Viabilidade do 5G em Moçambique
Viabilidade do 5G em Moçambique
Fevereiro de 2023
ESTUDO DE VIABILIDADE DA TECNOLOGIA 5G EM MOÇAMBIQUE
CASO DE ESTUDO EMPRESA TMCEL
Fevereiro 2023
Winnie Marcelina Matola Esmael Jussa, autor da
monografia intitulada Estudo de viabilidade da
tecnologia 5G em Moçambique, declaro que, salvo
fontes devidamente citadas e referidas, o presente
documento é fruto do meu trabalho pessoal,
individual e original.
Winnie M. M. E. Jussa
Embora a rede de Quarta Geração (4G) não tenha sido totalmente difundida e muitos ainda não
tenham acesso a ela, já surgiu a Quinta Geração (5G). A nova rede promete superar todas as
gerações anteriores, sendo uma extensão melhorada da rede 4G unindo várias outras
tecnologias. A nova tecnologia de comunicação não poderia ter vindo em um momento melhor,
pois, com a eclosão da Internet das Coisas (Internet of Things — IoT), o 5G será a tecnologia
mais adequada para globalizar e tornar as aplicações da mesma possíveis. Porém, para que isto
seja possível terão que ser criadas diretrizes e politicas públicas específicas que deverão ser
viabilizadas pelas operadoras de telefonia móvel, de modo que consigam atender a demanda e
fornecer um serviço de qualidade para todos. Este trabalho visa mostrar a problemática do 5G,
futuramente, além de conceitos relacionados, um breve histórico das suas antecessoras até os
dias atuais, quais dificuldades que as empresas de telefonia móvel terão para implementação
dessa tecnologia e se a população estará apta a usufruir desse serviço.
Palavras-chave: 4G, 5G, IoT, Smart City, 3GPP.
I
Abstract
Although the Fourth Generation (4G) network has not yet been fully widespread and many still
do not have access to it, the Fifth Generation (5G) has already emerged. The new network
promises to surpass all previous generations, being an improved extension of the 4G network
that combines various other technologies. The new communication technology could not have
come at a better time, as with the emergence of the Internet of Things (IoT), 5G will be the
most suitable technology to globalize and make IoT applications possible. However, in order
for this to be possible, specific guidelines and public policies will have to be created and
implemented by mobile phone operators, so that they can meet the demand and provide quality
service to everyone. This paper aims to show the problematic nature of 5G, as well as related
concepts, a brief history of its predecessors to the present day, the difficulties that mobile phone
companies will face in implementing this technology, and whether the population will be able
to enjoy this service.
II
Epígrafe
"Não importa o quão fraco alguém pareça, não desista deles. Mesmo os mais fracos de nós
podem mudar o curso da história." - Izuku Midoriya.
III
Agradecimentos
Gostaria de expressar minha gratidão a Deus, que tem sido minha luz guia ao longo desta
jornada. Sem Suas bênçãos e constante apoio, eu não teria sido capaz de alcançar tudo o que
conquistei. Ele me deu força e coragem para enfrentar desafios e superá-los com facilidade.
Para minha querida mãe, Minha Nina, não existem palavras suficientes para expressar todo o
meu amor e gratidão por tudo o que você fez por mim. Obrigada por ser minha guia, meu
exemplo, minha amiga e por sempre me apoiar em todas as decisões que tomei na minha vida.
Sei que sem você eu não teria chegado onde estou hoje, e sou muito grata por ter você ao meu
lado, eu amo você daqui até neptuno sem viagem de volta.
Ao meu padrasto, gostaria de expressar minha gratidão pela sua presença constante na minha
vida. Obrigada por me acolher como sua filha e por sempre me tratar com carinho e respeito.
Agradeço por todos os momentos que compartilhamos juntos e por me ensinar valores
importantes que carrego comigo até hoje. Sou muito feliz por ter você como parte da minha
família.
Aos meus irmãos, Ira, Nilma e Júnior, e ao meu sobrinho Yannick, obrigada por serem meus
amigos e companheiros de vida. Vocês sempre estiveram presentes, me fazendo rir nos
momentos difíceis e me dando forças para continuar em frente. Agradeço por compartilharmos
tantas aventuras e momentos especiais juntos. Amo vocês de todo o meu coração.
Aos meus amigos, especialmente a Fanita, Figena e Letícia, quero expressar minha gratidão por
todo o apoio e companheirismo que vocês me proporcionam. Obrigada por estarem sempre
presentes em momentos de alegria, mas também de dificuldade. Agradeço por todas as risadas,
as conversas profundas e por todas as memórias que construímos juntos. Vocês são uma parte
muito importante da minha vida e sou muito grata por tê-los como amigos.
Por fim, aos meus docentes, em especial ao meu tutor Manuel Mutende, gostaria de agradecer
por todo o conhecimento que vocês compartilharam comigo ao longo da minha jornada
acadêmica. Obrigada por desafiarem minha mente e me encorajarem a ser uma estudante
melhor. Agradeço pelo seu tempo, dedicação e paciência em me ensinar e orientar em cada
disciplina. Sou grata por ter tido professores tão inspiradores e dedicados em minha vida
acadêmica.
IV
Dedicatória
Dedico este trabalho à minha querida mãe, que sempre me apoiou e incentivou a buscar o
conhecimento; ao meu padrasto, que sempre esteve presente e me ensinou a importância da
perseverança; aos meus amigos, que compartilharam comigo momentos inesquecíveis e me
ajudaram a crescer como pessoa; e aos meus docentes e técnicos da Tmcel, que com paciência
e dedicação me guiaram nesta jornada acadêmica. Sem a ajuda e o apoio de cada um de vocês,
este trabalho não teria sido possível. Muito obrigada!
V
Lista de Abreviaturas e Siglas
VI
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Índice
Sumário........................................................................................................................................I
Abstract ...................................................................................................................................... II
Epígrafe .................................................................................................................................... III
Agradecimentos ........................................................................................................................ IV
Dedicatória................................................................................................................................. V
Lista de Abreviaturas e Siglas ..................................................................................................VI
Introdução ................................................................................................................................. 10
1.1 Justificativa .................................................................................................................... 11
1.2 Problematização............................................................................................................. 11
1.3 Hipótese ......................................................................................................................... 12
1.4 Objectivos ...................................................................................................................... 12
1.5 Relevância (Cientifica e Social) .................................................................................... 12
1.6 Metodologia ................................................................................................................... 13
1.7 Marco Teórico ................................................................ Erro! Marcador não definido.
1.8 Cronograma de Actividades ........................................... Erro! Marcador não definido.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................ 15
2.1 REDE DE COMUNICAÇÃO MÓVEL CELULAR .................................................... 15
2.2 EVOLUCAO DA TECNOLOGIA ................................................................................ 19
2.3 Sistema 5G..................................................................................................................... 27
2.4 Espectro ......................................................................................................................... 33
2.5 Beamforming ................................................................................................................. 36
2.6 Massive MIMO .............................................................................................................. 37
3 Arquitetura da rede 5G .................................................................................................. 40
3.1 STANDALONE E NON-STANDALONE ................................................................... 41
3.2 Network slicing ............................................................................................................. 47
4 Aplicacoes da tecnologia 5G ......................................................................................... 50
4.1 Banda Larga................................................................................................................... 52
4.2 Massive IoT ................................................................................................................... 54
5 Aspectos económicos da rede 5G .................................................................................. 60
6 ANALISE SWOT .......................................................................................................... 62
7 Conclusão ...................................................................................................................... 64
8 Referências Bibliográficas ............................................................................................. 66
7
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Tabelas
Tabela 1: Cronograma de actividades, adaptado pelo autor. ..... Erro! Marcador não definido.
Tabela 2: Comparação de principais características entre o 4 e o 5G(Teltonika Networks,
2023) ................................................................................................................................. 27
Tabela 3: Requisitos da rede 5G( Adaptado pelo autor). ......................................................... 28
Tabela 4: Arquitetura 5G SA vs NSA (Adaptado pelo autor). ................................................. 41
Tabela 5: Opções de implementação, investimento total (IHS Markit, 2019). ........................ 46
8
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Figuras
Figura 1: Estrutura simplificada da Rede de Comunicação Móvel Celular. (Fonte: Guilherme
Farias, 2018) ..................................................................................................................... 16
Figura 2: Estrutura de RAN no UMTS (Fonte: Guilherme Farias 2018). ................................ 17
Figura 3: Arquitetura de uma rede de rádio UTRAN coletando tráfego de UEs (Fonte: Wiki).
