como sobreviver após uma perda
O processo do luto
Estágio psicologia saúde/ clinica humanista
Serviço-escola de psicologia
puc-Campinas - SP
A presente cartilha foi desenvolvida pela aluna
Beatriz Gomes de Luiz como parte das
atividades das disciplinas: Estágio Básico IV e
V - Psicologia na Saúde/Clínica e Estágio
Específico I e II - Práticas em psicologia na
Saúde/Clínica do curso de Psicologia da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas,
durante o ano de 2020, sob supervisão da
Profa. Dra. Tatiana Slonczewski
Contatos:
[email protected]
[email protected]
aPRESENTAÇÃO
Este é um material informativo para indivíduos
que estejam vivenciando um processo de luto ou
que conheçam alguém que esteja. Ele serve,
também, para melhor apoiar a orientação de
pessoas que buscam o acolhimento psicológico
no Serviço-Escola de Psicologia da PUC-
Campinas com essa demanda.
"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou."
Aguinaldo Silva
Sumário
Em tempos de falsas felicidades................................................................... pág 06
O processo do luto........................................................................................... pág 11
Fatores que influenciam no processo do luto .......................................... pág 14
Quanto tempo o processo de luto dura?.................................................. pág 17
Qual a diferença entre o luto normal e o luto complicado.................... pág 18
O que as pessoas sentem quando estão em luto ................................... pág 19
Tarefas do processo do luto ......................................................................... pág 22
O papel dos rituais na superação do luto ................................................ pág 25
E na quarentena - COVID 19 ......................................................................... pág 27
Dicas para apoiar quem está passando por um processo de luto .... pág 30
Qual o papel do psicólogo nesse momento ............................................. pág 40
Referências ........................................................................................................ pág 41
Em tempos de falsas felicidades
Em meio a selfies, redes sociais, viagens, casamentos luxuosos
e vidas aparentemente perfeitas, tem sido cada vez mais raro encontrar
um espaço acolhedor para sofrer.
É como se qualquer emoção negativa precisasse ser escondida por
uma falsa felicidade.
Tristeza virou fraqueza, ingratidão, e até mesmo doença.
Mas, será que sempre precisa ser assim?
Você já parou para pensar...
Quantas vezes alguém te perguntou como você estava e, mesmo
querendo dizer que não estava bem, você colocou um sorriso no
rosto e disse: “estou ótimo e você?” Ou mesmo você, quando viu
alguém passando por um momento difícil (fim de um
relacionamento, demissão), reagiu dizendo: “vai ficar tudo bem,
seja otimista, as coisas vão melhorar. Fica bem, esquece isso,
segue em frente”.
Será que o sentimento
real foi ouvido?
Em tempos de falsas felicidades
O otimismo exagerado e a tentativa de abafar os
sentimentos negativos não fazem com que eles
desapareçam, pelo contrário, eles podem se intensificar e
levar o individuo a um grau mais elevado de estresse.
É claro que não há nada de errado em reconhecer o lado
bom das coisas, mas você pode fazer isso sem ter de
esconder suas inquietações e tristezas.
Infelizmente, a tendência de
banir as emoções difíceis só
tem crescido atualmente. As pessoas parecem perseguir
um estilo de vida ilusório, o que pode leva-las a inúmeras
frustações, estresse e até a quadros depressivos.
Pois é...
... essa realidade tem sido mais comum do que você
imagina, principalmente para os indivíduos que estão
enfrentando uma perda.
O conjunto de reações, sentimentos e experiências de
quem perde algo ou alguém é denominado processo
de luto.
O luto pode surgir quando a pessoa está atravessando
o fim de um relacionamento, a perda de um ente
querido, de um emprego, de um sonho, a descoberta
de alguma doença, entre outros.
Nesta cartilha, o foco será o processo de luto para
pessoas que perderam algum ente querido.
Quando um individuo perde alguém, muitas vezes é
incentivado a voltar rapidamente para as suas
atividades de rotina, a pensar em outros assuntos e a
não expressar cotidianamente suas emoções. É como
se lhes fossem dados alguns dias de trégua para
poder sofrer logo que a perda ocorre, mas depois sua
tristeza vai se tornando algo desagradável aos demais,
vista como anormal, como um obstáculo a ser
superado e até mesmo curado.
Mas será que o processo de luto
realmente é um obstáculo ?
O processo do luto
O luto é o processo de readaptação da realidade sem a pessoa que
se foi e é importante que o individuo vivencie essa experiência para
aceitar a perda. O conjunto de reações adaptativas após a perda
podem ajudar o enlutado a se reorganizar e refazer sua vida, muitas
vezes tendo que colocar dentro de suas atividades o que antes era
responsabilidade de quem se foi.
É esperado, em um processo saudável, que aos poucos o individuo
vá se refazendo seu caminho de viver sem a pessoa.
