Universidade Federal de Santa Catarina
Nutrição Animal – Semestre letivo 2021/2
Agronomia/ Medicina Veterinária
Campus Curitibanos
NOVEMBRO
/2021
Processos digestivos
dos animais domésticos
Prof.ª Aline Félix Schneider Bedin
1
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Fisiologia e processos digestivos dos animais domésticos
Monogástricos
Ruminantes
Aves
2
SISTEMA DIGESTÓRIO
Função principal: digerir os alimentos e
absorver os nutrientes e excretar os
produtos não utilizados pelo organismo
Processos físicos e químicos
Sob controle dos sistemas
nervoso e endócrino
Diferenças entre espécies
Anatômicas, fisiológicas,
comportamentais, preferências 3
FUNÇÕES GERAIS
DIGESTÃO ABSORÇÃO PROTEÇÃO
Obter moléculas Camada interna se
necessárias para a Revestimentos constitui em barreia
manutenção, permitem a de proteção entre o
crescimento e absorção de conteúdo luminal e
demais necessidades moléculas o meio interno do
nutricionais organismo
4
Diferenças entre espécies
1. De acordoDIFERENÇAS
com o comportamento alimentar:
ENTRE ESPÉCIES
HERBÍVOROS CARNÍVOROS
Bovinos, ovinos, Cães e gatos
caprinos, bubalinos,
equinos ONÍVOROS
Aves e suínos
5
6
Diferenças entre espécies
2. De acordo com a anatomia
DIFERENÇAS ENTREdoESPÉCIES
digestório:
Não ruminantes Ruminantes
Monogástricos com Bovinos
Monogástricos
ceco funcional Ovinos
Suínos Equinos Caprinos
Cães Coelhos Bubalinos
Gatos
Peixes 7
Aves
DIFERENÇAS
Monogástricos ENTRE ESPÉCIES
Monogástricos com
ceco funcional
Digestório mais simples Ceco e cólon bem
desenvolvidos
Limitada ação microbiana
e digestão de fibras Microrganismos capazes de
digerir fibras e sintetizar
vitaminas do complexo B e K
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Diferenças entre espécies
DIFERENÇAS ENTRE ESPÉCIES
Tipos de digestão:
Mecânica (mastigação, contrações musculares)
Química (HCI no estômago, bile no intestino delgado)
Enzimática (pepsina gástrica, amilase pancreática, lipase
pancreática...)
Microbiana
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Monogástricos
10
Equinos: atenção
ao fornecimento
de grãos cereais!
Baixa capacidade de armazenamento de alimentos no
trato digestório
Acesso a alimentação mais frequente 11
Capacidade reduzida de digerir alimentos fibrosos e
pequena capacidade de síntese gastrintestinal
Exceções: cavalos e coelhos
(adaptados a digestão de fibras) Suprimento total dos
nutrientes via dieta
12
Ingestão = apreensão + mastigação + deglutição
APREENSÃO
Cães e gatos - focinho para seleção
Língua em forma de
concha para ingerir
água
Suínos – focinho e lábio
inferior 13
Ingestão = preensão + mastigação + deglutição
INGESTÃO DE ALIMENTOS
PREENSÃO
Equino – lábios e dentes
incisivos para cortar
gramíneas
Forragens baixas a
medianas
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BOCA
Digestão bucal, palatabilidade, glândulas salivares
Saliva:
Presença de enzimas
• Água: umedece os alimentos
• Mucina: lubrifica os Ptialina ou alfa-amilase
alimentos, facilitando a Ausente em cães, gatos,
digestão equinos
• Íons bicarbonato:
tamponante Lisozima 15
ESTÔMAGO
A função do estômago é tornar fluido o
alimento sólido e liberá-lo para o intestino
delgado, em uma velocidade controlada
(Cunningham, 2004)
16
ESTÔMAGO
Funções principais:
Continuar a digestão de
carboidratos iniciada na boca
Adicionar FLUIDO ÁCIDO
Digestão inicial de proteínas – ENZIMA PEPSINA
Produção de LIPASE gástrica que digere
17
triglicerídeos
CÉLULAS PARIETAIS CÉLULAS
Produção de GASTRINA: ZIMOGÊNICAS
secreção de HCl e estímulo Contem a enzima inativa
a motilidade do estômago PEPSINOGÊNIO
PEPSINOGÊNIO Meio ácido PEPSINA PROTEÍNAS
18
Secreção de SUCO GÁSTRICO e
aumento da motilidade HCl
Mantem o pH
Liberação baixo
de
GASTRINA Início da digestão das
PROTEÍNAS
Após ação do suco
gástrico, o conteúdo
alimentar é denominado
19
QUIMO
ESTÔMAGO
Mamíferos recém-nascidos, em fase lactente:
Enzima RENINA Proteínas do leite
20
INTESTINO
DELGADO
Funções:
DIGESTÃO
ABSORÇÃO
SECREÇÃO ENDÓCRINA
Pregas + vilosidades +
microvilosidades ?
