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Gengivite e Doenças Sistêmicas

O documento discute gengivite associada a doenças sistêmicas. Ele aborda a etiologia, sinais e sintomas da gengivite, seu diagnóstico, tratamento e prevenção. Além disso, discute a relação entre a gengivite e doenças como HIV, diabetes e hipertensão.
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Gengivite e Doenças Sistêmicas

O documento discute gengivite associada a doenças sistêmicas. Ele aborda a etiologia, sinais e sintomas da gengivite, seu diagnóstico, tratamento e prevenção. Além disso, discute a relação entre a gengivite e doenças como HIV, diabetes e hipertensão.
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Médicina Dentária 3º Ano

Tema: Gengivite Associada a Doênças Sistemicas

Disciplina: Perondontia

Turma: 302/Tarde

Grupo nº1

O Docente

_____________________

Caála, 2021
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO SUPERIOR DA CAÁLA
Instituto Superior Politécnico Caála

Departamento de curso Da Saúde

Medicina Dentária

Autores:

Alberto Mata Wonjimba

Alice Aznaida do Nascimento

Amarilada Julião Gomes

Ana Maigoth Manengo Bernardo

André Benjamim Cristina António

Anita Cristina Guilherme

Caála, 2021
ÍNDIC
E

Introdução................................................................................................................................1
1.1 Etiologia (Fatores Hepidemiológicos)...................................................................1

1.2 Sinais e sintomas........................................................................................................2

1.6 Diagnóstico...................................................................................................................3

1.4 Tratamento....................................................................................................................4

1.6 Prevenção......................................................................................................................4

1.7 A gengivite vs farmacos............................................................................................5

2.1 Odontologia e riscos sistêmicos da doença periodontal.................................6

2.2 Epidemiologia da doença periodontal...................................................................6

2.3 Manifestações estomatológicas vinculadas ao HIV...........................................7

2.4 Manifestações estomatológicas vinculadas ao diabetes mellitus.................8

2.5 Periodontite x hipertensão........................................................................................9

2.6 Tratamento da doença.............................................................................................10

2.7 A gengivite em Angola.............................................................................................12

Conclusão..............................................................................................................................14

i
ii
Introdução

Gengivite é um tipo de doença periodontal caracterizada por inflamação da gengiva,


causando sangramento com edema, enantema, exsudato, modificação dos
contornos normais e, ocasionalmente, desconforto. O diagnóstico baseia-se na
inspeção. O tratamento envolve limpeza dental profissional e higiene bucal domiciliar
intensificada. Casos avançados podem requerer antibióticos ou cirurgia (MANUAL
MSD, 2021).

Normalmente, as gengivas são firmes, fortemente adaptadas aos dentes e


contornadas para formar pontos interdentais tênues. A gengiva queratinizada,
próxima às coroas, é um tecido róseo, pontilhado. Esse tecido deve preencher
completamente o espaço entre as coroas. A gengiva distante das coroas, chamada
mucosa alveolar, é não queratinizada, altamente vascularizada, avermelhada, móvel
e contínua à mucosa bucal. Um abaixador de língua não deve ser capaz de exprimir
sangue ou pus de uma gengiva sã (MANUAL MSD, 2021).

1.1 Etiologia (Fatores Hepidemiológicos)


Gengivite pode ser induzida:

 Por placa bacteriana (em geral, decorrente de higiene bucal ruim)


 Não induzida por placas (MANUAL MSD, 2021)

Para ALVEZ, (2012) a gengivite é considerada a primeira fase das doenças


periodontais, que consistem de inflamações nas gengivas, provocando alterações
nos tecidos que dão sustentação aos dentes.

Em sua grande maioria, ela é causada pelo acúmulo de placa bacteriana que se
aloja entre o dente e a gengiva. Confira algumas das causas:

 Maus hábitos de higienização

A falta de escovação e a não utilização do fio dental e enxaguantes bucais facilitam


o acúmulo de placa, consequentemente o desenvolvimento de gengivite.

 Predisposição genética

1
Esse pode ser um fator que contribui para o desenvolvimento da doença, então caso
haja histórico de problemas de gengiva em sua família, não deixe de mencionar para
o seu dentista.

