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Viabilidade do 5G em Moçambique

Este trabalho visa analisar a viabilidade da implementação da tecnologia 5G em Moçambique, tomando como caso de estudo a operadora Tmcel. Aborda conceitos relacionados à rede 5G e sua evolução a partir das gerações anteriores. Busca identificar os desafios para a implementação desta tecnologia no país, bem como se a população estará apta a usufruir dos serviços 5G. O estudo contribuirá para o debate sobre a adoção desta nova geração móvel em Moçambique.

Enviado por

Figena Castro
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Viabilidade do 5G em Moçambique

Este trabalho visa analisar a viabilidade da implementação da tecnologia 5G em Moçambique, tomando como caso de estudo a operadora Tmcel. Aborda conceitos relacionados à rede 5G e sua evolução a partir das gerações anteriores. Busca identificar os desafios para a implementação desta tecnologia no país, bem como se a população estará apta a usufruir dos serviços 5G. O estudo contribuirá para o debate sobre a adoção desta nova geração móvel em Moçambique.

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UNIVERSIDADE JEAN PIAGET DE MOÇAMBIQUE

LICENCIATURA EM ENGENHARIA DE TELECOMUNICACAO

WINNIE MARCELINA MATOLA ESMAEL JUSSA

ESTUDO DE VIABILIDADE DA TECNOLOGIA 5G EM MOÇAMBIQUE


CASO DE ESTUDO EMPRESA TMCEL

Fevereiro de 2023
ESTUDO DE VIABILIDADE DA TECNOLOGIA 5G EM MOÇAMBIQUE
CASO DE ESTUDO EMPRESA TMCEL

Autor: Winnie Marcelina Matola Esmael Jussa


Orientador: ENG.

Fevereiro 2023
Winnie Marcelina Matola Esmael Jussa, autor da
monografia intitulada Estudo de viabilidade da
tecnologia 5G em Moçambique, declaro que, salvo
fontes devidamente citadas e referidas, o presente
documento é fruto do meu trabalho pessoal,
individual e original.

Cidade da Beira, aos 28 de Fevereiro de 2023

Winnie M. M. E. Jussa

Memória Monográfica apresentada à Universidade


Jean Piaget de Moçambique como parte dos
requisitos para a obtenção do grau de Licenciatura
em Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações.
Sumário

Embora a rede de Quarta Geração (4G) não tenha sido totalmente difundida e muitos ainda não
tenham acesso a ela, já surgiu a Quinta Geração (5G). A nova rede promete superar todas as
gerações anteriores, sendo uma extensão melhorada da rede 4G unindo várias outras
tecnologias. A nova tecnologia de comunicação não poderia ter vindo em um momento melhor,
pois, com a eclosão da Internet das Coisas (Internet of Things — IoT), o 5G será a tecnologia
mais adequada para globalizar e tornar as aplicações da mesma possíveis. Porém, para que isto
seja possível terão que ser criadas diretrizes e politicas públicas específicas que deverão ser
viabilizadas pelas operadoras de telefonia móvel, de modo que consigam atender a demanda e
fornecer um serviço de qualidade para todos. Este trabalho visa mostrar a problemática do 5G,
futuramente, além de conceitos relacionados, um breve histórico das suas antecessoras até os
dias atuais, quais dificuldades que as empresas de telefonia móvel terão para implementação
dessa tecnologia e se a população estará apta a usufruir desse serviço.
Palavras-chave: 4G, 5G, IoT, Smart City, 3GPP.

I
Abstract

Although the Fourth Generation (4G) network has not yet been fully widespread and many still
do not have access to it, the Fifth Generation (5G) has already emerged. The new network
promises to surpass all previous generations, being an improved extension of the 4G network
that combines various other technologies. The new communication technology could not have
come at a better time, as with the emergence of the Internet of Things (IoT), 5G will be the
most suitable technology to globalize and make IoT applications possible. However, in order
for this to be possible, specific guidelines and public policies will have to be created and
implemented by mobile phone operators, so that they can meet the demand and provide quality
service to everyone. This paper aims to show the problematic nature of 5G, as well as related
concepts, a brief history of its predecessors to the present day, the difficulties that mobile phone
companies will face in implementing this technology, and whether the population will be able
to enjoy this service.

Key words: 4G, 5G, IoT, Smart City, 3GPP.

II
Epígrafe

"Não importa o quão fraco alguém pareça, não desista deles. Mesmo os mais fracos de nós
podem mudar o curso da história." - Izuku Midoriya.

III
Agradecimentos

Gostaria de expressar minha gratidão a Deus, que tem sido minha luz guia ao longo desta
jornada. Sem Suas bênçãos e constante apoio, eu não teria sido capaz de alcançar tudo o que
conquistei. Ele me deu força e coragem para enfrentar desafios e superá-los com facilidade.

Para minha querida mãe, Minha Nina, não existem palavras suficientes para expressar todo o
meu amor e gratidão por tudo o que você fez por mim. Obrigada por ser minha guia, meu
exemplo, minha amiga e por sempre me apoiar em todas as decisões que tomei na minha vida.
Sei que sem você eu não teria chegado onde estou hoje, e sou muito grata por ter você ao meu
lado, eu amo você daqui até neptuno sem viagem de volta.

Ao meu padrasto, gostaria de expressar minha gratidão pela sua presença constante na minha
vida. Obrigada por me acolher como sua filha e por sempre me tratar com carinho e respeito.
Agradeço por todos os momentos que compartilhamos juntos e por me ensinar valores
importantes que carrego comigo até hoje. Sou muito feliz por ter você como parte da minha
família.

Aos meus irmãos, Ira, Nilma e Júnior, e ao meu sobrinho Yannick, obrigada por serem meus
amigos e companheiros de vida. Vocês sempre estiveram presentes, me fazendo rir nos
momentos difíceis e me dando forças para continuar em frente. Agradeço por compartilharmos
tantas aventuras e momentos especiais juntos. Amo vocês de todo o meu coração.

Aos meus amigos, especialmente a Fanita, Figena e Letícia, quero expressar minha gratidão por
todo o apoio e companheirismo que vocês me proporcionam. Obrigada por estarem sempre
presentes em momentos de alegria, mas também de dificuldade. Agradeço por todas as risadas,
as conversas profundas e por todas as memórias que construímos juntos. Vocês são uma parte
muito importante da minha vida e sou muito grata por tê-los como amigos.

Por fim, aos meus docentes, em especial ao meu tutor Manuel Mutende, gostaria de agradecer
por todo o conhecimento que vocês compartilharam comigo ao longo da minha jornada
acadêmica. Obrigada por desafiarem minha mente e me encorajarem a ser uma estudante
melhor. Agradeço pelo seu tempo, dedicação e paciência em me ensinar e orientar em cada
disciplina. Sou grata por ter tido professores tão inspiradores e dedicados em minha vida
acadêmica.

IV
Dedicatória

Dedico este trabalho à minha querida mãe, que sempre me apoiou e incentivou a buscar o
conhecimento; ao meu padrasto, que sempre esteve presente e me ensinou a importância da
perseverança; aos meus amigos, que compartilharam comigo momentos inesquecíveis e me
ajudaram a crescer como pessoa; e aos meus docentes e técnicos da Tmcel, que com paciência
e dedicação me guiaram nesta jornada acadêmica. Sem a ajuda e o apoio de cada um de vocês,
este trabalho não teria sido possível. Muito obrigada!

V
Lista de Abreviaturas e Siglas

1G Primeira Geração de Tecnologia Móvel


2G Segunda geração de tecnologia de telefonia móvel
3G Terceira geração de tecnologia de telefonia móvel
3GPP Third Generation Partnership Project
4G Quarta geração de tecnologia de telefonia móvel
5G Quinta geração de tecnologia de telefonia móvel
IoT Internet of Things
5G Quinta geração da telefonia móvel
RAN Radio Access Network
UE User Equipment
MIMO Multiple Input e Multiple Output
LTE Long Term Evolution
eMBB Enhanced mobile broadband
mMTC massive machine-type communications
URLLC ultra-reliable and low-latency communications
KPIs Key Performance Indicator
V2X Vehicle-to-everything
5GC 5G Core
QoS Quality of Service
MTC Machine type communication
OTT Over The Top

VI
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Índice
Sumário........................................................................................................................................I
Abstract ...................................................................................................................................... II
Epígrafe .................................................................................................................................... III
Agradecimentos ........................................................................................................................ IV
Dedicatória................................................................................................................................. V
Lista de Abreviaturas e Siglas ..................................................................................................VI
Introdução ................................................................................................................................. 10
1.1 Justificativa .................................................................................................................... 11
1.2 Problematização............................................................................................................. 11
1.3 Hipótese ......................................................................................................................... 12
1.4 Objectivos ...................................................................................................................... 12
1.5 Relevância (Cientifica e Social) .................................................................................... 12
1.6 Metodologia ................................................................................................................... 13
1.7 Marco Teórico ................................................................ Erro! Marcador não definido.
1.8 Cronograma de Actividades ........................................... Erro! Marcador não definido.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................ 15
2.1 REDE DE COMUNICAÇÃO MÓVEL CELULAR .................................................... 15
2.2 EVOLUCAO DA TECNOLOGIA ................................................................................ 19
2.3 Sistema 5G..................................................................................................................... 27
2.4 Espectro ......................................................................................................................... 33
2.5 Beamforming ................................................................................................................. 36
2.6 Massive MIMO .............................................................................................................. 37
3 Arquitetura da rede 5G .................................................................................................. 40
3.1 STANDALONE E NON-STANDALONE ................................................................... 41
3.2 Network slicing ............................................................................................................. 47
4 Aplicacoes da tecnologia 5G ......................................................................................... 50
4.1 Banda Larga................................................................................................................... 52
4.2 Massive IoT ................................................................................................................... 54
5 Aspectos económicos da rede 5G .................................................................................. 60
6 ANALISE SWOT .......................................................................................................... 62
7 Conclusão ...................................................................................................................... 64
8 Referências Bibliográficas ............................................................................................. 66

7
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Tabelas
Tabela 1: Cronograma de actividades, adaptado pelo autor. ..... Erro! Marcador não definido.
Tabela 2: Comparação de principais características entre o 4 e o 5G(Teltonika Networks,
2023) ................................................................................................................................. 27
Tabela 3: Requisitos da rede 5G( Adaptado pelo autor). ......................................................... 28
Tabela 4: Arquitetura 5G SA vs NSA (Adaptado pelo autor). ................................................. 41
Tabela 5: Opções de implementação, investimento total (IHS Markit, 2019). ........................ 46

8
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Figuras
Figura 1: Estrutura simplificada da Rede de Comunicação Móvel Celular. (Fonte: Guilherme
Farias, 2018) ..................................................................................................................... 16
Figura 2: Estrutura de RAN no UMTS (Fonte: Guilherme Farias 2018). ................................ 17
Figura 3: Arquitetura de uma rede de rádio UTRAN coletando tráfego de UEs (Fonte: Wiki).
.......................................................................................................................................... 18
Figura 4: Arquitetura da rede UMTS (Fonte: Guilherme Farias, 2018). .................................. 19
Figura 5: Evolução arquitetural das redes móveis. (Teltonika Networks, 2023). .................... 20
Figura 6: Telefone sem fio 1G (Teltonika networks, 2023). .................................................... 22
Figura 7: Telefones celulares da Segunda Geração (Teltonika Networks, 2023). ................... 23
Figura 8: Comparação do 2G até o 4G (Teltonika Networks, 2023). ...................................... 25
Figura 9: Arquitetura da rede LTE (Guilherme Farias, 2018) .................................................. 26
Figura 10: Casos de uso do 5G. ( GetApp, 2019)..................................................................... 29
Figura 11: Tecnologia vehicle-to-everything (V2X) ................................................................ 32
Figura 12: Feixes individuais para telefones celulares (greyb, 2019) ...................................... 37
Figura 13: Diferença entre estações base atuais versus 5G massive mimo Huawei, 2022). .... 38
Figura 14: Modelo de sistema para o sistema MIMO massivo (Site MathWorks - Large-scale
antenna systems for 5G wireless systems, 2019). ............................................................ 40
Figura 15: Arquitetura da rede 5G modo SA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).
.......................................................................................................................................... 43
Figura 16: Arquitetura da rede 5G modo NSA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).
.......................................................................................................................................... 44
Figura 17: Redes 5G subdivididas em redes virtuais otimizada para cada caso de negócio
(Relatório An Introduction to Network Slicing, 2017)..................................................... 48
Figura 18: Representação do Network Slicing segundo 5GPPP (Relatório View on 5G
Architecture, 2017). .......................................................................................................... 50
Figura 19: Ponto de partida para os casos de uso definidos pelo IMT 2020 (Relatório A New
Era for Enhanced Mobile Broadband, 2018). .................................................................. 51
Figura 20: Previsão de mercado para o FWA (Maximize Market Research, 2019). ............... 54
Figura 21: Tecnologias chave para dispositivos de IoT massivo (Relatório Key technology
choices for optimal massive IoT devices, 2019) ............................................................... 55

9
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Introdução

A quinta geração da telefonia móvel, ou 5G, é um conceito que está em uso em diversos
lugares do mundo. Este modelo de conexão se dá ao fato de se prever que a sociedade
actual necessitaria de mais banda nas conexões móveis, o que beneficiaria também a
Internet das Coisas (Internet of Things — IoT). O 5G tem varias vantagens como banda
larga, compatibilidade, disponibilidade, segurança e custo. De acordo com Foukas et al
(2017), o 5G foi dimensionado para ser uma rede multisserviço, suportando uma ampla
gama de dispositivos com uma diversidade de conjunto de requisitos de desempenho e
serviço.