Para que isso aconteça, não é preciso abolir quem se foi de seus
pensamentos e sentimentos. É possível permanecer em contato com
as lembranças e continuar a viver.
A vida pode não ser mais como antes, mas é possível construir um
novo modo de viver após o luto.
“O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em
mim”.
Clarice Lispector
O processo do luto
Não existe fórmula ou regra de como a pessoa em luto irá
lidar com a situação de perda. Esse aspecto é muito
individual, variável, uma vez que está relacionado com:
1- a personalidade do enlutado
2- suas experiências de vida e perdas anteriores
3- as circunstâncias da perda
4- momento em que recebeu a noticia
5- quão próximo o enlutado era da pessoa que se foi
6- a existência ou não de uma rede de apoio social
Adaptado de SOUZA, 2016
Fatores que influenciam no processo de luto
1- A personalidade do enlutado:
Indivíduos mais extrovertidos e afetivos tendem a expor seu
sofrimento de maneira mais evidente, enquanto os introvertidos
sofrem de forma contida, mais discreta, disfarçando suas dores.
Cada um vive a dor ao seu próprio modo e isso não é um problema.
2- As experiências de vida e perdas anteriores:
Pessoas com histórico de depressão ou de lutos complicados no
passado, podem apresentar uma maior probabilidade de ter uma
resposta complicada ao luto atual também. As perdas anteriores
criam certo medo de futuras perdas e influenciam negativamente
na capacidade de fazer novas conexões.
Adaptado de SOUZA, 2016
Fatores que influenciam no processo de luto
3- As circunstâncias da perda:
A morte pode ocorrer de forma inesperada ou já estar sendo
"esperada" (doenças fatais). Existe também os casos em que os
corpos não são encontrados e a morte permanece incerta e
inconclusa. Ainda, existem as perdas múltiplas, quando um acidente
mata mais de um membro da mesma família de uma única vez.
Também existem as mortes por suicídio ou aquelas em que o
enlutado foi direta ou indiretamente responsável, exemplo: em um
acidente ou homicídio.
4- O momento em que recebe a noticia:
O individuo é capaz de guardar esse momento para sempre. Por isso,
é importante que a pessoa que dê a noticia da morte o faça de forma
clara, verdadeira e empática/ humana.
Adaptado de SOUZA, 2016
Fatores que influenciam no processo de luto
5- Quão próximo o enlutado era da pessoa que se foi:
A intensidade do luto é determinada pela intensidade da relação
entre o falecido e o enlutado, ou seja, quanto mais próximos, mais
difícil será a elaboração da perda. O mesmo ocorre em casos de
conflitos ou situações inacabadas com a pessoa que se foi.
6- A existência ou não de uma rede de apoio social:
A rede de apoio social engloba familiares e amigos, assim como
serviços públicos de saúde (SUS, assistência especializada) e um
conjunto de ações da sociedade civil (assistência jurídica, apoio
psicológico, centros de convivência, entre outros). É importante ter
pessoas com quem contar durante o processo e que possam
ajudar o enlutado mesmo quando ele não sabe que precisa de
ajuda.
Adaptado de SOUZA, 2016
Quanto tempo o processo de luto dura?
O processo de luto é muito individual e vários fatores
podem influencia-lo.
O que podemos dizer é que não existe um tempo
exato para essa dor parar de doer e nem um prazo de
validade para ela. O luto dura o tempo que precisa
durar, sejam meses ou mesmo anos.
Mas quando é a hora de se preocupar, então?
Como saber a diferença de um luto “normal” e
um luto complicado?
Qual diferença entre o luto
"normal" e o complicado?
Não é somente o tempo e nem a presença isolada de determinados
sintomas ou comportamentos que fazem o luto ser complicado.
Devemos estar atentos à: intensidade, frequência e duração das
reações do individuo à perda.
Nos lutos complicados, o processo se estende, se intensifica, e faz
com que seja difícil retomar a vida. Quando isso ocorre, é indicado
procurar a ajuda de um especialista, seja ele um psicólogo ou
psiquiatra.
O QUe as pessoas sentem quando estão em luto ?
Choque, apatia, raiva, tristeza, culpa, ansiedade, desamparo e
cansaço são alguns exemplos do que as pessoas sentem
nessa situação.
Algumas alterações de comportamento também podem
aparecer, tais como: isolamento social, mudanças no
sono/apetite, sonhos com o(a) falecido(a), evitação de
lembranças/necessidade reviver e falar sobre a situação de
perda, diminuição de interesse pelo mundo externo,
dificuldade para amar, desânimo profundo e redução das
atividades ao mínimo necessário.
Muitos sentimentos podem caber em um processo de luto. Por isso,
é importante observar como esses sentimentos se transformam ao
longo do tempo e se a pessoa está desenvolvendo meios para
continuar vivendo após a perda.
e no caso de sintomas físicos?
