamente. Trabalhava apenas com playgame e tinha
umas 10 máquinas, sendo elas Super Nintendo, Playstation 1 e
2. O proprietário costumava comprar o acervo em Natal e
sempre consultava os clientes sobre quais jogos comprar. GTA
foi por muito tempo um dos favoritos da clientela. Fechou
quando os clientes passaram a comprar seus próprios consoles
e deixaram de frequentar a locadora.

Prédio onde funcionava a Brisa Games


Fonte: Google Maps (2015)

114
Gil Games
Ceará-Mirim
Paulo Netto

Funcionava na rua Boa Ventura de Sá, 363, em frente à praça


Monsenhor Celso Cicco (a que fica ao lado da igreja matriz),
vizinho à sorveteria de Carmélio. Funcionou por volta de 1998
a 2010. Alugava tempo e também vendia jogos e alimentos. Era
dividida em diferentes espaços, um com XBOX/360, outro com
Playstation 2 e outro com SNES, etc. Nessa locadora havia o
famoso “Corujão”, em que os clientes podiam passar a
madrugada inteira jogando. A locadora fechou por que os
clientes começaram a adquirir consoles e deixaram de jogar lá.
Curiosidades: O proprietário atualmente gerencia uma
lanchonete chamada Gil Lanches, que fica na mesma rua. No
prédio onde era a locadora, agora funciona uma farmácia.

Prédio onde funcionava a Gil Games


Fonte: Google Maps (2011)

115
MM Games
Ceará-Mirim
Marcelo Braga (proprietário)

A MM Games funcionava na rua Vereador Rafael Fernandes


Sobral, entre os anos de 2006 a 2012, aproximadamente. Tinha
3 consoles: um Mega Drive, um Playstation e um SNES. Com a
diminuição da clientela, o proprietário resolveu transformar a
locadora em lan house, que funciona até os dias atuais.
Curiosidade: Marcelo fabrica fliperamas com jogos retrô e os
aluga para uso em festas.

Prédio onde funcionava a MM Games e Fliperama construído por Marcelo


Fonte: Google Maps (2019)

116
Genival Locadora
Ceará-Mirim
Rauze Câmara

A locadora de Genival, lá pelos anos 80 e início dos anos 90, era


muito conhecida por ser uma das maiores locadoras da cidade
de filmes em VHS. Porém, ao ver que muita gente estava
procurando jogos para alugar, ele comprou alguns cartuchos
para locação e revenda, principalmente de Atari e Nintendo. A
locadora mudou de lugar várias vezes ao longo dos anos e
quando surgiu o DVD ele já não trabalhava mais com jogos.
Curiosidades:
Já naquela época era possível fazer pedido por telefone.
Os clientes sempre se reuniam em busca de trocar jogos ou só
para conversar.

117
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Magic Games
Natal
Glidio Marcio

A Magic Games é uma das mais antigas lojas e locadoras de


games de Natal. O Sr. Manoel Romeiro era funcionário do
BANDERN e quando o banco fechou, decidiu investir em um
novo negócio: videogames, que eram a moda na época.
Começou com playgame e locação de jogos. Com o passar do

NATAL
tempo incluiu assistência técnica, vendas e eventos. A loja
funcionou de 1992 até 2016 no cruzamento da Av. Olinto
Meira, com a rua Dr. Pinto de Abreu, no bairro Alecrim.
Infelizmente, devido há dezenas de assaltos e arrombamentos
ocorridos, a direção da empresa decidiu fechar esta loja,
mesmo tendo boa clientela. Entretanto, em abril de 2015, a
Magic Games inaugurou uma loja que continua a funcionar até
os dias de hoje no Shopping Cidade Jardim, no bairro de Capim
Macio, perto do viaduto do Carrefour. A loja do shopping possui
playgame com os videogames de última geração, locação de
jogos de XBOX 360, XBOX ONE, PS3 e PS4; conta também com
assistência técnica, espaço para festas infantis, compra e vende
jogos (novos e usados). Também trabalha com card games,
board games, action figures, acessórios para games e vários
outros produtos.
Curiosidade: O nome da loja foi escolhido em homenagem ao
jogador de basquete Magic Johnson, que ilustrava a capa de um
dos jogos da época.

119
Loja da Av. Olinto Meira (fechada)
Fonte: Google Maps (2011)

Loja do Shopping Cidade Jardim


Fonte: Aline Lopes Andrade (2019)

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Start Games
Natal
Lucio Amaral

A Start Games, cuja proprietária era a Sra. Fernanda Hipólito,


ficava no cruzamento da Av. Floriano Peixoto com a rua
Mossoró, no bairro Tirol. Era um prédio bem pequeno, e por
isso trabalhavam exclusivamente com locação de jogos, pois
não havia espaço para playgame. Funcionou entre 1992 e 1998,
aproximadamente. No início trabalhavam com jogos de
Nintendo e Master System, passou pela geração do Mega Drive
e Super Nintendo, até chegar ao Playstation e N64. Devido à
pirataria, a locadora não conseguiu se manter e acabou
fechando. Vendeu grande parte do seu acervo aos clientes.
Histórias:
“Fiz amizade com o filho da dona da locadora, sempre ia na casa
dele jogar quando era criança. A amizade continua até hoje,
mais de 25 anos depois”.
“Um dia fui devolver um cartucho quase na hora da locadora
fechar, quando cheguei lá vi que não tinha nada dentro da
caixa. Tive que voltar correndo em casa para buscar o cartucho
que tinha ficado no videogame. O funcionário teve a bondade
de esperar eu voltar e entregar o jogo para não pagar multa”.
“Recentemente a Sra. Fernanda, dona da locadora encontrou
vários jogos e cartazes que ainda estavam guardados em sua
casa e doou para o Museu do Videogame Potiguar”.

