Metodologias
Integradoras
1
Metodologias Integradoras
para uma
Educação Integral
Numa proposta de Educação Integral as aulas, orientações
de projetos, estudos orientados, atividades culturais ou
esportivas etc., cuidadosamente planejados pelos professores,
em diferentes componentes curriculares, tornam-se o espaço
de concretização para o desenvolvimento integral. Para
isso, tão importante quanto os professores compartilharem
dos princípios de Educação Integral, é fundamental que
compartilhem de metodologias de ensino que favoreçam
o desenvolvimento das competências cognitivas e
socioemocionais pelos estudantes enquanto aprendem os
conteúdos específicos.
Algumas metodologias que apoiam a integração do
currículo e o fomento da comunidade de sentido e de
prática na escola na proposta de Educação Integral dizem
respeito às abordagens que consideram a qualidade
da interação professor/estudante, a colaboração entre
pares para promover a aprendizagem, a problematização
como estratégia para a construção do conhecimento, a
projetificação de conteúdos para garantir o aprendizado “mão
na massa”, o multiletramentos para fundamentar as diversas
práticas sociais do uso da língua e a personalização do ensino
e da aprendizagem com o apoio da tecnologia.
METODOLOGIAS INTEGRADORAS
PARA UMA EDUCAÇÃO INTEGRAL
• Presença Pedagógica
• Aprendizagem Colaborativa
• Problematização
• Educação por Projetos
• Formação de Leitores e Produtores de Texto
na perspectiva dos Multiletramentos
• Ensino Híbrido
A prática integrada dessas metodologias contribui para
o fortalecimento de uma comunidade de sentido e de
prática na escola, dá unidade ao ensino e permite que os
professores tenham caminhos intencionais e estruturados
para nortear as aprendizagens explicitadas no currículo
local a partir do desenvolvimento das competências
propostas na Matriz de Competências para o Século 21.
Por que metodologias
integradoras?
Em cada aula, projeto, atividade etc. que se caracteriza como espaço
de compartilhar e construir conhecimento, há lugar para errar, tentar,
voltar atrás, confrontar ideias, aprender por aproximações. Estes
são momentos únicos de encontro, que requerem um percurso bem
definido pelos professores, para que os estudantes saibam o que vão
aprender e o que se espera deles naquele tempo determinado. Os
professores trabalham para que haja um envolvimento consciente
do estudante na realização das tarefas. Ao final de cada momento, é
importante que cada aluno saiba o que aprendeu, como aprendeu e se
não o fez qual foi o motivo, responsabilizando-se também por avaliar
a aula e sua participação. A vivência de experiências de aprendizagem
com o propósito de desenvolvimento integral só ocorre com essa
participação intensa.
O trabalho de grupo ou em times é um recurso importante e exige
que os estudantes sejam capazes de se expor, de respeitar e ouvir
os outros. Abordagens colaborativas e problematizadoras garantem
oportunidades de diálogo entre todos os participantes e favorecem
a organização das aprendizagens, a explicitação das dúvidas, a
convivência entre os diferentes.
Daí a importância de se propor aos alunos situações fora da rotina
e com algum grau de complexidade, ajudando-os a desenvolver
competências socioemocionais como a comunicação, a colaboração, a
determinação, a resiliência e a responsabilidade.
2
Metodologias
e a prática
A aprendizagem colaborativa
trata essencialmente da
promoção do trabalho
colaborativo entre os estudantes
nas situações de aprendizagem e
convívio, realizado em duplas,
pequenos times, e no coletivo.
A presença
pedagógica é o A problematização
exercício de interação convida o estudante a
de abertura, confiança “aprender a aprender”. O
e compromisso com o professor lança desafios e
estudante, fortalecendo questões para reflexão,
o vínculo interpessoal e faz boas perguntas e
a mediação de conflitos demanda que os jovens
e da aprendizagem. elaborem, de forma
própria, o conhecimento.
A educação por projetos A formação de leitores e
possibilita que os jovens produtores de textos na
vivenciem concretamente a perspectiva dos
construção do multiletramentos envolve o
conhecimento, compromisso em ação de todos
experimentando, em times e os componentes curriculares
com a orientação do desenvolverem habilidades e
professor, o capacidades de leitura e a
desenvolvimento de projetos produção textual dos
que conectam saberes e estudantes, em diversos
competências. gêneros e linguagens.
QUANDO PRATICADAS PARA DESENVOLVER
COMPETÊNCIAS, AS METODOLOGIAS INTEGRADORAS
REQUEREM CONDIÇÕES INDISSOCIÁVEIS:
Exigem dos estudantes um papel ativo.
