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TRABALHO

O documento discute a importância da música na educação e no desenvolvimento infantil. Ele explica como a música pode ser usada como uma ferramenta pedagógica e como o ensino da música nas escolas pode beneficiar os alunos, promovendo o aprendizado, a sociabilidade e a expressão. Também reflete sobre a necessidade de valorizar a educação artística no currículo escolar.

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TRABALHO

O documento discute a importância da música na educação e no desenvolvimento infantil. Ele explica como a música pode ser usada como uma ferramenta pedagógica e como o ensino da música nas escolas pode beneficiar os alunos, promovendo o aprendizado, a sociabilidade e a expressão. Também reflete sobre a necessidade de valorizar a educação artística no currículo escolar.

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1. 1.

 RESUMO
2. 2. INTRODUÇÃO
3. 3. A EDUCAÇÃO E A MÚSICA
1. 3.1 A música e os seus conceitos
2. 3.2 A musicalização
4. 4. A MÚSICA NO BRASIL
5. 5. O PAPEL DO ENSINO DE MÚSICA NA FORMAÇÃO DO
CIDADÃO
1. 5.1 A música como recurso pedagógico
6. 6. A MÚSICA NO CONTEXTO ESCOLAR
1. 6.1 Atividades de investigação sonora
2. 6.2 Exemplos de conteúdos que podem ser trabalhados
7. 7. BENEFÍCIOS DA MÚSICA NO CONTEXTO ESCOLAR
8. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
9. 9. REFERÊNCIAS
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Palavras-chave: Música. Educação. Desenvolvimento. Aprendizagem.


ABSTRACT
This monograph presents the importance of music in the teaching-learning process,
analyzes the role of music in education, its benefits and its application in the child's
development as interaction and self esteem. This paper aims to reflect on music
education in education, define the concept of music, identify the methods to be worked
out in class, show the importance of music integration with other disciplines as well as
its individual importance. Considering the importance of music as part of popular
culture and thus as knowledge to be worked in the child's education context and
conceptualize the means to amplify that music education. The song shows us that not
only is an amalgamation of sounds and letters, but rather a rich subsidy that can make
a difference in schools, because it awakens the individual to a satisfying and enjoyable
world for the mind and body, which facilitates learning and also the socialization of
the student. The playful insertion in education goes beyond deploy and establish
curricula or apply them to students without any resources to arouse your attention, this
implies a renewal of continuing education teacher.

Keywords: Music. Education. Development. Learning.


2. INTRODUÇÃO

A música tem um grande poder de interação e desde muito cedo adquire grande
relevância na vida de uma criança despertando sensações diversas, tornando-se uma
das formas de linguagem muito apreciada por facilitar a aprendizagem e instigar a
memória das pessoas.

Sabendo que as aulas de educação artística, onde a música está inserida não tem um
papel de grande destaque no currículo escolar, uma vez que as disciplinas seguem uma
regra hierárquica, onde as que são tidas como as mais importantes para o
desenvolvimento escolar do aluno tem um enorme destaque e são tidas como as
demais necessidades para a vida escolar e social do aluno, enquanto as demais
disciplinas que estão presentes no currículo são levadas em “banho-maria” nas salas de
aula.

As aulas de educação artística há muito tempo vem sendo relegadas ao segundo plano,
os alunos só dedicam-se as atividades artísticas dentro da escola apenas quando o
professor ou a instituição tem atividades específicas ou projetos, apresentações,
amostras, recitais, encontros, etc.

Para as escolas ainda é mais importante que o aluno venha a ler e escrever com maior
rapidez para assim acompanhar os planos escolares e suas atividades diárias,
facilitando assim o trabalho de acompanhar as fases individuais dos alunos, que quase
sempre não são respeitadas, pois estes alunos que não acompanham essa norma (ler e
escrever) no tempo determinado pelo sistema educacional são taxados como lentos e
necessitados de reforço em suas atividades.

No âmbito escolar a música tem por finalidade acrescer e facilitar a aprendizagem do


educando, pois instrui o indivíduo a ouvir de maneira afetiva e refletida. A educação
deve ser vista como um processo comum, permanente e progressivo, que precise de
diferentes formas de estudos para seus aperfeiçoamentos, pois em qualquer espaço
sempre haverá diferentes condições familiares, sociais, ambientais e afetivos.
A musicalização abraça aspectos importantes com propósitos educacionais, e é um
apetrecho que assessora o educador a cumprir bem o seu papel, visto que educar exige
doses de emoção, alegria, compromisso, além de trazer experiências que enriquecem a
relação entre professor e alunos.

O tema ainda fala da música como um importante papel na educação, não apenas
como estética, mas também como facilitadora do processo de ensino-aprendizagem e
como instrumento que tem um grande poder de tornar a escola um ambiente mais
receptivo e alegre que façam com que os alunos desejem estar neste ambiente e
dediquem-se ainda mais as suas atividades, pois estarão envolvidos emocionalmente
com todo o espaço, tanto físico quanto emocional da escola.

As exposições aqui apresentadas farão agregar saberes importantes que se misturam e


se completam no entendimento de que a educação sem comprometimento e alegria
torna-se totalmente sem graça e sem vida, pois educar é uma tarefa que tem que ser
experimentada com realidade, beleza e prazer.

Em nossa tradição escolar, o ensino da educação artística ainda é considerado um


conhecimento supérfluo, muitas vezes vista como suporte para outras matérias. A
banalização da música no contexto escolar encontra-se presente devido ao uso da
mesma apenas como recreação, ignorando sua importância para o desenvolvimento e
riquezas culturais e sociais que a música proporciona para os indivíduos.

Quando o ensino de Artes (música, dança, teatro, pintura, etc.) passarem a ser tido
como uma matéria importante e complementar para a formação de um cidadão e
apresentar-se dentro do currículo escolar ou mesmo como forma interdisciplinar,
haverá uma ascensão favorável de aprendizado, levando em conta os aspectos
psicológicos e físicos dos alunos.