121
Prédios onde funcionou a Start Games, começou no prédio da esquerda,
depois mudou para o prédio da direita.
Fonte: Google Maps

Cartuchos com etiqueta da Start Games


Fonte: Lucio Amaral (2019)

122
Virtual Games
Natal
Pedro Caldas (proprietário)

A Virtual Games funcionou entre os anos de 1997 a 2003, na


Av. Coronel Estavam, 1805, Alecrim. Tinha playgame,
negociava jogos usados, fazia manutenção de equipamentos e
vendia alimentos aos clientes. Trabalhava com Nintendo 64 e
Playstation, totalizando 6 estações de jogo. Abria todos os dias,
a partir das 9h e só fechava quando o último cliente ia embora,
por volta das 22h. Tinha pistola para jogos de tiro e cabo link
para jogatina em rede, um diferencial para a clientela. Os jogos
eram adquiridos em camelôs, às vezes pegava emprestado e
comprava se tivesse boa saída. Depois de uns dois anos, os
clientes só queriam jogar futebol, então mal comprava jogos.
Com o tempo os aparelhos começaram a dar defeito e faltavam
peças para consertar, a nova geração era muito cara. Com essas
dificuldades e o surgimento de um problema de saúde do
proprietário, fizeram com que ele decidisse fechar a locadora.
Vendeu parte do acervo e outras coisas foram para o lixo.
Histórias:
“Certa vez um garoto que estava esperando a vez de jogar, não
aguentou e mijou na roupa. O pessoal apelidou ele de João
Mijão.”
“Quando lançou Resident Evil 3, ninguém da locadora se
interessou, joguei sozinho, depois vendi o CD pra não ficar no
prejuízo”.

123
Dell Games
Natal
Wendell Jefferson (proprietário)

A Dell Games funcionava na rua João Rodrigues, 120, no bairro


Igapó. Funcionou entre os anos 1995 e 2008. Passou pelas três
primeiras gerações do Playstation e também teve fliperamas.
Tinha um grande acervo de revistas que os clientes podiam
consultar e opinar sobre os jogos a serem adquiridos. Os jogos
dos fliperamas variavam de tempos em tempos, mas o King of
Fighters 97 era um dos favoritos e foi o que durou mais tempo.
Quando as lan houses se popularizaram, a clientela caiu e
acabaram fechando.
Curiosidades: Quando o cliente zerava algum jogo difícil,
ganhava uma hora grátis. Os fliperamas eram colocados na
calçada durante o horário de funcionamento e de volta para
dentro de casa quando fechava (que trabalheira!).

Fliperamas na calçada da Dell Games


Fonte: Wendell Jefferson

124
Eletronic Games
Natal
Glidio Marcio

A Eletronic Games funcionava até 2015, aproximadamente, na


Rua Presidente José Bento, 567, no bairro Alecrim. Possuía
playgame desde a época do SNES, passando por PS1, PS2, PS3,
XBOX 360, etc. Também vendia jogos e acessórios, e tinha
assistência técnica. Atualmente, no local, funciona outra loja de
games chamada Alternativa Games, que é do mesmo
proprietário, porém funcionava em outro endereço. A
Alternativa é focada em vendas de games, action figures,
camisetas e muitos outros itens de cultura pop.

Fachada da Eletronic Games


Fonte: Google Maps (2012)

125
Caverna Game / Tela Game / Brasil Game
Natal
Neilton Wozon Barbosa Brasil (proprietário)

O Sr. Neilton é considerado um dos primeiros proprietários de


locadora de Natal. Iniciou sua história com games por volta de
1992, quando era proprietário de uma cigarreira no bairro
Alecrim. O primeiro console foi um Atari e o tempo de jogo era
brinde para quem comprava balas. Mas logo percebeu que a
fila para jogar no Atari só crescia, então largou as balas e
comprou mais videogames. Entre 1992 e 2005, a locadora
mudou de endereço e de nome algumas vezes, passando por
praticamente todas as gerações: Atari, NES, Master, Mega,
SNES, N64, Game Cube, Dreamcast, PS1, PS2, Xbox/360 e até
Gameboy. Alugava jogos e consoles, fazia manutenção,
negociava usados, e vendia alimentos para os clientes. Adquiria
o acervo em lojas de Natal mesmo, sempre consultando os
clientes para saber suas preferências. Com o passar dos anos,
os aparelhos ficaram bem mais caros e o lucro já não era tão
bom, juntando isso ao cansaço de tantos anos no mesmo
negócio, o Sr. Neilton fechou a locadora, mas conservou com
ele boa parte do acervo. Atualmente ele trabalha na CAERN.

126
Combate Games
Natal
Glidio Marcio

A Combate Games, do Sr. Roberto, funcionava na Rua dos


Caicós, no Alecrim. Era a maior locadora da zona oeste de Natal.
Tinha cerca de 25 aparelhos, a maioria com TVs de 29
polegadas. Uma das paredes da locadora era totalmente
coberta com caixas de jogos decorando o ambiente. O acervo
da locadora era principalmente importado do Paraguai,
inclusive revendia jogos para outras locadoras de bairros mais
distantes. Depois de um tempo, o proprietário começou a
substituir as TVs e introduzir máquinas de fliperama fabricadas
sob encomenda, sendo que dentro da máquina havia um Super
Nintendo e o jogador podia escolher usar o controle tradicional
do SNES ou a alavanca e botões do fliperama.

127
Locadora do Marcílio
Natal
Will Maia

A locadora do Marcílio ficava na Rua Dr. Plácido de Castro,


bairro Pitimbu. Funcionou na casa do proprietário entre 1997 e
2005 aproximadamente. Tinha 4 consoles, sendo um SNES, um
N64 e dois PS2. Além do playgame, também realizava locação
de jogos e consoles para levar para casa, bem como a
manutenção de equipamentos.
Curiosidade:
Os clientes costumavam trocar dicas e códigos dos jogos por
um tempinho com o controle na mão.