Exigem que os professores estabeleçam com os estudantes
uma relação de confiança e de abertura para o erro.
São aplicadas em situações colaborativas envolvendo o trabalho em equipe.
São trabalhadas em situações de aprendizagem complexas – como os
projetos, por exemplo –, envolvendo a necessidade de problematização.
Exigem como base sequências de atividades estruturadas,
intencionais e com a duração adequada para o desenvolvimento
de competências cognitivas e socioemocionais.
Fala, professor(a)!
“A presença pedagógica exige sensibilidade e um ponto de
equilíbrio entre agir, elogiar e consertar o caminho. O ponto
nevrálgico é não interferir a ponto de desestimular: você deve
manter a curiosidade e o estímulo do aluno.”
Mauro Storani, professor de Educação Física
“Nos primeiros seis meses, é uma quebra absurda de paradigma
para o estudante, ele é tirado da zona de conforto. Vários sofrem
demais com o trabalho coletivo, porque não têm costume e isso é
aprendido. Mexemos muito com o aluno, ao colocar o desafio da
aprendizagem colaborativa.”
Denise de Oliveira, professora de Matemática
“O aluno tem que pesquisar ao desenvolver o projeto, tem que se
movimentar. E não é todo mundo fazendo a mesma coisa, porque
senão não teria sentido em ser um time. Todos têm que colaborar.
Eu gosto muito de orientar projetos, porque me dá prazer ensinar a
pesquisar. E não interessa tanto qual é o objetivo ou o tema. O que
interessa mesmo é o processo. O desafio é outro. É ensinar para
os alunos coisas complicadíssimas. Por exemplo: a necessidade de
planejar antes de agir.”
Cristiane Domar, professora de Filosofia
“Minha aula tem uma proposta. Traço um objetivo de ensino
e conduzo a problematização para chegar nele. Vou fazendo
perguntas. Para isso, é preciso ter presença pedagógica. É preciso
saber quando dizer ao aluno: ‘espera, guarda para você essa
questão, porque não é a hora dela ainda. Lá na frente, essa
pergunta vai ser importante’. Eu até peço para eles que anotem.
E, às vezes, o aluno faz uma pergunta que não tem nada a ver. Aí,
eu acolho a pergunta e digo: ‘isso você vai compreender quando
estudarmos tal assunto’. E funciona. Tenho que ter até cuidado,
porque eles começam a se empolgar, a falar e a falar, a aula vai
passando e você tem que ficar atenta à gestão de tempo.”
Cláudia Sosinho, professora de Física
“Ensinamos o aluno a ler o mundo, adotando os
multiletramentos. Ou seja: as diferentes linguagens são aceitas,
produzimos textos os mais variados, em diferentes mídias. Não
trabalhamos só com o clássico, o tradicional. Tudo que o aluno traz
para a sala de aula é utilizado. E mostramos a ele que, dependendo
do contexto em que ele se encontra, ele trabalhará com diferentes
linguagens.”
Maida Célia, professora de Língua Portuguesa
3
Presença
Pedagógica
Presença Pedagógica:
Um modo de mediar o
processo de aprendizagem
com qualidade
Uma das contribuições das teorias da aprendizagem e
do desenvolvimento humano que mais influenciaram as
práticas pedagógicas foi a compreensão de que aprendemos
necessariamente na interação com o outro. Desde então,
ganhou força a discussão da qualidade dessa interação entre
os principais atores nos processos de ensino-aprendizagem:
professores e estudantes.
A interação professor-aluno é construída cotidianamente
nas mais variadas situações escolares, sobretudo durante
os momentos de aula. É importante refletir sobre como os
docentes podem se fazer presentes na vida dos estudantes,
instituindo um clima que favoreça a aprendizagem.
A presença pedagógica trata justamente da qualidade das
interações e da mediação do professor. Ela envolve:
• O exercício do acolhimento e da abertura para
construir uma relação de confiança com os estudantes.
• A mediação do professor nas situações de conflitos
relacionais, buscando envolver os estudantes na
reflexão sobre os diferentes aspectos e na resolução do
problema, ao invés de agir como o único resolvedor.
• O compromisso do professor com relação à
aprendizagem dos alunos, traduzido na confiança
no potencial de cada um, nas expectativas elevadas
sobre suas capacidades de aprender e na persistência e
investimento em ensinar.
A presença pedagógica é uma condição
essencial para favorecer uma boa mediação da
aprendizagem.
Por meio do seu exercício, o professor abre uma via
de diálogo efetivo com os estudantes, acolhendo-os
em suas singularidades ao Mesmo tempo em que
exige responsabilidade e compromisso, ajudando-os
a gerirem suas aprendizagens e desafiando-os
a crescerem.
