Unidade curricular: Ecologia
António Onofre Soares (Prof. Auxiliar, com Agregação)
Especialidade: Ecologia
Gabinete: A.069
Email: [email protected]
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O FUNCIONAMENTO
DA DISCIPLINA
Comunicação
- Moodle
- Atendimento: 3ª feira de manhã
- Início das aulas práticas: próxima 6ª feira.
Avaliação
- Calendarização das frequências teóricas: 4 de abril e 20 de junho
- Componente Prática:
- Seminário em Ecologia (30%) (8 de abril)*
- Projeto em Ecologia (70%) (24 junho)*
-Nota final = (2Nt + 1Np) / 3
-Nt terá nota mínima de 9 valores e a prática 10 valores (para efeitos de aprovação)
- Exames: datas a marcar pelos Serviços Académicos
* Dependente do número de grupos
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O FUNCIONAMENTO
DA DISCIPLINA
Notas a “congelar” (contatar o docente)
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A ECO LOGIA
COMPONENTE PRÁTICA DA DISCIPLINA
O Seminário em Ecologia (30%)
Apresentação e defesa, em grupos de 5 (excecionalmente 6) alunos, de um artigo
científico (da área de ecologia e indexado). O artigo será selecionado pelos estudantes. Na
apresentação e defesa deverão participar todos os elementos do grupo. Deverá ser utilizado o
seguinte recurso técnico: slides Power Point. Ao docente será entregue uma cópia do ficheiro
Power Point utilizado na apresentação e defesa do trabalho.
ECO LOGIA
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A
COMPONENTE PRÁTICA DA DISCIPLINA
O Projeto em Ecologia (70%)
Os alunos deverão planear, em grupos de 4 (excecionalmente 5) alunos, um protocolo
de trabalho experimental (de laboratório ou de campo) e que seja exequível. O tema do trabalho
deverá se integrar no âmbito dos conteúdos científicos da componente teórica da disciplina. A
tabela abaixo apresenta, de forma sintética, as principais etapas envolvidas na preparação do
projeto, bem como os objetivos destas etapas e a respetiva calendarização. Ao docente será
entregue um “manuscrito” em suporte papel e um CD com o “manuscrito” e os slides Power Point
elaborados na apresentação e defesa do projeto. Na apresentação e defesa deverão participar
todos os elementos do grupo.
Calendarização das actividades
do Projecto em Ecologia
Principais etapas Objectivos gerais Calendarização
Selecção do tema do projecto. O tema
será proposto pelo docente ou pelo grupo 1 e 2 ª semana de aulas
de alunos.
Recolha bibliográfica, baseada no tema
proposto e num conjunto de palavras-
I chave, recorrendo-se às mais variadas TIC.
Planificação, discussão e elaboração do
protocolo do trabalho experimental
Planificação e elaboração do protocolo Concluída fim de Março
experimental.
Discussão do protocolo do trabalho
experimental. Os alunos apresentarão
uma ou mais versões de acordo com as
orientações definidas nas reuniões com o
docente.
II Março a Maio.
Realização das tarefas constantes no Realização das tarefas de laboratório (ou (cont…)
protocolo do trabalho experimental de campo).
Calendarização das atividades
do Projeto em Ecologia
Principais etapas
Objetivos gerais Calendarização
(cont…)
III Tratamento de dados: utilização de alguns métodos e técnicas
Análise de dados em ecologia.
abril a junho.
Redacção e apresentarão do “manuscrito”, Conterá um máximo
IV de 20 páginas. Este deverá ser configurado segundo as regras de
Redacção e apresentação do publicação da revista European Journal of Entomology.
“manuscrito” (http://www.eje.cz/scripts/instructions.php)
V O grupo, numa data a agendar e perante a turma, apresentará
Apresentação oral e defesa do (20 minutos) e defenderá oralmente (20 minutos). 24 de Junho
trabalho Apresentação em Power Point.
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O FUNCIONAMENTO
DA DISCIPLINA
Não há exame prático
Primeira referência à palavra “ECOLOGIA”
Deve-se a Ernest Haeckel (1834 - 1919), médico e zoólogo
alemão, especialista em anatomia comparada, no livro
“Morfologia Geral dos Organismos” (1869).
“OEKOLOGIE: Definia a oekologie como a ciência do habitat.
Outros contributos para a ciência:
Filo, filogenia, criou o Reino Protista e a teoria da recapitulação
(ou lei da recapitulação ontofilogenética)
(A ontogenia recapitula a filogenia).