Gengivite induzida por placa bacteriana

Quase todas as gengivites são induzidas por placas. A placa bacteriana


mineralizada é uma concreção de bactérias, resíduos alimentares, saliva e muco
com sais de cálcio e fosfato. Higiene bucal ruim permite o acúmulo de placas entre a
gengiva e os dentes; a gengivite não ocorre em áreas onde há falta de dentes. A
irritação decorrente da placa aprofunda o sulco normal entre a gengiva e o dente,
criando bolsas gengivais. Essas bolsas contêm bactérias que podem ocasionar
gengivite e cáries radiculares. Outros fatores locais, como má oclusão, cálculo
dental, impactação alimentar, restaurações dentais defeituosas e xerostomia,
desempenham papel secundário (DENTALLS, 2019).

A gengivite induzida por placa bacteriana pode ser precipitada ou agravada por
alterações hormonais, doenças sistêmicas, fármacos ou deficiências nutricionais.

As alterações hormonais que ocorrem na puberdade, durante os ciclos menstruais,


gestação e na menopausa ou que ocorrem por causa de contraceptivos orais (ou
injetáveis) podem agravar a inflamação.

Doenças sistêmicas (p. ex., diabetes, aids, deficiência de vitaminas, leucemia,


leucopenia) podem afetar a resposta à infecção. Alguns pacientes com doença de
Crohn apresentam área de granulomatose gengival hipertrófica “em pedras de
calçamento” quando há atividade da doença intestinal (DENTALLS, 2019).

Gengivite não induzida por placa bacteriana

Gengivite não induzida por placa ocorre em um pequeno percentual de pessoas. As


causas incluem infecções bacterianas, virais, fúngicas, reações alérgicas, trauma,
distúrbios mucocutâneos (p. ex., líquen plano, penfigoide) e distúrbios hereditários
(p. ex., fibromatose gengival hereditária).

1.2 Sinais e sintomas


A gengivite pode progredir sem apresentar muita dor, produzindo poucos sinais
óbvios.

2
Porém, certs sintomas observados podem indicar o aparecimento da doença, entre
os quais podemos citar:

 Inchaço das gengivas

Durante a gengivite é possível que a gengiva fique inflamada, mais sensível e com
uma coloração mais avermelhada que o normal. Além disso, devido ao inchaço, é
possível que durante a escovação ou o uso do fio dental a gengiva sangre.

 Dentes que parecem mais longos do que realmente são

Durante o processo da gengivite, um dos sintomas apresentados é a retração da


gengiva. Isso pode causar a sensação de dentes maiores e mais longos.

 Alteração da cor da gengiva

A gengivite pode causar alterações na cor da gengiva, fazendo com que ela possa ir
de pouco a muito mais avermelhada do que o normal ou mesmo até arroxeada.

 Sangramento gengival

O sangramento constante das gengivas pode ser percebido ao escovar os dentes e


ao usar o fio dental, ao mastigar alimentos duros, ou mesmo até de forma
espontânea.

 Presença constante de mau hálito

Devido ao acúmulo de placa, as gengivas começam a se afastar dos dentes, criando


pequenas bolsas. As bactérias que ficam retidas ali liberam substâncias que causam
esse cheiro ruim e o paladar alterado.

1.6 Diagnóstico
Avaliação clínica

O achado de tecido eritematoso, friável na linha gengival confirma o diagnóstico da


gengivite. Para detectar doença gengival precoce, alguns dentistas frequentemente
medem a profundidade da bolsa ao redor de cada dente. Profundidades < 3 mm são

3
normais; bolsas mais profundas estão sob o risco de desenvolver gengivite e
periodontite.

1.4 Tratamento
Higiene oral ou regular e limpeza profissional

A gengivite simples é controlada por higiene oral apropriada, com ou sem


enxaguatórios bucais antibióticos. Raspagem minuciosa (limpeza profissional, com
instrumentos frios ou ultrassônicos) deve ser realizada. Se for pertinente,
restaurações mal-acabadas são corrigidas ou refeitas e irritantes locais são
removidos. Gengiva hiperplásica, se presente, pode ser excisada. As medicações
que causam a hiperplasia gengival devem ser suspensas, se possível; se não,
cuidados orais domiciliares, e limpezas profissionais (no mínimo a cada 3 meses),
em geral, reduzem a hiperplasia. Tumores da gestação são excisados (DENTALLS,
2019).

