Arte rupestre
Arte rupestre, pintura rupestre ou ainda gravura rupestre, são termos
dados às mais antigas representações artísticas conhecidas, as mais antigas
datadas do período Paleolítico Superior (40.000 a.C.) gravadas em abrigos ou
cavernas, em suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies
rochosas ao ar livre, mas em lugares protegidos, normalmente datando de
épocas pré-históricas.
Na vida do Homem pré-histórico tinham lugar a Arte e o espírito de conservação daquilo de que necessitava.
Estudos arqueológicos demonstram que o Homem da Pré-História (a fase da História que precede a escrita) já
conservava, além de cerâmicas, armas e utensílios trabalhados na pedra, nos ossos dos animais que abatiam e
no metal. Arqueólogos e antropólogos datando e estudando peças extraídas em escavações conferem a estes
vestígios seu real valor como "documentos históricos", verdadeiros testemunhos da vida do Homem em tempos
remotos e de culturas extintas.
Prospecções arqueológicas realizadas na Europa, Ásia e África, entre outras, revelam em que meio surgiram
entre os primitivos homens caçadores os primeiros artistas, que pintavam, esculpiam e gravavam. A cor na
pintura já era conhecida pelo Homem de Neandertal. As "Venus Esteatopígicas", esculturas em pedra ou
marfim de figuras femininas estilizadas, com formas muito acentuadas, são manifestações artísticas das mais
primitivas do "Homo Sapiens" (Paleolítico Superior, início 40000 a.C) e que demonstram sua capacidade de
simbolizar. A estas esculturas é atribuído um sentido mágico, propiciatório da fertilidade feminina e ao
primeiro registro de um sentimento religioso ou de divindade, o qual convencionou-se denominar de Deusa
mãe, Mãe Cósmica ou Mãe-terra.
Não é menos notável o desenvolvimento da pintura na mesma época. Encontradas nos tetos e paredes das
escuras grutas, descobertas por acaso, situadas em fundos de cavernas. São pinturas vibrantes realizadas em
policromia que causam grande impressão, com a firme determinação de imitar a natureza com o máximo de
realismo, a partir de observações feitas durante a caçada. Na Caverna de Altamira (a chamada Capela Sistina da
Pré-História), na Espanha, a pintura rupestre do bisonte impressiona pelo tamanho e pelo volume conseguido
com a técnica claro-escuro. Em outros locais e em outras grutas, pinturas que impressionam pelo realismo. Em
algumas, pontos vitais do animal marcados por flechas. Para alguns, "a magia propiciatória" destinada a
garantir o êxito do caçador. Para outros estudiosos, era a vontade de produzir arte.
Qualquer que seja a justificativa, a arte preservada por milênios permitiu que as grutas pré-históricas se
transformassem nos primeiros museus da humanidade.
Objetivo e temas
Considera-se arte rupestre as representações sobre rochas do homem da pré-história, em que se incluem
gravuras e pinturas. Acredita-se que estas pinturas, cujos materiais mais usados são o sangue, saliva, argila, e
excrementos de morcegos (cujo habitat natural sâo as cavernas), têm um cunho ritualístico. Estima-se que esta
arte tenha começado no Período Aurignaciano (Hohle Fels, Alemanha), alcançando o seu apogeu no final do
Período Magdaleniano do Paleolítico.
A importância do estudo da arte rupestre deve-se, não tanto à interpretação das figuras existentes, mas antes
obter um entendimento dos motivos e contextos que levaram uma comunidade a usar muito do seu tempo e
esforço na execução da dita arte rupestre. Como estas sociedades primitivas se extendem no tempo e na sua
essência são consideravelmente diferentes das nossas vivências actuais, o estudo da arte rupestre de forma
ciêntifica permite analisar o comportamento do homem em contextos muito díspares, pelo que acaba por ser de
certa forma um estudo transdisciplinar entre a psicanálise, a antropologia e o nosso próprio conceito de arte.
Normalmente os desenhos são formados por figuras de grandes animais selvagens, como bisões, cavalos,
cervos entre outros. A figura humana surge raramente, sugerindo muitas vezes actividades como a dança e,
principalmente, a caça, mas normalmente em desenhos esquemáticos e não de forma naturalista, como acontece
com os dos animais. Paralelamente encontram-se também palmas de mãos humanas e motivos abstratos (linhas
emaranhadas), chamados por Henri Breuil de macarrões.
Nos sítios espalhados pelo mundo, é padrão encontrar, além dos desenhos parietais, figuras e objetos
decorativos talhados em osso, modelados em argila, pedra ou chifres de animais.
Descoberta e autenticidade
Quando os europeus (mais precisamente Marcelino Sanz de Sautuola) encontraram pela primeira vez as
pinturas de Magdalenia da caverna de Altamira, na Cantábria, Espanha, em torno de 150 anos, elas foram
consideradas como fraude por acadêmicos.
