AULA 12
O CONSUMO CONSCIENTE
1. identificar como os consumidores utilizam a prática de consumo consciente na compra de
produtos;
2. analisar como as empresas estimulam junto a seus clientes as práticas de consumo consciente e
sustentável;
3. analisar a prática do comportamento sustentável na sociedade.
INTRODUÇÃO
Tal fenômeno é o que denominamos consumo consciente: o ato de consumir com a compreensão do
impacto que ele tem sobre o planeta e orientado para a sustentabilidade.
Esta é certamente a principal mudança sociocultural que vem ocorrendo em todo o mundo nas
últimas décadas.
Somos esbanjadores natos de energia, campeões em desperdícios e presas fáceis das armadilhas do
hiperconsumo. Mas, ao longo dos últimos anos, já podemos observar alguns indícios de melhoria
nesses quesitos.
Não seria infundado afirmar que, juntos, marchamos para um mundo melhor, baseado no comércio
justo, na prática do consumo consciente e no comportamento sustentável.
O PROCESSO DE COMPRA CONSCIENTE
A compra consciente é o primeiro passo para se chegar ao efetivo compromisso com o consumo
consciente.
É o oposto da compra por impulso, que é a compra sem reflexão, apenas movida pelo desejo de
posse e de uso.O comprador consciente começa o seu processo de conscientização, mudando os
seus hábitos de compra e, em um segundo momento, dando preferência aos produtos verdes
produzidos e vendidos por empresas que honram seus compromissos socioambientais.
A compra consciente é aquela na qual o consumidor está consciente do seu ato de consumo. E o que
isso significa? A certeza de que ele realmente necessita de algo para melhorar sua qualidade de vida.
O consumidor consciente leva em consideração diversos fatores no ato da compra:
• A começar pela natureza do produto, se ele é ecologicamente correto (não contém
agrotóxicos, não causa danos ao meio ambiente, é feito de material reciclável e não
possui embalagem que não seja biodegradável);
• Leva em consideração a empresa fabricante do produto ou prestadora do serviço (se
ela desenvolve ações socioambientais, se os seus produtos e serviços são certificados, se
a sua gestão se destaca pela ética e pela transparência, se tem um bom relacionamento
com os seus stakeholders e se goza de uma boa reputação no mercado e na sociedade);
• Investiga as origens do produto ou serviço: se os fornecedores, prestadores de serviços,
franqueados e representantes são empresas social e ambientalmente responsáveis, se o
uso de matérias-primas e subprodutos obedecem a critérios sustentáveis e se não
violam os direitos sociais e humanos elementares.
Esses fatores constituem o que denominamos questões básicas do consumo consciente.
O preço, a qualidade, a marca e as condições de financiamento e os serviços complementares são
questões secundárias para o consumidor consciente.
• Consumidor consciente: Só compra o que é necessário para seu bem-estar e o que o seu
dinheiro permite. Tem consciência de que cada atitude sua como cidadão e consumidor gera
uma reação em cadeia que afeta todas as outras pessoas, o meio ambiente, as relações
sociais e a economia.
• Consumidor compulsivo: Compra mais produtos do que precisa, gastando mais dinheiro do
que pode. Age e pensa apenas no seu próprio conforto, sem se preocupar com as
consequências dos seus atos.
EM BUSCA DE UMA EDUCAÇÃO VOLTADA PARA O CONSUMO CONSCIENTE
Em uma sociedade extremamente consumista, como a nossa, não é nada fácil conscientizar pessoas
para diminuir seus ímpetos de compra. Além disso, existem os fortes apelos publicitários, que
alimentam desejos, sonhos e necessidades supérfluas em todos nós.