A nova rede terá grandes desafios (no seu dimensionamento e implementação,


principalmente), pois são vários aspectos que deverão ser analisados e resolvidos. Alguns
dos desafios são a disponibilidade, eficiência energética, integração das redes inferiores,
padronização das faixas de transmissão e custo (AGIWAL, 2016).
Esta nova rede proporciona uma nova forma de vida para as pessoas e todas as coisas que
as cercam, pois a ideia é que tudo que possa ser conectado seja convertido a um cliente,
produto ou serviço.

As empresas de telecomunicações tem um papel muito importante para o fornecimento do


5G, pois a disponibilidade dos serviços depende dos investimentos que serão aplicados no
setor. Em Moçambique, este é um aspecto bem complicado, por dependerem de vários
fatores tais como regulamentações, investimentos, estudos e sendo esta uma tecnologia
emergente o nosso pais fica ainda mais para trás no seu estudo e implementação.
A quinta geração de tecnologia móvel (5G) foi desenvolvida para que suporte cenários
como: eMBB (Enhanced mobile broadband), URLLC (Ultra-reliable and low latency
communications) e mMTC (Massive machine type communications) e, portanto, deve ser
flexível o suficiente para atender aos requisitos de conectividade de serviços existentes e
futuros para ser implementado com eficiência em um único bloco contínuo de espectro.
Diante da sua complexidade, os desafios para evolução e efetiva implementação da
tecnologia 5G em Moçambique são diversos, dos quais envolvem questões regulatórias e

10
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

políticas, estímulo à inovação tecnológica nacional em telecomunicações e a necessidade


de ampliação e adequação da infraestrutura de rede existente.

1.1 Justificativa

Em um contexto em que as redes móveis tornam-se mais indispensáveis, assim como


o uso de aplicações, ter uma conexão mais rápida e eficiente é bastante importantes nos
dias atuais e ate mesmo nas prospeções futuras. Portanto, faz-se necessária uma nova
rede que seja capaz de transmitir muitos dados em alta velocidade com uma latência
bem baixa. Assim sendo, as operadoras de serviços móveis tem um grande papel neste
contexto que é fornecer os serviços para os usuários. Segundo o Patounas et al (2017),
os dispositivos móveis tornaram-se uma parte essencial das nossas vidas diárias e,
como tal, a rede móvel e a infraestrutura que os conecta tornou-se crítica.

A partir disto, este trabalho terá um direcionamento realizando um estudo da arte sobre
a quinta geração da telefonia móvel e os problemas que as operadoras de serviços
móveis terão para implantar o 5G em Moçambique e como ele será para o consumidor
final baseado no custo, além do estudo das tecnologias alternativas que englobam todo
o problema principal.

1.2 Problematização

Para uma implantação do 5G com sucesso, são necessários vários estudos de


viabilidade, assim como a regulamentação da Autoridade Reguladora das
Comunicações-INCM, que é responsável por regularizar o setor de telefonia em
Moçambique, neste caso, é necessário que haja um planejamento das empresas de
telecomunicações e fabricantes, tendo como base o que foi regulamentado pelo INCM.

11
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Tendo em vista a relevância das redes móveis de quinta geração para o futuro da
tecnologia da informação e comunicação, este estudo tem como problema de pesquisa:
a viabilidade da implementação da rede 5G em Moçambique.

1.3 Hipótese

Tendo em conta a justificativa e a problematização colocadas, levantam-se as seguintes


hipóteses:
 O 5G contribui para a implementação da IoT no país;
 A implementação do 5G enfrentará desafios;
 A pesquisa do 5G será um ponto de partida para o estudo do Smart City;
 O estudo do 5G terá relevância social e académica.

1.4 Objectivos

1.4.1 Objectivo Geral

 Apresentar um estudo consistente sobre a implementação da tecnologia 5G


fazendo uma conexão com a evolução técnica e suas respectivas aplicações.

1.4.2 Objectivos Específicos

 Caracterizar a rede 5G e comparar com as tecnologias anteriores;


 Analisar as dificuldades para implantar o 5G em Moçambique;
 Apresentar possíveis aplicações sobre a tecnologia 5G e o impacto da
transformação digital numa era de hiperconectividade;

1.5 Relevância (Cientifica e Social)

À medida que o 5G é implementada, ela irá criar valor em muitas indústrias e para a
sociedade como um todo. O uso inovador da tecnologia promete uma grande variedade de
configurações: hospitais equipados com dispositivos 5G que permitem a monitorização

12
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

remota do paciente e ambulâncias inteligentes que se comunicam com os médicos em


tempo real; carteiras digitais conectadas aos telefones, wearables, carros e outrosa a
dispositivos para transações financeiras sem emenda; e fábricas habilitadas com 5G em
que as ligações podem ser mantidas usando mais sensores ainda; Resumindo, o estudo de
uma viável implementação do 5G é mais um passo para o desenvolvimento da era análoga
que vivemos em Moçambique, onde não aproveitamos ao máximo os recursos tecnológicos
criados e usados no mundo todo.
Quando associado a soluções tecnológicas como a Internet das Coisas (IoT), inteligência
artificial (IA) ou big data, o 5G detém o potencial de fornecer valor social em larga escala.
O estudo do 5G será, então, um assunto de debate científico tanto na sociedade quanto nas
academias tecnológicas, e ter um material especificamente tratando do 5G do ponto de
vista de Moçambique poderá melhor guiar aquele que estuda e até proporcionar a
oportunidade ou ideia para que um novo estudo seja feito.

1.6 Metodologia

Metodologia de pesquisa é um conjunto de métodos e técnicas utilizadas para produzir


trabalhos universitários e relatórios. A descrição clara das etapas permite a repetição dos ensaios
por outros pesquisadores.
Quanto ao propósito, a metodologia escolhida se baseia na pesquisa exploratória.
 Pesquisa exploratória – quando o estudante se propõe a investigar sobre um tema
pouco conhecido por si mesmo, ele realiza uma pesquisa exploratória. Com isso,
ele consegue se familiarizar com o tema, esse estudo procura entender como as
coisas funcionam. Como o objecto de estudo não é de total conhecimento, é
necessário se empenhar na pesquisa bibliográfica e buscar citações relevantes que
facilitem o entendimento do assunto. No estudo exploratório, tudo parte da intuição
e curiosidade do pesquisador, mas ele utiliza procedimentos para validar suas
hipóteses ou não.
Do ponto de vista da natureza das pesquisas, a pesquisa aplicada foi considerada.
 Pesquisa Aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigida à
solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.

13
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Quanto ao tipo de abordagem, a apresentação dos resultados é feita de forma quali-


quanti.
 Abordagem quali-quanti – esse método associa a investigação dos significados das
relações humanas com dados estatísticos, ou seja, é o melhor jeito de promover a
interação entre números e palavras.
Quanto aos procedimentos, o projecto se baseia em análise de documentos e revisão
bibliográfica.
 Análise de documentos – a análise de sites, softwares, white papers, livros, revistas,
jornais, e relatórios configura uma pesquisa documental. Este método também vale
quando há uma consulta de documentos legais para realizar a pesquisa, como leis,
cartas, arquivos escolares, memorandos, regulamentos, estatutos e normas técnicas.
 Revisão bibliográfica – assim se considera quando elaborada a partir de material já
publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e, atualmente,
material disponibilizado na Interne

14
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Este capítulo compreende o embasamento dos conceitos que serão utilizados no desenvolvimento
do estudo, para isso aborda a definição de rede de telefonia móvel, evolução da comunicação
móvel celular, primeira, segunda, terceira e quarta geração. É abordado ainda o conceito de internet
das coisas (IoT), o qual consiste em uma das aplicações que rodam sobre uma rede 5G.

2.1 REDE DE COMUNICAÇÃO MÓVEL CELULAR

Há diversos registros do que possa ter sido a primeira comunicação móvel utilizando um
sistema de telefonia celular. Segundo Rappaport (2009), ainda que de forma rudimentar, em 1897
o italiano Guglielmo Marconi demonstrou a primeira comunicação sem fio quando realizou com
sucesso transmissões de sinal de rádio através do Oceano Atlântico. De acordo com Zaki (2013),
um sistema de comunicação de rádio móvel, por definição, consiste em uma infraestrutura de
telecomunicações que atende usuários que em tese estão em movimento, ou seja, móveis, mas não
necessariamente. A comunicação entre os usuários e a infraestrutura é feita através de um meio
sem fio conhecido como canal de rádio.
Desde o primeiro registro de comunicação móvel em 1897, a estrutura da rede móvel mudou
consideravelmente. À medida que a demanda pela nova tecnologia aumentava, novos componentes
físicos e virtuais foram sendo adicionados à rede com o objetivo de tornar o sistema de telefonia
móvel mais confiável e robusto. Miquelin e Fiori (2012), apresentam a arquitetura da rede de
telefonia móvel considerando as últimas gerações com três componentes principais para o seu
funcionamento, CN (Core Network), RAN (Radio Access Network) e UE (User Equipament),
conforme Figura 1. Ainda que sejam muito similares, a arquitetura nas gerações anteriores tinha
outra estrutura que ainda hoje é amplamente conhecida, CCC (Central de Comutação e Controle),
ERB (Estação Radio Base) e EM (Estação Móvel).

15
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Figura 1: Estrutura simplificada da Rede de Comunicação Móvel Celular. (Fonte: Guilherme Farias, 2018)

2.1.1 Core Network

As Core Networks estabelecem as bases para que as sub-redes troquem informações umas
com as outras. As Core Networks são usadas por provedores de serviços de telecomunicações para
comutação de circuitos, comutação de pacotes, tarifação, sinalização com outras redes e banco de
dados, sendo esta última, elemento responsável pelo registro das informações que trafegam pelo
núcleo de circuitos e pacotes. Para as empresas, com ambientes IoT implantados, a capacidade de
uma Core Network de simplificar a autenticação e a agregação os torna um ativo particularmente
atraente. Core Networks seriais, distribuídas, paralelas e colapsadas, todas apresentam seus
benefícios exclusivos.
A partir das últimas gerações do sistema de telefonia móvel, novos conceitos como HLR (Home
Location Register) e AUC (Autenthication Center) foram introduzidos, ambos mecanismos de
armazenamento, identificação e autenticação dos usuários.
Segundo Kurose (2006), o HLR é um banco de dados de usuários (assinantes), que contém
informações e perfis de usuários. De forma mais prática e lúcida, os HLRs são usados pelas MSCs
(Mobile Switching Center) ou Centrais de Comutação Móveis para verificar se o assinante pode
originar uma chamada, quais serviços foram contratados e existência de créditos do terminal
móvel.

16
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2.1.2 RAN

Uma rede de acesso de rádio é uma tecnologia que conecta dispositivos individuais a outras
partes de uma rede por meio de conexões de rádio. É uma parte importante das telecomunicações
modernas, com conexões de rede 3G e 4G para telefones celulares sendo exemplos de redes de
acesso de rádio. Desde a primeira versão do UMTS (Universal Mobile Telecommunication
System) que segundo Zaki (2013), tinha como objetivo a padronização global do sistema de
comunicação móvel, a interface aérea que provê acesso à rede para os terminais móveis é chamada
de RAN (Radio Access Network). Derivações podem ser utilizadas como GERAN, período da
tecnologia GSM; UTRAN, período da tecnologia 3G; e, a mais recente eUTRAN, na quarta
geração da Comunicação móvel 4G. Ainda segundo Zaki (2013), a rede de acesso por rádio (RAN)
no UMTS é denominada Rede de Acesso por Rádio Terrestre (UTRAN) e é composta por um
elemento RNC (Radio Network Controller) e por vários NodeBs, que representam as estações
rádio base UMTS, conforme Figura 2.

Figura 2: Estrutura de RAN no UMTS (Fonte: Guilherme Farias 2018).

Essa parte do sistema possui as funções de transmissão e recepção, codificação e alocação do canal,
correção e detecção de erros, controle de potência, controle de handover, encriptação do sinal,
além de outras funções.

17
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2.1.3 UE

Equipamento de usuário ( UE ) é um termo de telefonia móvel padronizado que designa


um elemento de uma rede de telefonia móvel celular de terceira ( UMTS ) ou quarta geração (
LTE, LTE Advanced ).

Pode ser um telemóvel, um smartphone, um tablet com ecrã táctil, um router 4G ou um portátil
equipado com chave 3G / 4G; o terminal é autenticado e autorizado a acessar a rede móvel (RAN)
da operadora. O UE se conecta por link de rádio às estações base Node B / eNodeB conforme
especificado nos padrões das séries ETSI e 3GPP 25 e 36.

Figura 3: Arquitetura de uma rede de rádio UTRAN coletando tráfego de UEs (Fonte: Wiki).

Nas redes UMTS e LTE, uma vez que a assinatura é separada do terminal utilizado, o equipamento
do usuário é a associação dos seguintes dois elementos:
 O terminal físico, chamado de equipamento móvel (ME): geralmente é um celular,
smartphone ou tablet,
 Um cartão USIM que representa a assinatura realizada e que contém os principais
parâmetros relativos a ela.

Esta separação permite que várias pessoas usem o mesmo terminal (ME) com assinaturas
diferentes e, inversamente, usar uma única assinatura (cartão SIM) em vários terminais.

18
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Também conhecido como MS (mobile station) ou estação móvel, o UE (user equipament)


corresponde ao conjunto do terminal móvel e seu identificador de assinante USIM (Universal
Subscriber Identity Module), conforme Figura 4.

Figura 4: Arquitetura da rede UMTS (Fonte: Guilherme Farias, 2018).

2.2 EVOLUCAO DA TECNOLOGIA

Desde os primórdios da civilização, na Grécia antiga, com o uso de sinais de fumaça como forma
de comunicação, observa-se o desejo de comunicar-se livre de fios e aparatos (DIAS, 2001).