O novo pensamento darwiniano sobre a evolução das espécies foi interpretado como significando que os
primitivos humanos não poderiam ter sido suficientemente avançados para criar arte.
Émile Cartailhac, um dos mais respeitados historiadores da Pré-História do final do século XIX, acreditava que
as pinturas tinham sido forjadas pelos criacionistas (que sustentavam a criação do homem por Deus) para apoiar
suas ideias e ridicularizar Darwin. Recentes reavaliações e o crescente número de descobertas têm ilustrado a
autenticidade das figuras encontradas e indicam o alto nível de capacidade de arte dos humanos do Paleolítico
Superior, que usavam apenas ferramentas básicas. As pinturas rupestres podem proporcionar, também, valiosas
pistas quanto à cultura e às crenças daquela época.
No entanto, a idade das pinturas permanece, em muitos sítios arqueológicos, uma questão controvertida, dado
que métodos como a datação por radiocarbono podem facilmente levar a resultados errôneos pela contaminação
de amostras de material mais antigo ou mais novo, e que as cavernas e superfícies rochosas estão tipicamente
atulhadas com resíduos de diversas épocas.
A escolha da datação pelo material subjacente pode indicar a data, por exemplo, da rena na caverna espanhola
denominada Cueva de Las Monedas, que foi determinada como sendo do período da última glaciação. A
caverna mais antiga é a de Chauvet, com 32 000 anos.
Contudo, como ocorre com toda a Pré-História, é impossível estar-se seguro dessa hipótese devido à relativa
falta de evidência material e a diversas lacunas associadas com a tentativa de entender o pensar pré-histórico
aplicando a maneira de raciocinar do Homem moderno.
Sítios mais conhecidos
Os sítios mais conhecidos e estudados encontram-se na Europa, sobretudo França e no norte da Espanha, na
região denominada franco-cantábrica; em Portugal, na Itália e na Sicília; Alemanha; Balcãs e Roménia. No
norte mediterrâneo da África; na Austrália e Sibéria são conhecidas milhares de localidades, porém não tão
estudadas, como é o caso do Brasil. Em 2003, pinturas rupestres foram também descobertas em Creswell Crags,
Nottinghamshire, Inglaterra.
Europa
Gravura rupestre - Vila Nova de Foz Côa - Portugal
Na Europa, as pinturas rupestres mais bem conhecidas são as localizadas em:
Arte rupestre de Val Camonica, Italia (sito do Unesco)
Lascaux, França.
La Marche, perto de Lussac-les-Chateaux, França.
Chauvet-Pont-d'Arc, perto de Vallon-Pont-d'Arc, França.
Caverna de Altamira, perto de Santillana del Mar, Cantábria, Espanha.
Caverna de Cosquer, com uma área ao nível do mar perto de Marselha, França.
Font de Gaume, no vale de Dordogne, França.
Caverna de Pech Merle, França.
Caverna de Les Trois-Frères, França.
Portugal, Em Portugal são conhecidas mais de trezentas localidades de arte rupestre, destacando-se os
complexos do Vale do rio Côa e do Vale do Tejo, dos mais antigos ao ar livre, a gruta do Escoural, fundamental
no estudo do Cro-Magnon e Neandertal, e gravuras rupestres como o cavalo de Mazouco. A Anta Pintada de
Antelas, em Oliveira de Frades, é um monumento nacional que apresenta as pinturas rupestres melhor
conservadas de toda a Península Ibérica
Brasil
Pinturas Rupestres no Cidade de Ivolândia.
No Brasil são encontradas diversas manifestações de arte rupestre. Os locais mais
conhecidos ficam em Naspolini, no estado de Santa Catarina, na região Sul do país.
Em Minas Gerais na região de Prata, próximo a Serra da Boa Vista, em Lagoa Santa,
Varzelândia e Diamantinapróximo à cachoeira da Sentinela. Destacam-se também a
Toca da Esperança, região central da Bahia e Florianópolis, estado de Santa Catarina,
no sul. No nordeste também foram encontradas pinturas no estado do Piauí, na Serra
da Capivara. As cidades mais próximas dos sítios arqueológicos são Coronel José Dias e São Raimundo Nonato
(30 km). Outros registros foram encontrados na fronteira com o Chile, no Lago dos Diamantes. Muitos registros
estão em condições precárias. No estado do Rio Grande do Norte, diversos sítios também são encontrados,
principalmente nas regiões do Seridó e na chapada do Apodi, tendo como o Lajedo de Soledade. No estado de
Pernambuco encontram-se pinturas rupestres no município de Itapetim, nascente do rio Pajeú, nos Sítios Boa
Vista e Riacho Salgado e no município de Afogados da Ingazeira, próximo 5 quilômetros do povoado de
Queimada Grande e no município de Carnaíba, na Serra do Giz, próximo ao povoado da Serra Carapuça.