Presença Pedagógica
Na presença pedagógica,
o professor atua
como mediador para:
Construir uma Explorar o potencial Promover a
relação de confiança de aprendizagem das aprendizagem
situações de conflito
1 Qualificar a interação professor-estudantes é a base para o
estabelecimento de um bom convívio em aula e para promover
a aprendizagem e o desenvolvimento de competências cognitivas
e socioemocionais.
2
Cabe ao professor abrir-se cotidianamente para os alunos
e sua diversidade de características, interesses, demandas
e desafios. É necessário consolidar uma relação de acolhimento
e de exigência no cotidiano escolar.
3
Estar junto, em relação de reciprocidade, qualifica a interação
e possibilita o aprofundamento de trocas comunicativas.
É essencial falar e ouvir com o mesmo cuidado e atenção,
favorecendo a compreensão mútua.
4
O engajamento e o compromisso do professor com relação à
aprendizagem dos estudantes se traduzem na confiança no
potencial de cada aluno, em expectativas elevadas sobre suas
capacidades de aprender e na persistência em ensinar.
5
Conduzir uma relação educativa requer o reconhecimento de uma
dimensão de autoridade. A intenção da presença pedagógica não é
o professor ser um “igual” (mito da horizontalidade), mas sim
proporcionar uma influência construtiva e respeitosa na vida dos
jovens, ensinando também pelo exemplo.
6
A presença pedagógica não é um dom de alguns professores.
Fazer-se presente na vida dos estudantes é uma atitude que se
aprende, desde que haja disposição interior, abertura,
sensibilidade e compromisso para tanto.
7
Em situações de conflito de natureza relacional, o professor que
atua com presença pedagógica busca envolver os jovens na reflexão
sobre os diferentes aspectos do problema e na resolução deste,
em vez de agir como o único resolvedor.
7 PONTOS PARA LEMBRAR SOBRE
PRESENÇA PEDAGÓGICA
Aprendizagem
Colaborativa
4
Aprendizagem Colaborativa:
Construção coletiva do
conhecimento
Assim como a presença pedagógica, a aprendizagem colaborativa se
fundamenta na premissa de que o conhecimento e a autonomia se
constroem por meio da interação. Essa interação pode acontecer de
diversas maneiras: entre professor e estudantes, entre estudantes
reunidos em pequenos e grandes grupos de trabalho, em situações
de roda de conversa coletiva ou em outras oportunidades de encontro
e troca que se dão no espaço escolar. Se no exercício da presença
pedagógica está em jogo a qualidade da relação professor-aluno,
no desenvolvimento da aprendizagem colaborativa a relação dos
estudantes entre si é que ganha destaque.
Carteiras enfileiradas dão lugar a outros modos de organizar o espaço,
favorecendo o trabalho em duplas ou trios, em roda de conversa
e grupos de trabalho, por exemplo. Assim, criam-se alternativas
aos modelos de ensino centrados unicamente no professor ou que
trabalham exclusivamente a aprendizagem individual. Não se trata,
portanto, de eliminar atividades em que os alunos trabalham sozinhos,
mas de combinar esse tipo de prática com as que possibilitam a
colaboração, dependendo do que se pretende atingir em relação ao
aprendizado dos estudantes.
Uma prática bastante comum que não combina com a aprendizagem
colaborativa é formar grupos em torno da elaboração de um
trabalho e esperar deles apenas as produções finais para avaliação,
ignorando todas as outras condições e contextos que envolveram
essas produções. O que se espera, na perspectiva da aprendizagem
colaborativa, é que o professor ajude os alunos a conectarem a
atividade com o contexto maior do que estão vivendo, oriente a
organização dos agrupamentos (duplas, trios, quartetos, times),
acompanhe o desenvolvimento do trabalho (colaborando com
perguntas, dicas, sugestões, mas sem fazer as atividades que propôs
aos estudantes) e avalie o processo, o resultado e as aprendizagens.
A mensagem quea transmite aos estudantes, assim, é que a atividade
é importante no percurso formativo e que, portanto, exige forte
envolvimento e compromisso de todos.
A aprendizagem colaborativa é uma
metodologia que transforma as relações
de aprendizado e a organização da turma.
Trabalhando em times, cada estudante
vai se tornando apto a enfrentar, de modo
colaborativo, os desafios de aprendizagem e do
desenvolvimento de competências cognitivas e
socioemocionais, corresponsabilizando-se tanto
com relação à qualidade do convívio da turma
quanto com o que está sendo ou não aprendido
por ele mesmo e pelos colegas. Esse modo de
aprender promove a ampliação da autonomia
dos estudantes em relação ao conhecimento e
abre caminho a novos modos de interação com
o professor e com os pares.