.......................................................................................................................................... 18
Figura 4: Arquitetura da rede UMTS (Fonte: Guilherme Farias, 2018). .................................. 19
Figura 5: Evolução arquitetural das redes móveis. (Teltonika Networks, 2023). .................... 20
Figura 6: Telefone sem fio 1G (Teltonika networks, 2023). .................................................... 22
Figura 7: Telefones celulares da Segunda Geração (Teltonika Networks, 2023). ................... 23
Figura 8: Comparação do 2G até o 4G (Teltonika Networks, 2023). ...................................... 25
Figura 9: Arquitetura da rede LTE (Guilherme Farias, 2018) .................................................. 26
Figura 10: Casos de uso do 5G. ( GetApp, 2019)..................................................................... 29
Figura 11: Tecnologia vehicle-to-everything (V2X) ................................................................ 32
Figura 12: Feixes individuais para telefones celulares (greyb, 2019) ...................................... 37
Figura 13: Diferença entre estações base atuais versus 5G massive mimo Huawei, 2022). .... 38
Figura 14: Modelo de sistema para o sistema MIMO massivo (Site MathWorks - Large-scale
antenna systems for 5G wireless systems, 2019). ............................................................ 40
Figura 15: Arquitetura da rede 5G modo SA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).
.......................................................................................................................................... 43
Figura 16: Arquitetura da rede 5G modo NSA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).
.......................................................................................................................................... 44
Figura 17: Redes 5G subdivididas em redes virtuais otimizada para cada caso de negócio
(Relatório An Introduction to Network Slicing, 2017)..................................................... 48
Figura 18: Representação do Network Slicing segundo 5GPPP (Relatório View on 5G
Architecture, 2017). .......................................................................................................... 50
Figura 19: Ponto de partida para os casos de uso definidos pelo IMT 2020 (Relatório A New
Era for Enhanced Mobile Broadband, 2018). .................................................................. 51
Figura 20: Previsão de mercado para o FWA (Maximize Market Research, 2019). ............... 54
Figura 21: Tecnologias chave para dispositivos de IoT massivo (Relatório Key technology
choices for optimal massive IoT devices, 2019) ............................................................... 55
9
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Introdução
A quinta geração da telefonia móvel, ou 5G, é um conceito que está em uso em diversos
lugares do mundo. Este modelo de conexão se dá ao fato de se prever que a sociedade
actual necessitaria de mais banda nas conexões móveis, o que beneficiaria também a
Internet das Coisas (Internet of Things — IoT). O 5G tem varias vantagens como banda
larga, compatibilidade, disponibilidade, segurança e custo. De acordo com Foukas et al
(2017), o 5G foi dimensionado para ser uma rede multisserviço, suportando uma ampla
gama de dispositivos com uma diversidade de conjunto de requisitos de desempenho e
serviço.
10
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
1.1 Justificativa
A partir disto, este trabalho terá um direcionamento realizando um estudo da arte sobre
a quinta geração da telefonia móvel e os problemas que as operadoras de serviços
móveis terão para implantar o 5G em Moçambique e como ele será para o consumidor
final baseado no custo, além do estudo das tecnologias alternativas que englobam todo
o problema principal.
1.2 Problematização
11
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Tendo em vista a relevância das redes móveis de quinta geração para o futuro da
tecnologia da informação e comunicação, este estudo tem como problema de pesquisa:
a viabilidade da implementação da rede 5G em Moçambique.
1.3 Hipótese
1.4 Objectivos
À medida que o 5G é implementada, ela irá criar valor em muitas indústrias e para a
sociedade como um todo. O uso inovador da tecnologia promete uma grande variedade de
configurações: hospitais equipados com dispositivos 5G que permitem a monitorização
12
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
1.6 Metodologia
13
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
14
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo compreende o embasamento dos conceitos que serão utilizados no desenvolvimento
do estudo, para isso aborda a definição de rede de telefonia móvel, evolução da comunicação
móvel celular, primeira, segunda, terceira e quarta geração. É abordado ainda o conceito de internet
das coisas (IoT), o qual consiste em uma das aplicações que rodam sobre uma rede 5G.
Há diversos registros do que possa ter sido a primeira comunicação móvel utilizando um
sistema de telefonia celular. Segundo Rappaport (2009), ainda que de forma rudimentar, em 1897
o italiano Guglielmo Marconi demonstrou a primeira comunicação sem fio quando realizou com
sucesso transmissões de sinal de rádio através do Oceano Atlântico. De acordo com Zaki (2013),
um sistema de comunicação de rádio móvel, por definição, consiste em uma infraestrutura de
telecomunicações que atende usuários que em tese estão em movimento, ou seja, móveis, mas não
necessariamente. A comunicação entre os usuários e a infraestrutura é feita através de um meio
sem fio conhecido como canal de rádio.
Desde o primeiro registro de comunicação móvel em 1897, a estrutura da rede móvel mudou
consideravelmente. À medida que a demanda pela nova tecnologia aumentava, novos componentes
físicos e virtuais foram sendo adicionados à rede com o objetivo de tornar o sistema de telefonia
móvel mais confiável e robusto. Miquelin e Fiori (2012), apresentam a arquitetura da rede de
telefonia móvel considerando as últimas gerações com três componentes principais para o seu
funcionamento, CN (Core Network), RAN (Radio Access Network) e UE (User Equipament),
conforme Figura 1. Ainda que sejam muito similares, a arquitetura nas gerações anteriores tinha
outra estrutura que ainda hoje é amplamente conhecida, CCC (Central de Comutação e Controle),
ERB (Estação Radio Base) e EM (Estação Móvel).
15
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Figura 1: Estrutura simplificada da Rede de Comunicação Móvel Celular. (Fonte: Guilherme Farias, 2018)
As Core Networks estabelecem as bases para que as sub-redes troquem informações umas
com as outras. As Core Networks são usadas por provedores de serviços de telecomunicações para
comutação de circuitos, comutação de pacotes, tarifação, sinalização com outras redes e banco de
dados, sendo esta última, elemento responsável pelo registro das informações que trafegam pelo
núcleo de circuitos e pacotes. Para as empresas, com ambientes IoT implantados, a capacidade de
uma Core Network de simplificar a autenticação e a agregação os torna um ativo particularmente
atraente. Core Networks seriais, distribuídas, paralelas e colapsadas, todas apresentam seus
benefícios exclusivos.
A partir das últimas gerações do sistema de telefonia móvel, novos conceitos como HLR (Home
Location Register) e AUC (Autenthication Center) foram introduzidos, ambos mecanismos de
armazenamento, identificação e autenticação dos usuários.
Segundo Kurose (2006), o HLR é um banco de dados de usuários (assinantes), que contém
informações e perfis de usuários. De forma mais prática e lúcida, os HLRs são usados pelas MSCs
(Mobile Switching Center) ou Centrais de Comutação Móveis para verificar se o assinante pode
originar uma chamada, quais serviços foram contratados e existência de créditos do terminal
móvel.
16
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2.1.2 RAN
Uma rede de acesso de rádio é uma tecnologia que conecta dispositivos individuais a outras
partes de uma rede por meio de conexões de rádio. É uma parte importante das telecomunicações
modernas, com conexões de rede 3G e 4G para telefones celulares sendo exemplos de redes de
acesso de rádio. Desde a primeira versão do UMTS (Universal Mobile Telecommunication
System) que segundo Zaki (2013), tinha como objetivo a padronização global do sistema de
comunicação móvel, a interface aérea que provê acesso à rede para os terminais móveis é chamada
de RAN (Radio Access Network). Derivações podem ser utilizadas como GERAN, período da
tecnologia GSM; UTRAN, período da tecnologia 3G; e, a mais recente eUTRAN, na quarta
geração da Comunicação móvel 4G. Ainda segundo Zaki (2013), a rede de acesso por rádio (RAN)
no UMTS é denominada Rede de Acesso por Rádio Terrestre (UTRAN) e é composta por um
elemento RNC (Radio Network Controller) e por vários NodeBs, que representam as estações
rádio base UMTS, conforme Figura 2.
Essa parte do sistema possui as funções de transmissão e recepção, codificação e alocação do canal,
correção e detecção de erros, controle de potência, controle de handover, encriptação do sinal,
além de outras funções.
17
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2.1.3 UE
Pode ser um telemóvel, um smartphone, um tablet com ecrã táctil, um router 4G ou um portátil
equipado com chave 3G / 4G; o terminal é autenticado e autorizado a acessar a rede móvel (RAN)
da operadora. O UE se conecta por link de rádio às estações base Node B / eNodeB conforme
especificado nos padrões das séries ETSI e 3GPP 25 e 36.
Figura 3: Arquitetura de uma rede de rádio UTRAN coletando tráfego de UEs (Fonte: Wiki).
Nas redes UMTS e LTE, uma vez que a assinatura é separada do terminal utilizado, o equipamento
do usuário é a associação dos seguintes dois elementos:
O terminal físico, chamado de equipamento móvel (ME): geralmente é um celular,
smartphone ou tablet,
Um cartão USIM que representa a assinatura realizada e que contém os principais
parâmetros relativos a ela.
Esta separação permite que várias pessoas usem o mesmo terminal (ME) com assinaturas
diferentes e, inversamente, usar uma única assinatura (cartão SIM) em vários terminais.