Segundo informação da FUMDHAM (Fundação Museu do Homem Americano), de São Raimundo Nonato, há
260 sítios arqueológicos com pinturas rupestres na área do Parque Nacional da Serra da Capivara, que foi
criado em 1979.
No Brasil são encontradas diversas manifestações de arte rupestre. Os locais mais conhecidos ficam em
Naspolini, no estado de Santa Catarina, na região Sul do país. Em Minas Gerais na região de Lagoa Santa,
Varzelândia e Diamantina próximo à cachoeira da Sentinela. Destacam-se também a Toca da Esperança, região
central da Bahia e Florianópolis, estado de Santa Catarina, no sul. No nordeste também foram encontradas
pinturas no estado do Piauí, na Serra da Capivara. As cidades mais próximas dos sítios arqueológicos são
Coronel José Dias e São Raimundo Nonato (30 km). Muitos registros estão em condições precárias. No estado
do Rio Grande do Norte, diversos sítios também são encontrados, principalmente nas regiões do Seridó e na
chapada do Apodi, tendo como destaque o Lajedo de Soledade. No estado de Pernambuco encontram-se
pinturas rupestres no município de Itapetim, nascente do rio Pajeú, nos Sítios Boa Vista e Riacho Salgado e no
município de Afogados da Ingazeira, próximo 5 quilômetros do povoado de Queimada Grande e no município
de Carnaíba, na Serra do Giz, próximo ao povoado da Serra Carapuça.
Segundo informação da FUMDHAM (Fundação Museu do Homem Americano), de São Raimundo Nonato, há
260 sítios arqueológicos com pinturas rupestres na área do Parque Nacional da Serra da Capivara, que foi
criado em 1979.
Arte do Antigo Egito
Máscara funerária de Tutankhamon.
A arte egípcia refere-se à arte desenvolvida e aplicada pela civilização do antigo Egipto
localizada no vale do rio Nilo no Norte da África. Esta manifestação artística teve a sua
supremacia na religião durante um longo período de tempo, estendendo-se
aproximadamente pelos últimos 3000 anos antes de Cristo e demarcando diferentes épocas
que auxiliam na clarificação das diferentes variedades estilísticas adoptadas: Período
Arcaico, Império Antigo, Império Médio, Império Novo, Época Baixa, Período Ptolemaico
e vários períodos intermédios, mais ou menos curtos, que separam as grandes épocas, e que
se denotam pela turbulência e obscuridade, tanto social e política como artística. Mas
embora sejam reais estes diferentes momentos da história, a verdade é que incutem somente pequenas nuances
na manifestação artística que, de um modo geral, segue sempre uma vincada continuidade e homogeneidade.
O tempo e os acontecimentos históricos encarregaram-se de ir eliminando os vestígios desta arte ancestral, mas,
mesmo assim, foi possível redescobrir algo do seu legado no século XIX, em que escavações sistemáticas
trouxeram à luz obras capazes de fascinar investigadores, coleccionadores e mesmo o olhar amador. A partir do
momento em que se decifram os hieróglifos na Pedra de Roseta é possível dar passos seguros a caminho da
compreensão da cultura, história, mentalidade, modo de vida e naturalmente da motivação artística dos antigos
egípcios.
Motivação e objetivos
A arte do antigo Egito serve políticos e religiosos. Para compreender a que nível se
expressam estes objetivos é necessário ter em conta a figura do soberano absoluto, o
faraó. Ele é o representante de Deus na Terra e é este seu aspecto divino que vai
vincar profundamente a manifestação artística.
Deste modo a arte representa, exalta e homenageia constantemente o faraó e as
diversas divindades da mitologia egípcia, sendo aplicada principalmente a peças ou
espaços relacionados com o culto dos mortos, isto porque a transição da vida à morte é vista, antecipada e
preparada como um momento de passagem da vida terrena à vida após a morte, à vida eterna e suprema.
O faraó é imortal e todos seus familiares e altos representantes da sociedade têm o privilégio de poder também
ter acesso à outra vida. Os túmulos são, por isto, dos marcos mais representativos da arte egípcia, lá são
depositados as múmias ou estátuas (corpo físico que acolhe posteriormente a alma, ka) e todos os bens físicos
do cotidiano que lhe serão necessários à existência após a morte.
Estilo e normas
Pintura de oferendas na
câmara tumular de Menna.
Pintura na câmara tumular de Nefertari, mulher de Ramses II.
Todas as representações artísticas estão repletas de significados que ajudam a caracterizar figuras, a estabelecer
níveis hierárquicos e a descrever situações. Do mesmo modo a "simbologia" serve à estruturação, à
simplificação e clarificação da mensagem transmitida criando um forte sentido de ordem e racionalidade
extremamente importantes.