128
Hot Game
Mossoró
Jonathan Pereira, José Aoem, Sebastião Alves, Morais
Filho

A Hot Game foi a locadora pioneira em Mossoró. Funcionou


entre os anos de 1990 e 2000, aproximadamente. Ficava ao
lado das caixas d’água da rua Pedro Velho, pertinho do
Seminário Santa Terezinha e Colégio Diocesano. O Sr. Ricardo
Falcão, proprietário, fazia questão de ter todas as novidades,
tanto em jogos quanto em aparelhos. Praticamente todos os
consoles das gerações, 8, 16 e 32 bits estavam disponíveis no
enorme playgame, que tinha cerca de 15 aparelhos, incluindo
o Neo Geo AES, Atari Jaguar, 3DO, Sega CD, além dos mais

MOSSORÓ
populares SNES, Mega Drive, etc. Além de poder jogar na loja,
também era muito forte a parte de locação para levar para
casa, pois haviam promoções como a de alugar 3 jogos na sexta
e devolver na segunda. A Hot Game foi referência para a
maioria das locadoras que surgiram nos anos 90, inclusive
vendia material para muitas dessas locadoras de bairro. Com o
aumento da pirataria, não havia mais mercado para locação,
então o acervo foi vendido e a locadora fechou.
Depoimentos:
“Sinto muita falta do tempo que meu pai reservava para levar
a mim e meu irmão nos sábados à tarde para podermos jogar.
E no sábado pela manhã, logo após concluir as provas no
Diocesano, saía pra jogar um pouco lá.” (Jonathan Pereira)
“A primeira vez que entrei na Hot Game, Ricardo, o dono,
estava jogando Streets of Rage do Mega Drive com o
129
videogame conectado num sistema de som. O som do jogo
estava alto e límpido. Nunca vou esquecer.” (José Aoem)
“No tempo do Super Nintendo, você passava mais tempo
esperando para jogar do que jogando. Também ficavam várias
pessoas (incluindo eu) esperando os outros jogarem para pedir
pra jogar de dois ou ensinar a passar de alguma fase, os
famosos godelas.” (Sebastião Alves)
“A Hot Games era a locadora de luxo da cidade. Era dessa forma
que chamávamos, pois nela conheci o fenomenal Neo Geo,
SEGA CD e outros consoles que ainda não tinha visto aqui na
cidade. Sentar e colocar o controle do Neo Geo no colo, foi
demais, pois é estilo controle arcade, com a marcha e botões
grandes. Lá, além de ser bem legal e ter muitos consoles, era
climatizada; qualidade diferenciada para o período. Pegávamos
as bicicletas e íamos felizes da vida jogar lá.” (Morais Filho)

Prédio onde funcionou a Hot Game


Fonte: Google Maps (2011)

130
Game Visão
Mossoró
Lauro Mendonça (proprietário), Andréa da Rocha
Freire (funcionária), Morais Filho (cliente)

O Sr. Lauro foi pioneiro em Mossoró a trabalhar com locação de


filmes em VHS. Sua locadora, a Visão Vídeo era referência na
cidade. Quando surgiram as primeiras locadoras de games, o Sr.
Lauro percebeu uma boa oportunidade de negócios e montou
um playgame e locadora de games ao lado da locadora de
filmes. Ficava no cruzamento da rua Frei Miguelinho com a Av.
Rio Branco. Era um ambiente diferenciado, com móveis
projetados, ar condicionado, consoles modernos e os jogos
mais populares. Já na época do PS2, a locadora mudou para o
Shopping Boulevard, mas nessa mudança o playgame acabou e
eles passaram a trabalhar apenas com locação. Já na época do
PS3, Sr. Lauro optou por não continuar com o negócio de
games, pois estava se dedicando a trabalhar com eventos e
equipamentos de home theater.
Depoimentos:
“Foi um tempo muito prazeroso, muito feliz. Era um tempo
inocente, os pais deixavam os filhos lá para brincar sem
preocupação. Nós trabalhávamos com locação de jogos, venda
de videogames, brinquedos dos cavaleiros do zodíaco e
Pokémon, entre outros. Funcionava todos os dias. Era um
ambiente climatizado e games que só tinha em nossa loja.
Ficávamos esperando o fim do mês para pegar as revistas e ver
os jogos, os códigos, os segredos. Fazíamos competições sadias
entre nós mesmos. Quem não foi criança naquela época não

131
sabe como era bom. Tinha também adolescentes e adultos,
mas era muito diferente de hoje. Era um ponto de encontro dos
amigos.” (Andréa da Rocha Freire)

“Lembro de um garoto que gostava tanto do Super Mario que


pediu a mãe dele para fazer uma roupa igual à do personagem.
A mãe não quis fazer e quando o garoto estava na locadora,
agarrou na minha perna e pediu que eu convencesse sua mãe
a dar a roupa que ele tanto queria.” (Lauro Mendonça)

“Ia muito na Game Visão com meu amigo Magno. Até hoje
conversamos sobre esse tempo e sobre os detalhes da
caminhada até a locadora. Íamos por cima da Linha do Trem
andando e brincando.
Quando chegávamos na Game Visão, deparávamos com um
lugar extremamente divertido. Climatizada e com muitos
consoles. Ela trazia uma estrutura que só aumentava minha
alegria e a dos meus amigos: muitos videogames e jogos.
Quem nos atendia era Andréa, funcionária da locadora de
filmes que migrava seu trabalho pra locadora de games. Pessoa
sorridente e muito atenciosa. Ficava preocupada quando
chovia e o frio da chuva juntamente com o ar-condicionado
deixava os consoles molhados correndo o risco de serem
danificados, assim, Andréa, muito cuidadosa, corria pra
enxugar. A Game Visão ficou marcada em meu coração.”
(Morais Filho)