… no entanto E. Haeckel não desenvolveu o conceito de Ecologia.
A ECOLOGIA como disciplina científica
Deve-se a Eugenius Warming (1841 - 1924), botânico dinamarquês, originário das ilhas Frísias.
Deve-se a E. Warming:
i) o desenvolvimento do conceito de ecologia (1895) no seu primeiro livro
(Oecology of Plants: An Introduction to the Study of Plant-Communities).
Alguns contributos em matérias como os biomas, sucessões ecológicas,
ecologia das comunidades e evolução das espécies; resolução de
problemas semelhantes em diferentes regiões do mundo. Fundador da
ecologia tropical
ii) A este autor se deve a criação da primeira “disciplina de ecologia” numa
Universidade, em Copenhaga.
E. Warming é apontado, por muitos, como o verdadeiro fundador da
Ecologia.
Ecologia (Eco + logia)
Origem grega: oikos + logos
Significado: casa onde se vive + estudo
Literalmente significa (Odum, 1991):
- o estudo da nossa casa ou a ciência do habitat.
Conceito de ECOLOGIA (Krebs, 1994)
- História natural científica (Elton, 1927)
- O estudo da estrutura e função da natureza (Odum, 1963)
- O estudo científico da distribuição e abundância dos organismos (Andrewartha, 1961)
- O estudo científico das interacções que determinam a distribuição e a abundância dos organismos
(Krebs, 1994)
Objetivos gerais da disciplina da Ecologia
(Sacarrão, 1991)
Tem por objetivo o estudo:
• inter-relações dos seres vivos e do ambiente,
• casualidade das adaptações,
• influência dos fatores físicos e bióticos sobre os seres vivos,
• ação do isolamento geográfico e da seleção natural sobre os organismos e
• causas que presidem à distribuição das espécies.
No fundo o significado que todos estes aspetos podem ter na EVOLUÇÃO BIOLÓGICA e em última
análise um dos problemas básicos da ecologia é o da ADAPTAÇÃO.
Sob que ponto de vista podemos olhar
para os organismos no seu meio Ambiente?
Descritivo: Onde?
Funcional: Como?
Evolutivo: Porquê?
A que nível / níveis de
organização
do “mundo vivo” se dedica a
Ecologia?
Níveis de organização
do “mundo vivo”
Conjunto de unidades agrupadas
em ordem crescente de
complexidade
De que forma se relaciona a Ecologia com outros domínios da Biologia?
Fundamentos comuns
Biologia Molecular
Genética
Biologia do Desenvolvimento
Fisiologia
Morfologia
Ecologia
etc.
Bacteriologia
Ornitologia
Botânica
Entomologia
etc.
Divisões taxonómicas
A organização da biologia em forma de “Bolo”,
ilustrando as divisões básicas (fundamentos comuns) e
taxonómicas. (Odum, 1971).
De que forma se relaciona a Ecologia com outros domínios da Ciência?
1. Multidisciplinar (ver figura anterior): tornando-se quase
impossível definir todos os seus objetivos por esta razão
uma verdadeira síntese ecológica torna-se difícil.
2. Integrativa: o seu progresso vai depender de informações
de outras disciplinas de forma a promover as necessárias
sínteses (e.g. climatologia, geologia, matemática).
Organizacionais:
Ecologia das espécies, das populações, das
Natureza do meio ou habitat:
comunidades e do ecossistema
Terrestre, marinho e de água doce
A subdivisão da disciplina
tem por base diversos
Taxonómicos:
critérios
melhor definir os (i) campos de acção, Dos fungos, das aves, dos insectos, etc.
estabelecer as (ii) afinidades e (iii) limites
relativamente a outras disciplinas da
biologia.
Didácticos:
Relacional:
Ecologia Geral, Ecologia Animal e Ecologia
Auto-ecologia (Schroter, 1896) e Vegetal
sinecologia (Schroter, 1902)
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
A ecologia é tão antiga quanto a história dos humanos quer no
Nomadismo Sedentarismo
O sedentarismo
As práticas da caça, associado ao incremento da
da pesca e da recolha de agricultura e da
alimento implicam o domesticação dos animais
conhecimento sobre onde e implica o conhecimento
quando as levar a cabo. prático da biologia e da
ecologia das plantas e dos
animais.
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
Séc. IV AC, Historia Animalium
(principal estudo de Zoologia da Antiguidade)
Aristóteles
Referia que a elevada capacidade de
reprodução das pragas impedia um
controlo efetivo por parte dos predadores
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
- Thomas R. Malthus (1798): An essay on the principle of population.