Observou-se que essa modalidade artística que se encontra presente em todos os meios
e momentos da vida humana e poderia também ser de grande relevância no contexto
educativo, pois é na escola que os alunos passam uma boa parte do seu tempo e é
principalmente nas séries iniciais que há aquisição de conhecimentos escolares com
um importante estímulo para formar uma base mais sólida e completa, já que, cada
aluno possui seu ritmo próprio e que os professores muito contribuem para essa
formação assim como todo o ambiente escolar.
Vygotsky (2003) nos mostra que o ambiente externo interage diretamente no
desenvolvimento e aprendizagem das crianças, dessa maneira acredita-se que o contato
das mesmas com a cultura que a rodeia seja um elemento fundamental para o seu
crescimento saudável.

A presente pesquisa traz como objetivo geral compreender a importância da música na


infância e verificar as contribuições que o ensino da mesma, e como essa
musicalização interfere no desenvolvimento da criança. Diante deste, buscou-se:
apresentar a teoria e a prática da musicalização no ensino aprendizagem; discutir sobre
como a música pode contribuir para o desenvolvimento da criança; verificar como esta
pode promover a sociabilidade e a expressividade do aluno e promover reflexões sobre
a música nas escolas e sociedade.

Justifica-se a importância deste trabalho, pois a infância é uma fase de suma


importância para o desenvolvimento mental, motor e emocional das crianças, pois
estão em uma fase de transição característicos da idade dos mesmos. A musicalização
nesta etapa da vida pode beneficiar o desenvolvimento integral das crianças, não só
apenas como mais uma linguagem, mas como elemento socializador e ampliador de
seus conhecimentos, além do melhoramento das funções motoras, psicológicas a
música tem o poder do relaxamento e concentração, levando-os também a refletirem
sobre sua convivência escolar e social.

3. A EDUCAÇÃO E A MÚSICA

A música tem um grande poder de interação e desde muito cedo adquire grande
relevância na vida de uma criança despertando sensações diversas, tornando-se uma
das formas de linguagem muito apreciada por facilitar a aprendizagem e instigar a
memória das pessoas.

Desde o nascimento que o ser humano mostra suas necessidades de comunicação,


interagir com a sociedade e meio envolvente. Essa necessidade se inicia no ventre da
sua mãe, onde é criada uma relação de afeto, estabelecendo formas de comunicação
entre a mãe e a criança, através de simples gestos.

Segundo Morris (1975, p. 235):


Tudo que é caracteristicamente humano depende da linguagem.
O ser humano é, em primeira instância, o animal falante. O
discurso representa o mais essencial – mas não o único – papel
no desenvolvimento e na preservação da identidade humana e de
suas aberrações, assim como faz no desenvolvimento e na
manutenção da sociedade e de suas aberrações.

A cultura vem acompanhando as gerações e sua importância é incontestável. A


necessidade de comunicação ente os povos tornou a música uma marca vital de
identificação de cada comunidade e sua cultura. Segundo Oliveira (1999, p. 42), “é a
necessidade de comunicação que impulsiona, inicialmente, o desenvolvimento da
linguagem”. A música é a forma de expressão artística, tanto no campo popular quanto
no erudito. As comunidades podem ser identificadas pela música que escutam.
Como podemos definir taxar ou estimar o gosto musical, a cultura, classe social, se a
criança não tem opção de aprofundar seu conhecimento nos diversos campos culturais
oferecidos pelas artes? A música proporciona uma forma de expressão e contribui para
buscar a identidade de um povo, mas, isso não quer dizer que se devem privar o
mergulho em outras culturas, pois a igualdade implica no direito de não haver
discriminação, sendo assim a escola tem obrigação de oferecer essa cartela de opções a
seus alunos.

Charles Husband (1998, p. 139) afirma:

No reconhecimento de nossa individualidade está a possibilidade


de assumirmos a identidade da comunidade que fazemos parte,
aquilo que nos une e nos solidariza. Consequentemente, os
direitos individuais não podem ser inteiramente usufruídos ou
garantidos, na ausência do respeito para com a dignidade, a
integridade, a igualdade e a liberdade daquelas comunidades
com as quais nos identificamos, incluindo a comunidade étnica a
qual pertencemos. Na busca do reconhecimento de quaisquer de
nossas comunidades [...] nós devemos reconhecer
reciprocamente a legitimidade da existência e da integridade de
outras comunidades, inclusive suas diferenças em relação a nós.
No Brasil ainda temos pouco incentivo para pesquisas sobre educação musical
enquanto em outros países a música já é vista como obrigatória nas escolas. A
finalidade da inclusão da música na escola não é tanto transmitir uma técnica
particular, mas sim trazer para o aluno opções de expressão e linguagens que o
ajudarão a desenvolver o gosto pela cultura e assim futuramente expressar-se através
dela.

Dessa maneira, é possível afirmar que no Brasil já temos uma trajetória histórica,
educativa e cultural que nos permite uma reflexão crítica acerca de perspectivas e
caminhos concretos que possam subsidiar a inserção da educação musical nas escolas.

Sabendo que as aulas de educação artística, onde a música está inserida, não tem um
papel de grande destaque no currículo escolar uma vez que as disciplinas seguem uma
regra hierárquica, onde as que são tidas como as mais importantes para o
desenvolvimento escolar do aluno tem um enorme destaque e são consideradas como
as de mais necessidade para a vida escolar e social do aluno, enquanto as demais
disciplinas que estão presentes no currículo são levadas em “banho-maria” nas salas de
aula como é o caso da disciplina de Artes.

As aulas de educação artística há muito tempo vem sendo relegadas ao segundo plano,
os alunos só dedicam-se as atividades artísticas dentro da escola apenas quando o
professor ou a instituição tem atividades específicas ou projetos, apresentações,
amostras, recitais, encontros, etc. Assim não sendo a arte fica sempre em segundo
plano.

Para as escolas ainda é mais importante que o aluno venha a ler e escrever com maior
rapidez para assim acompanhar os planos escolares e suas atividades diárias,
facilitando assim o trabalho de acompanhar as fases individuais dos alunos, que quase
sempre não são respeitadas, pois estes alunos que não acompanham essa norma (ler e
escrever) no tempo determinado pelo sistema educacional são taxados como lentos e
necessitados de reforço em suas atividades.

3.1. A MÚSICA E OS SEUS CONCEITOS

Ainda é muito difícil encontrar uma definição única sobre o que seja música. Muitos
psicólogos, antropólogos, sociólogos, músicos, professores e pesquisadores têm
procurado essa definição e um só conceito, mas ainda sem grande sucesso e tampouco
conclusões unânimes sobre a arte musical.