132
Nicol Games
Mossoró
Alex Nicol (proprietário), Morais Filho

A Nicol Games foi uma das locadoras de bairro pioneiras de


Mossoró. No início dos anos 90, funcionou na rua Padre João
Urbano, 54, rua situada ao lado da igreja do Alto da Conceição.
Depois de muitos anos, a locadora mudou por um tempo para
a rua Joaquim Nabuco, no bairro Belo Horizonte, mas depois
retornou ao local de origem. O sr. Alex Nicol gostava de jogos
desde o tempo do Odyssey, Atari 2600, TK, MSX. Ele
colecionava revistas de games e daí veio a ideia de montar a
locadora. No início não tinha muito dinheiro para investir,
começou simples, com apoio dos pais, mas a clientela cresceu
tão rápido que tinha dias de chegar gente às 6h da manhã para
marcar hora pra jogar de noite. O acervo era adquirido em São
Paulo, variando desde o Nintendo 8 bits, Mega Drive, passando
pelo Super Nintendo, Sega Saturn, e demais consoles até o PS3.
Chegou a comprar vários materiais da Hot Game quando ela
fechou. Eram constantes os campeonatos desde o início da
locadora, entre os jogos estavam: Super Volleyball do Mega
Drive, Mario Kart e Street Fighter II do SNES, e muitos outros
jogos, inclusive futebol. Os prêmios para os campeões eram
horas grátis na locadora. Quando o movimento começou a
diminuir, passou a fazer promoção que dava uma hora grátis
quando o cliente acumulava certa quantidade de horas pagas.
Também trabalhou um tempo com lan house, já perto do
fechamento. Guardou o acervo da locadora por muitos anos
como uma coleção pessoal, mas acabou vendendo a maior
parte por falta de espaço.

133
Histórias (por Alex Nicol):
“Um cliente chamado Gargamel conseguiu o fato inédito de
perder no Mortal Kombat jogando contra um segundo controle
que não tinha ninguém. Ele estava tentando fazer um fatality,
aí o segundo controle estava com um botão enganchado, o
boneco ficou dando soco sozinho e ele perdeu a luta sem
ninguém estar controlando”.
“Certa vez eu precisei colocar um console ligado numa mini-TV
de 5 polegadas, aquela que tinha um rádio acoplado, por que o
pessoal queria jogar e não tinha mais nenhuma TV vaga”.
“Já perto do fim da locadora, começaram a aparecer uns
garotos meio suspeitos, jeito de pilantra. Um dia estavam
jogando aí eu dei uma saída rápida para ir no banheiro, quando
voltei, o relógio que eu marcava as horas havia sumido. Aí tirei
onda dizendo: rapaz, tanta coisa pra pegar, levar logo o relógio
que eu marco o tempo! Eles devolveram o relógio e
continuaram lá jogando...”.
Depoimento (por Morais Filho):
Em meados de 1992 pra 1994, eu, em casa, mais ou menos
umas 19h30 da noite, recebo a visita do meu amigo e vizinho,
Magno, que, eufórico, diz: “Morais, Morais! Abriu uma
locadora de vídeo games atrás da igreja!”. Assim, de prontidão,
visto uma camisa, calço o chinelo e, muito emocionado, vou
com ele e mais 3 amigos e vizinhos, Junior, seu irmão, e os
irmãos Ferreira e Gledson, conhecer a tal locadora que se
chamava “Nicol Games”, de Alex Nicol, de quem sou amigo até
hoje.

134
Lembro muito bem da gente saindo em direção ao lugar que
mudaria nossas vidas e rotina na pré-adolescência,
adolescência, dias atuais e vindouros. Chegando à esquina do
quarteirão em que ela ficava, ouvimos a trilha sonora daquele
que seria meu primeiro jogo a jogar numa locadora e que, até
então, só tinha ouvido falar: Sonic, do Mega Drive.
No caminho, íamos conversando sobre o que poderíamos
encontrar lá: tipos de games, consoles e, principalmente, sobre
a felicidade de saber que tínhamos uma locadora pra jogar. A
frase mais comum era: “ei, eu não acredito que agora podemos
jogar numa locadora de vídeo games!”
Ao entrar lá na Nicol Games, avistamos vários amigos da escola,
vídeo games que não conhecíamos ainda, trilhas sonoras
cativantes, a turma empolgada com a novidade, alguns já com
revistas sobre jogos contendo segredos de fases e muito
entusiasmo por parte de todos. Um novo mundo chegou pra
gente.
Foi uma das melhores experiências que tive na vida. Ao chegar
minha hora de jogar, escolho o Mega Drive. Recordo-me que
nessa época ainda não tinha Super Nintendo – console já
existente, porém, não havia na locadora. Ainda no local, vimos
cartazes de jogos nas paredes, cartuchos nas gavetas do balcão
e prateleiras, o barulho das conversas, controles e... enfim, para
eu e meus amigos, estávamos num pedaço do céu.”

135
Casa onde funcionava a Nicol Games
Fonte: o autor

136
House Game
Mossoró
Erian Marcolino (proprietário), José Bezerra Neto
Segundo (cliente)

O Sr. Erian Marcolino tinha uma lanchonete no INSS e iniciou


sua locadora com apenas dois consoles: um Master System e
um Nintendo, sendo uma das TVs emprestada. Em poucos
meses, o negócio estava indo muito bem e com o lucro da
locadora conseguiu comprar um Super Nintendo e outra TV.
Um tempo depois conseguiu ampliar ainda mais a locadora
adquirindo 4 aparelhos com o valor de uma moto que tinha
vendido. Os clientes começavam a chegar cedo, 6h da manhã
já estavam chamando na porta e ficavam por lá até tarde da
noite. Eram tantos meninos para jogar que tinham que marcar
hora de manhã para jogar no fim da tarde. Alguns vinham da
escola por volta do meio dia e ficavam por ali mesmo a tarde
inteira. A empolgação nas conversas sobre os jogos era tão
grande que chegavam até a esquecer as bicicletas na locadora,
voltavam para casa a pé. As bikes eram guardadas pelo Sr. Erian
e devolvidas aos donos no dia seguinte (após as chineladas das
mães). A House Game estava localizada na avenida Rio Branco,
ao lado do Vuco-Vuco. Funcionava um local amplo e ventilado
que chegou a ter cerca de 14 consoles, entre eles: PS1, PS2,
N64, Saturn, Dreamcast e Sega CD. Funcionou entre os anos de
1994 e 2006, aproximadamente. Além do playgame também
vendia consoles e jogos, alugava consoles e jogos pra levar pra
casa, vendia alimentos, etc. Quando o movimento da locadora
começou a diminuir, o proprietário colocou alguns
computadores com internet para os clientes acessarem, passou