O tratamento da pericoronite consiste em:

Remoção dos restos alimentares de debaixo do flap gengival, enxaguantes bucais


com soro fisiológico, peróxido de hidrogênio a 1,5% ou clorexidina a 0,12% Extração
(particularmente quando os episódios são recorrentes) (ALVEZ, 2012).

Se infecção grave se instala, antibióticos podem ser prescritos por um dia antes da
extração e continuados durante a cicatrização. Esquema comum é amoxicilina 500
mg por via oral a cada 6 horas, por 10 dias (ou até 3 dias após a remissão completa
da inflamação). Abscessos associados à pericoronarite requerem incisão local e
drenagem, desbridamento do flap e da raiz, ou extração (ALVEZ, 2012).

Na gengivite causada por doenças sistêmicas, o tratamento é direcionado à causa.


Na gengivite descamativa após a menopausa, a administração sequencial de
estrógenos e progestágenos pode ser benéfica, mas os efeitos adversos dessa
terapia (Terapia hormonal) limitam sua recomendação. Como alternativa, os
dentistas podem prescrever solução para enxágue ou pasta com corticoides,
aplicada diretamente na gengiva. A gengivite causada por pênfigo vulgar e

4
condições mucocutâneas similares pode requerer corticoterapia sistêmica (JORGE,
2012).

1.6 Prevenção
Remoção diária da placa bacteriana com o fio dental e a escova de dente e profilaxia
de rotina com um dentista em intervalos de 6 meses a 1 ano podem ajudar a
minimizar a gengivite. Pacientes com distúrbios sistêmicos que predispõem à
gengivite requerem limpezas profissionais mais frequentes (a cada 2 semanas ou a
cada 3 meses) (JORGE, 2012).

1.7 A gengivite vs farmacos


É importante destacar a relevância de consultar um médico antes de se
automedicar. Somente uma pessoa especializada pode dizer qual o melhor
tratamento, duração e dosagem indicada para cada caso específico da doença
(DENTALLS, 2019).

Os remédios para tratar a doença podem incluir:

Anti-inflamatório para gengivite

O tratamento da gengivite tem como objetivo reduzir ou combater as inflamações


locais e deve ser contínuo até que os sintomas desapareçam. Em casos mais
severos, o médico dentista pode recomendar a utilização de medicamentos com
prescrição médica, (DENTALLS, 2019), como:

 Ibuprofeno, Algy-Flanderil Comprimido, Ibufran, Neurofen, Buprovil, Ibuprofan,


Ibuprotrat, Ibupril).
 Nimesulida (Cimelide, Nimesilam, Nisulid, Mesalgin, Inflalid, Uciton).
 Cloridrato de Benzidamina (Benzitrat, Benflogin, Fonergoral)

Antibióticos para gengivite

Em casos mais graves da gengivite, pode ser recomendado pelo médico dentista o
uso contínuo de antibióticos. Esses medicamentos precisam de prescrição médica e
não podem ter seu uso interrompido.

 Amoxicilina (Amoxil, Sulbamox, Amoxicilina EMS, Amoximed, Novoxil,


Polimoxil, Nemoxil).
 Cloridrato de Minociclina (Ranbaxy, Minociclina).
5
 Cloridrato de Clindamicina (Dalacin C, Anaerocid, Doxicilina).

6
2.1 Odontologia e riscos sistêmicos da doença periodontal
A doença periodontal é uma doença infecto-inflamatória que acomete os tecidos de
suporte (gengiva) e sustentação (cemento, ligamento periodontal e osso) dos
dentes. A inflamação da gengiva é chamada de gengivite, e a inflamação dos
tecidos de suporte do dente chamamos de periodontite (JORGE, 2012).

O conceito atual de etiologia multifatorial da doença periodontal inclui, além da


etiologia específica (placa dentobacteriana), o hospedeiro como componente
fundamental, e a doença ocorrerá quando existir desequilíbrio entre a agressão
microbiana e a resposta do hospedeiro (JORGE, 2012).

Em geral, os seres humanos têm quase um bilhão de bactérias na cavidade oral.


Essas bactérias, podem vir a interagir sistemicamente. (LOCKHART et al., 2008).