Aprendizagem
Colaborativa:
DO GRUPO AO TIME
De um trabalho em grupos Para um trabalho em times
SEM colaboração COM colaboração
Cada membro se preocupa Cada membro se preocupa
consigo mesmo. com a própria aprendizagem,
com a do colega e com o
desempenho do time.
Pode haver um líder que orienta A responsabilidade da liderança
o trabalho dos demais. é compartilhada por todos, em
rodízio, e todos os estudantes
realizam as tarefas.
As questões relacionais e As competências relacionais
produtivas não são trabalhadas – liderança, comunicação,
como tarefa do grupo. confiança, convívio – são alvo
do trabalho do time, pois geram
aprendizados importantes.
Aprendizagem
Colaborativa:
DO GRUPO AO TIME
Tenta-se chegar ao resultado de A interação positiva entre os
aprendizagem independentemente membros do time potencializa
do clima de interação os resultados de aprendizagem.
entre os componentes.
Há somente a avaliação global do Cada estudante é avaliado
grupo. Mesmo que não participe, o pelo próprio desempenho e
aluno pode ser bem avaliado (em pelo progresso dos demais.
função do trabalho dos demais). A partir dessa avaliação, os
membros do time devem ser
estimulados a motivar e a
apoiar aqueles que demonstrem
algum tipo de dificuldade.
O professor não se envolve com O professor acompanha o
o trabalho dos alunos (está trabalho dos estudantes,
preocupado com o produto circulando pelos times,
final) ou estabelece uma orientando-os quando se
relação de dependência, dando desviam da tarefa, estimulando
respostas prontas ou resolvendo que persistam nos momentos
os problemas por eles. de frustração, provocando-os
a pensarem soluções antes
de ouvirem a sua opinião,
potencializando a aprendizagem.
1
Planejar atividades complexas, que necessitem do trabalho colaborativo
para serem resolvidas. Exercitar a mediação e o acompanhamento durante
as atividades dos grupos, pois as aprendizagens acontecem no processo.
Não deixar os estudantes “à deriva”!
2 Apresentar as regras de trabalho e estabelecer combinados
com os jovens, tendo em vista que eles estão aprendendo
a trabalhar colaborativamente em times.
3 Propiciar a organização do espaço físico para que os times
e a roda de conversa coletiva possam ser formados adequadamente.
4
Estimular todos os estudantes a assumirem a liderança dos times, em
rodízio, para que possam experimentar serem líderes e serem liderados,
aprendendo com essa experiência. Assim, todos os integrantes de um
time se tornam coautores do conhecimento construído e
corresponsáveis pela realização das atividades e por seus resultados.
5 Mediar e estimular a participação dos alunos para resolverem por si
mesmos os problemas de convívio ou aprendizagem, além das questões
que os desafiam, evitando responder ou solucionar tais questões por eles.
6 Promover o respeito à diversidade, a troca de saberes e a circulação
da palavra nos momentos de roda de discussão coletiva, para que
todos os jovens possam participar ativamente.
7 Garantir a autoavaliação dos estudantes ao longo do trabalho
dos times. É fundamental também promover com a turma a
reflexão e a discussão sobre os resultados de aprendizagem alcançados.
7 PONTOS PARA LEMBRAR SOBRE
APRENDIZAGEM COLABORATIVA
Problematização
5
Problematização:
Ensino que fomenta o
“aprender a aprender”
Professores comprometidos com a educação desejam que seus
estudantes sejam interessados, participativos e críticos. Afinal,
nenhum professor gosta de dar aula para uma turma apática,
que não traz questionamentos e não demonstra entusiasmo
para aprender. Se dentre os objetivos a serem alcançados pela
educação escolar está propiciar acesso ao saber acumulado
socialmente e o aprimoramento humano nos aspectos ético,
do desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento
crítico, como mobilizar os alunos e tornar o conhecimento
objeto de desejo?
É fundamental que os professores tenham altas expectativas
com relação às aprendizagens de seus estudantes (tendo em
vista que uma das características da presença pedagógica
é a crença no potencial dos alunos) e sejam incansáveis
provocadores de curiosidade. A problematização imprime
às práticas pedagógicas a importância de considerar o
aprendizado como um processo incessante, inquieto, curioso e,
sobretudo, permanente por saber.