137
a vender material de papelaria, fardamento escolar, entre
outras coisas. Atualmente trabalha o Sr. Erian trabalha com
serviços diversos como de cópias de chaves, xerox, etc.
Curiosidade: O Sr. Erian está concluindo o curso de graduação
em Direito, um sonho de longa data.

Fachada do prédio onde funcionava a House Game


Fonte: Google Maps (2018)

Abrahão e Erian
Fonte: o autor

138
Action Lan House
Mossoró
Aristóteles S. Morais (proprietário)

A Action Lan House, funciona até os dias de hoje na Rua Sauipe,


05, Bairro Redenção. Iniciou suas atividades em 1998,
completando 20 anos de existência. Ao longo desse tempo
trabalhou com praticamente todas as gerações de console:
NES, SNES, Master System, Mega Drive, todos os Playstation e
XBOX. Tinha playgame, locação de consoles e jogos para levar
pra casa, manutenção de equipamentos e venda de alimentos
para consumo dos clientes. Parte do acerto foi adquirido na Hot
Game, uma das locadoras pioneiras da cidade. Com o passar do
tempo, alguns consoles deram lugar à computadores e passou
a oferecer outros serviços como impressão de documentos. A
maioria dos jogos antigos foram vendidos, mas alguns ainda são
conservados com o proprietário. A loja ainda possui consoles
no playgame, contando com PS3, XBOX 360 e XBOX ONE.

139
Fachada da Action Lan House
Fonte: Aristóteles S. Morais (2018)

Interior da Action Lan House, PCs à esquerda, consoles à direita.


Fonte: Aristóteles S. Morais (2018)

140
Eduardo Games
Mossoró
Renato Luiz de Souza (proprietário)

Funcionava na Rua Major Romão, 126, no bairro Alto da


Conceição, entre os anos de 2005 e 2010. Os consoles ficavam
na garagem e na sala da casa. Trabalhava exclusivamente com
Playstation 1 e 2. Oferecia locação de tempo e venda de
alimentos para os clientes. Quando o movimento começou a
diminuir, passou a alugar jogos e consoles para levar pra casa.
O acervo era adquirido na Televideo, uma conhecida eletrônica
da cidade, ou através de lojas na internet. Boa parte do acervo
foi vendido, mas alguns itens ainda estão com o proprietário.
Fechou devido à baixa clientela que migrou para as lan houses.
Curiosidade: Na época em que o movimento já estava fraco, os
joysticks estavam ruins por falta de manutenção, e o
proprietário tinha que controlar constantemente as brigas dos
clientes que queriam pegar os melhores controles.

Fachada da casa onde funcionava a Eduardo Games


Fonte: Google Maps (2018)

141
Flexx Games
Mossoró
Jonathan Pereira

Funcionava no cruzamento da Rua Juvenal Lamartine com a


Rua Dr. João Marcelino, próximo à Curral veterinária. Não tinha
playgame, apenas alugava jogos para levar pra casa. Alugava
jogos de Nintendo e outros sistemas.
Curiosidade: Atualmente funciona um laboratório de análises
clínicas no prédio onde era a locadora.

Prédio onde funcionava a Flexx Games


Fonte: Google Maps (2018)

142
Tatu Games
Mossoró
Sandoval Dantas (proprietário), Jefferson Rodrigues

A Tatu Games, locadora do Sr. Sandoval Dantas, ficava no


cruzamento da rua Paulo de Albuquerque com a Padre Elesbão,
no bairro Boa Vista, entre os anos de 2004 a 2013. Começou
com dois Playstation 2, e pouco tempo depois o proprietário
comprou mais dois. Quando foi lançado o Playstation 3,
também foram adquiridos dois consoles e um tempo depois
mais dois, totalizando 8 consoles no auge da locadora. Com o
passar do tempo, os PS2 foram retirados, ficando apenas os
PS3. Normalmente a locadora abria às 7:00h da manhã, mas
antes disso já haviam garotos esperando na porta. Funcionava
até as 23:00h, e quase sempre havia corujão, com os clientes
virando a noite na locadora. O acervo era adquirido em sites
como Shoptime e Americanas, sempre levando em
consideração os pedidos dos clientes. Aqueles que jogavam
mais de 10 horas por semana, ganhavam duas horas bônus,
motivo de sobra para ser um cliente fiel. Era uma das poucas
locadoras na região, então não havia concorrência direta. O Sr.
Sandoval trabalha desde aquela época como bombeiro, e
acabou fechando a locadora por não ter quem tomasse de
conta e por conta da popularização da tecnologia que permitiu
os clientes terem seus próprios consoles.
Curiosidades: O nome “Tatu” se deve ao fato do local onde ela
ficava, ser conhecido como “Buraco do Tatu”.
Os garotos que jogavam futebol gritavam como se estivessem
realmente em um estádio. Era uma barulheira tremenda!