O sofrimento pelo luto pode ser sentido até mesmo
fisicamente. Algumas pessoas descrevem sensações
como: vazio no estômago, nó na garganta, boca seca,
maior sensibilidade a barulhos, senso de irrealidade,
pouca energia, fraqueza muscular, dificuldades para
respirar, dores no peito e palpitações.
Estas duas últimas sensações, que se assemelham a
um infarto, são frequentemente descritas e chegaram
até mesmo a receber um nome próprio: síndrome do
coração partido. Trata-se de uma alteração cardíaca
temporária em resposta ao intenso estresse, como o
trazido pela perda de ente querido.
Além disso...
O organismo da pessoa também pode apresentar uma alteração em
sua imunidade, ficando mais vulnerável a infecções.
As pessoas respondem ao luto com seu corpo e sua mente. Por
isso, é importante prestar atenção a tudo que está sentindo e falar
sem medo sobre isso.
Cada um sabe da dor que
sente e vai descobrir
aos poucos o que o faz
se sentir melhor.
O que também pode ajudar, tanto
no aspecto
psicológico quanto no físico, é a pratica de exercícios
físicos bem orientados, uma vez que
estes auxiliam o
organismo a produzir endorfina, o
popularmente
chamado hormônio do prazer/felicidade.
Os sintomas mais intensos do luto tendem a diminuir, se
transformar e até mesmo acabar, com o passar do tempo.
Tarefas do processo do luto
De acordo o psicologo americano, Willian
Worden (2013) existem algumas tarefas que o
enlutado deve fazer durante o processo do luto.
Ele chamou de "tarefas" porque acreditava que,
assim, a pessoa se sentiria ativa no seu processo de
elaboração, podendo realizá-las no seu tempo.
Essa maneira de lidar com a situação faz com que o
enlutado sinta esperanças de que existe algo que
ele possa fazer para ressiginificar a dor da perda.
Tarefas do processo do luto
Tarefa I: Aceitar a realidade da perda
Por mais que doa, é preciso compreender que a pessoa se foi e
não irá mais voltar. A negação da morte é algo comum, mas
rituais de despedida podem ajudar na aceitação da nova
realidade.
Tarefa II: Elaborar a dor da perda
É importante que o individuo entre em contato com seus
sentimentos para, aos poucos, cuidar deles e encontrar um lugar
para a saudade que não seja o da dor. Evitar entrar em contato
com os sentimentos não ajuda. Como muito na vida, o caminho
mais fácil pode ser o mais duro a longo prazo.
Tarefas do processo do luto
Tarefa III: Ajustar-se a um ambiente onde está faltando
a pessoa que faleceu
A perda não se refere apenas à ausência da pessoa, mas aos
diversos papéis que ela representava na vida do enlutado. Muitas
vezes, é preciso colocar dentro de suas atividades o que antes era
responsabilidade do outro.
Tarefa IV: Reposicionar em termos emocionais a pessoa
que faleceu e continuar a vida
Após aceitar que a pessoa se foi, é preciso encontrar uma nova
maneira de tê-la em sua vida, mas de forma que lhe permita
continuar vivendo, construindo novas relações com outras
pessoas e com o mundo, sem ter medo de esquece-la ou se
sentir culpada por estar vivendo e feliz.
O papel dos rituais na superação do luto
Rituais de despedida ajudam na elaboração do
luto. Nesses rituais é “permitido” falar de quem
se foi e chorar. Além disso, é possível estar
próximo da família e amigos e enfrentar a dor
de forma coletiva. Um exemplo disso são os
velórios, as missas de sétimo dia e outras
celebrações semelhantes.
A cerimônia e seus símbolos ocupam o lugar de palavras e
sentimentos que não conseguimos traduzir.
Mesmo que a família e o próprio falecido não
tenham nenhuma crença, tem muito significado
saber o quanto a pessoa que faleceu era querida.
Os rituais podem ser singelos e pagãos ou mesmo
mais elaborados e com uma religiosidade mais
formal. O importante é que façam sentido para
aqueles que estão vivenciando a perda.
Vale lembrar que a realidade dói, mas deve ser encarada para
que haja progresso na caminhada do luto.
E na quarentena - covid 19?
Muitos familiares e amigos não estão conseguindo se
despedir como gostariam, d quem está gravemente doente
ou faleceu em decorrência da covid-19, não podendo ir até
o hospital e/ou estar presentes nos últimos momentos.
Os velórios também tem sido diferentes. Dependendo da
cidade onde a morte ocorre, os caixões tem de ser lacrado,
há um limite de pessoas e de tempo de duração da
cerimonia. Isso pode fazer com que o luto se torne um
processo mais difícil e complicado.
Então, o que fa
zer para ajuda
r neste momento?