Contributo para a estimativa do crescimento das populações. Crescimento
desigual dos recursos e das populações humanas.
dn/dt =rN [1-(N/K)]
- Pierre-François Verhulst (1838):
“Curva logística” associada ao
crescimento das populações.
- C. Darwin (1859): On the origin of species.
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
- Karl Möbius (1825-1908). Zoólogo alemão, um dos fundadores da Ecologia. A ele se
deve o reconhecimento da existência de i) comunidades bióticas e das relações entre os
organismos no interior das comunidades e a ii) introdução do conceito “biocenose” i.e.
comunidade biótica, em 1877.
- C. Elton (1927): Animal ecology. i) 1ª tentativa de definir das bases teóricas da ecologia, ii)
em 1958 publica o seu terceiro título: The Ecology of Invasions by Animals and Plants, e iii)
1º editor da Journal of Animal Ecology.
- Arthur Tansley (1871-1955), botânico Inglês que introduz o conceito de “ecossistema”,
em 1935. To include "... the whole system ... including not only the organism-complex,
but also the whole complex of physical factors forming what we call the environment
...".
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
Nascimento da Ecologia Moderna (década de 30)
Realizam-se diversos trabalhos analíticos (dos anos 10 aos anos 30 do século xx)
(i) estudo das reações dos organismos aos fatores físicos,
(ii) estudo dos limites destes fatores compatíveis com a conservação da vida,
(iii) estudo das sucessões da fauna e
(iv) estudo da sinecologia.
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
- Vitor Shelford (1913): Animal communities in temperate America. Considerado o “pai” da Ecologia
Animal nos EUA. Ativista da preservação de sítios com interesses conservacionistas.
- Dinâmica das comunidades bióticas [Henry Cowles, 1899 (Sucessão das plantas); Frederic Clements,
Botânico na U. Nebraska 1916 (Sucessões ecológicas, cria métodos quantitativos para o estudo da
vegetação e aplicação da lei da tolerância).
- Chapman, Royal N. (1931). Entomologista Americano. Animal Ecology, with special reference to
insects. New York: McGraw-Hill. 464 pp. Descobre a importância das interações ecológicas no
crescimento das populações. O seu trabalho, conjuntamente com os estudos de Gausse permitem
definir o princípio da exclusão competitiva.
Tribolium confusum
- Uvarov B.P. (1931): Insects and climate. Transactions of the Royal Entomological Society of London,
79: 1-247.
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
Primeiros passos no estudo da dinâmica das populações, estudos matemáticos e teóricos (dos anos 20 aos
anos 30 do século xx):
- Vito Volterra (1926): Variazioni e fluttuazioni del numero d’individui in specie animali conviventi.
Descreve matematicamente a competição entre os organismos (Lotka-Volterra).
- Alfred Lotka (1925): Elements of physical biology.
(Conhecido pelo modelo predador-presa, que ainda está na base de muitos modelos usados na
análise da dinâmica das populações Lotka-Volterra).
dN/dt = rN - NP (PRESA)
dP/dt = fNP - dP (PREDADOR)
Didinium sp.
- G.F. Gause (1935): Vérifications expérimentales de la théorie PREDADOR
mathématique de la lute pour la vie. Paramecium sp.
PRESA
+
Refúgio (sedimento)
Algumas etapas da história da ECOLOGIA
(Dajoz, 1983; Krebs, 1994)
-Claude Shannon & Norbert Wiener
Norbert Wiener Desenvolvem o conceito de biodiversidade e adaptam um
modelo matemático para medir a diversidade específica
(1947-48).
H’ = -∑pi log pi
Claude Shannon
Sociedades de Ecologia:
-British Ecological Society (1913)
http://www.britishecologicalsociety.org/
Ecological Society of America (1916)
http://www.esa.org/
Unidade 2: Os fatores ecológicos
2.1 Princípios e conceitos relativos aos fatores ecológicos
O que é um fator ecológico?
Todo o elemento do meio suscetível de agir, diretamente, sobre os seres
vivos, ao menos durante uma determinada fase do seu ciclo de vida e que
tenha …
… implicações diretas na abundância e distribuição das populações.
Esta definição elimina os seguintes elementos do meio:
Altitude, atua através da insolação, pressão atmosférica e temperatura.
Profundidade, atua através da pressão e iluminação.
