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Os indios na Historia do Brasi
Maria Regina Celestino de AlmeidaSumario
Inteodugéo
Capitulo 1
© lugar dos indios na histéria: dos hastidores ao paleo
No tempo dos bastidores
Conguistands um lugar no paleo...
E (quem divia?) a ago dos fndtos também move a histéria
Capitulo 2
5 indios na Amérien portuguesa
Tupls e apaiss em tempos de tudanga
Guerras e trocas ensee os tapinaminis
Os primeiros eortatos
Capitulo 3
Guerras indigenas e guerras colonials/p6s-coloniais
‘ conguista da enpitania de Fernambuce e suas anexas
conguista da capitanie da Boia, Ukéus ¢ Fspirite Samts
A conguista da Guanabare
5, para alem do seculo XVI, as gueeras continuarn..
13
B
25
29
29
6
4s
o
3
3
2Capitulo 4
Politica de aldeamentos e colon! n
AS multas fundies e signifcados das aldeias coloniais B
Os indi «a8 fais 9
Vivor e mudar ney aldelas: ressocializagio e catequese ss
‘Tornar-se indie aldeado: agio politica, mestigagens ©
Reeonstrugies identitarias nas aldlas 38
Capitula s
Politica indigenista de Pombel e politicas indigenas 107
© Diretdrin dos tnaies: rupeuras ¢ continuidades v9
De aldeias indigenss a vias ¢ lugares portugucses:
35 primeinas eaperiancias na Amagdnia ny
Politica de igwaldades ou mantutencio das difevengas? 18
Principals x comuns: enobrecimente de liderangas e
becarquis nas aidcias ne
Birbaros x civilizados: incorporagsio das povos do
sertdo.e permanéncia das distingdes 122
Indios x nao indins: propostas de assimilagdo e
resinténeiag indigenas 126
Capitulo 6
Etnicidade e nacionalisme no século XIX 135.
Imagens do india 137
Politica indigenistae politicasindigenas 14
Conflitos agrctiose resisténcias indigenas mas antiges aldcias 151
Consideragées finals 159
Referdncias 161
Introdugao
Os poves indigenas tiveram participagdo essencial nos
processos de conquista ¢ colontizagio em todas 2s regiges da
América. Na condigio de aliados ou inimigos, eles desempe-
aharam importantes e variados papéis na constvtigio das so-
siedades coloniais ¢ pés-colonials. Foram diferentes grupos
nativos do continente americane de etnias, linguas ¢ culturas
diversas que receberam os evropeus das formas mais variadas
«foram todos, por eles, chamados indios. Bram, em sua gran-
de maioria, povos guerreiros, e suas guerras e histérias se en-
trelacaram, desde o século XVI, com as guterras¢ histdrias dos
colonizadores, contributindo para delinear seus rumos.
Este livro trata da histérla desses indios em contato com
as sociedades coloniais © pés-coloniats no Brasil. indios que
a8 multo recentemente, quase ndo mereciam a atencio dos
historiadores. Nas Ghsimas décadas, no entanto, os estudos
hist6vicos sobre eles t€m se multiplicado e contribuido para
desconstruir visdes equivocadas e preconceituosas sobre suas
relagdes com os colonizadores, De personagens secundarios
pee nehFOV de Bolo
apresentados como vitimas passivas de um processo violento
no qual nio havia possibilidades de ago, os povos indgenas
em diferentes tempos ¢ espacos comegaram a aparecer como
agentes sociais culas agdes também sio consideradas impor.