Segundo o Dicionário de Termos e Expressões da Música do pesquisador Henrique


Autran Dourado (2008, p.214) música é “a arte de exprimir ideias por meio de sons”.

Para o artista e pensador Richard Wagner (1813 – 1883), a música é “a linguagem do


coração humano”. Este conceito nos traz a ideia de ritmo, que é um elemento
indispensável para a música assim também como para a vida, como por exemplo:
batidas rítmicas do coração, frequência da respiração entre outros. Mas também nos
mostra a ideia que a música tem grandes influências sentimentais e psicológicas no ser
humano.

De acordo com Bréscia (2003), a música é uma linguagem universal, tendo participado
da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Mas o conceito mais usado
é que a Música é a combinação de (1: melodia, 2: harmonia e 3: ritmo), de maneira
agradável para o ouvinte.

1. MELODIA: Certa sequência de notas organizadas sobre uma estrutura rítmica que


encerra algum sentido musical.
2. HARMONIA: Combinação de notas musicais, para produzir acordes e logo para
produzir progressões de acordes.
3. RÍTMO: Organização do tempo segundo a periodicidade dos sons.
No sentido amplo é a organização temporal de sons e silêncios (pausas). No sentido
restrito, é a arte de coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente
válidos, podendo ser transmitida através da voz ou de instrumentos musicais.

A música é uma linguagem universal e ao mesmo tempo uma manifestação cultural e


artística de um grupo de indivíduos, em determinada região ou época vivida. A música
é um veículo usado para expressar os sentimentos de um povo que passa de geração
em geração.

3.2. A MUSICALIZAÇÃO

Musicalizar significa desenvolver o senso musical das crianças, sua sensibilidade,


expressão, ritmo, “ouvido musical”, isso é, inseri-la no mundo musical, sonoro. O
processo de musicalização tem como objetivo fazer com que a criança torne-se um
ouvinte sensível de música, com um amplo universo sonoro.

A musicalização é um poderoso instrumento que aumenta, na criança, além da


sensibilidade a audição, qualidades como: concentração, coordenação motora,
sociabilização, respeito a si próprio e aos outros, esperteza, raciocínio, disciplina,
equilíbrio emocional e inúmeros outros atributos que colaboram na formação do ser
humano. O processo de musicalização deve alcançar a todos, buscando desenvolver
esquemas de absorção da linguagem musical.

No processo de musicalização, não podemos nos esquecer de que as crianças, quando


brincam, usam sons espontaneamente, criam músicas, e essa atitude, se não é
incentivada, tende a desaparecer com o tempo. A musicalização deve ser trabalhada de
maneira lúdica. Portanto, não podemos dizer que a musicalização serve para
transformar as crianças em seres musicais, apenas precisamos incentiva-las a continuar
usando e criando sons.

A musicalização é um processo de construção do conhecimento,


que tem como objetivo desenvolver e despertar o gosto musical,
cooperando para o desenvolvimento da sensibilidade, senso
rítmico, criatividade, do prazer de ouvir música, da imaginação,
memória, concentração, autodisciplina, atenção, do respeito ao
próximo, da socialização e afetividade, também contribuindo
para uma efetiva consciência corporal e de movimentação
(BRÉSCIA, 2003).

4. A MÚSICA NO BRASIL

A música no Brasil surgiu a partir da junção de elementos europeus, indígenas e


africanos, que foram trazidos por colonizadores portugueses e escravos. Em terras
brasileiras, as manifestações iniciais da música, que tem registros históricos, são as dos
padres jesuítas que tinham a intenção exclusiva de atrair fiéis para a religião catolicista
do que promover o ensino ou manifestações musicais por meio da arte executada com
seus instrumentos musicais.

França nos mostra o contexto histórico dos padres jesuítas que usavam a música para
atrais atenção à fé cristã em sua obra A Música no Brasil (1953, p.7):
O coral Gregoriano mágico instrumento de conversão de que se
utilizou o jesuíta José de Anchieta, aquela magnifica figura de
evangelizador. E com ele os jesuítas Aspicuelta Navarro e
Manuel de Nóbrega. Este dizia que: “com a música e a
harmonia, atrevo-me a atrair para mim todos os índios da
América”.

Como a maioria de suas manifestações religiosas continham músicas a ligação dos


índios com os jesuítas foi facilitada através da música que os sacerdotes usavam para
catequizá-los.

Apesar de haver apresentações de diversos instrumentos e letras de cantos


desconhecidas para os indígenas, não havia ali nenhuma intenção educativa para com
eles e sim uma necessidade de pessoas que pudessem espalhar a fé dos padres para os
demais índios em suas aldeias.

Somente no século XVII a música tornou-se popular no Brasil ganhando força com
ajuda de manifestações culturais africanas. Aos escravos trazidos da África deve-se
muito o enriquecimento da cultura e formação da música popular brasileira.

Com a vinda dos imigrantes europeus no fim do século XIX e início do século XX, são
abertas novas fronteiras e com o fim da escravidão chegam às terras brasileiras
trabalhadores de diversos lugares para as lavouras de café e algodão. Com eles uma
bagagem riquíssima de ritmos de suas terras e culturas.

A música é uma forte presença no povo brasileiro em todas as suas classes sociais,
Mário de Andrade (1980, p. 163) diz: “[...] o estudo científico da música popular
brasileira ainda está por fazer. Não há sobre ela senão sínteses mais ou menos fáceis
derivadas da necessidade pedagógica de mostrar aos estudantes a evolução histórica da
música brasileira”. Com isso vemos que antes de tudo tem-se a necessidade de
compreender e estudar a música antes de leva-la as escolas com propriedade.

No ano de 1854 o ensino da música no Brasil foi regulamentado por decreto real, mas
como não havia formação por parte dos educadores a música era usada para
manifestações artísticas e controle dos alunos em sala de aula.
O desenvolvimento e os benefícios causados pelo ensino e inclusão da musicalização
nas aulas não é tido como fator importante nas escolas, mas isso tende a mudar depois
que as autoridades governamentais e pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva com
a lei 11.769, sancionada em agosto do ano de 2008, que faz por obrigatório o ensino
musical nas instituições de ensino do Brasil. A lei tem como finalidade propor que as
escolas ensinem música dentro de um contexto formativo e abrangente.