Classificação dos fatores ecológicos (Dajoz, 1983)
Temperatura PP *
Fotoperíodo / Marés
Origem
Humidade PS
Fatores Abióticos Climática Factor
Pluviosidade
de
(natureza físico-química) Vento mortalidade
Origem Pressão
Não climática Meio aquático Teor em sais
Características do PS/ ID**
Teor oxigénio
solo e meio /NP
aquático Granulometria
Meio edáfico Comp. química
Origem Teor em sais PS
Fatores Bióticos Trófica Alimento disponível Factor
de
Intra-específicas Colónia
(natureza biológica) mortalidade
Origem Competição PS/
Relações bióticas Inter-específicas /NP
Depredação DD
Parasitismo
* Adaptado de Mondchasky (1958, 1961, 1962) – Critério: O grau de aperfeiçoamento das adaptações.
(PP: factor ecológico com periodicidade regular, diária, lunar, estacional ou anual)
** Smith (1935), retomando Howard e Fiske (1911) e Thompson (1928)
Classificação dos fatores ecológicos (Dajoz, 1983)
Temperatura PP *
Fotoperíodo / Marés
Origem
Humidade PS
Fatores Abióticos Climática Factor
Pluviosidade
de
(natureza físico-química) Vento mortalidade
Origem Pressão
Não climática Meio aquático Teor em sais
Características do PS/ ID**
Teor oxigénio
solo e meio /NP
aquático Granulometria
Meio edáfico Comp. química
Origem Teor em sais PS
Fatores Bióticos Trófica Alimento disponível Factor
de
Intra-específicas Colónia
(natureza biológica) mortalidade
Origem Competição PS/
Relações bióticas Inter-específicas /NP
Depredação DD
Parasitismo
* Adaptado de Mondchasky (1958, 1961, 1962) – Critério: O grau de aperfeiçoamento das adaptações.
(Periódico Primário: fator ecológico com periodicidade regular, diária, lunar, estacional ou anual)
Classificação dos fatores ecológicos (Dajoz, 1983)
Temperatura PP *
Fotoperíodo / Marés
Origem
Humidade PS
Fatores Abióticos Climática Fator
Pluviosidade
de
(natureza físico-química) Vento mortalidade
Origem Pressão
Não climática Meio aquático Teor em sais
Características do PS/ ID**
Teor oxigénio
solo e meio /NP
aquático Granulometria
Meio edáfico Comp. química
Origem Teor em sais PS
Fatores Bióticos Trófica Alimento disponível Fator
de
Intra-específicas Colónia
(natureza biológica) mortalidade
Origem Competição PS/
Relações bióticas Inter-específicas /NP
Depredação DD
Parasitismo
** Smith (1935), retomando Howard e Fiske (1911) e Thompson (1928)
De que forma podem atuar os fatores dependentes da densidade (DD)
Quando o predador (i.e. a predação) atua de uma forma DD: a taxa à qual o predador elimina a sua
vítima aumenta ou diminui à medida que a densidade da sua presa altera.
Densidade da Mortalidade Ação
presa causada pelo
predador
diretamente DD
Se a ação (efeitos letais da temperatura) não está relacionada com a densidade, o fator é designado de
independente da densidade (ID), isto é uma proporção constante da população é eliminada do meio
independentemente da sua densidade.
Conceito de fator limitante e fator regulador
1. Um fator de mortalidade diz-se limitante (ocorre com os fatores de mortalidade independentes da
densidade) se a alteração neste factor produz uma alteração na densidade de equilíbrio populacional,
qualquer que seja o número de indivíduos desta população.
2. Um fator de mortalidade diz-se regulador (ocorre com os fatores de mortalidade dependentes da
densidade) se a percentagem de mortalidade causada por este factor incrementa com o incremento da
população e não produz uma alteração na densidade de equilíbrio populacional.
Que factores podem limitar a distribuição
geográfica das espécies?
Do big carnivores practice birth control?
Unlike jackals and other small carnivores, social factors may
help big predators keep their groups to a sustainable size.
We offer an alternative view that apex predators are distinguishable by
a capacity to limit their own population densities (self-regulation).
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/oik.01977/abstract
• Deve-se a Justus Liebig (1840) o enunciado da “Lei do Mínimo” que dizia que “o
crescimento de uma planta está dependente da quantidade de matéria-alimento que
lhe é apresentada em quantidade mínima”, e.g. boro, e não de elementos que existem
em abundância.
• …. hoje designado de fator limitante.
Lei do Mínimo: “O crescimento
de uma planta está dependente
da quantidade de matéria-
alimento que lhe é apresentada Lei da tolerância (Shelford, 1911)
em quantidade mínima” (Liebig,
1840).