18
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Desde os primórdios da civilização, na Grécia antiga, com o uso de sinais de fumaça como forma
de comunicação, observa-se o desejo de comunicar-se livre de fios e aparatos (DIAS, 2001).
19
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Graças às tecnologias de comunicação de rede sem fio, o mundo é o que você chamaria de
"conectado". No entanto, tem sido um longo caminho através de cada geração de tecnologias de
rede para chegar às velocidades, segurança e serviços de dados de hoje. Com o 5G dominando o
mercado e sendo o objecto de estudo dessa pesquisa, é um bom momento para caminhar pela pista
da memória de cada geração de rede e ver como cada tecnologia levou ao ponto em que estamos
agora.
2.2.1 0G
Uma geração que a maioria das pessoas nem sabia que existia, uma vez que não tem sido
um assunto atual por algum tempo. No entanto, enquanto o 0G representa uma era geralmente
primitiva para a comunicação sem fio, tudo tem que ter um começo. A ascensão da conectividade
de rede sem fio começou na forma de um sistema de rádio-telefone móvel nos anos 50.
Os dispositivos de comunicação pré-celular eram geralmente instalados em carros ou pastas e
suportavam apenas um número limitado de canais para transmissão de informações. A tecnologia
foi baseada em sinais analógicos usados como transmissores de comunicação entre dois pontos de
extremidade para estabelecer chamadas de voz em tempo real.
20
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
0G foi a geração que introduziu duas formas de comunicação. As pessoas inicialmente usaram a
comunicação sem fio com o método push-to-talk (PTT), semelhantes aos walkie-talkies. O alto-
falante tinha que apertar um botão para enviar uma mensagem de voz para o receptor e vice-versa.
O outro método de comunicação – agora conhecido como a norma – foi estabelecido após o PTT:
um sistema de telefonia móvel melhorado (IMPS). Esse método permitiu que tanto o alto-falante
quanto o receptor ouvissem e trocassem informações simultaneamente.
As tecnologias 0G não estavam disponíveis para a grande maioria das pessoas, por isso, quando a
perspectiva ambiciosa de comunicação sem fio se tornou aparente, o desenvolvimento do 0G foi
mais longe.
2.2.2 1G
Por volta dos anos 80, as empresas privadas começaram a criar a próxima geração de
telecomunicações: 1G. A função essencial do 1G era semelhante ao 0G – permitir que as pessoas
fizessem chamadas de voz em tempo real usando sinais analógicos. Mas é a abordagem e a escala
da tecnologia que a tornaram tão diferente. Esta geração foi o início de uma rede sem fio global.
Com velocidades de até 2,4 Kbps, o 1G foi capaz de suportar chamadas de voz em tempo real em
uma escala muito maior devido a um aumento do número de estações base em diferentes áreas
geográficas. Todas as estações base reutilizavam frequências, o que significava que, dependendo
da localização da estação base, algumas áreas tinham as mesmas frequências de rádio através das
quais a transmissão de comunicação era possível. Embora a reutilização de frequência tenha
expandido o número de usuários, ela inevitavelmente levou a alguns problemas de segurança.
Como mencionado, o 1G era baseado em sinais analógicos, o que significa que as informações das
mensagens não eram criptografadas de forma alguma. Então, se o seu celular tivesse capturado a
mesma frequência que o dispositivo de comunicação de outra pessoa – todas as suas conversas
privadas poderiam ter sido facilmente rastreadas por terceiros. Com os problemas de segurança
em mente, uma era melhorada de comunicação sem fio estava chegando.
21
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
A primeira geração foi descontinuada praticamente em todos os lugares do mundo com a chegada
do novo milênio, sendo uma exceção com relação às gerações atuais que têm se mantido
operacionais de maneira paralela.
2.2.3 2G
Em meados de 1990, com o advento da comunicação digital, surgiu o GSM (Global System
Mobile) que foi o sistema padronizado em grande parte dos países europeus. De acordo com
Rappaport (2009), o sistema utilizava tecnologia TDMA (Time Division Multiple Access) que
permitia múltiplos usuários realizarem conexões por um mesmo canal de rádio, cada um ocupando
uma fração do tempo (time slot). Rappaport (2009) complementa que nos Estados Unidos, Coreia,
Japão, China e Austrália fora adotada a tecnologia CDMA (Code Division Multiple Access)
permitindo que os usuários pudessem se comunicar ao mesmo tempo, através do compartilhamento
da frequência, cada acesso usando um código ortogonal único por célula. Essa técnica permitiu
aumentar a capacidade em dez vezes, se comparado aos sistemas de primeira geração usando o
mesmo espectro. O sistema ficou conhecido como Padrão CDMA (IS-95).
Com as técnicas digitais, foi possível aumentar a capacidade dos sistemas, oferecer serviços de
melhor qualidade, ampliar o conceito de mobilidade através do Roaming Internacional (maior
padronização de redes), ter mais segurança com acessos autenticados e dados criptografados e
desenvolver dispositivos móveis muito mais atrativos.
22
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Ainda que o sistema de telefonia celular estivesse evoluindo, a velocidade não ultrapassava a
marca dos 100 Kbps. A tecnologia EDGE (Enhanced Data Rates for GPRS Evolution) foi uma
tentativa para melhorar a taxa de dados e fornecer até 384 Kbps, no entanto ainda era insuficiente
para prover mais serviços de valor agregado. A diferença mais proeminente entre as tecnologias
de rede 1G e 2G foi relacionada à segurança da informação em trânsito. Em vez de transmitir dados
através de sinais analógicos, a rede 2G empregou sinais digitais que criptografam as informações
em vez de deixá-las como estão.
Outra menção notável deve ir para as redes 2.5G e 2.75G. Estas eram versões do 2G original
apenas com recursos de segurança aprimorados e recursos de transmissão de dados mais rápidos.
Mas se essas melhorias já aconteceram dentro da 2ª geração, o que o 3G trouxe?
23
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2.2.4 3G
O 3G foi a geração de tecnologia de rede notável por trazer as pessoas para a Internet sem
fio. Lançado por volta dos anos 2000, o 3G deu um salto gigante em relação às gerações anteriores,
pois deu acesso a muitos serviços de dados que anteriormente só estavam disponíveis através de
um computador. Com o 3G, as pessoas podiam navegar na web, escrever e-mails e compartilhar
todos os tipos de conteúdo nos minúsculos dispositivos que chamamos de smartphones. Como as
pessoas podiam acessar a Internet através de seus telefones, o 3G conectava os consumidores a
serviços em nuvem para armazenar sem fio todos os seus dados sem conectá-los a outro hardware
de armazenamento de dados.
A rede 3G também foi uma melhoria no lado técnico. Com velocidade ajustada e protocolos de
segurança, esta geração de rede poderia inicialmente atingir velocidades de até 200Kbps e maior
segurança do que suas antecessoras. O 3G tornou-se amplamente empregado em aplicações de IoT
devido a velocidades mais rápidas e cobertura mundial, permitindo o rastreamento e
monitoramento das máquinas. Os padrões utilizados nessa geração são GSM, EGPRS (Enhanced
General Packet Radio Service), sistema móvel universal de telecomunicações (UMTS - Universal
Mobile Telecommunications System) e, além dos padrões citados, CDMA 2000, TD-SCDMA
(Time Division-Synchronous Code Division Multiple Access) e o CDMA de banda larga (WCDMA
- Wideband CDMA) foi amplamente adotado.
Esta geração conta com taxas de dados consideravelmente maiores que as antecessoras, chegando
à 6Mbps com a tecnologia HSPA+ (High Speed Packet Access Plus) enquanto as redes 2G EDGE
(Enhanced Data Rates for GSM Evolution) atingiam taxas de dados máximas, teóricas, de
130Kbps. Ao longo da era 3G, versões de geração atualizadas como 3.5G, 3.75G, 3.9G e até 3.95G
foram criadas, embora, ao contrário de 2.5G e 2.75G, todas elas permanecessem sob o mesmo
termo guarda-chuva 3G.
24
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2.2.5 4G
Embora o 3G tenha tido seu grande momento transformando as possibilidades de rede sem
fio, ele não tinha nem de longe as velocidades que andariam de mãos dadas com o ritmo de vida
moderno e a demanda de alto desempenho. Assim, por volta de 2010, nasceu a quarta geração de
rede. O principal objetivo do 4G era melhorar todos os aspectos dos recursos e funções das
gerações anteriores, como capacidade de usuários, velocidade, segurança e custo dos serviços de
dados. E fez tanto para uso pessoal quanto industrial.
Com o 4G, tornou-se possível monitorar e controlar continuamente todos os tipos de aplicativos
de IoT e até mesmo transmitir vídeos em tempo real. Mas antes que o 4G pudesse lidar com isso,
essa geração de rede teve um começo difícil, já que quase nenhum provedor de serviços de Internet
(ISP) poderia igualar os padrões estabelecidos do 4G, especialmente em termos de velocidades de
rede. Então, como algo que parecia inalcançável foi colocado em prática?