5. O PAPEL DO ENSINO DE MÚSICA NA FORMAÇÃO DO


CIDADÃO

Frente a uma sociedade em constante transformação é vital discutir-se acerca dos


valores; perguntar-se sobre que sociedade se quer construir, buscar uma discussão a
partir dos valores essenciais, que deram a dimensão da sociedade contemporânea, pela
ascensão do capitalismo e suas relações com as transformações globalizantes e
mundiais. Os fenômenos históricos da sociedade representam a construção de
cidadãos, ao construírem uma história que representa a essência humana e a
continuidade da sociedade e de seus valores.

A cidadania é um importante valor a ser considerado na observação das


transformações sociais, pois se sabe que esta é uma condição humana de vida, ou seja,
é o ingresso aos bens materiais e culturais, bem como a justificativa de necessidades
humanas básicas (alimentação, vestuário, lazer, etc.).

O mundo moderno continua aumentando sua dívida social para com os países menos
beneficiados, desrespeitando o mais elementar direito à cidadania que é o acesso à
escola, ao emprego, saúde e proteção.

A globalização não valoriza as soluções para os problemas sociais dos países pobres;
fome, miséria e educação. Desta forma, a educação, enquanto fator sócio – cultural, se
desenvolve sobre os valores de seu próprio meio social.

Os valores que a sociedade atribui sobre si própria estão intimamente ligados a


educação. Numa sociedade de oportunidades mais justas, os valores determinados por
ela mesma podem beneficiá-la, quando esta estabelece valores que podem ser
desfrutados por todos, onde todos podem ter os mesmos direitos e cumprir os seus
deveres.
Não basta retratar o que já existe é preciso compreender a cultura de povos diferentes e
outras épocas, de modo a vivenciar sentimentos e emoções diferenciados, ampliando o
entendimento do mundo no qual o cidadão vive e as transformações que ocorreram
durante o seu desenvolvimento. Tal como ressalta Souza (1992, p.3), de acordo com
esta posição pode-se afirmar que:

[...] a música na escola só traz vantagens para a vida das


crianças; uma maior consciência de si, o respeito e a
compreensão do outro e visões críticas das dimensões da vida;
isto, sem falar na divulgação e valorização da área como campo
profissional e da ação estimuladora e criativa para o
conhecimento da música.

As variedades artísticas não diferenciam somente pela alta luxúria da linguagem. A


necessidade básica de ações e hábitos para vir a ter consciência do que se aprende, o
pensamento sistematizado e organizado, os sistemas de símbolos, associações e regras
para a construção do conhecimento são pontos comuns em qualquer área. A
experiência artística ganha um espaço definido quando realmente respeita o repertório
peculiar de vivências e assume o papel de classe para estender a expressão do sujeito
possibilitando seu amplo desenvolvimento.

A arte é um instrumento para a transformação de seres humanos em sua integridade,


desperta mais atenção em seu processo de sentir para o sentir dos outros. Desta forma,
pensamento e sentimento se inter-relacionam.

A educação em Arte propicia o desenvolvimento do pensamento


artístico e da percepção estética, que caracteriza um modo
próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o aluno
desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao
realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer
as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas
diferentes culturas (BRASIL, 1997, p. 19).

Na escola a preocupação é a reconstrução da sociedade e a colocação do sujeito a ela.


Neste processo o aluno deverá ter a oportunidade de realizar sua visão do mundo, de
sondar suas percepções e trocá-las com outros. Nesse sentido, o papel da arte, através
de uma de suas linguagens torna-se obrigatório.

A música não pode estar segredada somente em comunidades que a compreendem, ela
deverá ser compartilhada com o objetivo de desenvolver a crítica sobre a música que
chega aos nossos ouvidos pelos meios de comunicação entendendo o objetivo que a
mesma tenta alcançar.

A música, enquanto atividade social cria um espaço onde se dão as relações


interpessoais. O espaço social criado para o aluno na escola é, desde o início, um
mundo próprio, diferente do círculo familiar, no qual existem grupos maiores que
impõem certos padrões de conduta, onde o aluno deverá desenvolver-se integrando-se
a outras culturas distintas.

5.1. A MÚSICA COMO RECURSO PEDAGÓGICO

Vários quesitos passam pelos pensamentos do professor na construção de um plano de


aula que decida utilizar a música. A maneira pela qual a temática é mostrada aos
educandos pode, de certa forma, aproximar ou distanciar o mesmo para o
conhecimento proposto. A música nesta situação pode ser utilizada como uma ponte
que motiva professor e aluno.

A música pode exibir como o cidadão vê a sociedade em que vive, e é a partir do


diagnóstico da expressão corporal e argumentação crítica que aluno pode demostrar o
que subtende-se ser a visão que o mesmo tem do mundo e dos valores humanos. A
música também pode ser o ponto de partida para a busca de várias informações e
valorização da cultura de um povo.

“A música pode nos remeter a lembranças, cheiros, sabores, e imagens; pois ela
pertence, em grande parte, ao mundo dos sonhos” (BEAINE apud ARTEN;
ZANCHETA; LOURO, 2007).
A Música é parte do dia a dia infantil, em todas as atividades desenvolvidas para as
crianças se fazem presentes dando assistência para a aprendizagem, ensinando valores
éticos e morais entre outras diferentes funções relacionadas com a música, tendo em
vista as rotinas desenvolvidas nas creches e outras instituições infantis.
O trabalho com a música deve considerar, portanto, que ela é um
meio de expressão e forma de entendimento acessível as
crianças. A linguagem musical é excelente meio para o
desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da autoestima e
autoconhecimento, além de poderoso meio de integração social
(BRASIL, 1998, p. 49).

Por meio da música é possível exercitar toda a estrutura da educação infantil, além de
ser lúdico e prazeroso as crianças se manifestam através das canções, das cantigas de
roda, das danças, teatro etc. As atividades musicais na escola podem ter objetivos
preventivo, nos seguintes aspectos:

 Físico: oferecendo atividades capazes de promover o alívio de tensões devidas à


instabilidade emocional e fadiga;
 Psíquico: promovendo processos de expressão, comunicação e descarga emocional
através do estímulo musical e sonoro;
 Mental: proporcionando situações que possam contribuir para estimular e desenvolver
o sentido da ordem, harmonia, organização e compreensão.
O educar e o cuidar que direcionam as relações contínuas entre as crianças e os
educadores nas instituições de educação infantil diariamente torna-se mais fácil e
acessível por meio da musicalidade, pois sabemos que, a música une culturas e
gerações, estreitam as relações interpessoais e abre um leque de oportunidades para o
desenvolvimento cognitivo e ajuda na conquista e aprimoramento do conhecimento.