tantes para explicar os processos historicos por eles vividos
Essas novas interpretagdes permitem outra compreensia so-
bre suas histdrias e, de forma mais ampla, sobre a propria
hhistéria do Brasil,
0 objetivo deste livto ¢ apresentar uma revisio das leit
tas tradicionais sobve o tema, a partir de pesguisas recentes
que tm revelado 0 amplo leque de possibilidades de novas
interpretagies sobre as trajetdrias de grupos e individuos in-
igenas. Nessas pesquisas, os indies aparece como sujeitos
ativos nos processos de colonizasao, agitido de formas varia-
das © movicos por interesses préprios. A violéncta da con-
quista ¢ da colanlzagao nao os impediu de agit, mobitizando
25 possibilidades a sett alemnee para atingir seus imteresses
‘que se transformavam com as novas situagdes vivenciadss,
§ importante assinalar que essas novas leituras no re-
sultaram apenas da descoberta de documentas inéditos, mas
prineipalmente de novas interpretagdes fundsmentadas em
teorlas @ conceitos reformulados. Em outras palavras, um
mesmo documento pode revelar reaildades bem diversas,
conforme as referéncias tedricas e conceituais que embae
sem as imterpretag3es dos investigadores. Essas noves in.
terpretagbes tornatam-se possiveis quando historiaderes ¢
antropélogos comegaram a dialogar e a trocar experiéneias
a vespeito de seus temas ¢ ferramentas de trabalho ~ as teo-
1135, 05 conceitas ¢ os méiodos — com os quais analisam seus
objetos de estutio,
Pesquisas interdisciplinares, que conjugam teorias © mé-
todos histéricas ¢ antropologicos, vio 20s poucos descons-
0c indios na hist do Brosh 4
truindo compreensies simplistas e interpretagdes equivaca-
as sobre os indios e suas relagBes, Da mesma forma, idelas
preconceituasas que, por muito tempo, predominaram ¢ in-
flucnciaram o pensamento dos intelectuais responsivels pela
sonstrugaa do sabes sobre os indios, também vie send ultra-
passadas, Por essa razio, para pensar sobre essa reviszo histo-
‘iografica, que tem dado um novo lugar aos indios em nossa
historia, & importante abordar algumas questdes tedricas ©
Conceituais da histéria € da antropalogia que nos ajudam a
compreender essas diferentes leituras a respeito dos papéis
atribuidos aos indios.Capitulo t
O lugar dos indios na historia:
dos bastidores ao palco
No tempo dos bastidares
Como os indios tém sido vistos tradicionalments em nossa
histéria? Desde a Histéria do Brasil de Francisco Adolfo Var-
uhagen (1854) 2%é um momento bastante avansado do século
XX, 05 indios, grosso modo, vinham desempenhando papéis
muito secundarios, agindo sempre em fungio dos interesses
alhelos. Parecizm estar no Brasit 8 disposiczo dos europeus,
que se serviam deles conforme seus interesses. Teriam side
litcis para determinadas atividades ¢ initeis para outras, alla-
dos ow inimigos, bons ou maus, sempre de acordo com os
objetivos dos colonizadores, Além disso, em geral, apareciam
za historia como sndios apenas no momento do confronto,
isto , guando pegavam em armas e hutavam contra us ini=
rmigos. Assim, os tamoins, os aimorés, os goitacazes ¢ tantos
‘outros eram vistos como indios guetveitos, que resistiram
bravamente @ conguista de suas terras. Foram, no entanto,
dervotados ¢ passaram a fazer parte de ordem colonial, 1a
qual nfo havia brecha nenhuma para a aco. Tornavain-se,“ F@V de Bolso
entio, vitimas indefesas dessa ordem, Na condiglo de escrae
‘vos ou submetides, aculturavam-se, deixavarn de ser Indias &
desapareciam de nossa histéria,
Essas idelas, a6 muito cecentemente, embasavam 0 de-
saparecimento dos indios, em diversas regides do Brasil, ji
‘0s primeiros séculos da colonlzagao. Desapaceciam, porcin,
deve-se ressaltar, apenas da historia escrita. Estudos recenses
tem demonstrado que, do século XVI a0 XIX, os indios inse-
Fidos no mundo colonial, em diferentes regiées da Améxica
portuguese, continuavarn muito presentes nos sertées, as
vilas, nas eidades © nas aldeias. Untimeros documentos pro-
duzidos pelos mats diversos atores socials evidenciam essa
presenea.
