Ensaio SPT: aprenda como
interpretar os resultados
Im
agem da execução de um ensaio SPT.
Ah, e caso preferir, você pode acompanhar também todo o conteúdo
desse post através do vídeo abaixo!
O que é um ensaio SPT
Para lhe ajudar a entender, SPT vem da sigla Standard Penetration Test,
que significa Teste de Penetração Padrão, e é popularmente conhecido
como sondagem à percussão por circulação de água.
Como o nome sugere, o princípio desse ensaio é o choque (percussão) de
um trado sobre o solo para a retirada de amostras.
A razão de estudarmos separadamente esse método se deve ao fato de
que ele é o mais conhecido e utilizado atualmente.
Isso ocorre principalmente devido à sua simplicidade e baixo custo de
operação e equipamentos, além de fornecer resultados numéricos
passíveis de interpretação.
É também um ensaio acessível e permite a análise de solos que se
encontram em terrenos de difícil acesso, por isso também é muito
vantajoso em relação a outros métodos.
No entanto, o maior problema que nos deparamos nesse ensaio é que
muitas vezes está passível a erros grosseiros de operação, pois sofre
influência direta do operador, que, não sendo capacitado para o
manuseio dos equipamentos, pode fornecer resultados destoantes da
realidade.
Desenho
esquemático dos equipamentos usados no ensaio SPT.
Etapas do ensaio SPT
Para que entendamos como interpretar os resultados de um ensaio SPT, é
necessário, primeiro, que conheçamos como funciona a sondagem. Para
isso, veremos agora quais são as etapas de execução do ensaio SPT.
1. Locação dos furos e quantidades
Essa etapa é normatizada pela ABNT NBR 86/198303 – Programação de
sondagem de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios,
de forma resumida, diz o seguinte:
No mínimo 2 para área de projeção da construção de até 200 m²;
No mínimo 3 para área de projeção da construção entre 200 m² e
400 m²;
No mínimo 1 para cada 200 m² de área de projeção, até 1200 m²;
Entre 1200 m² e 2400 m², 1 sondagem a cada 400 m² que excedem
de 1200 m²;
2. Perfuração com o trado manual
O trado manual ou trado concha é utilizado somente até atingir 1 m de
profundidade ou até atingir o lençol freático.
Trado manual usado
para perfuração inicial no ensaio SPT.
3. Instalação do tubo de revestimento
O tubo é utilizado para proteger o furo recém cavado e evitar o seu
desmoronamento.
4. Uso do amostrador e do trépano, alternadamente
O amostrador é um instrumento cilíndrico e oco que coleta as amostras
por cravação no solo e fornece o índice NSPT.
Esse equipamento precisa penetrar no solo uma profundidade de 45cm,
divididos em 3 trechos consecutivos de 15cm, quando são registrados o
número de golpes necessários à penetração do amostrador em cada um
desses trechos, até, ao se atingir 45cm, a amostra ser retirada para
análise.
O número de batidas necessárias para que o amostrador penetre os
últimos 30cm no trecho é o que chamados de NSPT, índice de
resistência à penetração.
Essa escavação é normatizada pela ABNT NBR 6484/2001 – Sondagem de
simples reconhecimento com SPT e é feita por um peso de 65 kg
levantado a uma altura de 75 cm e solto em queda livre a cada batida.
O trépano, por sua vez, é uma ferramenta de corte com saída de água
responsável por fazer a remoção do solo liquefeito com auxílio de uma
bomba. Ele é usado quando a sondagem atinge o lençol freático e é
desse processo que surge o termo sondagem a percussão por circulação
de água.
Desenho esquemático de um trépano (a) e de um amostrador com
dimensões padrão (b).
5. Fim do ensaio
O ensaio SPT deve ser realizado só até que uma as seguintes condições
sejam alcançadas:
Quando, em 3 m sucessivos, se obtiver 30 golpes para penetração
dos 15 cm iniciais do amostrador;
Quando, em 4 m sucessivos, se obtiver 50 golpes para penetração
dos 30 cm iniciais do amostrador;
Quando, em 5 m sucessivos, se obtiver 50 golpes para a penetração
dos 45 cm do amostrador.
Portanto, quando seu ensaio apresentar umas dessa características
significa que seu ensaio já pode ser finalizado.
Como interpretar os resultados do ensaio
SPT
O resultado do ensaio SPT é apresentado no gráfico que chamamos de
perfil geotécnico, geralmente na escala de 1:100, que é feito
individualmente para cada furo.
O perfil geotécnico deve vir acompanhado da planta de situação dos
furos para uma melhor interpretação.
De forma resumida, o resultado final de uma sondagem à percussão
deverá conter os seguintes itens abaixo:
Planta de situação dos furos;
Perfil de cada sondagem com as cotas de onde foram retiradas as
amostras;
Classificação das diversas camadas e os ensaios que as permitiram
classificar;
Níveis dos terrenos e dos diversos lençóis d’água, com a indicação
das respectivas pressões;
Resistência à penetração do barrilete amostrados, indicando as
condições em que a mesma foi tomada.
Como ler um perfil geotécnico
O perfil geotécnico é um gráfico munido de várias informações, divididas
em colunas, em que todas essas colunas então em função da
profundidade do solo.
A primeira parte do perfil contém as informações sobre o índice de
resistência à penetração do solo, o NSPT, em função da profundidade.
A segunda parte consta os resultados propriamente ditos, que são os
seguintes:
Nível a que se encontra o lençol freático;
Classe geológica;
Perfil geológico;
Profundidade a que se encontra as diferentes camadas presentes
na amostra do terreno;
Classificação do material presente nas camadas.
Todavia, caso não se tenha informações sobre a classificação do material
presente nas camadas, apenas de posse do índice NSPT é possível fazer uma
interpretação das condições do solo.
A tabela abaixo, retirada da ABNT NBR 6484/2001, faz uma síntese da
classificação em função do índice de resistência.
Estados de compacidade e resistência de uma amostra de solo.
Exemplo de um perfil geotécnico.
Exemplo prático
Para lhe ajudar a compreender o perfil geológico acima, vamos usar o
seguinte exemplo:
A uma profundidade de 3m, 10cm acima do lençol freático, o solo
apresenta índice de resistência NSPT final e inicial igual a 2 e é também onde
termina a camada de areia fina pouco siltosa e se inicia a camada de areia
fina siltosa.
Observando o perfil é possível também descobrir quantos golpes foram
necessários para o amostrador penetrar 15, 30 e 45cm. Para o nosso
exemplo, a uma profundidade de 3m, o número de batidas foi de 1 para os
primeiros 15cm, 1 para descer mais 15cm e 1 para atingir 45cm. Logo,
o NSPT , que é o número de batidas necessárias para descer os últimos 30
cm, é exatamente a soma dos últimos numeradores, totalizando 2, como
comentado anteriormente.
Por fim, na última coluna, encontra-se o tipo de avanço: trado concha (TC)
no primeiro metro, trado hélice (TH), até encontrar o nível de água, e a
partir da água o avanço é feito com trépano através de circulação de água
(CA).
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