Diversos procedimentos comuns do dia-a-dia podem levar essas bactérias da


cavidadeoral a formarem uma bacteremia (presença de bactérias na corrente
sanguínea). Dentre os procedimentos diários, apresenta-se a escovação dental e o
uso de gomas de mascar. (LOCKHART et al., 2008)

Isso acontece, primariamente, nos casos das doenças periodontais, quando a


estrutura anatômica normal do tecido periodontal é rompida. (MILLER, 1921)

As substâncias que serão geradas ao final da glicação e da oxidação não enzimática


das proteínas e também dos lipídeos, as glicacações avançadas (AGEs) serão
substâncias primordiais no processo de formação da doença periodontal, cuja
atuação principal será a diminuição da eficácia das células do sistema de defesa:
neutrófilos. Com isso, as células do osso alveolar, do tecido conjuntivo e do tecido
vascular serão destruídas com mais facilidade; além de ocorrer maior produção de
mediadores inflamatórios. (ALVES, C. 2007)

2.2 Epidemiologia da doença periodontal

Quando o paciente se encontra na idade entre 35 e 44 anos, há uma incidência de


20 a 40% da doença periodontal na sua forma menos grave (PETERSEN, 2005).

Os dados evidenciam que quanto maior for a idade do paciente, maior será a chance
de desenvolver doença periodontal. (LOCKHART et al., 2012).

7
Dentro da prevalência da gengivite combinada ao biofilme há uma porcentagem de
97,2, em que os pacientes com 12 anos, estarão no auge dessa investigação, sendo
os portadores principais. (Neves, et al., 2010).

Outros estudos utilizando índices periodontais encontraram, no entanto, resultados


bem diferentes. Por exemplo, um levantamento epidemiológico realizado pelo
Ministério da Saúde do Brasil, incluindo uma amostra de mais de 35.000 indivíduos
avaliados pelo índice periodontal comunitário (IPC) - revelou que a prevalência de
gengivite foi de 19%, 10% e

3%, respectivamente, em grupos etários de 15-19, 35-44 e 65-74 anos. (ARAÚJO et


al 2010).

Em Angola, milhares de cidadãos ainda negligenciam o problema, fazendo um


deficiente trabalho de higiene bucal, facto que faz disparar os números de pacientes
nos consultórios médicos (públicos e privados).

2.3 Doênças associadas a gengivite

De acordo a pesquisa feita, são várias doenças associadas a conjutivite como:


problemas cardiovasculares, parto prematuro, pneumonia, gastrite, diabetes, artrite,
sinusite, HIV, diabetes mellitus e hipertensão porêm o presente trabalho centra se
apenas nas três abixo descritas.

2.4 Manifestações estomatológicas vinculadas ao HIV


Candidíase é uma das infecções oportunistas mais fortemente associada à infecção
pelo HIV. Vários relatos epidemiológicos enfatizam a prevalência da candidíase em
pacientes infectados e ressaltam sua importância como marcador da progressão da
doença Cavassani et al.

A candidíase pode ser encontrada sob 4 formas clínicas: eritematosa, queilite


angular, hiperplásica e pseudomembranosa, que é a forma de apresentação mais
frequente. Esta caracteriza-se por máculas ou placas removíveis de coloração
branca ou amarelada, localizada em qualquer área da mucosa bucal.

A candidíase pseudomembranosa é clinicamente classificada como uma lesão


branca que pode ser removida através da raspagem. Muitas vezes, as áreas
brancas apresentam um componente eritematoso, que pode ser associado a

8
superfícies em contato com dentaduras muco-suportadas. A infecção por Candida
albicans também pode ser detectada na comissura labial de pacientes com
dimensão vertical reduzida, sendo chamada de queilite angular, que
ocasionalmente, pode assumir um aspecto hiperplásico Cavassani et al.

2.4 Manifestações estomatológicas vinculadas ao diabetes mellitus


A Periodontite é definida como uma doença inflamatória dos tecidos de suporte dos
dentes; já a gengivite é definida como inflamação exclusiva da gengiva (JORGE,
2012). Na periodontite, diferentemente da gengivite, há perda de inserção
(reabsorção óssea + recessão gengival) resultante de uma modificação na
densidade óssea.