A harmonia e o equilíbrio devem ser mantidos, qualquer perturbação neste sistema é, consequentemente, um
distúrbio na vida após a morte. Para atingir este objetivo de harmonia são utilizadas linhas simples, formas
estilizadas, níveis rectilíneos de estruturação de espaços, manchas de cores uniformes que transmitem limpidez
e às quais se atribuem significados próprios.
A hierarquia social e religiosa traduz-se, na representação artística, na atribuição de diferentes tamanhos às
diferentes personagens, consoante a sua importância. Como exemplo, o faraó será sempre a maior figura numa
representação bidimensional e a que possui estátuas e espaços arquitectónicos monumentais. Reforça-se assim o
sentido simbólico, em que não é a noção de perspectiva (dos diferentes níveis de profundidade física), mas o
poder e a importância que determinam a dimensão.
As cores
A arte egípcia, à semelhança da arte grega, apreciava muito as cores. As estátuas, o interior dos templos e dos
túmulos eram pronfudamente coloridos. Porém, a passagem do tempo fez com que se perdessem as cores
originais que cobriam as superfícies dos objetos e das estruturas.
As cores não cumpriam apenas a sua função primária decorativa, mas encontravam-se carregadas de
simbolismo, que se descreve de seguida:
Preto (kem): era obtido a partir do carvão de madeira ou de pirolusite (óxido de manganésio do deserto
do Sinai). Estava associado à noite e à morte, mas também poderia representar a fertilidade e a
regeneração. Este último aspecto encontra-se relacionado com as inundações anuais do Nilo, que trazia
uma terra que fertilizava o solo (por esta razão, os Egípcios chamavam Khemet, "A Negra", à sua terra).
Na arte o preto era utilizado nas sobrancelhas, perucas, olhos e bocas. O deus Osíris era muitas vezes
representado com a pele negra, assim como a rainha deificada Ahmés-Nefertari.
Branco (hedj): obtido a partir da cal ou do gesso, era a cor da pureza e da verdade. Como tal era
utilizado artísticamente nas vestes dos sacerdotes e nos objetos rituais. As casas, as flores e os templos
eram também pintados a branco.
Vermelho (decher): obtido a partir de ocres. O seu significado era ambivalente: por um lado
representava a energia, o poder e a sexualidade, por outro lado estava associado ao maléfico deus Set,
cujos olhos e cabelo eram pintados a vermelho, bem como ao deserto, local que os Egípcios evitavam.
Era a vermelho que se pintava a pele dos homens.
Amarelo (ketj): para criarem o amarelo, os Egípcios recorriam ao óxido de ferro hidratado (limonite).
Dado que o sol e o ouro eram amarelos, os Egípcios associaram esta cor à eternidade. As estátuas dos
deuses eram feitas a ouro, assim como os objetos funerários do faraó, como as máscaras.
Verde (uadj): era produzido a partir da malaquite do Sinai. Simboliza a regeneração e a vida; a pele do
deus Osíris poderia ser também pintada a verde.
Azul (khesebedj): obtido a partir da azurite (carbonato de cobre) ou recorrendo-se ao óxido de cobalto.
Estava associado ao rio Nilo e ao céu. preto
Lei da Frontalidade
Embora seja uma arte estilizada é também uma arte de atenção ao pormenor, de detalhe realista, que tenta
apresentar o aspecto mais revelador de determinada entidade, embora com restritos ângulos de visão. Para esta
representação são só possíveis três pontos de vista pela parte do observador: de frente, de perfil e de cima, e que
cunham o estilo de um forte componente de estática, de uma imobilidade solene.
O corpo humano, especialmente o de figuras importantes, é representado utilizando dois pontos de vista
simultaneos, os que oferecem maior informação e favorecem a dignidade da personagem: os olhos, ombros e
peito representam-se vistos de frente; a cabeça e as pernas representam-se vistos de lado.
O fato de, ao longo de tanto tempo, esta arte pouco ter variado e se terem verficado poucas inovações, deve-se
aos rígidos cânones e normas a que os artistas deveriam obedecer e que, de certo modo, impunham barreiras ao
espírito criativo individual.
A conjugação de todos estes elementos marca uma arte robusta, sólida, solene, criada para a eternidade.
O artista
Ilustração de Imhotep, o primeiro arquitecto conhecido.
Os criadores do legado egípcio chegam aos nossos dias anônimos, sendo que só em poucos
casos se conhece efectivamente o nome do artista. Tão pouco se sabe sobre o seu carácter
social e pessoal, que se crê talvez nem ter existido tal conceito no grupo artístico de então.