A sala de aula, como microcosmo social, é formada pela
diversidade que se revela em diferentes modos de ser, conviver,
pensar e aprender. A participação pela problematização
incentiva a curiosidade, estimula o pensamento crítico e
a capacidade de resolução de problemas, permitindo que
todos os estudantes possam se posicionar, dialogar, construir
e reconstruir conhecimentos. Uma aula que incentiva a
participação permite que cada um possa se construir, como
pessoa e estudante, em constante desenvolvimento e
autodescoberta, e possibilita que a mediação conceba o erro
como parte da construção do conhecimento.
A mediação problematizadora dos professores considera:
• A educação não como um ato explicativo, mas que
privilegia a construção do conhecimento e desenvolvimento
integral por meio de perguntas que fazem pensar, exigem
articulação de saberes, pesquisa e investigação.
• A articulação entre os conhecimentos prévios dos estudantes
e os saberes escolares.
• A prática de atividades desafiadoras que colocam os
estudantes em situação de resolução de problemas.
A problematização faz contraponto à ideia
de que estudantes silenciosos e cadernos
cheios de anotações são sinônimos de
aprendizagem. Assim como a aprendizagem
colaborativa, a problematização é uma
metodologia que se desenvolve pela
participação em torno de situações-
problema e que exige o exercício da
presença pedagógica do professor durante
a mediação. Ela assume um papel de
destaque na construção do conhecimento
escolar, uma vez que é um meio de
provocar a participação, a criticidade, a
curiosidade e a superação do conhecimento
simplesmente transferido.
Problematização
Na problematização,
o professor atua como
mediador para:
Construir o Articular os Engajar os
conhecimento conhecimentos estudantes
por meio de prévios dos para pensar
perguntas estudantes e os e agir como
saberes escolares resolvedores
de problemas
1
Problematizar é mais que uma metodologia, é uma postura frente
ao conhecimento. Cabe ao professor problematizar, para que se
instale nos alunos o processo ativo de construção,
busca e apropriação de saberes.
2 Problematizar a partir de perguntas consistentes e
bem formuladas é um convite realmente instigante
para a ampliação de horizontes de sentidos.
3 A problematização acontece em um ambiente protegido
para o erro, no qual opiniões conflitantes e equivocadas
têm espaço e valor no processo de aprender.
4
Resolver problemas de forma colaborativa: eis uma estratégia-chave
para lidar com situações-problema mais complexas. A participação
articulada dos esforços colaborativos dos jovens não só possibilita
responder à situação proposta, como amplia o repertório
de conhecimentos e estratégias de cada um.
5
Considerar os saberes e as experiências dos estudantes é importante para
que professor e aluno naveguem juntos no processo de aprendizagem.
Cada um traz consigo conhecimentos prévios e pode (re)construí-los a
partir de problematizações que levem essas bagagens em conta.
6 Orientar os alunos com informações, dicas de fontes de pesquisa,
sugestões de métodos, mas de maneira a incentivar a
autonomia dos estudantes no processo.
7
Promover deslocamentos, sair da zona de conforto,
incentivar os jovens a não se restringirem a dar a resposta
que o professor quer ouvir. Nada de acomodação,
problematizar é sair da “mesmice”!
7 PONTOS PARA LEMBRAR SOBRE
PROBLEMATIZAÇÃO
6
Formação de leitores
e produtores de
textos na perspectiva
dos multiletramentos
Formação de leitores
e produtores de textos
na perspectiva dos
multiletramentos:
um desafio de todos
os professores
Dar aos estudantes condições de significar criticamente os
textos que circulam, nas diferentes linguagens (a verbal e as
não verbais, como as que envolvem os sons, as imagens, o
movimento, o corpo), mídias e esferas, e de produzir seus
próprios textos, de modo que participem do constante diálogo
entre ideias e valores que é a vida em sociedade, constitui
compromisso básico da escola.
Em outras palavras, se Língua Portuguesa é a disciplina que
prioritariamente forma o leitor e o produtor textual, visando
à maior inserção dos alunos nas práticas letradas, os demais
componentes curriculares também são corresponsáveis por
isso e devem, dentro de suas especificidades, trabalhar com
abordagens afins. É nesse sentido que tomamos a formação
de leitores e produtores de textos na perspectiva dos
multiletramentos como uma das metodologias integradoras
numa proposta de educação integral para o século 21.
O QUE SÃO MULTILETRAMENTOS?
Para os pesquisadores estadunidenses Cope e Kalantzis, os
multiletramentos implicam práticas que envolvem diferentes
mídias e linguagens, das variadas culturas. Podendo ser
considerado uma “evolução” do conceito de letramentos, o termo
multiletramentos veio evidenciar o quanto nossa vida tem mudado
em todos os âmbitos, com o avanço das novas tecnologias da
informação e da comunicação: com o mundo conectado, temos
mais acesso às diferentes culturas – o que nos impõe uma posição
de ter que negociar essas diferenças cotidianamente. Além disso,
com as novas possibilidades de agregar recursos de diferentes
linguagens e diferentes mídias na produção de um texto, novos
gêneros surgiram.