21
INTESTINO DELGADO
Chegada do QUIMO
ÁCIDO
Liberação de SECRETINA
Inibe a secreção
gástrica Estimula a secreção Estimula a
Reduz a de BICARBONATO produção de
motilidade (suco pancreático) bile 22
intestinal
INTESTINO DELGADO
Liberação de CCK
pH no (colecistocinina):
duodeno Estimula secreções de enzimas
pelo pâncreas e contrações da
vesícula biliar
ENZIMAS
Amilases
Proteases
Lipases 23
INTESTINO Maltose,
DELGADO maltotriose,
Amilases dextrinas
Proteases (tripsina e Peptídeos e
quimiotripsina) aminoácidos
Lipases Ácidos graxos e
glicerol
24
Suco entérico ou
suco intestinal
INTESTINO DELGADO
Liberação de secreção rica em enzimas
MALTASES: atuam sobre as maltoses = glicose
LACTASES*: atuam sobre a lactose = glicose e galactose
SACARASE: atua sobre a sacarose = glicose e frutose
PEPTIDASES: atuam sobre peptídios = aminoácidos
25
INTESTINO DELGADO
Após a digestão...
Moléculas pequenas
podem ser absorvidas!
Quem são elas?
26
INTESTINO GROSSO
Funções
Digestão das fibras
Reabsorção de água
Reabsorção de minerais
Formação e expulsão do
bolo fecal
27
EQUINOS
Ceco largo, apresenta
haustros
Digestão depende quase que totalmente da atividade de
bactérias e protozoários ciliados
Mucosa sem secreção enzimática, secretando apenas
muco
Produção e absorção de AGV
Importância da FIBRA
28
Ruminantes
29
RUMINANTES
Alimento principal: forragens
Capacidade de digerir a celulose
Convertem a forrageira ingerida em produtos de alto
valor biológico
30
Apreensão de alimentos
RUMINANTES
Ausência de dentes incisivos superiores e caninos
Apreendem os Apreendem os alimentos com
alimentos com a língua os dentes incisivos inferiores,
lábios e língua
31
SALIVA
Facilita a mastigação e a deglutição (ação lubrificante)
Produção contínua de saliva que contém BICARBONATO
(ação tamponante), nitrogênio e outros minerais
Lipase salivar – hidrólise de triglicerídeos
Atenção a troca
de alimentação!