Por regra, o artista egípcio não tem um sentido de individualidade da sua obra, ele efectua um
trabalho consoante uma encomenda e requisições específicas e raramente assina o trabalho
final. Também as limitações de criatividade impostas pelas normas estéticas, e as exigências
funcionais de determinado empreendimento, reduzem o seu campo de actuação individual e,
juntamente com o facto de ser considerado um executor da vontade divina, fazem do artista
um elemento de um grupo anónimo que leva a cabo algo que o transcende.
O trabalho é efectuado em oficinas, onde se reúnem os executores e os seus mestres nas diferentes tipologias
artísticas, escultores, pintores, carpinteiros e mesmo embalsamadores. Nestes locais trabalha-se em série e os
trabalhos saem em série.
No entanto é possível identificar diferenças entre distintas obras e estilos que reflectem traços individuais de
determinados artistas, onde se observam, por exemplo, inovações a nível de composição decorativa. Do mesmo
modo tanto é possível reconhecer artistas com talento, genialidade e perfeito conhecimento dos materiais em
obras de grande qualidade, como artistas que se limitam a fazer cópias.
Mas o artista é também visto como um indivíduo com uma tarefa divina importante. Mesmo que se trate de um
executor ele necessita de contacto com o mundo divino para poder receber a sua força criadora. Sem ele não
seria possível tornar visível o conteúdo espiritual, o invisível. O próprio termo para designar este executor, s-
ankh, significa o que dá vida.
Variantes temporais
A arte egípcia prima, de um modo geral, pela constante homogeneidade e expressa um mundo pictórico e
formal únicos. Esta característica cunha a arte de tal modo, que a identificação de determinada obra como
pertencente a este grande movimento estilístico não oferece dificuldade. Contudo existem algumas nuances no
seu eixo estruturador que são, em grande parte, resultado da sucessão de acontecimentos históricos.
Período Arcaico ou Tinita
Durante o Período Arcaico, e após a descoberta da escrita, o Egipto está unido e o seu desenvolvimento acelera,
estabelecendo-se e cristalizando-se já aqui os traços principais do que será a arte egípcia. Pouco sobreviveu
desta época, mas alguns túmulos e o seu respectivo recheio possibilitam uma ideia da arte da época. Perde-se o
primitivismo formal e são ainda presentes alguma influências da arte mesopotâmica, especialmente nas
fachadas de templos, e domina ainda o uso do adobe cozido ao sol, substituído no final do período pela pedra.
Império Antigo
Pirâmides de Gizé
A III dinastia é remetida por alguns autores já para o início do Império Antigo. Com
a transição para a pedra surge também a arquitectura monumental e a vincada noção
egípcia de eternidade vinculada ao faraó. A mastaba assume-se como o túmulo para
particulares por excelência, inicialmente em forma quadrangular ou de pirâmide
truncada (mais tarde a pirâmide de degraus). As proporções do corpo humano
tornam-se mais equilibradas e harmoniosas, cresce a atenção ao pormenor. É também desta altura Imhotep, o
nome do primeiro construtor a ficar registrado, responsável pelo uso da pedra talhada e da sua aplicação, não só
a uma função, como também a objetivos expressivos. A edificação assume um objetivo simbólico.
Com o Império Antigo estabelece-se a calma e a segurança, bases ao próspero e veloz desenvolvimento da
sociedade onde se estabelecem hierarquias governamentais. Durante a IV dinastia edificam-se as monumentais
pirâmides faraónicas de Gizé (Quéfren, Quéops e Miquerinos) que fascinam pela sua impressionante
construção. Talha-se a Esfinge perto da pirâmide de Quefren em dimensões monumentais, assumindo-se e
homenageando-se o poder faraónico, embora na V dinastia se reduzam as dimensões monumentais para
proporções mais humanas. É também nesta altura que se impulsiona o gosto pelas estátuas-retrato de grande
robustez pelo seu volume cúbico e imobilidade. As figuras apresentam-se de pé (em que a perna esquerda
avança ligeiramente à frente) ou sentadas (na V dinastia surge também a posição do escriva sentado de pernas
cruzadas) e denota-se a diferente coloração da pele usada nas figuras masculinas (mais escura) e femininas
(mais clara). Em termos de decoração tumular propagam-se as representações realistas do quotidiano.
Escultura
Uma tríade de Menkauré
No que diz respeito à escultura podem ser estabelecidas diferenças de concepção entre a
estatuária real e a estatuária de particulares. Na primeira verifica-se um desejo de
imponência, enquanto que a segunda tende para um maior realismo, detectável em
trabalhos como o grupo escultórico de Rahotep e Nofert (IV dinastia).