A comunicação sem fio é a transferência de informações à distância sem o uso de condutores


elétricos ou cabos. Esse tipo de comunicação teve início com a patenteação do sistema sem fio
completo em 1897, feita por Guglielmo Marconi, que desenvolveu o primeiro telégrafo wireless.
As distâncias envolvidas na comunicação sem fio podem ser curtas (alguns metros como no
controle remoto da televisão) ou longas (milhares ou milhões de quilômetros para comunicações
de rádio). Com os avanços tecnológicos e novos estudos em relação à comunicações wireless,
novas gerações de redes móveis surgiram com o passar das décadas. Esses avanços trazem impacto
nas áreas da educação, saúde, comunicação, segurança e afetam até o modo como o ser humano
se relaciona no dia-a-dia.

19
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Figura 5: Evolução arquitetural das redes móveis. (Teltonika Networks, 2023).

Graças às tecnologias de comunicação de rede sem fio, o mundo é o que você chamaria de
"conectado". No entanto, tem sido um longo caminho através de cada geração de tecnologias de
rede para chegar às velocidades, segurança e serviços de dados de hoje. Com o 5G dominando o
mercado e sendo o objecto de estudo dessa pesquisa, é um bom momento para caminhar pela pista
da memória de cada geração de rede e ver como cada tecnologia levou ao ponto em que estamos
agora.

2.2.1 0G

Uma geração que a maioria das pessoas nem sabia que existia, uma vez que não tem sido
um assunto atual por algum tempo. No entanto, enquanto o 0G representa uma era geralmente
primitiva para a comunicação sem fio, tudo tem que ter um começo. A ascensão da conectividade
de rede sem fio começou na forma de um sistema de rádio-telefone móvel nos anos 50.
Os dispositivos de comunicação pré-celular eram geralmente instalados em carros ou pastas e
suportavam apenas um número limitado de canais para transmissão de informações. A tecnologia
foi baseada em sinais analógicos usados como transmissores de comunicação entre dois pontos de
extremidade para estabelecer chamadas de voz em tempo real.

20
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

0G foi a geração que introduziu duas formas de comunicação. As pessoas inicialmente usaram a
comunicação sem fio com o método push-to-talk (PTT), semelhantes aos walkie-talkies. O alto-
falante tinha que apertar um botão para enviar uma mensagem de voz para o receptor e vice-versa.
O outro método de comunicação – agora conhecido como a norma – foi estabelecido após o PTT:
um sistema de telefonia móvel melhorado (IMPS). Esse método permitiu que tanto o alto-falante
quanto o receptor ouvissem e trocassem informações simultaneamente.
As tecnologias 0G não estavam disponíveis para a grande maioria das pessoas, por isso, quando a
perspectiva ambiciosa de comunicação sem fio se tornou aparente, o desenvolvimento do 0G foi
mais longe.

2.2.2 1G

Por volta dos anos 80, as empresas privadas começaram a criar a próxima geração de
telecomunicações: 1G. A função essencial do 1G era semelhante ao 0G – permitir que as pessoas
fizessem chamadas de voz em tempo real usando sinais analógicos. Mas é a abordagem e a escala
da tecnologia que a tornaram tão diferente. Esta geração foi o início de uma rede sem fio global.
Com velocidades de até 2,4 Kbps, o 1G foi capaz de suportar chamadas de voz em tempo real em
uma escala muito maior devido a um aumento do número de estações base em diferentes áreas
geográficas. Todas as estações base reutilizavam frequências, o que significava que, dependendo
da localização da estação base, algumas áreas tinham as mesmas frequências de rádio através das
quais a transmissão de comunicação era possível. Embora a reutilização de frequência tenha
expandido o número de usuários, ela inevitavelmente levou a alguns problemas de segurança.
Como mencionado, o 1G era baseado em sinais analógicos, o que significa que as informações das
mensagens não eram criptografadas de forma alguma. Então, se o seu celular tivesse capturado a
mesma frequência que o dispositivo de comunicação de outra pessoa – todas as suas conversas
privadas poderiam ter sido facilmente rastreadas por terceiros. Com os problemas de segurança
em mente, uma era melhorada de comunicação sem fio estava chegando.

21
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

A primeira geração foi descontinuada praticamente em todos os lugares do mundo com a chegada
do novo milênio, sendo uma exceção com relação às gerações atuais que têm se mantido
operacionais de maneira paralela.

Figura 6: Telefone sem fio 1G (Teltonika networks, 2023).

2.2.3 2G
Em meados de 1990, com o advento da comunicação digital, surgiu o GSM (Global System
Mobile) que foi o sistema padronizado em grande parte dos países europeus. De acordo com
Rappaport (2009), o sistema utilizava tecnologia TDMA (Time Division Multiple Access) que
permitia múltiplos usuários realizarem conexões por um mesmo canal de rádio, cada um ocupando
uma fração do tempo (time slot). Rappaport (2009) complementa que nos Estados Unidos, Coreia,
Japão, China e Austrália fora adotada a tecnologia CDMA (Code Division Multiple Access)
permitindo que os usuários pudessem se comunicar ao mesmo tempo, através do compartilhamento
da frequência, cada acesso usando um código ortogonal único por célula. Essa técnica permitiu
aumentar a capacidade em dez vezes, se comparado aos sistemas de primeira geração usando o
mesmo espectro. O sistema ficou conhecido como Padrão CDMA (IS-95).
Com as técnicas digitais, foi possível aumentar a capacidade dos sistemas, oferecer serviços de
melhor qualidade, ampliar o conceito de mobilidade através do Roaming Internacional (maior
padronização de redes), ter mais segurança com acessos autenticados e dados criptografados e
desenvolver dispositivos móveis muito mais atrativos.

22
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Os sistemas digitais também possibilitaram a introdução dos primeiros serviços de dados na


telefonia, como o SMS (Short Message Service), CSD (Circuit Switch Data), Group 3 Fax e o
serviço de comutação por pacote.
Segundo Dahlman et al. (2007), os pacotes de dados nos sistemas celulares tornaram-se uma
realidade durante a segunda metade dos anos 90, com a introdução do GPRS (General Packet
Radio Services) no GSM; e com o CDMA 1xRTT (1x Radio Transmission Technology), período
conhecido como a era 2.5G.

Ainda que o sistema de telefonia celular estivesse evoluindo, a velocidade não ultrapassava a
marca dos 100 Kbps. A tecnologia EDGE (Enhanced Data Rates for GPRS Evolution) foi uma
tentativa para melhorar a taxa de dados e fornecer até 384 Kbps, no entanto ainda era insuficiente
para prover mais serviços de valor agregado. A diferença mais proeminente entre as tecnologias
de rede 1G e 2G foi relacionada à segurança da informação em trânsito. Em vez de transmitir dados
através de sinais analógicos, a rede 2G empregou sinais digitais que criptografam as informações
em vez de deixá-las como estão.
Outra menção notável deve ir para as redes 2.5G e 2.75G. Estas eram versões do 2G original
apenas com recursos de segurança aprimorados e recursos de transmissão de dados mais rápidos.
Mas se essas melhorias já aconteceram dentro da 2ª geração, o que o 3G trouxe?

Figura 7: Telefones celulares da Segunda Geração (Teltonika Networks, 2023).

23
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2.2.4 3G

O 3G foi a geração de tecnologia de rede notável por trazer as pessoas para a Internet sem
fio. Lançado por volta dos anos 2000, o 3G deu um salto gigante em relação às gerações anteriores,
pois deu acesso a muitos serviços de dados que anteriormente só estavam disponíveis através de
um computador. Com o 3G, as pessoas podiam navegar na web, escrever e-mails e compartilhar
todos os tipos de conteúdo nos minúsculos dispositivos que chamamos de smartphones. Como as
pessoas podiam acessar a Internet através de seus telefones, o 3G conectava os consumidores a
serviços em nuvem para armazenar sem fio todos os seus dados sem conectá-los a outro hardware
de armazenamento de dados.

A rede 3G também foi uma melhoria no lado técnico. Com velocidade ajustada e protocolos de
segurança, esta geração de rede poderia inicialmente atingir velocidades de até 200Kbps e maior
segurança do que suas antecessoras. O 3G tornou-se amplamente empregado em aplicações de IoT
devido a velocidades mais rápidas e cobertura mundial, permitindo o rastreamento e
monitoramento das máquinas. Os padrões utilizados nessa geração são GSM, EGPRS (Enhanced
General Packet Radio Service), sistema móvel universal de telecomunicações (UMTS - Universal
Mobile Telecommunications System) e, além dos padrões citados, CDMA 2000, TD-SCDMA
(Time Division-Synchronous Code Division Multiple Access) e o CDMA de banda larga (WCDMA
- Wideband CDMA) foi amplamente adotado.
Esta geração conta com taxas de dados consideravelmente maiores que as antecessoras, chegando
à 6Mbps com a tecnologia HSPA+ (High Speed Packet Access Plus) enquanto as redes 2G EDGE
(Enhanced Data Rates for GSM Evolution) atingiam taxas de dados máximas, teóricas, de
130Kbps. Ao longo da era 3G, versões de geração atualizadas como 3.5G, 3.75G, 3.9G e até 3.95G
foram criadas, embora, ao contrário de 2.5G e 2.75G, todas elas permanecessem sob o mesmo
termo guarda-chuva 3G.

24
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Figura 8: Comparação do 2G até o 4G (Teltonika Networks, 2023).

2.2.5 4G
Embora o 3G tenha tido seu grande momento transformando as possibilidades de rede sem
fio, ele não tinha nem de longe as velocidades que andariam de mãos dadas com o ritmo de vida
moderno e a demanda de alto desempenho. Assim, por volta de 2010, nasceu a quarta geração de
rede. O principal objetivo do 4G era melhorar todos os aspectos dos recursos e funções das
gerações anteriores, como capacidade de usuários, velocidade, segurança e custo dos serviços de
dados. E fez tanto para uso pessoal quanto industrial.
Com o 4G, tornou-se possível monitorar e controlar continuamente todos os tipos de aplicativos
de IoT e até mesmo transmitir vídeos em tempo real. Mas antes que o 4G pudesse lidar com isso,
essa geração de rede teve um começo difícil, já que quase nenhum provedor de serviços de Internet
(ISP) poderia igualar os padrões estabelecidos do 4G, especialmente em termos de velocidades de
rede. Então, como algo que parecia inalcançável foi colocado em prática?

A solução foi o LTE. Para uma rede ser chamada de 4G, sua velocidade de download não poderia
ser inferior a 100Mbps. Então, como a rede foi muito melhorada, mas não pôde ser categorizada
como 4G, o termo "4G LTE" foi criado para identificar essa rede sem fio aprimorada.

25
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Depois de algum tempo, os ISPs foram capazes de estabelecer conectividade de rede capaz de
atender aos critérios padrão 4G, mas como o termo 4G original não era mais novo ou empolgante,
o termo "4G LTE-A" foi criado exclusivamente para o hype de marketing. O 4G não está planejado
para ser abandonado tão cedo por completo, mas não podemos ignorar o fato de que há novas
gerações surgindo, como é o caso do 5G. A Figura 9 sumariza as tecnologias utilizadas nas
gerações digitais (do 2G ao 4G) na parte da rede de acesso e no núcleo.

Figura 9: Arquitetura da rede LTE (Guilherme Farias, 2018)

2.2.6 5G
Com latências minimizadas, velocidades aprimoradas e maior largura de banda, o 5G eleva
significativamente nossas vidas atuais. Espera-se que, com o 5G, a latência não exceda 1
milissegundo. Ele suporta transmissões de dados perfeitas e mantem velocidades de download de
até 2,5 Gbps e velocidades de upload de até 1,25 Gbps. O 5G promete serviços e experiência do
usuário dez vezes melhores do que seus antecessores.
O 5G revolucionará as maneiras como usamos e percebemos nossas atuais tecnologias de rede sem
fio, tanto para uso privado e diário quanto para a IoT. Com essa geração, as redes domésticas não
precisarão mais depender de fios e a IoT e as indústrias relacionadas poderão avançar com projetos
como carros autônomos e operações médicas remotas.

26
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Ver todas as gerações de rede juntas nos dá uma perspectiva melhor de quão longe chegamos como
uma sociedade em melhoria. A cada geração de rede, novas possibilidades surgem.

CARACTERISTICA IMT-Advanced (4G) IMT-2020 (5G)


Taxa de Dados da Experiência 10 Mbps 100 Mbps
do usuário
Taxa de Dados de pico DL: 1Gbps DL: 20Gbps
UL: 0,5Gbps UL: 10Gbps
Mobilidade 350 Km/h 500 Km/h
Eficiência do Espectro 1 (normalizado) 3x melhor IMT-Advanced
Latência para usuário 10 ms 1 ms
Densidade de conexões 100 mil dispositivos/km2 1 milhão dispositivos/km2
Eficiência energética da rede 1 (normalizado) 100x melhor IMT-Advanced
Banda Até 20 MHz por radio Até 1 GHz por radio

Tabela 1: Comparação de principais características entre o 4 e o 5G(Teltonika Networks, 2023)

2.3 Sistema 5G

A arquitetura do 5G consiste de duas partes: a nova tecnologia NG-RAN (Next Generation


RAN) com suporte a New Radio (NR) e o core 5G (5GC). Ambos tendo mudado consideravelmente
comparados a gerações anteriores. Suas padronizações foram lideradas sobretudo pelos releases
15, 16 e 17 da 3GPP. Estas partes constituintes, bem como seus objetivos e algumas tecnologias
relevantes são descritas as seguir.