A solução foi o LTE. Para uma rede ser chamada de 4G, sua velocidade de download não poderia
ser inferior a 100Mbps. Então, como a rede foi muito melhorada, mas não pôde ser categorizada
como 4G, o termo "4G LTE" foi criado para identificar essa rede sem fio aprimorada.
25
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Depois de algum tempo, os ISPs foram capazes de estabelecer conectividade de rede capaz de
atender aos critérios padrão 4G, mas como o termo 4G original não era mais novo ou empolgante,
o termo "4G LTE-A" foi criado exclusivamente para o hype de marketing. O 4G não está planejado
para ser abandonado tão cedo por completo, mas não podemos ignorar o fato de que há novas
gerações surgindo, como é o caso do 5G. A Figura 9 sumariza as tecnologias utilizadas nas
gerações digitais (do 2G ao 4G) na parte da rede de acesso e no núcleo.
2.2.6 5G
Com latências minimizadas, velocidades aprimoradas e maior largura de banda, o 5G eleva
significativamente nossas vidas atuais. Espera-se que, com o 5G, a latência não exceda 1
milissegundo. Ele suporta transmissões de dados perfeitas e mantem velocidades de download de
até 2,5 Gbps e velocidades de upload de até 1,25 Gbps. O 5G promete serviços e experiência do
usuário dez vezes melhores do que seus antecessores.
O 5G revolucionará as maneiras como usamos e percebemos nossas atuais tecnologias de rede sem
fio, tanto para uso privado e diário quanto para a IoT. Com essa geração, as redes domésticas não
precisarão mais depender de fios e a IoT e as indústrias relacionadas poderão avançar com projetos
como carros autônomos e operações médicas remotas.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Ver todas as gerações de rede juntas nos dá uma perspectiva melhor de quão longe chegamos como
uma sociedade em melhoria. A cada geração de rede, novas possibilidades surgem.
2.3 Sistema 5G
2.3.1 Objectivos do 5G
27
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
tinham como principais clientes os usuários finais, podem passar a ter como clientes principais as
indústrias. Isto representa uma mudança sem precedentes não somente tecnológicas, mas no
modelo de negócios.
Requisito Métrica
Pico da taxa de dados Até 20 Gb/s DL, até 10 Gb/s
UL
Taxas de transmissão médias observadas Até 100Mb/s DL, até 50 Mb/s
UL
Eficiência espectral Até 30 bits/s Hz DL, até 15 bits/s
Hz UL
Densidade de conexão Até 1 milhão de
equipamentos/km2
Vida de bateria dos equipamentos Mais que 10
anos
Mobilidade Até 500
km/h
Latência de dados do usuário 1 ms para casos de uso na indústria, 4ms
para MBB
Confiabilidade Pelo menos
99,999%
28
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2.3.2 Pilares do 5G
29
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Popovski et al. (2018) destaca que o objetivo do serviço mMTC, é maximizar a taxa de chegada
que pode ser suportada em um determinado recurso de rádio. O PER alvo de uma transmissão
individual de mMTC é tipicamente baixo, na ordem de 10ˉ¹. Segundo Ejaz et al. (2016), a
comunicação entre máquinas tem um papel significativo a desempenhar no emergente paradigma
da internet das coisas nos próximos anos e décadas. O cenário emergente de IoT-5G estende os
30
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
recursos de IoT baseados em sensores para robôs, atuadores e drones para coordenação distribuída
e execução confiável de baixa latência.
No artigo, “Enabling massive IoT in 5G and beyond systems: PHY radio frame design
considerations’” por Ayesha Ijaz et al., os autores propõem uma estrutura de frames flexíveis para
dispositivos massivos de Internet das Coisas (IoT) funcionando na rede 5G. Os autores discutem
a interdependência de diferentes parâmetros, requisitos de serviço e características do ambiente de
rádio. Com base nessas interdependências, diferentes parâmetros como tempo de guarda,
espaçamento da subportadora, volume de dados e características do canal, eles fornecem diretrizes
para o projeto de numerologia de rádio e elaboram a estrutura de quadros para comunicações de
IoT em redes 5G para suportar a densidade massiva de conexão de dispositivos de baixa potência
e taxa.
Segundo Popovski et al. (2018), o serviço URLLC suporta transmissões de baixa latência de
pequenos payloads com confiabilidade muito alta de um conjunto limitado de terminais, que serão
ativados de acordo com padrões normalmente especificados por eventos externos, como alarmes.
O relatório 5G Mobile: Impact on the Health Care Sector, produzido por Teece (2017), afirma que
o 5G tem um papel importante a desempenhar na entrega de intervenções de missão crítica. Um
exemplo citado no relatório é um caso relacionado ao tratamento de um paciente com AVC onde
as redes ultra confiáveis e de baixa latência (URLLC) têm um papel fundamental a desempenhar
do ponto em que o dispositivo de monitoramento do paciente envia um sinal de socorro à
31
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
ambulância, onde imagens de alta resolução e dados sobre sinais vitais podem ser transmitidos
para o hospital antes da chegada do paciente.
Segundo Teece (2017), no campo da saúde, o 5G é a base de sustentação para o que é chamado de
Internet of Medical Things (IOMT). O IOMT envolve um ecossistema de conexões que facilitarão
a comunicação e o feedback entre pacientes, por um lado, e dispositivos médicos e equipamentos
de monitoramento, por outro. Além disso, a rede 5G trará uma diferença enorme em termos de
capacidade de diagnósticos e análises de forma remota, com o uso de aplicativos de realidade
virtual e realidade aumentada realmente imersivos. A capacidade de simular uma experiência ao
vivo e de fazer perguntas ao paciente em tempo real, não apenas fornece tratamento e diagnóstico
imediatos, mas também tratamento e diagnósticos mais eficazes.
Em seu outro relatório 5G Mobile: Disrupting the Automotive Sector, Teece (2017) destaca que o
5G será o habilitador e acelerador dos benefícios sociais dos carros autônomos e veículos
inteligentes. Os recursos de baixa latência (URLLC) e alta taxa de bits (eMBB) do 5G
possibilitarão as comunicações V2X (vehicle-to-everything) que abrange uma gama de habilidades
de comunicação: veículo para pedestre, veículo para veículo, veículo para rede, veículo para
dispositivo móvel e veículo para infra-estrutura, conforme Figura 11.
32
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Popovski et al. (2018) ressalta que as transmissões de URLLC também são intermitentes assim
como os serviços mMTC, mas o conjunto de potenciais transmissores de URLLC é muito menor
se comparado ao segundo caso de uso. A taxa de transmissão de um URLLC é relativamente baixa,
e o principal requisito é garantir um alto nível de confiabilidade, com um PER tipicamente menor
que 10ˉ⁵.
2.4 Espectro
O espectro de frequência é a faixa de frequências do espectro eletromagnético que pode ser
usada para transmissão de informações sem fio. Cada faixa de frequência tem características
diferentes e pode ser utilizada para diferentes propósitos. No caso do 5G, a implementação bem-
sucedida da tecnologia depende da disponibilidade de um espectro amplo o suficiente para oferecer
a velocidade e a capacidade necessárias para suportar as novas aplicações e serviços que o 5G
oferece. Isso inclui aplicações como a Internet das Coisas (IoT), realidade aumentada e virtual, e
comunicação de missão crítica.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
34
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
No entanto, existem técnicas para superar esses desafios, como o beamforming, que é uma técnica
de processamento de sinal que permite que o sinal de onda milimétrica seja direcionado com
precisão para um determinado dispositivo, aumentando a eficiência e a qualidade da transmissão.
O beamforming pode ser implementado por meio de uma variedade de antenas, incluindo antenas
de matriz, que permitem a transmissão de sinais de onda milimétrica em múltiplas direções.
Segundo Rappaport et al. (2013), "as antenas de matriz com capacidade de beamforming em redes
5G permitirão transmissões de alta potência para dispositivos específicos, melhorando a eficiência
espectral e a confiabilidade do sinal". Além disso, o beamforming também pode ser utilizado em
sistemas de antenas de múltiplas entradas e múltiplas saídas (MIMO), que são capazes de aumentar
ainda mais a capacidade de transmissão de dados de um sistema de comunicação sem fio.
No contexto de Moçambique, a utilização de ondas milimétricas tem sido explorada como uma
solução para a limitação de largura de banda e velocidade da internet móvel no país. Segundo o
Plano Nacional de Atribuição de Frequências, a frequência de 26 GHz foi alocada para a
implementação de sistemas 5G em Moçambique. A implementação de técnicas como o
beamforming pode permitir que essas ondas milimétricas sejam direcionadas com precisão,
35
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2.5 Beamforming
O beamforming é particularmente útil em frequências mais altas, como as utilizadas no 5G, onde
o sinal é mais sensível a obstáculos físicos. O uso do beamforming permite que o sinal de
transmissão seja direcionado para uma área específica, aumentando a eficiência da transmissão e
melhorando a qualidade do sinal.