A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou as 10 diretrizes para a educação em prol do
consumo consiente, as quais enumeramos a seguir:
1. Assegurar que as instituições educativas reflitam na sua gestão diária as prioridades para o
desenvolvimento sustentável;
2. Incluir no currículo formal temas, tópicos, módulos, cursos e disciplinas de educação para o
consumo sustentável;
3. Estimular a investigação em áreas relacionadas à educação para consumo sustentável;
4. Fortalecer os laços entre pesquisadores, professores, atores e agentes socioeconômicos;
5. Aumentar a cooperação entre profissionais de diferentes disciplinas para desenvolver
abordagens integradas de educação para o consumo sustentável;
6. Fornecer educação e formação para os professores que reforçarão perspectivas globais,
construtivas e voltadas para o futuro;
7. Recompensar o pensamento criativo, inovador e crítico sobre o consumo sustentável;
8. Garantir que a educação para o consumo sustentável observe a importância do conhecimento
indígena e reconheça os estilos de vidas alternativas;
9. Incentivar a aprendizagem entre gerações com relação ao consumo sustentável;
10. Gerar oportunidades para a aplicação prática do estudo teórico através do envolvimento da
comunidade e do serviço comunitário.
Seguir tais diretrizes é o melhor caminho em busca da maior conscientização de pessoas, grupos e
toda a sociedade para a prática do consumo consciente.
UMA VISÃO CRÍTICA DA SOCIEDADE DE CONSUMO
É o mantra do consumismo instantâneo, do modismo consumista, do fazer compras todo dia, do
comprar para se distrair, do ter para não precisar ser.
É a sociedade dos sonhos, dos desejos intensos, cujos estereótipos mais valorizados são o emergente
com novas posses, o investidor compulsivo e o gastador inveterado.
A socióloga Lisa Gunn, do Instituto Brasileiro do Consumidor (IDC), também analisa esse
fenômeno, o qual denomina mídia consumista. Para ela, a publicidade enche a cabeça dos
consumidores de promessas de satisfação, felicidade e virilidade, contidas nos produtos e
serviços oferecidos no mercado.
Se pensarmos que a grande maioria dos produtos comprados nos grandes magazines e shopping
centers não são bens de primeira necessidade, mas produtos supérfluos (roupas e calçados de griffe,
alimentos fast-food, eletroeletrônicos, computadores e periféricos), é fácil entender o porquê dessas
críticas. Tais estabelecimentos fomentam o consumo supérfluo e o hiperconsumo, ambos centrados
mais no prazer de comprar do que na necessidade de consumir.
É importante lembrar que a grande maioria desses templos de consumo fácil, supérflua e não
consciente não é empreendimento sustentável, pois gastam bastante energia, produzem muito lixo,
poluem visualmente a cidade, provocam engarrafamentos no trânsito das imediações, produzem
excesso de ruídos e poluição atmosférica.
DO CONSUMO CONSCIENTE AO CONSUMO SUSTENTÁVEL E RESPONSÁVEL
O consumo consciente antecede o consumo sustentável no processo de educação para o novo
consumo.
A prática do consumo consciente é o primeiro estágio na conquista de uma nova consciência
planetária.
O consumo responsável é um estágio mais avançado. Ambos, consumo consciente e consumo
sustentável ou responsável, constituem o novo paradigma da educação para um mundo
melhor.
O consumo consciente refere-se mais a produtos do que a recursos naturais e está mais
diretamente associado ao ato de comprar. O consumo sustentável está relacionado ao consumo
de recursos naturais e ao ato de poupar. O consumo sustentável ou responsável é, portanto,
mais relacionado à economia natural e aos recursos ambientais, enquanto o consumo
consciente é mais voltado para a economia do consumo e aos recursos econômicos.
• O consumidor quando gasta menos e é mais seletivo em seus gastos, ele pratica o
consumo consciente.
• Quando o cidadão poupa energia e utiliza fontes alternativas desse recurso, ele pratica
o consumo sustentável ou responsável.
O QUE É O COMPORTAMENTO SUSTENTÁVEL?
O comportamento sustentável vai além das práticas de consumo consciente e sustentável. O
seu objetivo não se resume à adoção de práticas de redução e seleção dos produtos a serem
consumidos (consumo consciente) e à preocupação com o impacto desse consumo, na
preservação do meio ambiente (consumo sustentável).
O comportamento sustentável compreende um conjunto de práticas que as pessoas devem
adotar no seu dia-a-dia, em suas casas, locais de trabalho, áreas que frequentam para diversão
e lazer, e nas ruas.