2.3.1 Objectivos do 5G

As redes 5G surgem como a evolução das redes LTE no aspecto de proporcionarem


maiores taxas de transmissão de dados e menores latências fim-a-fim. Estas são características
muito desejadas devido ao aumento significativo de equipamentos multimídia conectados e
prevendo a continuidade dessa tendência nos próximos anos. A Tabela 2 mostra alguns dos
principais requisitos desta nova tecnologia para lidar com estes desafios. Mesmo sendo uma
evolução natural das gerações antecessoras, o 5G se mostra distinto das mesmas em outros
aspectos. Um dos mais importantes é a mudança de paradigma onde as operadoras, que até então

27
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

tinham como principais clientes os usuários finais, podem passar a ter como clientes principais as
indústrias. Isto representa uma mudança sem precedentes não somente tecnológicas, mas no
modelo de negócios.

Requisito Métrica
Pico da taxa de dados Até 20 Gb/s DL, até 10 Gb/s
UL
Taxas de transmissão médias observadas Até 100Mb/s DL, até 50 Mb/s
UL
Eficiência espectral Até 30 bits/s Hz DL, até 15 bits/s
Hz UL
Densidade de conexão Até 1 milhão de
equipamentos/km2
Vida de bateria dos equipamentos Mais que 10
anos
Mobilidade Até 500
km/h
Latência de dados do usuário 1 ms para casos de uso na indústria, 4ms
para MBB
Confiabilidade Pelo menos
99,999%

Tabela 2: Requisitos da rede 5G( Adaptado pelo autor).

O 5G apresenta a oportunidade para operadoras oferecerem conexão para residências em áreas


onde fibra óptica é difícil ou muito cara de ser implementada. Evitando a necessidade de obras
para instalação deste tipo de acesso que consumiriam muito tempo e recursos financeiros.

Embora seja um dos principais objectivos do 5G fornecer taxas de dados consideravelmente


maiores em relação à gerações anteriores, um aspecto pelo menos tão importante quanto é a
capacidade de gerenciar uma grande quantidade de equipamentos de IoT comunicando-se de
maneira simultânea, bem como ser utilizada como alternativa à algumas arquiteturas de redes
industriais.

28
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2.3.2 Pilares do 5G

Outra mudança considerável entre o 4G e o 5G é a criação de novas grades de serviço que


visam contemplar os mais distintos cenários, aplicações e casos de uso. As altas velocidades e a
baixa latência prometidas pelo 5G impulsionarão as sociedades para uma nova era de cidades
inteligentes e a Internet das Coisas (IoT). De acordo com o Relatório Setting the Scene for 5G:
Opportunities & Challenges (2018), dentre mais de 70 casos de uso, foram definidos e agrupados
três principais aos quais serão abordados nessa pesquisa conforme Figura 10: enhanced mobile
broadband (eMBB), massive machine-type communications (mMTC) e ultra-reliable and low-
latency communications (URLLC).

Figura 10: Casos de uso do 5G. ( GetApp, 2019)

29
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2.3.2.1 Enhanced Mobile Broadband (eMBB)


Na fase inicial de implantação do 5G, com a adoção de cenários NSA (Non-Standalone),
o principal caso de uso será o eMBB. Segundo Popovski et al. (2018), o tráfego de eMBB pode
ser considerado como uma extensão direta do serviço de banda larga 4G.
Popovski et al. (2018) destaca que esse caso de uso é caracterizado por grandes payloads e por um
padrão de activação de dispositivo que permanece estável durante um longo intervalo de tempo.
Isso permite que a rede programe recursos sem fio para os dispositivos eMBB, de modo que não
hajam dois dispositivos eMBB acessando o mesmo recurso simultaneamente. O objectivo do
serviço eMBB é maximizar a taxa de dados, garantindo uma confiabilidade moderada, com taxa
de erro de pacote (PER) na ordem de 10ˉ³.
De acordo com o Relatório Setting the Scene for 5G: Opportunities & Challenges (2018)
produzido pelo ITU, o eMBB trará banda larga móvel de alta velocidade para áreas populosas,
permitindo que os consumidores desfrutem de streaming de alta velocidade para dispositivos em
ambientes residenciais, aplicações em telas e dispositivos móveis sob demanda, e permitirá que os
serviços de colaboração entre empresas evoluam. Algumas operadoras também consideram o
eMBB como a solução de última milha nas áreas sem conexões de cobre ou fibra para as
residências.

2.3.2.2 Massive Machine-type Communications (mMTC)


mMTC é uma das três principais áreas de serviço 5G. Ele foi criado especificamente para
permitir que um enorme volume de pequenos pacotes de dados seja coletado de um grande número
de dispositivos, simultaneamente. O mMTC suporta aplicações que usam sensores da Internet das
Coisas (IoT), o que significa que os dados podem ser usados para reduzir o consumo de energia,
tornar o trabalho mais eficiente ou melhorar nossas vidas de outras maneiras.

Popovski et al. (2018) destaca que o objetivo do serviço mMTC, é maximizar a taxa de chegada
que pode ser suportada em um determinado recurso de rádio. O PER alvo de uma transmissão
individual de mMTC é tipicamente baixo, na ordem de 10ˉ¹. Segundo Ejaz et al. (2016), a
comunicação entre máquinas tem um papel significativo a desempenhar no emergente paradigma
da internet das coisas nos próximos anos e décadas. O cenário emergente de IoT-5G estende os

30
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

recursos de IoT baseados em sensores para robôs, atuadores e drones para coordenação distribuída
e execução confiável de baixa latência.
No artigo, “Enabling massive IoT in 5G and beyond systems: PHY radio frame design
considerations’” por Ayesha Ijaz et al., os autores propõem uma estrutura de frames flexíveis para
dispositivos massivos de Internet das Coisas (IoT) funcionando na rede 5G. Os autores discutem
a interdependência de diferentes parâmetros, requisitos de serviço e características do ambiente de
rádio. Com base nessas interdependências, diferentes parâmetros como tempo de guarda,
espaçamento da subportadora, volume de dados e características do canal, eles fornecem diretrizes
para o projeto de numerologia de rádio e elaboram a estrutura de quadros para comunicações de
IoT em redes 5G para suportar a densidade massiva de conexão de dispositivos de baixa potência
e taxa.

2.3.2.3 Ultra-reliable and Low-latency Communications (URLLC)


Introduzida na versão 3 do 15GPP para atender aos requisitos da ITU-R M.2083, as
URLLC éum dos principais pilares do 5G New Radio (NR). Como o recurso subjacente necessário
para suportar grades de sensores densas de endpoints de IoT, é um facilitador primário para vários
casos de uso exclusivos nas áreas de fabricação, transmissão de energia, transporte e saúde. Com
a necessidade de oferecer suporte a latências de ponta a ponta tão baixas quanto 5ms, o orçamento
de atraso para interfaces individuais pode ser tão baixo quanto 1ms. Isso significa que as
otimizações devem ser feitas em todas as etapas do processo de transmissão de links ascendentes
e descendentes.

Segundo Popovski et al. (2018), o serviço URLLC suporta transmissões de baixa latência de
pequenos payloads com confiabilidade muito alta de um conjunto limitado de terminais, que serão
ativados de acordo com padrões normalmente especificados por eventos externos, como alarmes.
O relatório 5G Mobile: Impact on the Health Care Sector, produzido por Teece (2017), afirma que
o 5G tem um papel importante a desempenhar na entrega de intervenções de missão crítica. Um
exemplo citado no relatório é um caso relacionado ao tratamento de um paciente com AVC onde
as redes ultra confiáveis e de baixa latência (URLLC) têm um papel fundamental a desempenhar
do ponto em que o dispositivo de monitoramento do paciente envia um sinal de socorro à

31
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

ambulância, onde imagens de alta resolução e dados sobre sinais vitais podem ser transmitidos
para o hospital antes da chegada do paciente.

Segundo Teece (2017), no campo da saúde, o 5G é a base de sustentação para o que é chamado de
Internet of Medical Things (IOMT). O IOMT envolve um ecossistema de conexões que facilitarão
a comunicação e o feedback entre pacientes, por um lado, e dispositivos médicos e equipamentos
de monitoramento, por outro. Além disso, a rede 5G trará uma diferença enorme em termos de
capacidade de diagnósticos e análises de forma remota, com o uso de aplicativos de realidade
virtual e realidade aumentada realmente imersivos. A capacidade de simular uma experiência ao
vivo e de fazer perguntas ao paciente em tempo real, não apenas fornece tratamento e diagnóstico
imediatos, mas também tratamento e diagnósticos mais eficazes.
Em seu outro relatório 5G Mobile: Disrupting the Automotive Sector, Teece (2017) destaca que o
5G será o habilitador e acelerador dos benefícios sociais dos carros autônomos e veículos
inteligentes. Os recursos de baixa latência (URLLC) e alta taxa de bits (eMBB) do 5G
possibilitarão as comunicações V2X (vehicle-to-everything) que abrange uma gama de habilidades
de comunicação: veículo para pedestre, veículo para veículo, veículo para rede, veículo para
dispositivo móvel e veículo para infra-estrutura, conforme Figura 11.

Figura 11: Tecnologia vehicle-to-everything (V2X)

32
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Popovski et al. (2018) ressalta que as transmissões de URLLC também são intermitentes assim
como os serviços mMTC, mas o conjunto de potenciais transmissores de URLLC é muito menor
se comparado ao segundo caso de uso. A taxa de transmissão de um URLLC é relativamente baixa,
e o principal requisito é garantir um alto nível de confiabilidade, com um PER tipicamente menor
que 10ˉ⁵.

2.4 Espectro
O espectro de frequência é a faixa de frequências do espectro eletromagnético que pode ser
usada para transmissão de informações sem fio. Cada faixa de frequência tem características
diferentes e pode ser utilizada para diferentes propósitos. No caso do 5G, a implementação bem-
sucedida da tecnologia depende da disponibilidade de um espectro amplo o suficiente para oferecer
a velocidade e a capacidade necessárias para suportar as novas aplicações e serviços que o 5G
oferece. Isso inclui aplicações como a Internet das Coisas (IoT), realidade aumentada e virtual, e
comunicação de missão crítica.

O espectro de frequência é fundamental para o funcionamento das redes de telecomunicações 5G.


Em Moçambique, a alocação e atribuição do espectro é de responsabilidade do Instituto Nacional
das Comunicações de Moçambique (INCM), que deve garantir o uso eficiente e equitativo do
espectro. No entanto, a alocação do espectro para o 5G em Moçambique ainda é limitada.

Segundo um relatório da GSMA, a alocação do espectro é um desafio para a implementação do


5G em Moçambique. A GSMA afirma que a falta de frequências adequadas para o 5G em
Moçambique pode limitar a capacidade das operadoras de oferecerem serviços de alta qualidade
para os usuários. O relatório destaca que o espectro deve ser atribuído de forma justa e transparente,
a fim de permitir o desenvolvimento equilibrado do setor de telecomunicações no país.
No entanto, existem esforços para expandir a alocação de frequências para o 5G em Moçambique.
Em agosto de 2020, a INCM anunciou que estava trabalhando em uma nova atribuição de espectro
para o 5G. A agência afirmou que o espectro seria alocado em duas fases, sendo que a primeira
fase ocorreria em 2021 e a segunda em 2023. A INCM também afirmou que o espectro seria
alocado de forma transparente e eficiente.

33
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Em Moçambique, a alocação do espectro para o 5G ainda é limitada, o que pode impedir a


implementação da tecnologia em sua plenitude. De acordo com a GSMA, a alocação do espectro
é um desafio para a implementação do 5G no país. É importante ressaltar que a falta de espectro
adequado para o 5G não é exclusiva de Moçambique e é um desafio em muitos outros países em
desenvolvimento.

Em resumo, a disponibilidade de um espectro adequado é um dos fatores-chave para a


implementação bem-sucedida do 5G em Moçambique, assim como em outros países. A alocação
do espectro deve ser feita de forma justa, transparente e eficiente, a fim de garantir o
desenvolvimento equilibrado do setor de telecomunicações.
Atualmente, a alocação do espectro para o 5G em Moçambique ainda está em processo de
discussão e definição, mas há algumas faixas de frequência que estão sendo consideradas para a
implantação do 5G no país. Algumas dessas faixas são:
 Faixa de 700 MHz: A faixa de frequência de 700 MHz é considerada importante para a
implementação do 5G, pois pode fornecer cobertura de longo alcance e melhorar a
penetração em áreas urbanas e rurais.
 Faixa de 3,5 GHz: A faixa de frequência de 3,5 GHz é outra faixa que está sendo
considerada para o 5G em Moçambique. Essa faixa é conhecida por sua alta capacidade e
é frequentemente usada em áreas urbanas densas.
 Faixa de 26 GHz: A faixa de frequência de 26 GHz é considerada a "faixa de ondas
milimétricas" e é usada para suportar altas taxas de dados e capacidade de rede. No entanto,
a implantação dessa faixa requer mais infraestrutura e é mais adequada para áreas urbanas
densas.
É importante ressaltar que a alocação do espectro ainda está em processo de definição e ainda não
foi finalizada. A INCM e outras autoridades responsáveis pela alocação do espectro em
Moçambique estão trabalhando em diretrizes e regulamentos para a atribuição e licenciamento de
faixas de frequência para o 5G, a fim de garantir o uso eficiente e equitativo do espectro no país.

34
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2.4.1 Ondas milimétricas


As ondas milimétricas, também conhecidas como MMW (Millimeter Waves), são um tipo
de onda eletromagnética de alta frequência com comprimento de onda entre 1 e 10 milímetros,
correspondendo a frequências na faixa de 30 a 300 gigahertz (GHz). Essas ondas possuem um
potencial significativo para aplicação em comunicações sem fio, especialmente no contexto do 5G,
devido às suas características de alta largura de banda e baixa latência.
O uso de ondas milimétricas em sistemas de comunicação sem fio é uma técnica relativamente
nova, e ainda existem desafios técnicos significativos a serem superados. A principal limitação é
a capacidade de penetração dessas ondas em objetos sólidos, o que pode levar a problemas de
cobertura de sinal em ambientes urbanos densos. Além disso, devido à sua alta frequência, as ondas
milimétricas são altamente sensíveis a obstruções, como prédios e árvores, o que pode causar
atenuação de sinal.