As atividades que envolvem a musicalização permitem que a criança conheça melhor a


si mesma e ao próximo, desenvolvendo sua definição de esquema corporal, e também
oportuniza a comunicação com o outro. Weigel (1988) e Barreto (2000) apud Garcia e
Santos (2012), afirmam que atividades podem auxiliar de maneira durável como
reforço no desenvolvimento sócio afetivo, cognitivo/ linguístico e psicomotor da
criança, da seguinte forma:
 Desenvolvimento sócio afetivo: a criança aos poucos vai formando sua própria
identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-
se com os demais. Por meio do desenvolvimento da autoestima ela aprende a aceitar-
se, com suas limitações e capacidades. As atividades musicais em grupo melhoram o
desenvolvimento da socialização, a compreensão, a participação e estimulando
cooperação. Dessa forma a criança vai fortalecendo o conceito de respeito ao próximo.
Além disso, ao expressar-se musicalmente em atividades que lhe geram prazer, ela
libera seus sentimentos, expressa suas emoções, desenvolvendo um sentimento de
segurança e realização pessoal.
 Desenvolvimento cognitivo/ linguístico: a origem de conhecimento da criança são as
vivencias que ela já traz consigo para a escola. Nesse sentido, as experiências musicais
vividas por ela em casa farão com que facilite uma participação ativa favorecendo o
desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao trabalhar com os sons ela desenvolve
sua capacidade de ouvir melhor e com detalhamento de ritmos e sentimentos musicais;
ao acompanhar com gestos ou danças ela está trabalhando a coordenação motora e sua
atenção e concentração; ao cantar ou imitar sons ela está descobrindo suas capacidades
e se relacionando com o ambiente em que vive.
 Desenvolvimento psicomotor: as atividades musicais oferecem diversas
oportunidades para que a criança aperfeiçoe suas habilidades motoras, aprende a
controlar seus músculos e movimentar seu corpo com desenvoltura. O ritmo tem um
papel muito importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda
expressão musical ativa age sobre a mente da criança, favorecendo um impacto
emocional a mente e aliviando as tensões. Atividades como cantar fazendo gestos,
dançar, bater palmas e pés, são experiências importantes para a criança, pois elas
permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores
importantes também para o processo do desenvolvimento da escrita e leitura.
Gaio e Meneghetti (2004, p. 98) nos mostram que é na sala de aula que o aluno revela
suas especialidades, mostrando suas desilusões internas ou sua genialidade até então
desconhecida. É nesse espaço que o educando é obrigado a conviver com outras
crianças, tendo eles pensamentos distintos. O aluno traz para sala de aula uma
bagagem de atitudes naturais praticadas em sua casa e em seu cotidiano, não
conseguindo deixar de lado a sua fonte histórica.

6. A MÚSICA NO CONTEXTO ESCOLAR

Como pode ser observado diante das práticas diárias dos professores, a educação em
qualquer espécie de ensino, sempre está em busca de novos instrumentos que facilitem
o seu processo de aplicação e por sequela atinjam de forma mais satisfatória os suas
metas principais, dentre eles: desenvolver cidadãos críticos, conscientes de seus atos,
bem como favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo.
Além dos comuns aparatos a disposição do docente, a busca por incentivos visuais e
sonoros vem crescendo por virtude, também, do avanço da mídia, alicerçado no
pressuposto de que a educação tem que ser um reflexo, mais aguçado, da realidade
social de cada educando.

Segundo Basso e Marques (2009):

As mudanças políticas, econômicas e culturais que ocorrem na


sociedade, atualmente, e o grande volume de informações estão
se refletindo no ensino, exigindo, desta forma, que a escola seja
um ambiente estimulante, que possibilite à criança adquirir o
conhecimento de maneira mais motivada em movimentos de
parceria, de trocas de experiências, de afetividade, do ato de
aprender a desenvolver o pensamento crítico reflexivo.

Assim, como o relatado acima, a música é um dos elementos que passa a fazer parte
destes novos instrumentos a disposição do professor, reconhecido pelo Decreto de Lei
nº 11.769, a música, agora, tem seu ensino obrigatório no ensino regular.

A música segundo Jeandot (1997, p. 12) é considerada uma linguagem universal,


dividida em muitos dialetos, pois cada cultura tem sua forma de produzi-la, tocar seus
instrumento e maneiras peculiares de utilizá-la.

6.1. ATIVIDADES DE INVESTIGAÇÃO SONORA

Quando o professor ensina com alegria através de um sistema lúdico e dinâmico


próprio do meio infantil, estarão formando novos ouvintes, talentosos artistas ou
simplesmente pessoas sensíveis e serenas. Tudo o que a criança vive e sente é de
extrema importância para ela. A musicalização tem como objetivo as práticas musicais
e não o estudo de instrumentos musicais.

As atividades de investigação sonora devem partir do meio familiar da criança,


passando depois para os demais ambientes como a escola. Por exemplo, o educador
pode pedir para que as crianças fiquem em total silêncio e observem os sons
executados no ambiente, depois elas podem contar, desenhar ou imitar o que ouviram.
Também podem fazer uma caminhada pelos diversos ambientes disponíveis da escola
para descobrir novos sons, ou aproveitar uma aula de campo e descobrir sons
peculiares de cada lugar.

O professor, também, pode trazer sons diferentes e pedir para que as crianças
identifiquem a origem dos mesmos, ou produzir sons com objetos que já se utilizam
em sala e pedir para que elas os identifiquem, ou descubram de que material é feito o
objeto que produziu o som (metal, plástico, vidro, madeira) ou como o som foi
executado (agitado, esfregado, rasgado, jogado no chão).