32
ESTÔMAGOS
Parte aglandular: fermentação microbiana
Rúmen
Retículo
Omaso
Parte glandular: digestão
pelo suco gástrico
Abomaso
33
ESTÔMAGOS
Rúmen Não existem secreções
Retículo
Presença predominante
Omaso
de microrganismos
Digestão microbiana
(bactérias, 34
protozoários e fungos)
Fermentação pré-gastrica permite:
ESTÔMAGOS
1. Utilização de fibras na dieta
2. Capacidade de desdobrar a celulose
(torna-se o nutriente principal)
3. Síntese da proteína microbiana de alto
valor biológico
4. Síntese de vitaminas do complexo B e K
35
Microbiota = conjunto de microrganismos, em
simbiose
MICROBIOTA
Três funções principais:
1. Produção de AGVs
2. Síntese de proteínas
microbianas
3. Síntese de vitaminas B e K
36
Microbiota
1. Produção de AGVs
MICROBIOTA
AGVs:
Acetato
Carboidratos: (60 a 70 %)
Digestão e Propionato
• Celulose
fermentação (18 a 22 %)
• Hemicelulose
ruminal Butirato
• Amido
(13 a 16 %)
CO2 37
CH4
Microbiota
1. Produção de AGVs
MICROBIOTA
AGVs são absorvidos
pelo epitélio e utilizados
pelo animal como fonte
de energia
AGVs => principal fonte de energia 38
para os ruminantes!
Microbiota
MICROBIOTA
1. Produção de AGVs
Podem prover até 80%
da exigência diária de
energia dos ruminantes
39
MICROBIOTA
Aplicação prática:
Fornecimento de gordura deve ser
limitado!
Inibição das bactérias celulolíticas
40
Microbiota
2. Síntese de proteínas microbianas
MICROBIOTA
População microbiana ruminal promove a síntese de
aminoácidos a partir de nitrogênio não proteico (NNP)
Origem na dieta, na saliva ou na
degradação da proteína presente
NNP nos alimentos
41
Microbiota
2. Síntese de proteínas microbianas
MICROBIOTA
Proteína
NNP verdadeira
microbiana
42
Microbiota
2. Síntese de proteínas microbianas
MICROBIOTA
Microrganismos seguem
junto com a digesta
Irão suprir o hospedeiro
com os aminoácidos
necessários para a síntese
da carne, do leite e de
outros produtos
(em 40 a 80 %) 43
Microbiota
2. Síntese de proteínas microbianas
MICROBIOTA
Aplicação prática...
1. Uso de ureia na alimentação de ruminantes
Substância nitrogenada não proteica capaz de suprir
as bactérias ruminais
Redução de custos!
2. Microbiota ruminal supre o animal com vitaminas do
complexo B e vitamina K
44
Microbiota = conjunto de microrganismos
MICROBIOTA
Microrganismos ruminais também atuam na hidrólise de
proteínas
Aminoácidos
Proteína Peptídeos
livres
45
RÚMEN
Câmara de
fermentação anaeróbica
Características:
Temperatura 38 a 42 ºC
pH varia de 5,5, a 7,0 Condições essenciais
Constância pela absorção para a sobrevivência
contínua dos AGVs e ação dos MOOs
tamponante do bicarbonato 46
RÚMEN
Aplicação prática...
Ambiente ruminal deve estar
equilibrado para garantia do
seu perfeito funcionamento
Atenção ao fornecimento de
volumosos e concentrados na
dieta
Uso de aditivos tamponantes 47
Aplicação prática...
Carboidratos não fibrosos
Precursores de ácido propiônico
Fornecimento em excesso pode
causar acidose ruminal
Taxa de passagem muito rápida
Atenção para as quantidades
fornecidas! 48
RETÍCULO
Rúmen + retículo = câmara de fermentação
Epitélio pregueado, semelhante a “favos de mel”
Sulco reticular ou “goteira esofágica”
Ruminantes jovens
Comunica-se com o omaso pelo
orifício retículo-omasal
49
JOVEM RUMINANTE
Iniciam sua vida como
animais de estômago simples
Presença da goteira
esofágica
Leite direto para o
abomaso
Atenção ao
posicionamento da 50
mamadeira!