No entanto, existem técnicas para superar esses desafios, como o beamforming, que é uma técnica
de processamento de sinal que permite que o sinal de onda milimétrica seja direcionado com
precisão para um determinado dispositivo, aumentando a eficiência e a qualidade da transmissão.
O beamforming pode ser implementado por meio de uma variedade de antenas, incluindo antenas
de matriz, que permitem a transmissão de sinais de onda milimétrica em múltiplas direções.

Segundo Rappaport et al. (2013), "as antenas de matriz com capacidade de beamforming em redes
5G permitirão transmissões de alta potência para dispositivos específicos, melhorando a eficiência
espectral e a confiabilidade do sinal". Além disso, o beamforming também pode ser utilizado em
sistemas de antenas de múltiplas entradas e múltiplas saídas (MIMO), que são capazes de aumentar
ainda mais a capacidade de transmissão de dados de um sistema de comunicação sem fio.

No contexto de Moçambique, a utilização de ondas milimétricas tem sido explorada como uma
solução para a limitação de largura de banda e velocidade da internet móvel no país. Segundo o
Plano Nacional de Atribuição de Frequências, a frequência de 26 GHz foi alocada para a
implementação de sistemas 5G em Moçambique. A implementação de técnicas como o
beamforming pode permitir que essas ondas milimétricas sejam direcionadas com precisão,

35
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

aumentando a eficiência e a qualidade da transmissão, e melhorando assim a experiência do


usuário.
Em resumo, as ondas milimétricas são uma tecnologia promissora para o 5G e outras aplicações
de comunicação sem fio, e o beamforming é uma técnica chave para superar os desafios técnicos
associados à sua implementação. À medida que a tecnologia avança e os desafios são superados,
é provável que as ondas milimétricas se tornem uma parte cada vez mais importante das
comunicações sem fio em todo o mundo.

2.5 Beamforming

O beamforming é uma técnica utilizada em telecomunicações que permite direcionar o


sinal de transmissão de uma antena para um receptor específico. Essa técnica é essencial para a
implementação do 5G, que exige maior eficiência no uso do espectro de frequência e melhorias na
qualidade do sinal. O beamforming pode ser realizado de duas formas principais: com
beamforming analógico ou digital. No beamforming analógico, o sinal é ajustado em tempo real
através do uso de componentes analógicos, enquanto no beamforming digital, o sinal é processado
em tempo real através de algoritmos digitais.

O beamforming é particularmente útil em frequências mais altas, como as utilizadas no 5G, onde
o sinal é mais sensível a obstáculos físicos. O uso do beamforming permite que o sinal de
transmissão seja direcionado para uma área específica, aumentando a eficiência da transmissão e
melhorando a qualidade do sinal.
De acordo com Ghosh et al. (2019), o beamforming é uma técnica que permite o uso eficiente do
espectro de frequência do 5G e pode fornecer velocidades de transmissão de dados muito maiores
do que as tecnologias anteriores. Além disso, a utilização do beamforming pode melhorar a
cobertura de sinal e reduzir a interferência em áreas urbanas densas.

Para o beamforming digital, é possível utilizar diferentes algoritmos de processamento de sinal


para obter melhores resultados, como o Maximum Ratio Combining (MRC), o Minimum Mean
Square Error (MMSE) e o Zero Forcing (ZF). Segundo Zhang et al. (2019), o MRC é uma técnica
de beamforming digital que pode ser aplicada em sistemas de comunicação sem fio de múltiplas
antenas para melhorar a qualidade do sinal recebido pelo usuário final.

36
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

No contexto de Moçambique, o beamforming também é uma técnica relevante para a


implementação do 5G, já que o país tem um grande potencial para o desenvolvimento da
tecnologia. De acordo com o relatório "5G em Moçambique: Oportunidades e Desafios", elaborado
pela consultoria Deloitte, a implementação do 5G no país deve levar em consideração os desafios
geográficos e demográficos, mas também deve aproveitar as oportunidades que a tecnologia
oferece para melhorar a qualidade da conectividade e estimular o desenvolvimento
socioeconômico.
Em resumo, o beamforming é uma técnica fundamental para a implementação do 5G, permitindo
o uso eficiente do espectro de frequência, melhorias na qualidade do sinal e cobertura de áreas
urbanas densas. A utilização do beamforming pode ser feita através de diferentes algoritmos de
processamento de sinal, como o MRC, o MMSE e o ZF, e deve ser considerada na implementação
do 5G em Moçambique, tendo em vista o potencial da tecnologia para o desenvolvimento
socioeconômico do país.

Figura 12: Feixes individuais para telefones celulares (greyb, 2019)

2.6 Massive MIMO

Uma das principais áreas de inovação em comunicações sem fio está nas tecnologias
avançadas de antenas. Usando mais antenas de forma inteligente, pode-se melhorar a capacidade
e a cobertura da rede. Ou seja, mais fluxos de dados espaciais podem aumentar significativamente
a eficiência espectral, permitindo que mais bits sejam transmitidos, e conforme apresentado com

37
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

técnicas de beamforming pode-se estender o alcance das estações base concentrando energia RF
em direções específicas.

Figura 13: Diferença entre estações base atuais versus 5G massive mimo Huawei, 2022).

MIMO, ou Multiple Input Multiple Output, é uma tecnologia que permite que múltiplos sinais
sejam transmitidos e recebidos em uma mesma frequência, aumentando a capacidade e a eficiência
do sistema de comunicação sem fio. O MIMO envolve o uso de múltiplas antenas tanto no
transmissor quanto no receptor, permitindo que diversos caminhos de propagação sejam
explorados simultaneamente, resultando em um aumento na qualidade e na velocidade da
transmissão. O Massive MIMO pode suportar um grande número de usuários e dispositivos
simultaneamente, sem sacrificar o desempenho

O uso de antenas múltiplas é uma técnica de processamento de sinal que tem sido usada há décadas
em radares, mas somente recentemente foi aplicada em sistemas de comunicação sem fio. A
técnica MIMO foi apresentada pela primeira vez em 1996 pelos pesquisadores Gerard J. Foschini
e Michael J. Gans, da Bell Labs. Desde então, o MIMO tem sido amplamente adotado em sistemas
de comunicação sem fio, especialmente em tecnologias como o Wi-Fi e o LTE, bem como no 5G.

38
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

A tecnologia MIMO é baseada em dois princípios básicos: diversidade de espaço e multiplexação


espacial. A diversidade de espaço é alcançada com o uso de múltiplas antenas no transmissor e
receptor, permitindo que os sinais sejam transmitidos em diferentes direções. A multiplexação
espacial é alcançada com o uso de técnicas de processamento de sinal para separar e reconstruir os
sinais recebidos.

O MIMO tem sido amplamente adotado em sistemas de comunicação sem fio devido aos seus
benefícios em termos de capacidade e eficiência. Por exemplo, em redes 4G LTE, o MIMO tem
sido usado para aumentar a velocidade de download e upload, melhorar a cobertura e reduzir a
interferência. Segundo Andrews et al. (2007), o MIMO tem sido uma das tecnologias mais
importantes para melhorar a capacidade e eficiência das redes sem fio. Além disso, o MIMO tem
sido amplamente utilizado em sistemas de comunicação de próxima geração, como o 5G, para
aumentar a capacidade e a velocidade da rede.

Outro autor, Zhang et al. (2015), afirma que o MIMO tem sido uma das principais tecnologias para
melhorar a eficiência espectral das redes sem fio. O uso do MIMO em sistemas de comunicação
de próxima geração, como o 5G, permitirá que mais usuários acessem a rede simultaneamente,
além de melhorar a cobertura e reduzir a interferência. Um dos principais benefícios do Massive
MIMO é sua capacidade de melhorar significativamente a eficiência espectral, permitindo a
transmissão de quantidades muito maiores de dados ao mesmo tempo. Além disso, ele também
pode aumentar a cobertura do sinal, reduzir a interferência e melhorar a capacidade da rede.

A tecnologia Massive MIMO é particularmente adequada para ambientes urbanos densos, onde há
muitos usuários e dispositivos competindo pelo mesmo espectro de frequência. De acordo com a
literatura técnica, o Massive MIMO pode oferecer até um ganho de 100 vezes em capacidade em
relação ao MIMO convencional com duas antenas, além de reduzir a latência e melhorar a
experiência do usuário. No contexto de Moçambique, o Massive MIMO pode ser especialmente
útil para atender a demanda crescente por conectividade de alta qualidade em áreas urbanas densas
e em eventos de grande porte, como festivais e shows. Além disso, ele pode ajudar a melhorar a
cobertura em áreas remotas e rurais, onde a infraestrutura de rede é limitada.

39
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

De acordo com a publicação "5G Moçambique: o impacto da tecnologia na economia", o Massive


MIMO é uma das principais tecnologias-chave que serão usadas para atender às necessidades de
conectividade em Moçambique. A publicação também destaca que o Massive MIMO pode ajudar
a reduzir os custos de implantação de infraestrutura, tornando a conectividade 5G mais acessível
em áreas remotas e rurais.

Figura 14: Modelo de sistema para o sistema MIMO massivo (Site MathWorks - Large-
scale antenna systems for 5G wireless systems, 2019).

3 Arquitetura da rede 5G

Para resolver os desafios citados até então e atender aos requisitos do sistema 5G, será
necessária uma mudança radical no design da arquitetura celular. Segundo o relatório Making NR
5G a reality, o core network dessa geração alavancará funções de rede virtualizadas para criar
slices (fatias) de rede otimizadas para uma ampla gama de serviços hospedados na mesma rede
física. Cada fatia da rede pode ser configurada independentemente para fornecer conectividade de
ponta a ponta com o NR 5G, que é otimizado para as aplicações necessárias. Além de permitir uma
alocação e utilização de recursos mais eficiente, o core network da rede 5G também oferecerá
aprimoramentos na ativação de modelos de assinaturas flexíveis para operadoras e a criação
dinâmica de serviços que são especialmente úteis para conectar uma ampla gama de novos serviços
e dispositivos.

40
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

3.1 STANDALONE E NON-STANDALONE

A partir do momento em que as operadoras móveis decidirem iniciar a implantação do 5G


em suas redes, Teral (2019) apresenta que as operadoras terão que escolher entre implantar uma
rede 5G Standalone (SA) completa que ofereça experiência E2E (end to end) 5G, ou implantar
uma rede 5G Non-StandAlone (NSA) para ser complementada e suportada pela rede LTE.
Enquanto a primeira opção levará tempo para se desenvolver, a última oferece benefícios limitados
de 5G confinados à melhoria em alguns KPIs da rede.

Tabela 3: Arquitetura 5G SA vs NSA (Adaptado pelo autor).

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Segundo o estudo "A Survey of 5G Network: Architecture and Emerging Technologies", de J. Liu,
C. Wu e S. Chaudhary, a rede 5G Standalone oferece várias vantagens em relação à rede 5G Non-
Standalone. Por exemplo, a rede 5G SA pode fornecer uma experiência mais consistente e
confiável para os usuários, porque não depende da infraestrutura legada da rede 4G. Além disso,
a rede 5G SA pode fornecer maior flexibilidade e escalabilidade para as operadoras, permitindo
que elas atualizem e expandam a rede 5G de maneira mais eficiente.

No entanto, a implantação da rede 5G SA pode ser mais desafiadora e cara do que a implantação
da rede 5G NSA, pois exige a construção de uma nova infraestrutura de rede. Além disso, a
implantação da rede 5G SA pode exigir que os operadores de rede atualizem seus sistemas de
back-end e equipamentos de rádio para suportar a nova arquitetura.

3.1.1.1 SA
A rede 5G Standalone (SA) é a arquitetura da rede de próxima geração totalmente
independente do 4G, projetada para fornecer serviços avançados de comunicação móvel para
atender às necessidades de conectividade em rápida evolução. Ao contrário do 5G não autônomo
(NSA), que depende do 4G para operar, a rede 5G SA é uma arquitetura autossuficiente que oferece
aprimoramentos significativos em relação à rede 4G.
De acordo com o documento técnico do 3GPP, "o 5G SA foi projetado desde o início para oferecer
suporte a casos de uso 5G avançados, incluindo ultra-confiabilidade, baixa latência, mobilidade
extrema, grande número de dispositivos e altas taxas de dados". A rede 5G SA é uma infraestrutura
altamente virtualizada e baseada em nuvem que utiliza tecnologias de software definido (SDN) e
virtualização de funções de rede (NFV) para fornecer uma rede altamente flexível e escalável.
O 5G SA também apresenta uma arquitetura de rede distribuída, que fornece uma rede mais
resiliente e robusta. A arquitetura distribuída permite que as funções de rede sejam distribuídas em
diferentes locais, proporcionando maior redundância e menor latência. Além disso, a rede 5G SA
utiliza uma arquitetura de rede baseada em fatia, que permite a criação de várias redes virtuais
dedicadas para atender a diferentes requisitos de desempenho e segurança.
O 5G SA também usa uma nova interface de rádio chamada interface NR, que é projetada para
suportar uma ampla gama de frequências de rádio, incluindo as ondas milimétricas de alta

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

frequência. A tecnologia de múltiplas entradas e saídas (MIMO) é uma técnica importante que é
usada na interface NR para melhorar a eficiência do espectro e aumentar a capacidade da rede.