1. Em primeiro lugar, assumir um comportamento sustentável é conhecer a procedência
dos produtos e ter a dimensão do impacto sobre a natureza dos seus hábitos diários.
2. Em segundo lugar, ter um comportamento sustentável é ter uma vida mais saudável
com o consumo de alimentos que fazem bem à saúde, a prática de exercícios diários,
além do cumprimento dos horários normais de trabalho e descanso.
3. Em terceiro lugar, é ter consciência dos seus direitos básicos e da sua responsabilidade,
como, por exemplo, respeitar as leis de trânsito e não fumar em lugares onde tal
prática é proibida.
E quais são os desafios? Formar cidadãos conscientes e não consumidores irresponsáveis.
Preservar os recursos naturais e não degradá-los. Esses são os novos desafios para a formação
de um novo paradigma de sociedade sustentável.
OS NOVOS CONSUMIDORES CONSCIENTES
O consumidor consciente é aquele que adota práticas de consumo consciente e práticas de consumo
sustentável ou responsável.
• * evita deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados;
• * fecha a torneira enquanto escova os dentes;
• * desliga aparelhos eletrônicos quando não os está utilizando;
• * costuma planejar a compra de alimentos;
• * costuma pedir nota fiscal quando faz compras;
• * costuma planejar a compra de roupas;
• * costuma usar o verso de folhas de papel já utilizadas;
• * lê o rótulo atentamente antes de decidir comprar;
• * separa o lixo para reciclagem;
• * não costuma guardar alimentos quentes na geladeira;
• * compra produtos feitos com material reciclado nos últimos meses;
• * comprou produtos orgânicos nos últimos seis meses;
• * apresenta queixa, quando necessário, a algum órgão de defesa do consumidor.
A pesquisa identificou quatro tipos de consumidores:
os comprometidos (os ecoengajados),
os conscientes (os ecoatentos),
os indiferentes (os ecoindiferentes) e
os iniciantes (os ecolatentes)
CONCLUSÃO
Esse movimento tende a crescer cada vez mais e já é objeto de ações estratégicas por parte das
grandes empresas. Conscientes de que essa tendência é irreversível, as empresas tentam incorporar
às suas estratégias de negócios as novas práticas de consumo consciente e sustentável, e, nesse
aspecto, elas estão se saindo muito bem.
As empresas estão se adequando às normas definidas no Código de Defesa do Consumidor e
também estão adaptando suas operações às novas exigências das agências governamentais que
regulam a fabricação de produtos e a prestação de serviços, bem como o relacionamento com
os clientes.
É nesse aspecto que podemos afirmar que, paralelamente ao crescente movimento do consumo
consciente e sustentável, está surgindo um outro movimento: o engajamento das empresas nas
questões do consumo consciente.
Isso nos permite antever um futuro com menos conflitos, envolvendo empresas e clientes, e uma
mobilização conjunta, envolvendo empresas, consumidores, governo, mídia na construção de um
mundo melhor e de uma vida com mais qualidade para todos.
São muitos os que aderem às ondas verde e azul. E já são visíveis os indicadores dessa
transformação: consumidores vigilantes, órgãos de defesa dos consumidores atuantes, legislação
consistente e a busca de melhor qualidade de vida.
RESUMO
O elevado consumismo praticado em nossa sociedade é responsável por problemas diversos:
publicidade enganosa, forte propensão ao consumo supérfluo, impactos negativos ao meio ambiente
e outros.
O caminho a seguir é a educação para o consumo consciente e sustentável, e para o
comportamento sustentável.
O processo tem início com a compra consciente que, em seguida, deve evoluir para o consumo
consciente, e, daí, para o consumo sustentável ou responsável.
E, finalmente, atingir o estágio do comportamento individual e coletivo de natureza
sustentável.
É importante lembrar que essa mudança de paradigma – da sociedade do sonho, da sociedade
de consumo para a sociedade sustentável – deve ser feita com a participação de todos:
governo, mídia, empresas e sociedade civil.