De acordo com Ghosh et al. (2019), o beamforming é uma técnica que permite o uso eficiente do
espectro de frequência do 5G e pode fornecer velocidades de transmissão de dados muito maiores
do que as tecnologias anteriores. Além disso, a utilização do beamforming pode melhorar a
cobertura de sinal e reduzir a interferência em áreas urbanas densas.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Uma das principais áreas de inovação em comunicações sem fio está nas tecnologias
avançadas de antenas. Usando mais antenas de forma inteligente, pode-se melhorar a capacidade
e a cobertura da rede. Ou seja, mais fluxos de dados espaciais podem aumentar significativamente
a eficiência espectral, permitindo que mais bits sejam transmitidos, e conforme apresentado com
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
técnicas de beamforming pode-se estender o alcance das estações base concentrando energia RF
em direções específicas.
Figura 13: Diferença entre estações base atuais versus 5G massive mimo Huawei, 2022).
MIMO, ou Multiple Input Multiple Output, é uma tecnologia que permite que múltiplos sinais
sejam transmitidos e recebidos em uma mesma frequência, aumentando a capacidade e a eficiência
do sistema de comunicação sem fio. O MIMO envolve o uso de múltiplas antenas tanto no
transmissor quanto no receptor, permitindo que diversos caminhos de propagação sejam
explorados simultaneamente, resultando em um aumento na qualidade e na velocidade da
transmissão. O Massive MIMO pode suportar um grande número de usuários e dispositivos
simultaneamente, sem sacrificar o desempenho
O uso de antenas múltiplas é uma técnica de processamento de sinal que tem sido usada há décadas
em radares, mas somente recentemente foi aplicada em sistemas de comunicação sem fio. A
técnica MIMO foi apresentada pela primeira vez em 1996 pelos pesquisadores Gerard J. Foschini
e Michael J. Gans, da Bell Labs. Desde então, o MIMO tem sido amplamente adotado em sistemas
de comunicação sem fio, especialmente em tecnologias como o Wi-Fi e o LTE, bem como no 5G.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
O MIMO tem sido amplamente adotado em sistemas de comunicação sem fio devido aos seus
benefícios em termos de capacidade e eficiência. Por exemplo, em redes 4G LTE, o MIMO tem
sido usado para aumentar a velocidade de download e upload, melhorar a cobertura e reduzir a
interferência. Segundo Andrews et al. (2007), o MIMO tem sido uma das tecnologias mais
importantes para melhorar a capacidade e eficiência das redes sem fio. Além disso, o MIMO tem
sido amplamente utilizado em sistemas de comunicação de próxima geração, como o 5G, para
aumentar a capacidade e a velocidade da rede.
Outro autor, Zhang et al. (2015), afirma que o MIMO tem sido uma das principais tecnologias para
melhorar a eficiência espectral das redes sem fio. O uso do MIMO em sistemas de comunicação
de próxima geração, como o 5G, permitirá que mais usuários acessem a rede simultaneamente,
além de melhorar a cobertura e reduzir a interferência. Um dos principais benefícios do Massive
MIMO é sua capacidade de melhorar significativamente a eficiência espectral, permitindo a
transmissão de quantidades muito maiores de dados ao mesmo tempo. Além disso, ele também
pode aumentar a cobertura do sinal, reduzir a interferência e melhorar a capacidade da rede.
A tecnologia Massive MIMO é particularmente adequada para ambientes urbanos densos, onde há
muitos usuários e dispositivos competindo pelo mesmo espectro de frequência. De acordo com a
literatura técnica, o Massive MIMO pode oferecer até um ganho de 100 vezes em capacidade em
relação ao MIMO convencional com duas antenas, além de reduzir a latência e melhorar a
experiência do usuário. No contexto de Moçambique, o Massive MIMO pode ser especialmente
útil para atender a demanda crescente por conectividade de alta qualidade em áreas urbanas densas
e em eventos de grande porte, como festivais e shows. Além disso, ele pode ajudar a melhorar a
cobertura em áreas remotas e rurais, onde a infraestrutura de rede é limitada.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Figura 14: Modelo de sistema para o sistema MIMO massivo (Site MathWorks - Large-
scale antenna systems for 5G wireless systems, 2019).
3 Arquitetura da rede 5G
Para resolver os desafios citados até então e atender aos requisitos do sistema 5G, será
necessária uma mudança radical no design da arquitetura celular. Segundo o relatório Making NR
5G a reality, o core network dessa geração alavancará funções de rede virtualizadas para criar
slices (fatias) de rede otimizadas para uma ampla gama de serviços hospedados na mesma rede
física. Cada fatia da rede pode ser configurada independentemente para fornecer conectividade de
ponta a ponta com o NR 5G, que é otimizado para as aplicações necessárias. Além de permitir uma
alocação e utilização de recursos mais eficiente, o core network da rede 5G também oferecerá
aprimoramentos na ativação de modelos de assinaturas flexíveis para operadoras e a criação
dinâmica de serviços que são especialmente úteis para conectar uma ampla gama de novos serviços
e dispositivos.
40
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Segundo o estudo "A Survey of 5G Network: Architecture and Emerging Technologies", de J. Liu,
C. Wu e S. Chaudhary, a rede 5G Standalone oferece várias vantagens em relação à rede 5G Non-
Standalone. Por exemplo, a rede 5G SA pode fornecer uma experiência mais consistente e
confiável para os usuários, porque não depende da infraestrutura legada da rede 4G. Além disso,
a rede 5G SA pode fornecer maior flexibilidade e escalabilidade para as operadoras, permitindo
que elas atualizem e expandam a rede 5G de maneira mais eficiente.
No entanto, a implantação da rede 5G SA pode ser mais desafiadora e cara do que a implantação
da rede 5G NSA, pois exige a construção de uma nova infraestrutura de rede. Além disso, a
implantação da rede 5G SA pode exigir que os operadores de rede atualizem seus sistemas de
back-end e equipamentos de rádio para suportar a nova arquitetura.
3.1.1.1 SA
A rede 5G Standalone (SA) é a arquitetura da rede de próxima geração totalmente
independente do 4G, projetada para fornecer serviços avançados de comunicação móvel para
atender às necessidades de conectividade em rápida evolução. Ao contrário do 5G não autônomo
(NSA), que depende do 4G para operar, a rede 5G SA é uma arquitetura autossuficiente que oferece
aprimoramentos significativos em relação à rede 4G.
De acordo com o documento técnico do 3GPP, "o 5G SA foi projetado desde o início para oferecer
suporte a casos de uso 5G avançados, incluindo ultra-confiabilidade, baixa latência, mobilidade
extrema, grande número de dispositivos e altas taxas de dados". A rede 5G SA é uma infraestrutura
altamente virtualizada e baseada em nuvem que utiliza tecnologias de software definido (SDN) e
virtualização de funções de rede (NFV) para fornecer uma rede altamente flexível e escalável.
O 5G SA também apresenta uma arquitetura de rede distribuída, que fornece uma rede mais
resiliente e robusta. A arquitetura distribuída permite que as funções de rede sejam distribuídas em
diferentes locais, proporcionando maior redundância e menor latência. Além disso, a rede 5G SA
utiliza uma arquitetura de rede baseada em fatia, que permite a criação de várias redes virtuais
dedicadas para atender a diferentes requisitos de desempenho e segurança.
O 5G SA também usa uma nova interface de rádio chamada interface NR, que é projetada para
suportar uma ampla gama de frequências de rádio, incluindo as ondas milimétricas de alta
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
frequência. A tecnologia de múltiplas entradas e saídas (MIMO) é uma técnica importante que é
usada na interface NR para melhorar a eficiência do espectro e aumentar a capacidade da rede.
Figura 15: Arquitetura da rede 5G modo SA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).
3.1.2 NSA
A rede 5G NSA é a implementação do 5G que utiliza a infraestrutura de rede já existente
da rede 4G, com a adição de algumas funcionalidades do 5G. É uma abordagem evolutiva para a
implementação do 5G, que permite que as operadoras possam oferecer serviços 5G sem ter que
fazer grandes investimentos em infraestrutura de rede. Essa implementação tem sido utilizada em
muitos países como uma forma de acelerar o processo de implantação do 5G.
A rede 5G NSA usa o espectro 5G e a tecnologia de modulação 5G, que oferecem uma taxa de
transferência muito maior do que a rede 4G existente. Ele utiliza a rede 4G para se conectar com
os dispositivos dos usuários, enquanto a rede 5G é usada para fornecer serviços adicionais, como
latência reduzida e maior capacidade de rede. Isso permite que os usuários experimentem alguns
dos benefícios do 5G, como a velocidade mais rápida de download e upload e a menor latência,
sem ter que atualizar seus dispositivos ou operadoras.