Investir no aprimoramento das capacidades de
leitura e de produção textual dos estudantes,
trabalhando textos de diferentes esferas e
gêneros, diversos em linguagens, mídias
usadas e valores culturais representados, é
investir na formação de leitores e produtores
de textos na perspectiva dos multiletramentos.
Esse é um compromisso de todas as
disciplinas, de todas as áreas.
Formação de leitores
e produtores de textos
na perspectiva dos
multiletramentos
Na esteira das teorias de perspectiva pragmática,
o currículo contemporâneo assume a linguagem
como interação.
Quando se compreende a
LINGUAGEM COMO INTERAÇÃO,
os textos são parte de produções discursivas.
Por isso, significá-los implica considerar:
? ? ?
OS INTERLOCUTORES SUAS POSSÍVEIS A escolha do gênero
(Quem fala / escreve / INTENCIONALIDADES e os usos sociais a
produz? Para quem?) (O que se pretende que ele remete em
alcançar junto determinada esfera.
ao ouvinte / leitor /
espectador?)
Assim, no contexto de uma formação de leitores e
produtores de textos na perspectiva dos multiletramentos,
entende-se o sujeito como:
USUÁRIO FUNCIONAL CRIADOR DE SENTIDOS
Competência técnica Entende como os
Conhecimento prático dierentes tipos de texto
e tecnologia funcionam
MAPA DOS
MULTILETRAMENTOS
ANALISTA CRÍTICO TRANSFORMADOR
Entende que tudo o que Usa o que foi aprendido
é dito e estudado é fruto de novos modos
de seleção prévia
Diagrama de uma pedagogia dos multiletramentos.
Fonte: ROJO; MOURA (Orgs.), 2012, p. 29.
1
O compromisso com os multiletramentos apoia-se na compreensão de
que a linguagem é interação. Isto é: os sujeitos agem sobre si e sobre
a realidade por meio dos textos que produzem, que trazem a marca de
seus posicionamentos em relação às coisas do mundo (produção discursiva).
2 As novas condições de produção discursiva convocam a escola a
repensar o trabalho a ser feito com as linguagens, contemplando
textos de diferentes esferas, gêneros, linguagens e valores culturais.
3
Quanto maior a diversidade de práticas escolares envolvendo uma ampla
gama de textos, em situações significativas de aprendizagem,
maiores as possibilidades de inserção crítica dos jovens nas
situações sociais de usos das diferentes linguagens.
Trabalhar com textos multissemióticos (com várias linguagens) e
4
híbridos requer investimento nas capacidades críticas de leitura:
recuperação do contexto de produção do texto, definição de finalidades
e metas da atividade de leitura, percepção de diálogos entre diferentes
textos e das relações entre os discursos produzidos (percepção dos valores
que sustentam as ideias dos textos), percepção de outras linguagens,
elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas, elaboração de
apreciações relativas a valores éticos e/ou políticos.
5
Também importam os processos de autoria, em que os estudantes
possam ter vivências significativas de produção textual,
para leitores/ouvintes/espectadores reais.
6
Não é o uso das novas tecnologias por si só que favorecerá os
multiletramentos, mas o uso crítico delas, interessado em
ensinar/aprender os novos códigos, o funcionamento das novas
mídias, as novas práticas de autoria e circulação de textos, em favor
da democratização das novas formas de produção discursiva.
7
Além da diversidade de linguagens, um ponto fundamental
dos multiletramentos é garantir uma visão plural de mundo,
com textos e produções que remetam a diferentes
grupos sociais e seus valores culturais.
7
PONTOS PARA LEMBRAR SOBRE
FORMAÇÃO DE LEITORES
E PRODUTORES DE TEXTOS
7
Educação
por projetos
Educação por Projetos:
Ensino conectado
com a prática
A educação por projetos abre oportunidades para que os estudantes
coloquem seus conhecimentos em ação e sejam provocados por essa
mesma ação a pesquisar outros conhecimentos, de modo a resolver
problemas por meio da interação entre pares, da pesquisa e da
interação com os diferentes campos do saber.
Os projetos podem ter objetivos diversos, tais como: ser uma ação
de intervenção para a melhoria de algum problema na escola ou
comunidade; ser um itinerário para a problematização e construção do
projeto de vida dos estudantes; apoiar a autogestão dos alunos com
relação aos estudos; promover pesquisas que articulem os interesses
estudantis com os interesses curriculares etc.