Assim como são de extrema importância as atividades onde se busca localizar a fonte
d som e estabelecer o espaço em que o som foi produzido (perto ou longe). Para isso o
educador pode pedir para que as crianças fechem os olhos e identifiquem apontando de
onde veio o som produzido, ou ainda, o professor pode caminhar entre os alunos
utilizando um objeto ou um instrumento como padeiro ou chocalho para que as
crianças acompanhem o movimento do som apontando com as mãos. Sequencialmente
o professor deve trabalhar as propriedades do som:

 Altura: agudo, médio, grave.


 Intensidade: forte, fraco.
 Duração: longo, curto.
 Timbre: é a característica de cada som, o que nos faz diferenciar as vozes e os
instrumentos.
As características do som podem ser trabalhados por meio de comparação,
diferenciando um som agudo de um grave, longo de um curto, ou forte de um fraco.
Mas é mais interessante o uso de jogos musicais, como por exemplo, o Jogo do Grave
e Agudo (som o som grave sentam e com o som agudo levantam).

Por meio dessas atividades e jogos o professor pode perceber quais os pontos fracos e
fortes dos alunos, principalmente quanto à capacidade de memória auditiva,
discriminação, observação e reconhecimento dos diferentes sons, podendo assim vir a
lidar melhor com o que está defasado. Bréscia (2003) ressalta que os jogos musicais
podem ser de três tipos, correspondentes às fases do desenvolvimento infantil:

 Sensório-Motor (até os dois anos): São atividades que conectam o gesto com o som.
A criança pode produzir gestos para emitir sons e expressar-se corporalmente para
interpretar o que está ouvindo ou cantando favorecendo o desenvolvimento da
motricidade.
 Simbólico (a partir dos dois anos): Aqui se busca representar o conceito da música,
onde o forte serão as expressões dos sentimentos. O som tem o papel de ilustração, de
sonoplastia. Contribuem para o desenvolvimento da linguagem.
 Analítico ou de Regras (a partir dos quatro anos): São jogos que abrangem a
estrutura musical, onde são necessárias a organização e socialização. A criança precisa
estar atenta a seus sons e escutar os outros, esperando sua vez de tocar, atuar ou cantar.
Ajudam no desenvolvimento do sentido de ordem e disciplina.
O tempo das atividades deve acompanhar a fase de cada criança, dependendo de seu
interesse em participar e sua atenção para com a atividade realizada. Além disso, vale
lembrar que é preciso acompanhar a forma de expressão individual, mesmo que venha
a parecer repetitivo entre cada análise. É importante que a criança sinta-se à vontade
para expressar sua criatividade e movimentos corporais.

6.2. EXEMPLOS DE CONTEÚDOS QUE PODEM SER


TRABALHADOS

1. Percepção sonora
A percepção sonora envolve a recepção e a análise de estímulos sonoros através da
audição. Nesta percepção identificam-se algumas capacidades como a detecção do
som, discriminação, sensação sonora, localização, reconhecimento, atenção,
compreensão e a memória, sendo assim parte do processamento auditivo que envolve a
apuração do sinal acústico assimilando a informação em modelos. Diferente dos
nervos ópticos, a audição não suporta estímulos agressivos, ou seja, caso o ouvido for
exposto a intervalos desafinados tem-se a impressão de que está errado, que não é belo
ou em casos extremos uma peça dissonante pode causar irritabilidade a quem ouve.

As atividades que cercam a percepção sonora agem, além do estímulo auditivo em si,
no desenvolvimento de diversos aspectos intelectivos, tais como criatividade,
linguagem, memória e tantos mais que o professor possa explorar, dependendo do
objetivo a ser alcançado.

Muitas atividades podem ser manuseadas com as crianças especialmente no estímulo


da memória. Com objetos que provoquem sons (chocalhos, latas, sons onomatopaicos,
músicas e ruídos naturais dos ambientes), localizar e treinar, identificação, reprodução
e execução dos diferentes sons.

 Rimas;

 Palavras que iniciam ou terminam com o mesmo som;

 Descrever o som ouvido (desenho ou fala);

 Memorizar uma sequência de sons e depois reproduzi-los;

 Imitar animais de acordo com o som produzido de cada animal;

 Desvendar a fonte do som utilizando objetos diversos;

 Tocar instrumentos musicais (WEIGEL, 1988).

2. Timbre, altura, duração, intensidade, melodia, ritmo e harmonia


Timbre é a característica sonora que nos acarreta diferenciar se sons de mesma
frequência foram gerados por fontes sonoras conhecidas nos permitindo diferenciá-las.

Quando ouvimos, por exemplo, uma nota tocada por um teclado e a mesma nota (uma
nota com a mesma altura) produzida por um violão, podemos imediatamente discernir
os dois sons como tendo a mesma frequência, mas com características sonoras muito
diferentes. De forma simplificada podemos supor que o timbre é como a impressão
digital sonora de um instrumento ou a qualidade de vibração da voz. Muitos chamam
essa especialidade como a Cor do Som. Weigel (1988) sugere:

 Seguir comandos de acordo com o timbre do instrumento tocado. Quando ouvir o


tambor, parar como estátua, quando ouvir o agogô correr, e quando ouvir o triângulo
andar na ponta dos pés.

 Colocar as crianças sentadas em círculo, uma sentada no centro da roda com os olhos
vendados tentará reconhecer a voz de quem está falando ou cantando, acertando então
o nome do colega, este então irá para o centro da roda.

 Colocar dentro de um saco grande, instrumentos e objetos que produzam som.


Manipular os objetos e os instrumentos sem serem vistos pelas crianças. Elas deverão
identificar o som dos mesmos pelo seu timbre.
Pelo ar simultaneamente em todas as direções. Quando elas alcançam o nosso ouvido,
entram em contato com a membrana do tímpano, fazendo com que ele também vibre, e
repasse ao cérebro várias mensagens que serão identificadas como tipos distintos de
sons.

A altura de uma nota depende do velocidade da vibração que resulta do som remitido.
A essa velocidade, se dá o nome de frequência, e é medida em Hertz (ciclos por
segundo).

 Com uma flauta de embolo fazer movimentos de sobe e desce, sendo que nos
movimentos ascendentes a criança deverá levantar - se, e nos descendentes abaixar-se,
no som mais grave da flauta, a criança permanecerá abaixada, enquanto que no som
mais agudo na ponta dos pés.

 Tocar no teclado notas graves, médias e agudas, pedindo que no primeiro momento
apenas escutem. Ao ouvir as notas graves, as crianças andam agachadas, nas notas
médias andam normalmente e nas notas agudas andam na ponta dos pés.