Estima-se que a principal causa da doença periodontal em pacientes com alterações


sistêmicas esteja relacionada à baixa domecanismo de defesa do hospedeiro e no
consequente aumento de microrganismos periodontopatogênicos, a qual é
favorecida pela presença da xerostomia (ALVEZ, 2012).

As primeiras bactérias que se depositam na superfície supragengival, em geral são


cocos e bacilos gram-positivos (Streptococcus sp., Actinomyces sp.). No biofilme
subgengival o predomínio é de bactérias anaeróbias (Actinobacillus,
actinomycetemcomitans e P. gingivalis), (JORGE, 2012).

Os sinais clínicos da inflamação são alteração da cor da mucosa (avermelhada),


alterações no contorno e na consistência da gengiva (aumento de volume) e,
obviamente, o sangramento à sondagem (SANTOS et al., 2006). A periodontite
crônica se caracteriza pela presença de placa e de evolução lenta, sendo a mais
comum; já na periodontite agressiva não se tem esse “grande acúmulo de placa”,
porém sua evolução é rápida e pode estar ligada a fatores genéticos

e sistêmicos (CARRANZA, 2003). E, por sua vez, a periodontite aguda se


caracteriza pela presença de abscessos periodontais e sintomatologia clínica (WOLF
et al., 2006).

A Diabetes mellitus resulta da ausência ou ineficiência da insulina, causada tanto


pela deficiência no pâncreas quanto pela alteração

9
desse hormônio nos tecidos periféricos. A insulina é um hormônio essencial para a
homeostase da glicose, do crescimento e diferenciação celular e é secretada pelas
células do pâncreas em resposta ao aumento da glicose após refeições (BRANDÃO
et al., 2011). Esse

hormônio atua na regulação do metabolismo dos carboidratos e, quando escasso,


ocasiona uma diminuição da entrada da glicose nos tecidos, provocando um
consequente aumento da glicose no sangue, quadro característico da diabetes
mellitus.

A hiperglicemia dificulta a ação fagocitária do sistema imunológico e com isso o


hospedeiro fica mais suscetível a doenças infecciosas. Ocorre espessamento dos
vasos sanguíneos, dificultando a passagem de elementos nutritivos e células de
defesa, facilitando a agressão microbiana (WOLF et al., 2006).

Quando a quantidade de insulina é pequena, como ocorre nos pacientes diabéticos


não compensados, a reparação dos tecidos lesados é mais lenta (WOLF et al.,
2006). A mobilidade dos tecidos na cavidade bucal é natural e depende da síntese
de colágeno. Pacientes com diabetes possuem a síntese de colágeno mais lenta e,
portanto, com retardo na reparação tecidual.

Em resumo e comprovado por diversas pesquisas, o diabetes mellitus eleva o risco


de doença periodontal, e a periodontite, por sua vez, exerce influência sobre o
controle glicêmico do diabetes (WOLF et al., 2006).

2.5 Periodontite x hipertensão


Evidências indicam que a doença periodontal aumenta o risco de outras condições
de saúde, incluindo hipertensão. Uma nova revisão da literatura reforça essa tese.
Os dados indicam que quanto mais avançado o estágio da doença periodontal,
maior o risco de hipertensão (DENTALLS, 2019).

É o que revelam dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano,


o CDC.

Segundo o CDC, 47,2% das pessoas com 30 anos ou mais apresentam alguma
forma de doença periodontal. Cerca de 32% de todos os adultos nos Estados Unidos
têm pressão alta (DENTALLS, 2019).

10
JORGE, (2012) acredita que a inflamação pode estar no centro do elo intrigante
entre a saúde bucal e a cardiovascular. A hipótese de que as bactérias orais
responsáveis pela doença periodontal poderiam desencadear essa inflamação, que,
por sua vez, tornaria a hipertensão, o elo mais provável.

Uma revisão recente da literatura trouxe uma importante confirmação. Ou seja, as


evidências apontam que pessoas com periodontite tem maior risco para o
desenvolvimento se pressão alta.

Pacientes com periodontite podem desenvolver pressão alta. Hipertensão, por sua
vez, pode ser a causa de ataques cardíacos e derrames (DENTALLS, 2019).

O tratamento da doença periodontal causa uma redução na pressão sanguínea.