Figura 15: Arquitetura da rede 5G modo SA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).

3.1.2 NSA
A rede 5G NSA é a implementação do 5G que utiliza a infraestrutura de rede já existente
da rede 4G, com a adição de algumas funcionalidades do 5G. É uma abordagem evolutiva para a
implementação do 5G, que permite que as operadoras possam oferecer serviços 5G sem ter que
fazer grandes investimentos em infraestrutura de rede. Essa implementação tem sido utilizada em
muitos países como uma forma de acelerar o processo de implantação do 5G.

A rede 5G NSA usa o espectro 5G e a tecnologia de modulação 5G, que oferecem uma taxa de
transferência muito maior do que a rede 4G existente. Ele utiliza a rede 4G para se conectar com
os dispositivos dos usuários, enquanto a rede 5G é usada para fornecer serviços adicionais, como
latência reduzida e maior capacidade de rede. Isso permite que os usuários experimentem alguns
dos benefícios do 5G, como a velocidade mais rápida de download e upload e a menor latência,
sem ter que atualizar seus dispositivos ou operadoras.

A rede 5G NSA é um passo intermediário na evolução da rede 5G, uma vez que ainda usa a
infraestrutura de rede existente da rede 4G. No entanto, é uma solução prática para as operadoras

43
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

que desejam implementar o 5G o mais rápido possível e oferecer serviços de alta velocidade aos
seus usuários. Com o tempo, espera-se que as operadoras migrem para a rede 5G Standalone, que
oferece a implementação completa da arquitetura 5G.

De acordo com o estudo "5G Network Architecture: A High-Level Overview", de Tao Zhang e
colaboradores, a rede 5G NSA "tem como objetivo fornecer uma transição suave da rede 4G
existente para a rede 5G, permitindo que as operadoras aproveitem as vantagens do 5G enquanto
mantêm a infraestrutura de rede 4G existente em funcionamento". A implementação do 5G NSA
é um passo importante na evolução da rede 5G, que deve revolucionar a maneira como nos
comunicamos e nos conectamos.

Figura 16: Arquitetura da rede 5G modo NSA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).

3.1.3 Viabilidade
A arquitetura de duas redes, SA e NSA, é compatível com 3GPP. Ambas as arquiteturas foram
introduzidas no 3GPP15, com apenas seis meses de diferença um do outro. Sua viabilidade
depende em grande parte de fatores externos, como prontidão do equipamento, disponibilidade do
equipamento do usuário e complexidade da implantação.

44
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

 Prontidão do equipamento – Todos os testes 5G e demonstrações pré-comerciais sugeriram


que os fornecedores estavam no caminho certo para lançar sistemas prontos para uso
comercial em 2019. Isso inclui novas estações base de rádio e a plataforma 5G Core
completa. As versões pré-comerciais alcançaram resultados encorajadores.
 Prontidão do equipamento do usuário – A UE ainda é considerada o gargalo que dificulta
qualquer implementação comercial em larga escala. A Qualcomm, sendo a principal
fornecedora de chipsets para UE, anunciou que lançaria seu primeiro chipset habilitado
para 5G. Estes chipsets estavam prontos para comercialização no 3º trimestre de 2019 e
suportavam a 5G SA. O mesmo cronograma se aplicou a outros fornecedores como Intel e
MediaTek. Os fornecedores da UE, como os fabricantes de smartphones, revelaram todos
os seus planos para integrar o 5G em seus dispositivos recém-lançados, incluindo o
Samsung Galaxy S10, Huawei P30 e OnePlus 7.
 Facilidade de implantação – Cada arquitetura tem sua própria complexidade. Por exemplo,
a implantação de uma rede 5G SA seria exigir um plano de longo prazo para fornecer
cobertura nacional. No entanto, os operadores sempre podem começar com uma cobertura
seletiva — cobrindo apenas pontos com demanda potencialmente alta por dados e usar 4G
para continuidade de serviço e serviço de voz. Além disso, tanto a nuvem quanto a
virtualização (as tecnologias fundamentais do 5GC) são consideradas tecnologias
relativamente novas, exigindo que os operadores construam uma nova equipe para
operação e manutenção da rede. Por outro lado, a arquitetura da NSA terá outros tipos de
complexidades. Principalmente, os operadores que escolhem a NSA, precisarão atualizar
sua rede LTE, incluindo todos os eNBs e nós EPC. A atualização é necessária para oferecer
suporte à estrutura de rede mestre-escravo necessária para o modo NSA. Esta estrutura
apresenta um alto nível de complexidade quando se trata de habilitação de serviço e
otimização de desempenho de rede.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

3.1.4 Investimento

Nesta seção, contrastamos as duas arquiteturas de rede 5G do ponto de vista do custo de


aquisição. Faz sentido assumir que o estado final da rede que todas as operadoras buscarão seja
uma rede 5G SA. Em outras palavras, mesmo que as operadoras escolham a opção NSA como
ponto de partida, no final elas acabarão migrando para uma rede 5G totalmente SA.

Tabela 4: Opções de implementação, investimento total (IHS Markit, 2019).

A comparação acima não se baseia nos custos reais. Os valores são relativos. "HIGH" não significa
alto em termos monetários absolutos, mas é alto em comparação com a outra opção

Á curto prazo, parece que a NSA é mais econômica, pois as operadoras ignorarão o 5GC. Assim
sendo, as operadoras irão investir apenas na cobertura seletiva NR 5G, além da atualização de toda
a rede LTE. Por outro lado, a arquitetura SA exige, além da cobertura seletiva NR 5G, a
implantação do 5GC em primeiro lugar. Contudo, de acordo com a experiência do 3G/4G, a rede
principal só leva menos de 20% do investimento total da rede. No caso do 5GC, espera-se que seja
ainda menos dispendioso, graças às tecnologias de nuvem e virtualização, que tornam o 5G
implantável nos data centers existentes das operadoras.

Á longo prazo, as operadoras, com arquitetura de rede NSA, precisarão migrar completamente sua
rede para a SA. Isso significa implantar o 5GC e habilitar NSA e SA durante o período de transição
e, finalmente, migrar somente para arquitetura SA. Obviamente, o complexo procedimento de
migração introduzirá custos adicionais, tais como: atualização EPC frequente, múltiplos períodos
de planejamento e optimização da rede, visitas adicionais ao local, modernização do equipamento
da RAN, reconfiguração da rede de transportes, etc. O investimento acumulado da SA em duas
etapas (da NSA para a SA) pode ser superior à da SA.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

No geral, os operadores estariam melhor se adotassem a opção SA, a fim de evitar o custo de
atualização da rede LTE. Além disso, as operadoras permitirão todas as fontes de receitas, além
do eMBB, para não mencionar que um pioneiro em novas verticais assume uma posição de
liderança de mercado.

3.2 Network slicing


Network slicing é uma das principais funcionalidades do 5G e tem o potencial de
revolucionar a maneira como as redes de telecomunicações são criadas, operadas e mantidas. Em
termos simples, o network slicing permite que a infraestrutura da rede seja dividida em várias redes
lógicas independentes, cada uma com suas próprias capacidades e recursos dedicados. Isso
significa que os operadores de rede podem oferecer serviços personalizados com base nas
necessidades e requisitos específicos de seus clientes.

No contexto de Moçambique, o network slicing pode ser uma solução para fornecer serviços
personalizados para uma ampla gama de aplicativos, incluindo saúde, educação, agricultura,
transporte e finanças. Por exemplo, a rede de transporte pode ser fatiada para fornecer largura de
banda dedicada para veículos autônomos, enquanto a rede de saúde pode ser fatiada para fornecer
conectividade de baixa latência para robôs cirúrgicos.

Além disso, o network slicing também pode ajudar a melhorar a eficiência da rede e a reduzir os
custos de infraestrutura. Por exemplo, a capacidade de uma rede pode ser realocada dinamicamente
para diferentes fatias de rede, dependendo da demanda do usuário. Isso pode ajudar a maximizar
o uso dos recursos da rede e reduzir o desperdício de capacidade.

Em suma, o network slicing é uma das principais funcionalidades do 5G e tem o potencial de


revolucionar a maneira como as redes de telecomunicações são criadas, operadas e mantidas. No
contexto de Moçambique, o network slicing pode ajudar a fornecer serviços personalizados para
uma ampla gama de aplicativos e também pode melhorar a eficiência da rede e reduzir os custos
de infraestrutura.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

De acordo com o artigo "Network Slicing for 5G with SDN/NFV: Concepts, Architectures, and
Challenges" de Wei et al. (2019), "a ideia do network slicing surgiu com a necessidade de atender
às diversas demandas de serviços e aplicações 5G com requisitos diferentes". O mesmo artigo
também destaca que o network slicing é uma funcionalidade chave do 5G e que "a abordagem do
network slicing pode ajudar a resolver muitos desafios em relação à implantação e gerenciamento
de redes 5G, como a necessidade de suportar serviços 5G com requisitos de desempenho e recursos
diferentes".

O artigo "Network Slicing in 5G: Survey and Challenges" de Abidi et al. (2020) também destaca
a importância do network slicing no contexto do 5G, afirmando que "o network slicing é uma
técnica chave que permitirá que as redes 5G sejam personalizadas para diferentes casos de uso,
permitindo a coexistência de várias aplicações em uma única infraestrutura de rede". O mesmo
artigo destaca que o network slicing pode ser usado para oferecer serviços personalizados para
uma ampla gama de aplicativos, incluindo saúde, educação, transporte e finanças, e que o network
slicing é um fator importante para o sucesso do 5G.

Segundo Oliveira, Alencar e Lopes (2018), o objetivo do network slicing é criar instâncias virtuais
de rede dedicadas para diferentes serviços. A fatia de rede pode ser considerada como uma coleção
de funções da rede móvel necessária para operar do começo ao fim de uma rede móvel lógica.
Assim, uma única rede física pode ser particionada em múltiplas redes virtuais, permitindo que a
operadora ofereça suporte dedicado para diferentes tipos de serviços ou usuários.

Figura 17: Redes 5G subdivididas em redes virtuais otimizada para cada caso de negócio
(Relatório An Introduction to Network Slicing, 2017).

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

De acordo com o relatório An Introduction to Network Slicing, o principal recurso do networking


slicing é a capacidade de personalizar os recursos e a funcionalidade que uma rede móvel oferece
aos clientes corporativos. Esse serviço personalizado pode ser separado logicamente em dois
componentes: Serviço de Conexão de Rede ou Serviço de Recursos de Rede.
O Serviço de Conexão de Rede compreende um conjunto de atributos técnicos que determinam o
comportamento da fatia, bem como a topologia e a distribuição geográfica de uma fatia. Tais
atributos citados no relatório da GSMA incluem:
a) Latência quase em tempo real;
b) Altas e estáveis altas velocidades de upload e download;
c) SLA garantido;
d) Cobertura para garantir uma experiência de serviço perfeita entre redes e fronteiras;
e) Gerenciamento de dispositivos conectados;
f) Mobilidade contínua para entrega de serviços ininterrupta e qualidade estável;
g) Eficiência energética;
h) Segurança de dados para satisfazer requisitos de segurança e privacidade.

Além desses serviços de recursos de rede, a rede é capaz de oferecer serviços de plataforma
adicionais. O relatório An Introduction to Network Slicing, realizado pelo grupo GSMA detalha
exemplos de elementos de tecnologia que podem ser usados para personalizar os serviços da
plataforma das operadoras:
a) Big Data Analytics que pode ser oferecida como um serviço para apoiar o
gerenciamento de dados para orquestração de processos ou ecossistemas
complexos;
b) Gerenciamento de ID / Ativo para autenticação automatizada, em tempo real e
segura;
c) Segurança da plataforma como um serviço para fornecer vários níveis de segurança;
d) Cobrança dinâmica de interações em tempo real;
e) Cloud computing;
f) Computação de ponta para computação distribuída e armazenamento de dados para
serviços com requisitos de baixa latência;
g) Integração de parceiros para integração fácil e instantânea de parceiros;

49
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

h) Posicionamento como um serviço que é adaptado aos requisitos do serviço;


i) APIs que fornecem diferentes recursos de controle e gerenciamento.

De acordo com o Grupo 5GPPP em seu artigo View on 5G Architecture, o network slicing fornece
os meios pelos quais as operadoras da rede podem fornecer recursos programáveis de rede para
provedores OTT (provedor de serviço Over The Top) e outros participantes do mercado sem alterar
sua infraestrutura física. As fatias podem oferecer suporte a vários serviços dinâmicos e meios de
integração para players de mercado como a indústria automotiva, a indústria de energia, a indústria
de assistência à saúde, a indústria de mídia e entretenimento, conforme Figura 18.

Figura 18: Representação do Network Slicing segundo 5GPPP (Relatório View on 5G


Architecture, 2017).

4 Aplicacoes da tecnologia 5G

Todas as tecnologias citadas até o momento são impulsionadas por aplicações e serviços que
visam de alguma forma beneficiar a sociedade. Até as redes 4G, as aplicações foram movidas por
recursos de rede disponíveis, oferecendo serviços principalmente focados em comunicação de voz
e dados. No entanto, com o surgimento de uma nova geração de aplicações over-the-top (OTT),

50
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

serão necessários novos recursos que definirão e impulsionarão a rede 5G para uma nova era de
aplicações.
Segundo artigo do IEEE, 5G and Beyond Technology Roadmap White Paper, a rede 5G permitirá
os provedores e operadoras de serviços a criar novas plataformas para permitir a próxima geração
de aplicações, além de desenvolver novos modelos de negócios. Streaming de vídeo e aplicações
baseadas em IoT são os atuais “killers applications" que combinados com os recursos de realidade
virtual e aumentada, criarão oportunidades em vários setores. De acordo com o estudo da GSMA,
The 5G era in the US 2018, a maioria das operadoras de comunicação móvel em todo o mundo
indicam que a banda larga móvel aprimorada (eMBB) será a principal proposta nas primeiras
implementações de 5G, com comunicações IoT massivas e ultraconfiáveis de baixa latência
ganhando escala em um estágio posterior, conforme Figura 19.