A estátua do rei Djoser colocada no serdab do seu complexo funerário em Sakara revela
ainda ligações com a arte do período anterior, mas como o rei Khafré e a sua conhecida
estátua em diorite na qual o deus-falcão Hórus protege com as suas asas, oriunda do seu
templo funerário em Guiza, nota-se já uma evolução. Do rei Menkauré chegaram até aos
dias de hoje as chamadas díades e tríades. As primeiras consistem em estátuas do rei com a sua esposa, a rainha
Khamerernebti II. Quanto às tríades, o rei surge representado com a deusa Hathor e uma personificação de um
nomo.
Do tempo da V dinastia são escassas as estátuas de reis, mas em compensação abundam as estátuas de
particulares. São desta época as várias estátuas de escribas que se encontram hoje em dia no Museu Egípcio do
Cairo e no Museu do Louvre, que retratam estes funcionários na pose de pernas cruzadas, uma forma de
representação que se manterá até à Época Greco-Romana.
Os materiais utilizados na escultura deste período foram diorite, granito, xisto, basalto, calcário e alabastro.
Primeiro Período Intermediário
Os tempos políticos conturbados reflectem-se também na arte tornando-a quase inexistente e com uma maior
incidência nos textos literários, que expressam a revolução espiritual da época. Através das pilhagens de
túmulos, a arte restrita dos faraós e figuras de maior importância passa para a mão do homem “mortal” que
acredita ter o mesmo privilégio da vida eterna.
Império Médio
Após o período de decadência do poder central e de instabilidade política que foi o Primeiro Período
Intermediário (e que se reflectiu na arte com o abandono dos cânones estabelecidos) inicia-se o Império Médio
que corresponde à XI e XII dinastias.
Arquitetura
Na arquitetura adaptam-se os padrões estilísticos anteriores ao nível da construção, procurando-se retomar a
construção de pirâmides. Contudo, estas pirâmides não atingem a grandeza das pirâmides do Império Antigo.
Construídas com materiais de baixa qualidade e com técnicas deficientes, o que resta hoje destas construções é
praticamente um monte de escombros. As mais altas pirâmides construídas nesta época foram a de Senuseret III
(78 metros) e a de Amenemhat III (75 metros).
Mentuhotep, monarca que reunificou o Egipto após o Primeiro Período Intermediário, manda construir nas
região de Tebas Ocidental o seu complexo funerário, no qual se detectam elementos da arquitectura do Império
Antigo, como um templo do vale que conduz através de um caminho processional ao templo funerário junto à
rocha.
Pintura e estrutura
A principal característica da pintura e baixos-relevos egípcios é a representação de figuras humanas segundo a
lei da frontalidade, ou seja, com a cabeça e os pés de perfil e o resto do corpo de frente. Da escultura egípcia
destaca-se o contraste entre estátuas colossais, rígidas e sem expressão dos faraós e as estatuetas de particulares,
tais como funcionários e escribas, as quais apresentavam expressividade e naturalismo de movimentos. A
expressão humana na escultura vai ganhar uma nova dimensão e realismo nesta época, passando-se a
representar nas estátuas reais o envelhecimento. Mesmo a representação bidimensional perde a sua dependência
dos cânones adoptando uma maior naturalidade e mesmo noções de profundidade tridimensional. Nesta época
criam-se esfinges reais nas quais o rosto do monarca surge emoldurado por uma juba, como é o caso de uma
esfinge de Amenemhat III. Os locais onde a Pintura do Antigo Egipto melhor se manifestou foram os túmulos
dos governadores dos nomos, em cujas paredes se recriam cenas de caça, pesca, banquetes ou danças. Seguindo
a tradição anterior, o dono do túmulo surge representado em tamanho superior às outras personagens. A pintura
é realizada sobre estuque fresco ou sobre relevo.
Artes decorativas e outras artes
Hipopótamo em faiança
As artes decorativas do Império Médio conhecem uma das épocas mais importantes,
sobretudo no que diz respeito aos trabalhos de joalharia. Os amuletos, os pentes, os
espelhos, as caixas e as candeiais caracterizam-se pela sua beleza. São bastante
conhecidos os pequenos hipopótamos em faiança decorados com motivos vegetais. A
literatura desenvolve o gosto pelo provérbio, o romance, a história, passa também a obedecer a outras funções
como as de influenciar a política, homenagear faraós e mesmo descrever e caracterizar profissões. Mas também
a cunhar este momento está a inquietude herdada do período anterior.
Segundo Período Intermediário
Este é mais um período escuro e de inseguridade do qual pouco se sabe e no qual se
Império Novo
Arquitetura
Templo de Hatchepsut
No Império Novo dá-se de novo a unificação do Egipto e a arte volta ter mais uma
das suas épocas de ouro, com um novo começo em que se vão reavivar as tradições
do passado e em que as forças criadoras vão erguer vários edifícios de pedra de
construção arrojada e que ainda hoje podem ser admirados.