Como s¢ explica terem desaparecide da histéria do Brasil?
Em grande parte, pacece-me, devido’ ideia acima apontada
predominance, por muito tempo, entre antropslogos ¢ histo-
riadores. Trata-se da idela segundo a qual os indies integra-
dos 4 colonizagio iniciavam ttm processo de aculturacdo, isto
&, de mudangas culturais progressivas que os condusiam &
assimilagto e consequentemente 4 perda da identidade étni-
€2, Assim, as relagdes de contato com sociedades envalventes
¢ 08 varios processos de mudanga cultural vivenciades pelos
grupos indigenas eram considerados simples relacdes de do-
tinagde impostas aus indios de tal forma que tio lhes restava
nenhuma margem de manobra, a nfo ser a submissdo passiva
a tum processe de mudangas culturais quie os levaria a serem
assimilados e confundidos com a massa da populacio,
Nessa perspectiva assimilacionista predominante, por lon~
g0 tempo, no pensamento antropoldgica, os indios integrados
4 colonizagio tornavamse individuos acultutrados ¢ passivos
que, junto com 2 guerra, perdiam culturas, identidades ét-
nieas € todas as possibilidades de resisténcia, Tal concepsio
(Os ndios ne histria do Basil 8
tebrica, hoje bastante questionads, tinka ampla accitagio
num tempo em que historiadores © antropdlogos andavam
afastados e seus campos de estudo exam nitidamente distin-
05, Culturas, identidades émicas, relagdes culturais e varios
utros temas relacionados ao cotidiano de homens comuns &
de povos nao ocidentais eram assunto de antropélogos ¢, em
geval, estudados num plano sincrdnico, isto 4, sem levar em
sonts processos de mudange,
4 cultura dos chamados “povos primitives”, vista como
pura c inutével, era objeto de Investigagio dos antropdlogos
preocupados em comprcendé-la em suas caracieristieas ori«
ginais © auténticas, Processos histéricos de mmudanga por eles
vividos nao eram valorizados por pesquisadores interessades
em desvenday a légica eo funcionamento da cultura entend-
da de forma essencialista, isio€, como fixa, estivel e tmutével
Além disso, as chamades povos primitives eram considerndos
Isolados ¢ sem hist6ria, Moviamvse com base em stas tradli-
gies © mitos considerados também a-historices. Essas ideias,
com excogtes e nuances que ido serio aqui sbordadas, pre«
dominaram entre as principals correntes do pensamento en-
tropoldgico, ac longo do sécalo XX, ¢ ovientaram importantes
e excelentes traballios sobre os poves indigenas da América ¢
suas culturas, porém nao numa perspeetiva hisrérca
Embora algunas vozes jé alertassera, em meados do século
XX, para a importincia de se considerar a trajetoria histéri«
ca dos povos para a melhor entendimento de sas culturas,
predominow, entre os antropélogos. a concepyao de que os
processos histirieos portadores de mudanga nfo eram ime
portantes para 3 compreensae de seus objetos de estilo, Av
contrario, exam vistos como propulsares de perdas calturais
sucessivas que levavam 4 extinggo dos povos estudados, Ai
nal, sea cultura cra vista como algo fixe e estével, relagoes de6 FGVde Boise
comato, principalmente corm povos de tecnologia superior,
80 poderiam desencadear processos de aculeuragio que con.
Guziviam necessariamente a perdas culturais e 2 extingZo ét-
ica, As relacdes de contato eram, entao, grasso mado, vistas
como relagdes de dominaggosubmissfo, aa qual uma cultura
se impunha sobre a outra, anulando-2. Nessa perspectiva, os
Indios integrados & colonizacio, sefa como escravos ou como
aliados, eram vistos como submissos e aculturados, no cons-
Xtuindo, pois, categoria social merecedora de maiores inves-
tigagées.