Figura 19: Ponto de partida para os casos de uso definidos pelo IMT 2020 (Relatório A New Era
for Enhanced Mobile Broadband, 2018).

De acordo com o relatório A New Era for Enhanced Mobile Broadband (2018) os requisitos
essenciais para a rede sem fio nesse primeiro estágio são respectivamente: largura de banda,
latência e capacidade. A fase inicial das implantações 5G estão no lado do triângulo eMBB-
URLLC mais próximo do eMBB. O caso de uso MTC (machine type communication) testemunha
com certa timidez ainda o surgimento das tecnologias NB-IoT e eMTC da 3GPP Release 13,

51
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

enquanto o URLLC completo exigirá a implantação de 5G Core para a redução total da latência
de E2E. As aplicações de missão crítica que são especialmente exigentes no quesito latência,
também exigem cobertura em grande escala, o que é difícil de imaginar nas implantações iniciais.
O relatório A New Era for Enhanced Mobile Broadband (2018) destaca que no primeiro estágio,
espera-se um crescimento adicional da largura de banda, complementado por melhorias de latência
no 5G NR, mas também no LTE. Isso ajudará a desenvolver os casos de uso de banda larga móvel
de hoje para alavancar aplicações emergentes de AR/VR (realidade aumentada/realidade virtual),
vídeo 360 UHD e outras aplicações.

4.1 Banda Larga


A tecnologia 5G é uma grande promessa para o avanço da conectividade móvel, oferecendo
velocidades de dados mais altas e maior capacidade de rede. Além de sua aplicação em telefonia
móvel, o 5G também tem potencial para revolucionar a banda larga fixa, oferecendo uma
alternativa viável para os serviços de internet tradicionais.

Uma das principais vantagens do 5G em relação à banda larga fixa é a sua alta velocidade de
download e upload. O 5G tem o potencial de oferecer velocidades de download de até 20 Gbps,
muito superiores às velocidades oferecidas pelos serviços de internet fixa tradicionais. Isso
significa que as famílias podem desfrutar de uma experiência mais rápida e confiável de streaming
de vídeo, jogos online e outras aplicações de alta largura de banda.

Outra vantagem do 5G na banda larga é a sua maior capacidade de rede. Com o aumento do número
de dispositivos conectados à internet, a capacidade de rede é um fator cada vez mais importante
para garantir uma conexão confiável e rápida. O 5G tem o potencial de suportar até 1 milhão de
dispositivos por quilômetro quadrado, tornando-o uma opção atraente para a conectividade de
áreas densamente povoadas, como áreas urbanas e metropolitanas.

No entanto, para que o 5G possa ser usado como uma alternativa viável para a banda larga fixa, é
necessário que as operadoras de telecomunicações construam infraestrutura de rede para suportar
a tecnologia. Isso inclui a instalação de torres de transmissão e estações base que possam fornecer

52
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

cobertura de rede confiável e de alta velocidade. Além disso, é importante lembrar que a tecnologia
5G ainda está em desenvolvimento e implantação, o que significa que pode levar algum tempo
antes que a tecnologia esteja amplamente disponível e acessível para as famílias.

Um estudo publicado pela Ericsson em 2020, intitulado "5G for fixed wireless access: Enabling
high-speed internet in the home", destaca o potencial do 5G como uma solução para a banda larga
fixa. Segundo o estudo, o 5G pode oferecer velocidades de download mais rápidas do que a maioria
dos serviços de internet fixa disponíveis atualmente em muitos países, e pode ser particularmente
atraente para áreas onde a infraestrutura de rede existente é inadequada ou inexistente. O estudo
também aponta para a capacidade do 5G de fornecer uma experiência de internet mais flexível,
permitindo que os usuários movam sua conexão de internet para diferentes locais, como áreas
rurais e remotas, com facilidade.
Podemos considerar que o 5G estará disponível em duas formas de acesso de alto nível:
como um serviço móvel onde é possível acessar através de dispositivos móveis em qualquer lugar,
com ou sem mobilidade, e também como um serviço de aceso fixo FWA (fixed wireless access)
que funciona em um único local.

Segundo dados da Ericsson em seu artigo Making fixed wireless access a reality (2018), cerca de
metade de todos os lares do mundo - mais de 1 bilhão - não possuem conexão de banda larga fixa.
Dada a atual velocidade e capacidade das redes de telefonia celular com LTE e sua evolução para
5G, há oportunidades significantes para as operadoras fornecerem serviços de banda larga para
residências e pequenas e médias empresas usando FWA (Fixed Wireless Access).
Uma pesquisa recente feita pela empresa Maximize Market Research, Global 5G Fixed Wireless
Access Market (FWA) – Industry Analysis and Forecast (2018-2026), mostrou que o mercado
global de acesso sem fio Fixo 5G (FWA) foi avaliado em US$ 352 Milhões em 2017 e deve chegar
a US$ 94.566 Milhões até 2026, a um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 101,21%
durante um período de previsão.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Figura 20: Previsão de mercado para o FWA (Maximize Market Research, 2019).

De acordo com artigo publicado pela GSMA, Fixed Wireless Access: Economic Potential and Best
Practices (2018), o FWA não é um conceito novo, pois já tem sido usado como um substituto para
a conexão com fio na última milha e é comparável ao FTTX (Fiber-to the-x), pois ambas são
soluções de alta conectividade para a borda da rede.

4.2 Massive IoT


O 5G no IoT massivo (Internet das Coisas) tem sido uma das aplicações mais promissoras
do 5G, com o potencial de conectar bilhões de dispositivos em todo o mundo. Em Moçambique,
essa tecnologia pode ter um grande impacto na economia, na agricultura, na saúde e em muitos
outros setores.

De acordo com Lundqvist et al. (2019), no artigo Key technology choices for optimal
massive IoT devices, massive IoT refere- se a aplicações que são menos sensíveis à latência e têm
requisitos de taxa de transferência relativamente baixos, mas exigem um grande volume de
dispositivos de baixo custo, baixo consumo de energia e uma rede com excelente cobertura.
Exemplos de áreas de aplicação de IoT massivo incluem: wearables (e-health); rastreamento de
ativos (logística); cidade inteligente/casa inteligente, monitoramento ambiental e medição
inteligente; e fabricação inteligente (monitoramento, rastreamento e provisionamento).

54
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Figura 21: Tecnologias chave para dispositivos de IoT massivo (Relatório Key
technology choices for optimal massive IoT devices, 2019)

Uma das vantagens do 5G no IoT massivo é a sua capacidade de lidar com uma grande quantidade
de dispositivos conectados simultaneamente. Isso é possível graças à sua tecnologia de rede de
baixa latência, que permite uma comunicação mais rápida e confiável entre os dispositivos e a
rede. Isso é crucial para a IoT, onde a coleta e análise de dados em tempo real é essencial.

O uso do 5G no IoT massivo em Moçambique pode ser visto em vários setores. Por exemplo, na
agricultura, os sensores conectados à rede 5G podem coletar dados sobre o solo, o clima e o
crescimento das plantas, permitindo que os agricultores monitorem e otimizem suas plantações em
tempo real. Além disso, o 5G pode ser usado para aprimorar a telemedicina, permitindo que
médicos e pacientes se comuniquem e compartilhem informações de saúde em tempo real, mesmo
em áreas remotas.

No entanto, é importante notar que a implementação do 5G no IoT massivo em Moçambique


também enfrenta desafios, como a falta de infraestrutura de rede em algumas áreas e a necessidade
de treinamento adequado para os profissionais que trabalham com essa tecnologia.
De acordo com um relatório da Ericsson, "o 5G no IoT massivo tem o potencial de revolucionar
setores inteiros e permitir novos casos de uso que antes não eram possíveis". Ainda segundo o

55
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

relatório, "à medida que mais dispositivos e sensores são conectados, o IoT massivo se torna cada
vez mais complexo e a rede 5G é essencial para suportar essa complexidade".

Para atender aos requisitos do Massive IoT, o 3GPP tomou medidas evolucionárias tanto no lado
da rede quanto no lado do dispositivo. Nenhuma tecnologia ou solução única é ideal para todas as
diferentes aplicações potenciais de IoT em massa, situações de mercado e disponibilidade de
espectro.
Kim (2019) destaca que para alcançar uma visão em que milhões de dispositivos são conectados,
dois requisitos devem ser satisfeitos. No lado técnico, o padrão IoT deve oferecer escalabilidade e
versatilidade, oferecendo capacidade suficiente e eficiência de rede para conectar milhões de
dispositivos e também recursos avançados, como maior duração da bateria e maior área de
cobertura, para facilitar a expansão de novos usos casos. Do lado da aplicação, muitos outros novos
casos de uso precisam ser desenvolvidos e testados.

4.2.1 IoT na indústria


O Internet das Coisas (IoT) é uma tecnologia que permite a conexão de dispositivos
eletrônicos em rede para coleta e compartilhamento de dados. Com a evolução do 5G, o IoT
massivo torna-se uma realidade cada vez mais próxima, com a capacidade de suportar conexões
simultâneas de milhões de dispositivos em tempo real.
Impulsionada principalmente pelo setor automotivo, a indústria é considerada um dos motores para
IoT, que garante a conexão de dispositivos relacionados à cadeia produtiva e hospedados em
nuvem. A IoT se tornou um dos pilares da chamada Indústria 4.0, ao lado de outras tecnologias
como cloud, integração de sistemas, robôs autônomos e segurança de dados.

Na indústria, a implementação do IoT massivo pode trazer benefícios significativos em termos de


eficiência, produtividade e segurança. Em Moçambique, onde a indústria é um setor importante
para a economia do país, a adoção do IoT massivo pode ser uma oportunidade de melhorar a
competitividade das empresas locais.
De acordo com um relatório da GSMA, a associação global de operadoras móveis, o mercado de
IoT massivo na indústria deverá crescer significativamente até 2025. A GSMA estima que, em

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

2025, haverá cerca de 13,8 bilhões de conexões IoT massivas em todo o mundo, das quais cerca
de 2 bilhões serão utilizadas na indústria.

No contexto de Moçambique, o IoT massivo na indústria pode ser aplicado em diversas áreas,
como a monitorização de equipamentos, a gestão de cadeias de fornecimento, a automatização de
processos produtivos e a segurança no ambiente de trabalho.
A monitorização de equipamentos é uma aplicação do IoT massivo que pode ajudar a melhorar a
eficiência das operações industriais em Moçambique. Com sensores instalados em máquinas e
equipamentos, é possível monitorar o desempenho e identificar falhas e problemas antes que eles
causem paralisações ou acidentes.

A gestão de cadeias de fornecimento é outra área onde o IoT massivo pode trazer benefícios para
a indústria em Moçambique. Com a utilização de sensores em produtos, é possível rastrear a
localização e as condições de transporte, garantindo a integridade dos produtos e reduzindo perdas
e desperdícios. A automatização de processos produtivos é outra aplicação do IoT massivo que
pode ajudar a melhorar a produtividade da indústria em Moçambique. Com a utilização de sensores
e atuadores, é possível monitorar e controlar processos de forma automática, reduzindo a
intervenção humana e aumentando a eficiência.

Por fim, a segurança no ambiente de trabalho é uma área onde o IoT massivo pode trazer benefícios
significativos para a indústria em Moçambique. Com a utilização de sensores e câmeras de
monitorização, é possível identificar situações de risco e prevenir acidentes.

4.2.2 Iot na agricultura


A Internet das Coisas (IoT) tem o potencial de revolucionar a forma como a agricultura é
realizada em todo o mundo, incluindo Moçambique. A IoT massivo, em particular, pode fornecer
soluções escaláveis e personalizadas para os agricultores, permitindo que monitorem e controlem
suas atividades agrícolas com maior eficiência, precisão e produtividade. A agricultura é um setor
importante para a economia de Moçambique, representando cerca de 25% do PIB do país.

57
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

O IoT Massivo na agricultura em Moçambique pode ser aplicado em diferentes áreas, desde o
monitoramento de cultivos até o gerenciamento de estoques e logística de transporte. Sensores IoT
podem ser usados para monitorar o solo, temperatura, umidade, luz solar e outras variáveis
ambientais que afetam o crescimento das plantas. Esses dados podem ser coletados em tempo real
e analisados para tomar decisões informadas, como a quantidade de água e fertilizantes necessários
para cada área do cultivo.

Além disso, a IoT também pode ser aplicada no gerenciamento da cadeia de suprimentos agrícolas,
com sensores IoT em máquinas e equipamentos usados na produção, colheita e transporte. Esses
sensores podem fornecer informações importantes sobre o uso e manutenção de equipamentos,
reduzindo custos de manutenção e aumentando a eficiência operacional.

De acordo com a GSMA, a IoT Massivo na agricultura pode ter um impacto significativo em
Moçambique, principalmente em termos de aumento da produtividade e redução de custos. "O uso
de soluções IoT na agricultura pode aumentar a produtividade em até 20% e reduzir os custos em
até 30%", afirma a GSMA em um relatório.

No entanto, a implementação de IoT Massivo na agricultura em Moçambique também enfrenta


desafios, como a falta de infraestrutura de conectividade em áreas rurais e a falta de conhecimento
técnico em IoT. É importante que o governo, empresas e organizações trabalhem juntos para
superar esses desafios e aproveitar os benefícios da IoT na agricultura.