 Distribuir cartolinas e tintas. Em cada cartolina, três ou quatro crianças escolherão


duas cores, uma escura e outra clara. Tocar no teclado sons graves e agudos. Ao ouvir
os sons graves, as crianças devem pintar, de forma livre com a cor escura. E nos sons
agudos, pintar com a cor clara.

 Através de ilustrações gráficas ou fotos pedir as crianças que reproduzam e


identifiquem os sons graves e agudos.

 Exemplos de figuras: passarinho e leão, adultos e bebes, gráficos que representem


ondas sonoras. etc. (WEIGEL, 1988).

Duração é o tempo de execução de um som, ou seja, é a propriedade do som ser mais


curta ou mais longa. A demonstração de uma onda sonora de uma nota curta ou longa
a início não apresenta diferença nenhuma, apenas o tempo de sua execução a
diferencia.

Existem instrumentos com características que fornecem a execução de notas longas


com facilidade, como o saxofone e outros instrumentos de bocal, já no caso do violão,
as durações não devem ser muito grandes, pois, uma vez tocada a nota, ela atinge o seu
ponto limite de sonoridade imediatamente, perdendo em seguida sua extensão, até o
som ficar imperceptível, embora ainda possamos ver a corda vibrando. As durações
das notas musicais são escritas através das figuras musicais. Weigel (1988) afirma:

 Tocar no teclado notas curtas “stacatos” e notas longas. Ao ouvir os stacatos as


crianças deverão saltar acompanhando o som; com as notas longas parar e espreguiçar
alongando o corpo.

 Tocar uma música variando o andamento. As crianças deverão correr e andar de


acordo com o andamento da mesma.

 Distribuir folhas e lápis coloridos e orientar as crianças para fazerem desenhos “livres”
quando ouvirem um som longo ou um som curto sendo tocado no teclado ou flauta.

Demarcar a sala com uma linha, identificando um som longo e um som curto. A linha
maior: som longo, e a menor: som curto. As crianças deverão identificar o som curto
ou o som longo que será tocado no teclado e escolherá uma das linhas para caminhar
em cima. Intensidade é a habilidade que o som tem de ser mais forte ou mais fraco.

Também chamada por volume, a intensidade é de fácil percepção. Basta tocarmos uma
nota no teclado, primeiro de leve, depois mais forte. As duas notas terão o mesmo
volume, ou seja, ela tem a mesma intensidade, pois foi tocada no mesmo local, porém
a nota mais forte terá uma maior extensão, suas ondas sonoras serão maiores num
gráfico de demonstração.

Utilizando um tambor, as crianças cantarão uma canção. Ao variar a intensidade do tambor,


de pianíssimo à forte as crianças deverão acompanhar com a intensidade da voz. Cantando
pianíssimo para fraco, e aumentando o “volume” da voz para forte.

Acompanhar uma música no rádio, música esta, conhecida pela criança. Ela vai bater
palmas, quando o volume do aparelho estiver no som forte (palmas fortes), quando estiver
no som fraco, bater palmas fracas.

Ao som de uma música no rádio, já conhecida pela criança ela fará variações balançando os
braços, imitando um maestro, movimentos amplos para um som forte, movimentos
pequenos para sons fracos.

Utilizar dois cartões de cores diferentes, exemplo: vermelho e preto. Vermelho para o som
fraco, e preto para o som forte: a criança deverá apontar ou levantar o cartão ao ouvir o som
fraco ou o som forte. Pode-se utilizar um rádio ou instrumentos musicais para produzir os
sons.

Fonte: Weigel, 1988.
Melodia é uma sucessão de sons em intervalos irregulares. A Melodia caminha por
entre o ritmo. A Melodia normalmente é a parte mais proeminente da música, é a parte
que fica a cargo do cantor, ou de um instrumento como violão ou de um solo de
saxofone e etc. Sempre que ouvir um Solo, (notas tocadas individualmente) você
estará ouvindo uma Melodia.

Vale a pena destacar que a melodia não necessariamente é composta por uma única
voz; é possível também que ela tenha duas ou mais vozes, apesar de ser menos
habitual essa situação.

Fazer música alternando sons e silêncios.

Utilizar palmas intercaladas. Metade da sala bate palma em um tempo e a outra metade
baterá palmas no intervalo entre as palmas.

Fonte: Weigel, 1988.
O ritmo musical é um evento sonoro, tenha ele altura fixa ou não, que acontece numa
certa regularidade temporal. É a elaboração dos sons de acordo com padrões musicais
estabelecidos.

Confeccionar uma bandinha com materiais recicláveis (casca de coco, cabos de


vassoura, tampinhas, caixas e copinhos) pandeiros, baquetes, tambor bastões,
xiquexique, pratos, cuíca;

Acompanhar o ritmo da música com palmas e com movimentos corporais;

Formar grupos para fazer imitações com mímica em ritmo musical;

Perceber os sons com olhos fechados de fora e dentro da sala;

Pesquisar manifestações folclóricas de caráter musical

Identificar os ritmos musicais através de fitas e cd’s;


Imitar cantores, interpretar canções diversas;

Andar, procurando seguir determinado ritmo, que poderá variar do mais lento ao
mais rápido.

Fonte: Weigel, 1988.
Harmonia é uma sobreposição de notas que servem de suporte para a melodia. Por
exemplo, uma pessoa tocando piano e cantando está fazendo harmonia com os acordes
no piano e melodia com a voz. Cada acorde é uma sobreposição de diversas notas, por
isso que os acordes fazem parte da harmonia.

3. Exploração de variados meios de produção sonora


Fazer com que a criança possa identificar qual o instrumento que estará sendo
utilizado para a propagação sonora.

4. Elementos de acústica básica


Conduzir os alunos a ambientes de diferentes acústicas onde possam ser realizados
tanto a produção quanto a observação dos sons emitidos por eles ou por instrumentos.
Ex.: Eco da voz.

5. Registros gráficos convencionais e não-convencionais;


 CONVENCIONAL - Apresentar aos alunos os símbolos de representação sonora
“notas musicais” mostrando-lhes seus valores de duração e altura.

 NÃO CONVENCIONAL – Mostrar os nomes das notas musicais que poderão ser
acompanhadas da voz ou instrumento musical (WEIGEL, 1988).