A rede 5G NSA é um passo intermediário na evolução da rede 5G, uma vez que ainda usa a
infraestrutura de rede existente da rede 4G. No entanto, é uma solução prática para as operadoras
43
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
que desejam implementar o 5G o mais rápido possível e oferecer serviços de alta velocidade aos
seus usuários. Com o tempo, espera-se que as operadoras migrem para a rede 5G Standalone, que
oferece a implementação completa da arquitetura 5G.
De acordo com o estudo "5G Network Architecture: A High-Level Overview", de Tao Zhang e
colaboradores, a rede 5G NSA "tem como objetivo fornecer uma transição suave da rede 4G
existente para a rede 5G, permitindo que as operadoras aproveitem as vantagens do 5G enquanto
mantêm a infraestrutura de rede 4G existente em funcionamento". A implementação do 5G NSA
é um passo importante na evolução da rede 5G, que deve revolucionar a maneira como nos
comunicamos e nos conectamos.
Figura 16: Arquitetura da rede 5G modo NSA (Relatório 5G Best Choice Architecture, 2019).
3.1.3 Viabilidade
A arquitetura de duas redes, SA e NSA, é compatível com 3GPP. Ambas as arquiteturas foram
introduzidas no 3GPP15, com apenas seis meses de diferença um do outro. Sua viabilidade
depende em grande parte de fatores externos, como prontidão do equipamento, disponibilidade do
equipamento do usuário e complexidade da implantação.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
3.1.4 Investimento
A comparação acima não se baseia nos custos reais. Os valores são relativos. "HIGH" não significa
alto em termos monetários absolutos, mas é alto em comparação com a outra opção
Á curto prazo, parece que a NSA é mais econômica, pois as operadoras ignorarão o 5GC. Assim
sendo, as operadoras irão investir apenas na cobertura seletiva NR 5G, além da atualização de toda
a rede LTE. Por outro lado, a arquitetura SA exige, além da cobertura seletiva NR 5G, a
implantação do 5GC em primeiro lugar. Contudo, de acordo com a experiência do 3G/4G, a rede
principal só leva menos de 20% do investimento total da rede. No caso do 5GC, espera-se que seja
ainda menos dispendioso, graças às tecnologias de nuvem e virtualização, que tornam o 5G
implantável nos data centers existentes das operadoras.
Á longo prazo, as operadoras, com arquitetura de rede NSA, precisarão migrar completamente sua
rede para a SA. Isso significa implantar o 5GC e habilitar NSA e SA durante o período de transição
e, finalmente, migrar somente para arquitetura SA. Obviamente, o complexo procedimento de
migração introduzirá custos adicionais, tais como: atualização EPC frequente, múltiplos períodos
de planejamento e optimização da rede, visitas adicionais ao local, modernização do equipamento
da RAN, reconfiguração da rede de transportes, etc. O investimento acumulado da SA em duas
etapas (da NSA para a SA) pode ser superior à da SA.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
No geral, os operadores estariam melhor se adotassem a opção SA, a fim de evitar o custo de
atualização da rede LTE. Além disso, as operadoras permitirão todas as fontes de receitas, além
do eMBB, para não mencionar que um pioneiro em novas verticais assume uma posição de
liderança de mercado.
No contexto de Moçambique, o network slicing pode ser uma solução para fornecer serviços
personalizados para uma ampla gama de aplicativos, incluindo saúde, educação, agricultura,
transporte e finanças. Por exemplo, a rede de transporte pode ser fatiada para fornecer largura de
banda dedicada para veículos autônomos, enquanto a rede de saúde pode ser fatiada para fornecer
conectividade de baixa latência para robôs cirúrgicos.
Além disso, o network slicing também pode ajudar a melhorar a eficiência da rede e a reduzir os
custos de infraestrutura. Por exemplo, a capacidade de uma rede pode ser realocada dinamicamente
para diferentes fatias de rede, dependendo da demanda do usuário. Isso pode ajudar a maximizar
o uso dos recursos da rede e reduzir o desperdício de capacidade.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
De acordo com o artigo "Network Slicing for 5G with SDN/NFV: Concepts, Architectures, and
Challenges" de Wei et al. (2019), "a ideia do network slicing surgiu com a necessidade de atender
às diversas demandas de serviços e aplicações 5G com requisitos diferentes". O mesmo artigo
também destaca que o network slicing é uma funcionalidade chave do 5G e que "a abordagem do
network slicing pode ajudar a resolver muitos desafios em relação à implantação e gerenciamento
de redes 5G, como a necessidade de suportar serviços 5G com requisitos de desempenho e recursos
diferentes".
O artigo "Network Slicing in 5G: Survey and Challenges" de Abidi et al. (2020) também destaca
a importância do network slicing no contexto do 5G, afirmando que "o network slicing é uma
técnica chave que permitirá que as redes 5G sejam personalizadas para diferentes casos de uso,
permitindo a coexistência de várias aplicações em uma única infraestrutura de rede". O mesmo
artigo destaca que o network slicing pode ser usado para oferecer serviços personalizados para
uma ampla gama de aplicativos, incluindo saúde, educação, transporte e finanças, e que o network
slicing é um fator importante para o sucesso do 5G.
Segundo Oliveira, Alencar e Lopes (2018), o objetivo do network slicing é criar instâncias virtuais
de rede dedicadas para diferentes serviços. A fatia de rede pode ser considerada como uma coleção
de funções da rede móvel necessária para operar do começo ao fim de uma rede móvel lógica.
Assim, uma única rede física pode ser particionada em múltiplas redes virtuais, permitindo que a
operadora ofereça suporte dedicado para diferentes tipos de serviços ou usuários.
Figura 17: Redes 5G subdivididas em redes virtuais otimizada para cada caso de negócio
(Relatório An Introduction to Network Slicing, 2017).
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Além desses serviços de recursos de rede, a rede é capaz de oferecer serviços de plataforma
adicionais. O relatório An Introduction to Network Slicing, realizado pelo grupo GSMA detalha
exemplos de elementos de tecnologia que podem ser usados para personalizar os serviços da
plataforma das operadoras:
a) Big Data Analytics que pode ser oferecida como um serviço para apoiar o
gerenciamento de dados para orquestração de processos ou ecossistemas
complexos;
b) Gerenciamento de ID / Ativo para autenticação automatizada, em tempo real e
segura;
c) Segurança da plataforma como um serviço para fornecer vários níveis de segurança;
d) Cobrança dinâmica de interações em tempo real;
e) Cloud computing;
f) Computação de ponta para computação distribuída e armazenamento de dados para
serviços com requisitos de baixa latência;
g) Integração de parceiros para integração fácil e instantânea de parceiros;
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
De acordo com o Grupo 5GPPP em seu artigo View on 5G Architecture, o network slicing fornece
os meios pelos quais as operadoras da rede podem fornecer recursos programáveis de rede para
provedores OTT (provedor de serviço Over The Top) e outros participantes do mercado sem alterar
sua infraestrutura física. As fatias podem oferecer suporte a vários serviços dinâmicos e meios de
integração para players de mercado como a indústria automotiva, a indústria de energia, a indústria
de assistência à saúde, a indústria de mídia e entretenimento, conforme Figura 18.
4 Aplicacoes da tecnologia 5G
Todas as tecnologias citadas até o momento são impulsionadas por aplicações e serviços que
visam de alguma forma beneficiar a sociedade. Até as redes 4G, as aplicações foram movidas por
recursos de rede disponíveis, oferecendo serviços principalmente focados em comunicação de voz
e dados. No entanto, com o surgimento de uma nova geração de aplicações over-the-top (OTT),
50
Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
serão necessários novos recursos que definirão e impulsionarão a rede 5G para uma nova era de
aplicações.
Segundo artigo do IEEE, 5G and Beyond Technology Roadmap White Paper, a rede 5G permitirá
os provedores e operadoras de serviços a criar novas plataformas para permitir a próxima geração
de aplicações, além de desenvolver novos modelos de negócios. Streaming de vídeo e aplicações
baseadas em IoT são os atuais “killers applications" que combinados com os recursos de realidade
virtual e aumentada, criarão oportunidades em vários setores. De acordo com o estudo da GSMA,
The 5G era in the US 2018, a maioria das operadoras de comunicação móvel em todo o mundo
indicam que a banda larga móvel aprimorada (eMBB) será a principal proposta nas primeiras
implementações de 5G, com comunicações IoT massivas e ultraconfiáveis de baixa latência
ganhando escala em um estágio posterior, conforme Figura 19.
Figura 19: Ponto de partida para os casos de uso definidos pelo IMT 2020 (Relatório A New Era
for Enhanced Mobile Broadband, 2018).