143
Prédio onde funcionou a Tatu Games
Fonte: Sandoval Dantas (2019)

Interior da Tatu Games


Fonte: Sandoval Dantas (2019)

144
AZ Games
Mossoró
Cláudio Azevedo (proprietário), Michel Diego (cliente)

A AZ Games, do sr. Claudio Azevedo, funcionava na rua


Benjamin Constant, 914, bairro Boa Vista, por volta de 2002 a
2008. Tinha 5 consoles no playgame, todos Playstation 2 e
trabalhava exclusivamente com locação de tempo. Estava
sempre lotada de gente, pois não havia outra locadora por
perto. A galera ia para conversar e olhar os outros jogando, era
um ponto de encontro do pessoal e nem se importava se não
tinha vaga para jogar. O proprietário costumava perguntar aos
clientes quais jogos eles queriam que comprasse para a
locadora, os preferidos eram Futebol e Need For Speed. Tinha
uma promoção que dava uma hora grátis quando o cliente
completava 10 horas pagas. O sr. Cláudio tinha outro trabalho,
e durante um tempo um cliente chamado Thiago passou tomar
conta da locadora no período da manhã, mas como o dono não
estava conseguindo conciliar, teve que fechar. A maioria dos
jogos foram doados e os aparelhos vendidos.
Curiosidades:
O nome AZ games vem do sobrenome do proprietário:
Azevedo.
A locadora era ponto de encontro para o pessoal que ia jogar
futsal na quadra do colégio Gurilândia.

145
Histórias:
“Tinha um garoto que sempre ia jogar muito sujo, fedendo, o
pessoal ficada tirando onda com ele, dizendo que estava
cagado”. (Cláudio Azevedo)

Depoimento:
“Sinto muita falta das amizades que foram construídas. O
ambiente era apenas alegria, onde as pessoas esqueciam seus
problemas do dia a dia e estavam lá para se divertir”. (Michel
Diego)

A AZ Games funcionava nessa portinha estreita à esquerda


Fonte: Google Maps (2011)

146
Rosivaldo Games
Mossoró
José Bezerra Neto Segundo

A locadora de Rosivaldo ficava na Rua Nilo Peçanha, 867, no


bairro Barrocas. Trabalhava principalmente com Super
Nintendo e Playstation. O diferencial dessa locadora era o
acervo de jogos RPG, como Chrono Trigger, por exemplo.
Curiosidades: O proprietário tinha muito cuidado com os saves
dos cartuchos de RPG, inclusive alguns títulos tinha uma cópia
para jogar na loja e outra cópia do mesmo jogo para alugar, pra
que ninguém perdesse seu progresso. Ele guardava o jogo para
o cliente que estava tentando zerar o RPG e não alugava a
outras pessoas.

Fachada da casa onde funcionava a locadora de Rosivaldo


Fonte: Google Maps

147
Beto Games
Mossoró
José Bezerra Neto Segundo

A Beto Games ficava na Av. Alberto Maranhão, 3591, bairro


Barrocas. Funcionava numa casa muito pequena que só tinha a
porta de entrada, sem janelas. Os principais consoles eram
Playstation 1, 2 e 3.

Curiosidade: Apesar de pequena, o acervo de jogos era


enorme, pois o dono era um entusiasta, tinha de tudo, inclusive
muitos RPGs.

Fachada da casa onde funcionava a locadora do Beto


Fonte: Google Maps

148
Top Game (Locadora de Claudimar)
Mossoró
Felipe Estefano, Rosany Gomes

Funcionava na Rua General de Gaulé, em frente ao colégio


municipal Alcides Manoel de Medeiros, no bairro Redenção,
entre os anos de 1997 e 2009, aproximadamente. Era um
espaço amplo, com vários pôsteres de games nas paredes.
Tinha playgame e também trabalhava com locação de jogos e
consoles (SNES, N64, PS1, PS2, XBOX), vendia alimentos e
alugava filmes em VHS e DVD. Alguns dos jogos mais populares
eram Donkey Kong Country, Bomberman, Mario, Toy Story e
Rayman. Nos fins de semana haviam campeonatos,
principalmente de futebol, para animar os clientes. Com a
diminuição da clientela, o proprietário, Sr. Claudimar, resolveu
transformar o local em uma lan house, algo que estava fazendo
sucesso na época.

Prédio onde funcionou a Top Game


Fonte: Google Maps (2011)

149
Super Games
Mossoró
Aldivan Aldo

A Super Games, do Sr. Sérgio, funcionava na sala de uma


residência que ficava na Rua Frei Miguelinho, no bairro Nova
Betânia, próximo ao Bar da Cruz. Durou de 1993 a 1995,
aproximadamente. Tinha um playgame com 5 Super Nintendo
e 1 Turbo Game (Nintendinho).
Histórias:
“Meus pais não deixavam eu ir na locadora, por que achavam
que era algo ilegal, mas eu ia escondido. Tinha uma senhora
que morava em frente que quando me via entrando lá, corria
para contar a minha mãe, que vinha e me puxava pela orelha
até em casa.”
“Na locadora tinha uma regra que se derrubasse o controle
perdia 15 minutos. Um garoto chegou e pagou 15 minutos e
derrubou o controle assim que pegou nele. Ou seja, pagou e
não jogou.”
“Uma vez, eu e um amigo fomos pra lá de tarde, jogar
escondidos, e perdemos a noção do tempo. Quando vimos já
era de noite. Ao voltar pra casa, a avó do meu amigo, que
também não deixava ele jogar lá, correu o quarteirão inteiro
tentando pegar ele, que fugiu pra não apanhar. E ela ficou
gritando: ‘Pode fugir, cabra safado, uma hora você vai ter que
voltar!’”.

“O dono da locadora quando via eu e meu amigo entrar, dizia:


Vocês aqui de novo? Não cansam de apanhar?”
150
Narcélio Games
Mossoró
Rubens de Maria

A locadora de Narcélio funcionava inicialmente na av.