6. Apreciação significativa
 Fazer com que os educandos diferenciem os instrumentos que estão executando a
música e compreendam a diversidade funcional de cada um para a formação da música
como um todo (WEIGEL, 1988).

7. Música ao vivo, gravações e outras manifestações com música


 Elaborar ou promover trabalhos em grupos que fomentem a produção, observação,
participação dos alunos em interação significativa com a música. Ex.: concurso de
paródias (WEIGEL, 1988).

8. Mercado de trabalho, produção musical, profissionais da música


 Mostrar aos discentes a área profissional que envolve a música e seus profissionais.
Assim como em qualquer área do conhecimento. Ex.: medicina, professor, mecânico,
motorista, bombeiro, e etc. (WEIGEL, 1988).

7. BENEFÍCIOS DA MÚSICA NO CONTEXTO ESCOLAR

A música habilita os alunos para que possam realizar funções motoras e intelectuais,
bem como relacionar-se com o meio social. Essas ferramentas de trabalho caem para
os professores como meios facilitadores deste método.

Além de contribuir para deixar o ambiente escolar mais alegre, a música oferece um
efeito calmante após períodos de atividades físicas e atividades que exigem esforços
como visitas a ambientes externos, reduz o estresse em momentos de avaliação, e
também pode ser usada como um método no aprendizado de todas as disciplinas.

O professor pode escolher várias músicas que tratem do assunto que será trabalhado
em sua aula, isso tornará a aula atrativa, dinâmica e vai ajudar a rememorar as
informações repassadas para as atividades posteriores.

A música não somente é um simples apetrecho, além de ter fácil acesso, ela não
necessita de muitos recursos e materiais, precisa-se necessariamente, de mais nada
além de alunos e professores. O som uma vez produzido, tanto por instrumentos,
objetos ou pelo corpo como palmas, pode transportar o educandos para um mundo
vasto de aprendizado, em que a intensidade deste seguimento varia de acordo com as
diversidades individuais.

No espaço escolar, principalmente nas séries iniciais as crianças passam a desenvolver


suas perspectivas intelectuais, motores, linguísticas e psicomotoras. Mas, a música
também deveria ser praticada como matéria em si, como linguagem artística, forma de
cultura e expressão. A escola deve ampliar o conhecimento do aluno, favorecendo a
convivência com os diferentes gêneros musicais, apresentando novos estilos,
proporcionando um diagnóstico reflexivo do que lhe é apresentado, permitindo que o
aluno trone-se um ser crítico. Conforme Barreto (2000, p.45):

Ligar a música e o movimento, utilizando a dança ou a expressão


corporal, pode contribuir para que algumas crianças, em situação
difícil na escola, possam se adaptar (inibição psicomotora,
debilidade psicomotora, instabilidade psicomotora, etc.). Por isso
é tão importante a escola se tornar um ambiente alegre, favorável
ao desenvolvimento.

As performances musicais executadas na escola não serão voltadas exclusivamente


para a formação de músicos, e sim, através da prática e percepção da linguagem
musical, proporcionar a abertura dos canais sensoriais (visual, auditivo e sinestésicos),
facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura e contribuindo para a
formação total do cidadão.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se atestar que através da música as distintas áreas do conhecimento podem ser
incitados. Temos na musicalização um apetrecho para amparar os educandos a
desenvolverem o espaço que une expressão de sentimentos, valores culturais, ideias e
facilita a comunicação própria do indivíduo. Portanto cabe a nós buscarmos a maior
variedade de informações e inserirmos o conhecimento no nosso convívio no dia a dia
para que assim interfiramos positivamente e provoquemos nos alunos a verdadeira
motivação.

A educação musical necessita considerar que o ensino e a aprendizagem de música não


ocorrem apenas na sala de aula, mas em circunstancias mais ampla. Por isso, o
professor não deve discutir a música na escola, mas refletir sobre em que a educação
musical pode ajudar no dia a dia dos alunos, interesses e dificuldades, buscando
sempre decifrar a realidade em que vivem e atuam e quais formas de conhecer e
aprender.

O ato musical no espaço escolar ajuda no processo de aprendizagem despertando e


estimulando a área afetiva, cognitiva e linguística das crianças. As regalias que a
música proporciona nesta fase, seja pela expressão de emoções, seja pelo raciocínio,
sociabilidade, concentração, comunicação, é de grande aproveitamento para a vida.

Diante da realidade que nos deparamos nas instituições de ensino, a música é


desenvolvida de maneira resumida, por meio de repetição e imitação, algo quase
mecânico, sem um discernimento. Podendo realizar um trabalho significativo com
material reciclável para a confecção de instrumentos para exploração de sons e outras
atividades que poderia contribuir para o desenvolvimento da inteligência musical,
fazendo assim com que a música seja mais um suporte para a melhoria da educação
das nossas crianças, tornando-as pessoas com senso crítico e cidadãos com mais
aceitação e participação cultural.

9. REFERÊNCIAS

ANDRADE, Mário. Pequena História da Música. São Paulo: Martins Editora, 1980.


BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Nº 9.394 de 20 de
Dezembro de 1996. Brasília, 1996.
BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação Musical: bases psicológicas e ação
preventiva. São Paulo: Átomo, 2003.
FRANÇA, Eurico Nogueira. A música no Brasil. Rio de Janeiro: Departamento de
Imprensa Nacional, 1953.
GAIO, Roberta, MENEGHETTI, Rosa G. Krob. Caminhos Pedagógicos da Educação
Especial,  2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. Disponível
em:<http://www.faesi.com.br/nucleo-de-pesquisa-cientifica/75-portal-do-saber/238-a-
musica-como-recurso-pedagogico-no-contexto-da-educacao-especial>. Acesso em: 20
set. 2015.
GARCIA, Vitor Ponchio; SANTOS, Renato dos. A importância da utilização da
música na educação infantil. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, n. 169,
2012. Disponível em:< http://www.efdeportes.com/efd169/a-musica-na-educacao-
infantil.htm>. Acesso em: 20 jul. 2015.
JEANDOT, Nicole. Explorando o Universo da Música. 2. ed. São Paulo: Scipione,
1997.
WEIGEL, Anna Maria Gonçalves, Brincando de música. Porto Alegre: Kuarup, 1988.

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