A partir dessa perspectiva, as interpretagdes sobre as
telagdes de contato cram pensadas cam base em duatismos
simplistes que estabeleciam cigidas oposigées entre india
seulturado c indio puro; aculeuragio e resisténcia cultural
(emiendida esta ditima como nogagio dos novos valores eul-
turais impostos}, estruzuca cultural (fixa, imativel e orien.
tadora da compartamento dos povos primitives) e pracessos
historicos (responsi veis por introduzit mudangas e conduzlt
a extingdo dessus mesn0s povos). Bsses dualistios foram, em
grande parte, responsiveis por abordagens redutivistas que
conduziram a visdes equivocadas sobre a atuagdo des indios
10S processos histdvicos,
A percepgio de que 05 indios em comato com sociedades
envolventes caminhavam inevitavelmemte para a assimilagio
predominou até quase os nossos dias, mesmo entre os mals de
Gicados defensores das causas © dos direitos indigenas. Entre
esses, vale citar Florestan Fernandes. O autor procurow des-
Iistificar algumas visdes equiivocadas da historiografia quanto
a0 comportamento passivo dos indios face a colonizagao. Ent
Wizou a resistencia indigena, buscando entendé-la a partir das
caracteristicas da organizagao social dos tupis, desconstruindo
A idela do baixo nivel civilizatério dos indios. Apresentow-os
sinc na histdrin do Bras 6
como braves inimigos dos portagueses que lutaram ardorasa-
mente, mas que, uma vez vencidos, tornaram-se acultucados,
submissos e escravizados, Ao perderem a cultura “auténtica”,
Passaram a fazer parte de um outro sistema, no qual era der.
rotados ¢ nfo tinham posstbilidades de escolha. Foram bravos,
mas perderarn ¢ “..0 seu heroismo ea sua coragem aia mo.
vimentaram a histévia, perdendo-se ievemediavelmente com 2
desiruigao do mundo em que viviam” (Fernandes, 1976:72),
como destacou o autor, Sem desmerecer o importante trabalho
de Fernandes, responsivel em desvelar, ainda que com limi-
tes, a logica de funcionamento da sociedade tupinambé, cabe
Feconhecer que sua abordagem reforcava a concepgio de Var-
mhagen segundo a qual para os "...povos na intinein nae ha
histévia: nd 86 etnografia” (Varnhagen, s/d:42, v. 1}.
{ssa frase de Varohagen evidencia claramente a papel re-
servado aos indios também pelos historinderes. Ainda que
distantes dos antropslogos quanto as temsticas analisadas es
formas de abordii-las, commgavam com eles quanto as ideias
aclonistas a respeito dos Indios. Para eles, os indios
também eram povos primitives, espécies de fasseis vivos da
humanicade, portadores de cultras auténticas e puras que
deviam sor estudados por etadgralos, antes que cesapare-
cessein, 0 Instituto Histérico & Geografico Brasileiro (HGH),
fundado em 1838 com a intengia de eriar uma historia do
brasil que unificasse a populagdo de novo estado em tomo de
‘uma meméria histérica comum e heroica, iria reservar aos in-
dios um lugar muito especial: o passado, Nessa histéria, os in.
dios apareciam ua hora do confronto, como inimigos a serem
combatidos ou come heréis que auxiliavam os portugueses,
Os indios vivos ¢ presentes no territério nacional, no século
XIX, nao eran ineluidos. Para cles, dirigiant-se as policicas de
assimilagdo que, desde meados do século XVII, tinkam 0 ob-i Fovde sotto
jstive de integré-los acabando com as distingécs entre eles ¢
‘8 nto indios, primeiro na condicio de sitditos de Rei, depois
como cldadaos do império.