OMASO
Terceiro compartimento
Folhoso – epitélio
Função: maceração do alimento,
compressão e absorção
Ligado ao abomaso pelo orifício
omasoabomasal 51
ABOMASO
Estômago verdadeiro ou glandular
Digestão química
Atuação de enzimas digestivas e presença de suco
gástrico
Ruptura das bactérias por ação de lisozimas
Processo digestivo semelhante ao dos não ruminantes
52
INTESTINO DELGADO
Continuação da digestão química
Atuação do suco pancreático, bile e suco intestinal
Importante local de absorção de nutrientes
Absorção da proteína microbiana sintetizada no rúmen
53
RUMINAÇÃO
Regurgitação e remastigação
dos alimentos repetidas
vezes, até que o material
ingerido possa seguir o
trânsito no digestório
Dietas ricas em volumoso:
8 horas ruminação/dia 54
ERUCTAÇÃO
Formação e liberação de gases
Gás Carbônico (60 a 70%) e Metano (30 a 40%)
Aplicação prática...
Timpanismo
Falhas no manejo alimentar
Leguminosas predisponentes
55
Aves
56
SISTEMA DIGESTÓRIO
57
CAVIDADE ORAL
Bico, língua, glândulas salivares e
faringe
Não há lábios, nem dentes
Amilase e lipase – atividade
pouco significativa
Língua
Presença de papilas tácteis e
gustativas
Sensitivas ao salgado, doce e 58
amargo
ESÔFAGO
Cervical e torácico
Papo ou inglúvio
Elástico
Função: condução do
alimento ingerido da faringe
até o proventrículo, reserva e
estocagem 59
PROVENTRÍCULO
Mucosa espessa, pregueada, rica
em glândulas tubulares simples
Secreção de enzimas e ácidos
Porção secretora:
Células zimogênicas secretam
pepsinogênio e HCl
Secreção é estimulada pela
presença de alimentos
60
MOELA OU VENTRÍCULO
Musculatura circular altamente
desenvolvida
Contrações fortes e rítmicas (3/min)
Função: trituração dos alimentos e
mistura dos fluidos estomacais com as
partículas alimentares 61
MOELA OU VENTRÍCULO
Sobre o epitélio há uma
resistente membrana do
estômago muscular
(coilínea)
Coloração amarela,
verde ou marrom
62
63
INTESTINO DELGADO
Duodeno
Pâncreas ao centro
Porção proximal: abrem-se os ductos
biliares e pancreáticos
Três tipos de células:
Células caliciformes – função protetora
Enterócitos - células de absorção
Células enteroendócrinas – produtoras de hormônios
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Chegada da digesta no duodeno
Presença de ácidos Presença de cálcio, ácido e produtos da
estimula a liberação de digestão proteica estimula a liberação de
SECRETINA pelas COLECISTOQUININA
células enteroendócrinas
Age sobre os ductos Age sobre os Provoca o
pancreáticos provocando músculos lisos dos relaxamento do
a liberação de uma ductos pancreáticos esfíncter e contração
secreção rica em provocando a da musculatura lisa
liberação de suco da vesícula biliar -
BICARBONATO rico em ENZIMAS liberação de BILE
65
INTESTINO DELGADO
Bile
Suco pancreático Forma micelas
Amilase Complexos
Lipase hidrossolúveis com os
Tripsina lipídios
Nucleases Facilita a absorção
Colagenases dos lipídios e a ação
Colipases de enzimas
pancreáticas
66
INTESTINO DELGADO
Jejuno
Região mais longa do intestino delgado
No período embrionário está ligado ao saco vitelino
Eclosão: continua ligado via pedículo vitelínico
A absorção completa do saco vitelino finaliza por
volta de 6 a 7 dia de vida 67
INTESTINO DELGADO
Aplicação prática:
Importante
alimentar os pintos
o quanto antes, pois
estimula o
desenvolvimento da
mucosa intestinal 68
INTESTINO GROSSO
Cecos
Funções
Degradação de proteínas e
absorção de aminoácidos pela
ação microbiana
Digestão da celulose
Síntese de Vitaminas do
complexo B e K
69
Absorção de água
INTESTINO GROSSO
Cólon / Reto
Curto, retilíneo, com
vilosidades
Retenção de água e
eletrólitos
Termina na cloaca
70
Dúvidas?
[email protected]
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