No entanto, uma metodologia de educação por projeto que promova
a Educação Integral que considere o desenvolvimento integral deve
observar se as ações propostas:
• Concretizam-se no contexto curricular, ou seja, é parte essencial
do percurso formativo dos alunos, promovendo o desenvolvimento
pleno, por meio da participação protagonista dos alunos.
• Estão assentadas na crença de que os estudantes têm potencial
para participar da construção de todo o processo de resolução de
problemas, de modo a construir gradativamente maior autonomia,
passando da relação de dependência do professor para uma
relação de colaboração.
• São introduzidas de modo estruturado em etapas com
intencionalidade pedagógica bem definidas para (1) mobilizar
interesses, conhecimentos e engajar os estudantes; (2) discutir e
tomar as decisões sobre a iniciativa a ser realizada; (3), planejar e
organizar as ações a serem realizadas, os prazos e as atribuições
na equipe; (4) executar e avaliar constantemente as ações
planejadas; (5) promover a apropriação de resultados alcançados
de modo a possibilitar a generalização dos aprendizados.
Desenvolver projetos é uma vivência de
construção do conhecimento em sua dimensão
cognitiva e socioemocional, pois mobiliza os
interesses e o envolvimento dos estudantes
com as ações, exigindo competências como
o trabalho em equipe (na perspectiva do
comprometimento individual e da capacidade
de lidar com questões relacionais, frustrações
e problemas inesperados; bem como de
exercitar e compartilhar a liderança), a
abertura para aprender novos conhecimentos
(tendo a curiosidade como força motriz), a
responsabilidade (na faceta da autogestão dos
processos), entre outras.
1
Os projetos permitem que os estudantes compreendam
os conhecimentos em sua complexidade e de modo
contextualizado, relacionando teoria e prática.
2
Os projetos ajudam a relacionar a vivência escolar com a
vida mais ampla dos alunos. Por meio deles, os jovens
conectam seus interesses e necessidades com os
conhecimentos que estão aprendendo nas aulas.
3 Os projetos possibilitam que os jovens estabeleçam uma
relação ativa diante do conhecimento, ganhando
progressiva autonomia para aprender.
A mediação do professor é um aspecto-chave dos projetos.
4
O acolhimento dos interesses e conhecimentos juvenis, o aporte de
novos conhecimentos, a orientação em relação ao percurso a ser
vivido, a problematização dos pontos de vista e escolhas dos alunos
e o estímulo à aprendizagem são marcas importantes da
atuação do professor na orientação de projetos.
Ao realizar projetos, os jovens aprendem conhecimentos novos,
5
desenvolvem habilidades de pesquisa e competências cognitivas
e socioemocionais, como conhecer os próprios interesses, realizar
ações em colaboração com colegas, configurar um problema,
acessar, analisar, relacionar, produzir e compartilhar conhecimentos,
transformar planos em ação, analisar o processo vivido de modo crítico etc.
6
Ao realizar um projeto, os estudantes aprendem modos
de estruturar seu percurso de investigação ou intervenção.
Nas seis etapas do projeto, eles concretizam ideias
e planos, bem como conquistam aprendizagens significativas.
7
Os projetos possibilitam a integração entre os conhecimentos
aprendidos nas disciplinas, nas Áreas e no Núcleo, potencializando
a aprendizagem dos alunos. Além disso, promovem a personalização
do currículo, ao possibilitarem que os jovens participem ativamente
da definição dos temas, dos conteúdos e do percurso das ações.
7 PONTOS PARA LEMBRAR SOBRE
EDUCAÇÃO POR PROJETOS
Ensino híbrido
8
Ensino Híbrido:
A personalização
da aprendizagem
O uso de tecnologias deve ocorrer no ensino de todas as áreas
e componentes curriculares, com abordagem metodológica
transversal. O foco é a criação de uma ampla diversidade de
situações de ensino e de aprendizagem, permitindo atingir os
estudantes em suas variadas formas de aprender.
As tecnologias, em uma proposta de Educação Integral com foco
no desenvolvimento pleno, é um agente integrador do currículo,
podendo aprimorar, enriquecer, diversificar e tornar mais
motivadoras as práticas de ensino e de aprendizagem. Por terem
um apelo emocional que desperta a curiosidade dos estudantes,
as tecnologias podem representar um ponto de interesse e
motivação que une professores e alunos em práticas envolventes,
As maneiras como nos comunicamos mudaram
com o avanço das tecnologias da informação
e comunicação (TICs). As tecnologias também
mudaram o modo como trabalhamos e aprendemos.