De acordo com o relatório A New Era for Enhanced Mobile Broadband (2018) os requisitos
essenciais para a rede sem fio nesse primeiro estágio são respectivamente: largura de banda,
latência e capacidade. A fase inicial das implantações 5G estão no lado do triângulo eMBB-
URLLC mais próximo do eMBB. O caso de uso MTC (machine type communication) testemunha
com certa timidez ainda o surgimento das tecnologias NB-IoT e eMTC da 3GPP Release 13,
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
enquanto o URLLC completo exigirá a implantação de 5G Core para a redução total da latência
de E2E. As aplicações de missão crítica que são especialmente exigentes no quesito latência,
também exigem cobertura em grande escala, o que é difícil de imaginar nas implantações iniciais.
O relatório A New Era for Enhanced Mobile Broadband (2018) destaca que no primeiro estágio,
espera-se um crescimento adicional da largura de banda, complementado por melhorias de latência
no 5G NR, mas também no LTE. Isso ajudará a desenvolver os casos de uso de banda larga móvel
de hoje para alavancar aplicações emergentes de AR/VR (realidade aumentada/realidade virtual),
vídeo 360 UHD e outras aplicações.
Uma das principais vantagens do 5G em relação à banda larga fixa é a sua alta velocidade de
download e upload. O 5G tem o potencial de oferecer velocidades de download de até 20 Gbps,
muito superiores às velocidades oferecidas pelos serviços de internet fixa tradicionais. Isso
significa que as famílias podem desfrutar de uma experiência mais rápida e confiável de streaming
de vídeo, jogos online e outras aplicações de alta largura de banda.
Outra vantagem do 5G na banda larga é a sua maior capacidade de rede. Com o aumento do número
de dispositivos conectados à internet, a capacidade de rede é um fator cada vez mais importante
para garantir uma conexão confiável e rápida. O 5G tem o potencial de suportar até 1 milhão de
dispositivos por quilômetro quadrado, tornando-o uma opção atraente para a conectividade de
áreas densamente povoadas, como áreas urbanas e metropolitanas.
No entanto, para que o 5G possa ser usado como uma alternativa viável para a banda larga fixa, é
necessário que as operadoras de telecomunicações construam infraestrutura de rede para suportar
a tecnologia. Isso inclui a instalação de torres de transmissão e estações base que possam fornecer
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
cobertura de rede confiável e de alta velocidade. Além disso, é importante lembrar que a tecnologia
5G ainda está em desenvolvimento e implantação, o que significa que pode levar algum tempo
antes que a tecnologia esteja amplamente disponível e acessível para as famílias.
Um estudo publicado pela Ericsson em 2020, intitulado "5G for fixed wireless access: Enabling
high-speed internet in the home", destaca o potencial do 5G como uma solução para a banda larga
fixa. Segundo o estudo, o 5G pode oferecer velocidades de download mais rápidas do que a maioria
dos serviços de internet fixa disponíveis atualmente em muitos países, e pode ser particularmente
atraente para áreas onde a infraestrutura de rede existente é inadequada ou inexistente. O estudo
também aponta para a capacidade do 5G de fornecer uma experiência de internet mais flexível,
permitindo que os usuários movam sua conexão de internet para diferentes locais, como áreas
rurais e remotas, com facilidade.
Podemos considerar que o 5G estará disponível em duas formas de acesso de alto nível:
como um serviço móvel onde é possível acessar através de dispositivos móveis em qualquer lugar,
com ou sem mobilidade, e também como um serviço de aceso fixo FWA (fixed wireless access)
que funciona em um único local.
Segundo dados da Ericsson em seu artigo Making fixed wireless access a reality (2018), cerca de
metade de todos os lares do mundo - mais de 1 bilhão - não possuem conexão de banda larga fixa.
Dada a atual velocidade e capacidade das redes de telefonia celular com LTE e sua evolução para
5G, há oportunidades significantes para as operadoras fornecerem serviços de banda larga para
residências e pequenas e médias empresas usando FWA (Fixed Wireless Access).
Uma pesquisa recente feita pela empresa Maximize Market Research, Global 5G Fixed Wireless
Access Market (FWA) – Industry Analysis and Forecast (2018-2026), mostrou que o mercado
global de acesso sem fio Fixo 5G (FWA) foi avaliado em US$ 352 Milhões em 2017 e deve chegar
a US$ 94.566 Milhões até 2026, a um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 101,21%
durante um período de previsão.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Figura 20: Previsão de mercado para o FWA (Maximize Market Research, 2019).
De acordo com artigo publicado pela GSMA, Fixed Wireless Access: Economic Potential and Best
Practices (2018), o FWA não é um conceito novo, pois já tem sido usado como um substituto para
a conexão com fio na última milha e é comparável ao FTTX (Fiber-to the-x), pois ambas são
soluções de alta conectividade para a borda da rede.
De acordo com Lundqvist et al. (2019), no artigo Key technology choices for optimal
massive IoT devices, massive IoT refere- se a aplicações que são menos sensíveis à latência e têm
requisitos de taxa de transferência relativamente baixos, mas exigem um grande volume de
dispositivos de baixo custo, baixo consumo de energia e uma rede com excelente cobertura.
Exemplos de áreas de aplicação de IoT massivo incluem: wearables (e-health); rastreamento de
ativos (logística); cidade inteligente/casa inteligente, monitoramento ambiental e medição
inteligente; e fabricação inteligente (monitoramento, rastreamento e provisionamento).
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Figura 21: Tecnologias chave para dispositivos de IoT massivo (Relatório Key
technology choices for optimal massive IoT devices, 2019)
Uma das vantagens do 5G no IoT massivo é a sua capacidade de lidar com uma grande quantidade
de dispositivos conectados simultaneamente. Isso é possível graças à sua tecnologia de rede de
baixa latência, que permite uma comunicação mais rápida e confiável entre os dispositivos e a
rede. Isso é crucial para a IoT, onde a coleta e análise de dados em tempo real é essencial.
O uso do 5G no IoT massivo em Moçambique pode ser visto em vários setores. Por exemplo, na
agricultura, os sensores conectados à rede 5G podem coletar dados sobre o solo, o clima e o
crescimento das plantas, permitindo que os agricultores monitorem e otimizem suas plantações em
tempo real. Além disso, o 5G pode ser usado para aprimorar a telemedicina, permitindo que
médicos e pacientes se comuniquem e compartilhem informações de saúde em tempo real, mesmo
em áreas remotas.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
relatório, "à medida que mais dispositivos e sensores são conectados, o IoT massivo se torna cada
vez mais complexo e a rede 5G é essencial para suportar essa complexidade".
Para atender aos requisitos do Massive IoT, o 3GPP tomou medidas evolucionárias tanto no lado
da rede quanto no lado do dispositivo. Nenhuma tecnologia ou solução única é ideal para todas as
diferentes aplicações potenciais de IoT em massa, situações de mercado e disponibilidade de
espectro.
Kim (2019) destaca que para alcançar uma visão em que milhões de dispositivos são conectados,
dois requisitos devem ser satisfeitos. No lado técnico, o padrão IoT deve oferecer escalabilidade e
versatilidade, oferecendo capacidade suficiente e eficiência de rede para conectar milhões de
dispositivos e também recursos avançados, como maior duração da bateria e maior área de
cobertura, para facilitar a expansão de novos usos casos. Do lado da aplicação, muitos outros novos
casos de uso precisam ser desenvolvidos e testados.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
2025, haverá cerca de 13,8 bilhões de conexões IoT massivas em todo o mundo, das quais cerca
de 2 bilhões serão utilizadas na indústria.
No contexto de Moçambique, o IoT massivo na indústria pode ser aplicado em diversas áreas,
como a monitorização de equipamentos, a gestão de cadeias de fornecimento, a automatização de
processos produtivos e a segurança no ambiente de trabalho.
A monitorização de equipamentos é uma aplicação do IoT massivo que pode ajudar a melhorar a
eficiência das operações industriais em Moçambique. Com sensores instalados em máquinas e
equipamentos, é possível monitorar o desempenho e identificar falhas e problemas antes que eles
causem paralisações ou acidentes.
A gestão de cadeias de fornecimento é outra área onde o IoT massivo pode trazer benefícios para
a indústria em Moçambique. Com a utilização de sensores em produtos, é possível rastrear a
localização e as condições de transporte, garantindo a integridade dos produtos e reduzindo perdas
e desperdícios. A automatização de processos produtivos é outra aplicação do IoT massivo que
pode ajudar a melhorar a produtividade da indústria em Moçambique. Com a utilização de sensores
e atuadores, é possível monitorar e controlar processos de forma automática, reduzindo a
intervenção humana e aumentando a eficiência.
Por fim, a segurança no ambiente de trabalho é uma área onde o IoT massivo pode trazer benefícios
significativos para a indústria em Moçambique. Com a utilização de sensores e câmeras de
monitorização, é possível identificar situações de risco e prevenir acidentes.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
O IoT Massivo na agricultura em Moçambique pode ser aplicado em diferentes áreas, desde o
monitoramento de cultivos até o gerenciamento de estoques e logística de transporte. Sensores IoT
podem ser usados para monitorar o solo, temperatura, umidade, luz solar e outras variáveis
ambientais que afetam o crescimento das plantas. Esses dados podem ser coletados em tempo real
e analisados para tomar decisões informadas, como a quantidade de água e fertilizantes necessários
para cada área do cultivo.