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livro de m se r transfor
emórias. mado em
um
"Não sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar
Você marcou na minha vida
Viveu, morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate
E eu
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho, vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você"
Tim Maia
Dicas para apoiar quem está
passando por um processo de luto
"Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração."
Titãs
1- Cuidado com as palavras:
Muitas vezes, não sabemos o que dizer nessas
situações e acabamos recorrendo a frases prontas
que podem machucar aqueles que estão passando
por este sofrimento.
Evite usar frases como: "Ele está em um lugar
melhor"; "Pare de chorar, sua família precisa de você”
"Ele(a) não gostaria de te ver sofrendo"; "Eu sei o que
você está sentindo"; "Você está lidando com isso
melhor do que eu esperava"; "Reaja, vamos. A vida
continua".
2- Esteja presente e disposto a
ouvir:
Escute o enlutado falar sobre a perda. Algumas pessoas
precisam repetir diversas vezes o que aconteceu para,
enfim, conseguir entender o que houve. Tente não julgar,
pressionar ou dizer o que a pessoa deve ou não
fazer/dizer.
Algumas sugestões de reflexão sobre a
importância da escuta
"Minha primeira relação com a palavra não é de
produzi-la, mas de recebê-la (...) Esta prioridade da
escuta estabelece a relação fundamental da palavra
com a abertura ao mundo e ao outro (...)"
Ricoeur (1977) apud Amatuzzi (1990)
"Quando realmente ouço, ouço o que alguém me diz (e
não apenas o que fala), e isso me remete ao mundo".
Paulo Freire
3- Não apresse o outro:
Respeite o tempo dos sentimentos do outro. Ocultar
ou reprimir a dor não vai fazer com que ela passe
rápido. O luto é um processo e não um evento, então
seja paciente.
Lembre que a pessoa não precisa fazer nada que não
esteja pronta para fazer. Ajude-a a entender e a
respeitar seus limites físicos e emocionais, assim ela
saberá quando estará preparada para começar a dar
os próximos passos.
4- Não tente apagar as
lembranças:
Evitar falar sobre quem se foi não é o melhor caminho. É
importante para o enlutado perceber que o falecido ainda
vive na sua memória e na de outras pessoas. Uma vez que
todos param de falar, o enlutado se sente no dever de
manter a pessoa viva, como um sentinela das recordações.
Mencione momentos bons que passaram juntos e traga o
significado que aquela pessoa tem para você. Além disso,
deixe que o enlutado também compartilhe suas próprias
memórias
As lembranças se transformarão em algo menos penoso
conforme o luto for sendo elaborado.
5- Homenagens podem ajudar:
Incentive que o enlutado homenageie quem se foi.
Muitas pessoas escolhem escrever um livro/carta,
confeccionar um álbum de fotos favoritas, uma
tatuagem, preparar a comida preferida dele(a), manter
rituais nas datas significativas, entre outros.
Essas atividades podem ajudar muito no processo de
elaboração, além de ajudar no dialogo das família que
não conseguem lidar com o vazio de quem se foi ou com
as diferentes maneiras de cada um enfrentar essa
situação.
6- A culpa pode aparecer:
Em alguns casos, os enlutados podem trazer para si a
responsabilidade do que aconteceu ou atribui-la a outros.
Nestes casos, deixe que eles busquem por essas
respostas, ou mesmo ajude nessas buscas. O contato com
documentos que atestam a morte, e o dialogo com
profissionais/ pessoas que cuidaram de quem faleceu são
exemplos de situações que podem minimizar a culpa pela
perda.
É importante que isso fique bem esclarecido para o
enlutado, e que, em muitas situações, ele não tinha
controle sobre a morte ou não poderia evita-la.
7- Saiba quando buscar ajuda:
Se a pessoa enlutada estiver sentindo uma dificuldade
excessiva para o enfrentamento do processo do luto
ou se pessoas ao redor perceberem esta dificuldade
nela, uma ajuda profissional pode ser necessária.
Muitos profissionais tem a formação especializada para
este tipo de atendimento. Não hesite em buscar ajuda
ou em se oferecer para conduzir quem necessita.
Qual o papel do psicólogo nos cuidados ao luto?
O papel da psicoterapia no luto é auxiliar o individuo a enfrentar
e vivenciar esse processo. A relação com o psicólogo pode
facilitar uma ressignificação da dor através da expressão dos
sentimentos e da possibilidade de colocar em palavras o que
está sendo vivido internamente. Angústias e conflitos conseguem
ser trabalhados e refletidos, tornando possível um novo olhar e
novos sentidos para essas lembranças e sentimentos.
Em caso de necessidade de atendimento
procure: sua UBS de referência, profissionais
especialista disponíveis no planos de saúde
e/ou maiores informações junto ao serviço-
escola de psicologia da PUC Campinas.
rEFERÊNCIAS
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