Presidente Dutra, e trabalhava principalmente com SNES. Por
volta de 2005 mudou-se para a esquina da Rua 2 de Maio com
a R. Chico Linhares. Na época dessa mudança passou a
trabalhar só com Playstation 1 e 2. Tinha cerca de uns 10
consoles no playgame e vendia lanches para os clientes.
Sempre rolava campeonatos de futebol e brigas de quem
perdia. Quando as lan houses começaram a se popularizar, a
clientela caiu e a locadora fechou, por volta de 2007.
Histórias:
“A locadora funcionava no prédio que era da minha avó.
Quando o dono da locadora atrasava o pagamento do aluguel,
minha avó mandava eu e meu irmão ir lá jogar o dia inteiro pra
descontar no valor”.
“Uma vez, dois meninos chegaram pra jogar, mas estavam tão
sujos que o dono mandou eles tomarem banho no banheiro da
locadora antes de poder pegar no controle e sentar nas
cadeiras”.
“Lembro de um senhor idoso que sempre passava em frente a
locadora e que tinha muita raiva de quem imitava som de peido
perto dele. Um garoto decidiu irritá-lo, fazendo o som. O
homem entrou na locadora com um pau na mão querendo
bater na gente e corremos pro banheiro. Quando saímos ele

151
ainda estava lá, e foi uma correria, derrubando controles e
consoles para fugir dele.”

Prédio onde funcionou a Narcelio Games


Fonte: Google Maps (2011)

152
Rita Locadora
Mossoró
Walter Lucas

A locadora de Rita funcionava na rua Benício Filho, na Ilha de


Santa Luzia, entre 1999 e 2009, aproximadamente. Chegou a
ter uns 15 consoles, entre SNES, PS1, PS2. Havia vários cartazes
de jogos nas paredes e expositores com as caixas dos jogos de
Play e SNES. Os favoritos eram: Super Mario World,
Bomberman, Donkey Kong, Winning Eleven, GTA, Twisted
Metal, etc. Lá vendia salgadinhos, picolés e sorvetes para os
clientes. Quase no fim da locadora, a proprietária começou a
alugar os jogos, pois o movimento já estava fraco. Também
passou a vender roupas e acabou seguindo esse ramo,
transformando a locadora em loja de confecções. O acervo foi
todo vendido.
Histórias:
“Rita marcava o tempo usando o Timer da TV. Alguns garotos
adicionavam mais tempo mexendo nos botões da TV quando
ela não estava olhando”.
“Um amigo que trabalhava lá, sabia todos os códigos do GTA e
vendia para os garotos que jogavam. Também tinha um
memory card com as cartas mais fortes do Yu-Gi-Oh! Copiava
pra quem quisesse por apenas 25 centavos”.

153
Casa onde funcionava a locadora de Rita, hoje loja de roupas.
Fonte: Walter Lucas (2019)

154
Nonato Games
Mossoró
José Aoem

A Nonato Games era uma locadora simples, funcionava em um


cômodo de uma casa, na rua Felipe Camarão, bairro Boa Vista,
bem em frente de onde atualmente é a agência dos Correios.
Tinha um playgame com 4 Super Nintendos e vivia lotada de
garotos. Era tanta gente querendo jogar que ao abrir pela
manhã o pessoal já marcava hora até o fim do dia. Quando não
se conseguia jogar lá, havia a opção de alugar um console e
jogos para levar pra casa, mas só alugava para clientes
conhecidos, na confiança, não fazia nem cadastro. O dono
costumava viajar para Caruaru-PE para compra jogos e sempre
tinha novidades na locadora e também revendia para seus
conhecidos. Sempre perguntava aos clientes quais jogos eles
queriam e os garotos mostravam a ele as revistas que tinham
os lançamentos do momento. Foi uma das pioneiras do bairro,
então não havia grande concorrência. A locadora fechou por
que o dono conseguiu um trabalho em uma empresa e não
tinha mais tempo de cuidar do negócio. Acabou vendendo todo
o acervo.
Curiosidades:
A locadora funcionava de domingo a sexta. No sábado era
fechada por que o dono era da Igreja Adventista.
Também fechava cedo, por volta das 19h, mas o pessoal ficava
na calçada em frente, conversando sobre os jogos.

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Vez por outra tinha campeonato de Street Fighter onde os
prêmios eram 5 dindins ou uma hora grátis.
Histórias:
“Eu chegava da escola, almoçava, e ia correndo pra locadora.
Chegava lá às 13:00h e só saía quando minha mãe ia me
buscar”.
“Uma vez os garotos estavam falando sobre um jogo
lançamento e Nonato disse que já tinha visto em Caruaru.
Ninguém acreditou nele. Mas uns dias depois lá estava o jogo,
para espanto de todos”.

Casa onde funcionava a Nonato Games (na época não tinha o primeiro andar)
Fonte: Google Maps (2019)

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Top Game (Boa Vista)
Mossoró
José Aoem

A Top Game funcionou em dois locais diferentes na rua


Francisco Solon, no bairro Boa Vista, primeiro num pequeno
cômodo na casa do dono; um tempo depois, já perto de fechar,
mudou para um prédio um pouco maior na mesma rua. Durou
de 1993 a 1998, aproximadamente. Tinha playgame e alugava
jogos de Master System, Mega Drive, Super Nintendo e
Playstation. Abria todos os dias da semana, das 8:00 às 18:00h.
O dono sempre perguntava aos clientes quais jogos comprar
para a locadora.
Histórias:
“Um dia fui da escola direto pra locadora, levei na bolsa várias
revistas de games pra mostrar ao dono e ele queria ler todas.
Me deixou jogar de graça a tarde inteira enquanto lia minhas
revistas”.