Foi na capital do Império Novo, a cidade de Tebas, que se ergueram os grandes edifícios desta época. A
divindade da cidade era Amon e seu principal centro de culto era o Templo de Karnak, ao qual praticamente
todos os monarcas do Império Novo procuram acrescentar estruturas como pilones.
No Império Novo os reis abandonaram a tradição de serem sepultado em pirâmides, optando por mandar
escavar os seus túmulos nos rochedos próximos, num local hoje são designado como Vale dos Reis. Nesta
atitude são seguidos pelos altos dignitários. A principal razão para esta mudança estaria relacionada com uma
tentativa de evitar os saques. Porém, a intenção revelou-se fracassada: dos túmulos desta era apenas chegaram
intactos até à época contemporânea o de Tuntankhamon, o do casal Iuia e Tuia (genros do rei Amen-hotep III e
pais da rainha Tié) e dos dignitários Sennedjem e Khai.
Num local conhecido como Deir el-Bahari encontra-se o templo funerário da rainha Hatchepsut, mandando
construir pelo seu arquitecto Senemut. O templo enquadra-se perfeitamente na falésia de calcário em que se
encontra, situando-se junto ao vizinho templo de Mentuhotep II, construído quinhentos anos antes.
A arte de Amarna
Mas ainda na XVIII dinastia dá-se, com Amen-hotep IV (que mudou o nome para Akhenaton), uma revolução
religiosa, em que o faraó proclama um "monoteísmo" com o culto de uma só divindade, o disco solar Aton.
Nesta altura propaga-se o chamado “Estilo Ekhenaton” ou Estilo Amarniano (em função do nome moderno da
cidade mandada construir por Akhenaton, Amarna), que se caracteriza por ser muito naturalista, em que se tenta
quebrar com as regras anteriores da solidez e imobilidade. As obras deste período têm maior fluidez e
flexibilidade. Principalmente na escultura assumem-se formas orgânicas e pouco geométricas, que atingem por
vezes aspectos de caricatura. Os membros da família real são representados em cenas da vida familiar (aspecto
completamente novo na arte egípcia) com crânios alongados, que não se sabe se seriam representações veristas
da família (avançando alguns autores a hipótese de que a família real sofreria de síndrome de Marfan) ou
apenas uma espécie de vanguarda artística. Apesar dos eventuais excessos, data deste período o famoso busto
da esposa de Akhenaton, Nefertiti, descoberto em 1922 por uma equipa arqueológica alemã na casa do seu
autor, o escultor Tutmés.
O gosto pela representação do mundo animal e vegetal está igualmente presente. Os sucessores de Akhenaton
devolvem a arte aos padrões anteriores e com Tutancámon está-se já, de novo, no politeísmo.
Busto de Akhenaton Busto de Nefertiti Duas
filhas de Akhenaton
Da XIX dinastia egípcia é de referir Ramsés II que impulsionou diversas construções. Neste momento dá-se o
pico da pintura e do relevo e a literatura abandona o pessimismo voltando-se para o relato ligeiro de histórias
mitológicas, fábulas, épicos de guerra e também para poesia romântica. Até ao final deste período vão-se impor
estilos variados não representativos, que retomam antigas tradições, especialmente a nível da escultura.
Terceiro Período Intermediário
Pendente em ouro de Osorkon II, que representa uma tríade de deuses composta por
Osíris (ao centro), Hórus e Ísis
A época que se seguiu ao reinado de Ramsés III foi marcada pela progressiva
desagregação do poder faraónico, sendo os últimos soberanos da XX dinastia meros
reis fantoches. O Terceiro Período Intermediário, época que compreende cerca de
trezentos e cinquenta anos e que corresponde à XXI até à XIV dinastias, vai continuar
no essencial a arte desenvolvida no Império Novo.
Deste período destaca-se a perfeição alcançada no trabalho dos metais, que se detecta
em trabalhos como as máscaras funerárias dos reis Psusennes I e Chechonk II, no pendente em ouro de Osorkon
II e na estátua em bronze da adoradora divina de Amon Karomama.
Época Baixa
A XXVI dinastia conseguiu reunificar o Egito, dando início à Época Baixa que se desenrola até à XXX
dinastia, embora a presença de povos estrangeiros, como líbios, núbios e persas, é constante neste período.
Durante a Época Baixa o centro do poder real vai localizar-se na região do Delta, onde se encontram as capitais
das várias dinastias, como Sais, Mendes e Sebenitos. São nestas cidades que se ordenam os grandes trabalhos
arquitectónicos. Na escultura da Época Baixa verifica-se um arcaísmo, uma inspiração nos modelos da época
do Império Antigo. Na XXVI dinastia nota-se igualmente o apuro na polidez da pedra, dando origem a
trabalhos que alguns autores denominam como "arte lambida".
Egipto ptolemaico
Templo de Filas, em Assuão.