Para DILLENBOURGH ET ALL (2009), as tecnologias
não são utilizadas apenas para complementar o
ensino presencial, elas são uma potente ferramenta
para gerar engajamento e personalização do ensino
e da aprendizagem.
divertidas, flexíveis, criativas e efetivas do ponto de vista da
aprendizagem e do desenvolvimento de competências.
Uma das grandes contribuições que as tecnologias digitais trazem
para o campo da Educação é o chamado ensino híbrido. Por
meio de recursos digitais diversos, o ensino híbrido permite que
parte do aprendizado aconteça “online” e parte presencial. Essas
tecnologias proporcionam aprendizagem colaborativa e oferecem
conteúdo, abrindo a possibilidade de mediação fora da sala de
aula. O trabalho em casa, por exemplo, pode se transformar
em uma sala de aula. Esse tipo de abordagem recebe o nome
de flipped classroom (sala de aula invertida). Este modelo de
organização retira o professor do centro da atenção no processo
educativo. São formados pequenos grupos e o professor medeia
a produção desses grupos, atuando como facilitador.
Quando professores lançam mão de ferramentas digitais
para ampliar o tempo de aula, promovem maior controle dos
estudantes sobre o local, tempo, ritmo e como estudará,
o que favorece o engajamento para o aprendizado, o melhor
aproveitamento do tempo em sala de aula, o planejamento
personalizado e acompanhamento de cada aluno, considerando
as diferentes formas de aprender etc.
SALA DE AULA INVERTIDA
É aquele modelo em que o aluno tem o primeiro contato
com o conteúdo virtualmente, fora da escola, e depois
discute e tira dúvidas em aula. Os professores postam
vídeos de palestras curtas on-line para os alunos
assistirem em casa antes da aula. Isso permite que o
tempo de aula possa ser dedicado a expandir o domínio
e compreensão sobre o material, através de exercícios
colaborativos de aprendizagem, projetos e discussões.
Essencialmente, o “para casa” que normalmente é feito em
casa é feito em sala de aula, enquanto as palestras que
normalmente ocorrem em sala de aula são vistas em casa.
Os modelos de ensino híbrido podem ser mais ou
menos disruptivos:
MENOS DISRUPTIVOS MAIS DISRUPTIVOS
Rotação por estações Rotação individual
Laboratório rotacional Flex
Sala de aula invertida À la carte
Virtual enriquecido
Quais são as modalidades
de ensino híbrido?
1. MODELO DE ROTAÇÃO – qualquer curso ou matéria em que
os estudantes alternam – em uma sequência fixa ou a critério
do professor – entre modalidades de aprendizagem em que
pelo menos uma seja online.
• Rotação individual – Os estudantes alternam em um
esquema individualmente personalizado entre modalidades
de aprendizagem. Um professor estabelece o cronograma
de cada aluno. Learning analytics, normalmente, é usado
um software que analisa os resultados para combinar
estudantes com lições e recursos que melhor atenderão
suas necessidades individuais.
• Rotação por estações - Rotacionar entre estações já era
uma prática usada pelos professores, a novidade é que
o ensino online entrou como uma estação. As estações
podem ser dentro de uma sala de aula ou em várias salas.
• Laboratório rotacional – Semelhante à rotação por
estações, a diferença é que o laboratório de informática é
uma das estações.
• Sala de aula invertida – O tempo de lição de casa e de
aula expositiva são trocados. O tempo de sala de aula não
é gasto assimilando conteúdo de modo passivo, enquanto
estão em aula, os estudantes praticam resolução de
problemas, discutem questões, trabalham em projetos.
Um dos grandes benefícios é que o estudante possa
aprender no seu tempo, afinal ele pode pausar, retroceder
ou avançar, de acordo com sua velocidade de compreensão,
podem decidir quando assistir a vídeos online, tendo mais
autonomia em seu processo de aprendizagem.
2. MODELO FLEX – cursos ou matérias em que o ensino online é a
espinha dorsal, mesmo que às vezes direcione os estudantes para
atividades presenciais.
3. MODELO “À LA CARTE” – qualquer curso ou disciplina
inteiramente online cursada por um estudante que também
frequenta a escola tradicional. Os cursos online desta modalidade
não têm componente presencial, a parte presencial fica por conta
da escola tradicional.
4. MODELO VIRTUAL ENRIQUECIDO – O estudante aprende
online, mas tem a opção de recorrer a sessões presenciais de
aprendizagem. O critério para contar com sessões presenciais
varia de cada curso, podendo ser por exemplo o progresso
do estudante, se há dificuldades, ele pode recorrer a aulas
presenciais.
Atenção! Os modelos podem se articular
em estratégias combinadas.