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Casa onde funcionou a Top Game por vários anos
Fonte: Google Maps (2012)

Prédio onde a locadora passou a funcionar antes de fechar


Fonte: Google Maps (2012)

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Rommel’s Lan
Mossoró
Eric Gonçalves (cliente)

A Rommel’s Lan funcionava na Rua Mario Paula, no conjunto


Vingt Rosado. Tinha dois consoles Playstation e PCs com acesso
à internet e jogos em rede. Quanto o movimento estava maior,
o dono instalava um terceiro console numa TV pequena. Cada
hora paga dava direito a um cupom para concorrer a sorteios.
Além de alugar tempo, também vendia comidas para os
clientes e fazia manutenção em computador. O dono
costumava consultar os clientes sobre quais jogos comprar e
Guitar Hero, GTA San Andreas, Need For Speed Underground 2,
Dragon Ball e Naruto eram alguns dos títulos mais jogados.
Entre as regras da locadora havia aquela de perder tempo se
derrubasse o controle, também não podia girar os analógicos
com força. Na parte dos PCs, a galera curtia Counter Strike, e
foi preciso colocar divisórias tampando a visão do PC do lado,
pois o pessoal queria olhar onde o adversário estava para ter
vantagem. Os códigos de trapaça do GTA ficavam numa folha
colada nessa divisória, facilitando a vida de quem fosse jogar.
Vez ou outra havia confusão quando alguém marcava para
jogar numa máquina e outra pessoa tomava o lugar, ou quando
alguém apagava o save do jogo de outra pessoa. Durou entre
2004 e 2011, aproximadamente. Houve um assalto, os donos
ficaram com medo e acabaram fechando o estabelecimento.

Histórias:

“Certa vez ganhei 20 reais num sorteio, mas acabei devolvendo


tudo para o dono pagando horas para jogar”.

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“A galera de lá odiava quem queria jogar com tempo aberto,
por que ficavam sem saber a hora que iam poder jogar.”

“Lá tinha uns garotos que ficavam só na ‘godela’, de vez em


quando pedindo à pessoa que tinha pago pra jogar que deixasse
ele colocar um código, ou mostrar um segredo. Acabavam
ficando por lá horas e horas, jogando de vez em quando uns
minutinhos de graça.”

Prédio onde funcionou a Rommel’s Lan


Fonte: Google Maps (2011)

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Locadora de Marajá
Mossoró
João Isaías

A locadora de Marajá (apelido do proprietário), era localizada


no bairro Belo Horizonte. Funcionou entre 1996 e 2001. Abria
das 8:00h às 22:00h, com um detalhe: não fechava para o
almoço. Trabalhava com locação de jogos para levar pra casa e
tinha playgame, além de vender lanches para os clientes.
Chegou a ter consoles Atari, Nintendo 8 bits, Super Nintendo,
Nintendo 64 e Playstation. Era praticamente a única locadora
do bairro na época, por isso não costumava fazer promoções,
pois sempre tinha cliente. Marajá consultava alguns clientes
mais próximos sobre quais jogos comprar, entre os mais
jogados estavam Bomberman, Zelda, Castlevania, Final
Fantasy, etc.
Curiosidades:
O proprietário atualmente trabalha como Moto Taxista.
Histórias:
“Uma vez eu e meu irmão estávamos jogando num Atari 2600,
e quebramos a alavanca do joystick. Ficamos muito nervosos, e
como o dono não estava lá, saímos correndo da locadora.”

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Jaspion Game
Mossoró
Alysson Almeida

A Jaspion Game ficava na Rua Chico Linhares, no Alto São


Manoel, em frente aonde atualmente funciona o Acapulco’s.
Funcionou entre 1993 e 1996, aproximadamente. Tinha
playgame com Master System, Mega Drive e Super Nintendo,
sendo 4 consoles no total. Não alugava jogo por que na época
eram poucas pessoas que tinham videogame em casa.
Curiosidades:
O nome da locadora é inspirado nas séries japonesas que
fizeram muito sucesso na década de 90, na TV Manchete,
principalmente.
Histórias:
“Eu e meus primos comprávamos pastel antes de ir jogar na
locadora e quando pegávamos no controle, ficava todo melado.
O dono tinha raiva e já botava cara feia quando a gente chegava
lá”.
“Outra vez roubaram a bicicleta do meu primo, ele saiu da
locadora chorando, aí quando chegou em casa, viu que a
bicicleta estava lá. Tinha sido meu outro primo que tinha levado
embora”.

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Space Game
Mossoró
Kleber Wender

A Space Game, do Sr. Rondinele, ficava no bairro Planalto 13 de


Maio, próximo ao Supermercado Cortez. Funcionou de 1994 a
2001, aproximadamente, com um playgame e locação de jogos.
No playgame eram 5 consoles, divididos entre Super Nintendo
e Playstation.
Curiosidades:
Era uma das poucas locadoras de bairro que não abria aos
domingos. Nos outros dias da semana funcionava até as 21h.
Tinha um cliente que todos os dias passava lá pra jogar Sailor
Moon.

Prédio onde funcionou a Space Game


Fonte: Google Maps (2011)

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SOBRE O AUTOR

Abrahão Christophe Bezerra Lopes


possui graduação e mestrado em
Ciência da Computação pela UERN e
UFERSA. É professor efetivo do Instituto
Federal do Rio Grande do Norte,
campus Mossoró, desde 2009. Ministra
disciplinas de algoritmos, lógica de
programação, programação orientada a
objetos, programação web, banco de
dados, engenharia de software, entre outras. Nasceu em
Mossoró - RN, mas passou a maior parte da infância e
adolescência em Ceará-Mirim - RN, além de cursar o ensino
médio na cidade de Natal - RN. Fã dos jogos eletrônicos desde
a primeira idade, escreveu sua monografia da graduação sobre
desenvolvimento de jogos para dispositivos móveis, e em sua
dissertação do mestrado desenvolveu um jogo didático para o
ensino de programação. Por alguns anos esteve à frente do
projeto Museu do Videogame de Mossoró, realizando
exposições abertas ao público, participações em programas da
televisão local e publicações em sites e revistas eletrônicas.
Casado, pai de uma menina e um menino, divide o tempo livre
entre passeios com a família, igreja, livros, séries, filmes,
quadrinhos e muitos games.

Contatos:
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twitter.com/abrahao2k
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