Vários autores defendem que o tratamento da doença gengival parecia resultar em
uma diminuição da pressão arterial. As evidências, sobre esse aspecto específico,
permanecem inconclusivas.

Há uma conexão entre a saúde bucal e a pressão arterial. Ligação esta observada
tanto em estados saudáveis e doentes. No entanto, a hipótese de que terapia da
doença periodontal possa reduzir a pressão arterial depende de mais estudos e
comprovações (DENTALLS, 2019).

2.6 Tratamento da doença


O tratamento da doença periodontal divide-se em 4 fases:

Fase 0- Tratamento sistêmico preliminar e de urgência;

Fase 1 ou inicial (ou ainda higiênica)- dada pela motivação do paciente e adequação
do meio oral;

Fase 2- que é a fase corretiva, na qual se enquadram os procedimentos cirúrgicos; e

Fase 3- que é a terapia de manutenção e controle (WOLF et al., 2006).

Os primeiros sinais clínicos da periodontite é a formação de bolsas e perda de


inserção (PI), por isso o exame de sondagem é indispensável. Quando a gengiva é
saudável e o epitélio juncional está íntegro, a profundidade histológica de sondagem
é de no máximo 0,5mm e não há sangramento (WOLF et al., 2006).

11
A profundidade de sondagem é a medida que vai desde a margem gengival até o
ponto mais apical de penetração da sonda e é medida em seis pontos de cada
dente. O nível de inserção clínico é medido desde a junção cemento-esmalte até o
ponto mais apical da penetração da sonda. A recessão gengival é medida da junção
cemento-esmalte até a margem gengival (WOLF et al., 2006).

A medida de sondagem periodontal é imprescindível na avaliação do paciente, a


qual é feita através da sonda periodontal. Para execução desse procedimento é
importante o conhecimento de algumas estruturas, bem como o epitélio juncional
que possui até 2 mm de espessura e forma a junção dentogengival através de
camadas basais e inserção conjuntiva. O sulco histológico vai desde a margem
gengival até a porção mais coronária do epitélio juncional (0,69 mm); já

o sulco clínico vai da margem gengival até a profundidade de penetração da sonda,


podendo chegar até 3 mm (LINDHE et al., 2011).

O espaço biológico é composto pelo epitélio juncional e inserção conjuntiva onde, se


o invadirmos no momento da sondagem, haverá sangramento em função do tecido
conjuntivo ter irrigação (WOLF et al., 2006).

A mobilidade dental é uma das características clínicas da doença periodontal e


possui 4 classificações: 0) significa que há mobilidade normal (fisiológica); 1) a
mobilidade é detectada levemente com o tato; 2) mobilidade está visível, até 0,5
mm; 3) mobilidade acentuada, até 1mm e 4) a mobilidade está acentuada, havendo
mobilidade também no sentido vertical e perda de função do elemento dental.

O tratamento de bolsas periodontais pode ser realizado com equipamentos como


ultrassom ou equipamentos manuais, com ou sem exposição cirúrgica (no caso de
cálculo radicular), tendo como objetivo a eliminação da bolsa e a cura da lesão
periodontal. É um método seguro, não agride os tecidos, não provoca sangramento,
apenas uma recessão gengival, e apresenta bons resultados (WOLF et al., 2006;
LINDHE et al., 2011).

As curetas são os equipamentos manuais mais indicados, haja vista que somente
elas têm a capacidade de remover cálculo subgengival. Devem ser manuseadas
com ângulo de aproximadamente 80 graus e bem afiadas. As mais utilizadas são as
curetas Gracey, pois possuem somente um lado cortante, diferentemente das
12
curetas convencionais, facilitando a raspagem subgengival e não agredindo o tecido.
O uso de antibióticos é recomendado no caso de pessoas com sistema imunológico
comprometido ou que tenham alguma doença sistêmica.

2.7 A gengivite em Angola


Os dados revelam que pelo menos 95% da população angolana sofre de algum tipo
de cárie dentária, doença causada por ácidos produzidos pelas bactérias presentes
na boca, que pode ser evitada com a limpeza dos dentes pelo menos duas vezes ao
dia. Uma delas deve ser sempre antes de dormir. Apesar do volume de informações
disponível sobre a matéria, os problemas com a saúde bucal tendem a aumentar em
todo o país, onde a dor de dente e a inflamação das gengivas já se tornaram em
verdadeiros problemas sanitários (ANGOP, 2021) .