Essas formas de compreensto sobre of indios ‘riam se
manter até muito avancado o século XX ¢ eram respaldadas ¢
incentivadas pelas politicas indigenistas. A potitica assimila-
clonista para os indios, iniciada com as reformas pombalinas
em meados do século XVI, teve contimiidade no Império
brasileiro ¢ também na Repiiblica. Ainda que diferentes le.
agislagdes garantissem as tertas coletivas e alguns outros cul-
dados especiais pata os indios enquanta eies nfo fossem con
siderados civiizados, a proposta de promaver a integeagio,
¢ extingui-los como grupos diferenclados iria se manter até
& Constituigio de 1988. Bssa fol a primeira lei do Brasil que
_garantiu 20s indios o direito & diferenga, marcando wma vira-
da significativa na legislasao brasileira, A nova lei, em gran
de parte influenciada pelos movimentos sociais ¢ indigenas
do século XX, veio, na verdade, a sancionar uma situagzo de
fato: 0s indios, nos anos 1980, contrariande as previsées aca-
émicas, davam sinais claros de que nao iriam desaparecer.
Aré os anos 1970 do século XX, no entamto, a perspectic
va pessimiista do inevitével desaparecimenta dos indios pre-
dominava entze os intelectuais brasileiros, inciuindo os mais
dedicados defensores de seus direitos. Ainds que denuncian-
do violéncias e lutando por legislagbes favoravets aos indios,
intelectuais, indigenistas ¢ missionavios buseavam, gross
modo, apenas retatdar wm processo visto por eles como irte-
versivel. Os indios, ndo resta duivida, iriam desaparecer,
Conquistando um lugar no palec..
Surpreendentemente, a5 previsdes nfo se cumpricam. Os
povos indigenas nio desspareceram, Ao invés disso, cresccin
Os indies na histéxia do Basi »
¢ multiplicem-se, como demonstram 0s itimos censos. Tor-
namese cada ver mais presentes na arena politica brasileira,
0 mesino tempo em que despertam o interesse das historia.
dores ¢ lentamente comegam a acupar lugar mais destacago
no paleo da histéria, A que se deve esse movimento? O cha.
mado processo de aculturagdo continua em curso ¢, devense
convir, cada vex mais intenso nesses tempos de plobaliza¢ao,
Porém 20 invés de levar a extingto das diferengas étaices,
parece que tem contribuido para reforgé-las,
O recente episédto eavalvendo os conflitos ¢ 0 julgamento
sobre as tervas da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima,
significative a este respeito. Em dezembro de 2008, cinco
povos indfgenas (macuxi, wapixana, ingericé, patamona ¢
‘aurepang), hd 30 anos em disputa pola demarcacio de suas
tereas nesta reserva, tiveram seus direitos defendidos pela
advogada indigena Jognia Batista de Carvalho, india wapi-
xana, Joénia foi a primeira indigena a defender uma causa
no Suptemo Tribunal Federal. Acontecimento histérico, nas
Palavras da propria Jotnia, que nos convida a relletir sobre
a historia dos indios em nosso pais, Sem entrar no mérito da
Questio, eabe assinalar a atuagio de Joénia que, farmada em
direito, atuou coma defeusora de set préprio grupo, Partici-
pou do ritual do julgamento com a toga que a fungao exige e
Com a rosto pintado conforme as tradigées de seu povo, Com
coragem ¢ deicrminagio, defendeu os direitos dos indtos, que
acabaram ganhande a causa,
Alguém duvida que ela seje india? Com certcza, sim, En=
{30 08 argumentos contvirios 1 demareacao continua daquelas
terras, inclui-se o argumento de que muitos dos grupos ah
envolvides hd muito deixaram de ser indios, Percebe-se, pois.
gue ax dispatas politieas por esses direitos envol vem disputay
Sobre suas classificagdes émicas. Ser ow nfo ser fradio imiplica» Fev de toto
gahar ou perder direitos « isso nde acontece apenas em nose
0s dias. Desde meados do século XVIII disputas politicas emt
tomo de classificagdes étnicas para asseguear ou nto direitos
Indigenas concedidos pela legislacio jé acorviam.
Por ora, para 0 argumento em questo, iinporta reconhe-
cer que os movimentos'indigenas da atwalidade evidenciam
que falar portugués, participar de discussBes politicas, rei-
vindicar direitos attavés do sistema judicidrio, enfim, parti-