4.2.3 IoT em utilities


A Internet das Coisas (IoT) tem o potencial de revolucionar o setor de utilities em
Moçambique, permitindo a criação de uma rede inteligente de energia, água e gás. A IoT é um
conjunto de tecnologias que permite a conexão e comunicação de dispositivos, sensores e
máquinas através da internet, permitindo a coleta e análise de dados em tempo real. Essa tecnologia
pode ser aplicada em diversos setores, como na agricultura, saúde, indústria e também em utilities.

Em Moçambique, o setor de utilities enfrenta desafios como falta de acesso a energia, falta de água
potável e infraestrutura inadequada. A implementação de soluções baseadas em IoT pode ajudar a

58
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

resolver esses problemas. Por exemplo, a coleta de dados em tempo real pode ajudar a monitorar
a qualidade da água e a detectar vazamentos, permitindo uma gestão mais eficiente dos recursos
hídricos. A IoT também pode ajudar a monitorar e gerenciar a distribuição de energia, reduzindo
perdas e aumentando a eficiência.

Um exemplo de aplicação da IoT em utilities é a Smart Grid, que é uma rede inteligente de energia
elétrica. A Smart Grid utiliza sensores para coletar dados em tempo real sobre o consumo de
energia, o estado da rede elétrica e as condições meteorológicas, permitindo uma gestão mais
eficiente da rede. Essa tecnologia pode ajudar a reduzir os custos de operação e manutenção,
melhorar a qualidade do serviço e reduzir o impacto ambiental.

Além disso, a IoT pode ser utilizada para monitorar e gerenciar o consumo de água e gás. Sensores
instalados nas redes de distribuição podem coletar dados em tempo real sobre o consumo e a
pressão, permitindo uma gestão mais eficiente desses recursos. A IoT também pode ajudar a
detectar vazamentos e reduzir perdas na rede de distribuição.

A implementação de soluções de IoT em utilities pode contribuir para a criação de empregos na


indústria de tecnologia e para o desenvolvimento de habilidades técnicas e de inovação em
Moçambique. Como destacado por Munguambe et al. (2020), a transformação digital das utilities
é uma oportunidade para a criação de um ecossistema de inovação e empreendedorismo em
Moçambique, incentivando o desenvolvimento de startups e negócios baseados em tecnologia.

Apesar de, no contexto de Moçambique, a implementação de IoT no setor de utilities ainda ser um
desafio, já existem iniciativas em andamento. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional
de Normalização e Qualidade (INNOQ), em parceria com o Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT), a implementação de IoT em utilities em Moçambique pode melhorar a
qualidade dos serviços e a eficiência operacional, além de permitir a criação de novos modelos de
negócios. É necessário investir em infraestrutura de comunicação, como redes de fibra óptica e
sistemas de satélite, para permitir a transmissão de dados em tempo real. Além disso, é necessário
capacitar profissionais locais para a implementação e manutenção das soluções de IoT.

59
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Portanto, é possível concluir que a IoT pode trazer muitos benefícios para o setor de utilities em
Moçambique, desde a redução de custos até a melhoria na qualidade dos serviços prestados. No
entanto, é preciso investir em infraestrutura e capacitação técnica para garantir que esses benefícios
sejam efetivamente alcançados. Como destaca o relatório do INNOQ e do MIT: "A implementação
da IoT em utilities em Moçambique pode criar uma oportunidade única para melhorar a qualidade
dos serviços e permitir o desenvolvimento de novos modelos de negócios. No entanto, é necessário
superar alguns desafios significativos para tornar isso uma realidade".

5 Aspectos económicos da rede 5G

A economia 5G introduzirá um novo nível de complexidade na formulação de políticas e


regulamentação à medida que surjam novos modelos de negócios e as antigas formas de fornecer
bens e serviços sejam dramaticamente alteradas ou completamente abandonadas. As novas áreas
que exigirão uma modernização para um mundo 5G incluem segurança pública, segurança
cibernética, privacidade, alocação de espectro, infraestrutura pública, saúde, licenciamento e
licenciamento de espectro e educação, treinamento e desenvolvimento. O desafio para os
formuladores de políticas na economia 5G é que eles devem estar preparados para lidar com a
onipresença da 5G na vida cotidiana sem criar regimes que prejudiquem a inovação contínua que
será fundamental para o sucesso da economia 5G.

Em países como Moçambique, onde a infraestrutura de telecomunicações ainda é limitada e muitas


regiões rurais ainda não têm acesso à internet de alta velocidade, o 5G pode representar uma
oportunidade única para impulsionar o desenvolvimento econômico e social.

No entanto, a implementação do 5G em Moçambique também enfrenta uma série de desafios e


obstáculos, como a falta de infraestrutura e recursos financeiros, além de questões regulatórias e
de segurança. Ainda assim, o governo moçambicano tem demonstrado interesse em incentivar a
implantação do 5G no país e está trabalhando em parceria com empresas de telecomunicações e
outras instituições para promover a expansão da conectividade e da tecnologia.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

De acordo com um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento, a implementação do 5G em


Moçambique pode ter um impacto significativo na economia do país, impulsionando a
produtividade e a inovação em setores como a agricultura, a saúde e a educação. Além disso, o 5G
pode abrir novas oportunidades de negócios e investimentos em áreas como a Internet das Coisas
(IoT), a inteligência artificial e a automação.

No entanto, o relatório também destaca a importância de garantir um ambiente regulatório


favorável e um investimento adequado em infraestrutura para que o 5G possa realmente
transformar a economia de Moçambique. Para isso, será necessário um esforço conjunto do
governo, empresas de telecomunicações e outros atores do setor para construir as redes e as
capacidades necessárias para tornar o 5G uma realidade no país.

Segundo o relatório "5G Economy in Sub-Saharan Africa" da GSMA Intelligence, a adoção do 5G


em Moçambique pode gerar um impacto econômico de até US$ 1,9 bilhão até 2034. O estudo
destaca que a tecnologia pode impulsionar o crescimento do PIB e gerar empregos em diversos
setores.

Além disso, a implementação do 5G em Moçambique pode trazer benefícios para a indústria de


telecomunicações, permitindo o desenvolvimento de novos serviços e produtos, além de melhorar
a qualidade das conexões de internet móvel no país.

Segundo artigo The 5G economy: How 5G technology will contribute to the global Economy, em
2035 a onipresença do 5G resultará em impactos que avançam além da capacidade das tecnologias,
plataformas e indústrias existentes; no entanto, a proliferação da tecnologia móvel 3G e 4G fornece
análogos importantes à medida que a economia 5G floresce.
O investimento do setor privado 5G deverá ser tão grande quanto o investimento em infraestrutura
e os gastos em P&D que foram precedidos por 3G e 4G. Políticas e incentivos os investimentos e
a disponibilidade de capital de risco, auxiliados por fortes proteções à propriedade intelectual,
manterão o ambiente hospitaleiro que permitirá o florescimento da economia 5G.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

6 ANALISE SWOT

A análise SWOT é uma ferramenta importante para avaliar a viabilidade da implementação da


rede 5G em Moçambique. SWOT é uma sigla para Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses),
Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Ela ajuda a identificar os fatores internos e
externos que podem afetar a implementação bem-sucedida da rede 5G em Moçambique,
permitindo assim que sejam tomadas medidas para maximizar os pontos fortes e oportunidades,
bem como minimizar as fraquezas e ameaças.

A análise SWOT permite avaliar a situação atual do país em relação à sua infraestrutura de
telecomunicações, disponibilidade de espectro, potencial de mercado e investimentos necessários.
Também permite avaliar a concorrência de outras tecnologias de comunicação, possíveis desafios
regulatórios, de segurança e de privacidade que possam surgir. Assim sendo, uma analise foi feita
a seguir.

Forças:
 Oportunidade de desenvolvimento: A implementação do 5G pode proporcionar uma
oportunidade para o desenvolvimento de novos setores de negócios e novos serviços em
Moçambique, bem como ajudar a melhorar a eficiência e a produtividade em diversos
setores.
 Melhoria da conectividade: O 5G pode melhorar significativamente a conectividade em
Moçambique, especialmente em áreas remotas e rurais, permitindo que mais pessoas
tenham acesso à Internet e a serviços online.
 Potencial para a criação de empregos: A implementação do 5G em Moçambique pode criar
novas oportunidades de emprego em áreas como a tecnologia da informação e
telecomunicações.
Fraquezas:
 Alto custo de implementação: A implementação do 5G em Moçambique exigirá um
investimento significativo em infraestrutura e equipamentos, o que pode ser um desafio
para empresas de telecomunicações que já operam em um mercado de baixo custo.
 Limitações de cobertura: O 5G utiliza frequências de ondas mais altas do que as tecnologias
4G e anteriores, o que significa que a cobertura de rede pode ser limitada em comparação

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

com tecnologias anteriores. Isso pode ser particularmente desafiador em áreas rurais de
Moçambique.
 Dependência de equipamentos importados: Moçambique depende fortemente de
equipamentos importados para suas redes de telecomunicações. A implementação do 5G
pode exigir ainda mais dependência de fornecedores estrangeiros.
Oportunidades:
 Inovação em setores-chave: O 5G pode permitir a inovação em setores-chave, como a
agricultura, a mineração e o turismo, ajudando a melhorar a eficiência e a produtividade.
 Melhoria da qualidade de vida: O 5G pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das
pessoas em Moçambique, facilitando o acesso a serviços públicos, saúde, educação e
entretenimento.
 Potencial para atração de investimentos estrangeiros: A implementação do 5G em
Moçambique pode atrair investimentos estrangeiros de empresas de tecnologia e
telecomunicações interessadas em expandir seus negócios na África.
Ameaças:
 Regulamentação e legislação: A implementação do 5G em Moçambique pode ser afetada
por questões regulatórias e legislativas, como limitações de espectro e questões de
segurança.
 Limitações de infraestrutura: A falta de infraestrutura em Moçambique pode limitar a
capacidade de implementação do 5G em todo o país.
 Concorrência: A concorrência entre as empresas de telecomunicações em Moçambique
pode ser um obstáculo para a implementação do 5G.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

7 Conclusão

O 5G é uma evolução significativa em relação às tecnologias anteriores, como o 4G, 3G e 2G.


Enquanto o 4G oferece velocidades de internet móvel mais rápidas em comparação ao 3G e 2G, o
5G é projetado para ser ainda mais rápido e eficiente em termos de consumo de energia.

Uma das principais diferenças entre o 5G e o 4G é a largura de banda disponível. O 5G usa uma
variedade de frequências de rádio, incluindo as faixas de ondas milimétricas, para fornecer uma
largura de banda muito maior do que o 4G. Isso permite que o 5G suporte muito mais dispositivos
conectados simultaneamente e permita novas aplicações, como realidade aumentada e virtual,
streaming de vídeo em 8K e jogos em nuvem.

Além disso, o 5G também apresenta baixa latência, o que significa que a transmissão de dados
acontece quase instantaneamente. Isso é especialmente importante para aplicações que requerem
resposta imediata, como veículos autônomos e telemedicina.

O estudo da viabilidade de implementação do 5G em Moçambique revela um panorama promissor,


apesar dos desafios existentes. Com a crescente demanda por serviços móveis e a necessidade de
maior eficiência e rapidez nas comunicações, o 5G surge como uma tecnologia inovadora que pode
impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país.

A alocação de espectro para o 5G já está em andamento e espera-se que as operadoras comecem a


implementar a tecnologia em breve. No entanto, é importante considerar os desafios relacionados
à infraestrutura e à capacitação de profissionais qualificados, bem como a necessidade de uma
política clara para o setor.

Em conclusão, o estudo da viabilidade de implementação do 5G em Moçambique mostrou que há


oportunidades e desafios para a adoção dessa nova tecnologia no país. A análise da situação atual
das telecomunicações e da infraestrutura de rede sugere que o país precisa investir em melhorias
na cobertura e capacidade de rede para suportar as demandas do 5G.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

Por outro lado, o 5G pode trazer benefícios significativos para a economia do país, como o aumento
da produtividade em vários setores e a criação de novas oportunidades de negócios. Além disso, a
tecnologia pode ajudar a impulsionar a inovação e o desenvolvimento de soluções para desafios
sociais, como na saúde e na agricultura. A implementação do 5G em setores como a agricultura,
indústria e utilities pode trazer benefícios significativos para o país, permitindo maior eficiência,
segurança e controle. O IoT massivo pode ser um grande aliado nesse processo, permitindo a coleta
de dados e a tomada de decisões mais assertivas.

No entanto, o custo elevado de implantação e a falta de regulamentação adequada podem


representar obstáculos significativos para a adoção do 5G em Moçambique. É necessário que haja
um planejamento estratégico e uma cooperação entre governo, empresas e outros atores envolvidos
para garantir uma implementação bem-sucedida e sustentável do 5G no país.

A transformação digital é uma realidade que vem impactando a sociedade em diversas áreas,
incluindo a maneira como nos comunicamos, trabalhamos e nos relacionamos. A tecnologia 5G
vem como uma grande oportunidade para potencializar ainda mais esse processo de transformação,
especialmente em países em desenvolvimento como Moçambique. Nesse contexto, a
transformação digital pode trazer grandes benefícios para o desenvolvimento socioeconômico do
país, especialmente nas áreas rurais e de difícil acesso. Com o 5G, será possível levar soluções
digitais para regiões remotas, melhorando o acesso à saúde, educação, agricultura e outros serviços
básicos.

Em última análise, o sucesso da implementação do 5G em Moçambique dependerá da capacidade


do país de superar os desafios e capitalizar as oportunidades oferecidas pela tecnologia. Com um
esforço conjunto e uma abordagem estratégica, Moçambique pode se posicionar como um líder no
uso do 5G para impulsionar o crescimento econômico e a transformação digital em todo o país.

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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique

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