Dados obtidos pela ANGOP, no Dia (20 de Março de 2021), a Organização Mundial
da Saúde estimam que em média 500 pacientes buscam assistência médica da
gengivite em todo o país, por dia, três mil e 500 por semana, 14 mil por mês e 168
mil em cada ano.

Se, por um lado, os números impressionam, por outro, nem todos os pacientes têm
tratamento imediato. Dos 500 pacientes/dia, apenas 360, em média, conseguem
atendimento efectivo em consultas de estomatologia.

Os dados revelam que pelo menos 95% da população angolana sofre de algum tipo
de cárie dentária, doença causada por ácidos produzidos pelas bactérias presentes
na boca, que pode ser evitada com a limpeza dos dentes pelo menos duas vezes ao
dia. Uma delas deve ser sempre antes de dormir.

Apesar do volume de informações disponível sobre a matéria, os problemas com a


saúde bucal tendem a aumentar em todo o país, onde a dor de dente e a inflamação
das gengivas já se tornaram em verdadeiros problemas sanitários.

Esta realidade deve-se, essencialmente, ao reduzido número de profissionais


especializados, quer nos hospitais públicos, quer nos privados, e aos altos preços
praticados para os serviços dentários.

13
Conforme os números, nos hospitais privados os preços variam entre 15 e 28 mil
Kwanzas para um tratamento normal, contra mil nas unidades sanitárias públicas,
estas últimas que têm a maior "pressão" da população necessitada.

Ainda nas clínicas privadas, a simples limpeza dos dentes para a retirada de tártaros
(placa bacteriana ou biofilme dental que endurece na superfície dos dentes) pode
custar ao paciente 20 mil Kwanzas ou mais (ANGOP, 2021).

14
Conclusão
A texto conclusivo a gengivite é causada principalmente pela má higiene oral, mas
às vezes ocorre por causa de alterações hormonais (p. ex., gestação, menopausa)
ou certas doenças sistêmicas (p. ex., diabetes, aids).
Limpeza profissional, com ou sem um enxaguante antibacteriano, é normalmente o
tratamento adequado.
Outrossim verifica-se que O HIV é um vírus que promove uma infecção das células
CD4, resultando em imunossupressão do paciente, favorecendo infecções
oportunistas. Essa infecção viral atua como um possível fator de risco para o
desenvolvimento da destruição dos tecidos de sustentação dos dentes e até mesmo
para o agravamento de uma condição já pré-existente. Quanto a periodontal e
diabetes mellitus estão totalmente interligadas na medida em que o tratamento de
uma influencia no controle da outra. São doenças bidirecionais e muito comuns de
ser encontradas no dia a dia do atendimento odontológico. Quanto a periondontite e
a hipertensão arterial, as evidências apontam que pessoas com periodontite tem
maior risco para o desenvolvimento se pressão alta.

15
Bibliográficas

1. ALVES, C.; ANDION J.; BRANDÃO, M; MENEZES, R. Mecanismos


patogênicos da doença periodontal associada ao diabetes mellitus.
Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, São Paulo, v. 51, n.
7, pág. 1050-1057, 2007. doi:[Link]/10.1590/S0004-
27302007000700005.
2. BRANDÃO, B. F.; SILVA, A. P.; PENTEADO, L. A. Relação bidirecional
entre a doença periodontal e a diabetes mellitus. Odontologia clínica.
Recife, v. 10, n. 2, p.117-120, Abr-Jun. 2011.
3. CARRANZA, F.; SHILDAR, G. History of Periodontology. Chicago:
Quintessence, 224p. 2003.
4. Doença periodontal associada à pressão alta (DENTALLS, 2019) data de
acesso 08/12/2021,[Link]
pressao-alta.
5. Doenças bucais "ganham terreno" (ANGOP, 2021) data de
acesso:08/12/2021, [Link]
ganham-terreno/
6. Versão para Profissionais de Saúde, (MANUAL MSD, 2021) data de
acesso 09/12/2021,
[Link]
distúrbios-periodontais/gengivite
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