Intervalo (amplitude) de tolerância
Zona óptima
Velocidade da actividade
Espécie rara
Espécie rara
Espécie ausente
Espécie ausente
Espécie abundante
Mínimo* Óptimo/preferendum Máximo*
Intensidade do fator ecológico
* Limites de tolerância
Princípios relativos à lei de tolerância
(Sacarrão, 1991)
- Os organismos podem ter uma larga margem de tolerância para um fator e uma pequena
margem para outro,
- Os organismos com largas margens de tolerância, para todos os fatores, estão naturalmente
mais distribuídos,
- Quando as condições não são ótimas para uma espécie, no que diz respeito a um fator ecológico,
os limites de tolerância podem ser reduzidos em relação a outros fatores ecológicos e
- Em muitos casos os fatores biológicos (e.g. competição, predação, etc.) impedem que os
organismos se aproveitem de condições físicas ótimas.
O que é a valência ecológica?
É a capacidade que uma espécie tem em povoar meios diferentes caracterizados por
variações mais ou menos grandes dos fatores ecológicos.
Fator ecológico Nível de tolerância e
Espécie /distribuição valência ecológica
estenoécia
Capacidade de povoar Estenoécia
Velocidade da actividade
diferentes habitates Euriécia
Espécie euriécia Salinidade Estenoalina
Eurialina
Alimento Estenofágica
Eurifágica
Temperatura Estenotérmica
Euritérmica
Min. Min. Máx. Máx.
Distribuição geográfica Estenotópica
Intensidade do fator ecológico
Euritópica
Óptimo Óptimo
Óptimo
Velocidade da actividade
Espécie estenotérmica Espécie estenotérmica
e oligotérmica e politérmica
Espécie euritérmica
Min. Min. Máx. Min. Máx. Máx.
Temperatura.
A VALÊNCIA ECOLÓGICA, por si só, não explica a distribuição dos seres vivos. Os limites de tolerância
para uma mesma espécie podem fazer variar a distribuição geográfica, no entanto, preciso fazer intervir outras
causas, como a história geológica (Paleogeografia), as possibilidades de deslocamento passivo ou activo, o poder de
multiplicação, entre outras causas.
Classifique as seguintes espécies quanto à sua valência ecológica:
Intervalo de tolerância
Espécies Mínimo Máximo Actividade Biológica
Boreus hiemalis 1 -12°C 32°C Actividade
Pinus sylvestris 2 -45°C 30°C Actividade
Isotoma nivalis 3 -9°C 12°C Actividade
Trematomus sp. 4 -2,5°C 2°C Actividade
Bufo bufo Adapta-se: [65°N ao norte África] 2200 mts. nos Alpes
Thermosbaena mirabilis 5 45°C 48°C Actividade
Rodolia cardinalis Alimenta-se, unicamente, do insecto Homoptero Icerya purchasi
Harmonia axyridis Alimenta-se de diversos insectos Homopteros, tais como, cochonilhas e pulgões.
1 Inseto mecoptero dos Alpes.
2 Conífera da Região Lapónica.
3 Colembolo de superfícies geladas de Spitzberg (termopreferendum 4°C).
4 Peixes do Oceano Glaciar antártico com 8,5 °C de amplitude dos limites de tolerância pois a temperatura letal superior é de 6°C
(o termopreferendum é de 0,1°C).
5 Crustáceo de fontes hidrotermais (limite mínimo de tolerância: 30°C).
Limites e ótimos térmicos para o consumo alimentar dos
adultos dos fenótipos aulica e nigra.
BC = - 2,17 10-3 t4 + 16,19 10-2 t3 – 4,34 t2 + 51,92t – 221,3 BC = 8,2 10-4 t4 - 8,35 10-2 t3 + 2,78 t2 - 34,6t + 145,2
r2 = 0,90 p‹0,0001 r2 = 0,82 p‹0,0001
60
60 aulica
50 nigra
Biomassa consumisa (mg)
50
Biomassa consumida (mg)
d 40
40 d e
d
30
30 c Harmonia. axyridis Pallas
20 (Col. Coccinellidae) 20 c
b
(Soares et al., 2003). b
10 10
a a
0 0
10 15 20 25 30 35 10 15 20 25 30 35
Temperatura (°C) Temperatura (°C)
Temperatura (ºC)
Óptima Máxima Mínima Máx-Mín
aulica 27,4 33,4 9,3 24,1
nigra 23,7 33,0 10,4 22,6