Em 343 a.C. o Egito assiste ao segundo período de dominação persa que
termina em 332 a.C., quando Alexandre Magno conquistou o Egito. Após
a sua morte será fundada no país das Duas Terras, por um dos seus
generais, Ptolemeu I, uma dinastia que governará o país até à conquista
romana de 30 a.C. Apesar da sua origem macedónia, a dinastia ptolemaica
adoptou as formas artísticas dos Egípcios. Os reis ptolemaicos foram
representados nos templos como os antigos faraós. Das obras que ainda hoje se podem visitar no Egito
permaneceram, em maior parte, as do período grego onde a arte adquire a forte influência da harmonia
helenística. São desta época os conhecidos templos de Ísis em Filas, o templo de Hórus em Dendera e o templo
de Edfu.
O SURGIMENTO DA ARTE BRASILEIRA
A arte brasileira surge da mistura de outros estilos e se inicia desde o período da Pré-História há mais de 5 mil
anos, até a arte primitiva. Ela também foi influenciada pelo estilo artístico de outras sociedades.
Dentre elas, temos a arte da Pré-História brasileira, com vários sítios arqueológicos espalhados pelo território
e tombados pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Outra a ser citada é a arte
indígena, na época do descobrimento do Brasil, quando no início, havia cerca de 5 milhões de índios.
Atualmente, esse número foi reduzido, assim como parte de sua cultura.
Outra arte brasileira a ser citada é a do Período Colonial. O Brasil transformou-se em colônia de Portugal,
depois da chegada de Cabral e eram feitas construções simples, como as feitorias, várias vilas, engenhos de
açúcar como representação da arte. Após a divisão do Brasil em capitanias hereditárias, foi necessária a
construção de casas para os colonizadores.
Na invasão dos holandeses que ficaram no nordeste do Brasil por quase 25 anos, no início de 1624, se instalou
uma cultura vinda dos povos holandeses. Apesar dos portugueses terem defendido o Brasil de invasores, estes
ainda conseguiram instalar-se. Artistas e cientistas vieram para o Recife, trazendo a cultura holandesa. Outro
estilo surgido foi o Barroco, ligado ao catolicismo. A influência da Missão Artística Francesa, no início do
século XIX, quando a família real veio ao Brasil foi intensa. A população começou a imitar a cultura europeia.
Eram pintados retratos da família real e algumas imagens dos índios brasileiros. Arte-brasileira
A Pintura Acadêmica, também no século XIX, na arte brasileira, retrata a riqueza clássica, sendo que era
refletido um padrão de beleza ideal (padrões propostos pela Academia de Belas Artes). Já no início do século
XX, presenciamos o Modernismo Brasileiro, marcado inicialmente pela Semana de Arte Moderna. E, antes
disso, o Expressionismo já começa a chegar ao Brasil e fazer história com Lasar Segall (1891-1957) que
contribui para o Modernismo. Após a Semana de Arte Moderna, vários artistas começaram a desenvolver um
estilo próprio de pintura, sendo ela mais valorizada no país. História da Arte Arte na Pré História Idade Antiga
Idade Média Idade Moderna Idade Contemporânea Arte do Século XX Arte Brasileira Fale Conosco Mapa do
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A arte
A arte é uma forma de educar as pessoas. Ela atua na quebra de rotina e estimula a criatividade encontrada na
mente humana. A arte é manifestada em vários lugares. Os locais onde ela se encontra mais presente são: na
pintura, na escultura, no cinema, na música, na dança, no teatro, na moda, entre outros.
Desde a pré-história, a manifestação artística aparece. Um exemplo disso são as pinturas rupestres. Além de
serem uma forma de comunicação, hoje em dia estão à mostra em museus, como também fazem parte da
educação, sem contar que ela marca a história do mundo. Os movimentos artísticos vêm para confirmar tal
marco.
Os estudiosos dizem que a arte liberta. É fato. Com seu poder de livre expressão de ideias, permite que cada
artista possa, através do seu trabalho, dialogar com o mundo e esbanjar criatividade. Dessa forma, propicia uma
originalidade que procura sair da rotina. Um exemplo disso é a música, que, com sua licença poética, permite
com que o autor possa criar, não importando padrão o culto da língua, nem outros empecilhos da formalidade.
No Brasil, acontecem várias manifestações de arte. A riqueza encontrada no país é ímpar. O estado do Ceará,
por exemplo, contém um grande cervo de humoristas. O Ceará é só uma das 27 Unidades Federativas
detentoras de artistas cheios de talentos. O país possui tanto a arte quanto a história no quesito riqueza cultural.
O Brasil é uma fábrica de artistas talentosos e falar isso não é exagero. Pelo contrário: desde as décadas
passadas, seja no cinema, na música, na literatura, na dança típica, o país é destaque tanto nacional como
internacionalmente.