Além disso, a IoT também pode ser aplicada no gerenciamento da cadeia de suprimentos agrícolas,
com sensores IoT em máquinas e equipamentos usados na produção, colheita e transporte. Esses
sensores podem fornecer informações importantes sobre o uso e manutenção de equipamentos,
reduzindo custos de manutenção e aumentando a eficiência operacional.
De acordo com a GSMA, a IoT Massivo na agricultura pode ter um impacto significativo em
Moçambique, principalmente em termos de aumento da produtividade e redução de custos. "O uso
de soluções IoT na agricultura pode aumentar a produtividade em até 20% e reduzir os custos em
até 30%", afirma a GSMA em um relatório.
Em Moçambique, o setor de utilities enfrenta desafios como falta de acesso a energia, falta de água
potável e infraestrutura inadequada. A implementação de soluções baseadas em IoT pode ajudar a
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
resolver esses problemas. Por exemplo, a coleta de dados em tempo real pode ajudar a monitorar
a qualidade da água e a detectar vazamentos, permitindo uma gestão mais eficiente dos recursos
hídricos. A IoT também pode ajudar a monitorar e gerenciar a distribuição de energia, reduzindo
perdas e aumentando a eficiência.
Um exemplo de aplicação da IoT em utilities é a Smart Grid, que é uma rede inteligente de energia
elétrica. A Smart Grid utiliza sensores para coletar dados em tempo real sobre o consumo de
energia, o estado da rede elétrica e as condições meteorológicas, permitindo uma gestão mais
eficiente da rede. Essa tecnologia pode ajudar a reduzir os custos de operação e manutenção,
melhorar a qualidade do serviço e reduzir o impacto ambiental.
Além disso, a IoT pode ser utilizada para monitorar e gerenciar o consumo de água e gás. Sensores
instalados nas redes de distribuição podem coletar dados em tempo real sobre o consumo e a
pressão, permitindo uma gestão mais eficiente desses recursos. A IoT também pode ajudar a
detectar vazamentos e reduzir perdas na rede de distribuição.
Apesar de, no contexto de Moçambique, a implementação de IoT no setor de utilities ainda ser um
desafio, já existem iniciativas em andamento. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional
de Normalização e Qualidade (INNOQ), em parceria com o Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT), a implementação de IoT em utilities em Moçambique pode melhorar a
qualidade dos serviços e a eficiência operacional, além de permitir a criação de novos modelos de
negócios. É necessário investir em infraestrutura de comunicação, como redes de fibra óptica e
sistemas de satélite, para permitir a transmissão de dados em tempo real. Além disso, é necessário
capacitar profissionais locais para a implementação e manutenção das soluções de IoT.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Portanto, é possível concluir que a IoT pode trazer muitos benefícios para o setor de utilities em
Moçambique, desde a redução de custos até a melhoria na qualidade dos serviços prestados. No
entanto, é preciso investir em infraestrutura e capacitação técnica para garantir que esses benefícios
sejam efetivamente alcançados. Como destaca o relatório do INNOQ e do MIT: "A implementação
da IoT em utilities em Moçambique pode criar uma oportunidade única para melhorar a qualidade
dos serviços e permitir o desenvolvimento de novos modelos de negócios. No entanto, é necessário
superar alguns desafios significativos para tornar isso uma realidade".
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Segundo artigo The 5G economy: How 5G technology will contribute to the global Economy, em
2035 a onipresença do 5G resultará em impactos que avançam além da capacidade das tecnologias,
plataformas e indústrias existentes; no entanto, a proliferação da tecnologia móvel 3G e 4G fornece
análogos importantes à medida que a economia 5G floresce.
O investimento do setor privado 5G deverá ser tão grande quanto o investimento em infraestrutura
e os gastos em P&D que foram precedidos por 3G e 4G. Políticas e incentivos os investimentos e
a disponibilidade de capital de risco, auxiliados por fortes proteções à propriedade intelectual,
manterão o ambiente hospitaleiro que permitirá o florescimento da economia 5G.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
6 ANALISE SWOT
A análise SWOT permite avaliar a situação atual do país em relação à sua infraestrutura de
telecomunicações, disponibilidade de espectro, potencial de mercado e investimentos necessários.
Também permite avaliar a concorrência de outras tecnologias de comunicação, possíveis desafios
regulatórios, de segurança e de privacidade que possam surgir. Assim sendo, uma analise foi feita
a seguir.
Forças:
Oportunidade de desenvolvimento: A implementação do 5G pode proporcionar uma
oportunidade para o desenvolvimento de novos setores de negócios e novos serviços em
Moçambique, bem como ajudar a melhorar a eficiência e a produtividade em diversos
setores.
Melhoria da conectividade: O 5G pode melhorar significativamente a conectividade em
Moçambique, especialmente em áreas remotas e rurais, permitindo que mais pessoas
tenham acesso à Internet e a serviços online.
Potencial para a criação de empregos: A implementação do 5G em Moçambique pode criar
novas oportunidades de emprego em áreas como a tecnologia da informação e
telecomunicações.
Fraquezas:
Alto custo de implementação: A implementação do 5G em Moçambique exigirá um
investimento significativo em infraestrutura e equipamentos, o que pode ser um desafio
para empresas de telecomunicações que já operam em um mercado de baixo custo.
Limitações de cobertura: O 5G utiliza frequências de ondas mais altas do que as tecnologias
4G e anteriores, o que significa que a cobertura de rede pode ser limitada em comparação
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
com tecnologias anteriores. Isso pode ser particularmente desafiador em áreas rurais de
Moçambique.
Dependência de equipamentos importados: Moçambique depende fortemente de
equipamentos importados para suas redes de telecomunicações. A implementação do 5G
pode exigir ainda mais dependência de fornecedores estrangeiros.
Oportunidades:
Inovação em setores-chave: O 5G pode permitir a inovação em setores-chave, como a
agricultura, a mineração e o turismo, ajudando a melhorar a eficiência e a produtividade.
Melhoria da qualidade de vida: O 5G pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das
pessoas em Moçambique, facilitando o acesso a serviços públicos, saúde, educação e
entretenimento.
Potencial para atração de investimentos estrangeiros: A implementação do 5G em
Moçambique pode atrair investimentos estrangeiros de empresas de tecnologia e
telecomunicações interessadas em expandir seus negócios na África.
Ameaças:
Regulamentação e legislação: A implementação do 5G em Moçambique pode ser afetada
por questões regulatórias e legislativas, como limitações de espectro e questões de
segurança.
Limitações de infraestrutura: A falta de infraestrutura em Moçambique pode limitar a
capacidade de implementação do 5G em todo o país.
Concorrência: A concorrência entre as empresas de telecomunicações em Moçambique
pode ser um obstáculo para a implementação do 5G.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
7 Conclusão
Uma das principais diferenças entre o 5G e o 4G é a largura de banda disponível. O 5G usa uma
variedade de frequências de rádio, incluindo as faixas de ondas milimétricas, para fornecer uma
largura de banda muito maior do que o 4G. Isso permite que o 5G suporte muito mais dispositivos
conectados simultaneamente e permita novas aplicações, como realidade aumentada e virtual,
streaming de vídeo em 8K e jogos em nuvem.
Além disso, o 5G também apresenta baixa latência, o que significa que a transmissão de dados
acontece quase instantaneamente. Isso é especialmente importante para aplicações que requerem
resposta imediata, como veículos autônomos e telemedicina.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
Por outro lado, o 5G pode trazer benefícios significativos para a economia do país, como o aumento
da produtividade em vários setores e a criação de novas oportunidades de negócios. Além disso, a
tecnologia pode ajudar a impulsionar a inovação e o desenvolvimento de soluções para desafios
sociais, como na saúde e na agricultura. A implementação do 5G em setores como a agricultura,
indústria e utilities pode trazer benefícios significativos para o país, permitindo maior eficiência,
segurança e controle. O IoT massivo pode ser um grande aliado nesse processo, permitindo a coleta
de dados e a tomada de decisões mais assertivas.
A transformação digital é uma realidade que vem impactando a sociedade em diversas áreas,
incluindo a maneira como nos comunicamos, trabalhamos e nos relacionamos. A tecnologia 5G
vem como uma grande oportunidade para potencializar ainda mais esse processo de transformação,
especialmente em países em desenvolvimento como Moçambique. Nesse contexto, a
transformação digital pode trazer grandes benefícios para o desenvolvimento socioeconômico do
país, especialmente nas áreas rurais e de difícil acesso. Com o 5G, será possível levar soluções
digitais para regiões remotas, melhorando o acesso à saúde, educação, agricultura e outros serviços
básicos.
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Estudo de viabilidade da tecnologia 5G em Moçambique
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